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Jogadores que Admiro #104 – Florentino

A admirável série televisiva Dark, de produção germânica, explora as implicações existenciais e os efeitos dos saltos temporais na mente humana. Dividindo a quarta dimensão em ciclos de 33 anos, são criados loops, onde as histórias se repetem eternamente num ciclo sem final aparente, criando paradoxos pelo caminho e pondo em causa a perspectiva linear do tempo.

Estamos em 1982. Um rapaz sueco chegava a Portugal com a UEFA debaixo do braço: Eriksson era um jovem talentoso, mas a sua idade criou desconfianças inicialmente. Assente no seu 4-4-2 vertiginoso e abrigando-se do sol nas abas largas do seu panamá da Macieira, o sucesso não demorou a aparecer e, assim, poucas foram as vozes que se atreveram a questionar as opções tomadas. Numa equipa recheada de qualidade individual, Sven entrega o comando do seu meio-campo a um rapaz calmo, tímido, que raramente se exaltava e jogava de pantufas. De aspecto franzino, Shéu Han, seu nome, fazia da inteligência e da gentileza as suas armas como grande recuperador de bolas, num trajecto profissional sempre de mãos dadas com o Benfica.

Senhor Shéu prestes a ser educado novamente
Fonte: SL Benfica

Ora, 33… não, 37 anos depois, Bruno Lage assume o Benfica, num clima de incertezas várias, derivado do seu parco currículo. Era uma opção a prazo. Igualmente fã de um 4-4-2 elétrico, impõe as suas ideias naturalmente e os resultados tornam-se avassaladores. De fininho, foi introduzindo os meninos da B e entrega a batuta do meio-campo a um Florentino Luís que em tudo se assemelha à lenda benfiquista: pouco expressivo, nunca exaltado, sempre leal e com as mesmíssimas pantufas calçadas. Orgulhosamente e sem grandes dramas, Florentino Ibrain Morris Luís percorre todo o centro do terreno pedindo com licença, tirando a bola muito educadamente dos pés adversários e a entregá-la, limpa e bem cuidada, nos homens da frente encarnada.

Florentino só abre a boca para, aqui e acolá, ser educado. Mentalmente, tira um raio-x do campo e guarda as coordenadas de cada adversário. A seguir, calça as pantufas, corrige a postura e dirige-se a cada um deles: “peço desculpa, era uma bola, por favor” e tira-a, nunca de forma brusca. O 10 adversário vai a passar e quando dá por ele, tem um rapaz educado a tocar-lhe no ombro, “boa noite, queria uma bola, se faz favor”, e puff. É um requintado pedinte. A sua esmola, que é uma bola Select de motivos vermelhos em fundo branco, é a única coisa de que precisa para ser feliz e manter-se vivo.

Quero então acreditar que a série está correcta: Florentino é Shéu, Shéu foi Florentino e assim será sempre, num ciclo interminável de desarmes limpos e linhas de passe bloqueadas. Os dois, que são um, a mesma pessoa, combinaram separar-se para ensinar boas maneiras num campo de futebol e, consequentemente, na vida. Quiseram demonstrar que o futebol não é só para brutos e que, um trinco, para ser genial, pode pregar a palavra de Paula Bobone por esses estádio fora.

Foto de Capa: SL Benfica

artigo revisto por: Ana Ferreira

SC Braga 1-0 FC Spartak Moskva: Vitória justa em jogo desinteressante

Para chegar à fase de grupos da Liga Europa, o SC Braga tem de ultrapassar os russos do Spartak e a primeira mão realizou-se na Pedreira, com os minhotos a quererem um bom resultado que lhes permitisse encarar com mais tranquilidade a longa deslocação à terra dos czares.

A primeira parte foi no geral, diga-se, bastante aborrecida. Aliás, os primeiros minutos foram disputados a meio-campo sem nenhuma das equipas parecer capaz de apresentar um futebol suficientemente organizado para criar perigo. Somente aos 21’ houve um primeiro momento de interesse, com uma boa defesa do guardião moscovita.

Finalmente, os últimos dez minutos do primeiro tempo trouxeram outro alento ao jogo e, além de uma admoestação a Sá Pinto, houve lugar para alguns remates interessantes do Spartak, mas Matheus demonstrou-se sempre à altura.

Manteve-se uma intensidade moderada, mais uma vez sem situações de maior a surgirem para qualquer dos lados. Mas, seguindo um guião semelhante ao dos primeiros 45 minutos, tudo aqueceria nos últimos 20 minutos do encontro.

