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Carta do Sporting CP ao Pai Natal

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Querido Pai Natal, espero que se encontre bem. Espero que não tenha tido nenhuma complicação de saúde até porque já pertence ao grupo considerado de risco. Pena que na Lapónia ainda não tenham plano de vacinação. Será que vai conseguir ter livre trânsito para nos vir entregar os nossos presentes? Aqui em Lisboa não sei se passa. A menos que traga umas caixas com alguns brindes aí do clube da terra para entregar nalguma operação de controlo.

Antes que passe ao assunto que me fez escrever esta carta devo dizer que me tenho portado muito bem. Pelo menos em comparação com os meus amigos e colegas, posso até considerar-me um santo.

Pode até conseguir apontar-me o pecado de me irritar com algumas injustiças de que sou alvo e apontar o dedo a outros, mas apenas peço justiça. Porque se estiver à espera da justiça do teu amigo “Jesus”, faleço de velhice à espera e ainda sou muito novo.

Eu sei que devia escrever-lhe só para dizer o que gostaria de receber neste Natal, mas sinto que devo ajudá-lo nesta tarefa justiceira de perceber quais os que merecem e não merecem receber. É que nestes últimos anos, meu querido Pai Natal, tem andado muito distraído, porque vejo colegas meus, da minha escola – Escola da Liga Portuguesa de Futebol – que recebem presentes mesmo quando todos sabem que passam o ano a mentir, a trapacear e a roubar. Acho que devia ir ver o que se passa atrás dos pavilhões lá da escola. Quer que lhe dê os nomes? Posso deixar-lhe uma lista junto ao prato de bolachinhas e leitinho quentinho.

Mas passando ao que realmente importa, se me achar digno, gostaria de deixar aqui alguns pedidos para o Natal.

Em primeiro lugar gostaria que na minha escola fosse tratado de uma forma igual aos meus colegas. Peço-lhe, Pai Natal, que consiga livrar-me do bullying que sofro de professores e colegas. É-me exigido que me comporte segundo as regras, mas, depois, essas só servem para me castigar a mim. Peço que a meritocracia seja valorizada em vez dos “meninos do professor”.

O Natal é, normalmente, uma época de pouca esperança e sentimento de sucesso
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Peço também que a minha família Sportinguista se una, independentemente dos tios, tias, primos, primas e enteados. Espero que neste Natal se juntem todos na mesa da consoada, consigam entender-se de forma a ficarmos mais fortes e chegar a um final feliz. E que perdoem o irmão expulso de casa, porque só com gestos desses se pode pedir união e paz numa família.

Se não for pedir muito gostaria ainda de pedir uma consola de jogos para poder levar a minha equipa de coração a ganhar títulos nacionais e internacionais. Quero poder comprar mais um central de qualidade para minha equipa, um ponta de lança que marque muitos golos, mais dois ou três, para poder ter boas alternativas à equipa base que vem no jogo.

Peço que as restrições do COVID deixem de ser necessárias, para que a nossa família se possa juntar aos fins de semana para conviver, abraçar, festejar sempre que algum de nós tem sucesso. A nossa família depende disso. Depende dessa força, dessa união.

Quero tornar-me, no futuro, um menino sábio, forte, vencedor. Por isso só peço oportunidades iguais às dos outros. Porque eu porto-me bem, e quero continuar a acreditar que só os que se portam bem merecem receber presentes. Ou terei de me portar como os outros para receber o que desejo?

Por tudo isso, Pai Natal, espero que me considere digno de receber o que tanto desejo. Se não conseguir, que seja apenas porque algum menino mereceu mais que eu.

Pai Natal, desejo-lhe sorte na sua viagem na noite em questão, não se constipe.

Um abraço do seu amigo Sporting Clube de Portugal.

«O SC Braga tem melhor plantel do que o Sporting CP» – Entrevista BnR com Augusto Inácio

Filho de uma Lisboa castiça, Augusto Inácio nasceu e cresceu numa família de leões onde só era permitido sonhar com um futuro de trabalho que valesse o pão à mesa. O futebol entrou na sua vida sem pedir licença. E Augusto tornou-se Inácio, um tanto por acaso, outro por talento, mas muito mais por vontade – a mesma que sempre fez as bancadas fixarem o olhar no canhoto franzino e raçudo que disputava cada lance como se fosse questão de vida ou morte. Campeão no “seu” Sporting, foi ao serviço do FC Porto que conquistou a Europa e o mundo. Como treinador, correu o globo inteiro, mas foi em casa que logrou o seu maior feito, devolvendo o título de campeão nacional ao Sporting, em 1999, após uma longa espera de 18 anos. Jogador, treinador, comentador e dirigente desportivo. Augusto Inácio, 65 anos, é hoje o protagonista de uma entrevista que atravessa uma vida inteira e uma carreira repleta de histórias (da bola) para contar.

«Eu, inocentemente, respondo: “- Quem é o Ayala?”. “- O jogador da seleção da Argentina”, diz o Juca. E eu respondo: “- O Ayala é que vai apanhar o Inácio do Alto do Pina”»

 

Bola na Rede: Ainda te lembras do momento em que o futebol passou a fazer parte da tua vida?

