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Tour de France 2016: Froome já é líder, Rui perto de uma vitória

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Após o primeiro título europeu de futebol de seniores chegar finalmente ao nosso país, é altura de atualizarmos um pouco como está outra competição importante a ser realizada igualmente em solo francês. Refiro-me, pois, ao Tour de France.

Já se passaram 9 etapas e já temos Chris Froome, o favorito à partida para esta prova, como o camisola amarela da corrida, por agora. Como tem sido seu apanágio, existe uma altura nesta primeira metade da corrida em que o britânico gosta de marcar a diferença. Um facto é que poucos esperavam que ele o fizesse em descida e não em subida. Para quem não viu, já explicarei melhor.

O português Rui Costa confirmou, na estrada, que realmente o seu objetivo principal é vencer etapas e não a classificação geral individual. Já tentou integrar algumas fugas, mas só foi bem-sucedido numa e quase que vencia nessa primeira oportunidade. Esteve tão perto, mas um pequeno “deslize” para com um fenomenal contrarrelogista e seguro trepador foi “fatal” para as suas aspirações.

Por fim, em relação aos sprints, Mark Cavendish “renasceu” e já fez um “hattrick”, superando Bernard Hinault em termos de número de vitórias na Volta à França. Com 29 vitórias, o britânico está a “apenas” 5 vitórias de igualar o lendário Eddy Merck.

A correr, a saltar, a lançar…Portugal fez história

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Cabeçalho modalidades

Em Amesterdão, na Holanda, cinco atletas portugueses trouxeram para casa as tão desejadas medalhas. Nem todas de ouro, mas todas com sabor a história e a vitória. Foi o dia de todos os sonhos; o dia de cravar na história da Europa o nome de Portugal.

Nasceu a 17 de outubro de 1985, na cidade de Santo-Tirso. Aos 30 anos, Sara Moreira fez história no Campeonato da Europa, que está a acontecer em Amesterdão, na Holanda, e trouxe para casa o Ouro na meia-maratona. Foram 21km numa 1h10m19s. A estrear-se com as cores de Portugal, Sara fez história ao vencer o Campeonato da Europa, ainda o sol estava a nascer.

Ao seu lado, no pódio, ficou Jéssica Augusto, com a medalha de bronze. Entre as duas ficou a italiana Veronica Inglese, com um tempo de 1h10m35s. Jéssica Augusto acabou por fazer mais 20 segundo que a italiana (1h.10m55s).

Com um recorde pessoal de 1h09m18s, Sara não fez o seu melhor resultado, mas conseguiu arrecadar a medalha e trazê-la para casa, ao lado das suas colegas – também elas medalhadas.

Dulce Félix, aos 33 anos, conseguiu a medalha de prata nos 10.000 metros. Em 2012 havia conseguido a medalha de ouro, que lhe deu o título de campeã europeia, mas a verdade é que a carreira da atleta passou por momentos complicados que fizeram com que deixasse de estar ao nível que tinha habituado os portugueses. No seu regresso às grandes competições, a atleta conseguiu bater o seu recorde pessoal e fazer um tempo de 31.19,03 minutos. Esta foi a 30.ª em todas as edições da prova.

A vimaranense superou-se Fonte: Dulce Félix
A vimaranense superou-se
Fonte: Dulce Félix

No seu regresso às grandes competições, a atleta conseguiu bater o seu recorde pessoal e fazer um tempo de 31.19,03 minutos. Esta foi a 30.ª em todas as edições da prova.

Para além da corrida, Sara e Dulce têm algo que as liga: ambas foram mães. As paragens prolongadas obrigatórias que tiveram de fazer nos treinos há dois anos tornavam quase impossível estes resultados no Campeonato da Europa, tão competitivo. Mas a verdade é que as atletas conseguiram mostrar os resultados do árduo trabalho que têm feito e venceram nas suas categorias.

