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Quando o futebol se joga sempre em casa

A irrupção da epidemia de Coronavírus tem tido repercussões negativas, de uma forma geral, em vários domínios da sociedade e o futebol não constitui exceção. Com praticamente todas as provas a se encontrarem suspensas desde meados de março, este surto tem causado bastantes constrangimentos (nomeadamente no plano financeiro).

A título de exemplo, e segundo um estudo publicado recentemente pelo CIES Football Observatory, organismo responsável por investigar fenómenos relacionados com o «desporto-rei», estima-se que o valor de mercado das cinco principais ligas europeias (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França) decaia 28% até 30 de junho de 2020. Por cá, a fim de tentar atenuar as consequências que decorrem da interrupção das atividades desportivas, a Federação Portuguesa de Futebol criou um fundo de apoio ao qual todas as entidades nela registadas poderão recorrer (caso cumpram alguns requisitos): por exemplo, cada clube do Campeonato de Portugal poderá requerer até um máximo de 35 250 euros (valor repartido por duas prestações mensais: uma em maio e outra em junho).

Assim, e ainda que a retoma de quase todas as competições a nível internacional permaneça (para já) uma simples miragem, o «desporto-rei» é, como já se viu, uma importante fonte de receita a nível nacional e, como tal, nunca poderá parar na totalidade. Ora, tendo isto em atenção, o Bola na Rede tentou procurar respostas para a forma como muitos profissionais (desde logo, a começar pelos próprios jogadores) se estão a reajustar perante este cenário de crise e se esforçam por dar continuidade à sua rotina de trabalho.

Para isso, contámos com a ajuda de uma agência de futebolistas, a Team of Future (a quem desde já se agradece, pela disponibilidade revelada para colaborar). Neste momento de crise, o teletrabalho tem sido a solução. No que toca ao futebol, o panorama tem sido o mesmo: grande maior parte dos atletas tem treinado em casa, seguindo planos específicos orientados pela sua equipa técnica. Os jogos não se realizam há mais de um mês e, naturalmente, isso poderia trazer entraves ao nível de scouting tendo em conta que está tudo parado.

A este respeito, Bruno Carvalho Santos, Diretor Geral da Team of Future, apresentou-nos soluções para tal. Hoje em dia existem as mais diversas ferramentas que avaliam o desempenho de um jogador. O Wyscout ou até mesmo o InStat são plataformas com que as agências, nomeadamente a Team Of Future, trabalham nesse sentido: observar novos jogadores e avaliar os já contratados.

Com todos remetidos ao isolamento das suas casas, a comunicação segue com um papel fundamental no que diz respeito às relações entre os jogadores e as suas agências. Neste sentido, a TOF tem promovido reuniões: “(…) a comunicação entre nós, funcionários, está condicionada e, então, privilegiamos as reuniões online (dia sim, dia não, com todos), durante 2h30, onde, por reunião, vamos alternando entre Futebol Formação e Futebol Profissional”. Se não conseguem acompanhar os jogadores presencialmente, as agências têm tentado estar a par da realidade de cada cada jogador através das mais diversas tecnologias ao nosso dispor nos dias que correm.

Em suma, e tal como em muitos domínios da sociedade, também os profissionais do desporto não cessaram a sua atividade. Deste modo, e ainda que a bola não role dentro das «quatro-linhas», o futebol continua a jogar-se.

O peso de um regresso urgente às competições nacionais

Hoje falamos sobre um eventual regresso. FC Paços de Ferreira x Vitória SC, Leixões SC x SC Farense, Clube Condeixa ACD x CD Fátima e Sporting CP x SL Benfica: o que têm em comum estes jogos? Antes da interrupção forçada causada pela pandemia covid-19, estas foram as partidas que nos deram o último vislumbre de Primeira e Segunda Ligas, Campeonato de Portugal e Campeonato Nacional Feminino, respetivamente.

