Longínquos são os tempos em que o jogador com menos talento nos pés se tornava guarda-redes da equipa, ou que um jogador da equipa só passava a bola ao habitual nº1 em situações de pressão extrema, esperando que este alivie a bola e chute o mais longe que consiga.
Guardiola trouxe-nos exigências quanto ao recrutamento de guarda-redes que não estávamos habituados, contou com Valdés no Barcelona, Neuer no Bayern Munique, Joe Hart não servia para as ideias de jogo de Guardiola então apareceu Claudio Bravo até chegar Ederson, o Guarda-Redes de sonho do treinador espanhol.
Hoje já evoluímos, não queremos só guarda-redes que sejam capazes de assegurar o controlo da profundidade com sucesso para que possamos jogar com a nossa defesa mais subida e que sejam capazes de resolver esses lances de forma eficiente. Queremos guarda-redes que possam ser criadores do nosso jogo ofensivo, que abrandem o jogo quando precisarmos ou que acelerem o ritmo do mesmo quando for caso disso. Queremos Guarda-Redes que olhem o jogo de frente, que vejam e percebam as movimentações dos colegas de equipa, que estejam tão entrosados nas dinâmicas ofensivas da equipa, como nas defensivas.
Na minha opinião, a Alemanha tem sido um caso de estudo nesta matéria. Não só os jogadores, apesar de ser extensa a lista de Guarda-Redes com qualidade neste tópico – Manuel Neuer, ter Stegen, Roman Burki, Oliver Baumann no topo da lista – mas parece-me ser mais que evidente que para ser um Guarda-Redes titular no Campeonato Alemão, é necessário de ter as características mencionadas bem vincadas.
Péter Gulácsi, o húngaro titular da baliza do RB Leipzig tem sido um elemento crucial nas ideias do jovem treinador Julian Nagelsmann, o alemão de 32 anos tem variado muito a sua estrutura/esquema tático, mas se existe algo que não abdica em situação alguma é da sua primeira fase de construção ofensiva construída a partir de trás, não só feita pelos centrais, mas também com Péter Gulácsi funcionando como um distribuidor de jogo ofensivo, permitindo aos centrais do Leipzig subirem metros em profundidade mas também alcançar uma largura ofensiva que torna a pressão adversária muito mais difícil de ser bem sucedida.
Mais importante que palavras, são imagens que comprovam o que dizemos. No vídeo que segue abaixo, podemos ver alguns lances em que Péter Gulácsi se comporta como um autêntico barómetro da 1º fase de construção ofensiva:
Embalados por uma excelente exibição no Estoril, o Gil Vicente FC ia para a 30.ª jornada da Segunda Liga (a última) com a pressão de vencer para voltar ao principal escalão do Futebol português. Para além desta, havia a pressão que vinha do CD Trofense, 3.º classificado com menos um ponto, e também a matemática hipótese de sonhar com o título caso o líder, CD Feirense, tropeçasse. Em suma, tudo podia acontecer nesta última batalha: a glória do título; apenas a subida ou a permanência na Segunda Liga.
Viajamos até 29 de maio de 2011. Este foi o dia em que Barcelos parou por completo para ver o clube da cidade. Num dia que podia ser histórico, 12 mil pessoas encheram por completo o Estádio Cidade de Barcelos numa moldura humana fora do normal. Digamos que eram olhos postos no que acontecia no relvado e, com a ajuda do rádio, de ouvido em Santa Maria da Feira à espera de um tropeção do CD Feirense. Os gilistas dependiam de si para a vitória e consequente subida, mas para ser campeões? Era preciso algo mais.
Se os adeptos gilistas já estavam em festa mais ficaram quando logo aos três minutos as redes do CD Fátima balançaram. Com um lance individual excelente, Rodrigo Galo ficou em posição perfeita para cruzar e foi o que fez. O desvio do defesa do CD Fátima acabou por ser certeiro para a cabeça de Luis Carlos, que só teve de direcionar a bola para a baliza e marcar o primeiro. Era o 1-0 e melhor começo de jogo era impossível.
Apesar das oportunidades, novo golo gilista só se viu, e ouviu, aos 28 minutos. Tudo começou num passe longo de André Cunha para Luis Carlos, que trabalhou bem a bola e deu para Júnior Caiçara. O brasileiro ainda rematou, mas a bola embateu nos defesas do CD Fátima. Disparado de trás apareceu João Vilela para, de primeira, marcar o 2-0 para os barcelenses. Ainda nem à meia hora de jogo se tinha chegado e já estava tudo bem encaminhado para os lados de Barcelos.
