Numa altura em que o clássico que irá opor os Leões aos Dragões se aproxima rapidamente, é tempo agora de olhar para as peças chave de um jogo: os jogadores. Neste top iremos olhar para aqueles que fazem a magia com a bola controlada no pé, aqueles que fazem levantar o estádio e que colam os adeptos à televisão ou à cadeira no estádio até ao último segundo.
Como ainda estamos em tempo de antevisão, nunca é demais relembrar que a Bola na Rede já fez a antevisão do clássico e que não pode perder.
Neste top irei “inverter os papéis” e falar sobre três jogadores que considero poder ser úteis e possíveis mais valias no atual contexto e plantel leonino.
Em fim-de-semana de clássico a deslocação do SL Benfica ao terreno do Vitória SC era vista como uma complicada mas importante oportunidade para a equipa de Bruno Lage cimentar a liderança no campeonato. Dito e feito. Jogo dificílimo, três pontos garantidos e agora é com 7pts de vantagem que os benfiquistas irão assistir ao Sporting CP – FC Porto.
Uma vitória encarnada de sabor amargo pela cinzenta exibição da equipa. Uma vitória encarnada amarga e injusta para o Vitória SC que desde o primeiro minuto procurou dominar o jogo e chegar à baliza de Vlachodimos.
Do lado do SL Benfica vimos uma equipa desligada da bola e simplesmente preocupada em defender os lances que o Vitória SC ia tentando construir. A primeira parte valeu por um momento de inteligência de Pizzi a assistir para o golo do Cervi. A segunda parte valeu pelo apito final e confirmação dos 3pts.
Do lado do Vitória SC vimos uma equipa totalmente ligada à bola. Assumiram a iniciativa do jogo e procuraram o golo constantemente. As oportunidades não foram em abundância – não esquecer que do outro lado estava o líder do campeonato em modo defensivo – mas foram as suficientes para fazer a equipa acreditar. Faltou eficácia para quebrar o inspirado Vlachodimos.
Francamente (mais) uma exibição muito pobre do Sport Lisboa e Benfica num jogo em que o Vitória SC fez por merecer outro resultado.
A FIGURA
Fonte: Bola na Rede
Adel Taarabt – O marroquino fez um jogo muito condicionado pelas amarras tácticas que o treinador lhe colocou mas mesmo amarrado foi sempre estando presente. Até aos 80 minutos o criativo encarnado foi dos principais recuperadores de bola da equipa e o único com a frieza o suficiente para sobre pressão no terço defensivo encontrar linhas de passe para sair a jogar. Nos últimos 15 minutos, com a substituição do Chiquinho pelo Samaris, já se pôde libertar e aparecer em zonas mais avançadas com a bola controlada e é aí que faz toda a diferença. Mais ou menos condicionado, foi durante os 90 minutos o jogador encarnado para esclarecido no relvado.
O FORA DE JOGO
Fonte: Bola na Rede
Carlos Vinícius – O ponta de lança encarnado passou totalmente ao lado do jogo. Tal como o Taarabt, passou o jogo condicionado pelas opções mais defensivas de Bruno Lage o que o obrigou a um jogo isolado na frente de ataque. Mas ao contrário do marroquino o avançado brasileiro não conseguiu contornar as dificuldades impostas. Nos poucos lances de ataque colectivo não soube procurar os melhores espaços para se desmarcar e dar linha de passe. Nas raras situações em que recebeu a bola no ataque, e ao contrário do usual, não teve capacidade para a segurar e criar lances de perigo para si ou para algum colega que surgisse a apoiar. Foi constantemente batido pelo Tapsoba e esta foi a sua pior exibição de águia ao peito.
ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA SC
Ivo Veira foi fiel ao seu 4-3-3 mas optou por uma equipa com maior qualidade na posse de bola. Assim deu mais bola ao seu tridente do meio-campo com a titularidade de Pêpê e J.C.Teixeira em vez dos usuais M. Agu e Poha. Foi um 4-3-3 que constantemente se desdobrou num 3-5-2 de pressão alta. Davidson partia da esquerda para se juntar ao avançado Bonatini, os laterais estavam em constantes incursões ofensivas e tanto o médio J.C. Teixeira como o médio L. Evangelistas apareceram sistematicamente em zonas de finalização. O Vitória SC optou por um jogo positivo, um jogo de procura da bola e de carinho à redonda. Pressionaram em bloco a linha defensiva encarnada e com bola procuraram encontrar os espaços com criatividade e em futebol apoiado.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Douglas Jesus (5) Victor Garcia (6)
Tapsoba (7)
Pedro Henrique (6)
Florent Hanin (6)
Pedro Rodrigues (7)
João Carlos Teixeira (6)
Lucas Evangelista (6)
Marcus Edwards (6)
Davidson (6)
Léo Bonatini (5)
SUBS UTILIZADOS
Poha (5)
Bruno Duarte (3)
Rochinha (1)
ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA
Bruno Lage lançou aquele que tem sido o seu 11 no último mês. Assim o SL Benfica entrou em campo com o seu 4-2-3-1 onde a dupla de médios apela à maior qualidade na posse de bola, o extremo esquerdo actua com maior cautela permitindo mais ingressões ofensivas ao lateral e Pizzi e Chiquinho alternam no espaço procurando mais o jogo interior e entre linhas. Este 4-2-3-1 de Bruno Lage tem variado entre aquele que defrontou o Marítimo e aquele que defrontou o Boavista. Neste jogo surgiu o do Marítimo. Um 4-2-3-1 em 4-5-1 condicionado defensivamente e com um futebol de expectativa. Os laterais amarrados, os dois médios amarrados ao terço defensivo, o extremo amarrado ao lateral, Pizzi e Chiquinho amarrados a compensações defensivas e Vinicius isolado no ataque.
Pela segunda vez (2015 e 2019), a academia do SL Benfica foi considerada a melhor do Mundo, desta feita a par da cantera do AFC Ajax, nos Globe Soccer Awards. Num ano futebolisticamente marcado pela venda estratosférica de João Félix, a academia parcialmente responsável pela formação do “7” colchonero voltou a ser distinguida. Quatro anos volvidos, o mundo do futebol continua a admirar, valorar e premiar o Benfica Futebol Campus.
Além da importância de que se reveste o galardão em si, o que este significa – ou pode significar – é ainda mais relevante. A qualidade e a consolidação da formação do Seixal são cada vez mais evidentes. Infelizmente, muito por necessidade, têm-no sido, acima de tudo, pelas vendas de ativos que poderiam ser rentabilizados, também, desportivamente. Poderiam e poderão.
João Félix (e também o irmão, Hugo Félix) é uma das principais figuras da academia encarnada nos últimos anos Fonte: Bola na Rede
É isso que é esperado de hoje em diante, perante a (cada vez mais) notória capacidade financeira do clube. Prémios como o recebido no final de 2019, no Dubai, provam que os formandos do Benfica Futebol Campus têm aptidões para se tornarem jogadores de topo, de classe mundial. Bernardo Silva, Cancelo, Nélson Semedo e diversos outros hão-no deixado claro… fora da Luz. No entanto, as suas vendas foram necessárias para a estabilidade financeira de que o clube hoje usufrui.
Interessa agora mudar o paradigma. Se as premiações da formação não encontrarem respaldo nas conquistas da equipa principal – a nível interno e não só -, então não fará sentido continuar a sustentar o Benfica Futebol Campus. Importa, daqui em diante, retirar o máximo proveito desportivo, no maior período de tempo possível, dos jogadores que o clube vem moldando há anos.
Caso a formação benfiquista continue a dar os frutos que tem dado e caso o clube os saiba colher, o céu é o limite para o Sport Lisboa e Benfica, uma vez que, como os Globe Soccer Awards vieram reiterar, o campeão nacional já está no topo do mundo… no que à formação diz respeito.
O FC Porto jogará o segundo clássico da temporada atual frente ao Sporting CP e escusado será dizer que o empate não serve para os dragões. Os azuis e brancos estão a sete pontos do primeiro lugar e a única forma de não perder terreno em relação aos rivais encarnados é vencer.
Contudo, derrotar o Sporting CP não será tarefa fácil, uma vez que o FC Porto não vence no Estádio José de Alvalade desde o ano de 2008. O conjunto de Sérgio Conceição terá que fazer das tripas coração para vencer a turma de Silas e conseguir quebrar o recorde negativo de Alvalade, que pode afetar a mentalidade dos azuis e brancos. Contudo, se olharmos para os últimos dez jogos entre Sporting CP e FC Porto, reparamos que a equipa que joga de verde e branco apenas venceu uma vez durante os 90 minutos de jogo.
