Existiram seleções que mudaram a cara do futebol de um país. Países pequenos ou não pequenos, a certa altura, conseguiram reunir um número importante de craques que souberam privilegiar o grupo e saltaram para o panorama internacional. O Portugal do Eusébio, do Simões, do José Augusto e do Vicente foi isso mesmo: uma soma de craques que forjaram uma equipa com espírito. A França do Platini, do Tigana e do Giresse foi outro tanto do mesmo, e a Espanha que forjou Luís Aragonés e não Del Bosque foi mais do mesmo, com a particularidade de que Luís soube projetar o futuro e a seleção espanhola perdurou uma década, tal como profetizou o seu forjador.
Todas estas seleções tinham arte e músculo, dedicação e criatividade, classe e empenho, e no banco um treinador muito particular. O Portugal dos Magriços teve o Otto Glória; era mencionado, pelos adeptos, como um treinador paternal. A França de Platini teve em Michel Hidalgo um homem que resgatou a França do deserto competitivo, e ele tinha uma particularidade: foi presidente durante bastante tempo do Sindicato dos Futebolistas. Espanha sentou no banco um homem que superou os jornais desportivos e modificou a forma de jogar da seleção. É falso dizer que imitou o Barcelona; a seleção só tinha três jogadores do Barcelona como titulares e Iniesta jogou o campeonato da arrancada encostado à direita, sendo substituído muitas vezes. Mas Luís Aragonés era tão particular que a sua particularidade era um compêndio de virtudes. Contam as lendas que se soube impor ao Raul e apesar da campanha mediática abusiva e tosca convocou quem entendeu. Um dos seus grandes logros foi recuperar Xavi para a seleção.
A melhor geração de sempre do futebol espanhol; Fonte: UEFA
Todas estas seleções tiveram jogadores que conquistaram estatuto metidos nesse grupo. França teve o Rouchetau. Espanha alumiou Xavi e fez brilhar Marchena como nunca; formou com Puyol uma muralha infranqueável. Portugal deu a conhecer ao Mundo jogadores como Vicente ou José Pereira. Todos estes jogadores eram conhecidos e considerados nos seus campeonatos; no entanto, nenhum tivera a ocasião de sobressair com autoridade. E, mais curioso, os seus treinadores-selecionadores eram treinadores caseiros… Talvez por isso cozinharam belas e grandes equipas com sabor gourmet.
Destas seleções a mais exitosa foi, sem dúvida, a seleção de Espanha. Teve a sorte de manter a coluna vertebral da seleção durante muitos anos, já que Aragonés formou a equipa com jovens. Hoje Iniesta, David Silva ou Sérgio Ramos ainda são peças úteis e fundamentais. Possivelmente, também teve a sorte de reunir a melhor fornada de futebolistas espanhóis de sempre, tal como o Portugal dos Magriços, mas, enquanto Espanha tinha futuro, Portugal estava, já, na idade madura. França reuniu naquele campeonato de 1984 um das melhores linhas médias de sempre, ainda que durante a época de Zidane também tenha sido de espanto; tinha um escudeiro que era um general: Deschamps. Atualmente, todas estas seleções têm grandes jogadores; no entanto, talvez falte a mostarda que lhe aporte o picante necessário para eriçar o sangue e ultrapassar obstáculos. Proximamente, dar-se-á um Campeonato da Europa. Veremos quais destas seleções, apesar dos craques, consegue formar uma alma que as faça reverdecer louros.
A primeira jornada da segunda volta do campeonato proporcionou três resultados diferentes entre os três grandes, sendo difícil atribuir o título de maior surpresa ao empate caseiro do Sporting com o Tondela ou à derrota do FC Porto em Guimarães. Desses resultados que conclusões extrair no que diz respeito à corrida ao título?
A única que se pode invocar para já com total segurança é que o vencedor dessa corrida está longe de estar decidido.
Outra ainda que se pode extrair é que não há ainda nenhum favorito declarado; a classificação e a distância pontual entre as equipas têm oscilado consoante o momento de cada uma, tendo assistido, em apenas três jornadas, a alterações significativas na classificação.
Façamos então a avaliação da força de cada uma das candidaturas pela perspectiva que o momento nos possibilita.
– O FC Porto cai para terceiro lugar e será essa a posição que a sua candidatura terá caso não seja muito feliz no processo de escolha do sucessor de Lopetegui. Como se viu nos últimos jogos é uma equipa cuja perda começou na contestação que estava a ser sujeito o treinador e que agora se estabelece pela orfandade de identidade. Neste momento o seu futebol não é azul nem branco, apenas cinzento. Contudo não está ainda arredado do título porque, apesar dos erros cometidos na formação no plantel, este contém valor suficiente para melhorar substancialmente a sua competitividade. Não no actual contexto, obviamente, em que os jogadores, sem confiança, se exibem muito abaixo daquilo de que são capazes. Além do treinador parece-me também ser necessário resolver o problema da insuficiência de Aboubakar e talvez ainda um central de perfil diferente dos que agora possui. Parece-me pois que o FC Porto precisa quase de um jackpot.
– O SL Benfica está agora a apenas dois pontos do comando, estando muitos furos acima daquilo de que parecia ser capaz há um par de meses atrás, quando três derrotas consecutivas com o maior rival e ex-treinador quase fizeram faltar a luz. O futebol exibido está longe de ser o mais elegante e agradável à vista, mas os resultados estão a aparecer em catadupa, com a equipa a alardear confiança. A qualidade dos seus executantes na frente de ataque garante quase sempre golos, sendo de assinalar que recuperou pontos quando se registava a ausência dos seus melhores jogadores (Gaitán e Sálvio), que em breve estarão de volta. Acresce ainda a ausência do seu capitão Luisão, tido como fundamental na manobra defensiva da equipa.
O jogo de Alvalade em Março será um dos momentos decisivos da época Fonte: Sporting CP
– Por último o primeiro, o Sporting. O jogo com o Tondela foi até agora o que me deixou mais perplexo. Compreendi o empate com o Boavista, sob o prisma da procura de um novo equilíbrio que a ausência de Carrillo inevitavelmente teria de suscitar. Compreendi a derrota com o U. Madeira à luz de algum facilitismo e de acidente de percurso em que o futebol é fértil. Mas aquela primeira parte com o Tondela… Não tenho lugar onde a encaixar. Ainda por cima sem autocarro, se bem que com muita pressão, com a qual os jogadores quase nunca souberam lidar. Este acumulado de desilusões com as equipas aparentemente mais fracas do campeonato levaram-nos pontos suficientes que, associados aos que se perderam em casa com o Paços de Ferreira, dariam para acomodar nada mais nada menos que três desaires, nove pontos, portanto. Que jeito nos dariam para disputar as últimas jornadas do campeonato? Pois…
A ilação a retirar remete-me ao ponto de partida deste campeonato: o Sporting é o menos favorito dos três candidatos ao título. Mas tem sido o que melhor futebol tem exibido, a sua proposta de jogo é a mais sedutora e a que melhor rentabiliza o valor dos jogadores que o técnico tem à disposição. Mas não há sistemas perfeitos e, como se viu agora com o Tondela, o modelo de Jesus tem riscos que são ainda mais elevados numa equipa que ainda precisa de crescer na compreensão total do que a ideia de jogo do seu técnico exige. Só por ingenuidade se pode pensar que sofrer dois golos com o Tondela em lançamentos em profundidade foi meramente casual.
