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Homenagem a Hewitt, Kokkinakis, Kyrgios e outros: O ténis australiano está vivo

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O ténis australiano surpreendeu no último Open da Austrália pelos nomes de Nick Kyrgios e Thanasi Kokkinakis. Eu sei que existem outros tenistas à frente destes dois jovens no ranking mundial, mas estes foram aqueles que “incendiaram” as bancadas e que, além fronteiras, mostraram que o ténis australiano está vivo e recomenda-se.

Curiosamente, poucos dias depois, Lleyton Hewitt veio anunciar que em 2016 poderá retirar-se dos court’s, quase que a dizer que o futuro está em boas mãos, depois daquilo que pudemos ver nos court’s de Melbourne no final de Janeiro.

Bem sei que antes de Kokkinakis estão Bernard Tomic, Marinko Matosevic, Sam Groth e outros, mas a atitude e o jogo do jovem de 18 nos frente a Ernest Gulbis, na ronda inaugural do Open da Austrália, foi verdadeiramente apaixonante e mostrou que um dos parceiros de Kyrgios no circuito júnior vai dar que falar também no circuito ATP.

No ano passado, Thanasi Kokkinakis venceu um torneio do circuito Future e atingiu um par de meias-finais no circuito Challenger, tendo também jogado diversos qualifying’s do circuito ATP. Já no ano passado o jovem australiano tinha vencido a ronda inaugural do Open da Austrália em quatro set’s, tendo perdido de seguida frente a Rafael Nadal.

Por outro lado, ou melhor, por outro nível, Nick Kyrgios é já o melhor tenista australiano no ranking mundial, o que o coloca uns furos acima de Thanasi Kokkinakis; no entanto, pode mostrar ao tenista que surpreendeu no Open da Austrália onde é que poderá chegar.

Para além destes dois talentos de que falei já, é de referir que os australianos têm doze tenistas no top 200 ATP, já para não falar das dezenas de tenistas com classificação mundial. Neste momento, Lleyton Hewitt é já o quinto melhor tenista australiano, e estamos a falar nada mais, nada menos do que o vencedor de Wimbledon e do US Open, bem como de um ex-número um do ranking mundial.

Isto tudo para mostrar que não tendo actualmente nenhum tenista de topo mundial (top 10 ou até mesmo top 20), o ténis australiano tem feito palautinamente o seu trabalho de formação, cujos frutos estão à vista e que prometem um futuro brilhante para o país, que recebe o primeiro grand slam da temporada.

Nick Kyrgios é um jogador com potencial para ser um dos melhores do mundo e a sua irreverência é algo que vejo como positiva na construção de uma imagem de um tenista que se espera de topo.

É que, para além destes jovens talentos, temos já pelo circuito mundial tenistas como Bernard Tomic, que são adversários respeitados no circuito e capazes de garantir consistentemente a passagem de uma ou duas rondas por torneio.

Fica a pergunta: para quando o ataque à Davis?

Foto de capa: Flickr/Marianna Belvis

NBA All Star’2015: Dia 1 – Rising Stars com futuro

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Notícia de última hora: o Rising Stars Challenge deste ano pareceu-se com um jogo de basquetebol!

En anos anteriores, o encontro dos jogadores de primeiro e segundo ano não era mais que uma sucessão de 1-contra-0s e 1-contra-1s, uma colecção de jogadas individuais e afundanços sem qualquer oposição e qualquer semelhança com um jogo de basquetebol era pura coincidência.

Este ano, já se assemelhou a um jogo. Não um jogo a sério, claro, mas, pelo menos, já pareceu um jogo de basquetebol. A Team World venceu a Team USA, Andrew Wiggins levou o prémio de MVP, mas a maior vitória da noite vai para o novo formato, que veio dar uma identidade a este jogo.

Antes, com as Team Shaq, Team Barkley, Team Hill e afins, eram apenas dois grupos de jogadores a mandar umas bolas. Com este formato “Estados Unidos contra o Resto do Mundo”, os jogadores estão a representar alguém, os fãs identificam-se com uma ou outra equipa e torcem por uma delas.

O jogo ganha um contexto e um objectivo, ganha história e continuidade (no próximo ano, os Estados Unidos vão certamente querer vingar a derrota), gera mais interesse e um envolvimento maior de todas as partes.

Existem vários obstáculos para este ser um dia o formato do All Star Game e um dos maiores poderá ser a menor rotatividade de jogadores que aconteceria (durante vários anos, os 12 melhores americanos e os 12 melhores do resto do mundo poderiam ser quase sempre os mesmos).

No Rising Stars, a rotatividade de jogadores está assegurada pela natureza de evento (reservado apenas a rookies e sophomores), pelo que podemos ter um formato de sucesso para muitos e bons anos. No jogo das futuras estrelas, este formato tem futuro e veio salvar o evento.

Foto de Capa: @NBA

Que torneio tão CANsativo

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A Taça das Nações Africanas terminou, aguardando-se rapidamente pela próxima. E não, não é com a pressa de voltar a ver em acção estas selecções, é com o desejo de que esta prova seja apenas um percalço na magia do futebol africano. Quem aprecia este peculiar contexto futebolístico ficou claramente desiludido com a falta de ousadia e ambição dos seus participantes. Houve mais vontade de as equipas quererem mostrar competência a nível táctico-posicional do que em criar equipas capazes de construir oportunidades de golo.

Subscreve-se o que já se havia escrito: “os treinadores tiveram um papel importante” na descaracterização da competição. Acredita-se que a sua orientação resultadista tenha aparecido como um elemento castrador de toda a cultura do jogador africano. O jogador africano é diferente do jogador europeu e sul-americano e deverá ser tratado segundo essa especificidade.

