Início Site Página 10930

Mundial Sub-20 – Qatar 0-4 Portugal: A corte do ‘sheik’ Ivo

cab seleçao nacional portugal

Clica aqui para ver as estatísticas do jogo

Ao segundo jogo, a segunda vitória. Depois de ter vencido, esta madrugada, o Qatar por claros quatro golos sem resposta, a Seleção Nacional assegurou a passagem aos oitavos de final do Campeonato do Mundo de Sub-20. Na tarde chuvosa de Hamilton (Nova Zelândia), Ivo Rodrigues, avançado do FC Porto emprestado ao Vitória de Guimarães, foi o MVP, ao apontar dois golos e assistir João Vigário para o último tento da partida.

Cedo se percebeu que o Qatar não representaria ameaça às intenções lusas. Apesar de ter tomado a iniciativa nos primeiros cinco minutos, a seleção do Médio Oriente entregou pouco depois o domínio das operações a Portugal, que se limitou a fazer um jogo paciente e sem grande verticalidade, confiante de que o golo acabaria por surgir. A verdade é que, com 34 minutos decorridos, e após uma meia hora algo aborrecida e com escassas oportunidades, André Silva desfez o nulo. Gelson Martins fletiu para o meio e serviu numa bandeja o ponta-de-lança, que só precisou de desviar a bola do guarda-redes Yousef Hassan. Foi o segundo golo de André Silva na competição.

Antes do intervalo, Ivo Rodrigues ainda ampliou a vantagem, com um grande golo: Rony Lopes (uns furos acima do último jogo) cruzou rasteiro, a defesa catarense afastou, mas Francisco Ramos recuperou à entrada da área e assistiu Ivo, que, de bicicleta, desfeiteou Hassan pela segunda vez.

No balanço da primeira parte, domínio de Portugal em toda a linha (31%-69% em posse de bola) e aposta ganha do selecionador Hélio Sousa, ao colocar em Francisco Ramos e Ivo Rodrigues em campo como titulares (saíram Guzzo e Gonçalo Guedes); os dois jogadores do FC Porto estiveram em bom plano, e Francisco Ramos denotou um entendimento notável com o capitão Tomás Podstawski.

Na etapa complementar, o Qatar jogou de modo mais aberto, algo que acabou por beneficiar Portugal, já que a congénere asiática abriu muitos espaços no reduto defensivo. No entanto, foi aos 48 minutos que surgiu a melhor oportunidade do jogo para os catarenses. Almoez, numa boa jogada individual, levou o esférico a passar bem perto do poste da baliza à guarda de André Moreira. Depois, André Silva ensaiou o remate por três vezes, de cabeça e de fora da área, por duas vezes.

André Silva voltou a exibir-se a grande nível e já leva 2 golos em 2 jogos na competição Fonte: Página do Facebook das Seleções de Portugal
André Silva voltou a exibir-se a grande nível e já leva 2 golos em 2 jogos na competição
Fonte: Página do Facebook das Seleções de Portugal

O terceiro golo surgiu já depois das entradas de Janio Bikel e Nuno Santos. O segundo, à semelhança do que já tinha feito frente ao Senegal, cruzou para mais um golo: Ivo Rodrigues concretizou, de cabeça, o segundo da conta pessoal. O mesmo Ivo, poucos minutos depois, “trocou as voltas” ao lateral Shanin e entregou a João Vigário (substituto de André Silva), que rematou de primeira e colocado para fechar as contas da partida.

Portugal voltou a deixar bem patente o seu ADN neste Mundial. Jogo seguro dos pupilos de Hélio Sousa, com muita maturidade e bom aproveitamento dos espaços criados, ora pelo adversário, ora pelo bom entendimento entre os jogadores. Além do destaque Ivo Rodrigues, nota francamente positiva para Rafa, Francisco Ramos, Gelson Martins e André Silva, que, até ser substituído, foi fundamental na largura que deu ao jogo ofensivo lusitano. Em suma, mais uma exibição assente na força coletiva de uma equipa (na verdadeira acepção da palavra) que permite aos portugueses sonhar.

O próximo jogo já será contra um adversário de maior valia. No papel, a Colômbia é o único adversário capaz de disputar o primeiro lugar do grupo com Portugal. Para a Seleção, será um teste mais sério, para pôr à prova a fibra dos jovens portugueses contra uma equipa sul-americana, que tem presenteado os adeptos com alguns dos mais brilhantes momentos e golos das últimas edições dos Mundiais Sub-20. Ainda assim, mantendo o ritmo até aqui apresentado, a equipa portuguesa deverá estar à altura do desafio.

A Figura

Ivo Rodrigues – A sua inclusão no onze inicial foi aposta ganha pelo selecionador. Dois golos e uma assistência já seriam motivo mais do que suficiente para esta escolha, mas o avançado não se limitou a isso. Foi dos mais dinâmicos na primeira parte, procurando sempre descobrir o ponta-de-lança com passes em profundidade, e combinou muito bem com os laterais Rafa e Riquicho. Terá ultrapassado Gonçalo Guedes na corrida por um lugar cativo na equipa.

O Fora-de-Jogo

Defesa do Qatar – Apesar de se saber que o valor dos asiáticos não se compara com o da equipa das quinas, esperava-se mais dos vencedores da Taça da Ásia Sub-19. Quase toda a defesa (a começar no guarda-redes) cometeu erros de principiante e nunca pareceu capaz de aguentar a rotação do ataque português. Se o Qatar chegar a receber o Mundial de 2022, esta deverá ser a base da seleção anfitriã, e está mais do que visto que há muito trabalho a ser desenvolvido.

Foto de Capa: Página do Facebook das Seleções de Portugal

Allez France, Allez!

