A desilusão de não ser essencial ou relevante. Ser descartado é o maior teste que alguém, independentemente da área em que trabalha, tem durante a sua carreira. As oportunidades normalmente são dadas consoante a idade, talento, capacidade de trabalho e a evolução que a pessoa pode atingir. Kevin De Bruyne, que tinha ido para o Chelsea via Bundesliga (brilhou no Werder Bremen), regressou ao campeonato alemão na temporada passada, disposto a provar que José Mourinho errou ao deixá-lo sair.
Apesar de ter deixado boas indicações na pré-temporada londrina, o belga de 23 anos foi vendido por 23 milhões de euros a meio da temporada passada. Um valor elevado, que demonstra a confiança que o Wolfsburgo tinha na sua capacidade de se destacar. As expectativas não foram defraudadas. O jovem tem sido a principal figura do clube e o melhor jogador da Bundesliga nesta época. Dono de uma apetência finalizadora assinalável – 8 golos em 20 jogos – e de uma visão de jogo ímpar – 11 assistências –, De Bruyne é o dínamo que estilhaça as defesas contrárias.
O clube é, neste momento, o maior rival do Bayern. A equipa voltou do intervalo de Inverno com vontade de usurpar o trono e no primeiro jogo “atropelou” a equipa da Baviera. Principal destaque? Kevin De Bruyne, quem mais. Dois golos, o segundo um golaço, e uma assistência para provar o enorme talento, mostrando que consegue manter um nível altíssimo com uma regularidade notável. O jogador com mais minutos, a par de Naldo, é fulcral na manobra da equipa de Dieter Hecking.
De Bruyne e Schürrle prometem entender-se às mil maravilhas Fonte: Facebook de Kevin de Bruyne
Apesar de todo o protagonismo, faltava o acompanhamento devido. Os responsáveis do Wolfsburgo decidiram que De Bruyne não podia continuar sozinho e foram buscar ao Chelsea outro craque com pouco espaço, André Schürrle. O alemão de 24 anos é o parceiro de crime ideal. A estreia não poderia ter sido melhor, com De Bruyne a adicionar mais um golo à estatística e Schürrle a ser nomeado melhor em campo. O duo promete espectáculo e quem ganha é o Wolfsburgo.
O talentoso belga quer assumir um papel de importância no futebol mundial – na selecção também apresenta números interessantes – e parece apto para tal. Já se fala na cobiça dos tubarões Manchester City, Manchester United e até do Bayern Munique, que já nos habituou a roubar as pérolas dos rivais. Teremos De Bruyne num colosso do final da temporada? O futuro o dirá. Por enquanto, o belga tem passado com distinção no teste que pôs à prova o seu talento e a sua capacidade de reagir à rejeição num grande clube. É mesmo craque.
Um aspecto que cada vez mais se torna determinante na formação de jovens jogadores é a avaliação. Mas, mais do que a avaliação, é a relação entre momento de avaliação e momento de acção. Ou seja, é impossível agir sem conhecer o terreno. Penso que, em muitos casos, perde-se demasiado tempo a tentar implementar formas e modelos de formar e de jogar ou a fazer exigências que simplesmente não encaixam com a realidade.
Contudo, para que a avaliação e a acção façam sentido e para que tenham uma base de sustento é necessário delinear objectivos, modelos e princípios que determinem a acção de todos: desde os jogadores aos treinadores, passando pelas coordenações e pelas direcções. Assim, é fundamental conhecer o caminho que se pretende percorrer e, a partir daí, ir trabalhando nesse sentido. Mas tudo isto só fará realmente sentido se se levarem em conta as reais condições materiais que se encontram à disposição, assim como o seu real valor e o respectivo potencial. Ou seja, antes de tudo e mais alguma coisa, é fundamental avaliar e ter a noção de que isso terá de ser um acto contínuo.
No fundo estamos a falar de um sistema de formação e gestão onde se interligam conceitos e se esquematiza a acção. Esse sistema fica completo com a interação e ajustamento que surgem dos actos de avaliação. Tudo somado permite que o mesmo esteja sempre (mais ou menos) actualizado e capaz de responder aos diversos desafios que se colocam. Sem este tipo de resposta, creio que ficamos todos muito mais perto de errar mais vezes.
Mas porque será que algo tão simples muitas vezes nem sequer existe na realidade futebolística nacional? Honestamente não existem grandes respostas para esta questão. Podemos sobretudo especular e tentar encaixar umas peças que nos chegam na nossa própria cultura. A verdade é que a realidade é dura: em Portugal ainda não temos um sistema que funcione. Ou pelo menos que dê frutos realmente vistosos (houve algumas excepções de sucesso, mas ninguém vive apenas de excepções).
Portugal Vs Alemanha, sub-17 Fonte: FPF
Isto do desporto em geral e do futebol em particular é algo complexo e creio que em Portugal temos de desenvolver uma abordagem mais profissional e mais séria para agir dentro desta realidade. Falar de futebol é falar de diversas áreas e disciplinas, é falar de humanidade, de sociedade, de economia, de psicologia, de motricidade e, sobretudo, de paixão. E o problema a que temos assistido assenta na nossa incapacidade de gerir estes elementos e de saber trabalhar com o “caos” que a é a realidade.
Já não basta ter um descampado com balizas, hoje em dia há que saber trabalhar e gerir o conhecimento e a prática. Há que procurar a ordem para gerir o “caos”. E não, ninguém tem de ser “Doutor” ou licenciado para o fazer. Por vezes basta ser capaz de observar a realidade e conseguir produzir conclusões a partir dela. Por vezes basta parar, olhar, escutar e avaliar. A partir daí, qualquer exercício que se faça poderá estar mais próximo de atingir o sucesso. Por sua vez, é fundamental que tenhamos as coisas sistematizadas e organizadas de forma a que a nossa acção seja coerente e assente em duas coisas: nos princípios que orientam a acção e nas reais condições materiais.
Ainda existem outras variáveis. Uma delas relaciona-se com a questão da qualidade e das expectativas. No futebol é evidente que apenas o trabalho e a organização não chegam, há resultados que apenas se alcançam com as variáveis qualidade e competência. Enfim, sem ovos não se fazem omeletes, mas um trabalho organizado e sistematizado poderá surtir efeitos bastante relevantes. Poderão não valer uma “sala de troféus” mas podem valer uma série de resultados pedagógicos e desportivos que futebol de formação não pode descurar. Contudo esta é uma questão para debater em outro artigo.
