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Vitória SC vs Sp. Braga: Uma visão pouco imparcial

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Escrever sobre o que se passa fora das quatro linhas do relvado – ou pelo menos fazê-lo sem o fácil resvalo para o cliché – está longe de ser o mais fácil dos labores. A narrativa das incidências do jogo é subtancialemente mais fácil de reproduzir. Com maior ou menor conhecimento técnico-táctico do redactor, é sempre possível garantir o essencial: a descrição dos lances, das sortes e dos azares de parte a parte, do critério do árbitro, do estado do terreno e, por fim, do impacto que o resultado teve para as aspirações das equipas.

Escrever sobre o que se passa fora das quatro linhas do relvado começa por ter o problema da delimitação do objecto. E, a título pessoal, da quase impossível garantia de imparcialidade.

O primeiro Vitória vs Braga a que assisti – ou, pelo menos, aquele de que me recordo ter assistido – ainda tinha vitórias a valer dois pontos. Da zona envolvente do estádio, irreconhecível por comparação com a actualidade, lembro-me nitidamente de uma estreita porta negra ao fundo no acesso ao actual topo sul. “Ao fundo”, porque furar por aquele acantonamento de adeptos em ebulição parecia praticamente impossível; numa atmosfera típica do futebol do início dos anos 90, todos queriam entrar por aquela brecha com a maior celeridade e a todo o custo, sem revistas nem objectos proibidos ou torniquetes electrónicos. Acabei por entrar ao colo do meu pai, no meio de exclamações do género “olha aí que está aqui uma criança”, apenas assim beneficiando de um pouco de ar respirável. O medo sentido naquele momento, contudo, foi de imediato contrabalançado por um artefacto que hoje não me seria permitido levar para o interior de qualquer recinto desportivo: a minha primeira bandeira com o escudo do Rei, com cabo de madeira e com um tecido que hoje já não se encontra. O Vitória vencera por quatro bolas a duas, golos de Tanta, Gilmar, (o grande) Zahovic e Emerson Almeida, e terminara essa época na quarta posição. Estávamos no auge da era do carismático e polémico Pimenta Machado. Os vitorianos podiam arrogar-se de, sucessivamente, época após época, serem melhores desportivamente do que o rival do outro lado da Morreira.

Prevê-se um encontro de grande nível Guimarães Fonte: Vitória Sport Clube
Prevê-se um encontro de grande nível Guimarães
Fonte: Vitória Sport Clube

A viragem do século traria consigo uma realidade substancialmente diferente. O Vitória “mandão”, de presença assídua nas competições da UEFA, começava dentro do campo a dar sinais de fraqueza; em 2000/01 garantiu a manutenção apenas na última jornada, cenário que se voltaria a repetir em 2003/04. Não obstante, a quebra de rendimento não afectou a paixão vitoriana, potenciando-a até nos momentos de maior aperto. Nesse ano de 2004, estou seguro de que qualquer vitoriano há-de ter gritado e festejado mais o golo do Rogério Matias no dérbi – que deu o mote para a manutenção no principal escalão – do que o penalty decisivo do Ricardo contra a Inglaterra. Fui literalmente projectado no meio dos festejos, mas, honestamente, pouco me ralei com as pisaduras.

Na época de 2010/11, fui sucessivamente do Lech Poznan, do Liverpool, do Dinamo de Kiev e até do Benfica e do Porto. Não tenho qualquer pudor em assumi-lo, do mesmo modo que ninguém do Braga terá celebrado a nossa conquista da Taça de Portugal; seguramente ninguém veria com agrado o inimigo visceral ter sucesso numa competição europeia. Ou nacional. Ou mesmo amigável. Nesse aspecto, a transparência é absoluta: sem prejuízo do respeito pela instituição, nenhum vitoriano gosta de ver o Braga a ganhar. E o sentimento é recíproco.

Em Guimarães há uma sobejamente conhecida identidade do clube com a cidade, numa relação quase umbilical sem par a nível nacional. E nos dias de confronto, como o de hoje à noite, o ambiente é invadido por uma tensão positiva, que tolhe a concentração em todo o resto nas horas que o antecedem. Todos os jogos são para ganhar, mas nestes em particular exige-se que a equipa deixe a pele em campo. E em Guimarães a exigência é a nota dominante. Os vitorianos terão em Soudani e Ricardo as referências de maior no que à conquista da Taça de Portugal diz respeito, mas jamais se esquecerão do bis de Barrientos naquela épica noite de Janeiro de 2013.

Infelizmente, e não raras vezes, estes encontros são sinónimo de conflitualidade acima do aceitável. O jogo entre equipas B de há dois anos foi o exemplo acabado de como o ambiente é facilmente inflamável, corporizando o que de mais negativo há no futebol, o que acarreta consequências para os próprios clubes. São longos os relatos de confrontos físicos, tanto num estádio como no outro, que fazem do dérbi minhoto um jogo de alto risco. Ai do infeliz que tenha a ideia de se aventurar por zonas não policiadas com a camisola do adversário…

É por isso que se torna difícil escrever sobre o que se passa fora das quatro linhas do relvado. Porque o futebol passa frequentemente para segundo plano, sucumbido à ideia de superiorização ao rival seja de que maneira for. Na liga, à boleia de uma excelente segunda volta, os arsenalistas cavaram um fosso de dez pontos para os conquistadores. Mas isso não significa que hoje à noite não nos desloquemos ao estádio em massa, com o mesmo fervor irracional que teríamos se estivéssemos em primeiro lugar ou até na segunda divisão.

Esteja em campo o Zahovic, o Pedro Barbosa, o Capucho, o Meira, o Mendes, o Romeu, o Assis, o Desmarets, o Soudani ou o André André, a verdade é apenas uma: mudam os intervenientes, muda o estádio, mudam as gerações, mas a paixão não muda. Pessoalmente, resta-me deixar votos de que “espanhóis” e “marroquinos” dêem um bom espectáculo. Que ninguém se magoe. Mas que os três pontos fiquem no castelo.

Foto de Capa: Vitória Sport Clube

Melhor equipa em Portugal. Existem dúvidas?

