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Força da Tática: O “Maestro” do FC Famalicão – Pedro Gonçalves

Com passagens pela formação do SC Braga, CD Chaves e Vidago, Pedro Gonçalves saiu para o Valência CF ainda em idade de júnior. Depois disso, seguiu-se uma passagem pelo Wolverhampton Wanderers FC, até voltar a Portugal esta época, para representar o FC Famalicão. Desde o início desta temporada tem-se evidenciado como peça imprescindível no sistema de João Pedro Sousa. Prova disso são os 24 jogos realizados e o facto de ser o jogador com mais minutos realizados para a Liga NOS da equipa minhota.

Sem dúvida que o enquadramento em que está inserido (clube, treinador e modelo de jogo) tem favorecido o seu crescimento. O estilo de jogo ofensivo e associativo, com base na construção de jogo em ataque continuado, na gestão da posse e nas ligações intersetoriais tem potencializado as suas caraterísticas e dado a conhecer ao grande público um jogador que sempre se destacou nos escalões de formação.

Pedro Gonçalves é um médio centro com características de jogo para equipas que pratiquem um futebol de posse. No contexto famalicense, é o médio mais ofensivo num sistema de 4-3-3, partindo de uma posição de médio centro ou médio interior. É o elemento de ligação entre ataque e zonas mais recuadas do terreno de jogo. Em ataque posicional, ocupa, maioritariamente espaço entre-linhas para iniciar momento de criação, podendo também recuar no terreno para ajudar no início da construção. Descai muitas vezes para perto dos extremos, criando estruturas que possibilitam uma troca de bola eficaz com progressão no terreno.

Realiza movimentos de desmarcação curta para aparecer entre as linhas defensivas e médias adversárias. É um jogador com excelente capacidade de associação com os companheiros, combinando com avançado e extremos, tanto em apoio como no espaço. Cria facilmente linhas de passe, que permitem aos colegas tomar decisões mais fáceis, parecendo por vezes “decidir” pelos próprios. Mostra grande dinâmica na forma como orienta o seu corpo. Mesmo recebendo de costas, consegue em pouco tempo estar enquadrado de frente para o jogo, decidir e executar com qualidade.

Raramente passa para trás! Graças à sua habilidade motora consegue escapar de zonas de pressão e encontrar o espaço necessário para a progressão das jogadas.

É um médio com um grande raio de ação no jogo do Famalicão e mostra, aos 21 anos, rendimento elevado e enorme potencial para crescer.

A sua principal característica é a inteligência e perceção do jogo acima da média, principalmente para jogadores da sua idade. Mostra grande perspicácia na forma como procura os espaços para receber e depois para “lançar” os colegas. Mesmo sob pressão, consegue decidir quase sempre bem. Tem uma tomada de decisão ao nível dos melhores da liga portuguesa.

Além disso, e apesar da sua estatura, é um jogador que mostra uma capacidade física considerável. Não falo de força ou capacidade para ganhar duelos individuais, mas sim de resistência, habilidade motora e de velocidade com que cria o seu próprio espaço e executa em curto espaço de tempo.

A forma como domina cada gesto técnico faz dele um jogador diferenciado, que joga e faz jogar os companheiros. A receção orientada para preparar a próxima ação está consolidada no seu jogo. Além do mais, mostra uma criatividade individual e qualidade técnica, aliada ao sentido posicional e à visão e leitura de jogo, que o torna num desequilibrador nato no momento de criação de jogo. Por exemplo, na Liga NOS é o jogador com mais passes bem sucedidos a quebrar a linha defensiva adversária e é o segundo jogador da sua equipa com mais passes para golo (atrás de Fábio Martins). No total da temporada, contabiliza 31 jogos, 6 golos e 8 assistências.

É um jogador que tem um bom drible, capaz de progredir com bola e superar adversários, o que lhe permite ser forte também em transição ofensiva. E ainda tem fácil chegada a zonas de finalização, arriscando por várias vezes no remate (2,5 remates por jogo).

A nível defensivo, mostra-se agressivo e intenso na primeira fase de pressão à equipa adversária e, principalmente, na fase pós-perda da posse. No entanto, está longe de ser perfeito neste momento do jogo, sendo o segundo jogador que mais vezes é ultrapassado em drible da equipa minhota (1,6 vezes por jogo). Utiliza muitas vezes a falta como arma para travar a progressão do adversário. Provavelmente, é o momento do jogo que sente mais dificuldades e que terá de melhorar. Este ponto menos forte do seu jogo está também associado ao modelo de jogo da equipa, que privilegia um futebol, por vezes demasiadamente ofensivo, com repercussões no momento defensivo. Prova disso é ser a segunda equipa com mais golos sofridos da Liga NOS.

Perceber, resolver e executar! “Toque, toque, toque, toque, e encontra espaços” – Aragonés

Um autêntico número “10” na essência da palavra. O “maestro” da equipa famalicense está preparado para dar o salto! Um jogador com enorme talento a ser explorado!

