É na ressaca do jogo desta tarde de quarta-feira, 20 de Junho, que escrevo estas linhas, prometendo que serão curtas. Alguém como o melhor do mundo não tem de ser o melhor do mundo também a aturar os ‘devaneios’ de um quase septuagenário.
Acompanhar-vos tem sido um gosto, um prazer e em alguns momentos mesmo uma honra. Ao contrário do que possamos pensar, só conhecemos as pessoas quando interagimos com as mesmas, e é dessa forma que eu mais gosto de viver: junto dos meus semelhantes, de sentir as suas alegrias e as suas tristezas, de partilhar essas mesmas emoções e fazer delas também minhas. E as vossas vivências são, em parte, e desculpa a audácia, também minhas.
Meu querido Cristiano: o mundo é teu! Lembra-te sempre que tens um país não no teu colo mas um país que te quer dar colo. Acredito, ou melhor, sei, que em cada português está um colo capaz de te fazer ultrapassar as dificuldades que enfrentarás.
Terás o colo de mais de 10 milhões quando estiveres desiludido e com os olhos no céu pela golo que não marcaste. Terás o nosso colo quando a bola, eventualmente, se aninhar nas redes do nosso grande Rui e sentires que o mundo desabou sobre os teus ombros. Terás o nosso colo mesmo quando te sentires perdido por entre os defesas adversários, ou quando caíres no relvado por uma entrada mais ríspida.
Terás o nosso colo mesmo que no rosto do melhor do mundo corram as lágrimas de um anónimo português que, por instantes, se torna num comum lusitano incapaz de guardar dentro de si a tristeza e o desânimo. Sim, porque também o melhor do mundo pode desanimar, desacreditar e chorar. Porque também o melhor do mundo precisa de colo.
A depender apenas de si própria para manter a senda vitoriosa, conquistar a etapa de Baku e, quase, garantir o apuramento para a Superfinal da Liga Europeia de Futebol de Praia, Portugal goleou a seleção do Azerbaijão por seis golos sem resposta. Resultado que garantiu a vitória da primeira etapa da Euro Beach Soccer League de 2018.
Portugal entrou forte e logo nos primeiros segundos de jogo ameaçou a baliza defendida por Vagif. Contudo, não conseguiu inaugurar o marcador. A seleção portuguesa insistia e após uma excelente jogada coletiva, Coimbra ficou perto de fazer o primeiro, mas o guardião do Azerbaijão, com uma “sapatada” na bola, não o permitiu. Todavia, o conjunto azeri não se deixava ficar e com cerca de três minutos jogados, Orkahn, com um belíssimo pontapé de bicicleta, obrigou Andrade a fazer uma defesa para a fotografia.
A meio do primeiro período, em virtude de uma bola perdida no ataque português, o Azerbaijão esteve quase a abrir o ativo, mas Andrade impediu o golo de Jomard. Pouco depois, Bruno Novo, com um remate cruzado, levou Vagif a fazer uma grande intervenção e na recarga, Coimbra, com a baliza totalmente deserta, não conseguiu concretizar. Contudo, após um erro na saída para o ataque da seleção azeri, Leo Martins recuperou o controlo do esférico e serviu Jordan que, solto no interior da área do Azerbaijão, atirou a contar, fazendo o 1-0. Pouco antes da pausa, Andrade tentou a sua sorte de meia distância, mas acabou por rematar ligeiramente ao lado da baliza defendida por Vagif.
Terminado o primeiro período, Portugal vencia, de forma justa, o Azerbaijão por 1-0. A seleção nacional esteve sempre no comando da partida, tendo demonstrado bons momentos de futebol de praia. No entanto, não se livrou de alguns sustos que, com maior ou menor dificuldade, Andrade foi resolvendo e evitando o golo da seleção azeri que, com muito menos “armas”, fazia o que podia.
A segunda parte começou de modo equilibrado, mas Portugal foi quem mais perto ficou de marcar. Leo Martins e Jordan conseguiram passar por toda a defensiva do Azerbaijão, mas na tentativa de adornar o lance, acabaram por desperdiçar uma enorme oportunidade para fazer o segundo golo.