Para os amantes das apostas desportivas, o empate seria o prognóstico mais certo a fazer, mas o futebol não é uma ciência exata e no clássico tudo poderá acontecer. E se a aposta no empate poderá ser lucrativa, a existência de golos na partida também assim será. O Sporting CP marcou em todos os jogos que realizou em sua casa até ao momento e o FC Porto é a única equipa da Primeira Liga a marcar em todos as partidas nesta temporada.
Sabendo da importância que este jogo tem para as contas finais do campeonato (mesmo que ainda não tenha acabado a primeira volta da Primeira Liga), o FC Porto não vai querer arredar o pé e distanciar-se ainda mais da primeira posição da Primeira Liga. No entanto, o Sporting CP não vai facilitar a vida do FC Porto, pois estes já não perdem em casa desde setembro de 2019.
COMO JOGARÁ O SPORTING CP?
Na baliza, o apelidado de “novo Rui Patrício” deverá manter-se firme no onze inicial. Coates e Mathieu deverão ser a dupla escolhida para o centro da defesa, uma vez que Luís Neto não está apto para jogar depois da lesão sofrida no tórax, no encontro frente ao Moreirense FC. Acompanhados por Acuña e Ristovski nas laterais, o sistema de 4-3-3 deverá continuar, assim como o meio campo e a armada ofensiva leonina.
Bolasie, muito provavelmente, entrará no onze inicial, tendo em conta que a sua expulsão no jogo contra o Portimonense SC foi despenalizada pela Federação Portuguesa de Futebol. Luiz Phellype poderá ser o ponta de lança de serviço, ele que já sabe o que é marcar ao FC Porto, e Vietto jogará no lado esquerdo do ataque, mas com o papel de avançado interior. Bruno Fernandes, Wendel e Doumbia poderão ser os escolhidos de Silas para o meio campo.
JOGADOR A TER EM CONTA
Bruno Fernandes é a fonte de inspiração do jogo leonino Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Bruno Fernandes – Seria estranho não escolher Bruno Fernandes como o rei Leão do emblema verde e branco. Em muitos exibições coletivas desinspiradas da turma de Silas, Bruno Fernandes torna-se na locomotiva do Sporting CP e, muitas das vezes, salva os leões do perigo. O médio já leva 13 golos em 23 jogos nesta temporada e se a defesa do FC Porto não estiver de olho aberto, Bruno pode ser capaz de aumentar a conta no clássico.
XI PROVÁVEL:
4-3-3: Maximiano, Ristovski, Mathieu, Coates e Acuña; Wendel, Bruno Fernandes e Doumbia; Vietto, Luiz Phellype e Bolasie.
COMO JOGARÁ O FC PORTO?
O FC Porto precisa de por a carne toda no assador neste jogo. Aqueles que conseguem abanar o jogo num abrir e piscar de olhos precisam de jogar, pois estes clássicos resolvem-se, na sua maioria, em lances imprevisíveis. O 4-4-2 habitual nos jogos do FC Porto será, muito provavelmente, o esquema tático adotado por Sérgio Conceição.
Os azuis e brancos apostarão muito nas bolas paradas, como tem sido recorrente, e essa estratégia pode ser a chave do jogo. Nakajima deverá continuar no onze inicial depois das boas exibições, assim como Otávio, ambos nas extremidades do meio campo. Uribe e Danilo devem ser os escolhidos para o centro do meio campo. Alex Telles e Corona vão preencher as laterais dos dragões e Pepe e Marcano farão par no centro da defesa. Marchesín, certamente, será o guardião escolhido e nas posições mais ofensivas, Soares e Marega poderão ser a dupla ideal para fazer estragos.
JOGADOR A TER EM CONTA
Soares foi o melhor marcador portista em 2019 Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Tiquinho Soares – Seis golos nos últimos seis jogos dizem muita da forma recente de Tiquinho Soares. Curiosamente, estreou-se a marcar com um bis no seu primeiro jogo com a camisola do FC Porto, frente ao Sporting CP na época 2016/2017. A continuar assim, agarrará a titularidade em definitivo e pode voltar a fazer estragos ao clube lisboeta.
XI PROVÁVEL:
4-4-2: Marchesín, Alex Telles, Pepe, Marcano, Corona; Nakajima, Uribe, Danilo e Otávio; Soares e Marega.