Análise individual de Pedro Gonçalves contra SL Benfica nas meias-finais da Taça de Portugal

Uma palavra para o trabalho incrível que o FC Famalicão tem realizado ao nível do Scouting. O clube percebeu o treinador e a forma de jogar que queria implementar e depois recrutou jogadores assentes nesse mesmo contexto; jogadores menos conhecidos, mas que acrescentam muita qualidade à nossa liga.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

BnR TV Modalidades: Jordan Santos otimista quanto ao futuro

Neste BnR TV Modalidades falamos de Futebol de Praia com Jordan Santos, o melhor jogador do mundo. Em análise o esforço da federação na evolução da modalidade, a alteração das regras do jogo quando ao guarda redes e uma grande novidade em primeira-mão sobre o Futebol de Praia. Tens tudo nesta emissão em direto deste BnR TV!

Com Mário Cagica Oliveira, João Barbosa, Diogo Soares Loureiro e Jordan Santos.

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Artigo revisto por Diogo Teixeira

«Depois da época em Chaves, aconselhei-me com o Sérgio Conceição» – Entrevista BnR com Rafael Lopes

Mortífero na grande área, descreve-se como um predador à solta, em busca do golo perdido. Não falamos de Marcel Proust, mas de Rafael Lopes, também ele um incrível contador de histórias. Desta feita, o Bola na Rede entrevistou um avançado que faz jus ao nome do nosso site e vai deixando o rasto do golo pelos estádios da Polónia. Por uma hora, roubámos a atenção de um pai a caminho do terceiro golo mais importante da vida e que nos recebeu, ainda que virtualmente, de mãos pintadas e coração aberto.

– A escola varzinista e uma subida a pulso –

“Muita gente fala do Varzim porque a característica comum a todos os jogadores que de lá saem é a entrega, a raça”

Bola na Rede [BnR]: A previsão da temperatura mínima para hoje são 2ºC em Cracóvia, de onde nos falas. Se quisesse começar por aquecer o ambiente para esta entrevista, devia perguntar-te qual a sensação de jogar um Wisla vs Cracovia?

Rafael Lopes [RL]: Em relação à temperatura erraste: neste momento estou de calções de banho e estava na varanda a apanhar sol e a pintar com os miúdos [risos]. Já a temperatura no dérbi atinge os 50ºC. Não consegues estar completamente focado nos aspetos táticos do jogo, porque é mais na base das confusões, porrada… é um dérbi aceso e quente.

BnR: É comparável a outro dérbi que também já tenhas jogado?

RL: Em Portugal, talvez – mas menos, muito menos (!) – o Boavista x Porto. Muito parecido é o Omonia x APOEL; não consigo escolher qual destes tem o ambiente mais complicado.

BnR: Já regressamos à Polónia. “Um campeão já foi um dia apenas um sonhador que se recusou a desistir. Pelos adeptos”. Há exatamente um mês, escreveste esta sentença na tua página do Facebook. Por quem te recusaste a desistir quando, primeiro em Esposende e, depois na Póvoa, a bola não entrava ou o gesto técnico não saía?

RL: Por mim, principalmente. Considero-me um sobrevivente porque, desde que comecei a jogar futebol, nunca era o escolhido para ir treinar aos clubes grandes. Naquela altura, os pais de outros jogadores tinham mais conhecimentos, mas na altura nem pensava nisso. É quando chego ao futebol profissional que tenho a perceção que penso “Neste momento, sou o único daquele tempo que cheguei ao mais alto nível”.

BnR: Reconhecido como um viveiro de talentos, é no Varzim que te estreias como sénior, depois de vários anos nas camadas jovens do emblema varzinista. Como explicas o sucesso na formação de atletas deste clube?

RL: Muita gente fala do Varzim porque a característica comum a todos os jogadores que saem de lá é a entrega, a raça, o nunca desistir. Foi assim que fui formado e crescendo. Desde miúdos que é a ideia mais incutida e valorizada pelo clube. Até os extremos, que são conhecidos pelo drible, as pessoas vão dizer “aquele gajo é raçudo, não desiste”. No futebol, podes ter a maior qualidade técnica, a maior capacidade de drible, mas se não tiveres essa vontade e resiliência, muito dificilmente vais jogar ao mais alto nível.

BnR: Por falar em extremos, a tua ascensão à equipa principal do Varzim faz-se acompanhar de Salvador Agra e chegas a um plantel que já contava com Luís Neto, e ao qual se juntaria André André. Esta tríade, que viria a distribuir-se pelos grandes do nosso campeonato, já dava nas vistas na altura?

RL: Começando pelo Neto, ainda antes de eu subir a sénior, já se notava uma diferença abismal entre nós e o Luís quando o defrontávamos na Liga Intercalar. É claro que agora ficava bem eu dizer que, na altura, já sabia que ele ia ter a carreira que teve, mas não; sabia que ia triunfar e chegar ao mais alto nível.

Em relação ao Salvador, jogámos juntos quatro anos na formação, depois nos seniores do Varzim, voltámos a encontrar-nos na Académica… Temos uma história de muitos anos juntos. O Salvador é daqueles casos em que tem qualidade com a bola nos pés, mas a característica que as pessoas mais admiram nele é não desistir. Aliás, tu vês o Neto jogar e ele, que não tem aquele corpão de bicharoco, é um animal noutras coisas: se tiver de ir com a cabeça onde o outro vai com o pé, ele vai; vês o Bruno Alves: igual! É a marca do Varzim.

