Hoje, decidi falar de números… Esta época, e até ao momento, os leões realizaram 31 partidas oficiais (6 na Liga dos Campeões, 18 na Liga Portuguesa, 4 na Taça de Portugal e 3 na Taça da Liga). No total, obteve 16 vitórias, 5 empates e 10 derrotas (46 golos marcados e 30 sofridos).
Significa que a percentagem de vitórias é de 51% (as derrotas correspondem a 32%, o que representa cerca de um terço dos jogos realizados) e a média de golos marcados por jogo é de cerca de 1,5 golos e, em média, tem cerca de 1 golo sofrido por jogo.
E estes são os números dos reforços do Sporting (por ordem de minutos jogados):
1. Bas Dost – 27 jogos; 2230 minutos, 17 golos marcados
Primeira parte de fraco futebol no Restelo, num estádio com muita gente afeta ao Vitória. Os adeptos da equipa de Setúbal tiveram mesmo a única oportunidade de festejar, nesta primeira parte, e saíram para o intervalo com vantagem no marcador.
O lance começou com um ataque muito displicente da equipa do Belenenses, que acabou por perder a bola e isso resultou num contra ataque da equipa forasteira. Nuno Santos conduziu a bola, fez um passe a rasgar para Edinho e o avançado português rematou cruzado, sem hipóteses para Cristiano. Vantagem justa do Vitória ao intervalo, no único lance de verdadeiro perigo que se registou nos primeiros 45 minutos de jogo.
A segunda parte começou praticamente com um golo do Vitória. Livre para os sadinos, após falta sobre Edinho e com o internacional português a marcar de cabeça após o livre de João Amaral. O marcador apontava 0-2 e a equipa do Restelo ficava com ainda menos margem de manobra no encontro. O Vitória continuou por cima do jogo e teve dois golos anulados quase de seguida, sendo que o primeiro foi anulado a Zé Manuel e o segundo a Edinho, ambos por alegado fora de jogo.
Muitos adeptos do Vitória entre os 3829 espetadores
O jogo manteve-se com a equipa de Setúbal mais dominante e por cima da partida, mas foi a equipa de Belém quem marcou. Tiago Caeiro correspondeu da melhor maneira a um cruzamento de Juanto, com uma espécie de pontapé de bicicleta, não dando quaisquer hipóteses a Bruno Varela.
O golo animou os adeptos do Belém e a equipa, que logo depois podia ter marcado por Fábio Nunes. Apesar de passarem a dominar o jogo, os azuis do Restelo não conseguiram o golo da igualdade, terminando o jogo 1-2, numa vitória justa dos sadinos.
Numa tarde fria, mas solarenga, na capital portuguesa, o Tondela marcava presença no Estádio da Luz para enfrentar o Benfica no seu reduto para o início da segunda volta do campeonato português de futebol.
Gonçalo Guedes ficou na bancada, dando asas aos rumores que sustentam a saída do jovem do Benfica, rumo ao estrangeiro. Também Lisandro ficou na bancada. No onze, Zivkovic estreia-se a titular, jogando no lado direito do ataque encarnado.
O árbitro apitou para o início da partida com hora marcada para as 16 horas deste domingo, que antecede o início de mais uma semana de trabalho.
Bola a rolar na relva verde da Catedral. O Benfica quis despachar o assunto nos primeiros minutos de jogo e carregou para cima da defensiva do Tondela. As combinações no meio-campo da equipa visitante, além de rápidas e perigosas, eram constantes por parte da ofensiva do Benfica.
Nos primeiros 25 minutos de jogo viram-se várias jogadas de qualidade que prometeram o golo inaugural para os encarnados: um grande remate de Jonas para defesa de Cláudio Ramos, Jonas (outra vez ele) a combinar com Mitroglou e a demorar-se na finalização e vários cantos e jogadas curtas à espera de serem finalizados por alguém que tende a não aparecer para encostar; Mitroglou ainda caiu na área, havendo alguma contestação, embora sem sustentação. O árbitro fez bem em deixar seguir.