Acredito que sem as características acima referidas é muito difícil conseguir extrair sucesso a partir do “caos” e da dureza que é a realidade do futebol. Lá está, não planear é planear para falhar. Enfim, é real. Mas já agora deixo uma dica: e conhecer o quê e para quem é que nós estamos a planear?
O futebol de ataque é uma imagem de marca do Benfica. A grandeza e a responsabilidade que carregamos com orgulho levam a que a equipa, principalmente nos últimos anos, só se sinta bem a jogar em ataque contínuo. Os laterais sobem para dar mais profundidade às jogadas (por vezes até o fazem em demasia, no caso de Maxi), há sempre bastante presença na área, a linha defensiva tende a avançar quase até ao meio campo. Das bancadas vem um “Carrega Benfica!”. A equipa procura o primeiro golo e depois desse, o segundo, o terceiro. Porque o espetáculo se torna uma obrigação quando os adeptos vão à Luz para ver golos. Não é por acaso que somos o clube português com mais golos marcados nos campeonatos nacionais (5426) e com mais vitórias (1522 em 2248). Se no nosso ADN está este ímpeto ofensivo, se temos jogadores e um desenho tático que nos permitem jogar ao ataque, então porquê desvirtuar os habituais processos da equipa, como se viu em Alvalade?
Já nos tínhamos habituado a ver Jorge Jesus montar uma estratégia mais defensiva quando o Benfica jogava no Estádio do Dragão (curiosamente, ou não, na única vez em que foi ao Porto e não o fez, este ano, jogando olhos nos olhos com o rival, regressou a Lisboa com uma vitória), mas contra o Sporting o pragmatismo excessivo nunca tinha sido usado. Até ontem. Só não deu derrota por sorte. Mas será que Jesus não aprende? O Benfica não sabe jogar ao estilo da Académica, do Penafiel, do Arouca. Obrigar os jogadores a praticar este futebol frio e calculista é a mesma coisa que pedir a estas equipas que assumam o jogo e joguem de igual para igual com as equipas mais fortes. Pura e simplesmente não resulta. Além disso, passa-se a ideia de que a equipa entra em campo a pensar no empate e os adeptos, compreensivelmente, não gostam. O Benfica não pode entrar em nenhum estádio desta Europa com o objetivo de empatar. Seja no Santiago Barnabéu, seja contra o Pinhalnovense, a obrigação é a de vencer, de mostrar esforço, “Raça, Querer e Ambição”.
A culpa da fraca produtividade ofensiva do Benfica no dérbi só pode cair sobre Jesus; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Isto não quer dizer que eu não defenda um pragmatismo q.b. em alguns jogos. Quando se tem vantagem no marcador, é preciso pausar o ritmo e, se for preciso, gerir o resultado em função do calendário. Aqui está a grande diferença entre os dois campeonatos conquistados na era Jesus: o primeiro, de 2010, foi marcado por um elevada “nota artística”, por um futebol rendilhado, apaixonante, pelo avolumar dos resultados; no de 2014, e também porque a equipa se manteve até ao fim nas famosas “quatro frentes”, impôs-se um espírito “resultadista”, em que a exibição era relegada para segundo plano, porque o essencial eram os três pontos (em muitos momentos da temporada 2013/2014, viu-se uma conjugação destas duas formas de encarar o jogo, diga-se).
Engana-se quem acha que o jogo que o Benfica realizou em Alvalade foi pragmático. Não foi porque para se resfriar o ritmo de jogo, este tinha de ter começado elevado. Aliás, a intensidade de jogo da equipa manteve-se estável do início ao fim, pena que tenha sido num nível tão vergonhosamente baixo que não permitiu um único remate à baliza durante 90 minutos. Jesus já devia saber, e acho que foi para ele e para todos os benfiquistas experiência suficientemente traumatizante, que começar a adormecer antes de tempo dá mau resultado. Eu não quero voltar a ver o nosso treinador de joelhos. Antes a vantagem era de 6 pontos, agora já só são 4 e ainda faltam disputar 14 jornadas. Já não estamos na Europa nem na Taça de Portugal, o que ainda aumenta mais a responsabilidade de ganhar os jogos da Liga, se possível com boas exibições.
Dito isto, volto a insistir, pegando até naquele velho lema que diz que “a melhor defesa é o ataque”: colocar o jogo numa arca frigorífica à espera do erro do adversário quando se quer ganhar e ser campeão não pode ser o plano, estando o segundo classificado a um, três, seis ou doze pontos. Esta forma de jogar não se compatibiliza com a nossa história (recheada de sucesso), com o desejo de, creio eu, todos os adeptos, com o nosso espírito, com o presente e, desejo eu, com o que virá a ser um glorioso futuro. Porque não é isto que nos está no sangue.
Ainda digiro o empate de Domingo. Para mim, que gosto de futebol, aquilo não foi nada. Para mim, que gosto ainda mais do Benfica do que de futebol, aquilo foi uma facada no coração e logo dada pelas costas.
Assistimos a dois clubes a anularem-se constantemente, tanto por mérito como por demérito de ambos. A espaços, a coisa assim se foi dividindo, construindo-se ali, em Alvalade, um jogo mais chato, desesperante e triste do que o dérbi que supostamente nos tinha sido prometido durante toda a semana. Afinal, mil e uma personalidades vieram para a frente das câmaras – aproveitar os seus segundos de fama – para nos convencerem de que os seus muitos conhecimentos futebolísticos anteviam, sem espaços para dúvidas, um jogo similar ao 3-6 ou ao 7-1. No entretanto, os sportinguistas lotaram também o estádio naquela que havia de ser a sua maior assistência de sempre e os benfiquistas esgotaram em menos de três horas os quase três mil bilhetes que foram postos à venda no Estádio da Luz. Jorge Jesus dizia que não havia motivos para surpresas. Marco Silva prometia um Sporting liberto. Em suma, estamos em Fevereiro, mas já vinha aí o melhor jogo do ano. Só que não.