O André chegou em Janeiro, porque estava emprestado ao Deportivo de La Coruña B. Mais ou menos em Novembro/Dezembro, ele pediu para voltar para o Varzim e começou a jogar assim que foi possível.

BnR: Pegando nestes exemplos, e não obstante a garra e determinação que referes, transportam também outra característica para dentro de campo: o espírito de liderança.

RL: São líderes por natureza. O Neto, por exemplo, está numa fase da carreira em que podia não estar para se chatear, mas o que ele sente e a pessoa que é vem ao de cima. Quer sempre o melhor, não só para ele, mas, principalmente, para a equipa e para o clube.

BnR: Já disseste que o momento-chave para a construção da tua carreira foi a “grande época a nível individual” nos poveiros, mas coletivamente o rendimento não foi suficiente para que o Varzim se mantivesse na Segunda Liga.

RL: Sei lá, amigo… Ainda hoje penso – e se perguntares a todos os outros jogadores do plantel – “Como é que é possível termos descido de divisão? Como?”. É incrível o que a gente jogava, incrível… Muitas vezes foi falta de sorte e sofríamos golos aos 93’ a ganhar 1-0 e foram cinco ou seis vezes… se calhar, destas cinco ou seis, se tivéssemos ganho uma ou duas, não tínhamos descido. E acabámos a primeira volta em sétimo lugar!

O Passado Também Chuta: Helton

Corria o mês de Maio do ano de 1978. No Brasil, mais especificamente no estado do Rio de Janeiro, nascia aquele que, num longínquo futuro, marcaria uma era no futebol nacional. O seu nome? Helton da Silva Arruda.

Falar do antigo guardião do FC Porto é falar não só de um jogador de futebol; é falar de um enormíssimo ser humano, alguém que se guiava pelo respeito e pela humildade, dentro e fora dos relvados, e de alguém que conquistou, para além do carinho da gente azul e branca, um enorme respeito e admiração também entre os adeptos adversários.

Porém, a sua história no futebol começa bem antes do Estádio do Dragão… Aliás, bem antes, até de São Januário.

O primeiro capítulo da história do pequeno Helton começa no futsal, longe das balizas, curiosamente. Em São Gonçalo, mais precisamente no bairro de Alcântara, o amor pela bola começou mais próximo do seu pé direito, contudo, seja por ação do destino, seja por “preguiça de correr”, como o próprio afirma, Helton foi aproximando-se cada vez mais das redes.

E cedo se percebeu que o lugar deste “garoto” seria entre os postes, posição onde começou a gerar olhares de interesse entre os grandes do Rio, nomeadamente tricolores e rubro-negros, olhares esses que acabariam por se materializar em convites para que este ingressasse nas suas camadas mais jovens.

Devido à distância significativa que separava a casa de Helton do centro de treinos do Fluminense FC, esta primeira sondagem teria sido recusada; por outro lado, a proposta do CR Flamengo soava mais atrativa.

Tudo parecia encaminhado para que o promissor guarda-redes vestisse de preto e vermelho, até que a grande pedra no sapato da sua carreira surge: uma queda de uma árvore acarretaria um coma que o forçava a um longo período de recuperação.

Mais de um ano após este infortúnio, e por conta da enorme vontade que este demonstrara para voltar a praticar o desporto que amava, Helton conseguiu dar a volta por cima, desta vez afiliando-se às escolas de formação do São Cristóvão FR, clube que o catapultaria, definitivamente, para um grande do futebol carioca. Tal haveria de acontecer no ano de 1995, num jogo em que Helton e companhia defrontariam o Gigante da Colina, o CR Vasco da Gama.

Na noite anterior ao encontro, fortes chuvas caíram sobre o Rio de Janeiro. Por ironia do destino, os dois únicos “goleiros” do São Cristóvão FR não haviam conseguido chegar ao local onde se realizaria o encontro, abrindo assim uma oportunidade para que Helton, à data, lateral direito, assumisse a camisola um.

Uma exibição apenas bastou para que olheiros do emblema cruzmaltino o encaminhassem para São Januário, casa do gigante brasileiro. Aí, o guardião completaria a sua formação e assinaria o seu primeiro contrato profissional.

Mas a grande oportunidade acabaria por surgir em 1999, em vésperas do recém-criado Mundial de Clubes da FIFA. Carlos Germano, guardião titular da equipa, passava por alguns conflitos em termos contratuais com o clube; tais problemas abriram as portas para que jogadores mais jovens, como Helton, tivessem espaço para lutar pela titularidade. E nessa luta, Helton levou a melhor, sendo premiado com um lugar no onze inicial no campeonato do mundo de clubes que se disputou no início do ano seguinte.

Fonte: UEFA

A partir daí, as redes vascaínas ficaram sob sua guarda, numa passagem que haveria por se revelar vitoriosa: durante esse período, o clube conquistou o campeonato brasileiro, a Copa Mercosul (num jogo que vale a pena rever), dentre outros títulos menores.

