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Argentina 1-0 Suíça (a.p.): Ganhou Di María

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O RESCALDO

Não era a Argentina de Sabella se não fosse a inspiração individual a resolver o que o colectivo não consegue. Di María, já no prolongamento, apurou a alviceleste para os quartos-de-final do Mundial, onde irá defrontar o vencedor do Bélgica-EUA. Perante um conjunto suíço muito bem montado por Hitzfeld, os sul-americanos voltaram a ter dificuldades na criação ofensiva, acusando a falta de um médio que consiga fazer a ligação com o ataque (mais forte no transporte de bola). Valeu mais uma vez Messi e sobretudo Di María, o principal responsável pela vitória.

O início do jogo trouxe aquilo que se esperava. A Suíça apresentou um bloco baixo, com os extremos a darem muito apoio aos laterais, e a dupla Inler-Behrami a pressionar intensamente. A Argentina, obrigada a assumir as despesas do jogo, entrou com pouca dinâmica – Gago, que até fez o jogo menos mau neste Mundial, voltou a não estar à altura – e não conseguiu criar perigo para Benaglio. Pelo contrário, pertenceram aos suíços as melhores ocasiões da primeira parte. A velocidade de Shaqiri e Mehmedi deu problemas à frágil defensiva argentina, que viu Xhaka e Drmic (completamente isolado) rematarem para defesas de Romero.

A festa da alvi-celeste Fonte: FIFA
A festa da alvi-celeste
Fonte: FIFA

Na segunda parte, a Argentina surgiu mais intensa e assumiu o controlo do encontro. Rojo, aproveitando o facto de Xhaka estar mais preocupado em fechar o espaço interior, deu muita profundidade ao flanco esquerdo e permitiu que a equipa criasse várias oportunidades para marcar (Benaglio esteve inspirado e fez inúmeras defesas de grau de dificuldade elevado). A Suíça praticamente deixou de atacar, e essa situação acentuou-se com a entrada de Gelson Fernandes para ocupar o lado direito. No entanto, Sabella não arriscou nada, e o jogo seguiu para prolongamento.

Ao contrário do que se poderia esperar, a Argentina não teve um domínio avassalador no prolongamento. A Suíça, claramente à espera dos penáltis, conseguiu ter alguma posse de bola e pôde respirar. Aos 118 minutos, Palacio tirou a bola a Lichsteiner, Messi arrancou e assistiu Di María para o golo. A história do jogo não ficou por aqui: a equipa de Hitzfeld não baixou os braços e ainda viu Dzemaili acertar no poste. A estrelinha protegeu uma Argentina que voltou a contar com as individualidades para superar uma equipa colectivamente bem mais organizada.

A Figura:

Ángel Di Maria – Resistência, vontade e qualidade técnica que nunca mais acaba. O golo que marcou foi um prémio justo para aquilo que fez durante os 120 minutos. O extremo argentino, sem fazer uma exibição perfeita, foi o mais inconformado da alviceleste (fez vários remates perigosos) e criou inúmeros desequilíbrios na defesa suíça.

O Fora-de-Jogo:

Stephan Lichsteiner – O lateral direito até estava a fazer a exibição mais conseguida neste Mundial (está bem longe da melhor forma), mas a perda de bola aos 118 minutos acabou por ser fatal para a equipa suíça. Do outro lado, Ricardo Rodríguez mostrou que, aos 21 anos, já é um dos melhores laterais-esquerdos do futebol mundial. Fez uma exibição quase irrepreensível, destacando-se pela capacidade de desarme, inteligência posicional e qualidade na saída de bola.

Jogadores que Admiro #21 – Di María

jogadoresqueadmiro

Para onde vais, Di? O que é que este vai fazer? Está doido… Di María leva-nos ao desespero. Engana-nos. Quando o adepto, no alto da sua sabedoria futebolística e irracional doença pelo clube, se transforma em treinador e aconselha os jogadores a fazerem x ou y no relvado, Di María ri-se. Faz sempre ao contrário. Cria o seu jogo, foge das predefinições, das regras, dos técnico-tácticos, do futebol como xadrez. Desde o Benfica que assim é. Inventa novas jogadas no momento, reduz as improbabilidades de aquilo que ele imaginou acontecer ao lindo momento em que acontecem mesmo à frente dos nossos olhos. É por isso que é um jogador ímpar nos dias de hoje. Não é o melhor, nunca vai estar em muitas capas de jornais, nem sequer levar uma Bola de Ouro para Rosário. Pouco importa. Mas quantas Bolas de Ouro valem a adoração eterna do adepto? A bola de Di María é a verdadeira, que cheira a relva e tocou as redes.

Ángel Di María Fonte: ESPN
Ángel Di María
Fonte: ESPN

Os milhões levaram-no daqui para Madrid, mas para a memória e regalo não há milhões que cheguem. Mourinho amarrou-o a uma praia que não a sua. Tirou-lhe o repentismo, a magia, o carregar a equipa às costas. Ancelotti deu-lhe outra vida e ei-lo na melhor fase da sua carreira. Desde trás, cada arrancada do argentino é ir matando o adversário de forma avassaladora. Ancelotti rapidamente o percebeu e Angelito tornou-se numa peça fundamental na manobra ofensiva madrilena e poucos eram os ataques que não eram iniciados ou conduzidos por ele. Mais evoluído tacticamente, à fórmula do génio sem travão juntaram-lhe a razão e algum gelo nas veias para ser melhor. O resultado foi o de um dos jogadores mais desequilibradores do mundo.

Di María é, de certa forma, um jogador à parte de qualquer equipa em que jogue. Mesmo num jogo que corra mal à equipa por mil razões que a razão do adepto desconhece, terá sempre o argentino capaz de lhe arrancar um sorriso por aquela jogada, aquela rabona, aquele golo que fica cá dentro, eternamente guardado. Gosta do risco e não era tão fenomenal sem ele. Porque se o risco existe, existe para ser ultrapassado e ele fá-lo de forma superior. Por tanto arriscar, momentos terá em que a ira do seu adepto prevalecerá sobre a admiração. Mas depois de um disparate ou de um risco demasiado, virá a bonança de mais quatro-cinco-seis adversários deixados para trás, como um menino feliz a correr nas pampas. E porque este jogo se faz destes momentos, que explicados por palavras parecem sempre menores, quem pode censurar Di María? Eu, nunca.