Quase dois meses volvidos e a competição continua parada. Com a luz ao fundo do túnel anunciada pelo Presidente da República e com os clubes a firmar datas para o regresso ao trabalho, importa perceber o que está em causa e de que forma é que isso pode ser feito.

Em primeiro lugar, há que perceber que para além do espetáculo “da bola” e do fanatismo, estão jogadores, treinadores e funcionários, todos com famílias, e cujos rendimentos estão ameaçados. Os jogadores a ganhar milhões em Portugal são poucos e convém estender o olhar até ao Campeonato de Portugal, onde os treinos semanais e o jogo ao fim de semana traz o essencial pão para a boca daqueles clubes e respetivas estruturas.

Quanto às vozes que se levantam relativamente ao quão bem se vive sem futebol, também me merecem algumas palavras. Pegando numa expressão tão querida a Sérgio Conceição e uma ideia repetida por Bruno Lage desde a sua chegada ao SL Benfica, as pessoas preferem “falar do futebol do que de futebol”.

A tática, o aspeto psicológico, as escolhas arrojadas ou as decisões falhadas são sempre relegadas para segundo plano – ou plano nenhum – e sobrepostas pelas quezílias entre clubes, guerras de comunicação e perguntinhas que não lembram a ninguém. Desconfio que se valessem pontos, os programas de comentário desportivo teriam mais audiência que o próprio jogo.

O futebol, aquele da relva, do nervoso miudinho pré-jogo, da cerveja no sofá e da euforia ou desilusão após o apito final, esse é essencial a uma sociedade tão dependente do sucesso do seu clube. Visto como um escape para o seu quotidiano, salários ou situações profissionais negativas, o futebol é onde todos se nivelam pelo mesmo gosto, clubes diferentes.

Perante tudo isto, não concebo que se não ache urgente fazer regressar o futebol. No entanto, o regresso não deve ser à força toda nem a troca de qualquer coisa. É de suprema importância garantir a segurança de todos os envolvidos numa partida de futebol, a começar pelos adeptos.

Pelo bem do futebol e dos clubes, o adepto tem de perceber que o seu lugar, até ao fim da época, é em casa. Este primeiro ponto tem de ficar bem esclarecido, ou os pontos seguintes não interessarão para nada. Os ajuntamentos estão proibidos e assim deve ser cumprido. O futebol é do e para o adepto, é certo, mas de forma a ter estádios cheios amanhã, é imperativo que hoje estejam às moscas.

Outra das soluções apontadas seria restringir o fim da competição a uma zona geográfica do país. Os clubes entrariam num estágio prolongado num determinado hotel ou centro de treinos e por lá ficaria até ao fim da prova. Os jogos seriam disputados em dois ou três estádios e evitavam-se as deslocações de ponta a ponta do país. No caso do Campeonato de Portugal, onde as séries já estão divididas geograficamente, esta medida seria redundante.

À semelhança do que se estuda em Espanha, também os grandes clubes podiam abdicar de jogar nos seus estádios e utilizar os centros de treinos para a realização das partidas. Ao não ser permitida a entrada de adeptos neste regresso, a lotação dos estádios deixava de ser importante, a logística seria menor, implicaria menos custos com iluminações, acessos e policiamento.

Na linha dos rumores e “meias-confirmações” que circulam, as conferências de imprensa pré e pós-jogo, bem como as flash, seriam através de vídeo conferência, sendo apenas admitidos no recinto os jornalistas e profissionais destacados exclusivamente para a transmissão da partida.

Um dos maiores problemas, e para o qual não vejo solução agradável, é a interrupção das receitas das bilheteiras para clubes com menor tesouraria, como seria o caso da quase totalidade dos participantes do Campeonato de Portugal.

Ainda que esta prova tenha sido cancelada e os mecanismos de subidas e descidas desativados, há ainda salários para pagar, famílias que desesperam por algo para pôr sobre a mesa. As notícias de solidariedade de presidentes e colegas que albergam e ajudam outros surgem diariamente, mas não é só pela solidariedade que se resolve este problema colossal.

