É certo que não foi nenhuma guerra, mas a primeira vitória do Benfica em território turco exigiu suor, dedicação, e um futebol com qualidade. Esse mesmo que indubitavelmente não existia ao comando de Rui Vitória, e neste momento estaríamos um pouco mais longe da próxima fase da Liga Europa, não fosse o “general” Bruno Lage a meter a rapaziada a jogar à bola.
Literalmente “rapaziada”, meus caros, se tivermos em conta o facto de estarem presentes no 11 titular do Benfica seis jogadores da formação, todos com menos de 22 anos (sendo Yuri Ribeiro o mais velho). É praticamente metade da equipa! Foi então a primeira vitória na Turquia, algo que já atribui algum mérito a Bruno Lage, mas, não só vencemos, como utilizámos uma equipa cheia de jovens promessas. João Félix, Gedson Fernandes, Florentino Luís, Yuri Ribeiro, Rúben Dias, e Ferro.
É admirável a aposta na formação que o Sport Lisboa e Benfica tem priorizado nestes últimos anos. Isto não é apenas muito bom para um clube português, no qual a grande fonte de receitas vem na produção de craques que mais tarde vão para o estrangeiro e são utilizados nas respetivas seleções, mas isto engrandece o futebol português no seu todo. É a prova dada de que em Portugal existem grandes academias de futebol, e muito provavelmente jovens futebolistas de todo o mundo olham para o nosso país como uma oportunidade de melhorarem e aprenderem, e posteriormente serem lançados no futebol europeu e internacional.
Para além dos jovens jogadores formados no Benfica, estavam no 11 titular Seferovic e Salvio, os dois autores dos golos, mais Cervi, Corchia e Vlachodimos.
Haris Seferovic e Salvio foram os dois marcadores na vitória por 1-2 ao Galatasaray Fonte: SL Benfica
O Benfica está com uma boa vantagem para a segunda mão da eliminatória, e a um pequeno passo de seguir em frente na Liga Europa, visto que agora vamos jogar em casa. Não que isto implique complacência por parte dos jogadores: eles vão ter de jogar como se fosse mais uma final, como todos os jogos, mas obviamente já temos uma certa vantagem.
Se utilizamos ou não o mesmo 11 titular não é relevante. Com o primeiro jogo, Bruno Lage já provou que há futebol de qualidade no Benfica e sempre houve, faltava era alguém que o soubesse encaixar. Assim, quem vai jogar provavelmente não dita se o Benfica vai fazer um bom jogo ou não, até porque já houve alguma rotação nos 11s com Bruno Lage, e temos feito sempre boas exibições.
Neste momento, só peço que seguremos a passagem à próxima fase. Previsões para o resto da Liga Europa? Ainda há muitos jogos pela frente se o Benfica mantiver a boa forma que encontrou com o novo treinador. Existem, de facto, algumas equipas que se podem revelar algo difíceis de ultrapassar, mas, com as boas performances e talvez com um pouco de sorte, Bruno Lage pode levar o Sport Lisboa e Benfica longe na competição europeia. Merecemos isso, até porque no passado recente tivemos muitas desilusões no palco europeu.
Magia – Produção de atos extraordinários e sobrenaturais. [Figurado] Encanto; fascinação.
Os seus praticantes encantam-nos, seduzem-nos, iludem-nos com os seus truques e fazem-nos sonhar, levando-nos por vezes a acreditar no impossível. Diria que no futebol, onde a emoção palpita nos relvados, não é diferente. Esses predestinados, donos dessa magia, reúnem-na nos seus pés e espalham-na pelos relvados, sem qualquer pudor ou misericórdia.
Ah, os acarinhados “magos”. Aqueles que mais nos fascinam e que a cada toque na bola nos recordam o motivo desta ter sido a nossa primeira grande paixão. Aqueles seres semi-divinos que todos nós procurávamos emular no duro asfalto da rua ou no recreio repleto da escola. Aqueles futebolistas extraordinários que dão vontade de aplaudir porque “valem o preço do bilhete”. Aqueles que, por tudo isto, eram eternizados no lugar mais especial que nos ocorria: retratados num póster colado na parede do nosso quarto. São também aqueles dos quais sentimos mais falta.