Mas não foi só na corrida que as medalhas apareceram. Tsanko Arnaudov conquistou o bronze ao fazer a sua segunda melhor marca de sempre, com 20,59 metros. Melhor que Arnaudov só o polaco Michal Haratyk, com 21,19 metros, e o alemão David Storl, com 21,31 metros. Aos 24 anos e natural da Bulgária, Tsanko já o recordista nacional, ultrapassando o colega Marcos Fortes e pode este ano estrear-se no Rio de Janeiro.

A festa continuou para o Triplo Salto, com a Patrícia Mamona a fazer um novo recorde nacional em Amesterdão, com 14,58 metros. O seu recorde anterior era de 14,52, alcançado nos Europeus de Helsínquia, em 2012. Depois de Nelson Évora ter sido eliminado contra todas as expetativas, Patrícia conseguiu trazer para casa o Ouro e derrotar a ucraniana Hanna Knyazyeva-Minenko e a grega Paraskevi Papachristou.

Trabalho é agora mais importante do que nunca. Em Agosto, é no Rio de Janeiro que veremos estas e outros atletas a lutarem pelas medalhas e a tarefa não é fácil. No aeroporto Humberto Delgado, onde foram euforicamente recebidas, as atletas reforçaram a ideia de que este Europeu foi um teste mas que o Rio’2016 será mais difícil. Deixaram a promessa de lutar pelas medalhas, sabendo que em jogo está uma competição de elevada dificuldade e com muitos atletas para bater.

Mas o que contou ontem foi a alegria na cara das atletas, o orgulho na cara dos portugueses, que juntos celebraram estas e outras vitórias. As cores de Portugal chegaram ao céu. Portugal cumpriu-se em todas as frentes e não deixou nada por dizer, nem por fazer.

Foto de capa: Sara Moreira

E se o Campeonato alemão ajudar Portugal a ser campeão mundial?

Cabeçalho Liga Alemã

Renato Sanches e Raphael Guerreiro vão jogar por terras alemãs na próxima época. Os dois jogadores vão protagonizando um percurso ascendente, que tem o próximo ponto alto depois do verão, em Munique e Dortmund. Depois de um europeu onde os dois estiveram em destaque, em 2016/2017 é altura de subir o nível e começar a evolução que, provavelmente, será crucial no futebol que a selecção nacional portuguesa jogará no futuro.

O Benfica sagrou-se campeão nacional e no meio teve uma força – física e psicológica – que moveu uma equipa inteira para a frente, mesmo que apenas 18 anos – um número que chateou muito boa gente – tivessem sido responsáveis pela maré positiva. O futebol irreverente do “Bom Rebelde” é um reflexo da sua irascibilidade, algo que, para já, é ambíguo no que toca à sua compreensão do jogo. Na Alemanha houve um interessado que não se fez rogado: 35 milhões pelo novo talento a sair da Academia do Seixal.

O Bayern Munique foi o responsável por oferecer o que o Benfica queria pelo diamante e agora é altura de Carlo Ancelotti lhe dar as armas que lhe faltam. O futebol do Benfica é – na versão de Rui Vitória – muito mais anárquico do que a máquina bem oleada por Pep Guardiola – e que, na próxima temporada, estará nas mãos de Carlo Ancelotti. O pragmatismo e o cérebro são privilegiados na manobra do técnico italiano: basta lembrar que foi ele o responsável por puxar Andrea Pirlo da posição dez para um papel de construção como médio-defensivo. Vai ser interessante perceber como é que a equipa da Baviera vai estar disposta em campo, e de que forma Renato se pode encaixar num meio-campo onde podem jogar Thiago, Alaba, Kimmich, Vidal, Javi Martinez, Gotze ou Xabi Alonso.

