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Carta Aberta a Luís Filipe Vieira

Caro Presidente Luís Filipe Vieira,

Esta é a primeira vez que me dirijo a si em público e lamento muito que, de todas as vezes que me dirigi a si (em público ou em privado), nenhuma delas tenha sido para elogiá-lo ou parabenizá-lo por algo. Certamente que após ler isto deve estar a rir-se e a pensar: “Olhem este… eu que recuperei o clube, voltei a dar-lhe credibilidade, gastei tantas horas…” – eu sei, caro Presidente Luís Filipe Vieira. Eu já conheço essa conversa de trás para a frente. Basta ir a uma qualquer Assembleia Geral e lá vem a conversa de sempre.

O que eu quero relembrar, caro Presidente Luís Filipe Vieira, é que antes de assumir o seu cargo, o Sport Lisboa e Benfica já existia há 99 anos. Muita História fizemos ao longo desse tempo, criando uma identidade e elevação que fazem com que seja exigido respeito para com o nosso passado. Não me venham falar de títulos que aconteceram durante o seu legado, pois isso faz parte da sua obrigação enquanto dirigente máximo de um colosso como o Sport Lisboa e Benfica. Aliás, se pegarmos por aí, até chegamos à fácil conclusão de que o saldo de títulos conquistados ao longo destes 15 anos nem sequer é positivo. O que é de lamentar.

Mas deixemo-nos de rodeios. Aquilo que me leva a escrever-lhe é o facto de continuar a insistir nos mesmos erros. Quero que explique, de uma vez por todas – a mim e a todos os benfiquistas – aquilo que o move. Será que são mesmo erros ou já passaram antes a ser interesses? Diga-nos, por exemplo, o que é que o leva a abdicar do melhor jogador das últimas quatro edições da liga portuguesa? Isto não cabe na cabeça de ninguém, caro Presidente Luís Filipe Vieira.

É caso para ser considerado gestão danosa. Queira desculpar-me, mas se Jonas pediu algum aumento de salário não acredito que o mesmo não pudesse ser concedido. Como disse, Jonas foi o jogador mais influente desde que vestiu pela primeira vez o manto sagrado e tem toda a legitimidade de ser recompensado por isso.

Por exemplo, é completamente inaceitável que se tenha renovado com Luisão durante anos e anos a fio (sempre com aumentos de ordenado, devido a alegados interesses do estrangeiro) e não se possa manter no nosso plantel um jogador absolutamente decisivo, que garante mais de 30 golos por época. Jonas é um jogador de um campeonato à parte. A confirmar-se a sua saída, é mais um erro imperdoável.

Convém relembrar que, por cima do Emblema, só se encontra a Águia: superlativa, altiva e vigilante
Fonte: SL Benfica

A péssima gestão do “caso Jonas” é só mais um exemplo dos erros sucessivos que vem a cometer de há uma série de anos para cá. São já vários os casos de jogadores que saem do clube, onde se percebe perfeitamente que é contra a sua própria vontade. E o que vemos na comunicação social? Notícias notoriamente encomendadas, que dizem que “o Presidente tentou de tudo, mas a vontade do jogador sobrepôs-se”.

Mundiais Universitários de Ciclismo: Dobradinhas polacas e holandeses em dia agridoce

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Foi este sábado o dia final dos Mundiais Universitários de Ciclismo, que se disputaram esta semana em Braga, com a realização das provas de fundo de estrada.

Pela manhã, correu-se a prova feminina, com pouco mais de 90 quilómetros e um percurso acidentado, onde as duas passagens pelo Alto do Sameiro seriam decisivas.

Depois de uma fase inicial de estudo mútuo em que nenhuma fuga se conseguiu constituir, a primeira subida ao Sameiro, feita pela vertente mais suave por Espinho, viu os primeiros ataques a sério, com um grupo de quatro elementos a destacar-se na frente da corrida e rapidamente construir uma larga vantagem.

Na segunda subida ao Sameiro, desta feita já pela mais dura vertente do Bom Jesus, as polacas, Marta Lach e Karolina Sowa, aproveitaram a vantagem numérica e forma desfazendo-se da adversárias, primeiro a australiana Ruby Roseman-Gannon e depois a alemã Jaqueline Dietrich.

