Enquanto oiço sem ver uma televisão enragé a falar das vicissitudes do Sporting adentro-me na história do Campeonato do Mundo. Jules Rimet depois de ser nomeado presidente da FIFA teve a feliz ideia. Corria o ano de 1930 e alguém se lembrou do Uruguai para sede deste primeiro acontecimento. Jules Rimet manteve-se na presidência da FIFA desde 1921 a 1954. O rescaldo da 1.ª Guerra Mundial ainda pairava na mente das pessoas e o desporto ainda tinha uma raiz filosófica fraternal entre as pessoas. Jules Rimet lança a ideia do Campeonato Mundial com essa ambição e desejo: a fraternidade entre os povos.
A 2.ª Guerra Mundial truncou o acontecimento durante os anos de 1944 e 1946. Veio 1950 e voltou o futebol mundial como jogo fraterno entre os povos. Jules Rimet manteve o seu empenho. Hoje, tudo é espetáculo e tudo é turismo pret-à-porter. Os jogadores eram vistos na rua. Entravam nos bares onde estava o amante do futebol que antes do jogo estragara os sapatos a jogar na rua com uma bola de trapos. Existia amor, desejo, prazer enquanto que vivemos tempos de vontades vorazes e de dedicações obsessivas que afirmam egoísmos que negam a condição de jogo coletivo.
Este acontecimento tal como os Jogos Olímpicos foram uma espécie de embriões da Aldeia Global que vivemos. Golos ou jogadas magistrais correram o mundo e a admiração dos espetadores, para além da sua condição nativa, gravou na sua memória e coração através dos anos. As fintas descomunais de Garrincha no Mundial da Suécia que passavam nos cinemas durantes os intervalos deixavam os olhos esbugalhados a velhos e novos. A jogada diabólica do Maradona contra Inglaterra mostrou como se pode ser único com uma bola no pé esquerdo.
Jules Rimet foi um criador no seu tempo Fonte: FIFA
A cobertura do Vicente ao Pelé no Mundial de Inglaterra mostrou como se seca um monstro do futebol. A jogada realizada pelo duo Simões-Eusébio no início da 2ª parte do Portugal-Coreia que marcou a recuperação da seleção portuguesa, significam a união de dois génios a lançar-se para uma meta coletiva. Estes símbolos e mitos de alguma forma mantêm a ideia de demonstração fraterna que esteve na origem protagonizada por Jules Rimet.
Jules Rimet foi um criador e no seu tempo foi reconhecido como tal. A Taça do Mundo passou a ter o seu nome em 1946. Mas, não se pode escrever, minimamente, deste mega-acontecimento sem deixar menção de dois mitos que representam o orgasmo durante o jogo: o golo. Fontaine no Mundial da Suécia tornou-se o goleador histórico e de referência ao marcar treze golos enquanto que o génio brasileiro Ronaldo é, no conjunto dos Mundiais em que participou, o máximo goleador com dezasseis golos.
Deixo para o último paragrafo a ingratidão e a injustiça que a FIFA protagonizou em 1970. A Taça Jules Rimet perdeu o seu nome e deixou de ser memória, possivelmente, em vias das técnicas emergentes de marketing. Como sou um apanhado pelas raízes e as emoções que transmitem este campeonato será sempre a Taça Jules Rimet. Apagar o passado pela importância ou valor do negócio significa apagar o presente.
Recomposto da “doença” que o afastou das conquistas ao longo dos últimos quatro anos, o dragão parte para a nova época claramente apostado em dar seguimento ao que de bom foi feito para, com um desenvolvimento sustentado, ir em busca de novos êxitos.
Pôr cobro ao sentimento de hegemonia que se instalara no rival foi determinante para que o clube da Invicta voltasse a chamar a si as luzes da ribalta. Envolvido em dúvidas e desconfianças, o FC Porto de Sérgio Conceição lá foi trilhando o seu caminho que o haveria de fazer recuperar o lugar com o qual tanto se revê: o topo.