Augusto Inácio: Sim, isto começou tudo na minha “meninice”. Lembro-me que qualquer bocadinho era para jogar à bola. Bolas ou chuteiras… isso era mentira. Jogava descalço ou com os sapatos que só usava ao domingo, que era o dia de família. De resto, era com chinelos ou mesmo descalço. Punha uns papéis nas meias da minha mãe para fazer as bolas e jogávamos com portas a fazerem de balizas, a minha e a dos meus vizinhos, e quem metesse lá a bola marcava golo.

Bola na Rede: Eram outros tempos…

Augusto Inácio: Sim. Lembro-me também que roubávamos as bolas dos matraquilhos para jogarmos. Até jogávamos de sarjeta a sarjeta, e quando alguém marcava golo tínhamos de lá pôr a mão para recuperar a bola e continuar o jogo. Depois, fui crescendo. Quando fui para a escola Afonso Domingues, em Marvila, já com os meus 16 anos, o meu professor de ginástica disse-me que tinha jeito para o futebol e deu-me um cartão para ir aos treinos de preparação do Sporting. E eu fui. Na primeira vez, perguntaram-me em que posição jogava e respondi que era extremo esquerdo. Na segunda, a mesma coisa, mas dessa vez disseram-nos ao intervalo que quem quisesse podia trocar de lugares. Como estava a jogar a extremo, driblava bem, mas era muito franzino e quando cruzava a bola não chegava à área, pensei: “– Augusto, vai mas é para trás e os outros que cruzem. Tu ficas aqui mais folgado e nem corres tanto”.

Bola na Rede: “Desceste” para defesa-esquerdo e não saíste mais de lá.

Augusto Inácio: E não saí mais de lá. (risos) Fiquei no Sporting, fiz uma época nos juvenis e outra nos juniores, e quando esperava – como todos os outros da minha idade – que a minha vida seria trabalhar de dia e jogar à noite, o Sporting apresenta-me uma proposta para ser profissional de futebol, com um contrato de dois anos. Eu só perguntei: “– Onde é que está o papel para assinar?”. (risos) Eu só queria assinar…

Bola na Rede: E ainda te lembras da tua estreia na equipa principal do Sporting?

Augusto Inácio: Sim, foi em 1975, num jogo para a Taça de Portugal, em Coimbra, contra a Académica [vitória do Sporting por 4-1]. O treinador era o Fernando Riera. O jogo já estava resolvido e entrei a três minutos do fim.

Bola na Rede: Nessa equipa jogavam o Vítor Damas e o Yazalde. Como foi para um miúdo de 20 anos partilhar o balneário com estas figuras do futebol português?

Augusto Inácio: Era tratando os craques por “senhor”. Até nos treinos. Naquela altura, havia muitos treinos conjuntos entre o plantel principal e as reservas. E antes da estreia pela equipa principal já jogava nas reservas. Há lá uma vez em que faço uma grande jogada, uma “cuequinha ao José Carlos e depois o Vítor Damas sai e com o pé esquerdo faço uma “trivelada” e marco golo. O José Carlos veio ter comigo e disse-me: “– Oh miúdo, voltas a fazer isso e levas duas chapadas no focinho”. Eu só respondi: “– Desculpe, senhor José Carlos, não volta a acontecer”. (risos)

Bola na Rede: A tua família é toda sportinguista, não é? Como é que foi quando começaste a jogar no Sporting?

Augusto Inácio: Era toda sportinguista. O meu pai, a minha mãe, os meus irmãos… Era um grande orgulho. Ainda por cima a família foi toda viver para o Lumiar. Na altura, o peão do Estádio de Alvalade não era fechado, os meus pais viviam num 7.º andar e da janela conseguiam ver o relvado todo. Viam os treinos, viam os jogos… Às vezes até tinha vergonha. Estava a treinar e os meus colegas começavam: “– Oh Inácio, estão ali os teus pais a ver”. Eu baixava a cabeça, acenava assim com a mão [faz gesto a acenar], um bocado envergonhado… Para eles era um grande orgulho.

Bola na Rede: Sempre acompanharam o teu percurso de perto…

Augusto Inácio: Sempre, sempre. Acreditavam muito no meu valor, mas nunca tendo incentivaram para que seguisse uma carreira de jogador de futebol. Foi algo que surgiu naturalmente. Quando fui viver para o Lumiar tinha 14 anos e pratiquei boxe, andebol, hóquei em patins, mini-basquete… E até gostava muito de hóquei em patins. Era guarda-redes, porque mal sabia patinhar (risos), mas a determinada altura fui confrontado entre o hóquei em patins e o futebol. Escolhi o futebol, que era a modalidade que mais gostava de praticar, mas tive pena de não continuar no hóquei em patins. Pensei cá para comigo: “– Augusto, fazes um ano como juvenil e um ano como júnior e depois fazes como todos os outros, vais tirar o curso na escola industrial Afonso Domingues, em Marvila, vais trabalhar para a companhia dos telefones – que era aquilo que os meus colegas iam todos fazer – e, à noite, jogas no Savanense ou no Oriental, um clube assim.

Bola na Rede: Mas quando chegas ao Sporting não tens o sonho de ser jogador de futebol profissional?

