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Alemanha 2-2 Gana: Um empate com sabor amargo para os africanos

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O RESCALDO

Com um onze igual ao mesmo que defrontou (e goleou) Portugal, a poderosa Alemanha enfrentou hoje a actual melhor selecção africana: Gana. Uma selecção remodelada, “europeizada” e com um grande rigor táctico. Curiosamente, foram os ganeses a entrar melhor, mandando no jogo e tentando impedir, com linhas altas, que Lahm e Khedira conseguissem pegar na bola na primeira fase de construção do futebol germânico.

Com avançados muito móveis e de difícil marcação (Ayew, Atsu e Gyan), foi o ex-portista a criar a primeira situação de real perigo, com um remate depois de um bom trabalho, ao qual Neuer respondeu com uma grande defesa. Aos poucos, e explorando o contra-ataque quase sempre conduzido por Özil, a “frieza alemã” fazia-se notar, conseguindo chegar à área adversária com três ou quatro toques na bola.

Decorridos 30 minutos o jogo estava a ser, parafraseando o comentador Luís Freitas Lobo, um “xanax táctico”. Volvido um minuto, Neuer voltou a mostrar o porquê de ser um dos melhores guarda-redes do mundo: com um voo lindo, negou o golo a Muntari, que rematou “do meio da rua”.

Uma Alemanha descaracterizada, sem os seus princípios de jogo, estava a ser domada pela teia criada pelo timoneiro ganês, com os seus jogadores a pecar apenas nos excessos de foras-de-jogo em que se deixavam ser apanhados.

Intervalo no Castelão, com muitos adeptos (principalmente os alemães) certamente a estarem tristes por terem pago bilhete para um espectáculo que de espectáculo nada teve. Jogo demasiado táctico, lento e sem pressões, apenas com o conjunto africano a dar um ar da sua graça, embora a espaços.

À entrada para o segundo tempo, o treinador alemão, Joachim Löw, tentou alterar um pouco o rumo dos acontecimentos e fez entrar Mustafi para o lugar do desinspirado (como todo o conjunto germânico) Boateng, numa tentativa de dar mais profundidade ao jogo dos europeus. Por sua vez, o seu homólogo africano manteve tudo igual, satisfeito, certamente, com a exibição e o resultado.

Contra a corrente do jogo, aos 50 minutos, Mário Götze faz, num lance algo caricato, o primeiro golo do jogo: no meio dos centrais, após cabecear a bola como “mandam as regras”, de cima para baixo, esta foi embater-lhe no joelho esquerdo e acabou por fazer o golo. Em resposta ao golo sofrido, o treinador ganês fez entrar Jordan Ayew para o lugar de Boateng. E teve resultados! Um minuto depois, no meio de Mertsacker e Mustafi (que ficaram estáticos), André Ayew cabeceou (sim, esta foi mesmo de cabeça!) violentamente para o golo do conjunto africano. Estava feito o empate e, novamente, o jogo em aberto!

SURPRESA no Castelão! Gana deu a volta ao marcador através do capitão de equipa, Gyan, depois de um fantástico passe de Muntari. Uma vez mais, má abordagem por parte da defesa alemã ao lance.

Como resposta ao golo sofrido, Löw fez imediatamente “saltar” do banco Klose e Schweinsteiger para os lugares de Götze e Khedira, respectivamente. Que banco de luxo!

Klose festeja o seu 15º golo em Mundiais Fonte: Facebook FIFA
Klose festeja o seu 15º golo em Mundiais
Fonte: Facebook FIFA

Continuavam os treinadores a acertar nas substituições, e, cerca de dois minutos depois de entrar, Klose, na sua estreia neste Mundial, fez o golo na primeira vez em que tocou na bola, a desviar a bola para a baliza após um canto, onde, uma vez mais, o Gana demonstrou fragilidades defensivas. Klose tornava-se, então, no melhor marcador de sempre em fases finais de Mundiais, igualando Ronaldo, o Fenómeno. Em 25 minutos, quatro golos… Assim sim!

Os minutos finais foram de grande intensidade, com ambas as equipais já com o meio-campo “partido” e a jogar, essencialmente, através de bolas longas para os jogadores mais frescos em campo.E assim chegou ao fim a partida no Castelão. Sinal mais para os homens africanos que conseguiram anular, devido à sua organização, uma desorganizada Alemanha.

A Figura

André Ayew – O capitão ganês fez o que quis da defesa alemã, composta, inicialmente, por quatro centrais. Jogador a ter em conta, à atenção de Portugal!

O Fora-de-Jogo

Defesa da Alemanha – Com dois golos onde a passividade do quarteto defensivo germânico foi aberrante, o empate foi um mal menor para o conjunto europeu.

Argentina 1-0 Irão: A vitória da individualidade

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O RESCALDO

Uma equipa que quer conquistar o Mundial, outra que quer aproveitar este Mundial. Argentina e Irão encontraram-se na segunda jornada. Carlos Queiroz tinha afirmado que este era o jogo mais importante e mais esperado na história do Irão.

À partida, este parecia um jogo desequilibrado. O Irão tinha mostrado algumas deficiências no ataque quando jogou com a Nigéria, e a Argentina, mesmo não apresentando um bom futebol frente à Bósnia, tem sempre individualidades que resolvem o jogo. Mas se há algo que este Mundial tem ensinado é que os favoritos nem sempre vencem.

