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Três eucaliptos num descampado

Tempos difíceis exigem medidas extremas. Nesse sentido, qual filme de Hollywood, os presidentes dos “três grandes” sentaram-se à mesa com a Federação Portuguesa de Futebol, a Liga de Clubes, o primeiro-ministro António Costa e outros membros do Governo.

O que parecia impossível noutros tempos aconteceu porque uma pandemia paralisou todos os campeonatos de futebol, exceptuando os da Bielorrússia e do Nicarágua. Presidentes que não se falavam, clubes que tinham relações cortadas, guerreiros comunicacionais… Afinal, tudo ficou à porta da residência oficial do primeiro-ministro?

Onde muitos preferem ver uma união inédita e um enterrar de machados de guerra para que o futebol sobreviva amanhã, eu, como muitos, prefiro não ignorar o estado frágil e anedótico que engole o futebol português.

Para resolver um problema que afeta 18 clubes da Primeira Liga, 18 da Segunda Liga e 72 do Campeonato de Portugal reuniram-se, imagine-se, três clubes. Não são sequer os três primeiros classificados, são os três do costume.

Alguma coisa me escapou nos últimos tempos e, afinal, águias, leões e dragões representam e falam por todos os clubes nacionais? E mesmo que o fizessem, o campeonato é a três e ninguém avisou os adeptos? Os demais competidores são paisagem? É que se for esse o caso, a paisagem é laranja, seca, árida, onde apenas resistem três solitários eucaliptos.

O CD Santa Clara manifestou, e bem, o interesse em terminar a época no continente. Desta forma, protege o plantel face às inúmeras viagens de avião e a própria população da ilha dos Açores. Alguém ouviu o CS Marítimo em relação a este tema?

Mais, quem ouviu o CD Nacional? Sim, é que o futebol é essencialmente feito de clubes de menor dimensão, de vários pontos geográficos e de diversas divisões. Alguém sabe a posição em relação a este tema do CF União da Madeira, CSD Câmara de Lobos, SC Praiense, GD Fontinhas ou SC Ideal? Este, sendo um problema de todos, não deveria ser tratado e discutido por todos? Não vejo os “três grandes” com sensibilidade de pensar nos problemas, por exemplo, dos clubes das ilhas.

Desengane-se, no entanto, quem achar que a podridão do desporto mais apreciado em Portugal se deve apenas aos tais do costume. Ser um clube “pequeno” tem tanto de menor dimensão como de resistência. Isto é, os símbolos de cada cidade não podem, face a um problema desta dimensão, deixar que as coisas se resolvam sem o seu aval.

Onde está António Salvador, voz ativa no G15 e tão crítico do domínio tripartido pelos três grandes? Afinal, é líder do terceiro classificado e tem o apuramento europeu em causa.

Posso estar a ser injusto por apontar críticas pouco tempo decorrido após esta reunião, mas até agora apenas o presidente do CD Feirense e um atleta do CD Tondela, António Xavier, se manifestaram contra publicamente. Os demais emblemas não se podem queixar de ter pouca atenção dos meios de comunicação social – o que é verdade – e numa altura em que se exige um forte tomar de posição, permanecerem calados e acríticos.

Pensar o futebol português como um todo é cada vez mais uma miragem e as famosas fotografias são prova disso. Os memes ao estilo de James Bond, Godfather ou Scarface mascaram com diversão uma cicatriz profunda e cada vez mais aberta.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

«João Pinto? Quem o deixou sair do SL Benfica devia estar preso» – Entrevista BnR com Toni

A alcunha de Craque Saloio adivinha-lhe as origens, humildes e rurais, bem a norte do Tejo. Cavalão, como carinhosamente o “Capitão” Mário Wilson o apelidava, revelava a sua capacidade para percorrer os campos a galope. Toni do Benfica denuncia o clube do seu coração e pelo qual somou quase quatro centenas de jogos em 13 épocas de águia ao peito como jogador. Na Luz, orientou inúmeros iluminados, entre os quais João Vieira Pinto e Rui Costa, mas deu-se mal no país da Torre Eiffel. A experiência na Andaluzia foi monocromática, mas atingiria novamente as luzes da ribalta como Príncipe da Pérsia, engrenando o Tractor para o título mais importante da sua história. Numa conversa repleta de mística e carisma, aqui está Toni, em mais uma entrevista exclusiva Bola na Rede.

