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Jogo Interior #28 – O último treino antes da pandemia chegar ao nosso país

Hoje falo-vos sobre a minha experiência enquanto treinador de futebol no momento em que se abateu a pandemia sobre o nosso país, alterando as nossas vidas, os nossos hábitos e tudo o que nem sequer poderíamos imaginar mas que foi suspenso, adiado ou cancelado por via de zelarmos pela saúde de todos e do país. O futebol, mas essencialmente, o treino e a rotina de preparar as coisas para este vivem em mim há cerca 16 anos onde os dias em que estas sessões de “terapia” de bem-estar psicológico são e sempre foram a melhor parte do dia, aquela em que eu esperava até ao anoitecer para me ir divertir, para fazer aquilo em que realmente me sinto realizado e para fazer aquilo para o qual sinto que fui feito.

16 anos não é muito tempo, talvez na vida de muitas pessoas, seja muito pouco tempo porque já viveram muito mais, muitos mais momentos mas, se pensarmos bem, treinar três dias por semana com um jogo ao fim de semana, durante 10 meses de um ano ao longo destes anos todos, criam uma rotina que é muito difícil de quebrar, é quase como deixar de poder respirar normalmente, é um monte de sentimentos essenciais para a vida de quem vive no dia a dia do futebol. No entanto, e como todos sabemos, esta rotina foi alterada drasticamente por todo o mundo e o que vos partilho, acredito que tenha acontecido nos seus quatro cantos e nas pessoas que lá sentem o futebol como eu sinto.

Treinar em casa como no campo: mantém-te ativo! 🏃🏻 #DiaMundialDaAtividadeFísica #TodosPortugal pic.twitter.com/3kEHCZv8iO

— Portugal (@selecaoportugal) April 6, 2020

 

Portugal, dia 10 de março, estou à hora de almoço a ultimar a sessão de treino junto com os meus colegas de equipa técnica para a noite que irá chegar, enquanto vamos ouvindo notícias de que o covid-19 (uma pandemia que há muito pouco tempo se passeava pela China e, que grande parte dos portugueses, inclusive a senhora diretora geral de saúde, sempre pensou que nunca cá chegaria e que este não seria um problema português nem global) estava já com 41 casos confirmados, depois de no dia 2 do mês referido acima se registarem pelas autoridades de saúde os dois primeiros casos no nosso país.
Vivíamos muito na incerteza do que realmente se ia passar com as nossas vidas por via dos exemplos que já tínhamos encontrado na China e percebíamos agora a sua dimensão desastrosa em alguns países da nossa Europa.

Passou-se a hora de almoço e o treino estava planeado e estruturado para mais uma noite de futebol, como viria a acontecer, no entanto, durante toda a tarde houve uma evolução brutal e constritiva das medidas a tomar pelas entidades competentes face aos comportamentos dos cidadãos portugueses.
Chegou o momento da sessão de treino e as nossas ambições e esperanças em prosseguir com as mesmas eram muito reduzidas e em conversa entre os treinadores e o responsável pelo futebol de formação do clube, a única hipótese seria cancelar todos os treinos durantes duas semanas, pelo menos para já e o sentimento que ficava é que isto seria algo passageiro, algo que se pudesse recuperar após duas ou três semanas, talvez um mês e que tudo retornaria ao normal.

O treino decorreu já com esta “incerteza” do futuro e até já alguma saudade antecipada do que nele se sente e se pratica por parte de todos os jovens que ali se encontram. Sentia-se no ar algo estranho, sentia-se o sobressalto do momento em que nos encontrávamos, algum receio do contacto, daquilo que desconhecemos, da forma como o vírus se propaga e se, eventualmente, algum de nós já teria contactado com um cidadão infetado e, porventura, não estaria também já infetado. Era um misto de nostalgia e medo, um sentimento efusivo que nos fez perceber a dimensão da pandemia e o valor que o futebol tem nas nossas vidas.

O treino terminou, a notícia do seu cancelamento nas duas próximas semanas foi dada aos jovens jogadores e o sentimento foi de desilusão e até alguma irritação, terminando com o já adotado toque de braço entre cada um dos treinadores e jogadores.
Poucos dias depois é decretado o estado de emergência em Portugal e o confinamento obrigatório e a partir daqui nascem todas umas novas coisas que até agora nunca tínhamos conhecido. Um vírus que apenas existia “lá fora”, passou de muitos poucos casos em Portugal para um desligar completo do que era a vida dos portugueses em apenas cerca de 15 dias e foi como se de uma bola de neve, que lá ao longe se ouvia rolar se abatesse estrondosamente sobre o nosso país de um momento para o outro, se tratasse.

O futebol, como atividade diária que é nas vidas de quem assim o assume, como qualquer outra, congelou completamente durante vários meses, só há algumas semanas voltámos a tê-lo connosco ainda que sob fortes medidas de segurança e para grande parte das pessoas apenas pela televisão, dado que milhões de apaixonados por este desporto ainda não o podem praticar ou viver o que sempre dele viveram.
Está para breve o início dos campeonatos distritais, dos que não são profissionais, mas que o fazem como aquele que recebem milhões e milhões todos os anos. O sentimento é o mesmo, sem tirar nem pôr, a ambição também e a esperança de que é desta que vamos poder voltar ao que mais gostamos daqui a muito pouco tempo, essa, é enorme.

