A jornada 22 ditou o confronto entre duas equipas que procuravam conforto na tabela classificativa, dividas por somente 3 pontos (até à realização do jogo). A competitividade aconteceu, porém a radiação de ideias do Rio Ave FC contrastou com um SC Farense cinzento sem elas. E se se antecipava uma equipa algarvia a aproveitar o contra-ataque, sucedeu o oposto, onde os dois golos tiveram raiz em transições rápidas. Foram venenosos e oportunistas os vila-condenses.
Ora, a partida principiou como esperado. Ambos os lados colocaram em prática aquilo que foi estudado e as oportunidades dividiam-se. Se, por um lado, Kieszek quase ofereceu um «frango» digno de um belo churrasco ao SC Farense, por outro lado, foi Francisco Geraldes a esturricar a defensiva algarvia. Seja a criar em jogo posicional, ou a definir no contra ataque, o número 11 do Rio Ave FC destinava-se a ser protagonista. Isto é, para o bom e para o mau, porque ao minuto 25’ é o primeiro do jogo a ser admoestado com um cartão amarelo. 25 minutos de um SC Farense a jogar melhor sem bola e de um Rio Ave FC a conduzir melhor com ela. Duas estratégias e filosofias bem distintas, onde seria a eficácia o melhor juiz para desatar o nulo.
A partida deu esta introdução, mas o segundo parágrafo foi outro. Dito isto, o Rio Ave FC aproveitou um contra ataque e colocou de «pernas para o ar» a defensiva algarvia, ao passo que Mané sofre penalty e Pelé abriu a contagem. 1-0 ao minuto 27’. O resto da segunda parte não teve grande coisa para acrescentar, com o Rio Ave a segurar as investidas desengonçadas do SC Farense, que apenas conseguia fazer furor através de cruzamentos e bolas paradas. 1-0 ao intervalo.
O início da segunda parte manteve o rumo da primeira. Contudo, Miguel Cardoso colocou um autêntico cadeado no meio-campo. Pelé manteve-se o «gatekeeper» dos centrais, não obstante as suas dinâmicas se tenham alterado, nomeadamente o seu posicionamento. O Rio Ave FC parecia adormecido, mas na verdade, foram os vila-condenses que colocaram a equipa algarvia a dormir. Numa recuperação de bola, Camacho aproveitou o espaço entre os centrais e colocou um ponto final na partida. Até final, a «turma» de Jorge Costa continuou a carregar, mas faltou discernimento e criatividade para mais.
Meio campo do Rio Ave FC – Uma das, se não a principal razão pela qual o Rio Ave FC saiu deste jogo sem conceder praticamente uma ocasião de perigo, é muito devido à segurança transmitida pelo meio campo. Miguel Cardoso colocou autenticamente um cadeado na zona intermediária do terreno e impediu que houvessem grandes oportunidades do outro lado.
— Sporting Clube Farense (@SCFarense_1910) March 7, 2021
Falta de discernimento do SC Farense – A precisar de marcar, exigia-se mais e melhor. É certo que a peça chave no momento ofensivo do jogo “não jogou” (Ryan Gauld), contudo, o processo ofensivo demonstrou-se uma mão cheia de nada.
ANÁLISE TÁTICA – RIO AVE FC
A equipa orientada por Miguel Cardoso organizou-se em 4-2-3-1, não obstante a construção que era faseada em 3-4-3, com Pelé a baixar para fazer companhia aos centrais vila-condenses. Com uma construção desde trás, paciente a mirar o desequilíbrio, o Rio Ave FC apresentava-se objetivo e uma constante ameaça com os três homens da frente (Dala, Camacho e Mané). Defensivamente, aí sim, o Rio Ave FC voltava a um 4-2-3-1, com Pelé e Felipe Augusto a serem peças chave na manutenção da reduzia capacidade de criação do adversário.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Kieszek (6)
Costinha (5)
Borevkovic (6)
Aderllan Santos (6)
Sávio (6)
Pelé (8)
Filipe Augusto (6)
Carlos Mané (5)
Francisco Geraldes (6)
Rafael Camacho (7)
Gelson Dala (6)
SUBS UTILIZADOS
Guga (6)
Ronan (6)
Pedro Amaral (6)
ANÁLISE TÁTICA – SC FARENSE
A equipa liderada por Jorge Costa alinhou num 4-1-4-1, que se esticava em organização ofensiva e comprimia-se em organização defensiva, ao passo que os extremos se juntavam na ajuda a Lucca, tapando o espaço entre linhas aos médios vila-condenses. Ofensivamente, foi através de bolas paradas e e um jogo mais longo que a equipa algarvia procurou ferir a baliza vilacondense.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Hugo Marques (2)
Tomás Tavares (6)
Eduardo Mancha (6)
Cássio Scheid (5)
Fábio Nunes (5)
Bilel (6)
Lucca (6)
Amine (6)
Hugo Seco (4)
Licá (5)
Stojiljkovic (6)
SUBS UTILIZADOS
Cláudio Falcão (5)
Mansilla (5)
Pedro Henrique (-)
Djalma (-)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Rio Ave FC
BnR: Mister, falou da linha a dois, que ficou surpreendido com o Stojiljkovic e o Licá. De resto, é Pelé a criar superioridade numérica numa linha a três. Depois, na segunda parte, ele acaba por também ser chave a “trancar” o meio campo. Mas pergunto-lhe, que importância tem tido Pelé neste seu regresso ao Rio Ave e particularmente neste jogo de muitos duelos?
Miguel Cardoso: Eu não gosto de individualizar porque as questões são relacionáveis. Não adianta falar do comportamento do Pelé, sem falar o do Filipe Augusto ou o do ala, central…Portanto toda esta questão comportamental, só faz sentido quando falamos do compromisso coletivo.
SC Farense
BnR: Mister, a equipa sofre os golos em períodos onde até tenta criar perigo com bola. Sente que mais do que os golos sofridos, faltou objetividade e criatividade para construir mais ocasiões de golo?
Jorge Costa: Faltou muita coisa. Estamos a falar de duas equipas que continuarão na busca de pontos. O Rio Ave FC fica a respirar um pouco melhor agora. Daí, a compreender um pouco as más decisões e a falta de tomada de decisão em certos momentos. Vimos de uma série díficil, mas até estavamos a passar com algum sucesso. Não éramos a melhor a equipa do mundo, mas agora também não somos a pior.
Abel Ferreira bateu, neste domingo, o Grémio por 2-0 na segunda mão da Copa do Brasil, depois de ter vencido 0-1 fora na primeira mão. É o 2.º título para o treinador português em apenas quatro meses no comando técnico do SE Palmeiras.
