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Jugoslávia: o renascer da ‘chama’

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Cabeçalho Futebol InternacionalA época de 1991-92 foi aquela que fez fechar a cortina de uma das mais importantes ligas de futebol da Europa Leste. O Campeonato Jugoslavo de Futebol (Пpвa Лигa) teve o mesmo fim do país que lhe havia dado nome e esfumou-se na imensidão da história, muito por causa do sangrento conflito naquela que, em tempos, havia sido a poderosa Jugoslávia do Marechal Tito.

Já sem os poderosos emblemas croatas, como Dinamo Zagreb, Hajduk Split, NK Osijek e NK Rijeka, e sem a histórica formação eslovena do Olimpija Ljubljana, que se haviam recusado a participar para fazer parte de uma nova liga que estava a ser preparada nos seus respectivos países, a edição 1991-92 do Campeonato Jugoslavo de Futebol decorreu, até certo ponto, com uma aparente normalidade que disfarçava uma “paz podre” entre alguns dos seus participantes. Sem surpresas, o Estrela Vermelha de Belgrado (FK Crvena zvezda), recheado de grandes jogadores, sagrou-se campeão com uma magra vantagem de quatro pontos sobre os vizinhos e eternos rivais do FK Partizan. As equipas bósnias Zeljeznicar Sarajevo, FK Sarajevo, Slobodan Tuzla e Velez Mostar não conseguiram, no entanto, completar a temporada à conta do conflito armado que assolava o país. O Zeljo (nome pelo qual é conhecido o FK Zeljeznicar) acabaria mesmo por perder a segunda metade da temporada, cumprindo apenas 17 jogos do calendário.

Darko Pancev, Bota de Ouro de 1991, teve de esperar 15 anos até receber o prémio Fonte: OffNet
Darko Pancev, Bota de Ouro de 1991, teve de esperar 15 anos até receber o prémio
Fonte: OffNet

Dessa época de má memória saltam, ainda assim, à vista aspectos positivos, como os 25 golos apontados pelo lendário goleador jugoslavo Darko Pancev ao serviço do Estrela Vermelha de Belgrado. “A Cobra”, como era conhecido no seu país, apontou esses espetaculares 25 golos em apenas 28 partidas e sucedeu a ele próprio como melhor marcador do Campeonato Jugoslavo de Futebol.

(Des)controlo

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Na ressaca do dérbi, eis uma análise minimamente profunda, para variar. Não capaz de explicar e de curar todos os males do futebol benfiquista, mas reflexiva. É claro que é sempre mais fácil, em cima do sucesso e das vitórias, enaltecer as coisas boas. Contudo, as derrotas e os insucessos, amiúde, acabam por contar outras histórias. E o problema da incapacidade do Benfica em controlar os jogos – particularmente os mais exigentes – não é de agora. Nem está presente ao sabor do resultado.

Se recuarmos ao tempo do Benfica de Jorge Jesus, já se dizia que era uma equipa de vertigem. O termo “vertigem” passou a ser utilizado para explicar uma filosofia de jogo assente num futebol ofensivamente pujante, mas defensivamente desequilibrado. Com o passar das temporadas, Jorge Jesus preocupou-se em dar um carácter mais pragmático às suas equipas. Ainda assim, a equipa parecia que só vivia em dois mundos: um primeiro, em que a equipa mostrava grande profundidade ofensiva, com todos os riscos que advinham daí para a segurança defensiva; e um segundo, em que a equipa renunciava (demasiado) à sua identidade – veja-se jogos de Champions.

Agora com Rui Vitória, o Benfica manteve a sua identidade de equipa. Não estamos a discutir a qualidade exibicional da equipa – como já se percebeu, o termo “jogar bem” é subjectivo -, porém, a verdade é que o Benfica é claramente uma equipa de tracção à frente. O problema vem depois…

Fejsa tenta segurar as rédeas do meio-campo Fonte: SL Benfica
Fejsa tenta segurar as rédeas do meio-campo
Fonte: SL Benfica