Ao intervalo, mantinha-se o resultado em Barcelos de duas bolas a zero e em Santa Maria da Feira… um surpreendente empate entre CD Feirense e Leixões SC. Nos Açores, o CD Trofense ia vencendo o CD Santa Clara, mas pouco havia a fazer para os homens da Trofa, que estavam “condenados” à permanência. Com esta combinação de resultados, os gilistas eram os novos campeões da Segunda Liga.
A combinação de resultados do intervalo manteve-se até ao final dos jogos e o Gil Vicente FC foi campeão da Segunda Liga (Recortes do Jornal A Bola de 30 de maio de 2011) Fonte: João Barbosa/Bola na Rede
Na segunda parte, um calafrio apareceu aos 72 minutos para todos os presentes no estádio. Cláudio fez um atraso perigoso para Jorge Baptista, que, com os pés, tentou aliviar a bola o mais longe possível. Infelizmente, o esférico foi parar redondinha a Moreira e o 25 do CD Fátima marcou um “golaço”, reduzindo para 2-1 o resultado.
Mas é usual ouvir: “o melhor guarda-se para o fim” e neste caso não foi diferente. O último suspiro do CD Fátima para chegar ao empate deu a vitória aos gilistas pois, de um livre surgiu um contra-ataque mortífero de Hugo Vieira, que com a baliza totalmente aberta só teve de ter pontaria afinada. O jogador barcelense entrou aos 68 minutos e meteu a cereja no topo do bolo para o Gil Vicente FC ao fazer o 3-1.
Em Barcelos, tinha tudo terminado e de Santa Maria da Feira chegavam boas notícias pois o CD Feirense tinha empatado a zeros. Foi a explosão de alegria para os presentes no Estádio Cidade de Barcelos, visto que o Gil Vicente FC, com a combinação de resultados, sagrava-se campeão da Segunda Liga com os mesmos 55 pontos que os fogaceiros – havia a vantagem no confronto direto para os gilistas com duas vitórias.
Porque é que se deve rever, ou pelo menos lembrar, este jogo? Pois, foi a subida dos gilistas à Primeira Liga dentro das quatro linhas depois da descida por causa do Caso Mateus, cinco anos antes. Cantava-se de galo novamente na Primeira Liga e diga-se que se ouvia bem alto. A impossibilidade de estar em Barcelos levou a que um pequeno rebento (eu), em Lisboa, ouvisse o relato deste jogo e vibrasse como se lá estivesse.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
Gil Vicente FC – Jorge Baptista (GR), Rodrigo Galo, Sandro, Cláudio, Júnior Caiçara, Filipe Fernandes, Carlitos (Hugo Vieira, 68’), André Cunha, João Vilela, Zé Luís (Daniel Faria, 93’) e Luis Carlos (Bruno Filipe, 90’)
CD Fátima – Ricardo Andrade (GR), Bruno Mestre, João Pedro (Jorge Abreu, 82’), Veríssimo, Kata, Ângelo Varela, Jorge Neves (André Carvalhas, 75’), Pedro Moita, Nuno Sousa (Mauro Bastos, 66’), Moreira e Zequinha
Quem diria que, nestes tempos de isolamento, a WWE dar-nos-ia tanto Wrestling de qualidade. Depois de um fim-de-semana de Wrestlemania cheio de qualidade, mas sem o habitual NXT TakeOver a acompanhar, a edição do programa semanal da marca amarela fez questão de nos presentear com dois combates dignos de PPV.
Após um Ladder Match incrível que definiu Io Shirai como a primeira adversária de Charlotte Flair pelo NXT Women’s Championship, o main-event foi ainda melhor.
Tratava-se do (suposto) último capítulo do antagonismo entre Johnny Gargano e Tommaso Ciampa. Tendo começado há três anos, os dois protagonizaram combates fenomenais que ajudaram a estabelecer esta rivalidade como a melhor de sempre do NXT.
Este último confronto ocorreu porque, no último TakeOver, Gargano fizera com que Ciampa não conquistasse o NXT Championship, ajudando Adam Cole a retê-lo. Assim, Ciampa disse que para ele voltar a ser campeão, Gargano não podia estar no NXT.
