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O Imperador de Roma

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Ainda em Agosto, com a temporada na sua fase mais embrionária, deixei neste espaço de opinião algumas linhas dedicadas a Adrián López. Na altura muitos torciam o nariz à sua permanência no plantel e, porventura, os mesmos que o faziam na altura, fazem-no também agora. Escrevi mais sobre o jogador habilidoso que vi jogar no Atlético de Madrid do que acerca do jogador apático que aterrou no Porto em 2014.

Dizia eu que, caso Sérgio Conceição conseguisse recuperar o jogador emocionalmente, este poderia dar coisas muito positivas à equipa. Não achei que fosse possível que chegasse a indiscutível, mas advoguei que lhe poderia estar destinado, esta época, um papel secundário no palco principal.

A verdade é que até ao jogo em Roma a única coisa que se pôde confirmar foi que existe uma vontade grande do treinador do FC Porto em reabilitar o espanhol. Não raras vezes tem sido chamado aos jogos (maioritariamente na condição de suplente utilizado), sem nunca ter tido, ainda assim, grande continuidade. De tudo o que Adrián tem feito em campo destacam-se apenas pormenores. Pormenores esses que confirmam não só que o jogador tem muita qualidade, mas também que há uma apatia gritante que o impede de se tornar numa verdadeira mais valia.

O avançado espanhol nunca impressionou pela velocidade ou fantasia, mas sempre demonstrou ser (até chegar a Portugal), um jogador requintado, inteligente na ocupação do espaço entre linhas, competente a jogar a um ou dois toques e em jogo associativo, e certeiro na finalização e na procura da profundidade. Em muitos dos pormenores que mencionei anteriormente se vê este Adrián que chegou a jogar uma final de Liga dos Campeões pelo Atlético de Madrid, no Estádio da Luz. No entanto, no rosto sempre fechado e cabisbaixo com que invariavelmente entra em campo se denota um constante desconforto nas suas ações.

Adrián foi aposta inicial de Sérgio Conceição no jogo frente ao Vitória FC e saiu debaixo de uma grande ovação
Fonte: FC Porto

A história errática de Adrián no FC Porto é já sobejamente conhecida. Contudo, no dia 12 de Fevereiro, em pleno Estádio Olímpico de Roma, conheceu o seu apogeu. Com a equipa em apuros e praticamente fora da Liga dos Campeões, foi um golo do avançado espanhol (que substituiu Brahimi no decorrer da partida), que recolocou a equipa na prova e que abriu uma última janela de oportunidade para os portistas seguirem para os quartos-de-final. Um golo importante numa finalização de classe. Classe essa que toda a gente reconhece a Adrián Lopez mas que o jogador teima em deixar escondida.

O golo e mais alguns pormenores (sempre eles), foram o suficiente para assegurar ao espanhol, por via de várias ausências por lesão, a titularidade no jogo frente ao Vitória FC. A exibição não foi a melhor, ainda que dificilmente pudesse ter sido frente a uma equipa que jogava com 10 jogadores atrás da linha da bola, mas trouxe um momento nunca antes visto. O Estádio do Dragão de pé a ovacionar Adrián López no momento da substituição. Um aplauso que comprova a importância do golo em Roma e confirma simbolicamente (e finalmente), as pazes entre jogador e bancada.

Assim, resta perceber se um novo capítulo se abrirá no percurso titubeante do jogador desde que chegou ao FC Porto e se este recupera, por fim, a alegria de jogar futebol que lhe tem faltado. Não se sabe se voltará a ser aposta inicial nos próximos jogos, mas com a recente vaga de lesões que tem assombrado o plantel, e mais concretamente os avançados, torna-se claro que oportunidades não irão faltar. Caberá a Adrián, o Imperador de Roma da Invicta, responder com boas exibições, muito para além dos já habituais (e insuficientes) pormenores de qualidade.

Foto de Capa: UEFA

artigo revisto por: Ana Ferreira

As promessas falhadas do Chelsea FC de Sarri

O Chelsea FC iniciou a sua campanha 2018/2019 com grande expectativa em Maurizio Sarri, o novo treinador do clube. O técnico italiano chegou a Londres após uma brilhante passagem pelo SSC Nápoles, onde chegou às bocas do mundo com um estilo de jogo reinventado que deliciava os adeptos e atingia resultados positivos.