É claro que deve ser apanágio de qualquer equipa grande jogar um futebol ofensivo, afinal estamos na Liga Portuguesa, competição em que uma equipa grande passa o maior número de tempo a atacar. Esse é um mundo (futebolístico) à parte. Para o Benfica, interessa analisar e aprofundar os comportamentos colectivos face aos adversários de maior exigência. E aí, a equipa de Rui Vitória falha naquilo que pode ser essencial: o controlo. Se pensarmos em dois jogos concretos (Besiktas e Sporting), apesar de terem resultados diferentes, são paradigmáticos sobre a incapacidade encarnada em controlar as partidas. Nesses dois encontros, e com vantagens confortáveis, o Benfica sofreu. Nesses dois encontros, Rui Vitória optou por fortalecer o meio-campo, e, mesmo assim, o Benfica não conseguiu “descansar com bola”, expressão de José Mourinho, que não implica uma renúncia ao jogo, mas sim um controlo de bola, impedindo que o adversário possa recuar.

Este conflito táctico da equipa pode ter várias interpretações. Ou Rui Vitória ainda não estabeleceu uma alternativa ao modelo normal, ou então, como a patologia não é de agora – lembra-se da referencia aos tempos de Jesus, caro leitor? -, fica a ideia que a filosofia de vertigem ofensiva já é algo enraizado na mente dos jogadores. Porém, enquanto o descontrolo for controlável, está o Benfica bem…

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Mais Brahimi, Mais Desequilíbrio, Mais FC Porto

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Após (mais) um momento de menor fulgor na presente época futebolística, o FC Porto parece novamente ter encontrado o caminho para o sucesso, não apenas ao nível dos resultados mas também sob o ponto de vista exibicional. Se outrora a chave para a melhoria da equipa pareceu estar no 4-4-2 losango implementado por Nuno Espírito Santo, desta feita a subida de rendimento pode ser associada, ainda que não exclusivamente, a um elemento individual: Yacine Brahimi.

Analisar Brahimi, sob o ponto de vista futebolístico, é de certa forma analisar o futebol africano naquilo que são as suas principais virtudes, mas também as suas mais elementares limitações. Brahimi é sinónimo de desequilíbrio, de criatividade, de imprevisibilidade; mas é também sinónimo de individualismo. Este não parece, porém, tratar-se de um caso em que o futebolista apresente défices graves ao nível da tomada de decisão, porque já em diversas ocasiões este provou que sabe qual é o momento certo para soltar a bola ou para procurar outros colegas. O que parece é que Brahimi, sabendo ser um driblador nato e um jogador temível no um para um, tende a dar primazia a este tipo de soluções em detrimento, por exemplo, de tabelas ou combinações.

Apesar de todas as limitações ao nível do envolvimento coletivo que podem ser atribuídas a Yacine Brahimi, o que não pode ser considerada irrelevante é a sua extraordinária capacidade técnica sendo que este é, neste particular, provavelmente um dos melhores futebolistas da Liga NOS 2016/17. O futebolista argelino não tem, tendencialmente, um timing correto ao nível da tomada de decisão levando a que as soluções de que dispõe no momento em que decide soltar a bola já não sejam as melhores; porém, tem uma tremenda facilidade em “desmontar” equipas que se encontram em organização defensiva, algo que parecia faltar a este FC Porto.

Poderá Otávio coexistir com Brahimi no meio campo azul e branco? Fonte: Facebook Oficial de Otávio
Poderá Otávio coexistir com Brahimi no meio campo azul e branco?
Fonte: Facebook Oficial de Otávio

Antes da sua lesão, e ainda com Otávio no seu 11 habitual, a equipa dispunha de um futebolista taticamente mais culto, tecnicamente dotado com bola e agressivo sem a mesma. Porém, era cada vez mais frequente a dificuldade apresentada pelo brasileiro em dar sequência, com sucesso, às jogadas de envolvimento ofensivo do FC Porto. Já com Brahimi a equipa não melhora ao nível da tomada de decisão e, consequentemente, das perdas de bola no momento ofensivo, mas torna-se francamente mais forte na capacidade de desequilíbrio, sobretudo quando em organização ofensiva.

