Início Site Página 12166

Regresso a casa

0

sporting cp cabeçalho 1

Finalmente. Depois de termos sido campeões europeus, pensei que nos faltava ainda algum tempo para poder voltar a ver o Sporting. Sentia já saudades de ver os nossos jogadores (com a nossa camisola) a jogar, de ver o estádio cheio e de ouvir «O Mundo Sabe Que» entoado por milhares de adeptos. A conversa ao almoço já parece mais a de uma criança de cinco anos que quer um brinquedo novo. «Mãe, podemos ir de férias mais cedo para ver o Sporting?»

O regresso a casa. Com um relvado novo, os novos reforços estão prontos para mostrar o que podem fazer pelo clube na próxima época. Apesar de estar a ser uma pré-época um pouco fracassada, onde foram poucos os jogos que ganhámos, uma pré-época serve mesmo para isso: perceber onde estão os erros e corrigi-los, para que desta vez voltemos tão fortes como estávamos na época passada. Temos muitas competições em que nos focar e temos de conseguir suplantar todas as dificuldades e oscilações de mercado que possam acontecer.

A febre do Sporting e do 12.º jogador Fonte: Sporting CP
A febre do Sporting e do 12.º jogador
Fonte: Sporting CP

No Sábado, o jogo entre o Sporting e o Lyon é o teste final para ver como está a nossa equipa, e espero que seja um teste positivo. Nada me alegra mais que saber que voltámos à base, que estamos em casa. Apesar de estar de pé atrás, acredito que Jorge Jesus tenha sempre uma carta na manga e que seja para começar os jogos oficiais com a máxima força, para entrarmos na Liga dos Campeões em grande. Podem-me chamar sonhadora ou lunática mas, depois deste Europeu, acredito que os clubes portugueses já são capazes de tudo. Somos fortes e já demos provas disso; temos um treinador com coração e garra de leão e temos o 12.º jogador mais poderoso de sempre: os nossos adeptos. O que é que nos falta? Não vou começar com as típicas frases feitas como «Não é como começa, é como acaba» ou «Devagar se vai ao longe». Não. Não temos desculpas. Temos plantel e, mais que plantel, temos equipa. E é isso que apenas quero que mostrem. Jogo em equipa, com jogadores como Podence ou Iuri Medeiros a fazerem a diferença, João Palhinha e Alan Ruiz a segurarem o jogo e, principalmente, a jogarem de forma bonita e a marcar. Não sabem de que fibra somos feitos e é isso que vamos mostrar. No Sábado, a raça dos leões vai estar mais forte que nunca, e é nisso que todos temos de nos focar para sermos os melhores. 

Chegar ainda mais longe

0

Cabeçalho modalidadesEm Matosinhos a Espanha sagrou-se bicampeã europeia de Sub20 Femininos ao vencer a Itália por 71-69, numa das finais mais emocionantes e dramáticas dos últimos anos. Dois lances livres anotados por Laia Flores, a um segundo do final do jogo, desfizeram o empate a que havia chegado anteriormente a Itália com dois triplos impossíveis. Com esta medalha de ouro a Espanha eleva para seis o seu total e acentua o seu domínio.

Portugal terminou no 10.º lugar (tinha sido 6.º campeonato em 2015) após derrota na última jornada com a Holanda, por 66-61. O objectivo mínimo foi cumprido, ficamos na Divisão A, contudo este Europeu sabe a pouco, pois face ao potencial da equipa e ao empenho do treinador, Eugénio Rodrigues, não ficam dúvidas que podíamos ser capazes de chegar mais longe.

Um começo amargo para Paulo Fonseca em Donetsk

0

Cabeçalho Futebol Internacional

Não começou da melhor forma a aventura de Paulo Fonseca por terras ucranianas. O antigo de treinador de SC Braga, FC Porto e FC Paços de Ferreira não conseguiu derrotar o outrora colosso europeu FC Dynamo Kyiv do português Antunes na final da décima terceira edição da Super Taça Ucraniana, caindo nas grandes penalidades após ter conseguido um empate a uma bola no final dos 90 minutos regulamentares.

