Ricardo Sá Pinto, ou Ricardo “Coração de Leão”, é um dos atletas que passou pelo Sporting Clube de Portugal com uma ligação mais forte com os adeptos. O ex-avançado leonino conquistou vários títulos de leão ao peito e desempenhou ainda funções enquanto treinador.
Sá Pinto dividiu a sua formação entre o FC Porto e o histórico SC Salgueiros. Aos 20 anos, realizou a sua estreia na equipa principal, somando em duas temporadas 59 jogos e 17 golos marcados. As boas exibições do jovem avançado valeram-lhe a transferência para o Sporting no verão de 1994.
A estreia de Sá Pinto, ao serviço do Sporting, foi marcante, apontando um golo na primeira jornada do campeonato, diante do SC Farense. Nessa primeira época de leão ao peito, os leões treinados por Carlos Queiroz conquistaram a Taça de Portugal, vencendo, no Estádio do Jamor, o Marítimo por 2-0 com dois golos de Iordanov. Um plantel que tinha em destaque dois craques: Luís Figo e Balakov.
Na segunda temporada, Sá Pinto conquistou o seu segundo troféu de leão ao peito. No dia 30 de abril de 1996, o Sporting defrontou o FC Porto em Paris, na finalíssima da Supertaça Cândido de Oliveira. Nesse terceiro jogo, o Sporting venceu por 3-0 com dois golos de Sá Pinto e um de Carlos Xavier.
Na época 97/98 sairia do Sporting para rumar à Real Sociedad de Fútbol. No clube basco realizou 77 jogos e marcou seis golos. Regressava a Alvalade no ano 2000, depois do campeonato da Europa. Neste seu regresso, sob a liderança de Manuel Fernandes, voltou a vencer a Supertaça, novamente frente ao FC Porto.
Em 2001/2002, o clube de Alvalade contratou Laszlo Bölöni para orientar a equipa e ainda Mário Jardel, que apontou 42 golos de leão ao peito. O Sporting Clube de Portugal conquistou a “dobradinha”, no entanto Sá Pinto esteve afastado dos relvados devido a uma lesão grave, dando o seu contributo à equipa em apenas dez jogos e com um golo marcado. Na época seguinte, venceu a sua terceira Supertaça com uma goleada por 5-1 ao Leixões SC.
Ricardo Sá Pinto fez ainda parte da campanha histórica do Sporting na chegada à final da Taça UEFA em 2004/2005. Nessa caminhada, os leões fizeram uma exibição histórica diante dos ingleses do Newcastle United FC, vencendo na segunda-mão por 4-1 com um dos golos a ser apontado por Sá Pinto. Na meia-final, em Alkmaar, o Sporting garantiu a passagem à final com um golo no último minuto do prolongamento de Miguel Garcia.
No verão de 2006, Sá Pinto deixou o Sporting e rumou ao futebol belga para representar o Standard Liège, após nove anos de leão ao peito. Um atleta que tinha na sua velocidade, na qualidade técnica e na frieza finalizadora as suas armas, mas destacava-se pela sua entrega e garra em cada jogo. O ex-capitão do Sporting somou 227 jogos, 49 golos e e seis títulos de leão ao peito – um campeonato, duas Taças de Portugal e três Supertaças.
Sá Pinto já conta com diversas experiências como treinador principal Fonte: SC Braga
Terminada a sua carreira de jogador, regressou ao seu clube de coração onde desempenhou funções enquanto dirigente e treinador. Sá Pinto iniciou a sua carreira de treinador principal com um título ao serviço do Sporting, conquistando o campeonato nacional de sub-19.
Nessa temporada 2011/2012, liderou a equipa principal dos leões a uma meia-final europeia, com uma caminhada histórica, deixando pelo caminho o KP Legia Warszawa, o FK Metalist e o Manchester City FC, numa eliminatória que ficou na memória dos sportinguistas. Assim, para a história, Sá Pinto somou duas meias-finais europeias, uma enquanto jogador e outra como treinador, mas ambas no Sporting CP. Na época que se seguiu abandonou o comando técnico leonino, prosseguindo a sua carreira e conquistando recentemente a Taça da Bélgica com o Standard Liège.
Ricardo “Coração de Leão” ficará para sempre na história do Sporting CP, após mais de 15 anos ao serviço do clube nas várias funções. Sá Pinto personifica o lema do clube: Esforço, Dedicação e Devoção, para conquistar a Glória. Será sempre o “Rei Leão”.
“E com a escolha número um do Draft da WNBA 2020, as New York Liberty escolhem Sabrina Ionescu…”
Foi desta forma que Cathy Engelbert, Comissária da WNBA, deu início ao Draft deste ano, abrindo uma nova página na história do Basquetebol feminino em Nova Iorque e, acredito, na própria liga.
Filha de pais romenos, mas nascida na Califórnia, Sabrina Ionescu é a filha do meio (tem um irmão gémeo que nasceu 18 minutos depois) de um casal que partiu para os Estados Unidos em busca do sonho americano. E poucas coisas são mais americanas do que o Basquetebol.
Um “animal de competição” desde cedo, produto das batalhas em campo com o seu irmão gémeo Eddy, os irmãos Ionescu cresceram com o drible da bola a pautar as suas ações. Como a própria relembrou numa entrevista ao canal norte-americano ESPN:
“Ficávamos no parque durante horas enquanto os nossos pais estavam a trabalhar. Se estivéssemos mesmo dentro do jogo havia sangue, alguém acabava a chorar, havia lutas, era muito intenso.”
Essa dificuldade e intensidade moldaram-na, deram-lhe uma determinação e resiliência que ficam claras em vários momentos da sua vida. Quando, no sexto ano, foi impedida de jogar com a equipa dos rapazes e lhe foi dito que deveria ir brincar com bonecas, esta respondeu, convencendo o número necessário de raparigas, que a sua escola deveria criar uma equipa feminina.
Sabrina sempre foi diferente e com a bola nas mãos essa diferença era ainda mais evidente. A sua qualidade não lhe permitia ser outra coisa que não brilhante e a sua vontade de melhorar levava-a a trabalhar na sua “arte” incansavelmente.
