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Portugal 4-0 Rep. da Irlanda (sub19): Domínio coletivo assinado por Gonçalo Ramos

De olhos postos no jogo decisivo do Campeonato da Europa, as seleções sub19 de Portugal e República da Irlanda defrontaram-se na primeira meia-final da competição, disputada na Arménia. A turma lusa chegava a este encontro após uma vitória de 4-0 sobre a equipa anfitriã, assegurando o primeiro lugar do grupo A. Por seu lado, os irlandeses vinham de uma vitória pela margem mínima (2-1) ante a República Checa, que lhes garantiu o segundo lugar do grupo B, atrás da França.

Portugal, conforme se esperava, assumiu desde início o controlo da posse de bola, procurando variações rápidas de flancos e ataques velozes, de forma a tentar desmontar o “autocarro” estacionado pelos irlandeses em frente à baliza de Maher. Com certeza conhecedores do facto dos três golos sofridos pela Irlanda no torneio terem partido de cruzamentos pela direita da sua defesa, os jogadores portugueses iam apostando sobretudo na exploração desse corredor, com Tomás Tavares e Félix Correia em evidência.

Apesar do “banho de bola”, cortesia dos lusitanos, as oportunidades claras tardavam em aparecer, sobretudo devido à enorme quantidade de homens que a equipa irlandesa colocava atrás da bola. O primeiro remate com algum perigo surgiu ao minuto 22, pelo criativo Fábio Vieira, que, perante tanta dificuldade em conseguir entrar na área oposta, apostou numa tentativa a meia distância, passando a poucos centímetros do poste da baliza adversária.

Ao minuto 30, nova oportunidade para a equipa nacional marcar, desta vez soberana: após um exímio domínio de Fábio Vieira, a bola chega a João Mário, que tira subtilmente um adversário do caminho, tendo este recorrido à falta e “oferecendo” uma grande penalidade a Portugal. Chamado a marcar, o capitão Vitor Ferreira converteu com tranquilidade, tal como havia acontecido frente à Arménia. Estava “quebrada” a “muralha” irlandesa.

Esperando-se que a Irlanda passasse a subir linhas e a procurar o golo do empate, essa resposta foi imediata, com dois lances muito perigosos: primeiro, através do criativo Coffey, com um remate tirado em cima da linha pelo lateral direito Costinha; logo a seguir, foi o médio-centro McGuiness a “disparar” forte, sendo desta feita a barra a “salvadora nacional”. Os irlandeses criaram mais perigo entre os minutos 34 e 36 do que em todo o resto do jogo, até então.

No entanto, a “equipa das quinas” não se deixou intimidar e voltou a pegar no jogo (com a ajuda da pausa para hidratação, ao minuto 37, que permitiu serenar os ânimos), tendo agora mais espaço para explorar nas costas da defesa da Irlanda.

Aproveitando esse espaço, bem como os oito minutos de compensação dados pelo árbitro estónio Kristo Tohver, o sempre irrequieto João Mário avançou pela ala esquerda e tirou o cruzamento para a área, ao qual o ponta-de-lança Gonçalo Ramos correspondeu afirmativamente, fazendo jus ao papel de número 9 que lhe foi atribuído. O 2-0 não podia ter surgido em melhor altura, levando Portugal para o descanso com uma vantagem mais confortável, mas alertados para a capacidade do coletivo irlandês.

Portugal foi para o intervalo a ganhar 2-0 na partida
Fonte: UEFA

O segundo tempo iniciou com um ritmo mais calmo, sobretudo devido às elevadas temperaturas que se têm feito sentir. Até ao minuto 60, os jogadores pareciam andar em ritmo de passeio, mas foi nesse momento que os “miúdos” portugueses decidiram acabar de vez com as esperanças irlandesas. O pensador Vitor Ferreira recuperou a bola e abriu para a direita, onde João Mário repetiu a parceria com Gonçalo Ramos, que confirmou o estatuto de “pistoleiro” desta geração ao assinar o 3-0, tanto na frente da baliza como no momento da celebração.

A partir deste momento, a prioridade do selecionador Filipe Ramos passou a ser o descanso e a recuperação física das principais figuras da equipa, poupando Vitor Ferreira e João Mário, entre outros, do esforço que seriam os 90 minutos. Quanto ao jogo, e apesar das mudanças, Gonçalo Ramos ainda não tinha acabado o espetáculo, e só descansou de vez quando assinou o “hat-trick”, com uma finalização no canto inferior esquerdo da baliza irlandesa, desferindo o remate já dentro da área.

Uma exibição sólida e com um “show” de posse de bola dos jovens pupilos lusitanos faz com que sigam para a final do próximo sábado, aguardando o vencedor do encontro entre Espanha e França. Venha quem vier, esta seleção terá pela frente uma tarefa mais complicada que a de hoje, mas uma equipa que detém o melhor ataque da prova só pode ter boas perspetivas para o futuro. Resta trazer o “caneco” para o nosso Portugal!

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Portugal – Celton Biai; Costinha; Gonçalo Cardoso; Gonçalo Loureiro (Levi Faustino, 81’); Tomás Tavares; Diogo Capitão; Vitor Ferreira (Samuel Costa, 69’); Fábio Vieira (Rodrigo Fernandes, 76’); Félix Correia (Daniel Silva, 76’); João Mário (Tiago Gouveia, 69’); Gonçalo Ramos.

Rep. da Irlanda – Maher; Lyons; McEntee; McGuiness; Ledwidge; Hodge (Omobamidele, 81’); Kavanagh (James, 46’); Coffey (Grant, 67’); Brennan (Ebosele, 42’); Everitt (Wright, 81’); Reghba.