A fazerem os quilómetros finais sozinhas, mantiveram a vantagem para as perseguidoras e, na reta da meta, Lach levou a melhor para ficar com o ouro, relegando a compatriota Sowa para a prata. A quase minuto e meio chegou Dietrich que ficou com o bronze.

Soraia Silva melhorou o resultado alcançado no contrarrelógio
Fonte: José Baptista/Bola na Rede

A única representante de Portugal foi, novamente, Soraia Silva, que teve dificuldades num percurso tão duro, ela que é mais uma ciclista talhada para os terrenos mais planos, mas ainda assim finalizou num honroso oitavo lugar, a cerca de oito minutos da frente.

Da parte da tarde, foi a vez dos homens, numa prova que, em vez da parte desportiva, foi a falta de informação e má gestão dos cortes de estrada a ser o maior destaque.

O percurso original levaria os ciclistas a passar quatro vezes pelo Sameiro, mas (mais uma vez) a falta de informação reinou, parecendo que a corrida foi encurtada.

De qualquer forma, a prova seguiu o mesmo guião da feminina, como uma fuga a formar-se já em fase adiantada da corrida e a saírem daí ataques e os medalhados.

Desta vez, foram os Países Baixos a fazer valer os números, com Adne Van Engelen a chegar isolado para a vitória e o compatriota Jacob De Lange a ficar com a prata. O bronze seria para Liam Magennis, o australiano que já havia conquistado oouro no crono.

Para as cores nacionais, Marcelo Salvador estaria no ataque certo, mas foi incapaz de acompanhar os melhores na parte final e teve de se contentar com o sétimo posto.

Nota da Organização: 6/10

A avaliação à organização da AAUM tem sempre de ser positiva quando comparada com edições anteriores deste evento. Este ano, havia uma ideia clara e a realização de quatro eventos de várias especialidades foi uma aposta ganha e que deu credibilidade aos campeonatos. A princípio, parecia haver apenas duas notas menos positivas: notou-se em vários detalhes que faltava à organização quem estivesse mais por dentro da gestão de um evento de ciclismo e continua a faltar aos campeonatos mundiais a inclusão da pista, algo impossível para os minhotos, já que se localiza em Sangalhos a única portuguesa. No entanto, a última prova, a de fundo masculina, foi um verdadeiro fiasco organizacional e deixou uma má imagem na despedida.

PSG 4-0 AS Mónaco: Parisienses deixam monegascos de olhos em bico

A tarde de hoje marcou o início da época 2018-2019 em França com Paris Saint Germain e Mónaco a disputarem o “Trophée des Champions”, também designado por Supertaça francesa. O palco da partida foi fora de portas, tendo lugar no Shenzhen Stadium em Guangdong, na China.

Do lado dos parisienses houve lugar para alguns destaques, desde logo a estreia de Tuchel como técnico em jogos oficiais e a de Buffon como guarda-redes do atual campeão de França. Tuchel além de não poder ter contado com Cavani e ainda o prodígio Kylian Mbappé, deixou ainda caras bastantes conhecidas no banco, com especial relevância para Neymar, decidindo apostar em produtos da formação, que fizeram também os seus primeiros minutos oficiais com a camisola do PSG. No reverso da medalha, Leonardo Jardim apenas contou com a ausência de Falcão, apresentando por isso o melhor onze inicial possível.

Os primeiros minutos da partida caracterizam-se por terem sido maioritariamente disputados a meio campo, com as equipas muito presas a um jogo lento e a anularem-se constantemente uma à outra. Aos 15 minutos, Di María mostra-se pela primeira vez ao jogo com um belo lance individual, ao qual Benaglio correspondeu com uma grande defesa, e deu indícios do que estaria para vir. O argentino assumiu as despesas do jogo e começou a ser a referência do movimento ofensivo do PSG concretizando vários passes e lançando a sua equipa para a frente.

Pouco depois de se atingir a meia hora de jogo, Dí Maria paga o bilhete a quem se deslocou ao estádio, convertendo de forma exímia um livre de longa distância com um remate perfeito junto do canto superior direito da baliza de Benaglio. A resposta monegasca não tardou e minutos depois, naquela que foi a única oportunidade verdadeiramente dita por parte do Mónaco, Rony Lopes teve o empate nos pés, mas mesmo já dentro da pequena área não conseguiu bater Buffon.