Em finais de 2002, o seu vínculo contratual com o emblema brasileiro chegaria ao fim e Helton cruzaria o Atlântico para rubricar contrato com a UD Leiria.

Em terras portuguesas, o guarda-redes cedo mostrou ao que vinha e conseguiu conquistar o seu espaço com certa rapidez em Leiria. Ainda na época 2002/03 e sob o comando técnico de Manuel Cajuda, a União de Leiria protagonizou uma campanha excecional, sendo quinta classificada no campeonato e finalista vencida no Jamor, precisamente pelo FC Porto.

Nas duas épocas que se seguiram, não mais a equipa da Beira Litoral conseguiu replicar os feitos de 02/03, voltando os seus objetivos de forma definitiva para a luta pela manutenção, objetivo que Helton e companhia cumpriram em ambas as temporadas.

2005 foi o ano do salto. O FC Porto vencia a corrida pela contratação do brasileiro e colocava-o à disposição de Co Adriaanse. O holandês optou, na maioria dos jogos, pela experiência de Vítor Baía, contudo, no final da época, Helton foi somando presenças no onze inicial, posto de onde quase nunca saiu nas próximas oito temporadas.

Nesse período, venceu títulos de todos os tipos, desde nacionais até internacionais, marcou presença na Copa América 2007, na qual o Brasil sagrou-se campeão, e consolidou-se como uma das figuras mais marcantes dos dragões no presente século.

Uma lesão grave contraída em Alvalade, em 2014, deixá-lo-ia de fora dos relvados por vários meses, sendo que, após concluir a sua recuperação, não mais conseguiu um lugar cativo na baliza portista, cumprindo o papel de suplente de Fabiano, num primeiro momento, e de Iker Casillas, na sua última época de dragão ao peito.
Hoje em dia tem 41 anos, é um amante de música, desenvolveu diversos projetos direcionados aos mais jovens e não se cansa de espalhar o seu carinho pelo FC Porto.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

WWE avança com despedimentos, qual será o futuro?

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Durante o dia de ontem, a WWE chocou o mundo do Wrestling ao anunciar que tinha terminado com os contratos de vários lutadores e produtores da empresa.

Foram, portanto, confirmados os despedimentos dos seguintes lutadores: RusevDrake MaverickZack RyderCurt HawkinsKarl AndersonLuke GallowsHeath SlaterEric YoungRowanSarah LoganNo Way JoseMike Chioda, Mike KanellisMaria Kanellis, EC3Aiden EnglishLio RushPrimo e Epico.

Já os produtores despedidos foram: Kurt Angle, Billy Kidman, Mike Rotunda, Dave Finlay, Pat Buck, Shawn Daivari, Scott Armstrong, Sarah Stock, Shane Helms e Lance Storm. Este é um golpe duríssimo para todas estas pessoas, tendo a WWE justificado esta decisão como sendo necessária para garantir a estabilidade da empresa durante a pandemia da COVID-19.

Para além disso, a empresa também afirmou estar a cortar nos salários de vários membros da sua administração e confirmou o adiamento da mudança dos escritórios da sede.

De momento, com estas medidas, a WWE estima poupar cerca de quatro milhões de dólares por mês, mencionando também ter disponíveis perto de 500 milhões de dólares para combater esta crise.

Tanguy Ndombélé | “Flop” da época na Liga Inglesa

Esperava-se que o impacto de Tanguy Ndombélé no jogo do Tottenham Hotspur FC fosse tão notório quanto o preço que custou: 60 milhões. Nada mais nada menos, que a contratação mais cara da história do clube londrino, superando a larga escala, jogadores como Davinson Sánchez, Moussa Sissoko ou Giovani Lo Celso.

Todos sabemos como o mercado do futebol está mais inflacionado do que nunca (apesar de poder vir a alterar-se depois da pandemia da Covid-19), porém, o que me salta à vista são as condições em que o negócio foi realizado. Apesar do excelente desempenho, o jogador apenas representou o Olympique Lyonnais durante uma época de alto nível, antecedida por outra em que esteve emprestado, pelo clube em que iniciou o seu percurso como sénior – SC Amiens.

O que está em causa não são os clubes ou o campeonato que disputou, mas o modo como se contrata de forma quase “descartável” nos dias que correm. Torna-se mais estranho ainda, quando uma instituição como o Tottenham, teve Bruno Fernandes na mão, deixou-o cair e depois teve de se contentar com as “sobras” do mercado. Apesar de não ser tão fácil e linear quanto isto, preferiam pagar 100 milhões pelo conjunto (Ndombélé e Lo Celso) ou 80 pelo internacional português (a contar com os objetivos)? Sem querer “puxar a brasa à nossa sardinha”.

Voltando ao tema central, o médio francês participou em 27 jogos, tendo feito quatro assistências e marcado dois golos. Números normais, considerando que joga mais recuado no terreno. Em termos exibicionais é que fica algo a desejar, é como que um “corpo estranho” no onze. Lento e previsível, quer seja a pensar ou a executar. Raramente acrescenta qualidade ao futebol da equipa do norte de Londres. Em sentido contrário, Lo Celso tem surpreendido e de que maneira!

