Se a banda sonora de Enio Morricone ou a cara de mau de Lee Van Cleef no famoso western se adequam na perfeição a este jogo de basquetebol, o título precisaria de retoques. Para fazer jus à verdade teria de ser “O Bom que nunca foi bom, o Mau, e o Vilão que ainda não o sabe ser”. As personagens estão trocadas e o enredo não acabará certamente da mesma forma. Deixemos o cinema porque o grande filme da semana foi o Golden State Warriors Vs Oklahoma City Thunder, no tão aguardado reencontro de Kevin Durant e Russel Westbrook que pela primeira vez atacaram tabelas diferentes.
Desde a saída de KD de Oklahoma que Westbrook detém um estatuto de menino querido aos olhos dos adeptos, algo que nunca teve antes, e que não se adequa à sua figura. Não nos enganemos! Russel Westbrook não é o pobre rapaz que ficou sozinho com a equipa às costas, ele não quer e não precisa desse rótulo, e se estivermos atentos não se adequa à sua figura.
No primeiro anúncio que fez para a marca que representa, a Air Jordan, a mensagem era “Some run. Some make runways”, numa clara indireta ao antigo companheiro. No dia do jogo aparece com um colete de fotógrafo, em homenagem ao fã de fotografia Kevin Durant. Provocador, desafiador e insolente. Foi assim que conhecemos Russel Westbrook, e é assim que ele continua a ser, ainda que a força das situações faça toda a gente pensar o contrário.
Foi ao seu estilo, sempre desafiante, que Westbrook chegou ao pavilhão Fonte: bleacherreport
Enes Kanter foi o Mau, e foi mau porque se meteu a jeito de ser ridicularizado. Tentou o trash talk com KD quando estava sentado no banco, onde ficou na maioria do jogo. Quem está de fora não manda bocas, e quem quer desafiar Durant com palavras tem de conseguir fazê-lo com basquetebol jogado. Kanter não o consegue fazer, naturalmente, e por isso tem mais é que estar caladinho e dar a contribuição que consegue ao seu líder. Jogar três minutos e meio e tentar perturbar do banco o melhor jogador em campo na equipa adversária é ser mau, muito mau.
Agora que já passaram uns dias do “choque”, creio que é mais fácil raciocinar sobre este assunto. Sei que não é fácil aceitar que um símbolo e imagem de um clube troque o nosso por um rival directo. Acreditem que já senti isso na pele com nomes que hoje nem quero pronunciar.
Nélson Évora sempre foi um gentleman no desporto e tem o coração demasiado perto da boca, o que muitas vezes lhe causa problemas. Foi assim quando terminou a participação nos Jogos Olímpicos, no Brasil, e foi um pouco assim com as declarações que teve aquando da “saída” da equipa vermelha e branca. Mas quem pode criticar um Homem que quer continuar a voar, que procura a sua felicidade quando a vida dele dá uma volta que acredito que nem ele estava à espera?
Não nos iludamos, o Nélson veio para Alvalade para procurar o que é melhor para si. Independentemente de ter ou não sido procurado para renovar, a vida dele deu uma volta quando o companheiro de uma vida desportiva, João Ganço, o informou que não iria mais ser o seu treinador…
A vida do campeão olímpico deu uma volta que nem ele esperava. Agora, é treinado por um ídolo, o ainda recordista cubano: Ivan Pedroso Fonte: Nélson Évora
Infelizmente, no atletismo em Portugal não há muita clubite, há uma necessidade de sobreviver e de aproveitar os parcos recursos que são cedidos para se atingir o sucesso (para alguns) e sobrevivência (para a grande maioria dos atletas). Quem o pode criticar por ele procurar a felicidade, depois de o treinador ter rescindido contrato com ele (não vou comentar as razões, porque pouco sei e pelo que vi, ambos se precipitaram) ?