Passados os 25 minutos, o Tondela organizou-se e fez o Benfica passar pela pior fase do jogo. Contra-ataques levaram muito perigo à baliza defendida por Ederson por parte dos atletas da equipa de Viseu. Vagner ainda protagonizou a primeira entrada da bola nas redes das balizas do estádio esta tarde, embora de forma ilegal. Fora de jogo bem tirado pelo fiscal de linha Rui Teixeira.
Perto do intervalo, ainda houve tempo para uma sequência de ataques e contra-ataques de ambas as equipas. Contudo, sem sucesso. Intervalo a zeros na partida.
Pizzi abriu o marcador esta tarde, no Estádio da Luz Fonte: Benfica/Helder Santos/ASpress
Na segunda metade da partida, Salvio entrou para o lugar de Cervi e o Benfica começou tal como iniciou a primeira parte, entrando assim melhor do que como acabou o primeiro tempo.
Ainda nem cinco minutos tinham passado e já surgia o primeiro lance de perigo, e que perigo! Dupla tentativa na sequência de um lançamento longo de Salvio. Desvios e uma defesa enorme de Cláudio Ramos salvaram a formação verde e amarela. Porém, com o perigo, veio a polémica. Foi pedido penálti por bola no braço de um jogador do Tondela, lance que vai dar que falar durante esta semana.
O Benfica continuava a insistir e o Tondela a resistir. Mais forte na segunda parte, a formação encarnada pressionava imenso a equipa adversária. Na falta de hipótese de combinações curtas, o Benfica também tentava meter a bola por cima das costas da defesa, mas o Tondela continuava muito bem organizado e fechado junto à sua área. Pizzi e Zivkovic, pela lateral, tentavam o remate e o cruzamento, mas Cláudio Ramos e os defesas do Tondela negavam as investidas.
Foi na sequência de um pontapé de canto que o Benfica conseguiu quebrar a muralha e inaugurar o marcador. Zivkovic bateu largo, para onde estava Luisão, que centrou de cabeça. Bola recebida por Samaris, que atrasa para Pizzi, que remata para alívio dos adeptos encarnados. Estava feito o primeiro no Estádio da Luz.
Depois do golo, o Benfica diminuiu a intensidade da pressão, desafogando um pouco o Tondela, mas nunca deixando de procurar o segundo. Tinham sido 15 minutos agoniantes para a equipa de Viseu que agora conseguia sair mais com a bola.
Perto dos 70 minutos, Mitroglou foi substituído por Rafa, mudando a estratégia de jogo no Benfica, que passava a contar com Salvio, Zivkovic, Rafa e Jonas. Rafa foi fazer dupla com Jonas e as alas mantiveram-se imutáveis. Sendo Rafa um jogador completamente diferente de Mitroglou, o ataque do Benfica ganhava mais mobilidade e velocidade.
O Tondela, embora por poucas vezes, não deixava de criar perigo com remates de longe. Porém, o Benfica reagia sempre à altura. Desta vez, com Salvio isolado a deixar fugir a bola para o guarda redes do Tondela.
Depois de muita insistência, um grande passe de Samaris para a desmarcação na linha de Nélson Semedo que atrasou para Pizzi. Foi so encostar e assim fez o segundo do Benfica que dava mais tranquilidade ao resultado.
Já nos últimos dez minutos de jogo, Rafa ainda ofereceu o golo a Salvio, mas o argentino tinha pouco ângulo e a bola passou a rasar o poste.
Quase no lance seguinte, o mesmo Rafa estreou-se a marcar pelo Benfica. De primeira, e após grande passe de Jonas, viu Claudio Ramos adiantado e picou a bola num bonito chapéu por cima do guarda redes, acabando dentro da baliza adversária. A euforia e alegria foi geral com grandes festejos junto do internacional português. Depois de André Almeida se estrear a marcar no jogo passado, agora foi a vez de Rafa.