Olheiro BnR | Pedro Porro

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O lateral-direito espanhol, Pedro Porro, é um dos primeiros reforços do Sporting Clube de Portugal, para a nova temporada 2020-2021. O jovem de 20 anos, chega a Alvalade por empréstimo de dois anos e com cláusula de opção de compra. O Manchester City FC é o clube que detém o passe do atleta.

O lateral iniciou a sua formação no modesto CAG Don Benito e mais tarde rumou ao Rayo Vallecano, tendo protagonizado uma transferência para o Girona FC ainda nos sub-19. Na época 2017/18, representou por empréstimo, o Club de Futbol Peralada, na segunda divisão “B”. Na temporada seguinte viria a afirma-se na equipa principal do Girona FC, somando 34 jogos e um golo na Primeira Divisão Espanhola.

As boas exibições de Pedro Porro geraram a cobiça de outros clubes. O Manchester City ganhou a corrida pelo lateral, investindo 12 M€ e rubricando um contrato válido até 2024. No entanto, Porro foi emprestado ao Real Valladolid CF, onde na última temporada disputou 15 jogos.

Pedro Porro chega assim a Alvalade para ser uma alternativa a Rafael Camacho, Rosier e Ristovski, na ala-direita. Neste esquema de 3X4X3 de Amorim poderá jogar como ala, sendo um lateral rápido, com qualidade no processo ofensivo, forte no um contra um defensivo e que cruza com qualidade.

Com a chegada do jovem espanhol, o Sporting CP poderá ver sair algum dos três concorrentes para a posição. Apesar da sua juventude, é um talento que poderá trazer qualidade ao plantel leonino.

Que Pedro Porro possa demonstrar o seu talento e qualidade com a listada verde e branca, ajudando o Sporting CP a vencer.

Foto de Capa: Sporting CP

Olheiro BnR | Antunes

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Antunes é reforço para o Sporting Clube de Portugal, o lateral-esquerdo chega a Alvalade a custo zero, depois de ter terminado o vínculo que o ligava aos espanhóis do Getafe FC. Antunes rubricou um contrato válido por duas temporadas, tendo um valor de mercado fixado nos 1.6 M€.

O mais recente reforço leonino deu os seus primeiros passos no futebol ao serviço do histórico, SC Freamunde. Em 2004 chegou à equipa principal, que militava no Campeonato de Portugal e em duas épocas contabilizou 44 jogos. As boas exibições no SC Freamunde valeram-lhe o salto para o FC Paços de Ferreira, onde esteve uma temporada e meia.

Na Primeira Liga, com a camisola dos pacenses, deu nas vistas e protagonizou uma transferência para a AS Roma, a troco de 1.20 M€, onde foi colega de Francesco Totti e outros nomes sonantes. Em 2007/2008, conquistou o seu primeiro título, a Taça de Itália, na qual os romanos venceram o Inter por 2-1. Sendo pouco utilizado pelo emblema romano, passou por vários empréstimos: Lecce, Livorno, Leixões SC e Panionios.

Na temporada 2012/2013 regressou ao seu Paços de Ferreira e ao futebol português, sendo peça fundamental para Paulo Fonseca, somando 20 jogos e três golos marcados. No mercado de inverno, os pacenses voltaram a transferir o internacional português, rumando aos espanhóis do Málaga CF, num negócio avaliado em 1.25 M€.

Em Espanha, ao serviço do Málaga viveu um bom período, somando 69 jogos e três golos. Na sua terceira época, viria a ter um novo desafio na carreira, transferindo-se para os ucranianos do Dynamo Kiev FC, por 6 M€.

Na Ucrânia, viveu a melhor etapa da sua carreira. Estabeleceu-se como titular e disputou 78 jogos e apontou cinco golos. Nas quatro temporadas, conquistou dois campeonatos, uma Taça e uma Supertaça. O internacional português rumou ao Getafe FC, por 2.5 M€, no inicio da sua quarta época.

Antunes regressou a Espanha para vestir a camisola do Getafe nas últimas três épocas. Nos últimos três anos, disputou 69 jogos e marcou um golo. No entanto, na última temporada perdeu espaço, sendo pouco utilizado pelo emblema espanhol, acabando por se desvincular do Getafe.

O esquerdino foi internacional por Portugal em 13 ocasiões, tendo vestido a camisola das “quinas” nos escalões jovens por 44 vezes.

Antunes é um lateral-esquerdo experiente que poderá vir a ser alternativa a Acuña e Nuno Mendes, sendo estes dois atletas preponderantes para Rúben Amorim. Sendo, um jogador forte no desarme, com qualidade de passe e nos cruzamentos e bom sentido posicional.

Que Antunes possa ajudar o Sporting CP a vencer e conquistar títulos e que, contribua com boas exibições nas oportunidades que lhe forem concedidas.