O Nélson várias vezes esteve dado como “morto” para a modalidade e, qual fénix, regressou sempre das cinzas. Ninguém acreditava já naquele menino que com um sorriso fácil ganhou um ouro olímpico e “pouco” tempo depois rebentou uma perna. Onde estavam as vozes críticas quando o Nélson ganhava títulos e prémios, e nem água quente tinha no balneário do Estádio Nacional? Onde estavam as vozes críticas quando o Nélson, um Campeão Olímpico, pouco ganhava quando comparado com atletas medianos (e alguns pouco esforçados) de futebol? Sim, o Nélson foi procurar a sua felicidade. Não nos iludamos, ele não é agora o maior sportinguista do mundo, mas acredito que é um dos maiores atletas e sonhadores do mundo. E sim, já o era no tempo do clube da Luz (e até do Dragão, quando lá passou).
Hoje o Nélson é treinado pelo seu ídolo, Ivan Pedroso, o ex-campeão de salto em comprimento, e quer mais: quer voltar ao pódio nos próximos Jogos Olímpicos. Quem o pode criticar?
O Sporting regressou aos triunfos no campeonato, tendo conseguido uma vitória tranquila por 3-0 frente ao Arouca, que se mantém abaixo da linha de água. Os comandados de Jorge Jesus voltaram às boas exibições e derrotaram, sem apelo nem agravo, a equipa de Lito Vidigal.
O técnico do Sporting voltou ao esquema habitual, após ter alinhado com três centrais em Dortmund. João Pereira, Adrien Silva, Joel Campbell e Bas Dost voltaram à titularidade, tendo estado todos em muito bom plano na noite de hoje. O Sporting entrou forte na partida, com a ala direita composta por João Pereira e Gelson Martins a dinamizar bastante o jogo ofensivo leonino. Foi desse flanco que nasceu o primeiro golo verde e branco, o único da primeira parte. Num lance típico das equipas de Jorge Jesus, os centrais ganharam a bola nas alturas após um lançamento de João Pereira e Bas Dost fez aquilo que faz melhor: faturou na única vez que tocou na bola. Este golo foi muito importante, uma vez que permitiu à equipa ganhar confiança e evitou o antijogo normal da equipa treinada por Lito Vidigal, que continua a ser uma boa cliente em Alvalade. Em quatro jogos disputados para a Liga em Alvalade, o Arouca já encaixou qualquer coisa como catorze golos.
O seguimento da primeira parte foi algo morno, com o Arouca a fechar-se bem no seu meio campo e o Sporting sem conseguir arranjar alternativas para furar a organização “amarela”. No Sporting, Campbell, Adrien e João Pereira eram as melhores unidades. O capitão esteve com atenção especial à saída de jogo dos arouquenses, tendo dificultado bastante a tarefa a André Santos. É em pormenores como estes que se nota a diferença abismal entre Adrien e os outros jogadores que ocuparam a sua posição enquanto esteve lesionado. O capitão joga, faz jogar, como se notou nas constantes indicações que ia dando a Gelson Martins ou a Marvin Zeegelaar, e a equipa tem outra segurança quando ele joga. William Carvalho, por exemplo, é um jogador totalmente diferente com ou sem Adrien em campo.
Da primeira parte, ocorrem-me mais duas notas: o critério ridículo de Carlos Xistra na marcação de faltas e a falta de qualidade dos jogadores do Sporting no fornecimento de bolas para a finalização de Bas Dost. O holandês tem tido um grande trabalho nesta adaptação aos novos colegas e, principalmente, a uma nova forma de abordar o jogo, por parte de Jorge Jesus. Raramente chegam bolas aéreas ao ponta de lança holandês e acho que essa deve ser uma estratégia a explorar pelo Sporting, ainda para mais nestes jogos contra equipas apenas interessadas em defender. Quando a zona interior do terreno está demasiado povoada, os flancos são uma arma a aproveitar e, com um avançado como Bas Dost na área, não são precisos muitos cruzamentos de qualidade para haver golo.