Já nos descontos, André Almeida investiu pela esquerda e entrou na área para tentar centrar. Pica foi expulso por acumulação de amarelos ao impedir o seguimento da jogada com o braço direito. Oportunidade para Jonas marcar, e foi o que fez. Penalti convertido com sucesso e fim do jogo na Luz.
O Benfica mantém a liderança e a distância para o Porto, segundo classificado com desvantagem de 4 pontos. O Sporting fica agora a 10 pontos do líder encarnado e o Braga, que ocupa o terceiro lugar, fica, à condição, a 9 pontos.
Nemanja Nikolić é aquilo a que se pode chamar um goleador nato, mas nem o facto de ter apontado cerca de 130 golos nos últimos seis anos fez com que o internacional húngaro fosse noticia na generalidade dos meios de comunicação da Europa Ocidental.
Nascido em Senta, na antiga Jugoslávia, filho de pai sérvio e mãe húngara, Nikolić fez quase toda a sua carreira profissional no futebol magiar. Depois de passagens por emblemas de escalões inferiores, onde, mesmo assim, fez jus à sua veia goleadora, Nikolić chega ao Videoton FC em 2010, onde viria a privar com o técnico português Paulo Sousa, com quem não teve sempre uma relação pacifica. Apesar de muitas vezes preterido do onze inicial do actual treinador da ACF Fiorentina na época de 2011-12, Nikolić conseguiu marcar nada mais, nada menos, que 19 golos em 30 jogos, muitos deles como suplente utilizado. Os seus golos não foram, no entanto, suficientes para que o emblema da cidade de Székesfehérvár revalidasse o título que havia vencido na temporada anterior.
Nemanja Nikolić ao serviço do Legia Warszawa Fonte: Legia
Com o seu faro para o golo sempre altamente apurado, foi na temporada 2014-15, já sem Paulo Sousa, que Nikolić conseguiu o seu melhor registo ao serviço do Videoton FC, apontando 21 golos em 25 jogos ajudando, assim, a sua equipa a recuperar o título de campeão da Hungria, que lhe fugia desde 2011. As excelentes prestações ao serviço do emblema de Székesfehérvár valeram-lhe uma transferência para o país vizinho, a Polónia, para representar um histórico do futebol europeu, o Legia Warszawa.
A mudança não afectou o internacional húngaro, bem pelo contrário, e Nemanja Nikolić tornou-se rapidamente numa peça fundamental da equipa orientada pelo actual selecionador russo, Stanislav Cherchesov. Com 28 golos marcados em 37 partidas, Nikolić tornou-se, não só, no melhor marcador da Ekstraklasa (Liga Polaca), como também arrecadou o título de melhor jogador do ano. O Legia Warszawa acabaria por vencer a liga, com dois pontos de vantagem sobre o GKS Piast Gliwice, beneficiando e de que forma, da veia goleadora de Nikolić, que apontou quase metade dos 58 golos marcados pelo emblema da capital polaca nessa temporada.
A Juventus venceu, na 21ª jornada da Serie A, a Lazio de Simone Inzaghi. Num jogo de sentido único, foram os argentinos Higuaín e Dybala a darem colorido ao resultado e a dar mais uma vitória à pentacampeã italiana.
Ainda as equipas aqueciam os motores e já Dybala mostrava toda a sua qualidade. Bola longa de Lichsteiner, Mandzukic muito bem a amortecer de cabeça e o argentino, num belo remate de primeira – que pancada na bola –, a bater Marchetti e a colocar a Juve em vantagem com apenas cinco minutos decorridos. A equipa romana tentou ir à procura do empate, mas sem sucesso. Com uma excelente organização defensiva, a turma comandada por Allegri não deixava a Lazio aproximar-se com perigo da baliza de Buffon e tentava forçar o erro do adversário, que acabou por acontecer. Cruzamento de Cuadrado, Stefan de Vrij distraiu-se e deixou Higuaín antecipar-se e desviar a bola para o fundo da baliza. Dezassete minutos e a Juve já vencia confortavelmente por duas bolas a zero.