Solução em casa e em conta

Desde que Iker Casillas sofreu um enfarte do miocárdio, muito se tem especulado sobre o destino da baliza azul e branca na próxima época. Com um final de carreira prematuro anunciado, os alarmes soaram e a SAD, a julgar pela imprensa publicada, colocou mão à obra na procura de um jogador com créditos firmados que pudesse suprir a ausência do guarda-redes espanhol. Vários nomes foram apontados. De Navas a Buffon, de Koubek a Rulli, a terminar no mais recente Kevin Trapp. Todos eles falados, alguns deles quase anunciados. A verdade é que, até à data, nenhum reforço para a posição foi apresentado. Posto isto, há uma pergunta que parece inevitável. E se não chegar ninguém?

Há sensivelmente um mês advoguei neste espaço que uma eventual aposta em Buffon seria contraproducente. Um luxo demasiado caro para o retorno que traria. Nesse mesmo artigo, terminei apontando Diogo Costa como titular da baliza portista. E disse-o porque acredito que se enquadra no perfil de jogador que acredito mais consentâneo com a realidade do clube, seja para que posição for. Um jogador jovem, com qualidade e margem de progressão, capaz de trazer mais valias desportivas e financeiras e com um custo acessível. Foi sob estes alicerces que se construíram as melhores equipas do FC Porto e deve ser, de novo, essa a estratégia. A juntar a isto tudo, exige-se uma aposta consistente na formação, sem a qual dificilmente os clubes portugueses conseguirão continuar a ser competitivos.

Ora, Diogo Costa preenche todos estes requisitos. É verdade que lhe falta a tão proclamada experiência, mas eu, leigo que sou, acredito que esse chavão é muitas vezes sobrevalorizado e não mais do que uma desculpa de mau pagador para justificar a falta de aposta na formação. A experiência adquire-se jogando e Diogo Costa não seria o primeiro jogador a entrar na equipa titular do FC Porto sem ter a tal “experiência”. Não seria sequer o primeiro guarda-redes. Sem querer entrar em comparações, todos nos lembramos de um tal de Vítor Baía. Não compactuo com o critério de número de jogos, sou um fervoroso adepto da qualidade.

Terminado o estágio no Algarve, resta um jogo de preparação antes do início oficial da época
Fonte: FC Porto

Assim, uma das boas notícias do estágio do FC Porto no Algarve prende-se com a aposta consistente no jovem guarda-redes da formação portista. No frente a frente com Vaná parece ter tomado a dianteira e só deverá ser afastado da titularidade se a SAD acabar por ir mesmo ao mercado contratar uma vaca sagrada. Não se pode dizer que o jogador tenha estado em particular destaque, é certo. Em boa verdade foram poucas as ocasiões que teve para brilhar. Fica na retina um penalti defendido e, acima de tudo, um à-vontade anormal para a idade, para liderar uma defesa composta por (esses sim, vacas sagradas) Pepe e Marcano. Mostrou confiança, segurança e tranquilidade.

Não estou com isto a dizer que não existirão erros ou momentos de sobressalto. As dores de crescimento fazem parte da evolução dos futebolistas mais jovens, mas havendo qualidade, paciência e uma aposta segura e recorrente, não tarda até que os talentos precoces e predestinados assumam um estado de maturação elevado.

Em suma, é sobejamente conhecido o percurso deste jovem guarda-redes nos diferentes escalões de formação do FC Porto e da seleção nacional. Resta perceber como se comportará no contexto de equipa principal. Esperemos (ou espero) que lhe seja concedida essa oportunidade porque a qualidade está lá. É o melhor da sua geração.

Foto de capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Que doença é esta Sporting? Ilori em vez de Thierry Correia

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Longe vão os tempos em que os sportinguistas tinham orgulho no seu clube, em que os títulos eram uma realidade e grandes jogadores passavam por Alvalade, como foram os casos de Mário Jardel e Peter Schmeichel (considerado pela FIFA como o maior guarda-redes de sempre da história do futebol). Contudo, há muito que o meu clube do coração anda “doente” e pelo que se tem visto nos últimos anos, não estamos no caminho certo para a cura porque simplesmente ainda não conseguimos identificar esta tal “doença” que nos tem assolado.

Mas essa “doença”, ou pelo menos o maior sintoma de todos, é claramente o conflito de interesses que existem entre as pessoas com mentalidades retrógradas e as pessoas que só querem o melhor para o clube. No clube leonino, ainda existem muitas pessoas conhecedoras das práticas de antigamente, das mais vigaristas e duvidosas, que pensam que o futebol em nada mudou nos últimos anos e que podem continuar com o que faziam. É nesse contexto de interesses e práticas duvidosas que derivam muitos dos problemas que estão à vista de todos, e um dos maiores problemas que temos é a falta de aposta nos jogadores da formação.

O regresso de Ilori ainda não convenceu os adeptos leoninos
Fonte: Sporting CP

Hoje em dia, a formação leonina não é nada mais do que um património “para inglês ver” e tal facto é baseado, entre muitas outras razões, na aposta de Tiago Ilori em prol de Thierry Correia. Sendo que Ilori é da formação leonina, saiu para o Liverpool com 20 anos e com contornos algo polémicos, porque na altura o jogador forçou, de certa maneira, a sua saída para Inglaterra. E como se diz em bom português “só faz falta quem cá está”, penso que foi uma das poucas contratações na era Frederico Varandas que não fazem qualquer sentido. Se essa contratação foi baseada em nacionalidades, a aposta tinha obrigatoriamente que recair em Ivanildo Fernandes e Thierry Correia.

