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Recuperação de Chiquinho: uma necessidade criativa

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Pode parecer demasiado impensável mas Francisco Machado, mais conhecido como Chiquinho, pode mesmo ser a solução para os maiores problemas que a equipa de Bruno Lage tem sentido. A urgência da sua recuperação e integração fica bem perceptível no seu impacto imediato no futebol da equipa.

Nos últimos meses já muito falei e escrevi sobre o momento que vive o futebol jogado do Sport Lisboa e Benfica. Há uma clara carência de um jogador mais criativo e imaginativo nas costas do avançado. Há uma clara carência de um jogador capaz de dar linhas de passe no centro do terreno. Há uma clara carência de mais um jogador que coloque a bola a rolar no relvado. E olhando para o plantel do SL Benfica e para aquilo que os jogadores têm demonstrado, o único com caraterísticas e qualidade para resolver essa carência é o recém-resgatado, e até agora suplente, Chiquinho.

Após uma rápida recuperação de uma lesão que se anunciava mais prolongada, foi convocado para o jogo em Tondela e, perante um futebol colectivo sem qualquer inspiração, foi lançado no decorrer da segunda parte. Nele estiveram os lances de maior interesse da equipa, fosse no momento da construção fosse no momento da finalização.
Três dias depois foi lançado como titular na recepção ao Portimonense. Mais uma vez, numa total desinspiração colectiva da equipa, foi dos pés de Chiquinho – e também de Grimaldo – que nasceram os melhores e mais decisivos lances da equipa.

O regresso de Chiquinho às convocatórias e a sua integração como titular da equipa é crucial neste momento do Sport Lisboa e Benfica. Contudo, apesar da urgência, esta não deve ser feita à pressa. O jogador veio agora de uma lesão, o relvado da Luz está uma vergonha e a chuva vai afectando os relvados por todo o país.

O que temos visto no futebol da equipa de Bruno Lage é uma ausência de jogo entre os avançados e o meio-campo. O não aproveitamento desse espaço resulta tanto em bolas longas dos defesas a procurar a profundidade dos alas e avançados como na muita lateralização do jogo à procura de cruzamentos: bolas pelo ar, as bolas mais fáceis de defender.

Com Chiquinho, o futebol do Benfica surge de forma mais natural
Fonte: SL Benfica

Se olharmos para a época passada encontraremos um Jonas e, principalmente, um João Félix a fomentarem um jogo mais pelo centro. A sua presença em campo triplicava as linhas de passe, aproximava todos os jogadores de ataque, permitia manter a bola junto ao relvado com muito mais qualidade, fomentava a progressão em tabelinhas e permitia encontrar espaços não evidentes. Criatividade, imaginação, técnica, apoios, passes, posse de bola, assistências e golos. Um só jogador pode dar tudo isto a uma equipa.

Chiquinho não é Jonas. Chiquinho não é Félix. Chiquinho é Chiquinho e é enquanto Chiquinho que poderá catapultar o futebol encarnado. Ocupa aquele espaço e ocupa-o com qualidade. Sabe jogar de gostas para a baliza e é rápido a dominar a bola e a virar-se. Tem criatividade para desiquilibrar as defesas com uma desmarcação, uma finta, um passe ou até uma simples arrancada. É um jogador inteligente e sabe tratar a bola. Saberá criar as linhas de passe, decidir o momento de soltar a bola e o que fazer assim que a solta. Tem aproximação à área e tem golo. Com Chiquinho, tanto Florentino como Gabriel terão menos dificuldades com a bola no pé. Com Chiquinho, Rúben Dias não terá de recorrer tanto ao balão. Com Chiquinho, Grimaldo tem um apoio para as suas ingressões no ataque. Com Chiquinho, as arrancadas de Rafa não terão de ser movimentos individuais. Com Chiquinho, Pizzi poderá voltar a explanar todo o seu futebol. Com Chiquinho, seja qual for o avançado, estará muito melhor servido e muito menos marcado.

Em dois anos veio da Académica ao Moreirense e a indispensável no Sport Lisboa e Benfica. Parece impensável, mas é mesmo isso que se pode esperar dele: o que os outros não conseguem pensar.

Foto de capa: SL Benfica

Universo Paralelo: França derrota Portugal e conquista o Euro 2016

Stade de France, dez de julho de 2016. Ali, dentro daquelas quatro linhas, decidia-se que país estaria no topo do futebol europeu de seleções durante os quatro anos seguintes.

