Fecha-se um ciclo, abrem-se outros. Se ontem, o voleibol e o ténis disseram adeus a Coimbra, cedendo lugar ao Futsal e à Canoagem, hoje foi a vez do Futebol e do Basquetebol chegarem à cidade dos estudantes.
Porém, estes dois últimos desportos não chegaram de forma amigável, sobretudo para a equipa da casa: no futebol, foi goleada pela Academia de Desporto de Smolensk (4-1) em masculinos e derrotada pela Universidade de Frankfurt (4-3) em femininos e, no basquetebol, os rapazes perderam por 89-56 frente à Universidade de Sevilha e as raparigas por 67-33 perante a Universidade de Cracóvia. Valeu, para as cores lusas, a vitória da Universidade de Aveiro (59-37 sobre a Universidade de Munster).
No pólo oposto, o Futsal e a Canoagem deram alegrias. No Futsal, todas as universidades venceram os primeiros jogos. Na Canoagem houve … medalhas, todas para a Universidade de Coimbra, que averbou o ouro nos 500 de K1 misto e a prata nos 1000 metros de K1 masculinos e nos 1000 metros de C1 masculinos.
Quem contratariam para o vosso clube se fossem os ‘donos disto tudo’?
Fizemos um estudo exaustivo, verificámos estatísticas, estudámos probabilidades, olhámos o passado e planeámos o futuro e alcançámos 10 nomes que poderão ser os próximos a sentar-se enquanto treinadores principais nos bancos dos 3 Grandes Nacionais. Os cinco primeiros serão cinco regressos e os cinco últimos cinco nomes talvez menos esperados.
Descubra assim connosco os próximos 10 homens que estarão nas luzes da ribalta e o farão sonhar com conquistas nacionais e internacionais.
Excetuando os casos das ‘super equipas’, como o Manchester City FC ou o FC Barcelona de Pep Guardiola, os casos em que os rivais estão mais enfraquecidos ou os casos em que existe um gigante que raramente adormece, como a Juventus FC ou o FC Bayern Munchen, os campeonatos são decididos por pequenas margens, como habitualmente acontece em Portugal. A diferença está, logicamente, em quem perde menos pontos.
O favoritismo atribuído em todos os jogos aos crónicos candidatos ao título parece, por si só, reservar a decisão da competição para os jogos em que estes se defrontam. No entanto, tal não corresponde a uma verdade absoluta, podendo o campeão perder os jogos frente aos rivais diretos e, ainda assim, festejar em maio.
Olhando para o tetracampeonato do SL Benfica e o mais recente título azul e branco, os últimos cinco anos, portanto, podemos observar situações deste tipo. Na época de 2013/14, o SL Benfica venceu com sete pontos de avanço sobre o Sporting CP e 13 sobre o FC Porto. Os encarnados alcançaram resultados positivos frente aos rivais (apenas uma derrota frente aos dragões e um empate frente aos leões) e deixaram 11 pontos frente aos demais clubes portugueses. Num total de 16 pontos perdidos, as águias realizaram uma prova sólida, ao contrário dos rivais; 23 pontos perdidos pelos de Alvalade e 29 pelos azuis e brancos – destaque para 23 deles terem sido frente aos ‘pequenos’.
À 21.ª jornada da última temporada, o GD Estoril Praia recebeu e surpreendeu os leões Fonte: GD Estoril Praia
Na temporada de 2014/2015, os encarnados renovaram a conquista, desta vez com mais três pontos que os dragões e nove que os leões. Novamente com bons resultados frente aos rivais (dois empates frente aos leões e uma vitória e um empate frente aos dragões), o SL Benfica voltou a perder 11 pontos frente aos restantes clubes, somando um total de 17 pontos perdidos, mais um que na época anterior. O clube da Luz voltou, desta forma, a realizar uma época segura, apesar da constante proximidade dos dragões. Com uma derrota e um empate frente ao vencedor da prova, o FC Porto anulou-se numa partida e venceu a outra contra os leões e perdeu 13 pontos com os outros adversários, num total de 20 pontos cedidos. Por sua vez, a equipa de Alvalade perdeu 26 pontos; 17 deles contra os adversários mais ‘pequenos’.