Apesar do esforço laziale, a Juve foi superior Fonte: Juventus
Mais um golo de vantagem para a equipa da casa, mas a toada do jogo manteve-se igual. A Lazio, a espaços, conseguia ter alguma circulação de bola no meio-campo da Vecchia Signora, mas sem nunca conseguir chegar à baliza defendida por Buffon, com exceção feita a um remate frouxo de Milinkovic Savic. Até ao final do primeiro tempo, nota para uma investida de Bonucci no ataque, que depois de uma recuperação a meio-campo, apareceu na área para finalizar um cruzamento de Cuadrado, com a bola a sair ao lado.
Na segunda parte a equipa orientada por Simone Inzaghi entrou mais espevitada, a tentar exercer uma pressão mais alta sobre a Juventus, mas sem efeito. Os bianconeri revelaram sempre uma grande maturidade táctica, controlando todos os momentos de jogo e funcionando com um coletivo muito forte e a Lazio nunca conseguiu contrariar essa força coletiva. Dybala, com dois passes de Higuaín e Cuadrado, esteve perto de bisar por duas vezes, mas falhou a baliza em ambas as ocasiões. Com o avançar do cronómetro, a Juventus foi diminuindo o ritmo do jogo, controlando a seu belo prazer a posse de bola e impedindo a Lazio de criar qualquer tipo de lance que pudesse reduzir a desvantagem. Marko Pjaca, lançado por Allegri, esteve perto de se estrear a marcar pela equipa de Turim duas vezes, mas acabou por finalizar mal nas duas ocasiões.
Vitória incontestável do líder do campeonato que nunca permitiu que a Lazio discutisse o jogo e demonstrou sempre uma superioridade digna de um clube pentacampeão e continua a sua caminhada rumo ao sexto título consecutivo.
Com o decorrer da 2.ª jornada da fase de grupos, já fui possível observar um aumento de qualidade de jogo entre as seleções que se encontram no Gabão a disputar a 31.ª edição do CAN, facto esse que agradou os amantes do Desporto Rei. Em seguida, irei fazer um breve resumo do que se assistiu nos oito jogos que se disputaram referentes à 2.ª jornada.
No grupo A, teve-se a oportunidade de assistir a duas ótimas partidas de futebol, embora com resultados distintos: um empate e uma vitória. O duelo que opôs frente a frente dois treinadores conhecidos dos adeptos portugueses – o espanhol José Antonio Camacho ao comando do Gabão e o português Paulo Duarte do lado da Burquina Faso, registou um empate a uma bola no final de jogo, embora com nenhuma das seleções a merecer sair derrotada neste jogo devido ao belo espetáculo que proporcionaram aos adeptos presentes no estádio. Na partida entre os Camarões e a Guiné-Bissau, a vitória acabou por sorrir aos camaroneses – 2-1 no final. Contudo, é merecido dar os parabéns aos guineenses pela enorme exibição que realizaram frente a um adversário reputado e apontado como um dos fortes candidatos à conquista da prova. Em relação à 3.ª e derradeira jornada, qualquer uma das quatro seleções parte com as aspirações intactas no que diz respeito à obtenção de um passaporte para os Quartos-de-final, embora a situação da única representante dos PALOP não seja tão favorável: encontra-se no último lugar do grupo com 1 ponto conquistado, tendo por isso a obrigação de vencer a Burquina Faso e esperar que o Gabão perca ou empate com os Camarões, para poder continuar a fazer história no CAN.
