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Que filmes devo rever nesta quarentena: Happy Gilmore

Para grandes males, grandes remédios. Este filme não é definitivamente nenhuma solução para a crise de saúde pública que o mundo atravessa, porém, é com certeza, uma ótima distração de hora e meia. Nada melhor que uma comédia desportiva com Adam Sandler como personagem principal, para nos ocupar, em tempos de total suspensão das provas nacionais e internacionais.

Happy Gilmore”, retrata a história de Happy Gilmore – jogador de hóquei no gelo, rejeitado pela “falta de jeito”, que posteriormente, veio a descobrir a sua vocação noutro desporto. E por mais incrível que pareça: no golfe. Não por mera opção de lazer, mas pela vertente financeira, o protagonista trocou os ringues gelados pelos relvados sem fim à vista, com o objetivo de recuperar a casa da avó que tinha sido penhorada.

Happy Gilmore – entenda-se, Adam Sandler – nunca teve dotes de patinador. Ainda assim, persistia a vontade de se tornar num profissional de hóquei. Até que certo dia, experimentou o desporto dos “pulôveres aos losangos” (como o próprio o carateriza) e foi tão simples como somar um mais um. Apenas teve de transportar o seu ponto forte (a potência em cada tacada) para outra modalidade. Só parou de subir nas tabelas quando atingiu o seu objetivo principal, levou o cheque para casa e recuperou a habitação da única familiar que lhe restava.

A este filme de 1996, não poderia faltar uma banda sonora composta por nomes como Lynyrd Skynyrd, Kansas e Lionel Richie (entre outros), deixando no ouvido algumas músicas bem conhecidas dos anos 90. Para além disso, conta também com um elenco de renome. Cristopher McDonald, representa o papel de “Shooter” McGavin (o melhor jogador do circuito e arquirrival de Happy). E para dar uma “cara bonita” a esta obra, eis que surge Julie Bowen (Virginia Venit, no filme) – relações públicas da Pro Golf Tour.

No fundo, é das melhores longas-metragens para entreter qualquer pessoa que queira conjugar desporto e comédia. A excentricidade contraditória ao que é o jogador de golfe comum, bem como todos os obstáculos e peripécias retratados, tornam-na especial. Um filme americano, distribuído pela Universal Pictures e classificado em 7.0 pelo especializado site IMDb. Deixo-vos com o slogan aquando da estreia: “He doesn’t play golf, he destroys it”.

Que jogos devo rever nesta quarentena? SC Braga 1-0 SL Benfica, meia-final da Liga Europa

Que jogos devo rever nesta quarentena? SC Braga 1-0 SL Benfica, segunda mão da meia-final da Liga Europa: certamente todos se lembrarão deste jogo. Principalmente num período negro para o futebol português, em que numa fase tão precoce já não restam equipas nas competições europeias, venho recordar a época de 2010/2011, onde Portugal proliferou na Liga Europa e colocou duas equipas na final de Dublin e três nas meias finais.

Um dos jogos mais marcantes da história do futebol português foi sem dúvida o SC Braga – SL Benfica da segunda mão das meias finais da Liga Europa. Pelo contexto, pelo feito histórico que representou para Portugal e pelo prémio para uma campanha sensacional que o SC Braga fez a nível europeu nessa época.

Na verdade, o SC Braga tinha ficado em 3° lugar do seu grupo da Liga dos Campeões, caindo para a Liga Europa onde eliminou o Lech Poznan, o Liverpool FC (com um épico 0-0 em Anfield) e o Dynamo de Kiev antes de encontrar o Benfica nesta fase.

Por sua vez, as águias o Estugarda, o Paris Saint-German e o PSV antes desta meia final portuguesa.

Portugal teve pela primeira vez duas equipas numa final europeia. O super FC Porto de André Villas Boas (que acabaria por vencer a prova) cilindrou o Villarreal no Estádio do Dragão pelo que a grande dúvida estava reservada para Braga, onde o 2-1 conseguido pelo Benfica na primeira mão deixava tudo em aberto.