Apesar da facilidade em colocar a bola no cesto, a base nunca se destacou pela sua capacidade física – com 1.8m é uma jogadora relativamente baixa quando comparada com outras do seu ano. Por isso, Ionescu tentou tornar o seu jogo o mais completo possível, uma característica que pode ser comprovada olhando para as médias com que terminou o seu último no secundário: 25 pontos, 8.8 assistências, 7.6 ressaltos, 4.5 roubos de bola (!) e 1.3 blocos por jogo.
A sua versatilidade levou a que ganhasse inúmeros prémios individuais – Melhor jogadora do Ano para a USA Today, Max Preps e Gatorade, All-American e MVP do jogo All-American, entre outros – e que fosse para a faculdade com grande parte dos recordes da sua secundária. Tudo isto chamou a atenção da Universidade de Oregon.
Apesar do estatuto que Oregon possui – mais no Futebol Americano – nunca uma jogadora tão bem classificada nos rankings escolhera aquela universidade. Como o seu irmão coloca, Sabrina queria desbravar o seu caminho e diferenciar-se de todas as outras. E assim o fez.
O ano era 2013, e em Inglaterra disputava-se a subida à primeira Liga Inglesa, a melhor liga de clubes de todo o mundo. Estávamos em maio, e por essa altura já se disputavam as meias finais dos playoffs que tinham colocado frente a frente, de um lado, Crystal Palace Football Club e Brighton & Hove Albion Football Club, e do outro, Leicester City Football Club e Watford Football Club. Só dois poderiam chegar à grande final, e só um se juntaria aos já dois qualificados na subida ao patamar superior.
Mas se no primeiro caso tivemos um duelo tranquilo sem grande história por contar, do outro aconteceria algo que iria ficar marcado para sempre na história da competição e intitulado como o melhor playoff de que os adeptos têm memória. Ora relembre-se.
De um lado estava o Leicester, que havia conquistado o último lugar de acesso ao playoff com os mesmos 68 pontos que o Bolton Wanderers, que ficou imediatamente atrás. Do outro, o Watford, aparentemente favorito, depois de ter conseguido o terceiro lugar, a dois pontos apenas da promoção direta para a Primeira Liga Inglesa. As expetativas eram, evidentemente, muito altas, uma vez que não haverá nada mais emocionante para estes adeptos do que um “mata-mata” que os leve ao pódio.
No dia 9 de maio disputou-se a primeira mão, no King Power Stadium, casa dos Foxes. Nessa noite, a equipa da casa fez o seu trabalho ao vencer por uma bola a zero, com golo de David Nugent, aos 82 minutos. Mas estavam jogados apenas os primeiros 90 minutos da eliminatória, e faltavam outros tantos para decidir quem passaria à próxima fase.
Passados três dias, a 12 de maio de 2013, jogava-se então o jogo decisivo, e ninguém naquele estádio, nem no mundo, estava preparado para o que viria a acontecer.
A partida começou intensa, e nos primeiros 20 minutos haviam já dois golos, um para cada lado. Aos 15, Matej Vydra havia feito o 1-0 e colocado a eliminatória empatada. Mas apenas quatro minutos mais tarde, o mesmo David Nugent fazia das suas, e marcava mais um golo, que dava outra tranquilidade, ainda que pequena, à turma dos azuis. Recorde-se que na altura não havia a questão do golo fora, e que um golo da equipa da casa levaria a eliminatória para prolongamento.
E foi mesmo isso que aconteceu aos 65 minutos. O mesmo Matej Vydra bisava na partida e colocava a eliminatória de novo empatada, levando os adeptos à loucura, confiantes de que aquele jogo não lhes escaparia.
Mas aos 90+5 minutos, o árbitro Phil Dowd, depois de um lance muito duvidoso dentro da área dos Hornets, marcava uma grande penalidade a favor da equipa visitante, que via assim a sua tarefa facilitada e colocava pé e meio na final de Wembley. Isto se Anthony Knockaert tivesse colocado a bola no fundo das redes, algo que não aconteceu. Com um “penalti” batido para o meio da baliza, o francês permitiu a defesa com os pés a Manuel Almunia que na recarga levava também a melhor sobre o seu adversário. Tinham desperdiçado a maior oportunidade para se colocarem na frente da eliminatória, mas o jogo estava, na cabeça de todos, a caminho do prolongamento.
Foi, porém, um pensamento muito curto, de cerca de 15 segundos. Isto porque foi este o tempo que o Watford levou no contra-ataque, até fazer o golo que levaria todo o estádio à loucura completa. Com um remate de ressaca, Troy Deeney colocava a bola na baliza, alterava o placard para 3-1 e levava o símbolo que carregava ao peito até à final de Wembley, que seria disputada contra o Crystal Palace. Um momento de arrepiar.
Depois do golo, ninguém se conseguiu conter, e os adeptos proporcionaram uma invasão de campo à antiga, daquelas que estamos habituados a ver nos jogos ainda transmitidos a preto e branco. Ninguém que não tenha lá estado conseguirá descrever a sensação daquele momento, que é um dos que nos faz apaixonar por este desporto.
No entanto nem tudo poderia ser perfeito, e na final, o Crystal Palace havia levado a melhor por 1-0, e juntava-se assim aos já promovidos Cardiff City Football Club e Hull City Football Club.
Era sexta-feira de clássico no Estádio da Luz, FC Porto e SL Benfica lutavam de forma aguerrida pela liderança isolada da edição 2011/12 do campeonato; inclusivamente, à partida para a vigésima primeira jornada, precisamente aquela em que decorreria este duelo, Jorge Jesus e Vítor Pereira viam as suas equipas partilhar a camisola amarela, em igualdade pontual.
Antevia-se, portanto, um grande jogo de futebol entre dois eternos rivais. E, dentro das quatro linhas, os jogadores decidiram, desde cedo, que não desiludiriam os adeptos no que ao espetáculo diz respeito.
