Do 1º ao 5º lugar há 5 pontos de diferença, tendo em conta que o 4º e o 5º classificados têm ambos um jogo a menos que os três primeiros (e já para não falar do sexto a 9 pontos do primeiro e também com um jogo a menos…).
Os empates de Inter e Napoli na última jornada da Serie A fizeram a Juventus recuperar terreno para o topo da classificação após um periclitante início de campeonato. Ainda assim, a vitória diante o ‘lanterna vermelha’ Benevento não impressionou. Ao intervalo, a ‘Vecchia Signora’ perdia por 1-0, acabando por vencer por 2-1…em casa.
No 4º lugar, com 28 pontos, está a sensacional Lazio de Simone Inzaghi, atrás dos 32 do líder Nápoles e dos 31 e 30 de Juventus e Inter, respetivamente. Fica a dúvida, igualmente, se os ‘laziale’ já estariam a interferir nas contas do pódio, pois a receção ao Udinese foi adiada devido à intensa chuva que se fez sentir no Olímpico de Roma. Na Liga Europa, a equipa de Nani já está apurada para os 16 avos de final, após 4 vitórias. Um momento de forma estrondoso!
Depois do ‘Hexa’ da Juventus na época passada, a Serie A 2017/18 parece estar mais competitiva que nunca, com 5 equipas a rondar o primeiro lugar Fonte: Juventus
Ainda em Roma, vemos outra das grandes surpresas da época em Itália, a AS Roma. Na Liga dos Campeões está perto de garantir o apuramento para os oitavos de final, ocupando o 1º lugar num grupo que conta com Chelsea e Atlético Madrid. Domesticamente, a equipa tem, com o rival romano, um jogo a menos e amealha 27 pontos nesta altura, um atrás do vizinho da cidade eterna. Vem de uma vitória de grande valia, em Florença, por 4-2 sobre a Fiorentina.
Não se esqueça a Sampdoria que faz um bom campeonato e ocupa o 6º lugar, com 23 pontos, e também um jogo a menos, mas a pensar certamente noutras contas.
A grande desilusão do campeonato é o milionário AC Milan que, com 19 pontos, está no 7º posto e, a não ser que faça uma recuperação de proporções milagrosas, estará arredado das contas do ‘scudetto’.
Em jeito de conclusão e, voltando ao escopo que o título deste artigo trilha, e, tendo em conta que já tive a oportunidade de me debruçar sobre Inter e Nápoles em diferentes artigos, não consigo definir, muito sinceramente, uma altura em que alguma das cinco equipas irá descolar de uma forma destacada.
Aliás, não me parece que, no fim da liga, o campeão consiga uma diferença pontual muito significativa. Embora não me pareça que os cinco lutem pelo título até ao fim, creio que continuará tudo em aberto até maio de 2018.
Patrice Evra jogador do Marselha que no passado dia 02 de Novembro, viu a sua carreira ficar manchada após uma agressão a um adepto, poderá mesmo deixar o futebol.
O Olympique de Marselha estava em Portugal para defrontar o Vitória SC de Guimarães para a liga Europa. Ainda antes do jogo, surgiram conflitos entre jogadores do clube francês e adeptos do mesmo, tendo existindo agressões e inclusive um adepto do clube precisou mesmo de receber tratamento hospitalar.
No centro da polémica estava Evra, após ter rematado uma bola contra a bancada do Marselha e respetivos adeptos, ainda se mete nos desacatos e desfere um pontapé na cabeça a um dos adeptos do seu próprio clube, sendo depois afastado pelos colegas do recinto. Como consequência dos acontecimentos, Evra foi expulso do encontro mesmo antes deste começar por conduta anti-desportiva e foi dispensado do clube que representava.
Ninguém ficou bem nesta “fotografia”, nem os adeptos que têm criticado a recente forma de Evra, tendo-o insultado e pedindo o afastamento do mesmo, nem o jogador que com 36 anos de idade, internacional pela seleção francesa diversas vezes e com um palmarés de títulos bastante aliciante, já devia ter a experiência para lidar com situações como estas e não se deixar levar pelos ânimos exaltados.
