A vida de futebolista é muito complicada. E, infelizmente, muitos jogadores espalhados pelo mundo fora não têm a força mental necessária para superarem as adversidades.
Perante a evolução do nosso futebol jovem nesta década, muitos jovens talentos têm enriquecido o futebol português, mas também não é menos verdade que nem todos eles, por um ou outro motivo, não confirmaram o seu potencial. Desde a falta de minutos, as lesões, decisões erradas e problemas extra-futebol, são vários os motivos que levam os jogadores a perderem-se na sua carreira.
A avaliação neste top passa por vários parâmetros, principalmente pelas expectativas que em tempos se depositarem nestes jogadores, bem como pela forma com estes se perderam.
Meu querido, Pedro Miguel Marques da Costa Filipe (Pepa):
Sabes que não sou homem destas coisas, mais ainda neste momento em que tenho que manter toda a concentração e dedicação aos últimos e decisivos jogos deste nosso Campeonato.
Para além disso, agora parece que nada é seguro, e estas simples palavras poderão eventualmente ser alvo de uma interpretação “viciada e hipócrita” caso, uma vez mais, me sejam roubadas. Ainda assim, e como não temos conseguido falar pessoalmente, não quis deixar passar este momento sem te congratular.
Parabéns meu querido. Parabéns por aquele menino se ter transformado no homem fantástico que és. Parabéns pelo treinador que estás a criar, um treinador directo, capaz de colocar o dedo na ferida. Um treinador que não se esconde e que tem feito das dificuldades forças.
Grande CD Tondela! Grande trabalho! Bem que mereciam e que merecias. Depois de dois anos tão difíceis eis que têm aquilo que mereciam: um final de época tranquilo. Num ano especialmente difícil para toda a comunidade dessa magnífica região, nada melhor que um nadinha de satisfação futebolística para aquecer os corações de todos os vossos adeptos e simpatizantes.
Aos 37 anos Pepa é já um dos valores seguros da nova geração de treinadores portugueses Fonte: Bola na Rede
De facto, receei pelo CD Tondela. Achei que seria mais um ano bem complicado. Mas a tua qualidade teve os frutos que merecia. Com um grupo de jogadores que confesso me terem deixado com algumas dúvidas, conseguiste fazer um trabalho digno de um grande treinador que sei que serás em breve. Afinal, a grande maioria dos jogadores que habitualmente compõem o teu onze são, numa grande maioria e até bastante pouco tempo, desconhecidos do público em geral.
Ainda falta realizar o sorteio do quadro principal, mas já começa a ganhar forma mais uma edição do Millennium Estoril Open, o momento alto anual do ténis em Portugal. O cartaz não é de luxo, mas conta com nomes importantes do passado e do presente do circuito ATP dando garantias, no mínimo, de encontros de ténis bem disputados e que não desapontem os aficionados da modalidade.
Se entretanto não houver novidades, os oito cabeças de série do torneio serão Kevin Anderson (8.º no rankingATP), Pablo Carreño Busta (11.º), Kyle Edmund (23.º), Gilles Muller (28.º), David Ferrer (33.º), Albert Ramos (40.º), Robin Haase (43.º) e Leonardo Mayer (45.º). Quase todos estes tenistas são já veteranos, como o “reformado” Lleyton Hewitt (que aceitou regressar à competição para jogar, no Estoril, na variante de pares), mas não estão ainda “acabados” para a modalidade. Ainda assim, e apesar de Kevin Anderson ser até o atual vice-campeão do USOpen, o principal favoritismo parece recair sobre Pablo Carreño Busta, campeão em título do Millennium Estoril Open, jogador extremamente consistente e, bem ao jeito da “escola espanhola”, particularmente competente em terra batida.
Entre os portugueses a principal esperança continua a ser João Sousa, sobretudo num momento em que este surge num excelente momento de forma, como há já muitos meses não se via. O português vem de bons desempenhos no piso rápido norte-americano e no pó de tijolo de Marraquexe e, como tal, mesmo não sendo cabeça de série do torneio, parece encontrar-se no momento certo para quebrar a malapata que tem representado para si, nos últimos anos, o Millennium Estoril Open.