Augusto Inácio: Não, não. Fazia aquilo por desporto, mas sabia que chegar à primeira equipa do Sporting era uma coisa muito difícil, muito complicada. Só quando me deram o primeiro contrato de dois anos é que comecei a pensar nisso. Tinha 18 anos e só quando fiz 20 anos pensei: “– Augusto, agarra-te a isto, que é a tua ‘ferramenta’ para a vida. Vai à luta e à procura do sonho”. Por isso, só a partir dos 20 anos é que comecei a sonhar que podia ser jogador de futebol profissional.

Bola na Rede: Que memórias guardas desses primeiros anos no Sporting?

Augusto Inácio: Costumo dizer que jogava na equipa dos “minhocas”, entre os 18 e os 20 anos. Todas as semanas tínhamos um jogo. No Cartaxo, em Coruche, em Santarém… Era engraçado. Os jogos eram à noite e chegávamos a casa às 2h/3h da manhã. Quando vínhamos no autocarro dizíamos: “– Ganhámos mais um jogo da taça das cidades com vinhas”. No fim havia sempre o jantar, o vinho… Mas havia jogos toda a semana, o que era bom.

Bola na Rede: Dava para rodar toda a equipa…

Augusto Inácio: Sim, andávamos ali a jogar naqueles “pelados”. Mas Sporting é Sporting, seja nos juniores, nas reservas… Sporting é sempre Sporting. Nesses anos andei a trabalhar no duro para honrar a camisola do Sporting.

Bola na Rede: E passas a titular da equipa principal em 1975, com 20 anos. Era o Juca o treinador…

Augusto Inácio: Sim. Entretanto, o Sporting teve dificuldades na posição de defesa-direito. Houve um jogo em que o [Fernando] Tomé se lesionou e o Sporting não tinha outro defesa-direito. Nessa altura fomos jogar a Madrid, contra o Atlético de Madrid, para a festa de despedida de um guarda-redes espanhol chamado Rodri. Nessa equipa do Atlético de Madrid jogava o extremo-esquerdo da seleção da Argentina, o [Rúben] Ayala. E o Juca pergunta-me: “– Oh miúdo, tens algum problema em jogar a defesa-direito?”. Eu respondi: “– Oh mister, eu quero é jogar, nem que seja a guarda-redes. Meta-me a defesa-direito, a ponta de lança, a defesa-central… eu quero é jogar”. E ele: “– Mas tu sabes quem vai apanhar?” E eu: “– Quem, mister?”. “– O Ayala!”, diz-me o treinador. E eu, inocentemente, respondo: “- Quem é o Ayala?”. “– O jogador da seleção da Argentina”, diz o Juca. E eu respondo: “– O Ayala é que vai apanhar o Inácio do Alto do Pina”. (risos) Fomos então a Madrid, começa o jogo e logo no primeiro minuto o Ayala vem com a bola, ele era muito rápido, e dei-lhe uma “porrada” que ele virou os pés pela cabeça. E ele diz-me: “– Hombre!”. E eu: “– Qual hombre qual quê seu..”. Bom, o que disse a seguir já não posso reproduzir aqui. (risos) E foi assim, com raça, que comecei a conquistar a minha posição. Naquela época era inimaginável um esquerdino jogar a defesa-direito, destros a jogar a defesa-esquerdo sim, acontecia, mas o contrário não. Que me recorde fui o primeiro a jogar assim. O certo é que joguei dois anos a defesa-direito e ainda fui convocado à seleção nacional pelo José Maria Pedroto a jogar a defesa-direito. Depois, o [Fernado] Da Costa, um jogador brasileiro, teve um problema e fui para defesa-esquerdo, que acabou por ser o meu lugar ao longo de toda a carreira.

Bola na Rede: Falaste de raça. Esse era, de facto, a tua principal característica. Seres um jogador combativo era o que melhor te distinguia dos outros?

Augusto Inácio: É isso mesmo. Já nos juvenis cheguei a ganhar um prémio de “Jogador mais combativo” num torneio em Setúbal. Nunca me esqueci, porque foi a primeira medalha que ganhei. Realmente, a minha maior força era a raça, a determinação, a vontade, o querer… Era um daqueles jogadores que nunca dava nenhuma bola por perdida e isso foi uma característica que se foi interiorizando cada vez mais ao longo da minha carreira. Acho que se não fosse assim não teria chegado onde cheguei – e, diga-se, cheguei onde nunca imaginei chegar.

Bola na Rede: Nestes anos todos de futebol, alguma vez te cruzaste com algum jogador onde te tenhas revisto? Para quem não se recorda do Augusto Inácio jogador, qual é o defesa-esquerdo do futebol português contemporâneo mais parecido contigo?