Talvez esta construção muito específica de uma realidade que não se tornou real tenha despoletado, num contragolpe bem irónico, um sem-número de realidades que hoje invadem os jornais e as redes sociais. Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, veio defender que os adeptos do Benfica deveriam ser «severamente punidos pela Federação e pela Liga». Os motivos prendem-se com o que aconteceu sábado, na partida de futsal entre as duas equipas, onde foi possível avistar-se uma tarja que relembrava (com orgulho) o assassinato – porque não há outro nome – do sportinguista Rui Mendes, em 1996, e também com a forma como os benfiquistas se despediram do dérbi deste Domingo, ao arremessarem very lights e petardos para as bancadas afectas ao público de verde. Horas depois, e em concordância com o que o seu Presidente havia declarado na sua conta de Facebook pessoal, o Sporting Clube de Portugal emitiu um comunicado oficial no qual lamentava e censurava as atitudes dos adeptos afectos ao outro lado da 2.ª Circular, lamentando também a péssima abordagem que a direcção do Benfica havia optado por seguir quando confrontada com o tema: apelidar de “folclore” o desabafo – interessa lá se oportuno ou ridículo – do presidente do Sporting, depois de seis (dos seus) adeptos terem ficado feridos naquilo que deveria ser somente uma partida de futebol.
As desprezíveis palavras das claques benfiquistas no dérbi de futsal de Sábado
Enquanto uns optam por pôr lado a lado o que as claques do Sporting fizeram – gozar com a memória de Gullit, jovem benquista que morreu há muitos anos num trágico acidente, ou mesmo desejar a todos os de encarnado que de uma vez se “juntem” a Eusébio – com o que as claques do Benfica criaram – a exibição de uma tarja a “adorar” um episódio que muitos de nós ainda hoje tentamos apagar da nossa memória e do nosso futebol, a adoração à mesma com cânticos e outras “pérolas” que tal, já para não falar em pôr em risco a vida de pessoas que só quiseram foi mesmo ir à bola e acabaram no Hospital Sta. Maria –, eu opto hoje, aqui, por apontar o dedo, sem reservas, aos energúmenos que dirigem o clube que eu amo. Tudo o resto são não-conversas.
Outras desprezíveis palavras, desta feita pelas claques sportinguistas no dérbi de Domingo
O Benfica não é vosso. O Benfica não pertence a nenhum de vós. O Benfica não vos deve nada. O Benfica viveu décadas sem vocês e viverá da mesma forma muitos outros séculos. O Benfica não vos quer, nem de vocês necessita. O que os votos de alguns significam num momento, nada querem dizer quando se fala em respeitar e amar este clube como se respeita e se ama a própria vida. Vocês não vivem para o Benfica. Não vivem o Benfica. Nem o Benfica vive em vós.
O que anda o senhor João Gabriel a fazer a merda do ano inteiro para só aparecer em frente às câmaras não mais do que meia-dúzia de vezes e em todas elas, sem excepção, cuspir alarvidades repletas de arrogância, próprias de quem não sabe estar num clube que tem milhões de seguidores pelo Mundo fora? Quem passa a este senhor o atestado de sabichão empertigado mais preocupado em atirar farpas aos outros do que em desaprovar os actos dos nossos? O que é que se faz neste clube hoje em dia? É que antigamente ainda se dizia que se andava a criar riqueza e essa era a desculpa para sermos guiados por um bando de abutres ignorantes, todos eles demasiado ocupados para andarem de cachecol ou estenderem a mão e o espírito ao “triste povinho” que mantém o Benfica onde o Benfica merece estar. Mas hoje em dia? Hoje em dia nem dinheiro, nem títulos, nem dignidade! E ainda se faz o manguito ao clube que nos recebeu e que viu seis dos seus adeptos irem de charola para as urgências?!
É de meter nojo. E é aqui que as minhas palavras ganham todo o significado de que não precisam. É por ser enorme e por não ser “isto”, que o Benfica é dos que sabem vivê-lo com saúde mental, deixando as entradas a pés juntos só para o que acontece em campo (e mesmo aí, cuidadinho com os pitons). A direcção do Benfica, a qual nem merece a utilização de um “d” maiúsculo, deveria saber retratar-se. Deveria, com a mesma perícia com que mostra e vomita arrogância e pedantismo, saber comportar-se com elegância, respeito e maturidade. Deveria, aliás, substituir a primeira fórmula pela segunda. E já que estamos a falar em substituir, que se substitua também quem continua a hipotecar, passo a passo, o futuro deste clube. Primeiro, o seu futebol. Depois os seus activos. Depois a sua formação. Depois os seus adeptos. E agora a sua dignidade. A sua honra. A sua mística.
Nunca pensei dizê-lo, mas estes senhores fazem-me ter vergonha em ser Benfica. Felizmente, não foi com eles que aprendi a amar estas cores e este emblema. Somos muito mais do que aquilo que lhes chega à vista. Porque à mão e à vista só lhes chegam negócios e dinheiro. A bola (seja ela de futebol ou não) vem depois…quando eles estão em casa ou nos hotéis (que nós pagamos), a deliciarem-se com as prostitutas (que nós pagamos), que lhes afogam as mágoas e os fazem acreditar, ainda que por breves minutos, que são relevantes nos cargos (que nós pagamos) e que executam de fatinho lustroso (que nós pagamos), mas encardido dos perdigotos que lá caem enquanto mentem com os dentinhos todos. Tenham vergonha, seus animais.
O Sporting cortou hoje relações com o Benfica. Depois de ter tomado conhecimento do conteúdo do texto, só posso subscrever por completo a decisão tomada. Destaco as seguintes passagens: “durante o derby de Domingo, no Estádio José Alvalade, as ameaças proferidas na véspera (“amanhã há mais”) [no jogo de futsal na Luz, onde também foi exibida uma faixa com a inscrição “very light 96”, a celebrar o assassínio de um Sportinguista] vieram a concretizar-se com o lançamento indiscriminado por parte dos adeptos do SLB de artefactos pirotécnicos sobre os adeptos do Sporting”; “No pavilhão encontrava-se a assistir ao jogo o presidente do SLBque visualizou a referida faixa e não tomou qualquer medida na altura, nem o SLB emitiu nenhuma declaração a repudiar veementemente esta alusão a um assassinato”; “Quando se esperaria, pelo mais elementar bom senso, uma declaração de reprovação e demarcação, por parte dos órgãos dirigentes do SLB, vem o seu porta-voz oficial, numa comunicação grave e totalmente irresponsável, qualificar toda esta situação denunciada pelo Sporting de «folclore»”.