“Paixão pelo jogo, paixão pelo treino e paixão pela profissão”. Na sua entrevista de 2012 ao Bola na Rede, Aurélio Pereira, olheiro do Sporting que descobriu Cristiano Ronaldo, apontou estas três características como indispensáveis para que um futebolista, por mais talentoso que seja, possa vingar no futebol. Ora, não é preciso estar muito atento a CR7 para saber que ele reúne essas qualidades – em níveis por vezes até exagerados, pelo menos aos olhos do adepto comum.
No que diz respeito ao treino, sucedem-se os treinadores e colegas que dizem sempre o mesmo: Ronaldo é o primeiro a chegar e o último a sair da sessão, trabalhando sempre de forma incansável. O apreço pela profissão vê-se no respeito que o português tem pelo desporto que lhe mudou a vida: uma boa dose de sorte é indispensável, mas o brio profissional tem-no ajudado a permanecer no topo durante todo este tempo. Já a paixão de Ronaldo pelo jogo em si é o factor mais visível a qualquer adepto e, simultaneamente, aquele que mais se confunde com uma obsessão. São conhecidos os episódios em que CR7 foi pouco exuberante nos festejos após um golo de um companheiro, assim como também é nítida a sua avidez pela baliza mesmo que a sua equipa já esteja a golear. Se puder fazer quatro golos, Ronaldo vai ficar chateado caso marque apenas três. Independentemente de se gostar ou não desse traço de personalidade, a verdade é que também é a ambição desmedida que permite fazer com que Ronaldo, Mourinho ou tantos outros se superem a si próprios.
Nada acontece por acaso – a seriedade e intensidade no treino são duas das razões para o sucesso de CR7 Fonte: Facebook oficial de Cristiano Ronaldo
Admirar Cristiano Ronaldo em 2016 é natural. Tão natural como alguém gostar de ir à praia ou de beber imperiais e comer tremoços com os amigos. Os poucos que disserem que não gostam são olhados de lado e rapidamente questionados acerca dos seus motivos – quase sempre ridicularizados porque, como qualquer pessoa normal sabe, ir à praia ou beber imperiais é bom. Não se pode dizer, portanto, que dedicar um texto nesta rubrica a Cristiano Ronaldo seja algo de extraordinário. Mas o nº 7 do Real Madrid e da Selecção merece figurar neste espaço. Ele e Messi – é impossível não trazer o argentino para este texto, porque não o fazer seria negar a realidade futebolística da última década – são dois raros exemplos de futebolistas que atingiram rápida e inequivocamente o estatuto de lendas, sendo colocados de forma unânime não apenas no topo dos futebolistas da sua geração, mas também no de toda a História da modalidade. Tanto um como o outro conseguiram-no e é por isso que, mais do que comparados, devem ser admirados.
Num ponto não posso, contudo, deixar de fazer uma pequena comparação entre Ronaldo e Messi ou, se quisermos, um pequeno reparo a algo que já se tornou hábito dizer-se acerca de ambos: “o problema de Ronaldo é Messi”, disse um dia Jürgen Klopp, e imitamos nós com cada vez maior frequência. O alemão afirmou-o com a melhor das intenções, não duvido, e por entre elogios ao craque português. Não estou também a pôr em causa a veracidade da afirmação. Mas a verdade é que tanto pode dizer-se isto de Ronaldo como de Messi. Ou seja, se o português não é o melhor jogador da última década de forma absolutamente inequívoca, isso deve-se ao 10 do Barça; mas, de igual modo, o argentino só não coleccionou oito Bolas de Ouro consecutivas porque existe Ronaldo. O extremo português também impediu o rival do Barcelona de ir ainda mais além no que toca a distinções individuais – e isso é assinalável, porque só um monstro com uma regularidade assombrosa conseguiria fazer Messi abrandar. Esta competição saudável taco-a-taco, por muito que ambos digam que não pensam um no outro, também faz Ronaldo e Messi quererem ser melhores. E o futebol agradece.
Ronaldo precisou de pouco mais de 6 épocas para destronar Raúl e tornar-se no melhor marcador de sempre do Real Fonte: Facebook oficial de Cristiano Ronaldo
Enquanto Sportinguista, a minha admiração por Ronaldo ganha uma outra dimensão – ainda que não tenha ilusões quanto a um regresso futuro do craque a Alvalade, porque o mundo dele é de uma galáxia material e mediática muito distante da realidade portuguesa. Contudo, recordarei para sempre o seu aparecimento repentino na equipa principal leonina, juntando-se a Quaresma e emprestando um nível elevadíssimo de magia e repentismo aos corredores laterais do Sporting, que mascarou um pouco uma péssima temporada a nível colectivo. Testemunho com afecto e fervor os sucessos de um jogador que vi dar os primeiros passos no meu clube. As minhas tardes passadas a ver jogos do Manchester United tornaram-se por isso frequentes, assim como os golos de Ronaldo, cada vez em maior número.
Em Madrid, menos “artista” mas mais letal, o extremo ridicularizou a lógica dos números: até então, o recorde de golos marcados no campeonato espanhol estava nos 38, Ronaldo estabeleceu a marca em 41 (Messi viria depois a conseguir 50, num ano em que CR7 fez 46 e, no ano passado, o português marcou por 48 vezes – uma escalada de golos sem precedentes!). Colocou também o recorde de golos numa edição da Liga dos Campeões em incríveis 17 remates certeiros e precisou de pouco mais de 6 épocas em Madrid para se tornar no melhor marcador de sempre do Real, com 340 golos até ao momento – Raúl, que detinha o anterior recorde (323 tentos) necessitou de 16 temporadas para atingir tais números. Contudo, o melhor elogio que se pode fazer a Cristiano Ronaldo é notar que ele obrigou outro mito do futebol, o brasileiro Ronaldo, a passar a ser chamado “Fenómeno” já depois do fim da sua carreira, como forma de distinção entre duas lendas. Não existe maior prova do que esta para demonstrar que Cristiano Ronaldo alcançou definitivamente o céu do desporto-rei.
Em menos de 7 anos, CR7 pulverizou os recordes de golos marcados do Real Madrid Fonte: Wikipedia
Dito isto, não gostaria de terminar este texto sem procurar desconstruir, em poucas palavras, alguns mitos que se foram criando acerca de Cristiano Ronaldo:
1) “Messi é talento e Ronaldo é trabalho”: Se Ronaldo fosse só produto do seu trabalho, isso implicaria admitir que qualquer miúdo que passasse tanto tempo como ele no campo de treinos e no ginásio teria hipóteses de, um dia, poder tornar-se no melhor jogador do mundo. Ora, como é óbvio, isto não é verdade. Do mesmo modo, se tivesse apenas talento e nada mais, Messi ter-se-ia perdido rapidamente, tal como aconteceu a milhares de outros miúdos a quem não faltava qualidade. A verdade é que ambos os astros são uma óptima simbiose entre o talento e a tal paixão pelo jogo, pelo treino e pela profissão de que falava Aurélio Pereira. A seriedade com que os dois encaram a profissão, bem como a procura da perfeição no seu jogo, faz com que Ronaldo e Messi sejam exemplos ímpares de uma conjugação perfeita entre talento e trabalho.
