28 de janeiro de 2006, Moreira de Cónegos. Café “Kai-Bem” – o “k” é propositado e não um erro de escrita e, repare o leitor, que se formou um neologismo – mesas dispostas e apetrechadas com o indispensável para assistir ao dérbi dos dérbis, a televisão formato micro-ondas de dimensão superior sobre um móvel de madeira polida e envernizada. O jogo iniciava-se às 19h45 e, dez minutos antes, nenhuma alma presente no estabelecimento podia observar ou regatear por um lugar vazio. Duvidar da pontualidade masculina é injusto – o homem, no futebol, é prevenido e chega a tempo de qualquer compromisso.
Em primeiro lugar, afirmo a idade e o poder mental que me acercava por hoje ser capaz de destrinçar o que se passou de modo límpido: tinha cinco anos. Em segundo lugar, gabar a virilidade masculina pela quantidade de cerveja existente digno de comparação a um Oktoberfest. Em terceiro lugar, salientar que o arrependimento de enaltecer o segundo aspeto foi imediato dada a pouca resistência benfiquista face à convivência com o álcool: puseram-se “a malhar” na cerveja e olvidaram, por completo, a função que os aperitivos exercem.
SL Benfica no segundo posto, com 40 pontos, e Sporting CP no sétimo, com 34 pontos. Soou o apito inicial dado por Pedro Henriques. A imagem da SPORT TV reluzia sobre Liedson, a chuva caía no relvado sob pingos grossos. As bancadas gritavam pelas suas cores: do lado benfiquista, a euforia pela possibilidade da aproximação e de colocar pressão no rival FC Porto; do lado leonino, uma tranquilidade inconsciente e que me irritou, embora não me manifestasse. Rolava a bola, os meus olhos estavam absortos e as rodadas de cerveja intensificavam-se.
Alcides e Luisão não acertavam na marcação ao “Levezinho”. Em cima do quarto de hora inicial, o ponta-de-lança solta-se na grande área e desfere um remate a rasar o poste de Moretto. Simão Sabrosa, na conversão de uma grande penalidade, dava vantagem ás águias e, aí, surge o primeiro clarão da embriaguez benfiquista. Passo a citar: “está ganho. Nos dérbis, quem marca primeiro, regra geral, vence”. Voltei-me para a televisão novamente.
Volvidos quase 20 minutos, Liedson escapa à vigilância da defesa benfiquista, passa a Moutinho, este devolve-lhe após se atrapalhar e o 31 coloca em Carlos Martins: sai uma bomba ao poste! Mais um golo na cerveja para esquecer. Seguidamente, o fundo da garrafa é despejado pela designada “saída de Moretto”, após trivela de Liedson e cabeceamento desenquadrado de Deivid. Segue-se outra rodada, enquanto se contempla o guarda-redes das águias realizar a defesa da noite. Portanto, o Sporting CP dominava o jogo e estava em desvantagem.
O matador leonino nunca se escondia nos dérbis Fonte: UEFA
Segunda parte. Até ao minuto 63, nada digno de registo. Deflagrado, a partida estava sentenciada. Beto, num momento de lucidez, pontapeia Liedson na grande área após se deixar antecipar. Sá Pinto é chamado a converter – ninguém melhor do que ele, era necessário sangue frio – e igualdade no marcador. 1-1! Beijo no símbolo, tudo normal. Proferi um grito estridente e voltei a sentar-me.
O jogo arrefeceu quase dez minutos. A cerveja, a partir daí, perdeu a frescura. Ricardo, num rasgo de genialidade, inicia um contra-ataque rápido e isola Liedson, resvalando no solo e sobrepondo-se a Alcides – é aqui que o leitor se questiona – e desliza sobre o relvado; o homem golo corre em direção à linha que delimita a grande área até perto da linha final, dobra-a e à sua frente “está” Luisão. Houve baile! Luisão cai na armadilha, é driblado e Liedson atira para o fundo das redes. 1-2, reviravolta no marcador! Uma mão atrás da orelha, outra a provocar o silêncio e o apupo. E uma súbita consciência e sobriedade no café…
Tonel “deu-se ao luxo” de desperdiçar a oportunidade de colocar um ponto de exclamação sobre o jogo, falhando clamorosamente à boca da baliza. A oito minutos do fim, um momento inolvidável: pontapé de baliza, Luisão cabeceia, Sá Pinto recupera e isola novamente o Levezinho. Baixei a cabeça pelo facto de ter ficado com a sensação de que o passe tinha sido longo demais. Contudo, oiço soluços de uma ressaca que iria despontar não tardava e voltei a olhar para a televisão. O amigo Moretto sai da baliza, como só ele sabe fazer, está prestes a aliviar o esférico e puff! Foi uma miragem. Liedson efetua o golpe de teatro e aponta o terceiro tento. 1-3! Com direito a espetáculo, bebida e aperitivos.
Apito final no jogo. Saí mal soou. Fiquei a questionar-me, até hoje, se depois se bebeu para esquecer.