Podiam não ser os que mais golos acumulavam ou os que mais títulos alçavam aos céus, porém tudo o que faziam no relvado tinha uma outra magia. É verdade que os golos e os títulos se eternizam mais facilmente, mas estes jogadores também. O motivo talvez seja o mesmo: o sentimento que ambos provocam em nós, essa espécie de magia inexplicável.
A sua postura é distinta, transpiram elegância e até a forma como acarinham a bola antes de uma bola parada… Enfim, um perfume especial que só eles desprendem. No entanto, o sol não brilha incessantemente lá no alto, especialmente no repentino mundo do futebol. Umas vezes venerados e elevados ao mais alto olimpo futebolístico, noutras perpetuam-se como génios incompreendidos. Ninguém lhes ousa negar o bom trato à redondinha mas isso é muitas vezes varrido para debaixo da relva ou porque “não têm intensidade”, “são lentos” ou “correm pouco”, como se diz por aí.
No dicionário futebolístico, estes fantásticos seres são os denominados «dez», cujo papel é ligar o meio campo ao ataque (se possível com uma pegajosa fantasia, dizemos nós). Indivíduos que suportam esse número tão adorado, dois dígitos que representam o expoente máximo de algo, a pontuação mais alta, a perfeição e, por isso, o objeto de maior desejo. Será uma coincidência?
Suponho eu que, ao longo desta introdução, são vários os nomes que já lhe invadiram a mente, caro leitor. Diferentes jogadores, de várias gerações e nacionalidades, uns mais e outros menos próximos das suas cores clubísticas, mas todos eles se encontram nesse lugar comum: a magia.
Nestes dias, com a notícia da sua transferência (que receção em Barranquilla!) aliada à pertinência da eliminatória entre o Sporting CP e o Villareal CF, é somente um o nome que me faz esboçar um sorriso saudoso: Matías Ariel Fernández, “el crá” chileno. Um executante diferente dos demais, cujo nome acaba inclusive em “dez” (outra coincidência?). Porém, até nisso o chileno é diferente, Mati é o «dez» que vestia a “14”.
Aos 32 anos, foi e é ainda magia. Agora, deixa o México e junta-se ao Junior Barranquilla, formação colombiana onde irá continuar a escrever os últimos atos deste espetáculo que tem sido a sua carreira. Pelo que prometeu nos seus inícios no Colo Colo, suspira-se ainda por uma carreira superior que nunca atingiu. Contudo, Matigol conseguiu vestir as camisolas de Villareal CF, Sporting CP, ACF Fiorentina, AC Milan e posteriormente a de alguns clubes sul-americanos.
Por cá, em Alvalade, o encanto e fascinação com que nos presenteou sabem já a nostalgia. Matías é um protagonista no nosso teatro íntimo e, pessoalmente, será sempre um dos futebolistas que perdurará na minha memória. Mergulhados nela, há um parágrafo na prosa que exalta a história do Sporting CP que tem muito de Matías. Liga Europa: Sporting CP vs Manchester City. Escusado será dizer mais alguma coisa, na nossa mente os seus memoráveis lances já se repetem vezes sem conta. Este seria o caminho mais fácil, mas Matías é muito mais do que isso.
Foi um dos principais obreiros numa das mais memoráveis eliminatórias europeias do Sporting CP Fonte: UEFA
A 15 de Maio de 1986 nasce em Buenos Aires, Argentina, mas desde cedo preferiu representar “La Roja” da América Latina (internacional por 74 vezes, somando 14 golos, 15 assistências e presença no Mundial de 2010). Também desde cedo, teve uma relação estreita com a bola, incrivelmente mais estreita que o próprio território chileno, diria.
Matías sempre transpareceu ser um rapaz humilde e acanhado fora dos relvados, mas quando contactava com a bola atraía a si todas as atenções. Ainda assim, as características tão sul-americanas de jogador da bola estão todas presentes no criativo chileno. Desde a arrogância e irreverência, passando pelo atrevimento e uma certa malandrice também, tudo aquando em posse de uma bola, claro.
No entanto, a tudo isto, Mati misturava-lhe a calma e a tranquilidade que também o caracterizam. O resultado desta mescla antitética? Um jogador com sangue latino, sim, mas morninho, alguém que só cerrava os dentes para sorrir; um rebelde silencioso ou um bom malandro, daqueles que nos arrancam sorrisos depois das suas traquinices; alguém com um descaramento tão educado, que só lhe falta pedir desculpa aos adversários depois das suas malévolas habilidades. Sim, Matías Fernández é diferente dos demais.