O Irão apresentou-se como tinha de se apresentar. A defender, com linhas baixas, oito jogadores na área. É o ponto forte deste Irão, a solidez defensiva que já tinha ficado patente no jogo com a Nigéria. A Argentina tinha o controlo do jogo mas encontrava dificuldades em ultrapassar a defensiva iraniana. O Irão aproveitava as bolas paradas para chegar à área argentina mas sem grande perigo. Ainda assim, o conjunto treinado por Carlos Queiroz acabou a primeira parte a criar perigo após um cabeceamento de Hosseini. O empate ao intervalo era um resultado justo. A Argentina esbarrava na muralha iraniana. Sem ideias, sem as suas individualidades a resolverem o jogo, a Argentina teria de fazer muito mais na segunda parte. Mérito para o Irão, que fechou o caminho a Messi e companhia. Jogou como tinha de jogar, a defender, mas continuava a pecar no ataque.

A segunda parte teve três grandes oportunidades de golo. E desengane-se o leitor se pensa que foram da Argentina. Dos oito homens a defender, o Irão cresceu. Motivados pelo empate, colocaram a postura defensiva de lado e começaram a acreditar em algo mais. Mais livres, mais perigosos, os iranianos usaram o contra-ataque para assustar a Argentina. Três grandes oportunidades que esbarraram em Romero. O guarda-redes argentino foi gigante, impedindo aquilo que seria um choque enorme no Mundo do futebol. A Argentina era uma sombra do que pode fazer. Os argentinos nunca se encontraram em campo e agora viam o Irão a assustar.

Aos 55 minutos aconteceu o caso da partida. Zabaleta tentou cortar a bola e acertou em Dejagah, dentro da área, mas o árbitro nada assinalou. Mais um penálti não assinalado e, curiosamente, são sempre para o lado dos mais fracos. Se tivesse sido na outra área, teríamos ouvido o apito do árbitro. Com o tempo a passar, a Argentina pressionou mais, mas a solidez defensiva do Irão continuava forte. Mesmo cansados, os jogadores faziam tudo para impedir que a Argentina marcasse. E quando não era a defensiva iraniana, era o guarda-redes. Haghighi, que joga no Sporting da Covilhã, mostrava-se intransponível e segurava o empate. Parecia que teríamos mais uma surpresa neste Mundial. Mas enquanto o Irão vale pelo seu todo e não tem nenhuma individualidade, a Argentina tem várias estrelas, entre as quais Messi. E quem tem Messi arrisca-se a ganhar jogos, mesmo não fazendo grandes exibições. E foi isso que aconteceu. Mesmo estando desaparecido durante grande parte do jogo, Messi pegou na bola, já nos descontos, e de longe acabou com as esperanças de Carlos Queiroz em conseguir o empate, levando os argentinos para os oitavos.

Messi resolve Fonte: Facebook da FIFA
Messi resolve
Fonte: Facebook da FIFA

Um balde de água fria para o Irão e um sabor a injustiça. Os iranianos fecharam os caminhos, anularam a Argentina durante vários momentos e até tiveram as oportunidades mais perigosas do jogo. Ficou também um penálti por assinalar, que mudaria a história do jogo. O Irão pode não ter estrelas, mas tem um conjunto que luta até ao fim. Mas a Argentina tem Messi. E quem tem Messi…

A Figura:

Solidariedade iraniana – Onde estava um argentino, estavam dois ou três iranianos. Quando um falhava, outro ia corrigir. A imagem dos jogadores a abraçarem-se depois de cada corte realizado mostra bem como é esta selecção iraniana. Solidária, raçuda e com um espírito de grupo enorme. Queiroz afirmou que a estrela da equipa iraniana era a sua solidariedade e tem razão.

O Fora-de-Jogo:

Alejandro Sabella – Depois de ter falhado a abordagem no jogo da Bósnia com uma táctica estranha, hoje voltou a falhar. Demorou imenso a ler o jogo, demorou a fazer substituições e não arriscou quando tinha de arriscar. Hoje limitou-se a esperar que as individualidades resolvessem e isso aconteceu, mas quando elas não resolverem como será?

Força da Tática: A simplicidade Costa Riquenha

força da tática

A Costa Rica era apontada, de forma quase unânime, como a equipa que menos probabilidades tinha de passar a fase de grupos do Mundial 2014. Por um lado, porque se encontrava no grupo da morte com três ex-campeões mundiais – Itália, Inglaterra e Uruguai. Por outro, porque é uma equipa com pouca relevância no panorama internacional (o melhor que fez foi chegar aos oitavos de final, em 1990) e com jogadores maioritariamente desconhecidos ao comum fã de futebol europeu. Ninguém melhor, portanto, para mostrar ao mundo que a organização e o trabalho bem feito dão inquestionavelmente frutos.

Perante as palavras de Mourinho, que afirmou que a Selecção da Costa Rica não iria conseguir fazer uma outra surpresa, o técnico Jorge Luís Pinto foi esclarecedor: “Estou realmente surpreso que José Mourinho tenha dito algo assim. No início, alguns disseram que nem um ponto íamos conseguir. Sabemos que a Itália é uma seleção muito difícil de bater, mas estamos confiantes que iremos conseguir repetir o que fizemos no jogo anterior. Estamos a trabalhar na forma como podemos melhorar a nossa táctica, o jogo com bola, as transições e os erros que cometemos frente ao Uruguai. Vamos jogar ainda melhor do que fizemos frente ao Uruguai“. E, 90 minutos depois, frente a uma Selecção com o valor individual da Itália, tudo se confirmou. Melhoraram em quase todos os momentos do jogo. Sorte ou acaso? Trabalho, responde Jorge Luís Pinto.

