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Celtic FC e Rangers FC: Mais que futebol

Cabeçalho Futebol InternacionalNo futebol atual, o que não falta são rivalidades. O impacto que, no século 21, as televisões e internet geram, à volta da cobertura de grandes eventos, faz com que qualquer evento desportivo pareça único, imperdível.

Embora existam, no futebol, dérbies mais mediáticos, nenhum tem a dimensão social e cultural do Celtic vs Rangers. As duas equipas de Glasgow, as mais importantes da Escócia, dividem adeptos e população no geral, tal é a importância extra-futebol que o encontro assume.

As complexas, e muitas vezes tensas, relações entre Irlanda, Irlanda do Norte, Inglaterra e Escócia tornam, para quem não é destes países, muito difícil a tarefa de entender a atmosfera e o significado dum jogo destes. Mas é possível, olhando para o passado dos dois clubes, apontar as razões que fazem dele o maior acontecimento desportivo escocês, e um dos mais emocionantes a nível mundial.

O Rangers FC, o mais antigo e titulado dos dois, é um clube com grandes ligações ao Reino Unido, e à monarquia. As suas cores mostram bem isso: as bases do símbolo e dos equipamentos do clube são o azul, o branco e o vermelho, as cores da Union Jack. Os seus adeptos, quase exclusivamente protestantes, a religião mais seguida em Inglaterra, são sobretudo anti-independentistas, e defendem a permanência da Escócia como Estado controlado pelo Reino Unido.

O Celtic FC, por outro lado, é o clube com mais projeção internacional. Para além de já ter vencido a Liga dos Campeões, é o atual hexacampeão da Liga Escocesa. É um clube ainda mais político que o Rangers, e os adeptos sempre fizeram questão de que essa característica fosse bem visível.

Formado numa comunidade de imigrantes irlandeses, o Celtic tem uma forte ligação às classes trabalhadoras, e às zonas mais pobres da Escócia. As suas cores, verde e branco, para além do seu símbolo, um trevo, são alusões óbvias à origem Irlandesa do clube. Apoiado por católicos, a religião tradicional da Irlanda, têm, quer por ser um clube menos elitista, quer pelas muitas comunidades Irlandesas espalhadas pelo mundo, um maior número de adeptos.

Celtic Park, estádio do Celtic. Durante os dérbies, é comum a exibição de bandeiras. A da Irlanda Fonte: Celtic FC
Celtic Park, estádio do Celtic. Durante os dérbies, é comum a exibição de bandeiras. A da Irlanda
Fonte: Celtic FC

A disputa Católicos/Protestantes não é novidade no Reino Unido. No entanto, os dois rivais de Glasgow nunca mostraram interesse em manter a política e a religião longe do desporto, e afastar este encontro de qualquer manifestação ou sentimento extra-futebol. Aliás, é o orgulho e a veemência com que cada lado tem mantido a sua posição, ignorando qualquer atitude politicamente correta, que tornam esta rivalidade icónica.

O ponto central neste derby, mais que o próprio jogo em si, é a demonstração de ideais nas bancadas. A questão da Irlanda do Norte é, provavelmente, o tema mais abordado pelos apoiantes. Os adeptos do Celtic, a favor duma Irlanda reunificada, e os adeptos do Rangers, que apoiam a continuidade da Irlanda do Norte como parte integrante do Reino Unido, acabam, normalmente, por ser mais protagonistas que os intervenientes diretos no jogo. Bandeiras, cânticos nacionalistas e referências a episódios históricos são parte fundamental do aspeto visual do jogo.

Independentemente do resultado, os 90 minutos são preenchidos com provocações de parte a parte, e, se às vezes existe alguma cordialidade nas rivalidades entre clubes da mesma cidade, aqui não é o caso: um adepto do Rangers é automaticamente inimigo dum adepto do Celtic, e vice-versa, mais que não seja por defenderem causas e ideologias completamente distintas.

WWE Hell in a Cell: Uma mão amiga resolve tudo!

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Cabeçalho modalidadesO Hell in a Cell foi, à semelhança do No Mercy, uma montanha-russa de emoções. Teve momentos de grande qualidade, mas depressa conseguiu desiludir, com algum aborrecimento e de desilusão. Deixou um pouco a desejar, mas, ainda assim, primou pelo fator história e pela qualidade da maioria das exibições.

O jogo que mais me marcou: FC Porto 2-1 SL Benfica (2012/13)

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fc porto cabeçalho

Esta semana fui desafiado a escolher um jogo do FC Porto que tenha assistido ao vivo e que me tenha marcado para a eternidade. O processo de tomada de decisão foi moroso e confuso. Isto porque desejava escolher um jogo que, de certa forma, surpreendesse os leitores, que estivesse longe das memórias das pessoas e que criasse algum impacto. Falhei.

