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Violência na NFL

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Na quinta feira passada, no jogo de abertura da jornada 11 da NFL entre Cleveland Browns e Pittsburgh Steelers, Myles Garrett, defensive end dos Browns, e Mason Rudolph, quarterback dos Steelers, chocaram o mundo do futebol americano.

Para compreender a totalidade da situação, primeiro é preciso algum contexto.

A 14 segundos para o final e com o resultado mais que decidido – Cleveland estava na frente por 7-21 – o único objetivo dos Steelers era fazer o cronómetro andar e terminar o jogo. Depois de ser atingido duas vezes consecutivas, Mason Rudolph encontrava-se no terceiro down e com 29 jardas para percorrer. O quarterback recebeu a bola e tinha de imediato Myles Garrett na linha defensiva de Cleveland à sua frente, pronto para o atingir de novo.

Com o contacto, ambos os jogadores caíram no chão e aí começou um dos episódios mais negros da história recente da NFL.

Aquando do impacto no relvado, Mason Rudolph começou a tentar arrancar o capacete da cabeça de Myles Garrett. O defensive end de Cleveland conseguiu-se soltar e, apesar de estar a ser agarrado por dois jogadores adversários, agarrou ele também o capacete de Rudolph. Com a diferença de força entre os dois jogadores a ser uma realidade, Garrett, conseguiu mesmo retirar o capacete da cabeça do quarterback, mas ao ser agarrado por dois adversários e com o árbitro envolvido, os ânimos pareciam ter-se acalmado.

No entanto, e já sem capacete, Rudolph parecia querer explicações, e saiu disparado na direção de Garrett.

Com o capacete do adversário ainda na mão, o defensive end rodou o braço e acertou em cheio na cabeça de Rudolph que, semanas antes, tinha estado sob protocolo de concussão por ter desmaiado em campo com uma pancada na cabeça.

Ao ver isto, Maurice Pouncey, centre de Pittsburgh, começou a lançar socos na direção de Garrett. Com o defensive end no chão, Pouncey começou depois a tentar pontapear a sua cabeça.

O confronto acabou por ficar por aí, com os jogadores de ambas as equipas a intervirem e a separarem todos os envolvidos. E com o jogo a ser transmitido na televisão, não demorou muito até a NFL lançar os castigos.

A carreira de Garrett ficará para sempre marcada por este incidente
Fonte: Cleveland Browns

Pouncey recebeu uma suspensão de três jogos, Larry Ogunjobi dos Browns recebeu um jogo e ambas as equipas foram multadas em 250,000 dólares. Mas isso era apenas uma parte.

Garrett acabou por ser suspenso de forma indeterminada, mas com o mínimo a ser o resto da época regular mais os playoffs. Suspeita-se que a suspensão possa afetar também a próxima época, mas a NFL ainda não o confirmou.

Já Rudolph recebeu uma multa e evitou qualquer tipo de suspensão.

É difícil manter-se imparcial à decisão da NFL. A atitude de Myles Garrett é condenável e caso tivesse acertado com outra parte do capacete na cabeça de Rudolph, o resultado poderia ter sido catastrófico. Contudo, não nos podemos esquecer que foi Rudolph quem iniciou a ação e já depois de ter sido separado voltou ao encontro de Garrett à procura de explicações.

Já no início da época, a NFL teve um caso de violência e a sua resposta foi simples: suspensão até ao final da época sem receber salário. No entanto, o castigado, Vontaze Burfict, era reincidente e tinha um historial de excesso de violência. Myles Garrett nunca teve quaisquer tipo de problemas em termos disciplinares.

Compreende-se que a liga queira fazer do jogador de Cleveland um exemplo, mas Garrett tem todo o direito em sentir-se injustiçado quando comparamos a sua “sentença” com a do instigador do conflito, Mason Rudolph.

Foto De Capa: Cleveland Browns

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

O Aves voa longe dos objetivos

Na época corrente, o CD Aves, no seu terceiro ano consecutivo a disputar a Primeira Liga portuguesa, usufruiu de um dos defesos mais ativos do campeonato, devido à perda das grandes referências do clube, com um total de 17 contratações. É dado principal destaque para o internacional egípcio Mahmoud Kahraba e o medio francês Enzo Zidane, filho da lenda com que partilha o sobrenome.

As intenções deste conjunto passavam por ter uma época sem grandes surpresas e, consequentemente, conseguir a manutenção sem grandes sobressaltos. Superar o 14º lugar obtido na última edição é a meta traçada pela direção e equipa técnica para a presente temporada.