O jogo frente à Itália, o melhor da sua história

A Itália no jogo contra a Costa Rica acabou com 11 foras de jogo. Este número revela duas coisas: a existência de uma linha defensiva irrepreensivelmente organizada pelos jogadores centro-americanos e… a incapacidade dos italianos em conseguir contorná-la. Durante a 2ª parte, período em que a Itália esteve sempre a perder, não se verificou uma única oportunidade de golo para a equipa de Prandelli. Estamos, assim, perante uma das principais qualidades desta Costa Rica: a capacidade de apresentar uma linha estável, inteligente, capaz de ajustar perante qualquer descompensação e sem medo de subir no terreno tanto quanto possível para encurtar o campo activo de jogo ao adversário. A linha em questão até é de cinco e o facto de ter mais um defesa do que é usual poderia constituir um factor de dificuldade acrescida (porque há mais um a poder errar no posicionamento), mas como se viu nestes dois jogos não é isso que se passa. Um golo sofrido (de penalty) em dois jogos, com o Uruguai e com a Itália, são dados reveladores.

Fonte: FIFA
Fonte: FIFA

Através das estatísticas oficiais divulgadas pela FIFA podemos constatar que, ao contrário do que se poderia prever, a Costa Rica aparece no Campeonato do Mundo como bem mais do que uma equipa que se limita a defender. O mesmo número de remates e apenas menos dois ataques perigosos do que a Itália são factos que ajudam a entender o sucesso deste conjunto. Mas como? Se é clara a afinação da última linha no momento defensivo, não podemos deixar de mencionar a atitude da linha do meio-campo, altamente pressionante inclusive no primeiro momento de construcção, ainda no meio-campo contrário. Se no 11 que o Uruguai apresentou no primeiro jogo não existia nenhum jogador capaz de organizar e pautar o jogo ofensivo da selecção de Suárez, na equipa italiana existia nada mais nada menos do que Andrea Pirlo. E De Rossi, e Marchisio, claro. Certo é que todos esses médios de grande qualidade não foram capazes de colocar sérias dificuldades ao adversário também devido à intensidade que o meio-campo costa riquenho exerceu. No processo defensivo há apenas a apontar a lenta adaptação à entrada de Cassano que, durante os primeiros 20 minutos da 2ª parte, conseguiu receber muitas vezes entre linhas e, assim, gerar alguns desequilíbrios. No entanto, por algum demérito da Itália, esses desequilíbrios nunca chegaram a constituir realmente perigo. A partir de certa altura um dos três centrais da Costa Rica passou a subir no terreno cada vez que Cassano descia para receber e essa correcção acabou por apagar o nº10 italiano do jogo.

No momento ofensivo, por sua vez, a destacar há sobretudo a simplicidade dos processos. É difícil ser-se assim tão simples, por mais paradoxal que possa parecer. A Itália nunca se encontrou ofensivamente porque optou sempre por caminhos complexos, de difícil exequibilidade ou por atalhos que acabavam invariavelmente por matar a jogada de forma precoce. A Costa Rica, pelo contrário, optou quase sempre pelo melhor caminho e por colocar a velocidade ideal no seu jogo. Estando claramente mais à vontade no momento da transição do que da organização, contrariou a teoria de que todas as transições têm de ser velocíssimas, verticais e exclusivamente através de passes de ruptura e no espaço. Uma transição pode perfeitamente ser feita de forma apoiada, saindo o passe de ruptura a aumentar a velocidade apenas na altura certa, quando foi descoberto espaço por explorar e/ou uma situação numérica de vantagem. De nada vale sair numa transição a toda a velocidade se não existir superioridade numérica ou espacial, pois são essas que geram os desequilíbrios. A base das transições é, aliás, a oportunidade que a perda de bola do adversário gerou e, assim, o número de jogadores da equipa contrária que se encontram desposicionados. Jorge Luís Pinto disse que ia trabalhar as transições e o resultado esteve à vista. Ora através de bolas mais longas à procura de Joel Campbell e da sua qualidade individual (o melhor jogador da sua selecção), ora através de saídas apoiadas sustentadas sobretudo por Bryan Ruiz ou Bolaños com constantes apoios frontais dos seus colegas. Sabendo bem dos seus limites, o segredo desta selecção foi ter a noção de que a simplicidade é o maior trunfo que podia usar. 

A flexibilidade táctica

Fonte: FIFA
Fonte: FIFA

Este Mundial 2014 trouxe consigo o ressurgimento de uma opção táctica em vias de extinção: os três centrais. À partida uma característica conservadora, utilizada em prol da solidez defensiva, a verdade é que os vários desenhos tácticos que utilizam os três homens mais recuados têm obtido excelentes resultados e, mais, excelentes exibições. A Costa Rica tem optado por um 3x2x4x1 com três centrais, dois laterais ofensivos (que recuam para a linha dos centrais no momento de organização defensiva), quatro médios (dois mais fixos e dois mais móveis, nas alas) e Joel Campbell, sozinho na frente, embora bem acompanhado pelos dois médios alas. A verdadeira virtude deste esquema predominantemente utilizado na América Latina é a sua flexibilidade e a forma como se desmonta em vários sub-esquemas consoante o momento do jogo praticado. Em organização defensiva geram-se duas linhas e aparece um 5x4x1 bem delineado. Pressão alta por parte da linha de quatro (mais o avançado) e colocação bem adiantada por parte da linha de cinco, de forma a evitar o espaço entre linhas (que, a meu ver, ainda é um factor que pode ser melhorado). Em organização ofensiva, por norma, o lateral do lado da bola envolve no ataque dando profundidade e isso faz com que o médio ala desse lado possa procurar espaços mais interiores e apoiar assim o avançado que de outra forma ficaria demasiado só. É também dada uma cobertura ofensiva muito importante por parte dos dois médios centros que procuram sempre gerar uma linha de passe segura e uma saída sem risco para o portador da bola. Este é um dos segredos que faz do futebol costa riquenho tão simples: homens a procurar a profundidade e as desmarcações de ruptura e homens a procurar a cobertura e os apoios frontais. Realce ainda para o lateral esquerdo Junior Diaz, do Mainz, que é quem mais envolve na frente, o que explica o facto de a Costa Rica atacar mais pelo lado esquerdo do que pelo direito.

