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Braga, Madrid, Natal e Playstation

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opinioesnaomarcamgolos

A verdade “deste” Futebol Clube do Porto é apenas uma: não é, de momento, uma equipa de Champions. O treinador ainda não ganhou uma noção clara de que, mais do que no campeonato, na Europa o Porto não pode jogar como o Paços. E a grande diferença é que no Paços não há nada a perder.

Ganhámos dois a zero ao Braga. Com justiça, mas não sei se Jackson Martinez não faz falta sobre Nuno André Coelho. Aquelas mãozinhas não deviam estar nos ombros do defesa. Mas seguindo em frente, vejamos o que Paulo Fonseca fez. Colocou o Defour a trinco, que não lê tão bem o jogo a nível defensivo nem rouba tantas bolas como Fernando, mas isso já se sabia, e pôs o Herrera a jogar com Lucho, apesar de não ter a mesma liberdade para se movimentar. Isto funcionou, principalmente na segunda parte. Carlos Eduardo entrou bem para o lugar do lesionado Lucho, mostrou que mesmo sem rotina sabe onde receber e onde entregar a bola, e Herrera soltou-se para fazer algo que todos sabemos ser seu: receção, visão, passes e, sobretudo, calma. Entrou Licá para o lugar de Josué sem acrescentar muito.

E aqui há uma pequena nota pessoal da minha parte. Já havia aqui dito que Licá era a melhor contratação deste último mercado. Agora sei que tenho de mandar reparar a minha televisão. Licá é jogador para o campeonato português, mas também fica bem na Taça da Liga! E Josué – o cabeça quente e reclamão do Josué – também não me convence. Tem o amor à camisola, mas não tem a qualidade, pelo menos para já. E qualidade é algo que ultimamente tem-se mostrado um conceito mutável nesta equipa. O que nos leva a fazer uma pequena viagem a Madrid…

Precisávamos de ganhar. Ponto final! E acredito que, algures no planeta, o Porto ganhou aquele jogo numa Playstation de um adepto qualquer, mas o que aconteceu em Madrid é a conclusão de um capítulo europeu cujo resultado nenhuma consola ou computador pode simular: qualidade. Este Porto não tem qualidade de Champions. Nem na sorte! Perdemos 2-0 num jogo que poderia facilmente ter ficado 2-0, 2-1 ou até mesmo 3-1 a nosso favor, caso a sorte tivesse sido outra. E não o digo à toa, pois é a primeira vez desde que vejo o Porto jogar que acredito que nos podemos queixar dessa senhora que ultimamente parece gostar apenas da seleção francesa. Mas fora a sorte, não houve qualidade. E, tal como em Coimbra, a posse de bola foi nossa, o perigo foi quase todo no mesmo sentido, mas mesmo assim perdemos. E isto sem contar com o presente de Paulo Fonseca na mexida na formação. Outra vez!

Uma noite de azar ditou a saída do Porto da Liga dos Campeões Fonte:http://www.tvi.iol.pt/
Uma noite de azar ditou a saída do Porto da Liga dos Campeões
Fonte:http://www.tvi.iol.pt/

Começou com três jogadores no meio-campo, com Fernando e Defour mais defensivos, e acabou com quatro no mesmo espaço e dois avançados. Um deles o super-rotinado e extremamente bem entrosado no modelo de jogo Ghilas. Ou seja, quando não entra aos 85 minutos do fim, entra aos 60. Por esta altura pensei que as substituições seguintes seriam Fabiano Freitas e Ricardo! Eu percebo que seja Natal, mas tantos presentes ao mesmo tempo não, Mister Fonseca! E a equipa parece que também gosta desta quadra festiva, afinal contribuíram com uma série de bolas paradas mal batidas e com cantos que foram uma nulidade. Sei que é um pouco exagerado, principalmente com quatro bolas no ferro, mas estamos a falar de um Porto a terminar esta fase europeia com 5 pontos e apenas uma vitória. Uma! E o treinador continua com as suas experiências, umas boas (contra o Braga), e outras más (perdi a conta…). Quem acha isto também exagerado então sente-se confortavelmente e faça o seguinte exercício: com tanta mexida, tentem adivinhar o próximo onze do Porto. Se forem como eu, provavelmente nem se sentaram e foram jogar consola. Porque só assim é que se adivinha o onze deste nosso Futebol Clube do Porto.

Final à Hitchcock

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brasileirao

O Campeonato Brasileiro de Futebol de 2013 chegou ao seu término. Houve emoção, alegrias e tristezas. Houve também violência, que poderia ter sido evitada. E a queda de dois gigantes cariocas que dará muito que falar.

Alfred Hitchcock, um mago da realização. O mestre do suspense. Nunca venceu um Óscar da Academia. Injusto. Quem nunca ouviu essa expressão: “É um autêntico fim à Hitchcock!” Pois bem. Foi o que aconteceu.

O Cruzeiro já há muito tinha confirmado o título. Uma campanha segura e sólida da turma azul de Belo Horizonte deu o título a cinco jornadas por jogar. Empatou a uma bola no terreno do Flamengo, num desafio entre Campeão Brasileiro e Campeão da Copa do Brasil. O grupo do G-4 – aqueles que vão á Libertadores para o ano – fechou com o Grêmio a vice-campeão, o surpreendente Atlético Paranaense no bronze e com a confirmação do Botafogo, de Seedorf. Os alvinegros fizeram um bom campeonato, coroado com este feito. Coisa que, em General Severiano, já não acontecia há algum tempo. A meio da tabela não houve grandes mexidas. O Atlético Mineiro (oitavo classificado) vai partir agora para Marrocos, a fim de jogar o Mundial de Clubes. Com Ronaldinho Gaúcho recuperado, esperam-se boas exibições do Galo na competição.

Vai uma boa dose de emoção? / Fonte: portistasdebancada.blogspot.com e veja.abril.com.br
Vai uma boa dose de emoção? / Fonte: portistasdebancada.blogspot.com e veja.abril.com.br

Mas as grandes deceções foram o Fluminense e o Vasco. Este último está numa situação alarmante, que já se arrasta desde o campeonato transato. Crise diretiva, financeira e desportiva, com reflexo nos salários em atraso e no fracasso desportivo dentro de campo. O clube da Cruz de Malta, tetra campeão do país, vai agora enfrentar mais uma vez a segunda divisão. Para além de Náutico (último colocado) e Ponte Preta (penúltimo) também o campeão de 2012, Fluminense, está de saída do convívio dos deuses. O tricolor carioca fez um péssimo campeonato, quando nada o fazia prever. Continuou com o mesmo treinador vitorioso, Abel Braga, que acabou por ser despedido pouco tempo depois, e com o núcleo duro do brilhante campeonato anterior. De nada lhe valeu a vitória na Baía, por 1-2. Uma pena. Estes quatro clubes serão substituídos por Palmeiras – que bem merece estar na elite -, Chapecoense, Sport e Figueirense.

Uma pena, também, foi a violência desproporcional entre torcedores. Em imagens arrepiantes, é possível ver adeptos feridos e desmaiados durante o encontro entre o Atlético Parananse e Vasco da Gama, com 5-1 para os de Paraná. Sem polícia, o Estádio Arena Joinville virou um palco de batalha. Mais um acontecimento que pode manchar o bom nome do país irmão, em vésperas do Mundial. Tudo poderia ser evitado se o policiamento fosse o correto. O destacamento de funcionários policiais para estes jogos de fim de campeonato, onde as emoções e os nervos afloram à epiderme dos adeptos, é fulcral. Depois da queda de uma parte do Itaquerão – o Estádio para o jogo de abertura do Mundial 2014 – agora é a vez de a violência imperar sobre o bom senso. Infelizmente, este não foi o único caso onde a barbárie prevaleceu sobre a civilização. Houve e voltará a haver outros. Mas falemos de coisas bem melhores.