Nos primeiros tempos no comando dos blues, esta tendência manteve-se e colocava-se o Chelsea num patamar de candidato a tudo.

Apesar do brilhantismo tático e do requinte do futebol produzido, o jogo de Sarri em Inglaterra atingiu o seu prazo de validade, o que teve consequências nos objetivos a que se propôs no início da temporada. A quebra de rendimento da equipa foi notória sobretudo pela impotência perante a capacidade dos adversários em contornar o estilo de jogo rápido e vertical promovido pelo italiano. Desta feita, assistimos a um Chelsea que por múltiplas vezes acabou por perder-se em longas e passivas trocas de bola sem criar qualquer tipo de desequilíbrio, perdendo-se assim a progressão rápida: um dos principais pilares instituídos por Sarri.

Com esta nova realidade, à data deste artigo, o Chelsea está longe daquilo que seria o cenário desejado.

Está afastado das contas do título, a 15 pontos do primeiro posto, ocupa a sexta posição da Premier League, restando apenas uma renhida luta pelos lugares europeus.

Já na Taça de Inglaterra, caiu aos pés do rival Manchester United FC nos oitavos de final, num jogo que espelha na perfeição aquilo que tem sido o Chelsea nos últimos jogos, pois apesar dos poderosos 67% de posse de bola, os blues não conseguiram marcar nenhum golo e ainda viram os red devils dispor de mais oportunidades de golo, enfatizando assim o insucesso do jogo de Sarri em Inglaterra.

É no capítulo europeu que o Chelsea se tem mostrado implacável, seguindo invicto na Liga Europa. Assume-se como candidato à conquista da prova e joga na próxima quinta-feira a segunda-mão dos 16 avos de final diante do Malmo, com a vantagem de ter triunfado por 2-1 na Suécia.

Fonte: UEFA

Aliada à Liga Europa, é a EFL Cup que pode salvar a época dos blues, pois, após eliminar nas grandes penalidades o Tottenham Hotspur FC, jogam no próximo dia 24 a final da Taça da Liga Inglesa frente ao Manchester City FC, num jogo que se advinha bastante complicado.

Vivem-se tempos difíceis em Stamford Bridge!

A humilhante derrota por 6-0 com o Manchester City não teve os efeitos esperados de “grito de revolta” e, pelo contrário, veio acentuar o mau momento do Chelsea. Isto motivou a desconfiança por parte dos adeptos que, por exemplo, na eliminação da Taça de Inglaterra, abandonaram o estádio minutos antes do fim da partida.

Os próprios jogadores parecem descrentes das suas capacidades e Maurizio Sarri viu a pressão aumentar, com as notícias que apontavam Zinédine Zidane como seu sucessor.

Ainda é cedo para classificar a presente temporada como um fracasso, mas torna-se urgente a necessidade de o Chelsea se encontrar a si próprio e recuperar o bom futebol a que nos habituou, sob pena de não conquistar nenhum título.

A promessa de ser campeão inglês já se situa no limiar do impossível, pelo que já só resta aos blues uma conquista europeia para livrar a época do insucesso.

Foto de capa: Premier League

6 lendas inglesas que hoje são treinadores em busca do estrelato

Lembras-te da Taça do Mundo de 98? E do Europeu de 2000? Talvez não te recordes bem, mas de certeza que te lembras do Euro 2004 que se realizou no nosso país. E da seleção inglesa que Portugal derrotou nos quartos de final, depois das grandes penalidades? John Terry, Wayne Rooney, Sol Campbell, Frank Lampard, Steven Gerrard, Paul Scholes, David Beckham, Gary Neville… lembras-te destes jogadores? Pois, hoje, seis desses jogadores continuam ligados ao Futebol, mas como treinadores. Parece que para estes seis, o Futebol é a grande paixão e, mesmo depois de pendurarem as chuteiras, continuam a querer festejar no relvado, mas desta vez junto aos bancos. Lampard, Neville, John Terry (como adjunto), Gerrard, Sol Campbell e Scholes são hoje treinadores, e só um deles não está em Inglaterra.

E agora, Ljubomir?

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Ljubomir Fejsa estará próximo de regressar aos relvados após ter sido substituido ao intervalo no encontro disputado em Guimarães a contar para a Taça de Portugal, no passado dia 15 de Janeiro. Faz já um mês desde que o sérvio ficou afastado devido a (mais) uma limitação física, que o impediu de dar o seu contributo nesta nova vida do Sport Lisboa e Benfica com Bruno Lage à frente da equipa.