A segunda metade começou com a expulsão de Vítor Costa. O lateral esquerdo do Arouca, que tinha visto um amarelo na primeira parte, tentou atrasar um lançamento lateral de Jorge Jesus e foi punido pelo árbitro. Finalmente vemos o antijogo a ser minimamente penalizado em Alvalade. Mesmo a perder, Bracali levava eternidades para bater bolas paradas e Artur quase teve tempo para jantar enquanto saiu, muito vagarosamente, de campo na hora de ser substituído. Nem quero imaginar o que seria o antijogo do Arouca caso tivesse chegado empatado ao intervalo. Se eu já não me lembro de Rui Patrício ter efetuado uma única defesa enquanto estavam onze contra onze, quando Vitor Costa foi expulso, Patrício foi mais um entre os 40 mil espetadores que estiveram em Alvalade. Logo de seguida, chegou o 20, com Adrien a servir Joel Campbell após um rápido contra ataque da equipa leonina.
Já na última meia hora do encontro, Adrien Silva falhou uma grande penalidade, após ter sido derrubado por Velázquez, e Bas Dost voltou a mostrar toda a sua enorme capacidade de finalização, aproveitando um cruzamento teleguiado de Campbell para bisar na partida. O Sporting ainda teve mais uma mão cheia de oportunidade para aumentar a vantagem, mas não logrou consegui-lo. No final de jogo, é de lamentar a confusão que se terá instalado junto aos balneários, numa situação que não é virgem entre ambos os clubes. Basta que nos lembremos da rábula de Lito Vidigal no jogo da época passada, em Arouca.
Os “leões” tiveram assim uma boa jornada, onde reduziram a vantagem para o líder SL Benfica e voltaram a ficar empatados na tabela com o FC Porto. O Sporting depende novamente apenas de si próprio para ser campeão nacional e o próximo jogo do campeonato é mais um de grau de dificuldade bastante elevado, com a deslocação ao Bessa, para enfrentar o Boavista. Até lá, contudo, ainda terá como adversários o Praiense, na Taça de Portugal, e o Real Madrid, na Liga dos Campeões.
Chegado ao último jogo da décima jornada do campeonato português, o Braga perdeu na Madeira por uma bola a zero e deixou escapar a oportunidade que tinha de se instalar confortavelmente na tabela classificativa. Já o Marítimo sobe em força, ocupando agora o nono lugar. Do lado dos da casa as alterações não aparentavam ser muitas, mas com o afastamento de Dyego Souza, ao que parece por nove meses, algo teria de mudar. Do lado do Braga as mudanças foram várias, dando descanso aos habituais titulares com o intuito de promover também alguma rotatividade no plantel. Não resultou e falhou em larga medida. Uma primeira parte de avanço e um golo foi o que os madeirenses tiveram de prenda por parte dos visitantes. Ao invés da habitual garrafa de vinho… Mas como isto das ofertas tem dado que falar, é bom que os golos dados também terminem. Hoje, a minha concordância com José Peseiro não poderia ter sido maior. «Quem joga assim na primeira parte, não merece ser feliz». De facto, sem fazer nenhum remate à baliza, sem acertar um passe e oferecendo um golo ninguém no futebol deveria fazer pontos quanto mais vencer.
Começou o jogo nos Barreiros e o Marítimo mostrando que jogava em casa foi trocando a bola à sua vontade por todo o terreno. Criou algumas situações mas nada com um grau de dificuldade elevado. Já o Braga… bem, o Braga ia trocando a bola. Só. Tanto trocou, que Benítez trocou os olhos quando viu a bola tão perto. Edgar Costa não perdoou na altura de facturar. Íamos com 19 minutos e ainda não havia muito que falar a não ser um golo oferecido de bandeja. E numa primeira parte que causou algum sono e irritação, só não causou enjoo porque o jantar ainda estava para vir. Enfim. Para alguns poderá ter sido engraçado, mas para mim não. A ausência de futebol foi notória de parte a parte e finalmente chegou o intervalo. Ainda bem, pois as ideias eram escassas.
