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Vitória FC 1-1 Sporting CP: Empate de água fria

Depois da saída de Lito Vidigal para o Boavista FC, o Vitória FC apresentou-se frente ao Sporting CP com Sandro Mendes, antigo jogador e diretor desportivo do clube, no banco. Os sadinos vinham de uma série de nove derrotas (sete delas para a liga) e surgiram em campo com cinco alterações em relação ao jogo com o Aves. A partida começou debaixo de chuva miudinha, mas esta intensificou-se no decorrer da primeira metade.

A primeira oportunidade surgiu logo aos três minutos por parte de Cádiz. O Vitória entrou ligeiramente melhor que o Sporting. Bas Dost foi o homem bomba dos leões, tendo levado o perigo por várias vezes à baliza de Cristano.

Ao quarto de hora o Sporting tentou impor-se, com a defensiva vitoriana a dar muito espaço a Bas Dost para aparecer entre os centrais. Ainda assim, a falha defensiva não era grave o suficiente para dar o golo que o camisola 28 tanto desejava.

Aliás, o Vitória recompôs-se e, sem medo do Sporting, não se escondeu atrás da linha de meio campo, provando ser mais eficaz que o adversário. Aos 24 minutos, Cádiz não perdoou e numa grande jogada individual, iniciada depois de um passe de Ruben Micael, marcou o primeiro golo da partida.

Como seria de esperar a equipa de Marcel Keizer não se deixou levar pelo golo sadino e foi recuperando terreno ao Vitória, sem grandes oportunidades de empatar a partida (a registar apenas uma grande intervenção de Cristiano, que sacudiu a bola, aos 41′). Fica a nota de um Sporting muito lento e previsível na primeira metade.

O Vitória mostrou-se mais eficaz que o Sporting na primeira metade
Fonte: Bola na Rede

Os leões entraram muito melhor na segunda parte, mais pressionantes e rápidos. O jogo encaminhava-se bem para o Sporting, mas, aos 55 minutos, viu-se reduzido a dez unidades. Ristovski, depois de acabar mal tratado numa disputa de bola, viu o cartão vermelho, direto, por palavras. O jogador leonino reagiu de cabeça quente e Hélder Malheiro não hesitou na punição.

Se o jogo já estava complicado para os homens de Keizer, mais complicado ainda ficou. A partir desse momento o Sporting passou a jogar mais com o coração do que com a cabeça – perigoso, mas pouco organizado, com intensidade, mas sem eficácia.

Marcel Keizer foi obrigado a mexer na equipa e poucos minutos depois, foi a vez de Sandro. Segundos depois de lançar André Pedrosa, o jovem lesionou-se sozinho, obrigando o treinador sadino a esgotar as suas subsituições.

Aos 80′ o coração falou mais alto e Bas Dost, finalmente, conseguiu meter a redondinha para dentro das redes! Estabeleceu-se assim a igualdade no Bonfim, a dez minutos do final da partida. Golo merecido por parte do Sporting, que foi a equipa que mais procurou o golo da segunda parte, e por parte de Bas Dost, que foi sempre o homem mais perigoso dos leões.

O Sporting de dez unidades mostrou-se melhor que o Vitória de 11 e o jogo correu num só sentido. Já em tempo de compensação, Nani perde uma bola infantilmente e o Vitória esteve muito perto de marcar outra vez.

A partida terminou aos 97′ empatada a uma bola, com uma primeira parte bem conseguida pelo Vitória e uma segunda metade dominada por um Sporting reduzido a dez.

ONZES E SUBSTITUIÇÕES

Vitória FC: Cristiano, Mano, Dankler, Vasco Fernandes (C), André S., Rúben Micael (Berto, 64′), Mikel, Nuno Valente, Cádiz, Zequinha (André Pedrosa, 68′, Cortez, 75′), Mendy.

Sporting CP: Renan Ribeiro, Ristovski, S. Coates, Doumbia (Bruno Gaspar, 63′), Jefferson, Petrovic (Phellype, 75′), Bruno Fernandes (C), Wendel, Raphinha (Nani, 63′), Diaby, Bas Dost.