Continuaram ausentes os “momentos “mágicos” a que o futebol (e o jogador) africano nos tem habituado: “cortes de pontapé de bicicleta na grande área; fintas de videojogos; golos acrobáticos; festejos originais; rituais de bruxaria. Já nada parece ser como dantes…”. É verdade que esses momentos nem sempre são sinónimo de qualidade, mas pelo menos era hábito assistirmos a espectáculo quando víamos um jogo da CAN.

Infelizmente, este ano poucos foram os jogos que nos entusiasmaram. O lado estratégico das equipas foi sempre muito conservador, sólido e criativamente pobre. Mesmo nos momentos em que as equipas já não tinham nada a perder, verificou-se muita falta de ambição em alterar o rumo dos acontecimentos. Talvez por as equipas estarem de tal maneira formatadas que não conseguem soltar-se dessas amarras estratégicas, deixando vir à tona o lado irreverente, rebelde e criativo do jogador africano.

Também por isso não foi fácil escolher o Melhor XI desta CAN’2015, e infelizmente pelas piores razões. O nível individual manifestado pelas estrelas africanas foi reduzido, abaixo das expectativas criadas, tanto com os jogadores mais consagrados como com as novas estrelas emergentes. Contudo, acredita-se que se estes jogadores jogassem juntos – egos à parte – eram fortes candidatos à conquista de qualquer título no mundo!

A tristeza de André Ayew depois de mais uma final perdida Fonte: Facebook da CAF
A tristeza de André Ayew depois de mais uma final perdida
Fonte: Facebook da CAF

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GR: Muteba Kidiaba (RDC) – Os guarda-redes africanos não são muito conhecidos pela sua competência. Antes pela sua excentricidade e exuberância de comportamentos, dentro e fora dos postes. De todos os guarda-redes do torneio, não houve nenhum que se mostrasse a um nível superior, pelo que a escolha recaiu antes como uma espécie de “prémio carreira” a este guarda-redes – e bailarino – congolês de 39 anos.

DE: Faouzi Ghoulam (ARG) – O defesa-esquerdo argelino mostrou ser um jogador de grande qualidade. Ghoulam nem sempre foi compensado posicionalmente nas transições defensivas da sua equipa, mas as suas subidas no terreno causaram sempre desequilíbrios aos seus adversários.

DC: Madjid Bougherra (ARG) – Não começou o torneio como titular, mas o capitão argelino foi um dos melhores defesas desta prova. Não é muito requintado em termos técnicos, e a sua agilidade e aceleração começam a ficar comprometidas com os seus 32 anos, mas a sua paixão pelo jogo e pelo seu país fazem dele um central extremamente eficaz. A sua concentração, determinação e sentido posicional permitem-lhe resolver muitos problemas que lhe aparecem. E se aliarmos isso a uma capacidade de liderança fantástica – ele que capitaneou uma das equipas mais emocionalmente voláteis da prova –, pode mesmo ser considerado o capitão desta pequena selecção.

DC: Kolo Touré (CdM) – Embora jogue numa equipa que muitas vezes se dispõe em campo com três defesas-centrais, não foi fácil ter o papel de liderar uma defesa a três na selecção campeã africana. Os seus companheiros são ainda muito jovens e inexperientes – Bailly tem 20 anos e Kanon, 21 –, o que lhe complicou mais a tarefa de organizar a sua linha defensiva. Nem sempre se mostrou assertivo, mas a verdade é que poucos foram os adversários que passaram pelo mais velho dos Tourés!

DD: Serge Aurier (CdM) – Um dos melhores jogadores desta competição. Não tem o espaço desejado no seu clube, mas aproveita os jogos pelos Elephants para mostrar toda a sua categoria. No plano individual é extremamente competente a defender, sendo ágil e forte no desarme. No plano colectivo revela algumas debilidades a fechar os espaços interiores, valendo-lhe a velocidade para recuperar posições perdidas.

MDF: Serey Dié (CdM) – Peça fundamental em qualquer equipa, também o foi no miolo da sua Costa do Marfim. Não tem o requinte técnico que se gostaria de ver, mas a sua entrega, disponibilidade e determinação fazem dele um jogador muito importante, especialmente a defender. Foi um verdadeiro ladrão de bolas aos seus adversários, tanto nos duelos individuais como na intercepção de passes através de um exímio posicionamento. Para alcançar patamares ainda mais competitivos, faz-lhe falta, principalmente, melhorar a sua qualidade de passe.

MC: Yaya Touré (CdM) – Mesmo sem a intensidade de jogo a que nos habituou nas últimas épocas, Yaya Touré continua a ser um dos melhores médios do mundo. Extremamente completo, a defender e a atacar, o jogador enche o campo com a sua passada larga e a sua qualidade táctico-técnica.  Nem sempre teve o papel ofensivo que gostaria, e por aí poderia ter-se mostrado condicionado, mas foi muito influente em toda a estratégia marfinense.

MO: André Ayew (GAN) – Jogou na extrema esquerda do ataque ganês, mas parece ser a médio ofensivo que melhor joga este belo jogador. Falhou no comportamento ofensivo sem bola, procurando-a pouco, não conseguindo explorar melhor os espaços para conseguir receber e jogar. Mas, quando a bola lhe chegava, ela ficava contente de tão bem ser tratada nos seus pés. O jogador é ainda importante no moral da equipa, contagiando os seus colegas com os seus comportamentos de liderança.

EE: Javier Balboa (GEQ) – Talvez seja injusto não aparecer aqui o nome de Emilio Nsue, um verdadeiro globetrotter dos papéis e tarefas da equipa guinéu-equatoriana. Mas foi Balboa que apareceu nos momentos mais importantes e os concretizou. A tendência caseira das arbitragens não é desculpa para os resultados positivos dos Nzalang, que tiveram em Balboa um dos seus principais jogadores. O extremo não vacilou em momentos importantíssimos e contribuiu activamente para a sua equipa chegar às meias-finais da CAN’2015.