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Renato Sanches assinou contrato com o FC Bayern Munique antes do Euro’2016
Fonte: FC Bayern Munique

Desviamo-nos um bocado da nossa rota e vamos até Dortmund. Raphael Guerreiro muda-se da França para a Alemanha, de um clube pequeno para o segundo maior clube alemão. O defesa/lateral/médio esquerdo é o maior talento a brilhar a partir da parte de trás do campo desde Fábio Coentrão, e foi, no Euro 2016, um jogador bastante competente a defender e a atacar.

A inclusão numa equipa que privilegia um futebol de controlo e de ataque será uma mais-valia para o futebol de alta voltagem exercido por Guerreiro pela linha esquerda inteira. Thomas Tuchel poderá ser o treinador mais importante na carreira do lateral-esquerdo, assumindo um papel que – apesar das diferenças – tem paralelos com o de Jorge Jesus com Fábio Coentrão – jogador que, com o potencial que Raphael vem demonstrando, pode superar. A diferença entre ser mais um e ser o tal estará exactamente na forma como o ex-Lorient irá compreender aquilo que o treinador exige.

Sem saber o que o futuro reserva aos dois protótipos de craque, Bayern Munique e Dortmund são os dois maiores clubes do país campeão do mundo, e a exigência do campeonato alemão tem todos os ingredientes para que Renato Sanches e Raphael Guerreiro integrem o primeiro passo para uma viragem de paradigma no futebol da selecção nacional.

É importante notar que temos uma fornada de jogadores talentosos a soltarem o seu perfume com a camisola nacional, mesmo que o nosso seleccionador não aproveite 20% do seu potencial. A contratação de Guerreiro e Sanches vem ajudar à construção de uma equipa forte e que se pode assumir como o tubarão que é (basta olhar para os resultados neste século), e que muito deve à inclusão de um dos melhores jogadores de sempre: Cristiano Ronaldo. O futebol de pequenos guerreiros pode e deve ser largado para assumirmos um futebol revigorado e de equipa grande, focado numa equipa onde jogadores como William, João Mário, Bernardo Silva ou Renato Sanches serão pontífices.

Foto de capa: FPF

Vamos lá ganhar isto!

Cabeçalho modalidades

Portugal inicia esta segunda-feira a participação no Europeu de Hóquei em Patins. A edição de 2016 realiza-se em Oliveira de Azeméis e é uma motivação extra para a selecção portuguesa conquistar o tão desejado título.

Os grandes favoritos à conquista do Euro são, obviamente, Portugal e Espanha. Pela qualidade que possuem, as duas selecções partem à frente de todas as outras, como é habitual nestes torneios, e principalmente Portugal, a jogar em casa, pode ser considerada a grande favorita. Mas a juntar a este lote de favoritos está a campeã em título, Itália. Os italianos surpreenderam o mundo do hóquei ao conquistar o Euro em 2014 e estão motivados para fazerem uma nova gracinha. A Itália há muito que já deixou de ser vista como um “underdog”, uma equipa que corre para fora. Com um conjunto de jogadores ainda jovens e com bastante qualidade, é de se estar atento ao que esta equipa, que se intrometeu na luta ibérica, pode fazer.

Poderá Portugal conquistar o título em casa?
Poderá Portugal conquistar o título em casa?
Fonte: Ursos/FPP

Num outro patamar encontram-se as selecções da Alemanha e da França. A França surge em Oliveira de Azeméis com, provavelmente, a melhor geração de hóquei de sempre. A modalidade tem crescido em França e os gauleses querem consolidar esse crescimento com uma participação positiva neste Europeu. O mesmo se pode dizer da Alemanha, que depois do quarto lugar no ultimo Mundial, chega a Portugal com a capacidade de querer fazer melhor. Estas duas selecções correm por fora, têm crescido bastante no hóquei mundial e serão uma agradável surpresa neste Euro.

Noutro patamar completamente diferente do resto das selecções, estão a Inglaterra e a Suíça. As duas selecções pouco podem conquistar neste Euro e olham para a prova como mais uma etapa no seu crescimento. Ainda muito longe da qualidade que as restantes selecções apresentam, ingleses e helvéticos aproveitam a prova para irem ganhando experiência.