Os meus 10 pilotos de F1 preferidos

Cabeçalho modalidadesCaro leitor, a lista que vai encontrar aqui será estranha para a maioria. Não vai ter Michael Schumacher em primeiro lugar, nem sequer neste Top entra o piloto com mais vitórias de sempre, muito porque, como costumo dizer, não gosto de quem ganha sempre, tirando, claro, o Sporting CP.

Comecei a ver F1 muito novo, talvez com uns 4 anos, por influência do meu pai, mas a lista que vou fazer será de pilotos a partir de 2000, apenas por ser uma altura em que começo a lembrar-me melhor da modalidade. Foram dezenas de pilotos, alguns com nenhuma qualidade para a categoria, que passaram pela F1 nestes anos (volto a dizer, esta é uma lista esquisita, nalguns casos) mas que apesar de tudo mostraram alguma qualidade.

É verdade que nos anos mais recentes fiquei um pouco mais afastado da modalidade, um pouco como a maioria das pessoas, mas não deixa de ser algo de que gosto muito e que acho que vou sempre gostar. Veremos como é o futuro da F1, mas uma coisa é certa, faz sonhar todos nós.

Craig Sager, não é preciso jogar basquete para marcar a NBA

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Cabeçalho modalidadesA NBA, talvez como nenhuma outra, é uma liga à base de figuras. Figuras e as suas histórias. São elas que tornam uma competição desportiva em algo mais, que permitem a expansão para todos os pontos do planeta, que chegue cada vez a um número maior de espectadores.

O duelo entre o Magic e o Bird foi o primeiro passo para tornar a NBA uma liga global. Não só pelos duelos que travaram em campo, na década de 80, mas também pela narrativa. A rivalidade que tinham desde a adolescência, a amizade que partilhavam fora de campo, o abandono devido ao HIV de Magic, e o posterior retorno de ambos para a Dream Team de 92. Foi o enredo e todos os seus detalhes que fizeram desta rivalidade um sucesso.

E não falamos necessariamente de jogadores. Craig Sager marcou a liga do lado de fora, sem intervir, sem jogar e sem treinar. Como nunca antes ninguém tinha feito. Ganhou destaque pelo profissionalismo que demonstrou de microfone na mão, pela simpatia que conseguiu recolher junto dos intervenientes no jogo. Fica para sempre a forma como marcava a diferença, não só pelos casacos berrantes como pela alegria das suas ações. Vamos ter saudades das entrevistas com Popovich e companhia.

 As grandes figuras prestaram a devida homenagem a uma das figuras mais acarinhadas da NBA Fonte: usa for the win
As grandes figuras prestaram a devida homenagem a uma das figuras mais acarinhadas da NBA
Fonte: usa for the win

Quando pela primeira vez se falou dos seus problemas de saúde, choveram mensagens de apoio. E, quando foi altura de se despedir do seu mais famoso jornalista, ninguém ficou indiferente. Lebron, Wade, Pop, Cury, KD, Kerr, Shaq, Cris Paul, Kevin Garnett entre muitos, muitos outros, fizeram questão de deixar a sua palavra de carinho para com a família de Sager.

É também disto que vive a liga. A unanimidade das mensagens mostra a importância que Sager sempre teve. Não deixou ninguém indiferente e a NBA não é a mesmo sem ele. Ajudou a liga a crescer de forma diferente, trazendo até nós as vozes dos protagonistas com simpatia, alegria e paixão.

Foto de capa: Chicago Tribune

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Sporting CP 0-1 SC Braga: Abel ganhou o pouco jogo que existiu

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O Sporting CP perdeu ainda mais terreno para os seus diretos rivais, depois da derrota em casa frente ao SC Braga. Num fraco espetáculo de futebol, os leões foram incapazes de conseguir ultrapassar a defensiva bracarense e voltam a ter mais um revés neste terrível mês de dezembro.

