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Problemas de finalização resolvidos?

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O mercado de inverno trouxe uma surpresa para o ataque dos Dragões – Tiquinho Soares veio juntar-se aos permanentes Diogo Jota e André Silva e aos intermitentes Depoitre e Rui Pedro para melhorar um aspecto que o jogo portista necessitava – a finalização. Já deu frutos marcando 3 golos em 2 jogos mas será que o problema está resolvido? Na minha qualidade de treinador de bancada, não totalmente.

Foi exasperante ver alguns jogos dos azuis e brancos em que a bola não só teimava em não entrar como o jogo portista gritava empate a cada jogada perdida. Nisto do futebol gostamos de confiar no sexto sentido, às vezes sente-se que o golo vai aparecer nem precisamos de ver muito perigo na área adversária outras vezes a bola rola perto da baliza e nem por isso nos aumenta a fé na vitória. Mais uma vez tive esta última sensação em várias partidas do Porto e há diversos factores que contribuem para este sentimento.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

 

Juventude dos atacantes
Um pormenor mitigado pela vinda de Soares mas presente no ataque portista é a juventude dos 2 atacantes. A Jota e André Silva ainda lhes falta uma certa “ratice”, conhecer as manhas e as provocações dos defesas, perceber para que lado os guarda-redes experientes têm tendência a atirar-se… Só com jogos na carreira vem esta experiência que é um posto e que faz com que um avançado que parece estar pouco móvel (Mário Jardel foi o exemplo mais flagrante) consiga marcar um golo de um momento para o outro na única oportunidade que tem.

Trabalho constante dos atacantes
Já abordei este tema num artigo sobre André Silva mas é plausível que o volte a referir – constante trabalho dos atacantes. Foco-me mais em André Silva pois é suposto ser o avançado finalizador mas Jota também tem um pouco a melhorar no timing e escolha das batalhas. Um avançado que vem iniciar um ataque rápido poucas vezes consegue estar na zona de finalização para marcar golo ou fazer o último passe e se está é depois de mais de 50 metros em corrida (mais o tempo de jogo que passou) o que faz com que chegue à zona mortal cansado sem a disponibilidade física e mental para marcar golo. O problema é que as equipas rapidamente se habituam a um avançado que é pivot e que trabalha muito e é difícil deixar esse vício, cabe a Nuno trabalhar esse aspecto. Ter mais um avançado no plantel ajuda claro.

Foto de Capa: FC Porto

Volta ao Algarve 2017 – Uma (maior) categoria!

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Cabeçalho modalidadesA competição portuguesa mais importante, em termos internacionais, começa já hoje e irá voltar a apresentar um percurso bastante diversificado e um pelotão cheio de qualidade para percorrer as estradas do sul de Portugal. Não irá ser um grupo de ciclistas com tanta qualidade, no geral, quanto os que temos visto nos últimos anos, mas iremos ter nomes fortes da modalidade e, mais importante, esta prova tem agora um outro reconhecimento.

É verdade… A Volta ao Algarve subiu, este ano, para a categoria 2.HC (categoria apenas abaixo da World Tour, a máxima no ciclismo) e passa, então, a ser a prova portuguesa mais importante, em termos hierárquicos, superando a Volta a Portugal. Outra excelente notícia é a transmissão em direto, pela primeira vez, desta corrida, na Eurosport – irá chegar a cerca de 68 milhões de pessoas, em 55 países! Entre as 16h00 e as 17h00, hora de Portugal Continental, poderão ver ciclismo ao mais alto nível.

A Algarvia, como costuma ser tratada pelas pessoas da região, apresenta uma real posição privilegiada no calendário internacional do ciclismo e condições atmosféricas agradáveis para qualquer praticante da modalidade, ajudando, assim, ao posicionamento da forma ideal de cada ciclista para enfrentar as grandes provas que ocorrerão daqui a uns tempos.