Falando por mim, posso dizer que sou um admirador confesso de Fejsa. Desde que Nemanja Matic saiu para Inglaterra que ele tem sido dono e senhor da posição (salvo quando está lesionado, o que até acontece com alguma regularidade), portanto é quase impossível não haver algum tipo de empatia com o número 5. Juntando o facto de já cá estar há umas boas temporadas com a satisfação notória que vemos em Fejsa por representar o SL Benfica, facilmente o poderemos considerar um jogador actualmente influente no balneário.

Como referi, Fejsa é um jogador muito propenso a lesões. Desde que chegou que assim o vem mostrando, fazendo com que muitas vezes os próprios adeptos “rezassem” antes de jogos importantes para que o médio-defensivo não tivesse alguma indisponibilidade física no jogo anterior ou durante a semana de antevisão. De facto, trata-se mesmo de um jogador de “cristal” que pode quebrar a qualquer momento e que, por isso, inspira a alguns cuidados na sua utilização. Ora, mais uma vez Fejsa lesionou-se e já fez um mês sem que Bruno Lage pudesse contar com os seus serviços. Isto levou a que o actual treinador do SL Benfica lançasse Samaris (que até estava na porta de partida) e, mais recentemente, o jovem Florentino Luís.

Poderá ser cada vez mais difícil para Fejsa voltar a ser uma opção regular no 11 inicial de Bruno Lage
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Mas e quando recuperar? Olhando para o papel dos médios no modelo de Bruno Lage, será que podemos afirmar que Fejsa se conseguirá fixar e continuar a ter a influência que tinha anteriormente? Uma coisa é certa: na leitura defensiva, na questão do posicionamento e na identificação das zonas de pressão no momento de transição defensiva não existe melhor no SL Benfica do que o sérvio. No momento defensivo nem Samaris, nem Florentino, superam o camisola 5. Aliás, entre o português e o grego é claramente o primeiro que mais se aproxima de Fejsa no que toca à qualidade no momento defensivo. E quase de certeza que até atingirá o seu nível, mas nesta altura ainda não.

O ponto fulcral que quero abordar é que o papel dos médios no modelo de Lage vai muito para lá da situação defensiva. Neste claro duplo-pivô trazido pelo treinador setubalense é certo que um médio é mais dado ao equilíbrio e o outro à construção, no entanto, ambos têm de ser bastante competentes com bola. Aqui, parece-me que Fejsa é, dos três jogadores já referidos que podem ocupar a vaga de médio posicional e de equilibrio, aquele que mais fica a perder na capacidade de passe de risco e entre linhas, no momento de retirar a equipa das zonas de pressão e quando se inicia o processo de transição ofensiva após a recuperação.

Tal como aconteceu com Samaris, também Fejsa poderá aperfeiçoar o seu rendimento quando inserido num colectivo forte e de qualidade. Ainda assim, encontro-me meio céptico acerca da forma como se poderá enquadrar neste momento da equipa. O SL Benfica precisa de qualidade na sua primeira fase de construção e viu-se uma diferença abismal de qualidade nessa fase do jogo quando Florentino e Gabriel actuaram juntos na Turquia. Para mim, o jovem português está mais do que preparado para render Fejsa e fixar-se neste meio-campo a dois. Resta saber se Lage pensará o mesmo.

Foto de Capa: SL Benfica

O etíope afinal era outro!

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No último fim-de-semana antes do fecho do período de qualificação para os Europeus, em Portugal foi um fim-de-semana de Nacionais de Clubes com direito a qualificações para os Europeus ou melhores marcas europeias do ano (embora, no caso, Pichardo não possa representar Portugal em Glasgow). No entanto, e apesar de muitos Nacionais pela Europa fora, o grande destaque foi a excelente qualidade do meeting de Birmingham – pertencente à IAAF World Indoor Tour – onde estivemos presentes e onde pudemos assistir até a um recorde mundial ao vivo!

Sonhar e ganhar até à final

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O Madeira SAD carimbou a passagem aos ¼ de final da Challenge Cup depois de ter ultrapassado o HC Donbas, da Ucrânia, ao vencer os dois jogos da eliminatória de forma convincente. Esta vitória permite aos madeirenses sonhar com uma presença na final e até, quem sabe, com a conquista da prova que já foi conquistada duas vezes pelo Sporting e uma pelo ABC.

