Às 19h45 do dia de S. Valentim, em 2017, Nicola Rizzoli fazia soar o apito inicial para iniciar a primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campões, que opunha o SL Benfica de Rui Vitória contra o BVB Dortmund de Thomas Tuchel.
Os germânicos eram os favoritos à conquista da vitória, e o tridente ofensivo de luxo composto por Aubameyang, Reus e Dembélé prometia causar muitas dores de cabeça à defensiva encarnada. Do lado das “águias”, a principal ameaça vinha dos criativos Salvio, Pizzi e Rafa, que podiam, num ataque rápido, surpreender os auri-negros.
A bola começava a rolar, e foi logo notório o rumo que este jogo iria tomar. Os encarnados, num bloco compacto médio-baixo, iriam tentar tirar profundidade ao ataque alemão, que, com o tridente ofensivo acima referido, era extremamente perigoso caso conseguisse colocar a bola nas costas da defesa. Por isso, os homens de Rui Vitória iriam jogar mais na expetativa e, através de Salvio ou Rafa, partir para o contra-ataque.
Os homens de Dortmund, por seu lado, assumiam o controlo do jogo, tentando encontrar brechas na defensiva encarnada. As melhores ameaças de golo surgiam dos pés dos seus principais criativos, que, mesmo com pouco espaço, conseguiam meter Aubameyang na cara do golo. No entanto, todas essas tentativas esbarraram num homem: Ederson Moraes.
Com Taffarel nas bancadas da Luz, o guardião encarnado deu um autêntico “show de bola”, defendendo todas as bolas que iam enquadradas à baliza. Destaca-se a defesa da grande penalidade, ao minuto 58, que levou os adeptos encarnados a acreditar que seria mesmo possível sair com uma vitória.
Aubameyang falhou uma grande penalidade na cara de Ederson Fonte: SL Benfica
Todavia, o momento alto da noite acontecera dez minutos antes. Num canto aparentemente inofensivo cobrado à direita do ataque encarnado surge, após um primeiro desvio de Luisão, Kostas Mitroglou para empurrar a bola para dentro da baliza de Roman Burki. As “águias” entravam a ganhar na segunda parte, e esperava-se um jogo ainda mais difícil até ao apito final.
O assédio germânico aumentou consideravelmente, mas o resultado manteve-se igual até ao fim, quer por mérito de Ederson Moraes, quer pela falta de qualidade na finalização por parte dos auri-negros. As “águias” saíam, assim, em vantagem na eliminatória e sonhavam com uma possível passagem aos quartos de final da prova milionária.
Porém, essa esperança foi sol de pouca dura, porque na semana seguinte os homens de Rui Vitória seriam goleados por 0-4 em Dortmund, terminando a última grande campanha europeia da década passada.
O BVB Dortmund é, sem sombra de dúvida, um dos clubes, tanto a nível europeu como mundial, que mais apostam na formação e na juventude, sendo uma das maiores rampas de lançamento de talentos jovens na atualidade.
Esta temporada não representa uma exceção à regra e, para além do fenómeno Haaland e da consagração de Jadon Sancho, há outro jovem talento a despontar na formação auri-negra, de seu nome Giovanni Alejandro Reyna.
Filho de antigos internacionais norte-americanos, Claudio Reyna e Danielle Reyna, nasceu em Sunderland, na Inglaterra, em novembro de 2002. Com ligações a Portugal por parte da sua avó paterna, conta com quatro nacionalidades no passaporte (argentina, do lado do avô paterno; portuguesa, da avó paterna; inglesa, pelo local de nascimento, e norte-americana, país em que passou a maior parte da sua vida), tendo optado por representar a seleção dos Estados Unidos da América.
Com tanto futebol a correr-lhe nas veias, começou cedo a dar nas vistas na modalidade, ingressando na academia do New York City FC, onde o pai é diretor desportivo. Deu também cartas nas seleções jovens dos Estados Unidos e, no verão de 2019, seguiu para a Alemanha, seguindo as pisadas do pai – representou as cores do Bayer 04 Leverkusen e VfL Wolfsburgo -, tendo sido contratado pelo Dortmund, com apenas 16 anos de idade.