Lebron James JR nasceu a 6 de outubro de 2004 e é «somente» o filho mais velho de um dos melhores atletas da história. A atuar pela Sierra Canyon School, o jovem norte americano já apresenta cerca de 1.90 metros e um potencial inabalável, tendo claramente o gene «basquetebolístico» do pai.
O PERCURSO DE LEBRON JAMES JR
Lebron James JR é dos jovens mais famosos no mundo e conta com mais de cinco milhões de seguidores no Instagram Fonte: Sierra Canyon Basketball
Depois de fazer notar-se em competições como a AAU, onde atuou pelos Miami City Ballers e Strive for Greatness e de se ter juntado à escola Crossroads, de California, no dia 29 de maio de 2019, James JR transferiu-se para a Sierra Canyon School, uma escola privada localizada em Chatsworth, Los Angeles, para o primeiro ano da sua carreira como jogador amador no High School.
A 21 de novembro de 2019, James fez sua estreia enquanto freshman, marcando dez pontos a sair do banco numa vitória confortável sobre a Montgomery High School. Em adição, no dia 14 de dezembro, Lebron JR teve uma das melhores partidas até ao momento enquanto jogador, numa disputa onde marcou quinze pontos, incluindo o cesto que daria a vitória nos últimos momentos do jogo, sendo que o jovem foi mesmo nomeado jogador mais valioso da partida (MVP) em uma vitória sobre a antiga equipa do pai, St. Vincent, St. Mary High School.
As comparações ao «king» e a pressão de estar associado a uma lenda, eram inevitáveis a partir do momento em que “Bronny” (nome pelo qual é reconhecido Lebron James JR) pisasse um campo de basquetebol, todavia o «hype» tem sido de tal forma grande, que James JR (com 15 anos) tem tido ainda mais atenção que Lebron James, aquando tinha a mesma idade que o filho.
É óbvio que o impacto das redes sociais e da globalização têm uma palavra forte nesta conversa, mas é de sublinhar que «King James» foi dos jogadores a atuar na escola com maior atenção da história, tendo constantemente jogos televisados, numa altura em que a agenda televisiva era essencialmente ocupada pela NCAA e NBA.
Apesar desta atenção e fama, LeBron James já afirmou que se arrepende de ter colocado o seu nome no filho mais velho e que “Bronny” sofre pressão desde o dia que nasceu também resultado disso. De salientar que o filho já é visionado por observadores de faculdades desde a idade dos 9/10 anos, ao passo que recebeu as suas primeiras ofertas de universidades apenas com nove anos. Algo surreal, se pensarmos o quão pouco conclusivo é tirarmos ilações ao ver um miúdo de 9 anos a jogar basquetebol, quanto mais oferecer uma bolsa de estudos para atuar na faculdade.
Em 2015, altura em que o filho tinha apenas dez anos, Lebron James considerava que era uma loucura observarem o filho e que “devia ser uma violação tentarem recrutar crianças com 10 anos de idade.”
Ainda assim, é fantástico ver como um jovem com o «peso» todo que tem aglomerado nos seus ombros consegue lidar com tudo a seu redor. Ele já joga com pavilhões lotados em quase todas as partidas que disputa, com câmaras e estações televisas à sua volta e ainda assim mantém a compostura e não se demonstra apoquentado cada vez que está dentro das quatro linhas.
Quando este nome é ouvido por qualquer portista, certamente que virão duas boas memórias à cabeça – o cruzamento teleguiado para a cabeça de Falcão na final da Liga Europa e o golo no Estádio do Dragão frente ao CS Marítimo nessa mesma época. Esses dois momentos dizem muito da capacidade que o box-to-box possuía, mas o colombiano teve de lutar imenso para agarrar as oportunidades que teve.
No ano de 2008/2009, Fredy Guarín entrava pelas portas do Estádio do Dragão, proveniente do AS Saint-Étienne, clube da primeira divisão francesa. Lá jogara com atletas como Bafétimbi Gomis, Blaise Matuidi e Dimitri Payet. No entanto, a sua carreira começou no CD Atlético Huila da Colômbia. Duas épocas depois, mudara-se para o CD Envigado FC, onde se manteve durante dois anos, até ingressar no CA Boca Juniors, um dos maiores clubes da América Latina. A estadia no clube grande da Argentina foi curta (jogou apenas duas vezes) e foi nesse momento que se mudou para a Europa.
A sua história no FC Porto começou a ser escrita no verão do ano de 2008. A orquestra portista atuava sob a batuta de Jesualdo Ferreira que procurava conquistar o tetracampeonato nesse ano. Na janela de transferências dessa temporada, Paulo Assunção mudou-se para o Club Atlético de Madrid e era essencial que chegasse alguém para acrescentar qualidade ao plantel. Ainda assim, Guarín tinha concorrência de peso – Raúl Meireles, Lucho González e Fernando Reges eram os patrões do centro do terreno.