Cenas lamentáveis durante o Atlético e Vasco / Fonte: foxsports.com.br
Cenas lamentáveis durante o Atlético e Vasco / Fonte: foxsports.com.br

Foi, sem dúvida, um campeonato muito competitivo. Aliás, como sempre é o Brasileirão. Nos últimos campeonatos, o vencedor só havia sido descoberto na última jornada. Este ano não foi assim. Mas houve uma tendência para baixo, isto é, para os que se quiseram salvar da descida. Também é uma luta justa e digna para estar entre os melhores.

Um dos grandes mestres da sétima arte tem vários e geniais filmes. Tem “Janela Indiscreta”, “Vertigo”, “The Secret Agent”, “Jamaica Inn” ou “The 39 steps”. Mas este fim faz recordar “A Corda”, com James Stewart no papel principal. Muitos clubes andaram com a tal corda na garganta. Alguns desfizeram o nó. Outros nem por isso. Esperemos pelo próximo campeonato, onde a incerteza é garantida, e assim nem precisaremos de ver nenhum filme do nosso querido Alfred para apreciar um bom Thriller.

Slater ou Fanning…?

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cab Surf

Muito sol, calor e ondas perfeitas. O que é que um surfista pode querer mais? Exactamente, os surfistas do World Tour estão nesta altura no North Shore, Hawai, para a última etapa do WCT. Kelly Slater ou Mick Fanning? América ou Austrália? Quiksilver ou Rip Curl? Quem será o grande vencedor, uma vez que Kelly Slater já conta com 11 títulos mundiais e o Mick Fanning com dois?

O Billabong Pipe Masters já começou e, com ondas a rondar os dois metros e meio, os quatro primeiros rounds foram efectuados. O principal destaque vai para Yadin Nicol (AUS),John John Florence (HAW),Kelly Slater (USA) e Joel Parkinson (AUS), que venceram os seus heats no round 4, passando assim directamente para os quartos-de-final.

Falando agora um pouco mais individualmente, e começando por Yadin Nicol: o australiano tem passado todos os seus heats em primeiro lugar. Primeiro contra Kahea Hart numa vitória fácil, depois contra o “Master” Taj Burrow, onde ambos obtiveram um score igualzinho, de 12.66 pontos. Yadin acabou por passar, pois tinha a nota mais alta do heat, 8.33. No quarto round, o surfista australiano ganhou frente a CJ Hobgood e Julian Wilson.

John John Florence, o surfista local, também tem feito sucesso no North shore havaiano. No seu primeiro heat ganhou ao brasileiro Gabriel Medina, depois de uma reviravolta no último minuto. Medina, que comandava a bateria, tinha um score de 14 pontos, o que fazia John John precisar de uma nota bastante alta. No último minuto, John John manda um super tubo conseguindo assim um 9.83 e acabando o heat com um total de 16.23. No round 4, o jovem havaiano encontrou Nat Young e Mick Fanning. Uma bateria bastante dura, pois encontrava Fanning, o principal concorrente à vitória. John John passou assim a bateria em primeiro lugar, com 16.37; de seguida ficou Nat Young, com um score de 14.00; e por fim ficou Mick, com um total de 11.51.

Medina num super tubo.  www.aspworldtour.com
Medina num super tubo.
Fonte: aspworldtour.com

O australiano Joel Parkinson, actual campeão mundial, foi também o último vencedor do Billabong Pipe Masters em 2012. Parko, que também está a ter uma prestação de excelência, deixou para trás Dusty Payne no round 3, passando assim facilmente ao round seguinte. Na quarta ronda, Joel passou em primeiro lugar, com uma pontuação total de 14.77. Deste modo deixou para trás outro australiano, Kai Otton, que não foi para além de um 7.60.
Jeremy Flores ficou em segundo lugar, com um score de 12.57.

Por fim, Kelly Slater, o outro candidato ao título mundial, também se tem vindo a destacar no Pipe Masters. Depois de ter eliminado facilmente Mitch Crews, com um score de 17.66, Slater voltou a entrar na água no round 4 contra Sebastian Zietz e Miguel Pupo. Mais uma vez, Kelly levou a melhor, ao sair vitorioso com outro grande score, agora de 17.56.

Deste modo, King Slater está um passo mais perto de se tornar campeão mundial, uma vez que Mick Fanning ainda tem de passar o round 5, pois perdeu no round 4.

Assiste aqui ao vídeo dos melhores momentos do round 3 e 4:

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Garra de Linces no Circuito Mundial de Sevens

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cab Rugby

Os Sevens da International Rugby Board regressaram no último fim de semana de Novembro com a dupla jornada no Dubai e em Port Elizabeth. Foram jornadas importantíssimas, onde as posições se começaram a decidir.

A 2ª etapa do Circuito Mundial de Sevens realizou-se nos dias 29 e 30 de Novembro, no Dubai.
No primeiro dia, Portugal venceu a selecção Francesa por 19-12, com ensaios de Adérito Esteves, Carl Murray e Pedro Leal, que converteu os dois últimos ensaios.

Portugal enfrentou também o Quénia, jogo em que Adérito Esteves se destacou uma vez mais ao marcar o único ensaio dos Linces, convertido por Pedro Leal, terminando o jogo com uma derrota por 10-07.

A equipa das quinas defrontou também o vencedor do Circuito Mundial de Sevens da época passada, a Nova Zelândia, perdendo por 38-0.

No segundo dia do torneio, os Linces venceram a Rússia, por 24-7, e o Canadá, por 33-24, acabando por perder apenas a Final Bowl para a Austrália, por 12-17.

A equipa apresentou-se mais focada e exibiu alguns dos melhores ensaios do torneio, com destaque para o ensaio de Carl Murray contra a equipa francesa e para o desempenho dos jogadores Adérito Esteves e Pedro Leal.

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Fonte: facebook.com/fpr.pt

Nos dias 7 e 8 de Dezembro, foi tempo de se disputar a terceira etapa do Circuito Mundial em Port Elizabeth, África do Sul, onde o desempenho de Portugal foi de excelência, ao conseguir o apuramento para o troféu principal.

Na fase de grupos, Portugal perdeu com a Nova Zelândia por 43-00 mas venceu depois o País de Gales por 28-17 e os Estados Unidos por 33-17.

Apesar da atitude agressiva e da garra demonstrada pela equipa lusa, o segundo dia já não correu tão bem. Portugal perdeu as meias-finais da Taça Plate frente à França por 17-12 e os quartos-de-final da Taça Cup por 45-00 frente à Africa do Sul.

No entanto, o desempenho dos Linces tem de ser reconhecido. Conseguiram 10 pontos neste fim-de-semana, que garantiram o alcance da 11ª posição no ranking, com 19 pontos.

A quarta etapa do Circuito Mundial realizar-se-á em Las Vegas, nos dias 24 e 26 de Janeiro.

O desempenho da equipa dos Linces nas próximas etapas será muito importante para que Portugal consiga um dos 12 lugares nos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em 2016.

Champion(s) da Desilusão

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dosaliadosaodragao

A cada início de época desportiva, depois de muitos cheques assinados e milhões gastos, renovam-se expectativas e fixam-se objectivos. Confesso que, dentro desse vendaval de declarações, me faz confusão aquela crença desmedida que sempre invade alguns protagonistas do meu clube (e, na realidade, de outros também) que “o objectivo é chegar à final da Champions”. Não é. Ou melhor, até pode ser, mas não de forma realista. E, chegados a Dezembro, o choque com a realidade torna-se ainda mais cru e, inevitavelmente, mais duro.