Para Augusto Inácio e os seus pupilos a época começara com uma forte machadada nas suas aspirações após ser eliminado aos pés do Gil Vicente FC na segunda fase da Taça da Liga. Esta derrota ditou o afastamento, precipitado, desta equipa da fase de grupos da competição. Uma crise de resultados avizinhava-se para os nortenhos, um futebol sem identidade, acompanhado pelo ataque dinâmico e competente a juntar-se a uma defesa frágil e desorganizada tornava-se fácil para os adversários furarem as linhas e criarem perigo perto das redes. Esta equação tornara-se trágica poucos meses depois.

Num triste verão pela Vila das Aves, deu-se um sinal de vida por parte desta formação, a vitória expressiva frente ao CS Marítimo juntamente com um domínio em todas as alturas do jogo deu esperança aos adeptos e fôlego para o seu treinador que já era contestado nas bancadas do Estádio do Clube das Aves.

Este triunfo e a expectativa de uma época revigorada rapidamente se desvaneceram do coração dos adeptos, derrota após derrota a contestação aumentava e as fracas prestações continuavam. Nesta série de maus resultados, o ciclo de Augusto Inácio, como treinador do Desportivo das Aves, chegou ao fim após a pesada derrota e consequente afastamento da Taça de Portugal por parte do Farense. O treinador colocou o lugar à disposição e deixaria a equipa como última classificada da liga, com apenas 3 pontos – uma única vitoria em 8 jornadas – e afastado das taças.

Leandro Pires foi o homem que se seguiu, antigo treinador da equipa sub-23, foi a solução interina que a direção encontrou dadas as escassas opções que pairavam no mercado. Prometeu alterar o sistema tático e mudar o trágico destino que tem sido traçado desde os inícios da temporada. Seguiram-se três jornadas e a sina continuou. Dez jogos consecutivos a perder é uma marca, sem precedentes, deixada pelo Aves.

Fonte: CD Aves

Depois de longas semanas a tratar do dossiê do treinador, foi encontrado o sucessor para o lugar vazio desde 21 de outubro. Nuno Manta, que iniciou a época no CS Marítimo, rubricou contrato até 2021. Ao dar início a este projeto, ainda sem jogos realizados, assume o compromisso de dar uma vida nova ao grupo, relançar a época e naturalmente sair do fundo da tabela como desde cedo foi definido como destino para esta cruzada. O técnico apoia-se no ataque finalizador da equipa, nos últimos treze jogos apenas falharam o golo por três ocasiões. Porém, a defesa necessita de ser trabalhada de modo a acompanhar os homens da frente e equilibrar todas as fases do jogo.

Recomeçar a época e não desistir tão prematuramente é o mote para o resto da temporada avense. Sair do fundo da tabela é a prioridade. Em Santo Tirso continua-se a apoiar a equipa tendo a certeza de que o campeonato ainda está numa fase em que faltam muitos pontos para disputar.

 

Foto de capa: CD Aves

Artigo revisto por Diogo Teixeira

O progresso do treinador sensação

Estamos habituados a ouvir o nome de Ivo Vieira associado a disciplina, rigor, atitude, devoção e ambição. No entanto, no início da sua carreira, Ivo Ricardo Abreu Vieira começou como jogador de futebol do CD Nacional na equipa de sub-19 na época de 1994/95, subindo mais tarde para a equipa principal e atingindo o estatuto de capitão na equipa principal.

Após 11 anos, dá-se o término na carreira do jovem defesa. Mas a vida não pára por aí, após absorver os ensinamentos e ideias que lhe foram transmitidos pelos diversos treinadores que teve ao longo dos anos que teve ao serviço do clube madeirense, nomeadamente Rui Mâncio, Rodolfo Reis, Jair Picerni, Joaquim Teixeira, José Peseiro, entre outros, decidiu arriscar a sua chance no ramo da profissão de treinador.

Assim, em 2003/04 inicia esta nova etapa começando por ser treinador adjunto de outros treinadores (como por exemplo, Carlos Brito) até conseguir agarrar a sua oportunidade. Eis que surge a grande oportunidade enquanto treinador, mas apenas nos Juniores do CD Nacional em 2008/09. Agora sim, inicia a sua caminhada no comando técnico da equipa madeirense e estreia-se na Primeira Liga Portuguesa, assim que foi anunciado como substituto de Jokanovic.