Foto de Capa: Bola na Rede

Carta aberta ao SL Benfica: Pela voz do povo

Deixamos correr o tempo, porque Deus tem mais para dar do que o diabo para tirar e quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele. Se o seguro morreu de velho, Bruno Lage é esperança, e a esperança é o sonho do homem acordado.

A pobre não prometas e a rico não devas. Promessas leva-as o vento e os adeptos só perdoam a quem amam, Rui Vitória. Não penses, no entanto, que barriga cheia, companhia desfeita. Não esquecemos o que de bom nos deixaste, mas barco parado, não faz viagem.

Foi o Benfica um pai para ti ou chamas à vida madrasta? Saíste na hora certa, quem te segurou a porta aberta? A sorte ajuda às vezes, outras vezes dá-se um empurrãozinho. Um contrato repentino chegado na hora certa, teria a casa a porta aberta?

O SL Benfica ocupa a 2ª posição a cinco pontos do líder FC Porto
Fonte: Bola na Rede

Nesta vida, um dia é da caça, o outro do caçador. É preciso manter um olho no peixe e o outro no gato, porque nada depende apenas só de nós. Seremos capazes, no futuro, de lavrar em campo fraco, com lavrador forte, porque a esperança é a última a morrer.

E como a sorte protege os audazes, boa fama granjeia quem não diz mal da vida alheia. Para evitar bolsa despejada, casa amargurada, com a prata da casa se resolve esta alhada. Bruno Lage salva a honra do convento.

Temos que avançar, não adianta chorar sobre o leite derramado e, águas passadas não movem moinhos. O futuro a nós pertence e água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Furaremos defesas e redes porque a união faz a força.

A cada dia que passa, não podemos desperdiçar golos, a ocasião faz o ladrão e há que estar à espreita das oportunidades. De livre, penalidade ou ao ataque, porque a cavalo dado não se olha a dente e a culpa não morre solteira.

Ainda nada está perdido no Campeonato Português e o SL Benfica corre na luta pelo título
Fonte: SL Benfica

A fama longe soa, e mais depressa a má que a boa, não nos podemos, por isso, deitar-nos a dormir. Nem sempre a fome é a melhor cozinheira, mas no nosso caso, abre o apetite e, não, a galinha da vizinha, não é mais gorda que a minha!

Cada cabeça sua sentença, cada cor, seu paladar, cada macaco no seu galho, porque é hora de mudar. E se cada maluco com a sua mania, mudam-se as táticas, mudam-se as vontades. De 4x3x3 passou-se para 4x4x2 e cada um sabe as linhas com que se cose.

Mudar só para melhor e melhor foi a mudança. Casa que não é ralhada, não é bem governada. Estalou-se o chicote com mão de ferro e os cinco dedos da mão contam-se um a um em subtração.

E porque a esperança é o sonho e o sonho comanda a vida, a ti treinador, uma oração:

Bruno Lage, que estais no banco.

Santificada tenha sido a saída de Rui Vitória;

Venha a nós o grande 37;

Seja feita a nossa vontade;

Assim em casa, como fora.

As vitórias de cada jogo nos dai sempre;

Perdoai-nos o nosso mau comportamento;

Assim como nós perdoamos os jogos fracassados;

E não nos deixeis cair em desgraça;

Mas livrai-nos dos maus resultados, amén.

Foto de Capa: SL Benfica

Lutas francesas no Gabão

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Uma das tradicionais provas de início de temporada, a Tropicale Amissa Bongo tem, regra geral e por razões culturais, sempre uma boa participação francesa, dando uma oportunidade aos corredores africanos de enfrentarem ciclistas de nível superior e permitindo aos europeus começar bem o ano.

Depois de em 2018 ter sido Joseph Areruya (Rwanda) a vencer a prova, a edição deste ano era muito menos acidentada e, por isso, mais propícia aos sprinters. E, à partida, as três formações Pro Continentais francesas – Arkea-Samsic, Direct Energie e Vital Concept – dividiam o favoritismo.

