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Taça da Liga: Agora vai aquecer

Foi sorteada, na passada semana, a fase de grupos da Allianz Cup, como agora é conhecida a Taça da Liga. A terceira competição mais importante do futebol português entra na sua 12.ª edição e promete ser novamente disputada com seriedade, como tem sido apanágio nas últimas épocas, pelos grandes do nosso futebol.

Esta competição, depois de numa fase inicial ser bastante desvalorizada, agora é vista quase como uma espécie de bóia de salvamento, ao falhar objetivos mais importantes e ambiciosos (exemplo do Sporting CP que perdeu o campeonato, o apuramento para Liga dos Campeões e Taça de Portugal). Ou seja, não salva a época, mas é um “mal menor”. Não se sabe quem irá conquistar Liga, Taça de Portugal e até o um apuramento para a Champions. Portanto, os três grandes e até mesmo o SC Braga já pensam que o melhor é mesmo conquistar a Taça da Liga, para ter sempre algo para amostra.

Depois de já disputadas a primeira e segunda fases, com as equipas da II Liga e as menos bem classificadas da I Liga da época passada, chega-se agora à fase de grupos, que dará acesso à final-four. Só se apuram os primeiros classificados de cada grupo, sendo que o vencedor do grupo A cruza com o C e o B com o D.

O Sporting CP venceu a competição na época passada
Fonte: Sporting CP

No grupo A, surge o principal vencedor da competição (7 conquistas em 11 possíveis). O SL Benfica é, naturalmente, o grande favorito. Os encarnados não vencem há duas edições e, mesmo apresentando as suas segundas linhas em alguns dos jogos, devem vencer o grupo em circunstâncias normais. No entanto, se o SL Benfica apresentar segundas linhas e os restantes adversários forem a jogo com os seus melhores, o CD das Aves, atual vencedor da Taça de Portugal, e o Rio Ave FC têm uma palavra a dizer.

Atenção que a única saída fora do SL Benfica será à Vila das Aves e que os vila-condenses têm como objetivo chegar às meias finais e ganhar a Taça da Liga. Não é segredo que a equipa do Rio Ave FC tem como meta ganhar uma das taças num futuro próximo. Para fechar o grupo A, falta falar no FC Paços de Ferreira, que é ‘só’ o principal candidato à subida à primeira liga. Apesar de, na época passada, termos tido uma equipa de II liga nas meias finais, é importante referir que não havia nenhuma equipa ‘grande’ no grupo.

O grupo B é o mais equilibrado. Com SC Braga (vencedor em 2013), Vitória FC (vencedor em 2008), CD Tondela (afastou o Vitória SC) e o CD Nacional (a Choupana serve sempre de joker da equipa madeirense). No entanto, CD Nacional e CD Tondela só fazem um jogo em casa, portanto favoritismo para os sadinos e minhotos.

No grupo C, temos Os Belenenses Futebol SAD, o Varzim SC, GD Chaves e o campeão nacional, FC Porto. Os “dragões” foram afastados nas meias finais pelo Sporting CP na época passada, continuando com a espinha da Taça da Liga entalada, com zero conquistas. Este grupo parece, em teoria, ser mais acessível do que os grupos de SL Benfica e Sporting CP, no entanto o FC Porto terá de confirmar esse favoritismo, sendo que a visita ao Jamor na última jornada, poderá ser decisiva e uma autêntica final antecipada entre Belenenses e FC Porto.

Por fim, no grupo D, temos o atual vencedor, Sporting CP, o GD Estoril Praia (também super favorito à subida à primeira liga), o CD Feirense e o CS Marítimo. Este grupo também tem tudo para ser excitante e imprevisível. A única saída fora dos “leões” será ao Marcolino de Castro na última jornada, ou seja, se o CD Feirense precisar de uma vitória ou um empate para passar, terá a “faca e queijo na mão”. E atenção ao início excelente de campeonato dos “fogaceiros”. No entanto, o CS Marítimo também poderá discutir o apuramento, o que dependerá muito do que fizer em Alvalade, sendo que o GD Estoril Praia tem potencial para surpreender neste grupo.