0

cab ligue 1 liga francesa

Fala-se pouco do futebol francês. Por volta da mesma altura, curiosamente, o futebol alemão ganhou um novo protagonismo e o gaulês, campeonato histórico, perdeu preponderância. Em Portugal, esse desvio de atenção deveu-se, em muito, à saída de Pedro Pauleta do Paris Saint-Germain, e consequente fim de carreira. Mas, na Europa, as razões foram outras.

A década de 90 foi o palco do apogeu do futebol francês. Depois do escândalo de resultados combinados do Marselha, a Ligue 1 vivia tempos quase inéditos no futebol europeu: em seis anos, foram campeãs seis equipas diferentes. Não havia continuidade, consistência ou estabilidade; ainda assim, a qualidade futebolística era acima da média, e a principal liga francesa era um verdadeiro laboratório de jogadores que, mais tarde, saltariam para campeonatos com mais destaque nas competições europeias.

Além dos feitos internos, também a selecção nacional vivia uma época auspiciosa. A geração de Thierry Henry, Zinédine Zidane, Patrick Vieira, entre outros, conquistou o Campeonato do Mundo em casa, em 1998, e, dois anos depois, o Europeu. Eram as estrelas do futebol mundial. Os bleus eram o colectivo mais temido e respeitado. Mas em 2002, aquando do Mundial da Coreia e do Japão, tudo isto foi por água abaixo. O muito antecipado favoritismo deu azar aos franceses e, tal como podemos dizer de Portugal, a campanha por terras asiáticas foi um fiasco. Os gauleses vieram embora sem uma única vitória, e nem sequer um golo marcado.

E, a partir daqui, foi sempre a descer. Depois da presença do Mónaco na final da Liga dos Campeões, frente ao Porto, não mais uma equipa francesa se fez sentir na maior competição de clubes. Daí aos desentendimentos de Nicolas Anelka com o seleccionador Raymond Domenech, às greves dos jogadores e às fracas prestações em fases finais, foi um pequeno passo. Tudo isto contribuiu para que o futebol francês deixasse de ser um dos mais afamados palcos do desporto rei.

Poucos saberão que, este sábado, o PSG conquistou um inédito quadruplé. Ao vencer o Auxerre, na final da Taça Francesa, a equipa de Laurent Blanc juntou esse troféu à Supertaça, ao Campeonato Francês e à Taça da Liga. Espero que, com o ressurgimento do PSG, este futebol que tanto aprecio volte às páginas dos jornais. Ibrahimovic e companhia irão, com certeza, mostrar que o clube está empenhado em voltar à glória europeia e estabelecer uma verdadeira hegemonia de títulos em França.

Roland Garros 2015 – Balanço da 1ª semana

0

cab ténis

128 jogadores estavam em prova no primeira domingo do torneio, mas restam agora apenas 8 para  os quartos-de-final. Na parte superior do quadro, teremos a ‘final antecipada’ entre Djokovic e Nadal e também Murray vs Ferrer, enquanto que na metade inferior do quadro teremos Nishikori vs Tsonga e Wawrinka vs Federer. Vejamos os destaques da primeira semana do torneio.

Destaques positivos

-7 dos 8 primeiros cabeças-de-série atingiram os quartos-de-final, tal como na Austrália. Em Melbourne, foi Federer que ‘falhou’, aqui foi Berdych, derrotado pelo sempre perigoso Tsonga;

-Djokovic e Nishikori ainda não perderam qualquer set neste torneio, Tsonga, Federer, Nadal e Wawrinka perderam um cada, enquanto que Murray e Ferrer perderam dois;

-Cilic ia numa série de 19 sets consecutivos ganhos em torneios do Grand Slam, mas essa série foi interrompida por uma convincente derrota (6-2 6-2 6-4) contra David Ferrer, que assim atingiu os quartos-de-final de Roland Garros pelo quarto ano seguido;

-Cinco jogadores franceses chegaram aos oitavos de final, mas apenas Tsonga se qualificou para os quartos; Gasquet perdeu em 3 sets contra Djokovic, Chardy em 4 sets contra Murray, Simon em 3 contra Wawrinka e Monfils em 4 contra Federer;

-Kokkinakis e Coric ambos atingiram a terceira ronda, um feito assinalável para dois jovens de 18 anos. Kokkinakis bateu Basilashvili e recuperou de 0-2 em sets para vencer o seu compatriota Tomic, ao passo que Coric levou de vencida Querrey e Robredo em dois encontros muito disputados. Derrotas em 3 sets contra Djokovic (Kokkinakis) e Sock (Coric) em nada mancham o excelente desempenho destes dois jovens jogadores;

-O português João Sousa rubricou uma excelente prestação, vencendo facilmente Pospisil e tirando pela primeira vez na sua carreira um set a Andy Murray (ao sexto duelo entre ambos) e causando-lhe muitas dificuldades durante dois sets;

-Gael Monfils. O que se pode dizer acerca do Francês? A maneira como desperdiça o seu enorme talento com ténis ‘pouco inteligente’ pode deixar muitos irritados, mas a verdade é que os seus encontros são sempre espectáculos imperdíveis e esta semana não fugiu à regra.

Gael Monfis protagonizou até agora um dos melhores encontros do torneio. Fonte: Facebook Oficial de Roland Garros
Gael Monfis protagonizou até agora um dos melhores encontros do torneio.
Fonte: Facebook Oficial de Roland Garros

Destaques negativos

-Grigor Dimitrov perdeu na 1ª ronda de Roland Garros pelo segundo ano consecutivo (Karlovic em 2014) sem sequer ganhar um set. Sock não era um adversário fácil, mas esperava-se bem mais de Dimitrov – que continua a mostrar-se incapaz de corresponder às expectativas que muitos têm dele;

-Garcia-Lopez tinha chegado à 4ª ronda o ano passado e parecia ter um quadro bastante favorável este ano, mas uma surpreendente derrota na primeira ronda contra Steve Johnson em 5 sets acabou com o seu torneio;

-Verdasco registou uma das piores derrotas da sua carreira, ao perder contra Benjamin Becker – apesar de ganhar dois sets por 6-0 e 6-1 -, um dos piores jogadores de terra batida do circuito;

-Bautista Agut foi dizimado por Rosol na segunda ronda – 6-4 6-2 6-2 – e vai assim abandonar o top 20 do ranking mundial após o torneio.