Sexto minuto de jogo, canto à direita do ataque visitante. Hulk coloca a bola no interior da grande área, Artur Moraes, atento, soca a bola para longe das suas redes; daí, uma sucessão de ressaltos colocam o esférico nos pés de Fernando. O “Polvo” coloca a bola no “Incrível”, ainda sob a direita após o pontapé de canto por si cobrado, e este, próximo à quina da grande área encarnada, atira uma bomba indefensável de pé esquerdo, inaugurando, desta forma, o marcador na capital portuguesa.
Nos minutos que se seguiram, oportunidades de parte a parte; em todas elas, Helton e Artur levaram a melhor.
Até que, já bem próximo do descanso, Óscar Cardozo, na zona do penálti, vê a bola por lá “perdida” e atira-a para o fundo das redes do guardião azul e branco, quebrando, assim, pela primeira vez, a muralha dos da Invicta. Estava restabelecida a igualdade, cenário que se manteria inalterado até ao intervalo.
Para azar portista, outro aspeto que se manteria inalterado, inclusive na segunda metade, seria a pontaria afinada do atacante paraguaio do SL Benfica. E os comandados de Vítor Pereira sentiriam esses nocivos efeitos logo no começo da segunda metade.
Cruzamento de Pablo Aimar e, sem grandes “apertos”, o camisola sete encarnado cabeceia para o fundo das redes de Helton, deixando-o pregado ao relvado. Pela primeira vez no encontro, eram os encarnados que se encontravam na frente do resultado.
Tudo parecia encaminhado para que esta fosse uma noite de sonho para Óscar “Tacuara” Cardozo. Bom, pelo menos, até à entrada de James Rodríguez.
A entrada de James Rodríguez, aos 58 minutos, revelar-se-ia fulcral no triunfo do FC Porto Fonte: Twitter ‘FC Porto’
A estrela colombiana, acabada de chegar de um compromisso com a sua seleção, precisou apenas da meia hora final do encontro para fazer a diferença (e que diferença).
Primeiramente, aos sessenta e três minutos: recuperação de bola de Fernando no meio-campo defensivo do FC Porto, este entrega-a, de seguida, ao colombiano que teve imenso espaço para deambular desde o grande círculo até ao último terço, onde, novamente, combina com o médio brasileiro e remata colocado, equilibrando, uma vez mais, as contas na Luz.
Todavia, as mais de cinquenta e oito mil pessoas presentes no estádio ainda teriam oportunidade de assistir a mais uma bola cruzar a linha de golo; uma vez mais, culpa de James Rodríguez.
Já bem perto do minuto noventa, o internacional “cafetero” assume a cobrança de um livre no flanco direito, consequência de uma falta sofrida pelo próprio, e assiste Maicon para o (polémico) terceiro golo azul e branco, num lance em que o próprio guardião encarnado não fica isento de culpas.
A verdade é que seria precisamente esta cabeçada do central brasileiro que asseguraria o triunfo do FC Porto no território da águia, um triunfo que colocava a equipa de Vítor Pereira no primeiro posto, posto onde acabariam por terminar naquele campeonato.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES
SL Benfica – Artur Moraes; Maxi Pereira, Luisão, Garay (Miguel Vítor, 71’), Emerson; Javi García (Nélson Oliveira, 90’), Axel Witsel, Pablo Aimar (Rodrigo, 52’); Gaitán, Cardozo e Nolito
FC Porto – Helton; Maicon, Rolando (James Rodríguez, 58’), Otamendi, Álvaro Pereira; Fernando, João Moutinho (Kléber, 86’), Lucho González; Hulk (Sapunaru, 92’), Janko e Djalma
Na falta de futebol devido ao surto de Covid-19, a quarentena incentivou-me a recuar alguns anos e rever horas e horas de jogos épicos, golos inesquecíveis, defesas tremendas por alguns daqueles que, feliz ou infelizmente, já não o podem fazer. Será sempre algo natural, porém, não posso deixar de ter saudades, especialmente daqueles em que a sua ausência não consegue ser preenchida por nenhum dos que foram surgindo nos últimos anos ou que vão continuar a aparecer futuramente.
Nas últimas semanas perdi-me a rever a seleção dos inesquecíveis Figo e Pauleta, com os rasgos de magia incontornável de Rui Costa. Rever Portugal de 2004, em que o aparecimento de um jovem prodígio era menosprezado face à qualidade que brotava daquelas umbro que nunca esqueceremos. Aqueles pés sempre inclinados para dentro e aquela cabeça sempre bem levantada. Sinceramente ainda me questiono como foi possível Deco espalhar tanta magia em Portugal e durante tanto tempo. Que classe, que alma, que trivelas a assistir Maniche.
Passar de Deco para Aimar foi apenas um passo lógico no acompanhamento da criatividade do futebol português, e aí congelei. Congelei em cabritos, em assistências, no seu golo ao Vitória FC, no histórico 8-1, num SL Benfica com dinâmicas até então nunca vistas por mim, num rolo compressor de futebol atacante.
Após duas semanas em casa, e na primeira renovação do Estado de Emergência, foi claro que a quarentena iria proporcionar uma revisão mais alargada e então passei à Europa. Mas, tal como antes de um exame importante, tornou-se difícil definir qual a matéria essencial a estudar, compreendendo assim divergências com as vossas melhores recordações.
Relembrando aqueles confrontos históricos europeus, fui diretamente a Milão e não pude deixar novamente de me surpreender por ver Eto’o a terminar a defesa esquerdo, naquele confronto épico das meias-finais da Liga dos Campeões com o FC Barcelona.
No Inter de Milão, cativava-me não só aquele meio-campo poderoso e aquela fortaleza defensiva, mas especialmente aquele renascido e influente Diego Milito. A maneira como faz o seu segundo golo da final do Bernabéu, contra o Bayern Munique, é a perfeita definição de tudo o que gosto num avançado centro: ratice, cabeça para baixo quando enfrenta os centrais e finalização de classe na cara do guarda-redes.