Ilori é um jogador muito inferior ao que era quando saiu, muito devido à sua falta de regularidade nos tempos do Liverpool, em que perdeu todo o potencial que lhe era apontado. Ora se atualmente é um defesa central mediano ao nível da Segunda Liga Inglesa (atuava no Reading antes do seu regresso), que sentido faz apostar nele a lateral quando temos Thierry Correia, um jogador campeão sub17 e sub19 pela seleção nacional? Será que o miúdo joga assim tão mal? Há que apostar na “prata” da casa e o jovem lateral enquadra-se que nem uma luva para terceiro defesa-direito, e a sua aposta faria todo o sentido.

O Sporting foi pioneiro na formação em Portugal e ninguém pode menosprezar esse mérito, contudo também não podemos menosprezar que atualmente Benfica e Futebol Clube do Porto possuem melhores condições, recursos humanos e infraestruturas de formação. Por isso há que por os miúdos da formação a jogar ao mais alto nível, terá que haver uma aposta muito mais séria na “cantera” e quanto mais cedo melhor, porque essa aposta não irá ter resultados a curto prazo, mas sim a médio e longo prazo.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Houston Rockets: Os prós e contras da mais recente dupla de MVP’s

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Enfim juntos! Sete anos depois de James Harden ter deixado Oklahoma em direção a Houston, Russell Westbrook faz o mesmo e será novamente colega de equipa de Harden. Um prémio de MVP para ambos e zero chegadas às finais depois, será que juntos conseguirão novamente chegar a essa fase da temporada, tal como fizeram com Kevin Durant em OKC, no ano de 2012?

Começamos pelos contras desta parceria, talvez para acabarmos de uma maneira esperançosa para os adeptos de Houston. Westbrook não é Chris Paul. Não defende nem lê o jogo como o base pelo qual foi trocado. Imprime mais velocidade ao jogo e não forçará Harden a fazer tantos jogos “sozinho” por estar sempre lesionado, mas não oferece o comando defensivo nem pensa três movimentos à frente como CP3. Para Westbrook só há uma velocidade e é a velocidade máxima e não é bem isso que estes Rockets fazem.

Para além disso, todos sabemos que o jogo dos Rockets se baseia muito no drible de Harden e na capacidade dos outros quatro jogadores em campo acertarem os seus triplos (esqueçamos que os Rockets não foram às finais de 2018 por falharem vinte e sete triplos seguidos no jogo sete, em casa, com os Warriors). Ora, Westbrook é mau a lançar de três. Não há cá paninhos quentes, é mau e vai lançar ainda mais em Houston. Porque todos os jogadores que ali chegaram, lançaram mais vezes da linha de 3. Todos!
MVP’s em anos consecutivos (2017 e 2018), Harden e Westbrook voltam a encontrar-se depois de terem representado os Thunder
Fonte: NBA

Por outro lado, é uma boa notícia para os Rockets terem dois jogadores que necessitam tanto da bola. “Ah, mas só há uma bola e eles são dois”. Sim e não. Eles não estarão sempre em campo ao mesmo tempo e está provado que jogadores com vários toques na bola durante o jogo mantêm os seus números mesmo quando se juntam a alguém que gosta de ter bola. O que acontece é que os seus colegas terão menos bola, mas quando a diferença no nível de talento de Harden e Westbrook para os seus colegas é tão grande, não será isto uma boa notícia?

Westbrook oferece ainda novas nuances ao esquema de Mike D’Antoni. Sem Harden em campo, o ritmo vai aumentar certamente e as equipas que se concentrarem demasiado em Harden vão deixar um jogador explosivo pronto a receber a bola. Com espaço… Para além disso, há a possibilidade de começar a usar Westbrook como bloqueador quando Harden tem a bola.

Estão a ver o que faz Draymond Green nos Warriors após bloqueios, com todo o espaço que tem? Pronto. Imaginem isso com o jogador que mais assiste na NBA. Um constante 4×3 de Westbrook para com as defesas contrárias que vão, mais vezes do que o contrário, fazer 2×1 em James Harden. É uma arma interessante.

Pode dar asneira? Claro que sim. Mas se há coisa que Daryl Morey tem feito é arriscar desde que se tornou GM dos Rockets. Chris Paul não resultou, mas esteve quase, não fossem as lesões. Sinceramente, para uma equipa que não põe os pés nas finais há 25 anos e que viu o maior rival no Oeste perder um ativo valioso (e ter outro lesionado o ano todo), qual é o risco desta troca? Pode não resultar, mas pode muito bem ser o início de uma bela história para D’Antoni e os Rockets.

Foto de Capa: NBA

artigo revisto por: Ana Ferreira

O impacto das vendas made in Seixal

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São já várias as vendas por parte do SL Benfica de jogadores com origem no Seixal. Muitas delas foram bastante questionadas, uma vez que algumas apenas tiveram rentabilidade financeira e não rentabilidade desportiva, como se esperava.

É certo que, para as equipas que coabitam no campeonato português, manter grandes valores chega a ser impossível. A sustentabilidade passa por comprar barato e vender caro, sem que muitas vezes consigam amadurecer o jogador antes da venda. Têm também uma cota parte de responsabilidade os empresários destes jogadores, pois sabemos que hoje em dia o futebol é cada vez mais um negócio, deixando para segundo plano o que realmente é mais importante para o jogador.

No caso particular do SL Benfica, é destacadamente a equipa portuguesa com maior receita de vendas no que toca a produtos oriundos da formação. A questão que se impõe é se essas vendas foram realizadas na altura certa e por valores corretos. Posto isto, irei dar a minha opinião pessoal sobre algumas vendas.

  • Renato Sanches e João Félix

Dois jogadores com muito, senão tudo em comum.

Ambos entram no onze encarnado quando o SL Benfica estava a atravessar uma altura muito frágil e, nos dois casos, quando a imprensa desportiva dava o título como perdido para os lados da luz.

Os dois ficam só um ano de águia ao peito no plantel principal e são determinantes na conquista de dois títulos de campeão nacional. Novamente tem em comum o facto de já contarem com títulos ao serviço da seleção nacional.