Posto isto, Guarín teve de dar corda aos sapatos para ganhar a confiança do professor Jesualdo. Na sua primeira temporada ao serviço dos dragões, jogou grande parte dos encontros como suplente utilizado, somando 1162 minutos e três golos. Numa entrevista desta semana através das plataformas digitais do FC Porto, revelou que foi um ano e meio complicado e que chegou a ouvir do treinador palavras como – “És um burro, colombiano”.
A sua melhor época no FC Porto foi sem dúvida em 2010/2011, não fosse essa uma temporada gloriosa para a história do clube. Guarín era um jogador diferente, mais maduro e que exibia uma qualidade tremenda. Quem o via jogar percebia que já sentia o símbolo que trazia ao peito e foi, de longe, umas das melhores épocas da sua carreira. Nesse ano, venceu a Supertaça de Portugal, a Primeira Liga Portuguesa, Taça de Portugal e Liga Europa. No fim desses três anos e meio, pois só saiu no mercado de inverno de 2011/2012, Guarín decidiu partir para outros voos e rumar ao FC Internazionale Milano, por empréstimo e com uma opção de compra (acionada posteriormente) de 11 milhões de euros. Abandonou o clube com dez títulos na bagagem, um registo impressionante que acaba por ser um reflexo de uma época dourada.
Seguia-se o histórico clube italiano que tentava reerguer-se, quer em Itália, quer na Europa. Contudo, em cinco anos, o clube não conseguiu conquistar qualquer título interno ou externo. À medida que os anos passavam, Guarín começava a perder espaço na equipa e a mudança estava iminente. Em 2016, quis jogar fora do continente europeu e decidiu experimentar o futebol chinês, vestindo a camisola do Shangai Shenhua FC. Lá, foi companheiro de craques como Carlos Tévez, Demba Ba e Obafemi Martins, mas venceu unicamente duas Chinese FA Cup.
Após quatro anos de futebol chinês, chegava a hora de voltar à América do Sul, mais precisamente ao Brasil, onde ainda hoje se mantém. Defende atualmente as cores do CR Vasco da Gama, mas realizou apenas 15 jogos ao serviço do emblema vascaíno, uma vez que na época passada chegou a dois meses do fecho do campeonato e esta temporada foi interrompida.
Pela seleção colombiana, jogou uma fase final do Campeonato do Mundo em 2014, prova essa em que a Colômbia chega aos quartos de final e acaba por ser eliminada pelo Brasil. Jogou também uma fase final da Copa América no ano de 2011, ficando, igualmente, pelos quartos de final da competição.
Localizadas no Pacífico Sul, as Ilhas Fiji têm como imagem de marca as suas ilhas tropicais e o Rugby. Nesta modalidade, os fijianos representam uma das melhores seleções do mundo na variante Sevens e, no que ao Rugby de 15 diz respeito, ocupam a 11.ª posição do ranking mundial da World Rugby.
A partir de 1874, Fiji passou a estar sob a alçada da coroa britânica. Chegaram os ingleses e, pouco tempo depois, chegava também um desporto inglês, mais precisamente, o Rugby. Calcula-se que o jogo tenha aparecido no arquipélago em 1880. Na época, era praticado, maioritariamente, por expatriados e europeus. Mais tarde, em 1904, foi criada a primeira competição doméstica de clubes.
O Rugby ia-se desenvolvendo cada vez mais, até que, nove anos depois da criação de um torneio nacional, apareceu o primeiro clube formalmente organizado, de nome Pacific Club. O seu aparecimento deveu-se a um neozelandês, PJ Sheehan. Com o surgimento de clubes e competições, criou-se uma entidade organizadora do Rugby local, conhecida hoje como Fiji Rugby Union.
Apesar de ser uma modalidade muito importante nas Ilhas Fiji, o Rugby não fica imune aos problemas financeiros que se vive no país Fonte: Fiji Rugby
Decorria o ano de 1924, quando a seleção nacional de Fiji realizou o seu primeiro test match. Defrontou Samoa, num jogo que, curiosamente, foi disputado às sete da manhã, de modo a que os samoanos pudessem ir trabalhar após a partida e os fijianos, por sua vez, seguissem viagem para Tonga. Os visitantes (Fiji) acabariam por vencer por 6-0.
Terminada a contextualização histórica do desporto rei fijiano, conheçamos, agora, a realidade nacional e internacional do mesmo.
Nos últimos anos o Rio Ave FC tem conseguido consecutivamente apresentar-se consistente na liga, terminando em lugares meritórios, por norma perto das posições que permitem discutir uma eventual qualificação para a Liga Europa. Por Vila do Conde têm passado não só bons jogadores, como bons treinadores, que encontram no clube um espaço de afirmação, para mais tarde dar o salto para um plano superior. O caso mais evidente será, por ventura, o de Ederson Moraes, mas também não podemos esquecer o de Jan Oblak, dois guarda-redes que representaram as cores dos vilacondenses, antes de se afirmarem como titulares absolutos do SL Benfica e, posteriormente, como dos melhores do mundo na posição ao serviço de Manchester City FC e Club Atlético Madrid, respetivamente.