A grande questão é que não se limitavam a disputar a corrida, mas também a tentar ganhar uma vantagem na luta pelos dois wildcards ainda por atribuir para o Tour de France de forma a poderem juntar-se à compatriota Cofidis e à belga Wanty.

A Direct Energie foi quem se saiu melhor, com o seu reforço italiano, Niccolo Bonifazio, a estrear da melhor maneira as novas cores, conquistando três etapas e a Geral.

Já a Vital Concept levou duas tiradas e foi a única a triunfar por intermédio de um francês. Lorrenzo Manzin conquistou as duas primeiras vitórias do ano de ciclistas do seu país e deu à equipa uma bonita efeméride. Nos seus dois anos de existência, foi em ambas as ocasiões a que deu a primeira vitória da época à França, já que havia sido Julien Morice a fazê-lo em 2018.

Por outro lado, a Arkea-Samsic, que tinha em Andre Greipel o mais cotado dos velocistas presentes, só a muito custo conseguiu picar o ponto, com o alemão a vencer na penúltima etapa.

Manzin, Bonifazio e Greipel: os três que dominaram a Tropicale 2019
Fonte: Tropicale Amissa Bongo

Direct Energie e Arkea-Samsic continuam a ser as grandes favoritas para garantir um lugar no Tour, mas se a Vital Concept conseguir manter este nível nos próximos desafios poderemos ter uma surpresa.

Fora dos conjuntos gauleses, Biniyam Ghirmay foi a principal figura. Com apenas 18 anos, o eritreu é um dos maiores talentos em bruto do ciclismo africano e fazia aqui a sua estreia no pelotão internacional, já que até à época passada era junior. Respondeu de uma forma incrível e deixou muitos boquiabertos, vencendo uma etapa e ainda se intrometendo noutros sprints.

Foto de Capa: Tropicale Amissa Bongo

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

COL: Quando tens o Grilo e o João Manuel, o que fazes? Venha o Diabo e escolha

A posição de guarda-redes é a posição mais específica do futebol e, nos dias em que correm, está a sofrer imensas alterações, quer nas funções do próprio guarda-redes em campo, quer no valor que se atribui ao guardião (esta época, bateram-se recordes atrás de recordes em transferências de guarda-redes), quer na própria gestão da posição.

Há quem defenda o pensamento mais tradicional, ou seja, há um a titular e outro a suplente à espera da sua oportunidade (muito usado nas equipas alemãs, onde o titular do momento joga os jogos todos até perder esse estatuto), há quem prefira atribuir uma competição a cada (a clássica rotação nas Taças) e, bem menos habitual, há quem dê dois jogos a cada um, independentemente da competição, nível do adversário ou grau de importância do jogo. A única condição é manter o bom nível nos treinos e no seu par de jogos e, enquanto assim for, continuará a ser dois jogos para cada um.

Esta arrojada e rara situação acontece no histórico e candidato à subida à Segunda Liga Portuguesa, Clube Oriental de Lisboa. Os Guerreiros da Marvila estão a apenas dois pontos dos lugares de subida da Série D do Campeonato de Portugal Prio, contando com um plantel curto, mas recheado de qualidade, sobretudo na baliza, onde brilham David Grilo e João Manuel. Dois jovens talentos, extremamente cobiçados, que fim de semana após fim de semana, seja um ou seja o outro, dão espetáculo.

Esta situação foi promovida pela mítica dupla Toni Pereira (treinador principal) e Carlos Pereira (treinador de Guarda-Redes), que muitas alegrias deram ao serviço de outro histórico de Lisboa, o Atlético Clube de Portugal. Agora no Clube Oriental de Lisboa, esta dupla de técnicos decidiu apostar nesta fórmula desde o primeiro jogo oficial da temporada, com excelentes resultados à vista. Aliás, entretanto, Toni Pereira saiu para o Real Sport Clube de Massamá e o novo treinador principal, João Silva, decidiu continuar a respeitar esta gestão dos seus guardiões.