Em desvantagem e a ter que correr atrás do resultado, o Azerbaijão mostrava algumas melhorias, tendo, inclusive, o esférico mais tempo em sua posse, mas não estava a conseguir tornar esse tempo em proveito, ou seja, em golos. Desta forma, com alguma sorte à mistura, foi Portugal a voltar a marcar. Remate de meia distância de Bê Martins, desviado pelo seu irmão Leo, o que deixou a bola à mercê de Coimbra, que apenas teve de encostar para o 2-0. Passado algum tempo, um ressalto na areia deixou Sabir com uma enorme oportunidade para marcar, mas Andrade, com os joelhos, evitou o golo do Azerbaijão. Volvidos alguns instantes, Elchin que, entretanto, havia entrado para o lugar de Vagif, cometeu uma falta sobre Bê Martins, o que fez Portugal beneficiar de uma grande penalidade. Bê Martins, com chance para fazer o terceiro da tarde, não falhou e fez o 3-0 para a equipa das quinas.
Concluído o segundo período, Portugal estava na frente, desta feita, por 3-0. A seleção do Azerbaijão até tinha demonstrado estar melhor do que nos doze minutos iniciais, mas apesar de fazer Andrade trabalhar, as oportunidades de que dispôs nunca colocaram em perigo as redes portuguesas. Por seu lado, os comandados de Mário Narciso mantiveram o controlo do que se passava no areal de Baku e ainda conseguiram avolumar o marcador para três golos sem resposta.
O Azerbaijão não conseguiu fazer frente à seleção portuguesa Fonte: Beach Soccer
Portugal voltou a entrar bem na derradeira parte do encontro e após algumas ameaças, Coimbra, ao segundo poste, disse sim a um canto de Bê Martins, fazendo o 4-0. Pouco depois, Bê Martins esteve perto de “roubar” o esférico a Vagif, mas acabou por cometer falta.
Jogados quatro minutos do último tempo, num lance onde a bola passou por todos os elementos da equipa portuguesa, Torres, servido por Bruno Novo, fez o 5-0 para Portugal. Passados alguns segundos, Torres recuperou o esférico a meio campo e viu Madjer em excelente posição para finalizar, mas, infelizmente, o remate do capitão português saiu mal e passou por cima da baliza defendida por Vagif. Pouco depois, numa jogada de insistência, Sabir ficou a milímetros de fazer o tento de honra do Azerbaijão, mas Ricardinho, em cima da linha, manteve a baliza portuguesa sem qualquer golo sofrido.
A faltarem cerca de quatro minutos para o fim, Portugal recuperou o esférico a meio campo e Bê Martins assistiu o seu irmão, Leo, que em excelente posição rematou para o 6-0. Pouco depois, o Azerbaijão ficou perto de marcar, mas Tiago Petrony, que havia entrado para o lugar de Andrade pouco antes, realizou uma grande parada com o braço direito e evitou o golo de Ramil.
Finalizado o encontro, Portugal não deu quaisquer hipóteses ao Azerbaijão, realizando um enorme terceiro período, voltando a marcar em mais três ocasiões e mantido a sua baliza sem sofrer qualquer golo, o que garantiu uma vitória por meia dúzia diante da seleção organizadora da primeira etapa da Liga Europeia, por claros 6-0.
Assim, Portugal mantem-se na senda vitória e depois de ter vencido o Mundialito na passada semana, entrou com o pé direito na Liga Europeia de 2018, ao conquistar a etapa realizada em Baku, Azerbaijão.
No que diz respeito a prémios individuais, Andrade foi eleito o melhor guarda-redes, os suíços Noel Ott e Dejan Stankovic foram os melhores marcadores, ambos com seis golos marcados, enquanto que Leo Martins foi considerado o MVP da etapa de Baku.
Após duas semanas de competição, que resultaram em mais dois trofeus para o futebol de praia português, a seleção nacional regressa aos areais daqui a cerca de duas semanas. Mais precisamente no dia 6 de julho, para disputar a segunda etapa da Liga Europeia que se vai realizar na Nazaré e onde Portugal pode garantir a presença na Superfinal.