Fonte: SC Braga

Aos 70’, por duas vezes estiveram os arsenalistas perto de inaugurar o marcador, mas acertaram ligeiramente ao lado da baliza. Três minutos volvidos, foi a vez de Maksimenko intervir bem e, por instinto, a evitar um auto-golo. Finalmente, aos 74’, numa jogada de insistência, Ricardo Horta desviou para o 1-0.

Até ao final, o Braga continuou por cima e foi criando algum perigo, com especial destaque para uma bomba de Novais aos 84’ que saiu ligeiramente ao lado. Ainda assim, o Spartak também esteve perto do empate aos 88’, mas uma excelente defesa de Matheus resolveu a situação.

Tratou-se de um jogo fraco em termos futebolísticos, com o Spartak a acabar por acusar o cansaço. Contra uma equipa rápida como este Braga, juntando-lhe o menor tempo de descanso e a longa viajem, foi combinação fatal para os russos, que terão de jogar melhor em casa para reverter a desvantagem.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

SC Braga – Matheus; Esgaio, Pablo (Tormena 64’), Bruno Viana, Sequeira; Palhinha, Fransérgio (Novais 45’), André Horta (Murilo 85’); Wilson Eduardo, Ricardo Horta, Paulinho

FC Spartak Moskva – Maksimenko; Eschenko, Gigot, Dzhikiya, Ayrton; Zobnin, Schurrle, Guliev (Umyarov 85’); Bakaev, Ponce, Mirzov (Melgarejo 63’)

FC Steaua de Bucareste 0-0 Vitória SC: Decisão adiada para Guimarães

Com o objetivo primordial de entrar na fase de grupos da segunda divisão do futebol europeu, o Vitória Sport Clube viaja à Roménia para defrontar aquele que outrora foi um dos melhores clubes do mundo, mas que agora está muito longe da qualidade demonstrada no século passado: o FC Steaua de Bucareste (hoje em dia mais conhecido por FCSB).

A equipa da casa entrou no Marin Anastasovici com um onze titular de onde se destacam: a liderança e pragmatismo do capitão Pintili, o virtuosismo de Coman – um dos melhores jovens romenos do futuro –, e ainda frieza em frente à baliza do ponta-de-lança Tanase. Já Ivo Vieira, treinador do Vitória SC, opta por fazer algumas alterações em relação à partida da semana passada, onde goleou o FK Ventspils. Aliás, pela primeira vez nesta Liga Europa, o timoneiro mexe nalgumas das suas peças significativas. Bondarenko entra para o lugar do capitão Pedro Henrique, Douglas assume pela primeira vez a baliza na competição e o jovem Bruno Duarte assume o posto que, até aqui, pertencia quase “exclusivamente” a Alexandre Guedes, na frente de ataque. André Almeida, opção mais regular, entra para o lugar do lesionado Joseph.

Numa primeira parte com ação perto das balizas, o FCSB foi a equipa que esteve mais confortável, num relvado que não estava nas melhores condições. A principal ocasião de golo foi mesmo sua, quando o extremo Coman atirou rasteiro, ao poste, com Douglas já batido. Aos 2 e aos 40 minutos, aconteceram outras duas grandes ocasiões para os romenos, anuladas por fora-de-jogo. Aliás na primeira, até chegaram mesmo a festejar o golo, com os ânimos resfriados pela bandeirola do fiscal de linha.

O Vitória SC, por sua vez, adotou uma postura mais defensiva, apostando nas transições rápidas e nos lances de bola parada, sem sucesso. Davidson foi o que mais tentou remar contra a maré de domínio dos homens da casa com três tentativas, que saíram muito fracas e fora do alvo. Por esta altura, apesar da supremacia do FCSB, os 4-3-3 desenhados pelos treinadores iam-se anulando, com 0-0 no marcador.

Fonte: Vitória SC

A segunda metade do desafio começou nos mesmos moldes: com a equipa romena a ter mais bola e o Vitória SC com muitas dificuldades para sair a jogar com qualidade, algo que é essencial para o estilo de jogo que Ivo Vieira gosta de implementar nos clubes que orienta. Aos 53 minutos Vina – que sairia seis minutos mais tarde – a partir da ala, teve oportunidade de bater Douglas, mas o remate saiu fraco.

Aos 62 minutos, o treinador madeirense promoveu a estreia de Poha, jogador emprestado pelo Rennes, para tentar reverter um pouco esta situação de “desvantagem exibicional”, chamemos-lhe assim. Numa altura de muitas substituições, o Vitória SC foi-se chegando mais à frente, com o FCSB a ressentir-se fisicamente, devido à intensidade que colocou durante todo o encontro.