Chegado em novembro, para suceder a Vanderlei Luxemburgo, o histórico brasileiro militava no 8.º lugar do Brasileirão a oito pontos do primeiro lugar e Abel Ferreira tinha em mãos uma tarefa muito difícil: renascer o psicológico de um plantel com muita qualidade individual. Rapidamente mostrou impacto nas exibições da equipa começando com quatro vitórias em quatro jogos.
Mais tarde, apesar de alguns deslizes, a nota artística ia chegando e vários jogadores começavam a destacar-se. No Brasileirão venceu oito jogos em 20 disputados, terminando a época em 7.º lugar, com mais quatro pontos que o 8.º, Santos FC. Na Libertadores, foi um surpreendente vencedor, depois de eliminar o Delfín SC, Club Libertad e o favorito River Plate numa meia-final frenética e emotiva que acabou 3-2 no agregado para o conjunto de Abel (0-3 fora, 0-2 em casa).
Na Copa do Brasil eliminou o Ceará, o Américo Mineiro, culminando com o Grémio de Renato Gaúcho na final a duas mãos. Após vencer a Libertadores, participou no Mundial de Clubes, tendo terminado inesperadamente em 4.º lugar na competição, depois de derrota frente ao Tigres por 0-1 e frente ao Al Ahly nas grandes penalidades por 3-2. Apesar das desilusões no Brasileirão e no Mundial de Clubes, o saldo de resultados e conquistas é bem positivo para Abel Ferreira.
TODOS SOMOS UM! TODOS SOMOS TETR4!
CONQUISTAMOS OS 𝙌𝙐𝘼𝙏𝙍𝙊 CANTOS DO PAÍS MAIS UMA VEZ!
Em apenas quatro meses, permitiu ao Palmeiras reconquistar a sua 2ª Taça dos Libertadores vinte e dois anos depois, venceu a 3.ª Copa do Brasil do clube nove anos depois, valorizou e transformou vários jogadores do plantel e alguns vindos da formação, nomeadamente Weverton, Gustavo Gomez, Gabriel Menino, Danilo, Raphael Veiga, Gabriel Verón, Rony, entre outros. Importante relembrar que, desde a sua chegada ao Brasil, Abel teve pela sua frente cerca de nove jogos por mês, uma média de jogos surreal que explica bem a pobre prestação na segunda metade do Brasileirão.
Acaba a época com 37 jogos, 18 vitórias, 10 empates e 9 derrotas, 56 golos marcados, 27 golos sofridos e 17 clean sheets e uma grande ligação emocional aos seus jogadores. Uma aposta claramente ganha por parte da direção do “Verdão” que, certamente, dará muitas mais alegrias aos seus adeptos. Mais um treinador português a vencer no estrangeiro e a demonstrar o talento que este pequeno país possui. És grande, Abel!
A CRÓNICA: SEGUNDA METADE DEIXOU A DESEJAR, MAS FC PORTO RESOLVEU
O primeiro período demonstrou, ao longo do tempo, aquilo que é o clássico – um jogo equilibrado entre ambas as equipas. Sempre taco a taco, eram os erros do FC Porto a potenciar, em certo ponto, o jogo dos leões. Com os cincos mais fortes disponíveis para estar na quadra, o resultado foi-se construindo até os dez minutos iniciais terminarem com os dragões em vantagem por apenas um ponto (18-17).
À entrada para o segundo quarto, James Ellisor, que esteve algo apagado no início, deu o mote para o alavancar do Sporting CP no resultado. Os leões arrecadaram um parcial de 6-0 nos primeiros três minutos, sendo que quatro desses pontos partiram de Ellisor. O jogo do FC Porto acabou por se focar bastante em Jalen Riley, o que facilitou a vida defensiva do Sporting CP. Com o pedido de timeout por parte de Moncho López, os dragões melhoraram na partida, principalmente a nível defensivo e começaram a aproximar-se no marcador. Ao intervalo, lia-se um 35-41 favorável ao Sporting CP.
Depois do intervalo, quem estrou na sua melhor forma foi o FC Porto. Os dragões levantaram avante e aproveitaram um leão meio que adormecido no terceiro quarto. A formação de Moncho López conseguiu recuperar no resultado, passando mesmo para a frente do marcador, depois de efetuar um parcial de 10-2 em cinco minutos.
Foi certamente um período para esquecer para os comandados de Luís Magalhães onde nada correu bem aos leões. Os 22-9 de parcial dos terceiros dez minutos devem resumir aquilo que foi o desastre para a equipa verde e branca. Voltou o FC Porto à frente do marcador, por 57-50, à entrada para o último período.
E a sina do Sporting CP no terceiro período foi a mesma do FC Porto no último. Em seis minutos, os leões concretizaram um parcial de 15-2, dando por completo a volta ao marcador, mesmo com a ausência de Shakir Smith, após cometer cinco faltas. Com erros atrás de erros, a formação da Invicta começou a ficar para trás no marcador, mas lentamente conseguiu recuperar.
A 24 segundos do final, o marcador do Dragão Arena apresentava um empate. Os leões tinham esses segundos para atacar, mas Diogo Ventura acabou por efetuar falta ofensiva a seis segundos do final. Com todo o arsenal na quadra, o FC Porto apostou todas as fichas para esses seis segundos e Jalen Riley lançou com a bola que, ao saltitar três vezes no aro, não entrou. Seguiu-se para prolongamento.
O FC Porto esteve por cima ao longo dos cinco minutos de overtime, mas nunca com uma grande vantagem. A onze segundos, os dragões venciam por quatro pontos e assim permanecia, depois do Sporting CP não ter conseguido concretizar na última oportunidade de ataque. Soou a buzina e os dragões venceram por 81-78.
A FIGURA
Fonte: Federação Portuguesa de Basquetebol
Larry Gordon – Foi dono e senhor de todo o jogo do FC Porto. Quer a nível ofensivo, como a nível defensivo, Larry Gordon foi o verdeiro mastermind daquilo que os dragões demonstraram ao longo do encontro. Os 30 pontos não deixam ninguém indiferente.
— Sporting CP – Modalidades (@SCPModalidades) March 7, 2021
Terceiro período leonino – Completamente fora daquilo que o jogo estava a demonstrar e, também, muito longe daquilo que o Sporting CP tem demonstrado ao longo da época, o terceiro período do Clássico foi, possivelmente, dos piores dez minutos que os leões fizeram esta época. Ainda conseguiram levar o encontro a overtime, mas não foi o suficiente. O terceiro período pecou totalmente por escasso.
ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO
Com Jalen Riley a assumir na construção e o tirar partido da estatura de Eric Anderson Jr, principalmente debaixo do cesto. Durante o jogo, o FC Porto privilegiou sempre as jogadas rápidas individuais.
A nível defensivo, os dragões recorreram, na maior parte do tempo, à marcação individual bastante cerrada aos jogadores do Sporting CP.
CINCO INICIAL E PONTUAÇÕES
Jalen Riley (7)
Brad Tinsley (5)
Miguel Queiroz (5)
Tanner McGrew (6)
Larry Gordon (9)
SUBS UTILIZADOS
Vladyslav Voytso (5)
João Torrie (-)
Pedro Pinto (5)
Francisco Amarante (5)
João Soares (6)
Ricardo Neves (-)
Eric Anderson Jr. (7)
ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP
Num Sporting que acabou por valorizar as jogadas individuais, era James Ellisor um dos jogadores fundamentais nesta construção, principalmente quando apostava no um contra um.
A nível defensivo, os leões aproveitavam a vantagem de estatura nos momentos de ressalto, tanto defensivos como ofensivos e, mesmo aquando da marcação dos jogadores do FC Porto, apostando num dois contra um recorrentemente.
A CRÓNICA: EQUIPA DA CASA ACORDOU NA SEGUNDA PARTE
Os dois últimos classificados da série D do Campeonato de Portugal defrontavam-se, mas com objetivos distintos. O Lusitano FCV lutava ainda para manter viva a hipótese da manutenção, enquanto o CCDR Vila Cortês do Mondego já despromovido tentava deixar outra imagem à época. À partida deste jogo, os visitantes apenas contavam quatro pontos, fruto de uma vitória, um empate e 16 (!) derrotas.
O jogo começou como se esperava, com a equipa da casa por cima na partida. No entanto, o Lusitano não tinha grande imaginação para criar lances de perigo, abusando dos passes longos dos centrais diretamente para Braz ou Hélder Rodrigues. Braz foi o rosto do desperdício da equipa da casa. A melhor oportunidade acabou por ser o livre direto em posição frontal de Zé Francisco, a proporcionar uma grande defesa a Nuno Morais a sacudir o remate perto do poste direito da baliza.
Quem não marca, sofre. O Vila Cortês aproveitava sempre que recuperava a bola na defesa para construir transições rápidas. Os visitantes acabariam por marcar aos 36´, numa dessas situações, com André Jesus a cruzar do lado direito do ataque, para Moutinho à boca da baliza fazer o primeiro, perante alguma lentidão da defesa da equipa da casa.
Na segunda parte, os viseenses entraram com mais objetividade. Anael entrou na equipa do Lusitano e deixou a sua marca pouco depois. Mauro deixou de calcanhar para o francês no vértice esquerdo da grande área dos visitantes fazer um belo golo, num remate cruzado, aos 51´. Dois minutos passaram e Zé Francisco com novo livre direto, em posição frontal, atirou para o fundo da baliza, com o guarda-redes ainda a tocar na bola.
O Vila Cortês acabou por aproveitar algum relaxamento na pressão do Lusitano para chegar ao empate. Aos 68´, na primeira vez em que entrou na grande área da equipa da casa, numa boa jogada coletiva, Diogo Curto assistiu de cabeça para André Jesus, que também de cabeça atirou para o 2-2. Contudo, o Lusitano acabou por chegar novamente à vantagem, num livre marcado por Leal para dentro da grande área com Braz desta vez a não desperdiçar. Anael viria ainda a bisar e a fazer o quarto golo para o Lusitano, num alívio incompleto dos visitantes. Vitória justa para a melhor equipa que ficou patente na segunda parte.
A FIGURA
FINAL DO JOGO
CAMP. PORTUGAL 20/21 – SÉRIE D – 19 J
Lusitano FC 4-2 Vila Cortês
Raphael A. 54′, Braz 71′, Anael 53′ e 77′ / Paulo 35′ e André 68′)
Anael – Entrou no início da segunda parte e ajudou a desbloquear o ataque do Lusitano. Deu rapidez e criatividade, necessários para ultrapassar a muralha dos visitantes. Fez dois grandes golos.
O FORA DE JOGO
CAMPEONATO DE PORTUGAL – ÉPOCA 2020/2021
“Luís Almeida, o herói da 1ª manutenção no Campeonato de Portugal, está de…
Luís Almeida – Não acrescentou nada à dinâmica da equipa da casa. Esteve a primeira parte em campo sem se notar. Para um atacante de uma equipa favorita à partida e que assumiu o jogo, é pior que pode acontecer.
ANÁLISE TÁTICA – LUSITANO FCV
Sem Xandão para o centro da defesa, Paulo Meneses apostou num 4-4-2, num dos esquemas táticos mais ofensivos da época. Braz e Hélder Rodrigues eram os elementos mais ofensivos sem uma posição bem definida e com Zé Francisco e Mauro a auxiliar. Smolovic era o trinco no meio campo, com maior capacidade para o jogo aéreo do que o jogo pelo chão.
Rui Nascimento apostou numa tática defensiva num 5-4-1, em que os médios se juntavam à defesa para formar uma muralha de nove elementos a proteger a baliza de Nuno Morais. André Jesus era o elemento mais ofensivo, que era acompanhado por Moutinho, Hugo Vaz e André Barra nas transições ofensivas.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Nuno Morais (6)
Rafael Santos (7)
João Oliveira (6)
Miguel Hortelão (6)
António Conceição (6)
Aires (7)
André Barra (6)
Moutinho (7)
Hugo Vaz (6)
André Jesus (7) SUBS UTILIZADOS
Carvalheira (6)
Diogo Curto (6)
Sétimo (-)
Renato Almeida (-)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Lusitano FCV BnR: Que análise faz ao jogo? A equipa apenas acordou na segunda parte?
Paulo Meneses: Acho que não foi uma má entrada. Nós entrámos bem nos primeiros 20 minutos. Tivemos algumas oportunidades, em que fomos perdulários. Quando uma equipa tem uma, duas, três, quatro oportunidades e não consegue fazer golo, pensa que vai ser fácil. Na minha opinião, baixámos um pouco a intensidade de pressão e a intensidade de reagir à perda da bola que nós tínhamos alertado para esse facto. Começamos a cometer erros básicos e pusémo-nos a jeito. A partir dos 20/25 minutos, o Vila Cortês equilibrou, também por mérito deles e numa confusão, conseguiram fazer o 1-0 e complicou um pouco o jogo. No intervalo, ajustamos, fizemos uma substituição, trocámos um extremos pelo outro e conseguimos fazer logo nos primeiros minutos o 1-1 e o 2-1. O Vila Cortês ainda respondeu e depois nós com alguma qualidade, mais serenidade e também com algumas substituições conseguimos pôr-nos acima do jogo e fazer o 3-2 e o 4-2.