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Alemanha 2-1 Argélia (a.p.): Eficácia germânica deita por terra o sonho argelino

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O RESCALDO

Argélia e Alemanha entraram para este encontro com ambições antagónicas. Enquanto os africanos tentavam manter vivo o sonho de chegar aos Quartos-de-Final para continuar a superar os argelinos, os germânicos tentavam não desiludir o povo alemão, cumprindo aquilo que era esperado à partida para este jogo: vencê-lo. O favoritismo pendia, à priori, para a selecção do velho continente. A superioridade táctica e técnica, assim como a experiência, iriam entrar em confronto com a atitude, crença e raça argelinas. Mas a distância existente entre a qualidade das duas formações dissipou-se com os minutos iniciais. A Argélia entrou sem medo, pressionante e destemida, criando algumas oportunidades de golo. Porém, a Alemanha, que pareceu surpreendida com a forte entrada dos argelinos, não se soube encontrar e permitiu que se abrissem espaços na sua defesa que por pouco não acabaram dentro da baliza.

Até à meia hora de jogo, a Argélia esteve por cima e até chegou a marcar um golo através de um excelente cabeceamento de Slimani, jogador do Sporting, ao minuto 14, mas o lance foi bem anulado por posição irregular do avançado argelino. Esta ocasião animou os argelinos e fê-los acreditar em que era possível discutir este jogo olhos nos olhos com os germânicos. A equipa alemã foi tentando responder mas foi a selecção africana que esteve sempre mais perto do golo, através de ataques rápidos e boa circulação da bola. Neuer defendeu categoricamente a baliza dos alemães, evitando o golo por diversas ocasiões, tendo reagido como um autêntico defesa em duas situações em que se viu obrigado a sair da grande área para interromper o ataque argelino.

A selecção germânica começou a organizar-se e os restantes 15 minutos da primeira metade do encontro foram dominados pelos alemães, que estiveram perto do golo por diversas ocasiões. A falta de eficácia e Mbolhi foram os responsáveis por o nulo se ter mantido até ao final dos primeiros 45 minutos.

O intervalo chegou e a imagem que ficou da primeira parte foi a de que a Argélia estava em campo para discutir o resultado e pôr a Alemanha em sentido. Foram 45 minutos muito bem disputados. Um futebol muito bem praticado de parte a parte, fazendo qualquer adepto desta modalidade ficar colado ao ecrã à espera de mais 45.

As duas formações estiveram em pé de igualdade ao longo de toda a partida. Fonte: FIFA
As duas formações estiveram em pé de igualdade ao longo de toda a partida.
Fonte: FIFA

Na entrada para o segundo tempo, Joachim Löw mexeu na equipa da Alemanha e fez entrar Schürrle para o lugar de Götze. Do outro lado, a selecção da Argélia entrava em campo com o mesmo onze que tinha ido para os balneários. Os germânicos entraram mais fortes e estiveram perto de abrir o marcador, com destaque para um remate de meia distância de Lahm, aos 55 minutos, que só não entrou porque Mbolhi fez a melhor defesa da noite, desviando a bola para canto. A Argélia aguentou-se e respondeu muito bem, não baixando os braços em nenhum momento e mantendo sempre o rigor táctico e a raça que fizeram com que a Alemanha se apercebesse de que esta eliminatória seria um osso duro de roer. Cada vez que havia um lance numa baliza havia uma resposta do outro lado. Um jogo intenso, sem momentos mortos e muito bem disputado em todas as zonas do terreno, com lances que faziam as delícias de quem assistia ao encontro. Os minutos finais da segunda parte, assim como os da primeira, voltaram a pertencer ao alemães, que foram crescendo com o tempo, mas a raça e o querer dos jogadores argelinos levaram o jogo para prolongamento. O sonho da formação africana parecia possível e esteve perto de acontecer, mas a experiência dos alemães não permitiu que assim fosse.

Havia 30 minutos pela frente que, tendo em conta os 90 anteriores, se adivinhavam frenéticos. Ninguém se arriscaria a prever quem iria sair vencedor. Mas a Alemanha acordou e logo após o início do prolongamento, aos 92 minutos, fez o primeiro golo. Um bom lance do ataque germânico acabou nos pés de Scürrle, que rematou de forma atrapalhada, de calcanhar, para o fundo da baliza defendida por Mbolhi.

A selecção argelina tinha 28 minutos para dar a volta a esta situação. A qualidade do futebol apresentado pelas duas equipas continuou a existir e fez com que a Alemanha não se conformasse com o 1-0 e fosse à procura do golo da tranquilidade. Com o passar do tempo, o jogo foi ficando mais partido, com lances de contra-ataque constantes. Foi já no fim do encontro, aos 119 minutos, que Özil, numa dessas jogadas de contra-ataque, acabou com as dúvidas e ampliou o resultado para 2-0. Os restantes dois minutos de jogo – os de compensação – serviram para repor alguma justiça no marcador e para que a Argélia fizesse o golo de honra aos 121 minutos, através de Djabou, que finalizou da melhor maneira um cruzamento vindo da direita do ataque argelino.

Fica para história um belo jogo de futebol, com duas equipas muito bem organizadas e merecedoras de um lugar nos Quartos-de-Final. Uma Argélia que lutou até ao fim e que nunca desistiu perante o gigante germânico, que não se deixou quebrar apesar da surpreendente força com que a selecção argelina abordou este confronto. A Alemanha segue em frente e terá de enfrentar uma poderosa França nos Quartos-de-Final. Quem diria, à entrada para este encontro, que este seria o melhor jogo destes oitavos-de-final até à data? Eu não, admito.

A Figura:

Schürrle – o jogador do Chelsea entrou muito bem em campo, dando mais profundidade e dinâmica ao futebol germânico. Foi Schürrle quem desfez o nulo do marcador e permitiu à Alemanha respirar fundo e abordar o prolongamento com mais calma e segurança, sem ter de correr atrás do prejuízo.

O Fora-de-Jogo:

Brahimi – pedia-se mais ao jogador argelino que entrou nos minutos finais da segunda parte. Um jogador com tanta técnica como Brahimi podia ser o elemento que faria a balança pender para o lado argelino. Mas não só não o foi como não trouxe nada de positivo à selecção argelina.