Foto de Capa: Sporting CP

Antevisão GP Espanha: 1,2,3, lá vai Lewis Hamilton… Outra vez

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A ANTEVISÃO: A MERCEDES NA MESMA, SÓ MUDA O SÍTIO

Mais uma semana com a companhia da Fórmula 1. Depois de duas semanas em Silverstone, é a vez de Barcelona receber o Grande Prémio de Espanha.

O dia de sexta-feira foi marcado pelo regresso de Sergio Perez, que nas últimas duas semanas, falhou ao ter testado positivo para COVID-19. Nico Hulkenberg foi o substituto do piloto mexicano, que, esta semana, já mostrou melhorias e está de volta aos grandes palcos.

Para além disso, sexta-feira foi o dia para que Romain Grosjean (Haas) surpreendesse tudo e todos ao ficar em sexto e quinto lugar no TL1 e TL2, respetivamente. Infelizmente, não passou disso.

A qualificação de sábado destacou-se, mais uma vez, pelo triunfo da pole position por Lewis Hamilton. Depois de, no último fim-de-semana, ter sido Valtteri Bottas a sair do lugar mais à frente, agora é Lewis Hamilton que dá, à Mercedes, a quarta pole position da época, e a quinta no Circuito espanhol.

Já o vencedor da última corrida – o GP do 70.º Aniversário – Max Verstappen (Red Bull) partirá atrás dos dois Mercedes, no terceiro posto. Alexander Albon (Red Bull) partirá também atrás de um motor Mercedes, a Racing Point, em sexto lugar, depois de Sergio Perez ter feito o quarto melhor tempo, e Lance Stroll o quinto.

Assim sendo, a McLaren acaba por ser a melhor dos motores Renault. Num fim-de-semana que parece promissor para o conjunto laranja, Carlos Sainz partirá de sétimo lugar e Lando Norris de oitavo.

A Ferrari continua a mostrar debilidades. Charles Leclerc apenas partirá de nono lugar, e Sebastian Vettel não conseguiu mais do que um 12.º lugar. Pierre Gasly acaba por ser o melhor do Alpha Tauri, ao partir do último lugar da Q3.

Com o domínio absurdo e implacável da Mercedes, o Circuito da Catalunha não promete ser um espetáculo, mas também porque normalmente nunca o é. Sendo uma pista complexa e, poderemos ter aqui uma corrida favorável para os «Flechas Prateadas».

Porém, Max Verstappen ganhou a última corrida com uma estratégia fantástica da Red Bull, e, a 30 pontos de Lewis Hamilton, o piloto holandês quererá aproximar-se, ou, pelo menos tentar.

Foto de Capa: Mercedes AMG-F1

Juventus FC | Um novo paradigma em Turim

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Após a eliminação precoce da Juventus FC nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões pela mão do Olympique de Lyon, bastaria um dia para a direcção do clube bianconero anunciar o despedimento de Maurizio Sarri, apenas um ano após a sua chegada a Turim.

Sob a sua orientação técnica, a Juventus viria a conquistar o Scudetto pela oitava época consecutiva. Porém, as derrotas na Supertaça para a Lazio, na final da Taça de Itália para o Nápoles e a eliminação nos oitavos da Champions, bem como o futebol praticado pela equipa, acabariam por ditar o despedimento do treinador de 61 anos.

A verdade é que o futebol praticado pela Vecchia Signora esteve longe de convencer. Não se assistiu ao “Sarriball” com o qual o ex-bancário atingiu os seus tempos áureos no Nápoles. Muitos consideraram este despedimento uma decisão precipitada por parte do clube, devido ao envelhecimento de alguns jogadores-chave do plantel, bem como pelo facto de Sarri se ter estreado numa nova realidade.

No entanto, tendo verificado alguns exemplos ao longo desta época, chego à conclusão de que, apesar de gostar muito de Maurizio Sarri, este não é o homem certo para conduzir a Juve até ao topo da Europa. Num clube que atravesse um ciclo de vitórias, ter uma boa ideia de jogo não basta. Também é preciso mostrar as qualidades mentais e de liderança necessárias para gerir um balneário que está habituado a ganhar e que está repleto de egos fortes.

Para a sua sucessão, foram apontados alguns nomes como Zinedine Zidane e Sérgio Conceição. No entanto, a escolha acabaria por surpreender tudo e todo, ao recair para Andrea Pirlo, que ainda há semanas atrás tinha sido apresentado como o treinador da equipa sub-23 bianconera.

A lenda do futebol italiano na altura, tinha mesmo declarado que tinha recebido propostas de clubes da Série A e da Premier League, mas optou por treinar os sub-23 da Juventus porque entendia que deveria começar a carreira de treinador por baixo.

No entanto, será que Andrea Pirlo vai ser capaz de trazer o troféu europeu mais desejado para Turim? Bem, tendo em conta o seu estilo enquanto jogador, provavelmente enquanto treinador irá procurar implementar um estilo de jogo atractivo e com muita posse de bola.

O principal ponto de interrogação em relação a Andrea Pirlo resume-se à capacidade de liderança. Nesse aspecto, a vantagem que Pirlo tem em relação a Sarri é que este já partilhou balneário com alguns jogadores e poderá usá-los para conquistar a confiança dos restantes jogadores.