Nesta 43ª edição, Geraint Thomas, o bicampeão em título, não estará presente para tentar o tri, logo, iremos ter um vencedor diferente dos últimos anos. Nomes como Daniel Martin (Quick-Step), Tony Martin (Katusha), Michal Kwiatkowski (Sky), Primoz Roglic (LottoNL-Jumbo), Luis Leon Sanchez e Pello Bilbao (Astana) Natnael Berhane (Dimension Data), Tony Gallopin e Tiesj Benoot (Lotto Soudal), Sep Vanmarcke (Cannondale), Jonathan Castroviejo (Movistar), Jan Bartra (Bora) ou Alexander Foliforov (Gazprom), entre outros, poderão levantar este troféu, no final de cinco árduos dias. Em termos de equipas portuguesas, poderemos ter alguns nomes a intrometerem-se igualmente na vitória final, são os casos de Rúben Guerreiro (Trek), Sérgio Paulinho (Efapel), Amaro Antunes (W52-FC Porto).

Fonte: Tony Martin
O campeão do mundo de contra relógio é um dos favoritos
Fonte: Tony Martin

Quanto às equipas portuguesas e aos portugueses, é favor não descartar Ruben Guerreiro (Trek – Segafredo), Amaro Antunes (W52 – FC Porto), o regressado Sérgio Paulinho (Efapel), Edgar Pinto (LA Alumínios-Metalusa) ou os estrangeiros Rinaldo Nocentini (Sporting Clube de Portugal/Tavira) – neste caso, também Joni Brandão poderia ser mencionado, mas é mais provável que ele venha a esta prova para ganhar um maior ritmo e uma maior forma para o que irá ter nesta época e para tentar finalmente conquistar a Volta a Portugal – e  Vicente Garcia de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé), que está em boa forma, tendo em conta os resultados mais recentes. Além destes nomes, também poderemos ter mais alguns a ter em conta para vencerem alguma etapa, como José Gonçalves, José Mendes, Tiago Machado ou Nélson Oliveira.

SL Benfica 1-0 BvB Dortmund: A sorte misturada com a inteligência

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O Estádio da Luz recebeu esta noite a primeira mão dos Oitavos de final da UEFA Champions League entre o Benfica e o Dortmund. No encontro em que Luisão completou os 500 jogos de águia ao peito, o Estádio da Luz encheu-se para ver o grande duelo que colocou frente e a frente o vencedor do grupo F, a equipa de Tuchel e o vice vencedor do grupo B, a equipa de Rui Vitória.

O Benfica entrou em campo com o seu habitual 4-4-2 com Rafa Silva a ser a novidade no 11 inicial. O polivalente português entrou para o lugar de Jonas jogando nas costas de Mitroglou. O Dortmund entrou em campo com uma equipa rechegada de jogadores defensivos e com escolhas suficientes para mudar o sistema tático ao longo da partida. Nota para a presença do campeão europeu Raphael Guerreiro no 11 dos alemães.

O jogo iniciou-se com as equipas muito trancadas no meio do terreno, mas com equipa da Luz a ter a primeira jogada de perigo. Nelson Semedo voltou a dar espetáculo e a mostrar trabalho ofensivo ganhando um canto logo aos 2 minutos. Os primeiros 10 minutos deu para perceber claramente que o Dortmund entrou em campo para jogar em contra-ataque apostando nas flechas de ataque, Reus, Dembélé e Aubameyang. O avançado do Dortmund acabou por “borrar a escrita toda” ao falhar uma oportunidade de golo clara em frente a Ederson aos 10 minutos de jogo. Surgia assim a primeira oportunidade de golo para os visitantes. Contudo os minutos iniciais foram diferentes dos restantes. O Dortmund começou a mostrar trabalho com a sua tática (3-4-3) ao ganhar mais de metade da posse de bola da primeira parte apostando no jogo de passe e deixando a equipa do Benfica fechada na defesa aguardando uma oportunidade de contra-ataque.