Quem pode esquecer-se do seu frágil figurino, de pernas arqueadas e desajeitadas, cabelo desarrumado e de sinal no canto da boca? Eis o menino bonito do Chile, pertencente à casta dos “últimos dez”, uma espécie em vias de extinção, vítimas do futebol moderno, talvez.
A prova ciclista portuguesa mais bem cotada a nível internacional sai hoje para a estrada e, mas uma vez, com um pelotão de luxo. Estes são cinco atletas a quem vais querer tomar atenção.
Toda a gente, muito de vez em quando, dá por si a remexer nas gavetas e armários de casa onde se guarda a famosa “tralha”. Desde álbuns de fotografias a brinquedos, passando por testes de Geografia de 9º ano, diplomas de participação no corta-mato da escola e as inevitáveis cadernetas da Panini, quase sempre incompletas. Para quem é apaixonado pelo Futebol e por toda a cultura futebolística, é um enorme prazer poder folhear novamente as páginas da caderneta do Mundial 2006 e ver o cromo do Del Piero mal colado ou um tal Anthony Wolfe da Trinidad e Tobago com o espaço destinado ao seu cromo vazio.
Estas lembranças transportam-nos de tal forma no tempo que não só nos apercebemos de que estamos, realmente, a ficar velhos, como sentimos uma necessidade tremenda de continuar esta visita ao passado, nem que isso obrigue a deixar a casa em pantanas. Outra possibilidade, para quem consome grandes quantidades de Futebol (e não só), é passar algumas horas a ver a por vezes esquecida RTP Memória. A preto e branco ou já a cores, lá estão 22 a correr atrás de uma bola, com penteados bastante distintos dos de hoje, e com bigodes há muito perdidos nos barbeiros.
Qual não foi o meu espanto – e penso que da maioria de nós – quando, no passado sábado, vi no ecrã do meu telemóvel, na aplicação Meus Resultados, um nome que parecia estar perdido numa das tais gavetas e armários: Claudio Pizarro. O avançado peruano acabara de fazer o 1-1 em Berlim, no Hertha BSC-SV Werder Bremen.
O que tem este golo de especial?
Claudio Pizarro é o mais velho de sempre a marcar na Bundesliga (40 anos, quatro meses e 13 dias) Fonte: SV Werder Bremen
Um golo aos 90+6’, de livre direto, que evita uma derrota fora de portas, pode sempre ser considerado especial. A tensão do jogador antes de partir para a conversão, o silêncio que invade as bancadas, os gritos do guarda-redes para a barreira e o esférico a levar a direção certa são tudo fatores que eternizam um momento. Aquilo a que se assistiu na 22ª jornada da Bundesliga foi isto, mas revestido com uma outra camada de espetacularidade: era uma lenda do jogo que o fazia.
Em 1996, no já extinto Deportivo Pesquero, do Perú, um jovem de 17 anos chamado Claudio Miguel Pizarro Bosio fazia a sua estreia no Futebol sénior. Depois de duas temporadas a um bom nível, o peruano transferia-se para o Alianza Lima, o palco onde despertou a atenção dos olheiros europeus. E, em 1999, acabaria mesmo por embarcar na sua primeira aventura europeia, ao ser contratado pelo Werder Bremen por 1,5 milhões de euros.
Em Bremen, na sua primeira época na Alemanha, foi eleito o jogador revelação da liga e foi pela primeira vez convocado para a seleção peruana. Os holofotes estavam no Bombardero de los Andes, como ficou conhecido, e o interesse do FC Bayern Munique acabou por resultar na transferência de Pizarro para o gigante da Baviera.
Claudio Pizarro marcou o seu primeiro golo na Alemanha em 1999 Fonte: Bundesliga
No Bayern, chegou aos 100 golos na Bundesliga, sendo até 2007 um dos elementos mais importantes do conjunto alemão. Contudo, era altura de o peruano procurar novos desafios, pelo que assinou pelo Chelsea FC de José Mourinho. Em Londres, Pizarro teve uma das suas piores épocas a nível de golos, tendo sido considerado uma das dez piores contratações da Premier League desse ano. Com o rótulo de “flop” e a precisar de encontrar de novo o faro para o golo que lhe era caraterístico, Pizarro foi emprestado a uma casa onde já fora feliz: o Werder Bremen.