Qual o futuro?

A uma equipa com o valor individual da Costa Rica não se poderá pedir mais do que o conseguido. Não se poderia, aliás, exigir sequer esta qualificação fantástica que Jorge Luís Pinto e os seus jogadores já conseguiram. No entanto, dado o nível apresentado e dado que terão mais tempo para melhorar ainda mais, nada é impossível nos oitavos-de-final para a equipa centro-americana. Principalmente porque o seu grupo emparelha com o de Colômbia, Costa do Marfim, Japão e Grécia, teoricamente o mais acessível. Depois de ultrapassar o grupo da morte, terá capacidade a Costa Rica para fazer frente a uns oitavos com uma equipa outsider? O técnico, no momento dos festejos, não deixou de sublinhar: “estou feliz mas ainda falta muito. Falta o melhor“.

O Passado Também Chuta: Juan Schiaffino

o passado tambem chuta

Começou o Mundial do Brasil e para além da vergonhosa cachaporra que as autoridades distribuem pela população com o fim de ocultar a pobreza extrema, temos a surpresa da orgulhosa Espanha encher um saco de batatas contra a Holanda. No passado, temos a lenda dos anos 50 quando o Brasil foi derrotado na final do Mundial, também realizado no Brasil, pelo rival vizinho Uruguai. O Rio de Janeiro estava engalanado para a melhor festa; o Estádio do Maracanã rebentava de euforia, mas a bola rolou e o Uruguai escreveu uma das páginas imortais que o Brasil jamais digeriu.

O futebol é um mundo de mitos. Nessa final nasceu ou apareceu um mito chamado Juan Schiaffino. Era um homem sem ofício como se descreveu mais tarde, mas o saber dar pontapés numa bola levou-o para o Penharol. Era filho de imigrantes. Maldini, companheiro seu no Milão, disse que tinha um radar na cabeça, mas além do radar tinha ainda um passe de tira-linhas ao serviço de uma visão de jogo espetacular. Protagonizou, na época, a transferência mais cara do futebol mundial. Chegou a Itália e ficou gravado para sempre nas lendas do Milão. A conquista de três campeonatos sempre foi cara no futebol italiano. No entanto, é no seu Uruguai onde está presente em cada recanto que respira este desporto.

Com o jovem Rivera Fonte: Wikipedia
Com o jovem Rivera
Fonte: Wikipedia

Vencer na catedral de um país como o Brasil, que assume o futebol com religiosidade extrema, leva imediatamente a ser considerado um Diabo. Ainda hoje o Brasil, quando pensa em Schiaffino, tem pesadelos. O curioso do caso é que o seu golo foi o primeiro do Uruguai, mas foi o golo que atemorizou o Maracanã. Pepe, como era e ainda é conhecido, era um jogador primoroso. No entanto, a seleção Uruguaia era conhecida pela garra liderada por Varela. Como em muitos jogos e em muitas equipas, Varela e Pepe tiveram um desencontro. Varela reclamou-lhe mais entrega, mais correr… Pepe, com serenidade, respondeu: “eu corro quando você me passe uma bola ao pé…”.

Instalado em Europa e integrado na equipa do Milão, cedo começaram as comparações, e na década dos 50 o ponto de comparação chamava-se Di Stéfano. Tal como Kopa ou outros, Schiaffino disputou o lugar do argentino Di Stéfano. No entanto, foi humilde e considerava que pelo facto de jogar em equipas grandes as coisas eram mais fáceis. Está considerado entre os melhores dez jogadores de sempre e todas as crónicas falam dele como um arquiteto de fantasias, tanto quando passava como quando goleava. Representou também a Roma. Ganhou uma Taça Latina, três campeonatos italianos e com a Roma ganhou uma Taça UEFA. No seu Uruguai ganhou quatro campeonatos e inundou o Brasil com um mar de lágrimas no Campeonato Mundial de 1950.

Honduras 1-2 Equador: Magia de Valência de olho nos oitavos

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O RESCALDO

No Arena da Baixada, em Curitiba, Honduras e Equador defrontaram-se na segunda jornada do Grupo E. Após a goleada da França por 2-5 frente à Suíça, hondurenhos e equatorianos entravam em campo a saberem que, com uma vitória, chegariam aos três pontos e consequente segundo lugar no grupo, abrindo assim perspetivas para o apuramento para os oitavos de final da competição. Por isso, não foi de estranhar a predisposição ofensiva com que as duas equipas entraram no terreno. Ainda assim, foi sob perspetivas diferentes que Luís Fernando Suárez e Reinaldo Rueda montaram as respetivas equipas: ainda que com um 4x4x2 em ambos os conjuntos, com Bengtson e Costly no ataque hondurenho e Valência/Caicedo a formarem a dupla ofensiva equatoriana, o modo como os dois conjuntos idealizaram a partida não podia ser mais diferente. Durante a primeira parte, foi o Equador a tomar as despesas da partida, apoiado no duplo pivô Minda e Noboa, que procuraram sempre potenciar um dos pontos fortes da equipa do Equador: o jogo pelas alas, com Jefferson Montero e Luís António Valência a funcionarem como principais flechas à baliza adversária. Do lado hondurenho, Rueda optou por um estilo de jogo mais direto, com Boniek Garcia e Espinoza a tomarem as despesas de um modelo que procura sempre o jogo para os dois avançados da equipa.