Num jogo que reeditou a final do Europeu de 2016, Portugal e Itália defrontaram-se com o objetivo de garantir o apuramento para o encontro de todas as decisões. O adversário já era conhecido e tal como se poderia antever, a jogar em casa, a Espanha não tremeu e goleou a França por 8-2. Resultado bastante mentiroso. Portugal até foi para o intervalo a perder, mas depois uns segundos vinte e cinco minutos a grande nível, carimbou a presença na final de domingo.
A partida teve um começo intenso, com a Itália a ser a seleção que mais tempo tinha a bola em sua posse, mas não conseguia encontrar os caminhos para a baliza de Girão. Portugal sofria do mesmo síndrome, pois, quando tinha o esférico controlado e procurava chegar à baliza de Gnata, também não era nada fácil vislumbrar um trilho aberto.
Sem grandes espaços para chegar ao golo, Diogo Rafael fez uso da sua velocidade, ganhou alguns metros e disparou rasteiro para o fundo das redes transalpinas. Gnata pareceu ter sido enganado, pois, tendo em conta o seu posicionamento, não esperava uma stickada pelo chão. A vantagem não durou muito, visto que, após um lançamento de Iluzzi, Verona, em cima da baliza portuguesa, desviou o esférico e restabeleceu o empate.
O golo italiano confirmou o crescimento do conjunto orientado por Massimo Mariotti em pista. Portugal, por seu lado, baixou o ritmo e intensidade apresentados nos minutos iniciais, tendo imensa cautela na circulação da bola, algo que “facilitava” a vida à Itália.
Mesmo com o passar dos minutos, a intensidade em rinque não era muita e, por vezes, a qualidade do hóquei em patins praticado também não. Desta maneira, Portugal não conseguia construir grandes oportunidades de golo. A única exceção à regra foi um lance entre Rafa e Henrique Magalhães, no qual Gnata impediu o golo de Henrique Magalhães em duas ocasiões.
A cerca de seis minutos da pausa, Iluzzi viu um cartão azul após uma falta sobre Rafa junto ao banco português. Hélder Nunes foi o atleta chamado à marcação do respetivo livre-direto e, como de costume, a bola não entrou. Na sequência do lance, Rafa esteve quase a marcar, mas Gnata negou o golo ao jogador do FC Porto.
Em situação de superioridade numérica, Portugal acabou por ser surpreendido em contra-ataque e após um grande trabalho de Verona, Banini fez o 2-1 para a Itália.
Finalizada a primeira parte, a Itália vencia Portugal por 2-1. Apesar de ter inaugurado o marcador, a seleção nacional deixou o ritmo do jogo diminuir bastante, para uma intensidade favorável aos italianos que não demoraram muito a chegar ao empate. A jogar agarrado ao stick e à cautela, nem quando beneficiou de uma situação de superioridade numérica Portugal voltou a marcar, tendo, sim, sofrido um golo. Tal como no Europeu de 2014 que, curiosamente, também foi jogado em Espanha, Alcobendas, a Itália fez um golo quando se encontrava com um jogador a menos dentro de pista. Se Portugal quisesse chegar à final teria de melhorar e muito, os seus índices exibicionais.
Ricardo Gnata foi uma surpresa no cinco inicial italiano, mas esteve em grande ao evitar vários golos da seleção portuguesa Fonte: World Skate Europe RinkHockey
Portugal entrou muito bem na segunda parte, demonstrando outra atitude e intensidade, mas apesar das chances de golo criadas, o empate não surgiu. Contudo, pouco depois da Itália ter ficado perto de marcar, Rafa, com um passe por entre os “pingos da chuva” da área transalpina, encontrou João Rodrigues que, ao segundo poste, só teve de empurrar para fazer a igualdade.
A seleção portuguesa estava melhor, criando várias oportunidades para finalizar, mas Gnata ia impedindo o terceiro golo nacional. A Itália, por seu lado, não sentiu o tento do empate e circulava a bola à procura do momento ideal para atacar.
Jogados cerca de doze minutos do segundo tempo, Henrique Magalhães foi impedido de stickar dentro da área italiana por intermédio de Banini. No respetivo penalti, Gonçalo Alves, ele que tem sido fustigado por vários toques ao longo da competição, não deu quaisquer hipóteses e com uma stickada a meia altura junto ao poste direto, colocou Portugal na frente por 3-2.