A 2.ª jornada fo grupo B ditou uma enorme surpresa: a favorita Argélia foi derrotada pela Tunísia, por 1-2. Num jogo onde os golos só surgiram na 2.ª parte, os argelinos não conseguiram provar em campo o estatuto de candidata à final do próximo dia 5 (muito por culpa da exibição inspirada do guarda-redes da Tunísia Aymen Balbouli), os tunisinos foram letais no contra-ataque e tiveram a vencer por dois golos de diferença até perto do fim do encontro, altura em que Sofiane Hanni reduziu a diferença no marcador. No outro encontro, o Senegal venceu por 2-0 o Zimbabué e tornou-se a primeira seleção a garantir a passagem aos Quartos-de-final do CAN’17. O senegalês Sadio Mané, atleta do Liverpool, voltou a ter um papel preponderante, ao marcar o primeiro golo do jogo e a ser um constante quebra-cabeças da defesa adversária. Com o Senegal já qualificado, a segunda vaga para a próxima será discutida entre a Tunísia e a Argélia, embora com As Águias do Deserto (alcunha da seleção tunisina) a partirem com ligeiro favoritismo para obter essa vaga, devido à vantagem no confronto direto.
Mané e Keita celebram o golo inaugural diante do Zimbabwe Fonte: Mirror
A Costa do Marfim continua a não conseguir acertar o passo, com vista à revalidação do troféu conquistado na edição de 2015. No seu segundo jogo no grupo C, os costa-marfinenses registaram o seu segundo empate na competição – 2-2 contra a República Democrática do Congo. No encontro entre Marrocos e Togo, os marroquinos foram mais fortes e venceram por 3-1. O defesa-central Manuel da Costa, ex-jogador do Nacional da Madeira, foi titular pela seleção marroquina e atuou os 90’. No que diz respeito à classificação atual deste grupo, a surpreendente República Democrática do Congo encontra-se em 1.º com 4 pontos, seguida de Marrocos com 3 pontos, Costa de Marfim com 2 e, em último, o Togo com 1 ponto conquistado. A última jornada neste grupo será de enorme incerteza nas duas partidas que se irão disputar (Marrocos vs Costa do Marfim e Togo vs R.D. Congo), uma vez que qualquer uma das quatro seleções poderá passar à fase seguinte da competição.
O grupo D já tem uma seleção apurada para a seguinte fase da prova, e trata-se do Gana que derrotou o Mali por 1-0, com o golo a ser apontado aos 21’ por intermédio de Asamoah Gyan. Quanto ao outro jogo deste grupo, o Egito bateu o Uganda pelo mesmo resultado. Com esta derrota, o Uganda é a primeira seleção a ser eliminada do CAN’17. Após esta jornada, o Gana está no 1.º lugar do grupo D com 6 pontos conquistados (fruto das duas vitórias por 1-0 frente ao Uganda e Mali), com as seleções do Mali e Egito a discutirem na última jornada quem é que irá acompanhar o Gana até aos Quartos-de-final.
Em conclusão, a principal ilação que se pode retirar desta jornada é a de que o estatuto de “favorito” de pouco tem servido às seleções africanas mais reputadas, dado que não têm conseguido provar dentro do campo esse mesmo favoritismo, como são os casos da Argélia e Costa do Marfim, que chegam à última jornada em risco de não ultrapassar a fase de grupos. Resta apenas esperar pela 3.ª e derradeira jornada para averiguar se as ditas seleções favoritas conseguem ou não alcançar os Quartos-de-final.
A escassez de jogadores novos que acrescentem qualidades ao plantel do Sporting fez com que o tema dos reforços seja um dos mais debatidos no actual período perturbado que a equipa vive. O dilema começa imediatamente na denominação atribuída ao jogador que acaba de chegar, sendo que, em alguns casos, ele representa tudo menos um reforço e faz tudo menos reforçar.