2) “Ronaldo só marca contra as equipas fracas”: Por definição, uma equipa fraca é mais vulnerável do que uma equipa forte, estando por isso mais propensa a que as suas defesas sejam quebradas. Estranho seria existir um jogador que apontasse constantemente hat-tricks contra os “colossos” e não se fizesse notar contra equipas de menores dimensões. No entanto, dizer que Ronaldo só coloca o seu nome na lista de marcadores frente aos adversários mais fáceis não é, pura e simplesmente, verdade. No fim de Setembro de 2015, a Sky Sports divulgou a lista das maiores vítimas de CR7 desde que está em Madrid: o Barcelona e o Atlético, os dois principais rivais do Real, estão empatados na terceira posição do ranking das equipas que sofreram mais golos do português, com 15 cada. A lista é encabeçada pelo Sevilha (21 golos) que, não sendo uma equipa ao nível das outras, tem-se afirmado como um dos melhores emblemas espanhóis da última década. O Getafe (18 golos) vem em segundo.
3) “Ronaldo só marca golos de penálti e de ‘encostar’”: CR7marca bastantes golos de penálti, sim. Foram 10 em 48 na última edição da liga espanhola, aos quais se somaram ainda outras 3 penalidades na Liga dos Campeões. Curiosamente, uma vez que 5 dos 43 golos de Messi nesse campeonato também foram de grande penalidade, facilmente se conclui que, excluindo os castigos máximos, ambos os astros marcaram os mesmos 38 golos. Contudo, se recuarmos outra época, notamos que Ronaldo e Messi converteram exactamente o mesmo número de penáltis no campeonato e Champions: 6 na primeira competição, 2 na segunda. A alimentar este mito acresce o facto de o aproveitamento de penáltis por parte de CR7 ser maior do que o de Messi, dando ideia de uma clivagem maior do que a que existe realmente.
Sobre os golos “de encostar”, embora tanto Ronaldo como Messi tenham começado as suas carreiras como extremos, nos últimos anos o primeiro tem-se tornado sobretudo um finalizador, ao passo o segundo baixa cada vez mais no terreno para ir buscar jogo e fugir às marcações. Assim sendo, é natural que CR7 seja quem os colegas procuram para concluir as jogadas. De qualquer das formas, estamos a esquecer-nos de uma coisa: os golos valem todos o mesmo. E, nesse particular, há poucos jogadores melhores do que Cristiano Ronaldo na história do futebol. Juntamente com Messi, Ronaldo é o grande responsável por nós, adeptos, termos passado a considerar “normal” que um futebolista tenha mais golos marcados do que jogos disputados. E isso é notável, tendo em conta que a melhor época da carreira do Ronaldo “Fenómeno” foram 37 jogos e 34 golos, e a de Thierry Henry foram 37 jogos e 30 golos. Como já tive oportunidade de dizer, não foram os craques antigos que passaram a ser maus; Ronaldo e Messi é que são de outro planeta.
Ao contrário do que se diz, Ronaldo não marca só a equipas pequenas Fonte: Sky Sports (dados de Setembro de 2015)
Na já mencionada entrevista que concedeu ao nosso site, Aurélio Pereira disse que começou a suspeitar que Ronaldo seria um caso sério logo nos primeiros tempos do madeirense com o leão ao peito. Num treino, o pequeno Ronaldo estava a ser marcado em cima antes de um lançamento lateral e, “apesar de ser um ano mais novo do que esse adversário, voltou-se para trás e disse-lhe: ‘ó miúdo, tem calma!’”. O à-vontade de Ronaldo em campo, bem como o facto de não ter medo de assumir o jogo nem de errar são, como se vê, características praticamente inatas nele. Como tal, somadas a uma capacidade de trabalho e talento sobre-humanos, resultaram num dos melhores e mais completos futebolistas que o mundo já viu, conjugando velocidade, drible, remate com os dois pés, remate de cabeça, inteligência, capacidade de reacção e características físicas quase imbatíveis.
Se, como também disse Aurélio Pereira, é verdade que “entre o sucesso e o insucesso muitas vezes está um cabelo”, não é menos verdade que, no que dependia apenas de si, Cristiano Ronaldo fez sempre tudo para chegar ao actual patamar. Quando CR7 começou a carreira, o Olimpo do futebol era formado por Pelé e Maradona; quando se retirar, o imaginário dos “melhores de sempre” inclui-lo-á também a ele, assim como o seu rival argentino do Barcelona. Por ter conseguido reconfigurar desta forma o panorama do futebol mundial, Ronaldo merece este texto de louvor e muito mais. No seu horizonte estará, seguramente, conseguir vencer a breve trecho os títulos colectivos que o Real Madrid até agora não lhe soube dar. E ele irá, como até aqui, disputar cada jogo como se fosse o primeiro da carreira e precisasse de se mostrar ao treinador para ganhar um lugar na equipa. É assim Cristiano Ronaldo, um competidor de primeira água e um vencedor como há poucos no mundo. É um enorme prazer poder vê-lo jogar.
O FC Porto está de rastos. Já estava assim antes de Lopetegui ser despedido, mantém-se assim com Rui Barros no comando técnico. O que mais aflige é a inércia do clube. Como um todo. Desde os jogadores, ao mais alto dirigente. Isto não é o Porto, e parece que todos, menos os que realmente decidem, percebem isso.
O jogo de Guimarães foi a derradeira prova dos nove. Porque essas não têm faltado. A equipa da casa, unida em torno de um objetivo, depois de toda a celeuma em redor do seu treinador, conseguiu sempre responder com facilidade às tentativas azuis e brancas de se aproximarem da baliza. A turma de Sérgio Conceição entrou forte na partida, com ideia de imprimir velocidade, algo que resultou, impulsionado por mais um erro de Iker Casillas.
Casillas deu um frango em Guimarães Fonte: desporto.sapo.pt
Depois, não há muito a dizer. Porque o FC Porto nunca foi capaz de responder com eficácia à desvantagem. Como não é há já mais de ano e meio. Tudo parece altamente mecanizado e automático. Não há espaço para o improviso e, claro, se algo corre mal, ou surge inesperadamente, a confusão alastra-se e cada jogador rema para o seu lado. Algo que é inconcebível e inadmissível para uma equipa que quer ser campeã.
Rui Barros? Não se lhe pode exigir nada. O estado de graça do “pequeno génio” terminou, e com estrondo. Nunca poderia mudar época e meia de ideias implementadas na equipa e não tem as bases para isso. Não sei o que se pode pedir mais. O clube da Invicta, o clube vencedor, não é isto, e o que o encontro do D. Afonso Henriques mostrou foi um estado de espírito comum (o do Vitória) contra retalhos de uma manta há muito furada e despedaçada.