-Berdych perdeu pela primeira vez este ano contra um jogador fora do top 10 mundial, rubricando uma exibição muito frouxa contra Tsonga na quarta ronda, se bem que se especula com uma lesão nas costas o possa ter afectado nesse encontro.

Maior surpresa – De longe a vitória de Becker sobre Verdasco, dado a superfície. Algumas casas de apostas ofereciam odds de 20 numa vitória do alemão.

Melhor ponto do torneio – https://www.youtube.com/watch?v=uxQF8NJKTyw Um passing shot extraordinário de Kei Nishikori contra Thomaz Bellucci na segunda ronda

Melhor encontro – A vitória de Monfils contra Pablo Cuevas – um daqueles encontros ‘loucos’ que só pode mesmo acontecer com o Francês. O encontro parecia ganho por Cuevas a meio do quarto set, mas do nada Monfils começou a jogar um ténis sublime e deu a volta ao resultado.

O jejum terminou

rugir do leao duarte

A caminhada rumo ao Jamor começou, para mim, dentro de uma ambulância, por mais estranho que possa parecer. Deitado numa maca, eis que, e na altura confesso que tal notícia me deixou um bocadinho pior, o enfermeiro do INEM me disse: “Ah, muito bem, este é lagarto”, ao qual eu respondi: “Sou sim Sr., e com muito orgulho”. O enfermeiro, com alguns risos pelo meio, voltou a ripostar: “Não tenho boas noticias para te dar: o teu Sporting vai jogar ao Dragão para a taça”. Naquele momento, como disse, não acreditei que fosse possível eliminarmos o Porto em pleno estádio do Dragão, sobretudo devido a todas as condicionantes que lhe estão anexadas, mas, e como é apanágio dos sportinguistas, o sonho começava ali!

Futebol Clube do Porto; Espinho; Vizela; Famalicão; Nacional e ainda, claro, o Braga, na final de ontem no Jamor; foram estes os adversários, uns mais fáceis do que outros, que o Sporting teve de ultrapassar para levar a Taça de Portugal para Alvalade. Numa época nem sempre bem conseguida (haverá tempo suficiente para se fazer o rescaldo), a conquista da prova rainha veio pôr fim a um jejum de 7 anos sem conquistar qualquer título.

Tive a honra e o prazer de poder estar presente nas ultimas 5 finais em que o Sporting participou e  todas elas foram especiais, contudo, e fruto das circunstancias, o jogo de ontem foi único. Assisti ao jogo, por mais estranho e incompreensível que possa parecer, junto aos adeptos do Braga; ao intervalo, quando o resultado era favorável à equipa do Minho por 2 golos, e com a ajuda de um desastrado Marco Ferreira (ficou por assinalar, pelo menos, uma expulsão e uma grande penalidade a favor do Sporting), faziam a festa. Alguns adeptos do Sporting iam abandonando vergonhosamente o estádio, contudo, o melhor estava guardado para o fim! Primeiro Slimani, e depois Montero, colocaram o estádio do Jamor, completamente cheio, ao rubro, ou pelo menos parte dele. De resto, e com toda a justiça, o Sporting Clube de Portugal acabaria mesmo por conquistar a Taça de Portugal nos penaltis.

Foram 7 anos sem conquistar qualquer título, o, que, para um clube com a história e o prestigio do Sporting, é demasiado tempo. Talvez por isso, quando o árbitro deu o jogo por terminado, tenha havido inúmeros adeptos, eu inclusive, que não conseguiram conter as lágrimas; sim, um leão também chora, neste caso, de felicidade.

O estádio José de Alvalade estava a rebentar pelas costuras para receber a equipa após a conquista da Taça de Portugal Fonte: Facebook oficial do Sporting Clube de Portugal
O estádio José de Alvalade estava a rebentar pelas costuras para receber a equipa
Fonte: Facebook oficial do Sporting Clube de Portugal

A festa continuou civilizadamente noite dentro, embora alguns, talvez por vergonha dos festejos do seu próprio clube, queiram tentar passar outra mensagem. Com o relvado de Alvalade completamente a rebentar pelas costuras, o, que, diga-se, parece-me completamente normal e, mais uma vez, civilizado, a nação leonina voltou a poder festejar um título.

Tudo começou, no meu caso, dentro de uma ambulância, e viria a terminar lavado em lágrimas em pleno Jamor. Um grande obrigado a todos os que tornaram esta conquista possível, sejam eles presidente, treinador, jogadores e, como não poderia deixar de ser, adeptos.

Resta agora desfrutar de todo este momento e, posteriormente, com mais calma, fazer o balanco da temporada 2014/2015 e preparar a próxima época. Dia 9 de Agosto, frente ao Benfica, seja onde for, lá estarei para apoiar o meu grande amor, o Sporting Clube de Portugal.

Esforço, dedicação, devoção e glória.

As bodas de ouro do melhor rali do Europeu

cab desportos motorizados

Meio século de história, é esta bonita idade que o Sata Rallye Açores assinalada este ano, e celebra-o com uma lista de inscritos de luxo, apesar de mais fraca do que inicialmente previsto.

São 74 pilotos inscritos – recorde da prova – e que estão divididos por três campeonatos, Europeu (ERC), Nacional de Ralis (CNR) e Campeonato dos Açores (CRA). Destes 74, 19 contam com carros RC2, a categoria máxima permitida na prova.

