“Nós somos filhos de uma raça batalhadora,/Ainda que nunca tenha conhecido vergonha,/E enquanto marchamos para enfrentar o inimigo/Cantaremos uma canção do soldado.” Estas pequenas quatro frases pertencem ao hino irlandês, país do vencedor da edição 50 do Sata Rallye Açores. Falo de Craig Breen.
O irlandês até começou o dia a ver-se ultrapassado na geral por Kajetanowicz (Kajto), mas foi sol de pouca dura pois no segundo troço do dia recuperou a liderança e nunca mais a largou. Na primeira passagem pela Tronqueira, Kajto sentiu muitas dificuldades devido à sua má escolha de pneus e perdeu 16,3s, que nunca mais conseguiu recuperar. Depois, até ao final da prova, houve um claro levantar do pé por parte do polaco que fez com que a diferença final entre os dois pilotos passasse do minuto, diferença muito exagerada para o que foi a prova.
A fechar o pódio ficou o açoriano Ricardo Moura, que apesar do bom andamento não conseguiu fazer frente aos dois primeiros classificados. Bruno Magalhães, que começou a sua campanha deste ano no ERC, fechou a prova no quarto lugar e arrecadou assim os seus primeiros pontos deste ano. A fechar os cinco primeiros ficou Consani, colocando assim as três marcas com R5 presentes nos cinco primeiros.
Gago fez uma grande prova
No ERCJ o destaque de hoje tem de ir para o português Diogo Gago, que começou o dia em quarto e terminou em segundo. Numa competição que é muito animada por ver os pequenos R2 a serem pilotados de forma tão boa, o que faz prever alguns bons nomes do futuro dos ralis mundiais. O vencedor desta categoria foi o inglês Chris Ingram, que assumiu a liderança na última PEC do primeiro dia e nunca mais a largou. O inglês aproveitou o seu conhecimento da ilha, onde o ano passado brilhou com um Twingo R2 em que já tinha terminado em segundo. A fechar o pódio ficou o norueguês Steve Rokland fazendo assim um top3 só com carros da Peugeot. Os Opel que apaixonaram quem andou pelas estradas de São Miguel não tiveram um bom terceiro dia, mas fica aqui um carro para os portugueses que estão a iniciar as suas carreiras terem em atenção. No ERC3 os três primeiros pilotos foram os mesmos do ERJ.
No ERC2 surge talvez o grande azarado do dia. Luis Miguel Rego entrou para a última PEC da prova com o segundo lugar assegurado, mas problemas nos travões fizeram com que o açoriano tivesse de abandonar. O vencedor desta categoria foi o lituano Dominykas Butvilas que apresentou um ritmo muito bom para quem se estreava na ilha e que é um valor a acompanhar no futuro, apesar de já estar nos 26 anos. Com a desistência de Rego o pódio ficou completo com Dávid Botka e Vojtěch Štajf.
No que toca às contas do Nacional o vencedor foi Ricardo Moura, que obteve a classificação máxima e assim voltou à liderança do CNR. José Pedro Fontes ficou em segundo e Adruzilo Lopes conseguiu um terceiro lugar. Carlos Martins apesar de fazer a sua estreia na ilha desiludiu-me um pouco, pois esperava outro andamento da sua parte e ficou em quarto sendo que Manuel Castro fechou os cinco primeiros a contar para o CNR.
Moura ficou em 3º lugar e venceu o nacional e regional
No campeonato português destinado às duas rodas motorizes apenas terminaram três carros. Paulo Neto foi o vencedor, Miguel Carvalho ficou em segundo e Marco Reis fechou o pódio e a classificação. Nos Açores Moura foi o vencedor – como esperado -, Ruben Rodrigues ficou em segundo e João Faria fechou o pódio num já antigo Peugeot 206 RC.
Foi sem dúvida uma grande prova a que hoje terminou. Para o ERC segue-se a Bélgica, para Portugal segue-se o Rali Vidreiro e nos Açores a próxima prova volta a ser em São Miguel.
122. Para muitos, possivelmente será um número como qualquer outro. Para quem assistiu à época fantástica do Barcelona, esse é a chave para tudo aquilo que os blaugrana conseguiram. Durante a época, foram 122 os momentos em que o trio dourado – composto por Neymar, Suárez e Messi – brilhou: 58 para Messi, 39 para Neymar e 25 para Suárez. Esses foram só os golos, mas, bem vistas as coisas, foram tantos mais os momentos que fizeram com que a final de hoje tenha sido apenas o capítulo final de uma história absolutamente dourada para a equipa de Luís Enrique.
Mas vamos por partes: falando desta final da Liga dos Campeões, talvez a cerimónia de abertura tenha sido o melhor prenúncio para aquilo que aconteceria em Berlim. Tão mágicos quanto marcantes, aqueles minutos que antecederam a final de todos os sonhos foram o presságio para uma final que ficará, com toda a certeza, como uma das melhores dos últimos anos. De um e de outro lado, Allegri e Luís Enrique optaram pelos seus onzes de gala: do lado italiano, a ideia era óbvia, com o técnico italiano a procurar fortalecer a linha média, impedindo uma das principais armas do Barça – o jogo entre linhas; do lado catalão, Luís Enrique montou a equipa para não a descaraterizar, procurando fazer da posse o símbolo ideal para um controlo que se pretendia total da partida. O que é facto é que, mesmo antes de serem lançadas as bases táticas para a partida, o génio coletivo do Barça decidiu entrar em campo. Passe fantástico de Messi para Neymar, receção fantástica do brasileiro para uma desmarcação perfeita de Iniesta, que deu o toque final para o golo de Rakitic. Simples, prático e eficaz. O Barça, na primeira tentativa, dava a primeira estocada nos italianos.
A estratégia da Juve ficou, como não podia deixar de ser, marcada por esse embate imprevisível. No primeiro tempo, a única arma da Juve era a profundidade que procurava sempre imprimir quando se lançava em momento ofensivo. O meio campo, composto por Pirlo, Vidal, Marchisio e Pogba, procurou sobretudo nunca se desposicionar e por isso os riscos que correram foram mínimos. Por isso, os tentáculos com que Busquets jogou nos primeiros 45 minutos foram mais do que suficientes para que o Barça tenha dominado o primeiro tempo como quis. Salvo raras exceções em que Morata conseguia furar a defensiva contrária, só dava mesmo Barcelona e só por culpa da sua ineficácia e da qualidade de Buffon é que a final não estava praticamente decidida quando Cuneyt Çakir apitou para o intervalo.