Porém, sendo um treinador em início de carreira, também será necessário perceber se terá capacidade para se ambientar uma nova realidade num clube que tem a ambição para ganhar em todas as frentes, e se a partir do banco terá estofo para lidar com essa pressão.

Vejo em Andrea Pirlo alguém com potencialidades para se tornar num grande treinador, mas um passo destes no início da carreira, num clube que não possui o melhor contexto neste momento, tem tudo para correr mal. Veremos os próximos episódios em Turim.

Artigo revisto por Mariana Plácido

«Somos daqueles países em que o basquetebol é uma modalidade super-super secundária» – Entrevista BnR com Nuno Manarte (Parte I)

Podes consultar a segunda parte da entrevista AQUI

Nascido e criado em Ovar, Nuno Manarte é um ícone do basquetebol na cidade Vareira, onde reina o basquetebol. Praticando basquete desde pequeno, começou a jogar com sete anos e a sua habilidade sempre foi notória. Com um campeonato Nacional de sub-16 ganho em ’92, o seu talento era reconhecido. Assim, em 1992/1993, Manarte começou a sua carreira profissional ao serviço da equipa sénior da Ovarense. Segundo o próprio, em Ovar, o Basquetebol sempre foi o desporto rei, apesar de nos dias de hoje ser um pouco menos. “Na minha altura, ou se jogava basquete ou se jogava basquete. Na escola, quem tinha uma bola de basquete tinha amigos.”

– Início de carreira e referências –

Bola na Rede [BnR]: A tua ligação ao basquetebol já vem desde pequeno e sempre a representar o mesmo clube. Aos 16 anos, integraste pela primeira vez uma equipa sénior. Como foi começar a jogar por uma equipa profissional e como evoluiu o teu compromisso para com o basquetebol?

Nuno Manarte [NM]: Normalmente diz-se que nós, enquanto miúdos, temos sonhos, e é fácil agora para mim dizer-te que o meu sonho se concretizou, porque essa é a verdade. Eu gostava muito de basquetebol. Nesse ano de sub-16, fomos campeões nacionais e foi algo que me deu alguma motivação e confiança. Comecei a ver o jogo de forma diferente. Se bem que na altura não pensava que ia fazer vida do basquetebol… Gostava? Claro. Pensava nisso? Pois pensava, mas, na altura, era um pouco inconsciente nesse sentido. Mas nunca deixei de, aos 13, 14 ou 15 anos, depois dos treinos, ficar a ver a equipa sénior (na altura treinávamos todos no mesmo pavilhão) e pensar “Isto era o que eu gostava de fazer, isto é o que eu realmente gosto”. Mas longe de mim pensar que isso se poderia concretizar. Não era só a minha vontade que contava. Também implicava o meu talento, o meu sacrifício, ética de trabalho, a qualidade enquanto jogador e depois também ter uma oportunidade e corresponder a essa oportunidade. A verdade é que esse campeonato Nacional de sub-16 me deu alguma visibilidade. Também havia mais jogadores de sub-16 com bastante qualidade para a idade. Esse primeiro ano foi um ano de experiência, era tudo novo para mim. Com 16 anos, já jogar a um nível superior era um misto de entusiasmo e dúvida. Era outra realidade.

BnR: Como assim?

NM: De certa forma era mais fácil na altura. Eu apanhei a fase em que ainda só haviam dois Americanos e o resto eram Portugueses na Ovarense. Depois havia jogadores como o Mário Leite, que tinha sido meu treinador de mini-basquete, portanto havia uma relação muito próxima entre os jogadores da formação e os jogadores da equipa sénior. Quer em termos de proximidade e algum afecto também, pois toda a gente se conhecia, como em termos de reconhecimento, se estiveres a jogar com pessoas que, até há pouco tempo, vias a jogar das bancadas. Havia muito essa cultura – uma cultura muito Vareira, fazendo com que fosse fácil tu te ajustares, pois identificavas-te. Havia poucas equipas com mais do que dois jogadores estrangeiros. Era permitido mais um naturalizado, mas fazia também com que o processo fosse mais fácil, mesmo em termos de treinos e comunicação, ou até de viagens. A cultura e a forma de estar não foi algo estranho para mim. Imagino que teria sido mais difícil se fosse uns anos mais tarde, quando já existia a possibilidade de metade da equipa ser estrangeira. A partir daí, foi uma transição facilitada, apesar do primeiro ano ter sido um ano de experiência, até por eu fazer as duas equipas (Juniores sub-18 e equipa sénior). Passava mais tempo na equipa júnior, na qual jogava mais, e na equipa sénior ia aos jogos, equipava e aquecia, mas apenas jogava os últimos minutos, quando os jogos estavam ganhos por muitos pontos, ou quando já não havia a hipótese de ganhar.

Em 1991/1992, Nuno Manarte foi campeão Nacional de sub-16, o ano anterior a integrar a sua primeira equipa sénior
Fonte: Fernanda Manarte

BnR: O teu jogador preferido é o John Stockton. Sentes que o teu jogo refletia isso?