– As cores do futebol num país a preto e branco –

“O Mário Wilson estava a ver o jogo e fixou-se no número 4”

Bola na Rede [BnR]: Quero começar esta entrevista por dizer-lhe que não vou atrever-me a perguntar por aquele defesa-esquerdo do Tractor…

Toni [T]: Olha que era bom jogador, o Ehsan! Bem ajudou o Queiroz na seleção do Irão!

BnR: “Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal”. Uma vez que nasceu na eira dos terrenos dos seus avós, em Mogofores, pergunto-lhe por mais quantos dias esteve sem chover naquela aldeia.

T: É verdade! Não é do teu tempo, mas ainda que estejas a brincar, foi mesmo na eira que eu nasci. Vivíamos num país a preto e branco, tal como Miguel Torga o referia, um Portugal triste: de muitas carências e dificuldades. Não sei o nome da parteira, mas sei que foi uma aldeã que me ajudou a vir ao mundo. Depois é todo um trajeto feito numa pequena aldeia – que não é bem no interior, está a 25/30 km da costa – mas que tinha uma escola primária, portanto já nos podíamos dar por muito felizes, considerando o índice de analfabetismo que existia à época.

BnR: O que tinha de fazer para conseguir a senha que dava acesso ao campo de futebol do Instituto Salesiano?

T: Portanto, havia a escola e o largo da escola – onde, com as sacolas a fazer de balizas, jogávamos seis contra seis ou cinco contra cinco – e havia o Instituto Salesiano, que era para estudantes que vinham de fora e ao qual não tínhamos acesso. Nós, da aldeia, tínhamos o nosso oratório, São João Bosco – onde jogávamos ao Jogo da Glória, às damas, ping-pong -, que era anexo ao campo do Instituto. Para podermos lá jogar, tínhamos de ir ajudar à missa, em latim, para “conquistar” a senha.

BnR: Se lhe pedir para ajudar à missa, em latim, ainda é capaz?

T: Já não. Nessa altura tínhamos uma folha que nos auxiliava e permitia ir respondendo em função do desenrolar da missa. Curiosamente, quando passei do segundo para o terceiro ciclo, tive de escolher uma alínea que correspondia à área que queria seguir e escolhi a “e)”, que era Direito, e onde uma das disciplinas era Latim; tive Latim, Alemão, História, Português, Filosofia e Organização Política da Nação, que era sobre a Constituição de 1933.

BnR: Vamos a jogo: estreia-se pela equipa sénior do Mogofores, no campeonato da INATEL, com um nome fictício.

T: Salvo erro, em Buarcos. Havia uma equipa da Figueira da Foz que entrava nesse campeonato e, como sabes, os estudantes não podiam entrar nos torneios da INATEL. Mas arranjou-se lá uma trapaça, com o cartão de outro jogador, e joguei um jogo pelo Clube Recreativo e Desportivo de Mogofores.

BnR: O Anadia é que não se deixou enganar.

T: O Anadia é o passo seguinte: havia uns treinos de captação e fui lá com 15 anos, mas não tinha idade suficiente para poder ser inscrito [a idade mínima era 16 anos]. Voltei no ano seguinte e fiz duas épocas nos juniores. Nesses dois anos, tínhamos uma equipa boa, com bons jogadores nos vários setores. É essa equipa, aliás, que frente à Académica, em Coimbra, ganha 3-0, num jogo que o Mário Wilson estava a ver e em que se fixou no número 4, que era eu. Realmente o jogo correu-me muito bem e o “Capitão” pôs-se a caminho de Anadia uns dias depois.