Foi-me pedido “o jogo que jamais esquecerás”. Ora, acima de todos os outros está aquele que foi o momento de maior felicidade futebolística e que perdurará para sempre como um dos mais vibrantes e emocionantes momentos da minha vida pessoal.

Por esta altura, já o leitor deve saber daquilo que falo. Por esta altura, o “terramoto” que se deu na Invicta naquela noite já paira na cabeça de cada um e levanta os pelos da pele de galinha dos leitores afetos ao FC Porto e, provavelmente, acontecerá o mesmo aos restantes amantes da modalidade.

Época de 2012/2013: A época do tudo que acabou por ser nada para o SL Benfica e a época do nada que acabou por ser de 27º título de campeão nacional para o FC Porto. A umas escassas 3 jornadas do final do Campeonato, e depois de uma pré-festa no Funchal (ronda 27), o Benfica seguia com 4 pontos de vantagem e a única coisa que tinha que fazer para chegar ao título era ganhar os dois jogos em casa que lhe faltavam até final (Estoril e Moreirense). Pois bem, foi o Estoril que conseguiu empatar na Luz (1-1) e abriu uma janela de oportunidade para tudo aquilo que se passou a seguir.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Sábado, 11 de Maio de 2013, Estádio do Dragão. Jogo do título. Para o FC Porto, liderado por Vítor Pereira (o último treinador campeão nacional pelo clube), só havia um caminho: ganhar. O Benfica, orientado por Jorge Jesus (agora timoneiro do rival Sporting CP), jogava com dois resultados, sendo que, em caso de vitória, se sagrava campeão em plena casa do rival (como o Porto fizera 2 anos antes). O jogo começa mal para os Dragões, que viram o Benfica chegar ao golo aos 19 minutos pelo brasileiro Lima. O Porto reagiu e apenas 7 minutos volvidos chegava ao empate através de um auto-golo de Maxi Pereira (atualmente no FC Porto), a desviar para a sua baliza um cruzamento de Varela. Daí para a frente, não fosse a importância do jogo e podia muito bem tratar-se de uma história para adormecer, de tão poucas que foram as oportunidades tanto numa baliza como na outra. Aos 85, James Rodríguez atira ao poste e dá o 1º sinal de que algo estava para acontecer. Já depois do minuto 90, o momento que ficará para a eternidade e que deu nome a um espaço no museu do FC Porto. Foi o momento K. A bola vem da defesa do Porto até ao meio campo do Benfica, a bola veio da direita até à esquerda até que, por uma qualquer decisão divina, chega aos pés de Kelvin. O jovem brasileiro tabela com o proscrito Liedson e entra na área pressionado por Roderick. Depois, esperou que os astros se alinhassem e disparou. A bola passou rente à luva do guarda-redes Artur e entrou rente ao poste. Ali, naquele momento, Jorge Jesus ajoelhou e o Dragão explodiu. O FC Porto (ainda era preciso ganhar em Paços de Ferreira), era tricampeão nacional.

Perdoem-me aqueles que esperavam que retirasse da cartola um jogo desvanecido pelo esquecimento público e que se sentem defraudados por considerarem que este momento se trata de algo transversal a qualquer portista. Percebo o argumento e deixo a promessa de uma melhor reflexão numa próxima oportunidade.

Mas também por isso, por ser um portista de gema, não fui capaz de esquecer e ignorar aquelas lágrimas de êxtase que escorreram no meu rosto naquela ardente noite de Abril.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Portugal 2-0 Suíça: Seleção não cedeu à pressão e conquistou a 10ª qualificação consecutiva

Cabeçalho Seleção NacionalChegávamos assim à última jornada da qualificação europeia para o Mundial 2018 na Rússia, e acabávamos como começámos: um confronto frente à Suíça, desta vez em nossa casa, no Estádio da Luz e onde Portugal necessitava de vencer para poder carimbar já hoje a qualificação. Já a Suíça, precisava “apenas” de não perder e, como tal, prenunciava-se um jogo pressionante por parte de Portugal e uma Suíça mais cautelosa.

Fernando Santos, sem surpresa, fez entrar os jogadores poupados, como Ronaldo, em Andorra para o onze inicial, e a Suíça também fazia algumas alterações, desde logo Zuber, que marcara dois golos à Hungria no fim-de-semana passada, ficou no banco. Mais de sessenta mil vozes cantavam em uníssono o hino nacional numa demonstração de apoio e de crença num resultado positivo e numa qualificação carimbada já esta noite.