Há uma reforma urgente deste escalão que tem que ser feita. As receitas não são desculpa para tudo. A pandemia covid-19 veio só destapar e agravar os problemas que eram, a muito custo, disfarçados. Os jogos já davam prejuízo quando tudo corria normalmente, mas isso despontaria um novo artigo.

Até lá, desesperamos pelo nosso campeonato, mas com a consciência que o nosso papel, longe da bancada, é, neste momento, um dos mais importantes para que aconteça o regresso e a bola volte a rolar, saudável.

Jogo Interior #24 – O Valor da Derrota: Falhar, perder e errar para crescer

Hoje em dia sabemos do valor que é dado ao resultado no futebol, a importância que é dada à perseguição à vitória e evitar a derrota, independentemente daquilo que seja utilizado para a atingir. Não interessam os meios que são adotados, mas sim aqueles três preciosos pontos. É assim a realidade em muitos casos e isto é preocupante.

Porque não podemos nós aprender com a derrota? Porque não podemos nós aproveitar a derrota para nos reinventarmos? Porque não podemos nós ver a derrota como algo positivo? Porque não podemos abordar a derrota como uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento?

Não poderão as constantes vitórias em cima de vitórias “atirar poeira para os olhos”, encobrir falhas e erros, criando estagnação na evolução de um grupo, de uma equipa, de um jogador ou de um treinador? A vitória cria, muitas vezes, conforto inadequado, confiança em demasia e tudo isso, dá aso a facilitismos, erros no processo porque há um desvirtuamento daquilo que deve ser implementado e exigido, há relaxamento.

No que ao futebol de formação se refere, é importante formar jovens e cidadãos competentes e capazes de atuar na sociedade em que se vão inserir, é desejável formá-los a ganhar, mas é essencial que os formemos também com derrotas, que os façamos conviver com as falhas, com os erros, com a ausência da vitória desportiva, porque na maior parte das vezes na nossa vida, vamos falhar e perder. Vão ser mais as vezes que vamos errar do que as que vamos ganhar, por isso é fundamental conviver neste ambiente.

Neste contexto em específico, os erros e as coisas menos bem feitas são constantes, e se não valorizarmos corretamente aquilo que devemos, caímos num precipício. Deve ser valorizado o esforço, a reação ao erro, o cair e levantar e deve-se valorizar a derrota no sentido em que nos vai permitir crescer, alterar processos e formas de estar, exigir que nos entreguemos mais e que possamos trabalhar mais para atingir os objetivos estabelecidos.

Várias vezes já vimos Pep Guardiola depois de derrotas referir que está orgulhoso da equipa, que a equipa trabalhou e se esforçou ao máximo, que foi intensa e que criou muitas oportunidades, no entanto houve um pormenor ou outro em que não estiveram tão bem, mas que não demonstra arrependimento por nada e que a derrota faz parte do jogo, e terminando com a congratulação ao adversário porque foi mais competente.

Esta abordagem ao fenómeno que é o futebol faz do treinador espanhol um dos melhores treinadores da modalidade e não é por acaso. Valoriza a derrota da forma que deve, mas, acima de tudo, faz predominar em si a valorização da entrega e compromisso da parte dos seus jogadores para com o que foi trabalhado e exigido e, desta forma, vai conseguir sempre o melhor de cada um.

No futebol de formação ou em alto-rendimento, a derrota vai sempre existir e o mais importante parte da abordagem que temos perante este resultado, da capacidade de conviver saudavelmente com o falhanço e com o erro, da capacidade que o treinador tem de valorizar a derrota perante os seus atletas e da leitura que é feita por estes com o intuito de que este resultado seja uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento, e só assim é que mais depressa cada um se volta a erguer.