A segunda parte teve um desenrolar completamente diferente. Os papéis inverteram-se. O Marítimo nada fez, encostando-se tanto à sua área que Gotardi não via a bola partir. Nem a rolar. Nem nada. Ficou tão frustrado que se atirou para o chão a pedir atenção. Aposto que estando deitado, a magia do jogo é outra. Apelou tantas vezes pela assistência médica, que neste momento a preparação física destes é superior a qualquer atleta de alta competição. Até dos próprios preparadores. Está visto quem anda a ganhar as corridas nos treinos. È bom sinal, pois o próximo jogo dos madeirenses é fora de portas e caso seja preciso boleia a equipa médica do Marítimo tem as cavalitas à disposição. É assim mesmo malta! Exercício só faz bem! O oceano não é nada comparado com o relvado dos Barreiros! Sem hormonas de crescimento, vitaminas, substitutos de outra natureza, hidratos ou outra coisa qualquer que não sei para que serve mas alguém deve saber e ser doutorado na matéria para poder explicar, a equipa de socorro dos da casa é um desafio contra a flacidez e o colestrol. Depois de uma reflexão tão jocosa quanto esta, recheada de brincadeira e nenhuma maldade, apareceu o momento mais espectacular do jogo. Xeca impediu que a bola saísse e resultasse em pontapé de baliza. Erdem Sen fez a dobra. Foi isto. Como é que aconteceu? Não sei. Mas o azar também aparenta ter alguma responsabilidade. Era só acreditar que ias marcar e um ponto o Braga tinha levado na viagem de volta. É injusto culpar-te pelo resultado pois o colega que ao teu lado hoje jogou não parece ser o teu concorrente. Às vezes nem da mesma equipa. Parece sim que está perdido… Um cantil, uma bússola e um mapa, era o que Mauro deveria receber no final do jogo. Para poder voltar claro. Senão olha, apanhas uma boleia da equipa médica do Marítimo!
Apesar desta perdida escandalosa de Xeca, o Braga já havia criado mais algumas situações de perigo por parte essencialmente de Wilson Eduardo, que entrou para agitar o jogo. Correu bem no papel, mas o resultado manteve- se até final. Um zero venceu o Marítimo. Festa e oxigénio para os da casa , tristeza pelo jogo fraco e pontos a voar para o Braga.
Intensidade. Crer. Ratice. Disciplina táctica. Qualidade técnica. Inspiração. Tudo elementos fundamentais do jogo em que o Porto foi superior ao Benfica no clássico do Dragão. Porém, há sempre aquele factor aleatório que torna o desporto-rei naquilo que ele é. Um jogo apaixonante que é sempre capaz de nos surpreender. A estrelinha da sorte – no tal fatídico minuto – esteve do lado encarnado. O Porto foi superior durante quase todo o encontro e o Benfica, exceptuando alguns minutos no segundo tempo, nunca pareceu incomodar verdadeiramente a defesa portista. Mas, Lisandro, que jogou devido à infelicidade do capitão, deu um ponto ao Benfica.
O jogo começou com uma variante táctica que, ao que parece, pela incapacidade para responder a ela a todos os níveis, trocou as ideias a Rui Vitória. Nuno Espírito Santo fez entrar Corona para o onze e, com isso, colocou a equipa a jogar em 4-3-3. Porém, a dinâmica ofensiva dos portistas foi o que verdadeiramente desequilibrou. Otávio, Oliver, Corona, Jota nos primeiros 30 minutos foram um autêntico quebra-cabeças para a estrutura (quase sempre desorganizada) benfiquista. Otávio e Oliver, particularmente estes dois, eram responsáveis pelo lado criativo do jogo. Pausavam, aceleravam e, depois, sempre com critério, colocavam a bola nas duas setas: Corona e Jota. As movimentações dos dois (sem bola) confundiam as marcações aos jogadores encarnados, que depois se mostravam também impotentes quando as jogadas eram divididas.