Augusto Inácio: O Rui Jorge, que era extremo quando era miúdo no FC Porto. Lembro-me que, já no final da minha carreira, ia ver os jogos das camadas jovens na “Constituição”, no “pelado”, e vi um miúdo muito traquina, a jogar pelo lado esquerdo, e perguntei quem era. Disseram-me que se chamava Rui Jorge e fiquei com aquela. Quando terminei a carreira e comecei como treinador na equipa de juniores do Porto pedi a lista dos jogadores, que já incluía os nomes dos miúdos que a ser dispensados. E um deles era precisamente o Rui Jorge. Travei aquilo. Disse logo que, para já, não saía ninguém e quem ia dispensar seria eu. Fiquei ali uns dias com 90 jogadores, tive de mandar uns 30 ou 40 embora, mas um dos que ficou – e que ia ser dispensado – foi o Rui Jorge. Diziam-me que ele ia pouco aos treinos, que queria mais os estudos, e que não era competitivo, mas eu disse que gostei do miúdo e que ia ficar com ele. Qual é a sorte do Rui Jorge? Vamos para um torneio na Venezuela, eu até já estava de férias, mas chamaram-me, para um torneio de sub-23. Aquilo era um torneio espetacular, cheio de seleções, da Venezuela, do Peru, clubes só mesmo o FC Porto e o Perugia de Itália. O Álvaro Gregório, que era o defesa-esquerdo daquela equipa tinha ido para a seleção nacional. E nesse torneio meto o Rui Jorge a jogar, e o miúdo dá uma resposta espetacular. Entrentanto, vai começar o campeonato em Portugal e eu fico com uma “batata quente” na mão: Álvaro Gregório ou Rui Jorge. Bom, o Álvaro é da seleção, começo com o Álvaro. Não gostei da primeira partida do Álvaro Gregório, chamei-o ao meu gabinete e disse-lhe que não me interessava as internacionalizações que ele tinha, que ele tinha de ter cuidado porque estava a jogar com uma certa sobranceria e eu não queria aquilo. No Porto é para “rasgar” e dar tudo dentro do campo. Ele ficou muito surpreendido a olhar para mim, mas no jogo seguinte voltei a colocá-lo a titular. Tirei-o logo aos 20 minutos para colocar o Rui Jorge e, a partir daí, o Rui nunca mais saiu da equipa. Revejo-me muito no Rui Jorge, um jogador muito determinado, muito raçudo, muito técnico, muito inteligente e com uma forte personalidade…

Carta ao Pai Natal do Futebol

Olá, Pai Natal.

Há já vários anos que deixei de acreditar em ti, mas agora que tenho uma sobrinha de dois anos, fui obrigado a revisitar-te. Coincidência ou não, escolhi um ano muito estranho e atípico para te voltar a escrever. Acredito que todos os anos recebas muitos pedidos relacionados com desporto e com o futebol e é precisamente sobre futebol que te venho falar.

O que raio se passou em 2020? Não chegava este vírus miserável que nos faz estar sempre a abafar de máscara e escondidos em casa, ainda vimos o nosso futebol suspenso, perdemos o Maradona, o Paolo Rossi, o Gerard Houllier, o Reinaldo Teles e o Vítor Oliveira. O futebol lá acabou por voltar, mas despido de público, o que acaba por saber àquele bife maravilhoso que alguém se esqueceu de temperar com sal.

E se as coisas já pareciam descontroladas, tivemos o Liverpool FC campeão 30 anos depois, uma final eight da Liga dos Campeões em Lisboa, o Sporting e o Lille são líderes dos seus respetivos campeonatos e nem Messi nem Ronaldo ganharam o prémio Best da Fifa. Ah, e agora jogar com três centrais voltou a ser moda.

Depois de um ano tão difícil, não me vais levar a mal, mas vou ter de me alongar um pouco nos pedidos. É que não é só para mim, é para milhões de pessoas que colocam um pouco de esperança e de passatempo no nosso desporto favorito. Além disso, quero que a minha sobrinha se apaixone por futebol da mesma forma que eu me apaixonei nos anos 90.

Ora, então se não te importas, aqui vai a minha lista de natal e de desejos para 2021:

  • Dizer adeus ao vírus;
  • Que o publico volte aos estádios em condições de segurança;
  • Que Portugal revalide o título de campeão europeu;
  • Que os números “10” deixem de jogar como extremos;
  • Que deixem de existir programas televisivos só para analise de lances de arbitragem;
  • Que as equipas que não privilegiam a posse de bola deixem de ser apelidadas de anti -futebol;
  • Que o adepto comum de futebol perceba que todas as estratégias são válidas e uma equipa não deixa de ter mérito na vitória por passar a maior parte do tempo de jogo a defender;
  • Um bolo Rainha;
  • Frutos Secos;
  • Que o Bruno Fernandes e o Diogo Jota continuem a rebentar com a Liga inglesa;
  • Que o Cristiano continue a rebentar com a Liga italiana;
  • Que o Bola na Rede continue o seu crescimento sustentado;
  • Já disse que queria que o publico voltasse aos estádios? Que saudades de festejar um golo abraçado à namorada ou ao melhor amigo…;
  • Que os Presidentes dos clubes deixem de falar apenas quando se sentem prejudicados pela arbitragem;
  • Menos despedimentos de treinadores;
  • Mais paciência e respeito para que treinadores possam implementar as suas ideias;
  • Mais destaque e capas de jornais aos nossos restantes atletas, como Miguel Oliveira;
  • Um peru de natal;
  • Umas meias quentinhas;
  • Que as equipas de escalões inferiores encontrem uma forma de contrariar a grave crise financeira que atravessam;
  • Equipas portuguesas competentes nas competições europeias;
  • Que os valores das transferências sejam definidos pela valia dos atletas e não pelas percentagens de comissões;
  • Muitos e bons jogos, não só em Portugal.

Espero que não aches que pedi demais.