O regresso de Pizagol ao Werder foi de tal forma determinante, que os alemães atingiram a final da Taça UEFA, que acabaram por perder por 2-1 frente ao Shakhtar Donetsk. Após ficar três temporadas a título definitivo nos verdes e brancos, o avançado peruano, já com 33 anos, voltou a Munique, mas percebia-se que esta nova passagem pelo Bayern não seria igual à primeira.
Claudio Pizarro após a conquista da Bundesliga 2014/2015 Fonte: Bundesliga
Depois de três anos como suplente dos bávaros, seguidos de dois meses como jogador livre, Pizarro juntou-se por uma terceira vez ao Werder Bremen, em 2015. Quando já não se esperavam tantos golos do Bombardero, este foi capaz de alcançar 14 tentos em 28 partidas no seu regresso ao emblema do noroeste alemão.
No entanto, a chegada dos jovens Kruse e Gnabry a Bremen representou aquele que parecia o último adeus de Pizarro ao Werder: no dia 3 de julho de 2017, com 38 anos, deixava para trás o legado de melhor marcador estrangeiro da Bundesliga, com 191 golos em 430 desafios. No dia 29 de setembro desse ano, o veterano Claudio Pizarro assinava pelo FC Colónia, marcando um golo em 16 jogos pelos bodes.
Se há histórias fantásticas que por vezes estão escondidas em livros poeirentos, algures numa gaveta ou armário, a história de Pizarro encarregou-se de contrariar esta ideia. No dia 29 de julho de 2018, o ponta de lança dos Andes assinou pelo Werder Bremen pela quarta vez na carreira, e na chegada ao clube germânico afirmou querer terminar onde tinha começado a sua viagem pela Europa, 19 anos antes.
E voltamos ao passado sábado, e a um golo que marca um percurso tão bonito como o de Pizarro. 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018 e 2019: 21 anos consecutivos a furar as redes na Alemanha; a 21ª vez com mais de 40 anos; 195 golos em 463 encontros na Bundesliga.
Nesta quarta passagem pelo Werder, o ponta-de-lança peruano usa um número pouco comum para a posição: o ‘4’ Fonte: Bundesliga
Não sei se em 2020 não estarei a escrever um novo texto sobre o peruano e sobre o hat-trick que fez na Bundesliga aos 41 anos. Sei, porém, que Claudio Pizarro tem o dom de ir contra o tempo e que é um privilegiado que não perde tempo com gavetas e armários. Porque o tempo decidiu parar para não deixar de o ver jogar.
Muitos jovens talentos do futebol português começam a carreira por baixo, começando a ganhar experiência nas divisões não profissionais antes de darem o salto. Bernardo Martins foi um desses casos. Natural do Porto, seria no principal clube da cidade que Bernardo daria os primeiros passos no futebol. Em 2011 seria transferido para o FC Foz, clube onde permaneceria até 2015, com uma breve passagem pelo Rio Ave FC pelo meio. Na temporada 2015/2016, no seu último ano de júnior, rumaria ao Leixões SC, onde concluiu a sua formação.
Bernardo Martins estrear-se-ia pela equipa principal leixonense na temporada 2016/2017, na qual ainda seria emprestado ao FC Pedras Rubras. Na temporada seguinte, foi novamente emprestado, desta vez ao CD Trofense, onde realizou 26 jogos e marcou três golos.
Nesta temporada teve finalmente lugar na equipa de Matosinhos, onde sobressaiu de tal forma que levou o SL Benfica a avançar para a sua contratação no mercado de Inverno. Ao serviço da equipa B dos encarnados, já disputou três jogos, o último dos quais como titular na Póvoa do Varzim.
Bernardo Martins assinou contrato com o Benfica por quatro anos e meio Fonte: SL Benfica
Podendo jogar a nº 10 ou como médio interior desviado para a esquerda, Bernardo Martins trata-se de um jogador bastante talentoso. Dono de um toque de bola primoroso, é daqueles médios que faz a sua equipa jogar. Com qualidade no passe (curto e longo) e na definição dos lances, joga de cabeça levantada de modo a procurar a melhor solução para a equipa. Bernardo Martins é um jogador diferenciador, que terá em Renato Paiva, um treinador capaz de explorar as suas potencialidades.