O duelo prometia ser intenso: em Ekaterinburg, Japão e Senegal encontravam-se para disputar o jogo referente à segunda jornada do grupo H. Após entrarem ambos com o pé direito no Mundial – o Japão surpreendeu ao vencer a Colômbia por 1-2, resultado idêntico verificado no encontro entre a Polónia e o Senegal, mas a favor dos africanos -, os “Samurais Azuis” e “Leões de Teranga” procuravam alcançar a vitória que garantisse a liderança isolada do grupo e a passagem aos Oitavos (caso Colômbia e Polónia empatem).
Quanto aos onzes iniciais, o selecionador japonês manteve exatamente a mesma equipa que iniciou a partida frente a Colômbia. Do outro lado, Aliou Cissé decidir alterar a disposição tática e mudou uma peça em relação ao último onze: o Senegal atuou em 4-3-3 em vez do 4-4-2 utilizado frente à Polónia, e com o médio Badou Ndiaye a ser titular no lugar do avançado Diouf.
O Senegal entrou melhor no encontro, tentando desde os primeiros instantes levar perigo à baliza do Japão, e foi sem surpresas que surgiu o primeiro golo do encontro: ao minuto 11, após um cruzamento da direita, Sabaly rematou forte, e Kawashima defendeu a bola para a frente e para os pés de Sadio Mane, que, caprichosamente, entrou dentro da baliza. A boa entrada senegalesa foi recompensada, com parte da culpa a ser do guardião japonês, que teve uma má abordagem ao lance.
A reação nipónica ao golo sofrido foi tímida e quase inexistente: alguma lentidão na circulação de bola e pouca mobilidade dos homens da frente, o que era positivo para os africanos, que assim iam conseguindo manter o seu guardião um mero espectador. Ao contrário do Senegal, que, com poucos toques e aproveitando a velocidade do trio atacante (Sarr, Niang e Mane), tentava ampliar a sua vantagem no marcador. Contudo, quem marcou foi o Japão: Takashi Inui, ao minuto 34 e assistido por Nagatomo, estava solto de marcação na área adversária e num belo remate em arco, colocou a bola no canto inferior direto da baliza de N’Diaye.
Na resposta ao empate, M’Baye Niang teve uma ocasião soberana para repor a vantagem: após ganhar espaço nas costas da defesa japonesa, o avançado rematou, mas viu Kawashima redimir-se do erro, com uma bela defesa. Até ao intervalo, não houve mais lances dignos de registo, e as duas seleções foram para o intervalo com um empate no marcador.
O jogo foi empatado a um golo para o intervalo Fonte: FIFA
A segunda parte começou sem qualquer alteração tática nos dois lados. Ao contrário do que se verificou no primeiro tempo, o Senegal não entrou tão pressionante, o que ajudou o Japão a estabilizar o seu jogo e assim tentar criar mais oportunidades para operar a reviravolta no marcador: prova disso mesmo, foi a excelente ocasião protagonizada por Inui, ao minuto 64, que rematou à barra da baliza adversária.
Mesmo não tendo uma entrada tão forte nos segundos 45 minutos, o Senegal chegou novamente à vantagem: numa jogada de insistência, Sabaly cruzou rasteiro para Moussa Wegue fazer o segundo golo dos “Leões de Teranga” no encontro.
O Japão estava obrigado a correr outra vez do prejuízo, e o selecionador japonês Akita Nishino fez duas substituições para mudar o rumo dos acontecimentos: Honda e Okazaki foram lançados para os lugares de Kagawa e Haraguchi. E não durou muito tempo até surgir o efeito desejado – ao minuto 78, e num lance de alguma confusão na área senegalesa, Honda fez o golo do empate.
Os últimos minutos ainda trouxeram alguma incerteza quanto ao resultado final, mas nenhum dos jogadores presentes em campo teve o discernimento necessário para desfazer o empate. Com este resultado, a decisão do apuramento do Japão e Senegal fica adiada para a última jornada.
