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Quem marca primeiro está mais longe da derrota? Os três grandes respondem

Foi no outro dia, em conversa com amigos enquanto assistíamos a mais um jogo de futebol, que me ocorreu escrever este artigo. Ou melhor, foi na sequência da interpelação do pai de um amigo meu que, ao ver a equipa marcar o primeiro golo, perguntou “Gostava de saber quantas vezes é que nós não ganhámos quando fomos os primeiros a marcar?”.

Estava lançado o repto, pelo que me propus analisar os jogos dos três grandes nas últimas cinco épocas e perceber quantas vezes não ganharam tendo sido a primeira equipa a marcar. Decidi “estreitar” a análise apenas aos jogos do campeonato, por ser uma competição de regularidade em que todos se defrontam entre si e fazem o mesmo número de jogos. Aqui está a informação compilada, por época:

2018/19
Marcou primeiro V E D
SL Benfica* 24 jogos 21 2 1
FC Porto 24 jogos 21 1 2
Sporting CP 22 jogos 19 2 1

(*Campeão Nacional)

2017/18
Marcou primeiro V E D
SL Benfica 24 21 1 2
FC Porto* 27 26 1
Sporting CP 25 22 3

 

2016/17
Marcou primeiro V E D
SL Benfica* 26 25 1
FC Porto 22 18 3 1
Sporting CP 22 17 3 2

 

2015/16
Marcou primeiro V E D
SL Benfica* 26 25 1
FC Porto 19 17 2
Sporting CP 26 25 1

 

2014/15
Marcou primeiro V E D
SL Benfica* 26 23 1 2
FC Porto 29 25 4
Sporting CP 24 20 4

 

TOTAL
Marcou primeiro V E D
SL Benfica 126 115 5 6
91,3% 4,0% 4,7%
FC Porto 121 107 11 3
88,4% 9,1% 2,5%
Sporting CP 119 103 13 3
86,6% 10,9% 2,5%

 

A primeira conclusão que se retira desta análise é que quando as equipas marcam primeiro, raramente perdem o jogo. No caso do SL Benfica, nos últimos cinco anos, sempre que os encarnados se adiantaram primeiro no marcador, apenas perderam 4,7% dos jogos. Já o FC Porto e o Sporting CP têm um registo ainda melhor, uma vez que só perderam 2,5% dos jogos nessa condição. Este é um dado curioso, uma vez que nestes cinco anos em análise, o SL Benfica foi campeão quatro vezes.

Num pólo oposto, quando a equipa marcou primeiro, o SL Benfica venceu 91,3% dos jogos, o FC Porto 88,4% e o Sporting CP 86,6%. Relativamente a não conhecer o sabor da derrota ao marcar primeiro, o SL Benfica não perdeu em 95,3% dos jogos em que marcou primeiro, enquanto o FC Porto e o Sporting CP não perderam em 97,5% dos jogos em que marcaram primeiro.

Em suma, se uma equipa marca primeiro, está sempre muito mais perto de não perder o jogo, por um lado, e está também mais perto de o vencer, por outro. Os números não enganam. A título de curiosidade, fiz a mesma análise à época atual, mas apenas aos jogos da primeira volta (17), uma vez que a segunda volta ainda não está completa. Aqui está, como bónus, os valores respeitantes à época atual:

2019/20 (1ª volta)
Marcou primeiro V E D
SL Benfica 13 13
FC Porto 12 12
Sporting CP 10 9 1

 

Nos 17 jogos da primeira volta, tanto SL Benfica como FC Porto tem 100% de vitórias nos jogos em que marcaram primeiro. Já o Sporting CP, apenas marcou primeiro em 10 desses 17 jogos, dos quais venceu nove e foi derrotado uma vez.

Foto de Capa: Liga Portugal

Revisto por: Jorge Neves

Destaques do Gil Vicente FC

De regresso ao palco principal com o “Rei das Subidas”, Vítor Oliveira ao leme, o Gil Vicente FC tem sido um dos destaques pela positiva da edição 2019/2020 da Primeira Liga. Com vinte e seis pontos somados em vinte e duas partidas, a turma de Barcelos encontra-se numa posição confortável a meio da tabela. As seis vitórias, oito empates e oito derrotas, colocam os gilistas no décimo primeiro lugar, onze pontos acima da linha de água.