A seleção francesa, dona da casa, era favorita à conquista do troféu, enquanto que Portugal, apesar da entidade “Cristiano Ronaldo”, surgia naquela final como “underdog”, vindo de um percurso um pouco atribulado na competição.

Se, nos primeiros minutos, o nervosismo natural de uma final daquela magnitude tomou conta de grande parte dos jogadores, ao oitavo minuto Dimitri Payet faria questão de quebrar o gelo: com uma entrada fora de tempo sobre Cristiano Ronaldo, o jogador gaulês tirava o número sete português do relvado no jogo que Cristiano mais quereria resolver.

A partir daí, assistiu-se a um maior domínio do jogo por parte da formação da casa que, inclusivamente, conseguiu criar algumas situações de perigo, até que, pouco antes do cronómetro atingir a primeira meia hora de jogo, Antoine Griezmann, após um passe magnífico de Pogba, deixa Cedric Soares para trás e remata colocado sem hipóteses para Rui Patrício. 1-0 para a França.

Griezmann aproveita alguma passividade da defensiva portuguesa e faz o 1-0
Fonte: UEFA

Era um duro golpe nas aspirações lusas: agora sem o seu líder dentro de campo, teria que reverter um resultado adverso na casa do adversário. E, se o 1-0 já complicava a missão portuguesa, um hipotético segundo golo dos franceses quase que deitaria por terra o sonho daqueles dez milhões.

E esse segundo golo havia mesmo de surgir. Trinta e oito minutos jogados, cruzamento de Griezmann da esquerda e, de primeira, Payet acerta um remate fulminante que deixa o guardião português sem reação. Era o 2-0 e sentia-se que ali acabara a esperança dos comandados de Fernando Santos.

Até ao final, assistimos a uma França totalmente controladora de todo o jogo e Portugal, completamente impotente, apenas “via jogar”.

Apesar desse domínio e de algumas outras boas chances para a seleção local, o resultado manter-se-ia inalterado até ao final, resultado que coroava os “les bleus” como campeões da Europa.

Nova Zelândia 40-17 País de Gales: All Blacks garantem terceiro lugar em noite de despedidas

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País de Gales e Nova Zelândia voltaram a defrontar-se dois anos depois, desta vez, no jogo que decidiu o terceiro e quarto classificados do mundial do Japão.

Steve Hansen promoveu diversas alterações na equipa titular. Destaque para o regresso de Sonny Bill Williams e Ben Smith ao 15 inicial. Estes últimos, em conjunto com o capitão Kieran Read e Ryan Crotty, realizaram o seu último jogo pelos All Blacks.

Já o 15 de Warren Gatland também sofreu algumas mudanças em relação àquele que perdeu na meia final contra a África do Sul. O par de médios foi totalmente renovado, com Tomos Williams e Rhys Patchell a aparecerem nos lugares de Gareth Davies e Dan Biggar, respetivamente. Outra alteração a destacar foi a entrada do ponta Owen Lane, a render o lesionado George North. O três quartos ponta de 21 anos dos Cardiff Blues, estreou-se pela seleção em agosto, frente à Irlanda, tendo hoje realizado apenas a sua segunda internacionalização.

O primeiro ensaio foi da autoria de Joe Moody, pilar esquerdo neozelandês. O segunda linha Brodie Retallick, ao quebrar a linha da vantagem, ficou numa situação de dois para um, onde fez um belíssimo offload para o pilar dos Crusaders que só teve de correr em direção à área de validação adversária.

Joe Moody marcou o primeiro ensaio do jogo
Fonte: Rugby World Cup

Sete minutos depois, uma combinação entre Aaron Smith e Beauden Barrett resultou no segundo ensaio da Nova Zelândia. O médio de formação conseguiu fixar dois opositores, percebendo, ao inverter o sentido de jogo, a excelente linha de corrida do defesa All Black.

Até ao segundo ensaio neozelandês, os galeses apresentaram um jogo muito curto. Ao minuto 20, ao alargar o perímetro de jogo, Hallam Amos surgiu no canal dos 15 metros, após um excelente passe, fazendo assim o primeiro ensaio galês.

Hallam Amos foi o autor do primeiro ensaio galês
Fonte: Rugby World Cup

Os dois últimos ensaios dos primeiros 40 minutos foram marcados por Ben Smith. No primeiro, este recebeu a bola dentro dos 22 metros galeses, após um turnover da avançada neozelandesa, batendo quatro defensores adversários antes de fazer o ensaio. Muita passividade da defesa galesa, ao deixar passar Ben Smith, que estava sozinho no meio de vários defesas galeses. Já no segundo ensaio da sua conta pessoal, este mostrou grande velocidade e aceleração, apesar dos seus 33 anos, ao aparecer no corredor de 5 metros e fazer um belo handoff a Tomos Williams antes de fazer o toque de meta.