Milito bisou na final da Liga dos Campeões de 2010 Fonte: UEFA
Poucos anos antes começava o imutável, soberano e mais fascinante quarteto que provavelmente verei: Busquets-Xavi-Iniesta-Messi. Seguiam-se os anos de glória da seleção espanhola, enraizados no tiki-taka blaugrana e na incontornável perna direita do Casillas, opondo-se ao remate do Robben.
Perspectivam-se mais quinze dias de quarentena. Vi e revi todos os trinta golos de Falcão numa única edição da Liga Europa, a saída de pressão do Kaká no AC Milan, o golo do Van Persie à seleção espanha no Mundial de 2014, o jogo monstruoso do Neuer no Dragão, ainda pelo Schalke 04, que não deixava qualquer dúvida do que nos aguardaria ao longo dos anos seguintes.
Deixei os sortidos e decidi passar algumas noites a olhar para a famosa época dos Galáticos do Real Madrid CF. De bom, retiro sobretudo os passes teleguiados do Beckham, as receções orientadas do Zidane e a classe extraordinária do Raúl. Por outro lado, evidenciavam-se os problemas de intensidade, de rigor defensivo e de capacidade de gerir o jogo que impossibilitaram outra definição como equipa que não os Galáticos. Revi então o Fenómeno, no seu esplendor em Milão, o Figo de Barcelona e voltei-me pela última vez para a Liga Inglesa.
Desde a beleza do pragmatismo e da simplicidade do inesquecível Sir Alex Ferguson, onde a tática e os princípios de jogo se sobrepunham às individualidades, não esquecendo o passe do Nani para a bicicleta monumental do Rooney. A impressionante inovação, aliada à capacidade de posse de bola do City de Guardiola. O emocionante, vertical e inquientante Liverpool de Klopp. O inexplicável Leicester de Ranieri.
Claudio Ranieri depois da conquista inédita da Premier League pelo Leicester City FC Fonte: Premier League
Bem, conseguem perceber um pouco da minha quarentena. A quantidade de memórias que os meus 26 anos me trazem. Imagino quem tem de conhecer bem mais alguns monstros antigos, de lembrar mais alguns golos inesquecíveis.
Nos últimos dias e após esta fase de nostalgia, achei-me capaz de colocar em prática tudo o que havia recordado e reaprendido. Como? Football Manager. E das longas noites de entretenimento, percebi, essencialmente, que mais do que saudades do que recordei nas últimas semanas, sinto falta de tudo o que andava a conhecer nos meses anteriores.
Não quero ver só os arcos do Estádio da Luz pela janela: tenho saudades de ir e gritar. Não quero ver o Ronaldo a cortar o cabelo ou o Messi a dar toques em papel higiénico, quando podia vê-los a marcar semana após semana. Sinto falta de voltar ao Campeonato Distrital e ver o Alqueidão da Serra, de ver o Bruno Fernandes levar a equipa às costas, seja ela qual for, do Liverpool quase a ser campeão, do muro Oblak, da Lazio e da Atalanta a encantarem a Europa.
Que passe rápido e que, com segurança, possamos voltar em breve. Não me importo que seja aos poucos ou que seja diferente, mas só quero que volte!
Herói para uns, vilão para outros. Na certeza porém que, se não fossem os seus reflexos felinos, o futebol português teria perdido aquele que é, talvez, o momento mais épico da Seleção Nacional numa grande competição. Fez-se Homem sob o desígnio da pantera, mas foi de leão ao peito que enfrentou a selva do futebol português. Passou por terras de “nuestros hermanos”, mas foi em Leicester que se sentiu em família. Num exclusivo Bola na Rede, aqui tendes Ricardo Pereira, por quem um dia o Rei se ajoelhou.
– Guarda-redes-avançado avançou rumo a Norte –
“O Manuel José soube que o Quinito ia levar-me para Guimarães e antecipou-se: mandou o João Loureiro e o Álvaro Braga Junior ao Montijo, para me levarem”
Bola na rede [BnR]: Gostava de começar esta entrevista com um assunto fraturante: gabas-te de nunca ter falhado algum penálti na tua vida, mas a janela da casa de banho do talho da D.ª Maria Emília desmente esta afirmação. Em que ficamos?
Ricado Pereira [RP]: Epá, como é que sabes isso? [risos] Aquilo não foi um penálti, foi um livre direto! À noite, depois do banhinho tomado e do jantar, pedíamos sempre aos nossos pais para ir um bocadinho até à rua e por lá ficávamos, porque antigamente entretíamo-nos na rua: jogávamos ao “garrole” (…) sabes que jogo é este? Um grupo de malta fugia e um tipo ficava parado; quando alguém gritava “garrole”, esse gajo ia atrás da malta e combinávamos previamente se era o jogo dos 15 passos, ou dez, ou 20… se ele dissesse “garrole” a alguém, dentro do espaço que tínhamos combinado, essa pessoa tinha de parar obrigatoriamente e ficava ela a apanhar. Opa, eram jogos que se faziam naquela altura e juntávamo-nos todos em frente ao talho, que tinha aquelas janelas maiores com uma soleirazinha para estarmos sentados. Havia sempre alguém que trazia uma bola… nesse dia, a bola vem no ar e eu dei uma cabeçada: acertei mesmo na janela pequenininha e estoirou o vidro todo.
BnR: Labreca de alcunha, guarda-redes (e avançado) de posição, foi aos 16 anos que te fixaste definitivamente na baliza do Clube Desportivo do Montijo. O à-vontade com bola, que te foi sempre apontado como um defeito, atualmente seria uma mais-valia?