Uma modalidade que já deu tanto a Portugal e uma equipa cheia de valor. Em casa é tempo de voltar a dar alegrias aos portugueses, continuando o que têm sido os últimos dias para o desporto português.

UFC 200: Uma noite histórica

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Cabeçalho modalidadesMas que semana de loucos! Tudo aquilo que aconteceu até ao UFC 200 foi caótico e, talvez por isso mesmo, espetacular. Eddie Alvarez venceu Dos Anjos de forma absolutamente convincente para capturar o título de pesos leves no Fight Night de quinta-feira e marcou o passo para estes três dias seguidos de lutas. No dia em que Joanna Jedrzejczyk defendeu o seu título contra Claudia Gadelha numa luta que se mostrou bastante difícil no começo para a campeã, Jon Jones acusou positivo num teste anti-dopping e foi retirado do combate do evento principal contra Daniel Cormier. Depois da notícia, e em conferências de imprensa distintas, ambos choraram. Tudo estava mal no UFC 200… Até que apareceu Anderson Silva, pronto a desafiar Cormier, com um aviso prévio de 48 horas e apenas dois meses depois de uma ter sido submetido a uma cirurgia à vesícula biliar. Isto, somado ao regresso de Brock Lesnar e ao cartaz recheado, trazia novamente fulgor a um UFC 200 que esteve em risco de ficar aquém.

O infortúnio de uns traz a sorte de outros. Cinco anos depois de Dana White ter dito que mulheres nunca lutariam na UFC e no ano em que Ronda Rousey era, a par de McGregor, a maior estrela do MMA, Miesha Tate e Amanda Nunes viram-se a encabeçar aquele que foi o evento mais importante da história da UFC. E eventos históricos fazem-se, claro, de história.

Amanda Nunes sempre foi conhecida por bater muito forte e ter começos de combate fulgurantes, desvanecendo nas rondas finais. Miesha, que em contraste começa mais lento, estava consciente disto, mas não aguentou a pressão de Nunes. Tate tentou derrubar a brasileira mas, das duas vezes que tentou, não conseguiu aguentá-la no chão. Após a segunda, Nunes acertou uma direita que fez com que Tate começasse a recuar. A desafiante não largou o osso e iniciou uma perseguição, acertando combinações. Outra direita fez com que as pernas de Miesha desistissem dela, levando-a ao chão, de costas para Nunes. Após algum ground and pound, Nunes colocou os ganchos, virou Miesha e encaixou o Mata-Leão. Miesha, ensanguentada, desistiu e, assim, se fez história. Amanda Nunes tornou-se a primeira brasileira a ser campeã feminina da UFC, mas, mais importante ainda, a primeira campeã abertamente gay.

: Amanda Nunes (trás) a preparar a submissão com que acabaria por finalizar Miesha Tate  Fonte: ufc.com
Amanda Nunes (trás) a preparar a submissão com que acabaria por finalizar Miesha Tate
Fonte: UFC

Foi um grande final para um evento que estava recheado do início ao fim. Todos os combates preliminares eram dignos de estar no cartaz principal e nenhum deles desiludiu. Jim Miller, Gegard Mousasi e Joe Lauzon (estes dois últimos receberam prémios de performance da noite) todos finalizaram as suas lutas e deram o início perfeito ao evento. Sage Northcutt voltou às vitórias, vencendo Enrique Marin por decisão. O ex-campeão de peso galo TJ Dillashaw venceu Rafael Assunção, com quem tinha perdido há 3 anos, também por decisão, mostrando-se dominante após ter perdido o título.

Portugal 1-0 França: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”

Cabeçalho Seleção Nacional

Deus quis, o homem sonhou e a obra nasceu. Fernando Santos, crente, em Deus e nos seus jogadores, pediu para sonhar, e viu os seus pedidos serem escutados. Fê-lo. Anunciou-o aos portugueses, como que os convidando a entrar no seu sonho.

“Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.

Senhor, falta cumprir-se Portugal”

A obra nasceu. Não encantou, no início. Era uma geringonça que muitos não entendiam em campo e que até nojo chegou a meter de tão informe que parecia ser. Mas, a pouco e pouco, com sorte e a falta dela, foi sendo lapidada até ficar concluída como uma das mais belas obras do futebol português, com a chegada à final. Faltava ser a mais bela. Faltava cumprir-se o sonho. Faltava cumprir-se Portugal.

A taça é nossa! Fonte: UEFA
A taça é nossa! Obrigado, mister
Fonte: UEFA

E cumpriu-se Portugal. Aí está a primeira conquista sénior de um país que tanto futebol deu ao mundo, mas que pouco teve em troca. A recompensa merecida, na bola de Éder (que passou a ser só dele), conduzida até à entrada da àrea pelo rapaz formado na Adémia (a menos de um par de quilómetros de onde esta crónica está a ser escrita) antes de desferir um portentoso remate para o fundo das redes de Lloris.

Um pontapé de raiva, que deu sentido ao sofrimento de nomes como os de Figo, Vitor Baía, João Vieira Pinto, Rui Costa, Nuno Gomes, Pauleta, Paulo Sousa ou… Cristiano Ronaldo.

Um pontapé que entrou na esfera do paranormal e que fez sorrir Eusébio, Coluna, Bento e tantos outros.

Um pontapé que matou a besta das eliminações com franceses após prolongamentos (Euro 1984 e 2000 vêm à memória), que caçou o trauma, que há tanto tempo nos apoquentava.

Obrigado!

O Passado Também Chuta: A final das finais do Euro

o passado tambem chuta

Não se ouve outra frase, é a verdade; é o desejo, é a ambição da glória: “As finais são para ganhar…”. Ninguém fala em jogar, maravilhar os espectadores; fala-se na ambição de ganhar. É a negação do velho conceito do desporto. Por isso, escrever sobre a final mais memorável do Europeu de Seleções é difícil e nunca se acerta, porque as finais são memoráveis porque há um vencedor e são memoráveis para o vencedor. No entanto, tivemos finais simpáticas, como aquela em que a Dinamarca se sagrou campeã derrotando a Alemanha. A Dinamarca era uma seleção pequena que logrou derrotar uma grande potência.

Espanha, anos mais tarde, em 2008, por terras da Suíça e da Áustria, também derrotou a poderosa Alemanha e iniciou, pela mão de Luís Aragonês, quase uma década prodigiosa. O Sábio de Hortaleza, depois da vitória, afirmou que a base para uma seleção vitoriosa estava arquitetada. E assim foi. Mas, no caso espanhol, existiu uma virtude para além do feito de ganhar: Luís Aragonês transformou o mito espanhol do futebol-força e do futebol impetuoso pelo futebol do toque, do lateralizar, do esconder a bola ao adversário, do arriscar no momento certo ou pela genialidade do pé do habilidoso. Existiu criação.

A festa espanhola Fonte: UEFA
A festa espanhola
Fonte: UEFA

Luís Aragonês treinou até bem perto da hora do adeus. Viu a sua obra caminhar guiada por outros, mas viu como o que criara fora uma obra perfeita. Os gurus da informação ou opinião acompanhados pelos arautos da clubite começaram a associar a grande obra a uma cópia do futebol do Barcelona. Falso. Aragonês explicou e bem: disse que analisou e concluiu que, perante o futebol pujante das grandes equipas da Europa, Espanha só teria possibilidade de vencer se escondesse a bola e, para isso, Espanha tinha uns “bajitos” maravilhosos. Conseguiu criar um grupo de irmãos e camaradas e nesta lavoura teve grande importância o guarda-redes suplente Reina. Selecionou jogadores de toque: Xavi, Silva, Cesc e uma dupla de centrais indomáveis como Puyol e Marchena. Meteu-os a levar a bola de um lado para outro; retirou o brinquedo aos impetuosos. E a Alemanha de jogadores como Ballack, Podolski ou Klose viu como quatro rodas-baixas lhe roubaram a boneca e a Taça desejada. Esta final alterou, definitivamente, a apreciação que existia do futebol espanhol.