A luta pela vitória promete ser animada, com a maioria dos principais nomes do ERC presentes na prova e aos quais é necessário contar com os principais pilotos do CNR. Os grandes candidatos à vitória acabam por ser mesmo os pilotos do ERC, como os nomes de Craig Breen (Peugeot 208 T16), Kajetan Kajetanowicz (Ford Fiesta R5) e Bruno Magalhães (Peugeot 208 T16), a quem tem de se juntar o piloto da casa, Ricardo Moura (Ford Fiesta R5). Outros nomes que não podem ser esquecidos nesta luta, mas que meto numa segunda linha, são Robert Consani (Citroen DS3 R5), José Pedro Fontes em carro igual e João Barros (Ford Fiesta R5). É impossível dizer quem vai ganhar, até porque existe sempre a dúvida da fiabilidade dos carros da marca do leão.

Esta luta promete animar muito o rali mas não será a única com grande interesse. O campeonato europeu júnior (JERC) é cada vez mais uma aposta ganha dentro do ERC e tem vários pilotos de qualidade nos seus inscritos. As principais apostas da minha parte vão para Chris Ingram, Diogo Gago e Vasiliy Gryazin, todos em Peugeot 208 R2. Por outro lado, o atual líder da competição, Emil Bergkvist em Opel Adam R2, não pode ser esquecido, mas ao fazer a sua estreia na prova deve ter mais dificuldades que qualquer um dos três antes ditos. O pequeno carro alemão é, de resto, uma das melhores surpresas da temporada e um dos carros que quero mesmo acompanhar com atenção.

Marco Cid a testar o seu Renault Clio S1600 no Monday Test
Marco Cid a testar o seu Renault Clio S1600 no Monday Test
Foto: Rodrigo Fernandes

Quanto ao CNR, o grande candidato tem de ser Moura, mas José Pedro Fontes e João Barros vão dar luta e não se pode afirmar que será o açoriano a vencer. A grande ausência é a de Pedro Meireles, que depois de ter dado um toque nos testes para o Rali de Portugal ainda não viu os problemas do seu Skoda Fabia R5 serem resolvidos, e com isto viu gorada a sua vinda aos Açores. Com esta ausência também ficou gorada a presença dos quatro carros R5 que existem neste momento: Peugeot, Ford, Citroen e Skoda.

Noutro prisma que não o competitivo, como açoriano não escondo o orgulho que sinto ao ver no Facebook e Twitter dos pilotos nacionais e estrangeiros tantas imagens e comentários sobre São Miguel e a prova. Destas vou destacar umas frases de Chris Ingran: “Os Açores são o melhor rali no ERC. Tu não encontras PEC’S [Provas Especiais de Classificação] como aqui em nenhum lugar do mundo – mudanças súbitas, rápidas, estreitas, exigentes e todos na mais deslumbrante paisagem. E depois tens as Sete Cidades, para mim a melhor PEC em todo o ERC de longe”. A opinião é repetida por muitos, e ainda bem que assim é.

Quem não pode ir para as estradas pode sempre ver na TV, apesar de este ano a cobertura ser mais diminuta. A RTP Açores (já disponível no Continente no número 202 da MEO, 189 da NOS, 149 da Vodafone e 28 da Cabovisão) tem as seguintes transmissões (hora dos Açores):

3 Junho – Quarta Feira

20:30 – DIRETO – Apresentação Equipas e Prova Citadina

4 Junho – Quinta Feira

17:00 – DIRETO – SS1 Grupo Marques

23:00 – Especial Sata Rallye Açores (Resumo)

5 Junho – Sexta feira

23:00 – Especial Sata Rallye Açores (Resumo)

6 Junho – Sábado

12:42 – DIRETO – SS14 Grupo Marques

19:00 – DIRETO – Cerimónia do Pódio

22:30 – Especial Sata Rallye Açores (Resumo)

Quanto à Eurosport, este ano apenas emite resumos diários todos os dias às 21h30, mais uma vez hora dos Açores.

Pode acompanhar os rescaldos aqui no Bola na Rede ao fim de cada dia de prova, ou seja, de quinta feira a sábado.

Grzegorz Krychowiak – O porta-estandarte de uma nova era no futebol polaco

0

internacional cabeçalho

Legia Varsóvia, Widzew Lodz e Wisla Cracóvia eram nomes que punham em sentido qualquer adversário aquando dos sorteios para as diferentes competições europeias durante as décadas de 1970 e 1980. Foi precisamente durante os anos 70 que teve lugar a era dourada do futebol polaco, durante a qual, a reboque de jogadores como Kazimiers Deyna, Robert Gadocha, Grzegors Lato e Zbignew Boniek, o futebol das águias brancas do leste europeu tomou de assalto a modalidade no velho continente.

Os ventos de mudança trazidos pela Perestroika de Mikhail Gorbachev e pela luta do Solidarnosc de Lech Walesa em conjunto com a queda do governo autoritário do General Jaruzelski em 1990 marcaram também, de forma profunda, o futebol polaco, que só esporadicamente tem conseguido erguer-se novamente e, de certa forma, atrever-se a reclamar o tempo perdido no panorama da modalidade no continente europeu.

Grzegorz Krychowiak – O bravo guerreiro andaluz  Fonte: Página do Facebook do Krychowiak
Grzegorz Krychowiak – O bravo guerreiro andaluz
Fonte: Página do Facebook do Krychowiak

Todavia, o futebol polaco está novamente a atravessar um momento bastante positivo, não propriamente às expensas das equipas que compõem a sua liga nacional, mas sim graças à vasta legião de jogadores polacos que fazem parte dos plantéis de grandes equipas por essa Europa fora.

Adam Nawalka, o homem que assumiu o controlo da selecção polaca em 2013, veio pôr fim a vários anos de inconsistência e de alguns resultados que roçaram a mediocridade, conseguindo de certa forma captar aquela essência que fez a Polónia afirmar-se nas décadas de 1970 e 1980. Nawalka tem introduzido na equipa alguns jovens jogadores e outros mais experientes, que actuam na Ekstraklasa, numa clara tentativa de relançar o futebol dentro daquela imponente nação do leste europeu.