Olheiro BnR – Mohammed Daramy

A Liga Dinamarquesa é, muito provavelmente, uma das menos vistas e acariciadas no seio do futebol europeu. Considerada uma competição “exótica”, muito poucos são os jogadores que se destacam no país escandinavo. As exceções, felizmente, existem. Nas últimas épocas, um jovem tem dado que falar nos relvados gelados da Dinamarca.

Na cidade de Copenhaga brilha uma promessa que enverga a camisola 11 como um verdadeiro extremo, embora execute bem qualquer posição mais avançada. Mohammed Daramy é um dos projetos mais empolgantes na Europa e, com tenra idade, já assume um lugar de destaque no meio dos graúdos. Esta temporada participou em 32 jogos no FC Copenhaga, um dos maiores clubes do país dinamarquês.

Sob o comando de Staale Solbaken, os leões azuis jogam maioritariamente em 4-4-2, onde Daramy assume em algumas ocasiões o lugar de segundo avançado, apoiando muitas vezes Michael Santos, o homem golo da equipa. No entanto, a formação da capital conta com vários jogadores experientes nessa posição e, por vezes, a rotação leva a um pouco menos tempo de jogo dos mais jovens.

Infelizmente ainda não tivemos oportunidade de ver Mohammed a brilhar a nível de seleção. Nascido na Dinamarca, mas com pais nascidos na Serra Leoa, apenas foi reconhecido cidadão do país do norte da europa quando cumpriu 18 anos, em janeiro deste ano, e ainda não conta com qualquer internacionalização.

A irreverência de Mohammed Daramy é notória. Quando pisa o relvado, todos podem esperar do jovem dinamarquês uma capacidade de drible estonteante. Por consequência, possui uma capacidade de condução de bola que deixa o defesa adversário com poucas armas para o parar nas suas investidas.

Qualidades são o que não falta ao dinamarquês. Dono de uma velocidade que o faz voar pela ala esquerda, assiste e marca com bastante facilidade. Em 2019/2020 conta com sete tentos e cinco assistências, distribuídos pela Superligaen e pela taça da Dinamarca. Um dos grandes palcos para o jovem extremo foi a participação do FC Copenhaga na Liga Europa.

Na segunda divisão das competições europeias conseguiu somar minutos e mostrar os diversos talentos que possui. Entretanto, diversos emblemas já começaram a demonstrar o desejo de garantir os serviços do escandinavo, incluindo o BVB Dortmund e o Liverpool FC. Até lá, esperamos pelo momento em que Mohammed Daramy volte a jogar e a encantar, seja em que clube for.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

5 leões emprestados a ter em conta para a próxima época

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O Sporting Clube de Portugal tem vários jogadores vinculados ao clube ao serviço de outros emblemas a título de empréstimo. Alguns destes atletas poderão vir a integrar o plantel leonino na época 2021/2022. Em destaque têm estado nomes como Ivanildo Fernandes, Lumor, Daniel Bragança, João Palhinha e Gelson Dala.

Além destes cinco jogadores, Matheus Pereira tem brilhado ao serviço do West Bromwich Albion, que ao que tudo indica irá acionar a sua opção de compra, a rondar os 10 milhões de euros. O extremo brasileiro soma, na presente época, 34 jogos, seis golos e 16 assistências. Um talento que seria ainda muito útil ao clube de Alvalade.

Por seu turno, o extremo maliano, Abdoulay Diaby, também tem estado em bom plano com a camisola do Besiktas JK. Diaby contabilizou até ao momento 32 jogos, três golos e duas assistência com o emblema turco. O atacante leonino poderá assim vir a representar também um encaixe financeiro ou até a reintegrar o plantel na próxima época.