De nada serviu ao OC Barcelos o estatuto de líder à entrada da jornada. Frente a frente com os seus mais modestos rivais minhotos, não conseguiu levar para casa mais que uma igualdade alcançada já na parte final do encontro. O desafio começou rápido e os visitantes cedo se adiantaram no marcador, mas os bracarenses responderam da melhor maneira e, com três golos num curto espaço de tempo, passaram para a frente. O Óquei responderia ainda no primeiro tempo chegando ao empate, mas o Braga colocar-se-ia de novo na frente a pouco mais de um minuto do intervalo (4-3). À saída para os balneários, começou a confusão, com uma altercação e críticas aos árbitros por parte dos dirigentes das equipas.
No segundo tempo, o caso pioraria. A 17:30 do final, após ser insultado por um adepto, o árbitro decidiu parar o jogo, obrigando a mais de meia hora de espera até que a PSP aparecesse para tomar conta da ocorrência. Pouco depois, haveria nova paragem forçada, desta feita para consertar uma das placas do pavilhão. Até ao final, os barcelenses conseguiram igualar, mas um HC Braga sólido defensivamente assegurou que não saía de mãos a abanar.
A FIGURA
Fonte: HC Braga
Constantino Acevedo – O guardião argentino fez uma segunda parte de luxo, com várias defesas cruciais para a conquista de um ponto face a um dos candidatos ao título.
O FORA DE JOGO
Fonte: José Baptista/Bola na Rede
Equipa de Arbitragem – Foi um claro exagero a reação do duo de arbitragem à atitude de um adepto isolado e que não colocou em causa a sua segurança, acabando por estragar parte do espetáculo tanto para os imensos adeptos presentes como para os jogadores, que foram forçados a um longo período de espera.
ANÁLISE TÁTICA – HC BRAGA
Alternando entre um 3-1 e um 2-2, os da casa mostraram-se desde o início mais contidos e com maior foco na segurança defensiva. Na primeira parte, saíram em vantagem apesar de alguns erros, mas uma exibição soberba à retaguarda no segundo tempo garantiu um resultado merecido.
CINCO INICIAL E PONTUAÇÕES
Constantino Acevedo (8)
Ângelo Fernandes (6)
Danilo Rampulla (7)
Pedro Delgado (5)
João Guimarães (7)
SUBS UTILIZADOS
Juan López (6)
Carlos Loureiro (7)
Afonso Lima (6)
António Trabulo (6)
ANÁLISE TÁTICA – OC BARCELOS
Enfrentando grande parte do encontro a jogar em 2-2, o Barcelos entrou melhor e mais tranquilo e mostrou grande frieza para responder à desvantagem por dois golos (3-1). No entanto, o segundo tempo revelou falhas na capacidade de contrução, com uma equipa que demonstrou ser tecnicamente superior a não ter igual capacidade mental para gerir o jogo e dar a volta ao mesmo.
Dia 21 de dezembro do ano volvido, ocorreram vários jogos para a disputa da final four da Taça da Liga Portuguesa.
Em questão o grupo C, que partiria para a última jornada com o Rio Ave FC e Portimonense SC a dependerem de si mesmos para a passagem à próxima fase, seguidos do Sporting CP e em último lugar, e já sem qualquer hipótese de qualificação, o Gil Vicente FC.
Os jogos marcadores eram Rio Ave FC vs Gil Vicente FC e, na outra partida do grupo, Portimonense SP vs Sporting CP. Haveria um claro favoritismo dos vila-condenses para a passagem à próxima fase da competição.
Em Vila do Conde, os rioavistas foram sempre superiores, com as poucas oportunidades de perigo a surgir sempre perto da baliza do Gil Vicente, porém Vítor Oliveira montou a equipa para não dar presentes de natal antecipados aos adversários. Enquanto que, de repente, o Sporting viraria o jogo em Portimão e os vila-condenses com apenas um tento garantiam a presença em Braga.
A emoção começou a tomar conta da equipa da casa, que ao minuto 82 conseguiu colocar a bola nas redes gilistas, os ânimos começaram a exaltar-se quando o arbitro André Narciso marcara falta durante a jogada e, consequentemente, anulou o primeiro golo do jogo. A contestação ao juiz da partida aumentou de tom aos 94 minutos, numa jogada em que André Vítor, supostamente, cometera penálti. Após a conversão da grande penalidade, estaria dada a machadada final nas aspirações vila-condenses para passagem à próxima ronda, um a zero que daria ao Sporting acesso à final four.
