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Jogador da Semana: Soares, o Diego Costa dos pobres

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Tiquinho chegou ao FC Porto há sensivelmente duas semanas e, com ele, trazia um jogo de suspensão que lhe adiou a estreia para o Clássico frente ao Sporting. Sabendo, de antemão, que era no ataque que residiam as maiores debilidades dos Dragões, era natural que, além da normal falta de entrosamento, o jogador sentisse alguma pressão ao alinhar como titular num jogo desta importância, pensei eu. E não podia estar mais errado!

Desde cedo, no jogo, Soares mostrou bom entendimento com os novos companheiros de equipa e foi combinando, de forma quase perfeita, com aqueles que lhe apareciam por perto. No lance que dá o 1-0 percebeu bem a intenção de Corona e aproveitou, de forma sublime, o erro de Palhinha, enquanto, no segundo golo, usou tudo o que se pede a um matador naquelas circunstâncias – velocidade, inteligência, técnica e frieza – para aproveitar o excelente passe de Danilo. E assim, do nada, no intervalo o FC Porto ia vencendo o Sporting com dois golos de um estreante.

Quantos jogadores no mundo marcaram dois golos em jogo de estreia? E, desse grupo, quantos o fizeram contra um dos principais rivais? E em menos de 45 minutos? Começa a ser fácil perceber o porquê de Soares ser a figura da semana. Mas vou mais longe: não fossem as espectaculares defesas de Casillas e nem era preciso o ex-vimaranense ter marcado qualquer golo para merecer destaque.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

A equipa do Sporting tem qualidade e, além disso, quando se comparam os dois últimos onzes existe uma característica em que bate os Azuis e Brancos com algum conforto: os jogadores eram, em média, bastante mais altos e mais fortes. Essa diferença foi ficando cada vez mais a descoberto à medida que o segundo tempo se aproximava do final. A certa altura, não havia como não reparar: Soares era dos poucos portistas que conseguia ganhar lances divididos, e o único que conseguia ter a bola por mais do que meia dúzia de segundos no meio-campo leonino.

O novo camisola 29 dos Dragões tem uma mentalidade competitiva acima da média e uma capacidade física soberba. Foi por aí que, ainda como jogador do Nacional, lhe chamei por brincadeira o “Diego Costa dos pobres”. Seja na raça ou em velocidade, pelo ar ou pelo chão, a ganhar ou a perder, sabemos que, a partir de agora, o FC Porto tem um avançado que não dá uma bola por perdida e que, no fim do jogo de estreia, em que marca dois golos, tem a coragem de dizer que lhe falta ainda um pouco de intensidade e entrosamento. Nunca mudes, Soares.

Fonte: FC Porto

Artigo revisto por: Diana Martins

Olheiro BnR – Rui Costa

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Nasceu com nome de craque, e tem feito jus ao estatuto, ainda que se demarque, de forma muito clara do estilo de jogo do (por enquanto) Rui Costa “principal”. É que, enquanto o ex-internacional português jogava com pés de veludo, espalhando o aroma da classe em cada toque e cada passe, o “novo” Rui Costa tem um estilo mais agressivo, furão e aguerrido, embora se denote a mesma perspicácia, a mesma tendência para encontrar brechas nas costas das defesas. Mas se o primeiro lançava os colegas, o segundo lança-se a si mesmo, não deixando o crédito por pés alheios. Se tem de ser feito, ele faz, e pega na bola, finta um ou dois, se necessário fôr e ora tenta a sua sorte, ora oferece o golo a um colega mais bem posicionado.

A forma como, feito predador, procura espaços, permite que haja sempre uma linha de passe no último terço do terreno e a bola pode não ir ter com ele, mas o seu contributo posicional já pode ser tão crucial quanto um “passe de morte” do seu homónimo.

Embora ele prefira tê-la no pé e ser ele a resolver, claro. Porque é um jogador que foge (da marcação) mas não se esconde (do jogo), e que não se importa de assumir as despesas quando é solicitado. Recebe a bola no conforto do seu pé direito e orienta-se, sempre, de forma já bastante evoluída para os seus anos de sénior, para a baliza contrária, local de destino de 9 dos seus remates, que representam mais de um quarto da capacidade finalizadora do Varzim no campeonato, contribuindo significativamente para a boa Segunda Liga do clube, recém chegado ao 5º lugar quando o objectivo passava, no início da época manutenção.