O 11 do século XXI do Bayer 04 Leverkusen FG

Não falamos de um colosso, no entanto, é uma formação habituada a grandes palcos. O Bayer 04 Leverkusen FG é, para qualquer adversário, um osso duro de roer, apesar do seu palmarés não ser uma montra vistosa. Falamos de uma equipa acostumada a catapultar jogadores para os principais emblemas europeus e a ter no seu currículo algumas estrelas deste século.

O último título conquistado foi a Taça UEFA de 1987/1988, à qual se junta a Taça da Alemanha em 1992/1993 e a segunda divisão do país germânico em 1978/1979. Atualmente, com um plantel avaliado em 383,15 milhões, segundo dados do Transfermarkt, o BayArena conta com a passagem de alguns jogadores talentosos nestes últimos anos. É a falar de craques que deixo aqui o onze do século XXI do Bayer 04 Leverkusen FG, assim como algumas alternativas, e ainda o treinador escolhido para segurar a batuta.

BnR TV: Fernando Meira e o futuro dos defesas portugueses

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Nesta terça-feira recebemos Fernando Meira, um ícone da seleção nacional, que passou pelo SL Benfica, Vitória SC e vários clubes de renome no estrangeiro! Uma conversa em mais um BnR TV sempre descontraída sobre a carreira do antigo defesa (e médio) da nossa Seleção Nacional.

Com Mário Cagica Oliveira, João Rodrigues, Marco Ferreira e Fernando Meira.

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SL Benfica l A história dos jogadores estrangeiros

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Jonas, Gaitán, Preud’homme, Garay, Luisão, Ricardo Gomes, Gamarra, Di Maria, Cardozo, Aimar, Schwarz, Witsel, Poborsky, Mozer, Miccoli, Them, Canniggia, Oblak, Javi Garcia, Valdo, Isaías, Magnusson, etc. Foram inúmeros os grandes jogadores estrangeiros que envergaram o manto sagrado, mas nenhum destes jogadores poderia ter alinhado ao serviço do SL Benfica antes de 1978.

Uma assembleia geral em julho de 1978 ficará para sempre na história do Sport Lisboa e Benfica. Desde a sua fundação o clube encarnado tinha apenas contado com jogadores portugueses nos seus planteis. Ao contrário da maioria dos clubes portugueses, o SL Benfica sempre se recusou a aceitar estrangeiros na equipa.

Foi precisamente isto que a assembleia geral, mencionada anteriormente, alterou. Os sócios decidiram (com cerca de 500 mil votos): eram agora aceites estrangeiros na equipa das águias.

A decisão dos adeptos tinha como objetivo recuperar o poderio europeu da década de 60 e não perder o comboio dos rivais, que já há várias décadas contavam com estrangeiros nas suas fileiras.

O primeiro estrangeiro só chegaria à Luz em 1979. Jorge Gomes Filho foi contratado ao Boavista FC. O avançado brasileiro, que fez praticamente toda a carreira em Portugal, esteve apenas três temporadas de águia ao peito, tendo apontado apenas 13 golos.

O que fez dentro de campo esteve longe de ser histórico, mas Jorge Gomes Filho abriu uma porta para a entrada de estrangeiros no SL Benfica, marcando assim o seu nome na história do clube lisboeta.

Logo em 1981, chegou ao Benfica Zoran Filipovic, o primeiro estrangeiro de um país não pertencente à atual CPLP. O avançado jugoslavo, nascido no que é hoje o Montenegro, marcou 39 golos em três temporadas no Estádio da Luz.

No meio dos muitos jogadores estrangeiros que passaram no SL Benfica, Óscar Cardozo é o melhor marcador
Fonte: SL Benfica

Ao longo dos anos 80, apenas 10% a 20% do plantel dos encarnados era constituído por estrangeiros.