A segunda metade do encontro iniciou-se com uma substituição. Carrillo deu o lugar ao reforço de inverno, Filipe Augusto, optando Rui Vitória por adicionar um jogador ao meio campo da equipa benfiquista. Este recomeço de encontro ficou marcado por uma avalanche de bola dos encarnados acabando por abrir o marcador ao minuto 47. Após canto de Pizzi, Luisão participa na jogada, mas é o grego, camisola 11, Mitroglou, que finaliza a jogada e marca o primeiro do jogo. A acompanhar este golo do Benfica, a Luz entrou em erupção e o Inferno chegou ao encontro da Champions. A resposta surgiu imediatamente com os alemães a apostarem no seu futebol ofensivo. A resposta foi tal que, ao minuto 57, o Inferno da Luz sentou-se para ver uma grande penalidade do Dortmund. Contudo, o silencio transformou-se em euforia pois Ederson, gigante guarda-redes do Benfica, defendeu um remate potentíssimo de Aubameyang. Segundo penalti defendido pelo camisola 1, neste edição da Champions e que levou consequentemente ao delírio dos adeptos. A partir deste momento, notou-se claramente que o Benfica passou a jogar em 4-5-1, optando por aumentar o número de elementos no meio campo. Os restantes minutos ficaram marcados pelo regresso do futebol de posse do Dortmund com o Benfica a tentar o mesmo sempre que tinha o esférico. Estes momentos de jogo obrigaram o Benfica a baixar muito as suas linhas fazendo com que os extremos, Salvio e Cervi (acabou por entrar) acabassem por ser autênticos defesas laterais ofensivos. O jogo começou a aproximar-se do fim e a pressão do Dortmund intensificou-se devido às substituições da equipa alemã. Do lado do Benfica, salvou o muro amarelo, nada mais nada menos que Ederson, a parar todas as bolas que viessem a caminho da baliza norte da Luz até ao minuto 90.

Em resumo, foi um encontro com diversos momentos de jogo, onde o Dortmund apresentou-se como uma equipa de posse mas teve o azar de ter pela frente um Benfica com ideias bem definidas (ao nível defensivo). Do lado dos vencedores, o Benfica surgiu em campo com a lição bem estudada e com o principal objetivo de vencer sem sofrer golos. Que venha a segunda mão!

PSG 4-0 FC Barcelona: Massacre de S. Valentim

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Cabeçalho Futebol Internacional

Oitavos de final da Liga dos Campeões em Paris, com o confronto entre o Paris Saint-Germain, com aspirações na competição, e o FC Barcelona, claro favorito à conquista da prova. Prometia ser um grande jogo, dadas as qualidades dos protagonistas das duas formações, e o futebol atrativo praticado por essas mesmas duas.

O Paris Saint-Germain desde cedo demonstrou vontade de impor o ritmo do jogo e foi capaz de colocar o Barcelona numa posição desconfortável para uma equipa habituada a ser dona e senhora da maior parte dos jogos que realiza como a espanhola. Os catalães raramente conseguiram sair da defesa e partir para o ataque nos primeiros minutos do jogo, muito por culpa da pressão feita pela equipa parisiense nos primeiros construtores de jogo da equipa de Barcelona.

Previa-se o golo para o Paris Saint-Germain, e este não tardou em chegar. Num livre à entrada da área de ter Stegen, Angel Di María encarregou-se de cobrá-lo e não desiludiu. O remate saiu indefensável para o guardião alemão, e o Paris Saint-Germain estava agora por cima do jogo e com a vantagem. Tudo corria bem à equipa de Unai Emery.

Após o golo, o Barcelona, como se previa, imprimiu mais velocidade e intensidade ao seu jogo e conseguiu manter os franceses longe da sua área, excetuando os contra-ataques que estes não poucas vezes iam realizando. No entanto, na frente de ataque blaugrana, Messi, Neymar e Suárez não iam conseguindo perfurar a defesa adversária, que facilmente ia conseguindo sair para o ataque com perigo, aproveitando as descompensações defensivas e de meio-campo do Barcelona. Numa equipa com jogadores desequilibradores como Di María, Draxler e Cavani os contra-ataques podem ser letais, e o golo acabou por aparecer novamente aos 39 minutos.