Rui Costa em acção num jogo onde foi decisivo ao marcar o único golo do encontro Fonte: Varzim SC
Rui Costa em acção num jogo onde foi decisivo ao marcar o único golo
Fonte: Varzim SC

“Manutenção”. Uma palavra que não cabe no léxico de Rui Costa, um inconformista nato, um agitador típico que não pode ver águas paradas. Precisa de crescer. Talvez por isso tenha trocado o clube onde acabou de se fazer homem e jogador (começou a formação no Famalicão) pelo líder destacado da Segunda Liga, o Portimonense, com melhores perspectivas de subida.

No Algarve, e partindo do princípio que a filosofia de Vítor Oliveira transita para o próximo ano (com ou sem subida), encontrará outro contexto táctico. Despirá o fato de jogador-satélite, que gravita na órbita de uma referência ofensiva mais musculada, e “encostar-se-à” a uma das alas, um local onde também já foi utilizado esta época e nos escalões de formação e no qual necessita de crescer para que possa explodir além do espectro de jogador de equipa pequena talhado para o contra-ataque.

Algo que, estou em crer, conseguirá. Afinal, quem se consegue afirmar, aos 20 anos e com as suas características, num enquadramento competitivo em que o físico impera, só pode ter (como já demonstrou) a inteligência dos inatos para a ‘bola’.

Foto de capa: Lobos do Mar

O que poderão fazer os “reforços” de Inverno?

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Com a chegada de Janeiro, chega também o tão aguardado mercado de Inverno, onde as equipas fazem contratações cirúrgicas com vista a melhorar os pontos fracos de cada setor. Este ano, com o Sporting arredado de três dos seus objetivos e com o quarto objetivo praticamente hipotecado, o presidente Bruno de Carvalho afirmou que o clube faria regressar jovens jogadores que tinham dado nas vistas na primeira volta do campeonato, ao serviço de outros clubes da primeira liga onde estavam por empréstimo. Esta promoção e mudança de política de contratações deve-se ao facto de nomes como Markovic, André ou Elias terem significado um grande esforço financeiro, ao mesmo tempo que se revelaram uma grande desilusão. Francisco Geraldes, André Geraldes, Ryan Gauld, Daniel Podence e João Palhinha são os “retornados” que trazem na bagagem o sonho de se estrearem na equipa principal de futebol do Sporting Clube de Portugal. O mote para a próxima época está lançado, mas afinal de contas o que serão capazes de fazer estes “meninos” no que resta desta época?

O jovem Francisco Geraldes é o novo “menino bonito” da formação de Alvalade e há até quem já o apelide de “futuro capitão”. Depois da bestial campanha que fez no Moreirense na primeira fase da época, as expectativas de sócios e adeptos estão especialmente altas, sobretudo se tivermos em conta que chegou para ser a principal alternativa ao elemento mais influente da equipa, Adrien Silva. Com a saída de Elias, Geraldes vai focar para si todas as atenções quando o capitão leonino não estiver disponível, algo que esta época já foi uma grande dor de cabeça que se refletiu (e muito) no rendimento da equipa. Por isso mesmo, é essencial que o jovem português coloque ao serviço do coletivo todas as suas qualidades, de onde se destacam a visão de jogo (muito) acima da média, a capacidade combativa e a forma como lê o jogo e o estagna ou acelera conforme as necessidades. É certo que tem em si todos os ingredientes para ser um jogador muito influente a médio e longo prazo na equipa sportinguista. Agora resta-nos esperar que a sua evolução seja positiva e que Jorge Jesus consiga lapidar da melhor forma este diamante em bruto.

Francisco Geraldes e Daniel Podence rumaram ao Moreirense e regressaram a ‘casa’ juntos depois de fazerem história no clube de Moreira de Cónegos Fonte: Instagram de Francisco Geraldes
Francisco Geraldes e Daniel Podence rumaram ao Moreirense e regressaram a ‘casa’ juntos, depois de fazerem história no clube de Moreira de Cónegos
Fonte: Instagram de Francisco Geraldes