Pontapé de Eric Cantona a um adepto do Crystal Palace Fonte: The Telegraph
Eventos como este não são novos no futebol e este em concreto faz lembrar o mítico “ Kung Fu Kick” que Eric Cantona enquanto jogador do Manchester United deu a um adepto a meio do jogo frente ao Crystal Palace em 1995.
Os jogadores de futebol e as comitivas devem ser os primeiros a promover o “fair-play” e a ter boa conduta com todos os órgãos envolventes no futebol, quer sejam árbitros, jogadores ou adeptos. Só assim esse espírito é canalizado para a massa associativa e confrontos como estes podem ser evitados.
Com a vitória sobre o Belenenses por três bolas a uma, o Sporting CP já leva 14 vitórias em outros tantos jogos oficiais disputados durante esta temporada, somando a Supertaça, o campeonato e a UEFA Futsal Cup. Para além de já ter ganho a referida Supertaça, está na liderança isolada da primeira divisão e na Ronda de Elite da competição europeia, após ter passado com um pleno de sucessos no seu grupo de apuramento.
É, portanto, uma equipa do Sporting com uma vontade imensa de triunfar e onde a qualidade do plantel é mais que suficiente para almejar todos os troféus em disputa nesta época 2017/18, incluindo o cetro europeu, algo que os adeptos leoninos há muito desejam. É preferível agregar esse objetivo com a conquista de todos os troféus em disputa no nosso país, só que pressinto que este ano de 2018 irá trazer boas novidades para o futsal português.
Até porque o sorteio da Futsal Cup foi bondoso com o conjunto leonino, também porque o coletivo lisboeta fez por merecer essa benesse, em função do seu desempenho na ronda principal. Ao passar na liderança do seu grupo, evitou desde logo alguns dos tubarões em prova, ao contrário do outro representante nacional, que voltou a calhar com o Inter Movistar e também calhou em sorte com o fortíssimo conjunto do Kairat Almaty, campeão europeu em 2015.
Este é o grupo do Sporting na UEFA Futsal Cup: Halle Gooik, da Bélgica; Nacional Zagreb da Croácia e Dina Moscovo da Rússia Fonte: Sporting CP
Finalizado este pequeno aparte, e dado que já em artigos anteriores enalteci a extrema qualidade do plantel e equipa técnica leoninas, creio que nesse aspeto não há nada a acrescentar, só mesmo que caso o Sporting continue a jogar como tem feito até agora, arrisca-se a voltar a vencer as competições todas em Portugal e assume-se, como nestes últimos anos, como um dos principais candidatos a vencer um inédito título europeu. Pelo menos penso que qualquer equipa europeia já torce o nariz quando vê que calhou com o Sporting Clube de Portugal.
Esse respeito por parte dos adversários é o mais difícil de ganhar, a partir daí é continuar a evoluir para conseguir trazer um segundo troféu europeu para Portugal. Tomando as estatísticas do campeonato como referência, podemos observar que em dez jogos a equipa de Nuno Dias tem igual número de vitórias, é a melhor defesa da Liga com 12 golos consentidos, é o segundo melhor ataque de prova, com 47 golos marcados (apenas menos um golo que o SL Benfica, apesar de ter mais um jogo disputado) e por conseguinte tem a melhor diferença de golos (+35) de entre os 14 participantes.
Parece-me que a única equipa que pode travar este ímpeto ganhador do leão é o eterno rival de segunda circular, mas tem de melhorar muito nos dérbis e mudar a forma como encara os jogos desta importância onde cada erro, por mais insignificante que seja, deita tudo a perder.
Tal como a Primeira Liga, todas as divisões que lhe sucedem são suscetíveis de críticas, tanto às equipas, treinadores, dirigentes, como até à estrutura das provas. No entanto, entenda-se crítica como uma sugestão, reparo e oportunidade para melhorar. Nunca como objeto de destruição daquilo que cresceu até agora e tanto nos apaixona; o futebol. Porque é sempre disso que se trata e é nesse sentido que surge este artigo e as palavras de Jorge Silas na sua página de Facebook, ex-jogador dos nossos campeonatos, com passagem por várias equipas.