Sem nunca desistir do sonho, ruma ao CS Marítimo onde inicia a caminhada na equipa B mas rapidamente sobe ao escalão principal substituindo Leonel Pontes no comando técnico. A inédita ida do Marítimo de Ivo Vieira à final da Taça da Liga em 2014/15 fez história e jus ao nome do treinador.

A sua carreira culmina-se com a vinda para o continente, sucedendo Ulisses Morais no comando técnico da equipa do CD Aves onde tem como objetivo a subida de divisão – fica por realizar, visto que é substituído no final da época por José Mota que fica com os louros do trabalho realizado. Outra chance de demonstrar o seu trabalho – bom trabalho, diga-se de passagem –, ocorre em 2017, e é quando inicia a sua caminhada no comando técnico da Académica OAF, contratado para lutar pela subida à Primeira Liga Portuguesa. Mas, a subida fica por realizar. Um novo desafio surge, um desejo já antigo do Estoril de Praia SAD finalmente realiza-se: Ivo Vieira treinador estorialista. Infelizmente, a felicidade dos adeptos e do treinador não durou muito tempo visto que este fora consumada à despromoção, terminando assim a ligação entre o treinador e o clube.

Nesta altura, o treinador já contava com (muita) experiência na Primeira Liga Portuguesa, já conhecia perfeitamente os cantos da casa, por assim dizer. Assim, aos 42 anos de idade enfrenta um novo desafio na sua carreira, já há muito iniciada, assinando pelo Moreirense FC por uma época. O clube minhoto tinha sido acabado de ser deixado na décima quinta posição da tabela classificativa por Petit. Parecia algo impossível, mas na realidade a equipa de Ivo Vieira conseguiu lutar contra o Vitória SC pela ida às competições europeias, batalha que infelizmente, apesar do esforço feito, perdeu e acabou por acabar no sexto lugar da tabela classificativa – uma das melhores, se não a melhor, posição conseguida pela equipa minhota.

O Vitória SC é dos clubes que tem praticado melhor futebol nesta que é a época de 2019/2020
Fonte: Vitória SC

Com contrato acabado e com um Moreirense incapaz de prender um treinador de tal categoria, Ivo Vieira acabou por partir para a equipa vizinha com a ambição de se estrear por palcos europeus. Na época presente, Ivo Vieira tem sido tratado em Guimarães como “treinador sensação”, sendo seu o comando técnico, a equipa vimaranense é apresentada como a equipa que melhor joga futebol na atualidade portuguesa, uma equipa interessante e entusiasmante que caminha tranquilamente na Primeira Liga Portuguesa. Um senhor treinador com organização defensiva de excelência e um critério de bola deslumbrante.

Foto de Capa: Vitória SC

Aetigo revisto por Diogo Teixeira

Estará ou não Gustavo Henrique a caminho do Dragão?

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Nestas última semanas, o nome de Gustavo Henrique, defesa central do Santos FC, tem sido um nome muito badalado na imprensa portuguesa. Primeiro, por ter estado a um passo do Sporting CP e agora por estar aparentemente certo no FC Porto.

No meio de tanta indefinição à volta do futuro do jogador, só uma coisa parece clara, que é o facto de que irá abandonar “os peixes”, alcunha do seu atual clube, a “custo zero” e rumar a outras paragens. A questão passa, agora, por saber onde? O presidente do emblema brasileiro, José Carlos Peres, já veio a público confirmar que o atleta estava em negociações com o clube de Alvalade, mas que entretanto os azuis e brancos tomaram conta da corrida pelos préstimos de Gustavo. Além disso, acrescentou que quem quiser levar o defesa mais cedo terá de indemnizar o Santos FC numa verba a rondar os 2 milhões de euros, caso contrário o futebolista cumprirá contrato até ao estipulado no vínculo contratual.

Caso se concretize, esta movimentação do FC Porto pode-se considerar um pouco estranha, dado que a posição de defesa central até é um dos setores mais bem elencados pelo plantel de Sérgio Conceição. O técnico portista para esse lugar do terreno conta com Pepe, Marcano, Mbemba, Diogo Leite e ainda pode adaptar Danilo Pereira, que já atuou, algumas vezes, a central.