Quem também acompanhou Geraldes no seu regresso a Alvalade foi Daniel Podence. Apesar de ter deixado boas referências na pré-época, a opção final foi a de o emprestar ao Moreirense para ganhar experiência e ritmo competitivo. As boas exibições e a importância que teve no processo ofensivo da equipa de Augusto Inácio levaram a que o seu passaporte de regresso chegasse mais cedo que o previsto. Podence pode jogar a extremo (e é aí que está habituado a jogar) mas também tem qualidade para jogar como segundo avançado. Esta época essa tem sido uma das posições mais carenciadas, tanto que por ela já passaram várias jogadores “à experiência”. Por isso mesmo, em caso de não haver Bryan Ruiz, que tem sido o “bombeiro de serviço” para essa posição, é sempre possível utilizar o jogador português. Contudo, a falta de rendimento de Markovic (que entretanto abandonou o clube) e a inconstância de Joel Campbell levaram a que fosse obrigatório encontrar uma solução que servisse os interesses da equipa mas que também significasse concorrência para Gelson Martins. A sua capacidade desequilibradora (fruto da velocidade que imprime ao jogo) é a sua principal arma e, apesar de ainda ter pontos que precisam de ser trabalhados, se a sua evolução for boa, poderá vir a ser uma pedra no sapato das defesas adversárias.

O silêncio é de ouro

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O silêncio somente é de ouro ao sabermos calar-nos ou falar nos momentos certos. Caso contrário, o mesmo não passará de passividade cúmplice perante a ilegalidade e a imoralidade. Ou, pior ainda, de prova de culpa. Faz agora um mês que alegados membros dos Super Dragões, claque oficial do FC Porto, visitaram o centro de treino de árbitros, na Maia, onde, alegadamente, terão feito ameaças à vida de árbitros e de seus familiares. Esta situação, ao que parece, não terá sido tida como uma “de gravidade” pelos responsáveis do Estado e do futebol português. Para atestá-lo, basta verificarmos a ausência de consequências, seja de carácter desportivo ou cível, efectivadas em tempo útil face a tais actos. Aconteceu no dia 5 de Janeiro. No dia 13 do mesmo mês, Nuno Espírito Santo, treinador do FC Porto, voz crítica do poder instalado – essa figura abstrata nomeada repetidamente pelos responsáveis de FC Porto e Sporting como justificação dos respectivos contratempos (e da supremacia incontestável do Benfica) –, sentenciou ser “o momento de deixar de falar tanto nos árbitros”. Desconheço o que leva alguém a abdicar de defender aquilo que crê ser a verdade e a justiça. Mas, enfim, assim foi e assim tem sido.

Coincidentemente, numa latitude mais a Sul, teve início uma forte tempestade. Logo no dia seguinte das anunciadas tréguas, a 14 de Janeiro, o futebol português viveu um daqueles episódios que os mais ingénuos (como eu) julgavam fazer parte de um passado longínquo, ultrapassado, resistente apenas na memória e no Youtube. O Boavista empatou na Luz (3-3) com três golos ilegais – onde se destaca o fora-de-jogo de André Schembri, numa decisão para os anais da história da arbitragem; a 26 de Janeiro, o Moreirense venceu o Benfica (3-1) na meia-final da Taça da Liga, com dois golos ilegais  –  onde se destaca a falta sobre Eliseu no lance do segundo golo, a segunda construção humana vista do Espaço naquele dia; a 30 de Janeiro, o V. Setubal ganhou na recepção ao Benfica (1-0), ficando por assinalar um penálti evidente sobre André Carrillo, no último lance do jogo. Um ciclo tão negativo, quanto estranho e inesperado, que valeu, entre outras coisas, a Taça da Liga e a vantagem pontual que o Benfica tinha sobre o FC Porto, invicto neste período (quatro jogos; quatro vitórias), no campeonato.

Luís Filipe Vieira (e a sua equipa) mantêm o silêncio perante as últimas semanas Fonte: SL Benfica
Luís Filipe Vieira (e a sua equipa) mantêm o silêncio perante as últimas semanas
Fonte: SL Benfica

Peço a leitor para não extrapolar das minhas palavras. Nomeio apenas factos, abdicando mesmo, desta vez, de quaisquer conclusões. Aliás, ao ler e ouvir repetidamente os especialistas já conheço de cor e salteado, como, de resto, conhecemos todos, quais as causas e consequências desta tormenta: tudo se deve, unânime e exclusivamente, às persistentes lesões, ao cansaço físico e anímico, e, sobretudo, à factura de 44 jogos consecutivos que pesam em demasia nas pernas e na cabeça de Pizzi. Nunca foi tão fácil chegar-se a um diagnóstico.