Neste momento, o Campeonato de Portugal (CP), primeiro escalão a nível nacional, é disputado através de duas fases; numa primeira, 80 equipas, divididas em cinco séries (A, B, C, E e E) com 16 participantes, disputam a subida à Segunda Liga ou evitam a descida aos Distritais. É precisamente na passagem à segunda fase, onde se disputa a subida, que reside o maior problema. É que para lá, apenas se apuram oito equipas! Os primeiros classificados de cada série e os três segundos classificados com melhor desempenho. Ou seja, num universo de 80 competidores, apenas um décimo (oito) tem possibilidades de atingir a divisão seguinte. Daqui resulta, naturalmente, um desinteresse a meio da competição. A meio ou até antes.
A certa altura, metade da tabela já percebe que não terá qualquer hipótese de atingir a fase que se segue e o objetivo passa a ser não descer. Um objetivo, no mínimo, desmotivador porque a qualidade não se descola destes jogadores. Apesar da distância à Primeira Liga, há jogos e jogadores de grande qualidade, como provam alguns atletas que lá vão parar.
O FC Vizela lidera a séria A do Campeonato de Portugal Fonte: FC Vizela
À nona jornada do CP, lideram as séries A, B, C, D e E o FC Vizela (23 pontos), o CD Cinfães (21 pontos), a UD Leiria (25 pontos), o CD Mafra (20 pontos) e o SC Farense (24 pontos), respetivamente. Ocupam os lugares mais baixos das mesmas séries o CCD Minas de Argozelo (3 pontos), a UD Sousense (3 pontos), a AD Fornos de Algodres (0 pontos), o CA Pêro Pinheiro (6 pontos) e o Lusitano FC (4 pontos), respetivamente.
A esta altura, é prematuro arriscar quem desce e quem passa à fase seguinte, mas o fosso pontual é já bem grande e a tendência é a aumentar porque o desinteresse também aumenta. As direções percebem que o caminho se afigura complicado e dão início à redução de custos através do despedimento de jogadores ou em alguns casos, lamentavelmente, ao incumprimento salarial. As equipas anteriormente mencionadas não são necessariamente exemplo destas situações, servem apenas para demonstrar a realidade pontual desta competição.
Cinco anos depois, a espera terminou! Os fãs da WWE em Portugal puderam finalmente vibrar com os seus wrestlers preferidos! O Campo Pequeno fez jus ao seu nome e foi pequeno para tanta gente com fome de ver Wrestling.
Com Daniel Bryan a aparecer no ecrã, viu-se o primeiro momento de euforia com o público a entoar “YES”.
E para abrir o espetáculo nada melhor do que um combate entre Shinsuke Nakamura e Kevin Owens, um dos mais esperados da noite. O japonês entrou ao som da sua habitual música, o que levou os fãs a entoar o seu tema, como é habitual.
Shinsuke Nakamura e Kevin Owens apresentaram um excelente combate, mas foi o japonês que levou a melhor Fonte: WWE
Mas o público delirou com a entrada de Owens. O canadiano pode ser heel mas é dos preferidos do público, que vibrou com a sua entrada e durante todo o combate. Divididos entre cânticos de “Nakamura” e “Fight Owens Fight”, os portugueses assistiram a um bom combate para animar as hostes e estiveram sempre a interagir com os lutadores.
Owens, como tem sido habitual, respondeu à heel, como por exemplo, quando pegou no microfone e, em resposta aos cânticos “Fight Owens Fight”, disse “You idiots don’t tell me what to do”, recebendo vaias do público. No final, a vitória sorriu a Nakamura, que no final ficou a festejar com os fãs.