No primeiro tempo, foi com naturalidade que o Equador tomou conta do jogo. Sempre mais pressionante, com um meio campo de maior intensidade, e com Valência e Montero a privilegiarem o jogo pelas alas, a equipa equatoriana ia dominando a partida, ainda que sem criar verdadeiro perigo. Do outro lado, e com menos argumentos, as Honduras apenas procuravam o contra ataque, sendo que o apoio dos laterais e médios-ala foi fundamental para dar maior profundidade ao jogo ofensivo hondurenho. Depois de uma entrada em jogo mais forte do Equador, que culminou com uma oportunidade flagrante falhada por Enner Valência aos 19 minutos, as Honduras foram conseguindo subir linhas e, aos 31 minutos, após falha de Guagua, chegaram à vantagem no marcador, após excelente finalização de Costly perante o guarda-redes Dominguez. A vantagem durou pouco para os hondurenhos, que, apenas três minutos depois, sofreram o golo do empate. À segunda tentativa, Valência chegou mesmo ao seu segundo golo na competição, com um excelente sentido posicional após lance na direita de Paredes. Num primeiro tempo mais emocionante do que bem jogado, destaque também para a bola enviada ao poste pelo avançado hondurenho Costly, aos 45+2, num lance em que apenas o poste da baliza de Dominguez evitou nova vantagem da equipa de Rueda.

Na segunda parte, assistimos a um jogo mais agarrado: com uma limitação óbvia das duas equipas em colocar um ritmo elevado em campo, apenas alguns lances esporádicos foram a exceção a uns segundos 45 minutos de fraca qualidade. Destaque por isso apenas para um forte remate de Bengtson aos 60 minutos, que foi bem parado por Dominguez, que acabou por se revelar muito importante no triunfo equatoriano. Um triunfo que chegou aos 65 minutos, num livre direto cobrado por Ayozi e que culminou com o terceiro golo na competição de Enner Valência, a figura maior nos dois jogos do Equador no Mundial. Até ao final da partida, o espírito das Honduras não impediu nova vitória da equipa de Luís Suárez, que com apenas um milagre poderá escapar à eliminação na terceira jornada. Quanto ao Equador, não ficou uma imagem tão positiva como na partida contra a Suíça, mas para a história ficou o mais importante: a vitória. E com Enner Valência como figura central.

Enner Valencia a marcar o segundo golo Fonte: Getty Images
Enner Valencia a marcar o segundo golo
Fonte: Getty Images

A Figura:

Enner Valência –  É um avançado que não se esconde do jogo e por isso não é de estranhar que, após duas partidas, seja o único jogador capaz de fazer os equatorianos festejar. Três golos em dois jogos fazem de Valência uma das figuras até agora do Mundial.

O Fora-de-jogo:

Caicedo –  O ex-avançado do Sporting voltou a fazer uma partida mais condizente com o seu real valor. Manteve-se sempre na sombra de Valência e foi claramente o elemento menos do quarteto ofensivo equatoriano. Esperava-se mais do avançado até agora na competição.

Suiça 2-5 França: Temos favorito!

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O RESCALDO

Que recital de futebol! Sete golos, outros tantos por marcar e um massacre francês durante noventa minutos de futebol ofensivo, dinâmico e digno de um Campeonato do Mundo. Ao fim de duas jornadas, a selecção francesa mostra-se ao mundo com uma das sérias candidatas a levantar o troféu no próximo dia 13 de Julho.

As duas nações vizinhas entraram para este jogo com os mesmos três conseguidos na primeira jornada do grupo e, por isso, sabiam que uma vitória lhes garantiria o apuramento para os oitavos-de-final da competição. Didier Deschamps surpreendeu ao deixar Pobga no banco e lançou Sissoko para o seu lugar, encostando Valbuena e Benzema nas alas e deixando Giroud como único ponta-de-lança. No lado suíço, Otmar Hitzfeld premiou o contributo decisivo que Memhedi e Seferovic tiveram na vitória da equipa sobre o Equador e entraram no onze helvético.

Tacticamente, as equipas encaixavam-se uma na outra e, por essa razão, os minutos iniciais da partida foram jogados a meio-campo, num ritmo muito baixo.  Até que chegou o primeiro golo da França e o jogo mudou totalmente de figura. O espectacular cabeceamento de Giroud, à passagem do minuto 17, foi a chave que desbloqueou todo o encontro, tornando-o num dos melhores que este Mundial já assistiu. A partir daqui, a França começou a comandar o jogo e a imprimir a velocidade necessária para quebrar a muralha suíça. Logo após o primeiro golo, surgiu o segundo-apontado por Matuidi- e, com ele, a sentença final para a selecção helvética.

Depois de sofrer dois golos de rajada, a Suíça perdeu-se completamente em campo e a desconcentração passou a tomar conta dos jogadores suíços.  Por seu turno, a França foi aproveitando a inércia do adversário e fez o 3-0 ainda antes do intervalo, através de um contra-ataque mortífero, que culminou com o golo de Valbuena. Antes já Benzema tinha desperdiçado um grande penalidade cometida infantilmente pelo defesa suíço Djorou.

Goleada ao intervalo, a selecção suíça nada mais tinha a fazer no segundo tempo, mas procurou rectificar alguns dos muitos erros cometidos na primeira parte e a entrada de Dzemaili para o lugar do desastrado Behrami estabilizou, embora momentaneamente, as hostes suíças. A França de Deschamps, mesmo entrando para segunda parte mais relaxada e a fazer uma gestão mais serena da partida, não deixou de acelerar, sempre que possível, o seu jogo e o perigo rondava sempre a baliza suíça. Os endiabrados Matuidi, Valbuena e Benzema facilmente galgavam metros no terreno em direcção à área adversária e as oportunidades que iam criando anunciavam os golos que seguiram.