Nessa meia-hora “à Porto”, os encarnados podem agradecer a Ederson. Porque ofensivamente, a equipa foi um vazio. De ideias e de soluções capazes de confundirem as marcações (sempre apertadas) do trio Danilo-Felipe-Marcano. Os defensores do Porto recuperavam facilmente a bola e com isso, o Benfica não respirava. Faltava bola ao jogo benfiquista, assente sobretudo em jogadas individuais inconsequentes. Nestes jogos, o individual pode decidir mas nãos e deve abdicar de um jogo colectivo como o Benfica fez.
A segunda parte trouxe uma baixa de intensidade – já anunciada pelos últimos 15 minutos do primeiro tempo – dos portistas, mas nem por isso a superioridade despareceu. O golo, também ele anunciado já há muito, surgiu, por um dos jogadores que mais o mereciam. Corona, como em muitas outras jogadas, desequilibrou a defesa benfiquista. Desta vez, decidiu bem e colou em Diogo Jota que, com classe fuzilou Ederson – o guardião benfiquista não fica bem na fotografia.
Rui Vitória foi mexendo na equipa. Lançou André Horta, e, por 10 minutos, ganhou o controlo do meio-campo e, consequentemente, do jogo. Valeu-lhe de pouco. Nuno Espírito Santo, percebeu que tinha de (re)controlar a zona nevrálgica do terreno. Ruben neves entrou e o Porto voltou a controlar o Benfica, longe da sua zona defensiva. Quando todos já esperavam o apito final – as restantes substituições de Rui Vitória não acrescentaram nada -, eis que Lisandro, com assistência de Horta – o jovem português deu alguma criatividade ao jogo encarnado -, restabeleceu a igualdade. Os festejos eram ambíguos. A equipa teve sorte e não fez o suficiente, sequer, para empatar. Porém, a vantagem de 5 pontos continua intacta. E, nas contas finais, é isso que decide.
Um jogo de importância elevada nas aspirações dos azuis e brancos para conquistarem o Campeonato Nacional. Este campeonato foge-lhes há três anos, algo que os adeptos, assim como a estrutura, querem que acabe.
O FC Porto a apresentar-se com uma alteração face ao onze que defrontou o Club Brugge, com a saída de Herrera e a entrada de Jesús Corona. Por outro lado, o SL Benfica a apresentar o onze esperado, com as entradas forçadas de Eliseu e Samaris para os lugares de Grimaldo e Fejsa.
Este jogo era fundamental para as aspirações portistas na luta pelo título nacional e também para a dose de moral que daria a esta equipa, que seria fundamental para o desenrolar da época. O primeiro remate do jogo surge ao minuto 5 por intermédio de André Silva, o aniversariante do dia. O FC Porto apresentava maior caudal ofensivo, com dois remates num curto espaço de tempo.
Um jogo com um período de várias peripécias, com Ederson Moraes a vomitar, Luisão a sair muito precocemente por lesão e os encarnados a depararem-se com mais uma contrariedade. Os jogadores do FC Porto mostravam agressividade no momento da recuperação de bola (no bom sentido), o que dificultava os momentos de posse do Benfica. O FC Porto continuava a criar oportunidades com uma aproximação perigosa à baliza ao minuto 14 e ao minuto 19 por Danilo Pereira. Ao minuto 22, aproveitando um mau alívio da defesa dos encarnados, André Silva dispara de primeira, com a bola a passar junto ao poste da baliza defendida por Ederson, que estava batido. Os dragões demonstravam superioridade no jogo com várias oportunidades. O caudal ofensivo continuava com uma oportunidade clara de Corona, desmarcado por Óliver Torres, defendida por Ederson. Ao minuto 28, mais uma oportunidade desperdiçada, por Diogo Jota, após uma boa transição ofensiva, com um remate à figura do guarda-redes encarnado.