Há uma velha máxima do futebol que diz: “Quem não marca sofre” e o Mónaco sentiu isso no jogo de hoje, quando, já na reta final do primeiro tempo, o jovem Christopher Nkunku após passe de Nsoki fez o 2-0.

Sofrer o segundo golo naquela altura do jogo foi um rude golpe para os comandados de Leonardo Jardim, que não conseguiram reagir devidamente à desvantagem e prova disso mesmo é o facto de não ter conseguido sequer ter criado uma oportunidade de golo no segundo tempo. O PSG nunca deixou de controlar a partida e à medida que o tempo foi passando foi criando mais oportunidades, como resultado da descrença e em parte até apatia do Mónaco.

Várias oportunidades de golo foram surgindo, com mais uma vez Di María em especial evidência, e era Benaglio quem aguentava o 2-0.  Aos 67 minutos a resistência esgotou-se e o PSG fez o 3-0, num lance em que Nsoki mostra novamente grande visão de jogo e capacidade de colocar a bola onde deseja, oferecendo a Timothy Weah o 3-0.

Tuchel não deu ordens de contenção e o PSG continuou à procura de mais golos, era clara a fragilidade da equipa de Leonardo Jardim e havia por isso uma janela de oportunidade para aumentar o marcador. Assim foi, entre mais um par de remates ao lado, mais uma defesa de Benaglio, um remate de Nkunku ao poste direito, Di María fez mais uma para a conta pessoal e já em período de compensação fixou o resultado final em 4-0.

O Paris Saint Germain conquistou a sexta Supertaça consecutiva, com uma vitória que não merece qualquer tipo de contestação. Desde da consistência defesa à intensidade e qualidade do movimento ofensivo, o PSG foi melhor em todos os momentos do jogo e goleou nesta final, deixando o adversário de olhos em bico.

Os leões já sabem o caminho a percorrer

A análise aos calendários das equipas é sempre algo subjectivo de se fazer. Todos fazem o mesmo numero de jogos e fazem exatamente os mesmos jogos.
Neste sentido, só faz sentido analisar o calendário das equipas mediante meras especulações.

É de realçar que focaremos esta análise única e exclusivamente nos jogos referentes ao campeonato, dado que esse é único calendário já conhecido.

Assim sendo, comecemos pelo mês que dá início à Liga NOS. Uma deslocação a Moreira de Cónegos logo a abrir, a receção ao Vitória Futebol Clube e, para acabar em beleza, uma deslocação ao Estádio da Luz. É quase impossível fazer previsões numa fase ainda tão prematura da temporada, mas a verdade é que o mês de agosto não se avizinha lá muito complicado. À exceção do jogo frente ao Benfica, os jogos frente a Moreirense e Vitória aparentam ser acessíveis.

Continuando, Alvalade receberá, no mês de setembro, o Feirense e o Marítimo. Pelo meio, os leões deslocam-se ao norte para defrontar o Braga. Este vai ser, em princípio, um mês de semelhante dificuldade comparativamente com o mês de agosto: apesar de haver uma deslocação à Luz no primeiro mês da época, há também uma difícil deslocação a Braga e tanto Feirense como Marítimo aparentam ser adversários mais difíceis do que Moreirense e Vitória; no entanto, os leões têm duas deslocações no mês de agosto e só saem de casa uma vez no mês de setembro.

O Sporting tem duas deslocações complicadas nos dois primeiros meses
Fonte: Sporting CP

Por sua vez, o mês de outubro inicia-se com um embate frente ao Portimonense de António Folha. Os homens de Peseiro viajarão até Portimão para defrontar os homens do antigo treinador do Porto B, que nesta pré-época venceram o Futebol Clube do Porto. Depois, só no final do mês é que o Sporting volta a entrar em campo e com uma receção ao Boavista.
Tal como o mês de outubro, Novembro terá também dois jogos para o campeonato: uma deslocação ao Açores para defrontar o Santa Clara e o jogo em casa frente ao Desportivo de Chaves.

O mês de dezembro será, à partida, um mês complicado para os leões. O Sporting recebe o Nacional, visita Guimarães e recebe o Belenenses e visita o Tondela.
A primeira volta termina no mês de Janeiro, recebendo o Belenenses, visitando o Tondela e recebendo o Futebol Clube de Porto na última jornada.