The youngest American to ever appear in the Bundesliga 🇺🇸
Apontado a grandes voos no futebol mundial, Gio, nome pelo qual é conhecido, é um médio-ofensivo de raiz, podendo também atuar nas faixas como extremo. Detentor de uma boa capacidade de passe curto e de criação de espaços, o jovem jogador já foi aposta de Lucien Favre na formação do Borussia esta temporada, tendo-se estreado com a camisola dos alemães na vitória (4-3) da sua equipa frente ao Augsburgo FC, que coincidiu com a estreia do avançado Erling Haaland, partida na qual o norueguês apontou um hat-trick em 20 minutos.
Reyna sucedeu assim ao também norte-americano Cristian Pulisic, que representou a turma germânica entre 2015 e 2018, antes de se mudar para o Chelsea FC, e tornou-se o norte-americano mais novo de sempre a atuar no principal campeonato alemão. Nesta época já disputou um total de oito encontros no campeonato, dois na liga dos campeões – na eliminatória frente ao PSG – e um na taça da Alemanha, na qual apontou um golo sensacional frente ao SV Werder Bremen, em partida a contar para os oitavos de final da competição.
Incluído na lista dos 60 jogadores mais talentosos do mundo nascidos em 2002 no ano passado, do jornal inglês The Guardian, o atleta americano pode estar assim a caminho de uma grande carreira como futebolista profissional, entusiasmando o mundo do futebol com a sua qualidade e o seu talento, tendo inclusive sido comparado ao antigo internacional francês David Trezeguet por Patrick Vieira, atual treinador do OGC Nice e, também ele, ex-internacional pela seleção de França.
Ainda sem ter passado um ano, este será certamente um dos jogos mais frescos na memória dos amantes do futebol. Mas mesmo que já tivessem passado meia dúzia de anos… Este também é daqueles que tão cedo não se esquecem!
A contar para as meias-finais da Liga dos Campeões, o FC Barcelona chegara a Anfield com uma vantagem de três golos – fruto do triunfo em Camp Nou na 1.ª mão – e com praticamente um pé e meio na final, mas, num daqueles jogos que só a Champions consegue proporcionar, apareceria um Liverpool FC pronto a destronar tudo e todos… E a fazer história.
7 de maio de 2019, 22 horas sensivelmente: escrevia-se uma das páginas mais bonitas da história do futebol, num jogo em que a entrega, o suor e o sentido oportunista foram a chave para a reviravolta do Liverpool, alcançando um extraordinário 4-0, fruto de uma segunda parte de loucos… E com uma jogada de mestre de Klopp vinda do banco.
A tarefa era difícil, mas o sonho assumia uma dimensão ainda maior. Os ingleses entraram no jogo praticamente a ganhar – com um golo de Origi numa recarga – e, na ânsia de chegarem ao segundo a todo o custo, pouco mais souberam produzir ao longo do primeiro tempo. Além disso, a baliza dos reds só iria a zeros para o intervalo graças às defesas fantásticas de Alisson e também à falta de eficácia tremenda de jogadores como Messi e Suárez.
No entanto, a segunda parte traria algo de único. E a chave foi a aposta de Klopp em Gini Wijnaldum. A abrir os segundos 45 minutos – e num espaço de 122 segundos – o médio holandês apareceu no sítio certo à hora certa por duas ocasiões e rapidamente colocou a eliminatória empatada. A loucura apoderou-se de quase todo o estádio – exceção feita aos catalães, que se encontravam do lado oposto ao da baliza onde tudo aconteceu.
As contas eram fáceis de fazer. Se os espanhóis reduzissem para 3-1, obrigariam o Liverpool a fazer mais dois golos. Se o resultado não se alterasse, o jogo seguiria para prolongamento. E se os ingleses fizessem o quarto golo (sem resposta) apurar-se-iam para a final e protagonizariam uma reviravolta de loucos diante da equipa de Ernesto Valverde.