Atingiu-se um ponto de não retorno. O que se segue? Já não sabemos. Por outra altura, acreditava-se na capacidade de quem manda. Hoje, até isso é difícil.
A Figura:
Miguel Silva – O guarda-redes do Vitória teve um teste de exigência média-alta e passou-o com distinção. Seguro e maduro, quase parecia mais adulto que… Casillas. Tem 20 anos.
O Fora-de-Jogo:
FC Porto – Impossível distinguir alguém pela negativa quando tudo parece (ou é) tão mau. O clube está irreconhecível e a culpa não era só de Lopetegui.
Após ter protagonizado uma temporada histórica em 2015, não surpreende que Novak Djokovic se apresente em Melbourne como claro favorito à conquista do seu 11.º título do Grand Slam – sexto na Austrália -, especialmente após a maneira demolidora como derrotou Nadal na final de Doha na primeira semana da temporada.
Não há, porém, falta de jogadores com ambições de derrotar Djokovic e levar o troféu para casa. Na sua metade do quadro, perspectiva-se uns quartos de final entre o sérvio e Tsonga ou Nishikori – ambos jogadores que já venceram Djokovic em torneios do Grand Slam. O japonês estará especialmente desejoso de provar as suas credenciais com uma grande vitória, após uma temporada de 2015 que, não tendo sido fraca, foi algo desapontante. Não terá tarefa fácil, porém, não só tendo, muito provavelmente, de levar de vencido Tsonga e Djokovic para chegar às meias-finais, como também tem uma primeira ronda muito difícil contra Kohlschreiber; esse é, aliás, estou em crer, o encontro mais interessante da primeira ronda, entre dois fantásticos shotmakers.
Caso Djokovic atinja as meias finais, como é de esperar, podemos muito bem ter uma reedição das recentes finais de Wimbledon, US Open e World Tour Finals contra Federer. O número três mundial, campeão por quatro vezes na Austrália, tem como principais obstáculos no caminho para as meias-finais Berdych/Cilic/Kyrgios (apenas um poderá defrontá-lo nos quartos de final); Dimitrov e Dolgopolov são adversários difíceis para as rondas iniciais, mas é de esperar que Federer os derrote sem grandes problemas – nunca esquecendo que, dada a sua idade e consequente inconsistência, nunca pode ser descartada uma derrota surpresa de Federer, como aconteceu o ano passado neste mesmo torneio contra Seppi na terceira ronda. Em princípio, porém, o grande desafio de Federer antes das meias-finais virá contra Berdych, Cilic ou Kyrgios.
Na metade inferior, existe a possibilidade de uma reedição da final de 2014 entre Nadal e Wawrinka nos quartos de final. Mas ambos terão alguns potenciais obstáculos no caminho: Gulbis e Monfils (ou Anderson) para Nadal; Sock e Raonic para Wawrinka. Não era de espantar especialmente se Raonic derrotasse o suíço; será certamente um encontro muito equilibrado se acontecer, o actual ranking de Raonic não reflecte o seu nível (esteve lesionado em 2015), como se viu em Brisbane – onde o canadiano derrotou Federer na final. O vencedor deste quarto do quadro irá quase certamente defrontar Murray nas meias-finais; o escocês tem um quadro bastante fácil em teoria, sendo difícil ver quem poderá batê-lo antes das meias-finais. Em princípio, se não houver grandes surpresas, o finalista desta metade do quadro será Nadal, Wawrinka ou Murray. Esta pode ser quiçá a oportunidade ideal para Nadal confirmar o progresso que demonstrou nos últimos torneios de 2015.
João Sousa vai ter uma tarefa muito difícil na Austrália Fonte: Facebook Oficial de João Sousa
Previsão a partir dos QF:
Djokovic 3-1 Nishikori
Federer 3-1 Berdych
Nadal 3-1 Raonic
Murray 3-0 Ferrer
Meias finais:
Djokovic 3-1 Federer
Nadal 3-1 Murray
Final:
Djokovic 3-1 Nadal
Dito isto, seria bom para o espectáculo se estas previsões estivessem completamente erradas e houvesse grandes surpresas nas fases adiantadas do torneio.
Notas soltas:
– Desde del Potro em 2009 que não vemos nenhum jogador jovem (U21) a afirmar-se como top 5 mundial. Neste caso, os sorteios também não estão a ajudar; Chung tem Djokovic na primeira ronda, Zverev defrontará Murray, Coric tem Cilic na segunda ronda, etc…
– Djokovic e Wawrinka defrontaram-se na quarta ronda em 2013, quartos de final em 2014, meias finais em 2015… final em 2016? Wawrinka teria provavelmente de bater Raonic, Nadal e Murray para lá chegar, mas o suíço já demonstrou ter capacidade para o fazer;
– João Sousa, único representante português e cabeça de série número 32 do torneio, defrontará Kukushkin na primeira ronda, num encontro que as casas de apostas (bem, a meu ver) consideram quase 50/50, com ligeiro favoritismo para Sousa. Caso vença esse encontro, tem também boas possibilidades de vencer Giraldo/Young, mas esse será o seu melhor resultado possível. Tal como em 2015, Andy Murray estaria à sua espera na terceira ronda; Sousa ganhou sete jogos nesse encontro o ano passado, não se espera muito melhor este ano caso consiga de facto chegar novamente à terceira ronda.
Chega-nos da Croácia, mais concretamente de Split, uma história que tem muito pouco em comum com aquelas a que assistimos nos dias de hoje, especialmente numa realidade que, por vezes, é tão suja, como é o caso daquela que se vive no futebol.
A cidade de Split dá abrigo a um dos emblemas mais importantes do leste da Europa, o HNK Hajduk, que conta com um historial preenchido de troféus e momentos de glória no antes e depois do desmembramento da Jugoslávia. Reza a história que o Hajduk Split era a equipa do coração do Marechal Josip Broz Tito e que este tentou que o emblema da região da Dalmácia se mudasse de armas e bagagens para a capital, Belgrado, com o intuito de o transformar na equipa do regime, algo que foi recusado pelos responsáveis do clube no período pós 2.ª Guerra Mundial, uma vez que os mesmos entendiam que o Hajduk deveria manter-se fiel às suas origens e continuar na cidade de Split.
Muito mudou desde então, mas, 70 anos mais tarde, o HNK Hajduk Split continua a ser uma equipa com uma identidade quase inabalável, um verdadeiro viveiro de jovens jogadores e o segundo emblema mais importante do país.
Um desses jovens jogadores, que dá pelo nome de Nikola Vlašić, é um dos protagonistas, talvez o principal, de uma das histórias mais fascinantes dos últimos tempos no futebol europeu. O jovem de 18 anos, figura de primeiro plano na actual equipa do HNK Hajduk Split, recusou uma oferta de cerca de dez milhões euros de um clube da English Premier League, para, imagine-se só, não perturbar o treino da sua irmã mais velha, a saltadora olímpica croata, Blanka Vlašić, que prepara com afinco a sua participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que terão lugar em Agosto deste ano.