Quem olha para os grupos pode pensar que teremos uma final-four com SL Benfica, SC Braga, FC Porto e Sporting CP (que era perfeito na ótica de quem organiza a prova e dos patrocinadores), mas antevêem-se surpresas e dificilmente será isso que acontecerá, porque, felizmente, o futebol é imprevisível e é isso que torna este desporto tão apaixonante. Como dizia o outro, “a bola é redonda”…

 

Foto de Capa: Liga Portugal

Finalmente Felipe chegou à “Canarinha”

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O central azul e branco recebeu na passada semana a notícia por que tanto ansiava, a convocatória para a seleção Brasileira. Depois de duas épocas ao mais alto nível defendendo as cores portistas, o central viu reconhecido todo o seu trabalho e o selecionador brasileiro, Tite, que já o vinha a observar, há bastante tempo, não hesitou em convocar o “patrão” da defesa portista.

Felipe chegou ao FC Porto na época de 2016/17 proveniente do SC Corinthians onde tinha sido campeão brasileiro. Os azuis e brancos pagaram cerca de seis milhões de euros para garantir o central. Esta convocatória é importante a diversos níveis, quer para a valorização em termos de mercado e, mentalmente para o jogador, é um tónico importante.

Felipe é, na minha opinião, um dos centrais mais completos do futebol mundial. Rápido, fortíssimo nos duelos individuais, imperial no jogo aéreo, boa capacidade técnica e um historial de lesões praticamente inexistente. Com 29 anos e no auge do seu rendimento desportivo, Felipe, tem todas as condições para ser opção recorrente nas próximas convocatórias da seleção Brasileira.

Felipe é o “patrão” da defesa do FC Porto
Fonte: FC Porto

Acredito que numa próxima convocatória o FC Porto esteja representado com mais dois jogadores. Alex Telles e Éder Militão estão na “calha” para serem chamados. A concorrência para Alex Telles é muita mas o fator idade joga a seu favor. Éder Militão saiu do Brasil como um dos melhores jogadores do Campeonato e com vários especialistas a pedirem a sua convocação.

O scouting do FC Porto no mercado brasileiro tem sido muito interessante, jogadores de qualidade com preços acessíveis. Felipe, Éder Militão e João Pedro custaram no total um valor a rondar os 20 milhões de euros. Facilmente se percebe que além do rendimento desportivo a rentabilidade financeira não será difícil de conseguir. Por tudo isto penso que é um mercado onde o FC Porto deve apostar forte e onde facilmente conseguira ter parceiros (como por exemplo Deco) que possam facilitar as negociações.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

A sorte não favorece os audazes

O empate a uma bola entre Benfica e PAOK esteve longe de ser um resultado justo.

Os encarnados sofreram inicialmente com a pressão alta dos gregos mas cedo a estratégia adversária caiu. Com o baixar de linhas do PAOK, o Benfica começou a sentir-se confortável, como é apanágio desde que Rui Vitória chegou.

O Benfica de Vitória, se não for pressionado na primeira fase de construção, rapidamente consegue instalar-se no meio-campo adversário, ainda que depois tenha dificuldades em transformar a posse em oportunidades. Ontem, a posse foi transformada em oportunidades e Pizzi podia ter resolvido a eliminatória em três ou quatro remates.

A falta de qualidade do PAOK também começava a ficar cada vez mais evidente. Coletivamente, com bola, os gregos não foram capazes de fazer uma jogada em condições. Na perspetiva individual, apenas Vierinha, Babá e Pelkas fugiram da mediocridade que grassava no onze da equipa de Salónica.

Pizzi foi o melhor em campo
Fonte: SL Benfica

Na segunda parte, o Benfica, já a vencer, entrou ainda mais personalizado e a fazer uso dos seus melhores jogadores. Zivkovic subiu o rendimento, Ferreyra perdeu a vergonha, e Gedson melhorou a percentagem de acerto das suas ações. No entanto, numa altura em que o Benfica estava claramente por cima e confortável com bola, Rui Vitória decide tirar Zivkovic e colocar Rafa.