Não aconteceu a primeira opção. Não aconteceu a segunda. Aconteceu a terceira! A formação de Klopp soube contrariar o velho ditado que diz que “a pressa é inimiga da perfeição” e surpreendeu tudo e todos com um golo daqueles que uma equipa não pode conceder. Na cobrança de um pontapé de canto, os culés não souberam reorganizar-se defensivamente a tempo, Alexander-Arnold repôs a bola rápido e Origi, junto à pequena área, tratou de carimbar a reviravolta na eliminatória. Um momento soberbo e empolgante em Anfield!
Naquele dia o mítico “You’ll Never Walk Alone” ganhou outro brilho, contrastando com a frustração dos espanhóis. O futebol tem destas coisas… E esta foi uma de muitas provas de que uma vantagem de três golos numa eliminatória não significa tudo. O resto? O resto já todos sabemos. O Liverpool derrotaria o Tottenham na final e tornar-se-ia campeão europeu 14 anos depois. É futebol…
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
Liverpool FC: Alisson Becker, Alexander-Arnold, Virgil van Dijk, Joel Matip, Andy Robertson (Gini Wijnaldum), Fabinho, Jordan Henderson, James Milner, Xherdan Shaquiri (Daniel Sturridge, 90’) , Divock Origi (Joe Gómez, 85’) e Sadio Mané
FC Barcelona: Ter Stegen, Sergi Roberto, Gerard Piqué, Clément Lenglet, Jordi Alba, Sergio Busquets, Ivan Rakitic (Malcom, 80’), Arturo Vidal (Arthur, 75’), Philippe Coutinho (Nélson Semedo, 60’), Lionel Messi e Luis Suárez
Numa altura em que o CD Aves tem sido assunto de conversa pelos piores motivos, venho aqui relembrar uma das temporadas mais positivas do clube do concelho de Santo Tirso na última década: a de 2013/2014.
Depois do terceiro lugar obtido na época 2011/2012, e do quinto lugar em 2012/2013, o CD Aves partia para a nova época à procura de alguém capaz de dar continuidade ao projecto realizado nas últimas épocas e de conseguir o tão desejado regresso à Primeira Liga. E então, depois das apostas em Paulo Fonseca e José Vilaça, o presidente do clube Armando Silva voltaria a fazer uma aposta ousada na escolha do novo treinador: o desconhecido Fernando Valente.
O técnico, então com 54 anos, iria cumprir a sua primeira experiência no futebol profissional depois de ter subido pelo USC Paredes à Segunda Divisão B e de ter feito uma época notável num SC Espinho à beira do colapso financeiro, onde recebera apenas três meses de salário.
Assim, cabia ao treinador natural do Porto juntar-se ao seu filho na Vila das Aves (Zé Pedro Valente), defendendo que o futebol deveria divertir jogadores e adeptos, e também que, na generalidade dos casos, não era isso que se verificava no futebol português. Mas como é que um treinador desconhecido até para a maioria dos jogadores os poderia fazer acreditar que seria possível metê-los a jogar um futebol “à Barcelona”?
Os resultados iniciais não foram convincentes. Depois de um empate e três derrotas na pré-temporada e de ser eliminada na primeira Fase de Grupos da Taça da Liga, a equipa avense venceria apenas uma das sete primeiras jornadas da Segunda Liga. E começaram a soar as primeiras críticas, inclusive do guarda-redes, Quim, que não se revia nesta modalidade do treinador de dar mais valor ao desempenho do que ao resultado.
No entanto, a estrutura manteve a confiança no treinador e, com o tempo, a equipa começou a mostrar resultados e bom futebol. Na segunda volta, a equipa perdeu apenas quatro das 21 jornadas disputadas, conseguindo terminar a Segunda Liga no quarto lugar, com 71 pontos, menos dois que o Penafiel, que viria a subir directamente à Primeira Liga.
Nesta temporada, a classificação obtida pelo CD Aves permitiu ao clube disputar a “Liguilha”, o play-off que daria à equipa vencedora a última vaga na Primeira Liga na próxima época. Na eliminatória disputada a duas mãos, a equipa avense acabou por não conseguir levar a melhor sobre o FC Paços de Ferreira, perdendo por 3-1 na Mata Real.