A equipa madeirense venceu por 22-32 no primeiro jogo dos 1/8 de final e por 28-25 no segundo, numa partida em que ainda sofreu para ganhar (ao intervalo, o Madeira SAD perdia por 5-8). Desta feita, a equipa já conhece os seus possíveis adversários da próxima fase – HC Vise BM, da Bélgica, RK Borac m:tel, da Bósnia Herzegovina, Dicken, da Finlândia, A.E.K. Athens HC, da Grécia, CSM Bucuresti, da Roménia, Dynamo-Victor e HC Neva SPb, da Rússia. O caminho até à final começa a ficar mais apertado, mas, com o que o Madeira Sad tem mostrado, a final parece um cenário possível.

O treinador da equipa madeirense, Paulo Fidalgo, tem conseguido gerir o plantel e aliar a juventude e a experiência. O estilo de jogo é agradável, com muitas soluções de ataque e uma defesa exemplar (sem contar com Benfica, Porto e Sporting, é a formação com menos golos sofridos no campeonato nacional). O Madeira SAD tem um plantel jovem, mas conta com jogadores como Eledy Semedo, que tem vindo a ser uma peça fundamental durante a época.

Eledy Semedo apresenta uma média de mais de cinco golos por jogo esta temporada pelo Madeira Sad
Fonte: Madeira SAD

O percurso da equipa da Madeira tem sido bastante interessante em todas as competições. Ainda se encontra na Taça de Portugal, onde “lutará” com o SL Benfica no dia 3 de abril por um lugar na semi-final; no campeonato nacional ocupa a 6ª posição, apenas a quatro pontos do 4º lugar e com um jogo a menos; e, por fim, na Challenge Cup tem ultrapassado todos os desafios e com distinção.

O Madeira SAD já chegou às meias finais da prova no ano passado, e espera-se que consiga superar esta marca. Um sonho que pode muito bem estar ao alcance desta equipa, que já provou estar à altura das exigências.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Madeira SAD

A “Chicotada Psicológica” como remédio para todos os males

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Pelo nome bem podíamos estar a falar de um filme que envolvesse questões do foro psiquiátrico com reminiscências a Freud. Não é. Mas também não está muito longe. Desde o início da temporada foram registados oito casos de treinadores que foram despedidos dos seus clubes na Primeira Liga. Cabe-nos agora perceber os efeitos que estas “chicotadas psicológicas” acabam por ter no desempenho das equipas e no desfecho final do campeonato.

Desde o início da época foram oito (!) os casos de treinadores despedidos na Primeira Liga. Antes de começar esta análise, importa dizer que não incluo aqui o caso de José Gomes, que saiu do Rio Ave FC para o Reading em Inglaterra, não sendo despedido. Adiante. As chicotadas psicológicas encontram sempre os maus resultados como a sua principal razão de existir. É cliché continuarmos a afirmar que há pouca paciência para esperar por resultados, há pouca paciência para acreditar nos métodos de treino dos técnicos, quando não se vislumbram resultados positivos mas apesar de cliché corresponde à realidade.

José Peseiro e Rui Vitória foram os técnicos mais falados depois do seu despedimento
Fonte: Sporting CP | SL Benfica

É esta a triste sina dos treinadores, é com ela que têm e devem conviver. E, pelo menos para já, não há grandes melhorias à vista quanto a esse aspeto. No ano passado, na mesma altura, já tinham sido oito os treinadores a serem dispensados dos seus cargos, número idêntico ao que se regista nesta fase.

Na temporada passada acabaram por descer duas equipas que tiveram três treinadores durante a temporada (Estoril e Paços de Ferreira FC), em sentido inverso, mantiveram-se equipas com um só treinador (Vitória SC e CD Feirense) ao longo da época e outras que mudaram a tempo de descer (CD Aves, Boavista FC e Moreirense FC).

CD Aves 0-3 SL Benfica: Em luta de águias, prevaleceu a lei do mais forte

O CD Aves perdeu por 0-3 frente ao SL Benfica, naquele que foi o último encontro desta jornada 23. Seferovic e Rafa, ainda na primeira parte, e Ferro, na segunda, apontaram os três golos.