Assim se tem vindo a justificar, portanto, o silêncio, não o de Nuno Espírito Santo, neste caso, mas o dos responsáveis do Benfica, dirigentes, treinadores e outros, perante os acontecimentos acima descritos. Admitindo que o problema é, essencialmente, de ordem interna, resta-me, como benfiquista, respeitar esse silêncio exigindo, porém, que nesta fase decisiva da época sejam encontradas rapidamente as soluções. Admitindo que tudo se decide dentro das quatro linhas, resta-me, como benfiquista, respeitar esse silêncio sobre árbitros e sobre as recentes arbitragens. Admitindo que a justiça desportiva funciona, resta-me, como benfiquista, respeitar esse silêncio sobre a pena decretada a Rui Vitória, após a expulsão no Algarve. Admitindo, e como conclusão – e admitindo que esta repetição já se tornou irritante ao leitor –, que o talento, a capacidade de trabalho e de sacrifício se mantêm inalterados, resta-me, como benfiquista, respeitar esse silêncio, aguardando que, no final, vença quem tem o melhor treinador, o melhor plantel e a melhor equipa. E que esse silêncio foi premiado, como habitual exemplo de elevação, e não penalizado, como um simples e pueril erro estratégico.

PS: noutro plano, talvez mais sério, e admitindo que ainda vivemos num Estado de direito, resta-me, como benfiquista, mas muito mais como cidadão, esperar que os crimes e os criminosos sejam devidamente punidos. Julgo que, neste ponto, estamos todos de acordo.

Academia de Alcochete: A Fábrica de Talentos

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No último jogo do Sporting, os leões entraram em campo com seis atletas formados na Academia de Alcochete no onze titular, nos dezoito convocados para o clássico dez eram da “cantera” leonina. Recorde-se os nomes dos jogadores em causa, Rui Patrício, Beto, Rúben Semedo, Ricardo Esgaio, João Palhinha, Adrien Silva, Gelson Martins, Daniel Podence, Francisco Geraldes e Matheus Pereira.
A verdade é que a base do onze habitual é a Academia de Alcochete, com nomes como Rui Patrício, Rúben Semedo, William Carvalho, Adrien Silva e Gelson Martins a serem absolutamente indiscutíveis no xadrez de Jorge Jesus. Gelson tem sido uma das estrelas em afirmação da equipa esta temporada, sendo um titular indiscutível já marcou quatro golos na Liga NOS e fez oito assistências.

Com o reajustamento do plantel, regressaram de empréstimo mais três grandes talentos formados em Alcochete, João Palhinha que esteve ao serviço do Belenenses e do Moreirense, chegaram ainda Francisco Geraldes e Daniel Podence, depois de venceram a Taça da Liga com a camisola do clube de Moreira de Cónegos. Estes foram três jogadores que foram importantes nesta meia temporada nos clubes onde estiveram e voltam ao Sporting pare crescer e dar o seu contributo à equipa. Hoje, o plantel principal do Sporting Clube de Portugal tem a sua base na Academia de Alcochete.

O êxito em Paris é uma página de ouro para a Academia de Alcochete Fonte: Sporting CP
O êxito em Paris é uma página de ouro para a Academia de Alcochete
Fonte: Sporting CP
Nos 23 campeões europeus, ao serviço da selecção portuguesa, estavam presentes dez atletas provenientes da formação leonina, Rui Patrício, Cédric Soares, José Fonte, João Moutinho, William Carvalho, João Mário, Adrien Silva, Nani, Ricardo Quaresma e o capitão Cristiano Ronaldo. Destes 23 campeões da Europa, três integram o plantel do Sporting.

Vale ainda a pena recordar que o Sporting, enquanto clube formador, soma cinco Bolas de Ouro, repartidas entre Luís Figo por uma ocasião e Cristiano Ronaldo com quatro troféus. Entre tantos outros talentos da escola de formação leonina, que ao longo dos 111 anos de história do clube foram surgindo no futebol português, como é o caso de Paulo Futre. É caso para dizer: os melhores do mundo nascem aqui!

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Os Gémeos Promissores da Linha – Entrevista a Rodrigo e Tomás Martins

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Os gémeos Rodrigo e Tomás Martins são dois jovens, de dezoito anos, que sempre jogaram juntos. Começaram no Belenenses, passaram pela Foot21 e Linda a Velha, antes de chegarem ao Estoril-Praia. Actualmente, só Rodrigo Martins joga na Amoreira, após Tomás ter abraçado um novo projecto junto do Real Massamá. Os gémeos começaram uma nova etapa: jogarem afastados pela primeira vez na sua carreira.

