O Sporting Clube de Portugal tem, este Sábado, o jogo mais importante da época. Estas são palavras de Leonardo Jardim. E, como já vem sendo hábito, não posso deixar de concordar com o técnico leonino.
Ao longo desta temporada, o clube leonino tem mantido uma qualidade de jogo alta aliada a uma regularidade notável. Vindos da pior temporada de sempre, os adeptos do Sporting não esperariam uma época tão bem conseguida por parte dos pupilos de Leonardo Jardim. E qual a melhor maneira de confirmar este estatuto? Garantindo matematicamente a entrada directa na Liga dos Campeões, vencendo o jogo de Sábado contra o Belenenses.
Para além deste factor, a equipa de Alvalade tem nas mãos a oportunidade de garantir o segundo lugar e consequente acesso directo à Liga dos Campeões ao mesmo tempo que adia a festa do título benfiquista por um dia. Ter um Benfica campeão por causa de um mau resultado do Sporting seria uma injustiça para os leões, tendo em conta aquilo que se passou durante a presente temporada. Deixaria um amargo sabor de boca saber que era o Sporting a dar o último passo para entregar o 33º título ao Benfica. Trata-se de uma questão de orgulho e não de uma questão de tempo, pois o título, esse, já está entregue.
Leonardo Jardim é um dos rostos deste novo Sporting Fonte: supersporting.net
Por estes motivos acima referidos, sou levado a concordar com o técnico leonino quando afirma que o jogo contra o Belenenses, a contar para a 28ª jornada, se trata do jogo mais importante da época. Garantir o acesso directo à Liga dos Campeões é a prioridade, sem dúvida. Não só por aquilo que representa voltar à Champions League de forma directa mas também porque, ao derrotar a equipa do Restelo, não teremos de nos preocupar com os dois jogos seguintes, que são bem mais difíceis (Nacional, na Choupana, e Estoril, em casa).
Leonardo Jardim tem efectuado um trabalho formidável no comando técnico do Sporting, e o madeirense de 39 anos merece, mais do que ninguém, a recompensa de poder vencer aquele que, para ele, é o jogo mais importante da temporada.
Ninguém esperava um Sporting tão forte esta época e, aconteça o que acontecer, esta temporada será sempre recordada com orgulho por parte dos sportinguistas. O Sporting está, sem dúvida, de volta. Uma grande prova disso mesmo seria alcançar os três pontos na próxima jornada.
Então, Sporting, vence por nós! Vence pela temporada extraordinária que fizeste, pela garra que mostraste, pelo respeito que reconquistaste e pelo esforço todo que esta época representou! Surpreende aqueles que ainda duvidam do teu valor! Vence para garantir o acesso directo à Champions! Mas, acima de tudo, vence por uma questão de orgulho, para mostrar aquilo que é o verdadeiro Sporting Clube de Portugal!
Depois da fraca prestação na primeira etapa do WCT, Tiago Pires ficou de fora do Drug Aware Margaret River Pro devido a uma lesão no joelho. Agora, completamente recuperado, o atleta português volta à competição. Deste modo, Tiago Pires recomeça a sua jornada já no Rip Curl Pro Bells Beach, que se realiza entre os dias 16 e 27 de Abril na Austrália.
Bede Durbidge e Nat Young são os adversários da primeira ronda do surfista natural da Ericeira. É de relembrar que Saca teve uma boa prestação em Bells Beach no ano de 2013, tendo sido eliminado pelo actual campeão mundial, Mick Fanning. Nat Young, que vai ser adversario de Saca, acabou esta prova em 2º lugar, perdendo a final para o surfista brasileiro Adriano de Sousa.
Tiago Pires numa rasgada “animal”. Fonte: asphawaii.org
Agora, voltando uns dias atrás: Michel Bourez foi o grande vencedor do Drug Aware Margaret River Pro. Apesar de o surfista da Polinésia Francesa ter sido derrotado no round 1 e round 4, não se deixou ir abaixo e foi caminhando a passos largos até à final, eliminando grandes nomes como Adriano de Sousa e Kelly Slater.
Michel Bourez num “carve” impressionante. Fonte:wp.clicrbs.com.br/
Na grande final, Bourez encontrou um surfista um pouco improvável, Josh Kerr. Com vento off-shore e ondas a rondar o metro e meio de altura, Michel Bourez começou a bateria com uma excelente nota, 7.57 pontos. Kerr respondeu com 5.07 pontos. Michel Bourez teve a capacidade de responder com um 8.33. Josh Kerr, apesar de estar em desvantagem, ainda conseguiu uma boa nota (7.37), mas infelizmente para ele não foi o suficiente para ganhar o Margaret River Pro. Deste modo, Michel Bourez tornou-se campeão da 2ª prova do WCT, com um score total de 15.90 pontos em 20 possíveis; já Josh Kerr não foi para além de um score total de 12.44 pontos.
Terça-feira, dia 15 de Abril de 2014, bar da Escola Superior de Comunicação Social: do nada, dou por mim a verter uma ou outra lágrima, enquanto falo de toda a mística benfiquista e de tudo aquilo que poderá vir a acontecer, no próximo fim-de-semana.
Segunda-feira, noite de 14 de Abril de 2014, quarto da minha mansão lisboeta: dou por mim a verter várias lágrimas, ao rever tudo aquilo que se passou no dia dedicado às cerimónias fúnebres de Eusébio.
E, assim como referi estas datas e factos, poderia ter referido outros, como sendo a minha massiva visualização dos festejos do título, em 2010, ou o resumo alargado do Sporting 3-6 Benfica, em 1994, ou o resumo do Leça 1-5 Benfica, de Janeiro de 1997 (atenção, também vejo muitos resumos que se reportam a desaires do maior de Portugal). O que importa aqui realçar é a forma como o Benfica ocupa um espaço tremendo na minha vida, nos meus hábitos, no meu quotidiano. Admito: não consigo estar mais de cinco minutos sem pensar neste clube e, fundamentalmente, na temporada que tem vindo a realizar e naquilo que nos poderá reservar o futuro.