O SC Braga começou mais forte. Com domínio, com bola e com intensidade. Tudo o que definia essa equipa orientada por Domingos Paciência. Embora sem criar grandes oportunidades aparte de um remate de Hugo Viana, sentia-se que o Braga estava mais metido no jogo do que o Benfica. Os homens de Jorge Jesus entraram com uma estratégia nítida de defender o resultado e todos sabemos que quando uma equipa entra em campo para defender, as coisas não correm bem.

O destino prega partidas fantásticas e se nos referirmos ao futebol ainda mais. Quiseram os deuses futebolísticos que fosse Custódio (Sim, exatamente, o atual treinador do SC Braga) o autor do golo que apuraria os minhotos para a grande final de Dublin. Aos 19 minutos, após canto de Hugo Viana, a cabeçada do médio foi tão fulminante quanto espetacular. Uma grande capacidade de rotação em pleno “voo” culminada com um golpe de cabeça fortíssimo não dando hipóteses ao guarda redes Roberto. Estava feito o tão desejado golo por que ansiavam os milhares de adeptos do Braga que encheram o seu estádio numa noite histórica.

SC Braga fez história na Europa
Fonte: UEFA

Em desvantagem na eliminatória, o Benfica foi atrás do prejuízo mas nunca teve ideias suficientes para incomodar verdadeiramente Artur Moraes. Gaitan e Carlos Martins eram os mais inconformados do lado encarnado mas, para além da sólida exibição defensiva da equipa do Braga, a falta de inspiração dos jogadores do Benfica era gritante.

O jogo acabou com a vitória e consequente apuramento histórico do Braga para a final da Liga Europa, onde iria acabar por perder para o FC Porto. Daí ser um dos jogos da rubrica “Que jogos devo rever nesta quarentena?”. Foi uma final histórica: uma final totalmente portuguesa.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

SC Braga – Artur Moraes; Miguel Garcia, Paulão, Alberto Rodriguez e Silvio; Custódio, Hugo Viana e Mossoró (Kaká 80′); Alan, Lima (Leandro Salino 73′) e Meyong (Hélder Barbosa 87′).

SL Benfica – Roberto; Maxi Pereira, Luisão, Jardel e Fábio Coentrão; Javi Garcia, Carlos Martins (Kardec 81′), Gaitán e César Peixoto (Jara 58′); Saviola (Felipe Menezes 87′) e Cardozo.

 

“A Filosofia dos Expected Goals – O que é e para que serve?”

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É uma realidade que o futebol tem mudado ao longo dos tempos: as táticas, os jogadores, as novas tecnologias como a linha de golo, o tão criticado VAR e, temos ainda outro lado menos falado – novas estatísticas como o Expected Goals. Chama-se evolução e faz parte de qualquer jogo, qualquer modalidade.

Realidade também é que o Futebol, ao contrário de outras modalidades, como o Basquetebol, Basebol e o Hóquei, tem sido mais resistente à natural proximidade da matemática como ciência para explicar o jogo de uma forma mais racional e lúcida. Mas já existem exceções, digamos que Billy Beane está para o tão conhecido “MoneyBall” e para os Oakland Athletics como Ramón Rodríguez Verdejo, conhecido como Monchi, esta para o Sevilla ou Matthew Benham para o Brentford FC e FC Midtjylland.

Mas o que é isto dos Expected Goals?

Não consegui encontrar melhor definição para o apelidado de (xG) como li no livro da autoria de James Tippet – “The expected goals philosophy”, a qual passo a resumir.

De forma simples, Expected Goals (xG) diz-nos a quantidade, mas principalmente a qualidade de oportunidades de golo que uma equipa criou num jogo. É normal, quando fazemos a retrospetiva de um jogo e dizemos «Se tivéssemos marcado aquele golo de penalty, tínhamos ganho!» Ou em bom português, «Se o árbitro tivesse marcado aquela falta, tínhamos ganho!» ou até mesmo, «Rematamos tantas vezes, como não marcamos golos?», nem sempre o que os nossos olhos dizem, é verdade. O papel da estatística Expected goals (xG) é repor um pouco dessa verdade, é uma maneira simples de quantificar as oportunidades de golo.