Chegada a flash interview, Carlos Carvalhal, deu uma espécie de grito do Ipiranga, sobre o estado de futebol português e a influência dos árbitros no mesmo, claramente transtornado com a situação, revelou que iria pedir a demissão do comando técnico da equipa. O português rematou ainda: “Isto não é o meu futebol, o meu futebol, o meu jogo” e “andamos a mentir uns aos outros, é o VAR, é não sei o quê, então eu tenho direito de não querer isto”. O transtorno do treinador era gigante, algo que é cada vez mais recorrente na nossa liga e nas competições internas e o VAR, que à partida seria a solução para recorrente contestação, gozou do efeito contrário, as decisões tornaram-se cada vez mais discutidas, os erros mais evidentes para quem vê de fora e a objeção aumenta a cada dia que passa.
Após acalmar os ânimos e reunir com o presidente do clube, Carlos Carvalhal anunciou, em conferência de imprensa, que teria mudado de ideias após a conversa com António Silva Campos, a frustração sentida no pós-jogo fora deixada de parte e está motivado para continuar ao leme do Rio Ave FC.
Carlos Carvalhal continua em Vila do Conde Fonte: Rio Ave FC
Estas situações tendem a repetir-se num futuro próximo. Este desporto leva as emoções a extremos e os intervenientes são aqueles que mais sofrem pois dependem do que se passa em campo. No entanto, a interferência que os árbitros efetuam em alguns jogos pode ser mote para algumas revoluções, se assim as possamos chamar, como a de Carlos Carvalhal.
A dúvida que fica no ar é: por que razão as queixas contra a arbitragem tornam-se cada vez mais tumultuosas e ninguém faz nada?
O SC Braga goleou esta noite o Belenenses por uns expressivos 7-1, na estreia de Rúben Amorim no comando técnico dos bracarenses. O treinador de 34 anos explicou na antevisão da partida que tinha pedido atitude e vitórias aos seus jogadores, algo que estes não demoraram a conseguir. Os Guerreiros do Minho rubricaram uma exibição dominadora no Estádio Nacional, pressionando com muita intensidade e obrigando o Belenenses a cometer muitos erros na sua primeira fase de construção. Os minhotos foram bastante eficazes no aproveitamento dos erros do adversário e aos 22’ já venciam por três golos sem resposta, com um bis de Ricardo Horta e um golo de Trincão, jogador que cresce a olhos vistos e assinou mais uma exibição repleta de classe. O Belenenses SAD ainda reduziu por Varela, mas Palhinha fez o quarto para os visitantes ainda antes do intervalo. No segundo tempo, os bracarenses voltaram a dominar o jogo e marcaram por Paulinho e Rui Fonte (bis). Com esta vitória, o SC Braga soma 21 pontos e sobe ao sexto lugar à condição. O Belenenses SAD terminou o ciclo de três jogos sem perder em casa e mantém-se na 15. ª posição.
A FIGURA
Fonte: UEFA Europa League
Ricardo Horta – Foi o exemplo da atitude e determinação que Rúben Amorim tinha pedido na antevisão do jogo. Marcou dois golos, fez uma assistência e entregou-se sempre ao jogo com o verdadeiro espírito dos Guerreiros do Minho. Cada vez mais justifica a chamada à seleção nacional.
O FORA DE JOGO
Fonte: Liga Portugal
Robinho – Entrou ao intervalo para tentar mexer com o jogo e ajudar o Belenenses a reagir à desvantagem mas acabou expulso ao fim de 20 minutos, sendo admoestado com o segundo amarelo e consequente ordem de expulsão por palavras dirigidas a Tiago Martins.