Mas digam-me lá: como é que eu não hei-de amar o Sport Lisboa e Benfica? Depois de um final de época tão dramático e penoso como aquele que aconteceu no ano passado, que outro clube conseguiria reerguer-se desta forma? Que outro clube tem esta aura? Que outro clube consegue colocar milhões e milhões de pessoas em suspenso? Que outro clube consegue superar um FC Porto, estando a jogar com menos um jogador desde os 30 minutos de jogo? Que outro clube consegue ter tanto ex-jogador, de nacionalidade estrangeira, a torcer por ele?
Assumo: sou o típico adepto benfiquista! Ao longo desta época, como podem comprovar por alguns dos meus primeiros artigos, já fui um crítico veemente do clube, porque na altura o Benfica merecia isso. Penso que sempre mantive a coerência, porque nestas coisas do futebol tudo muda num ápice. Neste momento, é impossível dizer mal do que quer que seja. Ontem dei por mim, no final do Benfica vs FC Porto, quase com os olhos empapados, a olhar completamente babado para toda aquela atmosfera na Luz. Ao longo desta quinta-feira, já vi e revi dezenas de vezes o golaço de André Gomes.
O problema é que, mesmo que eu quisesse que o ego baixasse um pouco, não daria! Somos o clube europeu com mais adeptos no próprio país, segundo estudo oficial da UEFA, isto dias depois de termos transformado Aveiro num autêntico vulcão benfiquista. Temos filas intermináveis junto às bilheteiras do Estádio da Luz, com vista a adquirir o bilhete mágico para esse aguardado Benfica vs Olhanense. Tivemos uma equipa de júniores a disputar a final da Youth Cup, de uma forma digníssima.
Ontem à noite, ao ver todos aqueles adeptos que invadiram o terreno, completamente eufóricos para comemorar um golo com os seus ídolos, eu revi-me totalmente neles! Isto é uma doença, talvez seja, mas é esta maleita que nos torna uma massa adepta única, completamente sofredora, que torna o Estádio da Luz em algo transcendente, em algo inigualável.
Um qualquer golpe de Estado? Não, é Benfica campeão nacional 2009/2010 Fonte: Blogue “Voltas ao Mundo”
No próximo domingo, como todos os restantes milhões de adeptos do meu clube, espero festejar o 33º título nacional. Sem provocações aos rivais, sempre a cantar pelo nome do Benfica, tornando o dia 20 de Abril, domingo de Páscoa, em algo sobrenatural. Nós somos o Sport Lisboa e Benfica, conseguimos paralisar Lisboa, Aveiro, Braga, Paris, Genebra, Lausanne, Díli, Newark, e todo o restante local em que exista oxigénio. Somos o clube do povo, das massas! Na segunda-feira, se tudo correr bem, veremos médicos, juízes, lojistas, barbeiros, desempregados, sem-abrigo, toxicodependentes, o que quiserem, felizes! Porque, independentemente da conjuntura de Portugal, um título do Benfica é algo de único, é algo que nos faz esquecer de tudo aquilo que temos à nossa volta.
Eusébio da Silva Ferreira e Mário Coluna, onde quer que estejam, devem estar radiantes por ver que o Benfica está à imagem deles – grandioso, corajoso, sem medo de nada nem de ninguém, a encantar milhões de adeptos. Por isso, Sport Lisboa e Benfica, mais uma razão para dares tudo o que tens neste fim-de-semana pascal: homenagear estas duas lendas do futebol nacional, que durante quase toda a sua vida te veneraram.
Bem, e agora eu, como em jeito de despedida, digo-te, maior de Portugal: dá-me esta alegria suprema, que é como quem diz, seres campeão nacional. Só penso em ti, quando jogas entro noutro mundo, já prejudiquei namoros por causa de ti, já tive discussões em casa por causa de ti, já saí abruptamente de espaços públicos por causa de ti, já sorri, e muito, por causa de ti, já chorei por causa de ti, já saí até às tantas por causa de ti, já me fechei no quarto por causa de ti. Não te estou a cobrar nada, porque isto é instintivo. Mas vá, faz lá felizes tantas e tantas pessoas.
Porque tu, Sport Lisboa e Benfica, és mesmo um dos meus suportes básicos de vida, desde 2 de Janeiro de 1989. Sem ti, não andava cá a fazer nada.
P.S: Confesso que desejo ardentemente ouvir anúncios de trânsito radiofónicos, no próximo domingo, do género: “Trânsito muito condicionado entre o Saldanha e o Marquês de Pombal”…
Edison Cavani foi a contratação mais sonante a chegar ao Parque dos Príncipes para a época 2013/2014. Nasser Al-Khelaïfi continuou a investir no clube francês e, mais uma vez, sem mãos a medir: pagou 64,5 milhões de euros pelos serviços do avançado uruguaio.
O ponta-de- lança era a figura do Nápoles e veio para o clube milionário com o rótulo de monstro, de matador! E vinha com provas dadas. Na sua última época no clube italiano Cavani marcou 38 golos num total de 42 jogos divididos entre Serie A, Liga Europa, Supertaça de Itália e a TIM Cup, tendo sido coroado como melhor marcador da Serie A (2012/2013). O Paris Saint-Germain investiu num valor seguro; Cavani decidiu abraçar um projecto e elevar as suas ambições, principalmente nas competições europeias.
Cavani foi uma das contratações mais sonantes do verão de 2013 Fonte: Getty Images
No verão de 2013 o monstro sul-americano chegou a Paris deixando tudo e todos em sentido. Agora o Paris Saint Germain, só no ataque, tinha argumentos para deixar os guarda-redes adversários de bexiga apertada: Ibrahimovic e Cavani. Que dupla! Esperava-se dois dos melhores pontas-de-lança do mundo, matadores por natureza, assassinassem cada conjunto de redes e postes que lhes aparecesse à frente. Ibrahimovic cumpriu. Com pormenores fantásticos e com a sabedoria de toda uma carreira, leva 40 golos em 43 jogos na presente temporada. Cavani não se mostrou tão “matador” quanto se esperava. Pedia-se mais do que 22 golos em 39 jogos a um activo de 64,5 milhões de euros. A verdade é que não é fácil viver na sombra de Ibrahimovic, mas mesmo quando teve a oportunidades (sem o sueco) Cavani pouco mostrou. Com pequenas lesões a afectar o seu jogo, o uruguaio queixa-se de não conseguir encaixar no jogo de Blanc: “atualmente no PSG eu tenho de defender muito e vinha com uma ideia diferente do que seria o meu papel na equipa”, disse recentemente o n.º 9.