Paulo Fonseca tem um mérito: bate recordes. Mas, para mal dos seus pecados e para desgraça das almas portistas, o seu nome fica (pelo menos, para já) associado a momentos negativos. O primeiro: numa edição da Liga dos Campeões, nunca o FC Porto havia feito apenas um ponto em três jogos caseiros. O segundo: nunca uma equipa que amealhou seis pontos na fase de grupos da Champions conseguiu o apuramento para a fase seguinte (como sucedeu com o Zenit, adversário do FC Porto no Grupo G).

Justamente, fazendo um balanço, o Zenit está, ao fim ao cabo, por mérito próprio nos oitavos-de-final. Mas mais, muito mais, por demérito, incompetência e incapacidade do FC Porto. Ou azar, como alguns lhe chamam. A equipa russa está longe de o ser verdadeiramente; conta com duas ou três individualidades (à cabeça, Hulk) que podem desequilibrar um jogo mas, fora isso, arriscar-me-ia a dizer que são uma das duas equipas mais frágeis que prosseguirão na Liga Milionária. Pior do que isso, o FC Porto acaba em igualdade pontual com o colosso Áustria de Viena, tendo, para cúmulo, marcado menos um golo do que esse conjunto representativo de uma grandes potências do futebol europeu do momento, a Áustria! Sobra o Atlético de Madrid – uma equipa na verdadeira acepção da palavra, capaz, hoje, de bater qualquer concorrente. Comecemos precisamente por aí…

No Grupo G, o Atleti esteve sempre mais do que um patamar acima do FC Porto. / Fonte: Sábado
No Grupo G, o Atleti esteve sempre mais do que um patamar acima do FC Porto. / Fonte: Sábado

 
“Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”. Ora aqui está um dito popular que desde o primeiro dia devia ter sido forrado nas paredes do balneário do Dragão. Chegar à última jornada, ao Vicente Calderón, casa do Atleti, precisando imperiosamente de vencer e ficar à espera de um resultado menos positivo do Zenit em Viena é o primeiro passo para o insucesso. Não se pode dizer que o Dragão não tenha tentado. Porém, foi, de novo, atraiçoado pelos seus (Helton, outra vez?; Maicon, um defesa central não é um sinaleiro; Josué, era o penalty mais importante da tua carreira…), pelos postes, mas, sobretudo, pelo desvario colectivo, pela insistência nos equívocos e pela falta de discernimento (na finalização, principalmente).

Todavia, semanas antes, no Dragão, a hipótese de subir ao 2º lugar e ficar a depender de si próprio para garantir o apuramento estava a um pequeno passo. E o que fez o TriCampeão nacional? Como antes, desperdiçou. Danilo juntou o seu nome ao rol dos disparates individuais, ofereceu um golo aos austríacos e o mal menor foi um passo de ‘Cha Cha Cha’ Martinez que permitiu aos sempre crentes (como eu) continuar a sonhar com algo que a própria equipa a cada momento foi tratando de desmentir: ter capacidade para ser uma das melhores dezasseis da Europa.

Já vos tinha falado de Alex Sandro? Parece que o United anda de olho nele; belo lateral esquerdo, muita capacidade ofensiva, excelente técnica, bom cruzamento mas, aparentemente, o frio causa-lhe pequenas paragens cerebrais. Como em São Petersburgo na 4ª Jornada. É certo que Helton ajudou à festa mas quem tem Hulk por perto não se pode dar a momentos de relaxamento. Os Dragões até estavam a fazer um jogo de grande personalidade, encostando o Zenit às cordas, inaugurando o marcador e, pela primeira vez, virando o destino a seu favor. Mas largos erros tem esta Champions

A melhor equipa (repito, equipa) que se viu ao FC Porto foi aquela que recebeu o conjunto russo, no Dragão, em finais de Outubro. Herrera tratou de agradecer a titularidade a Paulo Fonseca com um ridículo e, na mesma proporção, inocente duplo amarelo entre o minuto 5 e 6 mas nem sequer foi isso que abalou o Dragão: aquela clássica característica que se associa à equipa portista e que, por vezes, disfarça a ausência de assinalável qualidade ressurgiu e, perante as adversidades, o FC Porto voltou a ser guerreiro, determinado e abnegado. É indesmentível que o golo de Kerzakhov aos 85’ foi um tremendo banho de água fria mas, pelo menos nessa noite, houve orgulho.

FC Porto versão 2013/2014: de erro em erro. / Fonte: Jornal Digital
FC Porto versão 2013/2014: de erro em erro. / Fonte: Jornal Digital

 
Os (raros) sinais de suprema equipa no FC Porto desta competição reduzem-se essencialmente àquela primeira parte diante do Atlético, na 2ª Jornada, no Dragão. Sem fraquejar, pressionando a campo inteiro, intensa, dominadora, a equipa portista haveria de revelar a sua verdadeira face na segunda metade desse encontro – de dominador a dominado, bastou um golo de Godín. De indestrutível a confrangedor, chegou um golo sofrido de livre e digno do escalão de iniciados ao nível mais distrital. Sobrou a certeza de que o Atleti era o real cabeça-de-série do grupo.

Primeiramente, o Prater havia servido de anfitrião à estreia dos Dragões na Champions deste ano. Numa exibição-paradigma daquilo em que se viria a tornar, a equipa lá arrecadou uma vitória que hoje se afirma incrivelmente como preciosa. Lucho adiantou a equipa numa bela (e única) jogada colectiva mas esse foi, de facto, o oásis no meio de um imenso deserto – no fundo, a única vitória em seis jogos.

Tudo somado, a equipa portista cometeu, em diversos momentos, e de forma reiterada, erros verdadeiramente imperdoáveis numa competição deste nível. Mas mais do que essas falhas individuais que fazem corar o mais amador dos futebolistas, não deixa de ser elucidativo que no jogo final, depois de desperdiçadas duas oportunidades de ficar a depender de si próprio, estando obrigado a ganhar, a equipa portista não tenha sequer conseguido marcar um golo. Obviamente que não foi em Madrid que o apuramento ficou comprometido (este seria, aliás, o jogo mais ‘normal’ de perder).

Apenas 2 golos na Champions para um dos avançados da moda, Jackson Martinez. / Fonte: JN
Apenas 2 golos na Champions para um dos avançados da moda, Jackson Martinez. / Fonte: JN

 
O que foi verdadeiramente impressivo, desde o início de competição, foi a falta de maturidade, de inteligência e de capacidade para gerir os ritmos do jogo (em Viena ou em casa frente ao Atlético); foi igualmente a falta de qualidade de jogo fluido e organizado da equipa (como em casa contra o Áustria ou agora em Madrid); mas, e sobretudo, os erros individuais cometidos por diferentes jogadores, provocados por falta de concentração, de experiência ou, simplesmente, de qualidade, que sempre acabaram por frustrar os objectivos da equipa e torna-la vitima de si própria.

Nesta edição da Champions, o FC Porto não foi capaz de aproveitar o grupo em que estava inserido e as fragilidades evidentes dos seus directos opositores (Zenit e Áustria de Viena). Antes, criou, em si mesmo, um novo adversário. E, jogo após jogo, desleixe após desleixe, foi deixando para amanhã o que podia fazer hoje. Mas, em abono de verdade, nunca demonstrou que o podia fazer.

Segue-se uma Liga Europa. E seguir-se-á, assim o creio, um novo regresso à melhor competição do Mundo de clubes. Mas aí que o objectivo assumido – por favor! – não seja o de estabelecer uma meta realisticamente inatingível. Que seja apenas o de ser um Porto competente, determinado e inteligente. Depois… pode ser que a Champions deixe de ser uma utopia.