Depois de uma perda de bola de Messi, desinspirado durante todo o encontro, o meio-campo parisiense, comandado por Verratti, transportou a bola até Draxler, que só com ter Stegen pela frente atirou a contar. A partir daí, não mais se viu o Barcelona na primeira parte. Voltou a sentir dificuldades a sair para o ataque com objetividade e permitia aos médios do PSG circular à vontade e transportar a bola até às alas, onde se encontravam Draxler e Di María, que faziam tremer toda a defensiva catalã.

Notava-se a necessidade do Barcelona em ir para intervalo, e ele chegou. Eram precisas novas ideias e muito mais intensidade, numa equipa que estava irreconhecível e pareceu entrar no jogo com o guião errado.

No entanto, Luis Enrique não conseguiu alterar a postura e intensidade da equipa na segunda parte, que continuou a ser vítima dos calafrios causados pelos craques da equipa francesa, que passados poucos minutos resultaram em novo golo. Novamente muita liberdade concedida ao ataque do PSG e a Di María, que a aproveitou para marcar um belo golo com um remate colocado de fora da área, sem qualquer hipótese para o guarda-redes do Barcelona. Estava feito o 3-0!

A partir daí continuaram a ser os franceses a ditar o ritmo do jogo, neutralizando qualquer ameaça ofensiva por parte do Barcelona e continuando os ataques bem construídos, ainda que com alguma desorganização defensiva dos espanhóis, que sem qualquer surpresa deram origem ao quarto golo. A jogada começa em Thomas Meunier que ultrapassa Neymar com facilidade (e técnica!) e entrega a bola a Edinson Cavani que finaliza com qualidade, eliminando de vez qualquer esperança do Barcelona de ainda conseguir retirar algo de positivo deste jogo.

Nota ainda para uma bola de Piqué ao poste, naquela que foi a maior oportunidade da equipa espanhola no decorrer de toda a partida.

Até ao final do jogo, nada de diferente se notou e a vitória foi para os de Paris, que se colocaram numa posição bastante confortável para a segunda mão em Barcelona, onde poderão carimbar a passagem aos quartos de final da prova milionária. Foi uma vitória da vontade e do querer, mas não só. Há muita qualidade nesta equipa e houve, acima de tudo, uma grade organização e coordenação no sistema com que partiu para este jogo. Unai Emery e os seus atletas estão de parabéns.

Foto de capa: PSG

 

As Lavandarias e as Leis de Jogo

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O futebol é indiscutivelmente o desporto rei, aclamado por muitos, amado quase por todos, é assim a essência do futebol. Essência que tem vindo a ser perdida ao longo dos últimos anos e muito se deve a todos os negócios que têm afectado o mundo do futebol. Contratações, atrás de contratações. Assim foi na China, com bons jogadores a ser contratados como se fossem de classe mundial.

Mas o que estará por detrás destes negócios? O que leva realmente um jogador a tornar-se “esquecido” a troco de dinheiro? Que promessa é feita para abdicar dos grandes palcos e dos títulos que qualquer jogador sonha vencer desde o seu primeiro pontapé na bola? Só eles saberão, mas o que nós sabemos é que a vida de um profissional é curta e os bons contratos são uma procura constante.

Aqui na Europa existe uma lavandaria que já afetou um dos grandes de Portugal, juntando clubes de Espanha, França e recentemente um clube da segunda divisão Inglesa, entre outros tantos clubes, que decidiram aderir também a esse tipo de negócio. Não está em causa a qualidade dos jogadores inseridos nos negócios entre estes clubes, o que é intrigante é o valor pago por jogadores que nunca conseguiram atingir o limbo nos clubes onde foram formados. Mais intrigante ainda é que não se consegue investigar estas transferências e limitar os clubes à verdade desportiva. Também é verdade, não existem regras que neguem estas contratações, não existe esforço da massa organizacional do Futebol (FIFA e UEFA) para poder salvar o futebol desta doença que aos poucos vai trucidando e, em contrapartida, vai enriquecendo empresários e fundos que utilizam este ramo para “lavarem” dinheiro e movimentá-lo para outros ramos.

