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Liga Inglesa: Vitórias procuram-se

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Depois da relativa facilidade com que o Chelsea conquistou a Premier League na época transacta, o clube orientado por José Mourinho entrou com o pé esquerdo nesta nova temporada, começando por perder a Supertaça Inglesa diante do Arsenal (primeira derrota de Mourinho perante Wenger) e conquistando apenas quatro pontos nos primeiros cinco jogos do campeonato, concedendo uns inconcebíveis doze golos e marcando apenas sete (o ano passado em trinta e oito jornadas sofreram apenas trinta e dois golos).

Após a dominadora primeira parte da época 14/15 os pupilos de Mourinho abrandaram na segunda volta, limitando-se a gerir a confortável vantagem que merecidamente tinham conquistado, apoiando-se numa das defesas mais sólidas da Europa, descurando o espectáculo e abundando o pragmatismo.

A equipa que passou meio ano em modo de gestão para ser campeã, está agora com dificuldades em meter a segunda e alcançar um ritmo mais elevado, estando a sofrer com quebras de rendimento de quase toda a equipa, mas principalmente dos pilares da vitória do ano passado. Terry começou finalmente a acusar a sua idade, Ivanović tornou-se batível na defesa e um desastre nos movimentos ofensivos, Matić, a grande referência e equilíbrio do meio campo dos Blues parece perdido em campo e Hazard, o melhor jogador da edição da Premier League que passou, ao deixar de estar “preso” à ala ganhou mais liberdade mas parece ter perdido eficácia e capacidade de decisão, tornando-se muito menos incisivo e contribuindo largamente para o jogo mastigado e sem ideias do Chelsea.

Esta quarta-feira o Chelsea alcançou uma vitória importante perante o Maccabi para a Liga Dos Campeões, marcando quatro golos e não sofrendo nenhum, sendo mesmo o único clube inglês a ganhar na primeira ronda da competição, que contou com derrotas desapontantes do Arsenal em Zagreb, do United em Eindhoven e do City em casa perante uma Juventus em “crise interna”.

Apesar do reduzido nível de competitividade que o Maccabi apresentou, o Chelsea finalmente apresentou um futebol fluido, rápido e incisivo, muito por causa da boa reacção que a equipa teve às mexidas que Mourinho efectuou no onze, abdicando de Terry, Ivanović, Matić e Diego Costa (entrou no decorrer da primeira parte para o lugar do lesionado Willian).

Diego Costa e Óscar tranquilizaram os blues Fonte: BPI - Ben Queenborough
Diego Costa e Óscar tranquilizaram os blues
Fonte: BPI – Ben Queenborough

A defesa que parecia velha e cansada levou uma injecção de juventude, o treinador português passou (finalmente) Azpilicueta para a sua posição natural na direita e apostou no lateral ganês Baba na esquerda, ganhando a equipa velocidade e profundidade, entregando o eixo defensivo à dupla Cahill-Zouma que esteve bastante certinha. No meio campo efectuou duas alterações importantíssimas, beneficiou do regresso do criativo Oscar que tinha estado lesionado e veio criar e desbloquear diversas situações no ataque com a sua qualidade técnica e irreverência em campo e a inclusão do jovem Ruben Loftus-Cheek, que acabou por ser imenso no meio campo do Chelsea, acabando por ser eleito o homem do jogo e demonstrando mais uma vez que merece uma oportunidade à frente de jogadores como Mikel e Ramires. Com a infeliz lesão de Willian antes da meia hora de jogo o sempre trabalhador Rémy que começou o jogo a ponta de lança foi encostado à ala para abrir espaço para Diego Costa na frente de ataque, que aos 58 minutos combinou de forma magistral com Fàbregas para apontar um dos golos da jornada europeia.

Hazard desperdiçou uma grande penalidade e infelizmente parece teimar em arrancar, isto numa altura em que o Chelsea não conta com Willian e Pedro por lesão, pode tornar-se ainda mais preocupante.

Hazard tem tido um início de época desinspirado Fonte: Getty Images Sport
Hazard tem tido um início de época desinspirado
Fonte: Getty Images Sport

Este sábado o Chelsea tenta então não ficar definitivamente arredado da luta pelo título, apesar de ser ainda muito cedo, uma derrota ou mesmo um empate com o Arsenal em casa, deixaria os Blues demasiado atrás do demolidor City, que não deverá ter dificuldade em conquistar três pontos frente ao West Ham em casa vindo da sua habitual ressaca europeia.

Mourinho não deve olhar para trás e tem de voltar a apostar na mesma defesa que jogou contra o Maccabi a meio da semana, não pode ter “medo” de dar a titularidade a Loftus-Cheek ao lado de Matic, pois o jovem inglês parece estar mais que preparado para assumir um papel muito maior na equipa e mostrar ser a solução para o actual problema do meio campo dos Blues. Sem Pedro e Willian, com o regresso de Oscar e a indiscutibilidade de Hazard e Diego Costa, a única dúvida assentaria numa aposta em Rémy ou no irregular Fàbregas, no primeiro caso Rémy e Hazard jogariam nas alas com Oscar no meio e Costa na frente e no segundo Fàbregas jogaria à frente da dupla de meio campo e Hazard-Costa-Oscar constituiriam o tridente ofensivo da equipa, ambos encaixáveis no habitual 4-2-3-1 de Mourinho que se desdobra num 4-3-3.

Fica a dica com toda a humildade para uma possível receita de sucesso para o Chelsea (tentar) virar a sua sorte na Premier League, de um apoiante incondicional de José Mourinho para o caso de ele estar a ler o Bola na Rede (porque não estaria) sexta à noite de forma a desanuviar antes do encontro de sábado. De qualquer forma em Mourinho confiamos, e se alguém tem capacidade para triunfar depois de tanta adversidade é o “the Happy One”.

Possível 11 contra o Arsenal: Begovic; Azpi-Cahill-Zouma-Baba; Matic-RLC-Fàbregas; Hazard-Costa-Oscar.

Fonte da Foto de capa: Instagram Oficial do Chelsea F.C.