David Grilo contrariou o estatuto a priori de titular de João Manuel. O jovem guarda-redes, vindo das distritais de Lisboa, foi uma das maiores revelações da temporada passada no CPP
Fonte: David Grilo

David Grilo contabiliza 12 jogos oficiais e apenas oito golos sofridos, enquanto João Manuel conta com 10 presenças, sendo que os próximos dois jogos são dele, também com oito golos encaixados. Ambos com passagens na formação do Sporting Clube de Linda-a-Velha e com menos de 1,85 (quem disse que a altura era importante mesmo?), são dois dos guarda-redes mais valiosos da divisão e com qualidade para muito mais.

Aliás, para quem não acompanha a equipa, basta uma rápida passagem nas redes sociais do clube ou das páginas dos adeptos para perceber que, em grande parte dos jogos, os dois guarda-redes são sempre eleitos como uma das melhores unidades da partida.

David Grilo tem apenas 22 anos e foi formado no Sporting Clube de Linda-a-Velha, Atlético Clube de Portugal e Vitória Futebol Clube. Cumpre a segunda temporada no COL, tendo jogado no SC Linda-a-Velha e no Atlético Sport Clube de Reguengos de Monsaraz a nível sénior.

Apesar de só ter 24 anos, João Manuel conta com imensa experiência, tendo já jogado na Primeira e Segunda Liga Portuguesas
Fonte: João Manuel

João Manuel, reforço de verão do COL, que já jogou um jogo oficial na Primeira Liga Portuguesa, tem 24 anos, tendo sido formado no SC Linda-A-Velha, Casa Pia AC, CF “Os Belenenses”, Sporting CP e GD Estoril-Praia. A nível sénior representou o próprio GD Estoril-Praia, Atlético Clube de Portugal, Sertanense FC, SU 1.º de Dezembro, Sport Benfica e Castelo Branco e também conta com uma passagem em Angola, onde jogou no Recreativo de Caála.

O COL não sofre golos há cinco jogos oficiais consecutivos e vai lutar pela subida de divisão até ao fim, com estes magníficos guarda-redes em constante destaque.

Foto de Capa: Clube Oriental de Lisboa

O grande desafio da carreira de Marco Silva

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Em maio do ano passado, Marco Silva assumiu funções como treinador principal do Everton FC, de Liverpool. E logo afirmou que o grande objetivo seria voltar a colocar os Toffes nos lugares cimeiros da tabela.

Depois de boas passagens por Hull City AFC e Watford FC, o jovem treinador chegou à cidade de Liverpool com algum curriculum e bem visto pela direção do Everton.

A escolha de um treinador jovem e com ideias “frescas” foi a aposta feita pelo proprietário do clube, o iraniano Farhad Moshiri. Para cumprir as expetativas e atingir aquele que tinha sido o compromisso feito com a direção e com os adeptos (que queriam voltar a ver o Everton intrometer-se entre os maiores dos maiores na Premier League), Marco Silva foi ao mercado de transferências.

Começou por trazer o extremo Richarlison, um craque brasileiro que já tinha sido treinado por si no Watford. Depois seguiu-se o Yerri Mina, o Lucas Digne e o André Gomes (empréstimo) do FC Barcelona, o Bernard do Shakhtar Donetsk, treinado por Paulo Fonseca, e ainda o central francês Kurt Zouma, que chegou por empréstimo do Chelsea FC.

Com uma equipa bastante equilibrada em todos os setores, com as estratégias do português já adquiridas e com a pré-epoca realizada, o grande desafio de toda a carreira do treinador português estava prestes a começar. Será o técnico, natural de Lisboa, capaz de conduzir o Everton FC aos palcos europeus?

Apesar do início “promissor”, podemos dizer assim, de Marco Silva e da sua equipa, com resultados positivos e com alguns pontos conquistados (inclusive, frente ao Chelsea FC), os Toffes estão a passar por um mau momento. Aquele que era o objetivo inicial para Marco Silva está agora cada vez mais difícil de alcançar. O Everton não é capaz de se manter constante nas vitórias e isso faz com que neste momento permaneça no décimo lugar da tabela, a 10 pontos do quinto classificado, o Arsenal FC.