A partir dos 70 minutos, os vimaranenses cresceram e dificultaram mais aos adversários a chegada à sua área. Com cerca de 10 minutos finais mais interessantes, o jogo ficou mais partido, mas sem que fossem criadas oportunidades de golo flagrantes, o nulo estabeleceu-se no final. Apesar de ter desempenhado um jogo pobre até aos últimos 20 minutos, o acerto defensivo do Vitória SC e a falta de eficácia do FCSB foram as constantes desta quinta-feira europeia. Para a semana há a decisão final e creio que a equipa nacional tem capacidade para vencer e conseguir o seu grande objetivo.

 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

FC Steaua de Bucareste: Balgradean, Cretu, Planic, Soiledis, Pantiru, Pintili (Oaida, 66′), Popescu, Roman (Popa, 46′), Vina (Gnohere, 59′), Coman e Tanase;

Vitória SC: Douglas, Sacko, Bondarenko, Tapsoba, Florent, Al Musrati, André Almeida (Poha, 61′), “Pêpê” Rodrigues, Davidson, Bruno Duarte (Guedes, 76′) e Rochinha (Rafa, 66′).

O mercado de Varandas

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Com menos de duas semanas para o fecho do mercado de transferências, que encerra a dois de setembro, os clubes portugueses começam a entrar numa fase de tentar apressar os negócios que ainda estão pendentes, com o objetivo de não só reforçar as equipas principais e secundárias, mas também para “escoar” excedentes, de forma a que se tente encontrar um equilíbrio entre a qualidade dos jogadores e o investimento, principalmente em salários. Falando neste último aspeto, existem clubes que conseguem colocar os seus excedentários com relativa facilidade, sendo por empréstimos ou por transferência definitiva, mas existem outros clubes que não o conseguem fazer, como é o caso do Sporting Clube de Portugal.

Esta janela de transferências não se afigura fácil, uma vez que ainda existem muitos mercados abertos, como o de Espanha e França por exemplo, de onde podem surgir negócios de última hora e que o clube leonino poderá ter que aceitar, devido a várias situações. Mas rumores à parte, os sportinguistas podem fazer um balanço da atuação do presidente e este texto será para isso mesmo, considerando os pontos positivos e negativos.

Começando pelos pontos positivos, o negócio que trouxe Luciano Vietto para Alvalade deve ser do agrado dos sportinguistas, porque conseguimos receber 22,5 milhões de euros por Gelson Martins e por 7 milhões de euros garantiu-se o ponta de lança argentino, num negócio onde, segundo as leis atuais em vigor, não éramos obrigados a receber nada por ele. Por isso considero que foi um negócio “menos mau” e com isso trouxemos mais uma solução com qualidade para a frente de ataque.

Falando agora de Luís Neto, penso que foi uma excelente aquisição, pois veio a custo zero e apesar de já ter alguma idade, possui muita qualidade e eficiência. Traz uma vasta experiência consigo para um setor onde falhar é uma palavra proibida e ainda tem algumas épocas pela frente de leão ao peito. Eduardo Henrique chegou a Alvalade por valores próximos dos 3 milhões de euros, depois de demonstrar toda a sua qualidade no Belenenses SAD, por empréstimo do Internacional de Porto Alegre.

Apesar de ainda não ter demonstrado todo o seu potencial de leão ao peito, a qualidade está lá e penso que será uma questão de tempo até começar a ter impacto na equipa principal. Todavia, tendo em conta o baixo valor da sua aquisição, Frederico Varandas esteve bem ao garantir os serviços deste jogador.

Este tem sido o primeiro mercado de verão da estrutura leonina montada pelo presidente Frederico Varandas
Fonte: Sporting CP

Para a posição de defesa direito chegou Valentin Rosier, proveniente da liga Francesa, por valores próximos dos 8 milhões de euros. Para os mais desatentos, este jogador era considerado como um dos melhores laterais da liga francesa, antes da lesão que o afastou e que lhe estagnou a carreira. Será uma incógnita até estar fisicamente apto, pois o potencial demonstrado no Dijon não engana e se o demonstrar de leão ao peito, será uma grande contratação, mas só o tempo o dirá.

Falando agora de Rafael Camacho, creio que foi uma oportunidade de negócio, pois chegou por 5 milhões de euros e nas alas – um setor onde o Sporting carece de qualidade – poderá fazer toda a diferença, pois possui bom sprint e qualidade individual. Resta agora saber se irá conseguir demonstrar toda a sua qualidade. Se for aposta regular do treinador, penso que teremos um elemento valioso no plantel.

Porém, Frederico Varandas não fez tudo bem e existem situações, quer devido à sua inexperiência quer devido a fatores alheios, que são impensáveis num clube com a dimensão do Sporting. Começando pelos excedentários do plantel, o Sporting atualmente não consegue vender os jogadores que não entram nas escolhas de Keizer e tal facto gera um grande problema, porque estamos a pagar salários desnecessários a jogadores que nem sequer jogam.