RP: Por acaso já disse isso muitas vezes… na altura o Ricardo era o maluco! Era o que jogava fora da baliza, ouvia constantemente a malta fora do campo “Vai para a baliza!” ou isto, ou aquilo… infelizmente, não havia tanta qualidade como há hoje, em que os guarda-redes saberem jogar com os pés é quase obrigatório. Costumo brincar e dizer que atualmente os guarda-redes já nem precisam de defender. Sempre joguei bem, punha a bola onde queria à distância e comecei muito cedo a assumir este risco, mas também respaldado pelos treinadores, como é óbvio. Uma vez, em Guimarães, levei uma chapelada do Pedro Mendes: o jogo estava emperrado e assumimos o risco de eu começar a jogar um bocadinho como antigo libero, para soltar mais um homem do meio-campo para o ataque; para jogarmos com o Pedro um bocadinho mais encostado aos médios, servindo como médio de cobertura, e tanto o Petit como o Rui Bento saltavam um bocadinho mais para a frente. Para fora, eu é que era o tonto, mas era um risco assumido por toda a equipa e não tenho dúvidas nenhumas que era muito benéfico, que faz bem ao jogo e faz bem aos guarda-redes serem mais completos. O acertar todos querem, o falhar ninguém quer e esta maneira de jogar deu-me muito mais sucesso do que insucesso. Hoje em dia até se arrisca demasiado, do meu ponto de vista, mas os adeptos têm que saber que são riscos calculados pelo treinador, para chamar o adversário e conseguir ultrapassar a primeira fase de pressão.
Fonte: Facebook Ricardo Pereira
BnR: Aos 18 anos, atravessaste o equivalente ao Triângulo das Bermudas para chegar ao vértice Boavista, numa equação que contava com Vitória SC e Sporting.
RP: Não foram apenas o Vitória e o Sporting, porque naquela altura havia muitas equipas interessadas (…) o Barreirense dobrava o ordenado que fui ganhar para o Boavista: fui ganhar para o Boavista 250 contos/1250 € e o Barreirense dava-me 500 contos/2500€; o Campomaiorense, onde estava o mister Manuel Fernandes, que era da minha zona e me conhecia (…) O Manuel José soube, através do empresário [Carlos Costa], que o Quinito ia levar-me para Guimarães nessa noite, e antecipou-se: mandou o João Loureiro e o Álvaro Braga Junior ao Montijo, para me levarem. Nessa altura, já tinha ouvido falar nos boatos do Sporting, mas coisas concretas não havia nada. Quando regresso dos dois ou três treinos que fiz no Boavista, à experiência, vou direto para o último jogo do Campeonato pelo Montijo, em Quarteira. No regresso a casa, chegamos ao Campo Luis de Almeida Fidalgo e o Presidente diz-me “Acompanha-me, porque está ali uma pessoa para falar connosco” e eu até pensei que fosse para me pagarem os ordenados em atraso. Chego lá e estava o falecido Juca, do Sporting, e foi quando disse “Não há volta a dar. Já dei a minha palavra ao Boavista e não vou voltar atrás”.
BnR: Rejeitaste o Sporting, pela palavra dada ao Boavista, e o Barreirense, que te duplicava o salário, pela aposta na carreira. Escreveste certo por linhas tortas ou, se pudesses, estas decisões teriam sido um rascunho?
RP: Quis ir para o Boavista porque era um clube de primeira linha, em ascensão, com percurso na Europa… era o que queria para a minha carreira: evoluir e trabalhar. Sabia que ia ser muito difícil jogar desde princípio porque era um miúdo e, naquela altura, os tempos eram bem diferentes. Graças a Deus fui para o sítio certo, onde cresci em todos os aspetos.
Em 2006, Angola alcançava a principal competição de seleções no panorama internacional. O Mundial teve então mais uma seleção cuja língua oficial é o português. Depois de um percurso espetacular na fase de qualificação, os “Palancas Negras” não pretendiam apenas ir passear à Alemanha, havia a ambição de passar à fase do “mata-mata”.
O percurso até ao território alemão começou três anos antes: na pré-eliminatória de acesso à fase de grupos de qualificação, Angola teria de vencer o Chade para manter o sonho de ir ao Mundial. A primeira mão correu da pior forma possível com a derrota fora por 3-1 em que Oumar Belonga fez um hat-trick. Seria necessário um jogo espetacular em Luanda para anular a desvantagem e ultrapassar este difícil obstáculo. Akwá e Mauro fizeram os golos da vitória angolana que permitiu manter vivo o sonho de ir ao Campeonato do Mundo.
Inseridos no grupo quatro, os mwangolês defrontaram a toda poderosa Nigéria, Argélia, Gabão, Zimbabué e o Ruanda. Com a Nigéria a ser apontada à partida como o principal favorito a garantir a vaga de acesso ao Mundial, eram poucos os que acreditavam que os comandados de Luís de Oliveira Gonçalves iriam de facto causar uma surpresa ao longo da ronda de qualificação.
O apuramento começou da melhor forma possível com o nulo na visita às “Raposas do Deserto”, contudo o melhor resultado seria alcançado na segunda jornada. Com o Estádio da Cidadela bem composto, Angola recebia a Nigéria recheada de craques como Joseph Yobo e John Utaka e era importante vencer para saltar desde logo para a liderança do grupo. A partida foi bastante equilibrada e só aos 84 minutos é que surgiu o triunfo a favor dos angolanos: Gilberto recupera a bola no meio-campo ofensivo, deixa para Zé Kalanga que cruza para a área onde aparece o capitão Akwá a rematar para o único golo da partida, soltando a euforia nas bancadas.
ANGOLA🇦🇴1🆚️0🇳🇬 NIGERIA
🏆FIFA World Cup 2006 Q
📍Group 4 Match
📆20 June 2004
🏟Estádio da Cidadela
👥40,000
Goal
🇦🇴
Akwá 84′
Notable Players
🇦🇴
Flavio
Ze Kalanga
Gilberto
Mendonca
Akwa
Loco
🇳🇬
Okocha
Kanu
Utaka
Yobo
Enyeama
Yakubu pic.twitter.com/TPRo6JZkyG
— AfricaFootballClassics (@AfricaClassic) May 16, 2019
A vitória pela margem mínima contra a favorita Nigéria foi o ‘mote’ para as Palancas arrancarem a todo o gás rumo à concretização do sonho. Seguiu-se um empate fora a duas bolas contra o Gabão e dois triunfos por 1-0 contra o Ruanda e Zimbabué, o que manteve Angola no topo da classificação do grupo com 11 pontos à entrada para a 6.ª jornada.