Buffon não conseguiu a sua primeira Champions Fonte: Facebook da Juventus
O segundo tempo foi totalmente distinto. O jogo sofreu uma revolução tática gigantesca, e da presença fantasmagórica da Vecchia Signora do primeiro tempo já nada restava. A Juve, com Pogba a colocar sempre a dimensão física em campo, foi subindo linhas, pressionando o Barça e sobretudo colocando a equipa de Luís Enrique constantemente em zonas que lhe são desconfortáveis. Mesmo continuando a criar oportunidades flagrantes, a verdade é que os primeiros 20 minutos do segundo tempo foram o melhor momento dos italianos. O Barça parecia uma equipa amorfa em campo, e o papel dos três médios – Busquets, Rakitic e Iniesta -, que tanto tinham contribuído para uma primeira parte taticamente perfeita do Barça, havia diminuído de intensidade drasticamente, fazendo com que os tabuleiros se tenham alterado.
Por essa razão, o golo da Juventus, construído por Marchisio e apontado por Morata, aos 55 minutos, acaba por ser merecido tendo em conta o crescimento tático que existia na Juventus. A partir daquele momento, a equipa de Allegri colocava-se por cima de um jogo onde havia sido, até ali, praticamente atriz secundária. O que é facto é que, tal como em tantas outras ocasiões esta temporada, há coisas que nem mesmo o melhor dos equilíbrios pode controlar. O trio composto por Neymar, Messi e Suárez é uma dessas coisas. A facilidade com que tudo acontece quando a bola lhes chega aos pés é indescritível. É como se o jogo parasse, como se o futebol fizesse tanto mais sentido. E, na verdade, nesta final voltou a fazer. Aos 68 minutos, Lionel Messi decidiu fazer uma das suas arrancadas habituais. O resultado, como em tantas outras vezes, só podia dar em golo. O remate do argentino foi forte de mais para Buffon, que, ao contrário do que havia acontecido até ali – onde tinha sido a figura maior da Juve -, não conseguiu parar aquele remate, deixando a Suárez a oportunidade de colocar os catalães novamente em vantagem. Mesmo não estando a passar pelo melhor dos momentos, a verdade é que a qualidade dos jogadores do Barça voltou a fazer toda a diferença. Uma simples distração, conjugada com a qualidade de Messi, fez com que o golo do uruguaio tenha sido sem dúvidas o momento da final de Berlim.
A partir desse minuto 68, a conquista da Liga dos Campeões para a equipa espanhola era uma questão de tempo. A Juventus bem tentou: colocando sempre a dimensão física em campo, as tentativas foram-se revelando infrutíferas. Mesmo que Ter Stegen tenha estado a bom nível, o que é facto é que a equipa italiana, a partir do momento em que se viu em desvantagem, nunca mais conseguiu estar confortável em campo. Por essa razão, levou não raras vezes com contra ataques que apenas não deram em goleada porque nem sempre os jogadores do Barça tomaram as melhores decisões. Até ao apito final, a dança das substituições e o baixar de ritmo natural da equipa de Luís Enrique levaram a um controlo efetivo dos últimos minutos pelos catalães. Quando a equipa de Allegri decidiu colocar as fichas todas, com Llorente a procurar o jogo direto, o Barça acabou por dar o xeque-mate na final, num contra ataque lançado por Messi e culminado de forma simples por Neymar.
Xavi despediu-se em grande do Barça Fonte: Facebook da UEFA Champions League
Depois de uma final como esta, não se pode, nem por um momento, criticar-se a Juventus: com as armas que tem e que a levaram à final, os italianos lutaram até quando puderam. O problema é que, como em tantos outros capítulos desta época, a qualidade deste Barça foi demasiada para o adversário. Por essa razão é que, bem vistas as coisas, apesar de esta ter sido uma das melhores finais dos últimos anos, o enredo da história foi ao encontro daquilo que se esperava. O Barça acabou por vencer a sua quinta Liga dos Campeões, sendo a quarta nos últimos nove anos. Para além disso, o clube catalão, com a vitória de hoje, conquista o segundo triplete da sua história, tornando-se a primeira equipa da história a consegui-lo. Para que isso tivesse acontecido, em muito contribuíram os três suspeitos do costume. Neymar, Suárez e Messi. Três nomes que fazem com que o futebol pareça simples. Três génios que não raras vezes tocaram na perfeição e que colocaram o seu talento ao serviço do coletivo. E essa foi mesmo a chave deste Barça de Luís Enrique. O facto de ter sido sempre uma equipa, no seu verdadeiro sentido da palavra.
A Figura Iniesta/Messi/Suárez – A nomeação tripartida deve-se à enorme e diferenciada importância que os três tiveram ao longo do jogo. Iniesta foi considerado pela UEFA o melhor em campo e com todo o mérito. O médio espanhol foi sempre o farol da equipa e, enquanto fisicamente esteve bem, foi a figura maior do Barça. No caso de Messi, as palavras já são poucas para o efeito que o argentino tem. Esteve nos três golos da equipa e foi claramente o elemento mais desequilibrador. Para Suárez, o jogo de hoje foi uma verdadeira batalha. Não raras vezes foi vítima do excesso de agressividade dos defesas da Juve mas até por isso sai como uma das principais figuras da final. O golo que faz foi decisivo para a conquista da Liga dos Campeões.
O Fora-de-Jogo Excesso de agressividade da Juventus – Bonucci, Barzagli, Pogba e Vidal foram apenas os jogadores que deram mais nas vistas. Ainda assim, claramente que este foi o ponto negativo desta final. Com uma estratégia taticamente tão bem pensada, é pena que o jogo da Juve também tenha ficado marcado pelo excesso de agressividade que os seus jogadores puseram ao longo da partida.
Confirmada a contratação de Jorge Jesus, este texto tem assim por base algumas certezas que me despertam sentimentos mistos.
Primeiro ponto – e para mim o que mais me custa abordar neste momento –, a dispensa de Marco Silva. É certo que não sabemos tudo o que se passou ao longo da época, e não considero o agora ex-treinador leonino um anjo, inocente de culpa. Ainda assim, os motivos que surgem a público são manifestamente curtos para rescindir com um treinador que teve uma das melhores prestações à frente do clube na última década. Já esmiucei antes o trabalho de MS no Sporting, e até comentei a relação entre o mesmo e a direcção, sendo que o que mais me aflige e desilude é o momento em que toda esta situação se processa, parecendo que esta “nota de culpa” é apenas o pretexto encontrado para colocar JJ no Sporting. Um clube como o Sporting, com os valores que o mesmo tem, deveria e poderia ter tido uma melhor postura neste processo, mais que não fosse apresentar argumentos válidos para sustentar esta decisão, porque a questão da indumentária num jogo da Taça é absolutamente rídicula.
Posto isto, digo que me sinto de consciência tranquila para falar sobre este assunto. Uma vez que apoiei e votei em Bruno de Carvalho nas eleições de 2011 e 2013, afirmo que voltarei a fazê-lo no futuro e explico o porquê: não é por um erro de gestão e postura – embora grave – que minimizarei o bom trabalho que BdC está a fazer no Sporting Clube de Portugal.