O milagre de Rui Vitória

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Para medir o meu mundo, bastam-me 200 quilómetros. É essa a distância entre os meus lares: o do nascimento e o de adopção. Da minha terra natal guardo memórias e histórias para contar – neste texto, recorro abusivamente à mais célebre de todas; trata-se de uma lenda popular, de tradição oral, que atravessou séculos e celebrizou uma das rainhas do nosso país (canonizada e padroeira da tal cidade): conta-se que Isabel de Aragão era muito generosa; mas o seu marido, o Rei D. Dinis, nem por isso. Certo dia, a rainha saiu do castelo para distribuir pão pelos pobres. Pelo caminho o rei surpreendeu-a e, de imediato, a inquiriu desconfiado sobre o que levava consigo. D. Isabel terá exclamado “São rosas, Senhor!” e, de seguida, expôs num pânico resignado o conteúdo do regaço do seu vestido. Aos olhos dos presentes surgiram rosas formosas e sadias, ao invés do pão que a rainha inicialmente ocultara. Perante tão belo feito a maioria esqueceu-se do essencial – o inoportuno “outro lado da questão” a que, por gosto pessoal e teimosia, insisto em chamar de “realidade”: o povo não se alimenta de rosas e, naquele dia, alguém terá ficado com fome.

O caso do Benfica de Rui Vitória parece-me idêntico. O povo precisa de pão – assim se alimenta a ambição e a glória. Este ano, todavia, por opção do rei ou por qualquer outra imposição (nunca devidamente esclarecida), as reservas são curtas e ao treinador foi pedido o milagre de alimentar os pobres com flores. Com o fecho do mercado de transferências, dizem-me que apenas importava a permanência de Gaitán. Infelizmente – e contra a minha vontade – vejo-me obrigado a discordar. O problema (para mim!) reside no “outro lado da questão”: como benfiquista, mantenho-me sempre ocupado com o que está por resolver.

Os jovens jogadores não podem – no Benfica ou noutro qualquer lugar – “queimar” etapas no ciclo crescimento Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Os jovens jogadores não podem – no Benfica ou noutro qualquer lugar – “queimar” etapas no ciclo de crescimento
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Rui Vitória carrega no regaço do seu fato de treino sementes muito promissoras. É inegável o selo de qualidade do Seixal, consequência de um trabalho iniciado e excepcionalmente desenvolvido durante vários anos. Os resultados começam a surgir em cadência natural, para benefício de selecções jovens, da nossa equipa principal e de Jorge Mendes. No entanto, são as exigências incontornáveis e imediatas do Benfica que julgo permanecerem por acautelar. Percebendo pouco de jardinagem, recorro ao bom senso – e a uma despretensiosa experiência na observação de situações similares – para justificar os receios perante a (notória) ânsia por atalhos no processo de crescimento dos nossos jovens jogadores. Os livros indicam-nos que uma semente dormente deitada ao solo requer água, calor e oxigénio. Dentro das quatro linhas, os mais novos precisam de tempo e de espaço – atribuir tarefas e obrigações antes do tempo pode, eventualmente, ser contraproducente no presente e, em último caso, inviabilizar o futuro. Na realidade, o Benfica vive (viveu e viverá) de vitórias; jamais de promessas. No terceiro anel, ninguém se senta aguardando paciente que o fruto amadureça.

Perante o actual cenário, não posso deixar de admirar a desusada coragem de Rui Vitória. O técnico do Benfica assume o (arriscado) projecto sem lamúrias: aproveitou o interregno das provas internas (corrigindo como pôde a malvada pré-época) e, com trabalho e humildade, tem evoluído favoravelmente – com melhor futebol e, sobretudo, um discurso mais seguro e assertivo. Porém, para chegar à Primavera falta ultrapassar o Outono e o Inverno. Rui Vitória tem menos recursos que o seu antecessor e uma margem de erro diminuta. Em épocas recentes o povo era alimentado por homens feitos (como Pablo Aimar, Oscar Cardozo ou Lima). Se em Maio as rosas nos tiverem bastado, enviarei um dossiê sobre Rui Vitória ao adepto do San Lorenzo residente em Roma.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

Liga Alemã: Meier a recuperar o tempo perdido

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A liga alemã voltou, depois de um interregno para jogos entre selecções, e assistimos a muitos golos, um regresso feliz do melhor marcador da época transacta e às dificuldades – que já se começam a tornar habituais – do Bayern quando defronta o Augsburgo.

A Baviera voltou a ser palco de mais um jogo sofrido e tudo por causa de um clube que tem vindo a causar problemas a Guardiola desde a sua chegada. O Augsburgo adiantou-se por parte de Esswein e a reviravolta viria com alguma polémica. Numa jogada individual fantástica de Lewandowski, o Bayern conseguiu chegar ao empate. Perto do fim o Bayern teve direito a uma grande penalidade, algo duvidosa, ganha por Douglas Costa, que permitiu a Müller marcar mais um golo, dar a vitória ao seu clube e isolar-se na frente dos melhores marcadores.

Thomas Tuchel continua o seu percurso extraordinário. 9 jogos oficiais, 9 vitórias. O Dortmund não teve tarefa fácil e começou mesmo a perder o jogo, através dum golo de Sobiech – jogador que marcou a dobrar nesta partida. O jogo teria um protagonista muito azarado – Felipe. O defesa-central do Hannover 96 fez um golo na própria baliza e causou dois penáltis. Dia horrível para o jogador, que ajudou a criar condições para a vitória do Dortmund. Do lado dos amarelos e negros houve um golo fantástico de Mkhitaryan, Aubameyang a dizer presente com dois golos na luta pelo topo dos goleadores e Hummels em dia não, tendo culpas no cartório nos dois golos da equipa adversária.

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Meier, o melhor marcador da época passada, regressou em grande
Fonte: Facebook do Frankfurt

Dia de regressos a abrilhantar o fim-de-semana na Alemanha. O Frankfurt segue em 4º lugar e continua a mostrar uma força ofensiva extraordinária. Seferovic e Castaignos vinham brilhando desde o início do campeonato, mas agora está de volta Alexander Meier, artilheiro-mor da época passada. O regresso do gigante alemão foi fantástico; acertou no fundo das redes por três vezes. O avançado holandês, que começa a mostrar o que prometeu, também foi responsável por dois golos, levando para já quatro golos em quatro jornadas. O Colónia sofre assim a sua primeira derrota neste campeonato e logo com o resultado de 6 a 2. Claudio Pizarro também está de volta ao Bremen e mostrou serviço logo no primeiro jogo. A equipa orientada por Viktor Skrypnyk  venceu fora o Hoffenheim, que continua órfão de Roberto Firmino, e teve em destaque Junozovic e o melhor marcador estrangeiro da Bundesliga, os destaques de uma partida que acabou com o resultado de 1-3.