Um grande abraço.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Uma (pequena) carta ao Pai Natal das Modalidades

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Mundo das Modalidades BnR, 24 de Dezembro de 2020

Querido Pai Natal das Modalidades,

Depois de um ano tão complicado, acreditamos que os pedidos sejam muitos. Além dos desejos de saúde e da mudança de paradigma, pedimos também um espacinho para nós. Sim, as modalidades, o setor desportivo mais afetado pela pandemia. A prenda que te pedimos é simples, e esperamos que a consigas entregar no decorrer do próximo ano.

Antes de avançarmos, queremos mencionar e dar uma palavra amiga pelo esforço, não só da Direção-Geral de Saúde e dos profissionais de saúde, mas também das entidades responsáveis pela organização das competições desportivas em Portugal e em todo o mundo, que não perderam forças mesmo nesta situação tão complicada de gerir. Sem eles, provavelmente nada teria sido feito, e aí sim, 2020 não teria sentido para as nossas Modalidades.

Como já mencionado, Querido Pai Natal, 2020 tem sido um ano muito complicado para todos. O mundo tem sido assolado pela pandemia da COVID-19. Neste contexto, o que te pedimos é simples. Para além de um desejo generalizado de que tudo isto passe e que tudo possa voltar ao normal o mais rápido possível, como és o Pai Natal das Modalidades, também temos alguns pedidos a fazer neste ramo.

Depois de pedirmos as prendas ligadas à saúde e à pandemia, falemos de vitórias. Em 2020, felizmente, não faltaram medalhas e troféus para as modalidades em Portugal. Por exemplo, nos Desportos Motorizados, António Félix da Costa foi campeão na Fórmula E e Filipe Albuquerque campeão na categoria LMP2 da WEC. No entanto, Pai Natal, nunca serão suficientes. Queremos mais medalhas de ouro (mas sem ser as de chocolate) no sapatinho dos portugueses que tanto se esforçam para serem os melhores.

Para além destas medalhas, Querido Pai Natal, queremos que saibas que 2020 também nos trouxe coisas boas, em termos de organização de eventos. Trouxe-nos a Fórmula 1 de volta a Portugal, 24 anos depois; Portugal também foi palco da MotoGP e da WSBK. Que dizes, não podemos tê-los de volta?

Esperamos que 2021 seja um ano muito mais feliz para as Modalidades do que 2020 foi. Com toda a situação, muitas alterações foram feitas e muitas das competições tiveram que ser adiadas, ou, infelizmente, canceladas. 

E, quando falamos em competições canceladas, incluímos os Jogos Olímpicos e Jogos Paralímpicos de Tóquio, que, esperemos que se realizem em 2021, pois queremos ver os nossos olímpicos e paralímpicos portugueses a mostrarem a sua garra, no melhor que sabem fazer, a representar as nossas cores pelo mundo fora. E aí, Pai Natal, não conseguimos negar o nosso orgulho nestes atletas, que tiveram também que lidar com a pandemia, mas nem isso os travou para continuarem a lutar pelo seu lugar no Desporto. 

Para 2021, pedimos muito sucesso para os nossos atletas portugueses
Fonte: COP

Por fim, sentimos falta do público nas bancadas. O espetáculo continua, mas, se não for pedir muito, esperamos que, em breve, possamos ter novamente o barulho ensurdecedor a apoiar os nossos atletas. Por exemplo, na incrível vitória de Miguel Oliveira, em Portimão, faltaram os fanáticos das duas rodas para cantar o hino português em uníssono com o nosso campeão.

Assim nos despedimos, Querido Pai Natal, mas esperamos que tenhas recebido a nossa mensagem. Demos ênfase a um dos anos mais difíceis que já ultrapassamos, mas, em contrapartida, tivemos um dos anos mais bonitos para os nossos atletas portugueses nas Modalidades. 

Em 2021, esperamos que nos tragas aquilo que pedimos, e damos-te uma pequena sugestão: Continua a acompanhar os nossos atletas portugueses por esse mundo fora. Prometemos que não te vais arrepender.

Com votos de saúde e de um Feliz Natal,

A equipa da Secção das Modalidades do Bola na Rede.

Foto de Capa: João Barbosa/Bola na Rede

Artigo redigido por Angelina Barreiro e Clara Maria Oliveira

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

As 5 melhores exibições da 10.ª jornada da Liga

Imediatamente antes da pausa natalícia, a décima jornada da Liga trouxe de regresso a principal prova do futebol nacional. Uma ronda, sobretudo, de extremos, em que, nalguns jogos, ocorreram goleadas, quando, por outro lado, nos primeiros quatro jogos foram marcados apenas dois.

Em termos classificativos, nota para os 100% de aproveitamento das cinco equipas que se encontram nas posições cimeiras, bem como para o regresso do SC Farense aos lugares de despromoção, em troca com o CS Marítimo.

Posto isto, é altura de olharmos para a esfera mais individual do jogo, em que iremos destacar as cinco melhores exibições da décima jornada do campeonato.

HC Turquel 1-2 SL Benfica: Encarnados conseguem vitória “tirada a ferros”

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A CRÓNICA: HC TURQUEL VENCEU CARA A DERROTA

O HC Turquel recebeu o SL Benfica em jogo em atraso da 11.ª jornada do campeonato de Hóquei em Patins. A equipa treinada por João Simões vendeu cara a derrota perante os encarnados.