A transversalidade do fenómeno até poderia contribuir para o descanso dos Sportinguistas. Não é novidade um jogador de quem se espera muito não cumprir as expectativas, mas a situação complica-se quando o fenómeno não se sucede apenas com um jogador, contagiando meia dúzia de uma só vez. Entre as constatações lógicas ressalta a ideia de que o chamado “reforço” pretende aumentar os índices qualitativos de uma equipa, ora tentando colmatar a saída de um jogador, ora tentando corresponder a uma necessidade concreta de natureza distinta, representado o produto final do trabalho de Scouting. Antes da análise, lembre-se que no final da época passada o Sporting movimentou-se no mercado de transferências tendo perdido dois dos seus jogadores mais importantes e confrontando-se com o assédio às pérolas da sua Academia, que tinham acabado de conquistar o campeonato da Europa em França. Contudo, no momento em que a segunda volta do campeonato se inicia, e antes de partir para a análise individual de cada reforço, podemos admitir que a actuação do Sporting no último Mercado de Transferência ficou longe de atingir um resultado positivo, culminando num plantel longo, mas do qual só catorze jogadores contam.
Beto tem sido decisivo quando defende a baliza do leão Fonte: Sporting CP
Beto
Apesar da troca de palavras com Jorge Jesus no passado, Beto foi o guarda-redes escolhido para ocupar a segunda vaga da posição. Com a saída de Marcelo Boeck, o Sporting precisava de assegurar a qualidade na baliza aquando da ausência de Rui Patrício, e mesmo sabendo ter a titularidade condicionada, Beto contrariou o ditado e regressou à casa onde já foi feliz. Sempre que é requisitado cumpre, e algumas defesas já valeram vitórias.
Está a terminar a primeira fase do Campeonato Mundial de Andebol de 2017 em França. Os quatro primeiros classificados de cada um dos quatro grupos irão passar à fase seguinte (já a eliminar). Os penúltimos e os últimos irão jogar ainda para definir entre o 17º-20º lugares e o 21º-24º lugares (respetivamente). Vou agora analisar o que se passou em cada um dos grupos:
Grupo A:
O primeiro classificado do Grupo A não surpreende ninguém. A equipa Francesa cumpriu as expetativas, tendo vencido os cinco jogos do grupo. A vitória mais folgada foi a primeira, com o Brasil (31-16). O melhor marcador dos Les Bleus foi o central do Flensburg Kentin Mahe com 19 golos em cinco jogos. Titi Omeyer fez 42 defesas, mas o companheiro Vicent Gerrard teve uma melhor eficácia (41%). O principal jogador da equipa francesa, Nikola Karabatic, fez 15 golos em cinco jogos.
Logo a seguir temos a Noruega. Não sendo uma equipa de primeira linha, fez uma grande fase de grupos, tendo apenas perdido com a França. Pode considerar-se a segunda principal surpresa do grupo. O seu melhor marcador foi o ponta direito Kristian Bjornsen, dos alemães do HSG Wetzlar (onde joga o português João Ferraz), com 27 golos em cinco jogos. Torbjorn Bergerud fez 38 defesas. O seu jogador chave, Sander Sagosen, foi decisivo, sendo o segundo melhor marcador, com 26 golos em cinco jogos.
Em terceiro lugar temos a Rússia que cumpre o seu principal objetivo, mas sem convencer… O ponta direita do Chekhovskie Medvedi (Rússia), Dmitry Kovalev, foi o melhor marcador, tendo marcado 21 golos em 5 jogos. Ambos os guarda redes tiveram 31% de eficácia, tendo Victor Kireev feito 35 defesas. A “estrela” da Rússia, Timur Dibirov, desiludiu tendo marcado apenas 8 golos em 5 jogos.
A equipa da casa fez o pleno no Grupo A! Fonte: Equipes de France de Handball
O último apurado pode ser considerado a surpresa principal até ao momento. O Brasil já não tem nada a perder, visto que o facto de ter conseguido a passagem à próxima fase num grupo complicado como este é um grande resultado, que demonstra a grande evolução do Andebol na terra do Samba. Jose Guilherme Toledo (lateral direito companheiro de Tiago Rocha e Gilberto Duarte na equipa polaca do Orlen Wisla Plock) foi decisivo, tendo feito 26 golos em 5 jogos. Maik Santos fez 44 defesas. Poderemos ter nesta seleção a grande sensação da competição!
