No que diz respeito ao rugby, é impossível dissociar este desporto da Nova Zelândia, país habituado a grandes jogadores e selecções. Mas, de entre dezenas de jogadores que já passaram pela Selecção Nacional com tanto talento, quais foram os que deixaram mais marcas?
10 – John Kirwan
Fonte: Sporting Heroes
Kirwan foi um ponta de muito talento, tendo passado pelo rugby union e pelo rugby league. Pelo rugby union, a principal vertente de rugby, acumulou 63 partidas e 35 ensaios nos dez anos que representou a selecção dos All Blacks, marca que, à época, era um recorde.
Desta vez não havia desculpas. Poderia, eventualmente , falar-se na defesa com o eixo desfalcado, mas o adversário apresentava-se com o mesmo problema e ainda por cima não tem, nem de perto de longe, a qualidade técnica dos bracarenses nem é mais inteligente do ponto de vista táctico. O jogo disputava-se em Portugal, pelo que não se colocava a questão de “ambientes infernais” a favor do adversário. Só no querer, na raça e na entrega os bracarenses podiam ser batidos, pelo que era obrigatório ganhar. Não só pela procura de uma situação favorável tendo em vista a qualificação para os dezasseiavos-de-final da Liga Europa, mas também pela honra e pelo prestígio que o nome Sporting Clube de Braga já acarreta.
Os adeptos, desagradados com os resultados menos conseguidos nas competições europeias, exigiam-no. Entendia-se a falta paciência e, claro está, os assobios com que a equipa foi brindada quando, à passagem do minuto 29, Rangelov inaugurou o marcador depois de aproveitar uma abordagem menos feliz de Rosic. O pior não foi o golo, o pior foi a atitude até aí demonstrada. Mas essa foi prontamente corrigida, com oportunidades em catadupa para os bracarenses. Hassan e Rui Fonte avisaram, Velasquez, num golpe fulminante de cabeça patrocinado pela soberana execução de um pontapé de canto batido por Wilson Eduardo, concretizou.
Estava devolvida a igualdade ao jogo, com a diferença do Braga mostrar-se mais animado. Hassan voltou a falhar o alvo, servido por Baiano, como que culminando o domínio até aí exercido por uma dinâmica ofensiva muito interessante, ‘patrocinada’ pelo bom envolvimento dos laterais e pelas movimentações das duas referências ofensivas dos bracarenses. Entusiasmavam-se os jogadores e as bancadas. Mas apenas de forma momentânea, pois foi logo travado pela expulsão (exagerada) de Mauro, que viu um segundo cartão amarelo ao impedir a progressão de um adversário … no meio-campo turco.
Pensou-se no pior, mas um erro adversário devolveu a esperança. Já nos descontos da primeira parte, um atraso para o guarda-redes trouxe justiça ao jogo. Na cobrança, Ricardo Horta tocou para Wilson Eduardo, e o português atirou em arco para o fundo das redes num golo de belo efeito que devolveu a alegria às hostes arsenalistas, encerrando, da melhor maneira, os primeiros 45 minutos.
Para a segunda parte, Kocaman, treinador dos turcos, apostou as fichas todas na demanda pelo golo. tirou Turan e Hadziahmetovic, e colocou Camdali e Sahiner, dotando o ataque de mais soluções, tentando explorar a vantagem numérica. Foi racional. Os seus jogadores é que não. Entraram na segunda parte com demasiada paixão e agressividade, o que se traduziu num jogo sem ideias, anulado pela organização bracarense… e numa expulsão. Skubic, depois de falta dura sobre Vukcekic, viu o segundo amarelo, tirando a vantagem numérica à sua equipa e a emoção ao jogo, que entrou num marasmo a partir daí.
O Braga soube defender-se, com Vukcevic e Pedro Tiba (substituiu o sacrificado Rui Fonte após a expulsão de Mauro) em excelente consonância no miolo e os alas Wilson Eduardo e Ricardo Horta a fazer trabalho defensivo exímio, conseguindo, até, criar algum perigo – Pedro Santos, a 10 minutos do fim, quase ampliava a vantagem. Reagiu o Konyaspor, mas com demasiado coração e pouca cabeça. Novamente.
Esse desnorte turco seria aproveitado para, já depois da hora, Ricardo Horta aproveitar a subida do guarda-redes num canto a favor do Konyaspor e percorrer o meio-campo adversário até fazer o 3-1 final.