Inglaterra e Panamá se enfrentaram no Estádio de Níjni Novgorod. A partida foi válida pela 2ª jornada do Grupo G da Copa do Mundo. Para a Inglaterra uma vitória significaria a qualificação às oitavas de final do Mundial. Já o Panamá entrou no jogo querendo buscar ao menos um empate para chegar na última jornada ainda com chances de qualificação, por mais que fosse remota. Esse é o primeiro jogo de sempre entre Inglaterra e Panamá e a última vez que os ingleses perderam para uma seleção da CONCACAF em uma Copa do Mundo foi em 1950 para os Estados Unidos.
A Inglaterra entrou no relvado com um sistema tático ofensivo. O 3-1-4-2 do treinador Gareth Southgate previa fazer uma marcação sobre pressão no Panamá e que a equipa jogasse no campo de ataque. Já o Panamá entrou na partida no 4-1-4-1 e tentaria explorar os contra-ataques.
O jogo começou e a Inglaterra demonstrava para o que veio. Marcando sob pressão, não deixava o adversário trabalhar com a bola. Toda essa intensidade inglesa deu resultado rapidamente. Trippier cobrou escanteio para o meio da área e o defensor Stones aparece sozinho para cabecear a bola para o fundo do gol panamenho. Inglaterra 1 x 0 Panamá.
Com 15 minutos de jogo a Inglaterra apresentava uma variação tática bem interessante. Quando estava com a bola jogava no 3-1-4-2, sem a bola os alas recuavam e o sistema mudava para o 5-1-2-2. Essa variação tática dificultou a vida dos panamenhos no jogo, pois impedia que os pontas Bárcenas e Rodríguez avançassem.
Aos 19 minutos o avançado Lingard recebeu um ótimo lançamento dentro da área e foi derrubado por Escobar. Pênalti para a Inglaterra. Harry Kane cobrou com força a penalidade máxima e não deu nenhuma chance de defesa ao guarda-redes Penedo. Inglaterra 2 x 0 Panamá.
A Inglaterra mostrava uma eficiência ofensiva impressionante. Aos 24 minutos tinha duas finalizações no jogo e dois gols. O domínio inglês era cada vez mais evidente. Os ingleses tinham mais de 80% da posse de bola. O Panamá era tímido nas suas investidas ao ataque e quando chegava próximo à área inglesa não conseguia finalizar para a baliza com qualidade.
A partir dos 35 minutos a Inglaterra pareceu um rolo compressor e passou por cima do Panamá. O resultado dessa pressão absurda foram (muitos) golos. A Inglaterra marcou três vezes (Lingard, Stones e Kane) nos últimos 10 minutos da primeira parte e “matava” o jogo. Inglaterra 5 x 0 Panamá.
Baloy marcou e registou um dos momentos mais emblemáticos do Mundial Fonte: FIFA
Na segunda parte os ingleses diminuíram o ritmo de jogo e permitiu que o Panamá tivesse mais a bola. Mas com o placar resolvido e a qualificação garantida à próxima fase a proposta era boa e eficiente. Pois o Panamá não conseguia criar boas chances de golo mesmo tendo a bola. A diferença técnica entre as equipas era gigantesca.
Mesmo com a redução de intensidade os ingleses chegaram ao sexto golo aos 61 minutos. Loftus-Cheekvjk chutou de longe, a bola desviou em Harry Kane e matou o guardião Penedo. Esse foi o quinto golo de Kane na competição e assim se tornou o artilheiro isolado da Copa do Mundo.
O tempo ia passando e os dois treinadores promoveram algumas substituições. Southgate substituiu para poupar alguns jogadores. Já Darío Gómez parece ter mexido na equipa para dar a oportunidade a alguns jogadores atuarem em uma partida de Copa do Mundo. O que se confirmar fez muito bem, afinal é uma chance única aos panamenhos.
O Panamá não tinha mais nada a perder e resolveu tentar chegar ao seu primeiro golo na história da Copa do Mundo. Após duas chances perdidas, Avila cruzou na área e o lendário defensor Baloy fez um belo golo para o Panamá. Inglaterra 6 x 1 Panamá. O golo panamenho emocionou seus adeptos e o defensor chorou após marca-lo. Foi um dos momentos mais legais do Mundial até o momento.