Como funciona?

De forma simples, Expected Goals (xG) indica-nos a quantidade de oportunidades de golo que uma equipa deveria ter concretizado face a quantidade e a qualidade criadas durante a partida.

Medimos o Expected Goals (xG), a probabilidade de um remate resultar num golo. Parece-nos obvio que a probabilidade de um remate a 30 metros da baliza com três ou quatro adversários pela frente será baixa. Por outro lado, um remate dentro da área, “só” com o guarda-redes pela frente, terá uma probabilidade muito mais alta de se tornar num golo.

É claro que a distância a que o remate é feito é uma das principais métricas para determinar a probabilidade de um remate, mas de longe, que seja a única. Nas melhores casas de Sports Science, para a construção do Expected Goals, é levado em conta se o remate é proveniente de um cruzamento, se é feito com a cabeça, em volley, o ângulo do remate e até mesmo se o remate é feito com o pé dominante do jogador.

Caso prático (Fictício):

Domingo à tarde, Liverpool vs Mancherster City, jogo importante para as contas do título. Infelizmente não conseguimos assistir ao jogo, mas no final do mesmo, vamos ver as estatísticas porque queremos ter a noção do que se passou no jogo.

Liverpool ganhou 1-0 aos azuis de Manchester, no entanto, as estatísticas revelam-nos que o Manchester City rematou 4x mais que os Reds.

 

Vamos às estatísticas:

Equipa Remates à baliza Expected Goals (xG)
Liverpool 2 0.3 + 0.4 = 0.7
Manchester City 8 0.1 + 0.1 + 0.1 + 0.1 + 0.1 + 0.1 + 0.1 + 0.1 = 0.8

 

Por miúdos, sem ver o jogo e olhando só para os “Remates à baliza”, vamos calcular que o Manchester City foi sem dúvida a melhor equipa em campo e vamos apelidar de uma tremenda injustiça ou até mesmo um milagre o que se passou em Anfield. Através da estatística dos Expected Goals podemos constatar que não é bem assim. É verdade que o Manchester City rematou mais, mas foram remates de longe, mal-enquadrados, sem uma construção eficaz que os aproximasse das verdadeiras oportunidades de golo. Remataram oito vezes, com cada remate a ter uma probabilidade de 10% de se tornar um remate vitorioso.

Por outro lado, constatamos que o Liverpool foi uma equipa criteriosa na construção da sua manobra ofensiva, concluindo dois remates. Um com 30% de probabilidade de acabar nas redes adversarias e outro com 40%, um remate de Firmino, bem enquadrado com a baliza que decidiu o contendo entre as duas equipas.

Concluído e de uma forma bastante resumida, a estatística Expected Goals (xG) aproxima-nos da verdade do jogo através de números. São inúmeros os casos onde podemos utilizar esta ferramenta para melhorar a nossa compreensão sobre o jogo e melhorar o mesmo. Ainda não chegámos lá, mas está mais próximo o dia em que qualquer equipa poderá usar esta métrica para melhorar o seu jogo.

O Passado Também Chuta: CD Olivais e Moscavide na Segunda Liga 2006/2007

Época 2006/2007. O CD Olivais e Moscavide tinha garantido a subida à Segunda Liga – e procurava causar sensação por entre as restantes 15 equipas que disputavam esta divisão do futebol português, embora sabendo que a tarefa não seria nada fácil pois a despromoção no final da prova era o cenário apontado.

A exigência da Segunda Liga obrigou os diretores do clube a irem à procura de garantir os melhores reforços para a equipa lisboeta poder lutar com bravura e determinação durante as trinta jornadas. Ao Estádio Alfredo Marques Augusto chegaram alguns jovens com o objetivo de ajudar o CDOM a garantir a manutenção, além de olharem para esta experiência como uma oportunidade para vingar ao mais alto nível no Futebol sénior: Bruno Pereirinha, André Marques, Carlos Saleiro, Hélio Roque e Fernando Alexandre.