ED: Christian Atsu (GAN) – Ganhou o prémio de Melhor Jogador e de marcador do Melhor Golo da CAN’2015. Fez uma excelente competição, e curiosamente foi bem mais referência do que Ayew ou Asamoah nos comportamentos ofensivos das Black Stars. Por vezes, luta “contra o mundo” em campo, resolvendo os problemas de uma forma muito individual, mas a sua velocidade e o seu drible desconcertante levam a que tente fazer isso. Para além disso, o jogador tem um remate fácil, “mais em jeito do que em força”, conseguindo a marcação de dois golos no torneio.

AV: Wilfried Bony (CdM) – Recentemente contratado pelo Manchester City, Bony está-se a tornar um caso sério em África. À data será mesmo dos melhores avançados africanos, conseguindo aliar o lado táctico-físico ao lado táctico-técnico do jogo. A seu favor tem ainda o facto de ser um goleador nato, tendo tudo para vir marcar uma era no futebol da Costa do Marfim e de África.

Atsu foi o melhor jogador da CAN Fonte: Facebook da CAF
Atsu foi o melhor jogador da CAN
Fonte: Facebook da CAF

Para além destes nomes existem outros que ficaram na retina e que poderão alcançar um nível internacional já nas próximas épocas:

Eric Bailly (CdM) – Ainda meio tenrinho, este defesa-central de 20 anos surpreendeu devido à sua qualidade com a bola. As suas progressões em campo com a bola controlada provocaram muitos desequilíbrios aos seus adversários. O facto de jogar numa linha defensiva a três permitiu-lhe realizar esse comportamento sem grande risco, causando inclusive um golo numa dessas subidas no terreno (1×0 frente à Argélia). A defender, o jogador ainda revela algumas lacunas, abordando os lances de uma forma algo inocente e intranquila. Contudo, competindo na Liga Espanhola – agora no Villarreal, antes no Espanyol – poderá crescer bastante como jogador, esperando-se que consiga a alcançar o nível do seu companheiro Kolo Touré.

Acquah Afriyie (GAN) – Inconstante na sua carreira, o médio-defensivo de 23 anos poderá estar a atravessar um momento importante na afirmação das suas competências como jogador. Passou muitas vezes despercebido do jogo, mas no bom sentido. Foi sempre muito sóbrio e eficaz no meio-campo ganês, conseguindo chamar a atenção dos prospectores da Sampdoria, que o contrataram ao Parma. Tem o upgrade táctico-estratégico do Calcio, faltando-lhe alguma dinâmica e ousadia quando tem a bola na sua posse.

Iban Salvador (GEQ) – É verdade que existem centenas de extremos agitadores no mundo do futebol. Mas nem todos parecem gostar tanto de futebol como este pequeno Salvador. Vindo da escola espanhola, o jogador é muito dotado tecnicamente, e muito intenso e dinâmico nas suas jogadas. É, no entanto, pertinente verificar que o jogador precisa de aprender a jogar em ritmos mais baixos do jogo, já que parece estar sempre pronto para jogar a mil à hora quando o jogo pede outro tipo de velocidades.

Para finalizar, é importante deixar uma nota importante à organização. Nota, obviamente, negativa. Hotéis sem condições mínimas para as equipas se instalarem; arbitragens, em certos momentos, vergonhosamente caseiras; incidentes lamentáveis nas bancadas; fraquíssima qualidade de alguns relvados. Ou seja, acontecimentos que mancham e denigrem o futebol africano e a sua ambição de se superar e atingir categorias mais elevadas.

Foto de Capa: Facebook da CAF

Equipas portuguesas pela Europa

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A última jornada europeia não trouxe surpresas para o lado português, passando quem já se esperava e ficando de fora aqueles que tinham missões mais complicadas.

Na Liga Europeia, Porto e Benfica apenas cumpriram calendário. Os dragões já sabiam que iam acabar em primeiro e fecharam a fase de grupos com chave de ouro, ao golear os franceses do La Vendéene por 7-1. O resultado mostra a superioridade dos portistas, com destaque para José Costa e Hélder Nunes, que bisaram na partida.

Também o Benfica cumpriu calendário nesta última jornada. Sabendo que iam acabar em segundo lugar no seu grupo, atrás do Barcelona, os encarnados foram a Itália vencer o Bassano por 8-6, com Miguel Rocha a fazer um hat-trick. Com esta junção de classificações de Porto e Benfica, teremos um duelo português nos quartos-de-final. Uma reedição da Final da Liga Europeia de 2012/13, quando o Benfica se sagrou campeão europeu no Dragão Caixa. Apesar de o duelo português ser demasiado cedo, Portugal terá sempre uma equipa portuguesa na final-four.

O Valongo também fechou a sua participação com uma vitória. Na Suíça, frente ao Géneve RHC, os actuais campeões nacionais conseguiram a sua primeira vitória na prova, vencendo por 8-6. Um desempenho bastante inferior ao do ano passado, mas que também seria difícil de igualar. Fica como ponto positivo o 3.º lugar.

A única equipa portuguesa que ainda tinha esperanças de passar era a Juventude de Viana. Para tal tinha de vencer o Liceo da Corunha. Mas os minhotos nunca se encontraram no jogo e chegaram a estar a perder por 6-0, acabando o jogo com uma derrota por 8-4 e afastado da Liga Europeia.

Benfica e Porto irão defrontar-se nos quartos-de-final da Liga Europeia Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Benfica e Porto irão defrontar-se nos quartos-de-final da Liga Europeia
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Na Taça CERS, as equipas portuguesas também tiveram sortes diferentes. O Candelária foi à Suíça defender a vantagem mínima de 3-2 frente ao RHC Diessbach. Num jogo sempre muito bem disputado e com emoção até ao último minuto, os açorianos estiveram a vencer mas permitiram aos suíços virar o resultado (2-1). Os da casa estiveram à frente da eliminatória ao vencer por 4-2 mas permitiram aos portugueses reduzir para 4-3. No último minuto de jogo, o Candelária dispôs de um livre directo, que poderia dar a passagem na eliminatória, mas falhou. Depois de um prolongamento onde ambas as equipas não quiseram arriscar, na lotaria dos penáltis a sorte calhou ao RHC Diessbach, que se apurou para a outra fase.