A partida chegou ao seu final e de certa maneira todos saíram felizes. A Inglaterra jogou bem, goleou e se qualificou e o Panamá teve outra experiência em Mundial e conseguiu fazer seu golo. Na última jornada os ingleses enfrentam a Bélgica e os panamenhos encaram a Tunísia. Inglaterra e Bélgica disputarão o primeiro lugar do grupo.
Inglaterra: Pickford; Walker, Stones, Maguire; Trippier (Rose 70’), Lingard (Delph 63’), Henderson, Loftus-Cheek, Young; Sterling e Kane (Vardy 63’)
Ao arranque da segunda jornada do grupo A do Mundial 2018 na Rússia, muitas das surpresas têm vindo dos anfitriões. Quase é possível associar esta seleção a uma caixa com um sortido de vários doces. Fiz uma pesquisa rápida na maior enciclopédia do mundo (o Google, não leram isto) e não quero arriscar em associar Denis Cheryshev a um doce russo. Fico-me por uma espécie de “mon cheri”, mas em vez de levar aquele toque de licor, tem vodka à moda moscovita e não deixa ninguém indiferente. Um conjunto de bons doces aumenta a probabilidade de a montra da loja russa ficar vazia, pois toda a gente quer provar.
O avançado de 27 anos que tem feito furor nas alas russas neste Campeonato do Mundo, atua no Villarreal de Espanha e já jogou no Real Madrid, clube de onde é formado. Todavia, não chega lá perto como totalista da seleção russa neste Mundial. Já leva três golos, em apenas 140 minutos dentro campo, repartidos em dois jogos. Um feito inédito na história do futebol soviético/russo, pois a última vez que alguém marcou três golos em dois jogos pela Rússia/URSS foi Porkujan em 1966.
Cheryshev é o único das escolhas de Stanislav Cherchesov que não joga e nem nunca jogou no campeonato russo. Pela estratégia russa e as capacidades de criação, Cheryshev é aquele docinho mais forte cuja aposta que 1) parece que não era para surgir tão cedo ou 2) foi uma surpresa que o colocou na titularidade da Rússia. Fico-me mais pela segunda opção, mas sou suspeito devido à confiança da equipa e do seleccionador que vai mais para além do fator de jogar o Mundial em casa.
O Mundial de 2018 pode ser um novo capítulo na carreira de Cherysev. Perdeu oportunidade de se afirmar no Real Madrid pois foi utilizado indevidamente num jogo da Taça do Rei, em 2015, o que ditou a sua desqualificação da competição Fonte: FIFA
A agradável surpresa Cheryshev surge de forma madrugadora devido à lesão de outra das referências russas – o médio Alan Dzagoev – no jogo de abertura do Mundial que deu em goleada por 5-0 contra a Arábia. Ao minuto 24, o ‘camisa 10’ do CSKA de Moscovo sai lesionado e eis que surge Cheryshev, o número 6. Cerca de 20 minutos depois, o impacto surge com um golo de contra-ataque antecedido de um pormenor que ‘faz sentar’ dois adversários sauditas.
O futebol português é um destino bastante apetecível para os futebolistas brasileiros. Desde as semelhanças na língua e na cultura, à projecção que o nosso campeonato dá para o futebol europeu, muitos atletas brasileiros de eleição têm escolhido o nosso campeonato para crescerem e ganhar visibilidade, de modo a depois poderem dar o salto a patamares superiores. Falarei aqui de cinco jogadores que estão em condições de dar o salto neste Verão.
Não, este não é um artigo atrasado a avaliar o título da UD Oliveirense, mas sim algumas considerações sobre o mesmo e a temporada do Basquetebol português. Se no início da temporada alguém apostasse que a Oliveirense ia ser o campeão de Basquetebol Masculino poucos acreditariam que este alguém ganharia, mas a verdade é que a equipa de Oliveira de Azemeis é campeã, e permitam-me, com toda a justiça.
Numa final contra o FC Porto a Oliveirense não deu hipóteses aos dragões e venceu em três jogos, não dando qualquer hipótese à equipa azul e branca, que na ronda antes tinha eliminado o SL Benfica, que era o principal candidato ao título e que foi a principal desilusão da temporada ao nem chegar à final e ao perder a final da Taça de Portugal.