A junção destes emprestados pelo Sporting CP e SL Benfica à maior parte do núcleo duro – Duarte Machado, Nuno Abreu, Serginho, Cléo, entre outros – que havia conquistado o título de campeão da II.ª Divisão frente ao outro promovido, CD Trofense (vitória por 2-1 na final do play-off de subida), fazia aumentar as esperanças dos adeptos do Moscavide em fazer um campeonato tranquilo e longe da zona de perigo.

O inicio de campeonato foi totalmente ao lado das expetativas da massa adepta: empate fora a uma bola frente ao GD Estoril Praia na ronda inaugural e duas derrotas consecutivas ao Trofense e Rio Ave FC (0-2 em casa e 2-1 fora, respetivamente) colocaram em dúvida a capacidade do CDOM em lutar de igual para igual com as outras equipas. Contudo, a jornada quatro acabaria por ser o ponto de viragem no ciclo de jogos negativos para os comandados do técnico Rui Dias.

No tarde de 24 de setembro de 2006, a equipa de Lisboa recebe no seu terreno o Vitória SC. Com o claro objetivo de regressar à Primeira Liga, a equipa da Cidade Berço também tinha perdido as duas partidas anteriores frente ao Varzim SC e Penafiel FC, e os seus fiéis adeptos começavam a perder a paciência com o treinador Luís Norton de Matos, daí que fosse importante sair da capital com os três pontos.

Com o Alfredo Marques Augusto bem composto, a partida começou da melhor forma para os visitados: o reforço do meio-campo, Celestino, abre o marcador logo ao minuto 3’ e lança a euforia nas bancadas. Antes da meia-hora de jogo, foi a vez do avançado brasileiro Cléo ampliar a vantagem caseira. Tiago Targino na segunda parte ainda reduziu a desvantagem, mas o triunfo não fugiria ao Olivais e Moscavide que celebrava assim a primeira vitória na Segunda Liga. Na sequência da derrota, a direção vimaranense despediu Norton de Matos e contratou Manuel Cajuda para o seu lugar, uma mudança que se provaria como acertada meses mais à frente.

O bilhete do jogo entre CD Olivais e Moscavide e Vitória SC, que terminou com uma vitória por 2-1 para a equipa lisboeta
Fonte: Guilherme Costa/Bola na Rede

O triunfo tangencial foi o mote que a equipa de Rui Dias necessitava para seguir numa sequência de jogos sem perder – sete partidas no total sem conhecer o sabor da derrota -, com os principais destaques para as vitórias sobre o Varzim (2-1) e GD Chaves (4-1, o resultado mais robusto dessa época). A sequência positiva fez com que o Olivais e Moscavide saltasse da nona posição à quarta jornada para o quarto posto da classificação com 19 pontos conquistados e a três dos lugares de subida, quando o final da primeira volta estava perto. No entanto, a visita a Barcelos terminou de forma amarga, já que o golo solitário de Edinho pôs fim à senda positiva e os “fantasmas” do mau início de campeonato voltariam a assombrar o conjunto lisboeta.

A derrota fora frente ao Gil Vicente FC foi o início de uma hecatombe para o CDOM com cinco derrotas consecutivas, sendo que uma delas resultou na eliminação da Taça de Portugal na 4.ª Eliminatória contra o AD Pontassolense. A equipa caiu assim para o 11.º lugar no fim da primeira volta, e só regressaria aos triunfos na receção ao Estoril – 3-1 foi o resultado final do encontro que marcou o início da segunda volta, volta essa em que o Moscavide já podia contar com reforço de inverno Fábio Paim.