Ao minuto 32, o Benfica chegou com perigo à baliza, após uma boa incursão no ataque de Nélson Semedo, com a defesa portista a aliviar a bola, afastando o perigo. Nélson Semedo era o maior criador de perigo do Benfica, desequilibrando no 1×1 e abrindo espaço para os seus colegas rematarem, dando, desta vez, oportunidade a Gonçalo Guedes de rematar, mas por cima da baliza de Casillas. O FC Porto pressionava alto, com o SL Benfica a sair para o ataque através de transições, não conseguindo sair em ataque organizado. Ao minuto 44 surge a melhor oportunidade para o SL Benfica, num canto marcado por Pizzi e com Felipe a enviar a bola ao poste da sua própria baliza. Soava o apito de Artur Soares Dias, com o FC Porto a mostrar que vinha para este jogo ganhar, criando oportunidades para estar na frente do marcador, mas sem conseguir concretizar as chances de que dispôs. O SL Benfica apostou, na primeira parte, num jogo de contenção e nas saídas em ataque rápido, sobretudo através de Nélson Semedo, que utilizava a sua velocidade como maior arma. A segunda parte prometia e faltavam os golos neste jogo. Nota positiva para Artur Soares Dias nesta primeira parte, sem erros de maior e a tentar passar despercebido no jogo.
Na segunda parte, a toada de jogo manteve-se com o FC Porto a pressionar mais alto, algo que culminou numa boa primeira parte e num bom início de segunda, com o golo de Diogo Jota, aos 50 minutos, a passe de Corona (Ederson mal batido neste golo). O FC Porto continuava a mandar no jogo e a ganhar duelos a meio-campo, com a segunda bola a ficar sempre na posse dos azuis e brancos, demonstrando entendimento do jogo e maior agressividade na recuperação de bola. O SL Benfica, a partir do golo azul e branco, conseguiu ter mais posse de bola, com Samaris a testar Casillas com um excelente remate à entrada da área portista. A partir daqui, e fruto do resultado desfavorável, os encarnados assumiram mais o jogo e o FC Porto esperava pelo adversário. Corona sairia para o lugar de Rúben Neves, mostrando que era necessário segurar a bola, acalmar o jogo e conferir maior tranquilidade no momento da gestão da posse. A seguir, tira Óliver Torres (e que grande jogo fez Óliver Torres) e coloca Layún, para ter um elemento mais defensivo a meio-campo, mas com capacidade de arrastar jogo consigo. A troca mostrou-se assertiva, com a equipa orientada por NES a conseguir colocar um travão nas investidas de Nélson Semedo e controlar as faixas laterais, mas a demonstrar falta de ambição neste clássico.
Rui Vitória, no banco do Benfica, retirou Cervi, que apesar do seu virtuosismo não acrescentou muito ao jogo encarnado, colocando André Horta, um jogador mais cerebral e com maior qualidade de passe. De seguida, passados sensivelmente 14 minutos (a primeira substituição decorreu ao minuto 59 e a segunda ao minuto 73), retira Salvio e coloca Jimenez para ter mais presença na área mas retirando largura à equipa. Herrera entraria para o lugar de Diogo Jota, dando, num alívio sem nexo, o canto para o golo de Lisandro, após assistência de André Horta, e beneficiando uma equipa que pouco fez para conseguir obter este resultado. Nuno Espírito Santo pagou pela sua falta de ambição, ao retirar os avançados e colocar jogadores de meio-campo para conter o jogo, que em nada estava decidido e que podia, perfeitamente, ter procurado o segundo golo, porque o Benfica não estava a criar oportunidades na baliza de Casillas. A equipa orientada por Nuno Espírito Santo sofre um golo ao minuto 90, o que não transmite a verdade do jogo, mas futebol é isto e os portistas sabem como o minuto 90 e os seguintes são importantes no desfecho de um jogo.