Uma viagem futebolística pela Nacional 2

Creio que já todos vimos filmes de Hollywood no qual aparecem motoqueiros a percorrer uma estrada que parece não ter fim, a famosa Route 66, conhecida por atravessar grande parte dos Estados Unidos, começando em Chicago e terminando na Califórnia. O que muitos não saberão, é que existe uma estrada similar em Portugal que também atravessa o país de Norte a Sul, começando em Chaves e terminando em Faro, a mítica Nacional 2. Esta estrada nasceu como um incentivo a mobilizar a população para o interior do país, sempre esquecido pêlas pessoas do litoral e pelos governantes, fazendo uma espécie de oposição ao centralismo português e ao litoral, através de um excelente aproveitamento das muitas valências do nosso interior. Naturalmente, foram-se estabelecendo clubes de futebol em volta desta estrada, clubes com orgulho em ser do interior e que, tal como a Nacional 2, têm muitas histórias para contar.

Os 3 títulos inesquecíveis de João Sousa

Numa altura em que ainda não podemos ver o melhor tenista português de sempre nos courts, aproveitamos para recordar os títulos mais importantes da carreira de João Sousa.

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João Sousa tornou-se no primeiro tenista português a vencer um torneio da principal categoria do ténis
Fonte: ATP World Tour

Kuala Lumpur (2013) – Malásia, 29 de setembro de 2013. Esta é uma das datas mais marcantes na carreira de João Sousa. Neste dia, o tenista natural de Guimarães venceu o seu primeiro título ATP na sua estreia em finais. Na altura, com 24 anos, João Sousa fez um percurso notável no torneio de Kuala Lumpur, ao deixar pelo caminho tenistas como: Pablo Cuevas e David Ferrer (1.º cabeça de série).

Na final, o português defrontou o tenista francês Julien Benneteau. A partida nem começou da melhor maneira para João Sousa, tendo em conta que perdeu o primeiro set por 6-2. Ainda assim, o vimaranense não baixou os braços e foi recompensado com esse esforço vencendo o segundo jogo por 7-5.

No decisivo terceiro set, João Sousa fez break logo no primeiro jogo de serviço de Julien Benneteau e segurou a vantagem até ao fim. Foi com esta reviravolta que João Sousa alcançou o seu primeiro título ATP da carreira. Mas não se ficaria por aqui.

Resultado: João Sousa 2-1 Julien Benneteau (2-6/7-5/6-4)

Um 11 de jogadores desaproveitados pelo SL Benfica na última década

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O SL Benfica é um clube reconhecido pela sua grande capacidade de “ressuscitar” e, até, catapultar carreiras, sendo o caso de Adel Taarabt o paradigma dessa mesma afirmação.

Esta semana, mais uma em que nos encontramos privados do desporto-rei, tentámos elaborar um 11 de jogadores que, por diversos fatores, não se conseguiram afirmar no Glorioso. Vê connosco, então, um XI inicial, organizado num 4-4-2 clássico, de jogadores mal aproveitados pelo SL Benfica.

BnR TV: Os 5 maiores flops da Liga

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Sábado é dia de BnR TV e hoje estamos a eleger os 5 maiores flops deste campeonato. Diz-nos quais são os teus através dos comentários! Mais uma emissão interativa do nosso BnR TV!

Com Mário Cagica Oliveira, Gonçalo Batista, Rui Cipriano e Xavier Costa.

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Os possíveis regressos e as declarações de Podence

Nos últimos tempos, os Sportinguistas depararam-se, através das mais diversas fontes de informação, com a possibilidade de vários regressos a Alvalade de ex-jogadores leoninos. Nomes como Adrien Silva, Rúben Semedo, João Mário, Cédric Soares, Wilson Eduardo, Ricardo Esgaio, têm sido lançados para cima da mesa como hipóteses para reforçar o plantel leonino da próxima época.