De volta ao lugar a que pertencemos

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O Sexto Violino
Estamos em primeiro. 8 anos, 10 meses e 23 dias depois, os Sportinguistas voltam a desfrutar da sensação de ocupar o lugar mais alto da Liga, com todos os adversários a olharem de baixo para cima para nos verem. E que revigorante é esta sensação! Por tudo aquilo que passaram, por todos os desgostos que viveram, por todas as decisões disputadas por rivais a que tiveram de assistir no sofá, os adeptos do Sporting já mereciam a alegria de ser líderes.

Foram 3249 dias de impaciência, exasperação e, por vezes, descrença total. A última vez que tínhamos ocupado o lugar mais alto do pódio de forma isolada tinha sido em Janeiro de 2005, que é mais tempo do que qualquer Sportinguista gostaria de admitir. Nessa altura o país dava o último suspiro antes de mergulhar definitivamente na crise, George W. Bush tinha lamentavelmente sido reconduzido a um novo mandato enquanto Presidente dos EUA e preparava-se para tomar posse, Yasser Arafat tinha deixado a liderança da Palestina pouco tempo antes e José Sócrates estava prestes a tornar-se Primeiro-Ministro de Portugal. O Twitter não existia, o Facebook era pouco mais do que um projecto limitado de um geek universitário e os jovens interagiam virtualmente através do MSN ou do Hi5. Desportivamente, estávamos ainda na ressaca do Euro 2004, a memória das vitórias do Porto de Mourinho na Europa continuava muito presente, os Sportinguistas Francis Obikwelu e Rui Silva tinham, para não variar, salvo a honra de Portugal nos Jogos Olímpicos com uma medalha de prata e outra de bronze e o Sporting de José Peseiro estava a poucos meses de concluir em pesadelo uma época em que encheu os adeptos de sonhos.

A onda verde e branca qu se tem gerado nas últimas semanas inundou Barcelos no último Domingo
A onda verde e branca que se tem gerado nas últimas semanas inundou Barcelos no último Domingo

Desde então muita coisa mudou – e, a julgar pelo estado actual do país, não necessariamente para melhor. Mas o Sporting só agora voltou a ser líder isolado. Nenhum Sportinguista que se preze ignora que muito do nosso insucesso se ficou a dever a direcções incompetentes e aos constantes “erros humanos” de uma arbitragem corrupta que acabava sempre por beneficiar os mesmos (neste ano de 2005 ocorreu o famoso golo de Luisão, sobre o qual ainda hoje se discute se é ou não precedido de falta. No entanto, caiu no esquecimento colectivo o facto de Paulo Baptista ter anulado um golo limpo a Hugo Viana num jogo contra o Braga que terminou 0-0 e que, provavelmente, seria suficiente para nos dar o título… Pode haver quem ache desajustado estar a falar disto tanto tempo depois, mas é bom que não deixemos que a História seja apagada nem recordemos apenas aquilo que dá jeito ao Benfica e ao Porto).

O golo mal anulado em 2004/2005, no último ano em que o Sporting foi líder isolado. Hugo Viana é o sportinguista mais adiantado, mas muito longe de estar fora-de-jogo / Fonte: SCP Memória
O golo mal anulado em 2004/2005, no último ano em que o Sporting foi líder isolado. Hugo Viana é o sportinguista mais adiantado, mas muito longe de estar fora-de-jogo / Fonte: SCP Memória

Voltámos portanto ao lugar mais ambicionado, ao lugar que é nosso por direito desde que, no longínquo ano de 1907, conquistámos o primeiro troféu da nossa História ao Sport Clube Estefânia. Na manhã seguinte ao jogo de Barcelos, a primeira pessoa que vi na rua foi um rapaz que envergava orgulhosamente um casaco do Sporting, facto que me deixou com um largo sorriso na cara. Ontem, ao passar a pé pelo Colombo a caminho da faculdade, olhei para o chão e vi um bilhete de futebol rasgado, referente ao jogo da véspera entre Benfica e PSG, que ditou a eliminação encarnada. Sei que não devemos ficar felizes com o mal dos outros, especialmente porque continuo com a convicção de que esta nossa boa fase muito dificilmente se estenderá até Maio, mas registo com prazer que, pelo menos por uns tempos, as energias positivas parecem ter mudado de lado.

Concluindo, desejo apenas que não voltemos a atingir outra vez o topo só daqui a 9 anos. O Sporting tem de se habituar a ganhar, sem medos e sem complexos. É certo que ainda é cedo para festejos, e bem sabemos como é sempre cedo para reservas do Marquês. Há ainda muitas jornadas por disputar e muitos campos difíceis para visitar. Mas quem disser que, ao cabo de 12 jornadas, a liderança do Sporting não é justa, ou não tem visto os jogos ou tem claras dificuldades em analisar o futebol de forma correcta. Estamos em primeiro!

Um hino à Champions

Todos os anos há certos jogos em que qualquer jogador deseja participar. Todos os anos há um hino que é admiravelmente escutado, que preenche com expectativas e sonhos miríficos o espírito de jogadores, adeptos, dirigentes e até da comunicação social. Todos os anos esse mesmo hino é ouvido 96 vezes nos 96 jogos da fase de grupos da Liga dos Campões. Este ano não foi exceção.

A fase de grupos terminou e, das 32 equipas que se encontram divididas por oito grupos, apenas 16 tiveram a sorte – e a capacidade, obviamente – de continuar a sonhar. As equipas portuguesas não fazem parte desse conjunto, mas já lá vamos – até porque há muito para contar.

O grande troféu europeu de clubes / Fonte: blog.betboo.com
O grande troféu europeu de clubes / Fonte: blog.betboo.com

GRUPO A – Equipas apuradas: Manchester United e Bayern Leverkusen
Este grupo foi composto por Manchester United, Bayer Leverkusen, Shakhtar Donetsk e Real Sociedad. O campeão inglês era o claro favorito e não defraudou as expectativas: arrecadou o primeiro lugar do grupo com 4 vitórias e 2 empates. Apesar de a prestação na Liga Inglesa deste ano estar a ser deplorável, o Manchester United ultrapassou a fase de grupos com relativa naturalidade. O segundo lugar foi disputado entre o Bayern Leverkusen e o Shakhtar Donetsk. O clube alemão levou a melhor e conseguiu o merecido bilhete para a próxima fase. O objetivo será, certamente, repetir o trajeto de 2001, onde foi finalista da prova frente ao Real Madrid – os madrilenos acabariam por vencer por 2-1. No posto mais negativo deste grupo ficou a Real Sociedad. O clube da cidade de San Sebastián mostrou estar demasiado verdinho para estas andanças (cinco derrotas e apenas um empate) e sai da Europa com toda a justiça.

GRUPO B – Equipas apuradas: Real Madrid e Galatasaray
O grupo do Real Madrid, do Galatasaray, da Juventus e do FC Kobenhaven, ou, se quisermos ser mais primários, o grupo onde jogava Cristiano Ronaldo. O português marcou nove (!) golos e tornou-se o melhor marcador de sempre numa fase de grupos da Liga dos Campeões. Pelo meio, o Real Madrid conquistou a liderança do grupo com cinco vitórias e um empate – pormenores, eu sei.
A segunda posição foi ocupada pelo Galatasaray, de Bruma, que, graças à vitória de ontem frente à Juventus, por 1-0, segue para a fase seguinte.
A verdade é que a Juve, campeã italiana, teve uma péssima prestação europeia. Pode – e deve – fazer muito melhor. Remetida para a Liga Europa, que vai ter uma edição com equipas de enorme qualidade, é favorita à conquista do troféu.
Quanto ao último classificado, o campeão dinamarquês FC Kobenhaven teve a virtude de ganhar um jogo, mas a discrepância de qualidade para as restantes equipas era gritante. Sai da Europa de cabeça erguida.