Agora, podemos dar o benefício da dúvida pelo facto de ser primeira época no campeonato mais competitivo do mundo (e tratando-se de um jovem de 23 anos, ainda tem margem de progressão). Além disso, foi contratado com o “dedo” de Pochettino e não por Mourinho. Por outro lado, é complicado não fazer a ligação entre o preço e o desempenho ao longo da temporada. Contextualizando: o Tottenham tem muitas lacunas e Ndombélé não será certamente o único “a mais” naquele plantel (vice-campeão europeu, diga-se).

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Universo Paralelo: Play-off a duas mãos decide campeão

Este é um daqueles casos em que o que hoje é um universo paralelo, amanhã poderá ser a realidade do campeonato nacional. Pedro Proença terá uma decisão importante nas mãos e o mais complexo será conseguir que os clubes cheguem a um acordo.

Uma possibilidade será um play-off a duas mãos para decidir o campeão. Nesta altura, com dez jornadas por jogar, a luta do título restringe-se à rivalidade SL BenficaFC Porto. O clube azul e branco lidera por um ponto e com vantagem no confronto directo. Com 30 pontos por disputar, esta é uma margem mínima e, não havendo calendário para disputar o campeonato até ao fim, um duelo a dois será a decisão lógica. Um duelo em que poderá ser dada a palavra ao FC Porto na definição de quem joga primeiro em casa.

Nessa realidade ainda paralela, Pinto da Costa, ouvindo e seguindo a opinião de Sérgio Conceição, anuncia que o FC Porto irá disputar a primeira-mão no Estádio da Luz e o jogo decisivo na Estádio do Dragão.

Assim arranca Junho. Depois de um mês de Maio com 20 dias de pré-época, nos quais os clubes aproveitaram para preparar fisicamente os seus jogadores e lhes dar ritmo competitivo com três jogos amigáveis à porta fechada, finalmente, a 5 de Junho, o futebol nacional abre-se aos adeptos.

Sábado, às 18h, o Estádio da Luz brilha num bonito dia de sol e enche-se de adeptos eufóricos por voltarem a ver a bola rolar ao vivo, por voltarem a viver o seu clube e por começarem a decisiva luta pelo título contra o seu mais forte rival.

A euforia nas bancadas contrasta com o nervosismo no relvado. As equipas entram prudentes e receosas. Os visitantes sabem que têm um segundo jogo perante os seus adeptos. Os encarnados receiam aquele golo forasteiro que pode ditar a consagração final.

A bola vai sendo mais benfiquista, mas são os arranques de Diaz, Corona e Marega que vão criando maiores sobressaltos no jogo. Após uma sequência de vários cantos, ao décimo sexto minuto Jesus Corona acaba mesmo por colocar a bola na cabeça de Marcano, que ao primeiro poste finaliza perante a passividade da defesa encarnada.

Os adeptos encarnados desesperam. Os jogadores tremem. E a equipa de Sérgio Conceição ganha um novo ânimo. Os azuis e brancos dominam o resto do jogo até ao intervalo, um domínio que acaba sempre por esbarrar em mais uma exibição incrível de Odysseas Vlachodimos.

O intervalo traz um novo oxigénio aos jogadores de Bruno Lage. A equipa encarnada entra em campo com um novo respirar e empolgada por um Estádio da Luz cheio de crença a gritar pelo clube com um infinito oxigénio nos pulmões.

Com um resultado muito positivo nas mãos, e já ciente da inevitável reacção do adversário, Sérgio Conceição aborda a segunda parte com uma equipa mais recuada, mais fechada no seu meio-campo e focada em esporádicos lançamentos longos a explorar rápidos contra-ataques.

Joga-se mais com o coração, um vulcão de emoções que resulta num aumento das faltas, das disputas de bola e das correrias desenfreadas. Pouca criatividade, muita luta. Minuto 60 e tudo igual. Minuto 70 e mantém-se a vantagem portista.

Em campo já se encontra Seferovic ao lado de Vinícius, estando o centro do terreno entregue ao guerreiro Samaris. No lado portista, Mbemba complementa o trio defensivo portista enquanto Sérgio Oliveira se junta a Danilo e Uribe. Numa altura em que o jogo directo começa a imperar, é a criatividade que acaba por triunfar. Uma tabela entre Pizzi e Rafa desequilibra a defesa portista com o extremo português a fugir à marcação e a ser carregado em falta já dentro da grande área.

Decorre o minuto 78′ e Pizzi avança. O estádio treme, mas a bola entra. Está feito o 1-1, está feito o golo do empate. A nação benfiquista respira de alívio e o jogo termina mesmo empatado.

Pizzi é uma das figuras do play-off
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Uma semana depois, é a vez do Estádio do Dragão encher. Dia 12 de Junho é o dia da consagração do novo campeão nacional. 4-3-3 vs 4-2-3-1. Luta, garra e lançamentos rápidos vs confiança, toques e criatividade.

A equipa de Sérgio Conceição parte em vantagem. Numa primeira parte equilibrada, os azuis e brancos mais uma vez partem na frente do marcador. Diaz, servido por Sérgio Oliveira, partiu a direita defensiva encarnada, livrou-se de Rubén Dias e coloca no segundo poste de Odysseas. Decorre o minuto 33 e o Porto adianta-se no marcador.