Bola na Rede: A pressão sobre o portador da bola foi essencial para mudar o rumo da partida na etapa complementar? Paulo Meneses: Sim. Na primeira parte, não tivemos bem nesse aspeto. É algo que tem a ver com a nossa identidade, com a nossa forma de defender, encurtar espaço para o portador da bola. Tivemos muito melhor nesse aspeto, foi algo que nós falámos no balneário ao intervalo. Passou por aí a nossa dinâmica, ser mais agressivo, ser mais intenso para depois não dar tanto espaço nem tempo para o adversário pensar e roubarmos a bola mais à frente. Tivemos alguns contra-ataques rápidos fruto dessa pressão intensa e mais rápida, onde nós conseguimos recuperar muitas bolas no campo adversário.
Bola na Rede:Esta vitória dá ânimo para a luta difícil pela manutenção [Lusitano é penúltimo a sete pontos da linha de água] Paulo Meneses: Sim, dá ânimo. Há duas jornadas atrás, nós tínhamos falado que esta jornada seria muito importante porque havia confrontos diretos entre as seis equipas do fundo da tabela. Tínhamos de chegar a esta jornada com hipóteses matemáticas para nos manter e esperar que houvesse perda de pontos do Espinho, do Castro Daire, que aconteceu e também do Águeda. Nós tínhamos de ganhar o nosso jogo e tudo aquilo que tínhamos perspetivado há umas semanas atrás deu-se. Agora, não digo que está tudo mais fácil, mas conseguimos encurtar distância e estamos vivos! Vamos lutar até ao fim que é o que faz parte da nossa identidade, do nosso ADN, da cultura e da tradição deste clube. É essa mensagem que temos para dentro.
Bola na Rede:Nos últimos quatro jogos, a equipa conquistou sete pontos e só perdeu por uma vez. Considera que equipa está melhor nas suas competências dentro do campo? Paulo Meneses: Sim, eu já referi isso várias vezes. Desde o dia que aqui cheguei, vão passando semanas e jogo atrás de jogo e a equipa tem crescido em todas as vertentes. Estamos mais competentes a defender, a sair para o ataque, mesmo em ataque organizado, que não é nossa característica, conseguimos ser competentes nesse aspeto. Conseguimos jogar e construir desde atrás. Por isso, o crescimento não é só a nível individual que tem sido muito grande e depois acrescenta ao coletivo. Realço que temos muitos jogadores jovens e eles têm acompanhado esse crescimento. Os jogadores mais velhos ajudam-nos nesse processo, estão muito identificados com as dinâmicas coletivas e se não fosse assim, seria muito mais difícil ganhar os pontos que conquistámos até aqui. Temos de seguir nesse caminho que é o caminho certo e ganharmos os três jogos que faltam para termos hipóteses matemáticas para ficarmos nesta divisão.
Bola na Rede: Nos próximos jogos, vamos ver uma equipa próxima à da segunda parte ou adaptada às características dos adversários? Paulo Meneses: Nós temos um ADN muito próprio e uma mentalidade muito definida. Tem de ser a identidade da segunda parte, não temos outra alternativa porque a primeira parte tivemos os primeiros 20 minutos, mas depois baixámos e isso não pode acontecer. Quando nos reunimos ali todos, pusemo-nos a jeito e não podemos abordar o jogo assim. Na segunda parte, fomos a equipa que temos sido a maior parte dos jogos.
CCDR Vila Cortês do Mondego
Bola na Rede: Que análise faz a esta partida?
Rui Nascimento: Teve a ver um bocadinho com o que tem sido a nossa realidade. Já contra o Vildemoinhos, quando foi em casa, jogámos a meio da semana, um plantel que é totalmente amador. É muito complicado, tivemos um jogo intenso na quarta-feira. Ao intervalo apesar de estarmos a ganhar, veio ao de cima o desgaste físico dos jogadores e a boa entrada em campo do Vildemoinhos que faz dois golos muito rápidos, em dois lances bem conseguidos. Falta de concentração isso refletiu-se. Depois conseguimos empatar, apesar de não estarmos a merecer, porque estávamos muito por baixo do jogo. Quando o jogo devia estar controlado, sofremos mais um golo de uma falta muito longe que dá tempo para tudo. Nem defesa, nem guarda redes, ninguém reagiu e foi um golo fácil. Depois, a partir daí, psicologicamente a equipa foi abaixo e, fisicamente eu já estar a contar com isso por isso, tentei refrescar um bocadinho a espaços para ver se aguentávamos, mas notou-se. Aliás, acabámos só com dez porque o André [Jesus] já não tinha condição e já não tínhamos substituições para fazer. Em resumo, jogámos bem no primeiro tempo, organizámo-nos, disputámos o jogo de igual para igual, saímos para o intervalo a ganhar mas fisicamente fomos abaixo e não conseguimos contrapor.
Bola na Rede: As várias mexidas no onze titular da última partida para esta estiveram relacionadas com questões físicas? Rui Nascimento: Sim, foram todas por questões físicas. Aliás, reparou-se, num ou noutro lance, que havia alguns condicionalismos com um ou outro jogador, mas o nosso plantel é curto, as opções não são muitas. Tendo sempre a esperança de que as coisas nos corressem bem pela parte anímica que é o que deveria ter acontecido até ao intervalo. Depois a equipa baixa muito a cabeça, isto tem a ver com a classificação, com os resultados que tem tido e não consegue ir à luta de igual para igual porque, se o fizessem, conseguiríamos disputar o jogo, como provámos aqui no primeiro tempo. Infelizmente, tanto aqui como na Guarda [derrota por 0-3], só jogámos e ganhámos um dos períodos, mas o Lusitano, nos dois períodos, marca mais golos do que nós e mereceu ganhar.