O Braga soube aliar a tal crença e garra necessárias à frieza necessária para virar um jogo que teve tudo para correr mal, mas logo foi emendado quando as circunstâncias eram mais adversas. Assim são os guerreiros. Capazes de operar gloriosas reviravoltas. Na batalha (0-1 para 2-1 depois de se ver com menos homem) e na guerra (com esta vitória, ultrapassou o Gent e está agora numa posição mais favorável rumo ao apuramento).
Hoje em dia vivemos numa sociedade egoísta e de indivíduos que preferem aproveitar-se do trabalho e mérito de outros para sobressair. E no caso da realidade portuguesa, que é a que melhor conheço, e sobre a qual melhor posso opinar, posso dizer que valorizamos muito mais o que não é nosso, preferimos ter inveja dos que têm sucesso em vez de tentar perceber e aprender como o alcançar (a primeira forma dá menos trabalho), e somos muito de nos opormos a determinada ideia, sem saber bem o motivo, para sobressairmos dos demais.
Actualmente, no universo Sporting podemos identificar principalmente as últimas duas ideias descritas acima, onde sobressai uma pequena célula de contestação à actual direcção. Isto porque essa não aponta um caminho, apenas diz que o que se está a seguir não é bom.
Eu entendo que não tenhamos que aceitar tudo o que foi ou está a ser feito; no entanto, há uma forma extremamente eficaz para reprovar ou não o trabalho realizado, ou seja, as eleições. Elas são feitas para eleger alguém com novas ideias para o clube, ou para dar aval às que estão a ser colocadas em prática. Para além de ser a mais eficaz, é também a mais democrática e a que menos desestabiliza o dia-a-dia do clube, dos sócios, direcção, técnicos ou atletas.
Tudo o que esteja além disto é só ruído exterior que tem o único objectivo de tentar tirar-nos força, e a recuperação, a todos os níveis, do nosso clube.
Se há momento para aparecer uma oposição à direcção em funções, por não se concordar com o modelo, é agora. Mas uma oposição identificada, com rostos, com ideias, com algo que valorize o clube. Não queremos, pelo menos eu não, oposições que se escondem em papéis e flyers, que lutam como grupos de guerrilha, que lançam um ataque e se escondem até uma nova oportunidade. Isso não é de quem queira bem ao clube. É de quem simplesmente tem ódios pessoais por resolver e de quem quer vingar através do clube, ainda que isso o enfraqueça.
Um clube que tenha este tipo de oposição desestabiliza os elementos da direcção, e descredibiliza-os junto dos outros órgãos que gerem o futebol. Porque esses órgãos, se tiverem que tomar uma decisão que vá ao encontro dos interesses de um clube e em desfavor de outro, mais facilmente sentirão vontade de prejudicar quem esteja preocupado com lutas internas, e em constante convulsão.
Ganhar sabe sempre bem, mas ganhar depois de estar a perder sabe ainda melhor. Neste artigo partilho o meu top10 de reviravoltas portistas de que tenho memória. Jogos que pelo seu significado ou timing foram importantes para as respectivas épocas desportivas. Dependendo da idade do leitor certamente se lembrará de outras reviravoltas, como por exemplo a final de Viena. Mas se for portista, certamente estes jogos o deixarão com um sorriso.
No passado fim de semana, realizou-se a 5°jornada do Campeonato Nacional de Hóquei em Patins. Se esta ronda de jogos não deu azo a que existissem quaisquer alterações no quarteto da frente, no resto do campeonato já começam a haver algumas novidades. Muito em virtude do final de uma fase, onde algumas equipas foram prejudicadas pelo dito sorteio condicionado.
O jogo de abertura da jornada, colocou frente a frente o tomar e o porto, que os comandados de Cabestany apenas conseguiram vencer por 3-1. O encontro teve uns primeiros minutos bastante equilibrados onde, tanto o Tomar como o Porto, poderiam ter marcado, mas Nuno Peça e Nelson Filipe não permitiram o inaugurar do marcador. Com o passar do tempo, e com maior possibilidade de refrescar os jogadores, mantendo a qualidade dos mesmos, o Porto foi ganhando maior ascensão na partida e, pouco antes do intervalo, conseguiu chegar à vantagem com um golo de Telmo Pinto.