Em suma, o calendário até se avizinha “simpático” para os homens de Alvalade mas todas estas análises são subjetivas, mais que não seja porque a época ainda nem sequer começou.

Foto de Capa: Sporting CP

Como encaixará Shaqiri nos vice campeões europeus?

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O Liverpool ia renascendo com Brendan Rodgers. Aquela escorregadela de Gerrard diante do Chelsea arruinou não um campeonato, pois nunca saberíamos se a vitória diante dos “blues” seria suficiente para tal feito, mas deixa ficar eternamente uma sensação de como seria. O tal “se”, a conjunção mais usada no mundo do futebol. Do género, “ai, e tal, se tivesse sido penalty ganhávamos”.

Isto é, sem grande validade ou utilidade. Porém, o título deste artigo assenta nesse fator circunstancial que envolve, mas numa vertente de futuro, não se passado… Uma coisa é sonhar com o que pode acontecer, outra completamente diferente, é sonhar com o que poderia ter acontecido!

Mas dá sempre que pensar. Adeptos fervorosos como são os de Anfield, que devem ainda hoje olhar o céu e perguntar para a sua consciência: “Como seria se o Sérgio Ramos não “derrubasse” o Salah? Não que seja ilegítimo para eles pensar nisso, ou que o que Ramos parece ter feito seja bom, mas eu prefiro que esses mesmos adeptos reflitam, e cheguem à conclusão que desde a chegada de Klopp, o nível da equipa equipara-se a qualquer um dos rivais ingleses. Sem ele, talvez nem Salah fizesse parte do plantel. E muito menos chegariam a uma final europeia… Não sou dono e senhor disto tudo, mas é o que acho.

O estilo de jogo implementado pelo técnico ex-Mainz e Borussia Dortmund é aliado à chegada de excelentes executantes. Lembro-me bem de um passado recente em que o Liverpool não conseguia manter os seus melhores trunfos: Torres, Suarez, Raúl Meireles, Sterling, entre muitos outros. Posso estar enganado, mas acredito que Klopp tem a sua parte de influência no que se refere à coesão de uma equipa, ao grau de empenho dado por cada elemento da equipa.

Penso que Emre Can saiu, mas não saiu sem o clube ter quem garanta um jogador que desempenhe a um nível semelhante essa posição (Fabinho ou Naby Keita). Penso que é nesse sentido que o clube soube voltar ao topo da montanha e saber subsistir por lá. Não basta vender o que tem de melhor e usar a verba recebida em dois ou três “apostas”. O lugar é preenchido por um, não por três ao mesmo tempo!

A musculatura de Xherdan Shaqiri nos membros inferiores deixa os seus companheiros perplexos
Fonte: Liverpool FC

Na mesma linha que os brasileiros Alisson Becker e Fabinho, ou o guineense Keita, chega Shaqiri. Para mim, um prodígio. Um jogador muito imprevisível e extremamente desiquilibrador. Vi-o jogar pela primeira vez quando o Basileia jogou contra o Benfica. Por volta de 2011 ou 2012.

Grande craque. Desde então, foi para o Bayern (pouco espaço), andou emprestado em Milão, no Inter, e depois foi regalado para o 2.º escalão, ao serviço do Stoke… No Stoke… Um jogador destes no Stoke só pode ser brincadeira. E ainda mais estranho, é o facto de que num mercado tão quantificado a nível de transferências entre clubes, o suiço nascido no Kosovo “apenas” ter sido negociado por 15 milhões de euros… Definitivamente, não percebo nada disto já.

É um baixinho cheio de força e genica, e parece-me que não vai desiludir. A sua estreia promete… Uma exibição bem convincente, e uma bicicleta como brinde… Fácil. Porém, com Salah e Sadio Mané, à priori, em cada ala do ataque, resta saber se Klopp o vai “enfiar” lá no meio, ou se o vai lançar mais recuado, ligeiramente atrás do trio atacante, à imagem do que aconteceu com Philippe Coutinho.

O renascimento deste magnífico emblema não deve tardar, qualquer adepto “red” tem de estar bem ansioso pela época que se inicia em breve. Shaqiri é reconhecido pelo seu talento, já fez golos incríveis. Contudo, fica a sensação que ainda não explodiu verdadeiramente. E “já” conta 26 anos! Foi com Jurgen Klopp que Salah soltou o génio que Mourinho não vislumbrou; terá Klopp agora a fórmula para ativar Shaqiri?