Nikola Vlašić em acção esta temporada pelo HNK Hajduk Split Fonte: direktno.hr
O pai dos Vlašić, Joško, também ele um antigo atleta de decatlo da extinta Jugoslávia, é o treinador de Blanka (e foi também treinador de Nikola desde tenra idade) e tem acompanhado de muito perto a preparação da sua filha para as olimpíadas, e uma mudança de Nikola para a liga inglesa, neste momento, não permitiria ao antigo atleta jugoslavo acompanhar os treinos de Blanka, já que teria de seguir com o jovem prodígio do Hajduk para o país de sua majestade.
Numa entrevista recente ao goal.com, Joško justificou esta decisão, que, segundo ele, foi tomada após uma reunião em família, com a necessidade de Blanka se manter cem por cento focada nos treinos e com o facto de Nikola ser ainda muito jovem, não sendo porventura a altura ideal para deixar a sua cidade natal, Split: “Tudo aquilo que posso e quero dizer é que actualmente existe a oferta de um clube inglês para contratar o Nikola e que o quer para jogar na primeira equipa, não para ser suplente, nem para ser emprestado (…). Não quero revelar qual é o clube em causa, mas sim, seria a maior transferência da história do Hajduk Split. (…) Mas, após uma reunião, decidimos recusar a oferta. Eu não sei aquilo que o Hajduk vai decidir fazer, mas nós, em família, decidimos que ainda é muito cedo para ele deixar Split. (…) Também porque a sua saída agora no inverno iria significar uma mudança enorme nos nossos planos familiares: eu teria de seguir com ele para Inglaterra e a Blanka está a meio da sua preparação para os Jogos Olímpicos do Rio.”.
Esta decisão não significa, no entanto, que a transferência não venha a acontecer a médio prazo, uma vez que Joško Vlašić está disposto a manter contacto com o tal clube inglês de forma a tornar possível a mudança num futuro próximo e talvez por uma quantia ainda superior à actual: “A quantia envolvida é realmente elevada, mas acreditamos que o Nikola pode tornar-se ainda melhor. (…) Manteremos contacto com o clube que o quer contratar e que já o vem seguindo há bastante tempo”.
O Clã Vlašić – o pai Joško e a filha Blanka Fonte: blanka-vlasic.hr
Esta decisão da família Vlašić está a gerar alguma controvérsia, uma vez que alguns media e comentadores desportivos acreditam que o jovem Nikola estará e virá a ser altamente prejudicado por esta decisão familiar.
O número 8 do HNK Hajduk Split tem tido um papel importante na equipa de Damir Buric esta temporada, que ocupa o 3º lugar da MAX PRVA LIGA, a seis pontos do líder GNK Dinamo Zagreb e a quatro do HNK Rijeka. Nikola trata-se de um médio ofensivo altamente versátil que pode actuar como armador de jogo, extremo esquerdo ou direito, ou ainda como segundo avançado, como uma espécie de 10 à moda antiga por detrás do ponta de lança. O jovem Vlašić já participou em 19 jogos da liga croata esta temporada, tendo apontado um golo e tendo contribuído com cinco assistências para golo.
Nikola Vlašić é, em conjunto com Andrija Balic, um dos valores mais seguros do HNK Hajduk Split e do futebol croata actualmente e as circunstâncias que envolvem esta sua transferência “falhada” para um grande do futebol inglês fazem-nos obrigatoriamente pensar que nem todos os que estão envolvidos no desporto rei hoje são movidos por motivos de ordem financeira e que a paz e harmonia pessoal e familiar ainda valem alguma coisa na promenade capitalista em que o futebol actual se transformou.
As equipas estavam separadas por quatro pontos na tabela classificativa. À entrada para esta segunda volta do campeonato, o Marítimo da Madeira era décimo, com 21 pontos, e o União da Madeira era 15.º, com 17 pontos. O Marítimo vinha moralizado depois de uma fulgurante vitória diante do Moreirense, na última jornada, por 5-1, e o União desejava repetir a vitória com que se estreou na Liga NOS, vindo de uma derrota por 1-0 com o Rio Ave.
Tarde nublada e, com o cair da noite, a humidade aumentava, a temperatura descia e por isso mesmo foi um início de jogo explosivo. Antes, e enquanto madeirense, não posso deixar de frisar o arrepio que me veio à espinha dorsal com o ambiente escaldante e de alegria que se vivia no Caldeirão! Que “monumento” ao futebol da Madeira.
Primeiros 15 minutos de jogo intensos no Funchal, com ambas as equipas a procurarem o golo. Ainda não se tinham jogado dois minutos e já o União tinha criado minutos de jogo. Comandou o Marítimo, sempre com lances pela esquerda do ataque, com combinações entre Edgar Costa e Rúben Ferreira. Uma delas resultou num livre, e a outra num canto; nenhuma das situações criou grande perigo para a baliza de André Moreira. Aos 10 minutos de jogo aparecia Amilton, irreverente, poderoso, explosivo, dinâmico e irrequieto. Arrancou pela direita do ataque azul e amarelo e cruzou para a área de baliza defendida por José Sá. Voltava o União a tomar conta do jogo, sobretudo pela direita, muito por culpa de um Briguel muito lento, que foi, por duas vezes, ultrapassado por Danilo Dias.
Ivo Vieira ficou insatisfeito com o resultado final
Aos 23 minutos de jogo, depois de uma poderosa arrancada de Amilton pela direita, e depois de ter visto um cartão amarelo aos 17 minutos, Raúl Silva trava, na opinião de João Capela, em falta o avançado do União e recebe guia de marcha para os balneários. Era a quinta expulsão em dezoito jornadas.
Com a expulsão de Raúl Silva, Ivo Vieira tinha de mexer na equipa, e aos 25 minutos de jogo substituía Éber Bessa por Dirceu. Na sequência da substituição e na cobrança de um livre da direita, Joãozinho coloca a bola na área, Gian chuta para as redes de José Sá, mas João Capela invalida o golo por fora-de-jogo.
Aos 35 minutos, depois de um livre na direita marcado por Briguel, Dirceu cabeceou por cima da baliza de André Moreira mas com algum perigo. E 30 segundos depois, Marega, na única situação ao longo desta primeira parte, tira três adversários do caminho, com um drible genial, e já dentro da área do União rematou para defesa apertada de André Moreira. Continuava a dar Marítimo, insistia e não desistia, e Fransérgio, pelo centro do terreno, guardou a bola por tempo a mais e não conseguiu criar perigo para a baliza adversária.
Ao cair do pano na primeira parte, Joãozinho ganha a bola no bico direito da área e remata forte com a bola a sobrevoar perigosamente a baliza da equipa da casa. Na resposta, livre pela esquerda do ataque verde-rubro, com cruzamento de Tiago Rodrigues, e a bola a viajar direitinha para as mãos do guardião azul e amarelo.