Na dianteira do resultado, Portugal aumentou o ritmo e intensidade do jogo. Contudo, pouco depois de chegar à vantagem, a seleção portuguesa cometeu a sua 10ª falta. Giulio Cocco, jovem jogador transalpino que vai reforçar os dragões na próxima época, é um especialista na conversão de livres-diretos, mas não conseguiu bater Girão, que manteve o seu posicionamento e não caiu na “manha” de Cocco.
Apesar da vantagem no marcador, Portugal procurava ampliar a margem mínima, mas Gnata, com alguma ajuda dos ferros, estava a conseguir manter a diferença em somente um golo. As oportunidades de concretizar sucediam-se, mas a “redondinha” teimava em não querer entrar. Mesmo assim, o conjunto italiano, ainda para mais em desvantagem, procurava restabelecer a igualdade e a cerca de quatro minutos do fim, não chegou ao golo porque Girão defendeu um desvio de Iluzzi.
Já dentro do último minuto, Portugal dispôs de um lance de contra-ataque de dois para um, mas Diogo Rafael preferiu segurar o esférico e esses segundos extra com a bola em sua posse, permitiram ver a entrada de Rafa que, isolado perante Gnata, não falhou, fez o 4-2 e garantiu a qualificação da seleção portuguesa para a final.
Grande segunda parte de Portugal que, desta forma, conseguiu virar resultado que trazia do intervalo, assim como garantir a presença na final de domingo. Pela frente, tal como se poderia antecipar, estará a Espanha, que durante a tarde de sábado goleou a França por 8-2. Todavia, o resultado é bastante exagerado e não espelha, nem de perto nem de longe, o que se passou em pista.
Na final de domingo, Portugal não terá tarefa nada fácil, pois, a Espanha tem estado muito bem ao longo de toda a competição, sendo a seleção com mais golos marcados (73) e menos golos sofridos (8) do Europeu. Jogadores como Pau Bargalló, o capitão espanhol, os jovens Nil Roca e Ferran Font, mas, também, o guardião Sergi Fernandez, têm estado em grande destaque.
O calendário da 53.ª edição do Campeonato da Europa para este domingo é o seguinte:
Gonçalo Paciência partiu para a Alemanha nesta que é a primeira aventura fora de Portugal sem estar vinculado ao FC Porto. O jogador foi transferido por uma verba de três milhões para o Eintracht Frankfurt Fußball A.G., o mais recente vencedor da Taça da Alemanha. Desde 2003/2004 ligado aos “azuis e brancos”, o filho de peixe que sabe nadar nunca conseguiu afirmar-se totalmente de dragão ao peito.
Após a sua primeira época na equipa principal, em 2014/2015, foram quatro os clubes em que Gonçalo jogou a título de empréstimo! Em 2015/2016 vestiu as cores da Associação Académica de Coimbra, onde marcou 4 golos em 30 jogos. No arranque da época 2016/2017 jogou no Olympiacos FC, da Grécia, realizando apenas uma só partida e voltou a Portugal em janeiro para ingressar no Rio Ave FC, fazendo apenas um golo em 15 jogos.
A sua melhor marca a nível profissional foi na temporada em que regressou a casa. No início da época 2017/2018, Gonçalo Paciência não contava para Sérgio Conceição e a direção decidiu transferi-lo a título de empréstimo, desta vez para o Vitória FC (Vitória de Setúbal). Em seis meses fez 25 jogos e marcou 11 golos, um deles frente ao Sporting CP na final da Taça CTT. As boas exibições de Gonçalo não passaram despercebidas a Sérgio Conceição que viu no jogador uma boa solução para a frente de ataque portista. O filho de Domingos Paciência regressou finalmente a “casa”, no entanto, em 12 jogos não conseguiu marcar qualquer golo, pois fez apenas dois jogos como titular.