Apesar de já terem sido colocados muitos excedentários, como são os casos de Carlos Mané, Iuri Medeiros ou Ryan Gauld, a verdade é que existem outros como André Pinto e Jefferson que são mais gritantes, pois auferem elevados salários sem serem opções válidas para a equipa. Contudo, não são casos isolados, pois ainda existem jogadores como Bruno Gaspar, Emiliano Viviano e Mattheus Oliveira que, no total, fazem muita mossa na massa salarial.

Falando num tema mais recente, o dossier Bas Dost está a ser muito mal gerido sobretudo porque o holandês não é um jogador qualquer, pois em três temporadas apontou 93 golos e como tal, tem de ser tratado com respeito. Compreendo a posição de Varandas em relação ao elevado ordenado que aufere, contudo se o presidente leonino fosse mais competente a “escoar” os excedentes, o salário de Bas Dost não seria um problema e teríamos uma máquina de golos à nossa disposição. Se um jogador faz tanto golo em tão pouco tempo e atualmente não tem rendido, a culpa é do treinador e não do jogador.

Em relação a Bruno Fernandes, apoio a ideia de que caso saia, terá que significar um bom retorno para os cofres de Alvalade, uma vez que se trata do nosso melhor jogador. Se ainda não apareceram propostas que reflitam o seu valor, concordo que não se venda ao desbarato.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

SCU Torreense: A nova casa de Pedro Costa

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Pedro Costa voltou a pegar nas botas que estavam penduradas desde 2016 e vai voltar às quadras. Aos 40 anos, o jogador vai envergar a camisola do Sport Clube União Torreense para surpresa de muitos amantes do Futsal – incluindo eu. Mas uma surpresa que classifico como muito positiva para a modalidade e para o clube.

Estamos a falar de um jogador que tem história no futsal português e também a nível internacional, especialmente na Ásia, onde ficou também conhecido pelos seus talentos como treinador.

Pelo nosso país passou por cinco clubes (UPVN, Del Negro, AR Freixieiro, Sporting CP e SL Benfica) e venceu tudo o que havia a nível nacional e continental. Foram sete campeonatos, quatro Taças de Portugal, quatro Supertaça e uma UEFA Futsal Cup, o título mais importante conquistado, em 2010, com o SL Benfica.

Pedro Costa foi o capitão do SL Benfica na conquista mais importante para o clube “encarnado” e também da sua carreira
Fonte: UEFA

No estrangeiro, enquanto jogador ao serviço do Nagoya Oceans, do Japão, também foram diversos os títulos ganhos pelo português. De destacar as duas Champions Asiáticas e também cinco campeonatos. Em suma, um longo palmarés a nível de clubes e muita experiência para Pedro Costa. Sem falar que foi treinador do Nagoya Oceans e também aí conquistou “alguns” títulos – sete no total.

Agora falando muito pessoalmente. Quando comecei a acompanhar Futsal regularmente, Pedro Costa estava no auge da sua carreira enquanto jogador. Vi-o a vencer muito títulos pelo SL Benfica, clube que representava na altura. Não dava um lance como perdido e sabíamos que era um atleta que em campo daria tudo de si à partida.

Marcou-me imenso e dificilmente vou esquecer que fez parte da equipa que conquistou o primeiro troféu europeu de clubes para o Futsal português. Por isso, é normal que esteja tão animado, e ansioso, para que este retorno às quadras seja finalmente concretizado.

No Nagoya Oceans, o português foi jogador e treinou o clube ambos com muito sucesso
Fonte: Nagoya Oceans

Quando todos pensávamos que este regresso era quase impossível… parece que nada é impossível, porque Pedro Costa vai mesmo jogar. Quem sabe não seja um “dois em um” com a possibilidade de tirar o curso que o possibilite treinar em Portugal e na Europa. Era juntar o útil ao agradável, onde jogaria e estaria a pensar no seu futuro como treinador.

Críticas de Nuno evidenciam as dores de crescimento do VAR em Inglaterra

Foi um dos assuntos da semana e vem no seguimento da implementação do VAR na liga inglesa, que tem aberto debate nas terras de Sua Majestade. Nuno Espírito Santo, técnico do Wolverhampton, afirmou, após o nulo diante do Leicester, que as decisões tomadas pelo VAR estão a afetar aquele que é “o espírito do jogo”.