A verdade é esta, a Oliveirense foi a equipa mais forte da temporada, principalmente na segunda metade do ano, tendo ganho 22 dos seus últimos 23 jogos e esta derrota foi por culpa própria, uma vez que entraram nos últimos dez minutos a ganhar na Luz por 18 pontos. Os campeões nacionais jogaram um Basquetebol bonito, o melhor em Portugal no meu entender e mostraram que não só dos três grandes – dois no caso, visto o Sporting CP não ter equipa sénior – se vive em Portugal, pena que por vezes se esqueça disso.
A Oliveirense não deu hipóteses ao Porto na final Fonte: FPB
Mas esta época fica marcada também pela conquista do Illiabum, o que torna esta época ainda mais histórica para o Basquetebol Nacional. Com duas equipas pouco habituadas ao sucesso, mas que venceram, e bem os respetivos troféus, dando uma lufada de ar fresco numa modalidade que nos últimos anos tem sido dominada pelo Benfica e com o Porto a aparecer por vezes.
O Porto foi a surpresa e ao mesmo tempo desilusão da temporada, confusos? Passo a explicar. Os dragões foram uma desilusão porque tiveram o plantel mais fraco que me lembro dos azuis e brancos, mas ao mesmo tempo uma surpresa, uma vez que mesmo com este plantel conseguiram chegar à final do campeonato derrotando o Benfica em casa destes. O trabalho de Moncho Lopez deu os frutos possíveis, mas mais importante do que isso é o trabalho do espanhol no Basquetebol azul e branco, uma vez que o Porto foi campeão nacional de juniores e cadetes, os dois escalões antes dos séniores.
Já o Benfica, tal como já disse, foi a principal desilusão da temporada. Uma equipa que investe como nenhuma outra em Portugal e que apresentou tão pouco, principalmente após a troca dos jogadores norte-americanos. Foi uma época para esquecer para os encarnados e espera-se uma resposta para a próxima temporada.
A Assembleia Geral mais importante da história do Sporting Clube de Portugal ditou a destituição de Bruno de Carvalho, do cargo de presidente do clube.
Todo o Conselho Diretivo sai, incluindo Carlos Vieira ou Rui Caeiro, nomes que fizeram muito pela vertente financeira e pelas modalidades do clube. É triste vermos estas saídas na época em que somos campeões em quase todas as modalidades (falta o futsal, onde estamos na final). Mais de quinze mil sócios foram votar e, aparentemente, escolheram a saída do atual Conselho Diretivo. Digo “aparentemente” porque todo o processo que marcou esta assembleia foi muito sombrio, com Jaime Marta Soares e seus pares a indicarem que foi esse o resultado, quando a maioria das intervenções de sócios durante a assembleia foi favorável a Bruno de Carvalho.
Foi a assembleia geral mais concorrida de sempre no Sporting Clube de Portugal Fonte: Bola Na Rede
Para já, acho completamente estúpido haver uma discrepância tão grande entre sócios, com uns a terem direito a 21 votos e outros a apenas um. Lá por um sócio ter cinquenta anos de sócio, não é mais sportinguista do que eu. Poderia haver uma discrepância, sim, mas nunca maior do que cinco votos, penso eu. Assim o Sporting estará sempre nas mãos de um certo grupo de sócios, que raramente têm a escolha certa, nomeadamente ao ver os presidentes que estiveram no Sporting nas últimas décadas. Bem se pode dizer que esta assembleia se traduziu num Velhos 1-0 Sporting. Além de que existem muitos pormenores por apurar, como os vários relatos que sugerem a atribuição de quatro ou cinco boletins a alguns associados.
Agora é ver muita gente contente. Muito “croquete”, muitos “abutres” que agora aparecem nas sobrelotadas televisões para criticar quem ajudou a levantar o clube nos últimos cinco anos. Espero que o Sporting seja sempre campeão e que ganhe sempre, mas acho que será muito mais difícil. Porque não confio em muitas das pessoas que estão contra Bruno de Carvalho.
Recuperou modalidades, foi o melhor presidente de que me lembro em negociações de jogadores, edificou o pavilhão, aumentou exponencialmente o número de sócios, o Sporting voltou a ter uma imagem de clube grande, enfim, um sem número de medidas que eu apoiei e continuarei a apoiar.