A Candelária foi a única equipa portuguesa a ser eliminada. Sporting, Óquei de Barcelos e Oliveirense foram felizes nos seus jogos. O Sporting, depois de vencer em Basileia o conjunto da casa por 4-3, confirmou o apuramento ao vencer por 5-3, num triunfo suado. A Oliveirense não teve dificuldades em vencer o Viareggio por 5-2, depois de já ter vencido em casa por 7-3. O mesmo aconteceu com o Óquei de Barcelos, que depois de ter vencido na Alemanha o Cronenberg por 5-2, voltou a vencer pelo mesmo resultado.

Contas feitas, Portugal terá pelo menos uma equipa na final-four, isto porque Oliveirense e Sporting vão defrontar-se nos quartos-de-final. Um interessante duelo português entre uma equipa já bastante experiente nestas andanças e outra com história mas que está em reconstrução, procurando regressar aos grandes palcos. O Óquei de Barcelos também terá um desafio interessante pela frente, diante do competitivo conjunto do Saint-Omer.

No Hóquei feminino também tivemos grandes notícias. Em época de estreia na Taça da Europa de Clubes Femininos, o Benfica chegou à final four. A equipa feminina já tinha tido uma noite de sonho na primeira-mão ao vencer por 8-3 as espanholas do CP Voltregà, uma das melhores equipas do mundo. Na segunda-mão, as portuguesas foram guerreiras, souberam sofrer e passaram justamente. Apesar de terem perdido por 6-2, Marlene Sousa marcou no prolongamento o golo de ouro que deu o apuramento. Na final-four, o Benfica defrontará as espanholas do CP Manleu, também estreante nesta fase.

FC Porto 1-0 Vit. Guimarães: A primeira parte bastou

tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Na abertura da 21.ª jornada da Liga Portuguesa, o FC Porto recebeu o Vitória de Guimarães num jogo que se previa de alguma dificuldade para os dragões, bem mais do que a que realmente sentiu em campo. Brahimi voltou ao onze titular e a dupla de centrais voltou a ser Maicon e Marcano.

A partida começou, com os azuis e brancos bastante pressionantes, com uma posse de bola esmagadora e uma asfixia atacante que não deixou nunca o adversário respirar. A subida de produção do FC Porto tem sido evidente e nem a gripe que parece ter assolado alguns jogadores durante a semana foi suficiente para parar o ímpeto portista.

Com Casemiro a fazer um bom jogo, e com a equipa a pressionar em bloco logo à saída do portador da bola, nunca o Vitória conseguiu um fazer um ataque digno desse nome. O FC Porto defendeu num espaço curto, o que nunca permitiu aos vitorianos levantar a cabeça sem terem alguém por perto. Os que passavam a barreira do meio-campo eram geralmente cortados pela defensiva azul e branca, especialmente por Marcano, que voltou a fazer um jogo de bom nível, com cortes seguros e passes certeiros para a saída de bola.

O meio-campo portista voltou a portar-se bem, com Casemiro e Óliver em grande destaque. O craque emprestado pelo Atlético é o motor da equipa, joga e faz jogar, descobre espaços e é muito inteligente a temporizar o jogo – quando tem de ser rápido é-o, quando tem de acalmar também acalma. Aponto este pormenor porque não vejo em Herrera – não é tão criterioso com os espaços nem com o tempo e por vezes o FC Porto sofre com esses erros. No ataque, vimos Jackson Martinez mais apagado e Brahimi sem a clarividência de há umas semanas atrás, apesar de se notar que esta circunstância será momentânea, já que o argelino continua a furar a defesa como dantes. Quaresma também esteve em bom plano, embora os cruzamentos não levassem geralmente a direcção certa.

Brahimi, de regresso à titularidade, marcou o golo da vitória  Fonte: Facebook do FC Porto
Brahimi, de regresso à titularidade, marcou o golo da vitória
Fonte: Facebook do FC Porto

Cheirou sempre a golo no primeiro tempo do Dragão – várias foram as oportunidades para marcar e apenas a falta de acerto no último passe e na finalização fizeram com que só aos 31’ se gritasse “GOLO” no estádio. As diversas investidas portistas deviam ter dado descanso à equipa e aos adeptos e não foi por falta de esforço. Quem viu o FC Porto na primeira parte reparou que levaram as palavras de Lopetegui à letra: “só se pensa na Liga dos Campeões depois de sexta-feira”. E ninguém melhor do que Danilo para personificar essa demanda – o lateral direito portista correu muito, passou, fintou… está o triplo do jogador que era quando chegou e a jogar assim dificilmente o FC Porto o segura no mercado de verão.

Na segunda parte vimos um FC Porto transformado, menos pressionante, menos empolgante e a parecer até algo cansado – Lopetegui referiu que foi devido a alguns jogadores terem estado adoenteados durante a semana. O Vitória subiu de produção, embora nunca criasse verdadeiro perigo para as redes de Fabiano. O jogo tornou-se duro, mais batalhado e mais feio, o que fez com que o treinador portista mexesse na equipa – entraram Rubén Neves e Tello para os lugares de Herrera e Brahimi.

A partir dos 65’ o FC Porto subiu um pouco de produção, continuou algo trapalhão mas teve oportunidade para dilatar a vantagem principalmente nalguns cruzamentos de bola parada. O jogo foi correndo com muita luta, pouca classe e alguma polémica devido a entradas mais duras dos jogadores vimaranenses. Hêrnani entrou aos 87’ e podia ter marcado, mas Assis defendeu bem o cabeceamento do portista no último lance de perigo do jogo.