Atualmente, Gustavo Henrique é o capitão dos “peixes” e está a dois meses de terminar contrato com o emblema brasileiro
Fonte: Santos FC

Em relação a Gustavo Henrique, o jovem jogador estreou-se no Santos FC com apenas 18 anos, pela mão de Muricy Ramalho, e até agora só atuou no seu clube de formação na etapa como profissional. Quem o conhece qualifica-o como um central assertivo e eficaz no desarme e nos duelos 1 vs 1. Por conseguinte, o brasileiro é um jogador alto, 1,96 cm, o que faz possuir um bom jogo aéreo, que tanto pode ser útil nas bolas paradas ofensivas como nas defensivas. No seguimento, é-lhe reconhecido o bom posicionamento em campo, fruto da sua boa leitura de jogo. Pelo contrário, não é dono de uma técnica muito aprimorada, porém, devido à sua inteligência, raramente compromete, e nos últimos tempos é algo em que se tem vindo a notar alguma evolução. Desta forma, não é apenas um defesa que “chuta” a bola para a frente, Gustavo, cada vez mais, tem vindo a demonstrar uma boa consistência para sair a jogar e assim iniciar o processo ofensivo da sua equipa.

Com isto, não se pode dizer que o brasileiro será um mau reforço para o emblema nortenho, no entanto discute-se um pouco a necessidade da sua incorporação na equipa portista. A confirmar-se, será, com certeza, mais uma oportunidade de negócio do que uma verdadeira necessidade para o plantel do FC Porto.

No entanto, apesar do forte rumor que liga Gustavo Henrique aos azuis e brancos, o jornal “Record” já veio adiantar que o defesa central não faz parte dos planos da formação portuguesa. Informação, que Francisco Jota Marques, diretor de comunicação do FC Porto, já veio corroborar. Agora, basta saber para onde irá mesmo o futebolista brasileiro.

Foto de capa: Santos FC

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Andreas Samaris: um glorioso Spartan encarnado

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Poderá algum benfiquista não gostar de Samaris? Chegou no Verão de 2014 ao Sport Lisboa e Benfica e desde aí já conta com cinco épocas de águia ao peito, estando agora na sexta.

Um médio todo-o-terreno que nunca se conseguiu fixar definitivamente em nenhuma posição do campo. Surgiu como um 6 e foi perdendo o lugar para o Fejsa. Em Abril de 2016 perdeu a titularidade e a partir daí, já sob o comando de Rui Vitória, foi desaparecendo aos poucos da equipa principal do SL Benfica, tendo-se eclipsado totalmente no segundo semestre de 2018.

Foram dois anos e meio onde apesar de ter havido pouco Samaris no SL Benfica, nunca faltou SL Benfica em Samaris. Nunca deixou de respeitar o clube e muito menos de vibrar intensamente com os jogos dos seus companheiros de balneário. Nunca desistiu, nunca virou as costas ao relvado e sempre que entrou deu tudo o que tinha.

E quando tudo parecia perdido, quando já não havia luz que o iluminasse de camisola encarnada, quando já todos esperavam por ver o seu contracto expirar, Samaris entrou de rompante no 11 titular, agarrou o seu lugar e foi uma das caras da revolução encarnada e do título de 2018/19. Em Janeiro, já com Bruno Lage, o grego viu os seus constantes esforços recompensados e como um verdadeiro guerreiro escalou o fosso em direcção ao céu.

Não, o grego não é um jogador extraordinário. Tem uma polivalência nascida do seu esforço e capacidade de aprendizagem e assim pode ocupar qualquer posição do meio-campo e ainda actuar no centro da defesa. É o suficiente para ter muito mais impacto nas escolhas dos seus treinadores. Até porque com Samaris o SL Benfica tem mais personalidade e uma maior identidade.

O momento actual do grego – um novo desaparecimento – deve-se ao paradoxo das suas qualidades. Em meses passou de zero a titular indiscutível e agora a jogador de reserva. Esta descida do céu à indiferença é o resultado natural do futebol actualmente praticado pela equipa.

Pelas alterações de Julho – vendas de jogadores, mudanças tácticas e surgimento de novos jogadores – o contexto da equipa de Lage mudou drasticamente e Samaris – tal como Seferovic – foram os mais prejudicados. Há uma coerência no seu baixar de rendimento.

Bruno Lage já abordou a utilidade de ter um jogador com a polivalência de Samaris e assim não se percebe como o grego tanta vez nem convocado é. O treinador do SL Benfica referiu que não convoca um médio que possa substituir o Florentino… Mas porquê? Qual o sentido disso? Não fará mais falta no banco um suplente para mexer no meio-campo do que um terceiro central? E com Samaris tem-se opção paras as duas posições. Não tem lógica Jardel empurrar Samaris para a bancada.