Com 21 anos feitos em Dezembro, Bernardo Martins continuará a dar seguimento, à sua evolução na Segunda Liga, onde certamente irá continuar a projectar-se de modo a que no curto/médio prazo dê o salto para o escalão máximo do futebol português. Bernardo Martins tem talento e muita capacidade. Com cabeça, dedicação e profissionalismo, terá tudo para singrar em patamares mais elevados àquele em que se encontra actualmente.
Em primeiro lugar, acho relevante revelar que sou um sportinguista completamente irracional que ao mínimo ponto perdido enfurece, sendo transportado imediatamente para um mundo à parte, rodeado pelos meus devaneios clubísticos, numa disforia e angústia que só se curam com uma vitória no jogo seguinte.
Ser sportinguista não é, de todo, fácil. O “clube do quase” acarreta consigo uma maldição desde o início dos anos 80 porque vejamos: foi campeão em 1982, depois em 2000 e 2002. Ou seja, o interregno perfez 18 anos (de 1982 a 2000) e mais 16 (de 2002 a 2018). No somatório, em 36 anos, o clube pelo qual eu nutro uma paixão infindável foi campeão 3 vezes, somente.
Pior do que isto, só a “vasta e conhecida gama de argumentos” que os adeptos dos clubes rivais utilizam para atacar, pôr de parte e envergonhar o Sporting Clube de Portugal. Decorrida a normal conversa de “futebol de café”, um adepto leonino intervém, opinando sobre o tema em debate e, rapidamente, a conversa ganha novo rumo, sendo a frase que o incendeia a seguinte: “Ah, mas o Sporting não ganha um título há quanto tempo?”: se vos disser que já ouvi mais de 200 vezes este conjunto de 11 palavras, por favor, não fiquem perplexos. Esta recriminação disfarçada de argumento é, sobretudo, pueril e frívola no conteúdo e na forma por nada comprovar e que, a todo o momento, revolta o mundo sportinguista.
Claro está que o principal alimento dos clubes, o pão da Última Ceia, são os títulos futebolísticos conquistados, facto que confere fama e prestígio nacional e internacional. Contudo, a Terra não descreve a sua órbita em torno do Sol, descreve-a em torno do futebol: Título de andebol? Primazia ao futebol; Título de futsal? Primazia ao futebol; Título de hóquei? Primazia ao futebol. Mas qual primazia? Como as mentalidades antiquadamente retrógradas (desculpem o pleonasmo) apontam e cingem as energias no sentido do futebol, o foco está aí localizado.
O ano de 2018 mostrou-se repleto de sucessos nas diversas modalidades do clube, campeões em quatro bem conhecidas (hóquei, andebol, voleibol e futsal). Bruno de Carvalho era, certamente, considerado o Dâmaso Salcede* do futebol português, mas, quando afirmava vivamente, edificando e solidificando o ecletismo do Sporting Clube de Portugal, não se enganou.
(*para os mais distraídos, Dâmaso Salcede era uma personagens de Os Maias, poço e súmula de defeitos.)
Armada verde e branca num dos inúmeros cânticos entoados em Alvalade Fonte: Sporting CP
Por outro lado, maio do ano transato foi considerado como “um dos períodos mais negros e obscuros do futebol” sendo, sem margem para dúvida, a página mais triste e vergonhosa do clube. Alcochete foi palco de atos bárbaros e hediondos, praticados contra atletas leoninos, vítimas de fanatismo, obsessão e loucura desmedida por parte de “pessoas” que centram os seus princípios na irracionalidade e no terrorismo. Creio que nenhum adepto verdadeiro e consciente, independentemente da cor clubística, seja capaz de corroborar ou, até mesmo, ser paladino de vil manobra. A partir do desastre, considero que se dissipou uma parte do Sporting, como que enterrada a elevadas profundidades onde o pó, ao elevar-se, estivesse prontamente a pedir socorro aos céus.
Além de tudo isto, a referência aos adeptos adquire um caráter obrigatório. O exército, ilustrado em tons de verde, é perentório na salvaguarda e refúgio dos soldados que honram e dignificam o símbolo que envergam, acolhendo-os sob a lealdade de uma voz congregada num uníssono arrepiante. A sumptuosidade do batalhão leonino é comprovada independentemente da masmorra em que esteja situado, arrebatando o ambiente prisional, combatendo ventos e sinuosas tempestades que, eventualmente, possam surgir.