Peyroteo: o (des)respeito pela lenda

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Ao recuarmos até à década de 40 e passando em revista a história do Sporting Clube de Portugal facilmente nos recordamos dos famosos Cinco Violinos, que tantas vezes deram alegrias aos adeptos verde e brancos. A magia que contagiava a nação sportinguista da altura é hoje ponto de referência para os mais novos que se sentam ao lado dos mais velhos a ouvir as histórias de então. Peyroteo foi o mestre dos Cinco Violinos e foi também uma grande referência do clube e do futebol português. Ainda hoje o seu nome ecoa nas conversas de café e, cada vez mais, é tema de conversa devido ao clube onde sempre jogou reclamar o reconhecimento de uma figura que raramente tem o destaque merecido.

O presidente Bruno de Carvalho tem sido voz ativa na proclamação desse mérito que teima em não chegar. Acima de tudo, era importante que os órgãos oficiais, a começar pela Federação Portuguesa de Futebol, colocassem Peyroteo no pedestal, onde estão tantos outros que fizeram menos por merecer esse lugar. Era importante que se tomasse consciência da importância que isso poderia ter para o futebol português. Infelizmente, todos nós sabemos que existem vários interesses nos meandros do futebol que fazem com que os responsáveis fechem os olhos ao óbvio, quase como se fosse imperial apagar a história porque ela não interessa para a maioria.

Os números de Peyroteo mostram bem a sua importância para o futebol português Fonte: Fórum SCP
Os números de Peyroteo mostram bem a sua importância para o futebol português
Fonte: Fórum SCP

As comparações com Eusébio são cada vez mais frequentes, sobretudo quando estamos à conversa com adeptos encarnados. A questão é muito simples e começa com um tema chamado Panteão. Se Eusébio teve direito a ele, porque é que Peyroteo não teve? A resposta é simples: o primeiro vestiu de vermelho e o segundo de verde e, como se sabe, esse é um síndrome que ainda hoje persiste e, que pelos vistos, já vem de longe. Não pode haver outra resposta. Se analisarmos os números de cada um, é quase anedótico que Eusébio seja levado em ombros, enquanto Peyroteo é menosprezado. E como Cristiano Ronaldo também se está a tornar um monstro do futebol mundial, também ele começa a entrar nesta comparação. Há quem defenda que na época de Peyroteo o futebol era mais fácil e, por isso, Eusébio e Cristiano Ronaldo têm mais mérito apesar de terem menos golos marcados. Mas é sequer possível compará-los? As épocas eram diferentes e naturalmente o futebol também sofreu as suas transformações mas isso não quer dizer que tenha ficado mais fácil. Infelizmente, os argumentos sem fim que são criados sobre este assunto têm também pouco nexo. E no final de contas, não seria de admirar que, quando Cristiano Ronaldo acabar a sua carreira, os seus defensores desapareçam e a sua figura comece a ficar esquecida porque afinal de contas ele também é um produto da formação verde e branca e é sportinguista, o que automaticamente o exclui de todas as honras que possa merecer, porque isso não é benéfico para o sistema. O mesmo sistema que exclui Peyroteo da história do futebol português e que se recusa a dar-lhe o título de lenda.

Fernando Peyroteo foi o maior goleador da história do futebol português. Para muitos, é o melhor jogador português de todos os tempos, apesar de oficialmente isso não ser reconhecido. Os seus números são históricos e fixou recordes que ainda estão por bater em Portugal. A sua média de 1,62 golos por jogo e os seus 635 golos em 393 jogos são impressionantes. Pela Europa fora, há publicações como o The Sun que o elogiaram e enalteceram os seus feitos. É bom saber que aos olhos de quem não vê apenas entre o vermelho, o verde ou o azul há capacidade de reconhecimento. Às vezes dá vontade de pedir desculpa a Peyroteo por não lhe darem valor depois de tudo o que fez, mas acima de tudo, cada sportinguista terá sempre gravado na sua memória o nome de uma das figuras mais emblemáticas que o desporto português já viu nascer.