Este combate foi um pouco diferente do habitual porque não teve comentários e foi editado, mas não da mesma forma que os combates Boneyard e Firefly Fun House, apenas ofereceu diferentes ângulos sobre algumas partes da luta.
Antes do combate, Candice LeRae cruzou-se com o seu marido – Johnny Gargano –, estava visivelmente chateada e, após dar-lhe algo para a mão, foi-se embora.
Os dois entraram no Performance Center, onde estava Triple H, no meio do ringue, à sua espera. Este disse que a única regra do combate era que o mesmo tinha de começar e terminar no ringue. Após este esclarecimento, o combate começou.
A quarentena continua, caros leitores. A ausência de temas de debate no seio futebolístico também permanece. A guerrilha entre clubes rivais (a todos os níveis) proveniente desde o gatinhar do desporto rei cessou a sua atividade. Não existem provocações e trocas de galhardetes, não há lugar para arrufos e diz-que-disses, a Justiça não age nem realiza sentenças, não se exerce o comentário sapiente das arbitragens duvidosas, não se verifica a mínima fenda para violência entre claques e a “arte” do vandalismo de estabelecimentos sofreu uma quebra abrupta. A situação caótica necessita de “futebolbounds”…
Assuma-se, portanto, que o futebol compõe uma série e que cada temporada se atribui uma designação diferente conforme a temática que lhe corresponde. Dos temas traçados, a minha preferência recai sobre as guerrilhas, desde que as mesmas não assombrem o meu clube. Nos outros, a situação tem o seu quê de graça e, com o devido acompanhamento e refresco, podemos passar tardes e serões de modo alegre. Nessa temporada do futebol português constam inúmeros episódios cobertos de irrisórias passagens e momentos que lançam a perplexidade de uns e a inquietação e fúria noutros.
Provavelmente existirá algum benfiquista a ler este texto e a pensar “estes sportinguistas não param de pensar em nós. Incomodamos muita gente. Mal o futebol surge como tema de conversa, o nome do glorioso vem à baila”: Arthur Conan Doyle criou Watson para acompanhar Sherlock Holmes e não para andar atrás de si próprio, portanto, caro rival, cure essa mania da perseguição.
Evidentemente, saliento o melhor: a permuta de João Vieira Pinto, do Sport Lisboa e Benfica para o Sporting Clube de Portugal. Melhor! Da Luz para o desemprego, do desemprego para o Euro 2000 e da competição para Alvalade. Não convém queimar etapas no processo até porque esse facto contribuiria para a desinformação de quem acompanha religiosamente o jornal.
Um dos Meninos de Ouro, uma das birras de Vale e Azevedo e um dossiê gerido com pinças não esterilizadas. A crise financeira ergue-se como desculpa, esquece-se a gestão danosa. Entre Heynckes e João Vieira Pinto, a seleção não primou a lógica, a vontade dos benfiquistas e o interesse do jogador. Um dos filhos do Verão Quente foi chacinado, o chefe dos marujos do navio benfiquista foi empurrado pelo capitão com perna de pau e olho de vidro. Caso contrário, os confrontos com Paulinho Santos permaneciam. Aproveitou quem, à data, tinha as garras mais afiadas…
O Grande Artista vestiu a camisola dos dois grandes de Lisboa, deixando saudades em ambos os lados da 2ª Circular Fonte: SL Benfica
Verão de 2000: Dias da Cunha, o herói improvável, convenceu o avançado a envergar as cores do leão. Assinou, foi aposta e rapidamente conquistou a confiança e o carinho do clã verde e branco. A missão assentava na renovação do título de campeão nacional com direito a ingresso na Liga dos Campeões. Sabia-se, desde o momento da oficialização do contrato, quem ocupava a pole position. A qualidade era inquestionável, as exibições portentosas na sua grande maioria, os golos brotavam com alguma espontaneidade, as assistências eram matéria lecionada com frequência. Mas, para infelicidade sportinguista, não chegou para cumprir a missão.