Até Daniel Podence (!) parece ter sido sugerido, ainda que muito timidamente, para um eventual retorno ao Sporting CP. No entanto, as últimas declarações que o jovem avançado do Wolverhampton FC teceu quando questionado sobre a eventualidade de regressar ao Sporting CP não passaram por despercebidas entre os adeptos leoninos e pelas piores razões. Atrevo-me a dizer que Podence cortou em definitivo qualquer laço que ainda existisse com o Universo Sportinguista.

Pessoalmente, e à semelhança de muitos Sportinguistas, não guardo qualquer rancor a este jogador. Na verdade, “eles vêm e vão, mas o Sporting fica”. O jogador fez a sua escolha ou deixou que escolhessem por ele e os adeptos fizeram questão de manifestar que não o querem de volta.

Já Podence parece continuar a guardar rancor e um “odiozinho” ao Clube que o formou e revelou e parece fazer questão de o demonstrar ao público. Parece aproveitar cada oportunidade para “atirar umas achas para a fogueira”. Custava-lhe muito, enquanto futebolista profissional, já que não respeita a Instituição que o criou, pelo menos, ter uma atitude minimamente responsável e até inteligente? Custa muito ser cordial ou até “politicamente correcto”? Algo do género: “Agradeço ao Sporting os 13 anos que lá passei, não quero falar do episódio de Alcochete e sobre o futuro também não posso falar”.

Como disse, enquanto adepto leonino não guardo rancor a este jogador. Tenho, sim, pena. Porque, antes da sua rescisão, Podence era dos jogadores mais acarinhados pela massa adepta e muito raras foram as vezes em que vi críticas dirigidas a si em concreto. Talvez por ser um “miúdo” talentoso formado pela nossa Academia, não sei. O que sei é que as sucessivas atitudes que Podence foi tendo para com os Sportinguistas, ao ponto de lhes atribuir a culpa por uma acção criminosa levada a cabo por 50 indivíduos, não caíram nada bem.

Feito este “pequeno grande” parêntesis sobre as declarações de Daniel Podence, o que dizer sobre os eventuais regressos de ex-jogadores do Sporting CP? Após uma época calamitosa, em que o planeamento amador do plantel mais serviu terceiros do que o próprio Clube, parece que a estratégia da administração Varandas/Veiga passará, agora pelos regressos de jogadores como Adrien Silva e João Mário que integraram o plantel de 2015/2016, aquele que melhor futebol praticou na última década. Tudo numa tentativa de cativar os sócios sportinguistas, tocando no seu sentimento de saudade relativamente a esses tempos de grande futebol praticado em Alvalade e, conforme foi noticiado, para “incrementar a mística leonina”.

Nani regresso Sporting
Nani nunca deveria ter saído do Sporting CP
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Há que encarar a realidade como ela e sem rodeios, quer gostemos ou não dos jogadores em causa. Estamos a falar de jogadores que tiveram o seu pico precisamente em 2015/2016 sob um comando técnico muito particular e que daí em diante entraram em declínio crescente. Por outro lado, e refiro-me em concreto a Adrien Silva, estamos a falar de um ex-capitão da equipa do Sporting CP que manifestou sempre publicamente vontade em sair de Alvalade. Com o adiamento do Euro para 2021, compreendo que o Sporting CP possa ser um clube que garanta tempo de jogo regular a estes jogadores de maneira a tornarem-se escolhas para a Selecção Nacional.

Todavia, e tendo até em conta o background de dificuldades financeiras que nos tem sido vendido pela actual Direcção, o Sporting CP não pode ser visto como uma “barriga de aluguer” destes jogadores com vista ao Euro 2021. O interesse do Sporting CP está acima.