ANÁLISE TÁTICA – BELENENSES SAD
Pedro Ribeiro apresentou a sua equipa para este jogo em 4-3-3, com a suspensão de André Sousa a obrigar o técnico dos azuis a fazer alterações face ao último onze apresentado no jogo frente ao Moreirense. Gonçalo Silva recuperou a titularidade e surgiu como defesa direito, com Tiago Esgaio a aparecer na linha média ao lado de André Santos e Show. O ataque do Belenenses SAD ficou entregue a Licá, Varela e Cassierra. A equipa de Pedro Ribeiro iniciou a construção de jogo com uma linha de três, subindo o lateral Chima para dar largura e aumentar as linhas de passe disponíveis mas o Belenenses não conseguiu soltar-se da pressão do Braga, o que deu origem a muitas perdas de posse no seu próprio meio-campo defensivo. Quando a equipa sofreu o terceiro golo, Pedro Ribeiro juntou Licá a Cassierra e o Belenenses passou a jogar em 4-4-2, mas a equipa não conseguiu contrariar o domínio do adversário.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Koffi (3)
Gonçalo Silva (3)
Nuno Coelho (4)
Tomás Ribeiro (4)
Chima (2)
Tiago Esgaio (4)
André Santos (4)
Show (4)
Varela (6)
Licá (3)
Cassierra (4)
SUBS UTILIZADOS
Robinho (1)
Hakim (2)
Matias (2)
ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA
O primeiro onze de Rúben Amorim ao comando dos Guerreiros do Minho foi escalado num 3-4-3, com duas novidades na linha defensiva em relação ao último jogo dos minhotos. Raúl Silva voltou às escolhas da equipa principal, após quase dez meses de ausência devido a lesão grave no joelho, e Tormena surgiu como a primeira grande surpresa de Rúben Amorim, ele que até aqui pouco tinha sido utilizado. Na linha intermédia, Esgaio e Sequeira apareceram a dar mais largura ao jogo dos bracarenses, com Palhinha e Fransérgio a serem as unidades encarregues de povoar o miolo. Na frente de ataque, os extremos Trincão e Ricardo Horta surgiram no apoio a Paulinho. Os bracarenses pressionaram alto e com intensidade, obrigando o Belenenses a errar na primeira fase de construção. A equipa de Rúben Amorim aproveitou esses erros para ganhar as segundas bolas e criar perigo logo a partir do seu meio-campo ofensivo. No momento defensivo, o SC Braga passava a 5-3-2, com Esgaio e Sequeira a descerem e juntarem-se à linha da defesa, ficando Paulinho e Trincão como unidades mais adiantadas.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Matheus (7)
Tormena (7)
Raul Silva (8)
Bruno Viana (7)
Sequeira (7)
Ricardo Esgaio (8)
Palhinha (8)
Fransérgio (7)
Trincão (8)
Ricardo Horta (9)
Paulinho (8)
SUBS UTILIZADOS
Xadas (6)
Rui Fonte (8)
Wilson Eduardo (-)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Belenenses SAD
BnR: Pedro, o Belenenses é o terceiro pior ataque do campeonato e hoje a equipa voltou a demonstrar dificuldades, tanto na criação como na concretização das oportunidades. Está satisfeito com as opções que tem no plantel ou sente que o clube precisa de se reforçar neste setor nesta janela de transferências?
Pedro Ribeiro: “O SC Braga foi muito eficaz esta noite, marcou na primeira oportunidade que criou. Nós tivemos um desempenho em termos de eficácia completamente díspar, tivemos a seguir duas oportunidades de golo iminente, não marcámos e o Braga fez mais dois golos. Quando reduzimos para 3-1 o jogo ficou vivo, mas depois não conseguimos continuar esse bom momento. É natural que depois de um jogo como o de hoje vocês questionem estas coisas, mas nós marcámos nos últimos três jogos e criámos ocasiões de perigo para os nossos adversários.”
SC Braga
BnR: Rúben, na antevisão do jogo referiu que iria trazer estabilidade à baliza do SC Braga. Hoje apresentou uma linha defensiva a três, com duas novidades em relação ao último jogo, Raul Silva e Tormena. Também podemos esperar estabilidade neste setor?
Rúben Amorim: “Naturalmente que a posição de guarda-redes é uma posição que exige mais estabilidade do que as outras, embora na defesa também seja importante ter estabilidade. Vamos ter estabilidade no processo, mas as escolhas vão depender do número de jogos que tivermos. A equipa não são só onze jogadores, são 21, 22, e todos contam para as minhas opções.”
A década de 2010 ficou marcada por uma evolução tremenda no futebol, principalmente pela quebra de recordes por parte de dois astros, que já teriam aparecido uns anos antes, embora o auge de ambos tenha decorrido durante os últimos dez anos. A viragem da década é um sinal de que o fim de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi está perto e será durante esta década que as botas serão penduradas.
Basta parar para pensar que Iniesta está no Japão para terminar a carreira, Xavi já não joga, Xabi Alonso também não, Drogba, Eto’o, Robben, Lampard (é o treinador do Chelsea!) e tudo tão rápido. Parece que ainda ontem estava sentado no sofá a ver Iniesta a decidir o Mundial 2010 no prolongamento, ou a ver Drogba a empatar a final da Liga dos Campeões perto do final e todos sabem o que aconteceu a seguir. Assim como um ano depois o mágico pé esquerdo de Robben resolveu a final da mesma prova aos 88 minutos.