O ano seguinte cumpriu o quarto requisito escrito no epitáfio do clube: a glória. A chegada de Mário Jardel a Lisboa exultou a massa adepta, mas essa histeria necessitava comprovação e justificação no seio das quatro linhas. Não bastava ter duas glórias de clubes rivais para reservar o título antecipadamente. E foi assim que aconteceu! Os dois avançados representavam a metáfora perfeita de pai e filho: João Vieira Pinto proporcionava a Jardel não só o suficiente como o necessário: a labuta semanal e incansável permitia que Jardel pudesse auferir do pão que ao Sporting urgia comer e a inteligência e qualidade técnica possibilitou outorgar ao “Super Mário” a capacidade de resolver como ordenava a tarja presente nas bancadas. Não era do Guaraná, Jardel, era dos cruzamentos do João Pinto! Além disto, golos, muitos golos, muitos rins partidos, muitos passes telecomandados, muita visão de jogo, um pé direito de ouro, um pé esquerdo de prata e uma cabeça de diamante.
Seguiram-se mais dois anos de leão ao peito sem sucesso, mas com a mesma dedicação e a mesma devoção. Pelo menos, transparecia. Mas, o “Grande Artista” estava em queda livre, facto deduzido pela perda de peças fulcrais na manutenção dos objetivos, de alguma ambição e da capacidade de finalização dos avançados, obrigando-o a assumir uma dupla-função: a de assistência e a de finalização. Salvou-se a atitude em campo e os pezinhos de lã…
João Vieira Pinto + Portugal = 🔥🔥🔥
Recorde este golo brilhante do Nº8 numa vitória épica em 2000 ⭐😮👏
Saliento algo que sempre considerei ser altamente louvável: o profissionalismo e a resposta às más línguas que, em algum momento, o quiseram derrubar, a resposta dada no campo, o facto de mostrar a quem o calcou que não estava nem um bocadinho amarrotado. Sem dúvida, um jogador que se superiorizou a tudo o resto, ao compêndio extrafutebol. Contudo, a polémica estalava sempre a seu lado. Relembre-se o penalty nas Antas em 2002, tema de conversa distendido de cafés a portas de catedrais religiosas. Relembrem-se as expulsões e o temperamento facilmente inflamável (a agressão a um árbitro no Mundial de 2002, trocas de carinho com Secretário, etc). Nódoas no currículo todos as têm, não é?
Éramos felizes com João Vieira Pinto e sabíamos disso.
Fim de tarde no Estádio do Dragão com o FC Porto de Sérgio Conceição a receber o mítico FC Porto de André Villas-Boas. Os 50.000 nas bancadas cantavam a uma só voz. Mas a favor de qual equipa?
Helton e Danilo trocaram um grande abraço e partilharam o mesmo galhardete. Artur Soares Dias com o auxílio de Pedro Proença apitaram, e começou o tão aguardado encontro entre os “nascidos para vencer”.
O FC Porto de Villas-Boas tentava circular a bola, mas Marega e Soares faziam uma pressão muito forte na linha defensiva, com Sérgio Oliveira e Danilo sempre de olho na movimentação de João Moutinho e Guarín.
A primeira oportunidade de golo foi para os comandados de Sérgio Conceição. Corona, endiabrado, ganhou no um para um a Álvaro Pereira e cruzou de pé esquerdo para Marega que ganhou nas alturas a Rolando e cabeceou para uma boa defesa de Helton.
Aos 29 minutos, Fernando recuperou a bola de Otávio e soltou o ataque para Hulk, que tirou Alex Telles da frente e rematou para uma defesa sensacional de Marchesín. Vale o bilhete!
Pouco depois, Varela aproveitou o adiantamento de Corona e após um passe picado de João Moutinho, puxou para o pé direito, mas estava lá… Marchesín.
Um dos momentos da noite estava guardado para o minuto 40. Hulk simulou o remate de pé esquerdo, mas passou para João Moutinho. Saiu um remate colocadíssimo do médio português para mais uma bela intervenção do guarda-redes argentino. Contudo, Falcão aproveitou a recarga e fez o 1-0. Acreditem ou não, o Estádio do Dragão festejou o golo e ouviu-se os filhos do dragão nas colunas.
A segunda parte começou logo com uma substituição operada por Sérgio Conceição. Nakajima entrava assim para o lugar de Sérgio Oliveira. Aos 55 minutos, Marega isolou-se, mas Helton teve uma saída rápida para resolver todos os problemas.
Como Nakajima não estava a resolver todos os problemas da equipa, Sérgio Conceição decidiu tirar Soares e colocar Zé Luís. André Villas-Boas respondeu com a entrada de James Rodríguez depois de João Moutinho se ter queixado de dores na coxa direita. Grande aplauso no Estádio do Dragão para estas substituições.