Jorge Jesus apenas trocou Bruno César por Bryan Ruiz em relação ao jogo da Taça de Portugal, em Setúbal. Já os bracarenses, depois da derrota perante o Sporting da Covilhã e do despedimento do José Peseiro, veio transfigurado, sob o comando interino de Abel Ferreira. Ao longo de toda a partida, o futebol não foi bonito, de parte a parte. Contudo, os minhotos foram muito eficazes e confiantes, e muito disso se deve a Abel, que depois teve um discurso muito interessante após o encontro. O Sporting jogou mal, muito mal; os setores tinham falta de ligação e, acima de tudo, notou-se muita falta de frescura física e muita falta de atitude por parte da equipa. Bryan Ruiz está completamente fora de forma, Zeegelaar também esteve muito pobre, e o Sporting tem tido um problema grave, mas que tem sido mascarado nos últimos tempos: a equipa ainda não sabe jogar com Bas Dost. O holandês não tem estado feliz nas “tabelinhas” e nas combinações com os extremos e com o homem que joga atrás de si. Para jogar com o holandês, é muito melhor se existirem cruzamentos pelo ar, onde Dost se possa superiorizar aos centrais. Ainda hoje, as melhores oportunidades leoninas surgiram de cruzamentos, com cabeceamentos perigosos de Gelson Martins, por duas vezes, ou Bryan Ruiz.

Os bracarenses estiveram, acima de tudo, muito concentrados e focados nas tarefas que tinham estudado: parar o ataque sportinguista e tentar enervar toda a gente no estádio, desde jogadores a adeptos. Os bracarenses foram à baliza de Rui Patrício apenas “pela calada”, e Wilson Eduardo, que tem um doutoramento sobre como marcar golos ao Sporting, teve duas oportunidades: na primeira, falhou por centímetros. Na outra chance, já na segunda parte, rematou para golo, gelando por completo o Estádio de Alvalade, onde mais de quarenta mil espetadores presenciaram o triste espetáculo protagonizado pela equipa que apoiam incondicionalmente.

Mais uma vez, Wilson Eduardo voltou a faturar contra o Sporting Fonte: SC Braga
Mais uma vez, Wilson Eduardo voltou a faturar contra o Sporting
Fonte: SC Braga

Antes do golo, Abel Ferreira tinha colocado Hassan em campo, ao lado de Rui Fonte, colocando a equipa com dois avançados. Depois do disparo certeiro de W.Eduardo, retirou Rui Fonte de campo, colocando Pedro Tiba, que foi bastante perigoso nos últimos minutos, conduzindo vários contra ataques prometedores. Em suma, a estratégia do SC Braga resultou em pleno, perante uma equipa amorfa do Sporting. Com tantos reforços, Jorge Jesus já devia ter trabalhado melhor para ter mais jogadores de qualidade à disposição. Não servem as desculpas de cansaço, pois foi gasto dinheiro suficiente para se constituir um plantel com mais do que catorze soluções.

Quando estamos a três jornadas do fim da primeira volta, o panorama é muito cinzento em Alvalade. A derrota com o SC Braga colocou o Sporting em estado de sítio, e é obrigatória uma resposta de leão já na próxima quinta feira, no Restelo. A Taça de Portugal é um objetivo vivo, o campeonato está tremendamente ameaçado e a Taça da Liga “não conta para o Totobola”. É hora de soar o alarme em Alvalade e obrigar todos os jogadores, sem exceção, a correr pelo leão rampante que ostentam na camisola. O que se viu hoje é claramente insuficiente para a exigência que deve nortear o rumo do Sporting Clube de Portugal.

CD Tondela 1-1 Boavista FC: Entrega incondicional das equipas valeu um empate

Cabeçalho Futebol NacionalTondela e Boavista encontraram-se no Estádio João Cardoso para uma partida a contar para a Jornada 14 da Liga NOS, ajuizada por Bruno Esteves. Ambas as formações atravessavam um momento delicado, com a equipa caseira a apresentar um historial de três derrotas consecutivas; a forasteira, ligeiramente pior, vinha de quatro resultados desfavoráveis. Ao longo da semana, Petit revelou ter colocado o seu lugar à disposição numa conferência de imprensa de antevisão da partida.