As equipas que compuseram os lugares cimeiros na época passada têm sofrido alguns calafrios esta época. O Gladbach continua a sua senda penosa pelo campeonato alemão e foi atropelado pelo Hamburgo em casa. A equipa orientada por Favre, melhor treinador da época passada, parece sem ideias e desgastada. O Hamburgo, por seu lado, teve em Lasogga a inspiração necessária e conquista assim a segunda vitória no campeonato; o Leverkusen perdeu em casa com o recém-chegado Darmstadt. Os pupilos de Roger Schmidt nunca conseguiram superar a barreira intransponível que foi Christian Mathenia e acabaram a zeros na partida de estreia de Chicharito. O Darmstadt continua sem perder e é, neste momento, uma das surpresas iniciais; o Wolfsburgo também ficou a zeros e foi perder pontos na casa do Ingolstadt, num jogo onde Draxler foi dos poucos a tentar remar contra a maré.

O FC Schalke 04 conseguiu a sua segunda vitória no campeonato, contra o Mainz, e chegou-se à frente na luta pelos lugares cimeiros. Huntelaar foi o responsável por desbloquear o resultado. O Hertha de Berlim também se colocou nos lugares europeus depois de vencer o Estugarda por 2 a 1.

O tema central da agenda internacional são os refugiados e é de ressalvar o apoio que os clubes alemães deram neste assunto. O Bayern Munique entrou em campo com crianças refugiadas e outros clubes mostraram solidariedade através da oferta de bilhetes para assistirem aos jogos ao vivo. Num fim-de-semana onde voltaram a existir muitos golos, fora de campo marcou-se pontos pelas milhares de pessoas que fogem do seu país devido à guerra.

Jogador da Semana:

Alexander Meier – Depois de uma lesão que o afastou por cinco meses, o possante alemão entrou de rompante nesta nova época ao marcar três golos no seu primeiro jogo. O trio com Seferovic e Castaignos promete aterrorizar as defesas alemãs e elevar o Frankfurt a outros lugares.

Treinador da Semana:

Armin Veh – Depois de uma má experiência no Estugarda, o ex-jogador alemão tem sido a surpresa deste campeonato. O 4º lugar e os 12 golos marcados são a prova de que teremos uma equipa de ataque e sem medos para a época de 2015/2016.

Foto de Capa: Facebook do Bayern

Jornada de regressos à normalidade

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Depois da paragem competitiva que deu lugar aos jogos das selecções nacionais, aproveitada para “apertar parafusos” e afinar processos, voltou tudo à “normalidade” que pautou a realidade dos últimos anos no principal campeonato português, com Porto, Sporting e Benfica a ocuparem os lugares cimeiros, o regresso às vitórias do Vitoria de Guimarães e o primeiro triunfo do Marítimo.

Começando pelo topo, o Benfica dizimou o Belenenses num “show” de bola autêntico dado por Jonas (ver jogador da jornada), Gaitán e Mitroglou que terá parado na meia-dúzia (6-0) por haver Champions a meio da semana seguinte. O Porto respondeu com uma boa exibição em Arouca, travando uma equipa que já antes desfeitara o rival, impondo-se por 3-1, num jogo em que Corona se estreou com 2 golos e no qual brilhou André André. No dia seguinte, o Sporting não quis ficar atrás e entrou com ganas de vencer no Estádio dos Arcos, apresentando como resultado uma vantagem de 2-0 sobre os vilacondenses ao intervalo, porém, deixou que houvesse uma reacção e, após Yazalde ter reduzido, muito se sofreu entre as hostes leoninas para manter uma vitória que, contudo, foi conseguida.

Abraço triunfal entre duas das figuras da jornada.
Fonte: Facebook Oficial do Benfica

Mais abaixo, na classificação, há notas de destaque para as primeiras vitórias de históricos como Vitória de Guimarães e Marítimo. Os vimaranenses, ainda que de forma sofrida e incapaz de mascarar muitos problemas organizacionais, venceram o Tondela por 1-0, enquanto os madeirenses protagonizaram uma segunda parte de sonho no jogo contra o Vitória de Setúbal, que receberam e venceram por 5-2 (grande exibição de Ghazaryan), depois de estar a perder por 1-0 ao intervalo. Uma amostra do poderio madeirense, que também ficou patente na Choupana, onde o Nacional bateu a Académica por 2-0, num jogo marcado pelo nevoeiro e que confirmou a tendência de Soares para marcar um golo por jogo. A mesma média do Paços de Ferreira neste campeonato, que já permitiu aos orientados de Jorge Simão ascender ao quarto lugar; desta vez, o tal “golo” da praxe, da autoria de Diogo Jota aos 88 minutos, foi suficiente para bater o Boavista, no Bessa, numa partida em que, porém, os castores podiam ter “tratado” mais cedo do assunto, após a expulsão de Inkoom a mais de meia hora do final.

O Estoril, também beneficando de expulsões (no plural, pois Mauro e Boly “colaboraram” com os canarinhos), receberam e venceram o Braga por 1-0, com golo de Bonatini, numa partida algo aborrecida e que, não fossem as expulsões, muito provavelmente não teria golos. Uma ameaça que, porém, se concretizou em Moreira de Cónegos, onde o Moreirense conquistou o primeiro ponto da época ao empatar a zero com o União da Madeira.

Jogador da semana: Jonas (Benfica)

Abriu as hostilidades com um cruzamento milimétrico para Mitroglou inaugurar o marcador, na Luz, dilatou a vantagem para 3-0 e espalhou classe no resto da exibição que catapultou a moral dos encarnados para os tão necessitados níveis altos. Pelo “caminho”, tornou-se no líder isolado na disputa pelo título de melhor marcador.

Treinador da Semana: Ivo Vieira (Marítimo)

Não se sabe o que terá dito aos seus jogadores no intervalo do jogo contra o Vitória de Setúbal, mas deu resultado. A equipa conseguiu galvanizar-se e transformou um 1-0 desfavorável nuns incríveis 5-2, com a equipa verde-rubra a atropelar o seu adversário com um caudal ofensivo tão belo quanto demolidor.

Fonte Fotografia de Capa: Facebook Oficial do Marítimo

Lech Poznan 0-0 Belenenses: Um empate positivo

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Na Polónia, o Belenenses era o terceiro clube português a entrar em acção. Depois da goleada sofrida na Luz, este era um bom jogo para voltar às boas exibições e conseguir a primeira vitória. Do outro estava o campeão polaco, longe dos seus melhores dias. Os polacos estão em crise, com um inicio de campeonato para esquecer, estando nos últimos lugares. Sá Pinto passou uma clara imagem de confiança nos seus jogadores ao apostar praticamente no mesmo 11 que perdeu na Luz. Destaque para a estreia de Luís Leal.