Aos 67 minutos, Nakajima tenta cruzar para a área, mas Otamendi tira o pão da boca de Zé Luís, mas fora da área estava um senhor chamado Alex Telles que enviou um míssil para o fundo da baliza de Helton. Parecia quase uma fotocópia do golo marcado frente ao Portimonense SC, e todo o Estádio cantava de alegria e de emoção.
André Villas-Boas não estava satisfeito com o que estava a ver, e fez uma dupla substituição. Belluschi e Cristian Rodríguez entraram para os lugares de Guarín e Fernando. Pouco depois, James Rodríguez fez magia com os pés e, ao tirar Danilo do caminho, atirou de pé esquerdo para uma defesa monumental de Marchesín.
O técnico do FC Porto atual percebeu os problemas da equipa no meio-campo e colocou Uribe ao lado de Danilo, retirando Otávio da partida. No minuto 85, Marcano cometeu grande penalidade sobre Bellusci, e Falcão quis assumir. Partiu para a bola, mas estava lá o inevitável… Marchesín quis segurar o empate e não deixou o avançado colombiano bisar na partida.
A partida não encerrou sem Zé Luís procurar de calcanhar um golaço, mas Helton resolveu todos os problemas. Artur Soares Dias apitou para o fim do encontro e vislumbrou-se um coro de aplausos no Estádio do Dragão. Os técnicos cumprimentaram-se e os jogadores tinham, sem exceção, um semblante triste, visto que qualquer um queria ganhar…
A FIGURA
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Marchesín – O guardião argentino foi, sem dúvida, o melhor em campo, ao evitar o golo do FC Porto de 2010/2011 por várias ocasiões e ao defender uma grande penalidade.
O FORA DE JOGO
Fonte: UEFA
Fredy Guarín – Esta não foi a noite do médio colombiano… Otávio e posteriormente Nakajima passaram sem grandes dificuldades por El Guaro, que a nível ofensivo não ofereceu o apoio necessário para criar dificuldades à linha defensiva dos azuis e brancos de Sérgio Conceição. Acabou mesmo por ser substituído após o golo de Alex Telles.
ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO 2019/2020
O FC Porto de Sérgio Conceição não fugiu à regra. Sem nunca descurar completamente a posse de bola, o principal objetivo era sempre tentar colocar a bola nas costas de Rolando e Otamendi, aproveitando a profundidade oferecida por Marega. O 4-4-2 desdobra-se muitas vezes num 4-4-3, com Otávio a aparecer como terceiro médio de ligação entre o setor recuado e mais adiantado, e Marega na ala em busca da profundidade pelo adiantamento de Álvaro Pereira. As substituições operadas por Sérgio Conceição e a sua equipa técnica ofereceram ainda mais profundidade à equipa com a entrada de Zé Luís. Nakajima também tinha entrado para oferecer uma maior criatividade à zona intermediária, sendo que Uribe foi uma entrada mais no sentido da estabilização do meio-campo.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Marchesín (9)
Tecatito (7)
Mbemba (6)
Marcano (5)
Alex Telles (8)
Danilo (6)
Sérgio Oliveira (5)
Otávio (6)
Luis Díaz (4)
Marega (5)
Soares (5)
SUBS UTILIZADOS
Nakajima (6)
Zé Luís (6)
Uribe (5)
ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO 2010/2011
O FC Porto de André Villas-Boas apresentou-se no clássico 4-3-3, com uma referência ofensiva matadora de Radamel Falcão. Foi evidente que o avançado colombiano se colocou nas costas de Mbemba, tentando ganhar no jogo aéreo. Hulk e Varela eram autênticas setas que iam dar um trabalho árduo a Alex Telles e Corona, que muitas vezes subiam no ataque. Este meio-campo funcionou bem como sempre, e viu-se o organizador de jogo que é Moutinho, com um “polvo” atrás que se chama Fernando, com o apoio de Guarín. Os dois laterais também ofereceram apoio ao ataque, mas o que Hulk e Varela pretendiam era procurar o espaço interior em busca do seu melhor pé para rematar ou cruzar para o ponta de lança. Uma posse de bola paciente e objetiva foi uma das marcas vistas dentro das quatro linhas.
Voltamos a 2007. Aterra, no aeroporto de Lisboa, Óscar Cardozo, a mais recente contratação do SL Benfica.