A entrada do português até podia aceitar-se naquele período mas nunca para o lugar do sérvio. Franco Cervi, que somou disparates atrás de disparates, era o homem a sair. A partir daí, o Benfica, com dois alas que valorizam a correria acima de tudo o resto, perdeu o controlo do jogo e deixou o PAOK ter mais bola, ainda que de forma inconsequente. Sem bola, o Benfica teve de pressionar mais e cometer faltas. Foi através de uma falta -inexistente, diga-se- que surgiu o golo dos gregos.

Depois do infortúnio, Rui Vitória decidiu o que sempre decide quando precisa de correr atrás do resultado: meter mais um avançado. Além de Seferovic, um jogador que se percebe completamente alheado das dinâmicas da equipa, entrou João Félix, que em 15 minutos fez mais do que Cervi em 75. A equipa melhorou ligeiramente, Ferreyra teve uma bola açucarada de Félix, mas o resultado terminaria com o empate.

Para a segunda mão é imperativo uma vitória. O discurso do treinador terá de ser afirmativo, ao contrário do que fez na conferência de imprensa pós-jogo. Um empate nem sequer se pode colocar em causa. O Benfica é tão melhor e maior que o PAOK que seria um crime não ganhar e, consequentemente, estar na edição 18/19 da Champions.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Vanda Madeira Pinto

Preparem as câmaras, o espetáculo Duke vem aí

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Duke é uma das escolas mais vitoriosas no basquetebol universitário norte-americano e uma das maiores exportadoras de talento para a NBA. Orientadas pelo já lendário Mike Krzyzewski, os Blue Devils sempre foram conhecidos pelo seu jogo mais organizado e virado para os fundamentos. Porém, este ano apareceu um trio que obrigará o “Coach K” a um basquetebol mais rápido, espetacular e que deixa os seus jogadores explanar o seu talento ao mesmo que são preparados para a vida na NBA, daqui a um ano.

A quantidade de estrelas da NBA que saíram de Duke é de deixar qualquer um surpreendido. Só nos últimos anos podemos olhar para Jayson Tatum, Brandom Ingram, Justise Winslow, Jabari Parker ou Kyrie Irving. Para 2019, Duke colocou-se uns bons passos à frente dos seus rivais ao assegurar três dos cinco melhores jogadores saídos do liceu, isto se não forem mesmo os três melhores: RJ Barrett, Cameron Reddish e Zion Williamson.

Cam Reddish é talvez o mais discreto dos três, mas um talento a ter, obviamente, em conta. É um defensor tenaz, com um físico que impõe respeito e que lhe permite jogar em qualquer posição entre 1 e 4 (tanto defensiva como ofensivamente). No ataque ainda precisa de desenvolver um lançamento que já é, ainda assim, melhor do que os números parecem apontar. Tem facilidade no drible e na criação de cestos fáceis para si e para os seus colegas.

O canadiano Barrett é a estrela principal e o candidato principal a ser a escolha número um do draft da NBA em 2019. É um faz-tudo no ataque, com muita facilidade em atacar o cesto em força e com um lançamento que faz os defesas pensarem duas vezes antes de lhe darem espaço. Basicamente, coloquem a bola nas mãos dele e deixem-no jogar. RJ vai marcar ou assistir um colega na grande parte das vezes.

Apesar do “fenómeno Zion”, Barrett é o favorito para ser a primeira escolha no draft de 2019
Fonte: Duke Basketball

Por fim, Zion Williamson. A maneira mais fácil de o descrever será chamar-lhe “bicho”. É uma força da natureza autêntica, com um poder de explosão surpreendente. Zion é já uma sensação na internet pela maneira quase condescendente como dominou no secundário. A cada jogo, Williamson tinha mais um “highlight show” para mostrar e uma base de fãs a crescer. É um poste imponente, com um poder de salto incrível e, tal como os seus colegas, uma facilidade tremenda para ter a bola na mão, embora precise de uma melhor capacidade de lançamento.