Alemanha e Suécia entraram em campo em Sochi com propostas diferentes. Para os alemães apenas a vitória interessava. A vitória do México sobre a Coréia do Sul obrigava os alemães a partiram para cima dos suecos. Uma derrota alemã os eliminava da Copa do Mundo e caso empatasse dependeria de uma derrota da Suécia para o México, na última rodada, para ter chances de classificação. Já a Suécia que venceu a Coréia do Sul na primeira rodada, entrou no relvado considerando um empate contra os atuais campeões do mundo sendo um bom resultado. Os suecos que nas eliminatórias europeias eliminaram a Holanda na fase de grupos e a Itália no play-off teria outra oportunidade de eliminar um gigante mundial.
O treinador alemão Joachim Löw ficou muito insatisfeito com a estreia de sua equipa no Mundial e modificou bastante o time para a segunda rodada. Rüdiger entrou na defesa no lugar do Hummels, no meio campo Khedira e Ozil deram lugar para Rudy e Reus, respectivamente. Já na seleção sueca a única modificação que o treinador Jan Olof Andersson promoveu foi o retorno do defensor titular Lindelöf no lugar do Jansson que atuou na estreia.
A jogar no 4-2-3-1 a Alemanha teve Reus e Draxler abertos pelas pontas, Müller a atuar mais centralizado e com o Werner na frente. Os alemães dominaram completamente o adversário no início do jogo. A Suécia entrou em campo no tradicional 4-4-2 e com 10 minutos de jogo tinha dado apenas seis passes certos. Porém, a melhor chance de golo criada foram dos suecos. O avançado Berg recebeu a bola em um contra-ataque e obrigou ao Neuer fazer uma grande defesa. No lance, o avançado reclamou de pênalti que teria sofrido pelo defensor Boateng, porém o juiz nada marcou.
A Alemanha explorava os lados de campo e a Suécia se manteve inabalável em sua defesa. Com o passar do tempo os alemães baixaram o ritmo e a Suécia conseguia ter um pouco mais de posse bola. Aos 30 minutos Joachim Löw foi obrigado a mexer na equipa. Saiu o médio Rudy, com uma fratura no nariz, para a entrada de Gündogan.
Aos 31 minutos Tony Kroos saiu jogando errado no campo defensivo, Claesson recuperou a bola para os suecos, lançou o avançado Toivonen que brilhante encobriu o guarda-redes Neuer e marcou um verdadeiro golaço em Sochi. A Suécia fazia 1 a 0 na Alemanha, placar que eliminava os alemães na primeira fase da Copa do Mundo. Algo que jamais ocorreu na história.
A Alemanha chegou no final do primeiro tempo com mais de 75% de posse de bola e controlava a maioria das ações do jogo, mas a Suécia tinha ao seu favor o contra-ataque e sempre levava muito perigo quando subia. Apesar de toda posse de bola, os jogadores ofensivos da seleção não fizeram uma boa primeira parte e ficaram muito aquém de suas capacidades.
Para a segunda parte a Alemanha voltou com uma novidade e com uma outra formação em campo. O ponta de lança Mario Gómez entrou no lugar do Draxler. A intenção do treinador era fazer com que a equipa tivesse mais poder de conclusão das jogadas. A substituição deu mais certo do que se imaginava.
Low chegou a levar as mãos à cabeça Fonte: FIFA
Aos 47 minutos Mário Gomez fez uma bela jogada na linha de fundo e cruza para Reus que mandou a bola para o fundo das redes sueca. Alemanha 1 x 1 Suécia. O golo de empate reacendia as esperanças alemã.
A Alemanha sufocava a Suécia de maneira impressionante. Não saía do campo ofensivo e explorava muito o seu lado ofensivo direito com Kimmich e Müller, que trocou de posição em campo com Reus e na segunda parte jogou mais aberto na direita enquanto o Reus ficou mais centralizado.
A Suécia fazia uma partida correta no que propôs. Não mudou a sua postura em campo, defendia com afinco e sempre levava perigo nos contra-ataques.