Hernâni estreou-se a jogar de azul e branco e esteve perto do golo  Fonte: fcporto.pt
Hernâni estreou-se a jogar de azul e branco e esteve perto do golo
Fonte: fcporto.pt

Foi com alguma ansiedade que o FC Porto acabou o jogo, embora pudesse ter evitado tudo isto caso tivesse cimentado o resultado no primeiro tempo. Casemiro, Alex Sandro e Danilo receberam amarelo e estão de fora do jogo do Bessa – talvez seja bom para os laterais, que devem precisar de algum descanso.

Continua a perseguição ao Benfica e o FC Porto continua a mostrar fio de jogo – está mais empolgante e organizado; esperemos que isso seja um sinal de uma segunda volta eficaz e com bons resultados.

 

A Figura

Danilo – Podiam ser vários: Casemiro, Óliver ou Brahimi, que marcou o golo, mas o destaque vai para o lateral direito. Está com uma capacidade fisica muito boa e faz autênticas cavalgadas por aquele corredor direito. E já não é de agora.

 

O Fora-de-Jogo

Herrera – Não houve ninguém que se destacasse pela negativa, por isso a escolha recai sobre o mexicano, por algumas más decisões a nível de temporização de jogo.

 

Foto de capa: Facebook do FC Porto

O futebol feminino não é fast food

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Na terça-feira confesso que fiquei algo surpresa. Afinal de contas, o primeiro de dois jogos particulares da Selecção Nacional Feminina teve direito a cerca de 90minutos no espaço televisivo. É bom para pessoas como eu: amantes do futebol, com interesse em acompanhar a vertente feminina da modalidade e que tentam dar a conhecer à comunidade portuguesa o que se passa no mundo dos “saltos altos”.

Quanto ao dia de ontem já não posso dizer o mesmo. E como quem diz ontem, diz todos os fins-de-semana nos quais decorrem jogos a contar para o campeonato nacional ou para a Taça de Portugal. Infelizmente, tive de socorrer-me das redes sociais para perceber qual o desenrolar do segundo jogo de Portugal frente à Suíça, que terminou novamente com uma vitória para as lusas (1-0). Mas de que me queixo? Já é habitual.

Na verdade, e com o início do meu percurso no mundo jornalístico, tenho-me deparado com algumas dificuldades que limitam (e muito) o meu trabalho: não tenho recursos próprios para me deslocar constantemente aos diversos estádios; não tenho apoios televisivos que estejam dispostos a apostar na modalidade; não tenho uma sociedade mentalmente preparada para optar por um jogo praticado por raparigas. Sou apenas uma amadora que, sem qualquer retorno monetário, se esforça por divulgar minimamente o futebol feminino. E digo minimamente porque, tendo em conta os factores já enunciados, é inevitável que os meus artigos fiquem, naturalmente, mais pobres. Se me sinto triste? Sinto. Mas sei que não estou sozinha. Aproveito até para felicitar o Portal do Futebol Feminino que, recentemente, celebrou quatro anos de existência. Quatro anos de luta para aproximar as jogadoras de um público interessado no percurso dos vários clubes e, claro, da Selecção. Sei que mais cedo ou mais tarde o nosso trabalho trará frutos, pois é inegável que os meios de comunicação são a maior fonte de informação da actualidade. E, para além de fornecerem informação, influenciam e modelam a forma como a sociedade pensa e age.

Sem raciocinar muito e seguindo uma lógica perceptível pela pessoa mais leiga, se os media dedicarem a sua atenção a estas raparigas, também a restante sociedade o fará. Consequentemente surgirão interessados, patrocinadores e uma melhor envolvente estrutural. Aliado a este trabalho, as melhores condições disponibilizadas pelos clubes poderão traduzir-se numa maior qualidade de jogo e… adivinhem: numa maior atenção dada pelos media ao futebol feminino. Um ciclo que parece não ser entendido por muitos. Ou melhor, que parece não querer ser entendido. É aqui que entra a minha explicação para este pseudo fechar de olhos.

Quem é a pessoa que ainda não recorreu à fast food? Comida fácil, rápida, que sacia a nossa fome e que não exige muito esforço da nossa parte. Mas será viável? Nos primeiros tempos podemos dizer que sim. Ficamos satisfeitos por não ter trabalho para nos alimentar e a comida tem um sabor agradável. Até que começamos a ver aquele pneuzinho indesejável, aquela sensação de mal-estar constante e as primeiras alterações na nossa saúde. Assim vejo o mundo hoje em dia: um mundo doente. Um mundo em que a urgência de colmatar as falhas da sociedade rapidamente e a curto prazo se sobrepõe à necessidade de trilhar um caminho seguro, que envolve mais trabalho mas que, certamente, traz melhores resultados. Um mundo em que é dada primazia ao lucro imediato quando é do conhecimento geral que os grandes projectos demoram o seu tempo a atingir a maturação.

O futebol feminino não é fast food. E os media, bem como os investidores, precisam de o entender. Não podem ser exigidos resultados imediatos quando o processo é longo e exige esforço, dedicação e, acima de tudo, crença. Por isso, acreditem. Elas merecem.

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Onze inicial português que voltou a derrotar a Suíça. Fonte: Portal Futebol Feminino

 

Fotos: fpf.pt

O Passado Também Chuta: Mendes, o pé de canhão

o passado tambem chuta

Foram tempos; outros tempos em que existiam outro tipo de seleções. Vivia-se o fervor da rádio. As pessoas amontoavam-se nas tascas nas proximidades dum aparelho que falava e transmitia emoções futebolísticas. Os golos eram cantados em algazarra e o homem do bar apurava a caixa registadora com os pedidos de copos de dois e de três. Este vai de “penalty”! – dizia o ouvinte mais empolgado… Eram tempos de copos de dois e sandes de orelha bem quentinha. Esse tempo teve as suas seleções; os seus grandes jogos, onde a miudagem também circulava pelos bares na companhia dos Pais a beberem de “penalty” Sumol de laranja ou Sumol de limão. Uma destas grandes seleções foi a Seleção Militar. Em 1958 coincidiram em época militar um bom grupo de jogadores que deram uma alegria ao ganhar um Campeonato Militar Internacional. Na baliza estava o Vital, do Lusitano de Évora; no meio do campo andava um senhor que se chamava Coluna; como chefe de operações estava o excelente armador Hernâni, do FC do Porto, e voltado para a baliza contrária, sem dar concessões, estava um senhor chamado António Mendes – Pé de Canhão –, do Benfica e mais tarde do Vitória de Guimarães.