Com o objetivo da manutenção bem definido, a tarefa era (e continua a sê-lo) de nível de dificuldade elevadíssimo. É que a decisão de colocar o clube novamente na primeira divisão, trouxe-os diretamente do Campeonato de Portugal, o equivalente à terceira divisão, e naturalmente que o plantel teve que ser construído de raiz para se ajustar à nova realidade. Durante o mercado de Verão, novos nomes eram conhecidos a um ritmo quase diário, à medida que a equipa ganhava forma. A expectativa era grande, bem como o entusiasmo, e se há treinador capaz de transmitir confiança para desafios difíceis, esse é Vítor Oliveira. Ao longo da campanha, dois nomes têm sobressaído dos demais e começam a ser figuras de destaque na primeira liga: são eles o búlgaro Bozhidar Kraev e o brasileiro Sandro Lima.

Kraev tem sido um dos destaques do Gil Vicente FC e do campeonato
Fonte: Liga Portugal

O primeiro, é um jovem médio de vinte e dois anos emprestado pelos dinamarqueses do FC Midtjylland, onde passou duas épocas da sua ainda curta carreira. No primeiro ano, somou vinte e dois jogos, apontando cinco golos. No segundo, foram somente quinze, sem registo de golos apontados, pouco para o talentoso internacional búlgaro apostado em relançar a carreira em terras lusas. Pelo Gil Vicente, são já vinte e três partidas, quatro golos apontados, três para o campeonato. Mas a preponderância do médio não se fica por aqui, e as duas assistências para golo em seu nome dizem-nos que também pode fazer a diferença nesse capítulo. Kraev tem boa relação com a bola, entende o jogo e tem encantado os adeptos com o perfume do seu futebol.

Jogador que aporta qualidade fruto da sua técnica apurada, demonstra ainda desfrutar dos grandes jogos, pois viu o seu nome apontado na ficha de jogo pelos golos que contribuíram para as vitórias sobre FC Porto e Sporting CP, ambos para o campeonato. Com o último terço da liga por jogar, Bozhidar Kraev é trunfo nas mãos de Vítor Oliveira para garantir a manutenção, esperando-se agora que confirme todo o potencial que lhe é reconhecido e ganhe assim asas para outros voos.

O segundo nome em destaque é um avançado brasileiro que até já passou pela primeira liga na temporada de 2013/2014, na altura ao serviço do Rio Ave FC, sem que tenha deixado a sua marca. Nos anos seguintes, jogou sempre na Segunda Liga, representando Académico Viseu FC, GD Chaves e Estoril Praia SAD, este último onde esteve na temporada passada, alcançando o total de nove tentos. Ora o jogador certamente que já andava no radar do timoneiro gilista, que lhe confiou o lugar de ponta de lança da equipa, apelo a que Sandro Lima tem respondido com golos. Aos vinte e nove anos, o artilheiro pode estar a viver a época mais proveitosa da sua carreira no que ao capítulo da finalização diz respeito, pois são já doze golos marcados, ele que, tal como o companheiro Kraev, também sabe o que é marcar aos grandes do futebol nacional, com Porto e Sporting a serem vítimas do acerto do brasileiro.

Com boa estampa física, fruto dos seus 1,86m de altura, não é só de cabeça que demonstra veia goleadora, pois no jogo do Bonfim, contra o Vitória FC, encheu o pé direito e de fora da área atirou forte e colocado para o fundo das redes, numa demonstração que atravessa momento de grande confiança. Os nove golos apontados na liga colocam-no no terceiro lugar do pódio dos melhores marcadores, posto que divide com Paulinho, jogador do SC Braga. Melhores, só Carlos Vinicius e Pizzi, ambos do SL Benfica, com quinze e doze golos respetivamente.

É, pois, em Bozhidar Kraev e Sandro Lima que está depositada muita da fé dos adeptos do Gil Vicente para o que falta jogar da Primeira Liga, que esperam que médio e avançado continuem a encontrar o caminho do golo e contribuam assim decisivamente para somar vitórias e carimbar a permanência no primeiro escalão.

