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Portugal Sub20 2-1 Irão Sub20: Um milagre que nos tirou dos escombros

Cabeçalho Seleção Nacional

Portugal entrou para a partida frente ao Irão, a saber que apenas a vitória interessava às nossas cores. Depois da derrota frente à Zâmbia e do empate frente à Costa Rica, os jogadores nacionais tinham de conseguir algo que não tinham alcançado nesta competição: uma vitória.

Emílio Peixe voltou a fazer várias alterações na equipa inicial. Na defesa, Rúben Dias, expulso na partida anterior, foi substituído por Ferro. No meio campo, Florentino Luís voltou à titularidade e Pedro Delgado estreou-se finalmente, depois de não ter sido opção em nenhum dos outros dois jogos. No ataque, José Gomes e André Ribeiro voltaram à titularidade, depois de terem sido rendidos por Xande Silva e Hélder Ferreira no encontro frente à Costa Rica.

Portugal teve uma grande oportunidade no primeiro lance do encontro. Diogo Gonçalves, com um pormenor de grande qualidade, isolou José Gomes na cara de Adeli, mas o avançado foi displicente e rematou contra o guarda redes. Depois deste falhanço incrível do jovem avançado do Benfica, o Irão respondeu de forma dupla e atingindo o objetivo. Num lance em que fez uma diagonal da esquerda para a área, Reza Jafari obrigou Diogo Costa a uma grande defesa para canto. Na marcação da bola parada, o Irão marcou. Reza Shekari aproveitou a passividade do central, que não saltou, e desfeiteou Diogo Costa. Portugal via-se assim a perder e obrigado a dar uma resposta rápida. Pedro Delgado e Diogo Gonçalves eram os homens mais ativos na tentativa de levar Portugal para a frente e organizar o nosso jogo ofensivo.

José Gomes falhou duas oportunidades flagrantes neste encontro Fonte: FIFA
José Gomes falhou duas oportunidades flagrantes neste encontro
Fonte: FIFA

A seleção iraniana estava a ser inteligente na tentativa de retirar a posse de bola aos portugueses e na gestão do tempo de jogo, tentando enervar a seleção nacional que até estava a jogar bem nos primeiros vinte minutos. Logo aos 26 minutos, Emílio Peixe colocou Bruno Xadas e retirou Miguel Luís do jogo. Até ao final da primeira parte, os nossos jogadores tentaram chegar ao empate, maioritariamente através de jogadas individuais, mas sem nunca conseguir jogar efetivamente em equipa. O encontro chegou ao intervalo com uma desvantagem injusta, mas que traduzia a fragilidade defensiva da nossa equipa e a incapacidade dos nossos jogadores formarem uma equipa compacta.

No início da segunda metade, Portugal voltou a ter uma oportunidade flagrante. Diogo Dalot, um dos melhores jogadores que temos (que qualidade tem este jogador do FC Porto!), subiu à área adversária e rematou para uma grande defesa de Adeli. Na recarga, Xadas, totalmente livre de marcação e em ótima posição para marcar, precipitou-se e rematou a bola, pareceu-me, para fora do estádio. Pouco depois, Diogo Gonçalves (outro dos melhores jogadores da equipa das quinas) rematou à figura de Adeli. Peixe não mexeu ao intervalo mas, logo aos 49 minutos, retirou o central Ferro e colocou Hélder Ferreira em campo. Florentino Luís recuou para central, Pedro Delgado, que começou o encontro como médio mais ofensivo, passou para médio mais defensivo, e Portugal começou a jogar com José Gomes e André Ribeiro em dupla no centro do ataque, com Diogo Gonçalves e Hélder Ferreira nas alas.

Aos 54 minutos, Diogo Gonçalves tirou um coleho da cartola. Na sequência de um pontapé de canto em que Adeli saiu mal à bola, Diogo Gonçalves ficou com a bola e rematou em arco, para o ângulo superior esquerdo da baliza iraniana, com a bola a passar por cima de várias cabeças de adversários. Um verdadeiro golaço do avançado do Benfica. José Gomes, colega de Diogo Gonçalves no Benfica B, é que fez desesperar os adeptos portugueses. Os iranianos fecharam-se bastante, com quase toda a gente a defender. Perto dos 70 minutos, José Gomes falhou a sua segunda oportunidade flagrante. Livre de marcação para cabecear, quase não acertou na bola, na pequena área. Pouco depois, foi substituído por Xande Silva.

Aos 73 minutos, o árbitro equatoriano Roddy Zambrano marcou grande penalidade contra Portugal, por alegada mão de Jorge Fernandes na bola. O jogador português, contudo, tinha o braço encostado ao corpo, não havendo motivos para a marcação da grande penalidade. Com a ajuda do vídeo-árbitro, Zambrano emendou a mão e anulou o que tinha assinalado. Mais uma vez se prova que o vídeo-árbitro só ajuda à implementação da verdade desportiva no futebol.

Já a tentar de qualquer maneira chegar ao golo, Portugal lá conseguiu o milagre. Aos 86 minutos, Xande Silva, na área adversária, cruzou e beneficiou de um ressalto feliz em Shojaei para introduzir a bola pela segunda vez na baliza dos asiáticos. Portugal aguentou o resultado até ao fim e conseguiu passar, com muito esforço, aos oitavos de final do Mundial, onde vai defrontar, na próxima terça feira, a seleção da Coreia do Sul.

Por fim, é de salientar a importância do vídeo-árbitro neste encontro. Se não estivesse implementado, teríamos uma grande penalidade contra nós aos 73 minutos e provavelmente estaríamos já com as malas feitas e de regresso a casa. Obrigado a quem lutou (sempre) pela introdução do vídeo-árbitro.

Análise à temporada do Sporting CP

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sporting cp cabeçalho 1A época futebolística 2016-2017 terminou. O Sporting voltou a registar mais uma época desastrosa e aquém daquilo que eram (e são) os objetivos do clube de Alvalade. Mas os adeptos e sócios nunca desistiram e a Onda Verde cresceu em todas as jornadas e em todos os estádios por esse Portugal fora, ou não fossem os sportinguistas “da raça que nunca se vergará”.

Com mais uma época perdida resta-nos uma reflexão sobre o que aconteceu para projetarmos um futuro mais sólido e próspero para o futebol leonino. Não descurando que possam ser possíveis (e necessárias até) reflexões acerca da estrutura do clube ou até mesmo as reflexões que trabalhem o “fora das quatro linhas”, vou focar-me neste texto apenas no desempenho desportivo do plantel da equipa principal.

A época do Sporting foi feita de vários altos e baixos Fonte: Sporting CP
A época do Sporting foi feita de vários altos e baixos
Fonte: Sporting CP

Comecemos pelo setor mais defensivo de qualquer plantel, os guarda-redes. Estamos bem servidos neste setor. A incerteza parece ser sobre se Rui Patrício fica ou se ruma a outras paragens do futebol europeu. Penso que, se isso acontecer, Beto pode muito bem ser o guardião principal, mas isso implicará a contratação de alguém para segundo guarda-redes da equipa.

Segue-se a defesa. Este foi, a meu ver, o setor mais frágil da época e convém, por isso, que seja reforçado com alguma urgência. Desde logo os laterais (quer esquerdo quer direito) não garantiram o equilíbrio tático da equipa entre os momentos ofensivos e defensivos. Foi, muito provavelmente, a partir desta constatação que o Sporting contratou o italiano Cristiano Piccini, ex-lateral direito do Bétis de Sevilha. No eixo defensivo, Rúben Semedo esteve muito aquém do seu verdadeiro potencial. Revelou sempre muita insegurança em jogo, que era várias vezes “coberta” ou “escondida” pela supremacia e pela experiência do uruguaio Sebastián Coates. A contratação de mais um central torna-se, por isso, imperativa para a próxima época. É de lembrar ainda que Paulo Oliveira pode muito bem preencher o lote de defesas para o eixo defensivo, pois correspondeu muito bem sempre que foi para dentro das quatro linhas. Mas Coates e Oliveira, sozinhos, sem alternativas capazes e credíveis, não chegam para uma equipa que se quer sagrar campeã nacional.

10 melhores golos da Liga Europa 2016/17

internacional cabeçalho

As incidências que rechearam a presente edição da Uefa Europa League conduziram a um clássico Ajax x Man. United. Expectava-se um grande espetáculo. Pelo menos eu esperava. Encarei esta final como um eterno clássico do futebol europeu, daqueles que ao vermos anunciar no rodapézinho do noticiário não vamos querer perder!

Agora, e já levando em consideração a alteração de Taça Uefa para Liga Europa, repare-se que foi necessário “premiar” a formação vencedora da prova para causar mais interesse por parte das equipas. Por vezes, equipas com pretensões a nível de Champions caem para esta prova secundária, devido a um 3º lugar num “grupo da morte”, e notamos que o treinador decide poupar jogadores, ou apostar num discurso onde não eleva a competição ao patamar adequado. Penso que o real valor da prova está posto em causa por muitas equipas.

A diferença de nível entre esta e a mais importante competição europeia é assim tão grotesca? Ou será que não? Digo isto porque todos os anos, a generalidade dos espetadores atenta no facto de “parecer” que as equipas que chegam mais longe na Liga Europa tendem a ser “equipas de Champions”, a ter estaleca para disputar eliminatórias para lá dos oitavos de final. Embora não propriamente da primeira linha europeia, são equipas que, mesmo uns furos abaixo, apresentam elevados índices competitivos, treinadores e futebolistas capazes de elevar a qualidade de jogo para patamares bem altos.

Nos últimos anos vimos, por exemplo, Chelsea, Atlético de Madrid, Manchester City, Man. United (2011/12), Liverpool, Sevilha, Benfica, Juventus, FC Porto a disputar de forma veemente a competição. Equipas que têm capacidade para chegar longe na Liga dos Campeões. Julgo e vejo esta montra como a forma que possibilita as melhores equipas com menos meios, salvo exceções, competirem entre si e sujeitarem-se a vencer um prestigiado troféu, que lhes dá ainda o direito de disputar a Supertaça Europeia.

José Mourinho venceu a Liga Europa deste ano Fonte: ESPN
José Mourinho venceu a última edição da Liga Europa
Fonte: ESPN

E para os lados do Ajax, que dizer sobre a possibilidade que tiveram de estragar o esquema de acesso à Liga dos Campeões engenhado por Mourinho? Depois de ter admitido poupar os melhores nas derradeiras jornadas da Premier, o nosso bem conhecido veio a público questionar o método de repescagem que permitiu ao clube de Amsterdão integrar o lote de equipas sujeito a sorteio para os 16 avos de final.

Parece que esta “bicada” (característica já assumida por Mourinho que são os seus mind games), não surtira efeito, e ainda não foi desta que o 2º classificado holandês tornou a erguer uma taça europeia. A última, recorde-se, foi em 1995, frente ao Milan, em que Patrick Kluivert resolveu. Apesar da existência de diversos fatores que poderiam funcionar como uma motivação extra para o lado holandês, como o facto de ter noção que defronta uma equipa que custou muitos milhões, e mesmo assim ainda não detém o rótulo de “tubarão”; que do outro lado está um técnico com uma reputação extraordinária, e é quase irrepreensível nas finais que joga; que o seu oponente tem um número tremendo de adeptos em todo o planeta; e que tem como prioridade alcançar, de forma direta, um lugar na próxima edição da prova milionária da UEFA, o Ajax não conseguiu aliar a estes aspetos uma exibição sólida e, segundo a minha leitura do jogo, alguma sorte.

Bem, apesar do esforço, de várias tentativas, os homens de Mourinho controlaram a partida logo desde o apito inicial, em que até ao final os golos surgiram naturalmente, e Ibra, embora lesionado, esteve em Estocolmo, e celebrou como se tivesse jogado.

Na Liga Europa, antes do jogo decisivo, já foram jogados imensas partidas, eliminatórias, desde as pré-eliminatórias, passando pela fase de grupos, e terminando nas eliminatórias com destino, este ano, a Estocolmo. Nas quais foi possível assistir a muita emoção por parte dos públicos, e grandes espetáculos no relvado! Em jogos a eliminar, não há um único jogador que se concentre nestes objetivos, sem primeiro se focar na vitória.  Como tal, apresento-vos 10 momentos que são, naturalmente, as chaves de qualquer vitória: os golos.

Foto de Capa: BT Sport

O que trouxe a 1ª volta do Girabola?

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Cabeçalho Futebol Internacional

 

Agora que a 1.ª volta do Girabola’17 já se jogou, é a altura de se fazer um breve balanço aos principais acontecimentos ocorridos nas 15 jornadas do campeonato angolano. À primeira vista, é possível observar que a edição deste ano tem-se primado pelo equilíbrio, não só jogos, mas também na classificação, visto que entre os primeiros lugares da tabela classificativa não existe grandes diferenças pontuais.

Apesar desse aspeto positivo e fulcral para o contínuo crescimento da competitividade do Girabola, o certo é que a “Lei do mais forte” (ou melhor, a ”Lei dos mais fortes”) continua a imperar: os quatro favoritos à conquista do título de campeão (Kabuscorp, Petro de Luanda, 1.º de Agosto e Recreativo do Libolo) ocupam os lugares cimeiros da classificação, o que demonstra perfeitamente que a tendência destes clubes estarem sempre no topo da liga irá perdurar por muito tempo. O Petro de Luanda terminou em 1.º com 34 pontos amealhados no final da quinze jornadas, mas apenas com 1 e 2 pontos de vantagem para 1.º de Agosto e Kabuscorp, 2.º e 3.º classificados respetivamente. O outro candidato, o Libolo, termina esta primeira metade do Girabola no 6.º lugar, mas ainda com margem para recuperar a distância, visto que tem dois jogos em atraso.

Kabuscorp levou de vencido o 1º de Agosto (2-0) Fonte: Girabola
Kabuscorp levou de vencido o 1º de Agosto (2-0)
Fonte: Girabola

Um outro ponto importante de salientar é também as duas equipas que fizeram uma 1.ª volta acima das expetativas do público angolano: o Sagrada Esperança e o Progresso do Sambizanga. Habituadas a lutar por um lugar a meio da tabela, as duas equipas surpreenderam ao longo das quinze jornadas, e, inclusive, terminaram à frente do antigo campeão Libolo. É certo que, quando se aproximar a fase de todas as decisões, não se espera que ambos se mantenham nos atuais lugares da classificação, mas os dirigentes e adeptos do Progresso e do Sagrada deverão ficar bastante orgulhosos com a performance dos seus clubes, independentemente do que venha a acontecer na 2.ª volta.

No que diz respeito à última parte da tabela, o equilíbrio mantém-se como nota dominante, já que os clubes estão separados por poucos pontos, o que poderá evidenciar que a luta pela permanência será entretida. O ASA e o Santa Rita de Cássia ocupam os lugares de despromoção. A equipa do Santa Rita, que está a fazer a sua primeira época na principal divisão do futebol angolano, encontra-se no 16.º lugar com apenas 7 pontos conquistados no 15 jogos disputados, fruto de uma vitória, quatro empates e dez derrotas. A equipa do Uíge, apesar da situação delicada que viveu na 1.ª volta (mudança de treinador), ainda vai tempo de retificar o seu trajeto até ao momento, visto que está somente a 5 pontos do Progresso da Lunda Sul, o primeiro emblema acima da linha de água.

Em jeito de conclusão desta análise, o Girabola’17 tem sido uma edição repleta de muita incerteza e jogos emocionantes, o que é bastante benéfico para a evolução do futebol angolano, que, caso o campeonato se mantenha competitivo até ao seu final, irá com certeza atingir um patamar de excelência. Cá estaremos à espera que se inicie a 2.ª volta!

    Foto de Capa: Girabola

Bernardo e a bola

Cabeçalho Liga Inglesa

Bernardo tem o toque dos predestinados. Quando ele agarra a bola, ela agarra-se a ele também, num abraço comovido de amor adolescente. Cada segundo afastados, é uma tortura, cada momento juntos, uma explosão de afectos que contagia quem os rodeia.

A forma como se tratam faz despertar o lado mais fantasioso e ingénuo do futebol. A essência mais pura vem ao de cima quando eles desfilam por entre os salões (estádios) mais nobres rumo à concretização de um final, muitas vezes, feliz. O golo, a assistência ou o passe em rotura com tudo o que lhe antecede (o drible, o toque, a progressão).

É normal que um amor destes deixe um rasto de inspiração. Entre os miúdos, que querem ter aquela relação especial, e os mais velhos, que passam a ser, por momentos, os miúdos que um dia idealizaram uma harmonia tão feliz.

Uma relação especial Fonte: FPF
Uma relação especial
Fonte: FPF

Uma coisa, porém, é sonhar, outra é alcançar. E nem todos o alcançam. Muito poucos, aliás. E é por isso que o expressão de Bernardo com a bola ganha contornos de malvadez. Porque muitos ficarão deslumbrados, quere-la-ão alcançar, mas só uma infinidade de predestinados terá, um dia, a capacidade de dançar com a bola com a naturalidade encantadora de Bernardo.

Essa capacidade, naturalmente, desperta cobiças. Afinal, quem não quer ter um espetáculo destes no seu “salão”? O Manchester City ultrapassou a concorrência, pagou 50€ milhões e agora, os seus adeptos vão ter o privilégio de ver uma das coisas mais bonitas do futebol europeu acontecer, todos os fins-de-semanas, diante dos seus olhos.

Porque Bernardo aceitou. Afinal, não aceitaria ver a sua dança “coordenada” por um coreógrafo qualquer. Tinha de ser um dos melhores do mundo. Como é Pep Guardiola.

Foto de Capa: Goal.com

Sporting e as prima-donas

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sporting cp cabeçalho 2

Há uns dias atrás, ouvi uma opinião sobre as palavras do presidente do Sporting para os jogadores com a qual me revejo, o que me preocupa e deixa apreensivo.

Alguém dizia que Bruno de Carvalho, ao dizer que alguns jogadores são prima-donas, tem toda a razão e que, por isso mesmo, não as deveria ter proferido em praça pública. Parece contraditório, mas faz todo o sentido. Os jogadores são (os que jogam em grandes clubes e têm qualidade superior), na sua maioria, miúdos que tinham pouco e de repente se viram com muito, ou tudo o que querem. Passam a ser idolatrados, mimados, com todos os luxos e desejos que todos imaginam ter um dia. Esses mesmos jogadores convencem-se de que podem ter o que querem quando querem, e habituam-se a que nada lhes seja negado. Assim sendo, são pessoas com egos enormes difíceis de gerir, e que não são comparáveis aos recursos humanos de outra qualquer empresa.

Bruno de Carvalho criticou tudo e todos sem o cuidado de separar o ""trigo do joio" Fonte: Sporting CP
Bruno de Carvalho criticou tudo e todos sem o cuidado de separar o “”trigo do joio”
Fonte: Sporting CP

Ora, se um grupo de egos desse tipo vê alguém vir criticá-los, estando alguns deles a ser cobiçados por clubes estrangeiros que lhes podem dar melhores condições financeiras, os seus primeiros pensamentos serão de que, se não os querem, eles mudam-se. Ou seja, nesta equação em que estamos a tratar com recursos humanos que facilmente poderão encontrar outra entidade que os empregue, dificilmente os conseguiremos motivar com críticas públicas.

Assim sendo, e considerando eu também que muitos dos jogadores do Sporting, por serem criticados ou preteridos, amuam, acho que deveria existir alguém com formação em psicologia/sociologia que acompanhasse os jogadores e equipa técnica neste tipo de situações, e o presidente tratasse estes assuntos internamente com quem tivesse essa necessidade.

É que vir fazer as declarações em forma de exigência nem é o principal problema, mas sim vir generalizar, quer em termos de jogadores, quer em termos de modalidades. Estando a colocar todos no mesmo “saco” pode ter só consequências negativas. Os que não estão a dar o máximo amuam por saberem que os estão a criticar, e os que têm feito o seu trabalho amuam porque estão a receber o mesmo tratamento que os que não trabalham. E não venham dizer que quem paga tem direito de exigir, o que é verdade, mas há várias formas de o fazer, e algumas erradas, porque o ser humano reage de forma diferente conforme a situação e a personalidade. Não é linear.

Olheiro BnR (Mundial Sub20) – André Ribeiro

olheiro bnr André Ribeiro, que se encontra, neste momento, a representar a nossa seleção Sub-20 no Mundial da Coreia, é um jogador pouco conhecido para os mais distraídos do fenómeno futebolístico mas é um dos grandes talentos da sua geração. Algum desconhecimento sobre o grande talento de André Ribeiro não deixa de ser normal, visto que atua na Suíça, nomeadamente no FC Zurich, desde tenra idade.

É um avançado rápido, bom tecnicamente, com excelente capacidade de finalização. Pode atuar sobre qualquer das alas (rende mais partindo da esquerda), mas pode também jogar como principal referência do ataque. Esta versatilidade permite-lhe encaixar bem em vários sistemas táticos.

Fonte: Facebook oficial de André Ribeiro
Fonte: Facebook Oficial de André Ribeiro

André Ribeiro conta já com 20 internacionalizações (Sub-18, Sub-19, Sub-20) e 1053 minutos de utilização pelas nossas seleções, onde apontou quatro golos. No Mundial que está a decorrer na Coreia foi utilizado em ambas as partidas da nossa seleção. O seu talento não tem passado despercebido aos clubes portugueses, e em fim de contrato com os Suíços do FC Zurich não me admiraria que o seu futuro passasse por Portugal.

No Mundial, tem sido um dos jogadores portugueses em maior destaque. Grande disponibilidade física, grande atitude, sempre à procura dos desequilíbrios e dos mais rematadores. Espero que André Ribeiro possa na próxima época mostrar todo o seu potencial na Primeira Liga Portuguesa!

Foto de Capa: Facebook Oficial de André Ribeiro

O Voleibol voltou

sporting cp cabeçalho 1O Voleibol está de regresso ao Sporting Clube de Portugal! Uma excelente notícia, sem qualquer dúvida, mas que não me deixa de levantar algumas preocupações, talvez até infundadas.

A primeira e principal é a forma como chegamos ao Voleibol. Já num outro artigo para o Bola na Rede (que pode ler aqui) tinha escrito que não concordo nada com entradas diretas nas divisões de topo. A sede pelo sucesso faz parte, é óbvio, mas esta sede pelo sucesso imediato não se alia muito ao que é o Desporto. Para se ser bom é preciso trabalhar para alcançar os melhores. É verdade que não infringimos nenhuma regra nem compramos nenhum clube, entramos apenas por um erro da própria federação. Sou totalmente a favor do começo pelo fundo e que se cresça. Nem digo começar com a formação e crescer até aos seniores, digo começar na divisão mais baixa e subir até à principal.

Por falar nisto, espero que a direção do Sporting explique aos seus sócios porque acabou com a equipa de Basquetebol feminino o ano passado com a desculpa de que queriam ter primeiro a formação e só depois arrancar com as equipas seniores mas menos de um ano depois já se pode criar uma modalidade sem pensar em mais nada. Ficava bem à direção, em especial Bruno de Carvalho, que foi o responsável pelo fim da equipa feminina e foi ao mesmo tempo o principal impulsionador da equipa de Voleibol, segundo revelou Vicente Moura. Acredito que existam motivos válidos para cada um dos casos, gostava era de os conhecer.

Mas vamos agora ao que interessa, a equipa e os jogadores. Miguel Maia vai ser o homem forte do Voleibol no Sporting. Um nome que já se falava há alguns anos como possibilidade e que se confirmou este ano. Miguel Maia, que podem conhecer mais aqui, é provavelmente o melhor jogador português de sempre, jogou no Sporting Clube de Portugal entre 1991 e 1994 e jogou no Sporting de Espinho durante muito tempo, incluindo a temporada que acabou agora. Indo, aos 46 anos, fazer pelo menos mais uma temporada como jogador pelo seu clube, como nunca escondeu.

Existem vários nomes possíveis para ser o treinador leonino, incluindo o próprio Miguel Maia. Sinceramente espero que não aconteça isto. Os nomes apontados, além de Miguel Maia são: Hugo Silva, Alexandre Afonso e António Rodrigues. Eu ia para o nome do meio, por ser o que conheço melhor, mas no entanto assumo que não sou o melhor conhecedor do mundo do Voleibol e como tal esta poderia não ser a melhor opção. Hugo Silva, que é o atual selecionador, parece ser o nome mais forte.

Os eleitos de Fernando Santos para as Confederações

Cabeçalho Seleção Nacional

Já são conhecidos os eleitos de Fernando Santos para disputar a Taça das Confederações, na Rússia, que vai ser também palco do próximo Mundial. Os principais nomes em destaque foram os de Renato Sanches, pela não convocatória, Éder, por igual motivo, e também Anthony Lopes, o suposto suplente de Rui Patrício que acabou por pedir dispensa da seleção. Mas ainda há mais para falar. Já lá vamos.

Onde tudo começa, na baliza, Rui Patrício terá lugar cativo no onze. Apesar de não ter feito uma temporada excecional, o guardião leonino continua a ser um dos melhores do Mundo na sua posição. Dúvidas ficam nos suplentes de Rui Patrício. Beto e José Sá foram os eleitos para completar este lote. Curiosamente, dois suplentes, homens que pouco jogaram nesta temporada. Fazia mais sentido premiar outros guarda-redes. Já que Bruno Varela vai para os sub-21, faria sentido convocar Ricardo, homem que fez uma brilhante temporada no Chaves, Moreira, ou até mesmo Cláudio Ramos, do Tondela, homens que somaram mais minutos que os dois suplentes de Sporting e Porto.

Fonte: Getty Images
Fonte: Getty Images

Na defesa, há pouco a apontar. Portugal, que há uns anos tinha fracas opções para as laterais, agora tem-nas em abundância. Deixar Ricardo Pereira e Cancelo, principalmente, de fora custa mas as alternativas são melhores. Nélson Semedo e Cédric deverão entrar numa agradável disputa pelo lugar de lateral direito. No centro, Pepe e José Fonte deverão jogar juntos, com Bruno Alves e Neto a ficarem relegados para o banco. Na esquerda, Guerreiro deverá continuar a assegurar o lugar. Eliseu será o seu suplente, homem que dá totais garantias. Fábio Coentrão, há uns anos dono e senhor da posição, também podia estar na calha, não fosse a sua fraca condição física.

No meio-campo, a principal “surpresa” foi a não inclusão de Renato Sanches. A verdade é que a não convocatória do jovem faz algum sentido. Renato Sanches será mais útil no Europeu de sub-21, onde Portugal tem legítimas aspirações de vencer, do que na Taça das Confederações, não desprestigiando a competição. A verdade é que para o lugar de Renato veio Pizzi. O português foi provavelmente o melhor jogador do campeonato e já merecia a convocatória.

O meio-campo da seleção deverá assim ser composto por William, que deve ganhar a corrida a Danilo, na posição mais recuada do meio-campo, e Moutinho, que deverá acompanhar William na posição do miolo do meio-campo –  o médio português foi um dos esteios do Mónaco nesta temporada e deverá ganhar o lugar a Adrien e a André Gomes, patinho feio dos adeptos em Barcelona, e também a Pizzi, homem ainda sem grande cotação nesta seleção pelos poucos jogos.

Como espremer o sumo dos Canarinhos?

Cabeçalho Futebol Nacional

Tendo terminado o campeonato no último fim-de-semana irei falar aqui sobre aquela que na minha opinião foi a equipa mais bipolar desta Liga NOS. Falo do GD Estoril-Praia, clube cujo décimo lugar verificado na classificação final não espelha as aflições que o clube Canarinho teve no decorrer da sua caminhada.

Detido pelo fundo de investimento Traffic Sports, o GD Estoril-Praia regressou à primeira divisão após se ter sagrado campeão da Segunda Liga. Ora, desde então, o clube Canarinho sempre tem realizado épocas tranquilas, com o fantasma da despromoção longe das terras da Amoreira.

A equipa canarinha demorou a encontrar-se neste campeonato Fonte: GD Estoril Praia
A equipa canarinha demorou a encontrar-se neste campeonato
Fonte: GD Estoril Praia

Ora, depois do oitavo lugar obtido na época passada, o clube da Linha preparou a nova época com alguns reforços “sonantes” como o guarda-redes Moreira, que regressou à Primeira Liga após quatro anos no estrangeiro – um no SC Olhanense -, e o ponta-de-lança Kléber, que regressou à Amoreira após um ano no futebol chinês, juntando-se assim a jogadores como Diogo Amado e Mattheus Oliveira.

No entanto, o início de época dos Canarinhos não foi muito bem conseguido e a derrota em Setúbal por 2-0 na 13.ª jornada ditou a saída de Fabiano Soares do comando técnico da equipa. E se a saída do técnico brasileiro já era surpreendente, tendo em conta os seus anos de casa, mais surpreendente foi a escolha do seu sucessor.

O desconhecido treinador espanhol Pedro Gómez Carmona foi o homem escolhido para levar o GD Estoril-Praia a um bom porto. Passados 13 jogos e apenas duas vitórias, recebeu guia de marcha. Mas o que é que levou o técnico espanhol a fracassar no clube?