A quem neste momento diz que vai deixar de apoiar o clube devido a esta situação pergunto porque é que não o fez enquanto uma certa e determinada corja roubava e destruia o património do clube durante décadas? Será porque era tudo feito às escondidas e ninguém queria ver? Será porque nessa altura a Comunicação Social não se importava de denegrir a imagem dos verdadeiros criminosos, como agora faz diariamente? Quem diz que BdC é um infiltrado a destruir o bom nome do Sporting tem visto a recuperação financeira do clube após anos de gestão danosa por parte dos verdadeiros “infiltrados croquetes”? A vida não é preta ou branca, toda a gente tem um pouco de cinzento no seu ser, e BdC não é excepção.
Obrigado, Marco! Fonte: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal
Compreendo que, tal como a mim, custe a muita gente ver sair um bom treinador. E alguém que realizou um bom trabalho sair pela porta pequena, sem mérito nem crédito, não é de todo uma situação que exemplifique a grandeza leonina. Mas também tenho que ver o outro lado da moeda. Será que estou a ser justo para alguém que impediu o Sporting de fechar as portas, que trouxe as vitórias às modalidades, que tirou o Sporting do sétimo lugar e o colocou na Liga dos Campeões, que cumpriu a promessa do pavilhão? Quem apoia cegamente MS não está a ser ingrato para alguém que já fez um muito melhor trabalho?
Falando sobre Jorge Jesus, e a sua contratação para técnico leonino, tenho muito medo desta aposta. Não sei se JJ é a melhor solução, uma vez que, em termos de filosofia, aposta nas camadas jovens e até a própria personalidade pode criar atritos no futuro. Para o treinador português ter sucesso, terá que mudar um pouco a sua maneira de trabalhar, porque o Sporting terá que ser sempre um clube formador. Faz parte de quem somos e ninguém pode alterar isso, nem mesmo Jesus. Mas o meu maior medo prende-se com o feitio de JJ e de BdC, uma vez que, na minha opinião, tem tudo para ser uma relação de amor perfeito ou de ódio de morte. Algo que só saberemos aquando da primeira quezília entre os dois, o que, sinceramente, espero que aconteça num futuro muito distante.
Por fim, queria fazer algo que raramente faço – escrever um pouco para benfiquistas. Não faz parte da minha maneira de ser, gostar de comprar guerras ou espetar farpas nos meus vizinhos, mas esta última semana tem vindo a dar-me um certo gozo, confesso. Este gozo é resultado do facto de ter visto durante seis anos o endeusamento de Jesus (ironia religiosa talvez), desde fotos de facebook a posts que dizem que JJ é o “Deus da táctica” e o melhor treinador português, para agora JJ ser um treinador para um Algarve United ou para o Orvalho.
A todos esses benfiquistas, que durante seis anos vangloriaram o técnico da Amadora, queria perguntar quem são vocês para falar sobre ingratidão? A quem afirma que MS foi um senhor e mal tratado em Alvalade já ouviram as palavras de LFV e leram o comunicado de JJ? A quem diz que o Sporting tem dinheiro “sujo” angolano conhecem Isabel dos Santos? A quem se espanta com o dinheiro dos leões pergunto: Será que tiveram atenção aos últimos Relatórios Oficiais de Contas dos três grandes?
Há muitas coisas que se explica quando se tem um raciocínio maior do que a dor num cotovelo, ou uma mente mais aberta do que aqueles que só veem tudo de uma cor (seja ela verde ou vermelha).
Confirmada a vinda de Jesus, só tenho que lhe pedir para fazer o bom trabalho que fez no clube rival, mas sem nunca esquecer que, tal como aconteceu no clube da luz, quando chegar o dia da sua partida, o Sporting seguirá sem ele, continuando a ser a maior potência desportiva nacional.
Numa altura em que o futebol nacional está virado para o Mundial de Sub-20 (onde Portugal categoricamente já carimbou a passagem à segunda fase, com as jovens promessas do Porto em claro destaque) e para o caso JJ, pouco assunto existe sobre a restante realidade desportiva. Estamos naquela altura onde o futebol interno fica “estagnado” e tudo o que se sabe são especulações atrás de especulações. No caso dos Dragões, muitos nomes se têm mencionado (alguns dos quais até já falei em textos anteriores), como são os casos de Danilo Pereira, Djaniny, André André, Sérgio Oliveira e Mayke (entre outros nomes veiculados pela imprensa), passando pela possível chamada de Kleber e Carlos Eduardo para a pré-época que se avizinha. São muitas as caras que têm feito correr tinta nos diários desportivos e gastado teclados nos sítios de maior preferência online.
Posto isto, irei hoje abordar um tema que vai exactamente no sentido oposto a este: jogadores que saíram do Porto por “tuta e meia” e que hoje poderiam ter valor para jogar neste clube, que vingaram onde estão e que, continuando no Porto, certamente teriam tido uma margem de evolução muito maior… Tome em atenção que, como é lógico, me podem escapar vários nomes, pois foram tantos os que passaram. Começando:
Beto: o guardião bicampeão da Liga Europa, pelo Sevilha, saiu dos actuais campeões da mesma competição para um empréstimo aos Romenos do Cluj, clube onde foi o titular indiscutível. Sem ser perceptível, de todo, a estratégia da SAD azul-e-branca, o guarda-redes é cedido ao Sporting de Braga com os Dragões a manterem 50% de uma futura venda. Meia época na pedreira e um empréstimo aos espanhóis do Sevilha, que exerceram opção de compra, fixada em um milhão de euros (repartidos por Porto e Braga), quantia francamente baixa para o valor do jogador. Verdade seja dita que Beto vivia na sombra do poderoso Helton, mas um guarda-redes amadurece após os 30 e hoje, no alto dos seus 33 anos, tem brilhado ao defender as cores andaluzas, sendo um dos capitães de equipa. A pergunta que faço é: não teria feito “este” Beto bem melhor do que Fabiano ou Andrés com a prolongada ausência de Helton?
André Pinto: Não sendo um central de eleição, é um jogador com passagem por todas as camadas jovens da selecção nacional e extremamente seguro naquilo que é a principal tarefa de um defesa: defender. Hoje tem 25 anos e experiências por empréstimo em clubes como Santa Clara, Vitória de Setúbal, Portimonense e Olhanense. Quando todos pensavam que o jogador vinha com rodagem suficiente para poder “espreitar” um lugar na equipa principal, eis que é transferido para o Panathinaikos de Jesualdo Ferreira, que, ao vir para o Braga, traz o “seu” central com ele. Hoje em dia é uma das referências da defesa arsenalista e, contra Cabo Verde (no passado dia 31 de Março), obteve a sua primeira internacionalização A, pela mão de Fernando Santos. Com Marcano e Maicon como “betão” da defesa portista, não seria hoje um jogador que poderia muito bem fechar o leque de centrais juntamente com Indi?
Ivo Pinto: Mais um jogador que me dá “azia” por não o ver no meu clube. Faz-me lembrar Fucile: jogador cheio de raça e que não dá por perdida uma bola que seja. Corre 90 minutos e tem uma colocação de bola acima da média. Mais uma perda que bem podia colmatar, facilmente, as ausências, por impedimento, de Danilo.