Renato Sanches sai para o Bayern Munique por 35 milhões, ainda antes do Europeu começar, e João Félix por 120 milhões para o Atlético de Madrid. Não é possível afirmar que não foram grandes vendas, pois os juntos atingiram a marca dos 160 milhões.

Mas observando o lado do jogador, em ambos os casos terá sido muito prematura a venda. Renato e Félix deveriam ter permanecido mais um ano no clube, para ganharem mais maturidade.

  • Bernardo Silva e João Cancelo

Dois jogadores que não consigo ver a jogar sem sentir um vazio na alma. Questiono-me muitas vezes como teria sido bom ver estes dois jogadores com o manto sagrado a celebrarem vitórias no Estádio da Luz. Pois bem, a realidade é que, para já, isso não será possível. Ambos atingiram um patamar tão elevado, que hoje é impossível para os cofres encarnados resgatarem Bernardo e Cancelo.

Considero estas as piores vendas feitas por parte do SL Benfica, apesar de pesarem os 30 milhões recebidos por dois jogadores com muitos poucos minutos na equipa principal. O valor que mostravam na equipa B era inquestionável, e foi por isso que foram os dois emprestados (com opção de compra) a equipas de renome a nível europeu: Mónaco e Valencia.

Florentino e Gedson, dois jogadores made in Seixal com bastantes pretendentes no mercado de transferências
Fonte: SL Benfica
  • Ivan Cavaleiro/Helder Costa

É incrível perceber que posso falar de um destes jogadores e automaticamente o mesmo parágrafo servirá para descrever o outro. Apenas dois fatores os separam: o facto de Ivan Cavaleiro ter na sua carreira uma época na equipa principal (tendo sido opção numa final europeia); e o facto de um ser destro e o outro esquerdino.

Ambos foram emprestados ao Deportivo da Corunha, passam posteriormente pelo Mónaco, até coincidirem depois no Wolverhampton. Nesta época, são os dois emprestados a equipas do Championship.

15 milhões foi o valor que o SL Benfica recebeu por cada um, sendo que mais uma vez, acho que estes dois extremos deveriam ter tido mais oportunidades na equipa principal.

  • Ederson/Lindelof

Aqui sim, considero duas excelentes vendas. Dois jogadores com rentabilidade tanto financeira como desportiva. Ederson sai já do SL Benfica como um dos melhores na sua posição e é hoje sem surpresa titular do atual campeão inglês Manchester City. Lindelof joga atualmente no Manchester United e é hoje, apesar de um inicio conturbado, igualmente titular no gigante inglês.

Foram muitos milhões a entrar nos cofres encarnados, mas será que o SL Benfica deveria ter feito um esforço para segurar aqueles que muito prematuramente saíram da equipa encarnada? Seria esse esforço possível de fazer?

Foto de Capa: Manchester City FC

Não se esqueça de nós, míster!

A questão “formação” no FC Porto, ultimamente, tem sido um dos assuntos “em alta” entre a maioria dos adeptos. Predominantemente, o veredito final do tribunal do Dragão acaba por determinar, de forma convicta, que os miúdos merecem uma chance na equipa principal. E, pelos vistos,  o Mar Azul acabou por ter voz ativa nesta questão, uma vez que Sérgio Conceição mais do que nunca parece estar convicto de que a solução pode estar nos mais jovens.

A meu ver, considero uma escolha acertada, contudo fico com um pé atrás em relação a tudo isto. Não coloco em causa a qualidade dos mais jovens que integraram o plantel que realizou diversos jogos de preparação, muito pelo contrário, aliás. O talento está lá e é como o algodão: não engana!

Romário Baró, juntamente com outros jovens talentos, tem roubado os holofotes durante a pré-época do FC Porto
Fonte: FC Porto

A minha dúvida surge apenas e só pelo que já vi do homem que comanda a equipa em anos anteriores. Conceição já deu provas, sobretudo na sua época de estreia, de que foi uma escolha acertada escolhê-lo para liderar o novo projeto dos “dragões”. Porém, num aspeto, considero que o atual treinador peca de forma recorrente: na pouca utilização de jovens da nossa formação nos jogos a valer. Muitas vezes por falta de espaço, muitas vezes sustentado na existência de opções mais fiáveis (como foi o caso de Diogo Leite, aquando da chegada de Éder Militão), muitas das vezes baseado em convicções próprias (como por exemplo a utilização de Vaná na reta final da época passada, em detrimento de Diogo Costa), facto é que os nossos jovens não são brindados com uma quantidade de oportunidades condizente com o seu talento.

Em 2019/20, mais do que nunca, é imperativo a utilização recorrente destes atletas. É urgente uma aposta contínua nestes jogadores. Não utilizá-los apenas em jogos de preparação, apenas em jogos de Taça contra equipas amadoras, apenas quando dá jeito para cumprir uns regulamentos: “atirem-nos às feras”, deixem-nos sentir o peso da camisola que toda a vida sonharam em vestir. Romário, Diogo(s), Fábio, Tomás: não te esqueças delas durante a época, Sérgio.

Foto de Capa: FC Porto

Mundial de Andebol Sub21: Portugal cumpre mínimos, mas pode fazer melhor

Em 2017, Portugal havia chegado às meias-finais do Campeonato do Mundo de Andebol de sub21. A seleção nacional partia assim para esta prova integrada num lote de potenciais vencedoras da competição. Na antevisão da competição, o selecionador nacional, Nuno Santos, foi ambicioso e traçou como principal objetivo alcançar novamente as fases mais adiantadas da prova.

A seleção portuguesa estava no grupo C, juntamente com a Croácia, a Hungria, o Brasil, o Bahrain e ainda com o Kosovo. Teoricamente, croatas, húngaros e brasileiros seriam os adversários que mais dificuldades colocariam a Portugal.