Aos 66 minutos Mario Gómez recebeu um lindo passe de Rüdiger quase na pequena área e perdeu uma inacreditável chance de golo. Essa foi a melhor oportunidade de golo que os alemães tiveram na segunda parte. Para ganhar tempo o treinador sueco começou a promover as primeiras substituições no jogo. Mas sem mudar seu esquema tático.
Aos 81 minutos o drama alemão aumentava de vez. Boateng fez falta dura em Berg e recebeu o seu segundo cartão amarelo no jogo. A situação estava complicada, mas apenas a vitória interessava. Mesmo com um jogador a menos, Joachim Löw arriscou tudo. Sacou o lateral Hector para colocar o avançado Brandt no relvado. O treinador sabia que o empate praticamente eliminava a sua seleção da Copa do Mundo. A Alemanha tentava de tudo pata virar o jogo e parecia nem estar com um homem a menos.
Aos 91 minutos Brandt chutou da entrada da área e a bola explodiu na trave. O gritou de golo ficou preso na garganta dos adeptos alemães. Mas não por muito mais tempo.
Em uma cobrança de falta em dois tempos, Tony Kroos chuta com efeito para a baliza de Olsen e marca um verdadeiro golaço. Os adeptos alemães foram ao delírio nas arquibancadas e esse golo colocava a Alemanha de volta ao Mundial.
Depois do golo não teve mais tempo para nada. A vitória alemã se confirmou e a chance de qualificação às oitavas de final ficou nas mãos da seleção. Uma vitória contra a Coréia do Sul garantia a equipa na próxima fase. Já a Suécia precisará vencer o México para garantir sua passagem à segunda fase. Talvez esse tenha sido o melhor jogo da Copa do Mundo até o momento. ONZES INICIAIS: ALEMANHA: Neuer, Kimmich, Rudiger, Boateng, Hector (Brandt 86′); Kroos e Rudy (Gundogan 31′); Muller, Draxler (Gomez 45′), Reus; Werner.
SUÉCIA: Olsen, Lustig, Lindelof, Granqvist, Augustinsson; Claesson (Durmaz 73′), Larsson, Ekdal, Forsberg; Berg (Thielin 89′), Toivonen (Guidetti 77′).
Coreia do Sul e México abriram a segunda jornada do grupo F num jogo que opunha duas seleções com arranques completamente opostos. Se os mexicanos surpreenderam tudo e todos ao derrotar a campeã do mundo Alemanha, já a Coreia do Sul desiludiu na derrota diante da Suécia.
Um jogo que prometia ser emocionante e assim o foi. O México com muito coração e super motivado contra uma Coreia do Sul à procura dos três pontos para se poder manter na luta.
Avisados do perigo que era o contra ataque mexicano, os Sul Coreanos abordaram o jogo de uma forma um pouco diferente, com um bloco mais baixo e fechado, dando a bola ao adversário para tentar no contra ataque ferir o adversário, e prova disso foi a aposta em Son para comandar o ataque coreano em detrimento do gigante de 1,98m Kim Shin-Wook. Acabou por ser uma inversão de papéis para o México que tinha feito exatamente o mesmo contra a Alemanha.
Apesar da estratégia teoricamente bem pensada pois o México sente-se melhor no ataque rápido e com uma defesa baixa, a verdade é que o México soube adaptar-se e sem qualquer pudor assumiu as rédeas da partida e dominou durante grande parte da partida.
O golo marcado ainda na primeira parte de grande penalidade por Carlos Vela obrigou a Coreia do Sul a subir as linhas, “obrigação” essa que acabou por sentenciar o jogo. Sem conseguir dominar a bola e em desvantagem no marcador, o México voltou a usar o contra ataque para fechar a partida já na segunda parte num ataque rápido finalizado por “Chicharrito” Hernandez a passe de Lozano. Os sul coreanos ainda reduziram aos 90+3 por Son.
Apesar de matematicamente nada estar resolvido, na prática esta vitória coloca o México com um pé e meio nos oitavos de final; já a Coreia do Sul necessita de um pequeno milagre para conseguir um lugar nos oitavos. Uma vitória sobre a Alemanha e a derrota da Suécia por si só poderão não chegar para que os coreanos consigam passar à fase a eliminar.