A jogar em casa e com o pavilhão bem composto, o conjunto nabantino foi à procura do golo e aos 10 minutos, da segunda parte, empatou o jogo. Logo a seguir, dispôs da décima falta do Porto, mas Ivo Silva não conseguiu concretizar. Apenas nos últimos minutos da partida, o porto garantiu os três pontos. Primeiro, com um golo de Reinaldo Garcia quando o tomar estava em inferioridade numérica e, em segundo, com o 3-1 de Jorge Silva a 10 segundos do fim.
Riba d’Ave-Sporting CP
Superioridade. Este foi um elemento em evidência a favor do Sporting, para todos os que encheram o pavilhão das Tílias. No final dos primeiros vinte e cinco minutos, o conjunto leonino já vencia por 3-0, com golos de Pedro Gil, Caio e Poka. A segunda parte começou com o Sporting a fazer o 4-0, por intermédio de Ferrant Font.
A ser goleado por 4-0, o Riba d’Ave reagiu e ainda conseguiu reduzir até 4-2, em virtude de um bis de Vítor Hugo Moreira. No entanto, a equipa de Vila Nova de Famalicão ainda podia ter assustado mais o Sporting, mas acabou por desperdiçar quatro livres direitos e uma grande penalidade.
OC Barcelos-AD Valongo
Um dos principais encontros da jornada onde estavam, frente a frente, duas das várias equipas que tiveram um início de campeonato bastante complicado, devido ao sorteio condicionado. No pavilhão Municipal de Barcelos, completamente cheio, a equipa da casa rapidamente chegou ao 2-0, com golos dos jovens Alvarinho e Vieirinha. Miguel Viterbo, treinador do Valongo, não estava nada contente com o início de jogo da sua equipa e pediu o time out a que tinha direito, o que veio trazer alterações ao encontro. Não é de estranhar, então, que o Valongo tenha reduzido o marcador com um golo de Hugo Pereira. No entanto, o Barcelos respondeu e Luís Querido fez o 3-1 e o resultado registado ao intervalo.
Na segunda parte, o Valongo entrou crente no empate e voltou a reduzir o resultado com um golo de João Guimarães. Logo a seguir, na sequência de um azul visto por Zé Costa, Hugo Pereira bisa e empata a partida.
Com o jogo empatado, ambas a equipas foram à procura do golo que lhes garantisse os 3 pontos, mas, tanto Ricardo Silva como Leonardo Pais, estiveram em grande. Todavia, o golo haveria mesmo de surgir e para a equipa da casa. Alvarinho aproveitou um livre direto, corresponde à 15° falta do Valongo para fazer o 4-3 final.
Valença HC-AD Sanjoanense
Jogo entre equipas do campeonato da manutenção, que acabou por sorrir aos da casa por 5-4.
Foi a equipa do Valença a começar melhor e, com um endiabrado Zé Braga, rapidamente chegou ao 3-0, mas o Sanjoanense não sei deixou ficar e, em poucos minutos, Diogo Casanova e Pedro Cerqueira reduziram a desvantagem para 3-2. Desta vez, foi o Valença a reagir e Luis Viana levou a sua equipa a vencer por 4-2 para o intervalo. O jovem Diogo Casanova também estava em grande e, em dez minutos, empatou a partida. Sempre muito equilibrado, o jogo acabou por cair para o lado do Valença, onde Luis Viana voltou a vestir a pele de herói ao marcar o quinto e, último golo, que garantiu a vitória da equipa da casa.
Foi perante uma boa assistência que o SC Tomar vendeu cara a derrota ao FC Porto Fonte: Sporting Clube de Tomar
Candelária SC-CD Paço de Arcos
Mais um jogo entre equipas que lutam para não descer, com o Candelária a conseguir levar a água ao seu moinho, visto que alcançou mais três pontos, devido a ter vencido o encontro por 2-0.
Após uma primeira parte sem golos, o Candelária conseguiu abrir o marcador aos oitos minutos da segunda parte, em virtude de um golo de Alan Fernandes. Passado cerca de um minuto e Pedro Afonso fez o 2-0 final, num jogo onde nem o Candelária ou o Paço de Arcos tivesse conseguido aproveitar lances de bola parada.
HC Turquel-UD Oliveirense
Num jogo que se adivinhava equilibrado, a Oliveirense acabou por sair com uma confortável vitória da Aldeia do Hóquei, por 7-3. O Turquel entrou melhor e conseguiu chegar á vantagem com um golo de Tiago Pimenta. Porém, Pablo Cancela empatou o jogo a sete minutos do fim da primeira parte, fazendo com que chegado o intervalo, o encontro fosse igualado.