Foto de Capa: Liverpool FC

Artigo revisto por: Jorge Neves

Estrelas da Formação: João Filipe (“Jota”)

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Do Caixa Futebol Campus têm saído jogadores do mais variado calibre: potentes, cerebrais, maestros, tecnicistas, seguros defensivamente, virtuosos… No caso de João Filipe (ou “Jota”, como é mais conhecido), podemos dizer que este se situa na categoria dos jogadores virtuosos, tal é o entusiasmo que provoca a quem o está a ver jogar.

Nascido em 1999, Jota é um verdadeiro exemplo para qualquer menino que sonha um dia vir a vestir a camisola do Sport Lisboa e Benfica e actuar nos grandes palcos. A envergar o manto sagrado desde os seus sete anos de idade, Jota tem crescido no Seixal, subindo a pulso e apresentando sempre uma humildade e qualidade que o caracterizam.

Porém, nem tudo foram rosas no percurso do jovem extremo: em 2015, começou um calvário de lesões que só tiveram fim no início do ano de 2017. Apesar de se ter sagrado Campeão Europeu de Sub-17, Jota esteve bastante tempo dessa temporada lesionado, tendo feito somente 17 jogos em 2015/2016, agravando a lesão na final frente à espanha. Iria acabar por ser operado a uma pubalgia em agosto e dar início a uma longa recuperação que só terminaria em janeiro de 2017.

Muito se temeu pela evolução deste jovem talento, ele que já nessa altura vinha fazendo as maravilhas dos adeptos que assistiam aos jogos da formação, perfumando as suas exibições com uma classe, técnica e inteligência ao nível dos melhores. Após a lesão, Jota retomou o seu caminho e voltou a encarrilar rumo a uma carreira esperançosa e de topo.

Jota é um extremo desconcertante, rápido, tecnicista e com uma leitura de jogo bastante acima da média
Fonte: SL Benfica

Nestas últimas duas temporadas, Jota tem feito a maior parte dos jogos na equipa B, patamar onde pode enfrentar jogadores mais experientes e ganhar outras noções do jogo. A sua evolução tem sido francamente positiva e, quer no SL Benfica, quer na Seleção, o jovem extremo é um jogador bastante influente. Esta influência levou João Tralhão a selecioná-lo, na temporada passada, para “descer” aos Juniores e ajudar este escalão; primeiro, na competição da UEFA Youth League e, depois, na campanha que levaria os Sub-19 do SL Benfica a sagrarem-se Campeões Nacionais.

Jota possui características bastante interessantes e tem, forçosamente, de ser um dos jovens da Equipa B considerados para dar o salto para a equipa principal, visto que seria uma adição bastante interessante ao nosso ataque. Trata-se de um extremo desconcertante, rápido, tecnicista e com uma leitura de jogo bastante acima da média. O facto de ser ambidextro faz com que seja efetivo e crie desequilíbrios muito facilmente em qualquer uma das alas.

Com este campeonato europeu de Sub-19 realizado, em que repartiu a liderança de melhor marcador com Francisco Trincão e se sagrou o melhor jogador do torneio, Jota poderá ter dado um passo muito importante rumo a um futuro brilhante. Segundo algumas notícias que têm vindo a ser veiculadas pela comunicação social, as portas da equipa principal parecem estar abertas para este jovem talento. Com a mesma naturalidade com que pega na bola e facilmente a aproxima da baliza, Jota irá, certamente, fintar os obstáculos e marcar este golo.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Vanda Madeira Pinto

Tudo a perder e pouco a ganhar?

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Ponto prévio: é ingrata a missão de (re)escrever os motivos pelos quais o FC Porto tem mesmo de vencer a Supertaça Cândido de Oliveira. Mas é mesmo assim, agora que se reergueu, nada pode abalar a consolidação que se perspetiva. E quão mau seria começar a nova época sem impor a lei do mais forte, vencendo o CD Aves.

Não é um exagero, agarrar o troféu em disputa no Municipal de Aveiro tem quase tanta importância como o campeonato conquistado em maio último, desde logo porque nos volta a lembrar de uma rotina já um pouco esquecida.