O estádio Ernst Happel, de Viana de Áustria, estava colorido. Uma das claques, a alemã, confiava; a outra, a espanhola, sonhava. Alemanha entra no jogo forte e vigorosa. Domina. A dupla central espanhola, Puyol e Marchena, resiste e transforma-se num muro. Espanha e os seus pequeninos começam a ter a menina dos olhos bonitos. O ballet do toca-dá-passa para trás e para a frente começa. Xavi coloca a bola no espaço de Fernando Torres; Lahm não pode fazer nada e Lehmann recolhe a bola do fundo das redes. Espanha recomeça o jogo no jogo do esconde-esconde e eles não a encontram; Alemanha mete sobre o relvado todo o seu vigor, mas a manha dos espanhóis consumiu o jogo, e chegam vitoriosos ao momento do apito final. Espanha saiu à rua. Os jogadores e os membros da comitiva foram recebidos como heróis em Madrid. Esta guerra mudara o futebol espanhol.

O futuro de Morata

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Cabeçalho Liga Espanhola

É, até ao momento, a contratação mais cara da época na Liga Espanhola, mas, ainda assim, está longe de estar definido o papel que Álvaro Morata vai desempenhar no plantel de Zinedine Zidane na próxima temporada.

O Real Madrid decidiu recomprar o passe do avançado espanhol por cerca de 30 milhões de euros, depois de o ter vendido à Juventus por 20 milhões, há dois anos atrás. Este é, de resto, um tipo de negócio em que o clube madrileno se está a tornar especialista: vende jogadores seus para, um ou dois anos mais tarde, os recontratar por mais dinheiro. Foi assim com Carvajal, foi assim com Casemiro, que, apesar de ter saído apenas por empréstimo, obrigou o Real a pagar para o ter de volta no ano seguinte, e voltou a acontecer agora com Morata. É um caso claro em que não se sabe dar valor ao que se tem em casa. As namoradas parecem ficar sempre mais bonitas quando passam a ex.

Há algumas razões para a acreditar que, nesta segunda vida no Real Madrid, Morata possa ter um papel relevante. Por ser um canterano, (um dos tais 49 que Mourinho diz que lançou ao longo da carreira), é um jogador de quem o Bernabéu gosta e que até já venceu uma Liga dos Campeões pelos blancos, com Ancelotti. Além disso, nas últimas duas épocas na Juventus chamou a atenção por algumas exibições na Liga dos Campeões. Em 2014-15, ajudou a eliminar o seu Real Madrid, marcando um golo na meia final e, depois, marcou também um na final, frente ao Barcelona, mas que foi insuficiente para vencer o jogo. Esta época destacou-se, principalmente, pela sua exibição em Munique, frente ao Bayern, em que a Juventus quase eliminou os alemães. Outro argumento importante para Morata foi ter passado a ser opção regular para a seleção, tendo mesmo sido o titular durante o Europeu, em que marcou três golos em quatro jogos. Além disso, o Real precisa de um suplente para Benzema, que é o único avançado de raiz no plantel. Ronaldo, Bale ou Jesè, por exemplo, podem jogar como homens mais adiantados, mas têm características diferentes de Morata.

Carta aberta ao nosso Capitão

cartaaberta

 

Somos as nossas memórias” (Jose Luis Borges, poeta argentino)

Tu ainda és o menino que suspirou para não chorar compulsivmente naquela fatídica noite, tu ainda és o adolescente imberbe que se revoltou por por veres o destino alterar a trajectória.