Gonçalo Paciência conquistou o 28º campeonato pelo FC Porto na última época Fonte: FC Porto
Apesar de ter poucos minutos e poucos golos somados no FC Porto, Gonçalo não esconde que conseguiu realizar o seu maior sonho – ser campeão nacional no clube do coração. O atleta afirma estar eternamente grato por tudo aquilo que fizeram por ele e revela que a sua partida para a Alemanha não é uma despedida, uma vez que o clube fará sempre parte dele. Apesar de nunca ter sido uma estrela, esta é uma das razões para Gonçalo Paciência ser estimado pelos adeptos portistas. A sua dedicação ao clube, o seu envolvimento com o “mundo” portista e o talento de Gonçalo, que lhe deve ser reconhecido, valem muito mais que três milhões de euros e com certeza que as imagens de Paciência a festejar efusivamente a conquista do campeonato vão deixar saudades.
A transferência de Gonçalo para a Alemanha causa alguma indignação por parte dos adeptos do FC Porto, uma vez que, como já referido, era um jogador da formação e que honrava o emblema que trazia ao peito, jogava nas camadas jovens da seleção portuguesa com bastante regularidade e para muitos o montante da transferência não faz jus ao valor do jogador. Mas os adeptos não foram os únicos a ficarem indignados, também Sérgio Conceição ficou descontente com a SAD do FC Porto, pois segundo a imprensa portuguesa, Gonçalo Paciência foi vendido sem o conhecimento do mesmo.
Apesar de tudo o que poderá estar envolto desta transferência, resta-nos agradecer por tudo o que Gonçalo fez pelo clube e desejar-lhe o maior dos sucessos na sua carreira. Boa sorte, campeão!
O evento quadrienal mais esperado por todos já passou. Houve muitas alegrias, surpresas, ânimos, desaires, comédia. Todo um cocktail de emoções aconteceu nesta copa do mundo na Rússia. Mas dentro disto vamos ver o que mais desapontou, quer jogadores, seleções ou afins. Vamos ver o melhor do pior deste mundial.
Decorem bem este nome, se é que já não o decoraram: Kylian Mbappé. É ele o presente e o futuro do futebol. Aos 19 anos sagrou-se bicampeão francês e campeão do mundo de seleções, para além de ter sido distinguido como o melhor jogador jovem da competição e ainda como “Golden Boy”. A questão que se coloca é: num ano menos conseguido dos dois astros, conseguirá o francês conquistar a Bola de Ouro ou o prémio “The Best”?
A meu ver, enquanto Cristiano Ronaldo e Lionel Messi se mantiverem a jogar numa liga de topo, terão lugar cativo nos três nomeados e dividirão entre eles o número de distinções. O terceiro nomeado será o melhor “dos humanos”, que este ano deverá ser o francês, ainda que conte com a concorrência de Neymar e Modric para este lugar.
O fabuloso Mundial permitiu-lhe vencer, claramente, o prémio de melhor jogador jovem da competição Fonte: FIFA
O desempenho de Mbappé chegará para fazer frente a Messi e Ronaldo? Bem, olhando a números, o jovem francês apontou 21 golos em 46 jogos pelo PSG, aos quais ainda juntou quatro golos na campanha vitoriosa da França no Mundial. Por sua vez, o português apontou 44 golos em outros tantos jogos pelo Real Madrid, aos quais ainda somou 4 golos no Mundial. Já o argentino apontou 45 golos em 54 jogos pelo Barcelona e ainda um tento no campeonato do mundo. Os números de Mbappé ainda ficam aquém dos dos concorrentes, mas é preciso ter em atenção que não é a principal figura do seu clube nem tão pouco da sua seleção.
No entanto, na prova mais importante do ano, foi ele quem mais brilhou. Ainda assim, a prestação de Cristiano Ronaldo na Liga dos Campeões pode ter sido determinante para o português voltar a conquistar o troféu “The Best”. A Bola de Ouro, sendo atribuída por um jornal francês (L’Équipe), pode ser mais realista para Mbappé, ainda que o facto de ter apenas 19 anos poder pesar na decisão (terá muitos anos pela frente para ser distinguido).
Ganhando ou não, a única certeza é a qualidade de Mbappé, que em muito engrandecerá o futebol.
Foto de Capa: PSG Artigo revisto por: Vanda Madeira Pinto
Nicolás Ignacio Castillo Mora, ponta de lança de 25 anos, é um dos vários jogadores que vieram reforçar a equipa do SL Benfica nesta época cujo lema é a ‘reconquista’. Castillo já deu frutos na pré-época encarnada, tendo marcado um golo no seu jogo de estreia frente aos sérvios do Napredak.