França 2-0 Nigéria: Experiência vence ingenuidade

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O RESCALDO

O jogo começou com um ligeiro ascendente da Nigéria que, numa atitude temerária, desprezou a teoria dos favoritismos e quis ir à procura do golo. A França, pelo contrário, entrou com uma postura mais prudente, esperando para analisar o adversário. Com Pogba a orquestrar o jogo e a exibir-se algumas velocidades acima dos colegas, os franceses precisaram de apanhar um susto (golo bem anulado a Emenike por fora-de-jogo aos 19 minutos) para passarem a tomar conta da partida. Pouco tempo depois, Pogba protagonizou uma excelente jogada pelo meio, soltou para Valbuena e, já na área, concluiu com um volley a devolução do colega, a que Enyeama correspondeu com uma boa defesa.

Aos 38 minutos Evra agarrou Odemwingie num canto, num lance em que se justificava a marcação de um penálti a favor da Nigéria. O árbitro foi de outra opinião e, logo depois, mais uma vez Valbuena solicitou um colega na direita, desta vez Debuchy, que falhou por pouco. A França passava a dominar, ainda que sem criar muito perigo. A passividade da equipa, aliás, talvez também tenha passado pelo facto de Cabaye ser o homem mais recuado do trio do meio campo, em vez de Matuidi. Com o ex-Newcastle demasiado atrás, a França perde capacidade de organização e distribuição de jogo. Do lado da Nigéria, os jogadores mostravam uma boa dinâmica atacante com os rápidos extremos Musa e Moses, os laterais bastante participativos no ataque e Odemwingie a conferir algum critério a uma equipa por vezes demasiado ávida de chegar à baliza contrária. Ainda assim, Emenike quase conseguiu marcar, mas Lloris defendeu bem o remate do ponta-de-lança.

Na segunda parte a Nigéria entrou de novo por cima, mostrando sentir-se mais à vontade a atacar do que a defender. Com bola, os homens de Stephen Keshi jogam de forma rápida, fluida e destemida, ao passo que denotam alguma precipitação e desorganização na hora de proteger a sua baliza. Várias vezes os defesas quiseram sair a jogar perto da sua área e pressionados pelo adversário, em vez de optarem por processos simples. Contudo, aos 55 minutos a Nigéria teve novas razões de queixa: Matuidi entrou fortíssimo sobre Onazi (teve de ser substituído) e devia ter ido para a rua, mas levou apenas o amarelo. É nestas alturas que nos lembramos que o facto de a FIFA continuar a opor-se à tecnologia faz do futebol, em pleno séc. XXI, um desporto do séc. XIX. Ao serem (mal) ajuizados sem o recurso a repetições, este tipo de lances podem mudar injusta e irreversivelmente o rumo de um jogo.

frança
Qualidade, serenidade e experiência: a França segue para os quartos
Fonte: FIFA

A França mostrava-se, nesta altura, já não apenas entorpecida mas também intranquila. Os jogadores não ofereciam soluções e a equipa, quando recuperava a bola, não conseguia sair com ela controlada. A Nigéria, por seu turno, continuava a praticar um futebol agradável e surpreendente, que começou mesmo a ameaçar eliminar já hoje os franceses. Instalados no meio-campo adversário, os nigerianos dispuseram de uma boa oportunidade aos 64 minutos, com Odemwingie a rematar à entrada da área para boa intervenção de Lloris.

Porém, a partir dos 70 minutos tudo mudou: face aos primeiros sinais de cansaço do lado nigeriano, a França decidiu que era chegada a hora de mostrar em campo a sua superioridade teórica. Num lance precedido de uma falta a meio-campo, grande tabela entre Benzema e o recém-entrado Griezmann (a sua entrada para o lugar do apagado Giroud abanou o jogo), com Enyeama a desviar e Ambrose a salvar em cima da linha. O cerco francês à área contrária era cada vez maior, o que não impediu os nigerianos de se queixarem com razão de novo penálti: Matuidi carregou Musa na área, mas o árbitro mais uma vez não viu. Após novo desperdício de Benzema e de um remate de primeira de Cabaye que bateu na barra, o avançado do Real Madrid permitiu uma grande defesa a Enyeama, que desviou para canto. A seguir, bola batida por Valbuena, falha do guarda-redes e Pogba, com facilidade, fez o 1-0 aos 79 minutos. A Nigéria pagava agora a factura do seu ímpeto inicial e não conseguia reagir. O 2-0 surgiu quase no fim, com a defesa parada a ver Valbuena cruzar e Yobo a fazer auto-golo.

A Nigéria mostrou qualidade, mas faltou-lhe maturidade e capacidade para saber gerir os momentos do jogo; a França, mais experiente, soube esperar pelo período de maior desgaste do adversário para, com frieza, lhe desferir o golpe fatal. Num jogo pouco interessante de seguir e que valeu sobretudo pela atitude da Nigéria (enquanto durou), a vitória francesa acaba por ser justa, mas a vantagem mínima assentaria melhor. E fica sempre a dúvida sobre qual seria o rumo do jogo caso o primeiro penálti tivesse sido marcado…

A Figura:                                                                                                           

Valbuena – É verdade que caiu um pouco de produção na segunda parte mas, na pior fase dos franceses, mostrou sempre ser um dos jogadores mais inconformados. À falta de Ribéry é ele quem mais demonstra um futebol técnico e irreverente e, a par de Pogba, foi dos que teve mais sucesso a levar a bola para a frente e a confundir a defesa contrária. Esteve nos dois golos do jogo: no primeiro, foi ele que marcou o canto vitorioso; no segundo, é dele o cruzamento para o auto-golo de Yobo.

O Fora-de-Jogo:

Enyeama – Seria Giroud (decidiu quase tudo mal), não fosse o guarda-redes nigeriano ter falhado quando a equipa mais precisou dele. É certo que protagonizou algumas boas defesas, mas fica irremediavelmente ligado ao 1-0. Já tinha ameaçado o desastre com outra saída em falso, que a defesa conseguiu resolver. No segundo golo, também não teve uma boa abordagem ao lance.