No segundo tempo, foi André Pimenta a voltar a colocar o Turquel na frente ma minutos depois, Pedro Moreira fez o 2-2. Pouco depois, a Oliveirense passou para a frente do marcador, com um golo de Bargalló. Contudo, passado pouco tempo, o Turquel voltou a empatar o jogo, em virtude de um golo de Vasco Luís. A partir daqui só deu Oliveirense. Jordi Bargalló, por duas vezes, Nuno Araújo e Pablo Cancela, estes últimos dois de livre direto, colocaram o marcador final em 7-3.
Juventude de Viana-SL Benfica
De loucos. É desta forma que se pode descrever o jogo que se disputou em Viana do Castelo, no passado fim de semana. O Benfica entrou melhor na partida e, rapidamente, chegou a uma vantagem de 2-0, devido a um golo de Miguel Rocha e outro de Nicolia. Até ao intervalo, o Viana sempre em crescimento, com o passar dos minutos conseguiu reduzir para 2-1, com um golo de Nuno Santos.
Os segundos vinte e cinco minutos deixavam água na boa e, quem assistiu, não se pode queixar de falta de emoção. A meio da segunda parte, o Viana chegou ao empate por Diogo Fernandes, mas, de seguida, o João Rodrigues repôs a vantagem encarnada, através de uma grande penalidade. O jogo estava de parada e reposta e, pouco depois, a Juventude voltou a empatar com um golo de Tó Silva, que aproveitou um livre direto a sancionar a 10ª falta do Benfica.
Com o empate, a 3-3, o jogo tornou-se imprevisível, com qualquer uma das equipas perto de marcar, mas seria a equipa da casa a aproveitar um contra-ataque e por Francisco Silva ficou, pela primeira vez, na frente do marcador. Numa situação parecida com a que tinha enfrentado na receção ao Barcelos, respondeu com uma pressão impressionante, que colocou imensas dificuldades ao Viana. Em conjunto com esta enorme pressão, surgiu o génio de Nicolia que com um enorme gesto individual fez o 4-4.
Até ao final, ambas as equipas tiveram oportunidades para vencer, mas a estrelinha de campeão voltou a sorrir ao Benfica, com um golo de grande penalidade polémica, mas bem assinalada, assinado por João Rodrigues que fez o 5-4 final.
Quem é que não recorda com saudade o tempo de Argel, Hélder, Ricardo Rocha, Fyssas, Alcides. Enfim, tudo grandes lendas, mas ninguém tem saudades dessa altura. Aqueles dos quais os benfiquistas têm mais saudades são mais recentes como Garay ou David Luiz, que diga-se e a bom da verdade, que desde que deixaram o a Luz, não tiveram a maior das felicidades, apesar de um deles ter conquistado a Liga dos Campeões e a Liga Europa, mas mais uma vez, nem sempre troféus são sinal e felicidade.
Deixando o passando e voltando aos tempos de hoje, o Benfica tem uma das defesas mais sólidas do campeonato e da Europa. Apesar das ausências e da inconsistência que elas provocam, os encarnados têm nos primeiros metros do terreno uma boa fortaleza. Lindelof e Grimaldo são os alunos com maior presença, Jardel e Luisão vão alternando dependendo de quem está disponível ou não, e Nélson Semedo é o dono da lateral-direita pelo menos até André Almeida estar no pleno das suas condições
Do ponto de vista dos números são 10 golos sofridos em 14 jogos oficiais, parece uma média um pouco tremida, verdade, mas fora o comportamento na Champions responsável por metade destes 10 golos, onde 4 dos 5 foram sofridos em Nápoles, o Benfica tem estado impecável.
A estabilidade e comportamento defensivo do Benfica não se deve única e exclusivamente à qualidade dos seus jogadores. A atitude da equipa do meio-campo para a frente e a boa relação entre os jogadores e Rui Vitória têm sido factores decisivos que contribuem para uma performance como a que se tem visto.