Bola na Rede: O Vila Cortês continua com quatro pontos, a três jogos do fim. Esperava mais desta equipa? O que falhou nesta época? Rui Nascimento: Logo à partida, na série onde estávamos muito complicada, sabíamos que conseguir a manutenção iria ser uma tarefa muito árdua. Aliado a isso, vieram uma série de fatores, quer de investimento, quer de elementos que deixaram de fazer parte do plantel por situações pessoais e profissionais que nos condicionaram bastante e, depois é aquela espiral negativa que, no futebol é mortífera. Os resultados não aparecem, as derrotas começam-se a sobrepor umas em cima das outras e animicamente a equipa não soube reagir. Infelizmente, como as equipas da AF Guarda sentem sempre dificuldades em contrapor, não conseguíamos reagir e cada vez que nós podíamos reagir, aconteceu alguma coisa. Jogos adiados por várias razões. As nossas melhores fases também não as tivemos. Quando estávamos bem, adiámos com o lusitano duas vezes, com o Castro Daire três, com o Anadia… Uma data de jogos que foram adiados na fase em que estávamos melhor e ficámos com uma série de jogos muito complicada fora. Isso levou-nos a três/quatro derrotas seguidas e, depois, é difícil sair desse buraco, dessa espiral negativa. Por mais que se queira, e hoje aqui foi notório, uma equipa que, no primeiro tempo, disputaria o resultado com qualquer adversário, mas assim que, há alguma situação que não conseguimos controlar, o jogo leva a isto e foi assim a época até agora.
Bola na Rede: Para além de quererem deixar uma boa imagem nos últimos jogos da época, quais são os objetivos da equipa? Lançar alguns jogadores para a próxima época? Rui Nascimento: Sim, mas apesar de que não temos muito por onde escolher. O nosso plantel já está definido assim há muito tempo e toda a gente já teve o seu período de jogo. Agora, vamos aproveitar para dar alguns minutos a vários jogadores jovens e, que possivelmente poderão ser o futuro do clube. Estruturar, e aprendemos muito no Campeonato de Portugal, ainda melhor o clube para o próximo ano, ainda sem saber se é no Campeonato de Portugal ou Distrital. Para já Campeonato Distrital, reformular o clube para que com as condições que já temos, em próximos anos, possamos vir aqui novamente. Aliás, com uma postura diferente, com um plantel constituído de forma diferente e, claro, com uma competitividade muito maior.
O Rangers FC foi este domingo consagrado campeão escocês pela 55ª vez na sua história, reforçando o estatuto de clube com mais títulos nacionais no mundo. O clube volta a alcançar assim o patamar mais alto do futebol nacional, dez anos depois da última conquista. Esta conquista sabe ainda melhor se tivermos presente o delicado momento que viveu o clube.
A época de 2010/2011 marca a última vez que os “Gers” celebraram o título escocês. No ano seguinte, em 2012, a direção, envolvida em polémicas devido a contratos de jogadores na década anterior, viu-se proibida de se inscrever em competições profissionais. Foram relegados para a quarta divisão nessa temporada e aos graves problemas financeiros acresceram os desportivos. Abriu falência, vários jogadores rescindiram e a crise estalou de forma definitiva. O clube mais titulado do mundo estava agora fora da elite. Era necessária uma mão firme e os adeptos foram parte integrante do processo de reestruturação, nunca abandonando o clube e sem perder a esperança de que era possível dar a volta.
As dificuldades foram evidentes, mas a reestruturação foi ganhando forma e em 2016/17 o Rangers FC voltou a estar na Primeira Liga Escocesa. A adaptação foi bastante complicada e o domínio continuava a ser do Celtic FC, que aproveitou a falta de concorrência para somar nove (!) títulos consecutivos. Para se perceber a força destes dois clubes, é preciso recuar até à temporada de 1984/85 para ver um outro campeão: o Aberdeen FC.
Em 2018/19, Steven Gerrard, figura e lenda do Liverpool FC, assumiu o comando técnico, naquela que seria a sua primeira experiência como treinador principal de uma equipa sénior, depois de abandonar o cargo de treinador dos sub-18 do Liverpool FC. Gerrard tinha a possibilidade, pela sua reputação no futebol mundial, de começar em clubes certamente melhores. Mas a verdade é que preferiu traçar o seu percurso, começando por baixo, e tem todo o mérito exatamente por isso. Depois de duas épocas a ser “vice”, é campeão com um registo verdadeiramente impressionante. São nove golos sofridos e 77 marcados em 32 jogos. Pelo caminho, e este é outro dos méritos de Steven Gerrrard, conseguiu a valorização de atletas como Alfredo Morelos, Ryan Kent, James Tavernier, Goldson, Ianis Hagi, entre outros, que tiveram espaço para brilhar apoiados pela experiência e veterania de Allan McGregor, Steven Davies ou Jermain Defoe.
🏆 Manager of the Champions, Steven Gerrard, has tonight spoken of the ‘monumental achievement’ of his Rangers team claiming 55.
Desengane-se quem achar que o trabalho do treinador inglês termina com a conquista do título. Fora de portas, a passagem pela Liga Europa tem sido um sucesso, tendo-se qualificado em primeiro lugar do grupo D, onde encontrou o SL Benfica, por exemplo. Na fase a eliminar, já deixou pelo caminho o Royal Antuérpia FC e segue-se agora o SK Slavia Praga. O foco será agora total nesta competição e tem tudo para continuar a surpreender.
Para a semana temos novamente dérbi do Old Firm, um dos maiores e mais entusiasmantes confrontos do futebol mundial, ainda que sem adeptos. Desta feita, o vencedor vai ser outro que não o Celtic FC, para variar. O futebol escocês, e não só, precisa de um Rangers FC forte e capaz de lutar por objetivos maiores, como manda a sua história.
O ATP de Roterdão, ainda que jogado três semanas depois do habitual, manteve-se como o primeiro evento de nível 500 da temporada. Com o Australian Open disputado há pouco tempo, os favoritos eram aqueles que tiveram melhores prestações nessa prova do Grand Slam, nomeadamente Daniil Medvedev e Alexander Zverev.
A melhor forma de resumir este torneio é dividi-lo em duas metades, a parte de cima do quadro e a parte de baixo. Na parte de cima estavam os dois maiores favoritos a vencer o torneio, Medvedev e Zverev, e estavam ainda Bautista Agut e Felix Aliassime como os outros dois cabeças-de-série.
Já na parte de baixo estavam Tsitsipas, Rublev, Goffin e Wawrinka. Na parte de cima do quadro houve uma razia completa, os quatro cabeças-de-série caíram todos na primeira ronda. Em relação aos principais favoritos, Medvedev perdeu para Lajovic, e Zverev para Bublik.
Na parte de baixo, por sua vez, apenas Wawrinka não conseguiu seguir em frente na primeira ronda, depois de apanhar Karen Khachanov, que produziu um ténis de grande nível e apenas foi eliminado por Tsitsipas, no set decisivo. Devido a esta primeira ronda diabólica para os favoritos, a parte de cima do quadro ficou muito aberta e era difícil prever quem pudesse chegar à final.