O mote desta equipa terá de ser sempre “puxar a bola”. Ganhar o ressalto ou repor rápido e avançar em velocidade no terreno, como se os adversários fossem pinos para contornar. Mike Krzyzewski tem em Duke uma geração de basquetebol espetáculo à espera dos conselhos de um dos melhores treinadores que o basquetebol já viu antes de se estabelecerem na NBA. Por isso, preparem as vossas câmaras, o twitter e o youtube porque o “Circo Duke” chegou à cidade e vai ficar por uns tempos.

Foto de Capa: Duke Basketball

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Lendas do Universo Sportinguista – Marius Niculae

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Marius Constantin Niculae foi um avançado romeno que serviu o Sporting Clube de Portugal durante quatro épocas. Niculae ficou conhecido em Alvalade pelo seu extraordinário pé esquerdo e será sempre recordado pelos sportinguistas.

O internacional romeno fez a sua formação no Dínamo de Bucareste, tendo-se estreado aos 15 anos na equipa principal. Ao serviço do clube da capital romena, Niculae realizou 247 jogos e marcou 112 golos nas suas quatro passagens pelo Dínamo. A sua melhor temporada, no clube que o formou, foi em 2000/2001, onde foi o melhor marcador do campeonato, com 26 golos. Um verdadeiro herói do Dínamo de Bucareste, onde conquistou um campeonato, três Taças da Roménia e uma Supertaça.

Niculae formou-se no Dínamo de Bucareste
Fonte: Dínamo de Bucareste

Niculae, após o sucesso no clube onde foi formado, viria a ser apresentado como reforço do Sporting, no dia 7 de Julho de 2001, por indicação do ex-selecionador romeno e treinador leonino, Laszlo Bölöni. O reforço dos leões teve uma estreia de sonho de leão ao peito, sendo decisivo no “clássico” frente ao Porto, na primeira jornada do campeonato 2001/2002, marcando o golo da vitória do Sporting assistido por João Vieira Pinto.

Niculae fez, ao serviço do Sporting Clube de Portugal, 76 jogos e marcou 20 golos. Estes números não correspondem à sua qualidade, mas explicam-se pelo infortúnio do romeno com as graves lesões que contraiu ao serviço do clube de Alvalade. No entanto, nas quatro temporadas que esteve no Sporting, deu o seu contributo para várias conquistas: um campeonato, uma Taça de Portugal e uma Supertaça.

Em 2004/2005, Niculae viveu a sua última temporada de leão ao peito. Nessa derradeira temporada no futebol português, deu o seu contributo à equipa orientada por José Peseiro, que chegou à final da Taça UEFA. Na caminhada para a final, Niculae marcou presença em duas dessas mágicas noites europeias, na vitória por 4-1 em Alvalade, onde marcou um dos golos, e ainda na segunda-mão da meia-final em Alkmar, onde foi suplente utilizado.

Ao serviço dos leões, Niculae, foi colega de grandes craques, como Ricardo Sá Pinto, Beto, Pedro Barbosa, André Cruz, Quaresma, Liédson, Mário Jardel, César Prates e do melhor do mundo, Cristiano Ronaldo, entre tantos outros que marcaram a história do Sporting.

Marius Niculae saiu do Sporting Clube de Portugal, aos 25 anos, rumando aos belgas do Standard de Liége, seguindo-se várias aventuras: os alemães do Mainz, os escoceses do Inverness, os gregos do Kavala, os romenos do FC Vaslui, os ucranianos do FC Hoverla e os chineses do Shandong Luneng. Após a sua saída de Alvalade, além destes clubes teve ainda três passagens pelo Dínamo de Bucareste, o clube onde foi formado e onde acabou por terminar a sua carreira, na época 2014/2015.