Nélson Semedo é uma das revelações do SL Benfica Fonte: SL Benfica
Mais ao detalhe e, analisando os comportamentos dos sujeitos mencionados no segundo parágrafo, Grimaldo é a grande novidade e adição à defesa do Benfica. Já o ano passado, no final da época, tinha dado sinais de que viria a ser o novo lateral-esquerdo do Benfica, quando Vitória foi-lhe dando minutos no lugar de Eliseu. Ora, Eliseu foi campeão da europa e isso significa estatuto, mas a idade do argentino e a qualidade fizeram com que o português passa-se a ser a hipótese B do treinador.
Lindelof é o que já sabemos. Bom quando sai a jogar, na marcação homem-a-homem, o controlo do espaço, e tem aquele quê que apreciamos num defesa-central, sempre uma boa arma nos cantos. Tal como Grimaldo, o sueco deu cartas o ano passado, bem mais do que as do argentino, visto que foi titular boa parte do tempo ao lado de Jardel.
E é dele que falamos agora, Jardel. Pessoalmente não é dos meus defesas favoritos, mas tenho de reconhecer que é um pilar na defesa encarnada e o melhor aluno de Luisão. Veio na altura e que Garay se foi e encaixou no onze desde então. Tecnicamente não é dos melhores, mas taticamente é muito completo e nunca deixa a equipa descompensada.
Dos mais utilizados regularmente falta falar de Nelsinho. Os fãs mais acérrimos do Benfica dividem os seus amores no que toca a esta posição entre a estabilidade de André Almeida e a capacidade ofensiva de Semedo. Ora, como já foi dito anteriormente, André ainda é uma carta fora do baralho, pela sua recente recuperação, e nesse aspeto não há dedos a apontar a Nélson Semedo, que mesmo do ponto de vista defensivo está mais completo.
Esta defesa do Benfica é boa e faz lembrar as mais antigas que os mais velhos recordam e é o perfeito exemplo de que os encarnados têm nesta altura a melhor equipa e estrutura base do campeonato, porque para uma equipa ser campeã, tem de ter uma boa defesa.
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo… Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura…
(…)
Alberto Caeiro, in O Guardador de Rebanhos
Eibar é uma pequena cidade no País Basco, mas de lá se pode ver quanto da terra se pode ver no Universo. Lá pode-se ver, pelo menos uma vez por ano, estrelas como Messi, Ronaldo ou Griezmann. E pode-se vê-las bem de perto. Não sei se é a equipa do Eibar que se agiganta para chegar lá acima ou se são essas estrelas que se tornam terrenas, mas dentro do retângulo de jogo, o Eibar é do tamanho daqueles com quem compete. Tanto assim é que, esta época, já foi à capital empatar com o Real Madrid e, em casa, venceu equipas como o Villarreal e o Valência, tendo também conseguido empatar com o Sevilha.
Fora de campo é que as diferenças são mais notórias. O S.D. Eibar tem o estádio mais pequeno da liga espanhola, com capacidade para apenas 6300 espectadores, a quem se juntam sempre mais algumas dezenas que espreitam os jogos desde os prédios e colinas ao redor do estádio. Quando um dos grandes de Espanha se desloca ao Ipurua, o cenário faz lembrar aquelas ocasiões em que uma equipa dos escalões inferiores tem a sorte de receber um dos grandes numa eliminatória da Taça.
E, de facto, ainda há poucos anos, o Eibar era mesmo um desses clubes pequenos, que disputava o terceiro escalão do futebol espanhol. Hoje, quer consolidar-se como clube de primeira. Subiu pela primeira vez em 2014 e, nessa época, ficou em posição de descida, sendo repescado após o Elche ter sido despromovido administrativamente por questões financeiras. Na época passada, a manutenção foi conquistada em campo, com o clube a ficar no 14.º lugar e, neste momento, a disputar a primeira liga espanhola pela terceira vez na sua história, o Eibar ocupa o oitavo lugar.
Para este bom arranque muito tem contribuído o bom momento de forma de Pedro León, o médio que chegou a passar pelo Real Madrid e, agora, aos 29 anos, parece estar a viver um dos melhores momentos da carreira, na ala direita do Eibar. Destacam-se também Fran Rico no meio campo e Sergi Enrich no ataque, numa equipa equilibrada em que José Luis Mendilibar teve a sorte (e o mérito) de acertar desde cedo num onze estável. Normalmente joga num 4-4-2 com Enrich e Kike Garcia na frente, abdicando por vezes do segundo avançado para reforçar o meio campo.