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Se (ridículas) dúvidas existissem sobre a equipa que melhor joga futebol em Portugal, ontem foram dissipadas: é o Futebol Clube do Porto. A derrota imposta a uma das melhores equipas do Mundo (se não melhor) só escasseia pelos números: mereciam ser 4, 5, talvez 6… Neuer fez jus ao seu nome e defendeu o que podia – embora já não devesse “por lá andar” nessa altura: fruto do penalty que cometeu, deveria ter sido expulso – e Lahm tentou pegar numa equipa partida, não devido à falta de competência, mas sim devido a um Porto subido no terreno, pressionante, que não deixou respirar uma equipa que habitualmente vê onze homens atrás da linha da bola a tentar não sofrer golo. Não, o Porto quis marcar, quis ser Porto! Jogámos como se fosse contra um Gil Vicente (com todo o respeito), olhámos nos olhos do adversário e vulgarizámos uma equipa colossal, um monstro mundial. Isto é ser Porto; é calar as vozes que se levantam contra tudo o que seja azul-e-branco.

“Vocês só jogaram contra equipas fracas na Champions” – este falso argumento, que já esmiucei noutro texto, foi por água abaixo. Afinal até jogamos com equipas boas e ganhamos. Querem tanto tirar mérito a este fantástico Porto europeu que se esquecem de que já lá nem estão, por demérito e incompetência próprias.

O Porto de ontem foi algo totalmente brutal. Jogou ao nível de uma melhor equipa do mundo, e a noite só não foi perfeita pelo golo (imerecido) que sofreu. Por falar nisso, esse mesmo golo imerecido deixa a eliminatória totalmente em aberto, pois não podemos esquecer que na Alemanha “mandam eles”, e dois golos não são nada de mais… Precisamos de marcar pelo menos um, pois o plantel da invicta raramente sofre mais de dois golos! Veremos…

Mas agora é altura de festejar; festejar a vitória, sem esquecer que o campeonato está “à porta”. Não podemos facilitar, pois a prioridade é o campeonato, que não estamos já a liderar fruto das razões que se sabem.

Adorei a (re)volta de Jackson, que demonstrou ser, de momento, o melhor avançado da europa. Não digo que seja melhor do que Ibrahimovic ou Suarez, mas digo, sem dúvida, que a sua forma o torna no melhor avançado a actuar na Europa, de momento. DE MOMENTO! Não confundir, como “alguns” gostam de fazer, com “da Europa”! É um jogador completo, incansável, e que merece a braçadeira que enverga. Sabemos que irá sair no verão mas, ainda assim, desejo (ou desejava) que fique muitos anos!

Outro ponto a assinalar tem a ver com o enorme Quaresma, que vimos bailar no estádio do Dragão. Foi o artista maior de uma noite de gala, a par do avançado colombiano. O “ciganito” está a provar que merece a titularidade na selecção, remetendo o inconstante Nani para o banco, e isso foi trabalho de Lopetegui, claramente. Lembrem-se do início de época.

Por fim, sem Alex Sandro e Danilo, que quarteto defensivo irá o timoneiro espanhol apresentar em Munique? Eu aposto, da direita para a esquerda, em: Ricardo, Maicon, Marcano e Indi. Só tenho dúvidas em relação a Ricardo, pois com Robben e Ribery duvido de que o jovem tenha “pedalada” para tanto. Mas nós somos Porto, e vamos acreditar que, se o sonho é que comanda a vida, então sonharemos para viver!

Seria lindo passar a eliminatória, pois, se isso acontecesse, seria um “input” para o campeonato (que penso que sem mais manobras de bastidores ficará no Dragão) e um claro fortalecimento para o jogo com o Benfica, numa casa que, sabe-se, é difícil em todos os sentidos…

Passo a passo, parafraseando Herrera, “rumo à final!”.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Jorge Jesus, o Ferguson do Benfica?

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János Biri é um nome que provavelmente não vos diz nada. Foi treinador do Benfica durante oito épocas, entre 1939 e 1947. Venceu três campeonatos e três Taças de Portugal. Desde esse último ano que o Benfica não tinha um treinador que estivesse tanto tempo no clube como Jorge Jesus. Para encontrar alguém com um maior número de anos seguidos a treinar o clube da Luz tivemos de recuar 68 anos. O actual técnico encarnado tem lutado contra o que tem sido norma nos últimos anos, não só no Benfica como também no futebol português e mundial: o despedimento após o falhanço de resultados rápidos e consistentes.

Chegar e vencer não é fácil. Mais difícil ainda é chegar, vencer e continuar a vencer. Jorge Jesus chegou e venceu. Após dois anos difíceis, de títulos perdidos nas últimas jornadas e nos últimos minutos, voltou a vencer. Está actualmente no sexto ano consecutivo no comando do Benfica, e o contrato termina no final da época. A comunidade benfiquista discute: deve Jorge Jesus permanecer no comando técnico?

Provas dadas

Em seis anos Jorge Jesus conquistou dois campeonatos, uma Taça de Portugal, quatro Taças da Liga, uma Supertaça e devolveu o Benfica ao topo da Europa com consecutivas qualificações para a Liga dos Campeões e duas finais da Liga Europa. Há quem diga que dois campeonatos em dois anos é pouco, há quem diga que as Taças da Liga são “canecos de cerveja” e pouco ou nada contam. Eu não acho.

Quando o técnico português chegou tinha um clube com uma enorme história do século passado para dignificar e toda uma história de glória para construir neste século. E este século estava a ser realmente um problema. Quando Jorge Jesus chegou o Benfica apenas tinha ganhado quatro títulos: um campeonato, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e uma Supertaça. Um palmarés de dez anos muito aquém de um clube da grandiosidade do Benfica. Jorge Jesus mudou isso e em seis anos conquistou oito títulos.

Não são só os títulos que contam…

O Benfica vivia uma situação financeira frágil aquando da chegada do treinador português. Os danos do mandato de Vale e Azevedo ainda se sentiam nas economias encarnadas, e as últimas conquistas e prestações na Liga dos Campeões não permitiram consolidar as finanças.