GRUPO C – Equipas apuradas: Paris Saint German e Olympiacos
Aquando do sorteio, os benfiquistas viram com bons olhos as restantes equipas do grupo: Paris Saint German, Olympiacos e Anderlecht.
As perspetivas eram boas e as contas fáceis de fazer: o PSG, pela qualidade da sua equipa, conquistaria com alguma naturalidade o primeiro posto do grupo – o que acabou por acontecer; o Anderlecht lutaria pelo terceiro lugar mas o mais provável era acabar fora da Europa – o que também acabou por acontecer; o Olympiacos seria então o concorrente direto pelo segundo lugar, e talvez fosse o único obstáculo capaz de destruir o sonho de o clube da Luz jogar a final da Liga dos Campeões na sua própria casa – e não é que também isso foi acontecer?!
A verdade é que o Benfica conquistou 10 pontos e, em 136 grupos concluídos na Liga dos Campeões desde 1999/2000, somente por 10 vezes é que equipas com 10 pontos realizados na fase de grupos ficaram fora dos oitavos-de-final. Aquele jogo em Atenas…

GRUPO D – Equipas apuradas: Bayern Munich e Manchester City
Sobre este grupo não há muito a dizer, os números falam por si: Bayern Munich – atual detentor do troféu – e Manchester City conquistaram (e dominaram), respetivamente, o primeiro e o segundo lugar do grupo, ambos com 15 pontos – o confronto direto entre as duas equipas ditou os respetivos lugares.
O Plzen e o CSKA Mosvka terminaram com apenas três pontos amealhados – que enorme diferença para os dois primeiros classificados! No entanto, o Plzen, por ter marcado mais golos fora no confronto direto frente ao CSKA Mosvka, segue para a Liga Europa.

Quem irá suceder ao Bayern Munich? / Fonte: img.ibtimes.com
Quem irá suceder ao Bayern Munich? / Fonte: img.ibtimes.com

GRUPO E – Equipas apuradas: Chelsea e Schalke 04
Grupo do Chelsea, do Schalke 04, do FC Basel e do Steaua Bucaresti.
O Chelsea teve algumas dificuldades em conseguir o primeiro lugar. Acabou por consegui-lo, mas, à imagem do que tem acontecido na Liga Inglesa, a equipa de José Mourinho mostrou-se demasiado intermitente – perdeu os dois jogos frente ao Basel – e tem forçosamente de aperfeiçoar a consistência do seu futebol, caso queira estar na Luz, em Maio.
O Schalke demonstrou a frieza e agressividade do futebol bávaro e o 2o lugar do grupo adequa-se bem à qualidade de jogo dos alemães.
O FC Basel teve, como já referi, o seu momento de glória ao vencer por duas ocasiões o Chelsea. A verdade é que os seis pontos amealhados nesses jogos foram importantíssimos para os oitos pontos finais que lhes valeram um lugar na Liga Europa.

GRUPO F – Equipas apuradas: Borussia Dortmund e Arsenal
Um dos grupos mais interessantes desta edição da Liga dos Campeões. Constituído por Borussia Dortmund, Arsenal, Nápoles e Marselha, desde o primeiro minuto que as expetativas em torno do grupo F eram de enorme entusiasmo.
Em termos pontuais, o Borussia, o Arsenal e o Nápoles terminaram os seis jogos de qualificação com 12 pontos. Aplicou-se o confronto direto (e o número de golos marcados), e o Borussia Dortmund findou no topo da classificação, seguido pelo Arsenal. O Napóles foi remetido para a Liga Europa – outra excelente adição à competição –, e, por fim, houve um inglorioso Marselha que deixou a Liga dos Campeões com 0 (!) pontos. Que ciclo tão triste percorre este histórico clube francês. Foi, sem dúvida alguma, a maior deceção entre os 32 clubes presentes na fase de grupos.

GRUPO G – Equipas apuradas: Atlético Madrid e Zenit
O grupo G foi pautado por um incrível Atlético Madrid que promete ser o mais forte dos “outsiders”. É candidato a uma presença na final?! Eu penso que a continuar assim os colchoneros são candidatos a tudo o que quiserem. Praticando um futebol dinâmico, agressivo, rápido e aliado a uma defesa compacta, o Atlético Madrid foi, até ver, a maior surpresa da Liga dos Campeões.
O F.C. Porto, pelo contrário, causou uma enorme deceção. Os escassos cinco pontos conquistados nos seis jogos efectuados demonstram bem a prestação dos azuis e brancos. Os pupilos de Paulo Fonseca nunca mostraram capacidade para seguir em frente – com a exceção do jogo do Dragão frente ao Atlético de Madrid,– e realizaram a pior prestação de sempre em casa nos jogos da Champions: apenas um ponto.
A aventura europeia dos dragões, tal como a do Benfica, continua na Liga Europa.
O Zenit mostrou-se também uma equipa muito irregular, com exibições pobres. Segue em frente na prova mais por demérito do F.C. Porto do que por mérito próprio. Os russos evidenciam ser um conjunto medíocre e duvido que façam mossa aos “tubarões”.
Por último, o Austria Wien, tal como esperado, foi afastado das competições europeias. Mas, atenção, o campeão austríaco foi um osso duro de roer – que o diga o F.C. Porto – e nunca se intimidou com a grandeza dos adversários. Agressivos e humildes, souberam sempre explorar as fraquezas dos “inimigos”.

GRUPO H – Equipas apuradas: Barcelona e AC Milan
O último grupo da Champions foi constituído por Barcelona, AC Milan, Ajax e Celtic. Quanto aos blaugrana, a equipa comandada por Tito Martino esteve desde o começo no topo da tabela e não mais o largou. Segue em frente com naturalidade e é, como todos sabemos, um dos grandes candidatos à final.
Quanto ao AC Milan, o clube italiano carece de alguma qualidade no plantel e foi com bastante dificuldade que conquistou a passagem aos oitavos-de-final. Não me parece um sério candidato e precisa urgentemente de reforços em janeiro.
O Ajax, esse emblemático clube holandês (que tem sempre um azar tremendo nos sorteios), caiu novamente num grupo de elevada dificuldade e, apesar dos oito pontos, foi incapaz de garantir um lugar entre a elite do futebol. Junta-se, no entanto, ao lote das equipas de grande qualidade que vão disputar a Liga Europa – é merecido, diga-se.
O Celtic foi último classificado do grupo com cinco derrotas e uma vitória. Os escoceses são sempre muito valentes e destímidos, mas, face a equipas de tamanha qualidade técnica, a probabilidade de conseguirem retirar algo de positivo era muito escassa. O prognóstico revelou-se acertado.

Este ano a participação das equipas portuguesas na Liga Dos campeões terminou bem cedo, o mais cedo possível, na verdade. Os dois representantes lusos não conseguiram, como vimos, a passagem aos oitavos-de-final da maior prova de clubes europeia e terminaram no 3o lugar dos respetivos grupos – aguardo com alguma curiosidade pelas prestações de ambos no palco secundário da Europa (final à vista!?).

Porém, o hino da Champions escutar-se-á uma vez mais em solo português: a 24 de Maio de 2014 no Estádio da Luz, em Lisboa. Eu não sei os nomes dos jogadores, não sei quais serão as duas equipas finalistas e também não sei quem será o grande vencedor. O que eu sei é que a 24 de Maio de 2014, quando das colunas da Luz romper o faustoso hino dos campões, o mundo terá os olhos postos em 22 atletas e uma bola. É tão simples, o futebol…

Estrelismos de menino ou meninice da comunicação social?