Na segunda parte, foi a vez de o Marítimo entrar determinado na obtenção do golo que lhe desse a vantagem. Marega primeiro e Baba depois tentavam inaugurar o marcador. Marega ainda caiu na área adversária e ficou a pedir penalti, mas João Capela mandou jogar. Depois, foi a vez de Baba tentar a sua sorte, mas a bola a sair por cima da baliza de André Moreira. Na resposta, e depois da alteração ao intervalo feita por Norton de Matos, que trocou Gian Martins por Cádiz, o União, pela esquerda do ataque, através de um excelente trabalho de Danilo Dias, tendo pela frente um Briguel apático, cruza a bola para a área, e José Sá decide oferecer a bola a Cádiz, que não perdoa e inaugurava o marcador.
Jogavam-se quatro minutos e o União colocava-se na dianteira do marcador. Empolgados pelo golo, os jogadores azuis e amarelos voltaram a ter hipótese de marcar, uma vez mais, o golo: primeiro Shehu, depois de muita confusão na área do Marítimo e de uma mão que João Capela não assinalou, rematou para defesa apertada de José Sá. Na mesma jogada, Danilo Dias voltou a provocar perigo à baliza da equipa da casa. Carregava no acelerador o União, e Ivo Vieira percebia que Briguel era o elemento menos dentro de campo, substituindo-o pelo regressado Patrick Vieira.
À hora de jogo, depois de um canto na esquerda, Baba cabeceava por cima da baliza do União da Madeira. Continuavam a insistir os dez verde rubros presentes em campo. Deyvison lança Marega pela direita, que criava perigo para a baliza do União. Só dava Marítimo, e, numa excelente combinação ofensiva, Marega rematou muito perigosamente.
Em desvantagem, as bancadas começavam a vaiar os jogadores de ambas as equipas. Foram várias as vezes em que os adeptos do Marítimo – os mais fervorosos, pelo menos – chamaram a Danilo Dias traidor. O caldo estava entornado com Toni Silva no chão, num claro anti-jogo ao qual já assistimos, sobretudo no jogo diante do Sporting Clube de Portugal. E ao longo de cinco minutos o que menos interessou foi o futebol, com claro destaque para a confusão vinda das bancadas mas também de dentro do relvado.
Voltando ao futebol, aos 74 minutos, Cádiz isola-se frente a José Sá, tenta fazer a “cueca” ao guardião verde-rubro mas sem efeito.
Luís Norton de Matos saiu satisfeito com a conquista dos três pontos
Estava melhor e por cima do jogo o União. Aos 80 minutos, Breitner remata com defesa apertada de José Sá. Ainda na sequência do lance, a defensiva do Marítimo não consegue afastar para longe, e Paulinho remata com a bola a bater com estrondo no poste direito da baliza de José Sá. Continuava a pressionar o União, que tentava ampliar o resultado, e Joãozinho quase marcava.
Aos 85 minutos, Paulinho arranca pela direita, cruza para a área e aparece Patrick Vieira in extremis a cortar para canto. Na sequência do lance, Norton de Matos aproveita a paragem na partida e lança o miúdo Rúben Andrade, trocando-o pelo ex-Marítimo Danilo Dias, que deixava o relvado sobre um coro de assobios e impropérios. Aos 88 minutos, o venezuelano Breitner remata e a bola vai ao poste da baliza dos da casa. Na resposta, Marega cai na área, reclama-se, num uníssimo coro, penalti, mas João Capela mandou jogar.
Na última jogada digna de registo, o Marítimo podia ter empatado. Mas perdeu tudo! E perdeu tudo porque Dirceu e Rúben Ferreira decidiram manchar ainda mais o jogo para os da casa. Dirceu porque, sem qualquer motivo, decidiu rasteirar Amilton com violência. Rúben Ferreira porque decidiu responder às provocações do médio do União e perdeu a compostura, sendo expulso.
No final, claro está, a festa do lado dos visitantes e a frustração dos da casa, com João Capela a ser muito contestado. Vitória nas duas partidas entre ambas as equipas a pertencer a um União que vai fazendo o campeonato com as armas que tem e que, deste modo, parte de novo moralizado para o dérbi da próxima jornada diante do Nacional da Madeira.
A Figura Jhonder Cádiz – Num jogo onde as figuras foram os que decidiram ir tomar banho mais cedo, deixo nota positiva para Cádiz, que entrou ao intervalo e que, logo no início da segunda-parte, resolveu a partida a favor do União.
O Fora-de-Jogo
Briguel – Apático, por diversas vezes foi ultrapassado pela ofensiva unionista. Foram vários os lances onde se denotou a “não presença” do capitão do Marítimo dentro de campo. E com a expulsão de Raúl Silva pior ficou.
Sala de Imprensa
Luís Norton de Matos – O treinador do União da Madeira surgiu na sala de imprensa a realçar a importância dos três pontos alcançados diante do Marítimo. Norton de Matos referiu que o União “teve oportunidades suficientes para resolver o jogo mais cedo” e desse modo “ter poupado estes nervos finais”. À pergunta do BnR sobre o factor “campeonato interno”, no que diz respeito às três equipas da Madeira, Norton de Matos referiu que foram apenas “três pontos ganhos a um clube rival, não inimigo” e que são esses três pontos que lhe interessam enquanto treinador do União da Madeira, não esquecendo a importância que esta vitória tem para com a massa adepta azul e amarela.
Ivo Vieira – Chateado, Ivo Vieira chegou à sala de imprensa, onde aproveitou para “dar um murro na mesa”. Falando de uma forma geral, Ivo Vieira acusa as equipas adversárias de se aproveitarem do excelente relvado de que o Marítimo dispõe e de se “atirarem para a piscina, querendo sacar o máximo de cartões possíveis” aos verde-rubros. O treinador do Marítimo aproveitou ainda para lançar uma farpa ao União e ao comportamento de alguns jogadores azul e amarelos. “Os cartões vermelhos são mais festejados do que os próprios golos”, disse. Concluindo, Ivo Vieira destaca que os jogadores do Marítimo sentem-se injustiçados e que, desse modo, perdem um pouco a compostura e a inteligência dentro de campo porque, segundo o técnico do Marítimo, “são seres humanos.” Já questionado pelo BnR sobre a possível transferência de Marega, Ivo Vieira preferiu referir que perdeu três jogadores para o próximo jogo e “rematou para canto”, dizendo que só o presidente do Marítimo, Carlos Pereira, pode responder a essa questão.
Terminou tudo empatado no segundo jogo da segunda volta do campeonato nacional, com Académica e Paços a somarem um ponto, cada uma no final de 90 minutos intensos, aguerridos e, a espaços, com grande qualidade táctica.