Bebé desceu com o Córdoba e com o Rayo Vallecano. Será feliz em Eibar? Fonte: La Liga
Mas fora dos relvados o Eibar também trabalha bem. Ainda a semana passada, Bebé deu uma entrevista ao site da Liga, em que confessou que inicialmente rejeitou as propostas que recebeu do clube, mas que hoje acha que foi a melhor decisão que tomou na carreira, destacando o apoio que é dado aos jogadores e suas famílias. A opinião de Bebé é interessante porque o antigo extremo do Benfica conhece bem a realidade dos clubes pequenos da Liga Espanhola, uma vez que esteve emprestado ao Córdoba, em 2015, quando a equipa desceu de divisão e, na época passada, esteve no Rayo Vallecano, que também desceu. Sobre a sua má experiência no Córdoba, Bebé lembra que se tratava de “uma equipa de muitos miúdos, com 14 jogadores emprestados” e onde faltava união. (Curiosamente, essa é a fórmula que o Granada está a usar este ano e que tem tudo para dar mau resultado).
Em Eibar mora uma equipa equilibrada e experiente e que parece determinada a continuar a ser do tamanho daqueles com quem compete e não do tamanho da sua altura.
Exibição fraca (mais uma), muito fraca mesmo, do FC Porto. Jogo pálido de princípio ao fim. Primeira parte má, segunda parte sofrível.
Mas comecemos pelo princípio. O Porto fez alinhar, na partida de hoje, a sua equipa de “gala”, com a exceção da troca de Miguel Layun por Maxi Pereira. O Porto entrava, então, em palco no já habitual 4x1x3x2 com Casillas na baliza, o quarteto defensivo comporto por Telles, Marcano, Felipe e Maxi, secundados pelo pivot defensivo Danilo. No apoio à dupla Jota/André Silva jogaram, também, os três do costume: Otávio sobre a esquerda, Herrera mais à direita e Oliver como maestro. Era, portanto, a equipa tipo do Porto que ia atacar o campeão belga. O Brugge apareceu no Dragão num 4x4x2 clássico, ao contrário do que havia sucedido no jogo da primeira volta no qual Michell Preud’Homme havia apostado numa estrutura com três defesas centrais.
No primeiro tempo o Porto foi dono e senhor do jogo. Controlou a posse de bola (ao intervalo era de 60% para o Porto e 40% para o Brugge) mas faltou velocidade e largura. O jogo começou muito disputado a meio campo com as equipas, como se costuma dizer, a estudarem-se uma à outra. No entanto, à medida que o tempo ia correndo o Porto começava a crescer e a instalar-se no meio campo adversário, sem nunca, apesar de tudo, ter tido a lucidez suficiente para materializar a posse em oportunidades. Aliás, nesse particular Porto e Brugge equivaleram-se, com uma oportunidade pra cada lado: aos 25 minutos Wesley desvia dentro de área um cruzamento para intervenção de Casillas e aos 34 o Porto respondeu por Alex Telles num livre lateral que acaba por não ser desviado e embate na barra, sendo que o Guarda-Redes belga defendeu, de seguida, a recarga de Danilo. Parecia, então, que se compunha o cenário perfeito para uma igualdade a zero ao intervalo que, diga-se, apesar do domínio portista, seria um resultado justo. Todavia, a 8 minutos dos 45, canto, igualmente batido por Alex Telles, e cabeceamento do jovem talismã André Silva que depois de sofrer um desvio num adversário só parou no fundo das redes da baliza belga, à guarda de Butelle. O Porto era, assim, salvo por André Silvas mas as bancadas do Dragão desconfiavam e tinham razões para isso.
No reatar da partida o Porto entrou irreconhecível. Entregou a bola ao Brugge e esperou pelo apito final. E podia ter-se dado muito mal. Para se ter uma ideia, a posse de bola no fim do jogo já era de 50/50, o que ilustra bem aquilo que se passou na segunda metade: Porto metido no seu meio campo a tentar suster as investidas do Club Brugge, tentando apenas sair através de bolas bombeadas para a velocidade da dupla atacante. A toada de jogo mantinha-se e só as substituições de Herrera e Diogo Jota para as entradas de Rúben Neves e Corona (a primeira aos 62 minutos e a segunda aos 70) estancaram por alguns instantes o jogo belga e conferiram ao FC Porto alguma clarividência. Mas foi sol de pouca dura. Nos 10 minutos finais o Porto voltou a recuar e o Estádio do Dragão só voltou a descansar depois do apito final do senhor Angel Rodriguez, árbitro espanhol que apitou a partida. Foram 45 minutos medíocres do Porto que, para quem não acompanha o fenómeno do futebol, devem levar à seguinte questão: Afinal qual é o clube grande, de dimensão europeia e que conta com 7 títulos a nível internacional no seu palmarés? O FC Porto ou o Club Brugge? Sim, é o Futebol Clube do Porto mas a julgar por este jogo não parecia.