Niculae ainda participou em dois europeus
Fonte: Federação Romena de Futebol

Na seleção romena, Niculae fez também história, tendo-se estreado aos 18 anos, após ter sido internacional nas camadas jovens por 24 ocasiões e marcou 14 golos. Na seleção “A” representou o seu país em 44 jogos e marcou 15 golos, tendo participado em dois campeonatos da Europa, nos anos 2000 e 2008.

Um verdadeiro craque que, de leão ao peito marcou golos, fez assistências, contribuiu para vitórias e títulos. Vestiu as camisolas 7 e 9 do Sporting, sendo que ficará para sempre a dúvida se com a sua qualidade, se não tivesse o tormento das lesões, até onde poderia chegar. Na memória dos sportinguistas ficará a garra e atitude, o excelente pé esquerdo e o faro de golo, sendo também forte no futebol aéreo.

Obrigado, Marius Constantin Niculae!

Foto de Capa: Super Sporting

 

O Passado Também Chuta: José Maria

Estou a iniciar uma crónica muito séria. Falarei do José Maria. Escreverei sobre o irmão do Conceição. Contarei coisas sobre o colega do Pedras; do Jacinto João; do Guerreiro; do Arcanjo; do Herculano; do Carriço, do Mourinho, do Vital, falarei do Vitória de Setúbal da época de ouro do futebol português: a década dos 60-70 do século passado. Hoje seria campeão se os lobos do futebol europeu não lhe levassem a equipa inteira da noite para a manhã. É uma década irrepetível. O futebol português conquistou títulos internacionais e esteve presente em finais. Em 1966 deslumbrou no Campeonato de Inglaterra. E pelo País fora contemplavam-se grandes jogos e grandes jogadores para além dos clássicos grandes.

Jamais se repetiu este cenário grandioso, nem esta quantidade ingente de cracks. A década dos 60 começara bem, muito bem e prometendo um futuro risonho. A seleção de juniores ganhou o campeonato europeu. Figuravam jogadores como o Carriço, Simões, Oliveira Duarte, Serafim, Rui, Peres….

Foram uns juniores que cortavam a respiração. Das antíguas colónias não deixavam de chegar cracks. Vindo do Brasil, algum se tornou alma e corpo do Sporting campeão da Taça das Taças; falo de Osvaldo Silva. A Portugal, para além da prata da casa, chegaram excelentes treinadores. O campeonato português refletia excelência. Para este meio e para este campeonato chegou a Setúbal o que seria o jogador mais emblemático do clube. Bateu record de golos, anos e jogos. Era temido e jogou entre grandes jogadores; chamava-se José Maria.

Era um interior ofensivo. Tinha grande capacidade física; habilidade e dono de uma técnica soberba. Finalizava como os melhores e contra os grandes era como eles. A prova está que ainda hoje é o melhor goleador do Vitória de Setúbal em jogos europeus. Contabilizou treze golos por essa Europa fora.

José Maria e o irmão Conceição
Fonte: Vitória FC

Venceu duas Taças de Portugal e esteve em outras grandes classificações do Vitória de Setúbal. O Campo ficou pequeno e ultrapassado; a cidade do Sado viu aparecer um estádio novo. Bem sei que nos tempos que correm nenhum destes cracks duraria em Portugal uma colheita, no entanto, colocando-me no campo do condicional afirmo que nos tempos que correm este Vitória seria campeão indiscutível em Portugal. E continuando no campo do “se” direi que esta equipa teria muito melhor prestação em Europa que as equipas portuguesas atuais.

José Maria era irmão de outro grande crack do Vitória de Setúbal. Conceição foi um grande defesa-direito internacional como o seu irmão no tempo em que em Portugal nessa posição jogavam: Cavém, Augusto Silva ou Malta da Silva; Lino, Pedro Gomes ou Moraes; e o grande Festas.

Chegaram estes dois irmãos de Angola. José Maria chegou em 1962 procedente do Clube Atlético de Luanda. Chegou e beijou o santo durante catorze épocas. Irrepetível; nenhum jogador perdurou tantos anos no Vitória de Setúbal. Marcou noventa e três golos nos campeonatos nacionais que disputou. José Maria, hoje, é saudade e lenda do melhor Setúbal de sempre e da década mais prodigiosa do futebol português.