O lote de 18 convocados contava com jogadores como Luís Frade e Gonçalo Vieira, jogadores do Sporting; André Gomes, lateral do FC Porto ou Francisco Pereira, central do SL Benfica.

PIOR COMEÇO SERIA DÍFICIL

No encontro inaugural, Portugal media forças com o Brasil. Os jovens portugueses entraram algo displicentes e a cometer demasiados erros. Nesse capítulo, André Gomes foi um dos que mais se destacou. Na vertente defensiva, o cenário era ainda pior. Pouca agressividade e demasiado espaço para os brasileiros visarem a baliza portuguesa.

Por outro lado, os brasileiros mostravam-se bastante concentrados e assertivos. Assim, foi sem grande surpresa que o Brasil chegava ao intervalo com uma vantagem de 10 golos. Uma primeira parte para rapidamente esquecer.

Na segunda parte, os comandados de Nuno Santos melhoraram um pouco, mas o mau começo tornava a missão quase impossível. Portugal havia mesmo de entrar com o pé esquerdo neste mundial e sair derrotado por 30-35. Uma nota para Diogo Silva, que marcou um total de 13 golos.

GATO ESCALDADO DE ÁGUA FRIA TEM MEDO

Portugal partia agora para os restantes jogos com uma pressão adicional. Apesar de passaram as quatro primeiras seleções, convinha evitar os últimos lugares do grupo para fugir aos tubarões na fase a eliminar.

Na segunda jornada, frente ao Bahrain, Portugal melhorou um pouco, mas ainda mostrou algumas debilidades defensivas. No entanto, e avisados pelo desaire no primeiro encontro, os portugueses chegaram ao final da primeira parte a vencer por 15-12. Neste encontro, que Portugal havia mesmo de vencer por 29-27, Diogo Silva voltou a estar a um nível incrível. O internacional português marcou um total de 11 golos e contribuiu e muito para a primeira vitória portuguesa no Campeonato do Mundo.

Diogo Silva foi a principal figura da seleção portuguesa na fase de grupos
Fonte: IHF

Na terceira jornada, e no encontro que teoricamente seria mais fácil, Portugal não facilitou e venceu com facilidade a seleção do Kosovo por 32-21. Correndo o risco de me tornar repetitivo, Diogo Silva voltou a ser o melhor marcador da seleção portuguesa. O jovem português assinou um total de 8 golos.

Portugal partia assim para o encontro com a Hungria com algum conforto. Naquela que foi para mim a melhor exibição de Portugal durante toda a fase de grupos, a seleção nacional entrou bastante forte e cedo se viu com uma vantagem de cinco golos. Portugal foi então gerindo o encontro e acabaria mesmo por vencer os húngaros por 28-36 e carimbava o apuramento para os oitavos de final da competição.

DISTRAÇÕES VALEM DUELO DE GIGANTES LOGO NOS OITAVOS

No último encontro da fase de grupos, e já com a qualificação garantida, Portugal enfrentava a Croácia. O objetivo passava por vencer de forma a evitar alguns dos principais tubarões na fase a eliminar. No entanto, Portugal voltou a mostrar bastantes debilidades defensivas, tal como havia acontecido frente ao Brasil. Por sua vez, os croatas, que, na minha opinião, são um dos principais candidatos ao título, mostraram-se mais concentrados no capítulo defensivo e mais eficazes no processo ofensivo.

Desta forma, foi com justiça que a seleção croata venceria Portugal por 32-30. A seleção portuguesa haveria de terminar a fase de grupos no terceiro lugar e marcar assim encontro a toda-poderosa seleção alemão. Os alemães terminaram no primeiro lugar do grupo D com apenas uma derrota.

Portugal não venceu o último jogo do grupo em que estava inserido e vai ter a Alemanha como adversário
Fonte: IHF

Será, certamente, um desafio bastante complicado. O segredo passará por uma maior solidez defensiva. Esse é claramente o aspeto em que a seleção portuguesa tem claramente de melhorar. Nos jogos com seleções mais fortes, como a Croácia ou o Brasil, os jogadores portugueses não podem permitir que os adversários rematem dos nove metros sem qualquer oposição. Caso Portugal queira eliminar a seleção alemã, os comandados de Nuno Santos terão de melhorar bastante neste aspeto. No que ao capítulo ofensivo diz respeito, cabe a Gonçalo Vieira, Diogo Santos, André Gomes ou Luís Frade fazerem uso de todo o seu potencial e não facilitarem no momento da finalização.

Foto de Capa: IHF

De Madrid para a Vila das Aves

Foi há alguns dias atrás que surgiu uma das notícias mais inesperadas do mercado, quando o Clube Desportivo das Aves anunciou a contratação de um tal de Enzo Zidane Fernández.

Aquele que é o mais velho de quatro filhos de um dos melhores jogadores que vi jogar futebol no meu tempo de vida tinha mercado em Portugal (falava-se do interesse do Vitória SC) e acabou por rumar à Vila das Aves para trabalhar sob as ordens de Augusto Inácio.

O médio ofensivo de 24 anos foi outrora uma das grandes promessas do futebol mundial, sendo que tudo indicava que iria seguir as pisadas do pai. Na temporada 2013/2014, era a principal figura da equipa de juniores do Real Madrid, que acabaria por perder contra o Benfica nas meias-finais da Youth League.

Mas a verdade é que a carreira do ainda jovem Enzo tem estado muito longe daquilo que prometia ser. O médio-ofensivo esteve três temporadas na equipa B merengue, fazendo um jogo pela equipa principal em 2016/2017. No final dessa mesma temporada, acabaria por se desvincular do então bicampeão europeu, seguindo-se passagens sem sucesso por Deportivo Alavés, FC Lausanne-Sport e CF Rayo Majadahonda.