Em suma, foi mais um jogo pobre do FC Porto e um ensaio falhado para o (fundamental) jogo de Domingo. O Porto usou e abusou do jogo direto (começa a tornar-se um vício) e voltou a não ter largura no seu jogo, já que joga sem extremos e os laterais não têm sido suficientes para criar mossa pelos corredores. Há, portanto, muito para Nuno e a sua equipa técnica pensarem e trabalharem no sentido de melhorar a qualidade de jogo da equipa. Domingo há jogo grande, jogo no qual o a equipa do Porto terá forçosamente de se apresentar a um nível muito mais elevado sob pena de ver o Benfica (que também fez uma exibição pálida no dia de ontem) alargar a distância entre ambos. Exige-se mais, muito mais.
Apesar do frio outonal que se fez sentir em Dortmund, o Signal Iduna Park esteve um inferno. Em campo encontravam-se Sporting Clube de Portugal e o Ballspiel-Verein Borussia 1909 e. V. Dortmund, aka Borussia de Dortmund. Fora dele, enfrentavam-se duas das melhores claques europeias neste momento. Só fatores para que o jogo fosse eletrizante.
Um jogo que desde o início começou bastante confuso, mais por causa do esquema tático que Jorge Jesus escolheu, com a entrada de Paulo Oliveira para o lado direito da defesa e Schelotto a jogar à sua frente. Sabendo que necessitava de ganhar, a equipa do Sporting entrou a pressionar bastante alto.
No entanto, quem acabou por se adiantar no resultado foi a equipa da casa, que beneficiou da passividade da defesa leonina para marcar golo. A tarefa tornava-se a esta hora cada vez mais difícil, tudo por causa deste golo madrugador, que não marcou a desmotivação do Sporting, pelo contrário. A equipa portuguesa procurou o golo do empate, estando este perto de se concretizar por Gelson Martins. O menino prodígio, em frente à baliza, deu o toque a mais que não deveria ter dado, valendo a pronta intervenção do guarda-redes do Dortmund. Os leões não baixavam os braços e tentavam sempre procurar o tento antes do intervalo. À meia hora de jogo, depois de um cruzamento bem medido por Marvin Zeegelaar, Gelson rematou novamente à baliza, valendo desta vez Marc Bartra aos alemães. A esta altura estava a ser um jogo muito bem disputado, com as duas equipas a jogar bom futebol e a valer o espetáculo merecedor da competição que é. Haviam grandes jogadas de entendimento de parte a parte, com boas ofensivas do Dortmund e boas saídas da zona defensiva por parte do Sporting. Já nos momentos ofensivos dos leões, havia mais apatia, que era compensada pelo génio de Gelson Martins, parecendo o único que não tinha medo de rematar.
A terminar a primeira parte, pedia-se a mudança de Ruben Semedo. O defesa já tinha visto amarelo praticamente no inicio do jogo e isso comprometia as suas tarefas defensivas. A mudança acabou por acontecer no último terço da equipa de Jorge Jesus, que substituiu Castaignos por Bas Dost, o que mudou logo o ataque português, havendo mais qualidade nas tarefas ofensivas, o que significou uma entrada melhor por parte do Sporting. O Dortmund não conseguia organizar bem os seus lances de ataque, mesmo com Schürrle a entrar fresco ao intervalo. A equipa que jogava de amarelo e negro teve direito ainda a um livre à entrada da área, em que Guerreiro tentou surpreender Rui Patrício, mas o guarda-redes não se deixou influenciar pelo seu companheiro de seleção. Pouco tempo depois, Raphael Guerreiro fez falta na entrada da sua área também, que poderia ser melhor aproveitado por Adrien Silva, que rematou por cima. Neste jogo acabou por se perceber a falta que o capitão fazia ao Sporting, tanto na ajuda à defesa bem como nas participações nos ataques leoninos, sendo uma peça fundamental no xadrez de Jorge Jesus.