Bolatti: Vindo do Belgrano, rotulado de “Super Mario”, cedo se percebeu que o versátil médio argentino (de cariz mais defensivo mas que podia ocupar qualquer posição do “miolo”) estava com dificuldades de adaptação ao futebol europeu, coisa normal num jogador que veio de um país sul-americano. Não era um Lucho Gonzalez ou um João Moutinho, mas nas épocas que passou de Dragão ao peito sempre o vi com mais qualidade do que em jogadores como Andrés Madrid, Tomás Costa, Pelé, Dias, Kazmierczak ou Leandro Lima. Saiu para a Fiorentina depois de dois anos de secura no Dragão para provar o seu valor, retornando depois à América do Sul para representar o Internacional, onde viveu os seus anos de ouro: foi chamado por Maradona para a selecção nacional das “pampas” e, na estreia, faz o golo que valeu o apuramento para o Mundial de 2010, frente ao Uruguai. Foi uma pena vê-lo partir; tinha tudo para dar mais.
Souza: Faço para Souza um texto idêntico ao que fiz inicialmente para Bolatti. Este médio viveu sempre na sombra de um 1-4-3-3 que privilegiava apenas um médio defensivo, e esse era Fernando. Fez alguns jogos, mostrou muito potencial mas, ao que tudo indica, não soube esperar pela sua vez.
Paulo Machado: Um “canterano” é a coisa que mais custa ver partir, ainda mais quando é um jogador de valor incontestável. Tendo-se estreado com 17 anos na equipa principal azul-e-branca pela mão de Victor Fernandez, numa deslocação a Coimbra que quase culminava com um golo, o jovem começou a ser apontado como a nova coqueluche do plantel portista. Infelizmente para ele, o técnico espanhol é despedido no final da época e a vinda de José Couceiro ofuscou o crescimento do então jovem prodígio. Passou por clubes como Estrela da Amadora, União de Leiria, Leixões e Saint-Étienne (sempre a título de empréstimo), até que assinou em definitivo pelo Toulouse, clube que lhe deu a estabilidade necessária para arrancar uma série de grandes jogos. Passou pelo Olympiakos e este ano sagrou-se campeão na época de estreia pelo Dinamo de Zagreb, clube onde milita… Ivo Pinto. No meio de tudo isto, soma seis internacionalizações A.
Paulo Machado brilha, actualmente, no Dínamo de Zagreb, da Croácia Fonte: Página de Facebook de Paulo Machado
Castro: A maior desilusão que senti. Um jogador que transpira Porto, sente a alma de ser Dragão e seria o mais natural sucessor da braçadeira usada por Helton (como agora terá de ser, num futuro próximo, Rúben Neves). Pelo clube este menino comia a relva, lutava até não poder mais… Nunca percebi como foi quase obrigado a deixar o Dragão, ainda mais quando se sabia que Fernando estava, mais ano menos ano, de saída… Triste.
Vieirinha: Mais um produto daquela excelente fornalha do Futebol Clube do Porto. Extremo de raiz, hoje em dia é lateral direito da equipa sensação da Bundesliga: Wolfsburgo. Fez também parte do onze do ano da equipa germânica, tendo sido considerado o jogador mais regular naquela posição do Campeonato alemão. Soma 12 internacionalizações A e uma ida ao Mundial do Brasil, em detrimento de Ricardo Quaresma.
Atsu: O actual melhor extremo da selecção ganesa, e uma das figuras de proa da mesma, começou o primeiro ano de Vítor Pereira como a surpresa do onze, até se tornar uma certeza com exibições fantásticas e arrancadas que deixavam os adversários pregados ao relvado. Aos poucos começou a ofuscar-se, e dizem os ecos que o empresário começou a meter-lhe “macaquinhos na cabeça”, e este, por sua vez, adoptou um comportamento intriguista, que levou ao seu afastamento. Pois bem, penso que a estrutura portista falhou, e de que maneira, na forma como abordou este assunto. Esta época esteve emprestado pelo Chelsea ao Everton e é visto como um caso sério no mundo do futebol. Tem 23 anos e um mundo de sucesso pela frente. Lá se foram 30 milhões do nada…
Iturbe: Que se pode dizer de Iturbe? O mesmo que espero não vir a dizer de… Quintero. Difícil adaptação e poucas oportunidades. Hoje em dia o “mini-Messi” (alcunha que a imprensa portuguesa usou e da qual abusou a fim de poder jogar ao chão o menino, visto ser do Porto – e todos sabemos como é a comunicação social com os Dragões, basta ver como foram este ano com Lopetegui…) brilha na Roma. Não fosse a grave lesão, teria sido um dos protagonistas da equipa “Giallorossi”. Ainda rendeu uns milhões, mas desportivamente foi uma nulidade. Poderia e deveria ter sido mais bem aproveitado, quer desportiva quer financeiramente.
Depois da conquista da Premier League no seu segundo ano após regressar a Inglaterra, o próximo grande desafio de José Mourinho passa pela aposta e potencialização da “geração de ouro” da academia do Chelsea.
Numa altura em que fair play financeiro ameaça assumir um papel cada vez mais preponderante, a aposta em produtos das camadas jovens pode vir a fazer a diferença, principalmente se tiverem o potencial dos actuais detentores da UEFA Youth League e da FA Youth Cup, mas, mais do que isso, seria um desperdício imenso, para não falar de um acto de má gestão, não conseguir aproveitar e integrar na equipa principal alguns destes jogadores.
Apresento então algumas promessas da excitante academia dos blues, que mais tarde ou mais cedo podem vir a contribuir e até assumir um papel importante na equipa principal.
Jay Dasilva, rápido e tecnicista, faz todo o corredor esquerdo Fonte: Clive Rose/Getty Images
Jay Dasilva – O inglês de ascendência brasileira tem apenas 17 anos e joga como lateral esquerdo. Com as vendas de Ryan Bertrand e Patrick Van Aanholt e a eminente saída de Filipe Luís, Mourinho pode vir a dar uma oportunidade na equipa principal a este jogador que tem sido comparado com Marcelo, do Real Madrid, pela sua grande velocidade e capacidade técnica.
Andreas Christensen – O dinamarquês de 19 anos encontra-se já a treinar com o plantel principal, tendo mesmo chegado a fazer uns quantos jogos, principalmente nas taças. Central de origem, actua também a lateral direito (onde Mourinho o usou) e a médio defensivo, e pode usar a sua versatilidade para cimentar a sua posição na equipa principal na próxima época, mesmo que o clube opte pela contratação de um outro central, como Raphaël Varane.