Foto de capa: Imortais do Futebol

Nove e meio

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É a posição da moda no futebol actual. O espaço para os criativos vai desaparecendo – a essência do número 10 desvaneceu-se – e, no futebol actual, por entre as amarras das marcações e da anulação dos espaços, foi necessário “criar” um novo tipo de jogador. Um jogador que, sendo criativo, pudesse oferecer outras coisas – jogo entre linhas, ´capacidade de romper com bola e, essencialmente, ser uma muleta importante para a referência ofensiva. Todas estas características são dominadas por Jonas, figura maior do futebol benfiquista nas duas últimas temporadas. Importa então perceber, como é que poderá haver um Benfica competitivo e forte, se, o brasileiro não puder dar o seu contributo. Com a saída de Guedes ainda fresca…

Qualquer equipa sente a falta do seu jogador mais decisivo. Qualquer equipa joga melhor com o seu melhor jogador em campo. Parecem duas ideias feitas do futebol. E, de certa forma, é impossível contrariá-las. No caso específico do Benfica, convém, mais do que tudo, explorá-las.

Jonas é peça fundamental no Benfica Fonte: Facebook Oficial de Jonas
Jonas é peça fundamental no Benfica
Fonte: Facebook Oficial de Jonas

Jonas fez falta. O Benfica teria perdido os mesmos jogos com ele em campo? Impossível saber. Porém, um jogador que oferece criatividade, inteligência de movimentos sem bola, capacidade no último passe e…golo. Muito golo. Apesar de alguma indefinição inicial, Rui Vitória apostou em Guedes e o português cumpriu com distinção. Oferecendo coisas diferentes, o jovem avançado conseguiu “reinventar” a posição dentro do modelo benfiquista assente num princípio assinalável: não substituir Jonas, mas sim, dar ao colectivo as suas características.

Agora que a Champions está aí à porta, um novo debate promete animar as tertúlias futebolísticas. Deve ou não o Benfica solidificar o seu meio-campo e jogar com três médios em jogos de exigência máxima? A contratação de Felipe Augusto terá sido já a penar um pouco nisso. Agora Rui Vitória tem o poder da decisão. Fortalece o meio-campo e (re)coloca Pizzi na ala – a equipa perdia largura e o seu maior criativo da zona de decisão, mas ganhava inteligência na ala – ou introduz um sistema com três médios e obriga Jonas a jogar fora da sua zona de conforto. A solução da ausência de Jonas teria aqui, nesta situação, de ser também equacionada.

Sempre com a solução Rafa à espreita – o português, em determinados momentos do jogo, pode oferecer coisas diferentes naquela posição -, o Benfica tem um cenário de dilemas tácticos nesta sua posição que tem um dono que a interpreta como poucos. As questões ficam lançadas e o talento, para gáudio de Rui Vitória, também abunda…

Uma estrada com dois sentidos

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O futebol de formação do FC Porto sofreu durante vários anos pela ausência de uma equipa B. Esse elo perdido entre a cantera e o plantel principal retirou a vários jovens a possibilidade de evoluir dentro de portas e condenou-os a serem entregues à própria sorte ainda em tenra idade. Com o regresso das equipas B, apoiadas com a entrada directa na II Liga, o FC Porto não perdeu a oportunidade de restaurar a ponte entre o futebol de base e o futebol profissional.

“Um plantel; três equipas”, segundo Luís Castro, era desta forma que os Dragões viam o intercâmbio de jogadores entre formação B, equipa sub-19 e plantel principal. Apesar de tudo, essa troca de atletas têm vindo a diminuir, principalmente no sentido A-B, sendo que desde a época passada, em que os Bês venceram a II Liga, as “descidas” de jogadores da equipa A à formação secundária têm sido praticamente nulas.