Por outro lado, os axadrezados aguardaram pacientemente a decisão referente aos recursos do Conselho de Disciplina da FPF, que, no caso de ser positiva, possibilitaria a utilização de peças importantes no xadrez de Miguel Leal, como Henrique, Idris e Bukia. Não existindo qualquer decisão sobre o mesmo, os três jogadores não surgiram na ficha de jogo. Na parte inicial, o Tondela entrou melhor e praticou um futebol mais esclarecido, orientado para o ataque. Depois de um remate fraco de Wagner aos sete minutos, o Boavista respondeu através de um remate de Renato Santos ao lado da baliza dos beirões, três minutos depois.

Aos 14, Érick Moreno, servindo-se do seu poderio físico, rematou pujantemente, mas Agayev defendeu para canto. No meio de um futebol muito pouco apelativo praticado pelas duas formações, com erros incontáveis na primeira fase de construção, os tondelenses acabariam por chegar à vantagem no período de descontos da primeira metade, fruto de um livre frontal eximiamente cobrado por Lystcov, defesa central cedido pelo Benfica.

Obrigadas a reagir relativamente à desvantagem, as panteras entraram na segunda metade com maior assertividade e objetividade, tendo usufruído de várias ocasiões para igualar o encontro. Num entendimento perfeito entre Makhmudov, Tengarrinha e Talocha, protagonizando uma jogada ao primeiro toque, o lateral esquerdo pontapeou o esférico para uma enorme defesa de Cláudio Ramos aos 56 minutos. Instantes depois, num perigoso cruzamento de Talocha não aproveitado por Erivelto, a bola sobrou para Anderson Carvalho, que disparou por cima.

Por entre as ações ofensivas dos axadrezados, os pupilos de Petit procuraram, sem sucesso, tirar partido dos contra-ataques. No minuto 68, servido por Anderson Carvalho, Iuri Medeiros tentou surpreender com um chapéu, mas Cláudio Ramos esticou rapidamente os braços. A quatro minutos do fim, Erivelto cruza para a área e Iuri Medeiros faz um remate forte para mais uma excelente intervenção de Cláudio Ramos. O golo do empate viria a surgir na jogada seguinte, justamente, com um remate indefensável de Anderson Carvalho, dando o melhor seguimento possível ao pontapé de canto cobrado por Iuri Medeiros.

Manchester City FC 2-1 Arsenal FC: Um café ao intervalo

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Cabeçalho Liga Inglesa

O jogo era aflitivo para ambas as equipas, dada a distância para o líder Chelsea. Havia o risco de se ficar a 9 (Arsenal) ou 10 (Manchester City) do objectivo do primeiro lugar. Seria, por isto, um duelo na perseguição ao prejuízo acumulado das últimas jornadas, porém, o medo de perder não assombrou a identidade das duas equipas assente num futebol positivo em que a prioridade está na circulação de bola e na procura pelo último terço. A opção por ataques móveis, sem referências ofensivas fixas, assim o fazia prever.

O início do jogo, brindado com um golo, começou a justificar essa “profecia” dos esquemas tácticos. Aos 5 minutos, Alexis Sanchez, completamente à vontade, descobriu a desmarcação de Walcott perante o buraco destapado pelo eixo central dos citizens e este, sem meias medidas, inaugurou o marcador.

O City tentou reagir, logo a seguir, num lance desenhado por De Bruyne e concluído por Sterling (o belga arranjou espaço e mediu passe milimétrico para o inglês, na àrea), mas o cabeceamento saiu ao lado da baliza defendida por Cech. Depois disto e até ao intervalo, mais nada. O City continuou a passear a bola no meio-campo contrário, mas esta parecia ter medo de entrar no último terço atacante dos sky-blue. Mérito, também, para a pressão defensiva do Arsenal, especialmente Gabriel, importantíssimo no controlo da profundidade, mas demérito, em proporção maior para a falta de agressividade dos citizens, que, depois de perdida a bola, não pressionavam o portador da bola, sendo obrigados a iniciar o processo de construção junto à própria àrea. Valeu o desacerto do Arsenal na transição ofensiva (tanto passe falhado!) até ao intervalo.