Ao intervalo, o marcador mostrava uma vantagem para os neozelandeses por 28-10.

A segunda parte começou da mesma forma como acabou a primeira, isto é, com um ensaio All Black. Um offload de Sonny Bill Williams permitiu a Ryan Crotty isolar-se e fazer o ensaio na sua despedida da seleção da Nova Zelândia.

O jogo galês estava muito lento e previsível. Poucas foram as quebras de linha e as vezes em que os galeses chegaram à área de 22 metros adversária. Na primeira vez que o fizeram na segunda parte, Josh Adams fez o segundo ensaio do seu país. Após várias fases à mão, o ponta fez o toque de meta num pick and go e o seu sétimo ensaio na competição.

O último ensaio do jogo surgiu a três minutos do fim. Richie Mo’unga, após uma formação ordenada a cinco metros bateu o seu adversário direto, Dan Biggar, fazendo assim o seu primeiro ensaio na competição. O resultado final foi de 40-17 para a Nova Zelândia, que fica assim no lugar mais baixo do pódio deste Mundial de Rugby 2019.

Foi um jogo jogado à mão, com pouco recurso ao jogo ao pé, algo que não se tem visto muito neste mundial. A Nova Zelândia mostrou um Rugby veloz, com muita dinâmica e muito espetáculo (várias quebras de linha e muitos offloads). Já os Galeses apresentaram-se uma equipa muito estática. A sua aposta num jogo curto não se revelou frutífera. O pack avançado do País de Gales mostrou, mais uma vez, muitas dificuldades na formação ordenada.

Este jogo marca a despedida de ambos os selecionadores. De um lado, o neozelandês Steve Hansen despede-se com a conquista de um mundial. Do outro lado, o galês Warren Gatland despede-se com a conquista de três Grand Slams no torneio das seis nações. O seu substituto será Wayne Pivac, ex-treinador dos Scarlets.

Despedem-se do rugby internacional, jogadores que ficarão na história da modalidade como Sonny Bill Williams, Ben Smith e Kieran Read.

O sublime percurso de Oblak em Espanha e um recorde prestes a ser superado

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Conhecido entre os portugueses, Jan Oblak vai dando cartaz em Espanha e promete não ficar por aqui. Transferido do SL Benfica para o Atlético de Madrid em 2014/15, o guarda-redes esloveno tem atingido números avassaladores entre os postes. Não é de admirar que, no diz respeito à quantidade de jogos em que o guardião não concedeu qualquer golo, haja um recorde aí à porta…prestes a ser superado.

Os jogadores não se fazem de momentos, mas essencialmente de crescimento. E o processo de crescimento de Jan Oblak merece consideração. Começou a sua carreira como sénior no país natal, tendo representado o Olimpija Ljubljana nas épocas 2008/09 e 2009/10. E foi então que se transferiu para o SL Benfica, na segunda época de Jorge Jesus à frente do emblema das águias. Mas nem tudo foi um mar de rosas…

Até chegar à equipa principal do emblema lisboeta, teve de ser emprestado durante três épocas a clubes diferentes. Logo na época em que chegou a Portugal, passou pelas mãos de Leonardo Jardim, ao serviço do SC Beira-Mar. Na temporada seguinte representou o UD Leiria, naquela que foi uma época negra para os leirienses, marcada pela descida de divisão. À terceira época em território luso, chegaria o primeiro “cheirinho” daquilo que Oblak tinha para dar, tendo sido aposta principal de Nuno Espírito Santo para a baliza do Rio Ave FC.

Oblak chegou à Luz em 2010, mas só em 2013/14 é que assumiu as redes da baliza encarnada          Fonte: SL Benfica

Depois de dois jogos pela equipa B, estreou-se na I Liga com a camisola das águias ao entrar para o lugar do lesionado Artur Moraes numa visita do SL Benfica ao reduto do SC Olhanense. E foi aí que tudo mudou! O guardião de 26 anos assumiu a titularidade até ao final da temporada, tendo sofrido apenas seis golos em 25 jogos e revelando-se crucial para as conquistas da formação lisboeta na temporada 2013/14.

Deu nas vistas, claro está, e à Luz acabaria por chegar uma oferta do Atlético de Madrid a rondar os 16 milhões de euros. Oblak acabaria, então, por dar o salto com apenas 20 anos.