O que esperar de Cavani? Que se imponha? Uma saída no final da época? Quem irá cobrir o investimento feito pelo PSG? O avançado vinha para matar e pouco matou. Ibrahimovic continua a ser o rosto da equipa e nem a idade, nem a vinda de Cavani pareceram afectar o gigante sueco. O ex-jogador do Nápoles fala numa “revisão de papel na equipa” e já demonstrou interesse em jogar na Liga Inglesa. Será isso? Será que o futebol francês não é para Cavani? Encaixará Cavani num jogo mais físico e directo na melhor liga do mundo? Temos de esperar para ver. Esperemos que em breve Cavani confirme o rótulo de classe mundial com que veio do Nápoles. Ou no PSG ou noutro país. Agora aguardemos pelo Mundial. Vamos lá ver se Cavani consegue encaixar na selecção uruguaia ou se, à semelhança do que aconteceu com Ibra, Suaréz o vai remeter para um plano menor na equipa, sendo o goleador de serviço.
A quarta ronda, denominada Sweet Sixteen devido ao número de equipas ainda presentes na competição (16), teve lugar nos dias 27 e 28 de Março e corresponde às meias-finais regionais. Começou com a confirmação de Dayton como a Cinderella Team do torneio ao bater Stanford por 82-72 e qualificar-se para a ronda seguinte pela segunda vez na sua história (a primeira foi em 1984). Num jogo em que qualquer das equipas podia, à partida, ter saído vencedora, Wisconsin levou a melhor sobre Baylor, ganhando facilmente por 69-52, quando se esperava um jogo mais equilibrado. Para fechar o dia, os super-favoritos Florida e Arizona eliminaram UCLA e San Diego State respectivamente. O segundo dia desta ronda relembrou-nos mais uma vez o porquê da denominação March Madness: Michigan State venceu Virginia por 61-59 num jogo de loucos e Kentucky deixou para trás o campeão em título, Louisville, ganhando por 74-69 num duelo entre dois dos melhores treinadores a nivel universitário – Rick Pitino e John Calipari. Connecticut, na surpresa do dia e impulsionado pelas exibições do seu small forward DeAndre Daniels (27 pontos e 10 ressaltos) e do seu point guard Shabazz Napier (19 pontos, 5 ressaltos e 5 assistências) acabou com o sonho de Iowa State e do seu forward Dustin Hogue (37 pontos e 6 ressaltos), ganhando por 81-76, enquanto Michigan mandou Tennessee para casa depois de um jogo apertado em que ganhou por 73-71.
Shabazz Napier foi sensacional na competição Fonte: Charlie Neibergall/AP
Chegámos então à quinta ronda, as finais regionais, que teve lugar nos dias 29 e 30 de Março e se designa por Elite Eight, pois estamos perante as oito “melhores” equipas deste ano. Dayton caiu finalmente – fizeram um bom torneio mas a qualidade de Florida foi demasiada, com o point guard Scottie Wilbekin a marcar 23 pontos na vitória dos Gators por 62-52. No outro jogo do dia, Wisconsin bateu Arizona por 64-63. Apesar da qualidade de Wisconsin, este resultado foi uma surpresa pois a equipa de Arizona era vista como uma das favoritas à vitória final, mas os 28 pontos e 11 ressaltos (duplo-duplo) do forward Frank Kaminsky foram demasiado para a equipa de Arizona, que acabou por cair em overtime depois de um grande jogo de parte a parte. Connecticut continuava a eliminar favoritos, derrotando desta vez Michigan State por 60-54 e apoiando-se mais uma vez no jogo do seu point guard Shabazz Napier, que continuou a elevar o seu jogo à medida que o torneio avançava, desta vez com 25 pontos, 6 ressaltos e 4 assistências. Kentucky deixou para trás Michigan, ganhando por 75-72 com um triplo de Aaron Harrison a 2.3 segundos do fim, mostrando mais uma vez que são uma força a ter em conta, principalmente com a qualidade dos gémeos Harrison e da máquina de duplos-duplos Julius Randle, que fez o seu 24º duplo-duplo da época – 16 pontos e 11 ressaltos, desta vez.
O Final Four teve lugar no dia 5 de Abril e começou logo com um choque: Connecticut eliminou Florida, o grande favorito, por 63-53, apoiando-se no jogo do seu point guard Shabazz Napier, que fez 12 pontos, 6 assistências e 4 roubos de bola, mas principalmente no seu small forward, DeAndre Daniels, que explodiu com um duplo-duplo de 20 pontos e 10 ressaltos. Do outro lado, o center Patrick Young fez um bom jogo, com 19 pontos e 5 ressaltos, e a estrela da equipa, o point guard Scottie Wilbekin, foi a grande desilusão da noite, fazendo apenas 4 pontos. No outro encontro, Kentucky bateu Wisconsin por 74-73, mais uma vez com um triplo do mais clutch possivel do point guard Andrew Harrison a 5.7 segundos do fim. Já é a terceira vez que ele faz isto. Depois de Michigan e Louisville, essa foi a vez de Wisconsin. Ambas as equipas jogaram bem, mas, no fim, o talento individual do cinco inicial de Kentucky acabou por fazer a diferença. De realçar que todos os jogadores da equipa titular dos Wildcats são freshmen (caloiros), o que leva a comparações com a grande equipa dos Michigan Wolverines de 1991/1992, os chamados Fab Five, que, com cinco freshmen a jogar de início (Jalen Rose, Chris Webber, Juwan Howard, Jimmy King e Ray Jackson), chegaram à final do torneio, onde acabaram por perder com Duke. Os Fab Five 2.0, como foram apelidados por Jalen Rose no seu podcast semanal no Grantland Channel, esperam que a sua época acabe de forma diferente do Fab Five original. À partida, Kentucky era favorito, algo que Michigan nunca foi.