Nota também para a equipa chefiada pelo árbitro norte-americano Mark Geiger, que tomou algumas decisões polémicas e sempre em prejuízo da Nigéria. A equipa derrotada pode queixar-se de dois penáltis que ficaram por marcar, para além da expulsão perdoada a Matuidi. Mais uma má arbitragem num Mundial que tem sido fértil em más prestações dos juízes. E será assim enquanto não houver recurso às repetições…

A arte de saber negociar

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atodososdesportistas

Ainda nem abriu o mercado de transferências e já a SAD “arrecadou” 27 milhões de euros (15M de Iturbe + 12M de Fernando – 80% de 15M). Se a transferência de Iturbe se deveu pura e simplesmente a uma cláusula que nunca se esperaria que viesse a ser activa (sim, porque com Lopetegui o “mini-Messi” teria uma verdadeira chance), a de Fernando tem outros contornos – uma autêntica jogada de mestre por parte da SAD azul-e-branca.

Pois bem, na minha opinião um jogador como Fernando nunca poderia sair, em condições normais, por um valor inferior a 25 milhões de euros. É de longe o melhor médio defensivo em Portugal e, também de longe, um dos melhores da Europa. Sabendo de antemão que o “Polvo” queria sair, o clube da Invicta esteve perto de perdê-lo a custo zero em Janeiro, para os citizens. É ai que entra a mestria de que tanto falo! Para ter algum retorno financeiro, os dirigentes portistas (decerto através do seu mais alto símbolo, Pinto da Costa) reúnem-se com Fernando, oferecem-lhe uma renovação com algumas (poucas) melhorias financeiras e garantem que o deixam sair por uma proposta “aceitável”. É claro que Fernando não queria, mas arriscar-se a sair em Janeiro “pela porta pequena” seria, no mínimo, desmedido.

E este não é um cenário novo. Temos o exemplo de Falcao, Hulk, James, entre outros, que renovaram antes de sair. No Porto, o comprar barato e vender caro, às vezes com preços mega inflacionados (veja-se o exemplo do maior “barrete” de sempre – Cissokho, que foi comprado por 300 mil euros e seis meses depois foi vendido por 15 milhões de euros), tem dado resultado e apenas falhou… no ano passado!

Agora comparemos esta transferência, limpa e sem contornos, com a de Garay, jogador de excelência em final de contrato que é vendido por uns “estratosféricos” 6 milhões. Alguns regozijam-se, outros dizem que “até foi um bom negócio” (os mesmo que, horas depois, vêm criticar a brilhante transferência – dadas as circunstâncias – de Fernando). Mas, meus amigos, estes são os factos: 50% do passe de Garay pertenciam ao Real Madrid, 10% a um fundo de investimento e com tudo isto o Benfica recebe cerca de… 2,4 milhões. Basta fazer contas. Esse é o valor de mercado de… Djalma? Kléber?

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Fernando é um dos melhores do mundo na sua posição
Fonte: fernandoregesfas.blogspot.pt

Uma suposição: ambas as transferências devem ter jogadores incluídos. Até aí o Porto fica melhor servido! Se do Zenit se avizinha a vinda do muito falado Luís Neto (que ao pé de Garay é um Jardel, não menosprezando), do City aposto que pode vir Javi Garcia, jogador espanhol que decerto não terá espaço no City na próxima época. Mas estas são apenas suposições arriscadas! Veremos…

Agora, digam-me, fosse Garay do Porto (quem me dera!), saíria ele por estes números irrisórios? Ou, mesmo com um ano de contrato, o clube azul-e-branco ainda faria entrar uns “agradáveis” 15/20 milhões limpos nos seus cofres? É a arte de saber mais do que os outros no mundo do futebol, meus amigos.

Todos sabemos que tanto Fernando como Garay são dos melhores do mundo nas respectivas posições e que valem o dobro daquilo que pagaram por eles (no caso do central, mais ainda!), mas, vistas as coisas no estado em que estão, o Benfica perde o melhor central do campeonato e o Porto perde o melhor médio defensivo. A diferença? “Alguns” milhões, só isso. Ah! E um campeonato mais pobre, de certeza!

E agora? Como será o Porto seis épocas depois, sem o “Polvo”? Também não estou muito preocupado com isso, pois ao que tudo indica Lopetegui já terá definido o seu alvo: quer um médio defensivo de transições rápidas (coisa que Fernando não era). No novo modelo que o técnico implementará (certamente igual ao que sempre usou nas equipas jovens que treinou), um jogador como o luso-brasileiro não se encaixava tão bem, pois as equipas de Lopetegui jogam com base na posse de bola acentuada, explorando “zonas-alvo” para penetrar, procurando uma basculação rápida da bola e fazendo-a “entrar” no momento certo. Herrera, Tozé (caso fique), Mikel, Oliver (segundo a imprensa, já garantido) e o próprio Defour (se for o mesmo que na recta final da época) são jogadores com esse perfil. Não veremos um “trinco” assumido; veremos um jogador estilo Busquets no Barcelona ou Touré no Manchester (salvo as devidas distâncias): jogadores de missões mais defensivas mas que são pedras fundamentais na construção de jogo ofensivo das respectivas equipas. E isso Fernando não dava ao Porto – era o jogador que estava “em todo o lado” a “tapar buracos” (daí a alcunha).

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Como será o Porto sem Fernando?
Fonte: fernandoregesfas.blogspot.pt

Adoro o estilo de jogo de Fernando, mas, a ter de sair, penso que saiu na altura indicada, pois a “Fernando-dependência” do Porto poderia não ser benéfica para este “novo” plantel.

Desejo tudo de bom ao Fernando e agradeço-lhe tudo aquilo que fez enquanto jogador do Porto. Foi enorme! Pode ser que agora que ele saiu do Porto percebam que ele é um dos melhores do mundo na sua posição, como aconteceu com Hulk, James, Moutinho, Pepe ou Falcao depois de abandonarem o Dragão. O costume com jogadores do Porto…

Para finalizar, volto a dizer que o Porto fez (mais um) milagre, tendo em conta o negócio que poderia ser feito. Agora esperemos que acertem nas contratações deste ano, como tem sido habitual! Curiosidade final: não só o Porto tem tantos jogadores no Mundial como Benfica e Sporting juntos, como tem um jogador e um ex-jogador nos três melhores médios da fase de grupos: Herrera e James (que é, de momento, o melhor marcador)!