O gigante (1.93m) avançado paraguaio apresentou-se à frente de um batalhão de jornalistas, com um estilo mais similar ao de um segurança de discoteca do que propriamente a um futebolista. Totalmente vestido de preto, com óculos de sol e com uma atitude de quem não se preocupava muito com os jornalistas.
O andar desajeitado e a elevadíssima estatura preocupavam os puristas do futebol “espetáculo”. Cardozo chegava do campeonato argentino (Newell’s Old Boys), onde era reconhecido como um matador e finalizador de área.
O rótulo não saiu barato aos cofres encarnados. O SL Benfica pagou perto de 12 milhões de euros para adquirir o passe do paraguaio. As primeiras palavras de Cardozo foram muito objetivas: “Sirvam-me bem que eu resolvo na área”. E resolvia mesmo.
O paraguaio chegou à Luz numa altura difícil para o clube encarnado. O panorama do futebol nacional era dominado pelo FC Porto, a hegemonia azul e branca não parecia ter fim à vista.
Na primeira época do “Tacuara” em Portugal, o SL Benfica terminaria o campeonato num terrível quarto lugar, atrás de FC Porto, Sporting CP e Vitória SC. A segunda temporada teve um fim semelhante, desta vez os encarnados terminaram no terceiro lugar, atrás dos dois eternos rivais.
Os golos do paraguaio iam convencendo parcialmente as bancadas do Estádio da Luz, mas o seu comportamento dentro de campo atraía muitas críticas. O desejo dos adeptos em assistir a um futebol de pressão, de ataques rápidos, de fintas vertiginosas contrastava com a lentidão, falta de esforço e a primeira impressão de “tosco” (com muitas aspas) que o avançado transmitia.
Cardozo era o que era. Tacuara, a sua alcunha, é em castelhano uma espécie de bambu. O bambu é uma planta simples, grande, resistente, muito flexível, mas que é, no entanto, muito forte e de excelente qualidade. Cardozo era isso mesmo.
Com a chegada de Jorge Jesus, o rendimento do internacional paraguaio disparou. Foi a melhor época de Cardozo no Benfica, época onde atingiu uns impressionantes 38 golos.
Cardozo sempre foi sinónimo de golo Fonte: SL Benfica
Apesar do sucesso dos encarnados e das boas prestações de Cardozo, o paraguaio continuava a ser “patinho feio” da equipa. Era bastante comum ver o jogador a ser assobiado e aplaudido de pé no mesmo jogo. Raro era o benfiquista que apenas gostasse de Cardozo, a maioria ou idolatrava ou odiava o avançado. Discussões sobre o seu rendimento era o que mais abundava nas bancadas do Estádio da Luz.
Apesar da sua elevada estatura e das “dificuldades” de movimentação, Cardozo era um jogador de uma classe absurda. O golo em Leverkusen, onde com um toque sublime tira da frente o defesa e de seguida pica a bola por cima do guarda redes, é expoente máximo da sua qualidade.
Cardozo era isto mesmo. A capacidade que tinha para fazer tanto com tão poucos toques na bola, era absolutamente impressionante. Exibições lendárias como o hat-trick frente ao Sporting CP ou o bis frente ao Fenerbahçe SK imortalizarm a sua qualidade enquanto marcador de golos (os 13 golos apontados ao Sporting CP também ajudaram certamente).
Durante um jogo coletivamente mau, Cardozo aparecia como uma luz ao fundo do túnel. Mesmo estando completamente “fora do jogo” o paraguaio tocava uma vez na bola: e fazia golo.
Quase como um ilusionista, Cardozo transformava os assobios em aplausos e gritos de golo, a tristeza e raiva em alegria.
Cardozo era sinonimo de golo. 22, 17, 38, 24, 28, 33 e 11. Foram estes os golos de Cardozo nas sete épocas em que esteve ao serviço do Sport Lisboa e Benfica. Estes números foram mais que suficientes para “pulverizar” o recorde de Mats Magnunsson como o melhor marcador estrangeiro do SL Benfica (Cardozo ultrapassou o sueco logo em 2011).
Todos os anos chegam e partem jogadores de enorme qualidade a Portugal, mas creio que nenhum avançado moderno provocou tanto medo aos adversários. Cardozo teve a longevidade que Falcão não teve em Portugal. Cardozo era decisivo nos grandes jogos, como muitas vezes Jonas não era. Não teve as lesões graves de Jackson Martinez. Teve o palmarés que Liedson nunca conseguiu alcançar.