Embora muito complexa e tida como uma encruzilhada, a definição de amor surge e emerge aqui mesmo: a anormalidade (im)percetível e tresloucada de milhões de adeptos, incluindo estrangeiros, que, a todo e qualquer momento, se declaram ao clube que aprenderam a amar, com apoio massivo dentro e fora de portas ao leme de pavorosos cânticos, letais e profícuos na conquista do opositor. O desassossego inteira-se da minha alma e a agitação surge altiva acompanhada pelo júbilo aquando da exaltação de um povo que merece a devida distinção, não reconhecida por outros, numa obstinação doentia e obsoleta.
O protagonismo advém do esforço, da rouquidão das gargantas e do espetáculo a que assistimos com alguma frequência. O mérito é dos melhores adeptos do mundo!
Danilo Pereira é uma peça fundamental no esquema tático de Sérgio Conceição, mas as duas ultimas épocas não tem sido fáceis para o internacional português. Varias lesões já o afastaram de 27 jogos nas duas últimas épocas.
No habitual 4-4-2 clássico de Sérgio Conceição, os dois médios são obrigados a percorrer muitos quilómetros, a jogar numa altíssima intensidade sendo autênticos “box-to-box” e Danilo é o pêndulo da equipa. É fortíssimo no jogo aéreo, poderoso nos duelos individuais e consegue com facilidade equilibrar a equipa na transição defensiva.
É verdade que Sérgio Conceição fez autênticos milagres quando Danilo esteve ausente. Conseguiu transformar o talentoso Sérgio Oliveira num jogador intenso, com agressividade algo que faltava no seu jogo porque, qualidade técnica sempre a teve, e formou com Herrera uma dupla fantástica na época transata. O seu empréstimo esta época é algo inexplicável e que jeito daria agora Sérgio Oliveira nesta fase crucial da época.
Danilo é um líder dentro e fora do campo Fonte: FC Porto
Óliver tem respondido muito bem e também conseguiu acrescentar mais intensidade ao seu jogo e, por isso, neste momento é a opção mais lógica para fazer dupla com Herrera na ausência de Danilo. Penso que em muitos jogos, e com a “razia” que o ataque portista tem sofrido, optar pelo 4-3-3 era uma excelente opção.
Não podemos esquecer que recentemente o FC Porto contratou Mamadou Loum, pelos “impressionantes” 7,5 milhões de euros, que ainda não se estreou. Talvez a debilidade física de Danilo seja a oportunidade para o senegalês mostrar o seu valor.
A recente lesão de Danilo não parece ser grave mas as constantes recaídas e paragens fazem com que o internacional português ainda não tenha atingido o seu melhor rendimento esta época. Esperemos que recupere rapidamente porque a fase das decisões aproxima-se a passos largos.
A participação nos oitavos de final da Liga dos Campeões do FC Barcelona não começou bem. No terreno do terceiro classificado da Ligue 1, os blaugrana desperdiçaram imensas oportunidades e deixaram a eliminatória em aberto na segunda mão, com o Olympique Lyonnais a saber que se marcar no Camp Nou, terá uma vantagem preciosa para seguir em frente.
O jogo começou animado, tal como a atmosfera nas bancadas, com Barcelona e Lyon de mira apontada às balizas. Porém, enquanto as jogadas construídas pelos blaugrana não eram finalizadas da melhor maneira, os remates dos franceses encontraram a oposição de um inspirado Ter Stegen, a fechar a baliza com duas excelentes defesas ainda nos primeiros dez minutos.
Com o perigo criado pelo Olympique Lyon, o FC Barcelona colocou-se em sentido e procurou responder à altura. Contudo, o ataque catalão estava com a pontaria desafinada durante o primeiro tempo, com Messi e Dembelé a não aproveitarem várias oportunidades para abrir o marcador, enquanto Suárez parecia desaparecido do encontro.
Sob pressão dos blaugrana, a solução do Lyon passava pelo contra-ataque a fim de tentar surpreender a linha defensiva subida do Barcelona, mas a partir dos primeiros dez minutos que pouco perigo conseguiu criar, apesar das tentativas de Memphis Depay – em bom plano a substituir o suspenso Fékir – em mexer com o jogo ofensivo do Lyon.