Apesar de todos os seus esforços, são ainda os jogadores que jogam fora do seu país que têm dado grandes alegrias (a Polónia ocupa o primeiro lugar no Grupo D de apuramento para o Euro 2016) aos exigentes adeptos polacos. Um desses homens é do Sevilha, dá pelo nome de Grzegorz Krychowiak e ganhou recentemente a Liga Europa ao serviço da equipa andaluza. O médio defensivo de 25 anos é definitivamente um dos melhores do mundo a jogar na sua posição e foi um elemento de vital importância na equipa de Unai Emery esta temporada. Krychowiak chegou a Sevilha no Verão passado, vindo do Stade de Reims, e passou de um mero médio defensivo, extremamente regular, ao segundo jogador mais cotado da Liga Europa, de acordo com as estatísticas do website whoscored.com. Krychowiak é o pêndulo da equipa sevilhana. Sabe sair a jogar desde trás, tem um posicionamento em campo quase perfeito, recupera bolas como ninguém e tem uma inteligência muito acima da média dentro das quatro linhas, algo que lhe permite ler o jogo de forma quase sempre certeira, antecipando com isso as jogadas dos adversários.

Krychowiak nasceu em Gryfice, uma cidade situada na belíssima região da Pomerânia, e, ao contrário daquilo que se possa pensar, embora gostasse de futebol, não fazia tenções de ser jogador profissional. Foi graças à insistência do seu irmão, que já lhe reconhecia talento por essa altura, que se inscreveu na academia do Orzeł Mrzeżyno. Alguns anos mais tarde, o então jovem Krychowiak mudou-se para o Arka Gdynia, uma equipa com pergaminhos no futebol polaco, e as suas boas exibições despertaram o interesse dos franceses Girondins de Bordeaux, clube pelo qual assinou em 2006 e do qual fez parte até 2012, ainda que na maior parte desse tempo tenha jogado por empréstimo no Stade de Reims e no Nantes.

Krychowiak, o homem a quem Unai Emery entregou os comandos do meio-campo sevilhano  Fonte: Página do Facebook do Krychowiak
Krychowiak, o homem a quem Unai Emery entregou os comandos do meio-campo sevilhano
Fonte: Página do Facebook do Krychowiak

Em dois anos apenas, tudo mudou para o poderoso médio polaco, primeiro no Stade de Reims e esta época no Sevilha. Krychowiak puxou dos galões e provou ser uma das melhores contratações da Liga Espanhola na temporada que agora chegou ao fim, e começou também a ser uma presença de peso na selecção do seu país. O médio, que marcou na final de Varsóvia na passada quarta-feira, é agora um dos alvos do Real Madrid para a próxima época, mas uma mudança para a capital espanhola não parece estar nos planos futuros do jogador polaco, que afirmou recentemente querer continuar ao serviço dos andaluzes e até dispensou algum do seu tempo para cantar um hino sevilhano e colocá-lo na sua conta pessoal no Twitter.

Krycho é o porta-estandarte de uma nova e ambiciosa geração de talentosos jogadores polacos, da qual fazem parte, entre outros, Robert Lewandowski, Arkadiusz Milik, Kamil Grosicki, Lukasz Teodorczyk e Michal Kucharczyk, e que irá seguramente tomar o futebol do velho continente de “assalto” e quem sabe devolver ao futebol do seu país aquela mística que se perdeu algures no tempo, há mais de um quarto de século.

Foto de Capa: Página do Facebook do Krychowiak

Que a ganância não nos vença

hic

Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e… Invicta. Gosto de pensar que a cultura do norte é diferente. Gosto de pensar que os gentios do norte são mais agressivos (no bom sentido), mais aguerridos, não dão uma luta por perdida. E que berram e reclamam quando as coisas não correm bem.

Gosto de pensar que os jogadores do norte suam sangue, morrem em campo, dão-se ao clube por amor à camisola. E que isso não chega para vencer mas já é o suficiente para assustar o adversário. Gosto ainda de pensar que o habitat natural de um dragão é um temido covil e que nem a princesa, que neste caso é redonda, vale o inglório esforço de quem a tenta raptar.

Na vida desportiva todos ganham e todos perdem. A perfeição não existe e estaria a ser demasiado injusto se não compreendesse a dificuldade que é jogar com obrigação de vencer. Não há como roubar títulos à cidade mas que ela sirva de inspiração por bons e largos anos. Cem, se puder ser.

Quero “fechar” a época desportiva com esta crónica. E pedir ao Futebol Clube do Porto que procure ser invicto. Invicto na vida, na sociedade, no contexto onde está inserido. Que não se cinja apenas à nomenclatura de “máquina de fazer dinheiro” mas que procure recordar-se de que, acima de tudo, é um clube de futebol. E um clube de futebol é composto pela SAD, pelo treinador, pelos jogadores… e pelos adeptos.

1
Pedroto e Pinto da Costa: uma dupla imbatível
Fonte: fcporto.pt

O Futebol Clube do Porto, como o próprio nome indica, é um clube desportivo. Um clube do povo e para o povo, impulsionador de uma rivalidade história. Porquê? Porque foi competente. Porque foi rigoroso. Porque ambicionou voar mais alto e, acima de tudo, foi um apaixonado. Apaixonou-se pelos títulos, pelo Olimpo do futebol. Conheceu os deuses e com eles travou amizade.

Assim, quero hoje pedir que o dinheiro que se encaixou na Liga dos Campeões não seja motivo de satisfação. É fundamental para um alívio económico e nada mais. O Futebol Clube do Porto tem de ser capaz de mais, muito mais. Não pode ser apenas uma “máquina de fazer dinheiro”. Não pode ser burguês. Não pode defender-se com os títulos do passado.

No fundo… tem de se manter invicto a vícios do presente. E que a ganância não nos vença.