Na década de 90, o panorama começou a mudar ligeiramente. A chegada de um elevado número de jogadores brasileiros e a aposta em mercados emergentes como o norte da europa ou os Balcãs fizeram aumentar o número de estrangeiros na equipa da Luz. Percentualmente, cerca de 25% a 35% da equipa era agora composta por estrangeiros.

Já no novo milénio, com o fenómeno da globalização cada vez mais presente, o número de estrangeiros no SL Benfica disparou. Por esta altura, os portugueses já compunham apenas metade do plantel. A percentagem de portugueses foi diminuindo paulatinamente ao longo da primeira década do século.

Durante a era de Jorge Jesus, a percentagem de portugueses na equipa foi a mais baixa desde que há memória. Na época de 2009/2010, pela primeira vez na história do clube encarnado, os portugueses não eram a nacionalidade maioritária do plantel. Os 14 brasileiros da equipa equivaliam a 40% do plantel, face aos 31,4% “ocupados” pelos portugueses.

Na época seguinte, foi registada a mais baixa percentagem de portugueses de sempre num plantel do SL Benfica: cerca de 30% (a época mencionada e as épocas de 2013/14 e 2014/15 têm números praticamente idênticos).

Na época de 2010/2011, apenas três jogadores portugueses eram opções (relativamente) viáveis para o treinador: Rúben Amorim, Eduardo e Nélson Oliveira. O guardião português realizou apenas nove jogos, o agora treinador do Sporting CP vestiu a camisola das águias apenas 10 vezes e Nelson Oliveira jogou por 22 vezes, mas apenas três como titular.

Após a saída de Jorge Jesus e com a clara intenção da direção em apostar na formação, o número de portugueses na equipa principal das águias, naturalmente, cresceu.

Esta temporada, a percentagem de portugueses voltou a subir acima dos 40% (46%), coisa que já não acontecia há já várias temporadas.

É absolutamente correta a ideia de que a nacionalidade de um jogador não interessa absolutamente nada dentro de campo. Numa altura em que a globalização se torna cada vez maior, as fronteiras vão perdendo importância e a ideia de uma cultura mais mundial se vai tornando cada vez mais presente, serão cada vez mais os jogadores a jogar fora do seu país (como acontece a tantos e tantos portugueses).

No entanto, é sempre importante para a identidade de uma grande instituição e para o ego dos seus adeptos ver o seu clube ter uma significativa base nacional e ver muitos dos atletas tornarem-se internacionais.

Neste momento o SL Benfica está numa excelente situação no que diz respeito a talento nacional. Se estes jovens forem geridos de uma forma sustentável que promova o seu desenvolvimento, o clube encarnado tem tudo o que é preciso para vir a ser uma das bases da seleção nacional.

Os recordes que os Sub-21 já nos presentearam ao longo dos anos

Hoje é dia de falamos um pouco sobre os Sub-21. Em tempos de paragem nas competições, relembrar é a palavra de ordem. Relembramos quem fez com que saltássemos do sofá de maneira eufórica e, aqueles que ofereceram momentos de desilusão e tristeza. De uma maneira ou de outra, todos, sem excepções, devem ser relembrados. Depois de equacionar estas situações, deixar de lado os patamares que permitem aos jogadores acumular experiência e, assim que necessário, assumir uma posição de relevo nos escalões mais altos, parece errado e incoerente.

Os sub-21 de Portugal são, sem dúvida, gerações cheias de talento e esperança de um futuro risonho. As estatísticas não mentem, apesar da pouca atenção que recebem estes jovens tornam os sub-21 em uma seleção cada vez mais temível para os adversários, conseguindo vitorias importantes e dando sequência as mesmas nos campeonatos. Ninguém deve esquecer a participação histórica no campeonato da Europa de 2015, onde só a Suécia, na final, foi capaz de derrubar aquela geração de ouro, onde a maioria dos jogadores já fez a estreia na Seleção principal.