O Everton FC tem de fazer melhor se quiser sonhar com um apuramento paras as competições europeias. Fonte: Premier League
O Everton FC tem de fazer melhor se quiser sonhar com um apuramento paras as competições europeias.
Fonte: Premier League

Com a segunda volta já iniciada a tarefa para a equipa de Merseyside vai-se tornando cada vez mais difícil. No entanto, e depois de terem sido eliminados na Taça de Inglaterra (3-2 frente ao Millwal do Championship), têm agora uma boa oportunidade para se redimirem e fazerem uma segunda volta diferente. E quem sabe, que ajude os adeptos dos blues a sonharem com um apuramento europeu.

Marco Silva tem estado sempre durante toda a sua carreira entre o limiar do sucesso e do fracasso. Já fracassou nuns, foi bem-sucedido noutros, mas este clube inglês é sem dúvida a grande rampa de lançamento para o português. Só depende de ele próprio para construir o seu futuro enquanto treinador de futebol consagrado. Para isso acontecer tem de dar muito mais de si e fazer mais, em termos de resultados.

No futebol, o treinador tem uma posição muito ingrata, é certo, mas o Marco tem experiência e sabe que um bom trabalho no Everton FC, pode ser o necessário para vir a ser mais um dos técnicos portugueses a ser falados até no fim do mundo.

Foto de Capa: Everton FC

Artigo revisto por: Jorge Neves

5 emprestados a caminho de casa

Com praticamente metade da época cumprida, mas ainda com muitas decisões por vir, é impossível não desviar a atenção para outros campos e outras latitudes. Noutros pontos do país, e até do mundo, os atletas emprestados procuram ritmo, minutos de jogo e outros até brilham como nunca haviam conseguido.

Neste ranking, reuni cinco atletas que personificariam excelentes regressos às casas de partida para colmatarem algumas falhas, ou mesmo por justificarem a oportunidade que nunca tiveram. Uns regressos seriam mais realistas do que outros, é certo.

SC Braga 1-0 CD Santa Clara: Justiça para lá dos 11 metros

Depois da desoladora e polémica derrota caseira nas meias-finais da Taça da Liga, os arsenalistas voltaram ao terreno de jogo para se tentarem manter na disputa pelo título no Campeonato, recebendo na Pedreira os açorianos do CD Santa Clara, que estão a realizar uma época positiva e tranquila e que conseguiram parar os Guerreiros do Minho na primeira volta.

O quarto de hora inicial não trouxe oportunidades claras para abrir o marcador, mas mostrou uma equipa da casa dominadora que ia conseguindo penetrar as linhas defensivas dos visitantes. Esta tendência ia-se mantendo à medida que o jogo progredia, mas os arsenalistas continuavam demasiado previsiveis e isso impedia-os de seriamente ameaçar a baliza à guarda de Serginho.

Essa foi a tónica de toda a primeira parte, ainda que os minutos finais tenham visto um jogo mais partido, com o Santa Clara a aparecer em posições junto da baliza contrária. No entanto, nada que fosse suficiente para impedir que o nulo persistisse ao intervalo.

Já a segunda metade, começou com outra dinâmica e, depois de uns minutos iniciais aguerridos, um lance inofensivo na área bracarense fez o árbitro apontar para a marca dos onze metros, numa decisão que, à primeira vista, pareceu exagerada e discutível.

Aquilo que podia ser o momento certo para o Santa Clara confirmar uma surpresa na Pedreira, rapidamente se tornou num pesadelo. Primeiro, Tiago Sá defendeu a grande penalidade e na jogada seguinte, o Braga embalou em contra-ataque e só parou com Dyego Sousa a colocar a bola dentro da baliza dos visitantes.