Positivo ou negativo, o tempo o dirá, o que é certo é que ambos ambicionam os grandes palcos e, como dois potenciais jogadores das nossas camadas jovens nacionais, é fácil reconhecer-lhes o seu empenho e a sua imensa vontade através do trabalho diário que apresentam.

Rodrigo Martins, 18 anos, joga nas alas
Rodrigo Martins, 18 anos, joga nas alas

Bola na Rede : Quais são as tuas perspectivas para o futuro?

Rodrigo Martins: As minhas perspectivas para o futuro são as mesmas que todos os jovens ambicionam: chegar ao futebol profissional e, se possível, aos melhores palcos.

BnR: As condições que o Estoril oferece são comparáveis aos outros grandes de Lisboa?

RM: O Estoril oferece boas condições de trabalho, no entanto, tanto o Sporting como o Benfica, têm melhores condições para oferecer aos atletas da formação. Têm campos de treino e complexos desportivos que o Estoril não tem.

BnR: O que gostarias que acontecesse no início da próxima época?

RM: Gostava de fazer a pré-época com os seniores, ter um contrato profissional e, se possível, estrear-me na primeira liga.

BnR: Esta época já foste chamado várias vezes para fazeres alguns treinos com o plantel principal do Estoril-Praia. Achas que esta temporada têm potencial para continuar na primeira liga?

RM: Já fiz alguns treinos. Fiz inclusive um jogo de treino. É uma equipa com grande valor mas está ainda neste momento a habituar-se ao novo treinador e às suas ideias. Reconheço a dificuldade, mas creio que têm condições para continuar a jogar na primeira liga.

BnR: Se pudesses ter um desejo a ser realizado de forma imediata, qual escolherias?

RM: Estrear-me na Primeira Liga.

BmR: É a primeira vez e o primeiro ano que jogas sem o apoio do meu irmão Tomás, como te sentes sem o apoio dele?

RM: Perdi um dos jogadores que mais me compreendia dentro de campo, porque sempre jogámos juntos desde muito novos e gostava que ele pudesse continuar comigo.

O abismo das quotas de TV dos estaduais

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Cabeçalho Liga Brasileira

Os campeonatos estaduais começaram e ao contrário do que muitos pensam as competições podem ser até bem valorizadas financeiramente, claro se estivermos falando dos campeonatos paulista e carioca. Se considerarmos apenas as cotas de televisão desse ano, o Paulistão lidera o ranking e faturou com o contrato com a Rede Globo 160 milhões de reais. Os quatro maiores clubes paulistas (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo) foram os clubes que ficaram com a maior fatia da divisão da cota televisiva (17 milhões de reais recebeu cada clube). Já o Cariocão também possui um contrato com o Rede Globo. A emissora investiu 120 milhões de reais para ter os direitos televisivos da competição. Os grandes cariocas (Flamengo*, Vasco, Fluminense e Botafogo) receberam 15 milhões de reais cada.

Entretanto, nem apenas de grandes cotas vivem os estaduais. Para se ter uma ideia o terceiro estadual mais valorizado do Brasil é o Campeonato Mineiro (36 milhões de reais); seguido do Campeonato Gaúcho (33,8 milhões de reais). Minas Gerais e o Rio Grande do Sul sempre foram duas grandes potências do nosso futebol, porém a desvalorização que os seus campeonatos possuem perante o do Rio e o de São Paulo é gigantesca.

Essa diferença é ainda maior quando comparamos o Campeonato Carioca e o Campeonato Paulista com o Campeonato Baiano (cito o Campeonato Baiano pois a Bahia possui dois representantes na Série A do Campeonato Brasileiro, Bahia e Vitória). O Baianão possui um contrato com a Rede Bahia (afiliada da Rede Globo) que gira em torno de 2,7 milhões de reais, sendo que a dupla Ba-Vi recebe 850 mil reais cada.