Aqui e ali são relembrados os recordes dos jogadores pela Seleção A – quase todos detidos pelo inevitável Cristiano Ronaldo – mas onde estão esses dados sobre o escalão a baixo, quem foi o jogador com a maior veia goleadora? Quem fez mais aparições ? Quem foi o mais novo a subir ao patamar ? Estas curiosidades devem ser exaltadas e os jogadores aplaudidos pelas conquistas.

Do lote dos goleadores, destaca-se, Hugo Almeida, estreou-se neste escalão aos 18 anos, onde realizou 27 jogos e finalizou em 16 ocasiões, acabou por dar seguimento às suas performances na Seleção principal. Em segundo lugar encontra-se, Hélder Postiga, com 12 golos em 16 jogos.

Aquele que se destaca pelo número de vezes que entrou em campo é Manuel Fernandes, após ser chamado com 18 anos, conta com 30 internacionalizações, em contrapartida, este número desce para metade, ou seja 15, quanto a chamadas para a Seleção A. Com 28 internacionalizações destacam-se três jogadores, Ricardo Quaresma, Silvestre Varela e João Pereira.

No circuito de oportunidades os jovens de tenra idade não são esquecidos e, João Carvalho, de certeza não o foi, em 2013, com apenas apenas 16 anos e 16 dias, entrou em campo, deixando, assim, o marco na história como o jogador mais novo a representar os sub-21, destronando Teixeirinha e o recorde que lhe pertencia desde 1976.

Neste atribulado mundo das Seleções, as prestações são a chave do sucesso ou insucesso, neste capítulo e em particular, não podemos esquecer o homem que levou este escalão aquilo que é e representa no nosso país, Rui Jorge – neste atribulado 2020 celebra 10 anos à frente da Seleção sub-21 – é um dos responsáveis pelo sucesso da Seleção das quinas, lançando muitos jovens no seu escalão que viriam a ser titulares na Seleção A. É, para muitos, um sucessor natural à cadeira de selecionador principal no futuro.

Os sub-21 ao longo dos anos tornaram-se um objetivo para os que ambicionam uma carreira profissional ao mais alto nível, o nível de exigência é alto e as competições são mais intensas. Os jogadores que se destacam, na maioria das vezes, são recordados por aqueles que os assistem e mais que a conquista de recordes os jogadores deixam, aos adeptos, memórias.

4 Destaques: O melhor guarda-redes, defesa, médio e avançado

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Com a Primeira Liga temporariamente parada temos a oportunidade, entre muitas coisas, de avaliar o desempenho das equipas que a disputam. Quem será o melhor guarda-redes, defesa, médio e avançado até ao momento da suspensão? Escolhemos então os nossos destaques.

Como é sabido, os orçamentos dos clubes em Portugal são muito díspares entre os chamados “três grandes” e os restantes emblemas, pelo que a competitividade entre os mesmos estará sempre beliscada por este fator. Naturalmente, equipas que dispõem duma maior capacidade financeira terão à sua disposição com um plantel de maior nível, pelo que para evitar que FC Porto, SL Benfica e Sporting CP dominem as escolhas, decidimos excluir os jogadores pertencentes a estes clubes desta análise.

Assim, selecionamos entre as restantes 15 equipas a disputar a Primeira Liga aqueles que nos parecem merecer a distinção de melhor jogador na sua área do campo, conscientes que outras opções poderiam ser consideradas e igualmente corretas, mediante diferentes pontos de vista. Note-se que, como já referido, apenas vamos nomear o melhor jogador para as quatro principais áreas do terreno de jogo (guarda-redes, defesa, médio, avançado) e não por posição.

Sandro Lima, o homem golo do Gil Vicente FC

Aos 29 anos, Sandro Lima vive o melhor momento da sua carreira. Ao serviço do Gil Vicente FC, o ponta de lança brasileiro é o melhor marcador da equipa minhota e é mesmo o terceiro melhor marcador do nosso campeonato, com dez golos marcados em 24 jogos realizados. À frente de Sandro Lima (embora igualado com Paulinho do SC Braga e Fábio Abreu do Moreirense FC), apenas estão Pizzi e Carlos Vinícius, ambos do SL Benfica.