Fonte: UEFA
Com a fraca pontaria catalã e as dificuldades em chegar à área adversária dos franceses, o nulo parecia certo ao intervalo, mas ainda houve uma ocasião para cada equipa desbloquear o empate. Primeiro, numa boa jogada do Lyon, que acabou com Terrier a atirar para a bancada; depois, Busquets apanhou uma bola perdida à entrada da área, mas o remate saiu ao lado da baliza de Anthony Lopes.
Na segunda parte, pedia-se mais ao homens de Ernesto Valverde. No entanto, ofensivamente o FC Barcelona continuava irreconhecível com as dificuldades em visar a baliza de Anthony Lopes. Já o Olympique Lyon manteve a estratégia do contra-ataque, com Depay a ser o criativo dos locais, mas sem conseguir incomodar Ter Stegen.
Com o nulo a começar a satisfazer Bruno Génésio, o técnico do Lyon lançou Tousart e Pape Cheikh para fechar os caminhos da baliza, enquanto Maxwell Cornet entrou para dar velocidade no contra-golpe. Já Valverde apostou em Coutinho e Vidal, este já perto do fim, mas nem assim os blaugrana ficaram mais frios na hora de finalizar.
Os locais defenderam o empate com unhas e dentes, fechando os caminhos para a baliza com os onze jogadores próximos da grande área. O FC Barcelona raramente conseguiu o espaço para visar a baliza, mas quando conseguiu, os remates esbarraram num inspirado Anthony Lopes, que fez duas grandes defesas e foi assertivo na saída dos postes.
No final, ninguém quebrou o nulo e a eliminatória vai em aberto para o Camp Nou, com o FC Barcelona a ter de culpar-se a si mesmo por não voltar à Catalunha com uma vitória.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES
Lyon: A. Lopes, L. Dubois, Marcelo, J. Denayer, F. Mendy, T. N’Dombélé (P. Cheikh, 84’), H. Aouar, B. Traoré (L. Tousart, 69’), M. Depay, M. Terrier (M. Cornet, 75’), M. Dembélé.
FC Barcelona: M. Ter Stegen, N. Semedo, C. Lenglet, G. Piqué, J. Alba, S. Busquets, S. Roberto (A. Vidal, 81’), I. Rakitic, L. Messi, O. Dembélé (P. Coutinho, 67’), L. Suárez.
Liverpool FC e Bayern Munique não conseguiram desfazer o nulo no marcador na primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Em Anfield Road, perspetivava-se um grande jogo de Futebol, contudo, os dois conjuntos não mostraram grande imaginação para alcançar uma boa vantagem para a segunda mão.
Quanto às opções iniciais, Jurgen Klopp foi obrigado a formar uma dupla central diferente do habitual, composta Joel Matip e Fabinho, devido à ausência de peso de Van Dijk – a cumprir castigo, depois de ter visto o terceiro cartão amarelo frente ao SSC Nápoles, ainda na fase de grupos. Nos visitantes, Niko Kovac deu a titularidade a Coman, que recuperou rapidamente da lesão sofrida na partida anterior para a Bundesliga.
Com um grande ambiente nas bancadas de Anfield Road, o início do jogo foi marcado pela boa entrada dos bávaros, que dispuseram das primeiras ocasiões de perigo: primeiro, Lewandowski (13’) viu Alisson a dar “o peito às balas” para impedir o golo inaugural, e, logo a seguir, o remate de Coman embateu nas malhas laterais.
Apesar das dificuldades em ter bola na primeira metade da primeira parte, o Liverpool conseguiu melhorar e estancou o poderio visitante até então. Os ingleses estiveram inclusive perto de marcar por intermédio de Salah, que recebeu um bom cruzamento, mas cabeceou para longe do poste da baliza de Neuer. A melhor ocasião pertenceu a Sadio Mané, ao minuto 33, que, à frente de Neuer, rematou torto e perdeu uma boa chance de faturar.
O intervalo chegou pouco tempo depois com um nulo no marcador, numa primeira parte em que o medo de arriscar dos dois lados veio ao de cima e o espetáculo foi um pouco pobre, face à grande expetativa para este embate antes do apito inicial. Esperava-se uma segunda parte mais aberta e com as duas equipas à procura de saltar para a frente na eliminatória.