Na jornada seguinte, o Desportivo conseguiria triunfar novamente, desta vez na visita ao terreno do Trofense e pela margem mínima. Os jogadores estavam longe de imaginar que esse seria mesmo a última vitória na Segunda Liga…

A derrota com o Rio Ave por 1-3 foi o início de um longa “travessia no deserto” para o Olivais e Moscavide: daí em diante, foram dez jogos seguidos sem sentir o sabor da vitória, em que os resultados mais positivos foram dois empates frente ao Vizela (0-0) e Portimonense (1-1). Para agravar a situação, Rui Dias decidiu abandonar o comando técnico a quatro jornadas do fim do campeonato, trazendo assim maior instabilidade à equipa que vista de grená e azul.

A três pontos do primeiro posto acima da “linha de água” ocupado pelo Portimonense SC, a penúltima jornada era uma verdadeira “prova de fogo” para o CDOM. O Leixões SC era o adversário e a equipa de Matosinhos precisava de vencer na capital portuguesa para consomar o regresso à Primeira Liga, 18 anos depois da última presença. A falange de apoio vermelha e branca proveniente de Matosinhos invadiu o Alfredo Marques Augusto e foi determinante para empurrar os seus atletas para a vitória por 1-2, o que deixou o Moscavide numa situação ainda mais delicada no que dizia respeito à manutenção. O empate do Portimonense na ida à casa do Gil Vicente adiou tudo para a última ronda.

O onze que iniciou a partida frente ao Leixões SC, ocorrida no dia 13 de maio de 2007
Fonte: CD Olivais e Moscavide

Na jornada 30, as contas eram simples: vencer na casa do CD Feirense e esperar a derrota do Portimonense frente ao Gondomar SC, visto que, em caso de igualdade pontual, a vantagem no confronto direto dava a permanência ao CDOM. A equipa nortenha até cumpriu a sua parte ao vencer no Algarve por 1-2, mas o tento de Vitinha ao minuto 56 acabou com o sonho da salvação e atirou o Olivais e Moscavide novamente para a II.ª Divisão, acompanhando o Chaves na descida de divisão.

Uma temporada que começou mal, teve uma melhoria a meio do percurso, mas terminaria mesmo de forma inglória para a equipa fundada em 1912, que nunca mais conseguiu alcançar este patamar para profunda tristeza da massa adepta, que ainda hoje recorda essa época e sonha com o dia que marque o regresso do CD Olivais e Moscavide à Segunda Liga.

O Passado Também Chuta: Luisão

Em todos os clubes há nomes incontornáveis, que fizeram do emblema coração, e este é o caso de Ânderson Luíz da Silva ou, como é vulgarmente conhecido no mundo do futebol, Luisão.

Nascido em Amparo, Brasil, em 1981, a “girafa”, como era carinhosamente tratado pelos adeptos afetos ao Sport Lisboa e Benfica, chegou ao clube a troco de um milhão de euros, na temporada de 2003/04, após boas exibições ao serviço do Cruzeiro.

A sua adaptação ao futebol europeu não foi imediata, tendo realizado, na sua época de estreia, apenas 22 jogos de “águia ao peito”, embora tenha marcado uns impressionantes quatro golos. Mas, o que viria a acontecer nos anos seguintes  é história!

Foram 15 (!) temporadas a vestir o Manto Sagrado. A suar, a lutar, a ganhar e a perder, foi toda uma carreira de entrega ao glorioso, o que torna Luisão num dos jogadores mais importantes da história recente do SL Benfica.

No braço esquerdo envergava a braçadeira de capitão, por tudo aquilo que representava dentro do balneário e dentro de campo: um exemplo a seguir, um verdadeiro líder. Foram 538 jogos (sempre na condição de titular) de garra e ambição, coisa que, no futebol moderno, raramente se vê. É, até ao momento, o jogador estrangeiro com mais jogos ao serviço dos encarnados.

Luisão, com 1,96 metros, era um central goleador, tendo marcado 47 golos ao serviço do SL Benfica
Fonte: SL Benfica

Mas, não só pelo grande número de jogos, Luisão tornou-se num dos jogadores mais acarinhados pelos adeptos. Ganhar era a palavra de ordem e não houve ninguém, em 116 anos de história, que tenha conquistado tantos títulos no Benfica: quatro Supertaças de Portugal, três Taças de Portugal, sete Taças da Liga e seis campeonatos nacionais. São 20 títulos em 15 anos, um registo verdadeiramente impressionante.