Vamos Porto!

Costa Rica 1-1 Grécia (5×3 g.p.): Gregos beberam do seu próprio veneno

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O RESCALDO

Costa Rica e Grécia encontravam-se naquele que era o duelo mais improvável de se imaginar nos oitavos-de-final. A Costa Rica não precisava de apresentações. Para muitos o saco de porrada do grupo da morte, agigantou-se e fez de três campeões do mundo equipas banais. Do outro lado, a Grécia. Fernando Santos, adorado como um Deus, subiu ao Olimpo depois de ter apurado os gregos pela primeira vez para os oitavos-de-final num jogo à imagem dos gregos, de sofrimento e raça. Seria um encontro interessante para ver como se comportaria a Costa Rica. Nos outros jogos, os costa-riquenhos jogaram contra equipas que assumem o jogo, mas hoje enfrentariam uma equipa que joga a partir da defesa e no contra-ataque e teria de ser a Costa Rica a assumir o jogo. Uma coisa seria certa, quem passasse faria história no seu país.

E foi mesmo assim que a Grécia se comportou na primeira parte. Muitos dirão que é um futebol feio, mas a Grécia não tem armas para mais. Os gregos sentem-se bem a segurar o jogo e partir para o contra-ataque, dando o controlo ao adversário. A Costa Rica viu-se em dificuldades para contrariar a estratégia grega. Fernando Santos ganhava na primeira parte ao povoar o meio-campo com três elementos, que por vezes eram cinco, com a participação dos laterais. Ao intervalo, o empate a zero era o espelho do jogo. De baixa qualidade, com a Costa Rica a não conseguir impor o seu jogo e com dificuldades neste papel de ter de assumir o jogo. Os gregos até estiveram melhor em campo. A jogar como queriam, sempre no contra-ataque, até tiveram a melhor oportunidade do primeiro tempo.

O segundo tempo mostrou uma Grécia mais perigosa nos minutos iniciais, mas quem marcou foi a Costa Rica, por Bryan Ruiz, na primeira vez em que foi à baliza. A fazer lembrar uma certa equipa do mediterrâneo que também já ganhou muitos jogos assim. A Costa Rica acordou, viu na jogada a seguir um penálti que não foi marcado (mais um erro a juntar a muitos outros), mas a expulsão de Duarte acabou com o ímpeto costa-riquenho e trocou os papéis das selecções. Agora era a Costa Rica a defender, a fazer de Grécia,  e os gregos tinham de tomar conta do jogo. Arriscaram; Fernando Santos meteu Mitroglou e Gekas, mas parecia que podiam fazer mais. Apesar de ter o controlo, a Grécia não fazia a pressão que se esperava e a Costa Rica ia aguentando. Quando se parecia que os costa-riquenhos iam continuar a sua grande aventura no Mundial, Sokratis marcou, já nos descontos, e levou o jogo para prolongamento. Outra vez a Grécia a ser feliz nos minutos finais.

A tristeza de Gekas Fonte: FIFA
A tristeza de Gekas
Fonte: FIFA

Os deuses estavam com os gregos, que mais uma vez fizeram um jogo à sua imagem. Sofredores, crentes, nunca baixaram os braços. No prolongamento, seria a Grécia a dominar, como todos esperavam, mas sem criar grandes oportunidades. Quase sempre a apostar nas bolas paradas ou em cruzamentos, os gregos mostravam vontade mas não assustavam a Costa Rica, que ia controlando o jogo como podia. Karagounis era o comandante deste exército grego. Incrível como aos 37 anos ainda se mostra fresco. O grande momento do prolongamento foi a defesa de Keylor Navas ao remate de Mitroglou, a fazer a mancha ao avançado grego no último minuto e a manter vivo o sonho .Chegavam os penáltis. Aquele momento que ninguém quer, aquele momento onde o peso de um jogo fica nos ombros de um jogador. Todos acertaram, menos Gekas, que permitiu a defesa a Navas e atirou a Grécia para fora deste Mundial.

O futebol é curioso. Hoje quem jogou à defesa, porque teve de segurar o resultado, foi a Costa Rica. Uma exibição que fez lembrar uma certa selecção europeia, que até ganhou um europeu assim. Hoje os papéis trocaram; a Grécia tomou conta do jogo mas provou do seu próprio veneno. Injusto para os gregos, que mereciam ganhar nos 120 minutos, mas um prémio para a Costa Rica, que soube aguentar.

Fernando Santos sai de cabeça erguida. Fez história com os gregos e mostrou o porquê de ser adorado por eles. Fez tudo para passar, mas hoje era dia não. Quanto à Costa Rica, começam a faltar elogios para esta super equipa. Acreditaram no seu próprio trabalho quando ninguém mais acreditava e estão nos quartos-de-final com toda a justiça. Aconteça o que acontecer, esta equipa ganhou a admiração dos adeptos. Vem aí a Holanda, mais outro teste para estes enormes jogadores, e coloca-se a questão. E porque não? A partir de agora, todos os sonhos são possíveis.

A Figura

Keylor Navas – É difícil apontar só um jogador. De ambos os lados, tivemos grandes figuras, mas o guarda-redes Navas foi decisivo. Teve duas grandes defesas, uma no fim do prolongamento, e defendeu o penálti. Mostrou por que razão foi eleito o melhor guarda-redes da liga espanhola.

O Fora-de-Jogo

Benjamin Williams – Mais um caso. Logo a seguir ao golo da Costa Rica, devia ter sido marcado penálti para os costa-riquenhos e aí a história poderia ter sido diferente. Já são vários erros neste Mundial.

Holanda 2-1 México – Laranjas deram sumo!

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O RESCALDO

O duelo entre Holanda e México adivinhava-se muito intenso e equilibrado. De um lado estava o melhor ataque do Mundial (Holanda, com 10 golos marcados); do outro, a melhor defesa da competição (México, tal como a Costa Rica, com apenas 1 golo sofrido). Ambas as equipas surpreenderam durante a fase de grupos, apresentando um nível futebolístico mais alto do que aquele que delas se esperava à partida, e chegaram aos oitavos-de-final com muita confiança e legítimas aspirações a continuar na senda do sucesso.