A ida a Harare, capital do Zimbabué, assumia-se como importante antes dos confrontos contra Nigéria e Argélia e perder não era opção, já que a Nigéria, com menos um ponto, estava à espera dum deslize para saltar para a liderança. O certo é que os angolanos acabariam por acusar a pressão e perderam esse embate por 2-0, com os tentos a serem apontados no decorrer da segunda parte, o que levou à descida para o segundo lugar da classificação.
A reação à derrota não se fez esperar e ocorreu na receção à Argélia: Akwá e companhia saíram vitoriosos por 2-1 e aproveitaram ainda o surpreendente empate da Nigéria em casa do Ruanda, último classificado do grupo, para ficar em igualdade pontual antes do derradeiro ‘tira-teimas’ em Lagos.
Quem vencesse esse encontro dava um passo gigantesco rumo à Alemanha. Não perdendo, Angola assumiria a liderança devido à vantagem no confronto direto. A Nigéria entrou a todo o gás e inaugurou o marcador logo aos cinco minutos, por intermédio de Jay-Jay Okocha. Os angolanos chegaram a temer o pior face ao golo madrugador sofrido, mas a seleção conseguiu aguentar o ímpeto dos visitados durante grande parte do encontro e, aos 60’, alcançou o empate pelo médio experiente Figueiredo. Esse tento revelou-se fundamental para reduzir a distância de Luanda a Berlim, viagem que estava perto de se realizar depois do empate obtido fora.
Na penúltima jornada, os “Palancas Negras” podiam desde logo garantir a ida ao Mundial, caso vencessem o Gabão e a Nigéria perdesse com a Argélia. A primeira tarefa foi realizada com sucesso – vitória por 3-0 -, contudo as “Super Águias” não vacilaram com um triunfo sem espinhas por 2-5. Ficava tudo por decidir na última e derradeira jornada.
Com a enorme pressão de não poder falhar na visita ao Ruanda, Angola sabia que tinha de obter o mesmo resultado da Nigéria para conquistar o primeiro lugar do grupo. O golo não aparecia, o relógio de jogo parecia não querer abrandar, juntando isso ao facto da Nigéria já estar a vencer confortavelmente o Zimbabué, a frustração começou a tomar conta dos atletas angolanos, até que se chega ao minuto 79. Numa bela jogada coletiva, Zé Kalanga cruza do lado direito para Akwá fazer o golo mais importante da história do Futebol angolano. O resto do jogo foi aguentar a vantagem preciosa de um golo e depois foi festejar a qualificação inédita para o Mundial.
O sorteio da fase de grupos ditou que Angola ficasse no grupo D com Portugal, México e Irão, sendo que a estreia seria feita em Colónia frente à seleção portuguesa. Com o semba “Estamos a Vir” cantado por Yuri da Cunha e Puto Prata como música motivacional de fundo, os “Palancas Negras” rumaram ao território germânico com a bagagem cheia de ambição e vontade de causar sensação durante o torneio.
A estreia no dia 11 de junho de 2006 correu da pior forma para os adeptos angolanos: um golo solitário de Pauleta foi o quanto bastou para Portugal vencer, embora a seleção angolana tenha dado luta e ficou a sensação de injustiça pelo resultado negativo. Contudo, a boa exibição realizada frente a um dos candidatos à vitória final veio provar que Angola podia mesmo sonhar com a ida à fase a eliminar.
Frente ao México, na segunda jornada, o jogo assumia caraterísticas de ‘tudo ou nada’, já que uma derrota ditaria a eliminação do torneio. Em Hannover, o favoritismo era do conjunto azteca, mas a boa exibição frente a Portugal dava ânimo aos angolanos para chegar à primeira vitória de sempre num Mundial. O México teve a maior parte das oportunidades mais perigosas do jogo, embora os comandados de Oliveira Gonçalves também conseguiram pôr em sentido a defesa adversária. A expulsão de André Macanga a 10 minutos do fim quase estragou a exibição positiva dos “Palancas Negras”, contudo o nulo não foi desfeito e houve divisão de pontos no final da partida.
— AfricaFootballClassics (@AfricaClassic) April 2, 2020
À entrada para terceira e última jornada, Angola ainda podia qualificar-se para a fase seguinte: para isso, teria de vencer por uma margem confortável o já eliminado Irão e esperar por uma vitória portuguesa em Gelsenkirchen. Ora, se Portugal estava a fazer a sua parte para ajudar os compatriotas angolanos, faltava somente derrotar o Irão.
Mesmo sem hipóteses de passar, o Irão não facilitou e quis despedir-se com uma vitória, sendo que esteve por cima durante a primeira parte, mas faltou maior assertividade na hora de rematar à baliza. No segundo tempo, a conversa foi outra e Angola chegou à vantagem aos 60 minutos: do lado direito, Zé Kalanga cruzou na perfeição para Flávio “Cabeça de Ouro” Amado cabecear para o primeiro golo de sempre dos mwangolês em Mundiais. A vantagem duraria pouco tempo, uma vez que os iranianos chegaram ao empate na marcação de um canto por intermédio do defesa Bakhtiarizadeh aos 75’. O 1-1 perdurou no marcador até ao apito final e a seleção angolana acabou mesmo por acompanhar o Irão na despedida do território alemão.
Apesar da eliminação precoce, Angola saiu de prova com uma boa réplica e deixou o povo mwangolé orgulhoso dos seus atletas. São muitos os que ainda se recordam da famosa caminhada até à Alemanha nessa ano e ambicionam que Angola volte a carimbar a passagem até à fase final dum Mundial, já que se passaram cerca de 14 anos desta inédita presença.
Portugal estava a um passo de fazer ainda mais história em solo alemão. Na Allianz Arena, a Seleção Nacional tinha uma ‘oportunidade de ouro’ para chegar à final do Mundial, algo que não conseguiu em 1966, mas para isso acontecer era necessário ultrapassar um adversário que não traz boas memórias: tendo eliminado a equipa das Quinas na meia-final do Euro 2000, a França queria repetir o mesmo feito e alcançar novamente o jogo de atribuição do título de campeão do Mundo como em 1998, em que venceu em casa o Brasil por 3-0.