Fora do Benfica, Luisão já também era um “devorador” de troféus, tendo ganho, antes de chegar à Luz, um campeonato brasileiro e duas Copas do Brasil. A nível internacional, a “girafa” realizou 46 internacionalizações, tendo apontado três golos e conquistado duas Taças das Confederações e uma Copa América.

O número 4 do glorioso será sempre lembrado pelo seu espírito de guerreiro e por nunca desistir, nunca dar uma bola como perdida. Luisão, o rochedo impenetrável, foi, nada mais, nada menos, o jogador da história do Benfica que mais vezes envergou a braçadeira de capitão, perfazendo um total de 414 jogos.

Em 2003, quando Luisão chegou a Lisboa, disse que queria fazer história no Benfica. Pois bem, capitão, cumpriste o prometido. Obrigado.

O futebol do Sporting CP em regime de teletrabalho?

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Com todo o desporto português de quarentena ficam a faltar assuntos para explorar. No futebol, os jogadores não treinam, pelo menos em equipa, os treinadores não podem consolidar processos e no Sporting até o presidente teve de fazer uma pausa nas suas funções administrativas para cumprir com o seu dever cívico e profissional.

O clube, como o desporto em geral, está parado. E no que ao futebol diz respeito, foi interrompida uma época, a todos os níveis, desastrosa, apesar de muitos ainda conseguirem ver coisas boas no que tem acontecido ultimamente.

O facto de estarmos sem futebol nacional, para mim não tem feito grande diferença uma vez que apesar de apoiar incondicionalmente o meu clube, já tinha deixado de conseguir ver um jogo completo do Sporting, tal é a falta de qualidade apresentada. Aliás, já se tornava uma ofensa para o dito desporto chamar de futebol ao que o Sporting vinha a apresentar dentro das quatro linhas.

Aliando essa fraca performance ao facto de estarmos a vivenciar uma luta pela nossa própria sobrevivência, cria em mim um sentimento de que o futebol bem pode ficar para segundo, terceiro, quarto, ou sétimo plano que pouco me rala.

Ainda assim, depois de toda esta guerra, teremos de nos reerguer de alguma forma, ainda que mais ou menos fragilizados. Depois disto teremos de retomar e continuar as nossas vidas da forma mais normal e natural possível. E o Sporting voltará a jogar futebol.

Quando isso acontecer, espero que nada mais grave possa ter acontecido a nível pessoal e social, e o futebol possa novamente ter um espaço relativamente importante no meu dia-a-dia. (Seria um bom sinal, apesar de considerar que com o actual cenário já não é possível dizer que conseguimos ganhar o que quer que seja. É uma guerra perdida a ver pelas vidas humana já perdidas e irremediavelmente afectadas). Certamente o Sporting não voltará à competição a jogar um futebol melhor, até porque estará a cumprir uma espécie de pré-época, e neste período não foi possível consolidar processos. Esperemos, isso sim, que os outros venham a jogar menos, até porque passam pelas mesmas restrições que nós. Com isto, poderemos voltar um pouco mais próximos dos nossos adversários da frente, e será necessário capitalizar esse período de regresso à competição, esperando que o novo treinador consiga elevar o nível exibicional individual e colectivo da nossa equipa. Isto se ainda houver competição este ano.

Esta paragem forçada, pode ainda dar tempo à estrutura do futebol para preparar de uma forma mais calma e consistente a próxima época. Até porque, com certeza, muitos dos contactos com jogadores, empresários, e outros tipos de negócios poderão ser alinhavados através de teletrabalho. Porque eu espero que, apesar de os jogadores e treinadores não treinarem, o clube não tenha parado. Tenho a certeza que não.