A Polónia foi a grande deceção. Esperava-se muito mais da equipa comandada pelo famoso Talent Dujshebaev, que se esperava que pelo menos no terceiro lugar ficasse. O Japão pouco pôde fazer, mas deixou alguns bons apontamentos, deixando os adeptos do Andebol com “água na boca” para o que poderá surgir por parte dos nipónicos.
Depois de uma semana conturbada, com dois resultados muito complicados para o estado anímico da equipa do Sporting, qualquer adepto preferiria muitos outros campos para começar uma reviravolta na crise de resultados que não os Barreiros.
O Sporting sempre sentiu dificuldades nos campos da Madeira, ainda mais contra um Marítimo que se sente sempre muito motivado contra a equipa de Alvalade, talvez alimentado pela inimizade que o seu presidente nunca escondeu pelos Leões. A piorar este cenário, esta época o Marítimo apresenta uma equipa com jogadores bastante rápidos na frente, com boa qualidade técnica, e uma grande apetência para marcar golos de bola parada. Ora, é com todos estes cenários que o Sporting mais tem sentido dificuldade. A rapidez dos extremos adversários e os cruzamentos para a área.
Tudo isto se verificou logo aos dez minutos de jogo com o golo do Maritimo, o que confirmava mais uma moda nos recentes jogos do clube, os golos madrugadores. Isto, para uma equipa que está nervosa, ansiosa, não ajuda nada. Para ajudar a isso, a primeira parte de Rui Patrício foi medonha, com erros que podiam ter piorado a situação da equipa no jogo. Felizmente foi melhorando com o decorrer do mesmo. No entanto, para espanto meu, e tendo em atenção as reações que a equipa tem tido, vi um Sporting pressionante e a tentar empurrar a equipa do Marítimo para a sua área. O único problema neste cenário é que esta equipa leonina não consegue controlar o adversário, e nas vezes que os madeirenses ganhavam a bola, conseguiam contra-atacar rapidamente e com perigo, também porque não temos avançados e médios a pressionar como no ano passado. Verificaram-se muitas perdas de bola quando o Sporting tentava sair a jogar (Adrien continua a falhar passes), e ter Palhinha em vez de William traz poder de choque, jogo posicional, mas perde qualidade em segurar a bola e sair a jogar.
As mudanças feitas na equipa inicial não trouxeram nenhuma melhoria significativa, e com a entrada de William o jogo ficou mais controlado para o Sporting, tendo mesmo melhorado o jogo de Adrien Silva que melhorou no acerto de passes. William trouxe também a capacidade de jogo longo com qualidade, até aí feito unicamente por Coates, e sempre com pouca precisão.
Apesar da melhoria e acerto do jogo do Sporting (em termos de controlo) na segunda parte, tal não foi suficiente para levar de vencida a equipa do Marítimo que se manteve sempre bem defensivamente, e quando não o fez, teve a ajuda sempre cirúrgica do árbitro (não podiamos acabar um jogo do Sporting sem falar dessa entidade) que mais uma vez errou num lance capital e de influencia directa para o resultado final. Mais uma para a tal liga da verdade, em que nos tiram mais dois pontos. Podem dizer que o Sporting não fez um grande jogo, mas a verdade é que fizemos golos suficientes para o ganhar, como em vários jogos desta época. Há os que passam o jogo à espera que caia um golo do céu e conseguem ganhar jogos.