Foto de capa: fcporto.pt

O desafio de jogar numa Equipa B – Entrevista com Pité

entrevistas bola na rede

Luís Pedro de Freitas Pinto Trabulo, mais conhecido por Pité no mundo do futebol, juntou-se ao Bola na Rede para uma grande conversa sobre ele e sobre futebol. O jovem jogador contou como é jogar numa equipa B, a diferença para as outras equipas e falou também do seu futuro e dos jogadores da equipa B que podem vingar na equipa principal do FC O Porto.

Bola Na Rede (BnR): Desde sempre quiseste ser jogador de futebol?

Pité (P): Desde que me lembro é a coisa que mais gosto de fazer. E claro que, se me perguntassem o que queria fazer da minha vida, respondia ser jogador de futebol, porque para um miúdo que pratica e vive intensamente a modalidade, chegar a esse patamar é o sonho, que no meu caso se concretizou.

BnR: Achas que tens o que é preciso para jogar na Primeira Liga?

P: Acho que sim, o meu objetivo é esse!

BnR: Qual é que é tua liga favorita?

P: As duas ligas profissionais portuguesas são as que acompanho com mais regularidade, mas quando posso gosto bastante de ver a liga espanhola e a inglesa.

BnR: Tens interesse em jogar em algum clube estrangeiro em especial?

P: Não tenho nenhum clube em concreto… Respondo dizendo que ambiciono jogar num clube de Champions League.

BnR: Quem foi o jogador do FC Porto B que te impressionou mais?

P: Pergunta difícil… Todos os meus colegas têm as suas características únicas capazes de impressionar qualquer um. Mas se calhar o Gudiño, por ser tão jovem e já apresentar uma segurança tão grande na baliza, faz defesas do outro mundo.

BnR: Achas que o Diego Reyes tem o que é preciso para triunfar na equipa A do Porto?

P: É uma posição com concorrência muito forte na equipa do FC Porto. Mas acredito que quando tiver oportunidades vai mostrar a sua grande qualidade.

BnR: Notaste diferenças entre o Beira-Mar e o FC Porto B?

P: Claro, todos os clubes são diferentes. E, como é natural, mudar-me para um clube com a dimensão do Porto requer uma pequena adaptação pois é uma realidade diferente. Em termos das condições que nos são dadas pelo clube, dão-nos tudo para que consigamos estar sempre no nosso melhor e para que tentemos atingir o nosso rendimento máximo.

Pité em acção no Beira-Mar Fonte: Facebook de Pité
Pité em acção no Beira-Mar
Fonte: Facebook Oficial de Pité

BnR: Achas que o Luís Castro podia ter sucesso na Primeira Liga?

P: Sim, e vendo a forma como trabalha acho que irá chegar a outros patamares!

BnR: Quais foram as coisas em que mais melhoraste este ano, futebolisticamente falando?

P: Sinto que estou a evoluir bastante em termos táticos, em saber que zonas do campo devo percorrer em cada posição que desempenho na equipa

BnR: Achas que o Victor Garcia podia substituir o Danilo?

P: Quando o Danilo sair, o FC Porto está muito bem servido de laterais direitos na equipa B- Não só o Garcia como o David têm grande qualidade e acredito que podem chegar ao nível do Danilo.

BNR: Qual a posição em que te sentes mais confortável a jogar?

P: Sou médio ofensivo de raiz, mas também gosto de jogar a médio interior ou a extremo.

BnR: Que achas do ressurgimento das equipas B?

P: Acho que é um espaço privilegiado para jovens oriundos tanto da formação do clube ou, como eu, de outros clubes continuarem a desenvolver-se num nível já bastante exigente como a segunda liga, sendo acompanhados de muito perto pelos responsáveis da respetiva equipa A.

Pité foi um dos destaques do Porto B Fonte: Facebook de Pité
Pité foi um dos destaques do Porto B
Fonte: Facebook Oficial de Pité

BnR: Qual o jogador do plantel principal do FC Porto que mais te impressionou?

P: Fiz alguns treinos com a equipa A, mas respondo a essa pergunta baseando me mais nos jogos que vi. Gosto muito do Herrera, Brahimi e do Jackson.

BnR: Achas que o Gonçalo Paciência pode ser o número 9 que a seleção portuguesa busca desde a retirada internacional do Pauleta?

P: Para além da qualidade que está à vista de todos, é muito jovem, com uma margem de progressão enorme e acredito que breve vai ser uma realidade na seleção.

BnR: Tens alguma finta favorita?

P: Sim, tenho uma que gosto bastante de fazer, em que a bola está colada a relva e faço uma espécie de colher para fazer a bola passar por cima do defesa. (Video da finta disponível AQUI)

BnR: Achas que o futebol português precisa de reforçar a aposta em jogadores portugueses?

P: Acho que sim, já está mais que provado que o jovem português tem qualidade para jogar ao mais alto nível.

BnR: Qual é que é para ti o melhor onze do campeonato português?

P:

Sem Título

BnR: O que achas da criação da UEFA Youth League? Achas que foi o pedaço que faltavam para o desenvolvimento de jovens futebolistas?

P: Acho que é importante uma competição que os aproxime de uma outra realidade que são os jogos internacionais, que normalmente só se conseguem em torneios de verão ou final de época. E dá-lhes outra perspetiva do futebol que se desenvolve para lá de Portugal.

BnR: Encontras jogadores nas equipas B do Sporting e do Benfica com potencial?

P: Mais uma pergunta difícil. As equipas B estão recheadas de jogadores de enorme qualidade sendo muito difícil prever quais os jogadores que se vão destacar. Dos encontros que já tive com ambas as equipas destaco o Tobias Figueiredo, que agora se tem afirmado na equipa A do Sporting, e do lado do Benfica talvez o Hélder Costa.

BnR: Dos jogadores que se encontram retirados, sentes mais saudades de ver jogar quem?

P: Ryan Giggs.

BnR: Achas que com Julen Lopetegui o FC Porto pode vir a apostar mais na formação?