NM: Eu penso que foi mais ao contrário. Só mais tarde é que comecei a ver a NBA. Não víamos na altura, não era como nos dias de hoje. Quando era miúdo, via ao sábado de manhã uma rubrica de João Coutinho, se não me engano, que era sobre NBA. Chamava-se a “Magia da NBA”, que era raro ver. Mas não havia tanta informação. Tínhamos as referências habituais, como o Larry Bird, Magic Johnson e Michael Jordan, mas não era tão fácil identificares-te com quem quer que seja. Então apenas mais tarde, com a definição da minha posição e características enquanto jogador, é que ia valorizando coisas que… não o fazia como forma de espelho, não é? O John Stockton era um jogador low profile, muito discreto, mas que punha a equipa a jogar. Valorizava muito os jogadores que estavam a sua volta, tinha presença em campo, presença defensiva e fazia o chamado “trabalho sujo”, que, muitas vezes, nem dava para perceber. E isso agradava-me! Primeiro por ser um Base de raiz, um Base puro, de pôr a equipa a jogar, que eram as minhas características enquanto jogador – o que fez com que me chamasse a atenção. Passava algum tempo a escrutinar o que ele fazia e porque o fazia, vendo coisas como a forma como ele fazia bloqueios. Uma história engraçada com um americano que jogou cá: o John Tomsich perguntou-me qual o jogador que melhor fazia bloqueios na NBA. À partida, seria um interior, um jogador alto e forte que fizesse bloqueios grandes no diretos e indiretos. E eu, por tanto escrutinar o John Stockton, disse-lhe “é o John Stockton”, pois eles (os Utah) tinham imensas situações de cross-pick com o John Stockton e Karl Malone. Os bloqueios eram bem feitos e ele ainda sacava umas faltas e assim. Mas disse-lhe isso a achar que estava a dizer uma brincadeira, pois pensava isso, e também não tinha uma resposta clara. Achei que, para a sua estatura, fazia bons bloqueios.

BnR: E ele?

NM: Ele ficou a olhar para mim e disse: “Não me acredito que disseste isso, pois eu penso exatamente o mesmo”. O que foi curioso, por causa da coincidência da pergunta dele com o facto de eu escrutinar o jogo de John Stockton, até a forma como ele fazia bloqueios. Penso que seja um pouco por aí. Não era um jogador muito vistoso, e eu valorizei coisas que ele provavelmente também valorizaria. Acho que essa foi a questão principal. O que não significa que não goste do Jordan, do Magic ou do Bird, que também gosto muito por fazer o trabalho sujo e perceber muito o jogo. Sempre foram jogadores que me chamaram a atenção. Penso que, no mundo do desporto, fala-se muito de jogadores que têm imenso talento e realmente é uma parte importante do jogo. Mas fala-se pouco de jogadores que trabalham imenso, que por vezes não têm tanto talento, mas que fazem um trabalho muito low profile e que é fundamental nas equipas, e acho que, principalmente nos dias de hoje, valoriza-se pouco esse tipo de jogadores.

BnR: Ainda por cima numa época em que os jogadores eram maioritariamente altos e fortes… o Stockton era um jogador mais baixo e, na época, a diferença de alturas era mais visível do que nos dias de hoje, em que se joga o chamado small-ball.

NM: Sim, na altura havia as posições muito bem definidas. Tínhamos os postes, extremos e os quatros (extremos postes). Na altura, os três (extremos) eram jogadores muito grandes, era quase quatros. Eram jogadores que ainda iam jogar a poste-baixo, pois tinham algum tamanho. Existiam as posições muito definidas, já que era mais complexo nesse sentido, e apanhavam-se jogadores muito maiores. Nos dias de hoje, o jogo é um pouco diferente. Eu olhava para o Stockton e pensava: “Como é que é possível, no meio de tanta gente grande, acabares um jogo com 20 pontos e 15 assistências? Um jogador com aquele físico ter aquele impacto no jogo na altura?”. Entretanto, nos dias de hoje, é possível ver jogadores com menos físico.

Campeonato Nacional de Contrarrelógio: Emirates voa para a dobradinha

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A CRÓNICA: RITMO COMPETITIVO FAZ TODA A DIFERENÇA

Foi sem grandes surpresas que a UAE Team Emirates conquistou o título nacional de contrarrelógio. Surpreende um pouco, sim, que o tenha sido com Ivo Oliveira e não com Rui Costa, mas os atletas da equipa World Tour partiam em clara vantagem.

Desde a pandemia, os ciclistas da équipa do Médio Oriente foram dos poucos presentes nos nacionais com competição, e as pernas apuradas pelo Tour de Pologne fizeram-se notar.

O primeiro bom tempo até foi o de Tiago Machado, mas, pouco depois, apareceria Ivo Oliveira para assumir a liderança. O jovem de 23 anos, que começou a época de forma negativa ao falhar o apuramento olímpico, aproveitou a sua oportunidade para dar a volta ao texto e alcançar o seu maior resultado até ao momento como profissional.

Já campeão da especialidade em Sub23 e juniores, Ivo Oliveira sagrou-se também campeão nacional, após ver nomes mais estabelecidos como José Neves, José Gonçalves e o seu colega de equipa falharem na tentativa de bater o seu registo. O ex-campeão do mundo de fundo, Rui Costa, foi dos últimos a partir para a estrada e tinha sobre si o favoritismo, mas acabou nove segundos mais lento.