Sem o choro e a revolta dessa noite, tu não terias a força que te empurra da cama uma hora mais cedo que os teus colegas, todos os dias, não conseguirias encontrar razões para fazer horas-extra no ginásio, não cumpririas, à risca, planos nutricionais. Não te sacrificarias. Não da mesma maneira.

Esse choro e essa revolta fizeram de ti melhor profissional. Perdão, fizeram de ti “O” melhor profissional. De 2008, 2013 e 2014. Três vezes. Que podiam ser quatro. Ou mesmo cinco, se não voltasses a ser injustiçado. Mas tu sabes lidar bem com isso. Sabes que quem trabalha é sempre recompensado e sabes perfeitamente que não é o sucesso que vem ter contigo, és tu que tens de ir ter com ele. E conquistá-lo.

É “só” subires a dura escadaria de imensos degraus e obstáculos que lhe dá acesso, ganhando valências à medida que desbravas caminho. Características que outros, iguais a ti, não conseguem ter. Quase que super-poderes, que te aproximam da glória.

Tu sabes do que eu estou a falar. 4 anos depois daquela fatídica noite elevaste-te como ninguém e cabeceaste a bola para o fundo das redes, num golo decisivo para a tua primeira vingança. A tua primeira Champions. 3 anos mais tarde, depois de 103 minutos de desgaste físico intenso, entre dois eternos rivais, foste capaz de fazer o mesmo para oferecer uma Taça do Rei ao teu Real Madrid, com quem virias a tocar o céu mais duas vezes: a tão ansiada Décima e a Décima-Primeira do Real.

Mor, Duda, Nágy e Kapustka – os talentos do Euro’2016

Cabeçalho Futebol Internacional

É difícil, no contexto actual, haver uma grande competição sem que a maior parte dos jogadores sejam conhecidos pela maioria do público. Ainda assim, há sempre jovens que demonstram potencial e que, por actuarem em campeonatos periféricos, merecem um destaque especial antes de saltarem para os grandes palcos.

Adam Nágy

O Benfica pode ser o próximo clube do talentoso húngaro Fonte: Facebook de Nagy
O Benfica pode ser o próximo clube do talentoso húngaro
Fonte: Facebook de Nagy

É um dos jogadores mais cobiçados pelas exibições que fez na prova. O jovem húngaro, que até pode vir parar à Luz, não desperdiçou a oportunidade de se valorizar na montra de uma grande competição e vai certamente experimentar outro patamar competitivo. Na primeira e única temporada que fez ao mais alto nível, Nágy teve um papel decisivo no título do Ferencváros, assumindo-se como a maior revelação da liga nacional.

À frente da defesa, o jogador impressionou pela inteligência notável no posicionamento, que lhe permite antecipar a maioria dos lances para interceptar ou desarmar, e por uma qualidade técnica muito acima da média. O facto de ter passado pelo futsal reflecte-se no seu jogo, tendo um controlo de bola fantástico com os dois pés.

Chegar à selecção foi perfeitamente natural e Nágy conquistou de forma rápida um lugar cativo no meio campo magiar. É o chamado “jogador completo”, pela qualidade que revela em todos os momentos do jogo. Apesar do enorme potencial que apresenta, o médio do Ferencváros é bastante discreto e dispensa o protagonismo. Privilegiando sempre o colectivo, tem um perfil de decisão muito desenvolvido e percebe o que o jogo pede. É muito forte ao nível do passe (curto e médio, sobretudo) e tem capacidade de assumir acções de condução.

Podendo jogar como 6 ou 8, o talentoso húngaro seria uma aquisição de peso para o meio campo encarnado, embora não se possa falar num substituto directo de Renato Sanches. Tendo outras características e um jogo mais cerebral do que o português, não deixaria de ser um reforço que se enquadra na habitual política dos encarnados.