Ainda hoje o Pé de Canhão é considerado um mito entre os adeptos do Vitória de Guimarães. Deu muitas vitórias à equipa e quando o Benfica pisava Guimarães padecia sempre com os morteiros de António Mendes. Como tantos outros, teve uma história rocambolesca quando se enrolou no futebol. Primeiro, com a ajuda de uma assinatura falsa da irmã, deu o seu nome ao Sporting Clube de Portugal; depois, logo a seguir, deu o seu nome ao S. L. e Benfica. O Sporting pagava dez escudos e o Benfica vinte e cinco escudos. Bem feitas as contas, António Mendes mostrou desde novo sentido da economia… O problema chegou quando os clubes se dispunham para a inscrição. Foi descoberta a aventura e atuou como juiz e parte o pai do Mendes. Era um bom benfiquista, por isso determinou sem qualquer contemplação: “António: ficas no Benfica!”.

Mendes brilhou no Benfica e no V.Guimarães Fonte: gloriasdopassado.blogspot.pt
Mendes brilhou no Benfica e no V.Guimarães
Fonte: gloriasdopassado.blogspot.pt

Mendes fazia parte da equipa quando o Benfica ganhou a primeira Taça de Europa. Mas andava em desavenças com o mítico Bella Guttman. Em Guimarães despontara um jogador chamado Pedras. Era uma grande promessa. O Benfica foi busca-lo; trouxe também o Augusto Silva; pagou bom dinheiro e cedeu a troco o Mendes; o Peres e o Pinto. Estes três jogadores foram durante anos a alma e o corpo do Vitória. Chegaram a conquistar um quarto lugar no Campeonato Nacional e o Mendes conheceu a glória da internacionalização.

O Pé de Canhão simboliza também neste texto, para além das suas qualidades, a capacidade de fabricar grandes jogadores que tinha o Benfica, que na época do Mendes tinha como responsável das camadas inferiores um senhor, muitas vezes esquecido, que se chamava Valdivieso. Aquela Ilha de Madeira no Campo Grande foi mais que a Maternidade Alfredo da Costa à hora de parir, neste caso, jogadores.

Foto de Capa: gloriasdopassado.blogspot.pt

O All Star dos Hawks

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Se alguém dissesse em Setembro que Kyle Korver seria All Star e que a equipa de Atlanta teria quatro jogadores no All Star Game provavelmente passaria por maluquinho e seria recomendado para internamento. Depois de uma temporada em que terminaram em oitavo lugar no Este e ficaram pela primeira ronda dos playoffs (apesar de terem levado os primeiros-classificados-Pacers ao limite), e depois de uma offseason em que não fizeram nenhuma contratação sonante nem nenhuma alteração significativa no plantel, não passava pela cabeça de ninguém que estivessem nesta posição em Fevereiro. Ou que um jogador como Kyle Korver estivesse sequer na discussão para o All Star, quanto mais seleccionado.

No entanto, aí estão os Hawks com sete jogos de vantagem sobre o segundo do Este e com o segundo melhor recorde da liga. Aí está Korver escolhido para substituir o lesionado Dwyane Wade e aí estão os Hawks com quatro representantes no Jogo das Estrelas.

A maior agitação que se viveu em Atlanta este Verão foi mesmo a polémica com as declarações racistas de Danny Ferry. E como isso parece tão distante agora (aposto que alguns de vocês já nem se lembravam disso).E que ninguém sequer se lembre já disso é uma das maiores provas do trabalho fenomenal que Mike Budenholzer está a fazer. A outra prova é a equipa ter quatros All Stars.

Fonte: NBA
O espírito coletivo é a maior arma dos Atlanta Hawks
Fonte: @NBA

Porque a eleição para o All Star pode ser um prémio individual, mas é também uma prova do trabalho sensacional que o ex-braço direito de Gregg Popovich está a fazer com este plantel. Mesmo com números semelhantes, é possível que, noutro sistema e numa equipa com outros resultados, estes jogadores não estivessem aqui. E é mais provável ainda que noutro sistema não tivessem os números e a produtividade que têm tido.

É um lugar comum usado para descrever um bom treinador, mas Mike Budenholzer está, de facto, a retirar o máximo de cada um dos seus jogadores. Montou uma defesa de topo sem ter os melhores defensores da liga e um ataque de topo sem ter o mesmo talento individual que outras equipas. É um caso em que a soma das partes é verdadeiramente maior que as partes. Por último, a selecção de Teague, Horford, Millsap e Korver é ainda uma prova de como jogar para a equipa e colocar os objectivos desta acima dos objectivos pessoais não só é o melhor caminho para o sucesso colectivo, mas é também o melhor caminho para o sucesso individual.

Quando uma equipa tem sucesso, os seus jogadores são reconhecidos por isso. Ou alguém duvida que se os Cavs estivessem a dominar o Este (e a liga) como os Hawks estão a fazer, tínhamos James, Irving e Love no All Star? Ou, ainda outro exemplo, Monta Ellis, que nunca foi tão reconhecido como desde que está nos Mavs (a contribuir numa equipa relevante) e só não está no All Star porque no Oeste temos a brutalidade de bases que sabemos. Os jogadores dos Hawks aderiram completamente a esse conceito de equipa e estão a colher os frutos disso. E o maior responsável por isso é o homem por trás dessa estratégia, Mike Budenholzer. É ele o verdadeiro All Star desta equipa.