Uma noite quente na histórica cidade de Odessa e um relvado do Chornomorets Stadium em muito mau estado serviram de baptismo para Paulo Fonseca nesta sua, algo inesperada, demanda pelo futebol ucraniano, mas o jovem treinador português não guardará certamente as melhores memórias deste jogo diante o arqui-rival da capital. A equipa do FC Shakhtar Donetsk foi superior aos comandados por Serhiy Rebrov durante toda a partida, com particular incidência nos primeiros 45 minutos onde os “Mineiros” dispuseram de diversas oportunidades para vencer o jogo. Paulo Fonseca cortou literalmente com o passado e deixou de lado a filosofia, por vezes demasiado pragmática, de Mircea Lucescu, montando a sua equipa numa espécie de 4-4-1-1, com Taison no apoio a Eduardo na linha da frente.

A linha de quatro do meio campo contava com o poderoso Stepanenko, incumbido de tarefas mais defensivas, e com o brasileiro Fred, um armador de jogo clássico, que esteve em especial destaque neste jogo, não só pelo golo que apontou, como também pela exibição de bitola elevada que realizou. O técnico português entregou as linhas aos brasileiros Bernard, tantas vezes relegado para segundo plano por Mircea Lucescu, e Marlos, que, apoiado pelo capitão Darijo Srna, causou muitos problemas a Antunes, o lateral esquerdo da formação de Kiev. Foi, no entanto, no sector defensivo, que Paulo Fonseca mexeu mais neste seu novo FC Shakhtar Donetsk, deixando de fora dos convocados, sem qualquer explicação plausível, Yaroslav Rakitskiy e relegando para a condição de suplente Oleksandr Kucher, outro dos habituais titulares com Lucescu.

Os lendários capitães Darijo Srna e Oleksandr Shovkovskiy cumprimentam-se antes do apito inicial Fonte: telegraf.com.ua
Os lendários capitães Darijo Srna e Oleksandr Shovkovskiy cumprimentam-se antes do apito inicial
Fonte: telegraf.com.ua

Para os seus lugares, o técnico português lançou dois internacionais ucranianos que contaram com poucas oportunidades nas épocas anteriores, Serhiy Kryvtsov, que fez a sua formação numa das melhores escolas de futebol do país, o FC Metalurh Zaporizhya, e Ivan Ordets, um central versátil de 24 anos, forjado na escolas da formação de Donetsk. Terá sido, porventura, uma aposta arriscada de Paulo Fonseca, no entanto e tal como foi possível verificar ao longo desta partida, o técnico português procura ter uma defesa mais móvel, não tão presa em termos de movimentos e com outra disposição na saída de bola, algo que com Kucher e Rakitskiy não era possível, dada a lentidão de ambos.

“Ó FPF, o Sporting está demasiado forte, assim não pode ser!”

sporting cp cabeçalho 1

A época do futsal ainda não está próxima do seu início, contudo a polémica está lançada. Mais uma vez, os principais protagonistas são o Sporting CP e o SL Benfica.

Desta vez, é um projeto que está em vista para alterar a regulamentação em relação ao número de estrangeiros que podem ser utilizados em jogos oficiais das competições nacionais. O limite é de cinco jogadores estrangeiros por jogo. O que é “esquisito” aqui é a alteração do castigo aplicado. Anteriormente, já havia um limite de estrangeiros, que era punido através de multas. O Sporting tentou, há duas épocas atrás, impor uma penalização mais forte para as infrações desta regra, contudo a Federação rejeitou a ideia. O Benfica estava declaradamente contra, tendo em conta a constituição do seu plantel e os jogadores que pretendia contratar, na sua maioria estrangeiros.

Se isto não era já suficientemente suspeito, juntemos o que querem fazer na próxima temporada. O Sporting movimentou-se no sentido de contratar mais jogadores estrangeiros de renome, depois de já ter investido em Fortino, Cavinato e Alex Merlim em 2015/16. O objetivo dos “leões”, além de renovar o título nacional, será conquistar a UEFA Futsal Cup, tentando alcançar este título europeu pela primeira vez na sua história, a segunda na história portuguesa, depois do sucesso do Benfica há algumas épocas atrás.