A vitória alcançada na jornada passada não foi suficiente para o CD Aves deixar os lugares de despromoção. Ainda assim, foram mais três pontos moralizadores para a formação às ordens de Inácio, que ainda só perdeu frente ao Sporting de Braga, também dentro de portas. Já o SL Benfica, chega a Vila das Aves depois da maior goleada da época. Os 10-0 frente ao CD Nacional, a par do empate do FC Porto na casa do Moreirense FC, permitiram uma aproximação ao topo da tabela. À entrada para este encontro, a distância para o líder é de quatro pontos, mas a vitória recoloca os encarnados a apenas um ponto.

A jogar em casa e perante as bancadas praticamente repletas, os avenses pareciam querer entrar por cima na partida e, ainda antes dos dois minutos, Baldé apareceu com perigo na frente. O remate passou ao lado da baliza de Odysseas, mas já estava assinalado fora de jogo ao cabo-verdiano.

Na resposta, e logo aos três minutos, o SL Benfica abriu o marcador, por intermédio de Seferovic. O cruzamento surgiu da direita, por Samaris, e o suíço não desperdiçou e assinou o seu 14º golo nesta edição do campeonato. O SL Benfica ficou por cima no encontro e ameaçou ampliar a vantagem pouco tempo depois, por João Félix. Rafa seguia para a baliza mas viu Jorge Felipe atrapalhar a sua ação. João Félix, com a sobra, atirou à malha lateral.

João Félix voltou a colocar as redes de Beunardeau em risco ao minuto 14, com um remate forte no coração da área. O guarda-redes do CD Aves foi obrigado a uma grande intervenção e, na recarga, foi a defesa avense a aliviar o perigo.

O segundo aviso do Aves surgiu pouco depois do quarto de hora, com Luqinhas a desequilibrar na frente mas a atirar ao lado. Odysseas foi obrigado a mostrar serviço pouco antes da meia hora de jogo, em resposta a um livre cobrado por Rodrigo, que levava o carimbo de empate. Era a resposta, ainda que tímida, do CD Aves, após uma entrada forte das águias.

E numa altura em que a formação às ordens de Inácio tentava reagir à desvantagem, apareceu Rafa para, com um grande remate, fazer o 2-0. O passe foi de João Félix e o remate, em arco, não deixou hipóteses a Bernardeau. Destaque ainda para Rodrigo, já para lá dos 40, com um pontapé de fora da área, a colocar o guarda-redes encarnado à prova.

As águias foram sempre superioras durante o encontro
Fonte: SL Benfica

O SL Benfica saiu para intervalo em vantagem e João Félix esteve perto de a aumentar logo no recomeço do encontro, ao minuto 47. Valeu Beunardeau atento, a evitar. Sem deixarem de ter os olhos na baliza adversária, os encarnados tiveram uma grande oportunidade para o terceiro, aos 53 minutos, depois de uma jogada de envolvimento. A bola apareceu aos pés de Seferovic, que só tinha de encostar, mas Vítor Costa apareceu no momento certo para o corte.

As várias ameaças acabaram por concretizar-se aos 59 minutos, com Ferro a assinar o terceiro depois de uma falha de Beunardeau. Na sequência de um canto de Pizzi, na direita do ataque, o guarda-redes do Aves saiu mal e acabou por ficar a meio caminho. O central do SL Benfica aproveitou para o chapéu e para inscrever o seu nome nos marcadores do jogo. Beunardeau, até ao momento em bom plano, acabou por falhar e consentir o terceiro para o emblema da Luz.

E se o nome de Ferro já estava inscrito entre os marcadores, acabou por ficar também inscrito no aspeto menos positivo do jogo, ao ver o vermelho direto por falta sobre Derley, aos 64′. O avançado avense ia isolar-se e, à entrada da área, Ferro impediu a sua progressão com um agarrão. Na sequência da falta, Rodrigo cobrou o livre e obrigou Odysseas a nova boa intervenção.

Com poucas hipóteses de reverter o resultado negativo e o consequente regresso às derrotas, o CD Aves não foi capaz de voltar a incomodar verdadeiramente o SL Benfica, que geriu confortavelmente a vantagem. Esta é a segunda derrota da era Inácio e veio confirmar o regresso da equipa à zona de despromoção. Já o SL Benfica mantém a perseguição ao FC Porto e volta a colar-se ao primeiro lugar, com apenas um ponto de atraso.