Foto de Capa: @NBA

Mágico pegou na batuta, mas o verdadeiro maestro voltou…

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atodososdesportistas

Com a eliminação precoce da Argélia da CAN’2015, o Futebol Clube do Porto viu retornar “a casa” o jogador que até então era o grande motor do jogo ofensivo da equipa, assumindo-se como o maestro de um ataque que entoava (e entoa…) ao som da voz de ‘Cha Cha Cha’ Jackson: falo, claro está, de Brahimi.

Mas a ausência do argelino foi, e de que forma, aproveitada pelos dois extremos que continuaram disponíveis no plantel: Tello e Quaresma. E agora, terá Lopetegui dores de cabeça em saber como jogará já no próximo jogo do campeonato ou será uma equação simples de equilíbrio de equipa? Uma coisa é certa: a curto prazo, Brahimi voltará a entrar no onze dos Dragões. É também verdade que retirar o espanhol ou o português será sempre ingrato, tendo em conta o nível que têm apresentado, mas a verdade é que o argelino já demonstrou de forma clara que é um dos indiscutíveis do xadrez do técnico portista.

Analisemos as três hipóteses mais prováveis de acontecer:

i) Manter Quaresma e Tello: para seguir o “politicamente correcto” e tendo em conta o actual desempenho apresentado nos últimos jogos por ambos, seria normal que na próxima partida ainda jogassem os “titulares”, mas essa chance parece-me remota porque, como disse anteriormente, Brahimi tem algo mais do que os seus “rivais” de posição;

ii) Manter Quaresma e apostar em Brahimi: esta seria a mais arrojada solução, porém a que mais agradaria aos adeptos. Brahimi é o grande desequilibrador da equipa e aquele que consegue impor ou baixar o ritmo de jogos dos dragões(junto com Óliver), enquanto Quaresma, numa trivela, numa finta, numa magia ou numa arrancada deambulante, pode decidir jogos ou deliciar adeptos; e que mais o adepto quer? Futebol espectáculo! Vamos então ao terceiro factor, aquele que quanto a mim mais pesará na cabeça do treinador…

iii)  Manter Tello e apostar em Brahimi: não seria esta a escolha que agradaria mais o adepto, de todo! Pensando pelo treinador e analisando o jogo da equipa, a verdade é que Tello, apesar de ainda falhar demasiados golos (também cria imensas situações devido à velocidade que tem), é também o extremo mais diferente que o plantel azul-e-branco tem: é mais prático e equilibra melhor a equipa em termos de exposição ao contra-ataque e ao posicionamento defensivo, ao passo que quer Brahimi quer Quaresma são jogadores quase 100% ofensivos, libertando-se de tarefas defensivas para poderem reservar-se às explosões e diabruras que costumam deixar adversários pelo caminho. Note-se que no “clássico” 1-4-(1+2)-3 do Futebol Clube do Porto, e sabendo que Herrera e Óliver (mais o mexicano) costumam aparecer em zonas claras de finalização, no interior da área, por vezes até com Herrera a “fazer” de Jackson Martinez, torna-se importante ter um elemento que tenha pulmão, velocidade e disponibilidade para poder fazer todos os movimentos contrários aos de certos jogadores da equipa. Isto é: se Herrera cai na linha, um extremo tem de fechar no meio; se Herrera vai procurar ganhar o cruzamento ao segundo poste, o extremo tem de movimentar-se para a natural posição que seria deste jogador se os pressupostos do “avançado ao primeiro poste e extremo ao segundo” clássicos do futebol fossem utilizados por este Porto. Exemplo disso é o golo de Herrera ao Paços de Ferreira, onde Jackson cruza e Herrera aparece na cara do guarda-redes. E a fazer este tipo de movimentos – mesmo sabendo que com a entrada de Brahimi o argelino pode fazer muitas vezes flexões para o meio e cair Herrera na linha – Tello é mais forte, tem uma grande cultura táctica, fruto da escola que o formou e que é a base do jogo espanhol (tentado implementar por Lopetegui no Porto).

Não estando a dizer, de todo, que só esta poderá ser a solução (não esquecer Quintero ou Hêrnani), parece-me, na qualidade de espectador, que estas poderão ser as mais fortes dúvidas que pairam na cabeça do timoneiro dos Dragões.

E tu, caro Dragão, o que farias no lugar de Lopetegui?

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

O Benfica de Alvalade

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paixaovermelha
O jogo de Alvalade, apesar de aborrecido e facilmente resumível, esconde mais da complexidade tática da partida (e de muitas outras vertentes) do que à primeira vista poderemos pensar. Sobre a pele nua de um Benfica que jogou claramente para não perder, existe uma camada invisível que explica perfeitamente o porquê de o Benfica ser, neste momento, o mais forte dos três candidatos à conquista do Campeonato Nacional.

Do grande dérbi do futebol português, só o Sporting seria um justo vencedor. Porém, ao contrario do que foi pintado, numa tela que vinha sendo preparada durante toda a semana, o Sporting esteve longe, bem longe, de ser avassalador. Até porque, comparar a forma como o Benfica atuou e defendeu com o estilo ultra defensivo de um Arouca ou de um Boavista é um ultraje à excelente organização e colocação dos jogadores do Benfica, que jogou com o bloco alto e linhas juntas (à imagem do jogo do Dragão, frente ao FC Porto, na primeira volta).