Mesmo com a goleada ainda a pesar e jogando fora, o Belenenses não se desinibiu e jogou de igual para igual. Mais bola e concentração defensiva era a receita ideal para o Belenenses fosse melhor na primeira parte. Por duas vezes os portugueses iam gelando o estádio do Lech. Primeiro Miguel Rosa a atirar ao poste e depois Luís Leal ao lado mostraram que o Belenenses estava bem e estava ali para jogar sem medo. A nível defensivo, a equipa mostrou que a goleada na Luz foi um dia mau, mantendo-se concentrada, sem nunca dar espaços a um Lech que não tinha ideias para construir jogadas de verdadeiro perigo.

Ao intervalo, não era surpreendente se fosse o Belenenses a vencer este jogo frente a um Lech que ainda se mostra muito intranquilo pelo mau arranque de temporada.

Ventura foi decisivo Fonte: Facebook do Belenenses
Ventura foi decisivo
Fonte: Facebook do Belenenses

Mas mesmo assim o intervalo não teve o resultado esperado no Lech. Os polacos voltaram a entrar passivos e era o Belenenses que continuava a ditar as regras de jogo. Desta vez o poste negou a Carlos Martins o golo. Terá sido o mote para o Lech despertar. A partir deste lance, os polacos assumiram a despesa do jogo e obrigaram o Belenenses a descer no terreno. E ai apareceu um novo herói. Ventura, já muitas vezes criticado esta época, efectuou um par de defesas que salvou o Belenenses de uma derrota injusta. E o Belenenses só se pode queixar de si mesmo. Já no final, duas grandes oportunidades desperdiçadas impediram os homens de Sá Pinto de sair com uma vitória que não era totalmente injusta.

No final, um ponto bastante merecido e uma certeza, o Belenenses não é inferior ao Lech. A vitória poderia ter ficado bem a um Belém que aos poucos vai crescendo como equipa.

A Figura:

Ventura – Quando a equipa falhou ele esteve lá. Com um par de grandes defesas, o guarda-redes foi crucial para que o empate se mantivesse no pior período da equipa.

O Fora-de-jogo:

Ineficácia do Belenenses – Foram duas bolas ao poste e uma série de oportunidades desperdiçadas. Apesar de ter sido mais perigoso, o Belenenses não pode falhar tantas vezes, especialmente na Liga Europa

Foto de capa: Facebook do Lech Poznan

Sporting 1-3 Lokomotiv: É este o futuro sem Carrillo

sexto violino

Não, André Carrillo não é o super-homem. Sim, há mais jogadores à face da terra, como disse hoje Dias Ferreira. É também verdade que a derrota não se explica apenas com a ausência do peruano – provavelmente nem foi essa, até, a principal causa do desaire. Mas o pior que os Sportinguistas podem fazer é desprezar o impacto que La Culebra tinha na equipa, e o seu carácter fulcral no que às hipóteses do Sporting nas competições diz respeito. Quem diz que Carrllo “joga zero” – como hoje ouvi ao chegar a Alvalade – ou que é facilmente substituível por qualquer Gelson, Mané ou Matheus Pereira, que não venha daqui a uns tempos queixar-se por o Sporting andar a jogar mal e a perder pontos. O primeiro capítulo de uma saga que se pode revelar trágica para os leões teve lugar hoje, em Alvalade.

Com Carrillo fora dos convocados, afastado pelo presidente, chegou a pior exibição da época e, como consequência, a primeira derrota merecida da era Jorge Jesus. O treinador optou por rodar um pouco o onze, chamando à equipa João Pereira, Tobias Figueiredo, Carlos Mané, Gelson Martins e Fredy Montero. O primeiro tempo foi muito morno, apesar de os leões terem tido mais bola do que o adversário. A verdade é que o Sporting voltou a não ter sorte, sofrendo golo da primeira vez que o Lokomotiv foi com perigo à área contrária. Um mau passe de Gelson originou um rápido contra-ataque pela esquerda, conduzido por Niasse, que permitiu a Patricio uma primeira defesa. O guardião, contudo, não teve hipótese de impedir a recarga de Samedov, de cabeça. O Sporting complicava, assim, um jogo em que era favorito.

O golo sofrido colocou aos leões, pela primeira vez nesta época, o cenário de desvantagem, pelo que seria curioso ver como a equipa de Jesus reage às contrariedades. Mas a verdade é que, ao longo de toda a primeira parte, o Sporting não deixou nunca de mostrar dificuldades em chegar à baliza do Lokomotiv. Os verde-e-brancos rondavam a área mas estavam pouco clarividentes, e também não ajudava o facto de o adversário se ter fechado ainda mais apos o golo, apostando apenas em contra-ataques pela certa. O Sporting, sem grande presença na área, insistia nos cruzamentos, secundados por um futebol lento, pálido e previsível. Não é de estranhar, portanto, que a melhor oportunidade dos primeiros 45 minutos tenha surgido através de um canto, quando Paulo Oliveira ficou a centímetros do golo.

Após o intervalo, as coisas pareciam mudar: aos 50’, Montero recebeu de Mané e empatou com um remate potente sobre a direita, quando o ângulo já não era o melhor. No entanto, a esperança durou pouco. Apenas 6 minutos depois, Niasse apanhou a defesa em contrapé, cavalgou pela esquerda – sempre por ali – e permitiu que Samedov bisasse com um toque frio, tão frio como o inverno moscovita e a exibição dos russos em Alvalade. No melhor período do Sporting, os de leste regressavam ao comando da partida e iriam consolidar a sua vantagem pouco depois. Niasse fartou-se de assistir e quis o protagonismo para si, concretizando após boa jogada individual. O Sporting mostrou claras dificuldades para parar jogadores velozes, e não é de hoje…

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Montero marcou o golo leonino, mas o processo defensivo esteve, uma vez mais, a níveis pouco aceitáveis
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Até final manteve-se o jogo mastigado, com o Sporting a jogar aquilo que o Lokomotiv deixava, e só através de um remate de André Martins os leões criaram perigo. Houve também um penálti por marcar a favor dos portugueses, mas isso não explica o desaire. A forma como Jesus colocou o Sporting a jogar exige um bom finalizador de cabeça, o que faz com que Slimani seja um elemento indispensável da equipa. Não estando o argelino em campo, como não esteve até meio do segundo tempo, os leões não podem jogar como se estivesse. A isto acresce o facto de o Sporting, ao envolver muito os laterais no ataque (William também faz muita falta a proteger a defesa), ser muitas vezes apanhado em contrapé e sem capacidade de apanhar os “velocistas” adversários. Contudo, como a equipa de Alvalade precisava de marcar, neste jogo tem algumas atenuantes, apesar de ser obrigatório referir que Jesus ainda não acertou nesse aspecto.