Foto de Capa: Vitória FC

Cardoso precisa de resultados quanto (N)antes

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Novo treinador, oito entradas no plantel e 11 saídas até agora constituem a face de um novo Nantes em ‘La Beaujoire’ sob o comando de Miguel Cardoso.

Depois do quinto lugar conquistado ao serviço do Rio Ave, o treinador português vive agora a sua segunda experiência como treinador principal e, se já se pressente e sente o estilo bem vincado do técnico na forma de jogar da equipa, os resultados das duas primeiras jornadas não foram os mais agradáveis, com um total de um golo marcado e cinco sofridos ao cabo de duas derrotas.

Na jornada inaugural, no ‘duelo luso’ frente ao Monaco de Leonardo Jardim, ‘Les Canaris’ tiveram muito mais bola privilegiando o ataque posicional, mas erros defensivos na altura do contra-ataque penalizaram, e de que maneira, a formação de Miguel Cardoso. Já no jogo com o Dijon, foram salientes os mesmos problemas, mas com três mexidas no onze inicial: saídas de Koffi Djidji, Kalifa Coulibaly e Abdoulaye Dabo e as entradas de Matt Miazga, Gabriel Boschilia e Emiliano Sala.

Sábado, com o Caen, as hostes canárias confiam que o líder Miguel Cardoso vai levar o barco a bom porto, isto é, à primeira vitória, aos primeiros pontos
Fonte: FC Nantes

O brasileiro Lucas Evangelista e o ganês Majeed Waris deixaram o futebol português para vestir o emblema canário, sendo que o primeiro, ex-Estoril, foi mesmo peça da equipa titular nos dois jogos; já o ex-FC Porto foi escolha saída do banco e pode espreitar a titularidade no sábado, em casa, frente ao Caen.

No último lugar da Ligue 1, a situação não é tão alarmante por ser muito inicial e o tempo para assimilação das novas ideias deverá ser essencial para o nascer da nova era do clube francês. Na pré-época correu tinta sobre uma certa polémica na rigidez das regras impostas pelo rigoroso Miguel Cardoso, mas nesta altura parece tudo ultrapassado e o presidente Waldemar Kita mostra agrado com os métodos do técnico. Até já surgem comparações com o anterior treinador português do clube, Sérgio Conceição. Contudo, na forma de estar em campo, são tão diferentes…

Foto de Capa: FC Nantes

Artigo revisto por: Jorge Neves

SL Benfica 1-1 PAOK: É necessário ir à Grécia fazer uma aposta milionária

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Depois da tarefa difícil na Turquia, conquistar os gregos é o próximo passo do Benfica para alcançar os milhões da fase de grupos da UEFA Champions League. Na primeira mão disputada no Estádio da Luz, os «encarnados» estiveram a um bom nível exibicional que se foi estagnando ao longo que os minutos passavam. A equipa portuguesa sentiu isso – e muito bem – na segunda parte e empatou a uma bola com os gregos do PAOK de Salónica. É esperado um jogo altamente complicado na Grécia.

Daquilo que se sabia sobre o PAOK, era necessário ter em conta que o conjunto grego utiliza um sistema tático com dois médios defensivos: Maurício e José Cañas. Ora, para talvez confundir a tarefa defensiva do PAOK à entrada da sua área e para não ter um enfoque habitual na velocidade estonteante de Salvio pelo lado direito, o treinador do Benfica lança Zivkovic e deixou o argentino no banco. O sérvio procurou vários espaços no interior do meio-campo do PAOK conjuntamente com Pizzi, sendo que as posições de ambos os jogadores iam rodando entre si. O Benfica abria o jogo para as alas antes de chegar à área do PAOK e causou vários lances de perigo.