Léo, vindo do Kairat Almaty, é uma das novidades do Sporting 2016/17 Fonte: Sporting Clube de Portugal
Léo, vindo do Kairat Almaty, é uma das novidades do Sporting 2016/17
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Porém, para surpresa dos mais ingénuos e para confirmação daqueles que desconfiam de tudo o que mexe nos poderes da competição desportiva portuguesa, a Federação vai impor este ano a possibilidade de perda de pontos como penalização para as equipas que apresentem mais de cinco estrangeiros nas fichas de cada jogo. A Federação volta a estar do lado do Benfica, que quer voltar a erguer o titulo nacional e, depois do permanente “choradinho” de Joel Rocha durante os jogos das finais, usa este argumento para tentar combater o seu arquirrival.

Depois de alguns episódios vergonhosamente escondidos nas últimas temporadas, no que ao futebol diz respeito, os órgãos decisores do desporto português voltam a assumir uma posição claramente “encarnada”, desta vez com tudo a ser feito “às claras”. Mudam de decisão com apenas dois anos de diferença, sempre com a opinião corroborada pelo clube de Luz.

Ainda assim, o Sporting continua a contratar jogadores reconhecidos internacionalmente, com o regresso de Deo a ser uma das grandes notícias. Penso que os “leões” podem construir uma equipa candidata a lutar pelo título europeu e favorita a revalidar as competições nacionais que arrecadou em 2016/17.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

De passeio em passeio até à glória

Cabeçalho modalidades

Já está!! A espera acabou!! Desde 1998 que Portugal ansiava por este momento. E a jogar em casa, este tinha de ser o momento certo. A verdade é que Portugal nunca baixou os braços e passeou durante a prova toda até à conquista do tão desejado título.

A festa dos jogadores portugueses Fonte: Ursos/ FPP
A festa dos jogadores portugueses
Fonte: Ursos/ FPP

De goleada em goleada, Portugal não vacilou. Suíça, Áustria e Inglaterra não mostraram ser adversários à altura para a selecção, ao serem despachados com goleadas. Mas no meio destas selecções está uma que durante anos foi o carrasco de Portugal e a rainha da Europa. A Espanha, que venceu 6 europeus seguidos, também não resistiu e caiu com estrondo. 6-1 foi o resultado num jogo mais importante do grupo B e percebeu-se que este podia ser realmente o ano de Portugal.

Por falar em Espanha, depois de dominar durante anos e anos o panorama do hóquei em selecções, o ciclo parece ter chegado ao fim. Em 2014, a final foi perdida, em casa, para a Itália. E este ano voltou  a confirmar-se que o ciclo da Espanha vê os seus dias a chegar ao fim. A juntar à goleada sofrida contra Portugal, a eliminação nas meias-frente à Itália. A Espanha continuará sempre a ser uma das favoritas, mas a facilidade com que ganhava já não se repetirá.

E foi com a Itália que Portugal discutiu a final. Já tinha referido na antevisão que a Itália há muito tinha deixado de ser considerada um “outsider” para ser um forte candidato. Se a Espanha tem perdido fulgor, a Itália tem crescido imenso. E colocou o pavilhão em sentido, ao entrar a ganhar por 2-0. Portugal não entrou bem, talvez acusado a pressão de jogar a final em casa e cedo teve de correr atrás do prejuízo.

Mas a selecção não tremeu e partiu para uma segunda parte de sonho. Jogando como sabe, dominando completamente a Itália, Portugal mostrou ser o Portugal de toda a competição e deu a volta ao resultado, vencendo por 6-2.

A espera acabou!! Depois de anos a perder por causa de arbitragens duvidosas, por golos nos últimos segundos, o prémio mais do que merecido para estes jogadores. Oliveira de Azeméis volta a ser cidade-talismã para Portugal , num ano de ouro para o hóquei português(não esquecer as conquistas europeias de Benfica e Óquei de Barcelos) e Portugal tem uma geração para nos próximos anos ser bastante feliz.

A melhor liga do mundo está de volta!