Sendo justos, no entanto, há também que dar mérito à estratégia do Lokomotiv – facilitada, é verdade, pelo golo madrugador. Mas a verdade é que os russos defenderam muito bem, nunca se desequilibrando nem permitindo que o Sporting chegasse com perigo à sua baliza. Nos raros ataques a turma de leste privilegiou o lado esquerdo, aproveitando a capacidade do veloz Niasse para cair nas alas. Manuel Fernandes, de regresso a Portugal, não fez uma partida de encher o olho (nem podia, dada a estratégia montada pelo treinador), mas ajudou a sua equipa a fechar e a anular a força ofensiva leonina, que hoje esteve pouco mais do que incipiente.

O Sporting fez, como já se disse, a sua pior exibição da temporada. Jesus perdeu para o seu homólogo russo no capítulo estratégico, a defesa esteve muitíssimo permeável (não se admite sofrer três golos de uma equipa que jogou em contra-ataque), o meio-campo não cobriu a defender e pouco construiu a atacar, e o ataque não teve nem espaço nem arte para resolver. Gelson foi quem mais se mostrou, mas de modo algum fez esquecer Carrillo. Por enquanto, o jovem português é, como o próprio Jesus admitiu numa entrevista recente, apenas um projecto de futebolista; o peruano, por outro lado, faz parte do presente.

Não se entenda, lendo o título deste texto, que sem Carrillo o Sporting perderá todos os jogos. Mas só com ele em campo, a jogar aquilo que sabe, os leões terão capacidade para atingir aquilo a que se propuseram para esta época. E, como os clubes existem para ganhar títulos, pede-se ao presidente que reconsidere a decisão de afastar da equipa um dos melhores jogadores do campeonato. No ano passado, Maxi Pereira estava na mesma situação no Benfica mas jogou até ao fim, ajudando o seu clube a alcançar os resultados que se conhecem. Há que seguir o mesmo caminho com Carrillo, caso contrário não só não se impede o atleta de sair a custo zero, como não se aproveita o enorme contributo desportivo que ele pode oferecer. Encostar André Carrillo será uma desião trágica, a pior que o Sporting pode tomar.

A Figura:

Niasse – O ponta-de-lança senegalês fez jus ao nome do clube que representa: foi uma autêntica locomotiva! E a defesa do Sporting a vê-la passar… Dos seus pés saíram duas assistências e um golo. Fulcral.

O Fora-de-Jogo:

Tobias Figueiredo – Jesus apostou nele e perdeu. O destaque negativo podia ser todo o sector defensivo, porque todos os elementos pareceram estar a competir para ver quem ficava pior na pintura. Mas ninguém foi pior do que Tobias. O treinador também tem, no entanto, culpas no cartório, porque previu mal a estratégia do Lokomotiv – se o adversário tem elementos rápidos, das duas uma: ou os laterais não sobem tanto, ou tem de haver quem compense essas subidas.

Slovan Liberec 0-1 Sp. Braga: Um início com tudo sob controlo

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O que mais se desejava concretizou-se, e a fase de grupos da Liga Europa abriu com uma vitória lusa em solo estrangeiro, com o Sp. Braga a bater o Slovan Liberec (segunda vez em dois jogos entre ambas as equipas, depois do 4-0 em 2006) na República Checa, confirmando a sua apetência para jogos fora do país nesta competição – não perde desde 2011, altura em que o Lech Poznan (que defronta o Belenenses) derrotou os bracarenses por 1-0.

Desde cedo foi perceptível a ambição dos orientados por Paulo Fonseca e respectiva equipa técnica, colocando em campo o 4x4x2 que também tem sido usado na Liga e que neutralizou, quase de forma automática, o 4x5x1 do Slovan Liberec, travando qualquer euforia que pudesse existir pelo facto de voltar a jogar na fase de grupos da Liga Europa, perante um público que ainda tinha bem fresca a memória da vitória por 2-1 sobre o Estoril em 2013, no primeiro jogo em casa desta formação nessa edição da Liga Europa.

O Braga provou que não era esse Estoril, que não se desconcentraria como desconcentraram os canarinhos (Bruno Miguel foi expulso aos 37 minutos!) e soube matar os intentos do Slovan Liberec pela raiz, com duas carraças  (Rui Fonte e Crislan) no ataque, pressionando a primeira fase de construção do adversário, que, sendo dificultada, tinha muitos problemas em atravessar o autêntico muro que Mauro e Vukcevic, o duplo-pivô com pares de pulmões inesgotáveis, formaram.

Foi, assim, sem surpresa que o Braga controlou grande parte do primeiro tempo e que só tenha existido (quando existiu) pressão dos checos pelas laterais. Aliás, foi daí que veio a única oportunidade de perigo no primeiro tempo para os da casa, com Sural (que marcara ao Estoril) a responder, de cabeça, a uma boa iniciativa do lado direito do ataque checo e que obrigou Matheus a grande defesa.

Alan e André Pinto a caminho de Liberec, onde viriam a ser importantes para o sucesso bracarense Fonte: Facebook Oficial do Sp. Braga
Alan e André Pinto a caminho de Liberec, onde viriam a ser importantes para o sucesso bracarense
Fonte: Facebook Oficial do Sp. Braga

O intervalo chegou, e o Slovan Liberec apareceu mais solto. Mas isso não quer dizer que estivesse mais atrevido. É que o Braga não lhes permitiu veleidades e soube explorar o facto de os checos ficarem partidos para explorar a velocidade do seu ataque (nomeadamente Rafa) em cada recuperação de bola, acontecendo, dessa forma, o golo do Braga, com Mauro (auxiliado por Vukcevic, claro está) a recuperar a bola no meio-campo bracarense, dando imediatamente para Alan, que lançou Rui Fonte, que não desperdiçou a oportunidade de criar perigo e cruzou para Rafa, que respondeu da melhor maneira ao passe do avançado contratualmente ligado ao Benfica.