Mais do que nunca, no cenário pós-COVID-19, a aposta tem de ser feita, e a longo prazo, na nossa Academia. Basta observar os casos de sucesso como o do AFC Ajax entre outros clubes europeus que apostam nas suas escolas, para chegar a essa conclusão. A formação leonina tem de deixar de ser um chavão de todos os candidatos à presidência do Sporting CP para passar a ser um elemento central da vida do Clube. E tem de ser condigna do seu passado histórico, apta a fornecer a equipa principal com jogadores de qualidade, colmatando-se as lacunas com uma ou outra contratação de referência.

Falando de regressos, quanto ao “incremento da mística leonina” na estrutura do futebol, se isso fosse de facto a preocupação da Administração Varandas então nunca teria mandado embora Nani da forma como o fez em Fevereiro do ano passado. Por tudo o que ele representou e ainda representa em Alvalade, Nani merecia e merece ser feliz no Sporting CP. Nunca irei esquecer que na sua última passagem por Alvalade, num clube dividido quer na massa associativa quer na própria estrutura, Nani carreou para o plantel a tal mística leonina e era adorado por colegas e adeptos, contribuindo para a sua união. Dentro do campo, podia não ter o vigor e a energia que noutros tempos tivera, mas estes eram compensados pela sua raça e pela sua arte.

Se tiver de regressar algum ex-jogador do Sporting CP, que seja Nani. E que venha pela porta grande como merece. Pois, ao futebol leonino faz falta um verdadeiro líder com mentalidade de campeão que possa servir de exemplo aos seus colegas e de ídolo aos mais novas na Academia onde cresceu.

Foto de Capa: Sporting CP

Uma oportunidade para mudar o paradigma

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A pandemia do coronavírus serviu bem para nos relembrar da insustentabilidade do modelo de negócio do Ciclismo. Um desporto em que as equipas têm quase a totalidade do orçamento coberto por patrocinadores está extremamente dependente das fortunas dessas empresas externas, tornado-se assim vulnerável.

Entre as personalidades da modalidade que muito têm falado neste período de quarentena, tentando manter assim a visibilidade para si mesmos e para os seus patrocinadores, Dave Brailsford foi dos poucos a ir para além das lamentações e a mencionar exatamente esta questão, adicionando um tema tabu para muitos, mas com o qual este autor concorda na totalidade: o Ciclismo tem que deixar de estar dependente do Tour de France.

Este não é um problema novo, mas a UCI tem sido um entrave à modernização dessa vertente do ciclismo e, especialmente desde que Lappartient assumiu a presidência, parece mais uma filial da ASO que uma entidade realmente interessada em desenvolver o desporto. Bom exemplo disso mesmo é a recente ação judicial colocada pela Velon, uma associação que une algumas das melhores equipas do mundo e que tem desenvolvido um novo modelo de competição, mas a quem a UCI tem feito a vida negra porque se tem mostrado demasiado agarrada ao atual modelo, deixando perceber interesses exteriores ao ciclismo.

Bebendo um pouco de inspiração no trabalho da Velon, penso que este momento de dificuldade global em que estamos pode servir como oportunidade para um relançamento do ciclismo de Pista.

De momento, as competições desportivas estão paradas em grande parte do mundo e, mesmo quando regressarem, é provável que haja nos próximos meses e anos restrições quanto à assistência, pelo que serão beneficiadas as atividades em recintos fechados. Ora, se o ciclismo de Estrada terá vida difícil pela frente nos tempos que aí vêm, o mesmo não será necessariamente o caso da Pista.

Com mais pequena duração e mais explosividade, a Pista tem um potencial televisivo que continua por explorar e esta pode ser a altura ideal. Aproveitando ter um número de competidores reduzido, não envolver grande contacto entre os atletas e poder ser disputada em arenas fechadas – até mesmo sem público -, há a possibilidade de criar um produto apelativo para cadeias televisivas e plataformas de conteúdo online que começam a escassear em novo conteúdo para apresentar devido a todas as restrições impostas atualmente à livre circulação.