O preço a pagar pelo sucesso é, evidentemente, grande e, no caso dos azuis e brancos, que enfrentaram nos últimos anos um período de contenção económica fruto de uma gestão um tanto ao quanto ineficaz, esse preço acaba por ser ainda mais alto. Nesse sentido, não surpreende a menor capacidade negocial do clube no mercado de transferências. A dificuldade em desencantar substitutos à altura para os que partiram tem vindo a ser um enorme problema já de uns anos a esta parte.
O FC Porto procurará manter o seu núcleo duro e evitar saídas nesta janela de transferências Fonte: FC Porto
Numa época em que o FC Porto tem e precisa de dar ao seguimento ao processo de recuperação, desportiva e financeira, vê-se também confrontado com um fortíssimo investimento do rival SL Benfica. Esse acaba por ser o primeiro grande desafio. É certo que é possível fazer muito com pouco, essencialmente para Sérgio Conceição, mas essa premissa não há de resultar para sempre. Mesmo que não possa entrar em loucuras, o FC Porto tem de apresentar um plantel forte, equilibrado e claramente capaz de dar garantias em todas as competições, não só no Campeonato como também nas taças, que continuam atravessadas na garganta.
Para isso, de resto, importa reconhecer que se afigura um árduo trabalho para o treinador o facto de se ver obrigado a reconstruir um setor que foi um dos pilares na conquista do último título: a defesa.
Depois, a extensão temporal do mercado de transferências também não joga nada a favor dos dragões, que podem ver de uma assentada fugir-lhes Herrera, Marega e Brahimi. Pinto da Costa garantiu que todos, à exceção de Brahimi, são intransferíveis, mas as carteiras dos grandes europeus podem tudo. Assim, é com essa incógnita que SC vai aguardando pelo fim do mercado, ciente de que muitas são as limitações que vão adiando o reforço de um plantel que anseia por um acrescento quantitativo e qualitativo.
Qual será a melhor seleção nacional de sempre? Espanha de 2010? França de 1998? Argentina de 1986, ou, a bem dizer, de Maradona? Talvez até seja Holanda de Cruyff, perdão, de 1974, que perdeu na final frente à Alemanha.
Para quem se lembra do Mundial de 1970, no México, a resposta parece ser indiscutível: a melhor seleção nacional que o futebol alguma vez viu é o Brasil de Pelé, Jairzinho, Rivelino, Carlos Alberto e muitos outros. Antes da final de mais um Campeonato do Mundo – onde Croácia e França irão disputar um lugar ao lado destes gigantes do futebol -, olhamos para trás e vemos como foi a história de uma equipa que encantou o planeta.
Olhar hoje para o Mundial de 1970 é olhar para um mundo diferente, um jogo diferente: a relva cujo verde-rubro parece sobressair mais do que o de qualquer campo atual, os fotógrafos praticamente em cima do campo, sem quaisquer painéis publicitários a separá-los das quatro linhas, pois estes escondiam-se timidamente debaixo das bancadas onde dezenas – e por vezes centenas – de milhares de adeptos emitiam, em uníssono, um rugido sobrenatural. Para qualquer adepto de futebol, este é o postal turístico perfeito para o México.
Pelé celebra a conquista do seu último Mundial ao serviço da Canarinha Fonte: FIFA
A magia ganha novo fulgor quando vemos a Canarinha jogar: naquele que foi o primeiro Mundial transmitido a cores, as camisolas brasileiras espalhavam o seu amarelo inigualável pelo mundo. E, mais importante, o seu futebol correspondia à beleza do equipamento. Além de Pelé, o camisola 10, a meses de celebrar o seu trigésimo aniversário e a jogar o seu quarto e último Campeonato do Mundo, os brasileiros contavam com muitas outras lendas. Por exemplo, Rivelino, cujos livres diretos se tornaram tão icónicos como o seu bigode, Jairzinho, “O Furacão”, alcunha devida ao seu poder de explosão, ou Carlos Alberto, o capitão, que jogou neste ano o seu único Mundial e marcou o seu único golo pela Seleção Brasileira – já falaremos dele mais adiante.
Como foi, então, esta caminhada? É importante recordar que o Brasil viera de uma saída precoce do Campeonato do Mundo de 1966, na Inglaterra. Num grupo com Portugal (liderado pelo «Pelé Europeu»: Eusébio) e Hungria, a Canarinha vergou-se perante o chamado power football – um estilo de jogo que favorecia a capacidade física dos jogadores, o que beneficiava particularmente as seleções europeias – e foi eliminada logo na primeira fase. Carlos Alberto considera que, de certa forma, esta humilhação foi necessária. Numa entrevista à FIFA TV, diz: “foi uma boa lição, porque quatro anos depois fizemos um trabalho de preparação física muito intenso. Tivemos três meses de treino para jogar aquela Taça”.
E, por sorte, por azar ou por destino, a Inglaterra, então campeã do Mundo, fora sorteada no grupo do Brasil, o grupo 3, que ainda contava com Roménia e Checoslováquia. Três seleções europeias, três hipóteses de vingança perante o power football. E assim foi: começando por bater os checoslovacos por 4-1, seguiram-se vitórias de 1-0 e 3-2 sobre os ingleses e os romenos, respetivamente. O Brasil passava, assim, aos quartos de final, onde eliminaria o Perú (4-2). Nas meias finais, encontraria novamente uma formação latina, desta feita o Uruguai, que foi despachado com um resultado de 3-1. Assim, quando chegou a altura da final, às 12 horas do dia 21 de junho de 1970, no Estádio Azteca, na Ciudad de México, já todos sabiam o que significava ver aqueles rapazes de camisolas amarelas, calções azuis e meias brancas a jogar. Significava técnica, significava samba futebolísitco, significava poesia em movimento. A Canarinha conquistara o mundo e cabia aos italianos a ingrata tarefa de a tentar parar.
O XI inicial do Brasil na final do Mundial de 1970 Fonte: Gonçalo Taborda/Bola na Rede
Quando acabou a primeira parte, a squadra azzura estava a cumprir com o dever: o resultado era 1-1, após golos de Pelé (18 minutos) e Boninsegna (37’). Mas nos segundos 45 minutos, os 107412 espectadores do Estádio Azteca e os outros milhares que viam o jogo em casa teriam aquilo que estavam ali para ver: um espetáculo canarinho. Gerson, aos 66 minutos, encheu o pé e, de fora da área, colocou aquela clássica bola de pentágonos pretos e brancos no fundo das redes defendidas por Enrico Albertosi. O mesmo Gerson iria, aos 71 minutos, fazer um passe poucos metros depois da linha do meio campo que iria encontrar Pelé na grande área. «O Rei» cacebeceia para Jairzinho, que, com alguma sorte à mistura, engana o guarda redes, faz o 3-1 e torna-se no primeiro jogador de sempre a marcar em todas as partidas de um Mundial (sete golos em seis jogos).
Aos 86 minutos, surge a coroação desta equipa; o momento que, muito provavelmente, a imortalizou. Após uma longa troca de bola, onde oito dos dez jogadores de campo do Brasil tocaram no esférico, Clodoaldo humilha – à falta de um termo mais adequado – quatro jogadores italianos, com nada mais que fintas de corpo, reviengas e talento puro, dá a bola a Rivelino, no flanco esquerdo, que passa para a entrada da área, onde Jairzinho a recebe. O melhor marcador do Brasil na competição dá o esférico a Pelé, que depois o encaminha para… ninguém, aparentemente. Isto porque, quando o histórico do futebol passa a bola, ela parece rebolar sem dono no canto direito da grande área italiana. Isto até que Carlos Alberto, o capitão, entra no ecrã e, sem dar tempo – a quem estava a ver em casa e aos italianos – para reagir, fuzila a baliza adversária, fazendo o 4-1 e colocando um ponto final perfeito à história mais bela que o futebol alguma vez contou. Uma campanha mágica acabara com um momento mágico, com o melhor golo de sempre numa final de um Campeonato do Mundo.
Carlos Alberto celebra o derradeiro golo do Mundial de 1970 Fonte: FIFA
Era o mesmo Carlos Alberto que iria, minutos depois, levantar o troféu Jules Rimet, consagrando o Tricampeonato do Brasil e de Pelé – o único jogador da história a conquistar três Mundiais. O conto de fadas fora escrito num campo de futebol e o mundo assistira com todo o agrado ao seu desenlace, àquele que talvez seja o melhor jogador de sempre, àquele que talvez tenha sido o melhor golo de sempre e àquela que é, sem dúvida, a melhor seleção de sempre.
Quem ganhar no dia 15 de julho no Estádio Luzhniki, em Moscovo, terá para sempre o seu nome gravado nos anais do futebol. Mas difcilmente conseguirá igualar o estatuto lendário que aqueles jogadores atingiram a 21 junho de 1970, no Estádio Azteca, na Ciudad de México.
Foto de Capa: FIFA
Artigo revisto por: Vanda Madeira Pinto
Dez anos no Parma e 17 na Juventus. Gianluigi Buffon há muito que virou ídolo, lenda para legiões de fãs pelo mundo fora. A sua qualidade futebolística, aliada à forma de estar e de agir de ‘Gigi’ ultrapassam as barreiras das quatro linhas, mas a partir de agora vamos ver Gianluigi de maneira necessariamente diferente.
Aos 40 anos, Buffon deixou a ‘sua’ Juventus para se mudar para o multimilionário Paris Saint-Germain, detido pelo catari Nasser Al-Khelaifi. Para trás ficam dias gloriosos e de fracasso ao serviço da ‘Vecchia Signora’, desde a Série B transalpina até a finais da Liga dos Campeões, por entre variadíssimos títulos domésticos. Para mim, que cresci a vê-lo ‘bianconero’ e a admirá-lo assim, agora parece que lhe arrancaram a pele, que me roubaram um herói.
Por outro lado, é inegável o quão impressionante é saber que, aos 40 anos, Buffon está numa forma portentosa para assumir a baliza parisiense sem grandes problemas e, muito provavelmente, não se ficar apenas por esta temporada.
Na concorrência com Aréola e Trapp, a baliza do PSG está agora ocupada por três dos tops mundiais e, à chegada, Buffon reforçou que ninguém lhe prometeu que seria titular. Nem quero imaginar se isso não acontecer, e perdoem-me os restantes dois guarda-redes. Seria um fim de carreira ainda mais desapontante do ícone italiano.
Para mais, o guarda-redes já não joga mais pela seleção italiana, pelo que é um total distanciamento do futebol italiano, a casa de ‘Gigi’.
Gianluigi Buffon recebido apoteoticamente em Paris Fonte: Paris Saint-Germain
A Liga dos Campeões, também o disse Gianluigi, não é obsessão, mas é o título, o mais cobiçado, que ‘teimosamente’ lhe foge do alcance. Espero que consiga erguer a orelhuda porque ‘Gigi’ merece tudo o que o futebol de bom e amável tem para dar.
O convite do campeão francês chegou no início de maio, contou o guardião, que, diz, tinha “outra ideia” para colocar um ponto final na sua carreira futebolística. Contudo, ao mesmo tempo, esta saída era tudo menos esperada nesta altura e a mim, como amante do futebol, deixa-me desarmado como a criança a quem lhe trocaram o brinquedo favorito.
Cristiano Ronaldo e Gianluigi Buffon na mesma equipa seria das coisas mais bonitas com que o futebol nos poderia brindar. Depois de já termos visto repetidamente a grande elevação de ambos os astros quando se defrontavam, é fácil imaginar que juntos conquistariam os nossos corações. Todavia o futebol é um pouco ‘cruel’ nestas encruzilhadas do destino.
Espero que esta mágoa me deixe rapidamente depois quando começar a ver-te novamente a seres o gigante que és dentro do campo, mas com uma capa de super-herói diferente.
Magoaste-me, Gigi! Magoaste-me…
Foto de Capa: Paris Saint-Germain
Artigo revisto por: Vanda Madeira Pinto
O Vitória Sport Clube já nos habituou a ser sempre uma das equipas mais fortes e temíveis fora do conjunto dos denominados “três grandes”. Os vimaranenses pela sua história e por toda a paixão que envolve os seus aficionados são um clube que tem legitimas aspirações de se proclamar como o “quarto grande”.
As coisas, no entanto, não correm sempre bem para os lados de Guimarães. O Vitória SC tem sido um clube marcado por períodos de grande instabilidade neste século. Ora faz grandes épocas, ora tem uma época mais desapontante. Este tem sido o grande obstáculo ao crescimento efetivo do clube que teima em não se afirmar como um clube europeu.
A época passada foi uma dessas épocas, que foram um claro retrocesso, por comparação com a época anterior. O treinador até foi o mesmo, Pedro Martins, mas parece-me que o planeamento do plantel não foi o melhor. Depois de um grande quarto lugar, à frente do seu grande rival, SC Braga, e de ser finalista da Taça de Portugal, esperava-se, no mínimo, que o Vitória SC conseguisse estabilizar-se na luta pela Europa. A verdade é que as coisas não correram nada bem e o treinador Pedro Martins acabaria por sair a meio da época, depois de perder 5-0 contra o SC Braga em casa. Para o seu lugar veio José Peseiro que não conseguiu inverter muito as coisas. Feitas as contas, o Vitória SC acabaria a temporada 2017/2018 em nono lugar. Os tais altos e baixos constantes que eu já referi.
Depois de Pedro Martins e Peseiro, Luís Castro é o homem do leme em Guimarães nesta nova temporada Fonte: Vitória SC
Ora, o facto de mesmo após o treinador Pedro Martins ter sido dispensado as coisas não terem melhorado muito aponta, claramente, para erros estruturais no início da temporada. E nesse aspeto o presidente dos vimaranenses, Júlio Mendes, não pode ser isento de culpas. Acho que existe um certo “comodismo” que leva o Vitória ora a fazer uma aposta forte e a retirar frutos, ora a desinvestir e a ter uma época mais negativa. Em Guimarães, certamente, olha-se para os vizinhos de Braga e sonha-se que o Vitória um dia consiga atingir o patamar da estabilidade que o SC Braga conseguiu atingir. Com boas exibições europeias aliadas a qualificações constantes para a Europa.
Um dos jogadores formados em Alcochete e que terá na próxima temporada uma porta aberta para se afirmar no plantel leonino, é Francisco Geraldes. O jovem de 23 anos deu os seus primeiros pontapés na bola em Alcochete com apenas oito anos. Em toda a sua carreira futebolística apenas esteve vinculado a um único clube – o Sporting Clube de Portugal. Ao longo da sua carreira promissora, representou ainda dois clubes por empréstimo dos leões: o Moreirense, onde foi preponderante na conquista da Taça da Liga e o Rio Ave, onde foi também uma das pedras basilares de Miguel Cardoso na última temporada.
Depois de ter feito parte da histórica conquista da Taça da Liga pelo Moreirense, Jorge Jesus (treinador em funções) deu indicação à direção leonina para resgatar o médio em Janeiro. Até final da temporada 2016/2017, onde esteve inserido no plantel leonino apenas na segunda metade da temporada, o jovem jogador pisou o relvado com a listada verde e branca escassos minutos para mostrar o seu valor – merecia mais.
Na temporada anterior fez parte do lote de jogadores que viajaram para o estágio na Suíça, em que o jovem fez manchete na comunicação social por ter sido captado a ler o livro “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago. O criativo jogador não fez parte dos eleitos do mister para a temporada 2017/2018 e esteve a representar a equipa de Vila do Conde, o Rio Ave FC por empréstimo, também esta uma equipa que veste de verde e branco.
Francisco Geraldes deve ser um dos construtores das jogadas do Sporting na próxima época Fonte: Sporting Clube de Portugal
No arranque desta temporada, é altura de regressar a casa para mais uma tentativa de afirmação no plantel do Sporting. Na primeira semana de trabalhos em Alcochete, e pelo que foi possível acompanhar dos treinos, “Chico” Geraldes foi talvez o jogador que mais se destacou e por isso mesmo não poderia estar ausente dos eleitos para o estágio na Suíça.
Conhecido por ser um jogador tecnicamente e taticamente evoluído, o jovem leonino tem ainda a capacidade de ser imprevisível na cara do adversário, no entanto considero que a principal diferença deste jogador para muitos outros que ocupam a mesma posição é a capacidade de decisão no último momento.
Na próxima temporada, julgo que terá a sua oportunidade (mais que merecida) de vingar com a listada verde e branca. Grande parte do jogo dos leões poderá passar pelo médio criativo. Um meio campo com a presença de um jogador desta categoria é um meio campo à partida mais forte – pode dar muito ao Sporting Clube de Portugal. Um talento em bruto para lapidar, com oportunidades poderá ser uma peça chave na equipa.
Com tanta qualidade e uma enorme margem de progressão prevejo um futuro risonho, não só para o jogador, como acima de tudo para o Sporting Clube de Portugal.
O Sporting Clube de Portugal já arrancou com a preparação da temporada 2018/2019. Em circunstâncias singulares, os leões iniciam o trabalho com várias saídas, mas ao mesmo tempo, com a entrada de reforços e de alguns atletas que foram emprestados. Esta semana, a equipa comandada por José Peseiro rumou à Suíça para o habitual estágio de pré-época. A comitiva verde e branca foi recebida em festa pelos sportinguistas que residem em terras helvéticas.
Um plantel com várias novidades, para a baliza leonina chegou Emiliano Viviano, oriundo da Sampdoria, onde realizou 27 jogos na última época. O internacional italiano foi formado na Fiorentina e tem passagens por clubes como o Brescia, Bologna e Arsenal. Um guarda-redes experiente, de enorme qualidade e que irá disputar a titularidade com Romain Salin e Luís Maximiano.
Estes serão os guardiões do Sporting Clube de Portugal 2018/19 Fonte: Sporting Clube de Portugal
No setor defensivo, o Sporting mantém grande parte da sua estrutura da época anterior, Piccini, Ristovski, Mathieu, Coates, André Pinto e Lumor. Após um período por empréstimo, regressam Jefferson (ex-SC Braga, 39 jogos), Jonathan Silva (ex-Roma, dois jogos) e Domingos Duarte (ex-Desp. Chaves, 38 jogos). Até ao momento, os leões apresentaram dois reforços: o lateral-direito Bruno Gaspar, proveniente da Fiorentina e Marcelo, um atleta que serviu o Rio Ave durante seis temporadas. Além destes nomes, Peseiro tem ainda às suas ordens o jovem turco, Merih Demiral, que provavelmente irá fazer parte do plantel da equipa sub-23.
No meio-campo, o plantel registou várias alterações. No entanto, permanecem a vestir de leão ao peito João Palhinha, Petrovic, Misic e Wendel. Destaque para o acordo entre o Sporting e Bruno Fernandes, que após ter apresentado a rescisão, irá continuar em Alvalade. Regressam ainda ao Sporting, Matheus Oliveira (ex-Vit. Guimarães, catorze jogos), Ryan Gauld (ex-Desp. Aves, 23 jogos, um golo) e ainda, um dos melhores talentos fruto da Academia de Alcochete, Francisco Geraldes (ex-Rio Ave, 38 jogos, quatro golos).
No fenómeno futebolístico, existem várias personalidades: os que se destacam por envergar a camisola de um só clube, os que sempre pautaram a sua carreira pelo respeito para com o adversário, os talentosos que deslumbram com a classe com que jogam, os que cativam os adeptos e os próprios companheiros de equipa… E depois há Shéu Han, que reuniu todas estas características.
Shéu Han; só assim. Simples no nome, tanto quanto simplificava nos relvados. Nascido na vila moçambicana de Inhassoro, a 03 de Agosto de 1953, notabilizou-se ao serviço do Sport Lisboa e Benfica, equipa que serviu durante toda a sua carreira futebolística. Ao todo, foram 19 as temporadas de águia ao peito (duas delas enquanto júnior), desde 1970 até 1989. Muitos não viram jogar Shéu – eu não vi, por exemplo –, mas, do que é contado pelos mais velhos, tratava-se de um jogador extraordinário. Médio-centro de tremenda classe e que se movimentava com pézinhos de lã, acrescentava perfume e calma ao jogo. A figura tranquila e sóbria que vemos hoje em Shéu, é exactamente a mesma de quando pisava os relvados. Foram 489 jogos realizados e 45 golos apontados que ficaram para a História do Clube, bem como os 17 títulos conquistados (nove Campeonatos, seis Taças de Portugal e duas Supertaças).
Shéu não é caso único no universo de jogadores que dedicaram toda a sua carreira futebolística ao nível de um só clube. Mas haverá outros como Shéu que, depois de terminarem a sua carreira, mantêm funções nos clubes, dedicando toda a sua vida em prol desse emblema? Eu não conheço muitos. Como referido anteriormente, Shéu terminou a sua carreira em 1989 e, logo no ano seguinte, abraçou o desafio de se tornar Secretário Técnico do SL Benfica. Desde o início da temporada de 1989/1990 – até este mês de Julho de 2018 – que Shéu se manteve neste cargo, tendo ainda pelo meio feito quatro jogos como treinador principal do SL Benfica, no final da temporada de 1998/1999. Foram 48 anos de serviço ao SL Benfica. Perdoe-me o leitor a repetição, mas Shéu merece que escreva este número por extenso: quarenta e oito anos de dedicação a um só Clube – ao melhor Clube –, por parte de uma das melhores pessoas que já passaram pelo Futebol português.
Pese o devido respeito demonstrado por todos, Shéu sempre foi visto pelos jogadores do SL Benfica como um amigo e companheiro de jornada Fonte: SL Benfica
Segundo se sabe, o ex-Secretário Técnico não irá ainda abandonar o Clube. Afastar-se-á da área do Futebol, mas irá continuar com outras funções. Para nós, Benfiquistas, é óptimo poder continuar a contar com ilustres como Shéu Han nos nossos quadros, pois tratam-se de pessoas que conhecem o Clube e os seus ideais, que o amam como nós amamos e que têm como interesse máximo servir o SL Benfica (e não servir-se dele).
Faltam palavras para descrever o que se sente quando se pensa em figuras como Shéu Han. O SL Benfica é tão grande e existem tantas personalidades no nosso universo, mas este nome estará, sem sombra de dúvidas, para sempre num lote restrito de lendas. Uma vida inteira passada nos corredores do Estádio da Luz, um número infindável de pessoas com quem se cruzou, jovens que influenciou… Enfim, Shéu é SL Benfica e SL Benfica é um bocadinho de Shéu.
Num vídeo de agradecimento do SL Benfica, Rui Costa, um dos influenciados pela sua figura mítica, dizia que, “para além de um grande Capitão, de um grande jogador, de um grande dirigente, de um grande treinador”, Shéu tinha sido “um grande amigo de toda a gente e isso jamais será esquecido por qualquer geração”. Sem me alongar muito mais, faço minhas as palavras do Maestro.
O basquetebol, ao contrário do futebol, é um desporto vivo e com constantes alterações ás regras.
Recentemente, a FIBA divulgou mais 14 alterações pontuais, depois de na época passada (junho 2017), sem que a maioria tenha dado grande conta, ter modificado o Artigo 25 (“Avanço ilegal”) introduzindo o denominado Passo Zero, numa clara tentativa de uniformizar os critérios com a NBA.
A NBA que tem os mais extraordinários talento mostra que o Passo Zero é um recurso ofensivo que cria grandes vantagens. A Europa, e Portugal em particular, continua a dormir face a uma NBA que leva anos de vantagem.
A maioria dos treinadores ainda não entendeu ou finge não entender o enorme potencial destas alterações. Por outro lado também não é fácil aos jogadores mudarem os gestos técnicos muito automatizados por anos de pratica.
Quando iniciei o estudo desta regra cedo fiquei convencido que não era um alteração pontual ás regras mas sim uma alteração radical ao jogo. Estamos perante uma revolução tanto na técnica como na táctica. Com o Passo Zero temos um novo potencial de acções ofensivas que vão exigir também da defesa um esforço suplementar e muita inteligência na tomada das decisões.
Os treinadores deviam estar actualizados e conhecer ao pormenor as alterações de forma a tirarem o melhor partido o que a maioria, mesmo ao nível profissional, até ao momento, ainda não fez já que não acreditam e continuam na zona de conforto recusando a mudança.
Mas o caminho é imparável e a FIBA não vai voltar atrás. As novas gerações vão passar a jogar um basquetebol diferente deixando para trás quem continuar a jogar à moda antiga (antes de 2017). A titulo de exemplo é só relembrar a moda em vigor dos Triplos. Nos anos 80 muitos a negaram mas agora todos gostam…
Mais uma época, mais uma aposta forte do CS Marítimo em jogadores brasileiros. O ano passado, cerca de 26,9% dos jogadores do nosso campeonato eram brasileiros. Decerto que o clube da Madeira contribuiu bastante para esta percentagem razoável. Note-se que só no ano passado, por exemplo, o CS Marítimo conseguiu ter o mesmo número de brasileiros e de portugueses a fazer parte integrante do seu plantel.
Esta tendência do clube insular em apostar em jogadores canarinhos já não é novidade nenhuma para ninguém. Há alguns anos que assim o é. A verdade é que, dentro da realidade do CS Marítimo, esta estratégia não tem dado mau resultado. Os números não mentem: nos últimos anos, o CS Marítimo conseguiu sempre colocar-se em posições razoáveis a meio da tabela classificativa.
E agora surge a pergunta: em que medida a aposta em brasileiros terá influência nisto? Pois bem, o avançado brasileiro de 27 anos, Rodrigo Pinho, é elucidativo disso mesmo. Cumpriu mais de dois mil minutos ao serviço do clube e marcou 11 golos nas quatro diferentes competições onde o CS Marítimo esteve inserido a época passada. Foi mesmo ele o protagonista daquele que foi considerado o melhor golo da Primeira Liga 2017/2018. E que golo! Um trabalho fenomenal do avançado, um golo extraordinário e uma autêntica bomba!
Rodrigo Pinho foi protagonista daquele que foi eleito o melhor golo da Primeira Liga 2017/2018 Fonte: CS Marítimo
Mas não foi só este brasileiro que ajudou o CS Marítimo a cumprir a sua tarefa. Lembro-me de nomes de jogadores importantes na equipa insular na época passada como Bebeto e Cléber, irrepreensíveis ao nível da entrega. Dráusio Gil, apesar de ter sido maioritariamente utilizado na primeira parte da temporada, também foi, até certa altura, uma peça importante na defesa do Marítimo. Lembro-me também de Fransérgio, Dyego Sousa e Derley de outros anos. Tudo brasileiros que marcaram a diferença no clube.