Na temporada de 2019/2020, o Rio Ave volta a merecer nota muito positiva pelo seu desempenho, onde Carlos Carvalhal e a sua equipa técnica merecem todos os elogios. O português de 54 anos, que nos últimos anos andou por terras de sua Majestade, conquistou os britânicos pelo percurso no Sheffield Wednesday FC, depois de em dois anos consecutivos ter estado muito perto de um lugar entre a elite da Premier League. A oportunidade de treinar no principal escalão inglês viria a chegar através dos galeses do Swansea FC, entrando a meio da temporada com o objetivo de salvar o clube da despromoção. O Swansea viria mesmo a ser relegado para o segundo escalão, o que ditou a saída do técnico natural de Braga. Com experiência acumulada na Turquia e nos Emirados Árabes Unidos, o regresso a Portugal nove anos depois traz-nos um treinador diferente, empenhado em deixar a sua marca com futebol positivo, numa equipa que sabe ter a bola e evita ao máximo o “chutão para a frente”. Os jogadores parecem estar a responder bem às ideias e métodos do técnico e o quinto posto que o Rio Ave ocupa na tabela classificativa não deixa dúvidas para o cunho de Carvalhal.
O Rio Ave é uma das equipas menos batidas da competição, a par de Boavista FC, com vinte e três golos sofridos. Melhor, só SL Benfica e FC Porto. Dos elementos que compõem a defesa, destaco dois jogadores que chegaram este ano a Vila do Conde: o guarda-redes polaco Pawel Kieszek e o defesa brasileiro Aderllan Santos. A sua qualidade aliada à experiência são fatores diferenciadores nesta zona do terreno. Uma palavra também para o lateral esquerdo Matheus Reis, que explora muito bem zonas mais adiantadas do terreno, envolvendo-se frequentemente na manobra ofensiva da equipa e demonstrando capacidade para criar muito perigo.
No meio-campo, um jogador que não resisto a admirar, o veterano Tarantini, ele que se encontra a cumprir a décima segunda época consecutiva nos rioavistas, um histórico do clube e da própria liga, um líder e uma voz de comando, ele que é naturalmente o capitão desta equipa e homem de confiança do treinador Carlos Carvalhal, que raras vezes dele abdica. Depois, mais à frente, dois jogadores muito virtuosos tecnicamente e que têm tido um papel crucial no momento ofensivo do Rio Ave: Nuno Santos e Diego Lopes.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
O primeiro costuma ocupar um lugar na ala direita, explorando movimentos interiores, ele que é um esquerdino, e está empenhado em mostrar que os problemas físicos fazem parte do passado, contribuindo com frequência com golos e assistências. O segundo, varia entre as alas e o centro do terreno, a dez, e tem sido elemento em grande destaque, acrescentando fantasia ao futebol vilacondense. Juntos, são a verdadeira força criativa da equipa, daqueles jogadores que conseguem resolver um jogo de um momento para o outro.
Por último, o iraniano Mehdi Taremi, o ponta de lança que chegou a Vila do Conde numa verdadeira jogada de génio. Internacional pelo seu país, não demorou a mostrar credenciais, quando na primeira partida como titular celebrou um hat-trick na vitória por 5-1 contra o CD Aves. Joga bem sem bola, com um posicionamento muito interessante, ora para jogar de costas para a baliza, ora para aparecer a finalizar. Boa técnica e de movimentos simples, é um jogador de grande classe e, a meu ver, a contratação do ano do Rio Ave. Falou-se numa potencial saída no mercado de janeiro, tendo o iraniano visto o seu nome associado a Benfica e Sporting, mas o jogador acabou mesmo por ficar.
Não é por acaso que o Rio Ave está tão bem este ano e o próprio treinador admitiu que o assédio aos seus jogadores foi grande durante o último mercado. Há um enorme potencial de valorização dos seus ativos, não só dos nomes supramencionados, mas também de outros elementos que compõe o plantel e que poderão no futuro garantir a segurança financeira do clube.
PS: Nota ainda para o trabalho na formação, onde a equipa de juniores se encontra em segundo lugar no apuramento de campeão e a equipa de sub-23 lidera a 2ª fase da Liga Revelação, o que deixa bons indicadores para o futuro do futebol vilacondense.
Mais um craque para o lote dos jogadores que mais admiro. Entre esse grupo de atletas, costumo arrumá-los em prateleiras algures na minha memória, dividindo-os por aqueles que me impressionam pelo fator físico (apesar da baixa estatura), recorte técnico ou pelo saber tático do jogo. Santi Cazorla faz parte dos híbridos. Engloba um pouco de tudo, e isso torna-o num protótipo do jogador moderno.
É indissociável pensar em Cazorla e não o imaginar de amarelo. Não tivesse ele feito a formação e mais tarde, ter-se dado a conhecer ao mundo no Villarreal CF (apesar de ainda ter representado o RC Recreativo de Huelva, por empréstimo). No verão de 2011, é contratado pelo Málaga CF, a troco de 23 milhões de euros. Um valor considerável, se tivermos em conta o nível do clube.