Um treinador não tem intervenção directa nas contas do clube, muito menos de um clube com tantas modalidades e de tão grande dimensão. Mas pode ajudar com potenciamento de jogadores e com a conquista de títulos. Da conquista de títulos já falámos. E dos jogadores? Durante a era de Jesus no Benfica, o clube encarnado arrecadou 218 milhões de euros em venda de jogadores. Para tal contribuíram, em muito, jogadores que o próprio técnico criou e outras das suas famosas adaptações. Falamos de grandes jogadores que permitiram igualmente grandes encaixes, como Fábio Coentrão, Matic, Witsel, Enzo Pérez, Javi García…

Jesus já sabe o caminho para os títulos. Que o deixem continuar esse caminho por muitos anos. Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Jesus já sabe o caminho para os títulos. Que o deixem continuar esse caminho por muitos anos.
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Deve Jorge Jesus renovar?

Prós: Tudo o que conquistou, tudo o que potenciou e tudo o que ainda tem para dar são argumentos simples mas suficientes para garantir a continuidade do técnico português.

Contras: A fraca aposta em jovens tem sido uma das principais críticas apontadas ao treinador das águias.

Jorge Jesus já tem um lugar assegurado na história do Benfica, não só pela personagem autêntica que é mas também pelo trabalho desenvolvido. E se ganhar este ano o campeonato não espero nada mais, nada menos do que ficar por muitos e bons anos. E mesmo que não ganhe. Com um plantel muito mais frágil e noviço do que o da última temporada, o técnico português está a conseguir fazer um trabalho gigante, estando ainda na frente de duas competições.

Pode vir a ser o Ferguson do Benfica? Pode, e espero que seja. Tem um conhecimento aprofundado sobre o futebol português e sobre o futebol mundial. Já mostrou qualidade e resultados. Acho que é uma excelente aposta da Direcção do clube para os próximos anos, que certamente serão de glória. O treinador das águias já mostrou saber fintar barreiras e singrar. Espero que continue e espero que se construa um futuro glorioso e próspero com a sua assinatura. Espero que esse futuro implique também uma maior aposta na formação, que tem aumentado mais e mais de qualidade nos últimos anos. Este é o único defeito que tenho a apontar àquele que espero que seja o homem que volte a pôr o Benfica entre os grandes tubarões europeus. Porque a mim não me interessa só ter um clube com história. Não quero dizer que o Benfica na década de 60 era gigante; quero dizer que o Benfica é grande, que o Benfica faz história e amedronta equipas, qualquer que seja a época, a década ou o século.

O fim de uma era em Dortmund

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Chegou o momento que todos, há uns meses atrás, pensariam não acontecer num futuro tão próximo e que deixará o futebol alemão mais pobre. É o fim de uma era na Vestfália. Jürgen Klopp anunciou emotivamente, em conferência de imprensa, que abandonará o comando técnico do Borussia Dortmund no final desta época. Dá-se, assim, o divórcio de um “casamento” que durou sete anos.

“Kloppo” chegou a Dortmund na temporada 2007/08, proveniente do Mainz 05, e desde então conseguiu reconduzir, após um período conturbado, este gigante europeu de novo à glória e ribalta, não só alemã, mas também europeia, e aos títulos. Pôs em causa o poderio do gigante Bayern de Munique, ao conquistar duas Bundesligas consecutivas (2010/11, 2011/12), três Supertaças e uma Taça da Alemanha. Em contornos europeus, a surpreendente e triunfante caminhada da equipa na edição de 2012/13 da Liga dos Campeões apenas terminou na final da competição, na qual foram derrotados pelos rivais de Munique – que venceram a Bundesliga, a taça e a Champions nesse ano.

O carismático treinador alemão ficou conhecido por conseguir fazer o “impossível” com o pouco que tinha. Não que tivesse pouca qualidade no plantel, mas devido à situação financeira e estrutural do clube, que não proporcionava contratações sonantes, teve que primar pelo desenvolvimento de jovens atletas, tanto da formação como vindos de outros emblemas ainda em tenra idade. E a verdade é que, ainda assim, teve sucesso e fez desses jovens alguns dos melhores jogadores de hoje em dia em todo o planeta. A sua filosofia em muito contribuiu para isso.

Primando sempre por um futebol atrativo, Klopp construiu a imagem de um treinador apaixonado e efusivo pelo desporto-rei, que vive intensamente todos os momentos das partidas, festeja os golos com os jogadores, ri, esbraceja e expressa toda a sua emoção para dentro das “quatro linhas”. Não centra apenas a sua atenção no rigor tático e técnico, mas foca-se primordialmente em termos motivacionais, algo que revela ser determinante para o sucesso individual e coletivo dentro de campo. Potenciou o futebol de alto nível de alguns dos melhores jogadores de hoje em dia, como Mats Hummels, Mario Götze, Robert Lewandowski, Nuri Sahin, Ilkay Gündogan, Shinji Kagawa e, claro, Marco Reus.

O carismático treinador reconduziu o Dortmund aos títulos Fonte: Facebook do Dortmund
O carismático treinador reconduziu o Dortmund aos títulos
Fonte: Facebook do Dortmund

Os elogios fizeram-se sentir, até que Klopp ressuscitou a “febre amarela”. Os adeptos responderam à evolução da equipa e, nos dias que correm, nenhuma partida no Westfalenstadion conta com cadeiras vazias. O Dortmund pode afirmar que é um dos clubes com os melhores aficionados do mundo, pois é algo que se pode comprovar todos os fins de semana.

Porém, nem tudo é um conto de fadas. E nesta época isso é visível. O futebol do Borussia perdeu encanto, os golos deixaram de surgir tão naturalmente e a bola começou a entrar com elevada frequência na baliza “amarela”. O clube, que já chegou a estar na zona de despromoção do campeonato alemão, segue, de momento, em décimo lugar, algo que não se revê nos objetivos traçados para a equipa. Afastados da Liga dos Campeões nos oitavos de final, a única réstia de esperança passa por uma vitória na Taça da Alemanha, na qual não terá, decerto, tarefa fácil, pois disputará a meia-final da competição com o Bayern de Munique.