Aguardemos então que o futebol volte. Seria um excelente sinal. Mas neste momento é o que menos me preocupa, e nem perco muito tempo a pensar nisso. Não consigo. Tenho tantas preocupações mais importantes. Quando tiver tempo para me preocupar com o nosso Sporting, será indício de que conseguimos sobreviver a esta luta pela nossa própria vida.

Cuidem-se. Previnam-se. Fiquem em casa.

Eu fico em casa, e sei porquê.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

Jogos Olímpicos: Fazer ou não fazer? Eis a questão…

Não estarei a ser demasiado duro se disser que estamos perante uma combinação de estupidez humana de se querer ainda realizar os Jogos Olímpicos e de puro pensamento nas receitas que estes podem dar, pois não? Poder-me-á dizer, caro leitor, que terei de ter em conta todo um trabalho de quatro anos para preparar uma competição destas e direi: a atual situação que vivemos no Mundo não é razão suficiente para adiar? Digo-lhe já a resposta: é mais do que óbvio que sim!

Adoro os Jogos Olímpicos e acompanho religiosamente todos os eventos mesmo que não perceba a modalidade em questão. De quatro em quatro anos, estamos mais do que preparados para subir ao Olimpo e participar com os deuses em tudo “aquilo que criaram para nós”. Mas a posição do Comité Olímpico Internacional (COI), juntamente com o governo japonês e o Comité Olímpico Japonês (COJ), não está(ão) a ter em conta o erro que pode(m) estar a cometer.

Ao ler o comunicado do COI, a 17 de março, só me veio uma palavra à cabeça: dinheiro. Passo a citar aquilo que foi a frase principal do órgão máximo dos Jogos Olímpicos: «O COI mantém-se totalmente comprometido com os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, e, com ainda quatro meses para o início, não há necessidade de tomar medidas drásticas; e qualquer especulação neste momento seria contraproducente».

Este foi o ato de continuidade da preparação dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, em Olímpia, a 12 de março (Fonte: Tokyo 2020)

Portanto, para o COI um vírus que em muitos países do globo ainda não se sabe quando poderá ser o pico do mesmo e que está a matar imensas pessoas não é motivo suficiente para tomar medidas drásticas. Mas, felizmente, tomaram finalmente a decisão de proceder ao possível adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, que será mais à frente discutida. Não é para mais, visto que no Japão existe 1101 casos de COVID-19 e já morreram 41 pessoas [dados do dia 23 de março do worldometers].

Olhemos, agora, para uma visão ainda mais alargada do problema. Para além da vinda de muitos atletas de outros países para Tóquio, tínhamos também vários adeptos a fazer o mesmo caminho. Estará o governo japonês preparado para receber tantas pessoas com um inimigo invisível entre nós? É preciso perceber que é um evento que junta milhões de indivíduos em menos de um mês! Certamente, esta foi uma das situações que levaram à nova posição do COI adotada no dia de ontem.

Não é uma questão de dinheiro. Não, não é, meus senhores. É uma questão de saúde mundial, de preservação da saúde de todos os atletas e adeptos e, para além disso, uma questão de não propagar ainda mais este vírus que é altamente contagioso. E, finalmente, perceberam-no!

Os 5 miúdos-maravilha do FC Porto no Football Manager 2020

Ao todo são 15 as jovens promessas do FC Porto em destaque na lista do FM Scout, um blog de apoio aos amantes do Football Manager 2020. O que é o Football Manager? Nada mais nada menos que um simulador de treino e gestão de equipas desenvolvido pela Sports Interactive. São milhares de colaboradores que, todos os anos, recolhem dados reais que ditam a capacidade atual e o potencial de cada atleta. Cada jogador é avaliado em diferentes atributos técnicos, mentais e físicos. Esses atributos podem mudar ao longo do jogo, dependendo do contributo que cada atleta dá à equipa.

O Football Manager 2020 estará disponível gratuitamente para todos até dia 25 de março e pode muito bem ser mais uma ajuda para passarmos tempo em casa. Assim sendo, o Bola na Rede elaborou uma lista dos cinco jovens dragões com mais potencial presentes neste jogo eletrónico.