Guilherme Mota deu à Kelly/InOutBuild/UD Oliveirense o título de Sub23
Fonte: José Baptista/Bola na Rede

Nos Sub23, Guilherme Mota esteve em grande nível (o seu tempo daria para top-15 entre os Elites) e impôs-se a Daniel Dias, que, apenas no seu primeiro ano na categoria, começa a afirmar-se como um nome a ter muito em conta para o futuro, e aos emigrantes Pedro Andrade, Daniel Viegas e Iuri Leitão.

Foto de capa: José Baptista/Bola Na Rede

Finalmente… Competições europeias

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Com o regresso das provas europeias de clubes, retornam-se a viver as fantásticas noites com o melhor futebol do mundo. Ainda há muito por se decidir, e nenhum amante do futebol quererá perder um segundo que seja, de tudo aquilo que ainda está para vir.

Terá um formato um pouco distinto este ano, sendo que os jogos serão disputados apenas a uma mão, podendo assim haver mais surpresas do que o normal, isto porque nem sempre, as eliminatórias a uma mão, beneficiam os favoritos.

Cada um de nós, quererá que certas equipas avancem a fase seguinte, quer porque simpatizamos com o seu estilo de jogo, a sua forma recente, alguns jogadores específicos, ou porque somos fãs do cube em si, etc. Não interessa a razão, até pode ser apenas pelo simples facto de termos apostado nelas. Ora, era aqui que queria chegar.

Esta pode ser uma boa altura para realizar algumas apostas, tendo em conta que existe alguma imprevisibilidade acerca de muitos aspetos nas competições em questão. Dito isto, é normal as odds, no geral, estarem todas um pouco mais elevadas do que o normal. Ao juntar o seu desejo de ver todos os jogos, com o seu conhecimento futebolístico, poderá não só acompanhar e vibrar com todos os jogos, mas também lucrar a partir deles. O que mais se poderá querer?

Se pensa, ou torce, que certo clube irá vencer a competição, ou se certo jogador ainda se pode tornar o melhor marcador da prova, ou se acha que a final irá ser disputada por dois clubes em particular, considere investir no seu instinto e sabedoria. Pode-lhe vir a ser muito lucrativo, e ficará com remorsos, caso isto se verifique e não tenha apostado.

No fundo, o importante é apreciar todos os jogos, com ou sem público, dar graças por este desporto maravilhoso que tantas alegrias nos dá, e retirar prazer a partir de cada jogo. Isto é o mais importanto, no entanto, se pudermos ganhar algum dinheiro extra com isto, as coisas tornam-se ainda melhores. Poderá consultar toda a programação respetiva à Champions League, na página da Eleven Sports, e respetivamente à Liga Europa, na página da SportTV.

Se quiser verificar todas as promoções e opções de apostas existentes nos sites de apostas legais, encontrará todas as informações nesta página. Tudo o que precisa de saber acerca dos melhores sítios para apostar podem ser consultadas na página inserida acima. De resto só precisa de fazer a sua análise, e confiar no seu instinto.

A fase de todas as decisões finalmente chegou e estamos todos muito ansiosos e expectantes por tudo aquilo que ainda está para acontecer, com alguns dos melhores clubes do mundo. Quem sairá vencedor das competições? Já apostei nos meus palpites…

FC Barcelona 2-8 FC Bayern Munique: Um atropelo histórico

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MEIA-HORA COM CERTIDÃO DE ÓBITO

Foi num Estádio da Luz despido que Barcelona e Bayern Munique disputaram o acesso às meias finais da liga milionária. Duas equipas históricas que se enfrentaram naquele que acabou por ser o único verdadeiro «clássico» de Champions League nestes quartos de final.

Uma partida que cedo pressagiou uma goleada inesquecível e que rapidamente culminou num resultado surreal, dada a dimensão de ambas as equipas. Nos próximos confrontos, se seguires o Guia passo a passo o código promocional 1xbet poderá ser uma dica valiosa também para o mercado de apostas.

Vamos, então, para os primeiros 30 minutos, que não ofereceram descanso a quem assistia à partida em casa, dado os constantes acontecimentos consecutivos.

Logo no início deste jogo frenético, ao minuto 4, Perisic foge na esquerda, levanta para Muller e posteriormente combina com Lewandowski, que finaliza de forma irrepreensível. Na resposta, ao minuto sete, o Barcelona marca com “ajuda” de Alaba, que fatura (um grande) auto golo e coloca de novo a turma de Setién em jogo. Após o golo, o Barcelona parecia respirar fundo e no espaço de 4 minutos falha duas oportunidades flagrantes para golo, ao passo que, primeiro, Suárez permite a defesa de Neuer e de seguida é Messi que leva a bola ao ferro, naquele que seria um cruzamento inconsequente. Mas no futebol quem não marca sofre e o Bayern comprovou isso mesmo (durante todo o jogo), na medida em que ao minuto 22 e após uma reação sufocante à perda, Gnabry e Perisic colocam novamente a equipa bávara na frente do marcador.