Hoje, em Fortaleza, o 3-5-2 de Miguel Herrera superiorizou-se sempre ao 3-5-2 de Van Gaal. O treinador mexicano apostou no onze habitual, incluindo Salcido na posição do castigado Vásquez; o timoneiro holandês insistiu em Kuyt a lateral-esquerdo e substituiu Janmaat por Verhaegh no lado direito da defesa.

Durante a primeira parte, num jogo disputado a um ritmo relativamente baixo e com as equipas tacticamente encaixadas, foi o México a chegar mais vezes e com mais perigo à baliza adversária – Cillessen, algo desconcentrado (teve duas saídas inexplicáveis), podia ter sofrido o golo em remates de Layun (logo no início), Herrera (rematou rasteiro a rasar o poste), Salcido (em boa posição, atirou muito por cima) e Giovani do Santos (com duas boas oportunidades).

No entanto, a Holanda estabilizou o seu jogo depois da pausa técnica aos 30 minutos e ainda construiu duas boas ocasiões para marcar – primeiro Van Persie falhou o remate após um domínio sublime; depois o capitão holandês roubou a bola ao central Rodríguez numa zona privilegiada e entregou a Robben, que acabou derrubado por Márquez e Moreno. Moreno saiu lesionado desse lance e cedeu o seu lugar ao portista Reyes ao intervalo – a segunda lesão da primeira parte, uma vez que Bruno Martins Inidi já havia entrado para o lugar de De Jong aos 8 minutos (obrigando Van Gaal a colocar Blind a trinco).

No regresso dos balneários, o português Pedro Proença apitou para o reatar da partida e os adeptos aztecas só precisaram de dois minutos para festejar o primeiro: Giovani dos Santos desembaraçou-se de Blind e, bem de fora da área, rematou cruzado para o 0-1. Um golaço do prodígio mexicano, a quem finalmente contabilizaram um golo neste Mundial (na primeira jornada tinham-lhe anulado dois golos limpos frente aos Camarões). Depois disso, o México segurou muito bem a vantagem, controlou o jogo e impediu uma reacção forte dos Países Baixos.

Gio dos Santos deu esperanças aos  aztecas  com um golaço  Fonte: Getty Images
Gio dos Santos deu esperanças aos aztecas com um golaço
Fonte: Getty Images

Essa reacção só se começaria a esboçar depois da entrada de Depay para o lugar do desinspirado Verhaegh – a substituição que se impunha e que mudou o jogo. A partir daí, a Holanda começou a jogar em 4-3-3 (defesa com Indi na esquerda, Vlaar e De Vrij no meio e Kuyt na direita; Blind, Wijnaldum e Sneijder no meio-campo; Depay e Robben bem abertos nas alas e Van Persie no centro do ataque) e a Holanda passou a mandar na partida. O primeiro sinal de perigo foi dado logo a seguir, com Ochoa a defender contra o poste, por instinto, um remate de De Vrij. Os extremos da Holanda impediam Aguilar e Layun de subir no terreno e Miguel Herrera trocou Gio dos Santos por Aquino, que veio dar velocidade e intensidade à asa direita do México. Com o México numa espécie de 5-1-3-1, com Salcido como pivot, Aquino e Guardado a fechar nas alas e Herrera como responsável pela ligação a Peralta, a Holanda continuou a controlar o jogo e Ochoa começou a justificar o título de Man of the Match atribuído pela FIFA com excelentes defesas.

Já com Chicharito e Huntelaar em campo, refrescando os respectivos ataques, a pressão dos neerlandeses surtiu efeitos práticos: na sequência de um canto, Sneijder, com uma bomba, reestabeleceu a igualdade aos 88 minutos. E quando já todos esperavam o prolongamento, eis que Robben arranca um penalty a Márquez depois de um fantástico lance individual. Huntelaar, com nervos de aço, converteu a grande penalidade e levou a Laranja Mecânica aos quartos-de-final, para desespero dos aztecas, que estiveram pertíssimo de eliminar os europeus.

O México foi das selecções que mais prazer me deu ver jogar neste Mundial’2014. Com uma equipa muitíssimo bem organizada e com intérpretes fantásticos (não conhecia Vásquez, Aguilar e Layun e fiquei rendido ao seu talento; Ochoa, Márquez, Moreno, Guardado, Herrera, Peralta e Dos Santos deram mais do que eu esperava), La Verde merecia outra sorte. Foram guerreiros, lutaram até ao fim e deixaram uma imagem muitíssimo positiva do seu futebol. Estão, sem dúvida alguma, de parabéns pela sua campanha.

A Holanda… bom, a Holanda tem, em teoria, a passadeira estendida até às meias-finais, uma vez que vai apanhar pela frente o vencedor do Grécia-Costa Rica e é claramente favorita. Com um futebol versátil e pragmático e três jogadores brilhantes na frente, tudo se pode esperar desta inteligente formação de Van Gaal.

Arjen Robben tem sido uma das figuras deste Mundial  Fonte: Getty Images
Arjen Robben tem sido uma das figuras deste Mundial – hoje não marcou mas arrancou um penalty
Fonte: Getty Images

A Figura

Louis Van Gaal – entrou em campo com o esquema táctico com que chegou ao Brasil, o 3-5-2. Porém, em desvantagem, mudou o esquema táctico com uma substituição apenas e revolucionou Laranja Mecânica. A partir daí, a Holanda tomou conta do jogo, foi em busca do golo e acabou por triunfar. Mérito de Van Gaal, que soube abanar tacticamente a equipa e retirou os frutos dessa opção.

 

O Fora-de-Jogo

Paul Verhaegh – cumprindo a sua 3.ª internacionalização, estreou-se no Mundial’2014 num jogo de “mata-mata” – uma missão muito complicada. A verdade é que nunca entrou verdadeiramente no jogo. Concedeu muito espaço a Layun durante o primeiro tempo, desequilibrando a equipa, e acabou por sair no início da segunda parte.

O início da recuperação?

cab desportos motorizados

Regresso a casa para mim é quase como regressar à vida no que toca a ver desporto na TV. Acordar e poder ver o GP da Holanda em Moto3 é muito bom para malucos como eu, que nada têm que fazer, e ainda melhor fica quando temos um português em destaque na prova. Miguel Oliveira ficou em terceiro nesta prova do Benelux depois de uma grande recuperação, pois partiu de 13º; o resultado ainda podia ter sido melhor se não tivesse cometido um pequeno erro na entrada para a chicane final, que lhe custou o segundo lugar.