Valbuena apontou um dos golos da França e foi uma das figuras da partida Fonte: Getty Images
Valbuena apontou um dos golos da França e foi uma das figuras da partida
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Já com Pogba em campo, Benzema voltou a marcar neste Mundial e fez o 4-0. Minutos mais tarde, foi o próprio avançado do Real Madrid, a atravessar um extraordinário momento de forma, que assistiu o portentoso médio Moussa Sissoko para o quinto golo francês. Estávamos perante a maior goleada deste Mundial e, pelo andar da partida, os gauleses pareciam querer alargá-la. Não fossem as duas ou três defesas do guardião suíço, Benzema e companhia podiam ter juntando mais tentos à sua conta pessoal, ainda antes do minuto setenta. Contudo, muito provavelmente a pedido de Deschamps, a França tirou o pé do acelerador e permitiu à Suíça crescer no jogo e mostrar a qualidade ofensiva que a caracteriza.

Num jogo de domínio absoluto por parte da selecção gaulesa, a Suíça ainda conseguiu marcar dois golos nos minutos finais e sair com alguma honra do Estádio Arena Fonte Nova. Antes do final do jogo, destaque para um lance bizarro protagonizado pelo árbitro da partida, Bjorn Kuippers, que apitou no preciso momento em que Benzema desenhava uma obra de arte em forma de golo, que acabou por não contar no marcador oficial. Faltou bom senso ao Sr. Árbitro.

A Figura:

França – Quando se faz um jogo desta qualidade e segurança defensiva e ofensiva parece-me oportuno destacar todo o colectivo francês. Apesar das excelentes individualidades que a enriquecem, esta equipa faz-se notar pelo seu conjunto bastante coeso, que se desdobra muito bem para o ataque e que conta com um leque médios e avançados muitos ágeis e evoluídos tecnicamente que certamente marcarão a diferença em muitos deste Mundial. Temos favorito.

O Fora-de-jogo:

Suíça – Sofrer cinco golos não é só responsabilidade da defesa, mas sinal de elevada desorientação e descoordenação de toda a equipa suíça. A selecção helvética é muito mais do que aquilo que mostrou hoje.

Itália 0-1 Costa Rica: Um hino ao futebol

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O RESCALDO

Um jogo, três nações. Costa Rica e Itália defrontavam-se na tarde desta sexta-feira na Arena Pernambuco, no Recife, mas eram três as nações a discutir o resultado. Atrás do ecrã, a Inglaterra torcia pelo triunfo da equipa que na ronda inaugural lhe havia custado os primeiros três pontos.

Era o grupo da morte: das quatro selecções, três constam na lista de vencedoras do Campeonato do Mundo de Futebol. A squadra azurra (campeã em quatro ocasiões) tinha pela frente a modesta Costa Rica, a fazer a sua quarta aparição na prova, e a surpresa na jornada inaugural alertara os italianos, mas nem por isso o conjunto Cesare Prandelli chegou preparado ao jogo.

Baseada numa estratégia de passes longos entre Pirlo, o construtor, e Balotelli, o goleador, a Itália sofria consigo própria: o médio da Juventus pouco ou nenhum espaço livre tinha, pelo que as ocasiões não surgiam. Foi apenas à meia hora de jogo que nasceu o primeiro lance de perigo iminente, precisamente pelos dois suspeitos habituais, e minutos depois repetiu-se. A partir daí, tocou-se um hino ao futebol.

A partitura eloquente começou a ser construída pela Costa Rica, de nome e táctica, que não perdia tempo para chegar à frente. Foi assim que Bryan Ruiz chegou ao golo, foi assim que o resultado se manteve. E se mudasse seria para aumentar, dado que a selecção da Américas Central beneficiava, ao contrário dos italianos, de todo o seu plantel para encantar os mais de 40.000 espectadores presentes.

Bryan Ruiz, o herói costa-riquenho Fonte: Getty Images
Bryan Ruiz, o herói costa-riquenho
Fonte: Getty Images

O maestro, é certo, estava do outro lado, mas ‘preso’ numa autêntica teia entrosada pelos oponentes. Na Costa Rica não houve um só solo merecedor de destaque: foi sim a orquestra toda quem compôs na perfeição a melodia da vitória, o hino ao futebol. Hoje, La Sele fez história.

Feitas as contas, a Inglaterra junta-se à Espanha nos ‘grandes’ do futebol mundial a dizerem adeus ao Campeonato do Mundo ao fim de apenas duas jornadas, enquanto a Costa Rica passa aos oitavos-de-final e deixa as restantes decisões do grupo para o agora ainda mais entusiasmante Itália vs Uruguai.

A Figura:

Costa-Rica –  Não há outra opção. O colectivo foi a palavra-chave para o sucesso e tão precoce apuramento da Costa Rica para os oitavos-de-final, sobrevivendo assim àquele que era indiscutivelmente considerado o Grupo da morte para, ao cabo de apenas dois jogos, avançar para a fase seguinte. É este o segredo do sucesso numa prova internacional e Jorge Luís Pinto soube transmiti-lo aos seus jogadores.

O Fora-de-jogo:

Dependência italiana de Pirlo e Balotelli – Aos pares não se passa um jogo. Costa Rica e Itália são equipas bem distintas e foi naquilo em que a Costa Rica acertou a 100% que a Itália falhou redondamente: não houve colectivo. A squadra azurra baseou-se em demasia na criatividade (bloqueada) de Pirlo e na potência (omitida) de Balotelli para chegar ao triunfo. Esbarrou numa autêntica teia dinâmica formada por 4,3 milhões de corações.