Devido à fraca prestação na presente época, Klopp avançou e, em conjunto com a direção do histórico emblema, decidiu que já não era o treinador de que o Dortmund necessitava para voltar aos triunfos e que estava na altura de rumar a outras paragens. “Sempre disse que no momento em que achasse que já não seria o treinador perfeito para este extraordinário clube, o diria. Acredito plenamente que esta é a decisão certa. Ninguém tem de agradecer-me. Ambos os lados investiram muito e tiraram muitos proveitos”, foram as palavras do alemão, que nunca será esquecido pelos dirigentes e pelos jogadores que vestiram o amarelo e preto.

O que se seguirá para Klopp? Ainda não há certezas. O carismático treinador já fez saber que não pretende parar nem tirar um ano “sabático” fora do futebol e Inglaterra alinha-se como destino mais provável para o seu futuro – Arsenal e Manchester City, a viverem tempos menos felizes, são os emblemas mais falados pela imprensa internacional. Certo é que a liga alemã vai perder algo do seu encanto com a saída do técnico de 47 anos. Auf wiedersehen, Jürgen, a Bundesliga sentirá a tua falta!

Foto de capa: Facebook do Dortmund

Olheiro BnR: Matheus

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No que diz respeito às balizas, têm sido algumas as boas surpresas na edição 2014/15 do campeonato nacional, ainda que uma das mais emblemáticas more no Minho, no Sporting de Braga, mais concretamente o jovem brasileiro Matheus, de 23 anos.

Contratado ao América Mineiro a troco de 2,4 milhões de euros, o promissor “keeper” rapidamente se assumiu como a primeira escolha de Sérgio Conceição para a baliza arsenalista, prometendo, num futuro próximo, rechear os cofres bracarenses, até porque o salto para um emblema com outros pergaminhos não deverá tardar.

Produto das escolas do América Mineiro

Matheus Lima Magalhães nasceu a 19 de Julho de 1992 em Minas Gerais, Brasil, e só conheceu um clube no seu país natal, mais concretamente, o América Mineiro, que representou desde as camadas jovens até ao Verão de 2014, altura em que se transferiu para o Sporting de Braga.

Nesse clube de Minas Gerais, e apenas contabilizando os jogos que efectuou como sénior, ou seja, entre 2012 e 2014, Matheus somou um total de 66 partidos, isto entre Série B do campeonato brasileiro (segunda divisão), Taça do Brasil e campeonato mineiro.

Impacto imediato no Braga

Chegando a Portugal sem sequer ter feito um único jogo no principal campeonato do seu Brasil natal, pensou-se que Matheus poderia precisar de algum tempo para se impor no Sporting de Braga, mas a verdade é que o jovem de 23 anos rapidamente conquistou o seu espaço, deixando para trás a concorrência do russo Kritciuk.

Ao todo, afinal, são já 20 os jogos como titular no principal campeonato português, sendo que a crítica, na sua esmagadora generalidade, não tem poupado elogios a um “keeper” de quem já se diz começar a espreitar uma oportunidade na principal selecção brasileira.

Matheus impôs-se rapidamente em Braga Fonte: Facebook do Sporting Clube de Braga
Matheus impôs-se rapidamente em Braga
Fonte: Facebook do Sporting Clube de Braga

Enche a baliza

Matheus é um possante guarda-redes de 190 cm e 84 kg, características físicas que, aliadas ao seu excelente posicionamento entre os postes, permitem-lhe encurtar de forma decisiva a baliza e dominar todo o espaço aéreo, onde se mostra especialmente eficaz ao nível dos cruzamentos.

Com uma maturidade bastante acentuada para a tenra idade, o “keeper” brasileiro mostra-se ainda muito forte nas saídas aos pés dos adversários, em lances de um contra um, assim como no jogo de pés, aspecto onde é claramente um dos melhores da Liga.

Certo é que, aos 23 anos, Matheus tem ainda uma larga margem de progressão, que servirá, essencialmente, para aprimorar ainda mais os seus talentos, sendo que a natural e expectável evolução das suas qualidades poderá mesmo catapultá-lo para um clube de topo do Velho Continente.

Foto de capa: Facebook do Sporting Clube de Braga

Porto 3-1 Bayern Munique: A ilusão também serve para reescrever a história

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Gary Lineker, numa das frases mais célebres da história do futebol europeu, dizia que “no futebol são 11 contra 11 e no fim ganham os alemães”. Muito provavelmente, o avançado inglês não seria um predestinado, e a sua frase era apenas uma evidência acerca da superioridade que a seleção e as equipas germânicas têm tido no futebol europeu e mundial. Falar nos quatro títulos mundiais da seleção alemã e nas cinco ligas dos campeões ganhas pelo Bayern de Munique são premissas suficientes para se perceber onde se metia o FC Porto.

Como havia dito no meu texto no último domingo, a tarefa portista era hercúlea. No mundo de futebol, a única dúvida que pairava acerca desta eliminatória residia nos números da goleada alemã. Do outro lado, estava a “pequena” equipa do FC Porto, daquele país que, para muitos, não passa de uma província espanhola ou da cauda da Europa. Para a esmagadora maioria dos portistas, a esperança num apuramento era meramente utópica. A diferença entre as equipas é tão evidente que sonhar com a presença nas meias finais era praticamente um sacrilégio.

Também por isso é que a vitória de hoje soube tão bem. Soube tão bem ver os alemães a passearem-se pela cidade do Porto e a preverem uma goleada do Bayern. Soube tão bem olhar para as redes sociais e perceber que, em Portugal, já se fazia o funeral prévio à equipa de Lopetegui. Tudo isto soube tão bem que as minhas palavras serão sempre curtas para demonstrar o orgulho e a felicidade por tão grande feito conquistado pelo FC Porto. Nas bancadas do Dragão, 50 mil almas encheram-se de fé e, com uma coreografia a todos os níveis brilhante – recordando as glórias europeias portistas e exigindo respeito pelo clube -, era um estádio cheio que puxava e queria empurrar a equipa de Lopetegui para algo impossível.