Uma primeira parte em que um lance individual ditou a diferença no marcador. O FC Porto quis mais, mas não fez mais que os encarnados. Em desvantagem, para o segundo tempo Bruno Lage lança Dyego Souza. O avançado luso-brasileiro junta-se a Vinícius na frente de ataque.

Para os adeptos benfiquistas que estão no Estádio do Dragão, uma névoa levanta-se no relvado. Não entendem o que estão a ver. Olham Dyego Sousa, mas observam César Brito, esfregam os olhos e o jogo continua. 

Os azuis e brancos agora defendem uma vantagem mais confortável. Weigl serve Pizzi à direita, que procura a combinação com Taarabt, mas não entra. O marroquino agora procura a esquerda do ataque. Desmarca Rafa, mas aparece Pepe a cortar.

Os minutos passam e os adeptos encarnados continuam com a visão desfocada. Enquanto a bola roda pelos jogadores, um avançado de vasta cabeleira vai ajeitando o cabelo enquanto procura o espaço para furar a defensiva portista. Agora é Nuno Gomes que aparece no apoio a Vinícius. Voltam a esfregar os olhos e o jogo prossegue.

A partida chega ao minuto 74′. Marchesin defende um remate de Vinícius para canto. Grimaldo assume, olha para área e bate tenso. Na entrada da pequena área, Dyego Souza antecipa-se a Pepe e de cabeça empata o jogo e a eliminatória. Rafa corre, agarra na bola e leva-a para o meio-campo. Rubén Dias, repetidamente, levanta os braços e puxa pelos adeptos encarnados que agora gritam mais alto que nunca.

O Estádio do Dragão treme, Sérgio Conceição corre louco no banco, o FC Porto percebe que a eliminatória acabou de mudar de cor. O jogo prossegue num vulcão de emoções. Vinícius dá o lugar a Chiquinho. Zé Luís rende Uribe.

O Porto tenta ter mais iniciativa, mas a bola rola melhor nos pés dos encarnados. O jogo caminha para o fim e já cheira a prolongamento.

Numa tentativa de servir Marega, Marcano bate longo, mas Ferro antecipa-se ao maliano, domina de peito e coloca rápido em Grimaldo. Estamos no minuto 88. O lateral espanhol respira, levanta a cabeça e arranca. Flete para o centro e deixa Corona pregado à linha, coloca em Weigl que rapidamente lhe devolve a bola com o Uribe a controlar a tabela com os olhos.

Grimaldo prossegue, toca na frente para Vinícius, que apertado por Marcano segura e toca para Pizzi. O capitão encarnado domina a bola, levanta a cabeça e levanta o esférico. Não é cruzamento nem é remate. Pizzi faz a bola sobrevoar a defesa portista e encontrar Dyego totalmente isolado frente a Marchesin.

Bate o minuto 89′, aproxima-se o minuto 90′. O jogo decorre em câmara lenta. A bola amortece no peito do avançado encarnado, que vê o guardião portista sair dos postes. Assim que a bola toca o seu pé é imediatamente picada, deixando lentamente Marchesin para trás e começando a descer em direcção ao segundo poste. O estádio prende-se numa inspiração infinita e a bola cruza a linha e encontra o conforto na malha lateral, no fundo das redes do Dragão.

Os adeptos encarnados vibram, vibram mas hesitantes. Estão a olhar para o festejo do avançado. Sozinho, no ar, de frente para os adeptos portistas e com os braços dobrados e punhos cerrados… “A vida é uma festa”, lê-se. É a loucura encarnada e é Lima que se junta aos seus antecessores a empurrar Dyego para a glória eterna.

Os jogadores encarnados correm, correm a abraçar o avançado. Todo o banco encarnado salta invadindo o relvado. Faltam cinco minutos para o apito final, mas a festa já é encarnada. O desespero portista não encontra compatibilidade na curva da bola. E o árbitro coloca o apito na boca.

O mar azul já abandona o Dragão ao som da consagração do campeão.“E o Benfica é campeão, e o Benfica é campeão”, grita-se num só pulmão.

E a 12 de Junho faz-se história. E consagrado para todo o sempre na glória encarnada, fica o nome do marcador: Dyego Lima Gomes Brito Sousa.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Que jogos devo rever nesta Quarentena? SC Salgueiros 0-4 Sporting CP

No dia 14 de maio de 2000, o Sporting precisava de vencer o Salgueiros para sagrar-se campeão, 18 anos depois. O histórico SC Salgueiros era o adversário, que procurava garantir a manutenção no principal escalão do futebol português, e que para isso precisava do empate. À mesma hora, em Barcelos, o FC Porto defrontava o Gil Vicente, na luta pelo título na derradeira jornada do campeonato.

À entrada para a 34.ª jornada do campeonato, a equipa liderada por Augusto Inácio – que assumiu o comando técnico no decorrer da época, substituindo Giuseppe Materazzi – somava 74 pontos, mais um que o FC Porto que era o segundo classificado. Por isso, só a vitória interessava ao clube de Alvalade. Em Barcelos, o Gil Vicente que conseguiu um sensacional quinto lugar, venceu os dragões por 2-1.