Nathan Aké – A primeira de duas jóias da coroa da formação do Chelsea, o médio defensivo holandês de 20 anos pode actuar também como central ou lateral esquerdo, mas é na sua posição de origem que os seus talentos são mais bem aproveitados – mostra já qualidade e maturidade suficientes para vir a ser alternativa ao gigante sérvio Matic. Depois de passar um mês desta época emprestado ao Reading, o holandês deve assumir um lugar no plantel principal do Chelsea na próxima temporada, começando a jogar com maior regularidade se se confirmar a saída de Mikel ou Ramires (ou mesmo ambos). Não é à toa, nem apenas pelo seu cabelo, que o apelidam de “próximo Ruud Gullit”.
Bi-campeão europeu de sub-17 (2011 e 2012), Aké procura afirmar-se ao mais alto nível Fonte: football-oranje.com
Ruben Loftus-Cheek (*) – O box-to-box inglês de 19 anos é a segunda jóia da coroa da academia dos blues. Estreou-se pela equipa principal na Liga dos Campeões deste ano contra o Sporting e os seus talentos não passaram despercebidos – o Barcelona já tentou a contratação deste jogador que tem inspirado comparações com o francês Paul Pogba (curiosamente desejado pelo Chelsea). De momento, Loftus-Cheek tem mais para dar à equipa do que Ramires e a única coisa que pode impedir a sua afirmação num futuro próximo é mesmo a compra de Pogba. Com Aké e Loftus-Cheek, Mourinho tem assim uma possível dupla para o seu plano de dez anos para o clube.
Nathaniel Chalobah – O médio defensivo inglês de 20 anos, que pode também actuar como central, tem passado os últimos anos emprestado a vários clubes ingleses – conta já com passagens por Watford, Notthingham Forest, Middlesbrough, Burnley e Reading. Tem acumulado experiência fora do clube, mas a aposta do Chelsea neste jovem tem tardado e, com a emergência de Aké e Loftus-Cheek, pode mesmo passar mais umas épocas a rodar fora do clube.
Lewis Baker – O vencedor do prémio “Chelsea’s Young Player of the Year” na época passada passou por dois períodos de empréstimo este ano, o primeiro ao Sheffield Wednesday e o segundo ao MKD, onde jogou com mais regularidade. O médio centro inglês de 20 anos joga bem com os dois pés e renovou recentemente com o clube por mais cinco anos. Provavelmente passará a próxima época emprestado a um clube do Championship ou mesmo da Premier League, mas a sua qualidade acabará por falar mais alto e mais tarde ou mais cedo afirmar-se-á conquistará o seu lugar na equipa principal.
José Mourinho quer fazer de Baker internacional AA inglês e pode incluí-lo no plantel já este ano Fonte: teamtalk.com
Charly Musonda Jr. – O talentoso belga de 18 anos actua como médio ofensivo, podendo também jogar a extremo. Dono de uma qualidade técnica e de uma visão de jogo invejáveis é ofensivamente um dos jogadores mais completos da formação londrina. O Chelsea queria tanto esta jovem promessa que contratou os seus dois irmãos menos talentosos para a equipa de forma a convencer o jogador a assinar pelo clube.
Jeremie Boga – O extremo francês de 18 anos é um jogador extremamente virtuoso, dotado de uma qualidade técnica invejável e a sua capacidade de progressão é enorme. O seu maior defeito passa pela sua reduzida ou nula contribuição defensiva, algo que Mourinho não aprecia (De Bruyne que o diga). O talento está lá e tem todo o potencial para se tornar num jogador especial, mas se for mal aproveitado pode vir a seguir as pisadas de Kakuta, algo que o Chelsea preferia não repetir.
Bertrand Traoré – O médio ofensivo/extremo de 19 anos do Burquina Faso tem impressionado na Holanda nos últimos dois anos ao serviço ao Vitesse, mas nada leva a crer que venha a ser opção para Mourinho na próximo época, podendo passar mais um ou dois anos emprestado para jogar com regularidade de forma a atingir o seu potencial como jogador. Rapidíssimo e forte tecnicamente, quando inspirado pode ser uma dor de cabeça para os defesas adversários.
Izzy Brown – O extremo/avançado inglês de 18 anos que o Chelsea “roubou” ao West Brom estreou-se na Premier League com apenas 16 anos pelo seu antigo clube, sendo o segundo jogador mais novo de sempre a actuar na competição, com 16 anos e 117 dias. Do meio campo para a frente pode jogar em qualquer posição e Mourinho chegou mesmo a afirmar que Brown só não se tornará um grande jogador se não quiser. Passou a segunda parte da temporada a treinar-se com a equipa principal e se ficar no plantel para o ano pode dar a sua contribuição à equipa.
Um talento precoce – Isaiah Brown já é, aos 18 anos, o capitão da selecção inglesa de sub-19 Fonte: Sky Sports
Dominic Solanke – O avançado inglês de 17 anos apontou uns fabulosos 12 golos na caminhada vitoriosa do Chelsea na UEFA Youth League, sendo um jogador bastante versátil, forte pelo ar e com a bola nos pés, conseguindo produzir situações de perigo a partir do nada. Com a saída de Drogba, Solanke e Bamford podem vir a competir pelo posto de terceiro avançado do plantel se o Chelsea optar por apostar na prata da casa em vez de ir ao mercado.
Patrick Bamford – O avançado inglês passou o ano emprestado ao Middlesbrough de Karanka no Championship, tendo marcado 19 golos em 43 jogos. Nada mau para um jovem de apenas 21 anos. Bamford já expressou a sua vontade de ficar na equipa principal do Chelsea na próxima época, mas se Mourinho achar que o jogador ainda não está preparado, sabe-se que há interesse de vários clubes do escalão principal do futebol inglês em contar com o jogador por empréstimo.
A estes jogadores juntam-se outros jovens não formados no clube mas actualmente com contrato com o Chelsea e emprestados para ganhar experiência, como Lucas Piazon, Christian Atsu, Mario Pasalic, Cristian Cuevas, Kenneth Omeruo, Oriol Romeu, Van Ginkel, Tomáš Kalas, Wallace e mesmo Mohamed Salah.
O futuro parece então sorrir para o Chelsea de José Mourinho, que terá nas suas mãos a difícil tarefa de gerir, desenvolver e tentar aproveitar ao máximo esta “geração de ouro” da academia dos blues.
Estados Unidos da América, Suécia, Japão, Alemanha e Brasil. Cortemos os ‘joguinhos’ de suspense. Estas são as maiores potências do futebol feminino, estas são as principais candidatas ao título do Campeonato do Mundo que arranca hoje no Canadá. Se o nível de jogo corresponder a 50% do mediatismo que o futebol feminino tem tido nos últimos meses (e vai ultrapassar de olhos fechados a marca aqui proposta), será o evento de maior sucesso para as jogadoras que querem e merecem que deixe de existir um ‘feminino’ depois da identificação da prova.
Falar de futebol, o jogado por raparigas/senhoras, é falar de uma vertente em crescendo desde os últimos anos. Mas essa introdução está feita. O que aqui interessa são os ‘dias de ouro’ do futebol feminino que hoje arrancam. O que aqui interessa, mesmo, é falar das equipas, das jogadoras, de hipóteses e perspectivas. De hoje até 5 de julho joga-se o sétimo Campeonato do Mundo de futebol feminino da história.
Pela primeira vez, estarão em competição vinte e quatro equipas. Não as doze que em 1991 disputaram, na China, a primeira edição da prova, mas vinte e quatro. O favoritismo distribui-se um pouco mais, sim, mas nem por isso os Estados Unidos deixam de ser apontados como principais favoritos. Têm a fórmula (da vitória e do sucesso – é importante distingui-los), têm a experiência e, claro, a equipa. Da baliza ao último terço do terreno, são a equipa mais completa.
Alex Morgan e Abby Wambach, dez anos de diferença e um objectivo comum: o terceiro título mundial Fonte: Goal.com
Aqui, não há como enganar e é difícil apontar uma e apenas uma jogadora, mas fazemo-lo. Na frente e já com mais de cinquenta golos está Alex Morgan, agora com 25 anos. É ela a principal figura fora do campo (a par da guarda-redes Hope Solo), é ela a principal figura dentro dele. É exímia na colocação da bola, dotada como poucas. Tem a capacidade de destruir qualquer defesa num piscar de olhos e a estar livre de lesões será, indiscutivelmente, uma das figuras do mundial. Mas só com o apoio de Sydney Lerous, Abby Wambach e Megan Rapinoe. Não há como enganar.
Mas, tal como os EUA, também a Suécia tem uma equipa e um plano bem traçado. O problema? Estarem ambas no mesmo grupo, a par de Austrália e Nigéria. Se no último Mundial (e nos dois Jogos Olímpicos ganhos) a equipa norte-americana era orientada por Pia Sundhage, a sueca está finalmente ‘em casa’ e poderá revelar-se como um fator decisivo na luta pelo título; a lutar pela camisola azul e amarela dentro do campo estarão jogadoras como Nilla Fischer. Sara Thunebro e, claro, a icónica Therese Sjögran, que aos trinta e oito anos conta já com 209 internacionalizações.
Quando, em 2011, os Estados Unidos (sim, outra vez…) garantiram o apuramento para a final, o título estava praticamente entregue. Pelo menos assim pensava a imprensa, os adeptos e, eventualmente, algumas atletas. O Japão discutiu a decisão para vencer, com uma humildade notável e talvez nunca antes vista. Fê-lo contra a corrente, contra o estrelato e venceu. Sofreu, mas venceu por 3-1 depois de grandes penalidades (2-2 após os 120 minutos).
O Japão vai tentar revalidar o título conquistado em 2011 Fonte: Fox Sports
Não há armas que valham mais que o espírito de equipa e o Japão tem-no como apenas algumas equipas conseguem nos dias de hoje. O futebol feminino está a crescer, sim, mas a equipa nipónica não. Tem raízes entrosadas há vários anos, tem valores adquiridos. Tem um percurso e, já, uma história.
Os casos do Brasil e da Alemanha estão a meio termo. Não atingem a popularidade dos EUA, como aliás ninguém nos dias de hoje consegue, mas têm o mesmo talento e, claro, a mesma experiência. Basta referir o nome de Marta, emblemática, para os dados estarem lançados.
Se conseguimos, através disto, delinear uma campeã antecipada? Bem… Uma vez mais, os Estados Unidos têm sido a equipa com melhores resultados nas grandes provas, aquelas que todas jogam – vice-campeãs mundiais em título, bi-campeãs olímpicas –, mas… Não passam de números. É dentro do campo que se define a campeã mundial e os jogos começam hoje. A partir de agora, sim, podemos passar a falar de campeãs. It’s showtime.
Portugal concretizou o pleno na fase de grupos do Mundial Sub-20 com uma vitória por 3-1 frente à Colômbia. Naquele que, na teoria, era tido como o desafio mais complicado dos três disputados até agora, ficou bem clara a vontade de gerir o esforço por parte da turma de Hélio Sousa.
Com o apuramento para os oitavos de final já garantido, estava em jogo o primeiro lugar do grupo, sendo que o empate bastava para a Seleção Nacional assegurar tal objetivo. Foram várias as mexidas na equipa em relação ao jogo com o Qatar: na defesa, Pedro Rebocho entrou para o lugar de Rafa; no meio-campo, o trio constituído por Estrela, Francisco Ramos e Raphael Guzzo assumiu a titularidade e relegou Rony Lopes e o capitão Podstawski para o banco; no ataque, Nuno Santos substituiu Gelson Martins e fez companhia a Ivo Rodrigues e André Silva no ataque.
A partida começou praticamente com o primeiro golo luso. No limite da grande área colombiana, Nuno Santos, de livre direto, desferiu um remate fulminante com o pé esquerdo, sem hipótese de defesa para o guarda-redes Alvaro Montero. 0-1 aos três minutos de jogo, um início “à bomba” e auspicioso para os portugueses, que acabaram por adormecer à sombra da vantagem madrugadora. As duas equipas repartiram o domínio do jogo e, numa primeira parte com poucas incidências, só o colombiano Joao Rodríguez (que esteve emprestado pelo Chelsea ao Vitória de Setúbal na segunda metade da época) criou perigo, quando, num livre, rematou forte para defesa apertada de André Moreira.
Ao intervalo, destacava-se a dureza desnecessária dos cafeteros em alguns lances e a boa exibição de Pedro Rebocho. Portugal, em ritmo de passeio, tentava chegar à área dos sul-americanos através de iniciativas individuais de Ivo Rodrigues e da condução de bola dos médios Guzzo e Francisco Ramos, que se aproximou bastante do ponta-de-lança André Silva durante o primeiro tempo.
A fotografia engana: não foi preciso correr muito para vencer esta Colômbia Fonte: Robert Cianflone – FIFA/Getty Images
Pouco depois do reatamento da partida, aos 56 minutos, foi assinalada grande penalidade a favorecer a Seleção: após bom entendimento do ataque, choque entre André Silva e o keeper Montero; a bola ainda entrou na baliza, mas só depois do árbitro apontar para a marca dos 11 metros. Com uma frieza assinalável, o avançado do FC Porto converteu com classe o castigo máximo, subindo a parada para 2-0. O terceiro tento luso acabaria por surgir sensivelmente dez minutos depois. A sociedade Nuno Santos/André Silva (começa a ser hábito neste Mundial) voltou a dar frutos e, após cruzamento na esquerda do primeiro, o matador de serviço cabeceou para as redes de modo pouco ortodoxo. Foi o quarto golo de André Silva na competição, que marcou em todos os jogos que disputou.
Até ao final do certame, Hélio Sousa optou por dar tempo de jogo a Gonçalo Guedes e Nélson Monte, que substituíram Ivo Rodrigues e Mauro Riquicho, respetivamente; Rony Lopes entrou a dez minutos do fim para o lugar de Nuno Santos. A Colômbia acabaria por reduzir, aos 74 minutos, obra de Santos Borre, que, isolado por Barrera (excelentes indicações), não perdoou na cara de André Moreira.