Portugal entrou como se esperava, a dominar o jogo e a procurar a baliza suíça, predominamente pelo ar com cruzamentos, ora de Cedric, ora de Eliseu, e havia um elemento que se destacava nesta altura inicial do jogo pelo tratamento de bola que vinha a fazer, João Mário. O português foi uma figura fulcral neste inicio de jogo português, estando em praticamente todas as jogadas de perigo criadas até então. Ainda que Sommer não tivesse muito trabalho nos primeiros minutos, a Suíça, e apesar de estar contente com o empate, mostrou que também tinha vindo a Portugal para dar luta e com Seferovic como jogador-alvo para a baliza portuguesa, os suíços timidamente começavam a aproximar-se do meio campo português após um período de maior domínio de Portugal. Lichtsteiner e Rodriguez mostravam ser laterais de muita qualidade e com um grande perfil ofensivo o que dava alguns sobressaltos à defesa portuguesa, e Portugal começou a deixar o seu jogo ofensivo “arrefecer” por volta do minuto 20, tirando proveito disso a Suíça para tentar marcar e começando a ter algum domínio sobre o jogo.

Portugal precisava de acertar principalmente os seus cruzamentos e a sua saída com bola, Cédric falhava muitos cruzamentos e a Suíça ganhava praticamente todas as segundas bolas. Finalmente, aos 32 minutos, um lance para despertar o Estádio da Luz, após um lance de contra-ataque português, João Mário atrapalhou-se com a bola, perdeu tempo fulcral e Ronaldo no meio da atrapalhação cai e a bola vai parar a Bernardo Silva que remata colocado, para um grande defesa para canto de Sommer; primeiro lance de perigo para a seleção portuguesa.  E se a bola não entrava a bem, entrava de uma maneira caricata, azar do defesa Djourou, que acaba por introduzir a bola dentro da própria baliza aos 41 minutos, com grande festa nas bancadas do Estádio da Luz. Portugal colocava-se assim em vantagem e com um resultado que lhe interessava, qualificando-se diretamente para a Rússia 2018, a Suíça teria que obrigatoriamente agora que correr atrás do resultado e abrir-se mais ao jogo.

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Terminava a primeira parte, e terminava com a fantástica onda, celebrizada durante o Mundial no México. Nas bancadas portuguesas, grande animação e esperança que Portugal conseguisse manter, pelo menos, a vitória.

A segunda parte arrancava e arrancava desde logo com um grande lance por parte de William Carvalho, aos 47 minutos, a livrar-se muito bem do seu adversário e a abrir o corredor para João Mário que cruzava com muita força contra um defesa da Suíça; má decisão do internacional português depois de um inicio de jogada brilhante por parte de William.

A Suíça, que fez uma alteração ao intervalo, ia tendo algumas dificuldades para sair com bola neste inicio de segunda parte, os jogadores suíços claramente a acusarem a urgência de um golo, o que provocou algumas desconcentrações que Portugal ia tentando aproveitar.

Ronaldo teve, aos 54 minutos, um remate muito perto da baliza suíça após uma perda de bola infantil dos jogadores helvéticos. Começava a cheirar a golo, e não ia tardar muito até que isso acontecesse; 56 minutos de jogo, grande abertura de João Moutinho para Bernardo Silva que teve todo o tempo do mundo para olhar e procurar o melhor colega para colocar a bola, viu André Silva solto de marcação no lado contrário, meteu lá a bola, André Silva ainda se atrapalhou mas, tal era a desorganização defensiva da Suíça, que teve tempo para se recompor e introduzir a bola dentro da baliza. Portugal ampliava a vantagem e cheirava cada vez mais a Mundial no Estádio da Luz.

Contudo, esta Suíça não se dava por vencida e após fazer mais uma alteração no onze, passou a dispor de um maior caudal ofensivo, que ia provocando alguns calafrios aos adeptos portugueses, Embolo ia sendo um dos mais inconformados jogadores suíços, mas remava um pouco sozinho contra a maré, um jogo desinspirado de Seferovic.

Portugal ia tendo uma oportunidade ali, outra oportunidade acolá, sendo a mais flagrante um lance em que Ronaldo surge isolado perante a cara do guarda-redes, mas o melhor do mundo desconcentrou-se com um possível fora de jogo e não conseguiu passar por Sommer. Desperdiçada uma grande oportunidade de fechar o encontro, Portugal ia controlando o jogo nesta altura e caminhava-se para os últimos dez minutos da partida, muito desalento dos adeptos suíços que passavam a qualificação toda em lugar de qualificação direta e perderiam esse “direito” na última jornada.

Definitivamente, e com os jogadores helvéticos a desistir do jogo, mostrando muito pouco caudal ofensivo para tentar chegar ao 2-1 , Portugal controlava os minutos finais e os visitantes não pareciam não se importar muito com isso, pelo que será natural afirmar que o jogo encerrou desta maneira, com 2-0 para Portugal, décima qualificação consecutiva, e estamos no caminho para Rússia que irá receber no próximo Verão o Mundial.