Assim, e apesar de se falar mais disso, caso o FC Porto acabe por perder (como sublinhou Iker Casillas), o certo é que urge sentir-se no reino do dragão a simplicidade da conquista regular de títulos. Até mesmo da Supertaça, onde o FC Porto é rei e senhor,  já com 20 réplicas no museu, mais do que todos os outros já vencedores todos juntos.

O FC Porto tem pela frente o CD Aves e a última vez que venceu o troféu foi em 2013
Fonte: FC Porto

O favoritismo é largamente superior para os portistas, mas convém não subestimar quem não há muito tempo conseguiu a primeira grande conquista da sua história: a Taça de Portugal. E daí para cá pouco mudou no adversário, exceção feita à saída para Guimarães do carrasco do Sporting CP nessa fatídica tarde no Jamor, o jovem Alexandre Guedes.

Sérgio Conceição também já definiu que o objetivo para este ano é, naturalmente,  revalidar o título no campeonato e fazer melhor nas outras competições internas, se possível vencendo-as. Ora aí está a primeira oportunidade para começar a época enviando uma resposta firme e convincente à demais concorrência.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

“Fator Jesus” durou uma época em Alvalade

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Os números impedem-nos, por vezes, de divagar sem rei nem roque, ao sabor das convicções mais ou menos enraizadas de cada um. A sua frieza, temos que o admitir, é como o algodão: não engana.

Quando analisamos “à lupa” a diferença entre o número de golos marcados e sofridos da equipa do Sporting CP nas duas épocas antes da entrada de Jorge Jesus (2013-14 e 2014-15) e nas duas épocas sob o seu comando (2015-16 e 2016-17), o que concluímos?

Na época 2013-14, a equipa de Alvalade ficou em segundo lugar com 67 pontos, ficando o Benfica em primeiro com 74. O número de golos marcados e sofridos da equipa de Leonardo Jardim (o técnico dos leões nessa altura) foram 54 contra 20 sofridos. O registo da equipa melhora consideravelmente na época seguinte, já com Marco Silva no comando.

Apesar da posição no campeonato ter sido um terceiro lugar, a equipa melhorou no rácio golos sofridos / golos marcados: 67 golos marcados no campeonato nacional contra 29 sofridos. Ou seja, a equipa aumentou em 13 os golos marcados relativamente à época transata mas, é facto, aumentou também o número de golos sofridos, que foram mais nove.

A defesa do tetracampeonato, conquistado em 2016/2017, arrancou com um teste exigente, fora de casa, perante um adversário que tem ganho bastante destaque nos últimos anos. Frente ao renovado SC Braga, orientado por Abel Ferreira e com muitas novidades, o SL Benfica deu conta do recado, com uma excelente exibição de Jonas, que marcou e assistiu, e os apontamentos finais de Salvio e Seferovic, que também fizeram o gosto ao pé.
Infelizmente, esta temporada não correu de feição para o conjunto de Rui Vitória, que não conseguiu revalidar o título, mas a vitória no primeiro jogo frente a um dos quatro grandes do futebol português marcou o bom arranque numa das temporadas mais desafiantes dos últimos anos.

Peseiro tem mostrado garra ao comando do Leão. Mas como será a eficácia da equipa esta temporada?
Fonte: Sporting CP

Com a chegada de Jorge Jesus a Alvalade (época 2015/16) a equipa do Sporting bate, de facto, um recorde relativamente ao que tinha registado até então: chega, nessa época, aos 79 golos marcados contra 21 sofridos, ou seja, marca mais 12 golos do que a época anterior e diminui o número de golos sofridos em oito. É obra! Que JJ revolucionou a forma de jogar do Sporting, disso não existem dúvidas. Mas estes números dão-nos alguma lucidez sobre a eficácia do seu futebol.

No entanto, tudo isto foi sol de pouca dura: em 2016-17, a equipa perde 11 golos marcados relativamente à época anterior, ainda que tenha diminuído o número de golos sofridos para menos dois em relação a 2015-16; a época 2017-18 conhece ainda um declive maior, diminuindo o número de golos marcados para cinco e concedendo mais 12 golos sofridos. É caso para dizer que o impacto do “fator Jesus” durou só uma época em Alvalade.