Borna Coric, que, apesar de já andar há largos anos ao mais alto nível, parece tardar em afirmar-se de pedra e cal junto dos melhores do mundo. Fez um torneio muito sólido e foi, inclusive, o único que chegou às meias-finais sem ter de ter sido posto à prova num terceiro set.
Nas meias-finais tinha pela frente Fucsovics, o búlgaro, que teve de ultrapassar o quadro de qualificação para chegar ao quadro principal, tinha tido uma excelente prestação no primeiro Grand Slam do ano e está a lançar as bases para uma época sólida. Apesar de o croata chegar a esta fase do torneio com mais descanso, foi o Fucsovics que entrou de forma mais imponente e liderou a partida do início ao fim.
O búlgaro foi exímio em todas as oportunidades de break que teve, tendo aproveitado as cinco de que dispôs. O serviço de Borna Coric foi, sem dúvida, o seu calcanhar de aquiles, o croata venceu apenas 28% dos pontos disputados no seu segundo serviço o que comprometeu a passagem à final.
From qualifying…to the final!
Hungary’s Marton Fucsovics is an ATP 500 finalist for the first time – knocking out Coric 6-4 6-1 to set up a Rotterdam showdown with Rublev pic.twitter.com/cirIA6xwFM
Andrey Rublev, o “dono” dos ATP 500 da última temporada – conquistou os três últimos torneios desta categoria, fez um bom percurso para chegar às meias-finais. Jérémy Chardy, a jogar a um nível como eu nunca o tinha visto fazer na vida, foi a única pedra no sapato de Rublev que até o obrigou a ter de disputar o set decisivo para vencer o encontro.
Do outro lado, para disputar o acesso às meias-finais, tinha Tsitsipas, o segundo cabeça-de-série do torneio que teve uma vida bem mais complicada depois de ser obrigado a disputar dois sets decisivos nas duas eliminatórias anteriores, frente a Hurkacz e Khachanov. Este era o jogo grande do dia e, certamente para muitos, uma final antecipada.
O embate entre estes dois jogadores já havia proporcionado grande encontros, como o da final do ATP 500 de Hamburgo que acabou por cair para Rublev na partida decisiva, e este encontro não foi exceção e foi decidido nos detalhes. Rublev teve três pontos de break e aproveitou dois, Tsitsipas teve cinco e não aproveitou nenhum. Este foi o pormenor que desequilibrou o jogo na primeira partida e que permitiu a Rublev ter o ascendente psicológico no tie-break da segunda. 6-3 e 7-6 para Rublev que ia, na final, lutar pelo seu quarto título seguido em torneios ATP 500 e pela sua 20ª vitória seguida nesta categoria.
Haverá tradições democráticas até mais exemplificativas da necessidade da confluência de ideias na obtenção de maiores méritos, mas, em contexto português, o SL Benfica é o clube de maior índole democrática, livre, de saudável associação e sentido crítico de uma massa adepta leal mas nunca acomodada. Ou pelo menos assim foi durante décadas, sobretudo no contraste sempre vincado durante os 41 anos de ditadura exaustiva do Estado Novo.
O SL Benfica foi sempre o núcleo que aproximou gentes de todas as classes sociais no debate diário na procura dos sucessos da instituição, verdadeira catarse quanto às agruras da vida. Os maiores ídolos foram, também e principalmente eles, vítimas de escárnio e injustiças várias. A principal dificuldade em ser jogador do SL Benfica era muitas vezes de carácter emocional, onde a constante pressão desaguava em ditado que sintetiza essa problemática, “a camisola pesa!”. Vencer e honrar o símbolo ao peito era e continua a ser essencial para garantir a tranquilidade perante tão interessada falange de apoio.
Corria o ano de 1970, Jimmy Hagan tinha acabado de chegar à Luz e José Augusto tinha sido recuado a adjunto, já depois de se assumir como treinador interino aquando da demissão de Otto Glória. O Sporting CP tinha interrompido novo “tri” benfiquista no Campeonato Nacional, como foi apanágio nos anos 60, e as coisas tinham piorado com o adeus precoce na Taça dos Campeões, consequência do afastamento nos oitavos depois da moeda ao ar escocesa (3-3 no agregado vs Celtic FC), que ditava um período conturbado num clube habituado a grandes êxitos.
Mário Coluna tinha sido empurrado para Lyon, Eusébio só renovou a muito custo depois de intensas negociações com Borges Coutinho (o SL Benfica cedeu às exigências da Pantera Negra, que se cifravam nos 4000 contos em dinheiro ou géneros, pouco quando comparado com a oferta bombástica da Juventus FC – 16 000 para ele, 7000 para o clube) e o treinador inglês não mostrava ainda as credenciais que levaram à invencibilidade de 1972-1973.
Os adeptos do SL Benfica têm demonstrado a sua insatisfação face ao desempenho da equipa Fonte: Página de Facebook – Rua Vieira
Tantas peripécias levavam os benfiquistas a mostrarem cabedal e a puxar pelo brio da equipa na Assembleia Geral de Dezembro de 1970: «Profissionais de quê? Sueca ou Bacaulhazada?», era o grito de ordem. Consequentemente, ou não, quase na viragem do ano recebeu-se o campeão verde e branco na Luz. Ao fim de hora e meia, fechou-se o placard com 5-1.
Contextos conturbados que se foram repetindo ad eternum na história encarnada, na maioria das vezes terminados por abruptas mudanças na perfomance das equipas, balanceadas pelo impacto da simbologia do Terceiro Anel. Era virada para lá que era feita a vénia a meio-campo no início de cada partida, gesto especial herdado dos japoneses depois de uma digressão (nesse mesmo Verão de 1970) e implantado pelo capitão António Simões, hábito entretanto perdido no tempo.
Infelizmente, já que era sinal desse intercâmbio entre atletas e público, magnânimo nas suas avaliações e timings de apoio, mas responsável por grande parte do espírito competitivo que a equipa demonstrava nas alturas cruciais. Vítor Paneira recordou, há bem pouco tempo e aos microfones do podcast #BenficadeQuarentena, projeto do Benfica Independente, essas sensações:
«Entrar no Estádio da Luz, quando se subia o túnel para entrar em campo, era uma coisa que nos arrepiava todos. Começávamos a subir as escadas (…) e olhávamos de frente para o terceiro anel e aquilo assustava! Entrávamos, (…) fazíamos a vénia: baixávamos a “cabecinha” todos ao mesmo tempo e contávamos até três… e aquilo entrava em erupção. Quando a gente se dirigia para eles, era uma coisa que contagiava tudo, era ali que se começava logo a vencer o jogo. Depois íamos à zona dos camarotes, quase ali até ao meio-campo. Mas o respeito, apesar de ser o mesmo, ir ao outro lado é que fazia toda a diferença».