Ataque arsenalista precisou de insistir muito para desfazer o nulo
Fonte: SC Braga

O Braga ganhou outro ânimo e, pouco depois, valeu Serginho para evitar o segundo. A partir daí, praticamente só se viu Braga e os arsenalistas estiveram várias vezes perto do segundo, mas acabaram por ter de se contentar com uma vitória pela margem mínima. Ainda assim, o que mais interessava eram os três pontos e esses foram conquistados.

EQUIPAS INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

SC Braga: Tiago Sá; Esgaio, Raul, Bruno Viana, Goiano; Novais (Ricardo Horta 61’), Ricardo Ryller (Fransérgio 61’), Claudemir, Wilson Eduardo; Dyego Sousa, Paulinho (Palhinha 82’)

CD Santa Clara: Serginho; Patrick Vieira, César, Accioly, Mamadu; Osama Rashid, Chrien (Bruno Lamas 67’), Kaio (Guilherme 77’); Pineda, Stephens, José Manuel (Ukra 86’)

SL Benfica 5-1 Boavista FC: Uma mão cheia de qualidade!

Depois das fortes emoções na Taça da Liga, o SL Benfica regressou a casa para disputar a 19ª Jornada da Liga com o Boavista FC, que vem de um processo de mudança de treinador. Foram orientados por Jorge Couto, uma vez que Lito Vidigal ainda não chegou ao comando técnico.

A partida foi arbitrada por Rui Costa e colocou frente a frente o 2.º e 16.º classificado, respetivamente. Bruno Lage apresentou um onze sem grandes novidades, enquanto que o Boavista mexeu duas unidades, com o regresso de Tahar e a estreia do reforço Perdigão, ex-GD Chaves.

Os encarnados começaram com a propensão ofensiva, mas foi o Boavista quem criou o primeiro susto. Aos sete minutos, um erro de Gabriel permitiu a Tahar rematar ao poste.

O primeiro golo surgiu dois minutos depois, na sequência de uma falta sobre João Félix. Pizzi bateu o livre de forma larga para a área e foi mesmo o jovem de 19 anos a finalizar.

Daí para a frente, e com a vantagem do seu lado, só deu Benfica, com um futebol muito elaborado e maioritariamente ofensivo. O Boavista respondia como conseguia e mostrava-se bem recolhido, enquanto cortava a esperança encarnada em aumentar o resultado.

Aos 26 minutos, Rúben Dias cabeceou à barra, e aos 27 a vantagem aumentou para 2-0, após muitas tentativas. Desta vez, foi mesmo Pizzi o autor, num lance de grande qualidade. Rafa abriu de trivela para Seferovic no último terço, o suíço rematou para defesa de Helton e, na recarga, o 21 foi letal.

O Benfica não deixava o adversário respirar e procurava constantemente o ataque. A vantagem estava assegurada, mas os axadrezados mantinham a esperança e conseguiram mesmo chegar ao 2-1. Aos 42 minutos, após um canto na direita, Talocha desmarcou-se dos adversários e rematou com eficácia para dentro da baliza de Vlachodimos.

A segunda parte começou sem alterações. O Boavista voltou melhor e criou uma boa chance aos 51 minutos, com um remate forte de Perdigão para defesa de Vlachodimos.

Com o resultado em aberto, as águias desfizeram todas as dúvidas aos 54 minutos com o 3-1, através de um contra-ataque magnífico de João Félix, que assistiu na direita para o pé esquerdo de Seferovic, que não desperdiçou e apontou o nono golo na Liga.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Como se dúvidas restassem, o canivete suíço voltaria a marcar, desta feita aos 72 minutos, num lance da sociedade ofensiva para esta noite: João Félix dominou, Pizzi ganhou a bola e rematou para defesa de Helton, ao passo que Seferovic aproveitou a recarga para enfiar a bola dentro das redes.

A quatro minutos do fim, o toque que restava para concluir uma tremenda partida do Benfica. André Almeida lançou a bola para Gedson, que assistiu Grimaldo para um golo de classe e qualidade máxima, como aquilo a que tem habituado os adeptos. O resultado tornou-se mais expressivo que nunca!