Foto de Capa: Gil Vicente FC

Revisto por: Jorge Neves

Sonho do Olimpo #2: Quanto mais alto, maior a queda

Sempre ouvi dizer que a história nunca se repete, pois há sempre a possibilidade de outras particularidades, sejam elas personagens, locais ou contextos, fazerem parte de um novo enredo. Mas certo é que a qualquer momento da história mundial pode acontecer momentos muito semelhantes aos já presenciados em tempos anteriores aos nossos. Isto não é novidade para nenhum dos nós, certo? É fundamental que da memória (e também da história) não se apague aquilo que foi o passado… sobretudo, porque não queremos que volte a acontecer.

Por isso, o «Sonho do Olimpo» de hoje é dedicado aos Jogos que marcaram, definitivamente, a competição pelos bons (que, apesar de não parecer, foram alguns) e pelos maus (sobretudo, aquilo que viria acontecer depois da realização dos mesmos) momentos. Falamos obviamente dos Jogos Olímpicos de 1936, que foram realizados em Berlim – a capital da Alemanha, na altura liderada por Adolf Hitler. Sim, estes Jogos existiram e o seu “fim primeiro” não era o desporto em si, por isso, para que “a história não se volte a repetir” há que reavivar a memória de todos nós.

5 momentos históricos do FC Porto europeu

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O FC Porto sempre habituou os seus adeptos a grandes conquistas na Europa, a começar pelas grandes vitórias e passagens a fases adiantadas de provas, como até pelas conquistas de todo o tipo de taças no velho continente.

Neste Top, vou falar-vos de alguns momentos históricos do FC Porto Europeu, que muitas vezes parece transfigurar-se e carregar o nosso país para grandes feitos.

Note-se que vou apenas referir alguns de muitos momentos históricos que estão na memória dos portistas e dos portugueses, sendo que esses momentos se referem não só à conquista de troféus, como também a grandes momentos, que serviram de orgulho para os azuis e brancos.

Gil Vicente FC 0-1 SL Benfica: A águia soube voar e o galo ficou pelo tentar

A CRÓNICA: VINÍCIUS TEVE CABEÇA PARA COLOCAR O BENFICA EM PRIMEIRO LUGAR

Era um daqueles jogos que pode decidir a vida de ambas as equipas: de um lado, uma das equipas sensação da Primeira Liga, a tentar alcançar a tão desejada manutenção, que fez do seu estádio uma fortaleza, praticamente inviolável e, o Gil Vicente FC, do outro, o Campeão Nacional e recandidato ao título, a precisar desesperadamente de ganhar para reconquistar a liderança, SL Benfica. Só a vitória servia para ambos.

O Benfica começou a dominar, mantendo e circulando a bola e apostando nos passes longos de Samaris, como seria expectável e aos 7’, assustou pela primeira vez com Pizzi, de ângulo reduzido, a atirar ao lado. Aos 15’, numa jogada de insistência, Vinicíus deu o melhor seguimento a um cruzamento milimétrico para colocar os encarnados em vantagem com uma cabeçada certeira. O Gil respondeu bem com Baraye a assustar as hostes benfiquistas, aos 18’. Aos 23’, numa perda de Weigl, Kraev pôs Odysseas em sentido e logo depois, um cabeceamento de Baraye a obrigar Odysseas a defesa apertada.

O Benfica respondeu por Taarabt a tentar surpreender, com um petardo de fora de área aos 25’. Aos 31’, numa bola parada, Lourency quase empatava. Aos 35’, Vinícius bisa na partida, após erro da defensiva gilista mas o lance é anulado por fora de jogo do brasileiro. Aos 37’, Rúben Dias envolve-se no ataque e quase oferece o golo a Taarabt . Aos 43’, mais uma vez Vinícius a falhar a emenda.