À 22.ª jornada os Dragões ocupam a terceira posição da Primeira Liga com 48 pontos, menos 10 pontos do que o líder Sporting CP. Uma distância que é pouco habitual no futebol português, o que leva à necessidade de perceber o que deu errado nas oito partidas em que o FC Porto perdeu pontos (seis empates e duas derrotas).
O primeiro grande deslize deu-se no terceiro jogo oficial da temporada numa receção ao CS Marítimo. Os azuis e brancos saem derrotados da própria casa por culpa própria, revelando nessa partida uma grande fragilidade e passividade defensiva. O grande ponto fraco na partida foi a falta de organização na marcação dos avançados insulares, o que permitiu que fizessem três golos (o jogo terminou 2-3). A ineficácia dos Dragões no ataque pesou imenso no resultado, tendo em conta que o jogo termina com 10 remates à baliza e 11 ao lado por parte da equipa da casa.
Na partida seguinte jogava-se o primeiro clássico da temporada e houve novamente uma escorregadela do FC Porto, ainda que seja mais compreensível por ser em Alvalade e perante um Sporting CP que já não se via há muito tempo. Contudo, os Dragões estiveram a vencer desde o intervalo e sofreram um golo por culpa própria a três minutos dos 90′, registando mais uma vez um índice alto de passividade na defesa tendo em conta que Vietto aparece sozinho na cara da baliza para fazer o 2-2.
Sem deixar acabar o mês de outubro, o FC Porto volta a perder pontos num jogo em que poderia e deveria ter feito muito mais. O FC Paços de Ferreira, que é já a equipa revelação da principal prova portuguesa, foi bastante superior ao detentor do título e aos 60 minutos estava a vencer por 3-1. Embora o encontro tenha terminado por 3-2, os castores poderiam ter vencido por uma vantagem ainda maior. O lance do primeiro golo, em que a bola é enviada do flanco direito para o esquerdo pelos pacences, fez com que os azuis e brancos perdessem completamente a organização defensiva e abrissem um espaço no interior para Dor Jan marcar. A falta de marcação no segundo golo sofrido pelo FC Porto é ainda mais gritante, numa jogada em que o setor defensivo portista apenas viu jogar.
Os dragões só viriam a perder pontos novamente quase três meses depois frente ao SL Benfica a 15 de janeiro. As águias até marcaram primeiro, mas o FC Porto aos 25 minutos viria a empatar com um golo de Marega. O grande percalço do encontro foi a expulsão de Mehdi Taremi já perto do final do encontro, obrigando os dragões a baixar as guardas. Apesar disso, o resultado é um reflexo de um jogo muito equilibrado, embora com mais uma falha da dupla de centrais Pepe e Mbemba no golo do adversário.
O mês de fevereiro teve um grande impacto negativo na atual classificação do plantel comandado por Sérgio Conceição. No mês mais curto do ano o FC Porto participou em nove partidas entre a Primeira Liga, Taça de Portugal e Liga dos Campeões. Entre a 17.ª jornada e a 19.ª deram-se três empates consecutivos com Belenenses SAD, SC Braga e Boavista FC. No empate a zero no Estádio do Jamor, o FC Porto revelou bastantes dificuldades no processo ofensivo e não aproveitou a oportunidade de levar os três pontos contra uma equipa que não fez qualquer remate à baliza.
Frente ao SC Braga (2-2) os dragões portaram-se muito bem até ao segundo amarelo de Corona e consequente expulsão ao minuto 60. Os dragões não souberam gerir o jogo e defender o resultado, acabando por sofrer aos 87 e aos 94. Faltou alguma maturidade e frieza na hora de defender com tudo e levar a vitória para casa. Já na receção ao Boavista FC (2-2), o FC Porto foi completamente apanhado de surpresa e sofreu dois golos por pura desatenção e falta de agressividade. Manafá e Zaidu têm sido muito bons no ataque, mas precisam de melhorar no um para um a defender.
Por último, no mais recente clássico, contra o Sporting CP, o FC Porto criou várias oportunidades de golo, mas Mehdi Taremi e mesmo Marega estavam claramente num dia não. O Sporting CP não fez qualquer remate à baliza de Marchesín e veio ao Estádio do Dragão com o objetivo de fazer o melhor resultado possível frente a um adversário difícil, deixando os dragões assumir o jogo. Ainda assim, o jogo terminou com um empate a zero.
A CRÓNICA: ERROS DAS ÁGUIAS MUITO BEM APROVEITADOS PELOS LEÕES
Os percursos imaculados de Sporting CP e SL Benfica culminaram na final da Taça de Portugal, disputada em Santo Tirso. Nos quatro dérbis anteriormente disputados, as águias venceram sempre. Por isso, os leões esperavam quebrar o enguiço e levar a taça para Alvalade.
O primeiro set foi uma montanha russa de emoções. O Sporting CP entrou melhor, mas os encarnados descolaram no marcador e tiveram uma vantagem de quatro pontos. No entanto, o bloco do SL Benfica sofreu algumas dificuldades para manter a tendência, deixando os verdes e brancos empatar. Os leões continuaram embalados pelo ímpeto e deram a volta. No final, apesar de as águias terem ameaçado, o set não fugiu ao lado leonino (29-27).
Depois de um parcial inaugural de grandes emoções, os comandados por Gersinho foram melhores em quase todos os momentos do segundo. Apesar de alguma réplica encarnada, o Sporting CP manteve a vantagem do início ao fim, vencendo o segundo set por 25-22. Assim, estavam a apenas um set de vencer a Taça de Portugal de Voleibol.
Quando se pedia uma resposta ao SL Benfica, as águias disseram “presente”. Para garantir que o Sporting CP não vencia tão cedo o encontro, os encarnados realizaram um terceiro set de grande qualidade. Com um parcial de 16-25, era necessário jogar-se mais uns minutos de voleibol em Santo Tirso.
No quarto, que se revelou o derradeiro set, os leões mostraram as garras para fechar a final depois de um sufoco encarnado. Num parcial disputado até ao último ponto, o Sporting CP venceu por 28-26, fechando a partida no 3-1 final. Este resultado garantiu a 4.ª Taça de Portugal do clube, 26 anos depois.
— Sporting CP – Modalidades (@SCPModalidades) March 7, 2021
Primeiro set da partida – Por vezes, o início de um jogo é a meio gás, mas as duas equipas usaram todo o combustível. Com pontos longos e dificuldades em fechar o set, o Sporting CP acabou por levar a melhor e embalar os leoninos para a 4.ª Taça de Portugal do palmarés.