Com tudo isto, o jogo resume-se à incapacidade do Sporting jogar rápido e entrar constantemente com perigo no último terço do campo (quando o conseguiu fazer, a equipa criou chances de golo) e à eficácia ofensiva do Marítimo que quando chegou ao seu segundo golo tinha o mesmo número de remates à baliza (deste mal todos os nossos adversários sofrem ultimamente). Quero, no entanto, realçar a reação do Sporting às duas desvantagens, tendo mesmo merecido chegar à vantagem, e a atitude do Marítimo, que lutou até ao fim, mantendo boa organização defensiva sem descurar as hipóteses de ataques rápidos, onde foi sempre perigoso. Considero ainda que esta equipa do Sporting, com confiança, não precisa de reforços, porque tem muita qualidade, no entanto continuo a insistir que se deveria ter um modelo alternativo, porque muitas equipas já sabem como pressionar, e quem pressionar para parar esta equipa leonina de Jorge Jesus. Até eu já sei e não sou nada que se pareça com um treinador.
E para terminar, quero deixar uma opinião sobre o Gelson que talvez vá irritar muitos sportinguistas, e vou dá-la exactamente agora, precisamente porque ele marcou um golo. Ele será um jogador de topo quando conseguir definir melhor os lances junto à área (bem sei que é um dos melhores a assistir para golo, mas teve muitas mais, que conseguiu inventar pela sua qualidade de drible, em que não definiu bem), e melhorar a finalização. Com isto será mais um fora de série, porque grande jogador já é.
Na semana que findou, a brasileira Globo – uma das maiores cadeias televisivas do mundo – mostrou uma pequena reportagem sobre o verdadeiro “Estado de Sítio” em que se encontra o recinto desportivo mais emblemático do Brasil. Goteiras, infiltrações, ferrugem no gradeamento de fora, o relvado sequíssimo. Enfim, foram cerca de 400 milhões de euros gastos pelo Estádio Brasileiro, na renovação deste belíssimo anfiteatro: que, por sinal, era muito mais bonito e acessível antes das obras do que depois delas. Falo com conhecimento de causa, em virtude de ter conhecido bem as duas versões do estádio e de ter visitado ambas.
Ponto número um: a contextualização. O problema, segundo testemunhos recolhidos pela Globo, deve-se a um conflito entre a concessionária do espaço (Maracanã S.A.) e a comissão organizativa dos Jogos Olímpicos Rio 2016, que não terá devolvido o Estádio, depois das Olimpíadas, no mesmo estado em que o recebeu.
Assim se encontra o “ervado” do Maracanã Fonte: O Globo
A parceria foi estabelecida ainda em 2013. Nesse ano, a exploração comercial e a administração do estádio foram entregues pelo governo do estado do Rio de Janeiro, por 35 anos, ao tal consórcio Maracanã S.A., liderado pela famosa empresa de construção civil Odebrecht. Em março de 2016, e tendo em vista as Olimpíadas na Cidade Maravilhosa, este consórcio cedeu o Maracanã ao Comité Organizador Rio 2016. Só que no momento da devolução do estádio, a empresa detentora dos direitos de exploração não aceitou por considerar que o recinto não estava nas condições de conservação em que tinha sido cedido.
Ou seja, assiste-se a uma coisa muito comum na sociedade portuguesa, espelhada na brasileira, claro está – o empurrar com a barriga, em que cada parte aponta responsabilidades à outra e nenhuma delas assume o seu grau de comprometimento para com o caso, com o governo do Rio de Janeiro e a Maracanã S.A. a culparem o Comité Organizador dos Jogos Olímpicos.
Os assaltos aos peões nas áreas circundantes e próximas daquela região do Rio tornaram-se muito mais frequentes, subindo cerca de 75%; enquanto os roubos comerciais subiram 93% ca comparação com o período homólogo de 2015. Os turistas ficam desapontados e as visitas ao Estádio são cada vez menos frequentes.
Estranhamente, o Maracanã vem recebendo jogos importantes, todos eles oficiais. Curiosamente, o último encontro realizado no grande templo do futebol brasileiro foi um amigável de homenagem a Zico – o ainda maior artilheiro daquele estádio, com precisamente 333 golos.