Na primeira parte, os visitantes tiveram mais posse e mais tempo de ataque, mas o HC Turquel não se deixou atemorizar e controlou bem os movimentos dos encarnados e nunca deixou de tentar contra-atacar. O SL Benfica ainda teve oportunidade soberana para marcar numa grande penalidade por Nicolia, defendida por Diogo Almeida.

A quatro minutos do intervalo, depois de uma situação ofensiva, o Benfica esqueceu-se de Vasco Luís, que rodopiou dentro da área para fazer o 1-0. Os visitantes acabariam por empatar logo a seguir por Nicolia, numa stickada potente fora de meia distância.

Na etapa complementar, o HC Turquel veio com uma atitude diferente, mais ofensiva, com mais unidades em ataque organizado. Contudo, a 12 minutos do fim da partida, numa jogada de insistência do Benfica, Edu Lamas consegue colocar os encarnados na frente da partida.

A equipa da casa ainda teve oportunidade para empatar por Vasco Luís a castigar a décima falta do SL Benfica, mas Pedro Henriques defendeu.

Vitória à justa do SL Benfica frente a uma equipa que, apesar de estar nos lugares de despromoção, deixou uma boa imagem e podia ter saído com ponto da partida.

 

A FIGURA 

Edu Lamas SL Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Edu Lamas – Fez o golo decisivo para a vitória. Foi ainda importante a conter a reação da equipa do HC Turquel, depois de alcançada a vantagem, ao segurar a posse e a permitir a equipa respirar longe da baliza de Pedro Henriques.

O FORA DE JOGO

Poucos golos – Num jogo muito tático, acabou por haver espaço para poucos golos e também com as oportunidades a não serem muitas durante a partida.

 

ANÁLISE TÁTICA – HC TURQUEL

O HC Turquel apresentou-se defensivamente muito compacto, na primeira parte. Apenas Vasco Luís ficava mais adiantado, com os outros três dedicados sobretudo à defesa, deixando-o desemparado. Na segunda parte, a equipa do distrito de Leiria preocupou-se mais em atacar com mais elementos.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Almeida (8)

Tiago Rafael (6)

 André Pimenta (8)

André Moreira (7)

Vasco Luís (7)

SUBS UTILIZADOS

Gonçalo Duarte (-)

Lucas Vicente (6)

 Afonso Severino (6)

Tiago Mateus (6)

Daniel Passos (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

O SL Benfica tentou desbloquear a partida, tentando o ataque organizado desde o início da partida. Nicolia e Ordoñez eram os criativos para tentar desbloquear a partida, mas sem muito espaço. Na segunda parte, com o HC Turquel a apostar mais no ataque, o Benfica tentou apostar mais em transições rápidas.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pedro Henriques (7)

Valter Neves (7)

Miguel Vieira (7)

Edu Lamas (8)

Ordoñez (6)

SUBS UTILIZADOS

Marco Barros (-)

Diogo Rafael (7)

Nicolia (8)

Aragonès (6)

Rampulla (6)

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

FC Porto 2-0 SL Benfica: O primeiro troféu da época segue para o Dragão

A CRÓNICA: MUITO FUTEBOL FALADO, POUCO FUTEBOL JOGADO

FC Porto e SL Benfica encontraram-se em Aveiro para disputar a 42ª edição da Supertaça Cândido de Oliveira. Com uma data pouco habitual para este troféu, que costuma ser disputado em agosto, antes do início do campeonato, ambos os clubes entraram em campo para pôr em prática todo o “jogo falado” que vinha sendo feito desde o final da última época.

A verdade é que o primeiro tempo foi realmente recheado de luta, duelos, faltas, mas com muito pouco futebol jogado. Ambas as equipas cedo demonstraram a sua clara vontade de explorar as costas das defensivas adversárias e isso fez com que o jogo estivesse mais partido numa primeira fase. Os rasgos individuais foram escassos e houve apenas dois lances de grande perigo, um para cada baliza.

Primeiro, para o FC Porto, aos 22′, quando Corona recebeu em posição privilegiada no meio-campo adversário e lançou Taremi nas costas de Otamendi. O iraniano, isolado, foi travado em falta por Vlachodimos e Hugo Miguel, com recurso ao VAR, assinalou grande penalidade. Na cobrança do castigo máximo, Sérgio Oliveira colocou os dragões em vantagem, enganando o guarda-redes greco-alemão das águias.

A resposta foi imediata e surgiu aos 27′ por Grimaldo. O lateral tabelou com Waldschmidt e recebeu já perto da pequena área portista, mas Marchesín opôs-se com classe e salvou a vantagem dos dragões até ao intervalo. Muito jogo falado, mas pouco jogado no primeiro tempo.

O segundo tempo regressou com a mesma toada, embora com alguma ascensão dos homens de Sérgio Conceição. Aos 50′, Uribe foi o primeiro a testar um dos guarda-redes nos segundos 45′, com um remate forte de fora da área.