Samaris desapareceu das escolhas de Bruno Lage na época 2019/2020
Fonte: SL Benfica

Qual a diferença do Samaris da época transacta para a época actual? A diferença está precisamente naquilo que lhe é pedido e lhe é oferecido. Em Janeiro, o futebol encarnado transfigurou-se com a alteração ocorrida no centro do terreno. O Benfica passou a jogar com dois médios de pressão e de bola e também com um segundo avançado a procurar o jogo interior e o futebol entre-linhas.

Samaris e Gabriel sem bola fizeram uma dupla temível, porque dão à equipa uma capacidade imensa de pressão sobre o adversário, condicionando o seu jogo e permitindo à equipa recuperar a bola mais depressa e mais subida no terreno. Com bola, além de serem dois jogadores que sabem tratar a “redonda”, que a sabem receber, temporizar e passar e que sabem ler o jogo e movimentar-se para os espaços certos, ainda tinham um apoio central que lhes permitia jogar curto e subir em progressão. Era neste futebol que Samaris funcionava. Era possível ter a sua personalidade em campo enquanto as suas principais qualidades eram exploradas. Não era um ‘6’, nem um ‘8’, e muito menos um ’10’. Samaris era parte de uma dupla de médios.

Nesta época, o que foi pedido a Samaris, e o que lhe é pedido quando entra, é que se imponha por si dominando uma posição especifica do terreno. Ou no lugar de Florentino, como número ‘6’, sendo o jogador responsável pelas compensações defensivas, ou ao lado do Florentino, como número ‘8’, sendo o principal responsável pela construção do jogo encarnado. Neste contexto, já se pede mais ao grego do que aquilo que pode dar e ainda se lhe retira o apoio frontal que tinha para o jogo curto e de progressão, o que o obriga a um constante procurar do passe longo.

Depois de um mau arranque, no pouco que tem jogado nem se tem exibido a mau nível. Gostava de ver Lage reeditar a dupla de médios da época passada, aproximando o futebol da equipa ao melhor futebol da época 2018/19. Isso também iria exigir um redescobrir de um segundo avançado – Chiquinho poderá estar a evoluir nesse sentido. Mas, pelo menos, quero Samaris no banco. Tem de ser opção para mexer no jogo. A sua qualidade, a sua polivalência e o seu espírito fazem falta ao Sport Lisboa e Benfica.

Foto de capa: SL Benfica

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Voltar a acreditar em “d10s”

Diego Armando Maradona tem um legado intocável no futebol, por mais escândalos ou peripécias que enfrente ou que ele próprio crie. Ninguém se vai esquecer do internacional argentino, campeão do Mundo que brilhou, sobretudo, ao serviço do FC Barcelona e do SSC Napoli. Será sempre considerado um dos melhores jogadores de sempre.

No entanto, a carreira como treinador principal, essa, tem muito que se lhe diga. Se existem casos como Ronald Koeman, Johan Cruijff ou Zinédine Zidane, que depois de megas carreiras, se revelaram belíssimos treinadores, o caso do argentino é um pouco diferente. Maradona tem sido sempre posto em causa, no que toca a competência para ser treinador. Desde o seu conhecimento tático, que muitos atribuem como rudimentar ou inexistente (curiosamente são comentadores e comunicação social que defendem essa tese e nunca ex-jogadores de Maradona), à postura e compromisso que poderia ou não vir a ter, tendo em conta a sua dependência por substâncias ilícitas, que de quando em vez reativa, e até aos contantes problemas de saúde.

A teoria em vigor, portanto, é de que Maradona não reúne as competências necessárias para liderar uma equipa principal profissional ao alto nível e nem mesmo os dois bons anos ao serviço da seleção argentina o ajudaram. A prática, sobretudo desde 2018, tem refutado a teoria e Maradona começa a convencer os mais céticos.

A carreira de treinador do astro argentino começa a 28 de outubro de 2008, quando é anunciado como o novo selecionador das pampas. Maradona e a sua seleção qualificam-se para o mundial 2010 e prometem dar espetáculo e lutar pelo título mundial. Era uma geração incrível com Messi, Di Maria, Aguero, Higuaín, Milito, Pastore, Carlos Tévez, entre outros, e com dois veteranos de uma classe e carreiras praticamente feitas: Juan Sebastián Verón e Martín Palermo. Uma seleção que entusiasmava e com um ex-campeão do mundo na liderança e a inspirar os seus atletas e todo um país. “Voaram” na fase de grupos, com três vitórias em três jogos, superaram o sempre difícil México e caíram nos quartos de final, com uma goleada pesada perante a Alemanha de Miroslav Klose e Lukas Podolski. Maradona afastou-se, dois dias depois, do comando técnico.