Porém, essa não era uma equipa qualquer, muito menos, o Málaga dos dias de hoje. Cazorla fez parte do projeto que levou o clube do sul de Espanha à Liga dos Campeões. Para além do jogador em análise, nesse mesmo verão, contrataram jogadores notáveis, como Joaquín, Isco, Nacho Monreal, Toulalan, ou até Van Nistelrooy (ainda que, em final de carreira). Terminaram a época 2011/2012 na quarta posição, que os levou à prova milionária.
Bastou uma temporada no La Rosaleda para captar a atenção do Arsenal FC, que gastou 19 milhões na sua contratação. Foi no Emirates, onde mais me impressionou. Dono de uma técnica ao nível dos melhores, aliando-a a um conhecimento tático fora do comum, fruto da alta rodagem que trazia do futebol espanhol. Posteriormente, o seu 1,68m ainda torna mais soberba a adaptação à Liga Inglesa. Uma prova fisicamente tão exigente, de duelos e confrontos. Cazorla sabia “fugir” disso, refugiando-se em espaços livres, nas entrelinhas.
Ao serviço dos gunners fez 180 jogos, totalizando 29 golos e 45 assistências. Porém, em outubro de 2016, Cazorla sofreu uma lesão no tendão de Aquiles. Anteviam-lhe três semanas de paragem, mas uma infeção adiou a recuperação para quase dois anos, e poucos acreditavam que voltasse a jogar. Após seis anos de ligação aos londrinos, Cazorlita regressa a casa. Ao Villarreal, entenda-se.
Em agosto de 2018, voltou a vestir a camisola do submarino amarelo, e mais importante, voltou a jogar futebol. Uma história de muitos altos e baixos, e não fosse este calvário de lesões, poderíamos estar a falar de um jogador com outro tipo de currículo e palmarés. Um exemplo de profissionalismo e persistência, não esquecendo, a elevadíssima qualidade.
Para além do regresso aos relvados, Cazorla ainda conseguiu a proeza de voltar a jogar pela seleção espanhola, participando nos jogos de qualificação para o Europeu (supostamente, de 2020). Ao longo da carreira como profissional conquistou duas supertaças de Inglaterra, outras tantas taças do mesmo país, bem como dois campeonatos da Europa, em 2008 e 2012.
Repito, uma referência para os jovens futebolistas dos dias que correm. Um maestro dentro de campo, um lutador fora dele.
É no Birmingham City que está a nascer a próxima estrela do meio-campo inglês. Jude Bellingham, de apenas 16 anos, está na sua primeira temporada ao serviço da principal equipa do clube que sempre representou. Nascido em Stourbride, a cerca de 15 quilómetros de Birmingham, foi na segunda maior cidade do Reino Unido que teve a sua oportunidade num clube de maior nome do futebol britânico.
Promovido ao plantel principal dos “Blues” no início da atual temporada, tornou-se no mais jovem jogador de sempre a representar a equipa ‘A’ do clube. Atualmente, conta já com mais de dois mil minutos somados só na Segunda Liga Inglesa, tendo ainda participado em encontros da Taça de Inglaterra e da Taça da Liga. Os quatro golos que já apontou (incluindo um na sua estreia a titular, frente ao Charlton Athletic) e a sua veia de líder, como se fosse já um dos mais experientes do plantel, valeram-lhe comparações com Frank Lampard.
A grande versatilidade que possui tem sido bastante aproveitada pelo técnico Pep Clotet, que já utilizou Bellingham em variadas posições, tanto no meio-campo como até no ataque. Todavia, a preferência do jovem inglês é de jogar no centro do terreno, o que lhe permite ter mais vezes a bola e pautar o jogo ofensivo da equipa. Quando é um dos médios interiores no 4-4-2 de Clotet, procura combinar com o médio ala e com o lateral do lado em que se encontra, formando um triângulo e criando superioridade em relação ao lateral e ao ala adversários.
Para além das boas exibições ao serviço do clube, Bellingham tem dado nas vistas quando representa as seleções jovens de Inglaterra. Num recente torneio amigável, na Polónia, capitaneou os sub17 dos “Três Leões” até ao sucesso, marcando frente a Finlândia e Áustria e contribuindo para a vitória na final contra a seleção anfitriã.
A sua juventude, que se traduz numa grande margem de progressão, aliada à maturidade e confiança com que já encara o jogo, fizeram despertar as atenções de imensos “grandes” por toda a Europa. Tem sido o Manchester United que tem aparecido como o candidato principal a assegurar a contratação do jovem prodígio inglês já para a próxima época. No entanto, nas últimas semanas surgiram rumores de que o Borussia Dortmund estava disposto a oferecer 35 milhões de euros pelo jogador, mas o Birmingham só admite negociar por valores perto dos 50 milhões.