Jogadores do City deram força a Gundogan (de fora até final da época) no início do encontro Fonte: Mirror
Jogadores do City deram força a Gundogan (lesionado até final da época) no início do encontro
Fonte: Mirror

Pep Guardiola, apercebendo-se da sonolência da sua equipa, terá oferecido um café a cada um dos seus jogadores, para que acordassem e disputassem cada lance com o afinco de que a equipa sentia falta. E o efeito fez-se sentir desde logo. Estavam decorridos 4 minutos na segunda parte e, após uma segunda bola ganha por Sterling (lá está), Silva descobriu Sané a fugir nas costas da defesa arsenalista e o alemão, num remate meio destrambelhado, lá colocou a bola no fundo das redes. Estava igualado o jogo.

O City não ficou por aqui. O efeito do tal café continuava a fazer fervilhar o sangue dos seus jogadores, que fizeram desaparecer o Arsenal do jogo. Sané voltou a criar perigo, desta vez servido por De Bruyne. Logo a seguir, Sterling, num disparo à entrada da àrea, atirou a rasar o poste e, depois, foi o belga a tentar a sorte, num disparo que obrigou Cech a aplicar-se.

Três avisos para que o Arsenal se pusesse em sentido. Não pôs. E colocou-se a jeito de uma reviravolta esperada. De Bruyne, depois de párar no peito um lançamento no lado direito do ataque citizen, virou completamente o jogo para o flanco contrário num passe fantástico. Descobriu Sterling, que guiou a bola atè à àrea londrina, onde fuzilou, com sucesso, o inimigo. 2-1 aos 71 minutos e uma sentença no encontro.

O Arsenal, até final, não conseguiu incomodar a equipa da casa e até foi esta quem teve oportunidade de ampliar a vantagem, num lance em que De Bruyne, servido por Navas, viu o poste negar o golo ao seu… joelho.

Contas feitas, os gunners vão na segunda derrota consecutiva, estando cada vez mais longe do primeiro lugar. O Mancheter City mantém a perseguição. Bem-dito café.

Foto de capa: Manchester City F.C.

 

Juventus FC 1-0 AS Roma: “Surprise, surprise…”

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Cabeçalho Liga Italiana

Surpresa das surpresas – ironia pura -, a Juventus bateu a Roma e aumentou a vantagem pontual (sete pontos) para os romanos, ganhando uma grande margem na corrida ao título, possivelmente o sexto (!) seguido.

Num jogo de grande intensidade, a Juventus começou por cima e tomou as rédeas do jogo logo no primeiro minuto. Depois de duas tentativas de golo de Higuaín negadas com duas boas defesas de Szczesny, ao quarto de hora de jogo esse ligeiro ascendente da turma comandada por Allegri materializou-se. O ex-avançado do Real Madrid, depois de receber de Khedira, ultrapassou três adversários e, sem aviso prévio, fuzilou a baliza da Roma, inaugurando o marcador com um grande golo. Depois de duas ameaças, o avançado argentino faturou mesmo e com o seu décimo golo na Serie, colocou a Juve em vantagem.

Depois do golo sofrido, a equipa de Spalletti subiu ligeiramente as linhas e conseguiu ter mais bola no meio-campo adversário, apesar de não conseguir provocar grandes calafrios na turma da casa, que se sentiu quase sempre confortável durante o primeiro tempo.

Ao minuto 24’ surge a primeira oportunidade para os Giallorossi. Naiggolan, o suspeito do costume, aparece descaído sobre a esquerda, e depois de ultrapassar um adversário, atira para a baliza de Buffon, com a bola ainda a beijar as malhas laterais.  Já perto do intervalo, canto para a Roma e primeiro grande momento de fricção junto da baliza dos Bianconeri, com a bola a ressaltar para junto de Manolas e o grego a rematar contra uma das muitas pernas que tapavam a baliza de Buffon.

Na segunda parte, apesar de Spalletti ter feito entrar Salah para o lugar do apagado Gerson, esperando dar mais velocidade e desequilíbrio a um ataque que se tinha demonstrado pouco objetivo no primeiro tempo, a toada do jogo continuou a mesma. Muita intensidade no meio-campo, muita intensidade na disputa de bola, mas a Juve continuava a comandar as operações e a manter a bola longe da sua baliza.