Enzo Zidane juntou-se à equipa no estágio
Fonte: CD Aves

O fiasco da sua carreira pode ter decorrido por vários motivos. Antes de mais, pelo peso do nome que carregava nas costas, fosse pelo próprio legado que o pai deixou no futebol mundial, ou pelo peso das expectativas criadas pelos adeptos e pela imprensa. Depois, poderá também ter sido pelo facto de não ter tomado as melhores opções na sua carreira no sentido de dar continuidade ao seu crescimento enquanto jogador.

Seja como for, o médio francês tem agora aos 24 anos uma oportunidade para relançar a carreira. Chega para reforçar um meio campo renovado após as saídas de Vítor Gomes e Braga. E espero que esta seja a oportunidade certa para ele se afirmar e fazer a equipa da Vila das Aves crescer no panorama do futebol nacional.

Foto de Capa: CD Aves

Crescimento sustentável ou passos para o abismo?

Tem sido, talvez, a janela de transferências mais absurda de sempre. Milhões são dados em troca de míudos e míudos são apresentados à frente de milhares. O mercado está louco, mas quem não gasta parece ainda mais louco. Assim, o caso do Sheffield United FC, que jogará em 2019/2020 a sua primeira época de Premier League, é um dos mais curiosos nesta temporada de futebol que se avizinha.

A relação da cidade de Sheffield com o futebol começa em 1857 (!). A criação do Sheffield Football Club deu origem ao primeiro clube de três clubes desta localização. 10 anos depois, surgiria o Sheffield Wednesday e, em 1889, o Sheffield United FC.   Dos três irmãos, o mais velho nunca teve grande sucesso, e atualmente joga a nível semiprofissional no sistema inglês. O irmão do meio, esse, teve outra projeção e, na última época do Campeonato Inglês (antes da renomeação para Premier League), acabaria em terceiro lugar, mas nos anos seguintes teria uma queda dura para os escalões inferiores do futebol britânico, onde ainda hoje se mantém. O mais novo dos três, esse, até já foi campeão… em 1898/1899. Mas hoje é, pela primeira vez na sua história, a única equipa de Sheffield na Premier League.

Os três irmãos de Sheffield                                                                                                            Fonte: Bola na Rede

Assim, chegou a vez de o mais novo mostrar o que vale, numa cidade cuja longa ligação ao desporto rei não é refletida pelo palmarés das suas três principais equipas. Ao contrário de equipas como Aston Villa FC e Wolverhampton Wanderers, cuja promoção veio no seguimento de um investimento grande por parte das direções, o Sheffield United teve um caminho mais tradicional e, por isso, mais moroso para chegar aqui.

No leme da equipa, está Chris Wilder. O ex-futebolista inglês passou a sua carreira como treinador nos clubes de escalões inferiores, e terá também a sua estreia na Premier League este ano. No Sheffield, aplicou uma tática caracterizada pela imprensa inglesa com a sua liberdade dada no ataque, com um sistema 3-5-2, raro na segunda divisão inglesa, a resultar numa época memorável, em que o United acabou no segundo lugar, garantido o acesso direto ao principal escalão. No centro das atenções, esteve o capitão Billy Sharp, com 23 golos marcados.

Aos 33 anos, Billy Sharp conseguiu finalmente levar o Sheffield United à Premier League
Fonte: Sheffield United FC

Mas, num mercado de transferências onde equipas como FC Barcelona conseguem gastar mais de mil milhões de euros ao longo de seis anos, o investimento parece necessário. Jogar bem, preparar a equipa e estabelecer uma tática coesa já não é tudo, pelo menos para quem vê de fora.  Olhando para o Aston Villa FC, outra equipa promovida, vemos um gasto superior a 60 milhões de euros (de acordo com o site Transfermarkt). Reforços vindos de todos os cantos do mundo e nomes que, embora não necessariamente de classe mundial, têm já uma certa projeção no panorama europeu.

Para os lados de Sheffield, porém, o recrutamento conta com um veterano do futebol inglês (Phil Jagielka), uma antiga jovem promessa que nunca singrou (Ravel Morrison), dois atacantes contratados a equipas da segunda divisão (Callum Robinson e Luke Freeman) e um ponta de lança francês vindo do AFC Bournemouth (Lys Mousset). Daqui, o nome mais sonante será talvez Ravel Morrison. Formado na academia do Manchester United, é dito por Rio Ferdinand (antigo capitão dos red devils) que Ravel possuía mais talento que jogadores como Paul Pogba e Jesse Lingard, mas a sua atitude e maus hábitos levaram-no numa carreira de carrossel, andando de um clube para o outro, sem nunca encontrar o sucesso para que parecia destinado.

No total, são menos de 25 milhões de euros gastos. Segundo o Transfermarkt, o valor de mercado da equipa do Sheffield United é inferior ao de metade das equipas do Championship, a segunda divisão inglesa. O que procurará a direção com estes negócios?

Será o United mais um dos clubes que tentaram resgatar a carreira deste problemático futebolista?    Fonte: Sheffield United FC

Talvez a presidência do Sheffield United esteja a ser dolorosamente pragmática. Ciente do marco histórico que já conseguiu no clube, não é difícil perceber que a equipa atual está vários furos abaixo de outros plantéis da Premier League. Até equipas de meio da tabela, como o AFC Bournemouth, são teoricamente muito superiores a este Sheffield United. Assim, a direção tinha duas opções: ir pela mesma rota que o FC Fulham no ano passado, e investir dezenas de milhões de euros, correndo o risco de ser despromovida e ficar com um buraco financeiro enorme (como aconteceu, de facto, com os cottagers) ou fazer um investimento controlado, que reforce a equipa mas que nunca arrisque a estabilidade financeira do clube em caso de despromoção.