O CD Aves não conseguiu a ambicionada subida de divisão, mas a equipa orientada por Fernando Valente deixou uma marca mais valiosa que isso. A equipa do concelho de Santo Tirso praticou um futebol diferente do das outras: um futebol apoiado, atractivo, com circulação de bola rápida e ao primeiro toque.
Através da utilização de imagens e de vídeos, Fernando Valente conseguiu fazer os jogadores acreditar que seria possível praticar um futebol atractivo e divertido, capaz de animar os estádios e os adeptos.
Será que ainda te lembras deste FC Famalicão 2-2 Varzim SC? A época de 2014/2015 reservou momentos de grande emoção para o Campeonato de Portugal. Tipicamente recheada de clubes que já pisaram os palcos da Primeira Liga no passado, a verdade é que nessa temporada dois clubes renasceram das cinzas e demonstraram-no num dia que ficou para a história.
FC Famalicão e Varzim SC deram uma prova de vitalidade e de mística ao encherem o Estádio Municipal 22 de Junho naquela que era então uma jornada decisiva, principalmente para os famalicenses, que não podiam perder, pois arriscavam-se a ver o FC Vizela (outro clube histórico do nosso futebol) a entrar num dos dois primeiros lugares que davam acesso à discussão pela fase de subida.
O FC Famalicão tinha-se deslocado a Alvalade a meio da semana pois ainda estava inserido na Taça de Portugal, pelo que, apesar de não ter jogado com todos os titulares frente ao Sporting CP, o desgaste desse jogo era inevitável perante um Varzim que chegava mais fresco e mais tranquilo a esse grande jogo.
No futebol à moda antiga poucas vezes sabíamos ao certo quantas pessoas estavam no estádio. Nesse dia, no Municipal, o futebol à moda antiga regressou. Não sabendo ao certo quantas pessoas assistiram ao jogo, estima-se que mais de oito mil famalicenses estivessem presentes no estádio, assim como perto de mil varzinistas que lotaram o setor visitante. De facto, haver tanta gente no estádio obrigou à saída de várias pessoas das bancadas para ficarem na parte do peão, ou seja, de pé atrás da baliza. Futebol puro, à moda antiga, numa tarde de sol. O que queríamos mais?
Ambas as equipas tinham iniciado a época com o objetivo de regressar aos campeonatos profissionais e o equilíbrio entre as duas era também visto nos plantéis, que possuíam características muito semelhantes, como a mescla de jogadores muito experientes com alguns mais jovens que estavam a despontar e tinham vontade de mostrar o seu valor. Os treinadores eram competentes e tinham mostrado essa competência ao longo de todo o campeonato. Daniel Ramos foi o treinador que tirou o FC Famalicão de uma situação de descida na temporada transata, passando-o a um candidato à subida na próxima. Já o Varzim era orientado por Vítor Paneira, curiosamente uma velha glória do FC Famalicão.
Com fumos, com tarjas, e um barulho indescritível, a bola começou a rolare o Varzim entrou com tudo, o que surpreendeu o Famalicão. Com grande eficácia na finalização e fruto de um Famalicão ansioso, os poveiros aproveitaram e fizeram dois golos, com apenas 20 minutos jogados, marcados por Sandro e Sérgio Organista, o que fez com que os milhares de adeptos famalicenses presentes no estádio tivessem um calafrio, pois uma derrota hipotecava as hipóteses de seguir para a fase de subida.
Foi aí que tudo mudou. Perto do intervalo, Hamilton (o melhor jogador do Varzim) foi expulso por agressão e o Famalicão começou a assentar o seu jogo e o seu domínio perante um Varzim que, reduzido a dez, se via obrigado a defender um resultado que era confortável.
A segunda parte foi tirada de um filme épico. Completamente empurrado pelo público, o Famalicão surgiu ao seu estilo na segunda parte e reduziu a diferença no marcador aos 59 minutos, numa cabeçada do ponta de lança Pedro Correia. O Varzim sentiu o golo e nunca mais conseguiu chegar à baliza do experiente Murta, e foi o Famalicão que, embora sem criar situações claras de golo, teve todo o domínio do jogo, precisando de um golo para manter o seu lugar na classificação.