Falar de Pizzi é resumir a primeira parte. Mas antes disso, o Benfica já tinha começado muito bem a partida. Gedson Fernandes fez o golo logo aos cinco minutos depois de um passe longo do colega de meio campo, mas o árbitro assinalou fora de jogo. Depois disso e alguns remates do PAOK ligeiramente por cima da baliza de Vlachodimos ‘só deu Pizzi’.

O português Vieirinha foi titular na equipa do PAOK, Zivkovic a novidade no onze do SL Benfica
Fonte: PAOK Salónica

Aos 22 minutos, Cervi cruza rasteiro da esquerda para o meio, já dentro de área. O camisola 21 do Benfica também rematou rasteiro, de primeira, mas a bola foi para bem perto do poste defendido pelos gregos na primeira parte. Três minutos depois, podia ter dado um golaço, Pizzi penteava a bola a entrada da área. Nenhum adversário se aproximou da bola. Então, o médio pica a bola para um chapéu à trave que bem podia ter surpreendido o guarda-redes do PAOK.

Pizzi só viria a chegar ao golo que tanto queria após converter uma grande penalidade com sucesso no fecho do primeiro tempo (1-0). Gedson Fernandes recebe à entrada da pequena área outro passe rasteiro de Cervi vindo da esquerda. Ao rematar, Maurício faz uma entrada pouco prudente sobre o jovem médio encarnado.

No segundo tempo, o Benfica era quem de facto dominava a partida, mas com oportunidades igualmente inofensivas como as do PAOK. No entanto, os gregos efetuaram muito mais aproximações à área «encarnada» em comparação com a primeira parte. O Benfica devia ter procurado um segundo golo e não sofrer, algo que acabou por acontecer numa bola parada quando já faltava um quarto de hora para terminar a partida. Canto batido, Fernando Varela cabeceia forte para a barra do Benfica e, no ressalto, Warda – que tinha sido lançado por Lucescu – remata de pé esquerdo para o lado mais distante de Vlachodimos (1-1). Era um balde de água fria a cair na noite quente que se fez na Luz.

Na procura de um resultado ligeiramente mais positivo para a segunda mão em Salónica, Rui Vitória lança Seferovic e, quem diria, João Félix que se estreou na equipa principal do Benfica. O mesmo jovem protagonizou os lances mais que colocaram os mais de 40 mil adeptos «encarnados» na Luz em desespero. Aos 85’ enviou um passe longo e imprevisível para o coração onde estava Facundo Ferreyra. No frente a frente coma baliza, Paschalakis defende. Já nos minutos de compensação, João Félix rematou do lado esquerdo da área dos gregos e bola passou muito perto do poste direito do PAOK.

Ao longo da partida, foi-se apercebendo os motivos pelos quais o PAOK está neste playoff da UEFA Champions League. Eliminar adversários como o Basileia e Spartak de Moscovo não pode ser por acaso. O conjunto grego demonstrou resistência física, agressividade e foi capaz de defender sem grandes precipitações e ir gradualmente atacando o meio-campo do Benfica. Aproveitou uma bola parada para ‘sacar’ um resultado positivo na visita a Portugal.

Onzes iniciais:

SL Benfica: Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Jardel e Grimaldo; Fejsa, Gedson Fernandes e Pizzi (59’ João Félix); Zivkovic (63’ Rafa), Cervi (78’ Seferovic) e Ferreyra.

PAOK: Paschalakis; Léo Matos, Fernando Varela, José Ángel Crespo e Vieirinha; Maurício, José Cañas, Limnios (51’ Warda), Léo Jabá (80’ Shakhov) e Pelkas; Prijovic (87’ Akpom)

Grupo D: o grupo do vencedor tem tudo para fazer o vencedor sorrir

O Sporting já conhece os seus adversários para o grupo da Taça da Liga. Num grupo em que, tal como todos os outros, só passa o primeiro classificado, os leões irão defrontar, respetivamente, o Marítimo (16/09), o Estoril Praia (31/10) e o Feirense (28/12).