O Paços entrou melhor no jogo, conseguindo, com um bloco compacto, condicionar a construção ofensiva da Briosa, apostando depois na exploração dos flancos (Pelé era o principal municiador). No lado esquerdo estava Diogo Jota, rebelde inconformado que só parece viver bem quando provoca o caos nos outros (adversários), e que deu muitíssimo trabalho a Aderlan contando com a colaboração de Andre Leal e Hélder Lopes para as tabelinhas que patrocinavam os seus intentos; na ala contrária estava Edson Farías, cujas incursões para o meio, principalmente sem bola, permitiam a penetração de Andrezinho, normalmente solto de marcação. Foi numa jogada deste género, aliás, que fez surgir o golo dos pacenses, com o médio emprestado pelo Benfica ao Paços a lançar o lateral direito que, depois de tabelar com o seu colega de flanco, aproveitando o espaço deixado pela defesa academista, cruzou para o coração da área, onde apareceu Diogo Jota, a inaugurar o marcador.
Tentava reagir a Académica, procurando furar uma organização compacta, em busca de um erro, de uma falha que permitisse palmilhar o terreno virgem que era, até então, a área pacense. Não conseguia, e era o Paços a avisar que podia ampliar a vantagem, utilizando o mesmo método que lhe permitiu chegar à vantagem no marcador, mas, desta vez, o cruzamento saiu ao primeiro poste e Bruno Moreira falhou a emenda por milímetros.
Jogo disputado entre a Académica e o FC Paços de Ferreira Fonte: Académica OAF
A Académica conseguiu, finalmente, soltar-se das amarras tácticas e encontrar erros para explorar. Primeiro foi Marco Baixinho, que, tentando sair a jogar, perdeu a bola e deixou a equipa numa situação difícil, mas que Marafona atenuou com uma saída irrepreensível aos pés do isolado Marinho. Depois, foi o outro central, Fábio Cardoso, condicionado pela presença de Gonçalo Paciência a deixar a bola para João Real, que, em zona privilegiada, empatou a partida, e este, isolado, atirou para o fundo das redes, num lance em cima do intervalo.
O Paços, talvez “azambuado” pelo final do primeiro tempo, entrou sem a mesma dinâmica que tão bons frutos dera nos minutos iniciais do encontro, porém, a Académica, porventura “espantada” pelos espaços que ia tendo, falhou imensos passes, contribuindo para tornar o jogo confuso, sendo preciso esperar até aos 73 minutos para se vislumbrarem lances de perigo. Leandro Silva bateu um “canto de mangas arregaçadas”, Fernando Alexandre ganhou nas alturas e cabeceou à trave da baliza de Marafona. O Paços respondeu, mas involuntariamente, com Diogo Jota a fazer um cruzamento-remate que quase traía Trigueira.
A Briosa não se atemorizou e encostou o Paços às cordas, nesta altura, já com um meio campo reforçado (Rui Pedro deu lugar a Nuno Piloto) e um ataque refrescado (Rafa Lopes e Hugo Seco entraram por Gonçalo Paciência e Marinho). Primeiro foi Rafa Lopes a atirar por cima, após boa combinação, na esquerda, com Hugo Seco, depois foi Ivanildo a dar o mesmo destino à bola, com a cabeça, após mais um livre cobrado por Leandro.
Entretanto, Romeu foi expulso (por acumulação de amarelos), por desaguisado com Leandro Silva, a seis minutos do final. A Académica empolgou-se e tornou a criar perigo, com Hugo Seco, lançado por Fernando Alexandre, a ganhar a oposição de Helder Lopes e a cruzar para o primeiro poste, onde apareceu Rafa Lopes a rematar ao lado. Foi o canto do cisne. O Paços quis guardar o pontinho (Jorge Simão tirou Bruno Moreira e colocou Christian em campo, não abdicando de atacar, mas recuando claramente a linha mais avançada) e foi eficaz nesse intento.
No final, ninguém se ficou a rir, mas ambas as equipas se terão conformado com a soma de um ponto para as respectivas lutas. A Académica, por enfrentar um candidato à Europa, o Paços, por jogar fora de portas e por ter acabado o encontro com menos um jogador.
A Figura:
Pelé (FC Paços de Ferreira) – Poder de choque brutal, que permitiu ganhar muitas batalhas a meio-campo a favor da sua equipa. A isto, aliou uma capacidade posicional que o fez parecer “omnipresente” e uma capacidade de passe que permitiu o brilho das alas (Diogo Jota, em evidência) pacenses.
O Fora-de-Jogo:
William Gustavo (Académica OAF) – Num jogo com tamanha intensidade, pedia-se outra intensidade e outro discernimento. Não foram raras as vezes em que entregou a bola ao adversário.
Sala de Imprensa: Filipe Gouveia (Académica OAF):
“Mais um ponto na nossa caminhada, e hoje especialmente porque morreu um ente querido da Académica, e nós gostaríamos de oferecer os três pontos à família do professor, e ficam desde já, aqui, os meus sentimentos.
Estávamos avisados para o perigo do Paços, uma equipa que é muito difícil quando se vê em vantagem e só um conjunto com a confiança que a Académica tem é que conseguiria marcar um golo ao Paços nessa circunstância.
A haver um vencedor, seria a Académica.”
Jorge Simão (FC Paços de Ferreira):
“O empate acaba por se justificar, dadas as circunstâncias (jogo fora, uma expulsão). Em termos de situações, não foi um jogo muito rico, mas foi intenso, entretido [SIC], uma boa propaganda para o futebol.
Acho que fizemos um jogo onde ficou claro uma imagem de rigor, organização e demonstração de talento dos meus jogadores, uma coisa que considero importante. Vendeu-se bem o produto “futebol”. Nessa linha, o jogo também foi importante para nós.
O importante é a luta pontual. Desde a primeira hora, foi essa a meta [48 pontos] estabelecida e será essa que vai ser procurada. “
Leandro Silva (Académica OAF): Pergunta BnR: Quando há uma bola parada, costumas ser o alvo preferencial para batê-la, e o público galvaniza-se quando pegas nela. Sentes-te uma referência da equipa?
“Não. Tento ser mais um e ajudar os meus colegas num capítulo em que sou particularmente bom. Mas posso ser eu como outro qualquer”.
Noite gelada na Amoreira com casa bem composta, maioritariamente pelos adeptos encarnados. Joga-se uma partida que se afigura importante para as contas do título, tendo o Sporting de Jesus “escorregado” com a turma de Petit na noite anterior, cabendo ao Benfica a oportunidade de encurtar a desigualdade pontual de apenas dois pontos para os pupilos de Alvalade.
Os canarinhos apresentaram-se com quatro alterações face ao jogo da Taça com o Rio Ave e, como em equipa que ganha não se mexe, os bicampeões apresentaram-se com o mesmo onze face ao jogo anterior face ao Nacional. Como esperado, e face ao bom momento, o Benfica entra confiante e logo aos quatro minutos Pizzi descobre Jonas, que atira por cima. Aos nove minutos, novamente Pizzi para Jonas, mas desta feita atira forte ao poste esquerdo do guarda-redes canarinho, tendo na recarga Carcela chutando por cima da trave.
O Estoril-Praia ainda nem tinha chegado perto da baliza encarnada mas, poucos momentos depois, aos 11 minutos, os canarinhos, contra a maré, abrem o marcador por intermédio de Leo Bonatini, respondendo de primeira a um cruzamento de Anderson Luis, conseguindo assim chegar ao seu décimo golo no campeonato.