Mané desperdiçou uma excelente oportunidade para fazer o 1-0, antes do intervalo Fonte: UEFA
No recomeço do encontro, foi-se assistindo ao mesmo filme do primeiro tempo, até que Gnabry tentou dar um rumo diferente à partida: ao minuto 59, o extremo francês, à entrada da área, atirou por cima da barra da baliza do Liverpool. Este lance podia ter dado vida a um jogo morno, mas foi um completo engano, já que as defesas iam conseguindo anular bem as pretensões dos atacantes.
Visto que tanto Bayern como Liverpool estavam a ter dificuldades em atacar a baliza adversária de forma organizada, os dois treinadores fizeram alterações para conseguir dar um “abanão” no jogo, mas isso só ocorreu nos últimos cinco minutos, e novamente por Mané, que respondeu a um cruzamento do lado esquerdo e cabeceou para o canto inferior esquerdo da baliza de Neuer. O guardião foi obrigado a aplicar-se para manter o nulo. Destaque ainda para a entrada de Renato Sanches perto do final.
O árbitro deu por encerrado um jogo monótono que defraudou as expetativas dos amantes do futebol espetáculo, característico da liga milionária. O nulo deixa assim tudo em aberto para a partida no Allianz Arena, a 13 de março.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES
Liverpool FC: Alisson Becker; Alexander-Arnold; Joel Matip; Fabinho; Andy Robertson; Wijnaldum; Jordan Henderson; Naby Keita (James Milner 76’); Sadio Mané; Mohamed Salah; Roberto Firmino (Divock Origi 76’)
FC Bayern München: Manuel Neuer; David Alaba; Mats Hummels; Niklas Sule; Joshua Kimmich; Javi Martínez; Thiago Alcântara; James Rodríguez (Renato Sanches 88’); Sèrge Gnabry (Rafinha 90+1’); Kingsley Coman (Franck Ribery 81’); Robert Lewandowski
Bruno Paz é um médio defensivo, formado na Academia de Alcochete, que renovou recentemente contrato com o Sporting Clube de Portugal. O jovem leão prolongou o seu vínculo ao clube até 2023, com uma cláusula de rescisão fixada nos 45 M€.
O médio leonino cumpre a sua oitava época ao serviço do Sporting Clube de Portugal, tendo passado anteriormente por clubes como o Vinhense, Barreirense e Belenenses. No seu trajeto na formação do Sporting, sagrou-se campeão nacional de juniores na época 2017/2018, sob a liderança de Tiago Fernandes.
O jovem médio já cumpriu o seu sonho de se estrear com a camisola da equipa principal, tendo sido lançado por Marcel Keizer a 13 de Dezembro de 2018, no jogo diante do Vorskla Poltava a contar para a fase de grupos da Liga Europa.
O Sporting tem em Thierry Correia, Miguel Luís, Bruno Paz, Abdu Conté e Diogo Sousa, jogadores nos quais se depositam esperanças de poderem brilhar na equipa principal Fonte: Sporting CP
No entanto, tem feito todo o seu trajeto entre a extinta equipa “B” onde realizou 31 jogos, no segundo escalão do futebol português e, esta temporada, tem estado ao serviço da equipa sub-23, sendo um dos capitães de equipa e onde já disputou 20 partidas.
Bruno Paz tem sido internacional, em praticamente todos os escalões da Seleção, desde os sub-15 até aos sub-20, contabilizando um total de 54 internacionalizações e um golo. Na sua caminhada como internacional, participou no Euro Sub-19 de 2017, que se realizou na Geórgia e onde Portugal foi vice-campeão, sendo derrotado pela Inglaterra na final.
Estamos perante um médio com qualidade, forte fisicamente, com boa qualidade técnica, forte nos duelos defensivos, com bom sentido de posicionamento e com boa meia-distância. Bruno Paz apesar de ser um médio defensivo de origem, pode ainda alinhar a lateral-direito ou médio-direito. Tendo em conta as características do jovem leão, poderá ser uma alternativa para o meio-campo leonino, que conta também com Nemanja Gudelj, Idrissa Doumbia e Rodrigo Battaglia. Sendo que, para já o médio tem vindo a treinar com alguma regularidade com a equipa principal.
Na reação à sua renovação de contrato, com o clube que o formou, disse: “Quero construir uma grande carreira aqui”. Assim possa, com Esforço, Dedicação e Devoção, ajudar o Sporting a conquistar a Glória. Tratando-se de um jovem com potencial, espera-se que possa evoluir e cimentar o seu lugar na equipa principal, contribuindo para várias vitórias e os desejados títulos.