O guarda redes internacional pela Eslovénia já conta com meia dúzia de temporadas ao serviço dos colchoneros, mas convém salientar que não chegou à capital espanhola com o rótulo de titular indiscutível. Demorou alguns meses para alcançar esse estatuto, mas é certo que quando agarrou a titularidade não mais a largou.

Um pouco à semelhança do que aconteceu no SL Benfica, Jan Oblak voltou a “aproveitar” a lesão do guardião habitualmente titular (no caso, Miguel Àngel Moyá), a dois meses do final da temporada, passando a ser aposta constante de Diego Simeone…até aos dias de hoje.

Reflexos de Oblak em mais uma grande defesa, desta feita na receção ao Athletic (2×0)
Fonte: Atlético de Madrid

O futebol faz-se, em larga escala, de números. E é para esses que olhamos agora. Com 164 jogos realizados na Liga Espanhola, Jan Oblak conseguiu a proeza de manter a baliza a zeros em 95 dessas partidas. Algo que lhe permitiu igualar o recorde de Abel Resino, que demorou mais 80 jogos para alcançar tamanho feito.

Um guarda-redes que tem conseguido terminar, época após época, com mais “clean sheets” do que jogos a sofrer golos merece estar entre os melhores do mundo. Apesar de Oblak ainda não se ter sagrado campeão nacional pelo Atlético de Madrid, já conquistou dois títulos europeus e, tal como referido, tem obtido números espantosos entre os postes.

Contas feitas, se no próximo sábado o guardião esloveno deixar a sua baliza inviolável na deslocação a Sevilha entra para a História do clube, tornando-se no guarda-redes com mais jogos sem conceder qualquer golo no campeonato espanhol. Sublime!

Foto de Capa: Atlético Madrid

Rio Ave FC 1-1 Moreirense FC: O empate que soube a derrota para os vila-condenses

O Rio Ave e o Moreirense defrontaram-se a contar para a nona jornada do campeonato português. Os vila-condenses encontravam-se em oitavo lugar e a equipa de Moreira de Cónegos em 13º. O Rio Ave vinha de uma derrota contra o FC Porto e de um empate em casa do Paços de Ferreira, enquanto que o Moreirense já levava quatro jogos sem vencer, sendo que este se tornou o quinto e com uma curiosidade: nos últimos cinco jogos, o Moreirense marcou primeiro na partida e apenas venceu uma delas, para a Taça de Portugal, contra o Fabril Barreiro, o que pode comprovar uma quebra de rendimento quando o conjunto de Vítor Campelos marca primeiro no encontro.

O jogo começou, ainda nem com um minuto no relógio e o Rio Ave já causava perigo na baliza de Mateus Pasinato, com um remate perigoso de Diego Lopes a bater na malha lateral, seguido de um bom passe de Nuno Santos. Nos primeiros minutos era visível a intenção do Rio Ave em controlar o jogo. Diego Lopes jogava atrás do avançado Bruno Moreira. Carlos Mané e Nuno Santos jogavam nos corredores, onde criaram as melhores situações de perigo dos vila-condenses.

O Moreirense, que atuava num 4-4-2 no momento defensivo, com Filipe Soares ou Pedro Nuno a fazer a pressão nos centrais adversários juntamente com o avançado Fábio Abreu. O Moreirense teve poucos ataques organizados, apesar de conseguir sair com algum critério no contra-ataque. Aos 12’ e aos 14’ tiveram duas grandes oportunidades que obrigaram Kieszek a intervir.

O Rio Ave rapidamente respondeu aos 19’ com cabeceamento de Tarantini num canto e com enorme defesa de Pasinato. O jogo estava taco-a-taco, apesar de ser o Rio Ave com mais posse de bola, as oportunidades estavam divididas. Quem brilhava eram os guarda-redes, como aconteceu novamente aos 29’ quando Iago Santos sobe nas alturas e cabeceia forte e colocado para uma intervenção colossal do guardião Kieszek.

O Moreirense já tinha ameaçado várias vezes, até que aos 32’ Luther Singh, que era o jogador mais perigoso da partida até ao momento, teve um lance de génio e sozinho parte para cima da defensiva vila-condense, afastou dois adversários do caminho com uma qualidade técnica acima da média e com um tiro insere a bola dentro da baliza do Rio Ave, colocando a sua equipa a vencer por 1-0 no Estádio dos Arcos. É digno de ser visto.