0

Cabeçalho Liga Espanhola

Cristiano Ronaldo a dar meia volta no ar e a aterrar de braços abertos ao longo do corpo: SIIIIIIII!, gesto repetido 50 vezes por época, apenas intercalado por aqueles dias especiais em que aponta o indicador, não a outros, mas a si mesmo: eu estou aqui!. Messi a pegar na bola e fintar um, dois, três antes de marcar ou, simplesmente, a fazer um passe desde o meio campo que, inexplicavelmente, deixa um colega na cara do guarda-redes. Neymar a controlar de calcanhar aquela bola que vem pelo ar desde o outro lado do campo e a arrancar para cima do adversário com ar gozão; Bale a fazer jus à alcunha de Expresso de Gales e a percorrer 50 metros em apenas três ou quatro passadas; o “tosco” Suárez a ganhar três ressaltos antes de marcar mais um golo e dar três beijinhos na mão, sorrindo com os seus tão famosos dentes; e Iniesta a rodar sobre si próprio, escondendo a bola de cinco adversários.

Que este gesto se repita mais vezes Fonte: Facebook de Cristiano Ronaldo
Que este gesto se repita mais vezes
Fonte: Facebook de Cristiano Ronaldo

Mas haverá mais! Oblak a agarrar uma bola como se tivesse cola nas luvas, Navas a atacar o esférico felinamente, Sergio Rico a fazer uma enorme defesa a um tiro à queima-roupa, Diego Alves a travar mais um penálti e Ter Stegen a reclamar o papel de novo Neuer. Pepe a fazer um corte genial, seguido de um enorme disparate, algo em que Sergio Ramos também é especialista. Godín a comandar a defesa e a ter tempo ainda de ir lá acima marcar de cabeça; Piqué a mostrar que é tão bom dentro de campo como polémico no Twitter. Mustafi a sair com classe, Rami a limpar tudo e Marcelo a fintar dois adversários, sem sequer precisar de acelerar. Busquets sempre a aparecer no caminho da bola e a entregá-la redondinha, tal e qual como faz o seu irmão gémeo Bruno Soriano. O pequeno grande Modric, de cabelinho ralo, a comandar o meio campo e Saúl Ñiguez a crescer de dia para dia. Carlos Vela a fazer magia, Paco Alcácer a mostrar toda a sua inteligência, Soldado e Bakambu a destruírem uma defesa, Gameiro a ultrapassar o central em velocidade, Iago Aspas a combinar com Orellana, o jovem Aduriz a tentar bater o seu recorde de golos aos 35 anos, e Griezmann, teimoso, a querer entrar na luta pelo pichichi.

Fora do relvado, veremos Zidane a sorrir muitas vezes, porque se sente bem mais confortável assim do que a falar, e nunca veremos os dentes a Luís Enrique, empenhado em manter a sua relação difícil com a imprensa (e com o resto do mundo, aparentemente). Ouviremos, semana a semana, Simeone repetir os seus mantras: “jogo a jogo” e “o esforço não se negoceia”. Aliás, não só ouviremos, como veremos isso mesmo, com aqueles onze jogadores de vermelho e branco a correrem que nem loucos, mas em perfeita harmonia, com outro louco no banco a dar instruções lá para dentro, mas também para a bancada. Veremos Quique Flores, sempre cavalheiro e cortês, e veremos Paco Jémez, o fundamentalista do tiki-taka, o Guardiola dos pequeninos, sempre polémico e sempre fiel às suas convicções, a tornar o Granada na segunda equipa com mais posse de bola na competição, só superada pelo Barcelona.

Simeone volta a fazer acreditar os "colchoneros" Fonte: Facebook de Diego Simeone
Simeone volta a fazer acreditar os “colchoneros”
Fonte: Facebook de Diego Simeone

Sabemos que tudo isto vai acontecer. Não sabemos o momento exato, mas já sabemos os dias. É que já é conhecido o calendário da Liga Espanhola. De 21 de agosto a 21 de maio, a melhor liga do mundo estará de volta!