Após o 5-1, Samaris deu ao Boavista uma grande penalidade, mas Vlachodimos defendeu notavelmente o tiro de Mateus.

Jogo de futebol alucinante, com seis golos em que só o jogo em si foi importante. A arbitragem foi um aspeto completamente secundário, mas não passou em claro. O Benfica mostrou-se mais ofensivo e o resultado fala por si. O Boavista esteve bem recolhido e conseguiu marcar um golo que manteve a esperança acesa. No entanto, perante o ímpeto criativo e ofensivo da equipa de Bruno Lage, os axadrezados não tiveram hipótese, mas mostraram ser uma equipa bem compacta e inteligente nos poucos momentos de transição ofensiva.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Na próxima jornada, o Boavista defronta o Feirense no Bessa e, no jogo grande, o primeiro de dois derbys entre Benfica e Sporting CP num espaço de três dias. O primeiro no dia 3, para a Liga, e o segundo no dia 6, para a Taça de Portugal.

ONZES E SUBSTITUIÇÕES

SL Benfica: Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Jardel e Grimaldo; Samaris, Gabriel, Pizzi (Gedson, 82’) e Rafa (Zivkovic, 61’); Seferovic (Ferreyra, 76’) e João Félix.

Boavista FC: Helton Leite; Edu Machado, Neris, Gonçalo Cardoso e Talocha; Tahar (Carraça), Idris e Perdigão; Matheus Índio (André Claro, 76’), Rafael Lopes (Falcone, 75’) e Mateus.

Estoril-Praia SAD 2-1 SC Braga B: A subida ainda é um sonho!

O Estoril-Praia SAD recebeu, em jogo a contar para a 19.ª jornada da Segunda Liga, a equipa B do SC de Braga. Bruno Baltazar estreou-se no banco estorilista frente a uma equipa do Braga desesperada por pontos e no 15.º posto da tabela classificativa.

O jogo começou num ritmo intenso e, logo aos dois minutos, a equipa do Braga B esteve muito perto do golo: Camara recebeu a bola à entrada da área e atirou ao poste – grande susto para a equipa da linha!

O ritmo do início do jogo foi mesmo pautado pelos homens do Minho, que optaram pela pressão alta e obrigaram sempre a equipa contrária a errar. Aos quatro minutos de jogo, o Braga voltou a assustar Thierry Graça: Oliveira foi assistido por Simão e rematou forte, mas a bola passou a rasar o poste.

Porém, contra a corrente do jogo, a equipa do Estoril-Praia chegou à vantagem no marcador: após um lance muito confuso na área, depois de um canto, Gonçalo Santos recebeu a bola e atirou a contar.

O golo fez bem aos homens da casa, que contaram com mais duas boas oportunidades: aos 17 minutos, João Patrão rematou à entrada da área e, dois minutos depois, Filipe Soares rematou por cima.

Até ao intervalo, não houve mais nenhum lance digno de registo e os pupilos de Bruno Baltazar pautaram o ritmo da partida.

A segunda parte começou tal como a primeira: com uma oportunidade para os visitantes. Porém, ao contrário da bola ao poste logo a abrir o jogo, este lance deu mesmo golo. Após uma excelente combinação entre André Ribeiro e Elias, Denisson apareceu na cara de Thierry e repôs a igualdade no marcador.

A partir daí, a equipa da linha mandou por completo na partida. Sempre muito objetivo e com a baliza como foco, o Estoril-Praia chegou à vantagem ao minuto 64. Num belo desenho ofensivo, Aylton assistiu Filipe Soares, que rematou forte para colocar a equipa da casa de novo em vantagem.

A equipa do Estoril reagiu bem ao golo sofrido
Fonte: Bola na Rede

Até ao final, o Estoril pautou sempre a partida de forma equilibrada e coesa. Não deu muitos espaços ao adversário e soube lidar com a vantagem. Vantagem essa que acabou por se revelar muito importante: não só por marcar a estreia do novo técnico, mas também por quebrar uma série de quatro derrotas consecutivas.