Até o árbitro apitar para o intervalo, apenas houve uma situação de perigo, causada pela imprevisibilidade de Carlos Mané a assistir Nuno Santos que em frente à baliza atirou por cima. A equipa de Carlos Carvalhal criava perigo e continuava com as suas ideias, no entanto, quem criava as melhores oportunidades era o Moreirense.

Carvalhal mexeu ao intervalo e mudou o esquema tático, principalmente no momento ofensivo. Trocou Filipe Augusto por Nikola Jambor e tirou Diogo Figueiras, colocando o avançado Mehdi Taremi, mudando assim para um 3-4-1-2, com Mané a ocupar todo o corredor direito e ficando assim com uma função acrescida. No que toca a domínio de jogo, a tática de Carvalhal resultou visto que conseguiu criar o maior número de oportunidades do jogo nesta segunda parte e a maior parte delas a partir do corredor direito, inclusive o golo de Mehdi, a passe do todo-terreno Carlos Mané, aos 57’.

Fonte: Rio Ave FC

Os vila-condenses estavam bem melhor na partida e não possibilitavam oportunidades de golo ao adversário, que juntou as linhas e estava bem fechado lá atrás e com poucos homens subidos no terreno quando recuperava a bola. Alex Soares e Bilel vieram dar pulmão à equipa quando saíram do banco e ajudaram a aguentar o empate, tal como Texeira, que entrou já perto do final do encontro.

O Rio Ave entre os 70’ e os 80’ teve o período com mais lances de perigo na partida, com resistência do Moreirense, principalmente de Pasinato, que registou uma bela parada ao livre de Diego Lopes aos 79’. Ronan ainda entrou por Bruno Moreira para refrescar o setor ofensivo, mas não teve presença no jogo. Terminou assim a partida e o Rio Ave continua um mau momento de forma, mais pelos resultados do que pelas exibições. O Moreirense vai fazendo o seu campeonato e consegue nos Arcos um importante ponto, tendo em conta a exibição realizada.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Rio Ave FC: Kieszek, Diogo Figueiras (Mehdi Taremi, 46’), Borevkovic, Aderlan Santos, Matheus Reis, Tarantini, Filipe Augusto (Nikola Jambor, 46’), Nuno Santos, Carlos Mané, Diego Lopes e Bruno Moreira (Ronan, 81’).

Moreirense FC: Mateus Pasinato, D’Alberto, Iago Santos, Steven Vitória, Abdu Conté, Sori Mané, Ibrahima Camará (Alex Soares, 64’), Filipe Soares, Pedro Nuno (Bilel Aouacheria, 66’), Luther Singh e Fábio Abreu (David Texeira, 84’).

Miguel Oliveira em maré de azar fora da KTM de fábrica

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Depois de um início de temporada complicado com dificuldades em acertar no set-up da moto, Miguel Oliveira conseguiu melhorar e juntar alguns pontos. No entanto, a sorte do piloto parece ter mudado no Grande Prémio da Grã-Bretanha e, até agora, nunca mais foi a mesma.

A maré de azar do piloto português começou com uma queda em Silverstone, claramente provocada pelo colega Johann Zarco. Como consequência, o piloto português susteve uma lesão no ombro direito que lhe acabou por dificultar em grande medida as provas que se seguiram.

Quando começava a melhorar e a voltar a disputar mais posições chega o grande anúncio. O jovem Iker Lecuona foi contratado pela KTM e irá alinhar pela Tech3, ao lado de Oliveira, já no próximo ano. Ora, tal como é sabido, Brad Binder já tinha assinado contrato com a equipa e estava previsto voltar a correr ao lado de Miguel Oliveira. No entanto, tudo mudou e o sul-africano acabou por ser promovido à equipa de fábrica e irá arrancar a temporada de 2020 ao lado de Pol Espargaró.

Brad Binder está, atualmente, no terceiro lugar no Moto2 e vai ser a aposta da KTM para o próximo ano
Fonte: MotoGP

Esta decisão parece não ter caído muito bem a Miguel Oliveira que respondeu imediatamente à decisão da equipa dizendo que, se tivesse sido Mika Kallio o escolhido para tomar o lugar de Zarco na equipa de fábrica não lhe faria qualquer confusão, visto que já construiu uma boa relação com a Tech 3 e não faria sentido uma mudança dessa natureza. Porém, não foi Kallio o escolhido para o lugar. “Escolher um ‘rookie’ e um tipo com a mesma idade que eu faz-me sentir que não sou bom o suficiente para cá estar. Mas é a decisão deles, respeito-a e não mudará nada no meu foco em estar cá e dar o melhor“, explicou Oliveira.