Pouco importa, pouco importa… queremos é o 36!

sl benfica cabeçalho 1

A cada defeso regressam e recrudescem nos corações benfiquistas sensações de desconfiança e temor – é um sinal positivo e, sobretudo, frutífero. Significa, essencialmente, que o benfiquista comum continua atento e que ainda não se cansou de vencer (e alguma vez se cansará?). Significa que o benfiquista comum compreende a natureza do seu clube, os seus princípios e objectivos fundadores e tudo aquilo que o rodeia; que conhece as verdades indesmentíveis e universais quanto à existência de campeões antecipados, permanecendo consciente do quão indispensável é, a cada ano e momento da competição, colocar ênfase em critérios de sucesso transversais e intemporais: humildade, dedicação, trabalho e superação.

Há um ano, por esta altura, o Benfica alterava o seu rumo – drástica e grosseiramente –, abdicando dum paradigma alicerce de vitórias, com futebol dominador e tantas vezes avassalador. Uma alteração com a qual, à época, discordei com veemência. Hoje, felizmente, permito-me confessar alegremente tais estrondosos equívocos, pois, ao contrário daquilo que prognosticava (tal como a esmagadora maioria dos benfiquistas), as coisas correram pelo melhor. O Benfica provou, em Portugal e na Europa, como divergem os misteriosos caminhos para o sucesso; e como no futebol não há bons e maus modelos, mas apenas aqueles que ganham e aqueles que perdem.

Luís Filipe Vieira ganhou a aposta, calando os críticos (onde lamentavelmente me incluo), com uma estratégia economicamente viável, financeiramente rentável e – atentando ao que realmente importa – desportivamente bem sucedida. Aos títulos alcançados, somaram-se as receitas milionárias obtidas através da prestação na Liga dos Campeões e das vendas de Gaitán e Renato Sanches. No espaço de um ano, o Benfica reduziu a despesa e aumentou a receita não precisando, para tal, de abdicar do seu estatuto competitivo, apresentando-se como candidato/favorito em todas as provas onde está inserido, seja no desporto rei, como noutras modalidades com verdadeira relevância no panorama desportivo nacional.

Os resultados alcançados justificam a política e, por conseguinte, a continuidade da estratégia usada. A diferença, largamente positiva, reside na capacidade que o clube demonstra, no presente, em manter a parte significativa do plantel (tri)campeão em título, ao contrário do sucedido em defesos anteriores. Jamais se poderá ignorar o impacto imediato das saídas de Gaitán e Renato Sanches, porém, em comparação com as habituais revoluções às portas do Estio, Rui Vitória terá, neste defeso, mais certezas quanto à construção do colectivo. Com outra significativa vantagem: desta vez, terá à disposição o tempo e o espaço de uma pré-época digna de um clube profissional, responsável e ambicioso, resumidamente, ao nível do Benfica, em contraponto com a experiência amadora pelas Américas surrealistas que estoicamente suportou no seu ano de estreia.

Rui Vitória tem, desta vez, uma pré-época à sua medida Fonte: SL Benfica
Rui Vitória tem, desta vez, uma pré-época à sua medida
Fonte: SL Benfica

O Benfica dispõe de jogadores experientes e talentosos, embora, na verdade, algo mais justifica a fome por títulos que tão bem tem sido saciada: o grupo está polvilhado de mística; um ingrediente que não se compra e muito menos se vende. Neste plantel, existem homens conscientes da grandeza do símbolo que carregam, da responsabilidade que lhes cabe, que assumiram com coragem e determinação, desde o primeiro dia de águia ao peito, a dimensão histórica deste clube, tão bem reflectida nos milhões vibrantes espalhados por todo o mundo. O compromisso assumido perante os objectivos colectivos e a sintonia com os adeptos – força fundamental, não só na Luz, como nos estádios espalhados pelo país – afiança a vontade de chegar sempre primeiro e mais alto. Para isso, o Benfica tem muitos capitães, não só Luísão, empunhando a braçadeira, mas também Júlio César, Jardel, Samaris ou Jonas, sem ela.