Esse golo surgiu perto dos 90 minutos através de Chico, num lance confuso que levou o guarda-redes Pedro Soares a ficar mal na fotografia. Porém, o árbitro Jorge Faustino vislumbrou uma falta (que pelas imagens não parece existir). O problema foi que, com a explosão de alegria que se tinha sentido no estádio, quase ninguém tinha ouvido o apito do árbitro. Pessoas a cair de bancadas abaixo, pessoas a tentar invadir o campo, jogadores a festejar com a claque. Tudo tinha sido em vão mas foi por apenas uns minutos.
Antes, importa reforçar que o jogo esteve mais de cinco minutos parado porque Vítor Hugo, do Varzim, caiu redondo no relvado, tendo sido mesmo chamado a cargo o desfibrilador. Felizmente, nada de grave aconteceu com o jogador, apesar do susto enorme que se sentiu.
A placa foi levantada. Seis minutos de compensação. Era o tempo que o Famalicão tinha para ir com tudo para cima do Varzim SC. E foi recompensado precisamente no último minuto de descontos, numa cena que parece retirada de um filme. Ibraima, numa receção em rotação em plena grande área, rematou enrolado para um frango de Pedro Soares, fazendo o Famalicão chegar ao desejado empate.
Mas, mais do que isso, a um rebentamento total do municipal, onde houve invasão de campo, houve pessoas a sentirem-se mal pela emoção do jogo, onde houve carga policial, e onde houve discussão do lado da bancada coberta, com Vítor Paneira a não ser poupado aos insultos (injustos, diga-se) dos adeptos do Famalicão, que deviam ter-se esquecido por momentos de que foi Vítor Paneira que, no único ano na história do Famalicão em que o clube desceu às regionais, treinou o clube da sua terra e ajudou a fazê-lo subir de divisão. O técnico do Varzim SC emocionou-se mesmo em plena conferência de imprensa ao recordar outros tempos ao serviço do FC Famalicão.
O jogo terminou com um empate a dois, e com uma festa tremenda dos famalicenses, que precisavam assim de uma vitória na última jornada em Oliveira Santa Maria (um dérbi concelhio que o Famalicão venceu mesmo por 2-1), e o Varzim, que esteve a vencer por 2-0 com uma primeira parte muito boa, não conseguiu aguentar a reação dos da casa.
Importa dizer que ambas as equipas acabaram por subir de divisão de forma inteiramente justa, num regresso de dois clubes históricos, bairristas, de pessoas apaixonadas pelo futebol profissional.
Vem daí assistir ao que foi um autêntico clássico!
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
FC Famalicão: Murta, Daniel, Vilaça, Luiz Alberto, João Pedro (76’ Éder Diego), Ibraima, Mércio (46’ Diogo Torres), Vitor Lima, Diego Medeiros (46’ Chico), Feliz e Pedro Correia.
Varzim SC: Pedro Alves, Tiago Lopes, Sandro Cunha, Raúl Martins, Bijou, Nelson Agra, Nelsinho (66’ Pedro Sá), Sérgio Organista, Amilton, Rui Coentrão (71’ Tanela) e Diego Mourão (82’ Vitor Hugo).
A incerteza corre sobre o futebol: a época ainda não terminou e a quarentena sem futebol fica muito mais difícil. Por isso, decidi trazer-vos os melhores golos da temporada 2019/2020 até ao momento, sem saber se irá ficar por aqui. Na impossibilidade de continuar a ver o desporto-rei, a minha sugestão passa por recordar os momentos em que gritámos “golo”.
Deparamo-nos com uma das piores épocas de sempre do Sporting CP e ironicamente esta pausa permitiu abrandar o afundar do barco. Jamais recordarei esta época; baldes de água fria constantes. Ainda assim, apesar de o caminho ter sido bastante difícil, fomos brindados com alguns momentos de pura qualidade e classe. O nosso futebol está longe de encher o olho mas a qualidade individual conseguiu deixar-me indeciso em relação a que golos escolher para este TOP 5. Ora vejam!