A máquina do Bayern continuou a triturar sem baixar a intensidade e o terceiro golo não tardaria, ao passo que no minuto 27, após uma jogada deliciosa, Goretzka consegue isolar Gnabry, que com um passe sensacional não perdoou diante Ter Stegen. Três minutos depois, sem dar tempo ao Barcelona para se recompor, o Bayern voltou à carga, com uma jogada terminada por Muller, que conseguiu o bis numa partida histórica para o internacional alemão que concretizou o seu 113.º jogo na competição milionária e tornou-se o alemão com mais jogos na Liga dos Campeões.

Em suma, uma primeira meia hora de grande fervor e impetuosidade germânica, onde ambas as equipas só tiveram olhos para a baliza contrária.

O início da segunda parte, é mais do mesmo, ou seja, um Bayern Munique a manter o mesmo ritmo avassalador, sobre um Barcelona fatigado de ideias e sem qualquer recursos para encontrar buracos na defensiva germânica. Na segunda parte, o parcial foi o mesmo (1-4) com diferentes protagonistas.

Suarez ainda dá algum ânimo ao Barcelona, mas novamente de curta vida, ao passo que a equipa bávara respondeu e marcou apenas passado seis minutos – Davies bailou sobre Semedo, assistiu Kimmich e este colocou um ponto final nas aspirações dos blaugrana com o 5-2. O sexto, sétimo e, por fim, oitavo golo, marcados por R. Lewandowski (uma vez) e Coutinho (2 vezes), surgem todos com a equipa da Catalunha caída no chão, sem oferecer qualquer sinal de vida. Golos estes de quem mais parecia que estava no parque, a brincar com miúdos, numa luta desigual e injusta.


Ora se por um lado, tivemos um Barcelona que não lembra ninguém, perdido numa identidade desconhecida e a colocar um peso excessivo numa superestrela que procura resolver a maioria dos constrangimentos coletivos, do outro lado tivemos provavelmente a equipa melhor orientada e oleada dentro das ideias que o treinador pretende, em todos os momentos do jogo.

Messi por si só é incrível. A forma como inventa e cria espaços onde mais ninguém vê, quer no momento de criação, quer no momento de decisão, fazem do astro argentino um dos melhores a pisar um relvado de futebol, mas nem sempre é suficiente e hoje esteve efetivamente desaparecido. É certo que apareceu esporadicamente em zonas de finalização, mas pouco ou nada assustou a equipa do Bayern.

No fundo, foi a culminação de uma humilhação memorável para os adeptos do Bayern e um autêntico pesadelo para os adeptos do Barcelona, que terão que enfrentar o futuro de uma forma completamente diferente, se pretenderem novamente atingir os tempos áureos.

 

A FIGURA


Thomas Müller – Complicado escolher uma figura naquele que foi um coletivo sempre a remar no mesmo barco, consciente do que fazer em cada momento do jogo e com um rigor e uma avidez incrível pelo golo. Ainda assim, de destacar Thomas Muller. Marcou dois golos, esteve sempre ligado à corrente, foi decisivo e personificou a atitude competitiva da equipa dentro de campo.

O internacional alemão fez relembrar os tempos de 2013. Apesar de por vezes parecer um pouco desengonçado, sabe exatamente o que quer e trabalha sempre em função de onde está o espaço e a bola, por vezes até funcionando como um autêntico treinador dentro de campo, para os seus colegas.

O FORA DE JOGO


Quique Setién – Não é o principal culpado deste Barcelona sem rumo e sem identidade, contudo tem no plantel jogadores de calibre para muito mais. A preparação foi ingénua e pouco consciente daquilo que é a prepotência e força do clube alemão. Poucas palavras restam, sendo que o resultado e a atitude corporal da equipa durante o jogo são o puro reflexo de um dos piores resultados da história blaugrana, onde o culpado reflete-se em Quique Setién. 

ANÁLISE TÁTICA: FC BARCELONA

Quique Setién entrou num diferente 4-4-2, com o «reforço» Vidal para o meio campo, a estrela Lionel Messi liberto no ataque, com maior preponderância para partir da direita para a esquerda, como é usual, ao lado de Suarez, várias vezes em jogo posicional ofensivo/defensivo. Um Barcelona, no fundo, à imagem daquilo que vinha transmitindo nos últimos jogos, fazendo uso de uma posse de bola inconsequente, passiva e pouco cuidadosa. Depois, uma falta tremenda de pragmatismo, que se traduziu por exemplo em apenas 3 remates à baliza, contra 14 do Bayern no final da primeira parte. De salientar que o reforço no meio campo, apenas por si só não ajudou, pois as dinâmicas nada se alteraram e a falta de agressividade contra um Bayern sem piedade, não ajudou.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ter Stegen (4)

Nelson Semedo (2)

Piqué (4)

Lenglet (4)

Jordi Alba (6)

Busquets (5)

Sergi Roberto (6)

Vidal (4)

Frenkie De Jong (5)

Messi (4)

Suaréz (7)  

SUBS UTILIZADOS

Griezmann (5)

Ansu Fati (6)

 

ANÁLISE TÁTICA: FC BAYERN MUNICH

O Bayern entrou em campo com o seu habitual 4x2x3x1, encaixando Thiago e Goretzka no duplo-pivot, aparecendo Kimmich e Davies, nas laterais, comprovando-se determinantes na vertente ofensiva da equipa bávara. Um Bayern à imagem do treinador, adotando a habitual reação estupenda à perda de bola e uma agressividade e espírito competitivo ímpares, que sufocaram por completo a equipa catalã.