Erros do SL Benfica – Os encarnados pareciam querer entrar bem no encontro, mas alguns erros e problemas em fechar sets passaram a bola para o lado do adversário. Esta foi a primeira derrota dos encarnados em dérbis, durante a presente temporada.
ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP
A formação comandada por Gersinho apostou num bloco forte e no esforço para levar o SL Benfica ao erro. Durante todo o encontro, os leões pareceram mais frescos física e mentalmente, com cartadas certeiras do treinador no serviço e no contra-ataque.
FORMAÇÃO E PONTUAÇÕES
João Fidalgo (6)
Eder Kock (6)
Paulo Víctor (7)
André Saliba (7)
Miguel Maia (6)
Dvoranen (7)
Renan Purificação (7)
Bruno Alves (8)
Hélio Sanches (6)
Éder Levi (7)
ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA
Marcel Matz viu o melhor e o pior dos seus pupilos. No início do encontro, o SL Benfica apresentou-se muito organizado, mas com alguns problemas no bloco e no sideout. Apesar de algumas melhoras no terceiro set, hoje não foi um dia sim para os encarnados.
A CRÓNICA: MANCHESTER UNITED FC DE GALA QUEBRA RECORDE DE GUARDIOLA
Segunda volta de um dos dérbis mais cativantes do futebol mundial: Machester City FC vs Manchester United FC. De que cor será Manchester? O jogo começou, claramente, em tons de vermelho, com Martial a ser derrubado na área por um imprudente Gabriel Jesus e, na sequência, Bruno Fernandes a converter a grande penalidade. Dois minutos de jogo e parecia que os “Sky Blue” estavam atarantados com esta entrada dos homens treinados por Ole. Tanto que, logo a seguir, perderam uma bola na área e, se calha a ser outro jogador a apanhar a bola – no caso foi Luke Shaw –, poderiam estar a perder 0-2 aos quatro minutos.
Depois deste início de partida frenético, o Manchester City FC acalmou o seu jogo, começou a circular a bola, manter a posse, conseguindo – a espaços – quebrar o “autocarro vermelho” que se posicionava à sua frente. Rashford era a principal seta apontada à sua baliza, sempre que o Manchester United FC recuperava. Até ao intervalo, o resultado não se alterou, mas a toada ofensiva dos homens da casa e o contra-ataque rápido dos “Red Devils” prometiam para a segunda-parte.
O contra-ataque acabou por reinar. Início da segunda metade do desafio e o Manchester United FC, numa excelente saída de bola de Henderson (parecia Ederson), teve Shaw a conduzir, combinou com Rashford e recebeu de volta, atirando para o 0-2. Merecidíssimo prémio para o melhor em campo até ao momento, estando agora a atingir o potencial que muitos lhe identificavam quando iniciou a carreira e foi contratado pelos gigantes ingleses.
O Manchester City FC sentiu o segundo golo, começou a errar mais no passe e consequentemente a dar mais espaço ao Manchester United FC, que o tentava aproveitar. O resultado que se fixava no marcador aos 60 minutos era totalmente justo. Aliás, a melhor oportunidade de golo até aos 70 minutos foi mesmo de Martial, que isolado não conseguiu desfeitear Ederson, que fez uma excelente defesa.
Até ao fim, com as entradas de Walker e sobretudo de Foden, o Manchester City FC conseguiu estar mais perto do golo, mas o desacerto a finalizar foi sempre superior.
Com este 0-2, os “Red Devils” assumem de vez que são candidatos a garantir mais cedo um lugar no “top four” e os “Citizens”, apesar de não terem o campeonato em risco – 11 pontos de vantagem ainda –, têm aqui um aviso de que não há impossíveis no futebol e que têm de continuar a trabalhar ao mesmo nível para vencerem esta Primeira Liga Inglesa.
Manchester United FC – Confesso que não estava à espera desta exibição, não estavam numa fase particularmente fulgurante da época, mas os orientados por Solskjaer fizeram uma partida fantástica em casa do rival de Manchester. Muito sólidos do ponto de vista defensivo e muito inteligentes a interpretar as fraquezas do “City” sem bola.
Shaw foi o melhor em campo, juntamente com McTominay. Rashford também fez um excelente jogo, tal como Fred e Wan-Bissaka.
Manchester City FC – Por oposição, esta foi a partida mais fraca dos “Citizens” nos últimos meses, com muito pouco acerto no passe (algo totalmente invulgar na turma de Guardiola), um processo defensivo muito tremido e um ofensivo que, apesar de ter gerado algumas oportunidades, não teve o nível que habitualmente tem.
Rúben Dias fez o pior jogo que me lembro desde que está no Manchester City FC (sofreu sobretudo com a velocidade de Rashford) e Cancelo também não se apresentou ao seu melhor nível. Gabriel Jesus foi, de longe, o pior em campo e Sterling esteve mal a decidir e a finalizar. Destacaram-se Zinchenko e Stones, bem como Mahrez (o que mais tentou remar contra a maré).
ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER CITY FC
O líder – e futuro campeão da Primeira Liga Inglesa 2020/21 (digo eu) – entrou para este derby de Manchester com um 4-3-3, a tática que voltou a puxar os homens de Pep Guardiola para o comando do futebol inglês. Um onze que não apresenta qualquer novidade, com muita qualidade, dois portugueses a titulares e, se contarmos com Ederson, três “benfiquistas” no quinteto mais defensivo.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Ederson (6)
Cancelo (5)
Ruben Dias (5)
Stones (6)
Zinchenko (6)
Rodrigo (6)
Gundogan (7)
De Bruyne (6)
Sterling (5)
Gabriel Jesus (4)
Mahrez (6)
SUBS UTILIZADOS
Walker (6)
Foden (6)
ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER UNITED FC
Tal como optou por utilizar frente ao Chelsea FC há precisamente uma semana atrás, Ole Gunnar Solskjaer repetiu a tática (4-2-3-1) que, diga-se a verdade, não o tem submetido a derrotas, mas também não lhe tem trazido muitos triunfos. Com o duplo pivot Fred e McTominay, ao qual se junta Bruno Fernandes, muitas vezes consegue o domínio do meio-campo. Esse fator, na minha opinião, tem sido chave para as “clean sheets” que têm registado, disfarçando as debilidades de Maguire e Lindelof.
As principais novidades são a inclusão de Henderson na baliza e de Martial na frente de ataque, duas alterações que melhoram, do meu ponto de vista, a qualidade dos “Red Devils”.