Em cima do intervalo, asneira de Tomás Tavares que quase isola Sandro Lima, que assiste Lourency, permitindo a Ferro uma excelente intervenção a resolver o problema, levando assim os actuais campeões nacionais para o descanso em vantagem. Depois do intervalo, O Gil voltou com vontade de discutir o jogo, com um remate de Gomes logo aos 46’, mas o Benfica respondeu logo a seguir com Vinícius, o inevitável. Baraye assustou aos 51’, após aguentar a pressão de Tomás Tavares. Aos 66’, Taarabt, servido por Pizzi, numa bela jogada individual, atirou à trave. Aos 72’, o filho da casa, Hugo Vieira, atirou contra de Vlachodimos. Ia ser até ao último minuto. Aos 93’, o Benfica quase matou o jogo por intermédio de Cervi. O jogo terminou logo a seguir, com Ferro a pedir apoio às bancadas, recebendo uma resposta como o jogo: forte e cheia de raça. O Benfica foi assim o único “grande” a vencer na fortaleza gilista, com um jogo sofrido mas em que a vitória acaba por ser assertiva. A diferença entre o Gil e o Benfica foi só uma: a águia voou, o galo não.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Vinícius – Um pesadelo para os de Barcelos. Deu cabo da cabeça da defesa gilista, marcando um golo e tentando até ao fim mais um. Soube procurar os espaços mas, também jogar de costas para a baliza. Que continue assim frente ao FK Shakhtar.  

O FORA DE JOGO

Fonte: Gil Vicente FC

Kraev – O búlgaro costuma ser o maestro dos gilistas mas hoje, fruto da coesão a meio-campo do Benfica, conferida por Samaris, pouco interviu. Teve sempre de vir buscar o jogo atrás, não conseguindo imprimir a magia a que nos habituou. Saiu dando lugar a Hugo Vieira, quando a equipa de Barcelos procurava incessantemente o golo.

ANÁLISE TÁTICA – GIL VICENTE FC

O Gil Vicente FC entrou em campo no habitual 4-3-3, com Kraev a tentar construir, acompanhando o ponta-de-lança, Sandro Lima, mas a verdade é que o perigo vinha sempre das alas com Lourency e Baraye. No entanto, faltou sempre clarividência no último terço. Esse foco chegou com Hugo Vieira, que embora tenha jogado pouco tempo, foi sempre dos mais perigosos. O Gil sai do seu reduto de cabeça levantada, pois fez o campeão nacional suar e jogar mal para recuperar a liderança.

 

ONZES INICIAIS E PONTUAÇÕES

Denis (6)

Fernando Fonseca (5)

Nogueira (4)

Rúben Fernandes (6)

Henrique Gomes (5)

Soares (6)

Claude Gonçalves (5)

Kraev (3)

Baraye (6)

Sandro Lima (5)

Lourency (6)

SUBS UTILIZADOS

Vieira (7)

Lino (5)

Arthur (5)

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Bruno Lage enrijeceu o seu 4-4-2 com Samaris a ser o cérebro do miolo e ao mesmo tempo o patrão da transição defensiva. Com Taarabt mais avançado e jogando entre linhas, coube a Vinicius aparecer na área e ganhar espaços e a Rafa surpreender com a sua velocidade em contra-ataques. Com os passes longos de Samaris e os passes a rasgar de Taarabt, o Benfica ia fazendo por marcar cedo para poder descansar, mas esse golo nunca chegou, apesar das incursões do Benfica à área gilista. No entanto, a partir dos 70’, o jogo partiu-se e cheirou a golo no Cidade de Barcelos até ao final. Mas o Benfica dormiu na liderança.

 

ONZES INICIAIS E PONTUAÇÕES

Vlachodimos (7)

Tomás Tavares (3)

 Rúben Dias (5)

Ferro (6)

Grimaldo (6)

 Pizzi (6)

Weigl (6)

Samaris (7)

Rafa (7)

Taarabt (7)

Vinícius (8)

SUBS UTILIZADOS

Dyego Sousa (5)

Cervi (6)

Chiquinho (4)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Gil Vicente FC

Não foi possível colocar questões ao treinador do Gil Vicente FC, Vítor Oliveira.

SL Benfica

BnR: Sentindo a equipa cada vez mais coesa ao longo destes jogos que têm corrido menos bem, sente que esta vitória e esta exibição podem moralizar a equipa para o jogo de quinta-feira com o Shaktar?

Bruno Lage: Sim claro, o grupo está sempre unido, isso é visível, eles estão dispostos a dar tudo. É um facto, os grandes clubes e os grandes jogadores vivem de vencer e esta vitória dá esse alento de voltar a vencer e agora é olhar para o jogo de quinta-feira com essa ambição enorme de vencer.