Recaem, por isso, grandes expectativas sobre a equipa do Sporting agora liderada por José Peseiro. E, por muito que se escreva, fale ou opine, o que faz uma boa época numa equipa é sempre o resultado entre marcar o maior número de golos possíveis na baliza contrária e impedir que a equipa os sofra na sua. A ver vamos como é que o Sporting 2018-19 se vai comportar neste domínio.

Foto de Capa: Sporting CP

Os emails não revelados: Júlio Mendes exige quarto lugar e arrasa SC Braga

Caro mister

Espero que te encontres bem. Tem sido um prazer trabalhar contigo nas últimas semanas e a cada dia que passa fico com uma maior certeza que fiz a escolha certa para o meu Vitória SC ao escolher-te para conduzir este Ferrari preto e branco.

Ao ouvir os sócios, fico sem dúvidas que este ano as expectativas estão no seu pico. Na verdade, acho que eu e a restante direcção (modéstia à parte), temos estado a fazer um trabalho fantástico nesta pré-época.

Este ano temos de voltar ao que fomos recentemente. Este clube tem de se aproximar dos grandes em vez de aumentar o fosso como aconteceu na época transacta, por motivos que me são de certa forma alheios, e os quais não vale a pena estar aqui a referir para o jantar não me cair mal.

Que grande plantel que temos! Agora que o mesmo está quase fechado (não me esqueci ainda daquela possibilidade de que me falaste e que realmente seria um reforço estrondoso para o nosso clube), é hora de começar a pôr a máquina a carburar. Temos um plantel fantástico, com verdadeiros jogadores à Vitória, cheios de qualidade, com múltiplas opções e que não duvido que farão uma época sensacional. Contigo ao leme, esta nau será capaz de ultrapassar até o maior dos mares revoltos e de aniquilar os Adamastores sempre prontos a tentar empurrar-nos para baixo como acontece ano após ano.

Contigo teremos uma defesa de betão, com opções que terás de tomar e que não serão fáceis devido à qualidade de todos eles. (Não me quero meter no teu trabalho, mas aquele Florent vai ser um luxo naquele flanco esquerdo, já para não falar de quatro centrais de uma qualidade imensa).

Contigo teremos um meio campo de técnica, posse, criatividade e poderio. Quem se podia dar ao luxo de ter o André André, o miúdo do SL Benfica e o João Teixeira a juntarem-se à qualidade de alguns que já cá estavam?

Júlio Mendes acredita que André André será um dos esteios do ‘novo’ Vitória SC
Fonte: Vitória SC

Contigo teremos um ataque mortífero, com o furacão Boyd a ‘queimar’ tudo o que lhe atravessará à frente, com o holandês que ninguém quis a mostrar que a qualidade ali presente é enorme, com um menino a mostrar que o verdadeiro Guedes é vimaranense, e com os restantes a fazerem deste ataque um ataque que, acredito, ficará na história do Vitória.

Portanto, Luís, já sabes: este ano o quarto lugar é nosso. Menos que isso seria uma enorme decepção. Vamos mostrar de que somos feitos. Vamos mostrar que o nosso castelo é uma fortaleza indestrutível. Vamos mostrar quem é o rei do Minho.

Por falar nisso… Ouvis-te o Salvador no outro dia? É pá… ele julga-se o maior só porque tem muitos milhões para gastar. Isto dá-me uma imensa vontade de rir. Pudesse ele algum dia entender o que é este clube e ia perceber o quanto é pequeno o clube que ele comanda há não sei quantos anos.

Queria ele ser campeão? Realmente ele só vende falsas promessas aos seus adeptos. O SC Braga campeão? Um clube em que nem 10 mil vão ao estádio regularmente? Um estádio que me provoca náuseas sempre que tenho de dar de caras com ele em jornais ou na TV? Isolado do mundo talvez para que não se perceba que aquele é um clube essencialmente Municipal e que voltará à sua mediania mais cedo do que se espera?

Queriam eles meter 15 mil este ano? Nós não precisamos de pedir. Tivéssemos nós tido a sorte de estes anos terem sido regulares em termos de exibições e isso se reflectisse na tabela classificativa, e não teríamos 10 ou 15 mil: teríamos era o estádio praticamente sempre cheio. E ainda se querem comparar a nós. Deixa-os falar..