Flamengo e Corinthians são os clubes com as maiores receitas do futebol brasileiro Fonte::Globoesporte.com
Flamengo e Corinthians são os clubes com as maiores receitas do futebol brasileiro
Fonte::Globoesporte.com

Claro que sempre devemos levar em consideração a visibilidade que os times cariocas e paulistas possuem no país, devido ao gigantesco número de torcedores. Graças a esse contingente de torcedores, o Cariocão é transmitido para 15 estados da federação. Os telespectadores acabam determinando o valor em que o estadual será vendido para a emissora de televisão e em consequência disso acabam contribuindo, involuntariamente, para a desvalorização da competição do seu estado.

Agora a grande questão é como vamos tentar amenizar essa diferença brutal de receita que recebem os clubes pertencentes à mesma divisão nacional!? E estamos falando apenas das cotas de televisão para os estaduais, pois se considerarmos os patrocínios dos clubes, as cotas de televisão que cada time recebe no Brasileirão e as vendas de produtos oficiais, essa diferença chega a um patamar muito elevado.

A verdade é que os clubes paulistas e cariocas, principalmente o Corinthians e o Flamengo, tendem a dominar cada vez mais o futebol brasileiro. Se estiverem bem administrados e organizados eles passarão por cima dos demais. É necessário que essa desigualdade financeira existentes entre os clubes seja resolvida o quanto antes, para o bem do futebol brasileiro. O clube que recebe uma cota bem inferior aos demais não possui nem o direito de errar em alguma contratação, enquanto o clube que recebe uma cota “gorda” pode se dar ao luxo de contratar quatro atacantes que se ao menos um der certo já sairá ganhando. Portanto, uma distribuição mais justas das cotas de televisão já seria um bom início para equilibramos mais a competitividade do nosso futebol.

*O Flamengo ainda não assinou o contrato, pois não aceitou o percentual destinada à FERJ. Cada clube repassaria à Federação Carioca 10% do contrato geral (12 milhões de reais).

Foto de capa: CBF

SC Braga 1-1 GD Estoril-Praia: Em campo minado, sambar é o aconselhado

Cabeçalho Futebol Nacional

No fecho da jornada vinte do campeonato português, Sporting de Braga e Estoril Praia empataram a um golo no estádio municipal de Braga. Os autores dos golos foram Kléber para o lado visitante aos  trinta e cinco minutos e Rosic para o Braga aos cinquenta e quatro. Com este resultado, o Braga não aproveitou a derrota do Sporting frente ao Futebol Clube do Porto para ascender ao terceiro lugar. Já o Estoril, soma mais um ponto num terreno difícil, mantendo-se a dois do penúltimo posto. Relativamente às alterações mais evidentes nos onzes, destaque para Licá, que reforçou o plantel estorilista neste mercado de inverno por forma a equilibrar e dar mais competitividade ao grupo. Do lado arsenalista, a entrada directa de Alan e Ricardo Ferreira são as novidades. Este último volta de lesão e que seja para agarrar o posto de uma vez por todas.

Iniciava o jogo no municipal de Braga com uma oportunidade à boca da baliza por parte de Rodrigo Battaglia. O argentino viu bem o espaço nas costas da defesa e a cruzamento de Alan quase levantou o estádio aos cinco minutos. Não acertou no alvo apesar da proximidade. A resposta canarinha seguiu-se com algumas incursões pelas linhas e pressão nas zonas perigosas, obrigando o Braga a recuar no terreno. Não criou grande perigo em espaços de finalização, mas através de uma bola parada aos dezoito minutos quase fazia um grande golo. O Braga jogava a um ritmo lento e sem grande discernimento lá na frente, mas ainda assim viria a tentar chegar ao golo através de Stojiljkovic numa jogada de insistência e alguma atrapalhação. De seguida, Pedro Santos tentou um cabeceamento, mas saiu fraco e frouxo onde só faltaram formigas a flutuar… Em baixo, mas não desarma em fazer das suas.

Não marcou o Braga; marcou o Estoril. Jogada rápida pelo lado direito, onde Licá cruza de forma perfeita para a cabeça de Kléber. Estava inaugurado o marcador com uma testada do brasileiro a fuzilar as redes da baliza de Marafona. Trinta e quatro minuto de jogo decorridos e o Estoril vencia por uma bola a zero. Aos quarenta minutos uma bomba de Kléber fez Marafona esticar-se todo para fazer uma boa defesa. Em cima do tempo de descanso fica por assinalar uma grande penalidade a favor do Braga. Rui Fonte tenta cruzar e Gonçalo Brandão cortar. Conseguiu levar a melhor o defesa mas com o membro proibido. Vasco Santos não viu o que cerca de cinco mil pessoas viram. «Com esta chuva vamos é para os balneários!» Quarenta e sete minutos depois é dado o apito para assentar ideias.