Foto de Capa: SL Benfica

Revisto por: Jorge Neves

As 5 melhores campanhas do FC Porto na Europa

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O FC Porto é o clube português com mais sucesso na Europa. Isso é um facto indiscutível. Os sete títulos internacionais falam por si. Só desde o início do novo século, já foram conquistados quatro. Sete títulos divididos por quatro campanhas europeias. Uma história europeia digna dos melhores clubes da Europa.

Ainda que nos últimos anos se tenha tornado cada vez mais difícil competir nos mais altos palcos europeus para clubes como o FC Porto, é impossível esquecer os grandes feitos e todos os troféus conquistados pelo clube da Invicta. Neste Top BnR, vamos lembrar as cinco melhores campanhas pela Europa.

Mudança de mentalidade? É para a mesa do futebol português, por favor

Na apresentação da equipa do Gil Vicente FC aos trabalhos de preparação para a nova temporada, houve uma pergunta de um órgão de comunicação social que me ficou na retina até hoje. Foi questionado a Vítor Oliveira se o Gil Vicente iria ser o bombo da festa deste campeonato. A resposta na altura foi humilde e serena, de alguém que já viveu muito no futebol português e que merece respeito. Tanto ele, como a instituição Gil Vicente Futebol Clube. Nunca, mas nunca um jornalista deve quebrar o seu código de ética profissional para fazer perguntas sensacionalistas, desprovidas de qualquer fundamento lógico e com toda a intenção de criar ruído.

Os apelidados “Bombos da Festa” são, no meu ponto de vista, a grande sensação do campeonato a par do FC Famalicão. De facto, ninguém esperava que uma equipa que não teve receitas ao longo dos últimos dois anos, que sempre cumpriu, rigorosamente, com as suas obrigações e que passou a última temporada a fazer jogos amigáveis do Campeonato de Portugal, se mantivesse no escalão máximo.

Pois bem, o Gil Vicente ocupa um tranquilo 10º lugar à entrada para a 22ª jornada do campeonato (em que recebe o líder SL Benfica). Os galos têm apenas uma derrota em casa (o melhor registo da liga a par do FC Porto) e já derrotaram os dois grandes que visitaram Barcelos neste campeonato: 2-1 ao FC Porto e 3-1 ao Sporting CP. Com um plantel humilde, competitivo e de muito trabalho, a orientação de um dos melhores treinadores portugueses da atualidade, há muitos anos, é absolutamente fundamental para este “ano 0” do Gil Vicente estar a correr tão bem.

Toquemos então os bombos e marchem comigo nesta visita guiada, mais uma, pelo que está tão errado no futebol nacional e que é dirigido, precisamente, àquilo que é a génese deste artigo: a falta de respeito da Comunicação Social para com os clubes portugueses.

Vítor Oliveira é o rosto do sucesso Gilista
Fonte: Gil Vicente FC

Partimos então para o mistério dos fantasmas das salas de imprensa dos clubes da Primeira Liga. Um deserto de jornalistas e de, essencialmente, perguntas verdadeiramente interessantes é típico em locais como Barcelos, Setúbal ou Moreira de Cónegos. Isto é algo que é transversal a praticamente todos os clubes, exceção feita a SL Benfica, FC Porto, Sporting CP, SC Braga e Vitória SC. Porque são clubes mediáticos, porque são clubes que atraem massas. E onde há mediatismo, há polémica e todos sabemos que em Portugal joga-se muito mais fora das quatro linhas do que propriamente lá dentro.

Regressando ao caso concreto do Gil Vicente, as antevisões aos jogos do clube têm a duração de dois ou três minutos e as perguntas são, geralmente, de, no máximo, três órgãos de comunicação social (estando o órgão oficial do clube incluído). São feitas perguntas básicas como “O que espera do jogo?” ou “o que espera do adversário?” e dá-se por concluído aquilo que deveria ser uma troca de reflexões e de opiniões sobre vários aspetos da equipa em questão, e do jogo em si.

A conferência de imprensa de rescaldo a um jogo é praticamente igual. “Acha que o resultado é justo?”, é religiosamente perguntado. Nada de perguntas sobre aspetos táticos do jogo, do porquê de ter jogado este jogador e não aquele. Isso não existe para a comunicação social portuguesa. Se fosse na sala de imprensa do Seixal ou do Olival, aí haveria 20 minutos de perguntas e respostas.