Com I e II Liga sensivelmente a meio, o FC Porto vive uma situação que merece ser tratada com cuidado: a equipa A luta pelo título, a B pela manutenção. Os comandados por Nuno Espírito Santo (NES) estão ainda a disputar a Liga dos Campeões, mas já foram eliminados das taças internas. Tendo o FC Porto como objectivo crónico vencer o campeonato e ir o mais longe possível na Champions, é natural que as oportunidades para os jogadores menos utilizados sejam cada vez mais escassas, muito por causa dessas eliminações na Taça de Portugal e Taça da Liga.

NES tem sido um bom potenciador dos jovens da equipa B Fonte: FC Porto
NES tem sido um bom potenciador dos jovens da equipa B
Fonte: FC Porto

Contudo, essas chamadas segundas linhas ainda têm um papel a cumprir nos objectivos que o clube traçou para esta época. Jogadores como Boly, Layún, Rúben Neves, Otávio ou João Carlos Teixeira, com falta de ritmo de jogo que lhes permita render a 100% na equipa principal, podem e devem seguir o exemplo recente de Rui Pedro e aproveitar a equipa B para melhorar os índices físicos enquanto ajudam Folha e os “miúdos” a saírem dos últimos lugares da tabela.

Esta situação beneficiaria não só a equipa B – que receberia, ainda que temporariamente, jogadores de nível superior -, mas também NES que veria os jogadores menos utilizados ganharem melhores condições para ajudarem o FC Porto para o que resta da presente temporada, caso venha a ser necessário recorrer a qualquer um deles. O que, diga-se, é bastante provável.

Foto de Capa: FC Porto

Os “renegados” que animaram a NBA com o impensável

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Cabeçalho modalidadesMilwaukee, 13 de janeiro de 2017: os Miami Heat perdiam pela quarta vez consecutiva e pela décima vez em onze jogos, em mais uma derrota numa temporada que parecia destinada ao fracasso, com a equipa de Erik Spoelstra a chegar ao ponto intermédio da época com apenas onze vitórias e trinta derrotas e o segundo pior recorde da NBA. Os tempos do Big 3 eram uma memória longínqua. LeBron James já tinha regressado a casa, Dwyane Wade, o homem que ganhou os três títulos que os Heat possuem, tinha mudado a sua morada para Chicago e Chris Bosh já só aparecia na ficha médica pré-jogo, por problemas de saúde. Aquela noite gelada em Milwaukee parecia mais uma necessária pedra no difícil caminho da reconstrução. Mas a verdade é que, depois dessa noite, aconteceria história…

Com três títulos no seu historial, os Miami Heat são uma das equipas de maior sucesso na NBA, no século XXI, com Dwyane Wade e Pat Riley à cabeça. Mas um desentendimento entre os dois no verão passado levou Wade a abandonar equipa pela qual tinha atuado em toda a carreira. Riley tinha falhado quase todos os seus alvos no verão (de lembrar que Kevin Durant chegou a ter uma reunião com os Heat) e via-se agora como presidente de uma equipa sem grandes nomes e alguns jovens para desenvolver. Os adeptos pediam reconstrução através do draft, o que na NBA implica perder. Muitas vezes. Mas Riley nunca gostou dessa abordagem e afirmou que, fosse com quem fosse, os Heat entrariam sempre em cada jogo e em cada temporada para vencer.

Porém, a inexperiência e, admitamos, falta de qualidade de alguns jogadores vieram ao de cima e, mesmo que o objetivo fosse ganhar, os Heat iam perdendo e só os Brooklyn Nets se apresentavam com piores resultados em toda a liga. Porém, a partir daquela noite em Milwaukee, algo mudou. James Harden apareceu em Miami, marcou 40 pontos e… perdeu. Nada demais, qualquer equipa pode ganhar um ou outro jogo na NBA. Vieram os Mavericks e os Bucks e perderam também. A motivação ia subindo para a equipa de Miami, mas os próximos adversários eram os Golden State Warriors. Aconteceu o impensável. Dion Waiters, um inconsistente marcador de pontos de quem LeBron se quis ver livre em Cleveland, “explodiu” para os 33 pontos e o triplo da vitória frente aos grandes favoritos a vencer o título. E a partir daí, os Heat continuaram a subir. Em casa ou fora de portas, contra equipas boas ou menos boas, a equipa de Miami ia colecionando vitórias. Foram treze, ao todo. O máximo que qualquer equipa conseguiu esta temporada. O máximo que qualquer equipa com um recorde inferior a 50% de vitórias conseguiu na história da NBA.