Faça-se justiça a Aurélio Pereira

0

sporting cp cabeçalho 2

“É preciso jogar sem jogadores da formação do Sporting para ganharmos alguma coisa”. Este tipo de piadas foram ditas e repetidas em Maio, quando Portugal se sagrou campeão europeu de sub-17 com uma maioria de jogadores de Benfica e Porto no onze. Após os três empates na fase de grupos do europeu de França, sempre que um Sportinguista mostrava orgulho pela presença massiva de jogadores do clube na selecção (e às vezes nem era preciso isso), a frase passava a algo como “por estarem lá tantos do Sporting é que não ganhamos a ninguém”. Portugal avançou na competição e o gozo foi desaparecendo, tendo sido substituído por uma muitas vezes mal disfarçada tentativa de mostrar indiferença.

Mas a verdade é que foram 10 em 23. Dez jogadores formados em Alvalade integraram o lote dos vinte e três melhores jogadores portugueses – entre os quais Cristiano Ronaldo, um dos melhores futebolistas de todos os tempos. Não há volta a dar: a formação do Sporting contribuiu mais para este título do que a de todos os outros – e isto não é arrogância nem desprezo, mas sim felicidade. Todas as fotografias, vídeos e crónicas deste europeu estarão para sempre relacionadas com o clube verde-e-branco, porque o sucesso da formação leonina e da selecção em França estão umbilicalmente ligados.

Ainda assim, após a conquista do Europeu, os artigos que mais fizeram justiça à Academia do Sporting são estrangeiros. É o caso do britânico Daily Mail, que refere que “Portugal pode agradecer ao Sporting” pelo facto de 10 dos 14 jogadores usados na final terem sido formados no clube, da estação televisiva francesa TF1, que fez uma peça com o título “França-Portugal: o grande vencedor é o Sporting” (quantas vozes acusatórias não se ouviriam se Bruno de Carvalho ou o Facebook leonino ousassem escolher semelhante título?), e ainda do site desportivo espanhol Panenka, que destaca a injustiça de o guardião português não ter sido captado pelas imagens no momento em que Ronaldo ergue a taça, dando à peça o sugestivo título “Ruipatricismo”. Por cá, elogiar a formação leonina é quase tabu. O papel dos jornalistas não deveria ser procurar histórias com valor-notícia? Pois aqui têm uma situação de grande interesse e com potencial para ter eco no estrangeiro, como se viu. Mas, se não fosse Bruno de Carvalho a puxar a brasa à sua sardinha, como compete ao presidente de um clube, este assunto seria ainda menos mencionado. E, claro, por vir de quem vem, é um inaceitável acto de propaganda, de fanatismo, de tentativa de apropriação de um título da selecção, do que calhar.

vainqueur
Para a francesa TF1, “o grande vencedor” da final “é o Sporting”. Claro que há exagero. Mas quem duvida que haveria polémica caso fosse o Sporting a dizê-lo?

As redes sociais do Sporting sugeriram a utilização do meio-campo leonino na selecção, baseando-se num artigo muito bem sustentado no Jornal Sporting acerca das vantagens das rotinas entre futebolistas. Gerou-se o caos. “Ai, que o Sporting está a condicionar o seleccionador!”. Pouco depois, quando Renato Sanches ainda era suplente, A Bola fez uma capa a pressionar para que o médio do Benfica fosse titular. Argumentos? Nenhum, a não ser que Renato e Ronaldo começam pela mesma letra (!). O jornal chamou-lhe “Fórmula RR”. Notável! Mas os mesmos que criticaram o Sporting por promover os seus jogadores, como qualquer clube nacional ou estrangeiro faz, aplaudiram a iniciativa. De igual modo, após ter celebrado um título graças a Rui Patrício, o vice-presidente do Benfica Rui Gomes da Silva disse que se fosse presidente das águias não escolheria o leão para guarda-redes. Estas declarações tiveram destaque. Estranho país este em que as redes sociais de um clube não podem falar dos seus próprios jogadores, mas em que o vice de um outro clube já pode provocar o rival e ainda lhe dão palco.

Sobre a Terra, sobre o (M)ar!