O sorteio da fase de grupos, onde Portugal irá conhecer os seus primeiros adversários, será no dia 1 de Dezembro no Palácio do Kremlin em Moscovo.

Miguel Cardoso e o 4-2-3-1 do Rio Ave: Uma verdadeira equipa grande

Cabeçalho Futebol NacionalJá foi há quatro anos que, no Verão de 2013, Paulo Fonseca chegou ao banco do FC Porto. A mudança sentiu-se desde o primeiro dia, com o técnico a operar uma autêntica revolução no clube, talvez exagerada para uma equipa tricampeã.

Entre várias alterações promovidas, uma mereceu principal destaque: a inversão do triângulo do meio campo. Após vários anos a jogar com um trinco declarado, primeiro Paulo Assunção e, mais tarde, Fernando, Paulo Fonseca juntava agora dois médios defensivos no apoio a um terceiro elemento mais adiantado.

Os resultados não foram os melhores. Paulo Fonseca demitiu-se ainda antes do final da época, numa altura em que o FC Porto ocupava apenas o terceiro lugar, e várias notícias apontaram para o desagrado de jogadores nucleares com as ideias do técnico.  A reputação do 4-2-3-1 ficava manchada, com o sistema a ficar marcado como um dos principais causadores do fracasso.

Quatro anos mais tarde, surge na Liga NOS um treinador que promete recuperar a crença dos adeptos portugueses nas mais valias deste sistema. Miguel Cardoso, ironicamente ex-adjunto de Paulo Fonseca, assume o comando técnico do Rio Ave e faz do “triângulo invertido” uma das suas imagens de marca.

Os resultados do Rio Ave são, por si só, um indicador do êxito da opção até à data. Os vilacondenses ocupam o 6º lugar da competição, tendo à sua frente apenas os “3 grandes”, Braga e Marítimo. Em oito jogos, possuem ainda apenas duas derrotas, uma das quais contra o líder FC Porto, e dois empates, sendo que o primeiro retirou dois pontos ao atual campeão Benfica.

Fonte: Rio Ave FC
Fonte: Rio Ave FC

Ainda assim, não é apenas pelos resultados que se destaca este novo Rio Ave. Miguel Cardoso, no final do jogo com o Setúbal, salientou a necessidade de se avaliar a sua equipa não só pela pontuação alcançada, mas pela qualidade de jogo. E é de facto notável a vontade desta equipa de jogar um futebol positivo.

Nos oito jogos realizados para o campeonato até à data, o Rio Ave teve mais posse de bola em sete. Estes dados ganham ainda mais força se se considerar que a tendência se verificou até nos jogos contra Porto e Benfica, sendo que a exceção foi mesmo o duelo com o Marítimo, onde o Rio Ave atuou com 10 desde o minuto 27.

Contudo, se é verdade que a posse de bola não é necessariamente sinónimo de bom futebol, é por toda a dinâmica que apresenta que o conjunto de Miguel Cardoso impressiona. No seu já referido 4-2-3-1, há claramente três fatores que se destacam: a profundidade oferecida pelos laterais, a qualidade na saída de bola do meio campo e o jogo interior dos alas. E é impossível dissociar cada uma destas qualidades das restantes, uma vez que todas se complementam através da dinâmica conferida ao sistema implementado.

Kris Meeke e M-Sport grandes dominadores na Catalunha

Cabeçalho modalidadesA Catalunha tem sido motivo de interesse mais pela questão da sua independência do que por assuntos desportivos, mas no último fim de semana realizou-se neste local o Rali da Catalunha, prova espanhola do WRC, que pode ter sido determinante para os títulos de pilotos e construtores, principalmente para os segundos, onde a M-Sport está a poucos pontos de se sagrar campeã.

Kris Meeke tem tido uma temporada para esquecer. O piloto da Citroen era apontado como um dos candidatos ao título, mas tudo correu mal na equipa francesa, com muita instabilidade, até nos pilotos, para cada rali. O piloto inglês já tinha vencido no México e, na Catalunha, quis mostrar que é o melhor piloto da equipa e um nome a ter em consideração para o que resta da temporada (País de Gales e Austrália) e, claro, para 2018. Meeke foi irrepreensível e praticamente não cometeu erros, sendo um justo vencedor. Ainda na Citroen, Stéphane Lefebvre terminou em sexto e Klalid Al-Qassimi em 17º.

A M-Sport pode não ter ganho o rali, mas foi quem mais ganhou no 11º rali da temporada. Sébastien Ogier terminou em segundo, à frente de Ott Tanak, com ambos a aproveitarem a hecatombe da Hyundai. O pódio para os dois pilotos praticamente deu o título de equipas e Ogier está muito mais próximo de mais um título mundial. Tanak, com este resultado, subiu a segundo da classificação geral, por troca com Thierry Neuville.  A M-Sport contou ainda com Elfyn Evans, que foi sétimo, e conseguiu ainda as vitórias no WRC2, com Teemu Suninen, e no WRC3, com Nil Solans, que conquistou ainda o JWRC.

Ogier está muito próximo de mais um título mundial Fonte: M-Sport
Ogier está muito próximo de mais um título mundial
Fonte: M-Sport

A Toyota não teve um rali fácil, apesar do quarto lugar de Juho Hanninen. O piloto finlandês, como todos os da equipa, fez uma prova muito consistente e tem melhorado muito o seu ritmo em relação ao início da temporada, mostrando, finalmente, todas as suas qualidades. Os restantes dois pilotos da equipa desistiram, Jari-Matti Latvala com problemas no seu Yaris WRC e Esapekka Lappi devido a um acidente já perto do final do rali, quando era sexto.

Por fim, a Hyundai. A equipa sul coreana começou muito bem com Andreas Mikkelsen, agora na Hyundai, terminou o primeiro dia na frente, mas a partir daí apenas se salvou a Power Stage, ganha por Dani Sordo. Mikkelsen e Sordo desistiram na 12ª especial com o mesmo problema na suspensão dianteira direita, com ambas as equipas a voltarem para o último dia, não conseguindo mais do que o 18º e 15º lugar, respetivamente. O líder da equipa, Neuville, também desistiu, mas no último dia, quando era quinto, depois de bater numa rocha e danificar igualmente a suspensão dianteira direita. Um rali para esquecer para a equipa da Coreia do Sul, que já anunciou que vai passar a ter quatro i20 WRC nas duas restantes provas do campeonato.

Para a última prova europeia desta temporada do WRC, aposto na vitória de Ott Tanak, seguido do seu companheiro de equipa, Ogier, e, a fechar o pódio, uma luta acesa entre Mikkelsen e Latvala, mas aposto no piloto norueguês. O Rali de Gales vai para a estrada já no final do mês, entre os dias 27 e 29.

Foto de Capa: Kris Meeke

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Andorra 0-2 Portugal: Capitão chamado a resolver

A Seleção Nacional venceu a seleção de Andorra na penúltima jornada do grupo B de qualificação para o Mundial 2018.

Num jogo classificado por Fernando Santos como uma “meia-final”, Portugal visitou a seleção da Andorra com o objetivo de vencer e continuar a depender apenas de si para alcançar o primeiro lugar do grupo B.

Após sete vitórias consecutivas, numa qualificação apenas manchada pela derrota frente à Suíça, Portugal entrou em campo com várias poupanças. Relativamente ao jogo com a Hungria, Fernando Santos promoveu cinco alterações, sendo a ausência de Cristiano Ronaldo a mais assinalável. Em risco de suspensão caso visse o cartão amarelo, o capitão da Seleção Nacional ficou no banco de suplentes.

O jogo começou de forma pouco entusiasmante. Com a seleção andorrana com as linhas muito baixas, Portugal ia gerindo a posse de bola sem conseguir, contudo, criar perigo junto da baliza adversária. Os jogadores portugueses sentiam ainda dificuldades de adaptação à relva sintética do Estádio Nacional de Andorra.

Com os centrais portugueses a aparecerem frequentemente no meio campo adversário, perto de Danilo Pereira, João Mário e Bernardo Silva jogavam bastante adiantados. Os extremos portugueses, Quaresma e Gelson Martins, sempre muito abertos, conferiam largura à equipa das quinas, bem como os laterais, sempre projetados no ataque, mas faltava uma melhor definição dos lances para contrariar a defesa de Andorra.

Só aos 24 minutos Portugal criou a primeira ocasião de golo: Nélson Semedo a cruzar largo na direita, um mau alívio do central da seleção de Andorra e a bola a sobrar para o cabeceamento de Quaresma, a sair ligeiramente ao lado.

À passagem da meia hora de jogo, numa altura em que Portugal tinha 78% de posse de bola, Quaresma criou novo lance de perigo, num lance individual no corredor esquerdo que culminou com um remate de fora de área do extremo português, defendido pelo guarda-redes Josep Gomes.

Portugal ia crescendo no jogo e ficou novamente perto do golo por duas vezes. Primeiro Bernardo Silva permitiu que o guarda-redes andorrano se antecipasse após uma falha da defesa contrária, e depois André Silva, novamente num falhanço da defensiva da seleção de Andorra, a rematar por cima quando tinha apenas Josep Gomes pela frente.

A cinco minutos do intervalo, na sequência de um livre em zona lateral, Pepe a conseguir ganhar uma bola junto ao corredor esquerdo do ataque de Portugal e, num movimento pouco característico, a rematar forte, de meia-distância, para mais uma boa defesa do guarda-redes da seleção de Andorra. Apesar do ascendente da equipa portuguesa no último quarto de hora a primeira parte terminava sem qualquer golo.

Face ao resultado negativo ao intervalo, Fernando Santos não quis arriscar mais e fez entrar Cristiano Ronaldo para a segunda parte. O Bola de Ouro juntou-se a André Silva na frente de ataque, deslocando-se Bernardo Silva para o corredor direito, passando Portugal a atuar em 4-4-2.

A entrada de Ronaldo trouxe mais liberdade aos restantes elementos do ataque de Portugal (o capitão foi mesmo alvo de uma marcação individual de Marc Rebes), com jogadores como Quaresma e Bernardo Silva a surgirem mais vezes soltos sem conseguirem, contudo, criar perigo.

Numa fase em que já se começava a sentir o nervosismo dos jogadores portugueses, surge finalmente o golo. João Mário vai apoiar no corredor esquerdo, recebe um passe de Eliseu e cruza para o interior da área onde, após um corte defeituoso do capitão de Andorra, a bola sobra para Ronaldo, que remata de pé esquerdo para o fundo da baliza de Josep Gomes.

O golo trouxe tranquilidade a Portugal, que continuou a gerir a posse de bola, mas agora sem a urgência de marcar. A perder, a seleção de Andorra viu-se obrigada a subir as linhas e os jogadores portugueses tiveram mais espaço para jogar.

No seguimento de uma recuperação de bola de Danilo, jogada confusa na área de Andorra, com André Silva, primeiro, e Cristiano Ronaldo, depois, a tocarem a bola de calcanhar para Bernardo Silva rematar em posição frontal, mas a bola a ressaltar num defesa de Andorra e a sair ligeiramente ao lado da baliza.

A pouco mais de 10 minutos do fim, com Portugal a vencer, Fernando Santos procurou trancar o meio campo da equipa portuguesa e fez entrar William Carvalho. Quaresma foi o sacrificado e João Mário passou a atuar no corredor esquerdo, juntando-se o médio do Sporting a Danilo no miolo.

Portugal ia ameaçando o segundo, e já depois de um péssimo remate de André Silva dentro da grande área, Ronaldo ficou muito perto de bisar, com um remate de fora de área depois de uma recuperação de bola do capitão português.

Aos 86 minutos o golo da tranquilidade acabou mesmo por surgir. Jogada de Cristiano Ronaldo no corredor esquerdo, cruzamento ao segundo poste para Danilo e o médio do FC Porto a tocar para o ex-colega, André Silva, encostar.

Até ao final, destaque ainda para a entrada de Gonçalo Guedes, voltando a jogar pela seleção nacional quase um ano depois.

Portugal decide agora o apuramento direto para o Mundial frente à Suíça na próxima terça-feira.

Foto de Capa: FPF

artigo revisto por:Ana Ferreira

Olheiro BnR – ARC Oleiros

Cabeçalho Futebol NacionalDepois de tanto se ouvir falar de Oleiros, sucessivamente todos os verões, por causa dos incêndios florestais que tanto assolam esta zona do nosso país – não fosse esta a conhecida zona do Pinhal – eis que a vila surge hoje nas mais diversas conversas de café pelas melhores razões, Oleiros receberá na próxima quinta-feira um grande do futebol português: o Sporting Clube de Portugal.

E não poderia haver melhor prenda do que esta para um clube que tem vivido uma das melhores fases da sua história, após muitos anos a ver o seu vizinho, Águias do Moradal, a vingar a nível distrital e a participar nos campeonatos nacionais.

O ARCO (Associação Recreativa Cultural de Oleiros), é assim que os adeptos deste clube o gostam de chamar, decidiu mudar o paradigma e apostar também ele na subida de divisão, avançando para uma nova zona, a nacional, o que veio a acontecer em 2015/2016.

Apesar de não se ter sagrado campeão distrital, subiu porque o vencedor dessa edição do Campeonato Distrital de Castelo Branco, o Sporting da Covilhã “B”, decidiu disponibilizar a vaga para outro clube – indo essa vaga para o clube segundo classificado dessa temporada, subindo assim o ARCO.

O clube de Oleiros tinha ficado em segundo lugar, mas finalizava a época sem registar qualquer derrota sofrida, tendo inclusive ganho a Taça de Honra da Associação de Futebol de Castelo Branco pela primeira vez na sua história, vencendo o Sporting da Covilhã “B” por 2-1.

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Festa da conqusta da Taça de AF Castelo Branco
Fonte: Rádio Conquistável

O Estádio Municipal de Oleiros recebia assim o Campeonato Nacional de Seniores novamente, após várias épocas a recebê-lo por intermédio do Águias de Moradal. A época seguinte não se adivinhava fácil, como quase nunca é para os recém-promovidos do interior português e o Oleiros tinha o exemplo do seu vizinho que sempre teve dificuldades para se manter na zona nacional; o Águias desceria mesmo de volta ao campeonato distrital em 2015/2016 tornando-se campeão distrital em 2016/2017, o que faz que o mesmo concelho tenha dois clubes no Campeonato Nacional de Seniores esta temporada.

Os maiores goleadores da história do FC Porto: Carlos Duarte

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fc porto cabeçalhoSempre que um adepto do FC Porto pensa em goleadores do clube certamente recordará nomes como os de Fernando Gomes, Domingos Paciência ou Mário Jardel. Porém, há outros futebolistas que pontificam na história dos azuis e brancos pelos golos que marcaram e, entre esses, conta-se o nome de Carlos Duarte.

Atualmente com 84 anos de idade, o extremo direito nascido em Angola realizou um total de 228 jogos ao serviço do FC Porto nos quais marcou 98 golos (média de 0,43 golos por jogo), tornando-se assim no décimo goleador da história do clube. Poucos se recordarão de Carlos Duarte, jogador que chegou ao FC Porto no longínquo ano de 1952. Porém, esses certamente recordarão a célebre dupla que este formou com Hernâni, uma “sociedade” que dava verdadeiras lições de como ultrapassar opositores com recurso a tabelas.

Numa época em que o futebol era muito mais “romântico”, mas em que os futebolistas tinham também, tendencialmente, menos recursos técnicos do que na atualidade, Carlos Duarte destacava-se pela velocidade e pela finta curta. O seu futebol caraterizava-se pela verticalidade, por ter os olhos sempre postos na baliza adversária mesmo quando recebia a bola em zonas recuadas do terreno de jogo, ainda que por vezes abusasse das jogadas individuais. Contudo, é sabido que as dinâmicas coletivas eram relativamente subvalorizadas no futebol praticado nas décadas de 1950 e 1960.

Carlos Duarte em baixo à esquerda ao lado de Hernâni, Noé ou Perdigão Fonte: Dragaopentacampeao
Carlos Duarte em baixo à esquerda ao lado de Hernâni, Noé ou Perdigão
Fonte: Dragaopentacampeao

Se ao serviço do FC Porto Carlos Duarte conquistou oito Taças da Associação de Futebol do Porto, duas Ligas Portuguesas e duas Taças de Portugal ao longo de 12 temporadas (algo muito relevante numa época em que o clube não tinha a mesma dimensão do Sporting CP e, sobretudo, do SL Benfica), na seleção portuguesa de futebol o seu percurso foi bem mais modesto. Com o centralismo a reinar na “equipa das Quinas”, Carlos Duarte somou apenas sete internacionalizações nas quais apontaria somente um golo. Porém, esse foi um golo especial, marcado em 1958 em pleno Estádio de Wembley, frente à todo-poderosa seleção de Inglaterra, num jogo que Portugal viria a perder por 2-1 mas no qual deixou uma excelente imagem junto da imprensa internacional.

Já depois de o FC Porto ter recusado uma oferta de 600 contos do AC Milan para a aquisição do passe de Carlos Duarte, uma grave lesão no joelho sofrida em 1959 acabaria por marcar em definitivo a sua carreira, que chegaria mesmo ao fim em 1965, já ao serviço do Leixões SC. Pese embora nos últimos anos a sua condição física já não lhe permitisse ser o futebolista que outrora marcara o futebol português lado a lado com Jaburú, Teixeira, Noé ou Perdigão, o FC Porto não esqueceu aquilo que este fez pelo clube tendo-lhe, em 2003, atribuído o “Dragão de Ouro” simbolizando a “Recordação do Ano”.

Foto de Capa: Memória Azul

artigo revisto por: Ana Ferreira

Suspiro de alívio, grito de força

Começa a paragem para a disputa de jogos entre as seleções nacionais, jogos estes que contam para a qualificação para o Mundial de 2018, na Rússia. Numa altura em que a Liga NOS termina a oitava jornada sem vitórias dos grandes, a distância entre Benfica, Sporting e FC Porto mantém-se a mesma: Benfica com menos três do que o Sporting e menos cinco que o líder FC Porto.

Que os encarnados estão em “crise” é um tema que já fez correr muita, e até talvez demasiada, tinta em Portugal. É verdade que o clube apenas ganhou metade dos jogos que disputou e que perdeu uma oportunidade de ouro para diminuir a distância para os rivais, e também é verdade que tais acontecimentos são raros quando se trata de um clube como o Benfica, quanto mais depois de vencer 12 dos 16 títulos nacionais possíveis nos últimos anos; no entanto, exatamente por ter ganho um tetracampeonato, e nem todos eles terem começado da melhor forma, há que colocar a hipótese de uma subida de performance na equação. Há dois anos atrás, no primeiro ano de Rui Vitória, a equipa perdera a oportunidade de passar para a frente do campeonato após desaires dos rivais, mas acabou por perder frente ao Arouca, fazendo-o recuar um passo, na vez de avançar dois.

Contudo, uma série de vitórias consecutivas, levou as águias a recuperar pontos que os adversários iam deixando cair, enquanto estes faziam a sua escalada positiva. Mesmo após o desastre por 0-3 na Luz, frente ao principal rival nesse ano, Sporting, quando se dizia que o bicampeão poderia estar a deixar fugir a coroa, nova série de vitórias consecutivas no término da temporada, levou mais um título de campeão nacional para o palmarés encarnado.

Com isto, não estou a fazer prognósticos, atenção, pois é preciso muito cuidado com as palavras para que não seja mal entendido. O que quero com isto dizer é que maus momentos, o Benfica tem mostrado (infelizmente) várias vezes, embora que as performances da equipa nunca tenham estado tão abaixo da fasquia imposta em anos anteriores. Não obstante a má fase que se apresenta, só agora estamos em Outubro e há muita bola para chutar daqui até Maio.

Se há boa altura para que os encarnados possam rever a matéria e corrigir os erros nos vários testes desta época, é agora. Competições em Portugal em pausa, há que pegar nos apontamento e praticar, trabalhar (como o treinador encarnado gosta de dizer) e criar rotinas num onze base, algo que tem falhado imenso no plantel.

Rui Vitória terá de ensinar de novo ao plantel a jogar futebol, a saber trocar a bola, pressionar, defender, atacar e tudo mais, pois parece andar tudo a falhar seja qual for o onze que entra em campo. Penso ser oportuno criar um onze base que garanta bons resultados, trabalhar esse onze e, quando for preciso alguma alteração, esse substituto saber como tem de jogar, e os outros dez, saberem como ele vai proceder em campo. Quebrar o estilo de jogo lento, sem ideias e incrivelmente previsível que se tem visto nas quatro linhas é uma tarefa prioritária. Já não me lembrava de ver um Benfica com tanta qualidade em campo e a jogar com tão precárias e primitivas ideias de jogo que se cingem no passar a bola para os centrais de modo a virar o jogo, subir as linhas com a posse de bola e meter a bola no Pizzi para que tente colocar em linhas mais ofensivas, ou então colocar nas laterais para um cruzamento onde não tem ninguém (na maioria das vezes), ou Jonas, rezando para que esteja em dia sim e faça algo de extraordinário.

Não se vê um contra ataque rápido e mortífero, entendimentos entre os médios e os extremos ou avançados, já nem bolas nas costas da defesa se consegue fazer com qualidade, como se fazia no início para Seferovic, valendo-lhe alguns dos golos que marcou.
Outra coisa que anda a falhar, e para terminar, é a vontade. Os jogos andam a passo, não estão confiantes de que tudo aquilo vai correr bem logo no momento seguinte ao apito inicial. Não basta gritar cá do fundo e juntar a equipa no festejo do golo de Jonas para que tudo melhore. É preciso concentração e deixar a cabeça no lugar que é preciso. Ninguém num clube como o Benfica se pode dar como vencido como estes jogadores aparentam fazer enquanto jogam de águia ao peito. Se assim acontece, não são dignos de usar o manto sagrado. O treinador tem de recolocar essa chama nos jogadores e fazê-los ver o tamanho da instituição que representam, inspirá-los a fazer melhor, transmitir mais força e confiança do que aquela com que apareça nas conferências de imprensa. Chega do mesmo discurso, é preciso mais. Os jogadores precisam de ver um novo vídeo do Guilherme Cabral antes de cada jogo para chegarem ao campo e não restar relva.

É muito cedo para tirar quaisquer conclusões. Há tempo para recuperar os danos causados neste miserável início de época. Mas se é tempo de corrigir tudo, é agora. Não podemos corrigir quando for tarde demais. Podemos fazer história em conquistar o penta, isso não é suficiente para vos dar gana para vencer qualquer um?

É mais do que possível, pois só depende de nós. O presidente disse na assembleia geral para os adeptos acreditarem, mas parece que somos os únicos a acreditar. Só faltam vocês. Isto ainda é nosso. “ACREDITEM, PORRA!”, peço-vos. Saudações Benfiquistas