Assumindo o controlo da partida pouco depois e já com três remates à baliza – com Jonas bem marcado e Raúl Jiménez displicente frente à baliza – crescia a ansiedade nos encarnados, aumentando os cruzamentos sem resposta, lentos a recuperar face a um Estoril que apenas pressiona na sua zona, com apoios bem definidos mas sempre bem posicionado para lançar contra-ataques à turma da Luz.
Os comandados de Fabiano apresentavam-se irredutíveis nos últimos 40 metros, com o meio campo e a linha defensiva próximos, e impedindo incursões ou passes a rasgar aos visitantes, chegando assim ao intervalo em vantagem.
Pizzi foi mais uma vez decisivo na conquista da vitória encarnada Fonte: Benfica/Helder Santos/ASpress
No reatamento da partida, o Benfica volta com uma alteração, deixando o mexicano Jiménez no balneário e dando lugar ao avançado grego Mitroglou, que, aos 50 minutos, falha o alvo depois de cruzamento rasteiro de Pizzi. Voltou o Benfica a entrar forte em campo, conseguindo instalar-se novamente no terreno canarinho e criando perigo para a equipa da casa; aos 52 minutos, o recém-entrado Mitroglou restabelece a igualdade no marcador com um remate que ainda embate em Diogo Amado, após cruzamento rasteiro bem medido por André Almeida.
A pressão visitante continuou e o Benfica encostou os canarinhos à sua área, não permitindo qualquer ataque ou recuperação à equipa treinada por Fabiano. Com tanta pressão, o Benfica conseguiu dar a volta ao resultado; aos 68 minutos, Jonas encontra no lado direito da área da equipa da casa o médio Pizzi, que remata colocado e sem hipótese para o guardião Kiezek, sendo feita assim justiça face ao que os encarnados produziram em campo, com Jonas e Mitroglou a serem uma dor de cabeça para a defensiva do Estoril Praia.
Uma réstia de esperança surgiu no último minuto do encontro, num canto que trouxe perigo à turma benfiquista, respondendo Júlio César como só ele sabe, salvando a vitória.
O treinador da equipa da Linha reagiu tarde, apostando em Michel por Gerso (desapareceu na segunda parte, mérito da pressão acima do meio campo por parte dos adversários) apenas aos 86 minutos, quando o jogo já não parecia ter outro rumo que não a vitória merecidíssima por parte dos campeões em título, que continuam numa série vitoriosa e cada vez mais confiantes, na luta pelo tricampeonato.
A Figura:
Pizzi – o internacional português encontrou o seu lugar na meia direita encarnada e, à falta de Gaitán, tem sido ele o principal desbloqueador nos últimos jogos da turma de Rui Vitória, coroando a sua exibição com um golo à sua imagem.
O Fora-de-Jogo:
Fabiano – o treinador do Estoril jogou para o empate, baixando as linhas e aproveitando apenas os contra-ataques, lançando um segundo avançado apenas a dez minutos do fim, sem sucesso.
Reportagem de Ricardo Lopes Almeida e Tiago Direitinho Alves
Numa tarde invernal, com o primeiro nevão na Serra da Estrela como horizonte, a equipa de futsal do Sporting CP foi ao Fundão tentar fazer a dobradinha de vitória, desta vez para a quarta eliminatória da Taça de Portugal.
O pavilhão municipal do Fundão, quase esgotado, não precisou de muito tempo para assistir ao primeiro golo. Caio Japa, numa jogada de contra-ataque rapidíssima, deu a vantagem para a equipa lisboeta. Passado nem um minuto, Cavinato amplia a vantagem, com um toque de classe para a baliza, deixando Iago sem capacidade de resposta para o remate do italiano. A equipa fundanense não tinha resposta para o Sporting, apesar de Tunha ser o mais inconformado com o resultado dentro da quadra, rematando com perigo à baliza de Marcão por três vezes.
A equipa do Sporting CP continuava com a intensidade com que começou a partida, chegando ao terceiro golo por parte de Fortino, com um remate forte do lado direito, fazendo a bola entrar junto ao poste da baliza da AD Fundão. A formação de Bruno Travassos continuava sem ideias, a jogar com a bola pelo alto e a errar bastantes passes.
Com a entrada de Nuno Couto no jogo, a AD Fundão acabou por ganhar qualidade de jogo e de controlo de bola, começando duas das oportunidades de golo: Anilton, na primeira, obrigou a grande intervenção por parte de Marcão, e a segunda acaba por ser uma perdida quase inacreditável.
O Sporting CP tirou o pé do acelerador, sem antes Caio Japa ser protagonista de um grande falhanço, em que remata por cima em frente à baliza. A vantagem por três golos permaneceu até ao intervalo.
A segunda parte começou um pouco mais lenta, mas novamente com o Sporting CP a ser o primeiro a rematar à baliza. A primeira aparição da AD Fundão junto aos postes da baliza do Sporting CP aconteceu novamente por Nuno Couto, que remata rasteiro fora de área para defesa de Marcão,
Com a equipa fundanense a jogar mais dentro do meio-campo adversário, a formação sportinguista foi obrigada a jogar mais fechada, não conseguindo fazer os seus contra-ataques rápidos. Liléu, numa das aproximações à baliza, quase faz o golo, valendo a concentração da defesa leonina. A Desportiva do Fundão quase chega ao golo por Márcio, depois de um erro defensivo, onde valeu novamente Marcão.
Marcão foi decisivo nesta eliminatória da Taça de Portugal Fonte: Sporting CP
Numa altura em que Bruno Travassos aposta no guarda-redes avançado, o Sporting quase amplia a vantagem para quatro golos, onde valeu a falta de pontaria de Djô na hora de rematar à baliza. O quarto tento acaba por chegar, depois de uma reposição rápida por parte do guarda-redes do Sporting CP, onde Fortino acaba por desviar para a baliza fundanense, que se encontra vazia. A equipa do Fundão acaba por responder com um remate que embate com força no poste da baliza lisboeta.
A AD Fundão, já de cabeça perdida, acaba por sofrer o quinto golo, desta feita por Marcão, que, após receber a bola, remata da sua área para a baliza vazia da equipa fundanense.
Num jogo muito bem jogado por parte do Sporting CP, a AD Fundão não teve argumentos para contrariar a superioridade de plantel, acabando assim por passar à próxima eliminatória o justo vencedor. No segundo jogo consecutivo em que se enfrentaram esta época, a AD Fundão não conseguiu marcar um único golo à equipa leonina.
A Figura:
Marcão – o guarda-redes leonino foi o grande protagonista. Para além de boas intervenções que evitaram golos quase certos, ainda ajudou na festa da equipa ao marcar o último golo da formação.
O Fora-de-jogo:
Claques – O ponto negativo deste jogo foram mesmo as claques. Dando bom ambiente no início do jogo, as picardias entre ambas foram excessivas, jogando o seu próprio jogo fora da quadra, tanto com palavras como com gestos, em detrimento do apoio às suas equipas. Nota negativa para ambas.