Onzes e substituições

CD Aves: Beunardeau, Rodrigo, Ponck, Diego Galo, Jorge Felipe, Vítor Costa (Rúben Oliveira,65′), Vítor Gomes (Miguel Tavares, 78′), Braga (Fariña, 65′), Baldé, Luqinhas e Derley

SL Benfica: Odysseas, André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Pizzi, Samaris, Gabriel, Rafa (Gedson, 77′), João Félix (Zivkovic, 86′) e Seferovic (Jonas,83′)

O adeus de Nani e Fredy Montero

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É com alguma tristeza que redijo este texto. Foi anunciada a rescisão de Fredy Montero e Nani com o Sporting CP. Dois jogadores que dizem muito à massa adepta leonina pelo estatuto que ambos tinham no plantel verde e branco. Deste modo, importa perceber o que pode ter levado a esta atuação por parte da direção do Sporting CP, presidida por Frederico Varandas, e tentar analisar o que poderá isto significar daqui para a frente.

Primeiramente, é necessário olhar para a conjuntura do plantel. Os leões têm tido dificuldades em marcar golos nos últimos jogos, produzindo um futebol ofensivo aquém do exigido para uma equipa com as aspirações do Sporting CP. Curiosamente, são dois atletas de características atacantes que vemos partir para o estrangeiro, o que retira opções ao leque de Marcel Keizer.

No entanto, se olharmos para as contas do clube, penso que a tesouraria agradece ambas as rescisões, uma vez que se irão poupar vários milhões de euros que seriam gastos no pagamento de salários aos dois atletas.

Contudo, na minha opinião, seria ainda mais benéfico para o clube se recebesse uma quantia pelos dois jogadores, ao invés de simplesmente os entregarmos a outras equipas, ainda para mais tendo ambos a qualidade que lhes é reconhecida. Porque motivo isso não aconteceu? Desinteresse? Falta de propostas? Se não houvessem ofertas, os jogadores não teriam para onde ir… pelo menos a minha ótica é essa, e um montante, qualquer que seja ele, é sempre melhor que zero.

O avançado colombiano teve duas passagens pelo clube leonino
Fonte: Sporting CP

Analisando agora as saídas de ambos, começo por Fredy Montero. Nesta temporada, o colombiano alinhou em 16 jogos, tendo apontado quatro golos. O avançado estava há já algum tempo lesionado, pelo que não vinha a ser opção do técnico. Ainda assim, penso que após a sua total recuperação, o jogador poderia vir a ser útil para a equipa. É preciso ver que o Sporting CP tem vindo a apresentar muitas dificuldades em marcar golos e em ligar o jogo. Ora, Montero tem essa capacidade de receber e dar sequência às jogadas, tendo mais técnica, visão de jogo e qualidade de passe do que Bas Dost.

Para além disso, a sua longa distância é também um trunfo nos jogos em que as equipas se fecham mais. Deste modo, vejo com alguma apreensão a sua saída do plantel, algo semelhante ao que os sportinguistas sentiram quando este abandonou o clube na época 2015/2016. Esperemos que esse arrependimento não surja novamente. À primeira todos erram, à segunda só cai quem quer.

Nani, que envergava a braçadeira de capitão, está de partida para a MLS
Fonte: Sporting CP

Se já com Montero considerei a sua saída preocupante, então relativamente a Nani acho ser um erro crasso que pode reduzir ainda mais a qualidade de jogo apresentada pela equipa orientada por Marcel Keizer. O internacional português não é um simples jogador que pertence ao plantel. Simboliza muito mais que isso. É um atleta formado em Alcochete, capitão e líder da equipa, que já ia na terceira passagem pelo clube, e que apresentava ainda muita qualidade para atuar com a camisola verde e branca. Todos estes fatores fazem com que eu questione com vários pontos de interrogação esta partida.

A juntar a tudo isso, considero que Nani era o melhor extremo do plantel e que poderia inclusive ter sido utilizado em zonas mais interiores próximas do ponta de lança. É verdade que a velocidade já não é a mesma de outrora, mas a sua experiência, calma, qualidade técnica, passe, visão de jogo e remate continuam lá. Era um dos cérebros da equipa no que toca ao momento de posse de bola, e penso que até era um bom apoio para Bruno Fernandes. A sua partida causa-me alguma estranheza e receio do que aí virá.