Em entrevista ao nosso site (para ler aqui), o piloto de Almada dizia que pretendia lutar pelos três primeiros da classificação e, se possível lutar, pelo título; quem me quis ouvir depois desta entrevista talvez se lembre de eu considerar que estes eram objetivos um pouco altos para a moto que o português tem – e neste caso é mesmo a moto, porque o piloto tem qualidade mais do que suficiente. Até agora, infelizmente, tenho tido mais razão do que Miguel; este foi o primeiro pódio da temporada e encontra-se na oitava posição da tabela, com 53 pontos (menos 64 pontos do que o líder e menos 57 que o terceiro classificado). Numa altura em que estamos sensivelmente a meio da temporada (este foi o oitavo GP de dezoito), as previsões de poder lutar pelo título não são as melhores, mas com as melhorias evidentes da moto (esta foi a apenas a terceira vez que o português ficou no TOP10, sendo que duas delas foram nos últimos três GP) pode ser que a consistência dos resultados aumentem e o almadense ainda suba mais na classificação até ao final da temporada.

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A foto do pódio na Holanda
Fonte: motogp.com

Na categoria principal temos tido um total domínio do atual campeão do mundo. Marc Márquez venceu todos os oito GP até agora disputados e está a mostrar que o título da temporada passada não foi um simples acaso. O piloto da Honda está neste momento com 72 pontos de vantagem do segundo classificado, o carismático Valentino Rossi. Márquez, de 21 anos, parece ir lançado para o bicampeonato e assim dar o segundo título seguido à Honda e o terceiro espanhol (Jorge Lorenzo em 2012). Vamos ver se não haverá um domínio como aconteceu com a Red Bull e Sébastien Vettel, até esta temporada, e com Michael Schumacher e a Ferrari. Por falar neste piloto alemão, parece que o pior já passou, e continuamos à espera da recuperação total do piloto.

Colômbia 2-0 Uruguai – Temos Candidato!

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O RESCALDO

A selecção uruguaia voltou ao emblemático Maracanã, onde se sagrou campeã do mundo há cerca de 64 anos. Hoje, em vez de festejar… foi o bombo da festa, fazendo parte de um episódio histórico da selecção colombiana, que alcança, pela primeira vez, os quartos-de-final de um Campeonato do Mundo. Os cafeteros derrotaram a celeste por 2-0.

Ciente do quão mais fraca a ausência de Suarez tornaria a sua formação (o favoritismo deixou de ser repartido e passou para o lado da Colômbia), a selecção uruguaia tentou recorrer à agressividade nos primeiros minutos de jogo, com Álvaro Pereira e Arévalo Rios em evidência nesse campo, na tentativa de intimidar, e consequentemente limitar, a (muita) qualidade técnica dos executantes contrários, especialmente James Rodríguez e Juan Cuadrado…

…  e se isso pareceu ter efeitos imediatos, não se verificaram resultados a longo prazo pois a Colômbia foi mantendo e circulando o jogo (73 % de posse de bola) no meio-campo contrário, ganhando confiança com a bola nos pés, tentando a sua sorte em remates de longe (Zuñiga foi o principal municiador, “centralizando” o seu posicionamento quando Aguilar descaia para a lateral direita) ou em situações de desposicionamento contrário. Uma estratégia que se revelou frutífera, pois foi através do primeiro “modo” que se inaugurou o marcador, numa jogada que pode muito bem ter sido treinada numa das 46 praias do Rio de Janeiro – Aguilar ganha de cabeça uma bola cortada por Álvaro Pereira e assiste James, que, fora da àrea, pára no peito, e sem deixar cair o esférico dispara com força e colocação (a bola bateu na trave) para a baliza de Muslera, candidatando o tento a melhor do Mundial.

O Uruguai não conseguiu reagir ao golo contrário, pois, apesar de ser forçado a correr atrás do prejuízo e a alterar a forma de chegar às redes contrárias, não conseguiu deixar de depender do erro contrário para executar contra-ataques rápidos e foi obrigado a optar pelos lançamentos longos em virtude de uma formação colombiana pressionante (mesmo estando a vencer) na primeira zona de construção contrária e bem organizada quando o adversário conseguia invadir o seu meio-campo, incapacitando-o de criar oportunidades de perigo.

Uma postura notável e digna de uma formação que sabe ter o peso dessa responsabilidade que é o favoritismo. Comportamento que se manteve após o segundo golo (envolvência ofensiva notável, atravessando, horizontalmente, a entrada da àrea contrária e que terminou de forma fantástica: cruzamento de Armero, Cuadrado “aparou” de cabeça, e James deu o toque de final) e que se polongou para o resto do encontro, de nada servindo as tentativas de desespero de Tabarez na busca de um empate (começara em 5x3x2, acabara em 2x4x4, com os laterais, sobretudo Maxi, a funcionarem praticamente como extremos) que, a acontecer, estaria completamente desenquadrado com um encontro dominado pela Colômbia a todos os níveis, numa revelação de personalidade e carácter com e sem bola, em vantagem ou à procura dela. Temos candidato.

Com o bis de hoje, James ficou isolado na lista dos melhores marcadores do Mundial'2014  Fonte: Getty Images
Com o bis de hoje, James isolou-se na lista dos melhores marcadores do Mundial’2014, com 5 golos
Fonte: Getty Images

A Figura

Quando um jogador está em boa forma, as coisas não podem correr mal. James Rodríguez é a ilustração disso mesmo, “monopolizando” os golos da sua selecção com o talento (soberbo primeiro golo) e oportunismo (estava bem colocado no segundo). Para além disso, voltou a espalhar o perfume do seu futebol e reforçou as apetências naturais para jogar a número 10, não se acanhando perante a responsabilidade de dirigir um ataque no qual incide a ilusão de cerca de 48 milhões de adeptos.

 

O Fora-de-Jogo

Mario Yepes esteve envolvido em “sururus” com Diego Fórlan e Diego Godín. Característica de jogador sul-americano, fruto de sangue latino e ilustração da competitividade, mas também sinal de imaturidade e falta de controlo de uma figura que, para além de ser o capitão da sua selecção desde 2008, leva 38 anos de idade e 20 de futebol profissional.