Depois de vários anos a competir na Proliga, o «caldeirão verde» finalmente chegaria à Primeira Liga. A juntar ao ambiente fantástico vivido em todos os jogos que decorrem no Pavilhão de Esgueira, a equipa aveirense praticou um basquetebol entusiasmante que fez ruído na liga tornando-se numa das sensações das últimas duas temporadas.
No pós-Proliga, conscientes das dificuldades que se avizinhariam, a direção e a equipa técnica aveirense construíram uma filosofia e um estilo de jogo simples e consistente, de forma a garantir a permanência na primeira liga o máximo de tempo possível. Em primeiro lugar, a manutenção do treinador foi fundamental na crença de um projeto a longo prazo, tal verifica-se em equipas grandes (FC Porto com Moncho López) e o Esgueira não quis escapar a essa linha de pensamento.
Houve assim, continuidade e confiança no treinador que havia conseguido um feito muito positivo para o clube (a subida). Pedro Costa e sua equipa técnica, todavia não podiam seguir com a mesma equipa da Proliga para a primeira liga, ao passo que seria suicida não pensar em contratações de maior calibre.
Como tal, existiu uma linha de contratações bem delineada, que persistiu na procura de jogadores de idiossincrasia semelhante e tal notou-se no desenrolar das duas temporadas por parte da equipa técnica aveirense.
Pedro Costa a analisar jogadores na pré temporada da época atual Fonte: Esgueira Basket
O que Pedro Costa fez com as “pedras” que teve à disposição foi fantástico, mantendo o mesmo princípio e ideias semelhante retirando o melhor de cada individualidade sem desvirtuar o coletivo, foi assim na sua primeira época na LPB e o mesmo se reproduziu na época atual.
No Esgueira de 2018/2019, houve dois jogadores fulcrais para o sucesso de Pedro Costa, sendo eles Greg Alexander e Ty Toney. Ambos foram all-stars na sua primeira época enquanto profissionais e frisavam o estilo liberto, criativo e explosivo com que a equipa aveirense atuava. Resultado das suas qualidades e características individuais, ambos tinham a «luz verde» para atirar sempre que tivessem a confiança para tal, sem descurar do desenho tático.
No Esgueira atual (2019/2020), houve várias mutações no plantel (como expectável), e os dois principais jogadores referidos no parágrafo anterior já não se encontravam disponíveis, obrigando a uma «busca» no mercado. Com inteligência e um bom scouting, o Esgueira conseguiu manter uma prática de basket atrativa mantendo a filosofia que vinha do ano transato, conseguindo jogadores de alto nível, mesmo que jovens, como é a principal estrela Montell Goodwin ou o poste de referência Daniel Regis. Para além de Goodwin, junturam-se dois jogadores jovens que vinham do histórico campeonato da Europa sub-20, sendo eles Henrique Barros e Gustavo Teixeira que apesar de suplentes, funcionam como catalisadores da ofensiva aveirense, sendo Gustavo o principal destaque neste aspeto.
Ser guarda-redes não é fácil. Raramente se é o herói, raramente se é o melhor jogador em campo. Isto, claro, a não ser que sejas Jan Oblak.
A posição de homem mais recuado no terreno de jogo é das mais complicadas dentro das quatro linhas. O papel de um guardião é bastante subvalorizado, uma vez que quando se ganha, normalmente é porque o “avançado matador” da equipa colocou a redondinha no fundo das redes, e as inúmeras defesas que o guarda-redes fez, acabam esquecidas. No entanto, se a equipa perder 1-0 com um “frango”, a culpa da derrota cairá, provavelmente, no homem entre os postes e escassas serão as vezes que a culpa será do avançado que não converteu duas ou três boas oportunidades.
É por isso que ser o homem da baliza é uma das posições mais complicadas no mundo do futebol, e é também por isso que é uma das posições que mais me fascina.