A partir desta aventura, Maradona pretendia dar continuidade à sua carreira numa seleção, na América ou na Europa, mas nunca teve oportunidades, treinando, sobretudo, nos Emirados Árabes Unidos. É em 2018, que tudo muda.

Maradona finalmente tem uma oportunidade de se mostrar na América e toma as rédeas do CSD Dorados de Sinaloa, clube da segunda divisão mexicana, que, na altura, estava afundado na tabela classificativa. A verdade é que Maradona e o seu Dorados encantaram no México e qualificaram-se duas vezes para o playoff final de subida à primeira divisão. A cidade, os jogadores e o presidente idolatravam Maradona e este provou que, à sua maneira, sabia espicaçar e liderar um grupo de homens, fazendo-os jogar como não tinham jogado até à sua chegada.

O Gimnasia La Plata é um clube da segunda metade da tabela da Liga Argentina
Fonte: Gimnasia La Plata

Maradona esteve tão bem no México que, depois de ter a primeira oportunidade de treinar na América, acabou por ter a primeira oportunidade de treinar na primeira divisão argentina, no caso o Club Gimnasia y Esgrima La Plata. O “el lobo” estava no último lugar da liga com um ponto em 15 possíveis. Nos primeiros três jogos, Maradona enfrentou dois candidatos ao título e perdeu os três, mas depois a equipa começou a engrenar e, nos últimos cinco jogos, o Gimnasia La Plata venceu três, exaltando a influência de “d10s”, não só havendo uma maior confiança nos jogadores, como um futebol mais ofensivo (nas três vitórias, apontaram um total de 11 golos).

Agora que o “el lobo” parecia mais forte sobre a bênção de “d10s”, Maradona abandonou o cargo pois o presidente que o contratou não será reeleito. Será curioso ver o que se seguirá: se será que o Gimnasia La Plata mantém o nível dos últimos jogos e se o argentino terá outro projeto aliciante na América ou até Europa (tem sido apontado ao Argentinos Juniors e Atlético Tucumán).

“El pibe” vai provando que, não só é uma jogada de marketing incrível para os clubes, como vai apresentando resultados desportivos e potenciando os ativos do clube. Veremos se não virará moda contratar o astro argentino…

Foto de Capa: Gimnasia La Plata

Arrigo revisto por Diogo Teixeira

Luka, o doutor que passa atestados de incompetência

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Começam a faltar palavras para descrever o jovem esloveno dos Mavericks. Luka Doncic tornou-se, esta segunda-feira, o segundo jogador a conseguir um triplo-duplo com mais de 40 pontos antes de atingir os 21 anos. O outro? LeBron James. Foi um jogo tremendo de Doncic que tem impressionado durante toda a temporada e que, mais do que estar certo no All-Star, se começa a aproximar “perigosamente” da luta pelo MVP.

Permitam-me que use este espaço para me congratular a mim mesmo. Se admito quando falho, ninguém me para quando descubro que estava certo. Luka Doncic era, para mim, a escolha óbvia para número um no draft de 2018. Tinha de ser. Os “especialistas” americanos apontavam a falta de experiência de Luka no basquetebol americano, mas o rapaz era MVP da Euro Liga. O melhor jogador a atuar na Europa, constantemente contra defesas mais fortes e mais experientes. Raramente na NCAA se defrontam jogadores do mesmo nível. Doncic encontrava isso semana sim, semana sim. E querem-me fazer crer que DeAndre Ayton e Marvin Bagley são ou serão melhores?

O draft por vezes é difícil, é complicado imaginar o que poderá ser um jogador no futuro. E outras vezes é fácil. Principalmente nas primeiras escolhas, o talento está ali. É só escolher aquele que tem mais. E se tens à tua frente um miúdo de 18 anos que é campeão da Liga ACB, da Euro Liga e do Campeonato Europeu, sendo consistentemente o melhor jogador da sua equipa, tu escolhes esse miúdo. Porque a probabilidade desse miúdo não ser uma estrela é incrivelmente baixa. Porque, acima de tudo, esse miúdo já é uma estrela!