Defrontaram-se, para a nona jornada do Campeonato Nacional de Andebol, a equipa do ADA Maia/ISMAI e do Sporting Clube de Portugal. Antes do jogo, os maiatos encontravam-se na oitava posição do Campeonato com 16 pontos e a equipa dos Leões estava em segundo lugar com 24, apenas a um ponto do rival Benfica. A equipa maiata e a formação de Alvalade, apesar de equipas com objetivos distintos para a temporada, proporcionaram bons momentos de Andebol do Pavilhão Municipal da Maia.
Se pudéssemos resumir a partida numa frase diríamos apenas o seguinte: foi um jogo onde a equipa dos Leões esteve sempre por cima da equipa do ISMAI. No entanto, logo no início do encontro, a equipa maiata, talvez galvanizada pelo facto de jogar em casa, entrou destemida em disputar um resultado diferente daquele que se verificou no final. Mas a qualidade da equipa dos Leões acabou por impor-se e suplantar essas aspirações iniciais maiatas. Aos 12 minutos de jogo, o resultado já era favorável aos leões por 4-8.
A equipa do Sporting começou com Manuel Gaspar na baliza, Carlos Carneiro a Central, Edmilson Araújo a lateral esquerdo, Felipe Borges a ponta esquerda, Frankis Carol a lateral direito e Francisco Tavares a ponta direita. Nos momentos defensivos, o Sporting atuou no seu habitual sistema 6×0, marcados por momentos de elevada agressividade defensiva, cortando as investidas do ISMAI à baliza de Manuel Gaspar. Destaque, no plano ofensivo, para os remates de Edmilson Araújo e de Frankis Carol. A aposta do treinador leonino Hugo Canela no pivot Tiago Rocha para iniciar a partida revelou-se frutífera uma vez que o português de 32 anos correspondeu com uma atuação de bom nível, bastante móvel no ataque, dando dores de cabeça constantes à defesa maiata.
A equipa do ISMAI revelou ser uma equipa bem organizada, com boas qualidades individuais. Neste plano, destaque para o Central António Ventura, sempre muito esclarecido em campo, Senhor de remates fortes e de elevado recorte técnico. Os seus remates foram uma constante durante todo o jogo. No plano coletivo, regista-se uma equipa em processo de formação, com elementos carregados de potencial mas ainda pouco maduros, algo que a equipa dos Leões têm de sobeja. E isso foi determinante para o resultado final deste jogo.
Na primeira parte, sinal bastante positivo para a prestação do ponta esquerda leonino, Felipe Borges, que desafiou várias vezes com sucesso o guarda-redes maiato Manuel Borges. Ao minuto 18, Hugo Canela mexe na equipa leonina e coloca Carlos Ruesga nos momentos ofensivos do jogo e Bjelanović nos momentos defensivos. Mas Ruesga entra para lateral direito, continuando Carlos Carneiro na posição de Central.
Os últimos minutos da primeira parte foram muito mexidos de parte a parte: o Sporting tentava aumentar a distância de golos face ao ISMAI e estes queriam reduzir a todo o custo a margem que já se verificava no marcador a favor da turma de Alvalade. Foi, neste momento do jogo, que Manuel Gaspar espantou a assistência que acorreu ao pavilhão da Cidade da Maia, realizando defesas de elevada qualidade técnica e mostrando, em terras maiatas, que as suas recentes exibições não têm sido fruto do acaso. No final da primeira parte, o placard marcava 10-22 a favor da equipa dos Leões.
A segunda parte inicia com duas alterações na equipa dos Leões: entra, para Pivot, o eslovaco Michal Kopkco saindo Tiago Rocha e entra também Janko Bozovic para a posição de lateral direito, saindo o cubano Frankis Carol. A equipa soltou-se mais, criou maior envolvência ofensiva e empurrou a equipa do ISMAI que, nesta altura, viu jogar o Sporting jogar Andebol. Veio ao de cima toda a maturidade da equipa do Sporting. À equipa do ADA Maia restava-lhe apenas aproveitar algumas falhas leoninas para, no contra-ataque, tentar fazer golos. Destacou-se, na segunda parte, o guarda-redes do ISMAI Ricardo Castro que entrou na segunda parte. Mas, apesar da sua boa prestação, não conseguiu anular a avalanche ofensiva leonina: ao minuto 40, o resultado estava nos 16-28.
Ao minuto 45 entra o internacional português Pedro Portela, ocupando a posição de lateral direito, deixando a ponta direita para o jovem talento Francisco Tavares que passeou a maturidade dos seus 20 anos no pavilhão municipal da Maia. O Sporting, estando com uma vantagem confortável no marcador, aproveitou para colocar alguns pupilos da sua formação em ação: ao minuto 51 entra para a ponta esquerda dos Leões o jovem de 19 anos Bruno Gaspar, saindo aquele que foi certamente dos melhores, senão mesmo o melhor jogador da partida: Felipe Borges.
O Sporting continuava por cima e o ISMAI ia fazendo o jogo possível perante um Sporting com outros argumentos para disputar o Campeonato Nacional. O final da partida ditou, por isso, a vitória inequívoca e indiscutível do Sporting do Prof. Hugo Canela com um resultado categórico de 29-39.
Se nem Messi ou Cristiano Ronaldo geram unanimidade entre os fãs de futebol, não é qualquer outro jogador que o vai fazer. Salvio não é mau jogador, mas os outros dois são algo fora do comum. Mas não é sobre Messi ou Ronaldo que se vai focar este texto. É mesmo sobre Salvio e a sua faceta de querer sempre mais, o que tanto pode ser bom como mau, mas vamos por partes.
Futebol.
Neste momento estão a perguntar o que quero dizer com a palavra” Futebol”. Pois bem, eu explico. Na verdade, não tenho intenção de dizer nada e não pretendo acrescentar informação nenhuma ao texto. Continuam sem perceber? Ok, vou ser mais específico. Esta foi a forma mais fácil de explicar as exibições de Salvio na maioria das vezes.
O argentino quer sempre dar mais um toque, fazer mais uma finta ou correr mais uns metros com a bola, mas à semelhança da palavra “Futebol”, o último toque ou a última finta de pouco servem. Não mudam o rumo do jogo nem acrescentam nada à intensidade da partida. Talvez seja por essa ser uma característica dele que Rui Vitória por vezes sinta necessidade de o fazer ir ao banco de vez em quando. Uma ou duas vezes é compreensível, qualquer jogador trabalha para se destacar, mas fazê-lo com a regularidade com que Salvio o faz não é vontade ou ambição, é teimosia.
Aquela finta que se concretizada era um regalo para os olhos dos adeptos, ou aquele toque a mais para colocar a bola mais a jeito, inúmeras vezes resultam em oportunidades perdidas de ganhar superioridade numérica ofensivamente ou mesmo da equipa marcar um golo. E Salvio, que é um jogador rápido, pode ganhar mais a nível de performance se optar por ser mais pragmático – aquele passe que parece fácil pode ser o que decide um resultado.
Esta época, Salvio marcou 3 golos nos 14 jogos que disputou Fonte: João Trindade via Flickr
Contudo, se aquele último toque nada acrescenta o mesmo não se pode dizer daquela corrida em esforço para ajudar a linha defensiva. E Salvio, embora pareça algo despercebido neste capítulo, é realmente bom nisso.
Com Salvio em campo, a equipa raramente se descompensa nas aulas, isto porque o mesmo assume a primeira linha de pressão com intensidade para recuperar de imediato a bola, o que não são muitos os extremos a fazerem – por norma, preocupam-se apenas em ocupar o espaço e a obrigar a equipa adversária a tentar transportar jogo por outra zona do terreno. Não é por acaso que na seleção argentina, que frequentemente joga em 3-5-2 ou num 3-4-3, o argentino tem sido testado como médio ala ficando com a tarefa de fazer toda a ala direita da equipa.
É, sobretudo, na compreensão tática do jogo e na capacidade posicional que o argentino marca a diferença, bem como pela entrega que mostra em campo. Seja no meio campo, seja numa zona mais perto da baliza da própria equipa, Salvio é dos jogadores que mais coopera em tarefas defensivas.
Querer mais é bom, mas só será ótimo quando Salvio apenas der mais em termos da disponibilidade física que oferece ao jogo, relegando para segundo plano aqueles toques que, sinceramente, não acredito que sejam a principal qualidade dele.
Se para mim era uma decisão de risco, ainda bem que estava enganado e que o Beira-Mar regressou, e de que forma, às conquistas!
No meu último texto relativo ao clube da minha terra, critiquei a decisão da troca de treinador do plantel sénior do Sport Clube Beira-Mar . A minha critica foi uma critica ponderada e hoje voltaria a escrevê-la pois casos como este, de sucesso tão imediato, são raros. Raros mas ainda bem que o Beira-Mar pertence a essa raridade.
Na terceira jornada do campeonato distrital de Aveiro o Beira-Mar anunciava a saída do técnico Carlos Miguel depois de 1 vitória e 2 derrotas consecutivas. A saída de Carlos Miguel abria portas a muito nomes ligados ao clube, muitos que conheciam o emblema, outros tantos que tinham feito história neles, tantos nomes. A verdade é que a solução estava dentro do clube e chamava-se Cajó. Com apenas 32 anos e desde 2016 no Beira-Mar, aceitou a proposta de fazer levantar o balneário e colocar os auri-negros no rumo das vitórias. Com o conhecido Cilio ao seu lado no banco, os cinco jogos que realizou até ao momento ditaram 15 pontos para o Beira-Mar e a subida de lugares na classificação.
O regresso às vitórias na quarta jornada aconteceu com uma mudança de atitude de jogadores e a colocação em campo de uma equipa bastante diferente daquela que tinha sido o último onze escolhido por Carlos Miguel. Apenas cinco jogadores mantiveram-se da derrota com o São João de Ver e seis jogadores entraram para mexer com o rumo dos jogos. No encontro número dois de Cajó na liderança do balneário, o onze repetiu-se e os três pontos voltaram a ser nossos. As alterações foram feitas com o tempo, algumas por necessidade e outras por opção mas o importante é que foram cinco encontros e cinco vitórias com a última a ser cobrada ao Alba.
O Sport Clube Beira-Mar disputa a Primeira Divisão do Campeonato Distrital de Aveiro Fonte: SC Beira-Mar
O Beira-Mar tem agora seis vitórias contra duas derrotas da Era Carlos Miguel e se há cinco jornadas ocupava o meio da tabela, agora está já em quarto lugar a apenas 2 pontos do líder, o União de Lamas.
Muito do sucesso atingido no último terço do terreno deve-se a um nome que trouxe muita experiência para o campo, Artur. O médio ofensivo que tem sido usado a extremo fez muito da sua carreira ao mais alto nível do futebol português e a sua chegada ao Beira-Mar acrescentou muito ao colectivo. Contudo que tem tido mais sucesso a rematar às redes adversárias é Mário Costa. O ponta de lança leva quatro remates certeiros em oito partidas na sua época de estreia com o símbolo do Beira-Mar ao peito. Aranha, segundo melhor marcador da equipa, tem sido uma das peças mais importantes se não a mais importante no meio-campo. O ex-Àgueda já marcou 3 golos e tem sido um jogador importante ao ligar as áreas mais recuadas com o ataque auri-negro. Sem sucesso e já longe do Mário Duarte está Katchana. O experiente jogador fez apenas três partidas pelo Beira-Mar e é já jogador do Pampilhosa.
E está assim a equipa do Beira-Mar neste arranque de época oficial, depois de uma tempestade veio a tranquilidade para o balneário do clube da terra e o objetivo está mais do que traçado: ser campeão e subir de divisão.
Tem-se vindo a assistir a abordagens ao mau momento do Benfica muito focadas na defesa, tornando-se esta, o bode expiatório dos problemas por que a equipa atravessa. Argumentos como as transferências de Ederson, Lindelof e Nélson Semedo e a falta de substitutos à altura para os lugares que ocupavam, a idade de Luisão e a escassez de ritmo do Jardel, têm muitas vezes sido debatidos e escrutinados por vários órgãos da comunicação social, mas será que é realmente a defesa o mal de todos os problemas?
Paralelamente, também há quem olhe um pouco mais à frente e diga que os equilíbrios defensivos começam no ataque e têm por base o meio campo, é naquela zona que se geram as compensações, as entreajudas, digamos que é ali, no centro do terreno, que se encontra o cérebro tático da equipa e é ali também, que se tomam as grandes decisões do jogo, tanto defensivas quanto ofensivas.
E a verdade é que neste momento, o Benfica tem um meio campo desorientado, sem ideias, confuso e sem rumo. Ora vejamos, o Pizzi está desinspirado, está perdido num túnel sem ver luz ao fundo desde Agosto, o Filipe Augusto, embora esforçado e batalhador, não perde o estigma de corpo estranho desta equipa e ele até tenta cumprir mas o problema está nos que o rodeiam se calhar, que quando ele joga parecem contaminados e deixam de saber o que fazer. Será da má ocupação dos espaços do camisola 6, que gera confusão nos posicionamentos de Fejsa e Pizzi? Pode ser uma ideia a explorar. E, finalmente, o Fejsa, apesar de nunca fazer jogos maus, o seu rendimento este ano está muito aquém do esperado e daquilo que a equipa precisa dele: menos desarmes, mais faltas, muito menos eficaz que nos anos anteriores. Para além de que tem acumulado funções a nível ofensivo devido ao desnorte de Pizzi.
Passará o futuro do meio campo do Benfica pelos jovens? Fonte: SL Benfica
Mas vamos às soluções para estes problemas, podem ser várias, por exemplo, a solução de Rui Vitória de colocar sangue novo em algumas posições, para mostrar claramente que não há lugares cativos, pode ser uma alternativa a este meio campo se apostar em Chrien Martin ou Keaton Parks, que têm feito boas exibições na equipa B, ou mesmo encontrar soluções no plantel principal, como colocar o Krovinovic no lugar de Pizzi ou substituir o Filipe Augusto por Samaris, parecem-me muito melhores soluções do que continuar a insistir em dois jogadores que não rendem – Pizzi e Filipe Augusto – e dar oportunidade a outros jogadores que, aparentemente, neste momento, estão em melhores condições.
Um meio campo com Fejsa, Samaris e Krovinovic, pode bem ser uma solução para os desequilíbrios defensivos e a falta de inspiração ofensiva. Nestes momentos conturbados, não há nada melhor que mudar, mudar e dar continuidade e confiança a essa mudança, caso contrário, invés de uma solução, agravam se os problemas.
Acho ainda que Rui Vitória podia ser um pouco mais arrojado e até com uma pitada de loucura, adaptar Douglas. Já todos percebemos que não rende a lateral direito, porque simplesmente não sabe defender, mas tem revelado que ataca bem e não cruza nada mal. Se calhar seria de apostar nele como extremo, mas eu ainda sugeria algo mais, adaptar o Douglas como médio interior, uma transformação semelhante à de Enzo Pérez, lembram-se? Quem sabe não está aqui uma outra solução a Pizzi, ainda agora em Manchester o vimos muitas vezes nesta zona.
Ficam as sugestões e a minha vontade de que algo mude e para melhor. Carrega, Benfica!
Foi no dia 7 de novembro de 2010, em pleno Estádio do Dragão. O FC Porto, treinado por André Villas-Boas, comandava a Liga Portuguesa com sete pontos de vantagem sobre o SL Benfica mas, do lado encarnado, morava também uma super-equipa treinada por Jorge Jesus. O FC Porto entrou em campo estruturado num 4-3-3, com Hélton na baliza, Sapunaru, Maicon, Rolando e Álvaro Pereira na defesa, Guarín, João Moutinho e Belluschi no meio-campo, e Silvestre Varela, Hulk e Falcão na frente de ataque. Do lado do SL Benfica o dia foi de “invenções” para Jorge Jesus que, dispondo a equipa num 4-3-3, optou por colocar Roberto na baliza, Maxi Pereira, Sidnei, Luisão e David Luiz na defesa, Javi García, Carlos Martins e Pablo Aimar no meio-campo, e Fábio Coentrão, Salvio e Alan Kardec na frente de ataque.
Apito na boca de Pedro Proença, 49817 espetadores no Estádio do Dragão, e a bola começou a rolar. Não foram precisos mais de 30 minutos de jogo para que o inesperado acontecesse: o FC Porto vencia já por 3-0! Logo aos 12 minutos se percebeu o quão errado estava Jorge Jesus quando decidiu colocar David Luiz a jogar a defesa esquerdo. A ideia era seguramente a de travar Hulk, mas o que sucedeu foi precisamente o oposto: o “Incrível” adiantou a bola, passou “de mota” por um David Luiz descomandado e apático, e serviu Varela para este, sozinho no centro da área, atirar a contar. 1-0 no marcador. Aos 25 minutos, novamente David Luiz a ser colocado fora da jogada, desta feita pela técnica de Belluschi; este cruzou para Falcão que, com um sensacional toque de calcanhar, colocou novamente o Estádio do Dragão em festa. 2-0 para os azuis e brancos. Aos 29 minutos Belluschi fez mais uma vez uso da sua técnica para ultrapassar Sidnei e servir um repentino Falcão; o colombiano rematou colocado e sem hipóteses para Roberto. 3-0 no marcador.
Intervalo no Estádio do Dragão e a surpresa era já por demais evidente. O que também era evidente é que Fábio Coentrão a jogar a extremo era um jogador banal (já quase todos o tinham percebido há alguns anos!) e que nessa noite David Luiz quase parecia um futebolista da Segunda Liga, tal a forma displicente como abordou os lances que deram origem aos dois primeiros golos. Na segunda parte o FC Porto abrandou o ritmo, mas o festival Belluschi-Hulk-Falcão não tinha ainda terminado. Aos 80 minutos Fábio Coentrão não teve forma de travar Hulk sem ser com recurso à falta. De penálti, o brasileiro atirou forte e colocado para o 4-0. Já perto do final do jogo, aos 90 minutos, Hulk apontou um golo que era também a sua imagem de marca: pegou na bola a partir da direita, fletiu para o meio, e rematou forte e rasteiro para mais um grande golo (com algumas culpas potencialmente imputáveis a Roberto). 5-0 para os azuis e brancos, apito final na partida e, no Estádio do Dragão, restava uma marcada sensação de humilhação.
Naquela noite, David Luiz foi verdadeiramente dizimado por Hulk Fonte: Templo do Dragão
Num encontro em que Jorge Jesus e a forma temerosa como abordou o jogo levaram ao seu próprio apocalipse, o FC Porto de André Villas-Boas tornava cada vez mais claro que se tratava de uma equipa desenhada a pensar em grandes feitos. Se de um lado o treinador que orgulhosamente afirmava que a sua equipa praticava o melhor futebol da Europa mudou radicalmente a estrutura da equipa a pensar unicamente em travar um jogador (Hulk), colocando David Luiz a defesa esquerdo, Fábio Coentrão a extremo esquerdo, e relegando Saviola para o banco de suplentes, do outro lado André Villas-Boas foi fiel à sua estrutura, sistema e modelo de jogo e, desse modo, acabou por vencer tranquilamente.
Naquela noite, no Estádio do Dragão, o então campeão nacional foi uma caricatura de si mesmo e, a 20 minutos do final, ainda teria tempo de ver o “capitão” Luisão a “abandonar o barco”. O brasileiro, já totalmente desnorteado, foi expulso por tentativa de agressão. Com a vitória alcançada o FC Porto cavaria um fosso de 10 pontos de vantagem relativamente ao SL Benfica e tornava cada vez mais evidente que iria terminar a época com o troféu de campeão nacional de futebol nas mãos. Seguramente, nenhum portista jamais esquecerá aquela noite de outono!