E foi esta a escolha do Sheffield United. Os adeptos dos Blades estão ainda embriagados com a felicidade da sua primeira campanha na Premier League, e as contratações do clube não parecem ter tido efeito negativo na massa associativa. A renovação por mais três anos com Chris Wilder, confirmada no início deste mês, pretende reforçar a estabilidade interna, numa época que irá pôr a coesão entre treinador e jogadores à prova.

Enquanto as equipas à sua volta se reforçam com grandes nomes, o Sheffield United vai-se mantendo sóbrio no mercado. O mais novo de três irmãos leva uma cidade às costas, e talvez seja com isso que possa contar. Tal como uma certa equipa de Leicester há uns anos, não haverá nenhum craque conhecido globalmente a defender as cores do clube. Haverá onze jogadores e toda uma região atrás. Talvez sejam esses milhões que a direção espera que façam a diferença, naquela que é a liga mais competitiva do mundo.

Foto de Capa: Bola na Rede

Actualização do SL Benfica no mercado: precisa-se de reforços defensivos!

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Faz 21 dias que o mercado de transferências abriu. 21 dias em que a equipa do SL Benfica começou a preparação para a nova época no Seixal. 21 dias de saídas, entradas, propostas feitas e propostas recebidas. 21 dias de construção de um plantel para Lage afinar até ao jogo da Supertaça com o Sporting CP, o jogo de lançamento para uma época de ataque à Champions e ao Bi-Campeonato nacional. Até agora, passaram 21 dias, três amigáveis e já algumas conclusões a tirar quanto à qualidade do plantel actual.

Este mercado tem-nos trazido movimentações mais intensas a nível da baliza e das peças de ataque.

Comecemos precisamente pela posição mais recuada. Por agora, Bruno Lage tem contado com Odysseas Vlachodimos, Mile Svilar e Ivan Zlobin. O greco-germânico parte em vantagem depois de uma época como titular abrilhantada com algumas excelentes exibições. Tanto o belga como o russo lutam somente pela segunda posição da hierarquia, algo que não deverá ser suficiente nem para a ambição nem para o desenvolvimento do primeiro. Vlachodimos apresenta uma maturidade superior à concorrência mas ainda não convenceu totalmente numa posição que já foi de Ederson e Oblak.

A baliza tem sido provavelmente a posição onde me parece mais relevante encontrar um reforço de peso. Depois da queda dos negócios de Keylor Navas e Cillessen, aparece a possibilidade de Mattia Perin. O suplente da Juventus é um nome interessante. Um guarda-redes que brilhou desde bem cedo no Génova e que acabou por chegar na época passada à Juventus. Muito ágil e rápido entre os postes, um guarda-redes felino. Perin mantém-se, contudo, muito preso entre os postes e não iria acrescentar um maior domínio das costas da defesa. Não me parece um verdadeiro upgrade a Odysseas e por 15 milhões nas condições físicas em que se encontra consideraria uma má contratação.

Outra posição onde mais se tem sentido a falta de reforços é a de lateral direito. André Almeida tem sido dono e senhor do lugar, apesar das muitas limitações que apresenta. Um jogador consistente, esforçado, influente e que sente o símbolo que carrega ao peito. Contudo não tem a qualidade de outros que por lá passaram – Maxi e Semedo por exemplo – nem dos restantes titulares. Com o término do contracto de Corchia, as únicas alternativas são o nigeriano Ebuehi e o jovem João Ferreira. O miúdo não deverá ser aposta para esta época e Ebuehi é uma incógnita, principalmente porque esteve um ano parado devido a lesão.

Tudo indica que o SL Benfica irá começar a presente época com a lateral direita entregue novamente a Almeida, trabalhando ao mesmo tempo Ebuehi para poder disputar essa posição com o avançar da temporada. Tal como a posição de guarda-redes, esta seria uma posição a reforçar com a maior urgência.

“O guarda-redes greco-germânico parte em vantagem depois de uma época como titular abrilhantada com algumas excelentes exibições”
Fonte: SL Benfica

Já a lateral esquerda encontra-se bem entregue a Grimaldo. O espanhol é o craque daquele corredor e tudo indica que voltará a ficar na Luz esta época. Com a saída de Yuri Ribeiro, a única alternativa será o jovem Nuno Tavares. Apesar de se ter falado em possíveis reforços para esta posição – Mário Rui à cabeça – parece-me que a dupla Grimaldo/Tavares corresponde às necessidades de um grande SL Benfica.

O eixo central da defesa também tem dado que falar neste defeso. De momento, Bruno Lage conta com a dupla que fechou a época passada como titular – Rubén Dias e Ferro –com o recuperado Jardel e o renascido Conti. A meu ver, a dupla Rubén/Ferro é uma aposta certeira. São dois jogadores com qualidades complementares e já rotinados. Um mais aguerrido, posicional, forte e líder. O outro mais jogador, mais leitura e inteligência. Com Jardel e Conti a dar cobertura, esta é uma posição que não preocupa. Contudo estamos a falar da dupla de centrais de um clube que se quer afirmar na Europa, mais concretamente na Liga dos Campeões.

Veria com muito bons olhos um central mais evoluído para o lugar deixado por Luisão e hoje ocupado por Rubén Dias. Dos possíveis reforços que se têm falado todos me parecem mais pensados para substituir Ferro. Os últimos nomes referenciados foram os de Morato e Gonçalo Cardoso. Dois jogadores de 18 anos e que nunca poderiam ser uma afirmação no SL Benfica já esta época.