Ofensivamente, o difícil é sempre jogar simples e foi exatamente o que o Bayern fez, jogou simples e desequilibrou de todas as maneiras e feitios a frágil defensiva do Barcelona. Depois, no aspeto defensivo, como referido, implementaram uma pressão super intensa sobre o portador da bola, asfixiando-o e esgotando as soluções ao próprio. Depois, por fim, a linha defensiva sempre muito subida, que ajudou inúmeras vezes na recuperação, ou no desfecho vitorioso sobre os duelos.

É óbvio que o futebol se faz nas mais diversas vertentes, fases e dimensões, mas é imperativo realçar a forma estupenda como a equipa comandada por Hans-Dieter Flick faz o campo adversário pequeno, suprimindo todas as soluções possíveis para o adversário que tem a bola. 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Manuel Neuer (6)

Kimmich (7)

Boateng (6)

Alaba (5)

Davies (8)

Thiago Alcântara (7)

Goretzka (8)

Perisic (8)

Müller (9)

Gnabry (7)

Lewandowski (9)

SUBS UTILIZADOS

Tolisso (6)

Hernández (6)

Philippe Coutinho (9)

Coman (6)

Süle (5)

Artigo revisto por Joana Mendes

O samba chega à Luz: Everton Cebolinha assinou pelo SL Benfica

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Everton Soares, mais conhecido como Cebolinha, acaba de ser anunciado como reforço do SL Benfica (juntamente com Vertonghen e Waldschmidt). O extremo brasileiro abandona o Grémio a troco de 20 milhões de euros mais 20% de uma futura mais valia. Ou seja, se o jogador for vendido por 40 milhões de euros, o clube de Porto Alegre receberá 20% dos 20 milhões de lucro.

Everton é um dos mais entusiasmantes jogadores a chegar a Portugal nos últimos anos. Pondo em perspetiva: o extremo brasileiro de 24 anos é, neste momento, muito melhor jogador do que aquilo que era Di Maria quando chegou ao clube encarnado.

Cebolinha era um dos melhores, senão mesmo o melhor, jogadores do Brasileirão. Em 2017, foi decisivo na conquista da Taça Libertadores e subsequente Recopa Sul Americana. Esteve na equipa do ano do campeonato brasileiro de 2018. Em 2019, fez 57 jogos ao serviço do Grémio PA, de Renato Gaúcho, e apontou uns impressionantes 20 golos.

Depois das boas exibições ao serviço do tricolor, Everton foi convocado para a Copa América de 2019 (competição onde iria demonstrar todo o seu valor). Disputando a competição em casa, Everton foi o melhor marcador e muito contribuiu para a conquista do título por parte da seleção brasileira.

Everton chega para ser titular de caras na equipa encarnada. Pode fazer ambas as alas, mas é à esquerda que mais brilha, fazendo-se valer do seu excelente pé direito. Everton é muito forte a executar diagonais para o meio e procurar o remate, como indicam os seus 2.1 remates por jogo.

Apesar de procurar muito o remate e aparecer bem em zonas de finalização, Everton consegue encontrar colegas em zonas privilegiadas e fazer chegar-lhes o esférico de forma adequada. Realiza cerca de um passe chave por jogo e fez sete assistências em 2019.

O desequilíbrio individual é a grande característica do jogador. Com a bola no pé é um autêntico mágico. É um jogador capaz de levantar uma bancada. É um jogador com muita capacidade em espaço curto, quase ao estilo do samba brasileiro, mas também consegue partir para cima do adversário em velocidade (onde o seu baixo centro de gravidade muito contribui).  Realiza 3.5 dribles por jogo, o que equivale a cerca de 60% dos dribles tentados por partida.

Esta capacidade de desequilíbrio é algo que não existia no plantel encarnado, sobretudo nas alas (Taarabt talvez fosse o único capaz de desequilibrar no drible). Com a chegada do extremo brasileiro e do seu conterrâneo Pedrinho, o SL Benfica fica muito bem servido neste capítulo.

Relativamente a Rafa ou a Cervi, habituais titulares à esquerda, Everton é bastante diferente. O português é um jogador que procura muito mais o espaço e o argentino dá um contributo defensivo que nunca vimos Cebolinha dar. O novo reforço de Jorge Jesus é um jogador que prefere muito mais receber a bola no pé e muitas vezes contemporizar os lances, por vezes até demais.

A nível defensivo Everton é uma debilidade, mas já vimos muitos jogadores evoluírem bastante na transição defensiva com Jorge Jesus.

Everton é, para mim, o grande reforço desta temporada no SL Benfica, mesmo que a chegada de Cavani se confirme.

As características do jogador e a sua atitude em campo vão certamente cativar os adeptos e os colegas. O samba chega à Luz!

Artigo revisto por Joana Mendes