Estava inaugurado o marcador, e o Braga voltou a sentar-se, confortável, na sua teia táctica, não permitindo uma reacção checa ao seu golo para além de uma desconcentração de Baiano, que defendeu demasiado por dentro e permitiu a Bartl rematar perto do poste esquerdo da baliza arsenalista. Fora isso, não houve grandes situações de perigo e até foi o Braga a estar perto do segundo, com Rafa a falhar, de forma algo escandalosa, o golo que podia dar maior tranquilidade (segurança já havia) ao resto do jogo.

Não foi assim, foi de outra maneira. Paulo Fonseca retirou Rui Fonte e colocou Ricardo Ferreira (central), colocando as trancas à porta da sua defesa, que não voltaria a conceder oportunidades de perigo, confirmando os primeiros três pontos nacionais na Liga Europa 2015/2016.

A Figura: Rafa (Sp. Braga)

Pode ter falhado um golo que não devia e até pode ter deixado o egoísmo tomar conta de si em algumas situações, mas Rafa foi decisivo nesta vitória do Braga. Não só pelo golo que apontou mas pelo que fez jogar a sua equipa e pelo papel defensivo que soube desempenhar na perfeição, enquanto médio direito de um 4x4x2 mais defensivo, que pautou os bracarenses após o golo.

O Fora de jogo: Coufral (Slovan Liberec)

Djavan e Rafa fugiram-lhe muitas vezes, e numa delas foi mesmo fatal, pois o português marcou mesmo. Não teve opositores fortes, é certo, mas, a apontar uma figura do desaire checo, será o seu lateral direito.

Foto de Capa: Sporting Clube de Braga

Portugueses na Champions: Histórico CR7!

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O Bola na Rede inicia hoje a rubrica ‘Portugueses na Champions’ com um apanhado da participação dos portugueses na Liga dos Campeões, a principal prova da Europa. Nesta lista de destaques não estão incluídos elementos de equipas do nosso campeonato.

 Jogadores:

Cristiano Ronaldo (8) – O português voltou a estar em grande na liga milionária. Contudo, o facto de 2 dos 3 golos terem sido através de grandes penalidades tira algum brilhantismo à exibição do madeirense. (Real Madrid)

Pepe (5) – O luso-brasileiro não começou o jogo no 11 titular e só entrou no começo da segunda parte, mas a verdade é que não comprometeu e a defesa madrilena terminou o jogo sem sofrer golos. (Real Madrid)

Tiago (6) – Apesar dos 34 anos, Tiago parece continuar a ser aposta forte de Diego Simeone. O internacional português, que foi titular e jogou os 90 minutos, apresentou sempre um nível bastante aceitável. (Atlético de Madrid)

Danny (6) – O português, capitão de equipa do Zenit, continua a merecer a total confiança de André Vilas Boas. Foi titular e jogou os 90 minutos numa importante vitória da equipa russa frente ao Valência. (Zenit)

Luis Neto (4) – O antigo jogador do Nacional da Madeira saltou do banco para ajudar a segurar a vitória, no entanto, parece ainda não se ter conseguido impor no plantel russo. (Zenit)

André Gomes (7) – Apesar da derrota dos comandados de Nuno Espírito Santo, o ex-Benfica entrou na segunda parte e marcou o golo que na altura colocava o resultado num 2-2; Excelente exibição de André Gomes. (Valência)

João Cancelo (6) – Como é habitual, o internacional sub-21 português esteve sempre melhor a atacar do que a defender, contudo, estreou-se a marcar na liga milionária e teve uma prestação bastante aceitável. (Valência)

Anthony Lopes (5) – O resultado mancha um pouco a estreia do guarda redes português na Liga dos Campeões (empate a uma bola frente ao Gent). Uma exibição nada de espetacular, mas sem comprometer. (Lyon)

Hernâni (3) – Curiosamente, Hernâni tinha-se estreado na Liga dos Campeões pelo Futebol Clube do Porto frente ao Bayern de Munique, mas as memórias são certamente melhores do que as de jogo desta quarta-feira. (Olympiacos)

Antunes (5) –Jogou os 90 minutos e o resultado até pode nem ter sido mau de todo, mas o Dínamo sofreu 2 golos e por isso atribuo nota 5 a Antunes. (Dínamo Kiev)

Miguel Veloso (6) –A idade parece não contar para Miguel Veloso, só foi substituído aos 86 minutos e é, sem margem para dúvidas, uma peça fulcral na equipa ucraniana. (Dínamo Kiev)

Eduardo (7) – O internacional português foi titular e a vitória frente ao Arsenal terminou um jejum de 16 anos do Dínamo de Zagreb sem vencer na fase de grupos da liga dos campeões. (Dínamo Zagreb)

Ivo Pinto (7)  – Outro dos 3 portugueses que foram titulares na vitória do Dínamo frente ao Arsenal. Uma exibição sem falhas contribuindo, assim, para a vitória do coletivo. (Dínamo Zagreb)

Paulo Machado (7) – Passados alguns problemas na fase inicial da temporada, Paulo Machado foi titular e afirma-se como uma das peças fundamentais na manobra ofensiva do Dínamo. (Dínamo Zagreb)

 Treinadores:

Marco Silva (3) – Aguentou até pouco depois do intervalo, mas a verdade é que se esperava algo mais da equipa grega orientada por Marco Silva. (Olympiacos) 

José Mourinho (6) – Vive tempos bastante difíceis, José Mourinho. A vitória de ontem por 4-0 vai ajudar a acalmar os ânimos Londrinos. (Chelsea)

Nuno Espírito Santo (4) – Não vencer em casa numa competição como a Liga dos Campeões e sobretudo com um adversário direto na luta pelo playoff pode colocar em causa as aspirações do Valência na liga dos campeões. (Valência)

André Vilas Boas (8) – Os rumores que ditavam a saída do anterior treinador do Futebol Clube do Porto perderam, certamente, força com a vitória de ontem. O treinador português não podia ter pedido melhor começo da liga milionária. (Zenit)

Jogador da Jornada: Cristiano Ronaldo

Treinador da Jornada: André Vilas Boas

Ausentes: Beto e Daniel Carriço, no Sevilha; Vieirinha, no Wolfsburgo; Rúben Vezo, no Valência e Gonçalo Santos, no Dínamo de Zagreb.