Jude Bellingham será, sem qualquer dúvida, uma das figuras da nova geração do futebol inglês. Como referi acima, a maneira destemida com que encara o jogo fazem com que não tenha medo de errar, por um lado, e com que não desista de nenhum lance em que participa, por outro. Se será em Manchester, Dortmund ou noutra cidade europeia que desenvolverá o seu jogo, ainda não se sabe, mas o jovem de Birmingham parece estar preparado para começar a pisar os grandes palcos.
Chegou a Alvalade na época 2012/2013 com a finalidade de abrir portas à marca Sporting CP no mercado indiano. Com Godinho Lopes na presidência, o avançado e capitão da seleção indiana, na altura com 28 anos, ingressou na equipa B dos Leões. Acabou por regressar à Índia, ainda na mesma época, emprestado aos Churchill Brothers SC, após 3 jogos pelos “bês” do Sporting, somando um total de 43 minutos. Na época seguinte não voltou a Portugal, ingressando no Bengaluru FC a custo zero, clube indiano, onde ainda hoje é jogador.
Numa entrevista recente ao site da liga indiana, Sunil Chhetri abordou a sua passagem pelo Sporting CP, onde confessou que foi para a equipa B após Ricardo Sá Pinto, na altura treinador dos Leões, lhe dizer que não tinha qualidade para a equipa principal. Ainda acrescentou que, para seu azar, a equipa B era melhor que a A.
My Journey ft. Sunil Chhetri @chetrisunil11 talks us through his remarkable footballing career, narrating stories from his childhood, his first call up and much more.
Estatisticamente, não faz sentido comparar equipas A e B, pelo facto de atuarem em diferentes campeonatos e se regerem por diferentes metas. Por isso, vamos destacar os craques que brilharam pela equipa B em 2012/2013, época onde foi alcançada a melhor classificação de sempre da equipa secundária dos leões na segunda liga, o 4º lugar.
Internacionalmente conhecidos como os “Palancas”, a Seleção Angolana tem andado arredada de bons resultados no panorama das Seleções, seja em Mundiais ou no ACN (African Nations Cup).
São alguns os fatores apontados para este pouco sucesso Angolano nas competições oficiais, e se à primeira vista parece que é evidente a maior qualidade de algumas seleções africanas como a Argélia, Nigéria e Egipto, a história podia ditar-se de outra maneira se vários jogadores optassem por representar os Palancas nos seus compromissos internacionais.
Hoje escolhi, e vou-vos apresentar o onze do seculo que a Seleção Angola poderia ter tido.
Manuel Ventura Cajuda de Sousa, o treinador que não festeja golos, esteve à conversa com o Bola na Rede e dá-nos uma lição de bola à antiga. De ideias claras e discurso assertivo, fala-nos do passado em Leiria, na Madeira e no Minho, onde foi Tio e herói, enquanto dá lições de liderança, gestão de plantel e psicologia. Fora de Portugal, encontra a desorganização no Zamalek, onde teve 10 presidentes num ano, descobre o “filão” nos Emirados Árabes Unidos, onde os seus desejos eram ordens e não faltava nada, e aprende que na China a palavra mais é importante é “mas”. Por fim, partilha os seus objetivos para o Leixões e a sua visão sobre o estado do futebol português e os desafios para o futuro.
– A ocasião faz o treinador –
Bola na Rede [BnR]: Como é que surge a oportunidade de ser treinador?
Manuel Cajuda [MC]: Não fazia parte do meu horizonte enquanto jogador, foi uma questão de oportunidade, foi-me dada pelo Presidente do Farense na altura, o sr. Fernando Barata. Eu não queria ser mas ele foi de tal forma insistente no pedido que acabei por ficar como ajudante do Mladenov. Continuei como jogador e capitão e disse que ajudava como capitão, não como um futuro treinador, porque não fazia parte dos meus horizontes. Depois comecei, colaborei e ajudei com honestidade perante o compromisso que tinha feito.
BnR: Quando é que conseguiu mudar o “chip” de jogador para treinador?
MC: Penso que levei algum tempo para despir a camisola de jogador, cerca de 10, 11 meses e então comecei a achar que era qualquer coisa de fascinante a carreira de treinador. Agarrei-me a ela com unhas e dentes, tive sorte, consegui progredir, tenho jeito, continuo a adorar e acabei por, e espero continuar, a fazer uma carreira que me orgulho, que me dá satisfação e que foi aquilo que foi possível fazer.
BnR: Quais os treinadores que o influenciaram mais na sua carreira de treinador?
MC: Eu sou muito pouco influenciável (risos). Não me deixo influenciar com facilidade, tento sim absorver as coisas que eu acho que são boas, que são úteis e que me fazem evoluir. Isso também quer dizer que não vou referenciar seja quem for pelo aspeto positivo, porque ao fazê-lo estou seguramente a desapreciar alguns que não forem nomeados e isso não me parece justo. Aprendi com todos, aprendi com bons, com maus…
BnR: O que é que aprendeu com os maus treinadores?