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lanternavermelha

Segundo o Correio da Manhã, ou da Manha, como preferirem, Ivan Cavaleiro não quis renovar com o Benfica.

Ora bem, isto tanto pode ser uma grande manha como uma grande verdade. Mas vindo de onde vem, talvez o importante seja perceber as implicações disto num formato meramente especulativo. E a ideia aqui é essa.

Ivan Cavaleiro tem sido no decorrer desta época um miúdo em destaque na equipa B encarnada, com oportunidades no plantel principal, minutos de jogo e bons apontamentos que o fizeram ser reconhecido como a nova aposta da formação encarnada – esperando eu e muitos adeptos que não seja a única.

Então elucidem-me: o que leva um miúdo que vem da formação, que desponta na equipa B e que até tem oportunidades no principal plantel do Benfica a não querer renovar? É que, por exemplo, o Miguel Rosa (actualmente no Belenenses) é claramente um caso de eternidade secundária (leia-se ‘com Jesus nunca iria ter minutos na equipa principal, ficando para sempre como o capitão da equipa B’), pelo que fez todo o sentido abandonar o clube e procurar, obviamente, uma oportunidade de mostrar o seu valor fora de portas. Já em relação a Cavaleiro, não se aplica o mesmo princípio. Deste modo, estamos na presença de um novo caso Bruma? Espero que não e acredito que não.

É para continuar? Fonte: record.xl.pt
É para continuar?
Fonte: Record

Em primeiro lugar, porque o rumor, que é só isso, vem de onde vem (o respeitado Correio da Manha – sim, da manha); e em segundo lugar porque quero acreditar que temos, enquanto clube, pessoas e uma estrutura competentes para elucidar o jovem menino de que o melhor é estar onde está, sem estrelismos nem peneiras, porque, se analisarmos bem, ainda não mostrou nada.

O Ivan tem tudo para ser a nova pérola encarnada, tem força física, velocidade, técnica, irreverência própria da idade e é acarinhado pelos adeptos. Algo que não acontece com todos. Algo que deve ser valorizado pelo jogador e pelo qual deve estar agradecido. Se existe potencial no menino para voar mais alto do que aquilo que o Benfica tem para oferecer? Com trabalho e a evolução que se espera dele, acredito que sim. Pode ambicionar mais e acho que é inclusivamente legítimo fazê-lo. Contudo, julgo que é necessária alguma água na fervura.

Há que ter noção de que se é jovem, de que não se pode exigir ao clube mundos e fundos sem dar provas concretas para isso.

Em terceiro lugar, não estamos do outro lado da segunda circular.

Portanto, Ivan, se leres isto, agradeço, e peço, enquanto benfiquista, que continues a fazer o teu trabalho, que não te iludas, que despontes, que te mostres, que renoves, que percebas o teu actual lugar mas também aquele que pode vir a ser o teu lugar dentro do Benfica.

Não queiras ser um Bruma, até porque Ivan Cavaleiro soa muito melhor.

Enfim, isto seria o que teria a dizer caso este caso fosse real. Como foi notícia com fundamento no vazio, noticiada no magnífico jornal ao qual não faço mais publicidade, a única coisa que tenho a dizer ao Ivan é:

Jogas muito, meu menino! Por isso continua e nunca te estragues.

Dos graffitis para o Guiness – Entrevista a MrDheo

entrevistas bola na rede

MrDheo, portuense e portista, é um dos mais reputados graffiti writers portugueses. Já trabalhou em dezenas de países, entrou no Guiness World Records e o seu percurso tem uma ligação forte ao futebol. Ganhou protagonismo internacional quando foi à Colômbia retratar El Tigre Falcao ou quando personalizou umas chuteiras para o controverso Super Mario Balotelli. Participou, esta época, na festa de apresentação aos sócios do Futebol Clube do Porto e foi o responsável pelo “fresco” na entrada do Museu do clube recentemente inaugurado. O Bola na Rede foi tentar saber mais sobre o trabalho deste enorme talento.

Bola na Rede: Há quanto tempo fazes graffiti? De onde surgiu o “bichinho”?

MrDheo: Faço graffiti há 13 anos. Desde pequeno que mantenho o gosto pelo desenho. Aos 13/14 anos comecei a ouvir hip-hop, onde o graffiti é uma das quatro vertentes, e quando tive acesso a esta forma de expressão pela primeira vez senti uma identificação imediata, o que me levou a pesquisar informação para perceber o que era e como era. Daí à prática foi um instante. E mantive-me activo até aos dias de hoje.

BnR: Recentemente foste a Abu Dhabi para participar num gigante graffiti colectivo que vai entrar no Guiness World of Records. Conta-nos mais sobre essa experiência.

MD: O “O1NE” é um espaço de diversão nocturna construído este ano em duas cidades: Beirute (Líbano) e Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos). O proprietário quis arrancar com um projecto megalómano a todos os níveis e a parte da decoração das fachadas foi adjudicada a um artista holandês, que subcontratou uma equipa de 18 artistas para a executar, onde eu estava incluído. Em Maio, a equipa arrancou para Beirute e eu, infelizmente, não passei do aeroporto por problemas no passaporte. Como estava em Malta quando os restantes artistas lá chegaram e já ia com 3 dias de atraso, o projecto arrancou sem mim. Em Setembro foi a vez de Abu Dhabi. Para que se perceba o processo, posso dizer-te que o planeamento destas duas fachadas demorou cerca de 3 anos, o que significa que, assim que chegamos lá, todos sabíamos o que fazer e onde fazer. Em 15 dias terminámos a pintura, sendo que trabalhámos apenas durante a noite, devido ao calor (tivemos inclusive de assinar um contrato que nos “obrigava” a beber 1L de água por hora), e utilizámos 5500 latas. Comparativamente com o “O1NE” do Líbano, este tinha maior área decorada – 270m de comprimento por 18m de altura – e o Guiness considerou-o o maior graffiti de propriedade privada do mundo. Foi uma experiência diferente, claro, não só pelo projecto em si como pela sua localização. Foi duro, deu muitas dores de cabeça e muito trabalho – inclusivamente, estava a mancar e acabei por ir ao hospital com um problema no pé – mas valeu muito a pena.

BnR: Quando e como é que decidiste juntar a paixão pelo graffiti com a paixão pelo futebol pela primeira vez?

MD: A arte e o futebol estiveram lado a lado em toda a minha vida. O meu grande objectivo quando era novo era, claro, ser jogador profissional. Joguei 11 anos como federado e deixei de o fazer, primeiro porque me detectaram um problema de saúde que podia fazer com que caísse para o lado a qualquer momento, depois porque apanhei um treinador nos júniores que bebia mais do que eu jogava à bola e que por algum motivo me fez a vida negra a época toda. Nessa altura já fazia graffiti e também já começava a ser difícil conciliar as duas coisas, por isso abandonei uma e abracei a outra por completo. Mas quis sempre voltar a juntar essas duas paixões de alguma forma e isso surgiu pela primeira vez a sério em 2010, com a personalização das chuteiras para o FC Porto-Arsenal.

BnR: Como é que surgiu a ideia de personalizar chuteiras?

MD: Nessa altura, em 2010, já estava em contacto com o FC Porto e com alguns projectos em cima da mesa. O FC Porto ia receber o Arsenal em casa para a Champions e, como eu já personalizava sapatilhas da Reebok, lembrámo-nos de que seria interessante fazer o mesmo numas chuteiras que seriam oferecidas aos Gunners. O Porto entregou-me umas chuteiras brancas e uma caixa feita à medida e deixou o resto à minha criatividade. Felizmente correu bem e uns meses mais tarde fizemos o mesmo para oferecer a um dos patrocinadores do clube.