Brasil 1-1 Chile (3-2 g.p.): Os postes fizeram esquecer a traição de Hulk

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O RESCALDO

Vestiram hoje de amarelo e vermelho os artistas que nos proporcionaram três horas de fé, alegrias e tristezas para alguns, de incerteza para todos, de futebol, enfim, para os fãs que anseiam pela repetição deste espectáculo com outras cores e outras nacionalidades mas com a mesma beleza nos próximos dias. De um lado, os meninos predestinados que jogam desde que se lembram na favela, na estrada, no descampado onde se possam colocar duas pedras e uma bola, que é só disso que se trata o futebol; aqueles que apontam como um dos conjuntos de maior valia individual. Do outro, os guerreiros organizados (que Sampaoli não gostará de ver as suas virtudes limitadas à vontade contagiante que existe nos chilenos), os escolhidos por um povo que se aguenta nas minas durante dias a provar que os impossíveis só o são se assim eles o permitirem; aqueles que apontam como um dos conjuntos de maior valia colectiva.

Foi de forma equilibrada que se viveram os primeiros minutos deste embate de – mais do que países – estilos futebolísticos distintos. O Chile parecia mais confortável sabendo que o Brasil iria ter de agarrar a bola e mostrar àquele estádio inteiro que queria ganhar como sempre ganhou, com qualidade, com bola, com a magia de Neymar, que houve sempre um mágico por trás do sucesso brasileiro. Eu, por volta dos 15 minutos, já algo impaciente, perguntava: e o Óscar?

Pouco depois, aos 18, eis que a confortável equipa do Chile se apanhou no momento em que se costuma sentir mais desconfortável: bola parada, jogo aéreo, golo de David Luiz a meias com Jara. 1-0 e o Brasil, astuto e preparado, quis mudar o jogo. Imitou a Holanda que pragmaticamente entregou as despesas do jogo à equipa do Chile há uns dias e ganhou dessa forma. Explorava-se a profundidade através de Neymar e Hulk mas, aos 31 minutos, eis que o mesmo Hulk trairia toda a ideia de Scolari com uma perda infantil perto da sua área que culminaria no golo de Alexis e no 1-1. A equipa do valor individual sofria um revés através de um erro… individual.

O empate do valor colectivo contra o individual  Fonte: FIFA
O empate do valor colectivo contra o individual
Fonte: FIFA

A partir daí até final dos 90 o jogo variou por fases em que as equipas se superavam e onde dois técnicos tentavam dar instrumentos aos seus jogadores para desbloquearem o empate. Mas… e o Óscar?, voltei a perguntar, até que o vi colado à linha, tímido, preso, triste. Oh Scolari, este também é teu menino e também o devias proteger. Sampaoli é que sem problemas mexia na equipa de forma inesperada mas efectiva: sai o ponta de lança Vargas e entra o trinco Gutiérrez. Passo atrás? Não. Ninguém chega à frente sem passar pelo meio, razão pela qual o treinador argentino ao serviço do Chile reforçou o meio-campo e passou a controlar melhor a partida. Scolari trocou Fred por um qualquer Éder brasileiro que Luís Freitas Lobo dizia poder apanhar pássaros cada vez que saltava. O jogo mostrou-nos que nem pássaros nem bolas para desalento de Hulk, que se queria recriminar e o tentou tantas vezes mas ora era Bravo a evitar o golo ora Jô que, nada bravo, desperdiçou um cruzamento milimétrico do 7 ex-Porto. Do outro lado, quem não desperdiçava uma única bola era Alexis que – e temos de gostar mesmo de algo para a proteger tão bem! – guardava a bola como talvez mais ninguém o faça actualmente neste mundo. Que exibição, miúdo!

O jogo seguiu para o prolongamento porque não houve clarividência e inteligência – Óscar, onde andas, craque? – para explorar os pontos menos fortes do adversário. Nos 30 que se seguiram descobrimos que aqueles mineiros disfarçados de futebolistas também eram humanos e sofriam de desgaste. Nada que se compare com o dos portugueses, claro está, mas notou-se a quebra física provocada pela intensidade máxima que colocaram em cada lance de cada jogo disputado até ao momento. O Brasil esteve por cima, procurou mais o golo mas, lá está, faltava Ósc… inteligência ao seu jogo e um pouco de Neymar também, que teve o seu dia menos bom hoje. Entrou Pinilla para o Chile e eis que o ex-Sporting quase deixou de ser o rapaz que marcou o golaço ao Alkmaar para ser o rapaz que marcou o golaço ao Brasil, mas o poste não deixou e permitiu a Hulk não ter pesadelos com o lance dos 31 minutos que o acompanhariam não fosse o Brasil ter acabado por ganhar.

Grandes penalidades, bem batidas por David Luiz, muito mal por Pinilla, com azar para Willian, que quis fazer bem demais, também mal por Alexis, que não merecia esse erro, irrepreensíveis de Marcelo e Aranguiz e de forma errada por Hulk, que nunca entendeu que um penalty é mais engenho do que força. O Chile voltou à decisão mas, no momento da verdade, Neymar teve a calma de quem joga na areia de São Vicente, onde cresceu, e Jara viu bem todo o Mineirão a olhar para si e continuou com o azar que o tinha feito empurrar a bola para a própria baliza ainda na primeira parte. Caíram, mas caíram de pé. O Brasil continua mas terá de depender menos dos postes se quer chegar ao título…

A Figura

Alexis Sanchez – Foi o melhor em campo, segurou o jogo do Chile, era o porto de abrigo do resto da equipa cada vez que precisava de subir e descansar. Atacou, defendeu, acompanhado ou sozinho na frente, recuou no campo, distribuiu jogo. Fez tudo… menos marcar o penalty. Não merecia.

O Fora-de-Jogo

Scolari – Não me podia ter roubado 120 minutos de Óscar assim, encostando o mais criativo que tem a uma linha que ele repulsa e que não lhe permite mostrar 20% do que sabe e pode fazer. Neymar não resolve sempre e, à falta do 10, o treinador tem em Óscar o seu elemento de maior valia ofensiva. Ainda vai a tempo de mudar, para bem dele próprio.