Florida, os grandes favoritos, acabaram por cair diante dos futuros campeões na final four Fonte: veooz.com
A tão esperada final do torneio masculino de basquetebol da NCAA foi disputada em Arlington, no Texas, a 7 de Abril e contou com alguns ilustres nas bancadas, como os ex-Presidentes dos Estados Unidos da América Bill Clinton e George W. Bush ou o dono e o quarterback dos Dallas Cowboys, Jerry Jones e Tony Romo. Todos eles viram Connecticut sagrar-se campeão do Torneio da NCAA, ao bater Kentucky por 60-54. Mais uma vez, a equipa contou com um inspirado Shabazz Napier, que anotou 22 pontos, 6 ressaltos, 3 assistências e 3 roubos de bola, superiorizando-se desta forma a James Young, de Kentucky, e aos seus 20 pontos e 7 ressaltos. A equipa treinada pelo ex-companheiro de Allen Iverson nos 76ers, Kevin Ollie, conquistou assim o seu quarto título na história do programa, sendo que o último tinha sido em 2011, com a estrela dos Bobcats Kemba Walker a liderar a equipa. Um dos factores que influenciou o jogo foram os lances livres, tendo Connecticut marcado 10 em 10, enquanto Kentucky falhou 11 em 24, mais do que suficiente para alterar o resultado final. O point guard dos Huskies, Shabazz Napier, foi eleito o MOP do torneio, ou seja, o Most Outstanding Player, prémio atribuido ao melhor jogador da competição. A distinção foi absolutamente merecida: Napier foi a revelação da competição e conduziu a sua equipa até à vitória máxima.
Visto que o tema do momento é a Taça de Portugal, vou contar como esta competição começou nesta época para o Sporting, recuando ao mês de Outubro.
Desde pequeno que ouço dizer que “o Sporting é um clube diferente”. Provavelmente também o meu pai e o seu pai o ouviram. As palavas foram-se entranhando em nós e, com o tempo, enquanto nos formávamos como Sportinguistas, fomos percebendo. Ao vivermos o clube, as razões tornaram-se óbvias. Para os outros, continuam a ser dúbias. Mas creio que neste dia, em Alvalade, voltámos a mostrar ao Mundo o que é ser diferente.
64 minutos de jogo. O Sporting vence tranquilamente o Alba, equipa da divisão distrital de Aveiro, por esclarecedores 5-0. Depois de uma bola ser colocada fora de campo, o speaker anuncia: substituição na equipa do Alba – sai Zé Bastos, entra Tica.
Nas bancadas centrais, algo muda. Os Sportinguistas levantam-se, um por um, e aplaudem. Na Curva Sul, as claques cessam os seus cânticos para aplaudir Zé Bastos. Mas afinal, quem é Zé Bastos? Um ex-jogador do Sporting? Um sócio importante do clube? Será, sequer, Sportinguista? Ninguém sabe. Zé Bastos era apenas uma pessoa que acabava de ter uma das experiências mais memoráveis da sua vida. Um jogador de futebol amador que enfrentou profissionais de forma corajosa, dando o seu melhor. E por isso, mereceu um aplauso de pé.
Golo do Alba foi um grande momento no jogo Fonte: TVI
Este momento de desportivismo repetiu-se. Uma, duas, três vezes. Todos os jogadores substituídos foram ovacionados. O golo do Alba foi aplaudido por todo o estádio. São 20.000 Sportinguistas a parabenizar um golo adversário. É verdade que se o jogo estivesse renhido não o teriam feito? É. Obviamente, continuamos a ser adeptos que querem ver a sua equipa ganhar. Mas ao invés dos aplausos, poderíamos ter optado por uma atitude arrogante e gozar com os adversários, gritando uns “olés”, ou não? Não é o que se faz nos outros estádios?
Dei por mim a pensar: se eu fosse jogador do Alba e, ao mesmo tempo, fosse adepto do Porto ou do Benfica, naquele dia teria saído de Alvalade um grande Sportinguista. Quando se tem contacto com este clube, com as suas pessoas e a sua forma de olhar para o desporto, é impossível não o achar fantástico. É impossível não ter um orgulho gigante em ser do Sporting. Por quê? Porque o Sporting é assim: diferente.
P.S: episódios destes multiplicaram-se pela época. Hélton foi aplaudido de pé quando saiu de maca e ainda no passado sábado, Vitor Vinha, lateral do Gil Vicente, foi aplaudido quando saía lesionado do campo de Alvalade. Um orgulho.
Para hoje, antevia-se um jogo muito bem disputado com as duas equipas a procurarem arduamente a vitória. O Real Madrid venceu por 2-1 num jogo muito equilibrado e a vitória é, na minha perspetiva, justa.
O Real Madrid vinha para este encontro com 2 resultados opostos: perdeu 2-0 com o Borussia Dortmund numa partida em que jogou de forma horrível e venceu o Almeria por 4-0, num jogo muitíssimo importante que lhe permitiu recuperar o 2º lugar. Com esta vitória, a equipa de Madrid está a 3 pontos do 1º lugar Atlético de Madrid e detém 1 ponto de vantagem sobre o seu rival Barcelona.
O Barcelona vinha de 2 derrotas surpreendentes e este jogo era muito importante para recuperar a moral e para conquistar mais um troféu. A derrota em Madrid diante do Atlético ditou o afastamento da Liga dos Campeões e a derrota com o Granada por 1-0 complicou as contas da equipa relativamente ao título espanhol (o Barcelona está a 1 ponto do Real Madrid e a 4 pontos do Atlético de Madrid faltando apenas 5 jornadas para o fim do ampeonato).
Recordo que este ano a equipa de Lionel Messi já venceu a Supertaça Espanhola, e vencer hoje o Real Madrid proporcionar-lhe-ia mais um título.