Em Direto da Copa #5

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Chegado a Salvador da Bahia, cidade bem maior do que eu pensava e com um trânsito de cortar a respiração em hora de ponta, fui quase directo fazer um pequeno reconhecimento ao Arena Fonte Nova, estádio que acolhe hoje um Suiça-França que pode ditar já mais uma equipa apurada para os oitavos-de-final da Copa. É um palco fantástico, plantado no meio da cidade (fica próximo do famoso centro histórico de Pelourinho), e que é rodeado por favelas e casas tradicionais que lhe dão um aspecto urbano absolutamente irresistível. Por dentro, como se pode perceber na televisão e como puderam confirmar os portugueses que lá foram ver o jogo com a Alemanha, é imponente e tem as bancadas quase caídas sobre o relvado.

Ao mesmo tempo, jogava-se o Uruguai-Inglaterra e Suárez voltava a mostrar porque é que é um dos mais badalados craques da actualidade. Dois grandes golos frente a uma Inglaterra que está praticamente fora da competição e uma performance que pede à equipa que o acompanhe nesta luta renhida pelo acesso à fase seguinte. Nessa, já se encontra o Chile, talvez a grande sensação da prova até ao momento e a selecção de quem tenho visto mais adeptos espalhados pela rua (à excepção dos dias de jogo). De facto, e também à custa de ter derrotado uma Espanha que já todos pareciam fartos de ver ganhar, este Chile está na moda por cá e entre as equipas outsider só mesmo a Colômbia lhe faz frente como 2ª selecção preferida dos brasileiros. E ontem até houve golo do nosso Quintero!

Termino com a referência a uma notícia que acabo de ver: os tumultos em São Paulo, às portas do estádio local. Este tipo de acontecimentos pode dar uma ideia errada sobre a forma como o Mundial está a ser vivido pelos brasileiros. Ao contrário daquilo que vemos neste tipo de imagens, que acontecem sempre na mesma cidade (é um assunto estritamente político, motivado por uma facção extremista de São Paulo que se aproveita da Copa para atingir outros fins), o Brasil está de braços abertos para a competição. Totalmente. Nunca se esqueçam disso quando recordarem esta edição da maior prova do Mundo.

Deixo-vos ainda com uma imagem do Arena Fonte Nova (no cabeçalho), visto de cá de baixo do relvado. É lindo, não é?

Obrigado e um abraço,
João Cunha

Carta Aberta a: todos os Portugueses

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90 minutos… quatro golos sofridos, zero marcados, um jogador fora do Mundial, um castigado e dois em claras debilidades físicas para o que resta da fase de grupos. Registo francamente mau para nós, portugueses, principalmente quando temos o melhor do Mundo e de sempre em Portugal no auge da sua carreira. Mas ainda faltam 180 minutos. Por que estão a fazer um funeral antecipado a Portugal? Só somos portugueses quando ganhamos? Quando vencemos heroicamente a Suécia de um tal “Ibra” num jogo com um clima altamente contraditório? Caso achem que sim, então não, não são portugueses. São, isso sim, apenas falsos adeptos da selecção das quinas. Perdemos com a actual melhor selecção do mundo, que se dá ao luxo de tirar Muller e fazer entrar Podolski, tendo ainda no banco um… Klose. Nós temos Hugo Almeida, Postiga e Eder. Milagres? Já os temos feito.

Relembro os últimos primeiros resultados de Portugal em fases finais de campeonatos do Mundo e Europa: Euro’2000 – vitória sobre a Inglaterra (3-2); Mundial’02 – derrota EUA (3-2); Euro’04 – derrota Grécia (2-1); Mundial’06 – vitória sobre Angola (1-0); Euro’08 – vitória frente à Turquia (2-0); Mundial’10 – empate com a Costa do Marfim (0-0) e Euro’12 – derrota diante da Alemanha (1-0).

Depois deste exercício de memória, podemos concluir que nas últimas sete participações de Portugal em fases finais perdemos por três vezes, ganhámos por outras três e empatámos uma, no jogo inaugural. Neste Mundial voltámos a entrar com o pé esquerdo, mas relembro que as nossas melhores prestações surgiram a partir de derrotas no jogo inaugural (final do Euro’04 e meia-final do Euro’12, quando perdemos com a poderosa Espanha por penaltis, impondo o único empate ao fim de dois anos). Não temos nada a temer, Portugueses! Ergamos a cabeça, ponhamos a mão direita sobre o peito e gritemos bem alto, até a voz não poder mais, até o coração parar, até ao último minuto… E no fim falaremos. É sabido que jogamos melhor sob pressão, então aproveitemos o facto de termos duas finais pela frente; e as finais são para se ganhar, não para se jogar! Eu acredito neste Portugal, acredito no meu seleccionador (e não é momento para apontar o dedo às suas escolhas) e em toda a estrutura de Portugal. É A MINHA EQUIPA!