Os comandados de Scolari tinham já ultrapassado a Holanda e Inglaterra, com ambos os duelos a exigirem um esforço titânico por parte dos atletas portugueses, que acreditavam que a ida a Berlim era de facto possível de ocorrer. Do lado francês, Zidane era o comandante da armada gaulesa que venceu os jogos frente a Espanha e Brasil com elevada categoria e pretendia outra vez ser o “carrasco” de Portugal.
Com uma excelente atmosfera, o jogo começou com a França a querer logo visar a baliza de Ricardo, através de Malouda que fugiu bem da marcação de Miguel, mas o seu remate saiu sem a direção desejada. Portugal entrou adormecido na partida e Deco tratou de despertar os seus colegas: o mágico médio remata à entrada da área para uma defesa incompleta de Barthez, Pauleta chega atrasado a uma possível emenda e o resultado não se altera. O aviso luso estava dado para quais as verdadeiras pretensões para o resto da meia-final.
Aos oito minutos, foi Maniche a querer abrir o marcador em Munique e o seu remate causou perigo. Aos 13′ foi a vez de Ribéry combinar com Abidal, para o lateral cruzar para Henry que chegou atrasado por centímetros, deixando Scolari no banco a suspirar de alívio.
O bom ritmo dos primeiros 15 minutos foi rapidamente abaixo e o encontro entrou numa toada diferente. Os dois lados passaram a jogar mais na contenção, embora a França parecia estar por cima. Portugal ia tentando em vão lançar o contra-golpe até que, aos 31 minutos, os franceses iriam dispor de uma ocasião soberana para fazer o primeiro golo: Henry é tocado por Ricardo Carvalho e o árbitro apontou de imediato para a marca de onze metros.
O povo português nem precisava de rezar para que Zidane falhasse a grande penalidade, uma vez que na baliza estava um guarda-redes habituado a defender castigos máximos. Depois de ouvir o apito, o número 10 dos gauleses correu convicto para marcar mais uma vez a Portugal, mas Ricardo consegue parar eficazmente a bola e mantém tudo empatado. A estrondosa defesa do guardião do Sporting CP lançou a euforia no banco português, onde Scolari voltava a suspirar de alívio. Até ao descanso, não houve mais nada a assinalar e os jogadores foram para o balneário com o nulo no marcador.
Tal día como hoy en 2006 un penalti de Zidane ante Portugal (0-1) convertía a Francia en finalista del Mundial.
Motivada pela defesa soberba de Ricardo, a seleção portuguesa entrou com toda a pujança no reinício da partida e abriu o marcador logo aos 47 minutos: o “puto maravilha” Ronaldo arranca do lado direito, tira dois defesas do caminho e assiste Pauleta que faz o 1-0. Enorme festa do lado português que estava agora mais perto de chegar a final.
Como seria de esperar, a reação francesa não demorou a surgir e foi novamente Zidane a testar a atenção de Ricardo num remate fora de área, com o guardião a fazer uma excelente parada e a manter Portugal na frente do marcador. A iniciativa de jogo passava a ser do lado francês que estava obrigado a correr atrás do prejuízo, com os portugueses a limitarem-se a defender e à espera de lançar um ataque “venenoso” para acabar com as dúvidas quanto ao vencedor do jogo.
Sem grande vontade de esperar por um rasgo genial de Zizou ou Henry, Raymond Domenech adota uma estratégia mais atacante e lança Louis Saha e David Trezeguet, de forma a ter mais homens na frente de ataque. Contudo, isso acabaria por ser fatal para os franceses…
O relógio do jogo estava a favor dos portugueses que iam fazendo os possíveis para o tempo passar o mais rápido possível, o que estava a correr de feição, apesar do enorme amasso sofrido: Ribéry (60’), Trezeguet (67’) e Henry (71’) podiam ter feito o empate, mas as suas tentativas foram facilmente defendidas por Ricardo. A França bem tentava de todas as formas possíveis chegar ao 1-1, contudo a defesa portuguesa estava concentrada e ia mantendo a baliza a zeros.
E como diz a velha máxima “Quem não marca sofre”, foi Portugal a “matar” o jogo à entrada para os últimos 10 minutos da partida, através de Simão. O número 11 aproveitou um rápido contra-ataque em que a defesa gaulesa estava descompensada, e no frente a frente com Barthez, picou a bola e fez o 2-0 que carimbou o passaporte para a final. O segundo golo sofrido deitou abaixo o conjunto francês que nem sequer conseguiu reerguer-se para tentar marcar o golo de honra.
Apito final do árbitro uruguaio Jorge Larrionda e a festa portuguesa explodiu de forma vibrante logo no relvado. Pela primeira vez na história, Portugal ia jogar a final dum Mundial e queria terminar a prova com um desfecho totalmente diferente do verificado no Europeu de 2004.
CR17 resolve Final e Portugal é campeão do Mundo
Dia 9 de julho de 2006. Domingo. O povo português reunia-se para voltar a ver a sua seleção numa final, mas desta vez o adversário não era a Grécia, mas sim a Itália. Acabada de eliminiar o anfitrião do torneio com recurso a prolongamento, a squadra azzurra procurava conquistar o quarto título de campeão do Mundo.
Figo, Cristiano Ronaldo e Deco contra Totti, Pirlo e Gattuso. A expetativa era enorme para ver este duelo que decidiria o vencedor do Mundial 2006. Com o Olympiastadion bem lotado, o jogo praticamente começou com o golo de Portugal: minuto sete, Cristiano Ronaldo ultrapassa bem Zambrotta e remata em jeito para o primeiro tento da partida. Buffon bem se esticou, mas “nem com asas” conseguia defender este belo remate do extremo do Manchester United FC. Vantagem madrugadora em Berlim para enorme felicidade dos adeptos portugueses.