Mas afinal qual foi o percurso desde jovem chileno que veio do Pumas diretamente para a Luz? Quais as suas melhores características como jogador? Este é o raio-X completo de Nicolás Castillo.
Percurso
Filho de Humberto, ex-jogador do Lourdes, Nicolás Castillo começou a dar os primeiros “toques” na bola aos 4 anos, pertencendo às escolas onde o pai jogava. Aos 13 anos realiza o sonho de vestir a camisola do clube do qual era fã por influência do seu avô, a CD Universidad Católica, começando a pertencer à equipa principal em 2010 e onde permaneceu até 2013.
É transferido para o Club Bragge, da Bélgica, por 3 milhões de euros, começando a partir daqui a sua “roleta russa” de empréstimos. Começou por ser emprestado ao Mainz durante 5 meses, seguindo-se o Frosinone de Itália, acabando por voltar como empréstimo à CD Universidad Católica, no Chile. Em 2017 é vendido ao Pumas do México por 3,80 Milhões, onde marcou 18 golos em 32 jogos, chamando a atenção das águias que o obtiveram por 6.85 milhões.
Características
Dono de um remate classificado por muitos dos seus treinadores como soberbo, Castillo tem todas as características que um bom ponta de lança deve ter: finaliza bastante rápido e mostra sempre uma enorme vontade de partir para o golo. Apesar de medir apenas 1,77 cm, tem um bom jogo aéreo, pois sabe posicionar-se brilhantemente dentro da área. É um ponta de lança que joga e faz jogar a equipa e que será uma excelente opção a Jonas.
Castillo já marcou de águia ao peito Fonte: SL Benfica
Prémios individuais/coletivos
Castillo soma, até agora, 97 golos ao longo da sua ainda curta carreira. Para além disto, conquistou ainda vários prémios individuais, tanto ao serviço de clubes como ao serviço da seleção do Chile, tais como: melhor jogador da formação da CD Universidad Católia (2010); goleador do campeonato sub-17 (2011); melhor jogador jovem da taça sul-americana (2012) e melhor marcador da primeira divisão no Chile, no torneio Apertura e Clausura (2016). Coletivamente arrecadou uma Copa América, uma Taça da Bélgica, um Liga Clausura do Chile; uma Liga Clausura do Chile, uma Taça do Chile e, por último, uma Supertaça do Chile.
No começo da fase eliminar da 53.º edição do Campeonato da Europa de Hóquei em Patins, Portugal, que na véspera teve várias dificuldades para derrotar a França, voltou a realizar uma boa exibição, tendo goleado a Inglaterra por 14-2. No entanto, apesar da melhoria exibicional, proporcionada pelo adversário que enfrentou, que pese embora mostre evolução, não está ao nível da seleção gaulesa, ficam algumas dúvidas para o encontro das meias-finais diante da Itália.
Teoricamente mais forte, Portugal foi a primeira equipa a criar perigo e partir de uma situação de três para dois, Hélder Nunes ficou perto do golo, mas acabou por enviar a bola ao travessão.
Portugal não pressionava muito e jogados cinco minutos, num dos poucos lances em que o conjunto inglês conseguiu criar perigo, Pedro Henriques impediu o tento britânico. No seguimento do lance, a seleção nacional usufruiu de uma situação de contra-ataque de dois para um, mas Thomas Allander impediu o golo de João Rodrigues. Contudo, o inaugurar do marcador não chegou muito depois. Boa movimentação ofensiva de João Rodrigues, que arrastou dois defesas, e Hélder Nunes, com muito espaço, atirou a contar. Todavia, a vantagem durou somente alguns segundos, pois, Alex Mount conseguiu igualar a partida num lance onde a defensiva portuguesa ficou muito mal na fotografia.
Ao contrário do que se poderia esperar, Portugal estava a dar muito espaços aos jogadores ingleses que, aos poucos, iam conseguido chegar com cada vez mais perigo à baliza de Pedro Henriques.
Em cima da marca dos dez minutos de jogo, Jack Tucker fez falta sobre Rafa para cartão azul. Foi o próprio Rafa a assumir a marcação do livre-direto, mas a colher não saiu bem. A senda de bolas paradas desperdiçadas continuava.