Doncic teve uma noite histórica frente aos Spurs, com 42 pontos
Fonte: Dallas Mavericks

Luka Doncic está no top cinco de pontos e assistências na NBA e top dez em ressaltos. Sabem quem consegue igualar estes números em toda a liga? Ninguém. O base/extremo dos Mavs tem levado a equipa a um quinto lugar no Oeste, o que é algo alto para o nível da equipa de Dallas mas que comprova a qualidade de Doncic, que tem tido um mês de novembro em cheio. Só por quatro vezes ficou abaixo dos 30 pontos e em nenhuma dessas vezes baixou dos 20. São já seis os triplo-duplos de Luka, que tem de ser considerado, neste momento, para o prémio de MVP.

Doncic é a prova do preconceito que existe ainda por parte dos americanos em relação ao basquetebol europeu. Sim, houve tempos em que europeus escolhidos nos primeiros lugares do draft se deram mal. Mas por cada um desses, há três ou quatro escolhidos mais tarde que mudaram o jogo. Os Estados Unidos tiveram aquilo a que gostam de chamar “wake up call” no Mundial deste ano e, depois de um MVP grego, terão nos próximos anos um MVP esloveno. Uma estrela que mostra a léguas a qualidade que tem e que duas equipas deixaram escapar porque “não estava habituado ao basquetebol americano”… Luka é magia. Aqui, nos Estados Unidos ou na China. Ou, felizmente, para os adeptos dos Mavericks, em Dallas.

Foto De Capa: Dallas Mavericks

Artigo revisto por Diogo Teixeira

O Passado Também Chuta: Sir Alex Ferguson

Sir Alex Ferguson é uma das maiores figuras da história do futebol mundial, um dos treinadores mais titulados de sempre, um “gentleman”. Ao longo da sua carreira, Ferguson conquistou 50 títulos, 38 ao serviço do Manchester United.

Fergunon foi jogador de futebol no seu país, a Escócia, onde serviu o Queen´s Park, o St. Johnstone, o Dunfermline, o Rangers, o Falkirk e o Ayr United. No entanto, seria como treinador que brilharia, tendo iniciado a sua carreira com apenas 32 anos, liderando o East Stirlingshire.

Em 1974, abraçou o desafio de treinar o St. Mirren, equipa da primeira divisão escocesa, onde permaneceu quatro temporadas. Acabaria por ser despedido, ingressou então no Aberdeen na época 1978/79, começando a sua história de sucesso.

Entre 1978 e 1986, liderou o Aberdeen à conquista de títulos, destronando o Celctic e o Rangers. Os escoceses do Aberdden venceram com Ferguson, uma Taça das Taças, uma Supertaça Europeia, três campeonatos, quatro Taças da Escócia e uma Taça da Liga. Na Taça das Taças, na temporada 82/83 derrotou na final o FC Bayern München, por 4-1. O sucesso na Europa seguiu-se com a conquista da Supertaça, vencendo Hamburger SV, por 2-0 no agregado, registando um empate a zero na primeira mão.

Sir Alex Ferguson venceu 38 títulos ao serviço do Manchester United, entre 1986 e 2013
Fonte: Manchester United

Alex Ferguson já era um treinador com currículo e muito requisitado pelos grandes clubes do Reino Unido. No verão de 1986 assumiu o comando técnico do Manchester United, onde permaneceu 27 temporadas e conquistou 38 títulos.

Sir Alex Ferguson conduziu o Manchester ao sucesso, somando títulos nacionais e internacionais – duas Ligas dos Campeões, uma Supertaça Europeia, um Mundial de Clubes, uma Taça Intercontinental, 13 campeonatos, cinco FA Cup, 4 Taças da Liga e 10 FA Community Shield.

Recordar o legado de Ferguson, transporta-nos para as épocas 98/99 e 2007/2008. Na temporada 98/99, o Manchester United conquistou a Premier League, a FA Cup e a Liga dos Campeões. Na final da maior competição de clubes da Europa, Ferguson voltou a enfrentar o FC Bayern München. O jogo não corria de feição aos ingleses, perdiam por 1-0 desde os cinco minutos, vencendo com dois golos depois dos 90 – Teddy Sheringham aos 91 e Ole Gunnar Solskjær aos 93. Ferguson fez história nessa época 98/99, sendo o primeiro treinador da história do futebol inglês a vencer o triplete.

Em 2007/2008, com o contributo do melhor do mundo, Cristiano Ronaldo, venceu a Premier League e a Liga dos Campeões. Numa final disputada entre clubes ingleses, o gigante de Manchester derrotou o Chelsea FC, com recurso a grandes penalidades, após empate a um golo no final do prolongamento.