Bom. Já me alonguei em demasia. Desculpa o desabafo. Agora a sério, Luís: não duvido que  contigo o nosso futebol será tão somente o melhor dos últimos anos. Que será um futebol de posse mas objectivo, de qualidade e criatividade. E que daqui por 10 meses estaremos a festejar algo que realmente deixará orgulhosos os nossos adeptos, a nossa equipa técnica comandada por ti, a direcção da qual sou Presidente e cada um dos jogadores. Viva o Vitória!!!

Saudações vimaranense

Júlio Mendes

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência

O Passado Também Chuta: Sonhos Perdidos

Escrevo palavrinhas sobre passados gloriosos. Nunca escrevi sonhos rotos; sonhos truncados; batalhas perdidas. Desilusões de carreira. Faço memória através da festa de despedida de Mário Coluna. Foi uma festa agradável como todas as festas. Reconhecia-se a carreira de um jogador que arribou ao Benfica na década dos anos 50 do século passado como avançado-centro e que brilhou internacionalmente como motor da equipa e acabou como quarto-defesa.

A seleção internacional que chegou a Portugal para ajudar nos aplausos de despedida era liderada pelo treinador Ladislao Kubala. Selecionou muitos craques. Entre todas as figuras internacionais estava o mago Luís Suares a jogar a defesa-direito, pelas necessidades do guião. Luís Suares também, desde a posição de defesa-direito e com muitos anos já de carreira, me maravilhou.

No elenco selecionado vinham muitos jogadores espanhóis. Mais de meia equipa eram jogadores que Kubala conhecia como selecionador espanhol. Um desses jogadores chamava-se Rodilla, era jovem e fazia furor na Liga espanhola, ao serviço do Celta de Vigo. Ladislao Kubala situara-o na condição de internacional e, como promessa que apontava alto, convocara-o para uma seleção internacional repleta de craques, que despediria um bicampeão europeu.

Rodilla fala da Festa a Mário Coluna como um ponto alto, muito alto. Estavam os melhores de Europa… diz com nostalgia e orgulho. Pertencia às camadas inferiores do Celta de Vigo. Jogara no grupo filial Gran Peña. Depois foi rodar para o Langreo em Asturias e voltou então ao seu clube do coração. Rodilla adaptou-se então a uma nova posição. Passou de ponta de lança para extremo-interior direito e de marcar golos passou a oferecê-los com magia e bonomia.

Regressou a casa e começou a galgar. É notório o seu valor e com ele disfrutam os adeptos, e aproveita-se o Celta de Vigo e a Seleção. Mas, o infortúnio da lesão bateu-lhe à porta. O quadríceps entrou na senda dos problemas e as necessidades do guião apontavam que Rodilla dever-se-ia infiltrar aos sábados para jogador os domingos. Mau negócio; mau resultado e muito mal correspondido pelo Presidente do Celta de Vigo. Rodilla permanece na História do Celta porque pertenceu ao primeiro Celta europeu. Não existe outro jogador saído do Celta que jogara numa seleção de Europa. Além disso, tinha muita qualidade.

Rodilla com a camisola do Celta de Vigo
Fonte: yojugueenelcelta.com

Relata que talvez fora mal aconselhado. A operação correu mal e não se recuperou; perdeu velocidade, mobilidade, agilidade. E chega o momento em que literalmente o Presidente António Vasquez lhe disse numa reunião – quando tinha a possibilidade de ir para o Saragoça -: não sais, nem jogas… O jogador nunca soube as razões da atitude presidencial. Esteve um ano sem jogar. A época 74/75 fechou a porta. Foi então para o Valhadolid também metido numa história pouco satisfatória e começou então o deambular pela decadência.

Rodilla comenta que se sente um bocado impedido de confirmar o seu voo de altitude. Não merecia o acompanhamento que teve durante a lesão e muito menos o tratamento presidencial que recebeu. Exige-se muita fidelidade; amor à camisola aos atletas; os jovens que nos fazem disfrutar, no entanto, muitas vezes, são tratados de forma muito inadequada. Goram-lhes os sonhos, as possibilidades e no mundo do futebol – já naquele tempo – arrebatam-lhes muito dinheiro. Os sócios ou adeptos nestas circunstâncias deveriam colocar-se incondicionalmente ao lado do jogador. São os jogadores que dão felicidade ao amante do futebol.

Foto de Capa: yojugueenelcelta.com

artigo revisto por: Ana Ferreira