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Fransérgio: Reforço, ou mera Contratação? | FC Porto

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Ultimamente, com alguma insistência, o nome de Fransérgio, médio do SC Braga, tem sido apontado ao FC Porto, como desejo de Sérgio Conceição, para eventual reforço da zona do meio-campo.

O atual capitão dos minhotos tem sido um dos destaques da formação arsenalista, sendo peça fundamental no esquema de Carlos Carvalhal. Porém, este interesse não tem sido muito bem recebido pela massa adepta azul e branca, em muito, devido à idade do atleta, assim como há pouca perspetiva de valorização financeira do seu passe.

Atualmente, a sua integração no plantel portista não parece de todo prioritária, face a vários motivos. Em primeiro lugar, pelo excesso de jogadores e de opções que existem para aquela posição em específica, se formos pelo modelo habitual do técnico azul e branco.

E em segundo, por sua vez, porque a sua aquisição, no meu entender, ia ser mais qualificada como uma contratação do que um reforço, quero isto dizer que não parece o tipo de jogador que conseguia entrar no FC Porto e implementar-se totalmente no 11 titular. Por outras palavras, não significa que Fransérgio não tivesse lugar no plantel, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Apesar do médio ser um jogador intenso, que trabalha para a equipa, que oferece muito sem bola, mas que com bola também joga com critério e tem boa chegada à área, neste momento, não parece a opção mais indicada para reforçar o clube da invicta.

Além disso, temos de ter em conta o atual período financeiro do FC Porto. Tem sido evidente a falta de agressividade que a direção liderada por Pinto da Costa no ataque às contratações essenciais para elevar o nível do grupo de trabalho.

Outro ponto que falta clarificar neste suposto interesse são as contrapartidas a serem negociadas, pois os nomes de Tomás Esteves e Nanu têm sido colocados no sentido inverso da rota de negociação. Algo que poderá ir ao desagradado dos adeptos do FC Porto, pois o assunto de Tomás Esteves tem sido muito discutido em todos os pontos de conversas que interligam os torcedores azuis e brancos.

Resumidamente, no que concerne a Fransérgio, conhecendo as exigências de António Salvador, esta possível aquisição bem que podia ficar em stand-by, por todos os contornos que o negócio possa vir a conhecer.

Liga Espanhola | O “top 4” em 2021/22

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A Liga Espanhola 2020/21 ficou marcada por vários momentos. A entrada fulminante da Real Sociedad de Fútbol. A queda do FC Barcelona e Real Madrid CF nos momentos de verdade. E, claro, a ascensão colchonera. Depois de uma luta intensa e empolgante entre o “top 4”, o Club Atlético de Madrid foi campeão de Espanha na última jornada. Que emoção!

Todos sabemos como é o futebol, quase impossível de prever. Ainda assim, vou arriscar e deixo aqui o meu prognóstico para os quatro primeiros classificados da próxima temporada. Boa sorte a todos os clubes envolvidos!

Tóquio 2020, Judo #1: Foi ao sexto dia que a glória chegou e novamente no Judo!

Com o título de bicampeão mundial, conquistas essas em 2019 e 2021, Jorge Fonseca levava para Tóquio uma mão cheia de ambições, sendo um dos principais favoritos às medalhas na categoria de -100kg de Judo. Contudo e como é do conhecimento geral todos pretendem estar ao seu melhor nível nos Jogos, pelo que o atleta a representar o Sporting Clube de Portugal, orientado pelo técnico nacional Pedro Soares, não teria tarefa facilitada no intuito de suceder ao feito obtido por Telma Monteiro na Olimpíada do Rio.

O PERCURSO DE FONSECA ATÉ AO BRONZE

A competição no tatami nipónico iniciava-se por volta das 3h em Portugal e logo com um adversário de monta. Nada mais nada menos que um atleta belga que também estava entre os melhores da categoria e, portanto, com legítimas aspirações à glória!

Dito isto e quando se esperaria, eventualmente, um combate: equilibrado, taco a taco e resolvido em pequenos detalhes, nada disso acabou por ser uma realidade. Com somente 17 segundos de disputa, o lutador português com uma entrada a todo o gás aplicaria um golpe para o qual o igualmente conceituado belga não teve resposta. Com um ippon superiormente executado fruto de uma prestação exemplar, o desportista lusitano rumava à 2.ª ronda em que competiria, visto ter estado isento da primeira fase. Assim ficava por terra o belga Toma Kikiforov, que ostentava o ceptro de campeão europeu!

Seguiu-se um oponente com o qual Jorge já registava vários combates e perante o qual denotava vantagem nos faces a faces. Neste caso o praticante em defesa da bandeira do Comité Olímpico Russo (COR), Niiaz Lliasov. O combate seria precisamente a antítese do anterior e foi com o equilíbrio como nota dominante. Após mais de cinco minutos de combate e já no “golden score”, ponto de ouro, que com recurso à técnica de wazari Jorge marcaria lugar nas meias-finais. Estava deste modo e uma etapa mais perto o sonho de toda uma nação!

O confronto seguinte colocaria um adversário asiático no caminho do judoca nacional, o sul-coreano Guam Cho. Com o começo do embate, via-se um Jorge que ia denotando queixas na mão esquerda. Algo que pareceu condicioná-lo fortemente, principalmente ao nível da sua pega, aspeto diferenciador do seu judo. Mas, mesmo em dificuldades físicas, Fonseca foi sempre nivelando o combate, que por sua vez ia estando extremamente fechado, sem ninguém a querer arriscar.

A 18 segundos de ser decretado que o combate fosse resolvido no ponto de ouro, e aproveitando com toda a mestria o défice físico que Jorge ia demonstrando, seria com um wazari que ficariam “enterradas” as perspetivas de uma final para as cores lusitanas. No entanto, haveria que recuperar Jorge Fonseca física e mentalmente, por forma a conseguir estar em pleno para o combate de atribuição do bronze.

Foi após cerca de uma hora volvida da dura e frustrante derrota que inviabilizou as chances de Jorge lutar pelas duas medalhas de maior valor que o judoca defrontou o atleta canadiano, Shady Elnahas. O alto e corpulento praticante norte-americano poderia ser um perigo, mas recuperado da lesão na mão esquerda e revelando ainda superior força mental, Jorge derrotaria o oponente a cerca de um minuto de soar o gongo com um wazari. Fonseca garantiria o Bronze, a primeira medalha para o nosso país nas presentes olimpíadas.

O atleta nascido em São Tomé e Príncipe consegue a terceira medalha do judo em Jogos Olímpicos para Portugal, sucedendo aos bronzes de Nuno Delgado em Sidney 2000 e de Telma Monteiro no Rio 2016.

Jorge Fonseca tornou-se ainda o primeiro medalhado para Portugal na categoria de -100kg, em Jogos Olímpicos, isto além de resgatar a 25.ª medalha da história do olimpismo lusitano. Com 28 anos, Jorge já aponta ao ouro em Paris, mas agora é hora de festejar e disfrutar deste dia de glória.

O BnR dá os parabéns ao judoca por este feito. Venham daí muitos mais!

Parceria Manchester City – Sporting CP: Retrospetiva

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Há cerca de dois anos atrás, o Sporting CP e o Manchester City fecharam um acordo. A parceria tinha como objetivo permitir que ambos os clubes contratassem jogadores de qualidade, através da partilha dos passes dos mesmos. O acordo também envolve os departamentos de “scouting” de ambos os emblemas,no qual ficou decidido a cooperação de ambos os departamentos, na observação de jovens promessas.

Além de tudo isto, a aliança acordou a cedência de diretos de preferência de jovens promessas do Sporting CP ao Manchester City e também ficou decidido que jogadores sem espaço no emblema inglês, podem vir jogar para Alvalade, através de acordos sob a forma de empréstimo, muitos deles com cláusulas de compra baixas.

Uma parceira que segundo muitos sportinguistas iria transformar o Sporting CP numa espécie de “clube-satélite” do colosso inglês. Acabou por beneficiar ambos os clubes, sem que os mesmos tivessem dependentes um do outro.

Até agora, os únicos jogadores que passaram por esta “ponte aérea” foram Félix Correia e Pedro Porro.

Félix Correia, no ano em que foi selada a parceira, era considerado uma das maiores promessas da Academia de Alcochete: o jogador estava perto de acabar o contrato e corria o risco de sair a custo zero. Através do acordo, o jogador foi contratado pelos “Citizens” a troco de um valor muito irrisório (pouco superior a quatro milhões de euros). O Sporting CP com isto acabava por perder uma das maiores promessas.

Com a camisola do Manchester City, Félix nunca jogou na equipa principal e atualmente joga nos sub-23 da Juventus, tendo sido contratado a troco de dez milhões ao clube de Manchester. O Sporting CP saiu a perder com esta situação, mas podia ter sido pior. O atleta não ia renovar e através da pareceria conseguiu “lucrar” com o jogador, outro pormenor importante é que a academia de Alcochete foi sempre conhecida como o “Viveiro de Extremos” (exemplo mais obvio desta conotação é o maior símbolo da academia: Cristiano Ronaldo).

Pode ter perdido Félix, mas, tanto na academia, como equipa principal, existem outros extremos de qualidade, que são e que podem vir a ser aposta, como os casos de Jovane ou Joelson, respetivamente.

Já Porro fez o sentido inverso ao de Félix. O jovem lateral não entrava nos planos de Pep Guardiola e estava sem espaço na equipa de Manchester. Para a sua posição “havia”, porque ainda estão lá: Kyle Walker e um conhecido dos portugueses, João Cancelo. Veio para Alvalade, num negócio em que ficou acordado um empréstimo de dois anos, com clausula de compra de oito milhões.

Nesta transferência, ambos os clubes beneficiaram, o Manchester City conseguiu “livrar-se” de um ativo que não contava e o Sporting CP acabou por receber uma “pechincha”. Porro assim que chegou a Portugal, causou impacto na liga: foi o melhor lateral direito da competição e peça-chave que levou Sporting ao título, após 19 anos de “seca” de campeonatos nacionais.

Pedro Porro chegou do Manchester City, viu e… foi titular na equipa campeã nacional
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Até ao dia de hoje, só estes dois negócios é que se concretizaram, através da parceria. Mas o mais provável e que daqui para a frente o City e o Sporting CP façam entre si mais negócios.

Através do acordo, os verdes e brancos deverão lucrar bastante, com a venda dos seus ativos que interessarem aos Citizens. O último jogador ventilado como alvo da equipa de Guardiola, foi Nuno Mendes que se enquadra no jogador que os responsáveis do clube inglês procuram contratar: jovem, com margem de progressão e que possa ficar durante vários no clube.

O Sporting CP, por sua vez, através desta aliança pode ver um “local” perfeito a contratar jogadores de qualidade e baratos, como o negócio de Porro: um jogador que não entra nas contas do Manchester City, que vem com um custo baixo e que causará impacto devido à sua qualidade. Neste “perfil” jogadores como: Yangel Herrera, Filip Stevanovic, Liam Delap, Yan Couto ou Claudio Gomes poderiam ser alvo interessantes para o clube verde e branco.

Em muitas parcerias podemos dizer que alguém sai sempre a perder, mas nesta, pessoalmente, acho que ambos saíram a ganhar.

As 4 equipas favoritas à subida na Liga 3

A Liga 3 terá, na temporada de 2021/22, a sua estreia nos quadros nacionais. Assim, a prova insere-se entre a Segunda Liga Portuguesa e o Campeonato Nacional de Seniores, sendo mais uma liga profissionalizada em Portugal.

No fundo, acaba por ser uma competição constituída pelas melhores equipas do até então Campeonato Nacional de Seniores, que poderão entre si lutar para chegar ao segundo escalão do futebol português, mas desta feita de uma forma bastante mais equilibrada e, naturalmente, competitiva.

Aqui só há espaço para os melhores e por isso toda e qualquer previsão será, nesta altura, bastante arriscada. Ainda assim, fazemos uma lista das quatro equipas que poderão subir para a Segunda Liga na temporada que se avizinha.

Em relação ao funcionamento da prova, ela será constituída por duas séries de 12 equipas, onde as quatro primeiras partirão para a segunda fase de apuramento de campeão.

Aí, serão novamente duas séries, desta vez de quatro equipas cada, de onde sairão as duas equipas promovidas à Segunda Liga (os primeiros classificados de cada série) e uma possível terceira equipa, que será o vencedor do playoff entre os dois segundos lugares e que, para confirmar a subida, terá de bater o antepenúltimo lugar da Segunda Liga.

Em relação à descida, do quinto ao 12º lugares das duas séries terão de disputar também uma segunda fase, que será constituída por quatro grupos de quatro equipas.

Aqui haverá uma bonificação de pontos tendo em conta a classificação da fase regular, e no fim descerão os últimos de cada série, logo, quatro equipas voltarão ao Campeonato Nacional de Seniores.

 

Tóquio 2020, Ciclismo #2: Roglic com exibição de ouro no contrarrelógio olímpico

Um dia importante para o ciclismo e para Roglic, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, com a realização da prova de contrarrelógio individual, num percurso de 44,2 quilómetros, no circuito internacional de Fuji.

A prova teve muita emoção até ao final, com uma intensa luta pelas medalhas. Para se ter uma melhor noção do que se passou, houve uma diferença mínima, de cinco segundos, entre o segundo classificado e o quinto.

O esloveno Primoz Roglic acabou por pulverizar os tempos dos adversários, sendo apenas batido no primeiro ponto intermédio, pelo italiano Filippo Ganna.

Nos quatro pontos seguintes, o corredor da Jumbo-Visma não deu hipóteses de recuperação para os seus adversários.

Roglic terminou a prova no primeiro posto, com direito a medalha de ouro, concluindo o trajeto em 55m04s, a uma média de 48.160 km/h. Ao longo do percurso, Roglic dobrou o português João Almeida e o dinamarquês Kasper Asgreen.

O holandês Tom Dumoulin fez recordar os seus momentos grandiosos do passado, com uma exibição à sua imagem.

Ficou a 1m01s do primeiro lugar, mas mostrou muita vontade e alguma emoção no final, arrebatando a medalha de prata. Não fosse um fantástico Roglic e talvez conseguisse obter um desfecho ainda mais espetacular.

Rohan Dennis conquistou bronze para a Austrália, ficando a 1m04s do esloveno. Curiosamente, o suíço Stefan Kung teve, praticamente, o mesmo tempo de Dennis, mas a medalha acabou por ser decidida nas décimas de segundo.

Seguiram-se Filippo Ganna (5.º), Wout Van Aert (6.º), Kasper Asgreen (7.º), Rigoberto Urán (8.º), Remco Evenepoel (9.º) e Patrick Bevin (10.º).

Foto de capa: Team Jumbo-Visma

Liga Alemã | O “top 4” em 2021/22

Recordo o ano de 2013, em Lisboa, e um dos sonhos de uma miúda anónima. Nessa altura, voltava à esplanada com faculdade onde havia concluído a licenciatura para, finalmente, estudar a língua que mais queria aprender: o alemão.

Entre isso e o trabalho louco de tentar ensinar adolescentes que pareciam ter a sua idade, arranjava sempre tempo para ir à bola. O Hugo, fiel benfiquista, acompanhava-a tanto nos estudos como na paixão pelo futebol e pela cultura alemã. Com as férias quase à porta, marcar viagem para Munique foi como somar um e um e escrever dois.

Ao terceiro dia, um sábado, o Hugo sugeriu ir visitar a Allianz Arena. O dissabor causado pela falta de bilhetes para o FC Bayern München x Hamburger SV não tinha sido esquecido, mas a necessidade de sentir a mística do estádio foi, como tem de ser, consideravelmente mais forte.

Ao seu lado, o Hugo apanhou-a distraída e de boca entreaberta, focada na intensidade daquele vermelho quente que o estádio emanava. Com toda a naturalidade do mundo, a olhar na mesma direção, passou-lhe um envelope para as mãos e disse: “Quis fazer-te a surpresa e correu exatamente como esperava. Vamos lá entrar e ver o jogo!”

O choque foi total e as lágrimas saltaram-lhe pela janela, encavalitando-se umas nas outras sem medo de cair.  Até hoje, não sei descrever bem o que a miúda sentiu. Por isso, foco-me em acompanhar a Liga Alemã todas as semanas e escrever com a alma a espreitar por cima da caneta. Fica aqui a minha previsão daquilo que vai acontecer com os primeiros quatro lugares na próxima época.

Olheiro BnR | Kamaldeen Sulemana, o novo feiticeiro de Rennes

 

Todos temos o direito de sonhar. É com esta premissa que a academia sediada no Gana, Right To Dream, dá oportunidade a jovens africanos de brilharem e terem um trampolim para o futebol europeu. Até há poucos meses, Mohammed Kudus era a cara principal do projeto, mas, durante esta temporada, Kamaldeen Sulemana seguiu as pisadas do jogador do AFC Ajax.

O clube satélite e promotor do talento da academia ganesa é o FC Nordjaelland, da Primeira Liga Dinamarquesa. No país escandinavo, o extremo agarrou a oportunidade e, desde cedo, destacou-se sos restantes. Com apenas 18 anos, estreou-se na Superliga frente ao SønderjyskE e foi ganhando um lugar na equipa com o passar dos jogos.

Depois de 13 jogos em 2019/20, Kamaldeen começou a destacar-se durante a última temporada. A saída de Kudus para a Holanda permitiu-lhe ter mais espaço e outro estatuto, incluindo o facto de ter herdado a camisola 10. Em 2020/21, Sulemana marcou 10 golos e fez oito assistências em 30 partidas realizadas pelos tigres de Farum.

Com tantos bons indicadores, era normal que alguns clubes de maiores ligas europeias começassem a sondar o jogador. O AFC Ajax, do antecessor Mohammed Kudus, foi apontado por diversas vezes como o destino do jogador ganês. Contudo, sem muitos rumores, o Stade Rennais FC venceu a corrida pelo atleta por uma venda recorde dos dinamarqueses, cerca de 20 milhões de euros.

Suécia 29-28 Portugal: Heróis do mar não foram a tempo do empate

A CRÓNICA: A TOALHA CAIU, FOI APANHADA E QUASE ACONTECEU NOVO MILAGRE DE ÚLTIMA HORA

O confronto de Portugal diante do Egito marcou a estreia oficial de uma modalidade de pavilhão em Jogos Olímpicos, sendo que a vitória frente ao Bahrain ficou rotulada como a primeira de sempre do andebol na competição.

Numa altura em que o turismo está tão condicionado, os heróis do mar não quiseram aproveitar a ida a Tóquio para adquirirem postais de viagem e preferiram antes colecionar feitos inéditos.

Portugal deixou o país de queixo caído ao vencer pela primeira vez a Suécia no Europeu de 2020.

Sensivelmente um ano e meio depois, já estamos mais habituados a que esta seleção nos dê alegrias, mas ganhar à seleção vice-campeã do mundo continua a ser traje de domingo e não roupa para se vestir todos os dias.

Lamento o relato demasiado pessoal, mas os minutos finais do jogo anterior foram daqueles momentos que nos fazem levantar do sofá, cerrar os punhos e emitir as mais genuínas interjeições para preparar o momento em que a buzina final soa e podemos emitir volumosos festejos.

Tudo isto sem nos lembrarmos da existência de vizinhos que, àquela hora da manhã, confecionavam os seus almoços e foram contemplados com festejos de alguém a viver no fuso horário do Japão.

A exibição de Portugal não foi perfeita, tal como não tinha sido contra o Egito, mas serviu de galvanização para o jogo contra a Suécia, onde Paulo Jorge Pereira, selecionador português, certamente esperava uma evolução na consistência da equipa.

No Yoyogi National Stadium, Portugal deu esse passo em frente. A seleção nacional entrou bem e, após o primeiro golo, marcado por André Gomes, abriu 3-0 no marcador. A Suécia não deixou o resultado dilatar-se muito mais do que isso.

As muitas exclusões na equipa nacional permitiram aos suecos encostar. João Ferraz foi o mais penalizado pela exigência dos árbitros. Antes dos dez minutos, o treinador português parou o jogo e tranquilizou a equipa na defesa.

Portugal controlava os ritmos do jogo, mas, fruto do risco que impôs no ataque, sofria golos fáceis de baliza aberta ou contra-ataque.

Até Andreas Palicka, guarda-redes sueco, marcou. A relação custo/benefício dessa exposição era nula, assim o ditava a igualdade a 14 com que a primeira parte terminou.

Entre empates e um ou dois golos de vantagem para qualquer uma das equipas, a liderança do marcador foi sendo contestada até dez minutos do fim.

Portugal abrandou no ataque, ao contrário da Suécia que concretizou como nunca e ganhou uma vantagem de quatro golos.

No derradeiro esforço, os heróis do mar conseguiram reduzir o marcador para um golo de diferença com um parcial de 3-0.

No último ataque português, o empate era uma possibilidade, mas os suecos anularam as aspirações portuguesas.

Com esta derrota por 29-28, Portugal continua com dois pontos no grupo B e terá que continuar a somar bons resultados para seguir em frente, mas, ainda assim, recuperou a consistência que reconhecemos a esta equipa.

O próximo adversário é a Dinamarca, atual campeã olímpica e do mundo.

 

A FIGURA

Niclas Ekberg não falhou da ponta, não falhou dos sete metros, falhou apenas um remate em contra-ataque. Resultado de 90% de aproveitamento, terminou como o melhor marcador do jogo com nove golos.

 

O FORA DE JOGO

João Ferraz – vida difícil para o lateral português. Com apenas sete minutos de jogo, o camisola nove já averbava dois cartões azuis que o condicionaram para o resto da partida. Personificou o recorde de Portugal como equipa com mais exclusões do torneio olímpico.

 

ANÁLISE TÁTICA – SUÉCIA

À entrada para esta ronda, a Suécia era a equipa da competição que mais tinha marcado em contra-ataque. Foram 13 golos conseguidos através dessa estratégia.

Neste jogo, manteve a matriz. Para o sucesso da fórmula, muito contribuiu o sólido sistema defensivo de 6×0 que permitiu ataques rápidos.

Quando Portugal forçava os suecos a pausar o jogo, os comandados de Glenn Solberg procuravam preferencialmente o lado direito do ataque, dando protagonismo a Niclas Ekberg e Albin Lagergren, e poucas vezes procuraram remates de nove metros.

7 INICIAL E PONTUAÇÕES

Andreas Palicka (8)

Jim Gottfridsson (6)

Albin Lagergren (7)

Jonathan Carlsbogard (6)

Niclas Ekberg (8)

Hampus Wanne (5)

Max Darj (6)

SUBS UTILIZADOS

Fredric Pettersson (6)

Felix Claar (5)

Lucas Pellas (6)

Lukas Sandell (4)

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Sob pena de ver os erros no ataque comprometerem a defesa, Portugal impôs um ritmo pausado nas jogadas ofensivas.

O sete contra seis foi uma aposta sólida de Paulo Jorge Pereira na primeira parte, procurando com paciência e engenho as ligações da primeira linha com os pivots para conseguir remates aos seis metros.

Mesmo assim, não se livrou se sofrer vários golos na sequência de perdas de bola.

Para tentar parar o ataque organizado da Suécia, existiu a preocupação de que um dos pivots pressionasse individualmente o central Jim Gottfridsson.

Os penetradores suecos também não tiveram vida fácil e esbarraram na cortina portuguesa. Transitar defensivamente foi a maior lacuna de Portugal.

 

7 INICIAL E PONTUAÇÕES

Gustavo Capdeville (8)

Rui Silva (6)

João Ferraz (4)

André Gomes (6)

Pedro Portela (6)

Diogo Branquinho (6)

Daymaro Salina (6)

SUBS UTILIZADOS

Humberto Gomes (4)

Alexis Borges (6)

António Areia (4)

Fábio Magalhães (5)

Miguel Martins (6)

Luís Frade (6)

Gilberto Duarte (-)

 

Foto de capa: Federação Portuguesa de Andebol

Tóquio 2020, Surf #2: Estreia positiva e pranchas apontadas a Paris

ÍTALO FERREIRA ARRASOU A CONCORRÊNCIA

A agitação do mar japonês ajudou à realização das eliminatórias finais sem interrupções de maior. A praia de Tsurigasaki já tinha entrado para a história como o local da primeira prova de Surf nos Jogos Olímpicos, mas também fica como pano de fundo dos primeiros medalhados de sempre.

Na prova masculina, Ítalo Ferreira confirmou o grande favoritismo. Habituado às ondas asiáticas, o brasileiro dominou a concorrência durante todo o torneio.

Até chegar à final, eliminou, nos quartos de final, o nipónico Hiroto Ohhara e, nas meias finais, o australiano Owen Wright.

ÍTALO FERREIRA GANHA UM 9.73 NA PRIMEIRA ONDA!! #Surfing pic.twitter.com/QYLpTHkwVI

— lu in tokyo (@lucomentt) July 26, 2021

Na luta pelo ouro, o surfista venceu o japonês Kanoa Igarashi e protagonizou a melhor manobra da competição, que lhe valeu 9.73 pontos de uma assentada.

Igarashi contentou-se com a prata e, na disputa pelo bronze, o australiano Owen Wright venceu o brasileiro Gabriel Medina por 20 décimas e ficou com o último lugar do pódio.

Foto de capa: Olympics