No entanto, no Estádio Eng.º Vidal Pinheiro, o Sporting foi para o intervalo registando um empate a zero. Numa partida de claro domínio verde e branco, o guarda-redes salgueirista foi adiando o primeiro golo com uma boa exibição. Até que, já no segundo tempo, ao minuto 47 apareceu um dos reforços de inverno que seria determinante para a equipa: André Cruz. O italiano Ivone De Franceschi foi derrubado em zona frontal à baliza do Salgueiros e no livre o internacional brasileiro colocou os leões em vantagem.

Com o primeiro golo, o Sporting ganhou ascendente sob a equipa da casa e volvidos quatro minutos o ganês Ayew aumentou a vantagem para 0-2. Novamente De Franceschi na jogada, servido por Acosta, cruzou da esquerda, com Ayew a ter apenas de encostar.

O Salgueiros tentou reagir aos dois golos dos leões, num lance bem trabalhado, apareceu Fehér na área leonina a cabecear para uma enorme defesa de Peter Schmeichel. O Sporting respondeu passados alguns minutos, com dois argentinos em destaque no terceiro golo. Beto Acosta assistiu Aldo Duscher, que apareceu pela direita na área adversária, desviando a bola do guardião, Jorge Silva.

Antes do final da partida, Toñito foi derrubado na ala direita do ataque e Jorge Coroado assinalou falta. Na conversão, André Cruz, com um ângulo apertado, bisou de pé esquerdo e estava feito o quarto golo dos leões. O Sporting sagrava-se assim, campeão nacional na época 99/00, somando 77 pontos, mais quatro do que o FC Porto.

Salgueiros Sporting
Duas figuras de proa do Sporting campeão em 99/00
Fonte: Sporting CP

Na temporada 1999/2000, Beto Acosta foi o melhor marcador dos leões no campeonato com 22 golos. No entanto, esta conquista deveu-se à qualidade do plantel que Augusto Inácio tinha à sua disposição, com Schmeichel, André Cruz, Beto, César Prates, Rui Jorge, Vidigal, Pedro Barbosa, Duscher, Acosta, entre outros.

No relvado, a festa era a dobrar. Os leões liderados por Augusto Inácio conquistavam o tão desejado título nacional. Já o Salgueiros também festejou, a conjugação de resultados permitiu aos pupilos de Vitor Manuel confirmar a manutenção, apesar da goleada sofrida.

Seguiram-se os festejos, o país parou e os sportinguistas espalhados pelo mundo, celebravam o 21.º título nacional. Numa época em que o clube de Alvalade tinha um plantel recheado de craques, que com Esforço, Dedicação e Devoção, conquistaram a Glória.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

SC Salgueiros: Jorge Silva (GR), Pedro Reis (Nică Panduru, 76’), Ricardo Fernandes, Paulinho, Neves (João Pedro, 57’), Pedrosa (Manuel Ramos, 69’), André, Rui Ferreira, Carlos Ferreira, Miki Fehér, Paquito.

Sporting CP: Peter Schmeichel (GR), Saber, André Cruz, Facundo Quiroga, Rui Jorge, Luís Vidigal, Aldo Duscher, Pedro Barbosa (Bino, 81’), Ivone De Franceschi (Mbo Mpenza, 66’), Beto Acosta, Ayew (Toñito, 73’).

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

O Passado Também Chuta: Os irmãos De Boer

Numa altura em que muitos de nós estamos confinados aos nossos aposentos fruto deste vírus que nos assola, muitos são os conteúdos sobre futebol que se têm expandido por essa internet fora.

Neste artigo vou debruçar-me sobre dois irmãos que marcaram uma geração, e que escreveram uma das mais belas páginas na história do AFC Ajax de Amesterdão, são eles Frank e Ronald de Boer.

Vindos directamente da De Toekomst, a academia do Ajax, os irmãos De Boer marcaram uma geração na formação dos lanceiros que culminaria com a conquista da Liga dos Campeões, numa equipa onde pontificavam jogadores como Edgar Davids, Patrick Kluivert, Seedorf, Van der Sar, Marc Overmars, e comandadas pelo holandês Louis Van Gaal.

Ronald De Boer, ainda faria duas épocas no Twente quebrando pela primeira vez na carreira a ligação ao seu irmão.

Frank De Boer dos dois, era quem me enchia mais as medidas.

Não era o típico central, era muito mais que isso. Era um jogador técnicamente muito forte, com um bom toque de bola, não tinha problemas em sair a jogar e a sua qualidade de passe aliava-se à sua brilhante visão de jogo. Lembro-me de um Argentina-Holanda para o Mundial de 98, em que Frank com um passe soberbo antes do meio campo, desmarca Dennis Bergkamp que faz um dos golos icónicos desse Mundial.

Era um defesa que era duro quando o tinha que ser, nunca fazendo da agressividade a sua arma, era classe pura e dura, o seu registo é exemplo disso, em mais de 600 jogos na sua carreira, o holandês viu 52 cartões amarelos, sendo três vezes expulso por acumulação de cartões e uma vez expulso com cartão vermelho directo. Era também um excelente executante de livres directos, marcando alguns golos de belo recorte através deste tipo de lances.