P: Acho que começar com a promoção do Ruben Neves a equipa principal já é razão para acreditar que sim. Mas também com situações mais recentes, como a do Gonçalo ou do Ivo. O Ivo porque antes de ser emprestado tinha-se estreado na equipa principal.

Foto de capa: Facebook Oficial de Pité

A nossa sustentabilidade: isto tem de dar mais!

formaçao fut

Acabou o campeonato, e a época desportiva 2014-2015 caminha a passos largos para o final. No que se refere à juventude e à formação existem alguns nomes que é obrigatório destacar, contudo ficamos com a sensação de que poderia ou deveria haver mais jovens a ser destacados em artigos desta natureza. Sobretudo jovens formados em Portugal que se vão afirmando, oferecendo corpo ao espetáculo e dando sustentabilidade à prova.

Há algo que é de difícil compreensão: como é que o nosso campeonato e as restantes provas (assim como as nossas seleções) desejam sobreviver de forma sistematicamente insustentável no que se refere à entrada de novos jogadores? Insustentável no sentido em que é a partir do desenvolvimento de novos e de jovens valores que se pode conferir sustentabilidade ao sistema. Clubes, campeonatos e seleções só existem porque existem atletas para jogar, e é evidente que em Portugal é fundamental reforçar esta questão.

A forma como em Portugal se contorna este assunto é, desde há largos anos, a aposta no menor esforço e no menor dispêndio de recursos: contratar barato ou muito caro no estrangeiro. Comprar feito e com risco intermédio. Gerar dívida atrás de dívida. Isto é algo que não deixa de ser interessante para um país sem dinheiro. Assim, vamos bloqueando a formação, vamos dando espaço a agentes que já chegam formados e vai-se agravando a dívida e o passivo. A entrada de jovens atletas formados em Portugal continua com números baixos, mas endividamento e prejuízo das organizações tende a manter-se alto. Isto é insustentável.

Para que haja uma estrutura sustentável é necessário que a própria organização se consiga reproduzir, que consiga gerar recursos dentro de si mesma e sustentar os seus pilares. Uma forma de o fazer passa sobretudo por formar jovens atletas e formar os mesmos com as qualidades necessárias para que os mesmos consigam, a curto ou médio prazo, assumir o espetáculo para o qual estão a ser encaminhados.

Pois formar por formar não faz sentido, lançar talento para o “lixo” faz ainda menos. Gerar dívida porque não nos apetece perder tempo e ter trabalho é simplesmente patetice. É urgente tornar as nossas provas e as nossas estruturas sustentáveis, é urgente cobrir saídas e retiradas com jovens atletas, com atletas de qualidade e com atletas formados nos nossos clubes. É fundamental formar para o clube, formar para o todo competitivo.

O nosso futebol, o nosso modo de operação, as nossas estruturas e as nossas dinâmicas não são sustentáveis. A liga portuguesa não é a liga inglesa nem tampouco a liga espanhola. Se queremos chegar ao topo há que revitalizar, há que saber reproduzir o sistema, e sobretudo saber reproduzir bem e com uma evolução constante positiva. Ou seja: reprodução, rejuvenescimento e melhoria contínuas.

É fundamental que a Federação Portuguesa de Futebol, a Liga de Clubes e os próprios clubes compreendam que é necessário revitalizar, dinamizar e sustentar o nosso sistema. E sim, pois claro, vivemos num país “falido” com um futebol que vive acima das fracas possibilidades financeiras. Ora, se assim é, há que olhar para dentro e pensar que o futuro sustentável está aqui mesmo dentro de nós. Olhem para a pequena “mina de ouro” que brota através dos relvados e pelados deste país e criem uma dinâmica sustentável que nos faça crescer e ganhar.

Hélio Sousa à conversa com os internacionais sub-20 portugueses Fonte: FPF/Célio Agostinho
Hélio Sousa à conversa com os internacionais sub-20 portugueses
Fonte: FPF/Célio Agostinho

Quanto aos nomes que se destacaram nesta época desportiva, creio que esta edição 2014-2015 da liga nos revelou alguns jovens que certamente vamos seguir com expectativa no futuro. Rúben Neves e Hernâni são dois dos jovens mais entusiasmantes que podemos encontrar nos grandes e que nesta época ganharam espaço e visibilidade. Gonçalo Paciência e Gonçalo Guedes têm deixado apontamentos extremamente positivos, mas há que saber esperar. Seria positivo ver mais juventude e qualidade desta nos três grandes do nosso futebol.

Pizzi, André André, Bruno Moreira, Ricardo Valente, Miguel Rosa e Marco Matias já não são “benjamins” – estão entre os 24 e os 27 anos de idade – contudo são jovens formados em Portugal e que nesta época se afirmaram desportivamente. Penso que estes rapazes indicam o caminho que podemos percorrer. Demonstram sobretudo que há qualidade e potencial – algo que, apesar das “trapalhadas”, Portugal nunca deixou de ter.

Tomané e Alex continuam a ser nomes a ter debaixo de olho; a boa regeneração do Vitória de Guimarães dependeu em boa parte, entre outros nomes, destes dois jovens. Ederson Morais e Diego Lopes, não sendo portugueses, fizeram grande parte da formação em Portugal. Com a camisola do Rio Ave tornaram-se dois dos mais promissores futebolistas do nosso campeonato. Merecem espaço de destaque, sem dúvida. A qualidade não engana.

Zé Luís apenas chegou a Portugal como Júnior para representar o Gil Vicente. Mas também ele é um dos nomes mais fortes da liga portuguesa. Continuaremos a ouvir falar em Zé Luís? 2015-2016 o dirá.