A jogar em situação de powerplay, Portugal não demorou muito para fazer uso da superioridade numérica e após alguns segundos a circular o esférico de forma rápida, Diogo Rafael colocou a seleção nacional a vencer por 2-1. Pouco depois, bela movimentação ofensiva de Portugal e Rafa, à meia volta, aumentou a vantagem para 3-1.
Os golos alteraram o rumo do encontro, passando a ser Portugal a deter total domínio, circulando a bola à procura de criar desequilíbrios para voltar a concretizar. A Inglaterra, por seu lado, quase não tinha o esférico em sua posse, limitando-se a situações de contra-ataque ou nas poucas vezes em que conseguia sair a jogar com a bola controlada.
Sem forçar muito, a seleção portuguesa ia conseguindo construir várias chances para marcar e a cerca de oito minutos para o intervalo, Henrique Magalhães assumiu uma iniciativa individual e serviu Vítor Hugo que, solto ao primeiro poste, tocou para o 4-1. A Inglaterra procurou responder ao golo através da meia distância, mas Pedro Henriques, com uma enorme intervenção com a perna esquerda, disse não à stickada de Owen Stewart.
A cerca de quatro minutos da pausa, num lance a papel químico do quarto golo português, Henrique Magalhães voltou a ser assistente de Vítor Hugo que, desta feita solto de marcação ao segundo poste, aumentou o score para 5-1. Resultado com que se chegou ao intervalo.
Após um começo positivo onde chegou à vantagem no marcador, Portugal acabou por sofrer o golo do empate muito rapidamente e num lance que não pode acontecer a este nível. Algo que deu algum alento aos ingleses que ainda assustaram os comandados de Luís Sénica por alguns minutos. Porém, a seleção nacional reorganizou-se, marcou dois golos e a partir daí controlou a partida. Mesmo sem impor um grande ritmo e diante de uma Inglaterra muito fechada, ainda conseguiu avolumar a diferença no resultado em duas ocasiões.
Todo o jogo de Inglaterra passa por Alex Mount. Para além do golo que marcou, ainda conseguiu criar vários lances interessantes nos quais Pedro Henriques teve que se aplicar Fonte: Roller Hockey Photos
Tal como aconteceu no primeiro tempo, foi Portugal a dispor da primeira grande oportunidade de golo na segunda parte, mas Rafa não conseguiu bater Charler Oakes. Pouco depois, o próprio Rafa voltou a ser alvo de uma falta para livre-direto. Desta feita, foi Vítor Hugo a ser o escolhido para a marcação do livre-direto e com um gancho contra gancho, conseguiu superar o guardião inglês, fazendo o 6-1. Volvidos alguns minutos, contra-ataque de dois para um a favor de Portugal e Rafa, com calma, contemporizou e serviu Vítor Hugo que só teve que encostar. Segundos depois, Poka fez uso da sua forte stickada e apontou o 8-1.
O bom momento de Portugal continuava e Gonçalo Alves, que não jogou durante os primeiros vinte cinco minutos, provavelmente, devido a algumas mazelas resultantes do encontro contra a França, apenas necessitou de alguns minutos em campo para demonstrar a sua fortíssima stickada de meia distância e jogados cerca de sete minutos, disparou um “míssil” ao angulo superior direito da baliza inglesa, fazendo o 9-1. Pouco depois, Gonçalo Alves, atrás da baliza britânica, viu a movimentação de Poka que, solto de marcação ao primeiro poste, aumentou o resultado para 10-1. De seguida, jogada lateral da seleção inglesa e Jack Tucker, com alguma sorte à mistura, reduziu o marcador para 10-2.
A doze minutos do final, Gonçalo Alves viu um cartão azul, sem qualquer tipo de necessidade ou nexo, em virtude de uma falta sobre Alex Mount. Foi o próprio Mount, que joga na Sanjoanense, a assumir a marcação do livre-direto, mas Pedro Henriques impediu o golo do jovem jogador inglês.
Apesar de estar a beneficiar de uma situação de superioridade numérica, a Inglaterra quase não teve a bola em sua posse e não conseguiu aproveitar homem a mais que teve em pista durante dois minutos. Pouco depois de restabelecido o cinco para cinco, Alex Mount, o melhor jogador britânico, realizou um belo gesto técnico e não tivesse sido uma enorme defesa de Pedro Henrique e a Inglaterra teria chegado ao terceiro golo.
O fim do jogo estava cada vez mais próximo e sem forçar muito, Portugal voltou a marcar. Rafa procurou colocar a bola em João Rodrigues, mas Charler Oakes antecipou-se. No entanto, o toque do guardião inglês no esférico não foi o melhor e João Rodrigues aproveitou o brinde para fazer o 11-2. Segundos depois, Henrique Magalhães voltou a ser o assistente de serviço, mas o assistido foi o capitão da seleção nacional, João Rodrigues, que apontou o 12-2. O “instinto matador” de João Rodrigues continuava em alta e volvidos alguns instantes, solto no interior da área da Inglaterra, disse sim a um passe de Poka e avolumou o marcador para 13-2.
Portugal não parava de atacar e Poka, num lance pleno de oportunidade, vislumbrou uma das várias nesgas da baliza inglesa e enrolou a bola para o 14-2.
Até ao final do encontro, a seleção portuguesa ainda teve algumas oportunidades para aumentar o score, mas a mira não foi a melhor e o resultado não mais voltou a mexer.
Assim, Portugal não se deixou surpreender e goleou a Inglaterra por claros 14-2. Terá sido o melhor ensaio para o que se segue? Talvez não, mas a seleção portuguesa, enquanto campeã europeia em título, terá que se demonstrar uns valentes furos acima daquilo que demonstrou ontem, quando foi testada mais “a sério” contra a França. Isto, porque diante da Itália, que esta sexta-feira defrontou e derrotou a Andorra nos quartos de final por 6-2, o que tem vindo a apresentar em pista poderá não ser o suficiente.
Nos restantes jogos desta sexta-feira, o dia abriu com um empate a 4-4 entre a Áustria e Bélgica na primeira jornada do minicampeonato que vai definir 9.º, 10.º e 11.º classificados. No que diz respeito ás partidas dos quartos de final, a França venceu a Alemanha por 5-2 e vai encontrar a Espanha, que goleou a Suíça por 10-2, nas meias-finais do Europeu.
O calendário da 53.ª edição do Campeonato da Europa para este sábado é o seguinte:
Existem casos de jogadores que não conseguem uma oportunidade imediata na equipa principal do clube onde se formam, acabando por relançar a carreira noutras paragens, onde conseguem sobressair ao ponto de regressarem à ‘casa-mãe’. Alfa Semedo é um desses casos.
Este médio defensivo, nascido na Guiné Bissau, foi recrutado pelo SL Benfica ao seu país de origem quando tinha 17 anos, no decorrer da temporada 2014/2015. Depois de um ano e meio nos juniores encarnados, Alfa Semedo teve a sua primeira experiência sénior no UD Vilafranquense, numa época em que o emblema ribatejano se destacou por ter eliminado o FC Paços de Ferreira da Taça de Portugal, e em que o médio de origem guineense foi um jogador influente, disputando 34 jogos e marcando quatro golos.
As suas exibições valeram-lhe o salto para a Primeira Liga sem ter precisado de passar pela equipa B do Benfica, com uma transferência a título definitivo para o Moreirense FC. Em mais uma época cheia de sobressaltos do emblema minhoto, Alfa Semedo assumiu-se logo como um dos indiscutíveis da equipa, realizando 34 jogos e marcando três golos.
Alfa Semedo é uma autêntica ‘gazela’. É dono de uma grande estampa física, que lhe confere vantagem nos duelos aéreos e nas disputas de bola. Para além disso, a sua passada larga também lhe permite galgar dezenas de metros de terreno em poucos segundos, podendo recuar rapidamente no terreno e reagir a perdas de bola da sua equipa. A sua elevada estatura (1.90m) também lhe permite ser uma arma importante nos lances de bola parada. Possui também uma qualidade de passe muito interessante.
As suas exibições em Moreira de Cónegos valeram-lhe um regresso ao clube onde concluiu a sua formação. Francamente, quando o observei nos juniores do SL Benfica, não via ali nada que me enchesse as medidas. Mas, agora, acho que ele tem tudo para ser a derradeira alternativa ao Fejsa e pode vir a ser um caso muito sério no futebol português.