Perguntar-me-ão os nossos leitores: “Mas quando o jogo é contra um grande, não há diferenças?”. Sim, há. Há diferenças substanciais na quantidade de perguntas efetuadas, mas a qualidade das mesmas não indica um aumento relevante. Por mais órgãos de comunicação social que estejam presentes e por mais perguntas que sejam feitas, 90% das mesmas são sobre o momento da equipa grande, sobre se a ausência de jogador A ou B da equipa grande terá importância e assim sucessivamente. Tudo vai de encontro a um único ponto de encontro no famigerado “interesse jornalístico”: o clube grande.

Em Portugal, existem três clubes e todos os outros são acessórios. São apenas considerados importantes na medida em que esses três não podem fazer um campeonato sozinhos. Aquilo que se verifica em Barcelos é, infelizmente, o reflexo de toda a podridão comunicacional do futebol português. Envolvendo uma sociedade reconhecidamente consumista e juntando a explosão dos fenómenos das redes sociais, tudo o que vemos no futebol português assenta em casos de corrupção, polémicas por declarações de dirigentes contra o clube rival, crises porque o SL Benfica não vence há quatro jogos e quando vemos, esporadicamente, aquilo que achamos ser um artigo interessante sobre um clube do nosso campeonato, vemos a verdadeira fachada da comunicação portuguesa.

“FC Famalicão em crise” ou “Não vamos ao Dragão passear”, são frases disparatadas que servem de exemplo à falta de respeito diária para com quase todos os clubes, sem terem a mínima noção do verdadeiro momento dos clubes. Agora, um clube que está na luta por uma posição europeia no seu regresso à Primeira Liga 25 anos depois e que chegou às meias finais da Taça de Portugal, pela segunda vez na sua história, está em crise porque não vence há alguns jogos?

Quantos clubes não gostariam de estar nesta “crise”? Um clube que joga contra um grande e à qual perguntam ao seu treinador de forma leviana “Acha que o Portimonense pode fazer alguma coisa no Dragão?”, espera exatamente o quê como resposta? Esperam uma resposta submissa, um admitir de derrota antes do jogo começar? São estes títulos sensacionalistas, feitos especificamente para o consumo de milhões de pessoas que discutem uma semana inteira factos sobre os quais não reside nenhum interesse sobre o jogo em si, ou sequer sobre as equipas, que me irritam profundamente.

Há muita coisa a mudar no futebol português, mas, num mundo em que a comunicação e partilha de informação é tão importante, torna-se urgente uma mudança de paradigma e de mentalidade em muitos jornalistas, muitos comentadores e muitos diretores. Talvez com uma informação mais equilibrada e equitativa a todos os clubes, do primeiro ao último na tabela, possamos ter um dia um futebol português um pouco mais limpo. Cada um vê o que quer ver mas cada um transmite aquilo que quer transmitir. Ponham as mãos na consciência. Não matem o futebol.

 

Bombos da festa? O tanas.

 

Foto de Capa: Gil Vicente FC

Artigo revisto por Joana Mendes

Iker Casillas pendura as chuteiras e veste fato e gravata

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O guarda redes do FC Porto, Iker Casillas, decidiu, oficialmente, meter um ponto final na sua carreira de futebolista, aos 38 anos, e irá candidatar-se à presidência da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF). Apesar de ainda não se ter retirado do futebol, oficialmente, Casillas já não compete desde maio do ano transato, altura em que sofreu um enfarte do miocárdio.

Depois de 20 anos ao mais alto nível no futebol profissional, Casillas troca “as chuteiras pelo fato e gravata”. Formado na “cantera” do Real Madrid, foi lá que se estreou como profissional aos 18 anos de idade. Com o passar do tempo tornou-se capitão dos “merengues” e da seleção espanhola. Em 2015 decidiu rumar a Portugal para representar o FC Porto, onde disputou 156 partidas oficiais em quatro épocas. Esta época, a sua quinta pelo FC Porto, não realizou qualquer partida.