Nunca gostei de alinhar no discurso que culpa o Benfica enquanto entidade pelo assassinato de Rui Mendes na tristemente célebre final do Jamor em 1996. A violência não é um mal exclusivo do clube X ou Y mas sim um problema com raízes sociais profundas, pelo que evito sempre usar esta argumentação falaciosa. Porém, se é verdade que a divisão entre clube e energúmenos que festejam um assassinato tem de ser feita, também é verdade que o Benfica é o único emblema cujos adeptos alguma vez provocaram uma morte. O clube da Luz é o único em Portugal cuja História está manchada com sangue. Se, como disse, evito generalizar e culpar o Benfica e os benfiquistas por um assassinato cujos responsáveis são unicamente um criminoso e alguns cúmplices, também estranho o comportamento dos dirigentes encarnados. Se eu fosse apoiante do clube em questão, o que mais queria era que os dirigentes se demarcassem por completo de quaisquer actos bárbaros. No entanto, infelizmente isso não acontece.
Recapitulemos: em 1996, o jogo prosseguiu contra a vontade do Sporting; desde então, que tenha conhecimento, nunca o Benfica adoptou uma postura clara e inequívoca de solidariedade para com a família da vítima; no derby de Sábado no futsal, uma faixa com a inscrição “very light 96” foi exibida pelos No Name Boys (como foi possível a entrada do pano no pavilhão? Sei de um caso de um cachecol apreendido antes de um derby de futebol na Luz apenas porque tinha a inscrição Sporting 7- 1 Lampiões…) sem que ninguém da direcção do Benfica condenasse o sucedido; no dia seguinte, vários adeptos benfiquistas arremessaram tochas para uma bancada cheia de Sportinguistas. Uma vez mais, os responsáveis encarnados remeteram-se ao silêncio.
Estamos a falar da celebração de um assassínio no Sábado e, no Domingo, de momentos de pânico que fizeram lembrar a única morte registada nos estádios portugueses! Ao não reagir aos comportamentos animalescos de adeptos do seu clube – pior, ao reagir, através do repugnante João Gabriel, apenas para classificar uma declaração do Presidente do Sporting como “folclore” – a direcção do Benfica passa uma mensagem clara de tolerância para com a violência no desporto. Que muitos dos homens-fortes dessa instituição são trafulhas, ex-presidiários e seres intelectualmente repelentes já não é novidade para ninguém. Que relativizem um assassinato, a sua celebração (praticada nas suas instalações, por adeptos seus) e o ataque cobarde a cidadãos com pirotecnia (do qual resultaram seis feridos) é uma novidade preocupante. Talvez notícias como esta façam algum sentido.
O futebol já potencia actos irracionais que deixam muitas vezes a nu o que de pior há nos seres humanos. Quando são as altas instâncias de um clube grande a acirrar ainda mais os ânimos, motivando a aprovação acéfala de milhares de seguidores alienados, pouco mais há a fazer a não ser temer pelo futuro do desporto. Apesar de ver vários adeptos benfiquistas mais empenhados em ridicularizar o Sporting ou Bruno de Carvalho do que preocupados com a gravidade deste assunto, acredito que a grande maioria condene estes actos. Mas a verdade é que, dezanove anos depois do trágico jogo do Jamor, o Benfica está envolvido num episódio de relativização e branqueamento da violência. E desta vez os seus dirigentes são cúmplices, o que torna tudo isto ainda mais abjecto e inqualificável.
Pela minha parte espero por uma severa punição ao Benfica, embora saiba que vou esperar sentado. Perante tamanha falta de respeito da direcção desse clube pelo episódio mais triste da História do futebol português, que ao que tudo indica passará como se nada fosse, resta-me fazer minhas as palavras da excelente coreografia erguida pelas claques do Sporting: “Antes só e honrado… do que mal acompanhado!”.
P.S.1: quaisquer comparações entre estes comportamentos e o desrespeito por parte de Sportinguistas ao minuto de silêncio após a morte de Eusébio – por muito lamentável que esta atitude também seja, obviamente – revelam uma enorme desonestidade. Primeiro, porque não foi nenhum Sportinguista que matou o Pantera Negra; segundo, porque o que está aqui em causa é a segurança (e a vida, no caso de Rui Mendes) de seres humanos e não um simples acto simbólico. E estou à vontade para falar, uma vez que estive presente no Estoril-Sporting do ano passado e pertenci à larga maioria de Sportinguistas que respeitaram o minuto de silêncio em memória de Eusébio.
P.S.2: Benfica e Porto colocam os adeptos visitantes o mais longe possível do relvado, de modo a minimizar o impacto sonoro, e enjaulam os adeptos visitantes naquilo a que chamam “caixa de segurança”. Quando é que o Sporting fará o mesmo? Para além dos comportamentos a que já aludi, chegámos ao ponto de jogar em casa e um jogador nosso ser incomodado pela claque adversária na cobrança de um canto. Não sou partidário destas “gaiolas” mas, se os rivais o fazem, não podemos ser nós os anjinhos e os puros. Assim, espero que a tal caixa seja uma realidade já no próximo derby. De preferência bem lá em cima e, se não for pedir muito, fora da bancada central!
P.S.3: já que estamos com a mão na massa, aproveito para pedir também o fecho do fosso. Não é a primeira vez que alguém cai lá para dentro. Espero que não seja necessário haver um desfecho mais grave para se tomarem medidas…
P.S. 4: já depois de ter escrito o texto deparei-me com esta notícia. Dois pesos e duas medidas? Impressão nossa…!
A selecção das quinas venceu o primeiro de dois jogos de preparação para a Algarve Cup frente à Suíça por 2-1, numa partida em que a qualidade de Cláudia Neto foi crucial para garantir a vitória portuguesa.
Apesar de uma primeira parte muito disputada no centro do terreno, Portugal entrou em campo com vontade de mandar no jogo e, logo aos 3 minutos, dispôs de uma oportunidade soberana para abrir o marcador, por intermédio de Andreia Silva. Depois deste primeiro aviso, as ocasiões de perigo continuaram a pertencer à selecção portuguesa, pecando pela falta de eficácia das jogadoras mais avançadas no terreno. No entanto, aos 26 minutos, Vanessa Marques subiu às alturas e inaugurou o placard com um excelente cabeceamento, após um canto marcado do lado esquerdo do ataque português pela capitã portuguesa, Cláudia Neto. Com este primeiro golo, o jogo praticado pelas atletas portuguesas perdeu alguma qualidade e a Suíça começou a dar sinais de que queria fazer algo mais nesta partida. Nos períodos de mais aperto, de referir a grande solidez do bloco defensivo português, sempre auxiliado pelas jogadoras do meio campo. O empate acabou por surgir aos 43 minutos numa jogada de insistência por parte do ataque suíço.