A segunda parte começava com o Braga a assumir o jogo e a tentar materializar em golos as oportunidades que até então havia criado. Na cobrança de um pontapé de canto por Pedro Santos, Rosic faz golo à cabeçada e chega também ele a atravessar a linha de golo. Golpe de crânio que valeu por dois mas só contou por um… Estava então tudo empatado. O Braga mostrava que jogava em casa e continuava a carregar o Estoril. Alan encontra Rui Fonte na área, e este, Moreira pelo caminho. Prevalecia o um igual. Entretanto, um jogador do Estoril calcou uma mina… Pausa para perceber quem tinha posto lá tal coisa… Aos sessenta e dois minutos, os canarinhos tentam responder através de nova bola parada. Passou longe, mas perto para quem vivia intensamente jogo. Simão quis entrar na discussão e lançou Cartabia, o mais recente reforço dos bracarenses, na esperança de tirar um coelho da cartola. O argentino quase fazia moça numa jogada individual deliciosa, em que a defesa do Estoril ficou a beber o Mojito na tal praia…

Nos últimos vinte minutos da partida, uma oportunidade de Rui Fonte na cara do golo surge a cruzamento de Stojiljkovic, onde Moreira faz uma enorme defesa com o seu equipamento XXL. Entretanto, uma nova mina é encontrada perto da linha de meio campo… Kléber apelou por assistência e assim foi. Vasco Santos pediu para se desarmarem todas as bombas para se poder retomar a partida. «É chuva, frio, minas, mãos… Alguém ajude o Vasco!» Assim sendo, são quatro os minutos de compensação. Já em tempo de descontos, Baiano tenta rematar colocado pelo meio da praia mas alguém soube cortar a bola perto da linha de golo. Terminou empatado o encontro entre Braga e Estoril com um ponto para cada lado. Com este resultado, a tabela mantém-se intacta e inalterável. Bem sambou entre minas o Braga mas não deu Carnaval.

 

Foto de Capa: Sporting Clube de Braga

Artigo de opinião de Pedro Nuno Sousa e Jorge Fernandes

O poder da persistência, por Isaiah Thomas

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Cabeçalho modalidadesIsaiah Thomas é, hoje, uma das grandes personalidades da NBA, mas o caminho do base dos Boston Celtics nunca foi fácil e está muito longe de ter chegado ao fim. Com 1,75m de altura e muitos obstáculos no caminho, Thomas não procura a aprovação de ninguém a não ser dele mesmo, do seu treinador e dos seus colegas, num mundo que supostamente é só para gente grande. Na semana em que completa 28 anos, olhamos para o que o pequeno All-Star dos Celtics já fez e o muito que ainda lhe falta fazer, numa altura em que os holofotes apontam, finalmente, na sua direção.

As pedras no percurso de Isaiah começaram a aparecer cedo. Como as notas escolares não lhe permitiam uma bolsa de estudo numa universidade, Thomas mudou de Washington, Seattle, para Connecticut, Nova York, e ainda repetiu um ano no secundário. Chegada a oportunidade de ingressar na universidade, Thomas regressou à sua terra natal como o 98º melhor atleta do país a entrar na faculdade. Não era suficiente para o pequeno base, que encheu os pavilhões universitários dos Estados Unidos com a sua qualidade.

Na noite do draft da NBA, Thomas viu 59 jogadores serem escolhidos à sua frente. Alguns deles nunca chegariam a pisar um palco da maior liga de basquetebol do mundo, outros teriam no banco de suplentes da NBA o seu melhor amigo em múltiplas noites. Mas Thomas não. A sua carreira vinha sendo constantemente definida pela opinião dos outros.  “Um rapaz tão pequeno, que até torna absurdo o facto de ter entrado na liga. O último a ser escolhido, a cauda do draft”. Tudo o que era equipa da NBA viu mais potencial noutros jogadores do que em Thomas. E isso foi o seu combustível naquela noite e nas noites que se seguiriam.