0

sporting cp cabeçalho 1 Dez de junho: Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas. Dez de junho de 2016: início do UEFA Euro 2016, em Paris. Dez de julho de 2016: Dia de Portugal e da Comunidade Portuguesa em França, Dia de Portugal Campeão Europeu. O primeiro título, o título festejado de norte a sul do País, em cada canto onde reside um português. Dia do caneco. O europeu foi um prolongar do festejo do nosso dia. Do dia em que somos mais que um país pequeno, mais que uma seleção em que só um jogador conta e que baixamos a cabeça frente aos que se dizem grandes. Dia 10 de julho fomos «grandes gigantes/com 10 metros de altura» (Desculpem, Da Weasel, pelo “roubo” da frase) e mostrámos a cada um deles o que é ser português e que David derrota sempre Golias, mesmo quando este mesmo Golias tem mais 20 aliados para o apoiar.

Um dos grandes momentos deste Euro 2016 Fonte: AP
Um dos grandes momentos deste Euro 2016
Fonte: AP

Sou patriota, mas não cega: nem sempre jogámos como deveríamos (aliás, neste caso, jogámos como sempre e ganhámos como nunca), mas a raça lusitana falou sempre mais alto e o coletivo sobrepôs-se ao individual; jogámos como uma equipa, não como dez mais um. Não posso também, como Sportinguista, deixar de sentir orgulho por todos os jogadores que em campo, quer sejam da formação, quer estejam ainda no clube, deixaram tudo o que podiam para levar o nome português mais além. Depois da grande época que fizeram, conseguiram reunir forças por mais um jogo, por mais um objetivo! Claro está, e apesar de querer apenas destacar um só jogador, não o poderei fazer: acho que tanto Rui Patrício como João Mário estiveram à altura dos campeões e impulsionaram o jogo para passar mais uma fase.

Um guerreiro sérvio para o meio-campo do Málaga CF

0

Cabeçalho Liga Espanhola

Foi considerado um dos jovens mais talentosos a actuar no futebol europeu pela UEFA  há apenas uma década atrás, mas nos últimos anos a sua carreira tem sido algo discreta. Zdravko Kuzmanovic foi apresentado na passada semana como o novo reforço do renovado Málaga CF de Juande Ramos e acrescenta assim mais um clube ao seu já extenso currículo. O internacional sérvio de 28 anos chega a La Rosaleda por empréstimo do FC Basel e vê nesta sua nova aventura uma grande oportunidade para se dar a conhecer numa liga pela qual nunca havia passado. No dia da sua apresentação como reforço dos Boquerones, Kuzmanovic afirmou não ter pensado muito quando lhe foi apresentada esta proposta.

O poderoso médio sérvio acredita que irá representar um “grande” do futebol espanhol e que, por esse motivo, não havia muito a pensar, nem a decidir no momento em que lhe foi endereçada a proposta. Zdravko descreveu-se a si próprio como um médio centro, forte fisicamente, que gosta de actuar à frente da defesa, mas que também gosta de construir jogo e participar nas manobras ofensivas. O internacional sérvio desvalorizou ainda uma eventual necessidade de adaptação ao futebol espanhol, afirmando que o “futebol é futebol” e é “igual em todos os lados”. A respeito do seu novo treinador, o experiente Juande Ramos, Kuzmanovic frisou que, embora não o conhecesse pessoalmente, já se havia cruzado com ele numa partida a contar para a Liga Europa, quando este estava ao serviço do FC Dnipro.

Kuzmanovic: O novo homem forte do meio-campo do Málaga CF Fonte: Málaga CF
Kuzmanovic: O novo homem forte do meio-campo do Málaga CF
Fonte: Málaga CF

Zdravko Kuzmanovic nasceu em Thun, no cantão de Berna na Suíça em 1987 e representou o país na categoria de Sub-21 durante dois anos. Filho de país sérvio-bósnios, começou a sua carreira como profissional no FC Basel em 2005 e era tido à época como um dos jogadores mais promissores a actuar na sua posição no velho continente. As boas prestações ao serviço do actual campeão suíço valeram-lhe um bom contrato com a ACF Fiorentina em 2007. Aos 19 anos de idade, Kuzmanovic teve algumas dificuldades, naturais, nos primeiros tempos passados em Florença, mas viria a tornar-se num elemento de vital importância para a equipa até à sua saída para a Bundesliga em 2009.