Assim, seguindo o excelente exemplo da WWE, a realização de competições de Pista sem adeptos nas bancadas, mas “televisionadas” para todo o mundo poderia ser uma excelente forma de dar um novo ímpeto quer à Pista em específico, quer ao ciclismo em geral, já que ajudaria a fazer estrelas, muitas delas que poderiam depois ser também acompanhadas na Estrada.

É claro que, até olhando para a forma como a Pista tem sido desvalorizada pela UCI nas Olimpíadas, não se pode esperar muito, mas não duvido que seria uma excelente ideia para aproveitar um momento difícil para fazer crescer a modalidade.

Foto de Capa: UCI

NFL Draft 2020: A última noite

E ao terceiro dia, Roger Goodell deu por terminada a edição de 2020 do Draft da NFL, sete horas depois de se ter iniciado a última tranche de rondas. Sim, porque no último dia do evento foram anunciadas as últimas quatro (!) rondas, para um total de 149 jogadores selecionados.

O último dia do Draft é o que separa o normal do demente – apenas uma mente insana se sujeitaria a sentar-se em frente a um ecrã durante sete horas para ver nomes aparecer e desaparecer, anotando cada um

No entanto, e tal como a ESPN fez questão de demonstrar através de um gráfico, 65% dos jogadores que fazem parte do plantel de uma equipa são escolhidos depois da terceira escolha – 14% são selecionados na primeira e 21% na segunda – o que significa que é nesta zona que se consegue ganhar uma maior compreensão de como será o plantel de cada equipa.

A quarta ronda teve uma tendência bem demarcada. Com onze offensive linemen escolhidos, fica claro que as equipas optaram por escolher jogadores de “trabalho”, os que “carregam o piano” para que os artistas possam tocar. Estes são os jogadores que estão nas trincheiras, fazendo o trabalho sujo e que muitas vezes passa despercebido.

Quem decidiu escolher um artista foram os Indianapolis Colts, que com a 122.ª escolha selecionaram Jacob Eason, quarterback de Washington. Um quarterback forte fisicamente e com um forte braço, a sua incapacidade em criar jogadas através do jogo em corrida e falta de experiência foram algumas das razões que fizeram Eason descer tanto. Em Indy vai encontrar Philip Rivers, um veterano que vai ser fundamental para a sua evolução.

Foram várias as equipas que se reforçaram de forma muito competente. Os Green Bay Packers não foram uma delas. Depois de terem surpreendido tudo e todos ao escolherem Jordan Love com a 26.ª escolha da primeira ronda, e apesar de terem cinco escolhas nas últimas três rondas, os Packers foram incapazes de selecionar um único wide receiver naquela que foi a classe mais talentosa na posição dos últimos anos.

Com a recente adição de Tom Brady – para muitos o melhor jogador de sempre – Tampa Bay tinha uma estratégia muito bem definida para este Draft e que fica visível: ajudar Brady de todas as maneiras possíveis. Offensive linemen, tight ends, running backs e wide receivers, os Buccaneers reforçaram-se de forma muito competente para atacarem uma divisão que também tem Matt Ryan e os seus Falcons, e Drew Brees e os Saints.

Em Minnesota, Rick Spielman tinha muito por onde escolher. Com 13 (!) escolhas nas últimas quatro rondas, os Vikings reforçaram a sua linha defensiva e secondary, zonas onde estavam algo fragilizados.

No fim, e porque também merece ser destacado, o último atleta a ser escolhido no Draft, a escolha 255, é “carinhosamente” conhecido como Mr.Irrelevant, e este ano o escolhido foi Tae Crowder, linebacker selecionado pelos New York Giants.

Foram chamados 255 nomes ao longo dos três dias. 255 nomes de entre milhares de jogadores que se declararam como elegíveis. Muitos não conseguiram cumprir o sonho de ouvir o seu nome chamado, mas entram agora na fase de free agency e a possibilidade de entrarem na NFL continua em aberto.

Foto de Capa: Washington Huskies