Tacticamente também era muito culto e adaptava-se bem tanto a jogar numa defesa a três como num sistema com quatro defesas, onde podia jogar também pelo flanco esquerdo como defesa lateral. Jogou também alguns jogos como trinco e libero.

Numa altura em que os defesas italianos dominaram o Mundo, Ronald De Boer ombreava com os melhores sendo um dos grandes jogadores na sua posição.

Já Ronald De Boer, era dos irmãos, o que menos me fascinou apesar de lhe reconhecer qualidades.

Jogador de ataque, desempenhou todas as posições atacantes e de meio campo, demonstrando as suas qualidades tácticas, o facto de jogar bem com ambos os pés contribuiu para essa versatilidade. Jogando maioritariamente como médio ofensivo, revelou uma apetência para o golo, especialmente nos anos que jogou no campeonato holandês, e no escocês.

Fizeram ambos a estreia na equipa do AFC Ajax em 1988 e construíram uma brilhante carreira na equipa de Amesterdão, que para além dos cinco títulos domésticos, conseguiram lograr vencer a Taça Uefa em 1991-92, (Ronald De Boer não fazia parte da equipa do Ajax nesta época), a Liga dos Campeões 1994-95, a Supertaça Europeia em 1995 e a Taça Intercontinental também em 1995, antes de abandonarem o seu país rumo à cidade de Barcelona para representar o F.C. Barcelona, e onde seriam treinados por Louis Van Gaal.

A chegada a Barcelona marca uma viragem na carreira dos irmãos. A expectativa dos Blaugrana com a chegada dos holandeses era enorme.

Mais que as conquistas caseiras, os catalães, fruto do que o Ajax conquistou, queriam vingar na Europa. Sobre a égide de Van Gaal, chegariam em 98/99 alguns dos obreiros do título europeu do Ajax, os irmãos De Boer eram a cabeça de cartaz numa equipa onde também pontificavam Patrick Kluivert e Reiziger seus colegas no Ajax.

Só que o plano desportivo do Barça não correu como esperado, apesar de terem ganho o campeonato na sua primeira época, alguns jogadores sofreram duras críticas. Um dos visados foi Ronald De Boer, que foi apelidado de flop por alguns “especialistas” e acabou por sair do clube. Já Frank De Boer tinha acusado positivo a Nandrolona num teste antidoping e seria suspenso, acabando por ser depois ilibado.

Esta foi talvez a pior fase da carreira dos irmãos, que pela segunda vez nas suas carreiras se separavam, Ronald De Boer sairia para o Glasgow Rangers, que era orientado pelo holandês Dick Advocaat, e que tal como em Barcelona, iria contar com um contingente de holandeses que deram o título maior à equipa dos protestantes.

Ronald conseguiu novamente readquirir o estatuto que tinha perdido aquando da sua passagem pelo F.C. Barcelona, sendo um dos jogadores mais preponderantes da equipa dos escoceses.

Frank De Boer, mantinha-se em Barcelona e, ao contrário do irmão, a sua preponderância nos “Culé” foi maior.

Antes dos irmãos se reecontrarem novamente na mesma equipa, Frank De Boer iria na temporada de 2003-2004 ingressar no Galatasaray Sports Club onde esteve apenas uma temporada, rumando no final dessa época para o Glasgow Rangers, juntando-se novamente ao seu irmão.

Aos 34 anos fariam a sua última época na Europa antes de se mudarem para o Qatar um ano depois.

Era o prenúncio de um final que chegava a passos largos de uma das melhores gerações que a fábrica de talentos do Ajax formou.

Uma geração que elevou grandemente não só o nome do Ajax mas também engrandeceu a fantástica seleção da Holanda, que pese embora não tenha ganho nenhum título, perfumou os relvados com o seu futebol elegante e de grande qualidade que vai perdurar na memória de todos aqueles que vibraram com a Laranja Mecânica. E os irmãos De Boer são parte dessa história, uma história com tons de laranja, tons brancos e vermelhos, tons grenás e azuis, uma história com altos e baixos como em tudo na vida, mas ainda assim uma bonita história que tive o privilégio de ir acompanhado.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Os 5 centrais em destaque nesta edição da Liga Portuguesa

Hoje falo-vos daqueles que consideros melhores centrais da Liga. Desde miúdo que sempre fui um enorme apaixonado pelo processo defensivo das equipas, com especial admiração pela figura do defesa central. Para mim, o central representa o auge do equilíbrio defensivo, a voz de comando e a extensão do treinador dentro das quatro linhas. Talvez por isso, muitos grandes centrais são em simultâneo grandes capitães de equipa.

Assim, decidi destacar cinco jogadores que têm ficado na retina pelo nível exibicional que demonstram, pela maturidade e em alguns casos pela liderança que têm exercido. Podia mencionar nesta lista centrais como Pepe, Ricardo Costa ou Rúben Dias, mas como se tratam de jogadores consagrados e já sobejamente analisados, decidi destacar cinco jogadores que considero terem atributos para a curto prazo ingressarem no estrangeiro ou num clube dito “grande” Português. Vamos então a isso!