Que livros de desporto devo ler nesta quarentena? “O futebol com que sonhei” de Luís Freitas Lobo

Numa fase em que temos de zelar pela nossa segurança e a de todos os que nos rodeiam, é-nos sugerido que tenhamos o mínimo de interação social possível. Como tal, temos de encontrar formas de passar o tempo, à espera de que ultrapassemos esta fase complicada.

Com a ausência de competições desportivas, podemos aproveitar este tempo para ler, ver séries, documentários ou filmes, mas sem perder a essência do desporto. Sugiro a leitura do livro “O futebol com que sonhei” de Luís Freitas Lobo. Esta obra centra-se num belo tema: “futebol em estado puro”, como o autor gosta de afirmar. Esta leitura é “só para quem ama verdadeiramente o futebol”, como é explicitado na contracapa do livro.

Luís Freitas Lobo na apresentação do seu livro, acompanhado por Deco e Vítor Oliveira
Fonte:Luís Freitas Lobo/ Planeta do Futebol

Luís Freitas Lobo vê o futebol como poucos, e observa-o de uma forma detalhada, retirando apenas o que há de bom neste desporto: a beleza do jogo dentro das quatro linhas. O seu conhecimento histórico e tático do “desporto rei” está exposto nesta obra de uma forma pormenorizada, fazendo-nos “mergulhar” nas suas memórias através da sua escrita entusiástica.

Esta obra lançada em 2019 é constituída por 15 capítulos, e são sensivelmente 300 páginas de cultura futebolística. Apesar do uso de vocabulário algo “erudito” e de várias expressões técnicas, para os amantes de futebol é um verdadeiro deleite.

Luís Freitas Lobo realiza uma análise detalhada da sua experiência de futebol enquanto espectador e admirador do “desporto rei”. Por exemplo, no capítulo intitulado “Touro ou Toureiro?”, o autor debruça-se sobre o Atlético de Madrid de Diego Simeone e a sua tática “aparentemente” defensiva, que os “transformou” numa das melhores equipas dos últimos anos na Europa.  Os “colchoneros” têm a versatilidade de ser “o animal dominado”, sempre demonstrando a sua força física e espírito lutador, ou quem domina o adversário e o obriga a adaptar-se ao seu estilo de jogo.

O autor também aborda temas como a “Estética”, referindo-se ao desempenho tático, e “A consciência tática”, introduzindo este capítulo como uma bela foto de Xavi e Iniesta com as camisolas trocadas. Também compara a imagem pública dos jogadores ao estilo  de vida de estrelas do mundo da música, fazendo um paralelismo entre a imagem social de um futebolista no passado (Rock-Star) e na atualidade (Pop-Star) no capítulo “A última Rock-Star”, entre muitos outros temas.

O adiamento do Campeonato de Europa de futebol para 2021 significa que ainda seremos, pelo menos mais um ano, os campeões em título. Para reavivar a memória do épico golo marcado por Éder, deixo uma citação presente no livro que nos permite reviver e sonhar: “Precisamos sempre de um novo Éder que nos alimente o sonho. Alguém que seja igual a nós!”.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

A minha Seleção Nacional: Do melhor ao pior que já se viu

Hoje falamos da minha Seleção Nacional. Numa altura em que os leitores são convidados a recordar jogos e competições épicas para matar as saudades que esta pausa nos diversos campeonatos nos trouxe, também eu faço um convite.

Neste artigo percorri as minhas memórias da Seleção Nacional pelas várias fases finais de grandes competições onde esteve envolvida. Essas recordações vão desde o infame Euro 2004 realizado no nosso país até à mais recente prova de seleções, a Liga das Nações, excluindo fases de qualificação e amigáveis.

Pelo meu ponto de vista, destaquei o melhor jogo, golo, momento e jogador e o seu contrário. Sintam-se à vontade para deixar nos comentários os vossos pontos de vista, os vossos momentos, golos e glórias diversas marcadas na memória.