Como escrevi no Bola na Rede, para poder sonhar com o apuramento, o FC Porto, mais do que tudo o resto, tinha de saber usar aquilo que é mais importante: a cabeça. O aspeto mental e a inteligência tática eram essenciais para manter a chama do dragão acesa. Por isso, a equipa sabe que não podia esbanjar as oportunidades que lhe surgissem e que, de quando em vez, tinha de colocar o Bayern em espaços que não os seus, obrigando-os a jogar taticamente de forma desprotegida. No onze inicial, a surpresa da inclusão de Jackson Martinez, cinco semanas após a lesão em Braga, era um argumento mais para tentar criar perigo na defensiva alemã. Do lado dos bávaros, Pep Guardiola preferiu não colocar o sistema 3x5x2 em campo, deixando Badstuber no banco e entregando o jogo ofensivo a Thiago Alcântara.

Jackson regressou após lesão e apontou o terceiro golo dos dragões Fonte: Facebook do FC Porto
Jackson regressou após lesão e apontou o terceiro golo dos dragões
Fonte: Facebook do FC Porto

Depois, veio o melhor: os primeiros 15 minutos do FC Porto. Com uma entrada avassaladora, diante de um Bayern que ia dando tiros nos pés, a equipa portista entrou como ninguém esperava que pudesse acontecer. Com um bloco alto, sempre na pressão à primeira fase de construção alemã, o FC Porto foi conseguindo bloquear Xabi Alonso e Lahm, os motores da sala de máquinas tática de Guardiola. Empurrada para espaços e para problemas a que não está habituada, a equipa do Bayern foi obrigada a errar pelo FC Porto. Também por isso não foi de estranhar que, em tão pouco tempo, dois erros defensivos tenham sido tão comprometedores para os germânicos. Logo aos três minutos, Jackson ganhou a bola a Boateng, ficando isolado perante Neuer, que derrubou o avançado colombiano e por isso deveria ter levado o cartão vermelho. Velasco Carballo assim não o quis, e, perante o gigante alemão pela frente, Ricardo Quaresma partiu para bola e decidiu dar a primeira estocada na estratégia alemã.

O Dragão explodiu e mal sabia que, apenas sete minutos depois, novo erro alemão haveria de colocar o FC Porto a vencer por 2×0. Agora, havia sido a vez de Quaresma aproveitar o erro de Dante e, perante Neuer, fazer a sua famosa trivela para marcar o segundo golo portista. Com um resultado tão improvável quanto justo, dada a entrada demolidora portista, Guardiola alterou aquilo que tinha planeado. Obviamente que o controlo da bola esteve sempre lá e não raras vezes o FC Porto foi obrigado no primeiro tempo a jogar no seu último terço de terreno.

A circulação de bola foi mais rápida e os médios jogaram de forma mais prática, procurando envolver Gotze, Muller e Lewandowski no jogo ofensivo. O FC Porto, com dois golos de vantagem na bagagem, viu-se obrigado a recuar o bloco e a entrar no espaço tático indesejado perante uma equipa como o Bayern de Munique. À medida que os minutos iam passando, o bloco portista ia recuando e eram cada vez mais os jogadores que o Bayern colocava no seu processo ofensivo. Por isso, não foi de estranhar que, aos 28 minutos, os bávaros tenham mesmo chegado ao golo, com Thiago Alcântara a dar excelente sequência ao cruzamento de Jerome Boateng. Com o golo alemão, até ao apito para o descanso, o FC Porto voltou a subir no terreno e, por Alex Sandro e Casemiro, a estar próximo de fazer o terceiro golo na partida.

No regresso dos balneários, voltou a entrada forte e autoritária do FC Porto. Ainda assim, e ao contrário do primeiro tempo, em que a estratégia de Lopetegui procurava sobretudo aproveitar o erro contrário, no segundo tempo a equipa foi mais astuta e dinâmica na busca pelo último terço de terreno. Ao obrigar o Bayern a recuar e invariavelmente a falhar passes na sua primeira zona de construção, o FC Porto foi ganhando confiança nos primeiros minutos do segundo tempo. Também por isso, o golo cheirava no Dragão e só não aconteceu mesmo porque Neuer, à passagem da hora de jogo, negou de forma soberba o golo a Herrera. Ainda assim, apenas cinco minutos depois, o melhor guarda redes do mundo foi incapaz de suster a desmarcação e a arrancada de Jackson, que, apesar de não estar na melhor forma física, foi capaz de fazer o que melhor sabe, marcando o terceiro golo para a equipa portista.

Até final do encontro, o Bayern bem tentou reduzir a desvantagem mas raramente conseguiu criar perigo para a baliza de Fabiano. Com uma defensiva solidária e um meio campo batalhador, o FC Porto foi conseguindo sustentar o ímpeto germânico e, de quando em vez, ameaçar o último reduto do Bayern. Como ponto negativo, mais do que o golo alemão, foram os amarelos a Danilo e Alex Sandro, que os deixam fora do jogo de Munique. Com dois golos de vantagem e sem os dois laterais disponíveis, o FC Porto chegará à Baviera na próxima semana com a esperança de que é possível chegar às meias finais. Mesmo contra todas as probabilidades, a exibição desta noite foi mais uma prova de que, mais do que a estatística ou o poder teórico, a ambição também consegue reescrever a história. A tarefa não será fácil mas, por esta noite, o FC Porto mereceu o direito a sonhar. E, claro, sempre com ilusão.

A Figura:
Quaresma –
Vive claramente um dos melhores momentos da carreira. Sempre disponível defensiva e ofensivamente, foi um verdadeiro quebra cabeças para a defensiva germânica. Os dois golos coroam uma exibição de luxo do Harry Potter.

O Fora-de-jogo:
Amarelos a Danilo e Alex Sandro –
Mais do que o golo de Thiago Alcântara, a pior notícia para o FC Porto é a ausência dos seus dois laterais para a segunda volta. A sua importância é essencial e será preciso quase um milagre para a equipa resistir sem duas das suas peças mais importantes no jogo da segunda mão, em Munique. 

Jogadores que Admiro #35 – Andrea Pirlo

jogadoresqueadmiro

Andrea Pirlo: nome de craque, ídolo, maestro, talento puro, lenda. O italiano conta já com 35 anos, mas a classe e a qualidade com que o perfume do seu futebol ainda deslumbra os relvados por onde passa fazem prever que o pendurar das botas se encontra longínquo. E o futebol agradece, pois não está preparado para perder um jogador desta dimensão.