Se olharem para o panorama geral, faz sentido para eles… mas é mesmo só para eles. Em relação a mim, não sei. Tenho de ver o que o futuro me reserva. O meu comprometimento está totalmente aqui e isso vai continuar. Mas quanto ao futuro a longo prazo, não tenho qualquer ideia“, acrescentou o piloto.

A grande questão é que Miguel Oliveira tem um ano de avanço no MotoGP em relação a Brad Binder e, por isso mesmo, não compreende a decisão da equipa.

FC Paços de Ferreira 1-2 Sporting CP: Jogo quente em noite fria na Mata Real

Noite chuvosa na Mata Real, onde o FC Paços de Ferreira recebeu o Sporting CP, em jogo a contar para a 9.ª jornada do campeonato nacional.

Os castores vinham de um empate precisamente em casa diante do Rio Ave FC, no qual jogaram cara a cara com os vila-condenses, crónicos candidatos aos lugares europeus. Já os leões chegaram a Paços de Ferreira com a moral em alta, depois de uma vitória difícil em Alvalade diante do sempre difícil Vitória SC, por 3 bolas a 1. De destacar a titularidade de Ristovski, que já não jogava desde o dia 11 de maio pelos lisboetas.

O Sporting entrou com perigo, com uma investida de Bruno Fernandes pela esquerda, mas sem a conclusão pretendida.

Aos 10′ surgiu o primeiro golo da partida e foi para o Sporting CP. Bruno Fernandes, com a classe habitual, segurou a bola, olhou, descobriu Luiz Phellype e fez um passe com conta, peso e medida para o avançado brasileiro finalizar. Estava desfeito o nulo no marcador.

O Sporting tentava ampliar a vantagem, mas o Paços mostrava-se combativo e intenso em cada duelo. Assim chegou o encontro ao intervalo, com muita luta entre as duas equipas mas sem grandes oportunidades para qualquer uma das formações mexer no marcador.

Ristovski atuou pela primeira vez esta época, depois de ter feito o seu último jogo pelos leões a 11 de maio
Fonte: Sporting CP

O Paços veio com muito fulgor do balneário e Bruno Santos, logo no segundo minuto de jogo, podia ter empatado a partida, não fosse uma grande defesa de Renan.

O ritmo mantinha-se estranhamente alto, com sprints constantes de ambos os lados, e os treinadores mexiam para ganhar, colocando suplentes para o último terço do campo.

O Paços vinha forçando e encostando o Sporting neste segundo tempo, contrariamente à primeira, chegando mesmo ao golo. Num canto batido à direita por Bruno Teles, Douglas Tanque elevou-se mais alto que todos os outros jogadores e cabeceou para o fundo da baliza de Renan, restabelecendo a igualdade.

Depois de uma primeira parte em que o Sporting não arredou pé do meio-campo adversário, deixou-se dominar pelos castores na segunda parte e acabou por sofrer o golo do empate de bola parada.

Aos 77′, Bruno Fernandes bateu um livre à esquerda do ataque leonino, a bola embateu na mão do defesa pacense que estava colocado na barreira e Rui Costa apontou para a marca de grande penalidade. O mesmo Bruno Fernandes, suspeito do costume, marcou e deu nova vantagem aos leões.

O Paços de Ferreira voltou a cair em cima do Sporting, mas os sportinguistas aguentaram a pressão e saíram da Mata Real com três pontos, para os quais tiveram de suar bastante, principalmente no segundo tempo.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Sporting CP: Renan; Ristovski, Coates, Mathieu, Acuña (87′ Ilori); Eduardo, Doumbia, Bruno Fernandes, Vietto; Luiz Phellype ( 81′ Borja), Jesé ( 64′ Bolasie)

FC Paços de Ferreira: Ricardo Ribeiro; Bruno Santos, Bruno Teles, André Micael, Oleg ; Murilo ( 81′ Dadashov), Diaby ( 52′ Tanque), Pedrinho, Luiz Carlos ; Hélder Ferreira ( 64′ Uilton), Welthon

FC Porto: Zé Luis ou Soares?

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A viagem à Madeira trouxe dissabores, mas em boa verdade, esta temporada tem sido marcada por autênticas oscilações. Jogos bem conseguidos e jogos muito aquém das expectativas, têm marcado o percurso do FC Porto esta época.