No SL Benfica, o único que conseguia criar perigo era, estranhamente, Grimaldo. O defesa esquerdo foi o único jogador dos encarnados a rematar à baliza portista. Os homens de Jorge Jesus tiveram três remates enquadrados com a baliza de Marchesín, em que dois destes foram livres batidos pelo espanhol. O que causou mais perigo foi aos 87′, com a bola a descrever um arco impressionante e a  embater com estrondo na trave da baliza portista.

No entretanto, o FC Porto podia ter ampliado a vantagem no marcador aos 72′, quando, primeiro Mbemba e depois Marega, não conseguiram ultrapassar Vlachodimos, na sequência de um pontapé de canto.

Aos 87′, Luis Díaz selou a partida. Após uma recuperação de Toni Martínez, Corona assistiu o colombiano que, em frente a odysseas, não perdoou. Estava fechado o encontro e o destino da Supertaça.

O FC Porto vence, então, o principal rival pela primeira vez na época e arrecada também o primeiro troféu em disputa.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Matheus Uribe – O médio colombiano, juntamente com Sérgio Oliveira, foi um autêntico tampão no meio-campo portista e aproximou-se também da baliza encarnada aos 50′, com um remate perigoso que obrigou Vlachodimos a uma boa intervenção.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Rafa Silva – O extremo português esteve em evidência pela negativa, somando 13 perdas de posse  de bola até aos 64′, quando foi substituído por Seferovic.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

O FC Porto, no seu 4-4-2 habitual, procurou explorar as costas de Otamendi e Vertonghen, os elementos teoricamente mais lentos da defensiva encarnada. Destaque para Marega que, em várias transições ofensivas portistas, se colou a Grimaldo, de forma fazer a diagonal por trás do lateral e surpreender a dupla de centrais.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

 Marchesín (7)

Manafá (6)

Mbemba (6)

Pepe (6)

Zaidu (6)

Corona (6)

Uribe (7)

Sérgio Oliveira (7)

Otávio (6)

Marega (6)

Taremi (7)

SUBS UTILIZADOS

Diogo Leite (6)

Luis Díaz (7)

Toni Martínez (6)

Grujic (6)

Romário Baró (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

O SL Benfica apresentou-se no habitual 4-4-2, com Waldschmidt a juntar-se a Darwin na frente de ataque. Os encarnados procuraram muito o avançado uruguaio, que fez constantes movimentos para as laterais, de forma a abrir espaço para Waldschmidt e Rafa entrarem diagonais entre os centrais portistas.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Vlachodimos (6)

Gilberto (6)

Otamendi (6)

Vertonghen (5)

Grimaldo (7)

Rafa (5)

Weigl (5)

Taarabt (5)

Everton (5)

Waldschmidt (5)

Darwin (5)

SUBS UTILIZADOS

Seferovic (5)

Nuno Tavares (5)

Diogo Gonçalves (5)

Pedrinho (5)

Os 10 melhores sul-americanos no Reino do Leão | Sporting CP

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Dizem que qualquer equipa precisa de ter alguns sul-americanos nas suas fileiras, seja um brasileiro, um argentino, um uruguaio – só eles têm aquela “gingada”, típica dos latinos, que desbloqueia os jogos mais complicados. Num mundo globalizado, todas as equipas começaram a explorar o mercado sul-americano nos últimos anos.

O Sporting Clube de Portugal, ao longo da sua história, teve o privilégio de contar com grandes craques sul-americanos. Defesas imponentes, verdadeiros artistas da bola e temíveis goleadores, todos eles fizeram história de leão ao peito e imortalizaram o seu nome na memória dos adeptos leoninos.

Atualmente, o uruguaio Sebastián Coates é o sul-americano em maior evidência no Sporting CP, pelo se torna interessante listar um top dez dos melhores jogadores oriundos da América Latina que envergaram a mítica verde e branca desde a década de 70 até aos dias de hoje.

FC Porto x SL Benfica | 11 combinado para a Supertaça

FC Porto e SL Benfica encontram-se esta quarta feira para decidir o campeão da Supertaça. Se é verdade que ambas as equipas atravessam momentos de forma e de qualidade do jogo menos bons, também é inegável a qualidade individual presente em ambos os emblemas.

DRAGÕES E ÁGUIAS EM BUSCA DO ÚLTIMO TROFÉU DE 2020. QUEM VENCERÁ? APOSTA JÁ NA BET.PT!

Pegando precisamente nesta qualidade, elaborei um 11 combinado das duas equipas. As escolhas foram feitas com base na qualidade dos jogadores, mas sobretudo devido ao seu rendimento nesta época.

Arrisco-me a dizer que esta equipa dominava o campeonato e podia sonhar com sucesso europeu.

Golden State Warriors 99-125 Brooklyn Nets: Amigos amigos, negócios à parte

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A CRÓNICA: CURRY ABRAÇOU KD, MAS OS WARRIORS NÃO ABRAÇARAM CURRY

O jogo inaugural da temporada 2020/2021 teve início em Brooklyn, num confronto de reencontros de «velhos» amigos. A partida, essencialmente, marcou o regresso das estrelas. Kevin Durant voltou após a lesão gravíssima sofrida diante os Raptors em 2019 (curiosamente a representar a equipa dos Warriors), ao passo que Stephen Curry e Kyrie Irving já não atuavam desde março e fevereiro, deste ano, respetivamente.