Foto de Capa: UEFA Champions League

Lokomotiv Moscovo – A locomotiva russa voltou a acender a sua fornalha

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Em 21 de Novembro de 2002, o Lokomotiv Moscovo sagrava-se pela primeira vez na sua história campeão da Rússia, num pouco habitual playoff contra os seus vizinhos e rivais CSKA Moscovo, após terem terminado o campeonato com o mesmo número de pontos. O jogo disputou-se no velho estádio do Dynamo, na capital russa, e teve como herói aquele que muitos consideraram um dos melhores jogadores russos do últimos 20 anos, Dmitri Loskov. O número 10 e capitão do Lokomotiv marcou o único golo da partida, logo aos seis minutos de jogo, e carimbou assim a primeira de duas ligas russas que os homens dos caminhos de ferro iriam vencer no espaço de três anos. Dessa excelente equipa do início do século faziam parte, para além de Dmitri Loskov, um jovem de extraordinário talento chamado Marat Izmailov, o actual central do CSKA Moscovo Sergei Ignashevich, o antigo guarda-redes de FC Porto e SL Benfica, Sergei Ovchinnikov, e um avançado de extraordinário talento que acabou por passar ao lado de uma grande carreira chamado Ruslan Pimenov. Esta equipa, superiormente orientada por Yuri Semin, esteve em especial destaque ao longo de aproximadamente oito anos, marcando presença em duas meias-finais da extinta Taça das Taças, em 1998 e 1999. A saída do seu carismático treinador em 2005 marcou o início do declínio da equipa, que desde essa altura apenas conseguiu vencer duas Taças da Rússia (Кубок России), uma em 2007 e outra na temporada passada.

Dmitri Loskov - O eterno número 10 do Lokomotiv Moscovo Fonte: rusfootball.info
Dmitri Loskov – O eterno número 10 do Lokomotiv Moscovo
Fonte: rusfootball.info

Após duas experiências mal sucedidas com treinadores de gabarito internacional (primeiro Leonid Kuchuk, em seguida Miodrag Bozovic), a direcção do Lokomotiv Moscovo decidiu entregar os destinos da equipa a um homem que conhece bem os cantos à casa e que faz parte das sucessivas equipas técnicas do emblema moscovita desde 2008, de seu nome Igor Cherevchenko. O jovem treinador de 41 anos, nascido em Dushanbe, no Tagiquistão, conseguiu ainda assim, e no meio de tamanha turbulência, conduzir a equipa à vitória na Taça da Rússia, batendo na final o FC Kuban, em Astrakhan, por 3-1 após prolongamento.

Após ter conseguido tamanho feito, Cherevchenko mereceu a confiança de Olga Smorodskaya, a Chairman do emblema moscovita, e, verdade seja dita, até ao momento tem feito por merecer a sua posição.

O Lokomotiv Moscovo ocupa neste momento o segundo lugar da Liga Russa, atrás do CSKA Moscovo, e até ao passado Sábado mantinha um excelente registo de cinco vitórias e dois empates em sete jogos, com apenas quatro golos sofridos. De forma algo inesperada, a visita dos homens da capital russa à República do Tartaristão para enfrentar o Rubin Kazan terminou na primeira derrota da temporada, por uns contundentes 3-1. Os паровозы deixaram ficar para trás uma actuação ténue, muito distante daquilo que conseguem na realidade fazer, e nem a ausência, por lesão, de Alan Kasaev explica tamanho desaire.

Igor Cherevchenko, que curiosamente venceu a Taça da Rússia com o Lokomotiv Moscovo como jogador (1996, 1997, 2000, 2001) e como treinador (2014-15), apresenta geralmente a sua equipa num já quase clássico 4-2-3-1 (não existem muitos treinadores oriundos do antigo espaço soviético a jogar com este esquema táctico), com dois “homens de trabalho” à frente da linha de defesa e um trio de jogadores bastante rápidos e de elevada bitola técnica no apoio ao avançado. Na baliza do Lokomotiv, encontramos Guilherme, um guarda-redes brasileiro de 29 anos que chegou à capital russa em 2007, proveniente do Atlético Paranaense. Guilherme oscila entre o muito bom e o medíocre e tem como pontos fracos a saída dos postes e alguns, não raros, momentos de desatenção completa.

Cherevchenko tem feito um bom trabalho no Lokomotiv Fonte: Facebook do Lokomotiv
Cherevchenko tem feito um bom trabalho no Lokomotiv
Fonte: Facebook do Lokomotiv

O quarteto defensivo é geralmente formado por quatro jogadores bastante experientes: Roman Shishkin, na lateral direita, e o internacional uzbeque Vitaly Denisov, do lado esquerdo, formam uma parelha de laterais com propensão para subir no terreno mas que por vezes se expõe em demasia, deixando os centrais algo desamparados. No centro da defesa estão dois jogadores croatas, o capitão de equipa, Vedran Corluka, e Nemanja Pejcinovic, que chegou na temporada passada do OGC Nice. À frente do seu bloco defensivo, Cherevchenko utiliza geralmente dois jogadores com tarefas mais defensivas e de circulação de bola na zona intermediária. O congolês Delvin N’Dinga, que chegou esta temporada por empréstimo do AS Monaco, e o internacional russo Dmitri Tarasov têm sido os eleitos para assumir essas funções, mas existem também o internacional ucraniano Taras Mykhalyk e o armador de jogo russo Aleksandr Kolomeytsev, ambos de excelente qualidade, que espreitam sempre por um lugar no onze.

O tridente que faz a ligação entre o sector intermédio e a linha da frente é provavelmente o ponto mais forte deste Lokomotiv de Igor Cherevchenko. Os irrequietos internacionais russos Alan Kasaev e Aleksandr Samedov (que marcou um golo de belo efeito na partida do passado Sábado) desempenham a função de extremos e transformam-se em médios ala durante o próximo defensivo. Quer Kasaev, quer Samedov são jogadores bastante experientes, que acrescentam bastante sabedoria e qualidade à equipa e são geralmente um perigo constante para as linhas defensivas adversárias. Mais pelo meio, numa função que tem um pouco de organizador de jogo e de box-to-box, temos Aleksei Miranchuk, um jovem internacional de apenas 19 anos com um talento muito acima da média e que pensa quase todo o jogo de ataque da sua equipa. Chegou à primeira equipa pela mão do actual técnico do West Ham, Slaven Bilic, que na época 2012-13 reparou naquele jovem jogador da academia do clube e confidenciou ao seu conterrâneo Vedran Corluka que ali estaria a próxima jóia da coroa do Lokomotiv. Até ao momento, não parece ter-se enganado.

xx Fonte: fclm.ru
Alan Kasaev – Um dos jogadores do Lokomotiv em maior destaque esta temporada
Fonte: fclm.ru

Lá na frente, Igor Cherevchenko tem optado pelo avançado senegalês Baye Oumar Niasse, um atleta possante e bastante móvel que causa habitualmente bastantes problemas aos centrais adversários. Para além de Niasse, existem também o avançado sérvio Petar Skuletic, um jogador completamente diferente do seu colega de posição, mas que já marcou por duas vezes na Liga Russa esta época, e o brasileiro Maicon, um médio altamente versátil, de vocação bastante ofensiva, que pode actuar como avançado centro ou segundo avançado.