De seguida, surge o domínio de Real Madrid, com o Barcelona a fazer comichão, no entanto foi mesmo Ronaldo e companhia que dominaram a Europa com estrondo, ao vencer quatro Ligas dos Campeões em cinco anos. Foi também nesta década que os portugueses viveram um momento duma vida… Éder! Quem diria? Vai ficar para a história, ver todo o banco sofrer, liderados pelas lágrimas de Ronaldo a puxar as quinas para a glória. A década termina com o futebol magnífico imposto por Guardiola, como sempre o fez nas suas equipas, e com um Liverpool que certamente terminará no lote das melhores equipas de sempre.
É surreal a maneira como jogam e dominam as partidas. E quem se lembra do memorável jogo entre a Alemanha e o Brasil? Da reviravolta do Barcelona contra o PSG, depois de perder 4-0 na primeira mão e ainda sofrer um golo em casa e passar? E as aulas do Barcelona nos El Clasico contra o grande rival? A manita do Lewandowski em 9 minutos? Enfim… São tantos momentos que é impossível recordar todos, mas certamente a emoção que o futebol carrega é maior do que qualquer episódio de racismo ou corrupção, ou o que seja, porque o desporto-rei continuará a ser consumido por milhões de pessoas que o veem por vício, paixão ou lazer e ficam marcados pelos momentos emotivos.
Consultem as escolhas do melhor onze da última década.
Depois de quase um mês sem ganhar para o campeonato (três empates consecutivos), o Real Madrid entrou em 2020 com o pé direito ao vencer no reduto do Getafe, com bis de Varane. Numa partida com uma primeira meia hora paupérrima – destaque apenas para um lance em que Courtois evitou o golo de Arambarri – foi preciso esperar que o nulo fosse desbloqueado para que o jogo tomasse um rumo diferente. Numa má saída entre os postes de Soria, Varane apareceu no coração da área para inaugurar o marcador, e, a partir daí, tudo foi diferente. Fajr teve uma dupla oportunidade para empatar o encontro, Benzema esteve perto de ampliar a vantagem e, à beira do intervalo, Cabrera obrigou Courtois a mais uma bela defesa. Apesar da boa entrada do Getafe no segundo tempo, foi o Real a abanar as redes da baliza adversária, com novo cabeceamento certeiro de Varane. As aspirações da formação da casa caíram por terra e, apesar de ainda ter tentado reduzir a desvantagem, sofreu o terceiro no último lance do jogo (por intermédio de Modric), acabando mesmo por somar o segundo desaire consecutivo, já os merengues subiram à liderança de forma provisória.
A FIGURA
Fonte: La Liga
Thibaut Courtois – Se podia ser Varane? Podia. Mas o peso que a exibição de Courtois teve no regresso do Real aos triunfos foi por demais evidente, com uma mão cheia de defesas cruciais para o desfecho do encontro. Quando a sua equipa inaugurou o marcador, o Getafe respondeu e ameaçou a sua baliza por diversas ocasiões num curto espaço de tempo, contudo, o guardião belga disse “presente”, principalmente no primeiro tempo, e foi graças a ele que os merengues foram para o intervalo a vencer.
O FORA DE JOGO
Fonte: Real Madrid CF
Primeira meia hora de jogo – Pobre. Muito pobre. Perdas constantes de bola, duelos desequilibrados, pouca lucidez nos processos ofensivos de parte a parte e apenas uma oportunidade de golo até ao momento que o cronómetro marcou o minuto 30. Ter existido um golo no último um quarto de hora foi a chave para que este dérbi madrileno evoluísse como evoluiu…
ANÁLISE TÁTICA – GETAFE CF
A formação de Pepe Bordalas apresentou-se no já tradicional 4-4-2, com apenas duas alterações face ao jogo em que perdeu no reduto do Villarreal (Fajr ocupou a vaga deixada por Portillo no corredor direito e Molina deu lugar ao avançado Ángel Rodriguez). O Getafe sofreu na primeira verdadeira ocasião junto da sua baliza, mas nem por isso deixou de acreditar no empate, tendo respondido com três ocasiões num curto espaço de tempo. O segundo golo do Real a abrir o segundo tempo foi fatal para a estratégia da formação da casa, que ainda só tinha somado uma derrota no seu estádio (0x2 diante do Barcelona).