Jogando em casa, perante um público crente na vitória, e com a possibilidade de ficar apenas a quatro pontos da liderança (depois de uma diferença de dez pontos), a ideia de um Sporting forte, motivado e confiante era facilmente imaginável. Jorge Jesus receou uma avalanche ofensiva verde e branca na ânsia pelo golo. Ao bloquear um golo cedo do adversário, Jorge Jesus sabia que, se o Benfica chegasse primeiro à vantagem, teria todas as condições para sair de Alvalade com uma vitória. A diferença do jogo de Alvalade para o do Dragão é que o Benfica foi incapaz de chegar ao golo, muito por mérito do Sporting. Ao contrário do FC Porto, o Sporting nunca deixou o Benfica sair com a bola controlada e raramente deu espaço aos alas benfiquistas. Diferente, também, do FC Porto foi a pressão alta da linha da frente leonina, obrigando os laterais e os centrais do Benfica a cometerem vários erros na saída da defesa. Esse é, aliás, uma das grandes falhas do sistema de Jorge Jesus: o Benfica provou, ao longo destes seis anos, que tem imensas dificuldades perante equipas que pressionam alto.

A ideia de incorporar André Almeida e Samaris no miolo reforça a importância que o treinador do Benfica deu à dinâmica do meio-campo leonino. Para além da estampa física, André Almeida e Samaris permitiram ao Benfica fazer uma excelente contenção aos médios do Sporting, evitando grande rasgos pelo centro de terreno. Sem Adrien e João Mário em evidência, coube a William Carvalho, obrigatoriamente, fluir o jogo para as laterais, onde, com Carrillo e Nani, o Sporting é fortíssimo. Mas o Benfica foi muito bem preparado para as incursões dos rapidíssimos alas leoninos, que, salvo algumas exceções, raramente ultrapassaram a defesa encarnada.

Muito duelo físico e pouco futebol no derby de Alvalade Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Muito duelo físico e pouco futebol no derby de Alvalade
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

De forma simples, as equipas anularam-se uma à outra com grande eficácia. Daí o jogo enfadonho e sem rasgos. Sem espaço ao meio-campo, a bola naturalmente circulava entre o setor defensivo de ambas as equipas. Os números não enganam e provam o equilíbrio tático, uma vez que no top quatro dos jogadores com mais passes efetuados na partida predomina, em ambas as equipas, jogadores de cariz defensivo: Sporting – Paulo Oliveira (32), Adrien (30), William Carvalho (29), Tobias Figueiredo (28); Benfica – Samaris (33), André Almeida (29), Jardel (27), Luisão (25).

A percentagem final de posse de bola de 55% para o Sporting e de 45% para o Benfica explica-se pelo maior acerto no passe, em média, dos jogadores leoninos comparativamente aos do Benfica. Este é um dado que mais uma vez reflete a personalidade tática de ambas as equipas. A diferença entre a posse de bola resume-se no critério e na qualidade de transporte. O Benfica não joga com apoios, tem um futebol vertical e usa, excessivamente, as laterais para subir no terreno (é nos corredores, alias, onde existe maior apoio entre os jogadores encarnados, como é facilmente percetível nas jogadas entre Maxi e Salvio). Este estilo de jogo individualista é, para o bem e para o mal, demasiado imprevisível. Basta um jogo de menor inspiração individual ou de grande acerto defensivo por parte do adversário, como foi o caso, e os encarnados ficam órfãos de criatividade, tornando-se uma equipa incapaz de criar verdadeiras jogadas de perigo. Com Sálvio e Ola John completamente evaporados do jogo, sempre que os extremos recebiam a bola eram praticamente engolidos por dois ou três jogadores do Sporting. Sem apoios e sem linhas de passe, rapidamente perdiam a bola novamente para os leões. Do lado contrário, o Sporting teve sempre mais qualidade na posse de bola, optando ora por passes curtos, sempre em apoio, ora por passes largos (principalmente por William), virando de flanco e tentando ao máximo desposicionar a defesa encarnada. Conseguiram-no em poucas situações, é verdade, mas essa é a principal razão para a maior aptidão ofensiva do Sporting e que explica a superioridade verde e branca no número de ataques (125 – 120), de remates (5-4) e de cantos (10 – 1).

Tal como afirmei anteriormente, o Sporting foi superior, mas não o foi de forma que escandalosamente envergonhe o empate registado no final da partida. Longe disso. Não querendo tirar mérito ao golo de Jardel e à crença da equipa do Benfica, obviamente que marcar um golo aos 93 minutos, no último lance da partida, é ter sorte. O que aconteceu até aos 87 minutos, momento do golo do Sporting, está longe de qualquer fator de fortuna.

Honestamente, e sendo um defensor eterno do futebol de ataque e de linhas altas, creio que Jorge Jesus optou por resguardar a sua equipa de uma derrota que, pensando bem, seria pesadíssima (ainda mais) para a equipa depois da recente perda dos três pontos em Paços de Ferreira. Acredito piamente que o treinador encarnado defendeu ao máximo (e literalmente) os interesses do clube, e é neste singular detalhe que encontramos a grande evolução de Jorge Jesus ao longo dos seis anos à frente do emblema da Luz. Hoje, Jorge Jesus é um treinador mais consciente do valor dos seus jogadores, reconhece muito melhor as virtudes dos adversários e tornou-se num treinador taticamente mais humilde – e reforço o taticamente, apenas.

Se, nos primeiros anos, o Benfica de Jorge Jesus era ofensivamente vertiginoso e permeável a nível defensivo, o treinador português parece ter encontrado o equilíbrio perfeito e tornou o Benfica na equipa mais sólida e consistente do campeonato português. Se verificarmos que desde Maio do ano passado, Jorge Jesus perdeu Garay, Markovic, Siqueira, Oblak, Garay, Enzo Pérez, Cardozo e Rodrigo é de facto inquestionável o trabalho exemplar do treinador do Benfica ao longo desta época. Tal como tinha dito há algumas semanas atrás, apesar das decisões menos acertadas que toma durante o decorrer dos jogos, Jorge Jesus é um dos melhores treinadores do mundo no que toca à preparação tática das suas equipas. O jogo de Alvalade, e também do Dragão, é a grande prova disso mesmo, ainda que grande parte dos benfiquistas não tenham apreciado o estilo defensivo e prefiram um jogo mais vistoso.

Jorge Jesus transformou-se num estratega. Em Maio saberemos se a estratégia foi a correta.