Da equipa do Lokomotiv Moscovo faz também parte o internacional português Manuel Fernandes, que, esta época, com alguma estranheza, não tem feito parte das opções de Igor Cherevchenko.

O Lokomotiv Moscovo actual tem muito pouco ou até mesmo nada a ver com aquele que Yuri Semin conduziu a resultados gloriosos há mais de uma década; ainda assim, trata-se de uma equipa consistente, com princípios de jogo bem vincados, que pode causar muitos problemas ao Sporting CP de Jorge Jesus, caso este não esteja num dia particularmente inspirado.

Foto de Capa: bk-ru.com

Liga Espanhola: Quando a fome dá em fartura

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A jornada 3 da Liga Espanhola teve como principal ingrediente um confronto de gigantes candidatos ao título, no qual o Barcelona logrou importante vitória contra o Atlético Madrid, graças ao talento do inevitável Leo Messi, o que ofereceu a liderança isolada do campeonato aos atuais campeões em título. No entanto, o maior destaque desta ronda vai para o “rival” de longa data de La Pulga, Cristiano Ronaldo, que, após duas primeiras jornadas sem sentir o sabor do golo, deu um pontapé (ou melhor, cinco) nesse jejum e assinou uma manita na estrondosa goleada (6-0) do Real Madrid ante o Espanyol.

Os merengues entraram em campo antes do embate entre Barça e Atleti e com uma vitória sobre o Espanyol poderiam pôr pressão sobre os conjuntos rivais. A turma de Rafa Benítez respondeu da melhor forma possível e atropelou completamente o adversário. Quem mais contribuiu para tal foi o internacional português Cristiano Ronaldo, que precisava e muito de voltar a fazer o que melhor sabe: marcar golos. CR7 fez uso da expressão popular “não há fome que não dê em fartura”, pois foram cinco as vezes que fez balançar as redes da baliza adversária. Pelo meio, Karim Benzema também teve tempo para fazer o gosto ao pé e Gareth Bale demonstrou a sua capital importância no esquema de Benítez, ao estar presente em quatro dos golos que abafaram um Espanyol adormecido.

Poucas horas depois, Atlético Madrid e Barcelona mediram forças no Vicente Calderón, num jogo que, tal como seria de esperar, encheu as medidas dos adeptos. Com Messi a começar o encontro no banco de suplentes, os colchoneros aproveitaram para fazer uma constante pressão alta sobre os blaugrana, bem ao estilo do que Diego Simeone tem feito no comando do Atleti. Sempre a adotar o contra-ataque como melhor arma ofensiva, a equipa da capital espanhola chegou à vantagem por intermédio de Fernando Torres, que teima em ser decisivo no que concerne a partidas deste nível. Mas a celebração não durou muito, pois Neymar empatou com um soberbo livre de execução perfeita. Perto da hora de jogo entrou em campo Leo Messi… e cerca de quinze minutos depois estava a Pulga a fazer golo e dar o importante triunfo (2-1) aos catalães.

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O inevitável Leo Messi voltou a dar uma vitória importante ao Barcelona
Fonte: Facebook do Barcelona

A liderança da liga fica, assim, nas mãos do Barcelona, que até esta jornada a partilhava com outras três equipas (Atlético Madrid, Celta de Vigo e Eibar), que não conseguiram os três pontos nesta jornada. O Celta de Vigo consentiu um empate caseiro (3-3) ante o Las Palmas, que jogou cerca de 80 minutos com menos um jogador graças à expulsão de Javi Varas, partida na qual os golos foram o prato do dia. Já o Eibar continua a surpreender pela positiva e também se mantém invicto na liga, ao conseguir empatar sem golos no terreno do Málaga, que continua sem marcar no campeonato.

O Valência rebateu a “crise” de resultados a nível do campeonato e alcançou a primeira vitória nesta edição da Liga Espanhola. O conjunto de Nuno Espírito Santo foi ao terreno do Gijón vencer por 1-0 com golo solitário de Paco Alcácer já nos minutos finais da partida, tento que deu o primeiro triunfo na liga aos che… algo que o Sevilha ainda não pode dizer, pois com o empate (1-1) no reduto do Levante, os andaluzes somam agora apenas dois pontos em três jornadas, algo curto para as ambições dos blanquirrojos.

O Villarreal continua sem conhecer o sabor da derrota na liga e nesta jornada triunfou fora de portas face ao Granada, por 3-1… resultado que o Deportivo também conseguiu no terreno do Rayo Vallecano. Já o Athletic Bilbao também protagonizou esse mesmo resultado contra o Getafe, partida na qual Aduriz manteve a sua veia goleadora e Raúl García já faturou pelo seu novo clube. De salientar que o Bilbao e o recém-promovido Bétis, que venceu a Real Sociedad por 1-0, foram as únicas equipas que conseguiram alcançar triunfos caseiros nesta terceira jornada da Liga Espanhola.

Jogador da Semana: Cristiano Ronaldo (Real Madrid)

Respondeu, e de que forma, à falta de golo que começava a preocupar os adeptos merengues, ao marcar cinco na partida contra o Espanyol. O internacional português isola-se, assim, no topo da lista dos melhores marcadores da Liga Espanhola e, agora que o golo apareceu, certamente que podemos esperar ainda mais por parte de CR7.

Treinador da Semana: José Luis Mendilibar (Eibar)

Mais uma jornada decorrida e o Eibar continua invicto na liga. Após uma época em que o clube só se manteve na primeira divisão na secretaria, Mendilibar pegou na equipa e certo é que o saldo até então tem sido excelente. Duas vitórias e um importante empate nesta jornada, com apenas um golo consentido, fazem do Eibar uma das surpresas do campeonato, situação que advém da capacidade do seu técnico.

Foto de Capa: Facebook do Barcelona