MC: Foi muito importante aprender a não fazer algumas das asneiras que eu vi serem cometidas enquanto atleta, sobre as diferentes áreas. De todos tirei um pouco e juntei aquilo que fui aprendendo desde o início, quando comecei do zero. Na altura, depois desse conhecimento que fui adquirindo, juntei imaginação, hoje chama-se criatividade, e fui utilizando os conhecimentos que fui adquirindo sempre com a imaginação, o que quer dizer que fiz, pelo menos na minha ótica, aquilo que é mais aconselhável.
BnR: É mais difícil treinar a equipa e ensinar os processos de jogo ou gerir as pessoas, os egos? Ou seja, é mais difícil o trabalho no treino e depois durante o jogo ou a gestão do plantel/humana?
MC: Talvez seja mais difícil gerir o plantel/parte humana. Também é verdade que atualmente o conhecimento está mais acessível a todos, incluindo aos jogadores, eles hoje têm um maior conhecimento do que é a sua profissão, dos parâmetros em que ela se deve gerir. O pôr em prática no treino penso que é a parte mais fácil, o que acho interessante e para mim é fundamental é conseguir transmitir e fazer com que os jogadores aceitem essa ideia, esse princípio, essas regras. Depois é muito mais fácil pôr em prática no campo aquilo que são as nossas ideias, os nossos métodos de trabalho, o nosso modelo de jogo e a forma como o modelo de jogo vai influenciar a utilização dos sistemas táticos. Não basta dizer que tenho uma ideia, é preciso fazer com que eles compreendam primeiro e depois aceitem as ideias e aquilo que nós pretendemos pôr em prática.
BnR: Chamaram-lhe louco há vinte e tal anos quando foi o primeiro treinador em Portugal a ter um psicólogo na equipa. Como é que se apercebeu dessa necessidade?
MC: Não me parece que tenha sido um ato de inteligência da minha parte. Parece-me acima de tudo que foi um ato de compreender e aceitar que o futebol, já nessa altura, precisava de ciências envolventes que podem ajudar a praticar um melhor futebol. De há uns anos para cá, começou a aparecer a psicologia mais direcionada para o desporto e o futebol. É um dos fatores importantes porque no fundo é a ciência que estuda o comportamento humano. Muitas vezes não é a que antevê o comportamento humano, é a que estuda o comportamento humano. Eu comecei a perceber que não entendia tudo do comportamento dos meus jogadores e era preciso que alguém me falasse sobre isso para poder gerir melhor o meu grupo.
BnR: No fundo, ver e entender a pessoa para lá do jogador.
MC: Sim. O comportamento das pessoas às vezes é inexplicável, provoca-nos uma série de interrogativas às quais nós de momento não somos capazes de encontrar resposta mais imediata e nada melhor que ter na minha equipa técnica alguém que me pudesse fazer compreender, tirar melhor rendimento dos jogadores e ensinar-me aquilo que queria. Porque se olharmos bem, não é de agora, há já alguns anos que se fala na forma tática, na forma técnica, na forma física, na forma psicológica e todos esses aspetos são importantes. Eu tinha necessidade de aprender e solicitei isso.
BnR: Como é que o grupo lidou com isso na altura?
MC: Foi muito estranho na altura porque toda a gente entendeu mal, inclusivamente os jogadores pensaram “Nós não somos malucos, não precisamos de um psicólogo”. Mas aquilo que eu entendi logo é que um psicólogo não era só para os jogadores e hoje cada vez tenho mais essa ideia, que o psicólogo é para o grupo. O grupo inclui, na minha opinião, o treinador, a equipa técnica, os roupeiros, o departamento médico, todos aqueles que verdadeiramente fazem parte do grupo. Portanto, o psicólogo é para o grupo, não é para os jogadores e às vezes o meu conselho é que os treinadores bem precisam de ter um psicólogo ao lado, precisam mais do que os jogadores.
BnR: Na União de Leiria, chega à final da Taça de Portugal em 2002/03. Era missão impossível derrotar aquele FC Porto de Mourinho?
MC: Impossível não era mas que era muito difícil era. Aliás, difícil não porque não conseguimos. O FC Porto de José Mourinho era uma equipa que fez “só” isto, ganhou a Liga dos Campeões e a Taça UEFA em dois anos seguidos. Ainda por cima tinha uma característica muito interessante, é que tinha levado três ou quatro jogadores da União de Leiria, portanto eu fiquei com a equipa enfraquecida. Fomos capazes de lutar com eles, perdemos 1-0, o jogo não foi muito fácil para o FC Porto. Lembro-me que se dizia que uma final entre o Leiria e o FC Porto não era uma coisa emocionante e eu respondi ao José Mourinho “Qualquer final que tivesse o FC Porto era um jogo muito interessante”. O Leiria é que ia fazer parte dessa situação. Ganharam os melhores, ganhou o FC Porto, ganhou o melhor treinador.
Manuel Cajuda levou a U. Leiria à final da Taça de Portugal Fonte: Facebook Manuel Cajuda
BnR: O que é que disse aos jogadores antes do jogo?