Será que João Sousa faz, “em casa”, jus ao seu estatuto? Fonte: Millennium Estoril Open
O torneio ATP 250 português tem ainda, no seu elenco, tenistas que são verdadeiras pérolas e que podem marcar o futuro do ténis mundial. Ter a oportunidade de, em tão tenra idade, assistir a encontros de jogadores como Frances Tiafoe, Stefanos Tsitsipas ou Alex de Minaur é, per se, razão mais do que suficiente para acreditar que grandes momentos irão ser vividos no pó de tijolo do Estoril.
A festa do ténis está a chegar a Portugal e, com ela, a possibilidade de fazer com que a modalidade chegue a um público cada vez mais abrangente. Acima de tudo, este é um torneio que deve ajudar a desmistificar a ideia de que o ténis é uma modalidade “de elites” e que mostre aos portugueses que nem só o futebol é um desporto entusiasmante e competitivo.
Terminada a primeira ronda deste campeonato do mundo, é altura de fazer um balanço do que aconteceu nestes primeiros dias de competição no Crucible.
Apesar das condicionantes do sorteio evitarem que os jogadores teoricamente favoritos (membros do Top-16 do ranking mundial) se defrontassem entre si nesta primeira ronda, isso não foi suficiente para evitar que se assistisse à queda de alguns pesos pesados logo a abrir este mundial.
Nos 16 jogos disputados nesta primeira ronda, “apenas” dez tiveram como vencedor o jogador oriundo do Top-16 mundial. Nos outros seis encontros foram os jogadores vindos das eliminatórias de qualificação que levaram a melhor.
Como tinha sido referido no texto de antevisão a este mundial, o sorteio não tinha sido simpático para os dois grandes favoritos à vitória final desta competição. Mark Selby tinha pela frente Joe Perry e Ronnie O’Sullivan defrontava Stephen Maguire, provavelmente os dois jogadores mais fortes vindos das qualificações.
Estes dois duelos ocorreram logo nos primeiros dias de competição e abriram de forma surpreendente. Tanto Mark Selby como Ronnie O’Sullivan viram os seus adversários vencerem os primeiros quatro frames, sem conseguirem dar resposta. Apesar de uma reação na fase final da primeira sessão, O’Sullivan saiu para o intervalo do encontro a perder por 6-3 e Selby ia sendo derrotado por 7-2. Não era apenas o resultado que era mau, também os níveis exibicionais estavam muito aquém do exigido a um jogador que tem aspirações a vencer o campeonato do mundo.
O Rocket apareceu com outra energia para a segunda sessão e encostou Maguire às cordas. Venceu os três primeiros frames dessa sessão e colocou o encontro em 6-6. Sthephen Maguire ainda esboçou uma reação ao vencer o 13.º frame, mas Ronnie arrumou com o encontro ao vencer mais quatro frames consecutivos. Resultado final: 10-6 para Ronnie O’Sullivan. Não foi apenas o aumento do nível exibicional de O’Sullivan que decidiu a partida, mas também o nervosismo demonstrado por Stephen Maguire. Depois de uma entrada forte do Rocket na segunda sessão, o escocês parece ter acusado demasiado a pressão. Apesar da reação e de uma melhoria clara na segunda sessão, ficou a sensação de que Ronnie O’Sullivan terá de fazer bem melhor se quiser levar para casa o sexto campeonato do mundo da sua carreira.
Depois de ser dominado na primeira sessão, o Rocket conseguiu responder e vencer o encontro Fonte: World Snooker
Não é necessário ser um melómano para rapidamente se reconhecer a expressão “Crisis? What crisis?” como um dos álbuns da banda de rock progressivo Supertramp. Este trabalho é, na verdade, o primeiro da banda britânica e data de 1975. Foquemo-nos neste título para destacar como ele se relaciona com o momento atual do Sporting Clube de Portugal.