Na segunda parte, e fruto do crescente cansaço de ambas as equipas, as jogadoras optaram por um futebol mais directo (e igualmente menos atractivo). Mas como os grandes jogadores tendem a surgir nos momentos mais importantes, aos 59 minutos, Cláudia Neto fez uma grande assistência para a desmarcação de Ana Borges que, ao tentar fintar a guarda-redes suíça, acabou por ser derrubada na área e premiada com o assinalar de uma grande penalidade. O castigo máximo foi cobrado por Cláudia Neto, voltando a devolver a vantagem a Portugal. Com uma assistência e um golo marcado, a capitã portuguesa com o número 7 nas costas podia ter abrilhantado (ainda mais) a sua exibição se não tivesse falhado outra grande penalidade assinalada a favor das portuguesas, aos 84 minutos.
Com o apito final, regista-se uma boa exibição da formação portuguesa que não vencia a Suíça há 15 anos. Uma nota ainda para Olga Freitas que, com 26 anos, se estreou pela selecção A.
Estas duas selecções voltarão a encontrar-se na quinta-feira, em Santa Maria da Feira.
Cláudia Neto foi a grande figura do encontro. Velocidade, qualidade de passe e qualidade técnica não lhe faltaram Fonte: FPF
Embalado pela transferência de Maurício para a Lazio e pela contratação de um defesa-central ainda preso por arames (Ewerton), o jovem Tobias Figueiredo tem sabido conquistar um lugar de relevo no eixo defensivo do Sporting, sendo que a sua última grande exibição, diante do Benfica, acabou por ser a confirmação de que estamos realmente na presença de um futebolista capaz de obter um lugar de grande relevo no espectro futebolístico português.
Com 21 anos acabados de fazer, e num Sporting ainda em construção e com algumas “dores de crescimento”, está a ser claramente um baptismo de fogo para Tobias Figueiredo. No entanto, este está a saber enfrentar os obstáculos com competência, contribuindo sobremaneira para que a equipa leonina tenha reduzido de forma crucial a tremideira na zona central da defesa e apresente agora uma qualidade muito mais homogénea entre sectores.
Criado em Alcochete
Tobias Pereira Figueiredo nasceu a 2 de Fevereiro de 1994 em Sátão e começou a sua carreira futebolística nas camadas jovens do Penava do Castelo, ainda que cedo tenha se transferido para o Sporting, nomeadamente em 2006/07, isto para jogar na equipa de infantis dos verde-e-brancos.
No Sporting, haveria, então, de percorrer todos os restantes escalões de formação, tendo chegado ao futebol sénior em 2012/13, temporada em que, ainda com idade de júnior, somou 18 jogos na Segunda Liga com a camisola da equipa B verde-e-branca.
O central teve um baptismo de fogo Foto: Facebook de Tobias Figueiredo
Passagem importante pela Catalunha
O interessante impacto que teve na equipa B do Sporting em 2012/13 acabou por não ter o devido seguimento na campanha seguinte, tendo o internacional sub-21 português passado um pouco ao lado das escolhas de Abel Ferreira na primeira metade de 2013/14. Nesse seguimento, o Sporting emprestou-o ao Réus, concluindo então Tobias Figueiredo essa época no clube catalão, somando 17 jogos e um golo na Segunda Divisão B espanhola.
Depois desse “exílio” na Catalunha, Tobias Figueiredo voltou esta temporada à equipa B do Sporting, pensando-se que esta seria uma temporada de maturação para o jovem defesa-central, numa espécie de antecâmara para uma aposta mais efectiva em 2015/16. Contudo, o seu excelente desempenho na equipa secundária leonina (17 jogos, um golo), aliado à instabilidade que foi existindo no eixo central da equipa principal, valeu-lhe uma ascensão meteórica para o onze, onde soube pegar de estaca e com direito a muitos elogios.
Qualidades inatas e uma enorme margem de progressão
Tobias Figueiredo é um defesa-central que apresenta uma fantástica compleição física para a posição, uma vez que os seus 1,88 metros e 82 quilos fazem do internacional sub-21 português um jogador muito forte no ar (tanto ao nível defensivo como ofensivo), assim como é igualmente muito forte nos duelos individuais, onde raramente permite grandes veleidades aos adversários.
Tacticamente inteligente, o que também lhe permite disfarçar alguma falta de velocidade de ponta, Tobias Figueiredo encaixa muito bem no eixo ao lado de um jogador com as características de Paulo Oliveira, ou seja, com maior mobilidade, ficando ele como o elemento mais posicional da dupla de centrais.
Obviamente que existem aspectos em que o jovem leão deve evoluir, desde a necessidade de refrear alguma impetuosidade/agressividade em alguns lances (ainda que já se veja uma clara evolução neste aspecto em relação a tempos recentes), ao aprimoramento da sua capacidade técnica, essencialmente ao nível do passe, onde por vezes comete alguns erros graves. Aliás, limadas essas nuances, estamos perante um jogador que tem tudo para se assumir como um dos grandes defesas-centrais do futebol europeu.
Phil Jackson, o reputado treinador de basquetebol, agora Presidente dos New York Knicks, não está com a vida fácil na nova faceta. A equipa não para de perder e é das piores da NBA (10 vitórias e 40 derrotas).
Jackson, que assinou um contrato de 60 milhões de dólares válido por cinco anos, conta no seu curriculum com o maior número de títulos da história da NBA, sendo 11 como técnico e dois como jogador. Escreveu também um livro que é best selling (“Eleven Rings: The Soul of Success”). No início da época, as expectativas em Nova Iorque eram altas e apontavam claramente para um lugar nos “play off”, até porque os jogadores tinham em boa conta Derek Ficher, o ex-base que se estreava como treinador.
Jackson, relativamente ao desastre da época e ao treinador, disse recentemente: “A culpa é só minha. Deixem o Derek Fisher em paz, ele está a fazer o melhor possível. Obviamente que não escolhi bem os jogadores, mas vamos melhorar. Não ficamos à espera do final da época, vamos fazer com que as coisas aconteçam. Tenho de justificar a razão pela qual fui contratado. Não adianta procurar uma grande estrela para ter fortuna, isso nunca aconteceu nos últimos 45 anos. A melhor maneira de solucionar o problema é começar tudo de novo e descobrir o caminho certo. Temos de mudar a cultura do Clube.”