O início do encontro ficou marcado com um abraço simbólico entre Curry e KD que partilharam os balneários entre 2016 e 2019.

O arranque do encontro vestiu-se de preto e branco. Os Nets iniciaram a todo o gás, com Kyrie Irving e KD a alavancar uma vantagem interessante no primeiro quarto de 25-40. Se por um lado, a quantidade de pontos marcados não eram um grande motivo de alarme para a equipa forasteira, os pontos sofridos deixavam Steve Kerr “maluco” com a facilidade com que os exteriores definiam na zona pintada.

Paulatinamente os Nets iam continuando a cavar uma vantagem considerável e a cada lançamento falhado dos Warriors, sucedia-se uma transição fácil para a equipa de Brooklyn. Com LeVert e Shamet em destaque como opções de “segunda”, a equipa orientada por Steve Nash mantinha-se confortável na partida, ao passo que, nem os 16 pontos ao intervalo de Stephen Curry, irradiavam as esperanças dos Warriors. Entre todos os realces negativos de Golden State, a destacar a estreia positiva de Wiseman que ao intervalo já fazia sete pontos, quatro ressaltos e dois roubos de bola.

O terceiro quarto acabou por ser a machadada final da equipa da casa, que ratificou o domínio exercido durante toda a primeira parte. Mais uma vez, os Warriors voltaram a demonstram imensas dificuldades a controlar a transição ofensiva da equipa da casa, na medida em que Irving ou LeVert desbloqueavam e construiam jogadas com demasiada facilidade. Nem foi preciso um KD «extraterrestre» para afrontar os Warriors, que demonstrou sinais de verdura e inoperância tática.

O último e derradeiro quarto foi apenas um treino para ambas as equipas, aproveitando para utilizar os jogadores de rotação para concluir a partida inagural da temporada 2020/2021.

Em suma, nem foi preciso muito KD para os Nets caminharem para uma vitória plácida, com pouco «barulho» do outro lado. Entre o mal de Golden State, a salientar, mais uma vez, a estreia muito positiva do rookie Wiseman, terminando a partida com 19 pontos (!) prometendo muito para quem já não competia há mais de 1 ano.

A FIGURA

Kyrie Irving (Brooklyn Nets) – Rapidamente resolveu a partida, descobrindo espaços e driblando adversários com uma elegância e confiança que lembra os tempos áureos do «uncle drew». A primeira parte chegou para criar danos irreversíveis nesta equipa dos Warriors. Terminou com 26 pontos (62% em lançamentos de campo), 4 assistências e 4 ressaltos.

O FORA-DE-JOGO

Andrew Wiggins (Golden State Warriors) – Jogo para esquecer do jovem norte americano. Para além de ter sido o jogador com mais turnovers na partida, a bola parecia queimar nas suas mãos. Cometeu erros atrás de erros e falhou lançamentos pelos quais um jogador da sua capacidade técnica não pode falhar. Apesar dos 13 pontos, terminou com uma percentagem desastrosa de 25% em lançamentos de campo.

ANÁLISE TÁTICA – GOLDEN STATE WARRIORS

A equipa comandada por Steve Kerr alinhou com o 5 esperado (e possível) atuando com Stephen Curry a comandar as operações em praticamente todas as fases do jogo. Sem grande capacidade de fazer frente ao jogo interior de Brooklyn, a equipa dos Warriors atuaram com os postes longe da zona pintada, oferecendo agressividade qb para os experientes KD e Jordan. Apesar da enorme capacidade individual de Curry foram raros os momentos de isolação proporcionados para a estrela dos Warriors. A anarquia em jogo posicional com a maioria das jogadas a terminar em lançamentos contestados foi o reflexo de um jogo ofensivo muito aquém do esperado.

 

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Stephen Curry (7)

Kelly Oubre JR (5)

Andrew Wiggins (2)

Eric Paschall (5)

James Wiseman (7)

SUBS UTILIZADOS

Kent Bazemore (6)

Kevin Looney (5)

Mychal Mulder (6)

Damion Lee (5)

Jordan Poole (5)

Brad Wanamaker (6)

Juan Toscano-Anderson (5)

ANÁLISE TÁTICA – BROOKLYN NETS

Os «pupilos» de Steve Nash atuaram com uma avidez tremenda pela transição, aproveitando as constantes brechas deixadas pelos Warriors. Em organização ofensiva a equipa dos Brooklyn Nets procuravam explorar essencialmente as isolações de KD e Kyrie Irving, sendo que a facilidade de execução no 1vs1, por si só, desiquilbrava de forma gritante a frágil defensiva de Golden State. A qualidade técnica individual e os comportamentos coletivos bem sincronizados, não ofereceu qualquer hipótese à má organização defensiva dos Golden State Warriors.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Kyrie Irving (9)

Joe Harris (6)

Kevin Durant (8)

DeAndre Jordan (7)

Spencer Dinwiddie (7)

SUBS UTILIZADOS

Jarrett Allen (6)

Caris LeVert (8)

Taurean Prince (5)

Reggie Perry (4)

Bruce Brown (5)

Jeff Green (6)

Timothe Luwawu-Cabarrot (5)

Landry Shamet (7)

Rodions Kurucs (5)

Tyler Johnson (5)

Foto de Capa: NBA