O lance que despoletou esta crítica foi um golo anulado a Leander Dendoncker, no minuto 51 do jogo diante dos foxes, pelo facto de a bola ter, acidentalmente, desviado no braço de Willy Boly antes de entrar na baliza de Kasper Schmeichel. Com as novas regras da arbitragem, qualquer golo que seja marcado ou criado com o uso da mão ou braço, mesmo que acidentalmente, será anulado. Assim, após festejos efusivos dos Wolves e após minuto e meio de espera pela decisão do VAR, o golo foi anulado.

Nuno Espírito Santo não escondeu o seu descontentamento no final do jogo: “Estou preocupado com tudo isto porque está a arruinar o verdadeiro espírito do jogo. Não vamos estragá-lo. Os adeptos vêm para celebrar os golos, não para celebrar um ‘não golo’, isso não é o verdadeiro valor em torno do futebol. Não é uma boa atmosfera. Os adeptos do Leicester estavam a celebrar um ‘não golo’. Não é esse o propósito deste desporto. Há seis meses atrás isto seria um golo válido, agora não é. É um problema do VAR”.

Dendoncker, ator do cabeceamento, também demonstrou a sua surpresa para com a decisão: “Eu pensei que era golo. Estávamos prontos para voltar ao jogo e o VAR [através dos ecrãs gigantes] informaram que talvez houvesse uma irregularidade. Fiquei surpreso. É uma nova regra e agora temos de nos adaptarmos a ela e usá-la”.

Vai ser um difícil ano de adaptação dos ingleses ao VAR. Um povo apaixonado pelo jogo num ritmo alucinante, quase sem paragens, ter que esperar um minuto que seja por uma decisão do VAR pode ser o cabo dos trabalhos. Estamos apenas na segunda jornada e são já várias as vozes contestatórias, mas penso que se deve dar algum tempo até assimilarem a introdução desta tecnologia no mítico desporto.

Até agora, as decisões tomadas têm sido de uma precisão milimétrica e com explicações aos adeptos através dos ecrãs gigantes, o que permite ao adepto perceber, de imediato, o que está a acontecer. No caso do golo anulado a Dendoncker, penso que as críticas estão mais direcionadas para com a nova regra da arbitragem do que para a utilização do vídeo-árbitro. É injusto e improducente que cada toque na bola com o braço, mesmo que este esteja junto ao corpo ou a uma distância muito curta do ponto de partida da bola, seja anulado. Percebo que queiram reduzir o número de situações dependentes do critério do arbitro, mas é impossível jogar futebol sem braços.

Ainda assim, defendo que o futebol deve acompanhar o desenvolvimento tecnológico dos nossos tempos e aproveitar as ferramentas que tem para minimizar os erros, que podem ser de centímetros ou de metros, mas não deixam de ser erros. Percebo o ponto de vista de Nuno, de que se perde um pouco a magia de festejar o golo e saber imediatamente se é ou não válido, mas será preferível esperar e festejar um golo legal ou comemorar um golo ilegal?

O VAR tem, claro, muitos aspetos a melhorar, mas veio ajudar a reduzir os erros. Vão continuar a existir lances polémicos, pontos de vista diferentes e debates sobre o assunto, mas que sejam para o bem do futebol e para a procura da verdade desportiva.

Foto de Capa: Wolverhampton Wanderers F.C.

artigo revisto por: Ana Ferreira

CR Flamengo 2-0 SC Internacional: “Mengão” traduz superioridade em golos e tem um pé nas meias

Em jogo da primeira mão dos quartos de final da Taça Libertadores, o Flamengo recebeu o Internacional de Porto Alegre no Maracanã. O “Fla” demonstrou a diferença de qualidade entre as duas equipas e venceu por duas bolas a zero.

A partida começou com o Internacional por cima, mas a espaços, a equipa de Jorge Jesus ia pressionando, e foi Éverton Ribeiro a deixar o primeiro aviso. Rodrigo Caio, pouco depois (11’), viu o seu cabeceamento ir à figura do “goleiro”.

É impressionante a quantidade de jogadores de qualidade com que o Flamengo conta nas suas fileiras. Partindo de trás, destacam-se os laterais de luxo (Filipe Luís e Rafinha), experientíssimos e titulados na Europa. A eles, aliam-se Pablo Marí e Caio, com uma capacidade na construção que os diferencia. No centro do terreno, Cuéllar e Arão já perceberam o que quer o “mister”, tal como os criativos, De Arrascaeta e Éverton Ribeiro. Na frente, Gabigol e Bruno Henrique combinam como se jogassem juntos há anos. Uma equipa bem identificada com o ADN de Jorge Jesus.
Fonte: SC Internacional