A opção agora é clara: os Knicks desistem desta época e trabalham já na próxima. A renovação passa, não só pela contratação de jogadores free agency e por garantir boas posições nos próximos drafts, mas também pela venda de jogadores.
Não surpreende pois que o poste Samuel Dalembert tenha sido despedido (pouparam $33 milhões de dólares) e que dois dos seus melhores jogadores (Iman Shumpert e J.R. Smith) tenham sido enviados para Cleveland com as respetivas compensações de futuros jogadores. O italiano Bergani (11,5 milhões), o base espanhol Calderon (quatro anos de contrato a 7,250 milhões por ano) e o argentino Pablo Prigioni (já com 37 anos, tem contrato de três por 4,9 milhões dólares) devem seguir o mesmo caminho. Em estudo está a situação dos consagrados Carmelo Anthony (cinco anos de contrato por 124 milhões) e Amar’e Stoudemire, que está na última época de um contrato de cinco anos por 100 milhões de dólares e desespera por nada ganhar .
Jackson ainda equaciona reconstruir a equipa à volta de Carmelo Anthony, mas as constantes lesões e a inadaptação ao modelo de jogo levantam sérias dúvidas.
Marc Gasol: Trocar o bom pelo mau Fonte: @NBA
Os alvos de Phill Jackson são óbvios. Entre eles está o poste espanhol Marc Gasol, dos Memphis Grizzlies. Contudo, este não parece muito interessado na equipa: “Memphis é a minha segunda casa. Não me estou a ver noutro lado. Não faz qualquer sentido trocar uma boa equipa por uma má, a menos que me provem que vão construir algo de novo”, afirmou o espanhol.
Claro está que Nova Iorque é uma grande e atrativa metrópole, onde os jogadores têm alta qualidade de vida e a experiência pode ser financeiramente lucrativa.
Perder de propósito
Na NBA as melhores posições do DRAFT continuam a ser atribuídas às equipas mais mal classificadas. Assim, não é de estranhar que as equipas não apuradas para os play off percam de propósito para garantirem melhores jogadores no futuro Draft.
Jahlil Okafor joga nos Duke Blue Devils Fonte: @NBA
Os Knicks sabem que, se tivermos o pior record da prova, têm 25% de hipóteses de garantirem o mais que provável número um: Jahlil Okafor, o poste de Duke.
Em situação similar, Knicks, Sixers e Lakers (que, segundo a Forbes, valem 2,6 mil milhões de dólares) fazem um campeonato à parte, a ver quem perde mais jogos.
“Os jogadores não gostam de jogar para perder, e os adeptos têm o direito de ver um desporto competitivo. Criaram um sistema que encoraja esta prática”, disse Michaele Roberts, do sindicato dos jogadores.
A merecer um pedido de desculpas estão os adeptos ingleses, que recentemente também foram enganados no jogo Knicks – Bucks, disputado em Londres, que só podia ter acabado com mais uma derrota dos primeiros (79-95).
A culpa é do triângulo?
Falar do ataque dos “Triângulos” é relembrar a dupla de treinadores Tex Winter/Phill Jackson e as imagens de Michael Jordan, Kobe Bryant, Scottie Pippen e Shaquille O’Neal. Todos eles foram protagonistas com este sistema nos Chicago Bulls e nos Los Angeles Lakers.
Com a chegada de Phill Jackson e Derek Fisher, o célebre ataque ganhou nos Knicks um papel de relevo.
Para o coach Jackson, o ataque não tem segredos: “Marcar pontos é uma coisa, passar a bola é outra, os jogadores necessitam de tempo e ritmo para aprenderem a jogar coletivamente. Não me parece que seja algo de complicado”.
Jordan, Pippen e Bryant tiveram adaptações diferentes ao sistema. No início, Jordan sentia-se pouco confortável ao passar de extremo para base, o que foi ultrapassado com a ajuda de Pipen. Já com Kobe, tudo foi mais fácil.
No início da época, Derek Fisher aplicou os conceitos na Summer League (Las Vegas) e na Liga NBA Developmental, para mais tarde passar à NBA. Os resultados têm sido péssimos Fonte: @NBA
A verdade é que Carmelo Anthony e os companheiros não gostam nada do “triangle offense”, argumentando que as outras equipas já sabem como defender tal sistema (o que não deixa de ser um pouco ridículo para este nível de competição).
O polémico Denis Rodman também opina sobre os Triângulos: “Como podem jogar o ataque dos Triângulos, se Carmelo Anthony quer lançar todas as bolas, enquanto os outros tentam desempenhar o seu papel? Com Phill sabíamos quem era o “boss”. Era Michael Jordan. Ninguém quer jogar com Carmelo.”
Contrariando os jogadores de Nova Iorque, Rodman disse ainda que para aprender o ataque só necessitou de 15 minutos nos Bulls. “Não é difícil, é apenas um triângulo. Passas e vais para o canto. Ganhas posições interiores. Mudas o lado da bola. Mais um triângulo, boom, boom. Não é nada difícil, até porque todos têm oportunidade de tocar na bola e lançar. O pior é se aparece o Carmelo Anthony e tudo para…”
O ataque dos Triângulos não funciona nos Knicks, porque estes não têm bons jogadores e não são uma equipa, mas sim um conjunto de atletas que se equipam com a mesma camisola.
Já nem Spike Lee vai ver os jogos dos Knicks Fonte: David Shankbone
Recentemente, os Knicks jogaram em Londres e a ausência de Spike Lee, o adepto mais fervoroso da equipa, causou estranheza. Porque não foi a Londres?
“Já perdermos 16 “motherf… games” seguidos e quer que eu vá apanhar um avião? Para os ver perder, não apanho nem um táxi…”
Conhecido pelo trabalho psicológico com as equipas, Phill Jackson bem pode recorrer à sua máxima para dar a volta ao texto:
“The strength of the team is each individual member. The strength of each member is the team.“
A Argentina, apesar de não ter sido claramente superior, fez valer o peso das individualidades e foi a grande vencedora do Sudamericano sub-20, prova que se disputou no Uruguai. Num torneio que não teve um nível exibicional particularmente elevado, a albiceleste foi mais forte no jogo decisivo com o conjunto da casa, o mais interessante do ponto de vista colectivo, e arrecadou o título que pertencia à Colômbia, que terminou em segundo lugar e voltou a apresentar uma geração com imenso potencial. O Brasil foi a maior desilusão, sofrendo novamente com a falta de qualidade do treinador (Alexandre Gallo fez um trabalho francamente mau) e com a pouca inspiração das suas estrelas.