Já que falamos em fascinar, falo-vos de Jan Oblak: que espetáculo de guarda-redes, uma verdadeira “besta” dentro da área. Jogador completo, muito bom com as mãos, reflexos impressionantes e um jogo de pés acima da média. Isto é Oblak, um guarda-redes que se já não o é, tem potencial para se tornar no melhor guarda-redes do mundo.
Natural da Eslovénia, Oblak chegou ao futebol português pelo SL Benfica, ainda que tenha sido emprestado nas primeiras três temporadas ao SC Beira-Mar, SC Olhanense e UD Leiria e Rio Ave FC.
No clube de Vila do Conde, Oblak destacou-se, tendo disputado 31 jogos, o que chamou a atenção do Benfica, que o fez regressar à Luz na temporada seguinte.
Nos encarnados, Jan tinha a concorrência de Artur Moraes, no entanto o brasileiro lesionou-se no jogo frente ao Olhanense, na temporada de 2013/14, e para o seu lugar entrou o esloveno.
A verdade é que o guarda-redes de 188 cm assumiu o lugar que havia ficado vago e tornou-se na primeira opção para Jorge Jesus. Nessa temporada, Oblak foi o responsável pelas redes do glorioso em 26 partidas e sofreu apenas seis golos, distribuídos por quatro jogos. Com o Manto Sagrado, o guardião conseguiu uns impressionantes 22 jogos sem que a bola entrasse na sua baliza (em 26 jogos!). Algo de incrível.
Na temporada ao serviço das águias ajudou a conquistar o campeonato nacional, a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Um triplete que poucos têm. Ajudou também o Benfica a chegar à final da Liga Europa, que acabou por perder para o Sevilla FC (de Beto!) nas grandes penalidades.
A temporada chegava ao fim e o Atlético de Madrid chegou-se “à frente” com 16 milhões de euros e levou o esloveno da Luz.
Por terras espanholas, Oblak deu-se bem, muito bem! No seu palmarés conta com uma Supertaça de Espanha, uma Liga Europa e uma Supertaça Europeia. Foi também finalista da Liga dos Campeões, onde perdeu para o Real Madrid CF, em 2015/16, nas grandes penalidades.
Com 27 anos e muita, muita qualidade, certo é que Oblak ainda tem muito para dar ao mundo do futebol. Como guarda-redes, a sua margem de progressão ainda não terminou. Assim, coloca-se a questão: será Oblak capaz de se tornar, indiscutivelmente, o melhor guarda-redes do mundo? Sim, penso que sim!
Não é tarefa fácil escolher este 11. Para se ter uma noção das equipas que o AC Milan teve durante ao longo deste séc. XXI, ficaram de fora deste 11 nomes como (spoiler alert) Abbiati, Roque Júnior, Stam, Gattuso, Ambrosini, Rui Costa (aquele que me doeu mais deixar de fora, mas só podia jogar com um “10”), Beckham, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenómeno, Crespo, Zlatan Ibrahimović e Thiago Silva.
Os onze que escolhi foram, na minha opinião, os que mais contribuíram para o sucesso do AC Milan ao longo deste século, porque muitos dos que acima referi, apesar do seu enorme talento, acabaram por não ser tão determinantes como os onze eleitos.
Oiã, Palhaça, Oliveira do Bairro e Bustos, Troviscal e Mamarrosa. Como disse? São as quatro freguesias de Oliveira do Bairro, ali na região da Bairrada, terra de leitão e bom vinho. Mas ainda há algo melhor a ter saído dessa terra e chama-se João Henrique Pataco Tomás. O homem que, nas palavras do próprio, amadureceu tarde, fez golos atrás de golos por todo o lado por onde passou, ou não fosse ele um globetrotter com passagens por Sevilha, Qatar, Dubai e Angola, a que se junta em território nacional Coimbra, Lisboa, Guimarães, Braga, Porto e Vila do Conde.
– Infância, juventude, formação –
Bola na Rede [BnR]: João, és natural de Oliveira de Bairro, começo por perguntar-te se és apreciador de leitão?
João Tomás [JT]: (risos) Já comi muitas vezes, e gosto, mas, atualmente, só como mesmo em situações especiais.
BnR: Que memórias tens dos teus primeiros pontapés na bola?