A segunda parte foi pautada por um domínio do Sporting e pela anulação das jogadas de ataque dos alemães, que apenas conseguiam rematar à baliza quando ganhavam livres à entrada da área. O Sporting Clube de Portugal merecia pelo menos um empate por tudo o que fez neste segundo tempo, que juntou azar aos muitos lances de ataque que teve disponíveis. O Dortmund limitou-se a defender. Os últimos dez minutos foram de bastante esforço, fazendo notar a dedicação de Ezequiel Schelotto que, apesar de estar em manifestas dificuldades físicas, deixou tudo dentro de campo para ajudar a equipa. Faço também nota ao comportamento de Paulo Oliveira. Pessoalmente acho um pouco inconcebível a decisão de Jorge Jesus deixá-lo de fora tantas vezes como as que ocorrem atualmente, visto que o jogador tem bastante potencial. Com Gelson a jogar como tem feito esta temporada, podemos todos começar a preparar as malas do menino, que não ficará connosco muito mais tempo.
Recentemente temos assistido ao surgimento de diversos jovens atletas no futebol português que de facto embarcam em si mesmos diversas características que são visivelmente muito interessantes e, inquestionavelmente, são jovens jogadores cheio de talento e potencial. Exacto, o potencial. O tempo e o trabalho dirão o quão relevante serão no futuro. No presente alguns deles já se destacam e inclusive marcam a diferença face aos demais, contudo há saber gerir essas expectativas e obviamente as capacidades que até agora os levaram à distinção. Julgo que Renato Sanches é talvez o expoente máximo de tal fenómeno.
Tudo isto é fantástico, o futuro aparenta estar assegurado e ainda por cima Portugal é campeão da Europa na categoria de sub-17, vice campeão em sub-21 e claro, campeão na categoria de Seniores(!). Chegamos ao topo, chegamos ao Nirvana futebolístico para alegria de todos nós. Somos jovens, campeões e cheios de talento(!). Os mais optimistas estarão eventualmente a ditar o fim dos nossos problemas ao nível futebolístico. Segundo alguns críticos está encontrada a salvação nacional, o fim da reflexão está aí, chega de falar em “renovação” e de debater a formação (se é que isso alguma vez foi feita de forma profunda) pois temos o Renato, o André Silva e o Gelson. Não há mais nada para pensar ou ver além disso. É um facto de que a médio prazo Portugal, sobretudo as seleções nacionais, têm uma base muito interessante que poderá assegurar um produto futebolístico capaz de orgulhar qualquer adepto de futebol. A médio prazo Portugal tem condições para se manter no topo.
Temos talento e boas capacidades para os próximos dez ou quinze anos. É verdade. Mas isso não nos pode impedir de exercer e manter um profundo processo de reflexão, um processo crítico que é fundamental para o nosso bem enquanto um todo futebolístico. Há que manter o debate aberto, o trabalho permanente e a renovação continua das nossas capacidades e recursos. E por isso julgo que agora, agora mesmo e já aqui existem algumas questões que são importantes colocar (mesmo que isso aborreça alguns poderes estabelecidos ou algum “comodista”): Mas e o que se pode dizer do futuro, daquele futuro que chegará de aqui a dez ou quinze anos? Seremos capazes de nos manter no topo desde os sub-17 aos Seniores e ser competitivos a esse nível? Temos nós um processo, estruturas e acções em andamento neste momento para assegurar esse futuro? Será suficiente apenas executar esse processo através da velha tríade entre Benfica, Sporting e Porto – um sistema tão “patriarcal” diga-se de passagem? E o futuro do futebol português em termos internos? E as divisões inferiores que também competem e que também formam? E será que estamos a formar assim tão bem que não é necessário “mexer uma palha”?
Questões… Questões que julgo eu na minha distância (hoje) profissional e também física serem de extrema importância. E são importantes não só pelo futuro, não só pelo todo futebolístico, mas também pelo presente e pelos nossos jovens. E com isto pretendo deixar nos parágrafos que se seguem algumas notas e alguns pensamentos acerca (e para) o nosso futebol de formação. Não pretendo nem tenho autoridade para responder aquelas questões. Não vou directamente responder às mesmas pois sobretudo desejo que se pense um pouco mais acerca delas e se desenvolva algum espírito critico em torno delas e do nosso futebol de formação. Quero que pensemos, que sejamos críticos. E com isto deixo as questões e as respostas um pouco em aberto.