Desde as declarações de Bruno de Carvalho no Facebook a “criticar” a prestação da equipa e de alguns jogadores, que estalou uma crise interna no Sporting. Disso, não tenhamos dúvidas. Sou apoiante de Bruno de Carvalho mas considero que um presidente nunca podia ter dito aquilo que disse e, sobretudo, da forma como o fez (usando uma rede social). Ponto final. Mas considero que tudo o que se passou foi mediaticamente ampliado por uma comunicação social que procura sempre os momentos de crise do Sporting para afiar a sua faca e estragar aquilo que já estragado estava.
Nunca vi, em nenhum outro clube que não o Sporting, a gerarem-se debates televisivos de horas a fio sobre uma crise interna. Com algumas exceções, também é muitíssimo raro a crise de um clube de futebol “abrir” blocos noticiosos na televisão e figurar como manchete principal nos matutinos deste país. Mas isso é o que tem acontecido, por várias e demasiadas vezes, sobre a “crise” no Sporting Clube de Portugal.
Está difícil a tarefa de Bruno de Carvalho de dar um pontapé na “crise leonina”, ampliada pela comunicação social Fonte: Sporting Clube de Portugal
Um destes dias, enquanto fazia o tão afamado zapping pelos canais por cabo, vi o “comentador” Rui Santos a falar na SIC Notícias. Até aqui, tudo bem. Mas quando percebi que este senhor tem, no seu programa, uma rubrica com a contagem de dias até à saída de Bruno de Carvalho do Sporting, pareceu-me uma verdadeira vergonha e demagogia. O que Rui Santos e outros pseudocomentadores deveriam fazer era centrar-se nas conquistas do Sporting Clube de Portugal esta temporada. Querem exemplos? Aqui vão: sobre estar na final da UEFA Futsal Cup (equivalente à Liga dos Campeões Europeus), nem uma palavra. Sobre a vitória do voleibol contra a equipa do Benfica, nem uma palavra. Sobre a vitória do hóquei em patins no terreno do Valongo, nem uma palavra. Sobre a vitória do Andebol leonino no Dragão Caixa, nem uma palavra. Sobre a ida ao Jamor em futebol, vá, uma palavrinha. São comentadores que veem apenas o futebol (sendo que, a maior parte das vezes, nem nisso falam), deixando de parte as outras modalidades. A palavra ecletismo diz-lhes muito pouco.
Perante tamanhas e importantes conquistas na última jornada nas várias modalidades leoninas importa destacar o título do álbum dos Supertramp: “Crisis? What Crisis?”. Vejamos o que disse o nosso guarda-redes de hóquei em patins, Ângelo Girão, um dos melhores em Portugal e no Mundo, a propósito daquilo que tem sido o trabalho desta Direção dos Leões no apoio e fortalecimento das modalidades: “Em quatro anos já conseguimos fazer muita coisa boa. A prova disso é que estamos a lutar por duas competições muito importantes e é só assim, com o passar do tempo, que nos vamos conseguindo aproximar de outros clubes que levam vinte anos de processos adquiridos à nossa frente” (Ângelo Girão, entrevista ao Jornal Sporting, dia 19 de abril de 2018).
Se, depois destes êxitos e conquistas em todas (!) as modalidades, Rui Santos e outros pseudocomentadores quiserem continuar com o famoso “contador” de dias até à saída de Bruno de Carvalho, por mim ótimo, que continuem. Cá dentro, no interior do universo leonino, ficamo-nos apenas pela expressão “Crisis? What Crisis?”. E dizemos com os pulmões bem cheios: queremos mais crises destas!
É oficial! Depois de 2015 e pela segunda vez na sua História, o Sport Lisboa e Benfica irá estar presente em mais uma edição da International Champions Cup, competição de pré-época que reúne as maiores equipas a nível europeu e que se distribui por três continentes: América do Norte, Ásia e Europa.
Para a edição de 2018 estão também confirmados: Arsenal FC, Chelsea FC, Liverpool FC, Manchester City FC, Manchester United FC, Tottenham Hotspur FC, Paris Saint-Germain FC, FC Bayern Munich, BV Borussia Dortmund, FC Internazionale Milano, Juventus FC, AC Milan, AS Roma, SL Benfica, Atlético de Madrid, Real Madrid CF, FC Barcelona e Sevilla FC.
Com uma participação repartida entre Suiça e Estados Unidos da América, iremos defrontar a formação do Sevilla FC no dia 20 de Julho, seguindo-se os alemães do BV Borussia Dortmund (já em solo americano) a 25 de Julho e terminaremos contra a Juventus FC no dia 28 de Julho.
Ora, o facto de sermos convidados a participar numa competição deste género, onde iremos defrontar algumas das equipas que habitualmente vemos nas grandes decisões, levará a marca a sair fora do solo europeu. Não é novidade que um dos objectivos da Direcção presidida por Luís Filipe Vieira é a expansão da marca “Benfica” e ver o nome do Clube associado a este evento poderá trazer alguns benefícios a nível comercial. Isto para não falar no prestígio que deverá ser reconhecido a um Clube como o Sport Lisboa e Benfica.
Por outro lado, para além da estratégia comercial, há que considerar também a vertente financeira. A participação de 2015 rendeu um cachet de três milhões de euros e, embora a performance não tenha sido nada por aí além (em quatro jogos, a equipa de Rui Vitória empatou dois e perdeu os outros dois), o que é facto é que só a presença bastou para que esse valor entrasse direito nos cofres da SAD. Adicionalmente, o facto de o Benfica não ter, para já, presença garantida na edição da Champions League da próxima temporada, poderá ter levado a Direcção a dar este passo. É sabido que o facto de estar na maior competição de clubes a nível europeu é imprescindível para qualquer equipa – principalmente para as portuguesas –, portanto havia que salvaguardar desde já a entrada de algum capital no caso desse cenário se comprovar.
André Almeida no jogo de 2015, contra a ACF Fiorentina, que terminou empatado (0-0) e no qual o SL Benfica foi derrotado nos penalties Fonte: SL Benfica
Olhando agora para a parte desportiva, este tipo de competições numa fase tão importante como é a pré-época pode ter alguns pontos negativos. Irão existir várias viagens pelo meio e duas delas serão longas (ida para os Estados Unidos e regresso), o que implicará menos tempo de treino, menos tempo de trabalho específico, menos tempo para criação de rotinas. Sendo a pré-época importantíssima para os jogadores serem sujeitos a elevadas cargas de treino – de forma a que estejam preparados a todos os níveis para uma época de trabalho longa e exigente –, estas variáveis poderão ter reflexos mais tarde.
Outro ponto importante a considerar é o facto de, com pouco tempo de treino, as novas mecânicas que o treinador queira adicionar (ou mesmo a integração de novos jogadores ao grupo de trabalho) poderão vir a ser mais difíceis de assimilar. Finalmente, olhando para o nível altíssimo das equipas que iremos enfrentar, também poderemos encontrar alguns pontos menos positivos. Serão jogos onde estaremos mais preocupados em defender, caso contrário poderemos passar um mau bocado.
Dou como exemplo as duas participações na Emirates Cup, onde temos sido constantemente goleados e isso, a meu ver, também não ajuda em nada na preparação. Em jogos mais nivelados ou mesmo sendo teoricamente superiores, poderíamos testar outras estratégias que passariam por não estarmos somente remetidos ao momento defensivo do jogo. Não é que este momento não seja importante de ser trabalhado, mas quanto melhor preparados estivermos em termos globais, melhor nos poderá correr a época.
Em 2015, foi este o planeamento de pré-temporada que o Benfica traçou. O arranque de época aos solavancos e a grave onda de lesões que afectou o plantel poderão ter sido originados por uma preparação que incluiu uma longa digressão e que se revelou insuficiente. Desta vez, o tempo no continente americano deverá ser mais curto (à partida, não haverá novamente uma viagem ao México) e ainda não se conhece o restante planeamento, mas tudo isto leva-me a questionar se vale assim tanto a pena abdicar de uma pré-época estável, sem grandes viagens e com jogos mais nivelados a troco de um valor simbólico de três milhões de euros?
Precisamos que nos conheçam a nível mundial? Não creio. Entendo a decisão pela parte comercial, mas não consigo deixar de pôr à frente de tudo o plano desportivo. Afinal de contas, é esse plano que poderá explicar e dar ainda maior reconhecimento à grandeza do Sport Lisboa e Benfica.
Grande noite uefeira no Velódrome de Marselha! A equipa da casa, o Olympique de Marselha, recebeu e venceu por 2-0 o Red Bull Salzburg, na 1ª mão das meias-finais da Liga Europa 2017/2018. Os dois clubes já se tinham encontrado por duas vezes nesta edição da Liga Europa (em jogos a contar para o Grupo I), tendo os austríacos vencido em Salzburgo por 1-0 e alcançado um empate a zeros em Marselha. Antes do começo da partida, houve tempo para a merecida homenagem ao ex-jogador e selecionador francês Henri Michel, que faleceu aos 70 anos na passada terça-feira.
A equipa de Rudi Garcia partiu para este encontro com o estatuto de favorita, mesmo estando perante a grande sensação da prova. O técnico francês (que deixou Rolando no banco) fez alinhar um XI constituído por Pele, Sarr, Rami, Luiz Gustavo, Amavi, Maxime Lopez, Sanson, Thauvin, Payet, Ocampos e Mitroglou. Já o treinador alemão Marco Rose optou, como é habitual, por uma equipa bastante jovem, constituída por Walke, Lainer, Ramalho, Caleta-Car, Ulmer, Samassekou, Haidara, Berisha, Wolf, Hwang e Dabbur; deste onze, só o guarda-redes Walke e o lateral esquerdo Ulmer apresentavam idades superiores a 26 anos.
Como era expetável, o jogo começou com uma entrada forte do Marselha. Aos 3 minutos, num livre estudado, Payet isolou Mitroglou, apanhando a defesa austríaca desprevenida. O ex-Benfica, para sorte dos visitantes, estava em posição irregular.
Os franceses mostravam-se mais experientes dentro de campo, privilegiando um bom jogo posicional, e partindo para a criação de desequilíbrios no momento oportuno. Payet ia sendo o principal responsável pelo comando das tropas marselhesas, evidenciando toda a sua qualidade e mostrado o porquê de ser o grande nome do Marselha. Aos 15 minutos, na sequência de um livre marcado pelo francês, o seu compatriota Thauvin cabeceou para o fundo da baliza do Salzburg. Estava feito o 1-0 para a equipa da casa, num lance em que Walke e Ulmer ficaram mal na fotografia.
Nos últimos 15 minutos do primeiro tempo, após uma primeira meia hora de supremacia dos franceses, o Salzburg foi chegando com algum perigo à baliza contrária, pelo intermédio de Hwang e Dabbur. No entanto, o resultado não se alterou até ao recolher aos balneários. Nota de destaque para Maxime Lopez, um “menino” francês de 20 anos que jogava e fazia jogar o Marselha no decorrer da primeira parte.
No segundo tempo, o Salzburg entrou em campo com alguma apetência para o golo. Aos 53 minutos (após um lance em que a equipa de Marco Rose reclama penálti), Pele é protagonista, ao defender com uma mão o remate de Wolf.
Mas a noite não era, de todo, do conjunto austríaco. Aos 63 minutos, o suspeito do costume, Dimitri Payet, serviu na perfeição o recém-entrado Clinton N’Jie, que atirou a contar para o fundo das redes de Walke. 2-0 para os franceses, e grande festa nas bancadas do Velódrome.
Porém, o Salzburg parecia não querer dar o jogo como perdido. Um minuto após o golo sofrido, Berisha disparou para mais uma boa defesa de Pele. Aos 77 minutos, chegou a melhor oportunidade da equipa austríaca na partida: o norueguês Gulbrandsen (que substituiu Hwang) rematou ao poste, no seguimento de um cruzamento exímio de Ulmer.
Olympique de Marselha muito próximo de voltar a uma final europeia, 14 anos depois Fonte: UEFA Europa League
Os últimos 10 minutos da partida foram de total domínio dos austríacos, mas não foram suficientes para que o Red Bull Salzburg pudesse marcar pelo menos um golo (que é sempre conveniente nos jogos fora de portas). Apito final do árbitro William Collum: o Marselha garantia a vitória de uma forma bastante competente, numa noite inspirada dos franceses Payet e Thauvin. A turma de Rudi Garcia parte assim com uma vantagem agradável de dois golos para a 2ª mão, marcada para o próximo dia 3 de maio, na Áustria.
Será o regresso dos marselheses a uma final europeia, 14 anos depois? Lyon é já ali.
Estádio cheio na capital londrina para um jogo que podia perfeitamente ser a final da competição, com as duas melhores equipas (em teoria) a defrontarem-se. Um jogo que prometia muito e repleto de emoção. A um minuto de jogo percebemos que era precisamente o que ia acontecer. Lance perigoso de contra-ataque quando Vrsaljko trava em falta o seu adversário, recebendo assim um cartão amarelo. Este amarelo serviu para o árbitro mostrar que não ia ser complacente com qualquer tipo de jogo feio que viesse a surgir.
Aos 8 minutos de encontro Vrsaljko mostrou que não ter aprendido a lição e fez mais uma falta desnecessária sobre Lacazette, garantindo assim a sua expulsão. Estavam reunidas as condições para um jogo animado e fervoroso, com o jogador do Atlético de Madrid a mostrar uma infantilidade tal que podia ter sentenciado a qualificação da sua equipa, que foi forçada a adotar um estilo de jogo completamente diferente do que tinha preparado.
Simeone é expulso também, desta vez aos 12 minutos, e ficou obrigado a ver o jogo da bancada, após proferir algumas palavras menos agradáveis ao árbitro da partida. Como seria expectável, o Arsenal ficou na mó de cima quase toda a primeira parte deste encontro, tendo múltiplas oportunidades de golo. A equipa madrilena, completamente desfalcada após a expulsão do seu defesa e treinador, foi completamente encostada num canto pelo Arsenal.
Foram lances após lances que, das duas, uma: ou eram desperdiçados ou acabavam numa brilhante defesa de Oblak. O Ex-jogador do Benfica tem mostrado que, se não é o melhor guarda-redes da atualidade, está muito perto desse posto. No fim da primeira parte apareceu finalmente o Atlético Madrid, mostrando que ainda não tinha dado o seu último suspiro neste encontro.
A segunda parte do encontro tinha acabado de começar quando finalmente o Arsenal se colocou em vantagem. Os “gunners” aproveitaram um erro de Griezmann e Lacazette finalmente conseguiu bater Oblak, trazendo desigualdade no marcador. O Arsenal dominou o jogo por completo, com posses de bola superiores a 70%, com muitos, muitos lances perigosos a favor dos arsenalistas, um número de passes que triplicava os do adversário, os cantos a favor, enfim, tudo … o Arsenal tinha tudo para ganhar.
Mas não ganhou, e não ganhou porque, quando ninguém esperava, Antoine Griezmann marca o golo para o Atlético Madrid e deixou a partida empatada a uma bola. Que surpresa esta, a mostrar que a defesa às vezes consegue mesmo ser o melhor ataque. O sentido de oportunidade do francês deixou a partida completamente em aberto e serviu como redenção para Griezmann.
Era, no arranque da época, um dos nomes mais falados do plantel azul e branco. Entre os adeptos, um dos mais acarinhados. Óliver Torres já havia brilhado de dragão ao peito, encantou com a magia que deixava em campo mas tem passado ao lado deste FC Porto de Sérgio Conceição. Regressou à titularidade frente ao Sporting CP mas depressa a perdeu, voltando ao banco frente ao Vitória FC.
Dezasseis jogos na Primeira Liga, num total de 801 minutos utilizado. Este seria um cenário que poucos pensariam associar ao jovem médio espanhol no arranque da época. Ainda assim, acabou por ser um hábito vê-lo fora das opções do técnico e hoje, se o contrário acontecer e for parte do onze inicial, é provável que haja mais algum lesionado no boletim clínico ou uma gestão de esforço em marcha. E isso aconteceu no passado 18 de Abril, em jogo a contar para a Taça de Portugal. O FC Porto chegava a Alvalade com uma vantagem de um golo conseguida em casa na primeira mão e depois de ter jogado o “clássico” na Luz que devolveu a equipa à liderança do campeonato. Sérgio Conceição fez mudanças no plantel e lançou Óliver a titular, retirando do meio-campo Sérgio Oliveira.
A estratégia esteve perto de surtir efeito. Os dragões conseguiram controlar, durante praticamente toda a partida, o Sporting CP, tendo mais posse de bola e criando muitas dificuldades ao adversário para passar do meio-campo. E era no meio-campo que estava concentrado o centro de jogo do FC Porto, uma vez que por poucas vezes conseguiu traduzir essa superioridade em remates e lances de perigo junto à baliza de Rui Patrício. Óliver acabou por ser substituído já perto do final, ao minuto 83, para a entrada de Reyes, que assumiu posição à frente dos centrais. E foi precisamente depois da saída do espanhol, embora sem uma consequência directa que se possa associar, que o golo do Sporting CP surgiu e levou a eliminatória para os contornos que já conhecemos: prolongamento, grandes penalidades, leões na final.
O médio espanhol não conseguiu afirmar-se de dragão ao peito com Sérgio Conceição Fonte: FC Porto
Ainda assim, e como seria de esperar, a titularidade de Óliver não se repetiu na partida seguinte, a contar para o campeonato. Sérgio Oliveira voltou a assumir o lugar que conquistou aquando da lesão de Danilo e o espanhol voltou a sentar-se no banco. Tal como já se tinha verificado na Luz, foi também frente ao Vitória FC uma das escolhas de Sérgio Conceição para mexer na equipa, entrando aos 63 minutos para render um Marega com queixas desde os 20 minutos de jogo. Com o FC Porto dominador e já a vencer por 4-1, qualquer mexida seria no sentido de fazer descansar os mais utilizados para a reta final da competição, com Óliver a não ter um papel decisivo para o resultado final nem para o desfecho do jogo.
E assim tem sido. Óliver Torres parece ter ficado definitivamente à margem do plano do técnico para esta época e não consegue agarrar a titularidade no meio-campo. A três jogos do final e quando o único sentido possível é a vitória, não será de esperar que esse cenário altere, a não ser que volte a pairar pelo Dragão o fantasma das lesões. Sérgio Conceição deverá apostar no onze que mais garantias lhe tem oferecido, com o espanhol a figurar entre os suplentes ou mesmo nos não convocados.
A Liga Europa tem, nos últimos anos, aumentado a sua competitividade. Se, por um lado, a sua fase de grupos conta com equipas de pouca expressão, de vários pontos do continente europeu, as suas fases a eliminar, sobretudo devido à entrada de clubes vindos da Liga dos Campeões, tornaram-se em eventos desportivos de qualidade, e que contrariam a ideia desta prova da UEFA ser uma competição sem importância.
As meias-finais desta edição, que contam com os jogos Atlético Madrid – Arsenal e Marselha – RB Salzburgo, são das mais interessantes que a prova já teve. É um facto que grandes clubes, de nível Champions, já estiveram nas meias-finais, ou até final, da Liga Europa. Mas, se noutras alturas, uma grande equipa não estaria muito motivada para disputar a competição, o que se refletiria no seu desempenho, e na qualidade do seu jogo, agora, com a vitória na final a garantir a entrada direta na Champions, a determinação de jogadores e treinadores é muito maior. Para além disso, as realidades desportivas muito específicas de cada um dos quatro clubes envolvidos fazem com que esta eliminatória seja mais importante e decisiva do que a maioria das meias-finais de uma competição europeia.
O Atlético Madrid é a equipa favorita a conquistar a prova. Com um historial de sucesso na Liga Europa, para além de duas finais da Liga dos Campeões perdidas, o conjunto de Simeone quer, sobretudo, terminar a época com um título, algo que tem escapado aos Colchoneros nos últimos anos.
Griezmann é a grande figura do Atlético Madrid Fonte: Atlético de Madrid FC
O Arsenal, por sua vez, é provalmente o clube que tem mais razões para conquistar a Liga Europa. Com os resultados dos londrinos a piorarem significativamente nas últimas temporadas, há muito que os Gunners deixaram de ser vistos como um grande, quer a nível interno, quer a nível europeu. O anúncio recente da saída do treinador Arsène Wenger, após 22 temporadas ao serviço do clube, reforça a urgência do Arsenal em conquistar algo. Atualmente em sexto lugar na Premier League, a Liga Europa é a única maneira do clube garantir a qualificação para a Liga dos Campeões, factor essencial para manter os principais jogadores do plantel, e conseguir contratar um treinador de renome, que leve os Gunners de volta ao topo do futebol inglês.
Com derrotas na final da Taça UEFA em 2000, e na final da Liga dos Campeões em 2006, esta é a última oportunidade de Wenger ganhar um título europeu ao serviço do Arsenal.
O Marselha, que está, aos poucos, a regressar a um nível condizente com a sua grandeza, é a equipa mais inconstante das quatro que compõem as meias-finais. Na sua melhor forma, os franceses são uma equipa de grande nível, com muitos jogadores de qualidade. No entanto, é um conjunto que vale sobretudo pela valia técnica de alguns dos seus futebolistas, e não tanto pelo seu coletivo, o que faz com que tenham alguma dificuldade em ganhar jogos de forma consecutiva. Atualmente em quarto lugar na Ligue 1, mas a apenas um ponto do segundo classificado, o Mónaco, o Marselha tem, nesta Liga Europa, a hipótese de conquistar um troféu que marque definitivamente o regresso do clube francês aos grandes palcos europeus.
O RB Salzburgo é, aparentemente, a equipa mais fraca em competição. Com pouco historial e sem o prestígio dos restantes três clubes, o conjunto austríaco tem, porém, uma vantagem em relação aos adversários. Ao atuarem sem pressão, nem expetativas dos adeptos, têm mais facilidade em mostrar o seu melhor futebol. E, não havendo grandes dificuldades para ganhar o campeonato do seu país, a equipa austríaca pode concentrar-se exclusivamente nesta eliminatória europeia.
O facto dos dois principais candidatos à vitória na prova, Arsenal e Atlético Madrid, se defrontarem antes da final, realça o equilíbrio destas meias-finais, e aumenta o entusiasmo à volta dos jogos: se por um lado ingleses e espanhóis têm de estar no seu melhor para garantirem o acesso a Lyon, por outro, Marselha e Salzburgo olham para o encontro entre ambos como uma oportunidade para vencerem uma taça inédita nas suas histórias, que dificilmente teriam se os adversários fossem diferentes.
A presença de duas equipas habituadas a estar na Liga dos Campeões, e de outras duas muito motivadas a mostrar o seu valor, torna as meias-finais da Liga Europa num espetáculo único. Ainda que longe do mediatismo da Champions, o menor receio dos clubes em enfrentar adversários mais fortes faz com que os jogos sejam mais disputados e emotivos, onde o futebol ofensivo é privilegiado. Muitas vezes, as diferenças de nível dos plantéis são esbatidas dentro de campo, o que possibilita que esta fase da Liga Europa seja atrativa para qualquer adepto de futebol.