Eis que surgiu o apito final, com a confirmação de mais três pontos para Portugal. Com nove somados e o primeiro lugar do grupo assegurado, a equipa das quinas deverá defrontar no próximo dia 11 de julho a Nova Zelândia (sendo que ainda há a possibilidade de ter pela frente o terceiro classificado do grupo F – Honduras, Ilhas Fiji ou, menos provavelmente, Uzbequistão) em jogo a contar para os oitavos-de-final do Campeonato do Mundo. Nota para o médio Francisco Ramos, que viu o segundo amarelo em dois jogos e falhará a próxima partida. Sem ter jogado mal, a Seleção Nacional fez, possivelmente, a exibição mais pobre entre as três partidas que disputou. Ainda assim, mesmo em ritmo de cruzeiro e guiada pelo “farol” André Silva, nunca viu a sua supremacia ameaçada por uma Colômbia que é mais forte no papel do que aparenta ser em campo.
A Figura
André Silva – O ponta-de-lança oriundo de Gondomar continua a prometer mundos e fundos neste Mundial. Além dos dois tentos que apontou frente aos cafeteros (já leva 4, no total, e é o segundo melhor marcador do torneio), foi a referência que médios e extremos usaram para canalizar o jogo. Numa equipa mais interessada em gerir o resultado do que avolumá-lo, soube adaptar-se às exigências táticas do desenrolar da partida, aparecendo no sítio certo, à hora certa.
O Fora-de-Jogo
Estrela – Substituiu o capitão Tomás Podstawski no onze inicial e pode-se dizer que não esteve à altura do desafio. Apesar do esforço e clarividência demonstrados na saída para o ataque, falhou na sua função primária: destruir jogo do adversário. Revelou muitas lacunas a nível do posicionamento e não foi assertivo no seu raio de ação. Teve o azar de sair lesionado já perto do final, mas a verdade é que, antes disso, raramente se deu por ele nos momentos de transição defensiva.
Foto de Capa: Robert Cianflone – FIFA/Getty Images
Que o rali é uma festa é algo de que ninguém pode duvidar. Hoje, pelas estradas da ilha, foram muitos milhares que acompanharam a prova ao vivo, aproveitando o muito sol que se fez na ilha. Mas se o tempo está quente, a disputa pela vitória está ainda mais, com Craig Breen (Peugeot T16) a acabar o dia de hoje com apenas 2,3s de vantagem sobre Kajetanowicz (Kajto) em Ford Fiesta R5.
O dia começou com o troço Lagoa MEO, e logo aí se viu que a luta ia ser animadíssima: os dois pilotos da frente ficaram separados por apenas um décimo de segundo, com vantagem para o homem da Peugeot. Moura (Fiesta R5) foi 1s mais lento que o irlandês e continuava a sua luta pela liderança. Nesta especial o grande destaque foi para a desistência de Josh Moffet (Fiesta RRC); o irlandês despistou-se já depois de fazer a tomada de tempo – e conseguiu o quarto – e já não regressou à estrada.
Numa manhã sempre muito disputada ao longo dos seus quatro troços, foi mesmo no último que aconteceu a maior diferença entre os dois pilotos da frente. O polaco foi o mais rápido nos 28,92km das Sete Cidades, tendo batido Breen por 9,1s; com esta vitória na PEC, Kajto passou para a frente da classificação com 6,7s de vantagem. As Sete Cidades foram ainda o local da “morte” do sonho de Moura vencer o rali deste ano, ao perder 41,4s devido a problemas de travões.
Depois do almoço a competitividade manteve-se, apesar de Breen ter vencido os quatro troços da tarde. Mas apesar destas quatro vitórias, apenas na segunda passagem pelas Sete Cidades o irlandês conseguiu recuperar a liderança da prova, com a vantagem de 2,3s. A fechar o pódio continua Ricardo Moura, a já 1min.20,9s da liderança. A fechar o top 5 estão mais dois portugueses: Bruno Magalhães (208 T16) é quarto e José Pedro Fontes (DS3 R5) é quinto.
O Irlandês está a fazer uma grande prova
Nos juniores a emoção também continua, apesar de as vantagens serem maiores. O inglês Chris Imgram continua na frente mas agora com uma vantagem de 22,4s sobre Steve Rokland. Bergkvist fecha o pódio no Adam R2, carro que anda a fazer as delícias de quem anda nas estradas a acompanhar a prova. Em quarto lugar vem Gago, já a 53,4s da liderança. A juntar à liderança entre os mais novos, o piloto da Peugeot inglesa lidera o ERC3. O líder do ERC2 é o lituano Dominykas Butvilas em Subaru Impreza, seguido do açoriano Luís Miguel Rego em Evo IX. No ERC3 é preciso ainda referir a desistência de Renato Pita. O português teve um princípio de incêndio no motor e foi forçado a parar na sua estreia nos Açores.
Na classificação portuguesa o líder é Moura, com mais de 2 minutos de vantagem sobre José Pedro Fontes. João Barros, que estava em terceiro entre os tugas, desistiu na última especial do dia, por acidente. Para o último lugar do pódio subiu Adruzilo Lopes (Subaru), mas já a mais de 6 minutos. Nas duas rodas motrizes portuguesas lidera Marco Cid (Clio S1600), seguido de Miguel Carvalho e Paulo Neto. Nos Açores é Moura quem lidera, como não podia deixar de ser, seguido de Luís Miguel Rego e de Ruben Rodrigues, ambos em Evo IX.
Amanhã é o dia de todas as decisões e o dia mais longo da prova, com a dupla passagem por Graminhais e Tronqueira a ser a mais importante para o dia. Espera-se mais um grande dia de prova a começar logo pelas 10h08. Fiquem deste lado para descobrirem quem é o vencedor da edição 50 do Sata Rallye Açores.
Os deuses do futebol escolheram o território português para enlouquecerem. E o reino do dragão assiste, impávido e sereno, enquanto as comadres se zangam e discutem. Luís Filipe Vieira bem procurou o dedo anelar de Bruno de Carvalho mas o presidente do Sporting já era casado…
Mas deixemos de lado aquele que tem sido o pão nosso de cada dia para falar acerca do pão nosso de cada noite, ou madrugada, se é que lhe posso chamar assim.
Do outro lado do Mundo, a seleção portuguesa de sub-20 disputa o Campeonato do Mundo e já conta, neste momento, com duas vitórias em outros tantos jogos. Triunfos alcançados com sete golos marcados e nenhum golo sofrido.
No meio de tanto futuro, há dois evidentes destaques na frente de ataque da armada lusa. André Silva e Ivo Rodrigues. Cada um deles conta com dois golos e uma assistência, ou seja, estiveram em seis dos sete golos de Portugal.