Sir Alex Ferguson ficará para sempre na história do futebol inglês, europeu e mundial. O escocês venceu 50 títulos, mas conquistou o respeito dos seus colegas e de todos os jogadores com quem trabalhou. Um verdadeiro gentleman que teve, ao longo da sua carreira, o talento de liderar grandes craques – David Beckham, Peter Schmeichel, Ryan Giggs, Paul Scholes, Éric Cantona, Cristiano Ronaldo, entre tantos outros. Sobretudo, liderou sempre pelo exemplo e conseguiu atingir a glória repetidamente, com equipas diferentes, construídas por si.

Foto de Capa: Manchester United

Artigo revisto por Diogo Teixeira

 

Fim da era “Pochettino”, segue-se José Mourinho

Fim de linha para Mauricio Pochettino. O técnico argentino foi despedido pela direção dos Spurs, que argumentou que a  decisão se deve aos maus resultados e classificação do clube no campeonato.

Segue-se José Mourinho, que foi oficializado na manhã do dia seguinte, com um contrato válido até 2023. Depois de Chelsea FC e Manchester United FC, este vai ser o terceiro clube inglês treinado pelo special one. Um regresso a Londres, cidade que viu o técnico setubalense ganhar dimensão internacional e que promete ter novo desafio apelativo para José Mourinho. Mas, neste texto, queria centrar-me no seu antecessor. Falemos então de Pochettino.

A saída do técnico pode dizer-se que foi inesperada, e com algumas figuras ligadas ao clube a mostrarem algum desagrado com a decisão de Daniel Levy. A verdade é que ainda que o desempenho no campeonato esteja muito abaixo das expectativas, o clube tem praticamente garantida a passagem à próxima fase da Liga dos Campeões.

Estranha-se o timing da decisão, numa altura em que as competições dos clubes estão paradas, o novo técnico terá muito pouco tempo para mostrar o seu trabalho, que vai ser árduo com a aproximação do terrível mês de Dezembro, que como se sabe, tem todas as semanas  praticamente preenchidas com mais que um jogo, havendo, por isso, pouco espaço para trabalhar ideias e estilos de jogo.

Trabalho enorme de Pochettino, faltou-lhe claramente um título
Fonte: Tottenham Hotspur

Com o argentino ao leme as últimas épocas nos Spurs foram de enormes feitos, com a ida à final da Champions a ser o expoente máximo.

Mais, não se pode escamotear todo o trabalho do argentino que marcou uma era no clube londrino. Em cinco épocas e meia o Tottenham conseguiu lograr quatro participações seguidas na Liga dos Campeões, um feito nunca antes conseguido.

De registo também as excelentes campanhas na Premier League, com dois terceiros lugares e um vice-campeonato, que catapultaram o Tottenham como um dos melhores clubes ingleses da actualidade, e quem diria, um candidato ao título!

Faltou um título a Pochettino para que o seu trabalho ficasse imortalizado e é precisamente a isso que os críticos apontam o dedo.

De nada serve praticar um futebol atraente, rendilhado e conseguir feitos atrás de feitos se no final não deixas a tua marca, o teu legado, ganhando um título. Foi, na minha opinião, a pedra no sapato de um dos melhores treinadores da actualidade que de certo vai encontrar novo desafio à sua altura.

Mas se pusermos tudo isto na balança, o saldo é claramente positivo para o lado de Pochettino, basta olhar ao estatuto que o clube tinha quando ele chegou e olhar ao seu estatuto agora. Mesmo assim a decisão de Levy está tomada e Spurs e Pochettino seguem rumos diferentes.

Vou ser sincero, acho que Pochettino deveria ter saído no final da época passada porque que já deu tudo o que tinha a dar ao clube, uma vez que o Tottenham está agora numa posição que já “obriga” a que sejam exigidos títulos e isso Pochettino não podia/conseguia dar.

Segue-se o Special One
Fonte: Manchester United

Segue-se agora José Mourinho e espero que tenha aqui uma oportunidade em Londres para voltar a ser feliz. Quanto a Mauricio, o teatro dos sonhos era o desafio ideal mas tenho receio que a má gerência do clube, aliada à qualidade da equipa e todos os egos que emanam dela, estraguem mais um treinador.

É pena que a saída de um treinador seja uma vez mais ditada pelos maus resultados, num futebol cada vez mais industrializado!

Um dia estás a treinar a equipa na final da Champions, no outro és despedido, a vida de treinador é de facto ingrata! Boa sorte, Pochettino.

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por Diogo Teixeira