Sérgio Conceição tem apostado em constantes mudanças no onze titular, seja no setor defensivo – como foi o caso da aposta consecutiva em Mbemba e Manafá -, seja no setor ofensivo. com a retirada de Zé Luís e a aposta em Soares.

Zé Luís é reforço desta temporada e tem sido um jogador influente na equipa, mas nesta fase, tem vindo a revelar alguma instabilidade. E talvez tenha sido esse o principal fator de ter sido atirado para o banco. O avançado, de 28 anos, começou muito bem a temporada, ao conseguir em sete jogos marcar sete golos, no entanto há mais de um mês que não encontra o caminho para a baliza. E apesar de as competições terem parado devido aos jogos das seleções, a verdade é que o cabo-verdiano já está há cinco jogos sem marcar. E este registo num avançado, por si só, já é negativo, mas num avançado que habituou os adeptos a golos, ainda é pior.

A urgência em mudar as coisas obrigou Conceição a tomar uma atitude que, até certo ponto, surpreendeu, que num primeiro jogo surtiu efeito. O mesmo não aconteceu ontem.

O treinador apostou em Soares para render Zé Luís no jogo diante do Famalicão e a verdade é que colheu frutos. O avançado voltou à titularidade para os jogos do campeonato quase três meses depois. Soares apenas foi titular na partida diante do Gil Vicente, na jornada inaugural do campeonato, e desde essa altura só entrava no decorrer das partidas. Diante do Famalicão, o avançado voltou ao onze e marcou inclusive o primeiro golo para o campeonato, o quarto na temporada.

O avançado Soares esteve desaparecido no jogo diante do Marítimo
Fonte: FC Porto

Soares entrou bem no jogo, entrou decidido, motivado e deu rendimento à equipa. E foi exatamente por ter tido uma boa prestação que o avançado voltou a ser aposta diante do Marítimo, ontem. Mas aqui a história foi outra e o final já não foi feliz. Apesar de ter jogado os 90 minutos e de ter também jogado ao lado de Zé Luís, voltou a ficar evidente algumas limitações que o avançado tem. Limitações essas que se alargam a todo o setor ofensivo. A equipa produz, nem sempre bem, mas não consegue finalizar. Falta critério, oportunismo também, mas acima de tudo, falta qualidade aos avançados deste FC Porto.

Zé Luís está num momento menos bom, mas, ainda assim, já deu provas que é uma aposta mais coerente do que Soares. No entanto, tem sido realmente a baixa de forma do avançado que evidenciou alguma da qualidade de Soares. Mas para voos mais altos, seja Zé Luís, Soares, Marega e até mesmo Fábio Silva, este FC Porto precisa de mais pontaria.

Foto de capa: FC Porto

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Regularidade e consistência na Horta do golo

Se há clube que está a contribuir positivamente para o ranking de Portugal na UEFA, esse clube é o SC Braga. Até ao momento, entre jogos de qualificação, registam seis vitórias e apenas um empate, prova de um desempenho fantástico e são o conjunto nacional que mais pontos deu ao país, impressionando pela regularidade demonstrada.

E refira-se que não tiveram pela frente adversários com pouco nome ou categoria. Na memória desta brilhante campanha destacam-se os sucessos nos terrenos do Brondby IF, FC Spartak Moscovo, Wolverhampton WFC e Besiktas JK, ou seja, saíram triunfantes de todas as deslocações. Esta versão europeia contrasta com a versão nacional, uma vez que o campeonato não está a correr de feição, apesar da recente melhoria de resultados.

E é na Europa que o foco deve incidir quando se fala do SC Braga 2019/2020. A turma de Sá Pinto tem vindo a exceder as expetativas quando a agulha se vira para as competições europeias e a quinta-feira parece ser o dia preferido da equipa para competir.

A nível individual, há um jogador cujo foco se deve também incidir, que tem sido preponderante na manobra ofensiva da equipa: Ricardo Horta. O atleta de 25 anos está a realizar uma temporada soberba, principalmente a nível de golos, já faturou em todas as competições. Vamos a números: desde que se transferiu para o clube minhoto (vai na quarta época) nunca ficou abaixo dos nove golos e o seu máximo foram 12.

Neste momento, contabiliza precisamente nove tentos e é fácil perceber que vai bater o seu recorde até ao final da época. O território europeu é o seu favorito, onde já marcou por seis vezes e para se ter uma melhor noção do feito, diga-se que está apenas a um de igualar Alan, o maior goleador da história do clube em provas europeias.