Desde 2010, o Real Madrid conta apenas com 5 vitórias sobre o Barcelona em todas as competições. O Barcelona venceu por 9 vezes e houve 6 empates. Como podemos observar, a equipa do Barcelona leva vantagem sobre o seu rival e, este ano, o Barcelona venceu os 2 jogos disputados para a Liga Espanhola. Mas estes resultados não passam de meros números – cada jogo é um jogo.
Para mim, num encontro destas características não há favoritos e qualquer equipa pode levar vantagem sobre a outra.
Resultados entre as duas equipas, em todas as competições, desde 2010 Fonte. ZeroZero
A 1ª parte do encontro foi bem disputada. Contudo, considero o jogo do Real Madrid bastante superior ao do adversário. Em termos de posse de bola obviamente que a equipa catalã leva vantagem, mas se olharmos para oportunidades de golo a equipa de Madrid é superior.
Aos 11 minutos, fruto de uma boa jogada de contra-ataque, Di Maria inaugura o marcador num remate algo fraco em que o guarda-redes Pinto não fica muito bem na fotografia.
O Barcelona não possuiu qualquer oportunidade de golo, e na 2ª parte teria de melhorar significativamente. Queria destacar alguns jogadores que na 1ª metade realizaram, na minha opinião, um bom jogo. Da parte do Barcelona: Iniesta é sem dúvida alguma o cérebro da equipa e a sua qualidade técnica é inqualificável; Jordi Alba sobressaiu inúmeras vezes e a equipa usou bastantes vezes o seu flanco para tentar empatar a partida; Lionel Messi continua como nos tem habituado nos últimos encontros (muitíssimo apagado).
Relativamente ao Real Madrid, Gareth Bale desequilibra por completo a defesa adversária quando acelera, Di Maria está a jogar muito bem, principalmente a defender, Modric, através do seu poder de passe, tem-se revelado importante para a construção do jogo ofensivo da equipa e os centrais madrilistas dão segurança à sua defesa.
Bale foi, claramente, o jogador que mais desequilibrou a defesa do Barcelona Fonte: Telegraph.co.uk
A 2ª metade começou com mais do mesmo: O Real superior, a jogar no erro do adversário e a aproveitar todas as oportunidades para causar perigo. O Barça entrou como tinha terminado a 1ª parte: mais posse de bola, pouquíssimas oportunidades de golo e um jogo desinspirado.
Ao minuto 68 da partida o Barcelona empata o jogo, relançando-o por intermédio do central Marc Bartra. O golo surge dum canto em que o central formado no clube aparece sozinho devido a uma falha de marcação de Pepe e num cabeceamento de alto nível bate Casillas.
Com o empate, a equipa embalou e cresceu no jogo.
Decorria o minuto 85 e era previsível o jogo ir para o descanso. Todavia, Fábio Coentrão recupera a bola e passa-a ao extremo gaulês que numa fenomenal arrancada faz um bom golo, deixando o autor do golo adversário para trás e sem qualquer hipótese de o acompanhar. Depois do golo, os pupilos de Carlo Ancelotti tiveram de segurar o resultado e Neymar, mesmo no fim do encontro, quase estragava a festa dos adeptos do Real Madrid ao rematar ao poste.
Para aqueles que consideram que caso este remate de Neymar tivesse entrado o jogo ficava empatado desenganem-se, porque estão-se a esquecer do tiro de Luka Modrid ao poste (caso fosse golo ficaria 2-1 para o Real sem contar com o tento de Bale).
Considero que o árbitro esteve muitíssimo bem, salvo 1 ou 2 lances, porque deixou que se jogasse futebol. Manteve um critério largo para ambos os lados e não alterou as suas decisões face aos exorbitantes e exagerados protestos dos jogadores.
Para mim, Bale é indubitavelmente o homem do jogo devido à grande exibição que fez e, claro, ao golo apontado. Messi é, mais uma vez, a desilusão do jogo devido à sua “ausência” na partida.
Lionel Messi esteve, outra vez, aquém das expetativas Fonte: : Bandsports.band.uol.com.br
Concluindo, considero esta uma vitória justa em que o Real Madrid se mostrou superior, deteve mais oportunidades de golo, manteve as suas linhas organizadas e coesas, não teve medo da expressiva posse de bola do adversário e fez um grande jogo. Com esta 1ª vitória frente ao Barcelona, a equipa de Cristiano Ronaldo conquista a sua 19ª Taça do Rei, sendo este o 1º título da temporada.
Com esta derrota, a equipa catalã sofre a 3ª derrota consecutiva estando já afastada da Liga dos Campeões e da Taça do Rei. No campeonato encontra-se na 3ª posição e para ser campeã terá de vencer todos os jogos e esperar que tanto o Atlético de Madrid como o Real Madrid percam pontos. Poderá afirmar-se que esta equipa está a passar por uma surpreendente crise de resultados? Creio que sim!
O Benfica derrotou o FC Porto por 3-1 e apurou-se para a final da Taça de Portugal. Os encarnados adiantaram-se no marcador por intermédio de Salvio, mas Silvestre Varela, já no segundo tempo, igualou a partida. Com a eliminação garantida, a equipa de Jorge Jesus reagiu e acabou por marcar dois golos vitais (Enzo Pérez de penalty e André Gomes num lance monstruoso) que lhe garantiu um lugar no Jamor. Destaque ainda para as expulsões de Guilherme Siqueira (27′), Ricardo Quaresma (89′) e dos treinadores de ambas as equipas.
Sport Lisboa e Benfica
O melhor de Portugal já está na final
Se havia dúvidas ficaram dissipadas: o Benfica é de longe a equipa que melhor futebol pratica em Portugal. Que grande jogo. Que qualidade de futebol tem esta equipa comandada por Jorge Jesus. O Benfica carimbou a passagem ao Jamor com todo o mérito do mundo.
Depois do jogo da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, que culminou na vitória do FC Porto por 1-0, no estádio do Dragão, o Benfica entrou a todo o gás com a habitual pressão alta e muita dinâmica ofensiva. O FC Porto, por seu turno, optou por um jogo de contenção à espera de ver o que faziam os encarnados. Os homens de Luís Castro permaneceram sempre muito estáticos em campo e mesmo com mais um jogador durante 60 minutos nunca foram superiores ao clube da casa.
Os primeiros 20 minutos do Benfica foram simplesmente avassaladores, contrastando com a apatia portista. De fato, a mobilidade atacante dos homens da frente do Benfica causaram imensos problemas à defesa azul e branca, que raramente acertou as marcações. Esse primeiro período forte das águias resultou no golo da vantagem: Gaitán, sobre o flanco esquerdo, tira um magnífico cruzamento e Salvio, já dentro da pequena área do FC Porto, cabeceia não dando qualquer hipótese a Fabiano. Justiça no marcador.
O jogo continuou na mesma toada até que Pedro Proença decidiu, uma vez mais, ser protagonista num jogo de futebol. Entre o minuto 25 e o minuto 28 mostrou dois amarelos e o respetivo vermelho a Siqueira. Se no lance do segundo cartão amarelo (28m) o defesa benfiquista foi imprudente na falta que cometeu sobre Ricardo Quaresma, tendo visto com toda a justiça o cartão amarelo, o primeiro lance é bastante duvidoso, ficando a ideia de que Siqueira utiliza o ombro na disputa de bola.
A jogar com dez, o Benfica baixou as linhas, o que permitiu ao FC Porto ter mais bola. Porém o resultado permaneceria igual até ao fim da primeira parte.
Salvio foi o autor do primeiro golo encarnado Fonte: zerozero.pt (Carlos Alberto Costa)
O recomeço do jogo ditou uma nova filosofia por parte de ambas as equipas: enquanto o FC Porto subiu as linhas e o bloco do meio-campo, de forma a chegar perto da baliza de Artur, o Benfica tentou avançar no terreno utilizando transições rápidas pelos alas Nico Gaitán e Eduardo Salvio. Com Herrera a pautar todo o jogo portista, os dragões chegaram ao empate ao minuto 52, num grande lance individual de Varela. O FC Porto ganhava uma importante vantagem no marcador da eliminatória.
Porém, o Benfica nunca desistiu e foi em toda a linha superior ao seu rival – sim, mesmo com menos um jogador.
A habitual garra de Enzo e a classe de André Gomes (que enorme, enorme exibição do médio português) davam mostras de querer agarrar o jogo e a passagem à final. Foi precisamente Enzo Pérez que transformou uma grande penalidade conquistada por Salvio ao minuto 59.
O público da Luz acreditava de novo e os jogadores também. A recompensa veio ao minuto 80, quando André Gomes apontou o melhor golo da noite. A forma sublime como recebeu a bola de Gaitán e tirou Fernando do caminho é digna de uma curta-metragem. Que grande golo! A Luz explodia de alegria.
Os últimos minutos foram tudo menos futebol. Alguma quezílias entre os jogadores e, uma vez mais (!), Pedro Proença não resistiu a ser protagonista e expulsou Jorge Jesus e Luís Castro. O FC Porto foi incapaz de vencer um Benfica muito forte coletivamente. A coesão e o espírito de sacrifício foram a chave para a passagem à final da Taça de Portugal.
A Figura O coletivo – Não há palavras para a garra desta equipa. Jogam todos em prol do coletivo e isso é a chave do sucesso.
O Fora-de-Jogo Pedro Proença – O suposto melhor árbitro do Mundo não teve (mais uma vez) controlo sobre o jogo. É um facto que não merece apitar estes encontros.
Pedro Beleza
Futebol Clube do Porto
Uma derrota digna de um espaço F
11 de maio de 2013: Aos 92 minutos do FC Porto-Benfica, o improvável Kelvin fez o golo decisivo que deu a conquista do título nacional 2012-2013. Em pleno Estádio do Dragão, Jorge Jesus ajoelhava-se e 50 mil explodiam de alegria. Mais importante do que o golo ou o título, aquele momento de magia de Kelvin valeu-lhe um espaço privilegiado no museu do FC Porto.
Peço desculpa, caro leitor, por ter começado a crónica deste jogo com esta efeméride, mas permita-me que 11 meses depois daquela que foi uma das vitórias mais épicas da história portista, eu tenha que colocar isto em linha de comparação com aquilo que aconteceu esta noite no Estádio da Luz. Naquela noite de 11 de maio, e apesar de toda a festa que me envolveu, lembro-me perfeitamente de ter pensado comigo mesmo que aquele golo teria sido o pior que podia ter acontecido ao FC Porto. A explicação para este meu pensamento valeria uma tese de doutoramento, mas em poucas palavras lhe explico que a razão para esta minha crença teve que ver com a capacidade do FC Porto reagir a mais uma vitória perante o seu rival. Por isso mesmo, sempre temi que um jogo como o desta noite fosse acontecer. Não vou citar Bruno de Carvalho para dizer que sou adivinho, mas cá no fundo sempre soube que um jogo como o desta noite iria mais tarde ou mais cedo acontecer. Tudo porque a história nunca se repete e mais tarde ou mais cedo, o feitiço vira-se contra o feiticeiro.
Depois de dois campeonatos caídos completamente do céu, o FC Porto ficou na zona de conforto, julgou que as vitórias iriam aparecer sem esforço. Basicamente, o FC Porto deixou de ser FC Porto: deixou de ser uma equipa com garra, com caráter, com vontade, com atitude, que a cada momento e a cada jogo lutava como se não houvesse amanhã, e que pressionava de forma tão sufocante que não tinha rival equiparável. Naquela noite de 11 de maio, tudo sucumbiu. E tudo sucumbiu porque o FC Porto julgou que aquele gesto de Jorge Jesus era a rendição eterna do rival Benfica e que a partir daquele momento, mais golos dignos de museu iriam aparecer na equipa portista. A partir daquele momento, piadas foram feitas sobre o rival, histórias foram criadas sobre aquela humilhação e parecia que tudo na história portista agora se resumia ao minuto 92.
Quaresma foi uma das desilusões do encontro Fonte: zerozero.pt (Carlos Alberto Costa)
Eu, que nunca fui muito de ligar a emoções, bem sabia que esta noite iria aparecer: porque era demasiado óbvio que o feitiço se iria virar contra o feiticeiro e porque era demasiado evidente que o FC Porto iria “pagar” por tudo aquilo que disse e fez. Na altura, e apesar dos festejos justos e naturais do título, o clube dos 120 anos de história, o clube dos títulos europeus, o clube do tri, do tetra e do penta, decidiu, no seu museu, onde apenas teriam lugar os imortais, colocar o nome de Kelvin. Sim, esse mesmo que marcou aquele golo decisivo e que ganhou o direito de ter um lugar no passeio da fama portista. Não, não vou dizer que o facto de o FC Porto já não ter nada para disputar (excluo a Taça da Liga) este ano seja resultado desse golo aos 92 minutos. Não, não vou ser injusto e esquecer tudo o que o FC Porto deu aos adeptos em tantos anos da sua história. Mas por isso, e sobretudo por isso, caro leitor, escrevi todas estas linhas para contextualizar aquilo no qual o meu clube se tornou.
Enquanto sócio e adepto há muitos anos, sempre me habituei a ver o meu clube a ganhar, empatar e perder. Afinal de contas, o futebol é um jogo e por isso, tudo pode sempre acontecer. E não é por isso que escrevo, e não é pelas constantes derrotas esta época que escrevo este texto. Perder não é aquilo que mais me custa, mas a forma como perco, isso sim, merece a minha atenção. Há uns meses escrevi um artigo sobre a saída de Paulo Fonseca. Se bem se lembra, o título foi “Acabou o duplo pivô, e agora?”. Não foi à toa que na altura escolhi aquele título para o meu texto. Isto porque, e tal como expliquei naquelas linhas, o problema do FC Porto era bem mais profundo do que apenas o treinador. Naquela altura, evidenciei a falta de atitude e de qualidade dos jogadores; tentei mostrar a falta de competência da tão proclamada estrutura portista. Afinal de contas, na altura saiu apenas o elo mais fraco da equipa: o treinador. Contudo, a partir daquela célebre noite de 11 de maio, os problemas foram bem outros e estão à vista de todos.
Durante as centenas de jogos que já vi ao vivo do FC Porto, e apesar de todas as derrotas a que já presenciei, nunca me tinha sentido envergonhado. Hoje, 16 de abril de 2014, posso dizer que este foi o jogo onde senti essa vergonha. Não foi apenas por ter perdido 3-1 contra o Benfica quando a equipa esteve 60 minutos a jogar com mais um elemento; não foi apenas por termos ficado de fora da final do Estádio do Jamor. Hoje senti vergonha porque cá no fundo, sempre soube que esta noite iria acontecer. Não sou adivinho, nem me sinto um homem particularmente afortunado, mas permita-me que conclua que esta minha previsão teve que ver com a evidência do comportamento do clube durante todos os meses subsequentes àquela memorável noite. Foi o facilitismo da implacável estrutura, que julgou que tudo seriam “favas contadas” a partir daquela noite; foi a constante provocação de dirigentes e adeptos sobre um momento que não foi mais do que a conquista de mais um título; foi sobretudo o pensamento de que a partir daquela noite, o FC Porto ganharia com qualquer treinador e com qualquer jogador.
Depois desta noite, espero que o FC Porto volte a ser o que sempre foi e sobretudo que esta noite tenha servido para abrir os olhos a muita gente dentro do clube. Esta noite, no Estádio da Luz, só uma equipa com muito carácter, atitude, garra e vontade conseguiria fazer o que o Benfica fez. Sim, não foi por acaso que escolhi estas palavras, porque se bem se lembra, era com estas características que ano após ano eu via o FC Porto. A partir daquele célebre minuto 92, o espaço K mudou tudo: mudou a maneira de ser do clube, dos dirigentes, dos jogadores e dos adeptos. Depois destes constantes desaires, algo tem que mudar porque a história do FC Porto assim o exige. Nem que para isso tenha que ser criado um espaço F, para explicar o fracasso e o falhanço desta época. Porque afinal de contas o feitiço acaba sempre por se virar contra o feiticeiro. O FC Porto tem de o saber. Não há outra hipótese.
A Figura André Gomes – O médio português foi o pulmão da equipa benfiquista e fez um golo de bandeira que colocou os encarnados no Jamor.
O Fora-de-Jogo Ricardo Quaresma – Mais um jogo em que Quaresma não quis jogar e onde provou o seu pior lado, tal como tinha feito na Madeira. Estava mais que visto que iria levar o segundo amarelo e, já perto do fim, Pedro Proença fez-lhe a vontade.
A classificação do Campeonato Nacional de Futsal permaneceu da mesma maneira devido às vitórias de Benfica e Sporting. O Benfica venceu o Olivais por 5-0, e o Sporting a Académica por 15-2.
A equipa líder do campeonato não vacilou diante do Olivais e mantém-se, assim, no primeiro lugar da classificação. O Benfica não encontrou grandes dificuldades para derrotar o atual 11º classificado.
Apresentou-se como nos tem habituado: seguro, organizado, a praticar um bom futsal e forte na finalização. De realçar a boa exibição de Joel Queiroz, que apontou dois golos.
Joel Queiroz, uma das figuras da equipa encarnada, no encontro diante do Olivais Fonte: Slbenfica.pt
Com este resultado e faltando apenas um jogo, a equipa encarnada muito dificilmente não conquistará a Fase Regular.
Em Coimbra, o Sporting cilindrou a equipa da casa por uns expressivos 15-2. Foi um jogo de sentido único, em que o Sporting mostrou todo o seu poderio ofensivo. A Académica nada conseguiu fazer para se impor, a não ser os escassos dois golos que marcou. A equipa de Coimbra ocupa neste momento o penúltimo lugar, e a descida de divisão é neste momento irreversível.
Divanei foi a grande figura do encontro, ao apontar três golos Fonte: ZeroZero
O Sporting partiu para este jogo com a certeza de que não poderia perder qualquer ponto caso quisesse ainda conquistar a Fase Regular. Com este resultado, a equipa mantém o segundo lugar.
A equipa leonina é, neste momento, aquela com mais golos marcados (153) e a que tem menos golos sofridos (50). Estes números simbolizam a boa época que os leões estão a realizar, mas são meros números. O Benfica tem 109 marcados e 52 sofridos, estando também a realizar uma belíssima temporada, ocupando o primeiro lugar, superiorizando-se ao rival Sporting.
A Fase Regular está muito perto do fim, e há apenas duas incertezas: qual será o vencedor da mesma e qual será a oitava equipa apurada para os playoffs.
Na minha opinião, o Benfica será, sem qualquer dúvida, o vencedor da Fase Regular (o último jogo encarnado disputa-se no Pavilhão da Luz, diante da Académica).
Relativamente à oitava equipa apurada para os playoffs, penso que será o Belenenses. A equipa azul joga em casa, contra um adversário muito difícil, o Fundão, mas o seu adversário direto (Modicus) joga frente ao Sporting, em casa do mesmo. Visto isto, mesmo que o Belém perca assegurará o tão desejado lugar nos Play-offs. Para ocorrer uma mudança no oitavo e nono classificados, é necessário que o Belenenses perca ou empate e aconteça algo surpreendente: o Sporting perder. Relembro que este ano a equipa verde e branca somente perdeu com o seu rival Benfica.
Classificação da Fase Regular do Campeonato Nacional de Futsal Fonte: ZeroZero
Concluindo, considero que esta está a ser uma Fase Regular muito intensa e antevejo uns playoffs muitíssimo competitivos.
– Já algum de vocês jogou com o Brasil?
É este o grito que a claque do Exeter, modesto clube inglês do quarto escalão, entoa em todas as partidas. Mas por que razão o fazem? Vamos viajar no tempo para entender.
Brasil, há 100 anos.
Estamos a 21 de julho de 1914. A uma semana exata do rebentamento do primeiro conflito à escala global. Brasil e Inglaterra – talvez já prevendo que ambos iriam ser aliados na Guerra – decidiram estreitar laços. O modus operandi? Futebol. Nada melhor do que a velha máxima de “pão, vinho e circo”, que os nossos antepassados romanos tão bem conceberam, antes de uma batalha sangrenta.
O Brasil jogava com o Exeter, no Rio de Janeiro. Mas algo de estranho se passava. Os favoritos eram os ingleses, inventores que foram do desporto rei. A seleção canarinha funcionava como um obediente aluno. Mas o aprendiz venceu o mestre. A partida terminou com uma vitória brasileira por 2-0.
Só que, depois disso, ambos largaram as mãos que os unia e tiveram um destino diferente. O Brasil escusa-se a apresentações. Cinco vezes campeão Mundial. Já o clube britânico enfrentou uma travessia de que nunca mais se conseguiu livrar. É que o Exeter passaria as décadas seguintes a penar pelas divisões inferiores do futebol em terras de Sua Majestade.
Mas a viagem da equipa do sul de Inglaterra teve as suas explicações. Primeiro, o Tottenham recusou o convite. Depois foi o Exeter a substituir os “spurs”. Jogaram nove jogos em 15 dias, na Argentina, em ambientes completamente inóspitos. Depois, no Brasil, as terras mostravam-se mais hospitaleiras. Uns dias em S. Paulo para relaxar e mais umas quantas jornadas no Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa tinha Copacabana, em alta e chiquérrima, para oferecer.
Depois do embate, o guarda-redes dos visitantes, Dick Pym, apaixonou-se por terras de Vera Cruz. O inglês levou consigo um papagaio de recordação e, quando o alegre bicho faleceu, Pym enterrou-o debaixo do relvado do St. James Park, o estádio do Exeter.
fotografia do primeiro jogo da seleção brasileira, em 1914Fonte: www.itv.com
Inglaterra, atualmente.
O pequeno clube britânico também celebra o Dia do Brasil: um encontro jogado uma vez na época, onde os fãs aparecem com camisas, bandeiras, galhardetes, cachecóis e outros artefactos da seleção do escrete. As bandeiras do país são hasteadas e ainda há escola de samba para quem tem ritmo no pé.
Apesar disso, o clube inglês passa por dificuldades. A equipa luta contra a descida de divisão e está em desvantagem financeira em relação aos concorrentes. Nos “Grecians”, apelido pelo qual são conhecidos os membros do Exeter, o salário médio é de 700 libras por semana (cerca de 850 euros), contra mil libras-esterlinas dos outros emblemas. A queda para a quinta divisão representaria um corte severo no orçamento.
Mas como agora, findas duas guerras mundiais e vindo o tempo de paz, tudo parece mais calmo, nada como voltar a estreitar laços. O Exeter planeia viajar para o Brasil em julho (data dos 100 anos do primeiro encontro).
Por outro lado, o Exeter, de momento, não tem relações com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). De qualquer forma, a viagem para o Rio de Janeiro, 100 anos após a primeira, é aguardada com ansiedade no clube. Sem dinheiro, o Exeter vai empreender uma série de ações para reforçar o cofre. Na loja oficial, na sede dos “Grecians”, estão à venda camisas com a foto da equipa em 1914, em referência ao duelo com o Brasil. Uma réplica da camisola do Exeter em 1914, um filme e um livro sobre o feito parecem ser os ingredientes perfeitos para espalhar a mensagem da mística epopeia britânica vivida em terras que, outrora, foram colónias portuguesas.
Um dia enfrentando-se como iguais, em termos de retrospetiva podemos ver que o Exeter e a seleção do Brasil tiveram destinos opostos. Mas o desporto é isto mesmo. Juntar o rico e o pobre. Em campo todos são iguais. E agora a história pode unir novamente ao escrete aqueles que tiveram a honra de ser os primeiros adversários de sempre. Porque para haver um vencedor, também tem de haver vencidos.