O Tacuara era, como proclamavam os adeptos encarnados, perigoso. O paraguaio foi um dos grandes ídolos de uma geração, que se obrigava a jogar nos recreios com o seu (maioritariamente tosco) pé esquerdo para imitar as proezas do gigante.
Cardozo foi um dos jogadores que mais dividiu a massa associativa do SL Benfica. Contudo será sempre um dos nomes marcantes na grande história dos encarnados. 173 golos em 292 jogos. Dois campeonatos nacionais, cinco Taças da Liga e uma Taça de Portugal.
Numa altura em que o ténis está parado devido ao Covid-19, falámos com o tenista português Tiago Cação, com o intuito de conhecer um pouco melhor esta jovem promessa do ténis nacional, como é que se está a adaptar a esta situação e o impacto que vai ter na sua época.
– Dos primeiros serviços à estreia no Estoril Open –
«Foi uma experiência incrível. Não só o facto de poder estar entre os melhores, como também sentir o ambiente que existe na competição».
BnR: Com quantos anos é que começaste a jogar ténis?
Tiago Cação: Comecei a jogar aos 8 anos.
BnR: Se não fosses tenista o que serias?
Tiago Cação: Sinceramente, nunca pensei nisso. Não gosto de ter um plano B, porque sinto que isso me iria distrair do objetivo de chegar aos melhores do mundo. Quero-me entregar com tudo o que tenho ao ténis e esse é o meu único foco.
BnR:Que tenistas é que te inspiram? A nível nacional e internacional.
Tiago Cação: A nível nacional não tenho nenhum jogador que me inspire, gosto de ver como treinam e o que procuram melhorar quando treino com eles, mas a minha verdadeira inspiração é o Rafael Nadal.
Tiago Cação fez a sua estreia no Millennium Estoril Open com apenas 20 anos Fonte: Millennium Estoril Open
BnR:Em 2018, participaste, pela primeira vez, no Millennium Estoril Open. O que significou para ti teres jogado no principal torneio de ténis em Portugal?
Tiago Cação: Foi uma experiência incrível, não só o facto de poder estar entre os melhores, como também sentir o ambiente que existe na competição.
BnR:O João Sousa venceu o torneio em 2018. Achas que voltaremos a ver um português a vencer o Millennium Estoril Open?
Tiago Cação: Acho que sim. Cada vez temos mais jogadores portugueses a competir e a competir ao mais alto nível comparativamente há dez/vinte anos atrás.
17 de março de 2019. Última jornada do Torneio das Seis Nações. Em Cardiff, os galeses tinham acabado de garantir o Grand Slam ao vencer, de forma categórica, os irlandeses comandados, na altura, por Joe Schmidt. Faltava apenas mais um jogo para terminar a competição. Mas não era um jogo qualquer. Em disputa estava a Calcutta Cup, o troféu disputado todos os anos entre ingleses e escoceses.
Logo ao primeiro minuto, a Inglaterra inaugurou o marcador através de um ensaio de Jack Nowell. Seguiram-se outros três ensaios. À meia hora de jogo venciam os ingleses por 31-0. A Escócia ia mostrando muitas dificuldades em montar fases e em progredir no terreno. O domínio inglês era avassalador.
Até ao minuto 35 a seleção da rosa tomou conta do jogo Fonte: Six Nations Rugby
Antes do intervalo, os homens de Gregor Townsend ainda conseguiram reduzir para 31-7, com um ensaio algo insólito no Rugby. Um talonador a correr 60 metros e a bater dois defesas antes de fazer o grounding. Com os seus 110kgs, Stuart McInally provou que, no Rugby moderno, os jogadores da primeira linha não servem apenas para as fases estáticas e para o jogo de combate.
Nos segundos quarenta minutos tudo mudou. A Escócia mudou radicalmente o seu estilo de jogo. Na primeira parte jogou muito no perímetro curto, com os três quartos a não receberem bolas de qualidade. Já no segundo tempo a sua forma de jogar mostrou-se mais profunda e larga.
Foram precisos apenas vinte minutos para recuperar de uma desvantagem de 24 pontos. Foram quatro os ensaios (a Escócia somou seis no jogo todo) dos escoceses neste período, mas daria especial atenção a dois.