ONZES E SUBSTITUIÇÕES

Estoril-Praia SAD: Thierry Graça; Pedro Queirós (Ibrahim Koneh, 63′), Diakhite, Diney Borges, João Góis; Gonçalo Santos, Aylton, Filipe Soares, João Patrão (Roberto, 46′), Rafael Furlan; Roberto (Dadashov, 83′).

SC Braga B: Caetano; Diogo Silva, David Teixiera, Wilson, Miguel Santos; André Ribeiro, Afonso Caetano (Tiago Dias, 80′), Camara, Simão; Elias (Sambu, 63′), Denisson.

Os campeonatos estaduais têm que acabar

Já começaram os Campeonatos Estaduais no Brasil, disputas, que por serem regionais, afetam de forma direta a paixão dos grandes e pequenos clubes de futebol do país. Para muitos times significa um teste de sobrevivência, para outros,meras competições irrelevantes. No entanto, o que ninguém pode discordar é que graças aos estaduais os grandes clássicos brasileiros acontecem ao menos uma vez no ano. E talvez seja esse o único ponto positivo deles.

Diferente do peso que tinha há décadas atrás, os estaduais no país encontram-se extremamente enfraquecidos, tanto pela super-valorização da Taça Libertadores e Copa do Brasil quanto pelas más organizações das federações responsáveis.

As fracas arbitragens e a participação de equipes que beiram o amadorismo também desvaloriza – e muito – as competições estaduais. Outro fator que pesa contra é o exaustivo e insano calendário brasileiro, que, durante a temporada, leva ao limite do corpo até os jogadores mais resistentes.

A grande verdade é que as disputas estaduais são boas apenas para as torcidas, que prestigiam os espetáculos promovidos pelos jogos de grandes rivais. Para os clubes de grande expressão do país, até mesmo para os atletas, são competições que atrapalham o planeamento e o condicionamento físico da equipe para as competições que realmente importam. Até porque, entre Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Copa Sul-Americana, o campeonato estadual é o que tem menos prioridade.

Infelizmente a alegria de ganhar o título de um estadual dura somente alguns dias – sendo otimista. E ainda há estados onde o troféu se alterna somente entre duas equipes, como é o caso do Campeonato Cearense, que desde 1995 não tem um campeão diferente de Ceará e Fortaleza.

O campeonato pernambucano, por exemplo, desde sua primeira edição, em 1915, nunca teve um campeão de fora da capital. Todos esses fatores, somados aos baixos investimentos em infraestrutura, fazem dos estaduais brasileiros competições irrelevantes para o futebol nacional e para os próprios clubes de expressão no país.

jogo entre Lagarto e Guarany, válido pelo campeonato sergipano de 2019
Fonte: FSF (Federação Sergipana de Futebol)

Algumas equipes como Grêmio, Palmeiras e Athlético Paranaense já encontraram soluções para amenizar os desgastes causados pelos estaduais. Grêmio e Palmeiras, desde o ano passado vêm escalando equipes alternativas. Já o Athético Paranaense chegou a escalar jogadores juvenis para disputar alguns jogos. A tendência é que, se nada mudar no formato dessas competições, cada vez mais times jogarão com equipes reservas ou juvenis, baixando ainda mais o nível das competições.

A Confederação Brasileira de Futebol – CBF -, deveria, além de colecionar escândalos de corrupção, articular uma reformulação do modelo das disputas estaduais no país, promovendo campeonatos mais abrangentes e consequentemente mais fortes.

A Copa do Nordeste é um exemplo de que deveria ser seguido também no Sul, Sudeste e Norte do Brasil. Outra provável solução seria voltar às competições bi estaduais como Rio-São Paulo e Sul-Minas.

Enquanto os estaduais forem sustentados somente pela tradição e não pela viabilidade, continuaremos a ver crassos erros de arbitragem, campos esburacados, times de várzea e estádios sem a mínima estrutura. Uma mudança é necessária e urgente.

 

Foto de Capa: FCF – Federação Catarinense de Futebol