Por fim, gostaria de destacar Danilo Pereira. Jovem com reconhecido valor desde há alguns anos. Com apenas 23 anos já experimentou Itália, Grécia e Holanda. Sem razão aparente não teve espaço em Portugal e andou em tais aventuras pela Europa. Voltou a Portugal para vestir a camisola do Marítimo e é hoje, na minha opinião, um dos melhores médios defensivos do futebol português. Talento, intensidade e potenciais elevados fazem dele um jovem promissor. Será que “chegará lá”? Veremos o que o futuro lhe reserva.

Apesar de aqui encontrarmos diversos nomes com talento e com um potencial bastante assinalável, creio que com um plano de desenvolvimento sustentável e uma reforma no futebol português profissional e de formação seria natural assistir à multiplicação de jovens em destaque. Não querendo ser pessimista penso que atualmente o cenário poderia ser melhor e tenho a certeza de que a nossa realidade poderia “dar mais”. É tudo uma questão de reflexão e ação. Pensem nisso.

PS: A seleção nacional de sub-20 está prestes a entrar em ação no Campeonato do Mundo de sub-20. O passado recente deste grupo de trabalho e o plantel atual permitem antever um bom desempenho. Contudo, o mais importante passa por observar o crescimento dos jovens que dão corpo aos sub-20. Estamos perante um grupo que nos pode devolver esperança; vejamos se todos os interessados vão fazer o trabalho de casa.

Foto de Capa: Federação Portuguesa de Futebol

Giro d’Italia: Alberto Contador dominou

Cabec¦ºalho ciclismo

O Giro d’Italia terminou ontem após 21 dias de puro espetáculo. No começo da primeira das três grandes voltas da temporada partiam como grandes favoritos à vitória final o espanhol Alberto Contador, que viria mesmo a conquistar a prova pela 2.ª vez (na prática ganhou três, mas perdeu uma na secretaria) na sua carreira, o australiano Richie Porte, que a certa altura as casas de apostas deram como grande favorito a ganhar o Giro, e Fabio Aru, que esteve quase para não participar devido a problemas estomacais e acabou mesmo por terminar em 2.º lugar e conquistar ainda 2 etapas. Contudo, houve muito, mas muito mais espetáculo naquela que para mim foi uma das melhores grandes voltas dos últimos anos.

Os melhores do Giro 2015:

  • Alberto Contador – o espanhol, que desde cedo disse publicamente que estava apenas a 80/85% das suas capacidades, isto, claro, tendo em vista o Tour, dominou por completo a prova italiana. Quase sempre sozinho contra 2, 3 ou mesmo 4 elementos da equipa Astana, Contador conseguiu na grande maioria das vezes dar excelente conta de si; não fosse a etapa número 20, onde o espanhol esteve em clara quebra e chegando mesmo a perder mais de 2 minutos para Fabiu Aru, e a vantagem seria acima dos 4 minutos. Não posso deixar de destacar a etapa número 16, que ligava Pinzolo a Aprica, onde Alberto Contador realizou uma das melhores exibições de ciclismo a que alguma vez assisti. Chapeó, Alberto Contador.
  • Mikel Landa/Fabio Aru – a dupla da Astana apresentou-se em grande nível durante toda a volta a Itália, excetuando uma ou outra ocasião, alias como tem vindo a ser habitual nos últimos anos no pelotão internacional, Fabio Aru e Mikel Landa, não fosse o tempo perdido no contrarrelógio, área onde ambos tem claramente que melhorar, poderiam ter complicado bastante a vida a Contador. Aru e Landa são, na minha opinião, os sucessores de Vincenzo Nibali e Alberto Contador, respetivamente.
  • Andrey Amador – o ciclista da Movistar, contra todas as expectativas, conseguiu alcançar um fabuloso 4º lugar; sem realizar nenhuma grande exibição, Amador fez da consistência a sua grande arma, chegando mesmo a certo ponto assaltar o pódio.
albertocontador
Contador (rosa) dominou a grande maioria da Volta a Itália.
Fonte: Facebook Oficial Alberto Contador

Resta-me ainda neste capitulo atribuir algumas menções honrosas: Ryder Hesjedal – Os anos parecem não passar para o canadiano. Realizando uma corrida em crescendo de forma, conseguiu um honroso 5º lugar,; Giovanni Visconti – Quando mutios pensavam que a camisola de melhor trepador iria para Benat Intxausti ou Steven Kruijswijk, o italiano surpreendeu e conquistou, desta forma, a Maglia Azzurra ; Philippe Gilbert – o belga, que não se conseguiu impor nas clássicas das Ardenas,  parece estar de volta à boa forma a e venceu 2 etapas em solo italiano.

Os piores do Giro 2015:

  • Richie Porte – o australiano, que, até aqui, vinha a realizar uma excelente temporada, não conseguiu aproveitar a grande, e vamos ver se não única, oportunidade de conquistar uma grande volta; Acabando mesmo por desistir da prova, Porte pareceu acusar bastante a pressão e nem o motorhome (secção de luxo do autocarro construído propositadamente para o Giro) conseguiu ajudar o australiano. Azares a mais para um ciclista que pretende conquistar uma prova de 3 semanas.
  • Astana – A equipa cazaque, liderada por Alexandre Vinokourov, não pode estar contente com a sua prestação; mesmo tendo em linha de conta que conquistou 5 etapas e colocou 2 ciclistas no pódio, penso que, se tivesse “jogado” de forma mais inteligente, poderia ter conseguido levar Aru ou Landa, talvez esta duvida tenha sido o grande problema, à conquista do Giro.

Uma pequena nota ainda para André Cardoso: o ciclista português voltou a fechar topo 25 numa grande volta, mais precisamente no 21º lugar. Mais uma excelente prestação de André Cardoso.

Foram 3 semanas de puro espetáculo! Como disse anteriormente, o Giro d’Italia de 2015 foi uma das melhores grandes voltas dos últimos anos.

Resta-nos agora ansiosamente esperar pelo Tour de France; Froome, Nibali, Quintana, Contador e ainda o nosso Rui Costa prometem não defraudar as expectativas.

Fotode Capa: Facebook Oficial Giro d’Italia