Neste texto, faremos dois tipos de análises que em muito ajudam a perceber as equipas que o Sporting irá defrontar. Uma referente à história de cada equipa na competição, e outra referente à atualidade de cada emblema.

Comecemos então pelo primeiro opositor da turma de Alvalade: o Marítimo. Após ter eliminado o Mafra por três bolas a zero, os madeirenses chegam a este grupo, ao grupo D, como o principal opositor dos leões. Tanto por ser já um histórico do nosso futebol como por apresentar um bom, plantel para esta época (é de notar o regresso do português Danny), o Marítimo apresenta-se como o potencial adversário mais difícil do Sporting. É de recordar que a equipa da ilha da Madeira foi já finalista desta competição na edição de 2014/2015.

O Sporting é o principal favorito à vitória do Grupo D
Fonte: Liga Portugal

Por sua vez, o Estoril Praia, que desceu à segunda divisão, eliminou o Farense por 2-0 e é uma das três equipas do segundo escalão presentes nesta competição (as outras duas são o Paços de Ferreira e o Varzim). Os canarinhos contam com três vitórias em três jogos (Farense, Porto B e Braga B) e tem apresentado um bom nível de futebol. Todavia, a equipa da linha não tem lá grande historial nesta competição e nunca ultrapassou a fase de grupos.

Por último, o Feirense. Com Nuno Manta Santos no comando, os homens de Santa Maria da Feira são sempre conhecidos pelo futebol bastante atrativo praticado. Contudo, deixaram muito a desejar na época transata e estiveram até à última jornada a lutar pela manutenção. Tal como os homens da linha, o Feirense também nunca apostou muito as fichas nesta competição e nunca alcançou grandes feitos na Taça da Liga.

O Sporting é o atual vencedor desta competição e ao que aparenta tem tudo para ultrapassar esta primeira fase.

Foto de Capa: Sporting CP

 

Reintegrar Marega: Sim ou Não?

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A história de Marega no FC Porto parece tirada de um “conto de fadas”: A chegada do sonhador maliano do modesto CS Marítimo à grande cidade da Invicta, uma primeira passagem falhada e um regresso triunfante tornando-se na figura principal da conquista do histórico título da temporada passada.

A entrada para esta nova temporada tinha tudo para ser a continuidade do sonho de Marega, depois de ter, tanto o treinador como os adeptos rendidos a seus pés. No entanto, Moussa Marega cometeu um dos pecados capitais: a gula!

Depois de ter sido na última temporada, indiscutivelmente, o melhor jogador do FC Porto na conquista do título, Marega colocou-se logo no início desta época em “maus lençóis” e a sua situação complicou-se.

Marega foi decisivo na conquista do título e é um dos jogadores mais influentes do plantel
Fonte: FC Porto

A gula de Marega pelo campeonato inglês cegou a razão do maliano e o mister teve mão firme e castigo pesado para ele. Sérgio Conceição não facilitou e desde então, Marega tem trabalhado à parte do grupo de trabalho, num castigo que já dura há duas semanas. Em causa está o compromisso e o foco de Marega para com o clube e para com o projeto desenhado por Sérgio Conceição que desta forma, afeta a harmonia de todo o balneário.

No entanto, as opiniões dividem-se! Por um lado percebe-se o lado de Marega. Depois de uma época fantástica pelos dragões era natural que o maliano quisesse sair pela porta grande e seguir o tão conhecido “sonho inglês” partilhado por quase todos os atletas. No outro lado, temos o treinador, os adeptos e o clube. Todos eles se sentiram “traídos” por Marega. Quis sair sem se despedir, sair sem agradecer. É natural ver jogadores a sair e a entrar todos os dias no clube, mas Marega é especial! Criou-se uma relação quase umbilical entre os adeptos e Marega e todo o conto de fadas que envolveu a ascensão do jogador a vedeta do clube, fez com que o maliano se tornasse o jogador mais acarinhado pelos adeptos em todo o plantel. É por isso difícil ver partir aqueles de quem tanto se gosta e que tanto deu ao clube.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira