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Bélgica 5-2 Tunísia: “Palmada” belga no sonho da Tunísia

O Otkrytie Arena recebeu neste início de tarde o jogo inaugural da segunda jornada do Grupo G, que colocou frente a frente Bélgica e Tunísia. Os dois conjuntos foram a jogo com perspetivas antagónicas, a Bélgica procurava impor o seu futebol ofensivo e dominar por completo o jogo para dar um importante passo rumo ao apuramento à próxima fase deste campeonato do mundo, já a Tunísia, reconhecendo as suas fragilidades e inferioridade perante o adversário, tentaria apenas sobreviver e tudo o que de positivo surgisse seria considerado como um acréscimo.

Não se registaram grandes mudanças nos XI´s iniciais de nenhuma das seleções, do lado da Bélgica o selecionador Roberto Martínez aplicou a máxima “equipa que ganha não se mexe”, e por isso não promoveu nenhuma alteração na equipa em comparação com o jogo anterior diante do Panamá. Do outro lado, o selecionador tunisino Nabil Maaloul fez apenas uma alteração, e apenas porque foi obrigado a tal, lançando para a baliza Ben Mustapha em prol de Mouez Hassen, que se lesionou com alguma gravidade na primeira jornada frente à Inglaterra.

Assistimos a um primeiro tempo de excelência, que, certamente, deixou de medidas cheias quem acompanhou estes 45 minutos de futebol. Como seria expectável, a Bélgica entrou a todo o gás e deixou bem patente que vinha a este jogo para inundar a baliza tunisina de oportunidades de golo e logo aos 5 minutos colocou-se em vantagem, por intermédio de Eden Hazard, que, na conversão de uma grande penalidade inaugurou o marcador em Moscovo. A Tunísia não reagiu bem ao golo e a pressão de ter de pontua para manter o sonho na Rússia de pé remeteu os seus jogadores para a falta de confiança e nervosismo, o que acabou por beneficiar a Bélgica pois aliar todas as suas valências à fragilidade do adversário só poderia trazer coisas boas. E assim foi, primeiramente Hazard dispôs de nova oportunidade para marcar, mas não conseguiu acertar devidamente na bola; de seguida, à passagem do quarto de hora, Lukaku aumentou a vantagem para 2-0 após receber um belo passe por parte de Mertens, numa jogada em que Ali Maâloul ficou muito mal na fotografia. Desta vez, a Tunísia não poderia ter melhor reação pois imediatamente a seguir a ter consentido o golo consegue reduzir para 2-1 com um cabeceamento de Dylan Bronn, que viria a ser substituído por lesão. Nos instantes que se seguiram, a Bélgica manteve-se forte e superior à Tunísia, tendo Carrasco efetuado um bom remate ao qual o guardião tunisino correspondeu com uma bela defesa. Chegava ao fim um começo de jogo frenético com 20 minutos alucinantes, e como seria e esperar o jogo arrefeceu, o ritmo diminuiu, deu-se um equilíbrio na posse de bola, o que resultou na saída da Tunísia daquele sufoco inicial.

Apesar da equipa se ter recomposto, vieram ao de cima mais erros defensivos e já em tempo de compensação a Bélgica voltou a aproveitar esta vulnerabilidade tunisina de forma letal e fixou o 3-1 ao intervalo numa bela jogada entre Meunier e Lukaku com o avançado do Manchester United a bisar na partida, após mais um erro de Maâloul.

Lukaku pica a bola e faz o 3-1
Fonte: FIFA

As equipas regressaram ao relvado com o sentimento de que a partida estava resolvida, restando apenas apurar em que números iria ficar o resultado. O pressing dos belgas sobre a defesa tunisina já não foi tão intenso como no primeiro tempo, mas mesmo assim as oportunidades de golo foram acumulando-se.

Cópia feita ao primeiro tempo, a Bélgica marcou 5 minutos após o apito do árbitro e novamente com a assinatura de Eden Hazard, que, ao receber um estrondoso passe de longa distância de Alderweireld, fintou o guarda-redes e fez o 4-1. Os comandados de Roberto Martínez entraram em contenção de recursos e todo o jogo passou a ser feito com uma tremenda calma e sem qualquer tipo de busca incessável pelo golo com excepção ao interessante duelo entre o guarda-redes tunisino, Ben Mustapha, e o avançado do Dortmund, Batshuay.

Este foi o único motivo de interesse do segundo tempo, ao todo foram 5 as oportunidades que Bastshuay teve para marcar golo e só aos 90 minutos conseguiu marcar o golo que tanto desejava, ao corresponder a um cruzamento de Tielemans com um remate que se revelou tecnicamente difícil. O jogo estava condenado a ter muitos golos, e por isso o marcador ainda iria somar o de Wahbi Khazri, o mais irreverente da Tunísia viu o seu esforço premiado com um golo no último minuto da partida: já dentro da área, bateu Courtois com um remate certeiro no interior do poste esquerdo da baliza, estabelecendo o resultado final em 5-2.

Uma vitória clara, indiscutível, que espelhou as grandes diferenças entre as duas equipas e que só não tomou outras proporções pois não só a Bélgica abrandou o ritmo como o guarda-redes da Tunísia ainda colecionou um bom conjunto de defesas. A Bélgica carimba desde já a presença na próxima fase da competição e, por outro lado, a Tunísia ainda com possibilidades matemáticas de qualificação vê as suas hipóteses alojarem-se junto da barreira do impossível.

Juan Quintero – Um Diamante por Lapidar

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fc porto cabeçalho

Foi titular contra o Japão nesta quarta-eira e, apesar da derrota, brindou a sua seleção com um golo de livre. Na Argentina e na Colômbia mostrou que pode ter espaço no plantel do FC Porto para a época 2018/2019. Caso regresse, conseguirá Sérgio Conceição desenvolver todo o seu potencial?

Chegou ao FC Porto como jovem promessa, fazendo lembrar o seu compatriota James Rodríguez e entrou pelas portas do Dragão como o melhor jogador do Mundial de Sub-20 em 2013. Teve um início de época fulgurante, num FC Porto comandado por Paulo Fonseca, mas acabou por não mostrar a consistência e a regularidade que é essencial para um titular na equipa da cidade Invicta. E esse foi o seu principal ponto fraco nas duas épocas que jogou de dragão ao peito.

Nas últimas três épocas Quintero andou de empréstimo em empréstimo, passando pelo Rennes FC, Deportivo Independiente Medellín e Club Atlético River Plate. No Rennes, não conseguiu recuperar a sua melhor forma muito por culpa do seu comportamento e acabou por fazer apenas 14 jogos. Foi no Independiente Medellín que Juanfer Quintero voltou a brilhar, demonstrando que o seu talento permanecia intacto. Com 16 golos marcados e três assistências em 33 jogos, o médio colombiano tornou-se um ídolo para os adeptos do clube. Mesmo depois desta época em grande, o FC Porto não o quis aproveitar e Quintero mudou-se para o River Plate para jogar apenas a última metade da época. Aos poucos foi subindo na consideração de Marcelo Gallardo, atual treinador da equipa argentina, e começou a ter mais tempo de jogo de forma a poder demonstrar os seus dotes, acabando a época com 16 jogos e 1 golo marcado. Conseguiu assim convencer José Pekerman, selecionador da Colômbia, e está entre os 23 da Colômbia para o Mundial.

Destacou-se no primeiro jogo frente ao Japão com o seu golo de pontapé de livre, não sendo suficiente para evitar a derrota dos cafeteros.

Quintero a festejar o golo frente ao Japão com Radamel Falcão
Fonte: Facebook Oficial da Seleção da Colômbia

Nestes últimos três anos muita coisa passou pela cabeça de Juan Fernando Quintero. Já pensou em deixar o futebol e dedicar-se ao reggaeton, chegando mesmo a lançar uma música. Para piorar, a imprensa colombiana afirmava muitas vezes que as más companhias estavam a fazer com que Quintero se desapaixonasse pelo desporto rei.

Contudo, conseguiu dar a volta por cima e quando se esperava que estivesse de costas voltadas para o FC Porto, Quintero afirmou querer voltar ao Dragão, pedindo inclusive a Deus para que tal acontecesse.

Com um bom arranque no Campeonato do Mundo e duas épocas de bom nível na Colômbia e Argentina, o regresso do médio (ainda) promissor seria bem visto pelos portistas, tendo em conta que é um jogador acarinhado pelas “bancadas do Dragão” e poderia acrescentar qualidade ao plantel do FC Porto. Sérgio Conceição já mostrou ser capaz de potenciar jogadores, tal como aconteceu com Marega, Sérgio Oliveira e Ricardo Pereira. Será desta que Juan Quintero brilhará de dragão ao peito?

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Jogos do Mediterrâneo: 5 portugueses candidatos às medalhas

De 22 de junho a 1 de julho, Tarragona, na Catalunha, recebe os Jogos do Mediterrâneo, com mais de 200 atletas portuguesas a marcarem presença espalhados por 2 modalidades.

Olhando para a lista de representantes nacionais publicada pelo Comité Olímpico Português, escolhemos cinco atletas com muito boas hipóteses de dar a Portugal uma medalha na estreia nacional nesta competição.

A busca insecável por patrocínios

Se o WRC teve no seu último rali, o rali da Sardenha, uma diferença entre o vencedor, Thierry Neuville, e o segundo posto, Sebastien Ogier, de 0.7s, a ronda que marca o meio do campeonato FIA ERC teve uma diferença ainda menor. Simos Galatariotis venceu o seu rali caseiro com uma diferença de 0.6s sobre os portugueses, Bruno e Hugo Magalhães. 

O Rali do Chipre marcou a quarta ronda do europeu de ralis. Contou com os habituais participantes na luta pela liderança, mas o incentivo foi a presença de Nasser Al- Attiyah, a bordo de um Ford Fiesta R5.

O primeiro dia viu Alexey Lukyanuk ser outra vez implacável e começar na liderança do rali, mas a passagem por cima de uma pedra não identificada nos reconhecimentos, fez com que o russo furasse e umas curvas mais à frente o russo acabaria por bater nos rails e acabar por perder a liderança e o comboio para lutar pela vitória. Quem aproveitou para se chegar à frente do rali foi Nasser Al-Alttiyah, que assim assumia a liderança, com cerca de 11s sobre o piloto caseiro Galatariotis, em Skoda Fabia R5. Na terceira posição seguia o novo protegido da Skoda, o finlandês de 21 anos, Juuso Nordgren, que cada vez mais mostra estar bastante forte no carro da marca checa.

Alexey Lukyanuk chegou ao Chipre após um má ronda na Acrópole, mas não conseguiu virar a sua sorte
Fonte: FIA ERC

Na especial seis, a última do primeiro dia de competição, Al-Alttiyah furou e acabou por perder a liderança para a jovem esperança finlandesa, Juuso Nordgren. Bruno Magalhães, devagar devagarinho e com o azar dos principais pilotos, o português estava agora no pódio a cerca de 9s do líder. 

Assim, o jovem finlandês liderava o rali, até que na especial nove, logo no ínicio capotou o Skoda Fabia R5, fruto da sua inexperiência. Para a próxima já sabe, com calma chega-se lá. Assim, o cipriota Galatariotis liderava o seu rali. A luta assim parecia entre o cipriota e o português. Mas alguém consegui recuperar e vir discutir, outra vez, a liderença. É verdade, Al-Alttiyah, que teve três furos, quando só tinha dois pneus sobresselentes, conseguiu chegar à liderença. Mas na especial derradeira, furou. Parou para trocar o pneu, e quem vinha atrás era Bruno Magalhães. Quando Al-Alttiyah se colocou na estrada novamente, Bruno estava mesmo em cima, tendo travado a fundo e depois ultrapassado o piloto do Qatar. E foi esta manobra que custou a Bruno a vitória no rali, caros leitores, 0.6s que podem fazer a diferença no final do campeonato. Com o furo de Al-Alttiyah, Norbert Herczig subiu para o terceiro lugar com o Skoda Fabia R5.

Os 6 Mundiais de Portugal

 

Depois de não ter participado na primeira edição, Portugal tentou, sem sucesso, a qualificação para o Mundial por seis edições consecutivas. À sétima, e pela primeira vez, alcançou a fase final da prova. Depois disso, passaram quatro anos sem que o conseguisse e na 13.ª edição chegou novamente a uma fase final. Passaram-se mais três provas sem a presença de Portugal e, neste momento, a seleção das quinas vai na quinta presença consecutiva. Num top curto, fruto das poucas participações lusas, recordamos as prestações de acordo com o sucesso alcançado.

“El Muro” do Campeonato do Mundo

Pode até ser desconhecido para muitos dos adeptos do futebol europeu, mas quando falamos de grandes competições de seleções, todos conhecem Guillermo Ochoa.

O guarda-redes mexicano começou a sua carreira profissional no seu país de origem, mas em 2011 veio jogar para a Europa, mais propriamente para França, onde captou alguma atenção. Representou o AC Ajaccio até 2014, ano em que atingiu um patamar superior. Transferiu-se para o Málaga, de Espanha e mostrou-se aos adeptos europeus. Contudo, as suas exibições nem sempre foram as melhores e hoje não é a primeira opção para muitos dos clubes europeus, no que toca a preencher as redes das suas balizas. Esta temporada jogou pelo Standard Liége, na Bélgica.  Mais do que falar das características de Ochoa, o interessante é falar daquilo que ele já fez, na seleção mexicana.

O senhor das balizas mexicanas estreou-se, pela equipa principal do México em 2005, frente à Hungria, e também esteve presente no Campeonato do Mundo na Alemanha em 2006, apesar de não ter jogado. Desde 2014 que Guilhermo Ochoa é o guarda-redes titular dos mexicanos.

No entanto, quando chega o verão e estamos em ano de grandes competições de seleções, ou seja, quando é ano de Campeonato do Mundo, Guillermo Ochoa parece ganhar superpoderes dignos de ser apelidado de El Muro de la Andaluzia. Em 2014, no Brasil foi uma das melhores surpresas do Mundial ao defender tudo aquilo que tinha de defender nos jogos do México, principalmente frente ao Brasil, na fase de grupos. Nesse jogo, Ochoa foi o homem da partida e evitou por variadas vezes o golo sul-americano, que terminou empatado sem golos.

No Brasil e na fase de grupos, o México só sofreu um golo nos três jogos realizados, o que demonstra a eficácia defensiva por parte dos mexicanos, principalmente do guardião que foi um verdadeiro muro na equipa tricolor. A seleção mexicana acabaria, depois, por ser eliminada nos oitavos de final, frente à mítica “laranja mecânica”, Holanda.

O guarda-redes mexicano voltou a manter a sua baliza fechada num jogo contra uma grande seleção
Fonte: FIFA

Este ano, e porque é ano de Campeonato do Mundo, Guillermo Ochoa volta a estar em destaque na seleção do México. No primeiro e único jogo disputado, até este momento, Ochoa voltou a ser exímio e a evitar qualquer golo da atual campeã mundial, a Alemanha. O jogo terminou com uma vitória mexicana e muito por culpa do seu guardião. Desde o minuto 35 que a seleção alemã procurou o golo do empate, golo que nunca surgiu devido à exibição de Guillermo Ochoa, que uma vez mais mostrou ser um gigante na baliza mexicana, quando se trata de Campeonatos do Mundo.

Este sábado, o México jogará frente à Coreia do Sul, seleção teoricamente mais fraca, a contar para a segunda jornada do grupo F. Todavia, e porque esta edição tem sido fértil em surpresas, nada está ganho e por isso podemos voltar a ver “el muro” a fazer uma grande exibição e a manter as redes da sua baliza intactas. A única certeza que temos é que muito da consistência defensiva que o México apresenta se deve a Guillermo Ochoa, um gigante guarda-redes.

Foto de Capa: FIFA

Um Mundial decisivo para o Brasil… e para Neymar

Neste mês de junho, poucas equipas chegaram à Rússia com tanta pressão como a Seleção Brasileira. Desde a humilhante derrota por 7-1 frente à Alemanha, no Mundial de 2014, a Canarinha ainda contou com duas saídas precoces da Copa América (2016 e 2017), e o melhor que tem para mostrar é uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016. Os rapazes com as vibrantes camisolas amarelas já estão habituados a ter os olhos postos neles; mas raramente têm os dedos apontados a si. Em 2018, mais que nunca, têm de se mostrar à altura do desafio. E no centro desta situação está um nome: Neymar da Silva Santos Júnior.

O número 10 do Brasil foi dos poucos que não tiveram culpa naquela noite terrível de 8 de julho de 2014: isto porque não jogou, devido a lesão. Teria a história sido diferente com Neymar em campo? Nunca saberemos, mas dificilmente o extremo poderia ter feito alguma coisa para evitar as falhas defensivas dos seus colegas. É quase irónico que a sua lesão tenha sido na zona lombar, uma vez que, ao longo da competição, tinha, em grande parte, levado a sua equipa às costas.

Em 2018, a situação é diferente. Na equipa já entraram jogadores que falam a mesma linguagem futebolística de Neymar: Coutinho, Roberto Firmino, Gabriel Jesus, entre outros. Aquele perfume que andou desaparecido há quatro anos voltou ao futebol brasileiro. Ainda assim, em Terras de Cristo Rei, as maiores expectativas estão inevitavelmente depositadas no craque do Paris Saint-Germain.

Podemos dizer que Neymar está mais bem acompanhado neste Mundial
Fonte: FIFA

Aliás, a verba de 222 milhões de euros que o PSG pagou por Neymar no verão passado só aumentou esta pressão. Não é só na França que terá que justificar este preço; terá de o fazer também na Rússia.

Para já, ainda está tudo em aberto para a Seleção Brasileira: o empate com a Suíça, embora desapontante, não comprometeu as esperanças da equipa. Mas o facto de o novo penteado de Neymar ter sido mais comentado do que o seu jogo espelha a forma como o extremo esteve apagado na partida. Não teve uma exibição propriamente má. Mas espera-se sempre mais de Neymar; espera-se sempre um rasgo de génio, uma finta impossível, um golo espantoso. E isso não surgiu, em parte devido à marcação cerrada – e dura – dos suíços. Neymar sofreu dez faltas naquele jogo, um recorde de infrações sofridas por um só jogador em partidas do Mundial

Contra a Costa Rica, mostrou-se relutante em enfrentar um adversário no um para um. Começa a acusar a pressão, e isso ficou claro com a frustração que demonstrou ao longo do jogo, da qual o árbitro foi muitas vezes o alvo. O choro no final representa o alívio de um jogador que sabe perfeitamente o que se espera dele. O seu golo aos 97 minutos acaba por mascarar uma exibição que em pouco melhorou relativamente à anterior.

Com o Brasil a um passo do apuramento para os oitavos de final, poderá ter mais tempo para provar que a equipa pode contar consigo para resolver um jogo. Ainda se pode assumir como a principal figura desta equipa.

A medalha de ouro em 2016 serviu para matar alguns fantasmas, mas os adeptos brasileiros só pensam em ver os canarinhos a levantar o troféu no dia 15 de julho, em Moscovo. E, para chegar aí, terá de ser o seu número 10 a guiá-los à vitória.

Foto de Capa: FIFA

Sérvia 1-2 Suíça: Reviravolta helvética deixa grupo em aberto

Diretamente do Kaliningrad Stadium, Sérvia e Suiça apresentaram-se, com a mesma formação, para o jogo da segunda jornada do Grupo E. A equipa de Vladimir Petkovic não mexeu no onze, enquanto o treinador sérvio Mladen Krstajic promoveu apenas uma alteração: Kostic rendeu Ljajic.

Num jogo marcado por uma vertente histórica, relacionado com questões políticas, as seleções entraram em campo, sabendo que uma vitória da Sérvia garantia o apuramento para os oitavos de final do Campeonato do Mundo.

Ao minuto 4, Xhaka rematou de meia distância, mas foi a Sérvia que, um minuto depois, se adiantou no marcador. Ivanovic cruzou para Mitrovic, que cabeceou para uma boa defesa de Yann Sommer. Na segunda oportunidade, após um cruzamento em profundidade de Tadic, o avançado não desistiu e foi mais eficaz, batendo Sommer, sem hipóteses para defesa.

Minutos mais tarde, aos 14, Mitrovic voltou a repetir o gesto, mas o guardião estava atento. Aos 18’, um pontapé de bicicleta passou por cima da baliza helvética.

Perante as investidas das Águias Brancas, a Suiça não baixou os braços e cresceu no jogo, ao mostrar uma boa atitude e tentar fazer de tudo para chegar ao golo do empate.

Shaqiri foi o principal motor da formação helvética que, aos 10 e aos 30 minutos, dispôs de duas boas oportunidades de alcançar o golo. Dzemaili foi o autor, mas não conseguiu ser eficaz.

Até ao fim da primeira parte, a partida foi extremamente tática e intensa, com sete faltas para cada lado e três delas a resultar em cartão amarelo. A oportunidade mais flagrante foi de Tadic que, nos descontos, rematou por cima da barra da baliza de Sommer.

Na segunda parte, a Suiça entrou melhor e chegou, aos 52 minutos, ao empate. Na sequência de um contra-ataque, o remate de Shaqiri é cortado e a bola chega aos pés de Xhaka que, de fora da área, remata para o fundo das redes de Stojkovic.

Ao minuto 58, a seleção deu continuidade ao bom momento de forma, com Shaqiri a ultrapassar dois defesas e a ameaçar com um remate que acertou no poste esquerdo.

Os últimos 30 minutos foram reservados para substituições, faltas e tentativas de uma seleção se superiorizar à outra.

Um lance de contra-ataque levou ao golo de Shaqiri
Fonte: FIFA

Quando tudo dava a entender que a partida terminaria empatada, uma arrancada de Xherdan Shaqiri, após uma transição rápida de um contra-ataque, surpreendeu Stojkovic, que não conseguiu defender. Estava feito o 2-1 para a Suiça, resultado esse que acabaria por ser definitivo.

Apesar da vitória suíça, as duas seleções apresentaram-se bem posicionadas. A Sérvia teve um bom arranque, mas o adversário mostrou-se mais consistente ao longo de todo o jogo. Conseguiu fazer a reviravolta num momento crucial, ao não baixar os braços em nenhum momento da exibição.

Este resultado deixa assim em aberto as decisões do Grupo E para a terceira e última jornada da fase de grupos. Com a Costa Rica eliminada, Brasil, Sérvia e Suiça disputam dois lugares nos oitavos de final. A luta promete ser acesa e a próxima jornada promete ser decisiva nas contas finais do grupo.

Sérvia: Stojkovic; Ivanovic, Milenkovic, Tosic e Kolarov; Matic, Milivojevic (Radonjic 81’), Tadic, Milinkovic-Savic e Kostic (Ljajic 65’); Mitrovic

Suiça: Sommer; Lichtsteiner, Schar, Akanji e Ricardo Rodriguez; Behrami, Xhaka, Shaqiri, Dzemaili (Embolo 73’) e Zuber (Drmic 93’); Seferovic (Gavranovic 46’)

Nigéria 2-0 Islândia: 45 minutos de luxo selaram vitória

As formações da Islândia e da Nigéria partiam para este segundo jornada do grupo D com estados de espírito muito díspares. Enquanto que a equipa europeia vinha motivada com o empate na jornada inaugural perante a Argentina e sabia que uma vitória neste jogo deixava a equipa viking com o apuramento para os oitavos-de-final muito bem encaminhado, a equipa nigeriana vinha de uma derrota com a Croácia e sabia de antemão que outro desaire selava a sua eliminação do campeonato do mundo.

Quem acompanhou com atenção o Euro 2016 não pode estar surpreendido com a grande consistência islandesa, e o certo é que a equipa escandinava entrou mais forte e decidida a marcar cedo, sempre travada pelo guarda-redes nigeriano. A Nigéria decidiu jogar com um bloco mais baixo, mas sempre sem descurar o contra-ataque, aproveitando a velocidade dos seus atacantes Musa e Iheanacho.

Pese embora esta nuance tática, a primeira parte acabou por não entusiasmar e o nulo persistiu até ao intervalo, não sem antes um livre lateral quase ter dado o golo aos europeus, numa bola tensa colocada na área mas sem haver um precioso desvio para o fundo das redes. Aliás, a Islândia teve um certo domínio no que a oportunidades de golo diz respeito, comprovado pelos 0 remates à baliza dos jogadores nigerianos.

Bastaram apenas 16 segundos na segunda parte para a Nigéria fazer o seu primeiro remate à baliza. Aos 49 minutos, Musa fez o primeiro golo num forte remate dentro da área, fuzilando Aldorsson, num grande contra-ataque a aproveitar um (raro) desequilíbrio na defesa islandesa. Grande entrada da formação africana, que poucos minutos depois, num remate fora da área, transviado pela defesa da Islândia, obrigou o guardião islandês a uma grande estirada.

Nestes últimos 45 minutos, houve uma mudança radical e clara no domínio de jogo, certamente muito por culpa do selecionador da Nigéria Gernot Rohr. Aos 74 minutos Musa atirou ao poste, num claro prenúncio do que aí vinha. Logo na jogada seguinte, o dianteiro africano fintou o guarda-redes islandês e atirou a contar, marcando o seu segundo golo no encontro, praticamente sentenciando o vencedor do jogo.

Aos 81 minutos o VAR voltou a mostrar porque é uma ferramenta útil para os árbitros, ajudando a assinalar uma grande penalidade por falta do reforço do Benfica para a temporada 2018/19 Ebuehi. Este lance, a ser convertido, iria certamente reabrir o jogo, só que Sigurdsson atirou por cima e o desalento instalou-se nas bancadas afetas aos adeptos islandeses, contrastando com a euforia dos adeptos nigerianos.

A desilusão dos jogadores islandeses após Sigurdsson desperdiçar a grande penalidade
Fonte: FIFA

Com este resultado, os adeptos argentinos voltam a respirar de alívio, pois caso a equipa europeia ganhasse, seria preciso um milagre para a seleção das pampas se qualificar. Assim sendo, “basta” ganhar à Nigéria, algo que não se prevê nada fácil, em função de grande qualidade nigeriana sobretudo na segunda parte, mas também tem de esperar que, caso a Islândia ganhe, seja com uma menor diferença frente à Croácia.

Os Leões na Rússia

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Inauguramos com este texto a rubrica “O Sporting no Mundial”. Durante o campeonato do Mundo que se disputa na Rússia focar-nos-emos, entre outras coisas, na prestação dos jogadores leoninos que atuam pelas respetivas seleções. Destacámos neste texto Bryan Ruiz (Costa Rica), Sebastián Coates (Uruguai) e Marcos Acuña (Argentina).

Quanto a Bryan Ruiz, tem feito tudo para que nós, sportinguistas, ainda acreditemos nas suas potencialidades. Não será evidentemente o facto da sua Costa Rica ter sido eliminada na fase de grupos (derrotas contra a Sérvia e Brasil) que retirará os méritos e louros ao jogador leonino. Sendo titular na formação orientada por Óscar Martinez, Ruiz tem atuado na ala direita do ataque e mostra-se bem oleado e integrado no 3x4x3 da sua seleção. Atuar na mesma equipa que a “estrela” Keylor Navas do Real Madrid reforça ainda mais as credenciais de um jogador que ainda pode dar muito ao clube de Alvalade.

Por outro lado, Sebástian Coates dificilmente calçará no onze titular do Uruguai. Nos dois jogos disputados até ao momento (vitória contra o Egipto e Arábia Saudita), o leão não jogou a titular, nem entrou durante os noventa minutos. Mas isso não pode ser interpretado como demérito seu: não tem culpa que Diego Godín e José Giménez (ambos do Atlético de Madrid) atuem na mesma seleção que ele. Resta-lhe espreitar uma oportunidade no onze escalado por Óscar Tabárez. Com a sua seleção já apurada para a fase seguinte, pode ser que o selecionador uruguaio teste as qualidades deste leão já no próximo jogo.

A relação entre Acuña e o Sporting CP vai de vento em popa, com o clube de Alvalade a desejar, na sua página oficial do Facebook, sorte ao argentino
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Finalmente, o melhor está para o fim. Muito se tem falado da derrota por três a zero da seleção croata à Argentina. Isso tem certamente olvidado os contributos que alguns jogadores argentinos, nomeadamente Marcos Acuña, têm dado à seleção alviceleste. Este leão tem ficado encarregue de segurar toda a ala esquerda da equipa: desce para zonas defensivas, fica no meio campo durante a fase de construção e projeta-se no ataque acompanhando os movimentos ofensivos da sua equipa. Tem corrido que se farta este argentino e é uma trave-mestra desta formação sul-americana. Ainda que, por vezes, o futebol da sua seleção seja pastoso e quezilento, tal não se deve a Acuña que “sacode” muitas vezes a monotonia da equipa. Este é um verdadeiro leão que ruge na Rússia.

Em jeito de conclusão, podem até estes leões estar na terra dos czares e longe, portanto, de Alvalade. Mas não podem esquecer que há cerca de três milhões e meio de sportinguistas que, jogo após jogo, torcem também por eles e pelo melhor desempenho nas suas seleções. Com isso, é também o Sporting Clube de Portugal que ganha.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

artigo revisto por: Ana Ferreira