JT: Tenho muitas, não posso esquecer que sou um miúdo que nasceu e cresceu na aldeia e diria que na aldeia temos tempo para tudo. Dava um jeito tremendo estar na aldeia agora (risos).
BnR: Como é que foi o teu percurso na formação?
JT: Foi um percurso normal, muito natural, porque, como disseste, sou natural de Oliveira do Bairro e fiz a minha formação toda lá. A formação na altura só começava aos 10, nos infantis, por isso fiz oito anos de formação.
BnR: Jogaste sempre a avançado?
JT: Joguei sempre a médio, sempre a 8.
BnR: Como se dá a tua mudança para avançado?
JT: Isso foi no meu segundo ano de sénior.
BnR: Por necessidade da equipa ou porque estavas a marcar golos?
JT: Foi uma mistura disso tudo. Quando eu estava no Águas Boas, no meu segundo ano de sénior, jogava a meio-campo e tinha feito alguns golos já. Houve um fim-de-semana, na época 1993/94, em que um dos nossos centrais adoeceu. Nessa altura, não existiam telemóveis. No domingo, chegamos ao jogo e o central estava doente, não havia forma de contactar e eu até ia ser suplente, curiosamente. Um dos médios baixou para central, eu entrei para o lugar dele e o colega dele baixou um bocadinho, e eu apareci mais à frente. Fiz quatro golos e o treinador no final do jogo disse-me “Tu comigo nunca mais vais jogar a meio-campo. Vais ser o ponta-de-lança”. E nesse ano fiz para aí 30 golos.
BnR: Foste dispensado do Oliveira do Bairro depois de teres feito a formação toda no clube. Como é que lidaste com este contratempo?
JT: Não quero ser injusto, mas acho que todos os jogadores que jogaram o campeonato nacional de juniores foram dispensados. Acho que não foi ninguém aproveitado para os seniores. Mas lidei muito mal, fiquei muito desapontado. Em todo o período da minha formação, eu nunca fiz um treino com a equipa sénior e naquela altura era doloroso quando víamos colegas nossos serem chamados para o treino dos seniores. Quando somos miúdos num meio tão pequenino, ficamos desiludidos por não ter a oportunidade de treinar com os seniores, nessa dimensão o objetivo número um é chegarmos àquela equipa e eu nunca o consegui fazer. Retiro daí que a paixão era tanta que não teve que acontecer por algum motivo. Bola para a frente!
BnR: Apoiavas algum clube em miúdo?
JT: O Sporting.
BnR:Por causa do teu pai ou algum familiar?
JT: A minha família era quase toda do Benfica, os meus dois avôs eram do Porto e tinha um tio, irmão do meu avô materno, que era sportinguista, foi por ele. Mas deixei de ser sportinguista no dia em que o Sousa Cintra despediu o Bobby Robson.
BnR: Das piores decisões da história do futebol. Despedido no avião.
JT: Sim, a regressar de Salzburgo depois da derrota com o Casino. Eu fiquei tão desiludido com aquilo que nunca mais quis saber do Sporting.
BnR: Por falar em Bobby Robson, viste o documentário na Netflix?
JT: Sim, adorei! Ia falar agora nisso, depois de ter visto o documentário ainda mais indignado fiquei (risos).
BnR: Qual foi o melhor conselho que te deram na formação?
JT: O que me lembro bem, e não quero dizer com isto que os miúdos não tenham essa paixão, é que nós éramos uns obcecados, não pelo treino em si, mas pelo período de tempo em que estávamos a treinar. Acho que isso era o que fazia a grande diferença, adorávamos aqueles 60 ou 70 minutos em que estávamos a treinar e recordo-me perfeitamente que o treino era o maior fascínio que podíamos ter. Passava por cima de tudo, dos brinquedos, das saídas com amigos, das raparigas, passou sempre para primeiro plano, a seguir à escola claro. Acredito que os miúdos agora são manobrados por tanta coisa e têm que controlar tanta coisa que eventualmente é mais complicado. Abdicávamos dos fins-de-semana e saídas à noite porque era a nossa paixão.