Do lado do Internacional, destaque para o seu ataque experiente (mas lento). Guerrero, D’Alessandro e Sóbis são as joias da coroa deste Inter, que contam com um meio campo de autênticos “carregadores de piano”: Lindoso, Edenílson e Patrick. Uma formação de “tração a trás”, que veio para aguentar o maior tempo possível sem sofrer golos. Na defesa, não ressalta nenhum nome impressionante, mas Vieira, Moledo, Cuesta e Uendel deram solidez. Durante 75 minutos…

Aos 19’, Bruno Henrique rematou do “meio da rua” e obrigou Marcelo Lomba a aplicar-se. A formação de Porto Alegre, bem tentava construir desde trás, mas o “Fla” começou a subir linhas e a pressionar como mandam as regras. O único remate do Internacional digno de registo, surgiu apenas aos 40’, por intermédio de D’Alessandro. Ainda em cima do apito para o intervalo, Gabigol só não marcou porque o remate foi desviado em Moledo e Lomba ainda lhe tocou com a ponta da luva. Uma primeira parte bem interessante.

O segundo tempo veio com muitos confrontos físicos e demasiadas paragens, algumas das vezes, visivelmente com a intenção de quebrar o ritmo do jogo, já que o nulo “fora” seria um resultado positivo para o Inter.

O jogo tornava-se complicado para o Flamengo. Ou foi o Internacional que melhorou, ou o “Fla” tirou o pé do acelerador. A equipa do “Colorado” defendia com quase todos os jogadores atrás da linha da bola, o que dificultava a tarefa do “Mengão”, que até aos 70’ não conseguiu visar a baliza adversária.

Fonte: SC Internacional

E quando a paciência dos adeptos se começava a esgotar, eis que surge um golo como que caído do céu (75’). O jogo partiu, Éverton Ribeiro lançou o ataque, Gerson beneficiou de um ressalto na defesa do Inter e serviu Bruno Henrique, que só teve de encostar para fazer balançar as redes. Um golo aos “repelões”.

Os adeptos ainda festejavam o primeiro golo, mas Bruno Henrique queria mais. Gabigol, à entrada da área, assistiu o companheiro, que “apenas” teve de se virar para atirar a contar. Dois a zero para o Flamengo (79’). Tanto que insistiram no flanco direito durante o primeiro tempo, que no segundo, os golos foram construídos pelo esquerdo – em momentos de transição.

O mais inconformado do lado do Internacional foi Nico López, que, primeiro rematou à figura de Diego Alves, e logo depois “furou” a defensiva contrária para atirar a rasar o poste. A sorte também esteve do lado do “Fla”.

Os olheiros dos clubes europeus (nomeadamente, portugueses) deviam pôr os olhos nesta equipa do Flamengo. De Arrascaeta, Cuéllar, Caio, Arão, Bruno Henrique e até o próprio Gabriel Barbosa (que não parece, mas ainda é um jovem), dariam bastante jeito a qualquer emblema nacional.

Jorge Jesus e a direção do clube terão certamente ambição de vencer esta importante competição, e a jogar desta forma o sucesso fica mais perto. Eliminado da Copa do Brasil, terá o “Mengão” capacidade para fazer já uma candidatura ao Brasileirão e à Libertadores?

A segunda mão desta eliminatória realizar-se-á no dia 29 de agosto.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

CR Flamengo: Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí, Filipe Luís, Cuéllar, Arão, De Arrascaeta (Gerson, 46’), Éverton Ribeiro (Berrio, 90’), Bruno Henrique (Da Motta, 90+5’) e Gabriel Barbosa.

SC Internacional: Marcelo Lomba, Vieira, Moledo, Cuesta, Uendel, Rodrigo Lindoso, Patrick, Edenílson (Parede, 87’), D’Alessandro (Nico López, 68’), Rafael Sóbis (Wellinton Silva, 61’) e Paolo Guerrero.

Emagrecer o plantel!

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Ter um plantel com 29 jogadores quando existe uma equipa B é um verdadeiro exagero. Se a necessidade de emagrecer o plantel já era pertinente, a eliminação da Liga dos Campeões veio tornar essa necessidade uma obrigação! O encaixe financeiro que estava previsto no orçamento (cerca de 60 milhões de euros) torna muito complicada a vida da estrutura portista, em particular, do administrador financeiro Fernando Gomes. As contas do último exercício que encerrou a 30 de junho, fecharam no verde e isso era importantíssimo mas, esta eliminação vai complicar o último ano em que o FC Porto está sobre “vigilância” da UEFA.

É evidente que Sérgio Conceição não quer perder nenhum dos jogadores preponderantes da equipa. Não era difícil vender Danilo, Alex Telles ou Marega mas estes são peças fundamentais no sistema de jogo idealizado pelo treinador portista. Este é o dilema da administração azul e branca, equilibrar as contas com vendas significativas ou enfraquecer a equipa ao nível desportivo e, com isso, ficar mais longe de voltar a conquistar o título e entrar diretamente na próxima Liga dos Campeões. É como se diz na gíria “uma pescadinha de rabo na boca”!