Como habitualmente, o Sudamericano sub-20 contou com a presença de muitos talentos que têm capacidade de chegar ao topo do futebol mundial. Na primeira fase a grande estrela foi José Cevallos, equatoriano com uma classe tremenda. O médio de 1,86m, que é provavelmente a maior promessa do país, impressionou pela qualidade técnica, visão de jogo e capacidade de passe, destacando-se também pela facilidade de aparecer a finalizar. Já esteve na Juventus mas voltou ao Equador, sendo de esperar que as exibições que fez no Uruguai lhe voltem a abrir as portas da Europa, onde terá de provar que a falta de intensidade e agressividade, lacunas que lhe são apontadas, não o impedirão de ter sucesso.
A Argentina apresentou uma geração muito promissora, aproveitando o talento que se vai produzindo nas escolas do River, as melhores do país neste momento. Batalla, que pode ser um guarda-redes de topo, Mammana, que brilhou no sector defensivo, Tomás Martínez, típico “enganche” argentino, Driussi, um Saviola em potência, e Simeone, o avançado que provou que filho de peixe sabe mesmo nadar, fazem todos parte dos quadros dos “Milionarios” e fazem crer que o futuro só pode ser risonho. Juntando Ángel Correa, o menino prodígio do San Lorenzo que já rumou ao Atlético, Leonardo Suárez, do rival Boca, e Leonardo Rolón, ala direito do Vélez que demonstrou qualidade para fazer todo o corredor, os argentinos ficam com um conjunto fortíssimo para atacar o título mundial.
Angelito foi o melhor jogador da prova Fonte: Facebook da AFA
No Brasil, os jogadores que chegaram com maior estatuto à competição desiludiram. Seja por culpa própria ou por culpa do treinador, a verdade é que Gabriel, o suposto sucessor de Neymar, passou completamente ao lado, e nomes como Malcom ou Gerson, de talento indiscutível, também não estiveram particularmente felizes. Robert Kenedy acabou por ser o jogador que apresentou um nível mais elevado. A actuar sobre a direita, as semelhanças com Hulk são evidentes; canhoto, o que o leva a procurar constantemente o corredor central, forte no drible e com muita facilidade de remate. Para seguir com atenção.
Apesar de o Uruguai não ter vencido, deixou excelentes indicações na prova que recebeu. A equipa esteve bem organizada colectivamente, teve uma atitude fantástica, como sempre, e individualmente viram-se jogadores com capacidade para serem importantes num futuro próximo. A defesa, liderada pelo central Mauricio Lemos, apresentou muita solidez, o meio campo, composto pelos dois “monstros” Nández e Arambarri, jogou a um nível soberbo, e no ataque os craques Gastón Pereiro e FrancoAcosta demonstraram que podem ser sucessores à altura de Cavani ou Suárez.
A Colômbia deu novamente um sinal de que o futebol do país está numa fase bastante positiva. Há talento, muito talento nos cafeteros, e o expoente máximo nesta competição foi Jeison Lucumí. Irreverente, sem medo de arriscar o 1×1, o extremo cria desequilíbrios muito facilmente e tem uma capacidade finalizadora bastante interessante. Um jogador muito acima da média. Mas não é o único: Juan Quintero, o homónimo do jogador do Porto, foi um dos melhores centrais da prova (começa a ser habitual aparecerem bons centrais colombianos nestes torneios); Andrés Tello, que joga a lateral-direito ou a médio defensivo, actuou maioritariamente no sector recuado e destacou-se pela capacidade ofensiva; Jarlan Barrera, que até começou como suplente, ganhou o lugar no meio campo e deu nas vistas; e o avançado Rafael Borré, agressivo e com uma qualidade técnica interessante, também mostrou potencial.
Lucumí foi a grande estrela colombiana Fonte: goal.com
Nota final para o Paraguai, que, apesar de ter feito uma primeira fase bastante positiva, acabou por cair na fase final e nem se apurou para o Mundial sub-20. Uma equipa com três jogadores com um talento claramente superior aos restantes: Antonio Sanabria, avançado da Roma com uma qualidade técnica muito acima da média; Danilo Santacruz, médio ofensivo criativo, forte no transporte de bola e com uma óptima visão de jogo; e Sergio Díaz, avançado móvel e dinâmico de apenas 16 anos que tem sido associado a Porto e Benfica.
Apurados para o Mundial sub-20: Argentina, Colômbia, Uruguai e Brasil
Apurados para os Jogos Olímpicos: Argentina e Colômbia, que ainda terá de disputar um playoff com uma selecção da CONCACAF
11 ideal:
GR – Augusto Batalla (Argentina) – De longe o guarda-redes com mais potencial da prova. Sereno, seguro, com muita maturidade e capacidade de liderança. Diz-se que o Real Madrid já assegurou a sua contratação.
DD – Andrés Tello (Colômbia) – Versátil (também pode jogar como médio defensivo) e com capacidade para fazer todo o corredor, é bem mais forte ofensivamente do que a defender, mas tem margem de progressão para se tornar um jogador interessante.
DC – Mauricio Lemos (Uruguai) – Da escola charrua continuam a sair bons centrais. Para além do perfil de líder, o jogador tem um excelente sentido posicional, é eficaz no jogo aéreo e muito competente na saída de bola.
DC – Emanuel Mammana (Argentina) – Começou como lateral mas foi como central que mostrou mais qualidade. Jogando numa defesa a 3, demonstrou uma excelente leitura de jogo e capacidade de antecipação.
DE – Mathías Suárez (Uruguai) – Um lateral que, pela profundidade que conseguiu dar ao flanco, teve grande importância na manobra ofensiva da equipa. Percebendo bem os timings de subida e revelando inteligência na definição dos lances, foi quem mais deu nas vistas numa posição que voltou a não ter muitos jogadores em destaque.
MDef – Nahitan Nández (Uruguai) – O “pitbull” do meio campo uruguaio. Um jogador bem ao estilo de Arévalo Ríos: baixinho, com um pulmão inesgotável e com uma capacidade de recuperação impressionante.
MC – Mauro Arambarri (Uruguai) – A actuar ao lado de Nández, era o médio com maior liberdade para se integrar no ataque e cumpriu essa tarefa com distinção. Para além da competências nos processos defensivos, revelou ainda uma excelente capacidade de passe e muita facilidade de aparecer em zonas de finalização.
* MO/2ºAV – Ángel Correa (Argentina) – Depois da cirurgia ao coração, que pôs em risco a sua vida, o craque voltou em grande e provou mais uma vez que tem muito futebol nos pés. O melhor jogador do torneio, que já tinha destacado antes de rumar ao Atlético, voltou a impressionar pelo seu poder de aceleração e facilidade no 1×1, registando claras melhorias ao nível da decisão (fez inclusive várias assistências para golo, mostrando grande visão de jogo).
EE – Jeison Lucumí (Colômbia) – Foi a principal figura dos cafeteros. Rápido e com uma capacidade notável no 1×1, demonstrou também muita qualidade na finalização.
ED – Gastón Pereiro (Uruguai) – Tem uma envergadura pouco habitual nos avançados sul-americanos (1,88m), mas nem por isso tem menos qualidade técnica e criatividade. Foi o criador da equipa, partindo da direita. Uma das maiores promessas do futebol uruguaio.
PL – Giovanni Simeone (Argentina) – “El Cholito” foi a referência ofensiva dos campeões, marcando 9 golos em outros tantos jogos. Móvel, com poder de desmarcação e instinto, apesar de não ser muito dotado tecnicamente.
A última jornada do campeonato trouxe, em virtude da vitória portista em Moreira de Cónegos e do empate no dérbi lisboeta, uma aproximação do FC Porto à liderança do campeonato. A 14 jornadas do fim da prova, a distância para o lugar mais almejado pelos portistas é de 4 pontos, sendo que encarnados e dragões ainda se vão defrontar dentro de 10 jornadas, a 18 de abril, no Estádio da Luz.
Contudo, e mais do que analisar a última exibição da equipa de Lopetegui frente ao Moreirense, opto, esta semana, por perspetivar o futuro a médio prazo da equipa. Mais propriamente, o próximo mês, que trará jogos muito importantes para o campeonato e, claro, o regresso da Liga dos Campeões, com a eliminatória frente ao Basileia. Aliás, olhar para o calendário do FC Porto até ao próximo dia 10 de março faz antever um verdadeiro exercício de emoção e sofrimento constante para os seis jogos que se perspetivam para os portistas. Entre Campeonato e Champions, as próximas quatro semanas trazem as receções a Vitória de Guimarães, Sporting e Basileia e as deslocações ao Bessa, a Braga e ao St. Jakob Park, em Basileia. Os problemas, como facilmente se percebe, serão mais do que muitos, e só um grande FC Porto poderá ser capaz de resistir a quatro autênticas “batalhas” no Campeonato e a uma eliminatória que pode significar muito para o crescimento da equipa em termos competitivos.
Também por isso é que no título deste texto referi que o mês que se aproxima é uma altura para tirar teimas quanto à capacidade da equipa em derrubar os obstáculos que lhe aparecerão pela frente. Olhando para as últimas exibições portistas, continuo com a mesma opinião: a equipa de Lopetegui continua a ser capaz do 8 e do 80 dentro do mesmo jogo. Se, por um lado, a qualidade do futebol é por demais evidente em diversas ocasiões do jogo (a qualidade de jogadores como Danilo, Oliver, Brahimi, Quaresma ou Jackson Martinez ajuda muito), aquilo que mais me inquieta é continuar a ver erros infantis cometidos pela equipa quando os jogos estão perfeitamente controlados. O jogo contra o Moreirense foi apenas mais um exemplo deste facto, pois não raras vezes se viu o FC Porto a falhar passes em zona de construção, deixando o Moreirense sair em transições ofensivas com perigo para a baliza de Fabiano.
Hernâni foi o único reforço do FC Porto no mercado de inverno Fonte: Página de Facebook oficial de Hernâni
As três derrotas da temporada são explicadas por esses mesmos erros defensivos e pela inexperiência que a equipa denota em alguns momentos. Por ver semanalmente os nossos adversários diretos a jogar (o dérbi lisboeta foi o exemplo perfeito), cada vez mais considero que, se o FC Porto perder este campeonato, será única e exclusivamente por culpa própria. Fazendo a retrospetiva daquilo que foram as 20 jornadas do Campeonato disputadas até agora, penso que o único momento em que o FC Porto foi inferior a um adversário foi na primeira parte do jogo de Alvalade. Nos desaires contra Benfica e Marítimo e nos empates contra V. Guimarães, Boavista e Estoril, salvo melhor opinião, penso que os portistas foram melhores do que os adversários, dominaram mais o jogo, criaram mais oportunidades mas só por ineficácia e inexperiência deixaram fugir os pontos (exceção ao jogo de Guimarães, onde a influência da arbitragem no resultado foi evidente). Ainda assim, com mais ou menos erros, o FC Porto podia e devia ter ganhado esses jogos ou ter pelo menos mais sete ou oito pontos do que os que tem agora. Ao olhar sobretudo para o nosso principal adversário na luta pelo título, parece-me óbvio que os portistas têm sido, na globalidade, melhor equipa, com mais qualidade de jogo. Contudo, a experiência encarnada, conjugada com alguns erros de arbitragem a seu favor, explicam a vantagem de quatro pontos que adensa as dificuldades que a equipa de Lopetegui terá para chegar ao título.
Os quatro pontos de desvantagem para o rival fazem com que o FC Porto não dependa de si para chegar onde quer. Contudo, ainda há muitas histórias para contar neste Campeonato, e a minha sincera convicção é a de que, se a equipa portista fizer o seu trabalho até ao final do campeonato – que passa por ir vencendo continuamente os seus jogos -, os dragões poderão ser felizes no final da Liga Portuguesa. O problema é que, mesmo com um dos melhores plantéis e ataques da história do clube, ao perspetivar um jogo do FC Porto, ainda não consigo ter a certeza da imagem que a equipa vai deixar em campo: se a de uma equipa sem intensidade e amorfa, como na primeira parte nos Barreiros, ou se a de uma equipa de classe e qualidade invejável, como a que vi contra o Paços de Ferreira. Por entre as dúvidas existenciais que ainda subsistem numa equipa em crescimento, penso que é claro um aspeto: no próximo mês não pode haver falhas. Com quatro batalhas tão intensas no Campeonato (Vitória de Guimarães, Boavista, Sporting e Braga) e uma eliminatória escaldante na Liga dos Campeões, frente ao Basileia, de Paulo Sousa, é altura de trazer os “tanques para a rua” ou, futebolisticamente falando, de trazer o melhor futebol azul e branco.