Uma imagem cada vez mais habitual de Ricardo Horta
Fonte: SC Braga

Tem sido na Liga Europa que a equipa tem demonstrado todo o seu potencial, tal como Ricardo que apresenta uma regularidade digna de registo. Aliás, regularidade é o que o define melhor, já que nas últimas três temporadas realizou sempre mais de 40 jogos e este ano para lá caminha. O seu percurso tem sido marcado por uma enorme fiabilidade e entrega que dá ao jogo, marcas que o acompanham desde o início.

É o melhor marcador da equipa e um dos que tem mais minutos, contribuindo e muito na forma de jogar deste SC Braga que ainda tem uma grande margem de progressão, dado o valor do plantel. Sá Pinto tem de estar satisfeito por poder contar com jogadores como Ricardo Horta, o verdadeiro atleta com quem se pode contar. Tem sido peça fulcral no sistema de jogo e no onze o seu nome já está gravado, sem poder ser apagado. Sendo que se apresenta nas faixas do tabuleiro, o médio/extremo alia velocidade de execução a bons recursos técnicos e o instinto goleador parece estar cada vez mais apurado, característica que o torna ainda mais completo.

É um jogador com um estilo algo irrequieto, mas que tem tido um rendimento muito elevado e um enorme impacto nas prestações bracarenses, assim poderá despertar, seguramente, a cobiça de outros clubes mais apetrechados. No seu currículo devem constar as seguintes características: jogador voluntarioso, disponível, regular, forte nas transições e nas diagonais, boa meia distância e capacidade de finalização.

Está só à espera que Fernando Santos se lembre de si, abrilhantando uma carreira de regularidade e de golo. Uma chamada à Seleção não deveria surpreender, apesar de Portugal apresentar um bom lote de jogadores para aquelas zonas do terreno. Contudo, o nível competitivo que tem demonstrado, alicerçado pela diferença que tem feito no último terço, devem colocá-lo na fronteira dos jogadores elegíveis.

Foto de capa: SC Braga

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

 

Até já, Europa

Pedi-te dedicação, amor e entrega. Pedi-te que me voltasses a entregar a felicidade que é estar de volta às noites e tardes europeias. E, talvez sonhar com algo mais do que a mera fase de grupos. Foi uma caminhada europeia, no mínimo, complicada. Mal saiu o resultado dos sorteios, o desânimo era inevitável. Todas as esperanças voltaram a cair. No entanto, foi-nos mostrado um Vitória SC diferente e interessante. O Vitória de que somos merecedores, enquanto adeptos e sócios.

Estivemos perante batalhas complicadas, travadas contra o Royal Standart Liége, o  Eintracht Frankfurt e o Arsenal FC. A amargura da perda contra o Liége com um auto-golo e um golo basicamente cedido pelos defesas ainda me está entravada na garganta. Em casa, contra o Frankfurt éramos merecedores de algo melhor, soube-me a pouco aquela derrota. E, finalmente, a derrota fraca contra o grande Arsenal ressuscitou todas as esperanças que se julgavam mortas. Faltou-nos algo, nomeadamente, experiência europeia.

O Vitória perdeu por 3-2 frente ao Arsenal FC mesmo ao cair do pano e isso complicou as contas aos portugueses
Fonte: Vitória SC

Agradeço pela dedicação, entrega e amor, no entanto, ansiava por mais. O meu sonho europeu descansa agora em paz perante estas exibições, sei que deixámos em campo tudo aquilo de que somos feitos. Mostrámos ao mundo que somos muito mais do que apenas um clube, somos uma cidade em prol de um clube e, assim, devemos ser respeitados. Até este preciso momento, só devemos justificar o quão injustos são os zero pontos apresentados na tabela classificativa, visto que em momento algum fomos inferiores aos nossos adversários. E é doloroso ver-nos perder assim, principalmente com equipas de algum calibre.

Muito dificilmente, digo até, de forma impossível, iremos conseguir dar a volta à situação e permanecer na Liga Europa. Será um até já, porque acredito – e quase que juro – que iremos conseguir voltar na próxima época, e julgo que a experiência europeia há de ser conseguida. Voltaremos, um dia que seja, a fazer história como fizera a equipa em 1986/87. Não será um adeus, Liga Europa. Voltaremos com mais garra e prontos para demonstrar o que o Vitória e o que Guimarães ainda têm para vos ensinar.

Até lá, existe a necessidade de preparar o espetáculo para os palcos nacionais, para dar continuidade ao objetivo europeu!

Fonte: Vitória SC

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão