Agora que vamos entrar num período de jogos de selecção, volto ao tema dos clubes que mais ajudaram à conquista do Europeu de futebol. E apesar de muitos não quererem ouvir, ou queiram simplesmente esquecer, foi o Sporting com a sua formação, e um meio campo que ainda joga maioritariamente no clube, que tornou isso possível.
Bem sei que outros já se propuseram a isso mas até agora tem sido o Sporting o principal municiador. Isso, documentado por uma das fotos que mais notoriedade teve, com dez jogadores formados na academia dos leões, criou pruridos em muita gente que imediatamente se mexeu nos bastidores. Facilmente constatamos isso com os recentes acontecimentos e convocatórias.
Nem toda a “cacetada” do mundo pode desmentir esta imagem Fonte: Sporting CP
Rui Jorge convocou três jogadores do plantel do Sporting, mas só porque acha que Podence e Francisco Geraldes ainda jogam no Moreirense. E, em último caso, talvez até ache que o Ruben Semedo ainda esteja em Setúbal. Não fosse isso, e o Sporting não teria nenhum dos seus jogadores nesta selecção considerando a cara de poucos amigos quando lhe falaram do Sporting como um clube que aposta em jovens. (Não foi esse o intuito? Pois bem, não tem que se ser só sério, também tem que parecê-lo.)
É que se formos ver bem, neste momento qualquer um dos três tem mais minutos jogados pelo Sporting que um que foi convocado para a selecção principal e mesmo assim foi “suficiente”. Se juntarmos a isto o facto de, olhando para a selecção sub-19, ter mais convocados de um clube que está nos últimos lugares da fase de apuramento de campeões em juniores, conseguimos perceber qual o caminho que foi escolhido por um determinado presidente para cumprir uma promessa eleitoral que já vem de há mais de dez anos: “fazer da sua formação a espinha dorsal da selecção”. Se não é possível com o talento, terá que ser pelas influências. Parabéns, estes últimos sinais estão a demonstrar que estão no bom caminho.
Depois da ascensão meteórica de Renato Sanches, muito se tem especulado quanto à próxima pérola do Seixal a ser promovida à principal formação encarnada. Tem-se falado, principalmente, em João Carvalho, Diogo Gonçalves e José Gomes. Na minha opinião, Pedro Rodrigues está ao mesmo nível dos três referidos.
Membro da talentosa geração de 97, Pedro Rodrigues representa o SL Benfica desde os 12 anos, tendo sido promovido à equipa B encarnada na época passada, ainda com idade de júnior. Mas, tapado pelo polaco Pawel, só foi opção mais regular na recta final da temporada, tendo realizado 16 jogos e marcado dois golos. Nesta época, tem sido opção indiscutível para Hélder Cristóvão, tendo realizado 31 jogos completos, falhando apenas a recepção ao SC Freamunde devido a castigo. Representou a equipa das quinas no Europeu de sub-17, em 2014, e no Europeu de sub-19, em 2016, e já é internacional sub-21.
Pedro Rodrigues é um médio-defensivo mascarado de número 10, um jogador com um QI muito elevado. Seja no passe curto ou longo, Pedro Rodrigues faz parecer que a bola tem olhos quando sai dos seus pés, seja a virar o flanco de jogo ou para colocar a bola no bloco adversário. Joga sempre de cabeça levantada, sabendo sair a jogar com a bola coladinha ao pé e sabendo esperar pelo momento certo para a libertar, procurando sempre a melhor solução para a equipa. Também sabe tabelar com os colegas e jogar ao primeiro toque, visto que a sua inteligência permite-lhe saber para onde deve enviar a bola, ainda antes de a receber.
Pedro Rodrigues é o jogador mais utilizado do Benfica B nesta época Fonte: SL Benfica
É um bom executante de lances de bola parada e também é dono de um bom pontapé de meia-distância, o que lhe valeu um golo que deu uma difícil vitória ao Benfica B em Famalicão na época passada. Nesta época, tem quatro golos marcados de grande penalidade, situação onde revela uma grande serenidade e concentração. Tem também uma cultura táctica acima da média, sabendo colocar-se para criar linhas de passe aos colegas e também para compensar a defesa. No entanto, a sua lentidão faz com que, por vezes, tenha dificuldade em recuperar terreno quando a equipa adversária assume a posse de bola. Falta-lhe também ser mais agressivo e capaz de exercer pressão, mesmo sem a bola. Já tem crescido nesse aspecto da intensidade, mas só continuará a crescer jogando em patamares superiores, num contexto mais exigente. Isto, para além de também ter de trabalhar a sua componente física, de modo a poder evitar menos confrontos físicos.
De qualquer maneira, aprimorando as suas lacunas e confirmando o seu tremendo potencial, Pedro Rodrigues tornar-se-á, certamente, uma mais-valia para a equipa principal do SL Benfica, ou para qualquer outra equipa que pratique um futebol de posse. Jogadores como ele são raros no futebol mundial e eu acredito que ele tem capacidade para vingar num clube de topo, bem como acredito que possa atingir o patamar de outros médios-defensivos organizadores de jogo, como Busquets (a sua referência), Xabi Alonso, Pirlo, Fernando Redondo ou o compatriota Paulo Sousa. Uma coisa é certa, se não acontecer nenhum azar, na próxima época será dado o próximo passo no seu crescimento: o empréstimo a um clube da Primeira Liga ou a promoção directa à equipa principal.
Já lá vão os tempos em que os três grandes tinham os seus plantéis repletos de portugueses. A globalização trouxe um novo paradigma e hoje os plantéis são compostos por muitos jogadores estrangeiros – Equipas são transformadas em sociedades das Nações.
As equipas com mais dificuldades, nos últimos anos, têm recorrido a jogadores de diferentes nacionalidades mas neste onze, vai encontrar os que mais se têm destacado fora do universo dos tubarões nacionais. Há nomes para rever.
Uma referência ainda a nomes como Bruno Varela, Paulinho, Rafa Soares, Hernâni ou Gil Dias que têm realizado uma excelente temporada e podiam perfeitamente fazer parte deste onze.
Ainda está época chegou e… Já está de partida. O pivot brasileiro do SL Benfica, Elisandro, está de malas e bagagens prontas para embarcar numa nova aventura, ao serviço do colosso espanhol Inter Movistar, onde pontifica o português Ricardinho, num negócio que rende aos cofres do Benfica uma quantia aproximada de €70.000.
Bem sei que este valor, à primeira vista, não parece muito grande, comparado com o futebol, mas trata-se de cerca de quatro vezes mais do que as águias pagaram aos brasileiros do Intelli/Orlândia no início desta época desportiva. Sempre pensei que ficasse pelo menos dois ou três anos, mas ele não enganava; era craque. Logo desde aquele mítico jogo da Supertaça, onde se estreou logo com três golos e foi muito influente na vitória do seu então novo clube perante o Sporting CP, percebeu-se que estava ali um grande jogador.
De resto, basta ver as estatísticas para nos apercebermos da qualidade do brasileiro: 26 golos em 22 jogos, golos esses marcados num total de 13 jogos, o que significa que o Imperador contribuiu com golos em mais de metade das partidas que discutiu. O craque sul-americano tem um pé esquerdo fabuloso e um poder físico impressionante, que não interfere com a sua forma de jogar, uma vez que joga numa posição um pouco mais fixa, onde pode não parecer que corre muito mas tem o mérito de estar quase sempre no lugar certo.
Apesar do pouco tempo por cá, vais deixar saudades! Fonte: Zona Técnica
Veio para a Europa um pouco tarde, já com 30 anos (faz 31 anos em Dezembro), mas em poucos meses já deu o salto qualitativo para um dos grandes colossos a nível mundial, onde irá auferir um salário substancialmente maior do que o recebido em Portugal. Tirando os pequenos atritos nesta fase final, que se prendiam com a vontade do jogador em rumar a Espanha, só posso agradecer ao jogador todo o seu profissionalismo, a sua dedicação e a qualidade demonstrada nestes (poucos) meses a jogar no nosso país.
Por tudo isto, muito obrigado a ti, Elisandro, por tudo o que fizeste nestes últimos meses e muito boa sorte nesta nova aventura, e que, se possível, comeces tão bem como começaste por cá!
Ser Sporting… O que é ser Sporting? É algo difícil de explicar mas que só nós, os verdadeiros sportinguistas, conseguimos sentir. Não é fácil expressar por palavras porque nem uma simples palavra tem a capacidade de expressar algo tão grandioso. O que nós sentimos é fácil de expressar por sentimentos e por atitudes que, todos os anos, nos fazem acreditar que podemos chegar ao titulo nacional.
Todos sabemos os tempos mais negros que o Sporting viveu recentemente. Ninguém consegue esquecer aquela época e sobretudo a gestão desastrosa e danosa que nos atirou para o pior registo da história do Sporting, com um sétimo lugar. Mas, se o Sporting se conseguiu reerguer, voltar a ter uma posição forte e recuperar a sua identidade, isso deve-se sobretudo aos incansáveis adeptos que tem. Adeptos de plástico existem em todos os clubes, é certo, mas fomos nós, adeptos, que colocámos o Sporting novamente no rumo certo e colocámos as pessoas certas à frente do clube. É certo que todos cometem erros; Bruno de Carvalho e todo o seu restante staff já cometeram erros. Mas daí a não serem as pessoas certas no lugar certo vai um caminho muito longo.
Toda a gente reconhece que esta época do Sporting está a ser um fracasso, sobretudo porque as expectativas ficaram altíssimas face à época transata e porque o Sporting se apresentou a um grande nível e, ainda assim, não conseguiu conquistar o campeonato que durante tanto tempo liderou e com uma vantagem pontual consideravelmente boa. Eu acredito no meu clube, apoio o meu clube e todo o staff que trabalha no dia-a-dia em prol do Sporting de forma incondicional , mas sou sincero e realista: seria muito complicado fazer uma época tão boa como a do ano passado.
Seria quase impossível o Sporting ter novamente uma vantagem de oito pontos sobre o seu rival mais directo e não ser campeão nacional. Porque nós sabemos que falta também ao Sporting a estrelinha de campeão. Para além disso, é complicado manter os nossos maiores activos no plantel e com maior qualidade, tais como João Mário e Slimani, ou até mesmo Teo Gutiérrez, que, apesar do seu temperamento, não deixa de ser um jogador com enorme qualidade e bastante importante no processo táctico de Jorge Jesus.
Slimani deixou saudades em Alvalade e Bas Dost parecia não ter uma missão fácil, a de substituir o argelino. Mas a verdade é que rapidamente o “holandês voador” conquistou os adeptos verde-e-brancos Fonte: www.sousporting.com.pt
Com isto, não estou a criticar a gestão que foi feita; as vendas que fizemos foram negócios excelentes, f0ram valores-recorde no clube, e isso também diz muito sobre o trabalho que está a ser feito por esta direcção. Critico o facto de se terem cometido alguns erros de casting, tais como André, Markovic, Castaignos, ou até Elias.
Critico também o facto de não reforçarmos os sectores mais fragilizados, tais como as nossas defesas laterais. Mas a minha opinião sempre foi: não se consegue fazer omeletas sem se ter ovos, ou seja, não tínhamos os jogadores ideais para o que requer o sistema táctico de Jorge Jesus. Porque João Mário e Bryan Ruiz ajudavam mais o meio-campo, não o deixando tão exposto, e não obrigavam a um maior esforço por parte de William e Adrien. Ou até porque Slimani era indispensável na pressão, e muitos golos que concretizávamos deviam-se ao facto de ele nunca dar um lance por perdido, e porque Teo era mais um apoio ao meio-campo e também procurava muito bem os espaços.
Mas isto quer dizer que não tínhamos qualidade suficiente para lutar pelo primeiro lugar? Não. Temos o melhor treinador em Portugal e temos excelentes jogadores mas, às vezes, a qualidade não chega e é preciso mais. É preciso sermos inteligentes e termos atitude! Inteligentes porque se não temos jogadores para jogar, por exemplo, em posse de bola ou em pressão alta porquê insistir num modelo de jogo que não vai dar o rendimento desejado à equipa e ao jogador? É necessário salvaguardar e proteger o jogador e a equipa.
Se nunca se encontrou a solução ideal para jogar ao lado de Bas Dost (Alan Ruiz subiu e muito a forma), e por termos jogadores este ano mais objectivos nas alas como Gelson ou até Campbell e Matheus, por termos agora jogadores como Podence ou Geraldes, porque não se apostou por exemplo num 4-3-3? Se os jogadores não rendem ou a equipa não rende é necessário haver mudanças.
Num fim-de-semana onde, mais uma vez, o anti-jogo voltou a ser tema central – o que se passou no Estádio do Dragão envergonha, e muito, o futebol português –, o que aconteceu noutro recinto de futebol do país, no Estádio Cidade de Coimbra, pode ser o início de um “combate” sério a este fenómeno, que se tem vindo a agravar nos últimos tempos.
Jogava-se o encontro entre a Académica de Coimbra e o Ac. Viseu, quando o guarda-redes da equipa visitante, depois de ter visto um amarelo por alegado anti-jogo, voltou, no entender do árbitro, a repetir a “gracinha” e Carlos Cabral, juiz da partida, não teve meias medidas e expulsou o guardião Rodolfo.
E um jogo que se encaminhava para o fim sem nenhuma nota de especial destaque, de repente ganhou toda uma outra dimensão devido a esta decisão, que se não for inédita, andará muito perto disso.
E é nisto que importa refletir. Infelizmente, o anti-jogo é recorrente em todas as equipas. Em Portugal, “grandes”, “pequenos”, todos já recorreram pelo menos uma vez a uma série de artimanhas para deixar correr o jogo. Mas quem o pratica, só o faz porque não tem havido “policiamento” à altura.
Não sou a favor do futebol cronometrado, sou a favor, sim, da punição a todas as equipas que envergonham, semana após semana, o futebol. Seja através da extensão dos minutos de compensação dados – se for preciso 15 minutos de desconto, assim seja –, seja através da expulsão do jogador que praticar, repetidamente, esse tipo de procedimentos, esse é o caminho para se travar este fenómeno. Os árbitros são os únicos que podem controlar o anti-jogo e, portanto, como pessoas corajosas que são – só se aventura nesta profissão quem tem uma boa dose de coragem e determinação – têm o dever de regular toda esta situação.
Outro aspeto que tem que mudar, e este é, talvez, mais profundo, é o da clubite. Não adianta reclamarmos do anti-jogo que o adversário da nossa equipa fez no sábado, e no domingo aplaudir quando o adversário do nosso rival faz precisamente o mesmo.
O anti-jogo tem sido um dos muitos “cancros” que têm assolado o futebol português nos últimos anos. Já se sabe que a mentalidade do adepto português tem tanto de apaixonada como de irracional, mas este aspeto do anti-jogo pode, com o empenho de todos, ser extinto.
Para já, é muito provável que me venha a esquecer dos jogadores que fizeram os golos da partida entre a Académica e o Ac. Viseu, mas de uma coisa eu tenho a certeza, saberei sempre o nome do árbitro eu vi expulsar um jogador por anti-jogo. A minha esperança num jogo melhor renovou-se ali.
Com a idade aprendi a gerir melhor o meu tempo – por exemplo, escrevi este textozinho durante um período de compensação de um jogo do FC Porto. Ainda deu para o rever e publicar. Excelente! Porém, nem tudo foi um mar de rosas. Enquanto o escrevia, atentem bem, três penáltis (ou terão sido quatro?), a favor do mesmo FC Porto, ficaram por assinalar. Dois deles em simultâneo, no derradeiro lance do jogo – uma especialidade com direitos de autor (uma assinatura “João Pinheiro”). Entretanto, os jogadores Felipe, Maxi Pereira e Layún fizeram três faltas para amarelo, mas, a bem do futebol português, da isenção e da equidade, foram poupados à expulsão. Era o que mais faltava, jogadores destes, famosos pelo fair-play com que abordam cada lance, não beneficiarem da mesma protecção divina de Pizzi, esse facínora, reconhecido globalmente pela extrema violência que imprime nos seus golos e assistências. O tipo foi devidamente denunciado ao longo da última semana e meia; e o que aconteceu? Lá se safou novamente. É preciso terminar com esta vergonha.
Pinto da Costa e Luís Gonçalves continuam, de resto, a tentar fazê-lo. Ainda no último FC Porto-V. Setúbal se viram obrigados a dirigir-se à equipa de arbitragem, em pleno túnel de acesso aos balneários, no intervalo e no final da partida. É disto que falo: os responsáveis do futebol português mantêm-se imperturbáveis, enquanto pessoas sérias, acima de quaisquer suspeitas, se vêem obrigadas a saírem do conforto dos seus lugares, na tentativa de recolocarem as coisas no sítio certo. A visita ao centro de treinos dos árbitros, na Maia, pelos vistos, foi insuficiente. Deu uma ajuda, é certo. Seria injusto negá-lo, ou afirmar que nada, a partir desse ponto, se alterou. Ainda assim, esta nova tentativa para dignificar o futebol português parece curta.
:Rui Vitória foi suspenso por 15 dias. Jorge Jesus também. Basta comparar Fonte: SL Benfica
Felizmente, existe neste país comunicação social livre e imparcial, comprometida em denunciar a realidade; capaz de desmontar a teia mediática e corruptível pró-benfiquista. Não fosse o “Dragões Diários” – entre outros – e hoje, muito provavelmente, ninguém se recordaria de metade do que já foi feito e dito, daquilo que deveria e não deveria ter acontecido. O colinho, os vouchers, o Calabote, entre muitos outros casos, absolvidos pela justiça desportiva e civil, mas mantidos à tona por quem, décadas a fio, se emprenha pela verdade desportiva.
As suspensões de Rui Vitória e Luís Filipe Vieira, que directa ou indirectamente, por meios próprios ou outros, mantêm desde o início da época um registo de coação e de pressão sobre os árbitros e restantes agentes desportivos parecem não ter sido suficientes. Felizmente, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol foi, desta vez, célere em abrir novo processo – aquele comunicado que defende a punição para quem coage, intimida e pressiona é, de facto, inadmissível.
Falando um pouco mais a sério, abdicando do tom jocoso que aqui me trouxe, resta-nos aquilo em que se tornou o futebol português – Bruno de Carvalho com os seus discursos e comunicados; Jorge Jesus com o seu ataque semanal à honra pessoal e profissional de Jorge de Sousa; o espectáculo dado aquando da sua expulsão no Bonfim; as declarações dos peões Nuno Saraiva e Octávio Machado; a invasão de um centro de treinos de árbitros por elementos da claque oficial do FC Porto; as declarações públicas de Pinto de Costa e de Luís Gonçalves; as visitas dos mesmos junto das cabinas dos árbitros; os artigos do “Dragões Diários”; as conferências de imprensa de Nuno Espírito Santo. Tudo isto, desde o início e, pelos vistos, até ao fim. Sem castigos, ou quaisquer consequências.
Tudo somado, será Luís Filipe Vieira e Rui Vitória a contarem mais suspensões e multas. É a impunidade total! A da pior espécie possível: a da justiça selectiva. Comparar as acções destes – somente as condenáveis –, em comparação com as dos seus congéneres rivais, é mais do que desequilibrado. É ridículo.
Nos últimos anos no mundo do futebol, dois homens têm reinado acima de todos os outros: Cristiano Ronaldo e Leonel Messi. Este tipo de frase, caro leitor, já se começou a tornar tão entediante que, por vezes, até nos esquecemos da importância da regularidade no futebol e da dimensão dos actuais dois monstros. Há, no entanto, vários outros jogadores que merecem ser destacados, sob pena de serem engolidos pela força dos dois maiores egos. Um deles é, indiscutivelmente, Ibrahimovic. O sueco não tem grandes hipóteses, mas Mourinho, ao seu estilo, já deixou a sugestão.
Há poucos treinadores no Mundo que conheçam tão bem o carácter e a qualidade futebolística de Zlatan Ibrahimovic. José Mourinho sempre teve uma ligação umbilical com os seus jogadores, sempre transformou as suas equipas em exércitos que iam para uma guerra – saudável é claro… – para vencer. Com a estratégia bem delineada. Por isso, depois de uma grande, mas breve, passagem do sueco por Milão, Mourinho só tem coisas boas a dizer sobre o dianteiro.
A temporada do United está a ser marcada pela irregularidade. Os comandados de Mourinho desde muito cedo ficaram arredados do título e, desde então, apesar da conquista da Taça da Liga e da Supertaça Inglesa, e de alguma recuperação na tabela classificativa, as exibições dos red devils continuam a ser indefinidas. Apesar de tudo, ao lado da equipa, nos bons e nos maus momentos, tem caminhado um homem: Ibrahimovic. O sueco foi decisivo para a conquista das competições domésticas.
Perdendo alguma resistência física e alguma velocidade, o avançado sueco mantém características tão importantes como instinto, inteligência, com e sem bola, e qualidade técnica. Mais do que isso, a genialidade e a essência continuam lá. Isso é o mais importante. Um génio não perder o seu código genético. Mesmo que não chegue para ser Bola de Ouro. Não é nada fácil nestes tempos…
A semana que agora chega será de interrupção dos campeonatos desportivos, em detrimento dos compromissos internacionais. Um pouco por todo o Mundo futebolístico, irão decorrer jogos de qualificação para o Mundial’18, disputado na Rússia, e alguns amigáveis entre seleções, sendo estes últimos uma boa forma de melhorar aspetos táticos e criar um excelente espírito coletivo. Ora, o caso angolano não foge à regra, dado que irá disputar dois jogos amistosos frente a Moçambique e África do Sul, o que permitirá ao novo selecionador tirar ilações para os futuros compromissos dos Palancas Negras.
Tendo chegado recentemente ao comando técnico da seleção angolana, o brasileiro Beto Bianchi, que se manteve como treinador do Petro de Luanda, já parece ter trazido consigo algumas surpresas na sua 1.ª convocatória oficial: dos 21 jogadores convocados, apenas cinco se encontram a jogar fora de Angola – Bastos (Lázio), Buatu (Waasland-Beveren), Ary Papel (Moreirense), Freddy (Excelsior) e Manucho (Rayo Vallecano). À primeira vista, pode-se concluir que o treinador já adquiriu um vasto conhecimento relativamente à qualidade dos jogadores nacionais que disputam o Girabola, muito culpa da sua primeira época ao serviço da equipa petrolífera, o que acaba por ser um indicador importante para o reconhecimento e contínuo desenvolvimento da formação e aposta dos ditos “jogadores da casa”.
Uma dupla surpresa nesta convocatória passa pela não-inclusão do jovem atleta do Sporting C.P., Gelson Dala, e a chamada de Ary Papel, emprestado pelos leões ao Moreirense. A ausência do primeiro é devido, de acordo com palavras do selecionador, a problemas físicos que impedem o avançado de 20 anos de idade de dar o seu contributo nos dois jogos amigáveis, ao passo que o atacante emprestado do Moreirense foi chamado por razões técnicas e psíquicas, apesar de contabilizar poucos minutos na equipa de Moreira de Cónegos, conforme foi dito na conferência de imprensa por Beto Bianchi. Além de Gelson Dala, outra ausência notada nesta convocatória diz respeito a Djalma Campos, antigo jogador de Marítimo e F.C. Porto, mas também ficou a dever-se a questões físicas.
Em conclusão, creio que Beto Bianchi irá aproveitar da melhor maneira possível este duplo compromisso amigável para fazer algumas experiências táticas, com o principal objetivo de começar a construir um forte conjunto que seja capaz de voltar a lutar por resultados que orgulhem os angolanos, sedentos de que a sua seleção lhe dê de novo alegrias, após três anos de enorme conturbação e incerteza em torno da Federação. Que estes primeiros dias sejam de redobrada fé e esperança num percurso que será longo até às próximas competições (CHAN’18 e CAN’19), embora se espere que traga muitas alegrias para os Palancas Negras e seus fiéis apoiantes!
Em Inglaterra assistimos a uma das notícias mais desoladoras da temporada para os adeptos do futebol, sobretudo para aqueles que a época passada não passaram um fim-de-semana sem estarem colados aos 90 minutos que, a cada jornada, foram compondo o sonho impossível do Leicester. Falo, claro está, do despedimento de Claudio Ranieri.
Por cá tivemos o nosso Leicester e o nosso Ranieri, quando o Moreirense conquistou o seu primeiro título sob o leme de Augusto Inácio. Mas esta semana tudo mudou. O homem que levou “a Liga dos Campeões às pessoas de Moreira” foi descartado assim, num ápice.
Fonte: Leicester City FC
O valor histórico da conquista, o feito do homem que deixou “todos de boca aberta”, desvanece na tabela classificativa. Não se acredita na reviravolta, não interessa se ele perdeu Podence e Geraldes. O que se vê é a ausência de resultados, e por isso “puff”…