O único jogo entre @selecaoportugal e Arábia Saudita também foi de preparação para um Mundial (2006). A 1 de Março desse ano, em solo alemão, a equipa das “quinas” venceu por 3-0, com golos de @Cristiano (2) e Maniche pic.twitter.com/QQ4iyFFjz0
Fortemente afetados pelo golo sofrido nos primeiros minutos, a resposta italiana foi tímida e sem grande perigo, com exceção feita para a tentativa de Pirlo num livre frontal aos 20 minutos, em que a bola embateu com estrondo na barra. Esse foi mesmo o único lance digno de registo dos italianos em toda a primeira parte, já que Portugal controlou a seu belo prazer o ritmo de jogo e foi com toda a justiça para o descanso em vantagem.
Insatisfeito com a resposta dada pelos seus atletas, Lippi fez entrar Del Piero com o objetivo de ver outra vez o número sete faturar, como havia acontecido contra a Alemanha. Mal entrou, o atacante quase fez o tento do empate: aos 48’, num canto batido com toda a classe por Pirlo, Del Piero cabeceou e a bola foi ao poste. Mais uma vez, eram os postes a substituir Ricardo e a ajudar Portugal a manter a sua magra vantagem.
Nesta fase do jogo, Portugal estava mais remetido a tarefas defensivas como seria de esperar, embora Ronaldo não quis limitar-se a defender e fez mesmo o segundo golo luso aos 65’ numa bela combinação com Deco à entrada da área, em que Buffon volta a não ter grandes hipóteses de defesa. O sonho de “conquistar o caneco” estava cada vez mais perto de se concretizar!
Iaquinta e Gilardino foram as últimas opções técnicas de Lippi para conseguir um empate milagroso. Scolari percebeu que era o momento para defender a vantagem preciosa de dois golos e fez entrar Ricardo Costa para o lugar de Figo, que recebeu uma enorme ovação no momento da substituição, já que o capitão luso fazia o seu último jogo pela seleção e podia acabar a sua carreira como internacional com “chave de ouro”.
A Itália arriscou tudo para marcar dois golos, o que felizmente para Portugal acabou por não acontecer, já que as maiores estrelas estavam desinspiradas na hora de finalizar. O jogo foi-se encaminhando a passos largos para o seu fim, e quando se ouviu o apito final foi a euforia total! Portugal dava mais um passo histórico e conquista o Mundial, sendo esse o primeiro título da seleção A.
A festa prolongou-se por mais uns dois dias na receção aos 23 heróis nacionais que elevaram a bandeira portuguesa ao patamar mais alto do Futebol e mudaram o “triste fado português”. Portugal parou completamente nesse dia 11 de julho de 2006, com todas as pessoas a querer ver de perto o troféu conquistado com todo o mérito na Alemanha.
Desde que comecei a acompanhar jogos do Sporting que me habituei a ver grandes jogadores a desfilar a sua classe no antigo relvado de Alvalade, assim como no atual Alvalade XXI. Alguns deles tornaram-se mesmo Bola de Ouro e/ou Bota de Ouro. Infelizmente, nem todos poderão ser incluídos neste “onze”, mas são as condicionantes que nos impomos para a criação desta equipa de estrelas. Assim, para escalonar esta “Dream Team” tenho de ter em consideração o melhor jogador que vi jogar em cada posição, sem que possa haver dois da mesma nacionalidade.
Pode parecer fácil, mas esta última condicionante obriga a deixar muitos jogadores de enorme qualidade fora desta equipa. Relembro que vou só escalonar atletas que me lembro de ver jogar pelo Sporting, pelo que, a título de exemplo, não surgirá nenhum dos Cinco Violinos e mesmo que os tivesse visto jogar, não os poderia incluir todos.
Dito isto, vem descobrir a minha selecção de craques, podendo aceitar muitas outras sugestões da tua parte. Podes fazer também este exercício, mas não te esqueças de não repetir dois jogadores do mesmo país. (E não vale “batota” com duplas nacionalidades 😉).
No dia 8 de abril, soube-se o futuro próximo do Futsal, pelo menos o do português: todas as competições foram dadas como concluídas. Devido à pandemia COVID-19, não estão reunidas as condições para as competições retomarem e, desta forma, a FPF declarou o fim das mesmas e também que não haverá campeões, subidas ou descidas. Certo é que a bola só vai começar a rolar nas quadras portuguesas na próxima época de 2020/21. E agora? É a questão que muitos devem estar a fazer…
A verdade é que para além do “e agora?” surgem, pelo menos, duas questões específicas muito importantes: a ida à UEFA Futsal Champions League de dois clubes e as subidas dos clubes que tinham pretensões a isso. Ao longo do artigo, olharemos em específico para cada uma delas, que estão em análise por parte da FPF também.
QUEM SÃO OS REPRESENTANTES PORTUGUESES NA EUROPA?
Desde que a UEFA Futsal Champions League sofreu alterações, há duas vagas para clubes portugueses e que, normalmente, são ocupadas por Sporting CP e SL Benfica. Porém, já houve a oportunidade de ver o SC Braga/AAUM na antiga UEFA Futsal Cup, juntamente com os leões. Apesar de os dois clubes lisboetas serem os mais fortes candidatos a estes lugares, quem não nos diz que podia haver outra surpresa como em 2017/18?
A problemática que pode aparecer é exatamente os poucos argumentos financeiros dos restantes clubes, à exceção de Sporting CP, SL Benfica e SC Braga/AAUM, para suportar uma aventura europeia. Sim, é verdade, mas ninguém os tira a possibilidade de chegarem à Final do play-off nacional e, consequente, ida às competições europeias. Já lá chegou a AD Fundão e o SC Braga/AAUM, logo, não é algo que seja impossível. Aqui, a FPF terá de ter muito cuidado quanto à sua decisão final no sentido em que era possível qualquer um clube dos oito nos play-off chegarem à Final.
The #UCLFutsal finals scheduled for 24-26 April in Minsk has been postponed: further information about the rescheduling of the competition will be given in due course, after a thorough assessment of options https://t.co/kvMyQvoe1l
De relembrar ainda que todas as competições da UEFA, ou relacionadas à mesma, continuam adiadas – em especial, a UEFA Futsal Champions League, que devia voltar a 24 e 26 de abril – até ordem ao contrário por parte do órgão que coordena a modalidade na Europa.