Está aí o grande jogo. O clássico dos clássicos em Portugal. SL Benfica e FC Porto defrontam-se, pela primeira vez, esta época. Jogo onde o SL Benfica sai líder, qualquer que seja o resultado, devido à vantagem de 5 pontos para o rival do norte do país. E é mesmo aí, no norte, que está o palco deste hino ao futebol, o Estádio do Dragão. Este jogo vai aquecer o país que se encontrará congelado à frente do televisor com os olhos bem atentos ao rolar de bola no relvado do Dragão. Vamos então às escolhas dos 5 melhores clássicos da história do futebol português no Estádio do Dragão. Autoria de João Ferreira, redator do FC Porto, e Pedro Afonso Estorninho, redator do SL Benfica.
Época 2014/15: FC Porto 0–2 SL Benfica
Fonte: Getty Images
Benfica aspirava ao bicampeonato que tanto lhe fugia há 31 anos. Os encarnados chegavam líderes à 13.ª jornada do campeonato nacional, com uma vantagem de 3 pontos para o FC Porto, e queria alargar essa mesma vantagem para poder respirar com maior alívio. Contudo, o clube da luz não ganhava lá desde 2011 e poderia ser a morte do artista no palco azul e branco.
Não foi o que se verificou. Lima bisou na partida e deu asas à aguia lançada para o bicampeonato, que conquistaria nessa época. No fim da jornada, estava a 6 pontos do segundo lugar e manteve-se no posto onde acabaria por terminar a época. (Pedro Afonso Estorninho, redator SL Benfica)
Ao recordar Cândido, de Voltaire, o leitor comum recordar-se-á, no imediato, dePangloss, doutor e mestre da figura central, que baseava os seus conhecimentos e ensinamentos num optimismo intangível; esse optimismo, inspirado em Leibniz e defendido por convicção profunda, sobrevive, ainda hoje, à própria obra, dado o carácter cómico, por vezes ridículo, como os factos do mundo, vividos ingenuamente pela maioria dos personagens, facilmente (e estrondosamente) o vão gradualmente desconstruindo ao longo da narrativa. Por outro lado, o leitor comum não se recordará, com a mesma facilidade, de Martin (ou Martinho, nalgumas edições portuguesas mais abusivas), o sempre fiel companheiro de viagem deCândido, bem menos ingénuo, pessimista perante a fealdade das coisas, ou melhor, para concluir mais assertivamente, plenamente realista na abordagem daquilo que o destino reservou para si.
Eu sou Martin; partilho o seu traço pessoal. Quando insistem (os fazedores de opinião, que lemos e ouvimos diariamente) que o Benfica está melhor do que há um ano, que está em primeiro, que tem mais nove pontos e uma vantagem confortável em relação aos rivais, recordo sempre, caro leitor, que isso do melhor dos mundos é coisa que nunca existiu (tal como Voltaire já explicara); que o Benfica, apenas para igualar o patamar de há um ano, para voltar a ser campeão, tem ainda muito por fazer, muito por sofrer, e qualquer abordagem menos realista do que esta, que vise algum género de excesso de optimismo – normalmente traduzido em arrogância –, resultará, certamente, numa rápida e natural reversão do actual momento, com influência decisiva no desfecho final – neste caso, a narrativa manteria, do meu ponto de vista, o carácter ridículo, embora perdesse todo o efeito cómico.