Sandro Lima, apesar de estar em Portugal ininterruptamente desde a temporada 2013/14, tem o seu passe vinculado ao Grêmio Anápolis SA que o tem vindo a emprestar a clubes portugueses desde então. Sandro Lima chegou assim a Portugal aos 22 anos para representar o Rio Ave FC. Apesar dos 18 jogos em que participou, nunca conseguiu marcar um golo pela equipa vila-condense, tendo saído para a Segunda Liga nas temporadas seguintes onde conseguiu paulatinamente mostrar a sua qualidade, nomeadamente no Académico de Viseu FC, onde fez 13 golos.

Na época seguinte representou o GD Chaves, ajudando na subida dos transmontanos à Primeira Liga com sete golos. Contudo, Sandro Lima não subiu, permanecendo na Segunda Liga e regressando ao Académico. A segunda passagem pelos viseenses não foi tão prolífera em termos de golos, visto que apontou apenas seis mas na temporada seguinte (2017/18), voltou a revelar instinto matador, fazendo 12 golos pela formação da terra de Viriato. Era o momento de encerrar um ciclo ao serviço do Académico e de abraçar um novo desafio, numa equipa com pretensões claras a subir de divisão: o GD Estoril Praia. Apesar desse objetivo ter sido falhado, Sandro Lima ainda apontou nove golos pela equipa canarinha, tendo sido o homem principal na frente de ataque.

Chegou o momento 2019/20 e com ele chegou a nova vida de Sandro Lima. Numa equipa que se sabia que ia ser completamente construída de raiz, Vitor Oliveira foi muito claro: queria Sandro Lima na sua equipa. De facto, o técnico já tinha orientado o jogador no Chaves, quando o avançado ajudou a equipa flaviense a atingir a divisão máxima do futebol português. Para além disso, certamente que como um conhecedor da Segunda Liga como mais nenhum, Vitor Oliveira sabia perfeitamente das características do brasileiro e daquilo que este podia acrescentar à sua ideia de jogo.

As equipas de Vitor Oliveira são caracteristicamente possuidoras de um ponta de lança possante, com boa capacidade no jogo aéreo mas que tenha atributos técnicos. Sandro Lima tem tudo isso e acrescenta-lhe um conhecimento já profundo do futebol português, ao contrário da esmagadora maioria dos colegas de equipa. Esta experiência assentou que nem uma luva no Gil Vicente, elevando o nível de jogo da equipa a patamares muito bons.

Sandro Lima tem a felicidade (procurada certamente) de se encontrar num momento de absoluta estabilidade e consistência competitiva. Sem revelar lesões, ao contrário de algumas fases em épocas anteriores, o ponta de lança apresenta um nível de jogo completamente identificado com o que Vitor Oliveira pretende para um avançado. Beneficiando também das características de Kraev, surgiu uma ligação muito forte entre os dois, tornando a frente de ataque do Gil Vicente poderosa fisicamente e perita em movimentos de rotura entre os defesas contrários e no ataque à profundidade, ajudados depois pelos extremos Lourency e Baraye, fazendo com que o Gil Vicente, com as suas armas, seja uma das equipas que vale a pena seguir neste campeonato.

Sandro Lima já não vai para novo, pelo que uma chegada a patamares competitivos muito mais elevados não se avizinhará fácil. Contudo, aquilo que tem feito nesta temporada leva a pensar que se tivesse manifestado este nível de consistência ao longo de toda a sua carreira, poderia efetivamente ter atingido outras realidades. A influência de Vitor Oliveira revelou-se decisiva também, certamente. Eis Sandro Lima, um dos bons jogadores do nosso campeonato, atuando pela grande surpresa desta edição: o Gil Vicente.