Foi um maul à entrada dos 22 metros adversários, a cinco metros da linha lateral, que deu início à jogada espetacular que viria a ser finalizada pelo três quartos ponta Darcy Graham. Linhas de corrida de grande qualidade, com e sem bola, utilização da largura do terreno de jogo e um passe monumental de Finn Russell foram a chave para chegar à área de validação inglesa.
Os homens de Eddie Jones não pareciam os da primeira parte. Em termos defensivos pareciam desorientados. Se até ao momento só pareciam, então acabaram por ficar mesmo ao minuto 74, quando Sam Johnson quebrou a linha da vantagem e bateu quatro defensores antes de somar mais cinco pontos para a sua equipa (que, com a conversão de Laidlaw, se tornaram sete). Mais uma vez, uma quebra de linha antecedida por uma transmissão de bola de grande qualidade do médio de abertura escocês. Faltavam apenas cinco minutos para o final do encontro, a Escócia liderava por 31-38.
— Guinness Six Nations (@SixNationsRugby) March 16, 2019
Mesmo assim, ainda houve tempo para o empate. George Ford atacou bem o espaço deixado pela defesa contrária e empatou a partida, num momento em que o relógio já marcava mais de 80 minutos.
Twickenham, a catedral do Rugby, rendeu-se à exibição da seleção forasteira. É difícil destacar apenas um jogador, mas eu teria entregue o prémio de Man of the Match a Sam Johnson. Defensivamente esteve irrepreensível, realizando 21 placagens e dominando o seu opositor direto, Manu Tuilagi. No processo ofensivo, percorreu 81 metros, bateu quatro opositores e fez um ensaio.
Um jogo que ficará certamente na memória dos adeptos desta modalidade. Em termos técnicos e táticos foi uma disputa de grande qualidade em que, apesar do empate, a Escócia segurou a Calcutta Cup, pois tinha derrotado os ingleses no ano transato, em Murrayfield.
O que é que nos faz ficar para a história da Fórmula 1? Há três razões óbvias que me surgem no pensamento: ser campeão pelo menos uma vez, ser tão mau que as nossas peripécias ficam gravadas para sempre sob um coro de risos, ou ser um “piloto do quase”, e é neste último tipo de lenda que me vou focar.
Para mostrar o que é ser o “piloto do quase” posso exemplificar com a carreira de Fernando Alonso na Ferrari de 2010 a 2013, em que pelo menos em duas épocas (2010 e 2012) lhe faltaram um total de 7 pontos para ser tricampeão mundial da Fórmula 1.
O sujeito principal deste texto, passou por algo semelhante, mas a um nível ainda maior, numa altura em que se bateu com os “deuses” da Fórmula 1, como Juan Manuel Fangio ou Jack Brabham. Esse homem é Stirling Moss, que carregou desde aí, o título de melhor piloto que nunca venceu o campeonato mundial. Foram sete as vezes em que terminou em segundo ou terceiro lugar no campeonato.
Se tivesse quatro rodas, Moss corria com ele Fonte: Formula 1
Stirling Moss começou a sua carreira na Fórmula 1 em 1954, ao volante de um Maserati 250F privado. Foi uma temporada de afirmação, com um carro bem menos competitivo do que os bólides da equipa oficial da marca italiana, porém serviu como fonte de observação para Alfred Neubauer, o chefe da equipa da Mercedes. Em 1955 junta-se a Juan Manuel Fangio, formando uma dupla de excelência nos “Flechas de Prata” alemães.
Neste ano consegue a sua primeira vitória, em Aintree, no Grande Prémio Britânico, após um duelo que durou toda a corrida com o seu “amigo e mentor” Juan Manuel Fangio. Este é o primeiro ano em que fica no malfadado segundo lugar.
Também em 1955 é demonstrada aquela que é considerada a melhor característica de Moss, a sua versatilidade. Ao volante do Mercedes 300 SLR, Moss vence a lendária prova italiana, que era realizada em estradas públicas, ao longo de 1600 quilómetros. Sterling Moss conduziu a uma velocidade média de 157,65 km/h, terminando 32 minutos à frente do segundo classificado, o seu colega de equipa, Juan Manuel Fangio. Esta é, ainda hoje, considerada uma das melhores performances em toda a história do desporto motorizado.
Considerada uma das melhores performances de todo o desporto motorizado, Mile Miglia 1955 Fonte: Formula 1