Muitos são aqueles que podem não se lembrar da frase que dá título a esta crónica. O autor da mesma é o holandês Pepijn Lijnders, antigo treinador da formação do FC Porto que, em Agosto último, trocou o Dragão pelo Liverpool. Pepijn seguia o método Coerver. Este método, marca inegável no mundo futebolístico deixado por Wiel Coerver, foca-se num melhoramento da técnica individual dos jogadores de futebol e prevê a criação de um grupo chamado PJE (Potencial Jogador de Elite) do qual fazem parte os melhores médios e atacantes de cada escalão. O objetivo? Criar um plano de trabalho específico para cada jogador de maneira a corrigir lacunas e a potenciar o que cada um tem de melhor. E, neste momento, muitas são as esperanças depositadas pelos adeptos do FC Porto num avançado que integrou o grupo PJE (Potencial Jogador de Elite). O seu nome? Gonçalo Paciência.
André Silva e Ivo Rodrigues. Dois diamantes da formação azul e branca. Fonte: fcporto.pt
Mas depois de Gonçalo ainda há os já referidos André Silva e Ivo Rodrigues. Para além destes, há também um nome colombiano que tem despontado nos sub-19: Leonardo Ruiz. Quatro nomes, quatro jogadores, diferentes características. Sou bastante pragmático naquilo que diz respeito ao futebol. Sei perfeitamente que há jogadores que se adaptam melhor ou pior a cada modelo ou ideia de jogo. E percebo que um jogador possa ser muito fraco num estilo de jogo mas ser de classe mundial noutro completamente distinto.
E em relação à formação também tenho uma opinião bem vincada. Adorava ter uma equipa com onze jogadores da formação. Acreditem que gostava mesmo. Queremos jogadores com mística? A probabilidade de os encontrar na formação é quase certa. Mas a mística não é tudo. Nem o facto de serem formados “em casa” é tudo. Se há algum jogador com um potencial ainda maior lá fora, que se vá buscar esse jogador. Num clube de futebol profissional de topo, o ganhar ainda vem antes do formar. Se pudermos juntar as duas coisas? Excelente! E, acreditem, não é assim tão fácil potenciar jogadores…
Falei-vos em quatro nomes. Quatro nomes que despontam e começam (ou vão começar), aos poucos, a fazer a transição para o futebol sénior. Este passo é crucial na carreira de um jogador de futebol. Quantos foram os jovens talentos que tanto prometeram e, posteriormente, acabaram por se tornar banais no futebol sénior? Lembro-me de um caso muito específico mas bastante elucidativo: Fábio Paim. Um exemplo que dificilmente serve como exemplo mas que esclarece que há muito mais para além do talento.
Quero acreditar que, no mínimo, um destes quatro talentos tem capacidade para ser o timoneiro da nossa frente de ataque nos próximos anos. Para tal, confio no trabalho que Julen Lopetegui veio desenvolver no Futebol Clube do Porto. E se confio em Lopetegui, também confio em Pablo Sanz Iniesta, responsável por coordenar toda a formação do clube.
Mister, Rúben Neves foi o primeiro. Quem é o próximo? Se Pepijn Lijnders afirma que há talento, que não seja o FC Porto a desmenti-lo.
Este Sábado não vai ser como os outros cinquenta e um que preenchem o ano. Vai ser especial antes (pela antecipação), durante (pela excitação) e depois (pela euforia ou tristeza) do período de duas/três horas que se estenderá para lá das 19h45, altura em que meio mundo estará concentrado naquilo que lhe chega do Olympiastadion, em Berlim, onde Juventus e Barcelona disputarão a 60ª final da Liga dos Campeões e, por inerência, o jogo de futebol mais mediático do ano civil de 2015.
O mundo vai parar para assistir à colisão entre um conjunto que conta com aquela que pode muito bem ser a melhor linha ofensiva da história do futebol contra uma equipa que tem na defesa a sua cultura e uma das suas maiores virtudes. É Messi, Neymar, Suárez e os 120 golos que apontaram durante a época contra uma das defesas mais experientes a actuar na Europa (Chiellini está fora-de-jogo, mas se o quinteto defensivo for o expectável Buffon-Lichtsteiner-Barzagli-Bonucci-Evra, são 164 anos a jogar, média arredondada de 33 primaveras no sector recuado) e que apenas consentiu 3 tentos durante a fase a eliminar da Liga dos Campeões (dois contra o Real Madrid, um contra o Borussia Dortmund).
Cheira a um guião de filme de óscar, não cheira? Estamos perante a ilustração do famoso paradoxo da omnipotência (colisão entre uma força irresistível e um objecto inamovível), sendo que, a desempenhar cada um dos lados desse infindável quebra-cabeças, estarão organizadas, de cada lado, 11 pessoas mais um treinador, com tudo o que elas trazem – sentimentos, emoções e histórias –, que podem desequilibrar a “trama”.
Os sentimentos e emoções estarão à flor da pele em cada um dos lados, seja-se um trintão com quatro finais deste calibre no currículo, como Iniesta, ou um miúdo que se estreia nestas andanças, como Paul Pogba. As histórias variam entre actores mais secundários (vulgo, menos conhecidos) e principais (vulgo, do conhecimento geral do público ou reconhecidos pela “academia” com vários prémios).
O palco onde se vai disputar o jogo do ano Fonte: Facebook da UEFA Champions League
Entre as histórias dos primeiros conta-se a ambição de um miúdo que almeja fazer história ao conquistar a segunda Liga dos Campeões consecutiva (Morata), a de um jovem que procura agarrar o título máximo de clubes a nível europeu no seu país natal (Ter Stegen) e a de um croata que tenta alcançar uma Champions depois de ter ganho uma Liga Europa (Rakitic); já os principais, com alguns “óscares” (vulgo melhores jogadores do mundo, campeões mundiais de selecções e com muita popularidade entre o público) no palmáres, tentam ter o protagonismo que se espera deles e, com isso, alcançar objectivos diversos, desde a conquista do título de melhor marcador da Champions (Messi), passando à primeira conquista de sempre na competição depois de muito a procurar (Buffon, que conquistou todos os títulos colectivos das competições que disputou, incluíndo uma Serie B e um Mundial, menos um Europeu e a tal Champions, que já lhe fugiu nos penalties, em 2003) e terminando no fim de uma das melhores carreiras de sempre da história do futebol com a chave de ouro (Xavi).
Já houve uma espécie de levantar do pano, um “trailer”, a revelar o que se pode esperar para as 19h45 deste Sábado tão especial: uma Juventus a tentar “marcar primeiro”, e um Barcelona que, apesar de ser uma das “melhores equipas da história” (segundo Piqué e Luis Enrique), e de ser “considerada favorita” (Buffon), também tem “debilidades” (Massimiliano Allegri).
A sinopse do filme está escrita. O término também (“spoiler alert!”): aconteça o que acontecer, o filme do ano terá sempre um final feliz (triplete).