MC: Esses jogos não têm grandes argumentos para um treinador os estar a motivar. O próprio jogo em si, vejamos pela parte dos treinadores: eu sempre ouvi os meus colegas dizerem que é um sonho estar no Jamor. Para mim, o sonho já estava concretizado, eu estive no Jamor. O mesmo acontece aos jogadores. A questão emblemática à volta da Taça, a prova rainha do nosso futebol, não a prova mais importante mas a prova rainha, é conseguir chegar ao Jamor. Isso dá uma visibilidade, quer aos jogadores, quer aos treinadores e até aos clubes, que provoca vários tipos de motivação. Aquilo que é necessário fazer naquela altura é agarrar em todos os “rios” motivacionais e tentar juntá-los ao serviço do grupo mas penso que não é tão necessário motivar num jogo desses.
BnR: Quem era esta equipa da União de Leiria?
MC: Muitos, os craques eram todos. Jogadores de eleição… O Helton, o Silas, o capitão Bilro. Havia uma série de jogadores mas não é elegante da minha parte referir só alguns. Claramente uma das melhores equipas da União de Leiria, pelo menos pelos resultados que alcançou. Foi a melhor época de sempre da União de Leiria, nunca ninguém fez igual. Há um 5º lugar também um ou dois anos antes com o Manuel José só que nós somámos esse 5º lugar e a final da Taça de Portugal, com a consequente qualificação para a Taça UEFA.
BnR: Na época seguinte, consegue a qualificação para a Taça UEFA com o CS Marítimo. Depois no ano seguinte só faz um jogo e sai. Porquê?
MC: É realmente uma das melhores épocas, mesmo agora passados estes anos todos, e há o apuramento para a Taça UEFA. Depois na segunda época eu sou demitido após o primeiro jogo.
BnR: Porquê?
MC: O porquê não é muito interessante. Provavelmente terá havido alguma coisa que não correu bem no relacionamento entre mim e o sr. Presidente [n.d.r. Carlos Pereira]. Hoje continuo amigo dele, continuo a dizer que ele é um extraordinário presidente, acho que é dos melhores que tive. Mas houve coisas que ele não entendeu ou que pelo menos entendeu de uma forma diferente da minha. É presidente, está no direito de alterar, alterou. Continuo a dizer, e já falei disso com ele depois, há algumas coisas que ele eventualmente terá razão e outras que ele eventualmente terá entendido de uma forma diferente. Eu só posso ser responsabilizado por aquilo que digo, não por aquilo que os outros deduzem, só posso ser responsabilizado por aquilo que faço e não por aquilo que os outros deduzem que eu faço. O erro está repartido entre as duas partes.
BnR: Disse há uns tempos que faltava intensidade ao futebol português. Sente que isso se deve ao pouco tempo de jogo útil que temos em Portugal?
MC: Há que esclarecer uma coisa muito pequena. Eu quando digo que falta intensidade ao futebol português não estou a falar mal do futebol português ou dos meus colegas, estou apenas a dizer que o futebol português melhorará muito se tiver mais intensidade. Aliás, os melhores campeonatos na Europa dizem-nos exatamente isso: Espanha, Inglaterra tem muito mais, Alemanha também, até a Itália tem uma intensidade grande. Nós em relação aos cinco melhores campeonatos da Europa temos uma pausa de intensidade. Essa pausa de intensidade muita gente entende logo que é um défice de trabalho físico. Não é só, mas também é. Eu considero que há pouca intensidade na forma de pensar e aqui incluo logo o aspeto primordial que é a visão, quer a direta quer a periférica, porque se percebe muito pouco daquilo que cada jogador tem na envolvência da visão periférica.
BnR: Essa pouca intensidade está relacionada com a velocidade a que se joga?
MC: Sim, somos lentos a pensar quando ganhamos a bola, somos lentos na recuperação da posse de bola, somos lentos a reposicionar no aspeto tático e esse pensamento pouco intenso provoca … levamos mais tempo a executar, mais tempo a querer surpreender o adversário. Levamos muito tempo a definir aquilo que queremos construir, a fase de construção é excessivamente grande, mesmo que seja em segundos é excessivamente grande, e isso permite sempre ao adversário a contra-arma de se reorganizar. Um exemplo fascinante é o Liverpool FC, porque eles praticamente parece que não têm fase de construção. Parece que constroem a uma velocidade impressionante, não estão à espera do erro do adversário, eles provocam o erro do adversário e aqui se traduz a falta de intensidade que eu gostaria, como treinador e como espetador porque vejo muitos jogos, ver melhorada. Aquilo que digo e aponto como uma deficiência que me parece evidente, em relação aos restantes campeonatos da Europa ainda é mais evidente, só com muito diálogo se consegue melhorar. Gostaria muito que no futebol português todos os jogos fossem entre duas equipas que querem ganhar, taco a taco. Há muitas equipas em Portugal que dizem que enfrentam o adversário cara a cara… cara a cara mas parados (risos).