BnR: Para que jogadores já personalizaste chuteiras?

MD: Há trabalhos que não podem ser tornados públicos. Não só pela questão dos contratos dos jogadores com as marcas, mas também porque há clubes que gerem a imagem dos jogadores e que não permitem que nada que não seja elaborado por eles seja publicado. Portanto, apesar de ter feito já várias coisas nesta área, o que é público são as chuteiras para FC Porto, Emmanuel Frimpong, Mario Balotelli, Gokhan Inler e Paulo Machado.

BnR: As chuteiras que personalizaste para o Mario Balotelli (AC Milan) ou para o Gokhan Inler (Nápoles), por exemplo, não podem ser usadas em campo – são um mero elemento decorativo. No entanto, as que personalizaste mais recentemente para o Paulo Machado (Olympiacos) já podem ser utilizadas durante os treinos e os jogos. O que mudou na tua técnica de personalização?

MD: A ideia inicial sempre foi mantê-las como um elemento decorativo – os jogadores terem as chuteiras e a caixa personalizada para guardarem como recordação, assim como guardam camisolas, taças e medalhas. O material que utilizo normalmente era suficiente para esse efeito e não precisava de explorar outros materiais e outras técnicas. O que aconteceu foi que alguns jogadores entraram em contacto comigo, dizendo-me queriam jogar com elas, mas eu sabia que as personalizações que fazia não garantiam a resistência e durabilidade suficientes para jogos de alta competição. Tive de “suspender” de alguma forma o projecto até conseguir dar resposta a esses pedidos e estive cerca de 4 meses a fazer pesquisa e a testar novas tintas e novas técnicas que me dessem uma garantia total de que as chuteiras pudessem ser utilizadas em campo. Acho que essa fórmula está encontrada.

Chuteiras personalizadas para Paulo Machado
Chuteiras personalizadas para Paulo Machado

BnR: Quanto tempo demoras a personalizar umas chuteiras?

MD: Depende sempre do nível de detalhe de cada personalização. Em cada projecto há pesquisa, preparação, isolamento, várias camadas de tinta, acabamento, etc. Diria que, em média, uma personalização completa leva uma a duas semanas.

BnR: Tens tido muita procura? Achas que dentro de uns anos poderemos ter dezenas de jogadores a disputar a Liga dos Campeões com chuteiras personalizadas por ti?

MD: Acho que tenho tido a procura suficiente e possível, sem englobar jogadores não profissionais ou pessoas que nem jogam mas que querem ter umas chuteiras personalizadas. São pedidos que recebo com alguma regularidade de todo o mundo mas que neste momento descarto por querer focar-me no mercado de jogadores profissionais. E essa é uma decisão arriscada, que torna as coisas um pouco mais difíceis. Não só porque é um projecto inovador – e isso é sempre um factor de risco -, mas também porque, como deves imaginar, não é fácil chegar ao contacto com os jogadores. Principalmente para mim, que durante toda a minha vida achei que, se trabalhasse, as oportunidades haveriam de chegar. Ou seja, não sou apologista de andar a bater às portas e a dizer que faço isto e aquilo, mas sim de trabalhar no duro e de procurar evoluir até baterem à minha porta. E sinto-me bem por hoje ter contacto com vários jogadores e terem sido eles a procurar-me pelo trabalho que tenho vindo a fazer. Mas as coisas vão acontecendo, não acontecem todas de uma vez. Agora, em relação à segunda pergunta, obviamente que gostava mas devo dizer-te que talvez seja algo irrealista. Não só porque tenho de manter os pés assentes na terra e dar um passo de cada vez, mas também porque há contratos com as marcas que impossibilitam que muitos jogadores possam utilizar umas chuteiras personalizadas em campo. As marcas pagam-lhes para eles usarem um modelo que seja vendável. Um jogador de topo usa as Mercurial porque milhares de pessoas em todo o Mundo vão comprá-las para ser como ele. Se esse jogador usar um modelo exclusivo meu e a marca não as tiver para venda, como é? O meu trabalho cai bem aos jogadores mas nem sempre cai bem às marcas. Não é nada que me preocupe, mas é algo que me leva a encarar este projecto como um jogo de possibilidades: há coisas possíveis e há outras que nunca serão uma hipótese 100% viável.

Chuteiras personalizadas para Gokhan Inler
Chuteiras personalizadas para Gokhan Inler

BnR: O que representaria para ti ver, por exemplo, Cristiano Ronaldo com umas chuteiras personalizadas por ti no Mundial 2014?

MD: Neste momento é algo impensável, diria até impossível. Ainda para mais numa competição desse tipo. Mas estamos a falar do melhor jogador do Mundo, de uma máquina autêntica e de um símbolo do nosso país, portanto seria obviamente muito bom a todos os níveis.

BnR: Há algum jogador em particular que gostarias de ver com umas chuteiras personalizadas por ti?

MD: Não gosto de pensar muito nisso, porque inconscientemente posso estar a colocar metas intangíveis e quero concentrar-me no presente, naquilo que é possível fazer. O que tiver de acontecer acontece.

BnR: Já estudaste a possibilidade de personalizar calçado para outros desportos? É absurdo imaginar, por hipótese, um jogador da NBA com calçado personalizado por ti?

MD: Já pensei, apesar de o futebol ser o “meu” desporto e de me dar muito prazer trabalhar neste meio. A NBA seria uma montra incrível e obviamente que seria muito interessante. Mas sim, parece-me um pouco absurdo neste momento e acho sinceramente que a questão dos contratos dos jogadores ainda deve ser mais limitativa do que no futebol.

BnR: Já tiveste algum trabalho relacionado com outra modalidade que não o futebol? Pensas nisso?

MD: A nível de personalização não, tirando uma ou outra prancha de surf que fiz para não-profissionais. Não penso nisso mas pode acontecer. Aliás, tudo pode acontecer.

BnR: No ano passado foste à Colômbia pintar um enorme mural dedicado a Radamel Falcao e o próprio jogador partilhou o teu trabalho nas redes sociais. Como surgiu o convite? Estavas à espera de tamanho impacto?

MD: Fui convidado para participar na primeira Bienal de Arte Pública em Cali. O meu mural era no Estádio Pascual Guerrero, estádio do América de Cali, e lembrei-me de o homenagear. Felizmente, saí nos jornais todos, fui capa do El País, apareci nas televisões, o presidente do Alcadia quis conhecer-me pessoalmente… Enfim, correu bem, mas claro que não esperava que tivesse esse impacto todo!

Mural com Radamel Falcao, em Cali (Colômbia)
Mural com Radamel Falcao, em Cali (Colômbia)

BnR: Já este ano, pintaste o tecto da entrada do Museu do Futebol Clube do Porto. O que sentiste ao olhar para o teu trabalho depois de o museu estar aberto?

MD: Eu sou muito auto-crítico, demasiado até. Por um lado é bom porque me obriga a querer ser melhor, a aprender e a trabalhar cada vez mais; por outro leva-me a pensar no cliché “se não te valorizares, quem é que te vai valorizar?”, o que não deixa de fazer sentido. Isto para explicar que não consigo parar à entrada do Museu, olhar para cima e pensar “Grande trabalho, pá!”. Não consigo. O que sinto verdadeiramente é orgulho por ter chegado ali, por ter tido a honra de ser convidado pelo meu clube para fazer parte da sua história, por todas as dificuldades que enfrentei sozinho durante anos e anos e pelos riscos que corri ao assumir que era do meu trabalho que queria viver, numa altura em que qualquer pessoa se iria rir com isso. Quando olho para cima, penso na pessoa, não no artista. Penso no percurso e não propriamente na obra final. O melhor exemplo disso é que só fui ver essa obra uma vez mas penso nela várias vezes. Vejo este e outros trabalhos que tenho a oportunidade e a honra de fazer como uma recompensa por tudo o que passei para chegar até aqui, de forma a perceber que valeu e continua a valer a pena.