Fonte: NBA
Fonte: NBA

Os Heat acabaram por entrar para os livros. E talvez esta série até dure pouco na memória do comum adepto. No entanto, ficará na memória dos adeptos como um feito saboroso e impensável. Conseguido por uma equipa repleta de jogadores que ninguém quis e que andavam perdidos pela NBA D-League, como McGruder ou Okaro White. Por jogadores que andavam perdidos pelos bancos da liga, como Willie Reed, Wayne Ellington, James Johnson ou Dion Waiters. Ou ainda Goran Dragic e Hassan Whiteside, as estrelas maiores de uma equipa destinada ao fracasso e que, pelo menos durante treze jogos, enganou os críticos e especialistas.

Ninguém sabe o que acontecerá até ao fim da temporada, sendo que os Heat tanto podem chegar aos playoffs como voltar a cair na classificação. O que ninguém pode tirar a estes jogadores é o mês que acabou de passar. O mês em que mostraram que valem mais do que os peritos acreditavam ser possível. Provaram a eles mesmos que têm lugar nesta liga e que os Heat não estavam errados quando apostaram neles. E até Erik Spoelstra, o homem que conta com dois títulos da NBA mas que, estranhamente, nunca tem mérito no que faz, continua a provar a sua capacidade de liderar uma equipa. Seja ela constituída pelos melhores do mundo ou por um conjunto de “renegados” com vontade de serem mais do que homens sentados em bancos de suplentes na NBA.

Foto de capa: usnews

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Daniel Podence: Um talento em afirmação!

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Daniel Podence é um dos atletas oriundos da Academia de Alcochete, que integra nos dias de hoje o plantel principal do Sporting. Podence foi aliás um dos reforços de Inverno para Jorge Jesus, depois de ter estado por empréstimo ao serviço do Moreirense.
Nos cónegos, o jovem leão notabilizou-se a par de Francisco Geraldes. O jovem internacional sub-21 fez parte da histórica conquista da equipa de Moreira de Cónegos na Taça da Liga. No Minho, Daniel Podence realizou dezoito jogos, tendo marcado quatro golos, onde era titular indiscutível quer com Pepa, quer com Augusto Inácio.
Daniel Podence está às portas da titularidade em Alvalade. Fonte: Sporting CP
Daniel Podence está às portas da titularidade em Alvalade
Fonte: Sporting CP
Tinha praticamente acabado de chegar ao Sporting, quando Jorge Jesus lançou o jovem leão no clássico no Dragão, acabando por dar nas vistas. Na última jornada, quis o destino que o Sporting defrontasse o clube de Moreira de Cónegos. A partida estava difícil para os leões, estando a perder por 2-1, quando Jesus acabou por lançar Podence no jogo. Mais uma vez, Daniel Podence deu uma boa resposta, acabando por estar diretamente ligado ao segundo golo dos leões, com uma excelente jogada individual.
Esta pode ser, claramente, a época de afirmação deste grande talento do futebol português. Podence é um jogador tecnicamente muito evoluído, rápido e muito incisivo no último terço. O jovem internacional sub-21, tem assim, com Jorge Jesus a oportunidade de representar o Sporting e evoluir. Este é mais um grande talento “Made In Sporting”, que irá dar muito que falar. Por agora, já foi preponderante na vitória do Sporting frente ao Moreirense, da 21ª jornada da Liga NOS.
Foto de capa: Sporting Clube de Portugal