Concluindo, considero péssimas as saídas de ambos os jogadores. Por tudo o que escrevi até aqui, receio que ambas as rescisões vão fazer decrescer a qualidade do plantel, que Frederico Varandas já admitiu anteriormente não ser a melhor. Com estas decisões, não auguro coisas positivas para o Sporting CP no que falta desta época. Oxalá esteja enganado…

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Força da Tática: A idade de quem não sabe quantos anos tem

Na tarde deste domingo, para a 22ª jornada da Bundesliga, o Borussia Vfl Mönchengladbach foi à Commerzbank-Arena empatar com o Eintracht Frankfurt e.V.

A expectativa para este jogo era enorme. Mesmo com Jovic e Pléa no banco dos suplentes, Adolf Hutter e Dieter Hecking proporcionaram-nos uma batalha bastante interessante. Do lado visitante, a mobilidade de Stindl causou muito desconforto e a qualidade de Elvedi e Ginter com bola permitiram à equipa romper a pressão adversária com qualidade e segurança.

Já no lado das Die Adler, voltou a emergir Makoto Hasebe. O nipónico, depois do jogo dominador frente ao RasenBallsport Leipzig, na última jornada, continua a afirmar-se como uma das grandes bases deste interessante projeto. Longe dos holofotes e das capas de jornais, em detrimento de nomes como Jovic e Rebic, o internacional japonês tem tido uma relevância inegável nas últimas duas épocas, e permite ao Eintracht Frankfurt continuar a crescer de forma continua e sustentável.

Importância Tática

  • A perceção é a realidade

Com Adolf Hütter ao leme, a equipa encontrou no 3-4-1-2 o seu sistema preferencial, apesar de ter iniciado a temporada numa formação mais próxima do 3-5-2. Assim, é no centro da linha defensiva que aparece Hasebe.

A decisão de converter o ex-médio defensivo a “central do meio”, foi introduzida por Niko Kovac na última época. Num sistema de três defesas centrais, ladeado por Ndicka e Abraham, Hasebe vê o jogo constantemente de frente, e isso é fundamental.

No Futebol, um dos aspetos mais subestimados, mas dos mais importantes, é a perceção e como ela afeta a tomada de decisões e a execução de ações em todas as fases do jogo. Todas as ações que o jogador realiza em campo são influenciadas por aquilo que os jogadores percebem, sendo a sua dimensão mais importante a visão. Enquanto jogadores, a capacidade de ver as coisas como a bola, os companheiros, os adversários e as suas posições em campo é vital.

E como central do meio, Hasebe vê tudo.

  • Superar linhas.

Hoje, onde joga, vê tudo, mas durante a sua formação e toda a carreira não tinha esse “privilégio”. Jogar na ala, por exemplo, têm as suas dificuldades, mas é no corredor central que o oxigénio começa a faltar. No centro, é necessário ter qualidade técnica para conseguir jogar sob pressão, decidir para onde olho e para onde não olho (gerir lado cego), ser inteligente, usar o corpo … enfim, a lista continua.

Apesar de agora jogar a central, Hasebe traz consigo todas essas características. Assim, a equipa têm no japonês um jogador capaz de superar linhas através do passe, com a intensidade e a precisão adequadas, e da condução, sem medo de assumir o risco em conduzir curto e invadir o espaço.

Este recurso, superar linhas através do passe ou da condução, permite aos alas laterais assumirem posicionamentos agressivos em largura e profundidade e evita que os médios baixem demasiado, abandonando os espaços entre linhas do adversário.

  • “Tranquilos, a bola está com o Hasebe”

Adicionalmente, e talvez o mais importante de tudo: a equipa sente-se confortável e segura quando a bola está nas botas de Hasebe.

Joga sob pressão, sendo capaz de fazer uma gestão eficaz dos tempos e dos espaços, oferecendo-se aos colegas como o primeiro apoio atrás. Não tira a bola, tenta sempre colocar a bola a jogar.

Finalmente, faz os colegas melhores. A experiência dos seus 35 anos e a segurança que transmite permitem aos restantes dois centrais adotarem uma posição aberta na fase inicial de construção, sem medo e com personalidade.

Assumir o risco na condução curta para superar linhas de pressão e calma sob pressão.

 

Foto de capa: Eintracht Frankfurt