Aboubakar pode estar de partida do clube azul e branco
Fonte: FC Porto

Uma das formas de ajudar a equilibrar as contas e, possíveis problemas de tesouraria, é baixar a massa salarial e para isso a saída (quer por empréstimo ou vendas definitivas) é uma das poucas soluções plausíveis. Existem jogadores que terão pouca utilização e para a qual existem outras soluções no plantel. Vaná, Diogo Queirós, Osório, Loum, Otávio e Aboubakar são alguns desses jogadores. Aboubakar é, por exemplo, um dos jogadores mais bem pagos do plantel e terá poucas ou nenhumas hipóteses de jogar esta época. Entre salário e uma possível taxa de empréstimo rapidamente se consegue uma poupança de cinco milhões de euros. Osório com uma boa Copa América tem mercado e uma possível venda não é de descartar. E como é evidente o plantel não precisa de seis centrais por isso é necessário encontrar soluções. Otávio apesar de ser um jogador muito apreciado por Sérgio Conceição não é uma “peça chave” e tem algum mercado.

A estrutura portista precisa de trabalhar rápido com eficiência e imaginação para encontrar soluções até ao final do mercado (2 de setembro) para que a tesouraria azul e branca possa ficar um pouco mais desafogada. Mesmo a nível do planeamento do treino e da gestão de grupo não faz qualquer sentido ter um plantel desta dimensão.

Foto de capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Atualização do Sporting CP no mercado: Novela Bas Dost

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Foi uma semana morna em Alvalade e foi nas saídas que se deu o maior destaque. Radosav Petrovic foi confirmado no Almería e é menos um dossier por resolver no reino do Leão. É de recordar que o jogador auferia um salário bastante elevado, o que por um lado dificultava a sua colocação noutro clube e por outro tornava-se também um encargo difícil de suportar pela SAD leonina.

No entanto, o destaque é para Bas Dost que aquece o mercado em Alvalade e que toma conta da imprensa desportiva nacional. O Sporting CP já emitiu um comunicado onde coloca a responsabilidade no avançado holandês, acusando o jogador de travar e dificultar a saída para o Eintracht Frankfurt. A transferência e a saída do goleador holandês para os alemães era dada como praticamente certa, com os valores a rondarem os 8M€ limpos, mas o avançado terá preferido ficar em Alvalade e o agente do jogador terá exigido também encargos financeiros de última hora – como se pode ler no comunicado emitido pela Sporting SAD na manhã desta terça-feira.

Com isto é de esperar pelas próximas horas para saber como será o desfecho da história e da novela Bas Dost, sendo que o treinador Marcel Keizer afirmou que gosta do avançado e preferia contar com ele nos planos para atacar a presente época.

A possível transferência do holandês tem sido um dos temas mais discutidos da atualidade
Fonte: Sporting CP

Em termos de entradas não se registou nenhuma novidade no plantel leonino. Ainda assim, o treinador holandês confirmou que caso a saída de Bas Dost se torne oficial, será necessário que o clube leonino recorra ao mercado em busca de uma alternativa. Os mais recentes rumores davam conta de que Islam Slimani poderia regressar por empréstimo, no entanto o argelino já foi confirmado no AS Monaco. Todavia, a hipótese de Giovanni Simeone reforçar os Leões por empréstimo por parte da Fiorentina, num empréstimo que poderá ser para duas épocas, tem sido também veiculado na esfera mediática.

Oussama Idrissi, extremo de 23 anos do AZ Alkmaar, terá despertado a atenção dos responsáveis leoninos e reforça a ideia de que a SAD leonina não descarta a hipótese de contratar mais um extremo com capacidades acima da média e com capacidade para desequilibrar o jogo, que é algo que tem faltado ao jogo dos pupilos de Marcel Keizer. Justin Kluivert poderá ser outra opção, por empréstimo da Roma.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

O que esperar dos recém-promovidos esta temporada?

O que esperar de FC Paços de Ferreira, FC Famalicão e Gil Vicente FC? Esta poderia ser a pergunta deste artigo, o qual envolve uma análise das classificações obtidas pelas equipas recém-promovidas à Primeira Liga no ano de competição no escalão máximo, na última década.