A cumprir a sua quarta época ao serviço da Juventus, atual tricampeã de Itália, após uma longa passagem pelo rival AC Milan e, até, pelo Inter de Milão, conta com um palmarés invejável aos olhos de muitos. Um Campeonato do Mundo de Clubes, duas Ligas dos Campeões, outras tantas Supertaças Europeias, cinco campeonatos italianos, entre outros títulos, constam da lista de conquistas da carreira de Pirlo. Venceu, também, pela sua seleção, o Campeonato do Mundo de 2006, na Alemanha, e um Campeonato da Europa Sub-21 em 2000. Sem dúvida, um jogador galardoado ao mais alto nível.

Pirlo fez uso da sua inteligência para adaptar o seu futebol à medida que os anos por si iam passando, o que o faz permanecer a um alto nível em idade tão avançada no que concerne a um jogador centro-campista. Embora a velocidade física não seja um atributo que o caracterize, é, sim, a velocidade de pensamento, que a experiência adquirida através da vasta carreira veio engrandecer, que o define como um dos jogadores mais letais no que ao capítulo do passe e da leitura de jogo diz respeito.

A inteligência é uma das principais características de Andrea Pirlo Foto: Juventus FC
A inteligência é uma das principais características de Andrea Pirlo
Foto: Juventus FC

Tal como já foi feita referência, é o autêntico mestre dos passes: a qualidade que demonstra, seja em passes curtos ou longos, coloca-o a um nível a que ainda nenhum outro nos habituou. Alia a tal dom uma tremenda visão de jogo, que lhe permite gerir o ritmo das partidas a seu bel-prazer. Sempre disponível para receber prontamente a bola dos seus colegas e movê-la na melhor direção, é um verdadeiro maestro de uma equipa. É um regalo para os olhos vê-lo dentro de campo na construção de jogadas de ataque perfeitas.

A liderança e o caráter que evidencia dentro das quatro linhas têm vindo a permitir aos jogadores mais jovens que atuam a seu lado adquirirem conhecimento e experiência junto de um dos melhores de sempre, que detém uma vasta influência no seio do grupo da vecchia signora.

Pirlo já deu muito, bastante até, ao futebol, e para agrado de todos promete dar ainda mais. Aos 35 anos, a elevada qualidade de jogo e classe que espalha pela Europa fora é de um gabarito a que poucos conseguirão chegar. É com enorme felicidade que encaro o facto de ainda ser possível observar este maestro italiano ao mais alto nível. Que o seja por muitos mais anos!

Foto de Capa: Juventus FC

 

Abdicar para ganhar

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a minha eternidade

O Futebol Clube do Porto recebe esta quarta-feira o Bayern de Munique, no Dragão, para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. O clube alemão treinado por Pep Guardiola é uma das melhores equipas do mundo, apenas ladeado (na minha óptica) pelo Barcelona.

As duas formações enfrentam algumas baixas para este desafio europeu que poderão condicionar os respectivos plantéis. Pelo lado dos dragões não estarão em campo Tello, por lesão, e Marcano, devido a castigo. Jackson, apesar de convocado, não tem treinado com bola nas últimas semanas e não deverá, portanto, jogar de início; no máximo, poderá eventualmente ser opção nos minutos finais do jogo. Neste enquadramento, os azuis e brancos deverão actuar no seu sistema usual (4x3x3), com Fabiano nas redes; Alex Sandro, Indi, Maicon e Danilo na defesa; Casemiro, como pivot defensivo, será coadjuvado pelos interiores Herrera e Óliver no meio campo; Brahimi, Quaresma e Aboubakar formarão o trio mais ofensivo. O colosso alemão irá ter de lidar positivamente com a contrariedade das inúmeras baixas a cargo do seu departamento médico. Entre os indisponíveis está Mehdi Benatia (defesa), David Alaba (que de lateral passou a médio centro), Javi Martínez (trinco posicional e equilibrador) e Schweinsteiger (jogador que melhor une os dois momentos no meio campo: recuperação/construção). Juntando a esta razia, os dois mais ilustres ausentes são os dois criativos/velocistas/finalizadores Robben e Ribéry, que dão uma qualidade suprema à equipa, atribuindo-lhe uma aura de quase imbatibilidade.

Independentemente destas limitações na preparação do jogo, o gigante alemão irá apresentar um onze temível, escalonado numa estrutura de 4x3x3. Manuel Neuer na baliza, Dante e Boateng (centrais), Bernat na lateral esquerda e Rafinha na direita; no meio-campo deverão alinhar Xabi Alonso, Lahm e Thiago Alcântara; como três homens mais avançados, Guardiola deverá lançar de início Mario Götze, Thomas Müller e Robert Lewandowski. Como sistema alternativo, o espanhol poderá utilizar também um 5x3x2, com três centrais e os laterais muito adiantados, entrando Badstuber para central (saindo Lahm do sector intermediário). Se for este o esqueleto inicial, Götze deverá recuar para médio, deixando Müller e Lewandowski soltos perto do golo.

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Herrera foi um dos portistas elogiado por Pep Guardiola
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Apesar de ser uma equipa com pouquíssimos pontos fracos, os dragões poderão ferir o Bayern de Munique em alguns momentos. Será importante identificar zonas de pressão ou jogadores específicos para roubar a bola e aproveitar a exposição alta da equipa bávara, que abre, devido a uma predisposição excessivamente ofensiva, espaço nas suas costas. Os centrais (não tão hábeis) saem a jogar desde trás e sobem, em várias ocasiões, com a bola controlada para lá do terreno adversário. A dupla de centrais deve ser pressionada ou as suas opções antecipadas pelos avançados portuenses. Xabi Alonso deverá ser alvo de uma marcação individual alternada entre os dois médios interiores (Óliver e Herrera), visto que é o jogador mais habilitado para o início de construção do Bayern, não só no precioso passe curto, mas também no teleguiado lançamento longo (se este jogador for anulado, todo o processo colectivo de posse perde discernimento). Os laterais alemães participam em todos os momentos do ataque posicional, permitindo a abertura em posse no momento ofensivo. Visto que Müller e Götze deverão procurar movimentos interiores e apoios entre linhas, a profundidade deverá ficar a cargo dos dois laterais incansáveis e de técnica apurada. Mesmo assim, julgo que o Porto deverá tentar condicionar o Bayern a lateralizar o jogo e deixar que a bola caia preferencialmente nestes dois jogadores (Bernat e Rafina), não se desgarrando na ocupação da zona central, nevrálgica para condicionar o jogo interior apoiado e combinações em tabela e em diagonais (o ponto mais temível dos alemães).