O meio-campo foi o sector mais transformado por Bruno Lage. Não só abdicou do trio de médios com um vértice defensivo em prol de uma dupla a actuar lado a lado, como recuperou dois jogadores do esquecimento para a titularidade – Samaris e Gabriel, não esquecendo a promoção de Florentino ao plantel e ao 11 titular. Com Samaris e Gabriel, uma opção de um médio de recuperação como é Florentino e outra de um médio de transporte como é Gedson, não vejo grandes necessidades de reforçar este sector do terreno. Krovinovic já saiu e Fejsa deverá seguir o mesmo caminho, pois não se integra num meio-campo construído a dois. Para esta posição também têm treinado com o plantel principal o jovem talentoso David Tavares, mas ainda longe de poder competir para já por um lugar nos convocados.

Não se tem falado em reforços para esta posição e a acontecer deveria somente investir-se num médio capaz de se superiorizar a Samaris.

No carrossel de Bruno Lage os extremos confundem-se com os pontas de lança. Mesmo assim, é possível distinguir quem partirá mais da ala e quem se fixará mais pelo centro de ataque.

Nas alas de Lage há uma dicotomia rasgo/construção, banhada em criatividade dos pés à cabeça. Na direita surge o jogador mais temporizador e à esquerda o mais acelerador.
Bruno Lage já não conta com Salvio. Apesar de toda a sua qualidade, há já algum tempo que o argentino tinha sido ultrapassado pelos seus concorrentes. A sua saída também faz sentido neste contexto posicional do jogador de rasgo mais à esquerda. À disposição de Lage estão portanto Pizzi, Chiquinho, Tiago Dantas, Zivkovic, Taarabt, Rafa, Caio Lucas, Cervi e Jota. Uma enormidade de opções e qualidade.

A direita será do cérebro de Pizzi enquanto a esquerda parece estar dividida entre o rasgo de Rafa e o de Caio Lucas. O brasileiro é um poço de talento mas ainda não estou convencido que tenha uma maturidade de jogo suficiente para ser titular do SL Benfica – consistência, leitura de jogo e timing de passe. Por agora coloco as minhas cartas em Rafa. Para a esquerda há também o rasgo menos brilhante de Cervi. O argentino surge como um excedentário no plantel encarnado. Na direita os suplentes naturais de Pizzi são Chiquinho e Zivkovic. Se deposito imensas expectativas no português, já o rendimento do sérvio tem sido uma desilusão. Tem talento para mais. Tal como Cervi, Zivkovic deverá estar na porta de saída. Às quatro principais opções já referidas é importante juntar a juventude e versatilidade de Jota, o talento e versatilidade de Taarabt e ainda o talento e potencial do miúdo Dantas. Este último terá um futuro brilhante mas deverá continuar o seu crescimento na equipa B. Já Taarabt e o Jota são jokers fantásticos que acrescentam dinâmica, criatividade e poder ofensivo ao ataque encarnado. É este o tipo de profundidade e qualidade que criam um ataque de nível mundial.

Tiago Dantas “terá um futuro brilhante, mas deverá continuar o seu crescimento na equipa B”
Fonte: SL Benfica

Falamos de seis opções para as alas onde três delas – Chiquinho, Taarabt e Jota – irão certamente actuar também enquanto segundo avançado.

Apesar de vários nomes já referenciados como reforços para as alas encarnadas, estou convicto que esta é uma posição que não precisa de qualquer contractação. Os 17 milhões por Pedro Neto não farão qualquer sentido.

Recentemente tem-se falado na possibilidade de Brekalo. O extremo croata tem muita qualidade, é um jogador tecnicista que joga de cabeça levantada e numa constante procura do jogo colectivo. Acho-o superior a Caio Lucas por exemplo.

Por fim, a posição de avançado. Com Bruno Lage, o SL Benfica retomou um sistema com dois avançados, tipicamente com um mais móvel e outro mais de área. A dinâmica lagiana torna-se interessante por permitir que o ponta de lança saia da sua posição abrindo espaço entre os centrais tanto para o avançado móvel como para os extremos aparecerem de frente em zonas de finalização. Jonas e João Félix eram as estrelas na posição de segundo avançado. Dois craques, um a caminho do Olimpo e outro no restrito mundo dos génios. Substituir o brilho que estes dois davam ao centro do ataque encarnado será um dos grandes desafios deste plantel. Como já referi, Jota, Taarabt e Chiquinho aparecem como excelentes opções para o lugar.

Como pontas de lança, o plantel conta com o “Bola de Prata” Seferovic e os recém contratados Raul de Tomas, Cádiz e Carlos Vinicius. São quatro jogadores para uma posição. Contudo, a mobilidade e inteligência de jogadores como o suíço e o espanhol permite que possam actuar juntos no centro do terreno. Seferovic e o RDT seriam as minhas opções para a luta de um lugar no 11, sendo que até poderiam coabitar. Secundados pelo Cádiz, um ponta de lança mais vertical, o ataque estaria fechado. Juntando o recém-chegado Vinicius – bom jogador, um avançado com boa capacidade de finalização, presença na área, potência e bom toque de bola – parece já haver excesso de jogadores nesta posição, o que torna totalmente dispensável a contratação de Schettine ao Santa Clara.

Em jeito de conclusão diria que o SL Benfica deverá ser mais activo na procura de um guarda-redes e de um defesa direito, podendo também estar atento à possibilidade de contractar um excelente central para comandar a sua defesa. Dos nomes actualmente falados nenhum entusiasma especialmente. Perin é um guarda-redes interessante mas não nas condições físicas em que se encontra. Brekalo é um extremo de qualidade mas numa posição onde o seu espaço está já muito bem ocupado.

Nota: Já se falou no nome de Lo Celso mas parece-me só um delírio. O médio internacional argentino está avaliado em 50 milhões de euros, o Bétis pede 75 e já recusou uma proposta de 68. A disputa pelo jogador é neste momento feita entre o Tottenham e o Bayern, entre a Premier League e um colosso Europeu.

Foto de Capa: SL Benfica