BnR: Tiveste dificuldades em escolher o desenho? Havia outras hipóteses? A decisão foi exclusivamente tua?

MD: Tenho a sorte de o FC Porto ser um cliente fantástico porque me valoriza como ser humano e como artista. Isso faz com que me dê total liberdade criativa em tudo aquilo que faço para o clube. Quando se pensa numa obra desta envergadura e desta importância, há sempre mil e uma dificuldades e mil e uma hipóteses, portanto é sempre um processo longo e de trabalho exaustivo. Gosto de partilhar as minhas ideias com aqueles que me estão mais próximos, de saber a opinião deles, de ouvir os seus conselhos, e isso também é extremamente importante nesse processo. Com as cartas todas na mesa, achei que faria todo o sentido, por todos os motivos e mais algum, pintar um Dragão. Desenvolvi o projecto e, assim que o terminei, apresentei-o ao FC Porto. O feedback foi rápido e 100% positivo e passados uns dias estava a começar a obra.

BnR: Antes do jogo de apresentação do FCP, este ano, pintaste um grande mural com um pedaço da história do clube. O que sentiste ao estar ali? Qual foi a reacção das pessoas?

MD: Pintar em pleno relvado, com o Dragão completamente cheio, é uma experiência única. Acabas por te sentir parte da festa. Mesmo sabendo que nem de perto és uma figura central, sentes uma responsabilidade muito grande de fazer o melhor trabalho possível, porque tens a consciência de que tudo é preparado ao milímetro por profissionais dedicados que fazem parte de uma estrutura impressionante. Eternizei três símbolos do FC Porto [n.d.r.: Aloísio, Vítor Baía e João Pinto], três jogadores que vi jogar e que fizeram parte da minha infância e adolescência, e foi um prazer enorme poder representá-los ali e vê-los a ser homenageados em frente ao meu trabalho. Na minha perspectiva, pelo que me apercebi, tanto eles como o público em geral gostaram e isso é a maior recompensa que poderia ter.

BnR: Estás, neste momento, a trabalhar em mais algum projecto ligado ao futebol?

MD: Neste momento não estou a trabalhar em nada ligado ao futebol mas tenho algumas encomendas de chuteiras que espero que se concretizem em breve.

BnR: Tens algum sonho profissional ligado ao futebol que ainda não tenhas cumprido?

MD: Como já referi, não sou muito de sonhos. Acho que devo estar grato por aquilo que já fiz e não pensar naquilo que gostaria de fazer.

BnR: Alguma vez foste convidado por uma claque do Futebol Clube do Porto para pintar uma tarja gigante de apoio à equipa?

MD: Já falaram comigo duas ou três vezes, mas foram coisas pontuais que não se concretizaram.

BnR: O que é que te dá mais gozo – imaginar/planear, executar ou apreciar o trabalho concluído?

MD: Acho que o que dá mais gozo é o processo em si, mas há coisas difíceis de explicar: quando estou a executá-lo, sinto-me ansioso para ver como vai resultar no final. Quando vejo o resultado final, penso em como estava a ser fixe fazê-lo.

BnR: Cada obra que fazes é única e especial. No entanto, se tivesses de escolher duas ou três que representassem a tua carreira até agora, quais escolherias e porquê?

MD: É difícil e acho que não consigo catalogá-las por importância, porque há obras que me dizem mais pelo que representam em termos de conceito e pelo momento em que as fiz e há outras que se calhar não me dizem tanto mas que me trouxeram uma projecção e um retorno maiores. Gosto de olhar para a minha carreira como um todo, agradecer por ter conquistado aquilo que já conquistei e por ter tido as oportunidades que já tive. Quero continuar a olhar para o meu trabalho e nunca sentir que sou especial por ter feito isto ou aquilo, mas sentir que todos os dias dou o meu melhor no que faço, com a consciência de que há sempre muito para aprender, muito por onde evoluir e muito por fazer.

BnR: Quais são os próximos trabalhos que tens em agenda? MD: Tenho coisas em cima da mesa que ainda não estão confirmadas, todas no estrangeiro e para os próximos meses. Quero “fechá-las” para me poder concentrar em outras coisas e descansar um pouco porque este foi um ano em que praticamente não parei. Houve um momento em que dei por mim a pensar que nos últimos 3 meses tinha pintado todos os dias, excepto naqueles em que estava a andar de avião de um lado para o outro, a fazer escalas e em “modo zombie”. Percebi que precisava de descansar a cabeça, as pernas e principalmente os pulmões, que, com tanta tinta, começavam a implorar por umas férias.

Se quiser saber mais sobre o vasto trabalho de MrDheo, aceda à sua página oficial ou à sua página de Facebook.

Mudança de protagonistas

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Neste fim-de-semana, os protagonistas mudaram. Numa liga onde Porto e Benfica são quase sempre os destaques, este fim-de-semana foi a vez de outras equipas. Mas quem são as outras equipas? O HA Cambra, que conseguiu um grande resultado frente ao FC Porto, e o fantástico AD Valongo, que está a ter uma época fantástica. Duas equipas com objectivos diferentes, mas que, este fim-de-semana, tiveram os seus destinos ligados.

Bruno Fernandes foi a grande figura do jogo  Fonte: www.record.pt
Bruno Fernandes foi a grande figura do jogo
Fonte: Record

Em Vale de Cambra, ocorreu a primeira grande surpresa da liga. Humildade, entrega e raça podem resumir a grande exibição do HA Cambra frente ao campeão nacional. Sem vitórias até este jogo, o Cambra derrotou o FC Porto por 7-4, fazendo os azuis e brancos cair com estrondo num terreno onde a vitória parecia ser fácil. Talvez por excesso de confiança, talvez por terem acusado a ausência de Reinaldo Ventura, o Porto nunca se encontrou no jogo. O Cambra chegou a estar a ganhar por 4-1 e conseguiu impedir as tentativas de empate do Porto, que reduziu para 4-3 e depois 5-4. No entanto, os portistas nunca conseguiram estar à frente no resultado e sofreram uma surpreendente derrota, que, para quem tenha visto o jogo, nada teve de surpresa, pois os homens da casa deram uma grande lição ao campeão. O grande destaque vai para Bruno Fernandes, que marcou cinco golos na noite histórica. De lembrar que os jogadores do HA Cambra são amadores. Bruno, quando foi trabalhar de manhã, mal imaginava que umas horas mais tarde iria marcar todos esses golos ao FC Porto.

Paulo Pereira é um dos obreiros da grande época do AD Valongo http://www.advalongo.pt
Paulo Pereira é um dos obreiros da grande época do AD Valongo
Fonte: advalongo.pt

Quem agradeceu foi o Valongo. Os homens do distrito do Porto não podiam pedir melhor temporada. Aliada a uma fantástica campanha na Europa, sendo o primeiro no grupo, com três vitórias em três jogos, o Valongo é líder no campeonato. Aproveitando a derrota do Porto, o conjunto liderado por Paulo Pereira venceu o Sporting de Tomar por 5-2. Este já é o melhor Valongo de que há memória. Com um orçamento de 120 mil euros, o Valongo vai mostrando que o amor à camisola também joga. Ainda é cedo para se dizer se este clube é ou não candidato ao título; a época será longa e os grandes jogos ainda não chegaram, mas a dupla liderança (no campeonato e no grupo A) não é fruto da sorte, mas sim de um projecto sustentável, que tem vindo a crescer. E são projectos destes que fazem bem ao hóquei português.