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Na hora da adversidade, é preciso continuar a acreditar e apoiar!
Fonte: superesportes.com.br

Precisamos de nos juntar mais do que nunca, precisamos de ser uma só voz em todos os “ecrãs gigantes” espalhados pelo país e entoar o nosso hino de forma a que este chegue, uniforme, ao Brasil. Os jogadores terão de sentir que estamos com eles, sentir o arrepio que é vestir a camisola de Portugal e representar toda uma nação. Não é só apoiando quando se ganha. Felizmente éramos Portugueses antes do Mundial, felizmente ainda o somos, e, “se não me engano”, continuaremos a sê-lo quando as cortinas do Brasil se fecharem. O futebol não é tudo, mas representa muito daquilo que é a nossa cultura. A paixão que temos por este jogo não pode chegar à loucura de pôr seres humanos em causa. Tenho orgulho na minha selecção, e fui dos poucos que não se foram embora da “baixa de Faro” ao intervalo. Eu fiquei até ao fim, aplaudi de pé e sofri quando falhámos o nosso tento de honra, perto dos 90 minutos. Amo-te Portugal, e estou casado contigo, de tal forma que nunca deixarei de te apoiar. E não será por mim que não terás apoio; estarei sempre aqui, contigo. Irei expressar o meu apoio em todos os 90 minutos da tua existência, sozinho ou acompanhado, à chuva ou ao sol, de dia ou de noite.

E é isso que vos peço, Portugueses. Demonstrem paixão, orgulho e amor pela nossa pátria. Volto a dizer: o futebol não é tudo, mas representa muito no nosso coração, mexe com o povo, desde o rico ao pobre. Ninguém consegue ser indiferente aos 11 jogadores equipados com as quinas ao peito.

Vamos dar as mãos e acreditar em que ESTE é o nosso ano! Levaremos o Fado mais bem tocado de sempre a terras onde reina o Samba, e sairemos de cabeça erguida! A começar neste domingo, às 23 horas, frente aos EUA.

Posso contar com vocês, minha gente?

Japão 0-0 Grécia: Nem com Tsubasa o Japão conseguiria ultrapassar a muralha grega

logo mundial bnr

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O RESCALDO

O Japão – Grécia começou com um grande ambiente na bancada, sabendo-se que, no mesmo grupo, a Colômbia já estava qualificada para a próxima fase. Jogavam-se os últimos cartuchos de duas seleções que não são, de todo, favoritas a chegar longe na prova e estão no máximo a lutar por um segundo lugar no grupo.

De um lado, um Japão apoia-se sempre na velocidade e transições rápidas. Do outro, a Grécia, comandada por Fernando Santos, que apresenta sempre numa postura mais defensiva e expectante, com uma clara aposta nas bolas paradas. Se por um lado a Grécia tem uma média de alturas na ordem dos 1.84 metros, o Japão tem uma média a rondar os 1.78 metros, o que dá para perceber algumas diferenças no estilo de jogo das equipas.

O que se previa era um jogo bastante disputado, em que o Japão apostaria no jogo apoiado e a começar de trás para a frente com a bola controlada, contra uma Grécia mais física e de choque. Porém, de forma expectável, o jogo foi mesmo muito parado na primeira meia hora.

Ambas as equipas entraram com medo de sofrer o primeiro golo, que as poderia deixar quase arredadas do Mundial. E era isto que viríamos a vislumbrar durante todo o encontro. O Japão arriscava mais mas sempre com medo de deixar a defesa descompensada. Valia-se dos alas e do maior brilhantismo de Honda. Já do lado grego assistíamos a um Mitroglou muito desapoiado, até mesmo por Samaras, e ao mais espevitado de todos, Kone, em velocidade.

Salvo um ou outro lance assistimos a uma primeira parte sem história até Katsouranis levar o segundo amarelo e respetiva expulsão. A Grécia estava assim com a tarefa ainda mais difícil, ainda para mais depois da lesão de Mitroglou, que o levou a abandonar o campo. Mas, por incrível que pareça, os gregos acordaram. Acabaram por reagir à expulsão e quase aumentaram o marcador por Torosidis, ainda na primeira parte.

Uchida apoia Katsouranis  enquanto este abandona o campo  Fonte: FIFA
Uchida apoia Katsouranis enquanto este abandona o campo
Fonte: Getty Images

Ainda assim, estávamos longe de assistir a um bom jogo de futebol. E, na minha opinião, isto é muito pouco para duas equipas que lutam por se qualificar.

Na segunda parte, assistimos a um jogo um pouco mais intenso, talvez pelo maior cansaço dos jogadores e dificuldade em cumprir a tática das respectivas seleções. Surgiram mais lances de perigo, de ambos os lados. A Grécia surgiu mais agressiva e quase fez o golo através de bola parada. O Japão respondeu com duas perdidas incríveis, nomeadamente a de Okubo, que deveria ter feito bem melhor, tamanha era a oportunidade.

Ao fim ao cabo quem mereceu mais a vitória no encontro foi o Japão, mas a Grécia conseguiu mesmo o empate. A Grécia só depende de si própria para passar, precisando apenas de ganhar à Costa do Marfim. Contudo, é impossível gostar deste estilo de jogo grego. Demasiado defensivo, sem arriscar, sem grande intensidade, e apenas vale pela qualidade defensiva. O Japão foi demasiado perdulário e acabou por perder dois pontos, e, provavelmente, a última esperança de qualificação. A Grécia pode dizer que ganhou um ponto.

A Figura:

Honda e Nagatomo: Foram as grandes figuras do encontro, mobilizando a equipa japonesa para o ataque. Foram os responsáveis pelas jogadas de perigo da seleção asiática e fizeram por merecer uma melhor resposta dos seus companheiros, que não conseguiram finalizar as jogadas.

O Fora-de-Jogo:

Katsouranis: Parece que estou a repetir o fora-de-jogo do meu último rescaldo – França vs Honduras –, uma vez que na altura coloquei Palacios pela sua displicência na abordagem ao lance que levou ao seu segundo amarelo. Desta vez foi Katsouranis – com a sua experiência não podia cometer tamanho erro aos 38 minutos. O ex-jogador do Benfica acabou por levar o segundo amarelo, deixando a sua equipa descompensada quase a uma hora do final do encontro.