Fonte: Isaiah Thomas
Fonte: Isaiah Thomas

Três épocas nos Sacramento Kings, que o deixaram sair para conseguirem um base “que passasse melhor a bola”, e mais meia época em Phoenix, que não deixam saudade a Thomas e que não deixaram propriamente boquiabertos aqueles que duvidavam dele, até chegar a Boston. Numa das equipas com maior historial na liga, Thomas encontrou a sua casa.

Com pouco menos de um mês a jogar de verde-e-branco, Isaiah e os Celtics visitaram Miami. O jogo estava equilibrado, no quarto período, quando Thomas atacou o cesto, marcou e sofreu uma falta dura, tendo caído de costas no chão. Em claro sofrimento, IT ouviu o seu colega Jae Crowder dizer “Levanta-te, precisamos de ti”. Thomas levantou-se, marcou o lance-livre e minutos depois converteu um triplo que selou a vitória dos Celtics. A equipa de Boston saía vitoriosa e Isaiah percebeu que aquilo que sempre tinha procurado não era a aprovação daqueles que duvidavam dele, mas sim daqueles que iam “para a guerra com ele”. E ali, naquela noite e naquele momento em que se contorcia no chão com dores, Thomas teve essa aprovação e percebeu que estava onde devia estar.

Hoje, Isaiah Thomas vai a caminho do seu segundo jogo All-Star (no qual deveria provavelmente fazer parte do cinco inicial) e é uma das estrelas maiores da liga, mas ainda lhe falta muito caminho por percorrer. Falta-lhe juntar um título (pelo menos) aos 17 que os Celtics exibem orgulhosamente no TD Garden, por exemplo. Porém, Thomas não espera (nem quer) que sintam pena dele pelas vezes que duvidaram dele no passado. Porque Thomas não sente pena da vossa equipa quando “despeja” entre 30 a 40 pontos por jogo, na NBA. Nem sentiu pena de si próprio quando, naquela noite de draft em 2011, todas as equipas da NBA viram maior potencial e talento noutros 59 jogadores, porque foi a partir desse momento que o pequeno base começou a construir o seu percurso até ao estrelato.

Foto de capa: Isaiah Thomas

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Palmeiras na linha da frente

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Cabeçalho Liga Brasileira

O Palmeiras parece estar a vencer a demais concorrência; pelos menos, no que aos melhores reforços diz respeito. É verdade que quem ganha prepara melhor o defeso. Pelo menos com mais serenidade. Assim, o Verdão parece estar a trabalhar de forma muito consistente. Vamos por partes.

O técnico Cuca, que havia ganho a Libertadores pelo Atlético Mineiro – e que já na altura tinha saído para a China –, voltou a ser tentado e caiu no encantamento, novamente, de voar até aos milhões chineses. Não se pode propriamente criticá-lo por isso. Para o seu lugar, veio sem grande alarido o novo técnico: Eduardo Baptista. Um homem relativamente novo (45 anos). Contudo, Baptista conta com uma vasta experiência no futebol brasileiro, com passagens por vários e enormes clubes, como Santos, Flamengo, Corinthians, entre outros. Quase sempre como preparador físico. Só em 2014 assumiu o comando do Sport Recife como interino. A partir daí, fez sempre bons trabalhos, consubstanciando-se em passagens pelo Fluminense e pela Ponte Preta. Eduardo Baptista chega agora ao maior campeão Brasileiro, com a imensa responsabilidade de tentar renovar o título de 2016 e tentar chegar ao impressionante Decacampeonato. E parece que a direção palmeirense não faz por menos.

Eduardo Baptista é o novo homem do leme do Palmeiras Fonte: Verdão Web
Eduardo Baptista é o novo homem do leme do Palmeiras
Fonte: Verdão Web

Felipe Melo, do Inter de Milão, está perto de ingressar nos paulistas. O mesmo acontece com Michel Bastos, que rescindiu contrato com o São Paulo. Com a venda de Gabriel Jesus, o Palmeiras encaixou uma boa quantia, que será usada, certamente e em parte, para algumas contratações pontuais. Isto porque o time não terá muitas mexidas e, como diz o ditado, em time que ganha, não se mexe.

Ainda estamos numa fase muito embrionária da temporada de futebol no Brasil. Muita coisa ainda vai acontecer. Todavia, se tivesse que apontar um único favorito – tarefa quase impossível no Brasileirão – daria esse estatuto ao Palmeiras. Não só porque foi campeão, mas também porque parece ser o clube mais organizado em Terras de Vera Cruz.

Foto de capa: Torcedores.com