Recuando até à Primeira Liga 2009/2010, constata-se que SC Olhanense e UD Leiria – os dois conjuntos acabados de subir e por isso os mais recentes – conseguiram atingir a manutenção no campeonato principal. Na época seguinte foi a vez de SC Beira-Mar e Portimonense SC disputarem a principal prova nacional, com os destinos de ambos a seguirem caminhos diferentes, uma vez que os aveirenses conseguiram manter-se e os algarvios acabaram por descer de divisão. O mesmo sucedeu em 2011/2012, quando Gil Vicente FC e CD Feirense, recém-promovidos, obtiveram sortes diferentes. Os “fogaceiros” não conseguiram evitar a despromoção e os gilistas mantiveram-se no principal escalão. Na temporada seguinte o cenário repetiu-se. GD Estoril Praia e Moreirense FC, que subiram de divisão, experienciaram sentimentos distintos no final da época, uma vez que os canarinhos terminaram na quinta posição e os cónegos viram a descida confirmada, seguindo a tendência dos anos anteriores, em que, pelo menos uma das duas equipas que sobem, acabam por ser despromovidas no ano seguinte.

O mesmo aconteceu em mais três temporadas, quando, FC Penafiel em 2014/2015, CF União da Madeira em 2015/2016 e CD Nacional na época transata viram as suas ambições defraudadas com a queda ao segundo escalão.

O Gil de Vítor Oliveira vai tentar manter-se entre os ‘’grandes’’ depois de vários anos de ausência
Fonte: FC Paços Ferreira

Nesta última década, apenas em quatro temporadas se verificou o contrário, ou seja, as duas equipas promovidas conseguiram manter-se na Primeira Liga após terem subido, o que demonstra, no geral, a dificuldade destas em permanecer em simultâneo no nível mais alto do futebol nacional. Daí que, as três equipas que competem no escalão máximo em 2019/2020 depois de terem passado por divisões inferiores, necessitam de criar condições para realizarem um bom campeonato e fugirem às situações adversas da tabela classificativa. Certamente que estas formações pretendem fugir à tendência da última década e manter-se na Primeira Liga, mas o caminho revela-se complexo e só com muito trabalho e competência os objetivos ficam mais perto de serem atingidos.

Até ao momento, as três formações nortenhas reforçaram-se consideravelmente com o intuito de competirem de igual forma com os adversários e deixarem uma boa imagem, alcançando os resultados desejáveis. No FC Paços de Ferreira, destaque para os reforços Bernardo Martins, ex-Leixões SC e SL Benfica B e Hélder Ferreira, ex-Vitória SC. Para os castores, o campeonato iniciou com uma pesada derrota em plena Luz, seguindo-se novo desaire em casa frente ao Santa Clara. Está a ser um início de época pouco agradável, mas o conjunto orientado por Filipe Rocha promete ser uma equipa bastante competitiva ao longo da temporada, como tem sido hábito do histórico pacense.

No FC Famalicão, salientam-se as entradas de Nehuen Pérez e Gustavo Assunção, provenientes do Atlético Madrid e também de Diogo Gonçalves e Fábio Martins, com passagens por SL Benfica e SC Braga respetivamente. Os famalicenses estrearam-se na Liga da melhor maneira, tendo vencido o CD Santa Clara nos Açores e deram seguimento ao bom momento com um triunfo caseiro frente aos rioavenses. Até agora são um dos destaques da Liga e apesar de ter sido construído um plantel com jogadores interessantes, são ainda uma incógnita no que a previsões diz respeito, depois de 25 anos de ausência entre os ‘’grandes’’.

Finalmente, o regresso do Gil Vicente FC está a ser marcado pela entrada de muitos jogadores, entre os quais se destacam Sandro Lima, que representou o GD Estoril na época passada e Alex Pinto, ex-SL Benfica B. Também Lourency e Kraev devem ser tidos em conta. Os gilistas apresentam um plantel bastante remodelado, uma vez que transitaram do CP por via administrativa. Apesar de tudo, a principal aposta centra-se em Vítor Oliveira, um treinador experiente e consagrado que vai tentar manter Barcelos no mapa dos ‘’grandes’’ do futebol nacional. A estreia vitoriosa frente ao FC Porto representou um importante fator motivacional neste regresso aos grandes palcos, embora a derrota expressiva em Moreira de Cónegos tenha servido para esfriar um pouco os ânimos.

Conseguirão estes clubes alcançar os objetivos e permanecer no topo do futebol nacional, ou, como se tem observado pela última década, pelo menos um não conseguirá evitar a despromoção? A minha convicção é que pelo menos um acabará por ser despromovido, dando seguimento ao registo tendencial dos últimos dez anos. As respostas só serão conhecidas por volta de maio de 2020, pelo que, até lá, resta aos mais recentes primodivisionários lutar pela melhor classificação possível.

Foto de capa: FC Famalicão

artigo revisto por: Ana Ferreira