Julgo que o Porto se pode superiorizar nos momentos de recuperação de bola a meio campo, visto que tem um trio de médios fisicamente mais apto do que o do seu concorrente: Xabi, Lahm e Thiago, jogadores excepcionais no passe curto, mas algo macios e pouco rápidos em processo defensivo. A ausência de Tello (importante para uma invasão do espaço em velocidade) e a de Jackson (exímio em combinações mas também predisposto e competente como primeiro defesa a sair em pressão) serão difíceis de contornar. O posicionamento defensivo alto da defesa bávara poderá ser aproveitado com uma nuance de movimentação por parte do trio de avançados portista. Seria interessante ver Quaresma executar movimentos interiores, abrindo espaço nas faixas a Brahimi e Aboubakar. Assim, o Mustang seria mais um na batalha pelo miolo e, também, em momento de recuperação de bola, poderia executar um último passe letal, solicitando diagonais aproveitando o espaço vago lateral/central oferecido pelos alemães.

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FC Porto ou Bayern – só há lugar para um nas meias-finais
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Julen Lopetegui e os seus comandados deverão ter a noção de que vão passar a maior parte do jogo sem o contacto com a bola (algo inédito esta temporada). À “superioridade autista” de Guardiola, excessivamente ego centrada no seu estilo e modelo, o técnico basco terá de opor uma abordagem mais condicionada, empreendendo uma contra-estratégia que altere alguns princípios de jogo. Para discutir a eliminatória, os dragões, mesmo que não adoptem uma postura receosa e de contra-ataque, baixando excessivamente linhas e esticando longo na frente, terão de abdicar da sua tradicional troca de bola circular entre os defesas e o seu guarda-redes. Em vez de chegar à baliza contrária com “20 passes”, o Porto poderá iniciar uma construção apoiada e curta, embora não possa sair a jogar de forma pausada e tranquilamente pensada (como tem sido apanágio esta época). Basta o Bayern ganhar uma bola na primeira fase de construção para fazer golo; como tal, os azuis e brancos devem ter a humildade de alterar este seu princípio (sem alterar a filosofia). Não existindo “jogos perfeitos”, para ganhar, o Porto terá de fazer uma “partida sem falhas”.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Atlético 0-0 Real Madrid: perdoar para depois sofrer

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Ao sétimo derby madrileno da temporada, e após a suprema humilhação (4-0) imposta pelo Atlético ao Real em Fevereiro passado, interessava hoje perceber de que forma o actual campeão europeu se apresentaria no Vicente Calderón.  Os merengues não batem o pé ao rival da cidade desde a final da passada temporada e mesmo aí precisaram do tempo-extra para o fazer. Sabendo-se de antemão de todos estes factos e da inteligente forma como Simeone consegue colocar o Real no “colete de forças” colchonero, a tarefa não parecia ser nada fácil para Ancelotti e os seus jogadores.

No entanto, foi um Real Madrid ferido no orgulho e de “cara lavada” que iniciou a partida e controlou todo o primeiro tempo. Com as presenças de James e Modric (que diferente é o Real com e sem o croata…) ao lado de Kroos no miolo do terreno, a equipa blanca é capaz de uma circulação de bola com muito mais qualidade, critério e a toda a largura do campo. Foi por aí que o Real foi “desmontando” a habitual excelente ocupação de espaços da equipa de Simeone e, assim, impôr o seu jogo em campo colchonero, já que, na primeira parte, o Atlético nunca foi capaz de suster as investidas do rival.

Porém, se há arte que o Atlético de Simeone é capaz de dominar é a do saber sofrer quando o desenrolar do jogo assim o impõe. O nulo ao intervalo não era, de forma alguma, o espelho daquilo que se passava em campo e o Atlético bem o podia agradecer a Oblak, que, definitivamente, agarrou o lugar e começa a demonstrar o porquê de o Atlético ter aberto os cordões à bolsa por um dos futuros melhores guarda-redes do mundo.

Respondeu o Atlético na segunda metade, apesar de o jogo ter baixado consideravelmente de ritmo e, consequentemente, de qualidade. O Real não mais encontrou capacidade para se chegar à baliza de Oblak com o perigo com que o fizera no primeiro tempo e o jogo acabou por se colocar mais ao jeito da equipa da casa.Entre quezílias, duelos físicos e choradinhos em redor do árbitro, o tempo foi-se arrastando e ninguém foi capaz de desamarrar o empate sem golos. Acabou o Real encostado às cordas, fruto de um derradeiro mas ineficaz assalto da equipa da casa à baliza de Casillas. Pior resultado para o Real, que, com as oportunidades de golo que foi criando, tinha de sair do Calderón com um resultado mais vantajoso.

O nulo é um resultado altamente perigoso para os blancos, ainda para mais sabendo do cinismo que este Atlético é capaz de emprestar ao jogo. E exemplos de sucesso passado de Simeone no Bernabéu não faltam…

A Figura:

Oblak – O guarda-redes esloveno agarrou a titularidade e demonstrou hoje porque é um guarda-redes de eleição. Negou por diversas vezes o golo à equipa do Real

O Fora-de-jogo:

Real perdulário – Uma equipa com jogadores com a qualidade de Ronaldo, Bale, Benzema ou James não pode falhar 4 ou 5 oportunidades de golo claras em jogos como este. Veremos se não lhes custa a eliminatória

Foto de capa: Facebook da Champions League

Bulgária – A tarefa hercúlea de Ivaylo Petev

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Apesar de não ser uma presença constante nos grandes palcos do futebol europeu e mundial (especialmente durante a última década), a Bulgária já deu muito à modalidade, quer pelos seus clubes, quer através das suas outrora talentosas selecções nacionais. Faz seguramente parte da memória de todos nós a grande equipa búlgara que participou no Mundial de Futebol de 1994 nos EUA, da qual faziam parte jogadores extraordinários como Hristo Stoichkov, Krassimir Balakov, Yordan Lechkov, Borislav Mihaylov e Emil Kostadinov, entre outros.

Pela mão do lendário Dimitar Penev, tio do antigo internacional búlgaro Lyuboslav Penev, a selecção do leste da Europa, que começou como um pária (uma vez que havia apenas conseguido o apuramento no último jogo da fase de qualificação, a expensas da selecção francesa e com dois golos do nosso bem conhecido Emil Kostadinov), atingiu as meias-finais do torneio deixando para trás a Alemanha e caindo apenas aos pés de uma Itália liderada pelo virtuoso número 10 azzurri, Roberto Baggio.

A “Geração de Ouro”, como viria a ficar conhecida essa talentosa equipa, e os tempos de prosperidade do futebol búlgaro foram perdendo tenacidade e o fulgor que lhe haviam assegurado um lugar de destaque entre as potências do futebol mundial e, aos poucos, tudo se desvaneceu. As constantes mudanças de treinador e dos responsáveis pelo futebol búlgaro, associadas aos graves problemas de ordem financeira e social que o país atravessou e dos quais, diga-se de passagem, ainda não se libertou, condenaram o outrora poderoso futebol búlgaro a uma mediocridade arrepiante quer a nível nacional, quer no panorama além fronteiras.

Após ter falhado mais uma vez a presença no Mundial de futebol do passado Verão, a federação búlgara entendeu que deveria continuar a depositar confiança no seu treinador Lyuboslav Penev, que, apesar de ter feito um trabalho relativamente positivo na campanha de qualificação para o Mundial do Brasil, vinha já a perder o controlo da equipa há algum tempo e, em simultâneo, a sua relação com os jogadores estava também longe de ser a melhor.

Contudo, um empate embaraçoso em Sófia contra o modesto conjunto de Malta foi a machadada final no reinado de Lubo Penev à frente da selecção búlgara. Após esse jogo, que teve lugar em Novembro do ano passado e que deixou a Bulgária em muito maus lençóis no seu caminho rumo ao apuramento para o próximo Europeu de Futebol, a federação búlgara decidiu substituir o antigo goleador por um homem, de seu nome Ivaylo Petev, com um currículo bem mais modesto enquanto jogador profissional, mas que parece ter trazido um novo ânimo e alento àquela selecção dos Balcãs.

Ivaylo Petev – o homem responsável por reconstruir uma nova Geração de Ouro no futebol búlgaro Fonte: Facebook de Ivaylo Petev
Ivaylo Petev – o homem responsável por reconstruir uma nova Geração de Ouro no futebol búlgaro
Fonte: Facebook de Ivaylo Petev

Petev, um antigo médio que fez grande parte da sua carreira ao serviço do Litex Lovech, encontrou no papel de treinador a sua verdadeira vocação e, apesar de ser ainda bastante jovem (39 anos), conta já com um excelente palmarés, do qual fazem parte dois campeonatos búlgaros, uma supertaça e uma taça da Bulgária, enquanto comandante do Ludogorets Razgrad. O homem que trouxe o outrora desconhecido Ludogorets da segunda divisão para as luzes da ribalta foi humilhado por alguns adeptos do Levski Sofia, quando, em 2013, o director desportivo da equipa e antiga estrela do futebol búlgaro, Nasko Sirakov, o apresentou à comunicação social como novo treinador do clube, tendo sido praticamente “obrigado” a despir a camisola do Levski por alguns adeptos altamente descontrolados, que irromperam pela conferência de imprensa. Apesar de tudo o que lhe aconteceu, Petev é agora o responsável por trazer a Bulgária de volta aos grandes palcos do futebol europeu e mundial.

Nos dois jogos em que orientou a selecção búlgara, Ivaylo Petev não se saiu mal; pelo contrário, conseguiu um empate frente à Roménia e outro frente à tão aclamada Itália de Antonio Conte. Foi precisamente nesse jogo contra a squadra azzurra que esta “nova e revigorada” Bulgária puxou pelos galões e, após uma primeira parte de luxo, durante a qual o versátil avançado do Kuban Krasnodar (e possivelmente o melhor futebolista búlgaro da actualidade), Ivelin Popov, colocou a selecção italiana em sentido. Contudo, os comandados de Petev acabaram por consentir o empate nos últimos dez minutos da partida.

Ivaylo Petev, que, ao serviço do AEL Limassol, fez tremer o poderoso Zenit de André Villas-Boas durante a fase de qualificação para a Liga dos Campeões no início desta temporada, tem agora uma tarefa hercúlea nas mãos e vai seguramente necessitar de algum tempo para olear a máquina búlgara, que a morosidade do tempo enferrujou. Para completar essa tarefa com sucesso, Petev contará com o talento dos seus jogadores, que incluem o acima referido Ivelin Popov, Nikolay Mihaylov (filho do antigo guarda-redes búlgaro que passou pelo Belenenses e que esteve em grande nível no Mundial de 1994), Vladimir Gadzhev (médio centro de excelente qualidade e actual capitão do Levski) ou ainda Georgi Milanov, um jovem prodígio que faz actualmente parte dos quadros do CSKA Moscovo; contudo, e com alguma urgência, Petev precisa de trazer sangue novo para a equipa, de forma a levar a cabo a tão aclamada e necessária renovação que nunca chegou sequer a ser feita.

O tempo não volta para trás e jogadores com a genialidade de Georgi Asparuhov, Hristo Stoichkov ou Dimitar Berbatov não aparecem todos os dias, mas, num país que já deu tanto ao futebol, Ivaylo Petev, que já provou ser um treinador bastante capaz, irá certamente encontrar matéria prima para voltar a colocar a Bulgária, a curto ou a médio prazo, no lugar de destaque que esta merece.

Foto de Capa: Facebook dedicado ao futebol búlgaro