Já depois das saídas de Pjanic e de Lichsteiner para as entradas de Cuadrado e Barzagli, respetivamente, Sturaro esteve perto de aumentar a contenda com um remate rasteiro que obrigou Szczesny a uma grande parada. Pouco depois, De Rossi deu o lugar a El Shaarawy e a Roma, com mais gente no ataque, conseguiu apertar um bocadinho com a Vechia Signora, principalmente através de bolas paradas. Apesar desta pressão, a Roma não foi capaz de colocar Buffon verdadeiramente à prova e até foi o pentacampeão italiano que esteve mais perto de marcar, com Sturaro mais uma vez a obrigar o guardião da Roma a uma bela defesa em cima do minuto noventa.

No cômputo geral, o resultado aceita-se. Apesar de ter sido um jogo intenso mas muitas vezes mal jogado, a Juventus esteve sempre no controlo das operações, teve várias oportunidades para aumentar a contenda, e a Roma, com exceção dos últimos quinze minutos, nunca conseguiu ter o domínio do jogo.

Ontem, hoje e para sempre

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Desde miúdos que passamos pela fase em que acreditamos no Pai Natal. Figura mítica que na noite de 24 para 25 de Dezembro nos abençoa com um saquinho cheio de coisas compradas à base do nosso comportamento durante esse ano. É um momento de alegria apenas frustrado por aqueles que decidem negar a existência do senhor desta quadra abrem as prendas um pouco antes da meia-noite. O Pai Natal, tal como outras entidades infantis, não existe, mas Jonas sim.

Era dos regressos mais aguardados pelos fãs de futebol. Mesmo aqueles que desejam o infortúnio ao Benfica queriam que o brasileiro voltasse a pisar os relvados. Pois bem, o tempo e a sorte fizeram o seu trabalho e o Rui Vitória fez o papel daquele menino de 8 anos que estraga a magia do Natal e pôs Jonas em campo frente ao Estoril. A sua lesão, abordada por mim noutras ocasiões, fez-nos temer o pior. Levantou questões. Quem é que fará o papel dele em campo? Será que vamos continuar a marcar? Até que ponto é que isto nos prejudica?

Mitroglou numa fase inicial e mais recentemente Jiménez fizeram o que deviam e corresponderam com golos. Aliás há uma emenda que tem já de ser feita: Jiménez deve continuar a jogar. Fugindo um pouco mais ao tema desta exposição. O mexicano está a fazer um excelente trabalho na frente de ataque encarnada. Tem marcado, desce no terreno e dá suporte à equipa para levar o jogo para a frente, muitas vezes é ele que inicia o processo de contra-ataque. Em suma, Jiménez tem de se manter. Voltando à premissa inicial. Jonas jogou os últimos 10 minutos na partida disputada no estádio António Coimbra da Mota. Jogou e fez jogar. No pouco tempo em campo teve duas ocasiões, ambas de canto, para facturar. Deu uma mini-aula sobre como é que um avançado se deve comportar em campo e, acima de tudo, agraciou os adeptos praticando a bela arte de jogar à bola.

O avançado brasileiro regressou ontem depois de quatro meses de ausência; Fonte: SL Benfica
O avançado brasileiro regressou ontem depois de quatro meses de ausência;
Fonte: SL Benfica 

Desde já que caia por terra a ideia de que ele vai ser titular indiscutível nas próximas partidas. Ele regressou agora, depois de uma longa paragem e ainda precisa de ritmo. Precisa destes 10 minutos que teve hoje, mais tarde precisará de 20 e mais adiante de 45. Aos poucos precisa de voltar. É como uma dançarina de uma companhia de bailado que torceu pé e que aos poucos vai sendo lançada até voltar a ser o Cisne.

Até lá é continuar a confiar no trabalho do Rui. No crescendo que é o momento de forma de Rafa, na garra de Guedes, no dribling de Cervi, estabilidade do meio-campo, na virtude de Semedo e nos golos ora de Mitroglou ora de Jiménez. A defesa precisa de ajustes? Sim. Mas vamos deixar isto para outras núpcias. O que interessa é que o 10 do Benfica voltou a jogar. Voltou a mostrar vida e alenta a esperança encarnada que lá para fins de Janeiro princípios de Fevereiro podemos contar com ele na máxima força.