Eleito por cinco vezes como melhor guarda redes do mundo, Iker Casillas ostenta um invejável palmarés. Ao serviço do Real Madrid conquistou cinco campeonatos de Espanha, duas “Copas del Rey”, quatro Supertaças de Espanha, três Ligas dos Campeões, duas Supertaças Europeias, uma Taça Intercontinental e um Campeonato do Mundo de Clubes. Em Portugal, venceu um campeonato e um Supertaça Cândido de Oliveira. Ao serviço da “La Roja” foi campeão do Mundo e bicampeão Europeu na principal seleção, e ao serviço dos sub-20 espanhóis também conquistou o campeonato do Mundo.

No meu ponto de vista, é uma ótima oportunidade tanto para Casillas, como para a RFEF. Para o guardião espanhol é uma oportunidade de deixar, oficialmente, o futebol dentro das quatro linhas, e dedicar-se a liderar um projeto fora de campo. Para a RFEF é uma oportunidade para “virar a página” e começar algo novo.

Iker Casillas aparenta ser a pessoa certa para ocupar o cargo. O seu largo currículo e a sua experiência como jogador, aliado à sua veia vencedora poderão ser fatores decisivos para um bom desempenho do cargo de presidente da RFEF. Como capitão da seleção espanhola, Casillas foi campeão do Mundo e da Europa. Iker Casillas, caso seja eleito, transmite confiança e vontade de vencer, dentro e fora das quatro linhas.

A sua larga experiência dentro das quatro linhas pode ser relevante para liderar projetos fora de campo
Fonte: FC Porto

O guardião espanhol pode trazer novas ideias e até revolucionar o futebol espanhol, liderando um projeto vencedor que volte a elevar Espanha ao topo do futebol europeu. A nível de seleções, após o Mundial de 2014, a “La Roja” passou por um processo de restruturação. Com o regresso de Luis Enrique ao comando técnico da principal seleção espanhola de futebol, as expetativas para o sucesso no Campeonato de Europa de 2020 são elevadas. As 167 internacionalizações de Casillas podem servir de exemplo para os mais jovens.

Esta pode ser uma forma de recompensar o guarda redes espanhol pelo que deu ao futebol espanhol e internacional, e também aproveitar as suas melhores características para liderar um projeto vencedor. Um verdadeiro exemplo de campeão, dentro e fora de campo!

Iker Casillas defrontará o atual presidente da RFEF, Luis Rubiales, numa eleição que ocorrerá neste presente ano. Num inquérito feito pelo jornal espanhol “Marca” aos seus leitores, 94% dos inquiridos manifestaram apoio a Casillas numa possível candidatura.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por Joana Mendes

Que destino para o Jamor?

Num dos estádios com mais mística do país, não fosse um dos mais antigos, sente-se e respira-se o peso da história, auxiliado pela área arborizada que circunda o complexo e lhe oferece uma bonita paisagem, e que faz da zona envolvente a mais conhecida do país para piqueniques lá para finais de maio, representando a ligação emocional que transporta.

De facto, a tradição está bem patente quando se olha para este gigante branco e se nota o seu “corpo” bem enrugado devido aos muitos anos de vida que já conta. Por ser a céu aberto, notam-se melhor as marcas de guerra provenientes de fatores naturais, onde algumas zonas parecem estar afetadas. Pode uma pessoa nunca lá ter pisado, mas as imagens dão conta. Admito que é um estádio que tem o seu encanto, possui uma aura afetiva e é, provavelmente, o mais respeitado entre os adeptos. Muitos destes já ali viveram grandes momentos e têm muitas e boas recordações deste templo do futebol nacional – afinal, já ali se disputaram grandes jogos que culminaram em vitórias históricas para diversas equipas e partilharam momentos de alegria e tristeza – tal e qual representa um jogo de futebol.

A Taça de Portugal está, diretamente, associada a este estádio, que acolhe a final praticamente desde o seu início. Todos estávamos habituados a ver o Jamor uma única vez por ano, normalmente em dias solarengos, em tardes de calor intenso, sempre invadido por um clima de festa e harmonia onde as pessoas se juntam para ver o seu clube e celebram um dia sempre especial. Porém, esta realidade alterou-se desde a época passada, uma vez que passámos a ter contacto com o referido recinto várias vezes por ano. A conhecida divisão no clube de Belém resultou neste mesmo processo, que é todo ele infeliz.

Confesso que me faz confusão sempre que vejo um jogo do Belenenses SAD como visitado e ao redor não mais se vê do que um gigante branco adormecido, quase sem vida, indo precisamente ao encontro de uma das piores coisas no futebol que são os estádios vazios. Quem vê o jogo pela TV é fácil percecionar muitas vezes os diálogos entre os jogadores, quase como se estivessem num simples treino. Ou seja, tudo aquilo que não representa o Jamor, que é visto como um palco de momentos vibrantes e agora se depara com esta triste realidade, ao ser utilizado num ambiente amorfo e muito pouco convidativo.

Aguardo uma resolução definitiva do diferendo para os lados de Belém e gostaria que fosse encontrado um novo recinto para a equipa principal, embora a complexidade de todo este processo não augure muito nesse sentido.

O Belenenses SAD tem jogado no Jamor nos jogos em casa
Fonte: Bola na Rede

A verdade é que a imagem deste local querido do futebol português está a ser bastante mal utilizada e é um dos pontos negativos do nosso futebol atual, perpetuado pelo imbróglio vivido pelos azuis. Porque é mau demais quando o plano televisivo mostra a imensidão de bancadas brancas despidas durante um jogo de uma Primeira Liga.

Posto isto, sou daqueles que defendem a remodelação do Estádio Nacional. Penso que está na altura de dar uma nova cara àquele que seria suposto ser o estádio de todos os portugueses. Apesar de todo o misticismo que o envolve, a evolução é uma necessidade que iria colmatar os aspetos negativos que lhe são apontados, como as poucas condições de segurança, o pouco conforto e os acessos deficitários. Uma vez que o país é dotado de diversos estádios modernos, penso que faria todo o sentido modernizar também o Jamor. Naquilo que seria uma profunda remodelação, talvez houvesse mudanças na estrutura da zona envolvente, mas a famosa área arborizada poderia continuar a existir, tanto quanto possível.

Até por ser um recinto historicamente associado a grandes ambientes, julgo que deve ser melhor tratado do que está a ser atualmente. Penso também que deveria tornar-se a casa oficial da Seleção Nacional, onde esta disputaria os seus jogos oficiais. Claro que isto iria alterar o panorama atual, visto que a equipa das quinas deixaria de jogar pelo resto do país em jogos a sério. No entanto, e depois da construção da Cidade do Futebol, julgo que fornecer à Seleção uma casa própria para os seus jogos constituiria um registo mais profissionalizado e um importante marco para o futebol nacional.

Além disso, a final da Taça poderia continuar ali a disputar-se, dando seguimento ao registo mais tradicional. Em tempos em que o progresso é uma condição vital, penso que seria viável a referida remodelação num espaço que carece de modernização. Isto é apenas aquilo que eu gostaria de ver acontecer, pois acredito que iria acrescentar valor a um local respeitado por todos.

Enquanto não é possível avançar nesse sentido, continuaremos a ver um espaço desproporcional para o número atual de frequentadores, apenas atenuado pelo convívio anual que lá se proporciona no mês de maio.

Foto de Capa: FPF

Artigo revisto por Joana Mendes

 

 

 

Os 5 melhores golos da Liga dos Campeões

O que é um bom golo? Ou um grande golo? À primeira vista, é claro, é um remate de longe, um remate potente onde a “coruja dorme”, é um pontapé de bicicleta ou um remate cruzado após um “nó cego”. E aqueles golos que foram marcados após uma confusão na área, ao minuto 90+3, que decidiram quem passava à final da Liga de Campeões?

Pediram-me para escrever sobre o “Top” golos das campanhas do troféu mais desejado na Europa e aqui estou eu a pensar na definição de grandes golos.

Não consigo descurar o golo de Sergi Roberto, em 2016/17, frente ao Paris SG ao minuto 90+5, o cansaço acumulado, com os nervos e a pressão no pico, só consigo pensar que aquele golo só está ao alcance dos melhores, dos que ficam para a história e os que escrevem a mesma.

Um grande golo, será sempre um grande golo. Mas nunca retirarei o fator emocional ao jogo, por isso, para mim neste top não estarão só grandes golos, mas também estarão os golos que fizeram plateias inteiras festejar, gritar e chorar.

Dito isto, vou listar o meu “Top 5” da Liga dos Campeões (Acreditem, isto não foi fácil).