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
David Soria (4)
Nyom (5)
Cabrera (6)
Djené (5)
Damián (5)
Cucurella (7)
Maksimovic (6)
Arambarri (7)
Fajr (7)
Ángel Rodriguez (5)
Jaime Mata (5)
SUBS UTILIZADOS
Molina (5)
Portillo (5)
Ndiaye (5)
ANÁLISE TÁTICA – REAL MADRID CF
Zidane alinhou a sua equipa no habitual 4-3-3 com uma alteração forçada no eixo central da defesa (Militão no lugar do castigado Ramos) e deixando ainda Valverde no banco por uma questão de gestão, dado que o técnico francês continua sem poder contar com muitas peças devido a lesão. Não foi um jogo brilhante por parte dos merengues, mas foi suficientemente consistente para ganhar. As dificuldades em passar pelo meio campo adversário foram bastantes, mas o Real soube marcar nos momentos-chave do jogo e soube também sofrer quando era preciso. E quando assim é…
Para o Sporting CP, o novo ano traz na sua agenda eventos desportivos que têm (ou deviam ter) especial interesse, pois, apesar de tudo, continua a ser um dos clubes que mais atletas fornece para os anais da história olímpica nacional.
A verdade é que contámos as badaladas e iniciámos um novo ano, como aliás (se tudo correr bem), acontece todos os anos… Mas 2020 não é um ano qualquer.
É um ano bissexto e, como em todos (se tudo correr de acordo com o previsto), é ano de Jogos Olímpicos e de Campeonato da Europa de Futebol. É de quatro em quatro anos que os países ficam de olhos postos nos seus ecrãs para ver os seus conterrâneos a disputar medalhas olímpicas e, para Portugal, este ano, reside a esperança de uma prestação no Campeonato da Europa tão boa quanto a de 2016…
No entanto, para além das competições multidesportivas internacionais ou do próprio Campeonato da Europa, este ano, que inicia também uma nova década, deverá ser visto como uma oportunidade de desenvolvimento do Desporto Nacional.
É tempo de colocar na agenda o desporto como parte incomensurável da cultura nacional, garantido a projeção das valências portuguesas em todas as modalidades desportivas, impondo ao país um modelo estruturado que permita às novas gerações uma melhor perceção sobre o que é o desporto. É tempo de olhar para os modelos desportivos praticados noutras latitudes e recolher dos bons exemplos uma forma de acompanhar os sinais de desenvolvimento nas mais diferentes vertentes, sobretudo a tecnológica.
Ano novo, recomeço também para o Desporto Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Nesta década que se inicia, o Desporto vai confrontar-se com antigos e novos desafios, que porão em debate o seu próprio conceito.
No campo dos antigos desafios, o desporto e os seus agentes ter-se-ão de unir na procura e implementação de soluções para a proteção da sua integridade, arredando dos seus palcos todos os que do mesmo se aproveitam para atingir fins ilegais. Na vertente dos novos desafios, o Desporto será chamado, também ele, a adaptar-se à nova realidade tecnológica e ao rápido desenvolvimento internacional de novas modalidades: seja pela multiplicação de disciplinas desportivas, seja pela introdução de mecanismos tecnológicos na sua prática, seja pelo debate não mais adiável da afirmação dos jogos eletrónicos (e-sports) no panorama nacional e internacional.
Nos próximos dez anos, arriscamo-nos a dizer que o desporto sofrerá, positivamente, de um desenvolvimento nunca antes visto. Na senda dos passos que têm sido dados internacionalmente, o país precisa de abraçar esta nova década com vontade de se colocar a par com o que de melhor lá fora se pratica, sobretudo, na construção e valorização social de um modelo desportivo sustentável, equilibrado e reconhecedor do esforço hercúleo de todos os seus agentes. É um novo ano, como todos os outros, mas é 2020 e, por isso, o início de uma nova década, na qual valerá a pena presenciarmos a evolução e, acima de tudo, participarmos e promovermos a sua implementação em Portugal.
São 366 dias repletos de novas oportunidades no mundo desportivo, que apenas servem de introito para a espetacular evolução que o Desporto, como o conhecemos hoje, sofrerá nos próximos anos, ao qual o país e o mundo assistirão ativamente (espera-se…).