No campeonato anterior, por esta altura, já o Benfica havia visitado o FC Porto e o europeu Arouca; e já tinha recebido o Sporting. Consegue recordar-se, caro leitor, destes três jogos? Consegue fazer um balanço dos três? Refresco-lhe, então, a memória: três jogos; três derrotas; zero pontos somados; zero golos marcados e cinco sofridos. Ou seja, os nove pontos que o Benfica tem a mais, comparativamente com igual período da época anterior, decorridas que estão apenas nove jornadas, foram conquistados diante de adversários que o Benfica, na época passada, também venceu – equipas que, embora mereçam todo o meu respeito, nos são, tal como os resultados consecutivos o comprovam, teoricamente mais acessíveis; daquelas que, para ser campeão, o Benfica costuma ultrapassar.
No jogo inaugural da 10.ª jornada da Liga NOS, o Vitória de Guimarães defrontou o Nacional no Estádio D. Afonso Henriques, numa partida arbitrada por Fábio Veríssimo.
Vindo de duas vitórias consecutivas na qualidade de forasteiro, o Vitória de Guimarães pretendia estender o seu trajeto vitorioso. Por outro lado, o Nacional, apesar de contar com dois empates no seu histórico, surgia animicamente moralizado depois um bom resultado caseiro frente ao Sporting.
Inicialmente morna, a partida viria a tornar-se interessante, com os conquistadores a desejarem exercer controlo sobre os pupilos de Manuel Machado, que ia cautelosamente investindo nos lances de contra-ataque.
Aos 13 minutos surge um bom remate a meia distância da autoria de Tiago Rodrigues, que teve uma resposta por Raphinha, três minutos depois, num sprint pelo corredor esquerdo, rematando em seguida para uma defesa apertada do jovem Rui Silva.
O encontro ficaria marcado por uma agressão de Moussa Marega ao lateral Nuno Sequeira, aos 25 minutos, que reduziu o coletivo vimaranense a dez unidades e obrigou a ajustes ao nível tático de ambas as equipas.
Nos últimos cinco minutos da primeira metade, Ricardo serve criteriosamente Salvador Agra, que procurou efetuar um chapéu ao guardião Douglas. Devidamente atento, o brasileiro cobriu eficazmente o ângulo livre da baliza.
A segunda parte foi bastante mais faltosa e intensa, com a mostragem de inúmeros cartões por parte de Fábio Veríssimo.
Bastaram unicamente três minutos para o Nacional se colocar em vantagem com uma boa arrancada de Nelson Bonilla, que, passando por Bruno Gaspar e Josué, serviu Hamzaoui para um remate colocado.
Mais confortáveis no jogo, os alvinegros iam gerindo convenientemente a sua vantagem, e o Vitória acusou com naturalidade a pressão pelo resultado desfavorável. Nunca baixando os braços, aos 74 minutos surgiu justamente o golo da igualdade. Raphinha pressionou Tobias Figueiredo e o esférico ficou à mercê de Soares, que não desperdiçou a oportunidade de marcar.
A dois minutos do fim do tempo regulamentar, Washington derrubou Bruno Gaspar e o árbitro não hesitou ao assinalar grande penalidade. Chamado a converter, Soares voltou a ser feliz no frente-a-frente com Rui Silva, deixando em delírio as bancadas do estádio.
Poucos jogadores terão tido uma ascensão tão meteórica nos últimos anos do futebol brasileiro como Gabriel Almeida. Descoberto desde cedo pelo mítico Santos, “Gabigol” depressa ganhou esta alcunha pela quantidade enorme de golos que fazia. Durou menos tempo no futebol brasileiro que Neymar, cujo clube, o Peixe Santista, ainda o conseguiu segurar por mais algum tempo. Gabriel é o exemplo da imagem de marca do Santos: um celeiro de craques. Depois de grandes exibições nos jogos que efetuou do Brasileirão 2016, foi transferido no decorrer desta competição, para o Inter de Milão, sendo apresentado aos fãs nerazurri no mesmo dia que João Mário. Tem 157 jogos pelo Santos e uma excelente marca de 57 golos. Foi medalha de ouro Olímpico nos Jogos do Rio, que decorreram este ano. Tem um golo pela seleção principal. Mas estamos a falar de um garoto de 20 anos…