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Dia de finais com vencedores distintos

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Hoje foi dia de finais na Póvoa de Varzim e, também, de dois encontros sempre escaldantes entre SL Benfica e Sporting CP, tanto na Taça masculina como na feminina. Na antecâmara da final mais esperada, tivemos um belo aperitivo, com a disputa da Taça de Portugal para as senhoras.

Foi um jogo extremamente equilibrado, sempre com uma grande incerteza a pairar no marcador durante os 40 minutos, e que terminou empatado a dois golos. As águias assumiram as despesas do encontro e criaram mais ocasiões de perigo, não conseguindo, no entanto, concretizar. Manteve-se assim o jogo em aberto até ao fim do tempo regulamentar. Tendo o empate persistido, foi necessário recorrer a mais dez minutos de Futsal, nos quais se manteve a toada de jogo e o Benfica acabou por ser mais forte neste tempo extra, marcando um único golo para forçar o desempate e confirmar a vitória das vermelho-e-brancas ao cabo de 40+10 minutos de muito bom Futsal de parte a parte, numa demonstração cabal e inequívoca de que também o Futsal feminino merece mais atenção por parte do público, pois já está confirmado que, em termos de espetacularidade, pouco ou nada fica a dever à vertente masculina.

Depois, a partir das 17h30, iniciou-se a final mais aguardada, com os mesmos intervenientes, mas desta feita na vertente masculina. O jogo foi, ao contrário do que se viu na primeira final, dominado pelos leões no início, que criaram variadas oportunidades que esbarraram ora nos postes ora num inspiradíssimo Juanjo. Quando não eram estes dois elementos a salvar o Benfica, era o desperdício puro dos jogadores leoninos que os poupava, como por exemplo um falhanço incrível de Fortino, completamente isolado, na cara do guardião espanhol. Sensivelmente a meio da primeira parte, eis que o elemento claramente em destaque do lado encarnado, o guarda-redes Juanjo, tem uma falha que desequilibrou o marcador a favor do Sporting, num golo de Miguel Ângelo.

O Sporting CP é um justo vencedor da prova Fonte: Sporting CP
O Sporting CP é um justo vencedor da prova
Fonte: Sporting CP

A cinco minutos do intervalo, João Matos amplia o marcador após desvio oportuno ao segundo poste, para marcar um fosso de dois golos à entrada para os últimos 20 minutos, deixando antever uma tarefa bastante complicada para os comandados de Joel Rocha. A vantagem verde-e-branca não merece qualquer contestação até ao momento, pois foi sem sombra de dúvida a melhor equipa em campo na etapa inicial. Na segunda parte, surge o melhor estímulo que uma equipa em baixo no marcador pode receber: a 13 minutos do fim, Gonçalo Alves marca e faz com que o Benfica reentre na discussão do resultado.

A partir deste momento, a formação encarnada passou a acreditar mais, passando a haver boas situações para marcar de parte a parte. Depois, no último minuto, Fortino marcou mais um golo, que parecia sentenciar o jogo, aproveitando o 5×4 das águias. Só que na jogada a seguir surge um tento que volta a colocar o SLB dentro do encontro. No entanto, o golo de Cavinato, a meros oito segundos do fim do encontro, ditou o resultado final de 4-2, favorável aos pupilos de Nuno Dias, que três anos depois volta a conquistar este troféu, juntando-a assim à Taça da Liga ganha em Janeiro último.

Uma conquista bem merecida para o Sporting, que foi bastante melhor do que o seu adversário em alguns momentos do jogo de hoje, uma vez que o Benfica só se empenhou verdadeiramente na etapa complementar.

Foto de capa: Sporting CP

O Mundo sabe que há magia em Alvalade

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Estamos na reta final do campeonato, a uma semana do fim do mesmo. A esta hora, ainda não sabemos quem será o campeão, havendo apenas duas hipóteses: Sporting ou Benfica.

Este foi o meu primeiro ano com lugar cativo em Alvalade. E que melhor ano poderia eu ter escolhido, após o último título em 2002? Nenhum. Esta temporada está a ser a melhor dos “leões” desde aquela em que João Pinto e Mário Jardel deliciaram o país e trouxeram o último campeonato nacional para o clube. Atualmente, dá gosto ir a Alvalade, ver os jogos do Sporting Clube de Portugal. Conseguimos ir para o estádio com uma confiança inabalável na equipa, o que era raro na última década.

Antes, quando o FC Porto recebia o Beira Mar, a União de Leiria ou equipas semelhantes, a única expetativa era a de saber qual seria a diferença de golos, porque a equipa da casa venceria sempre. Neste final de época, é isso que sinto em relação ao Sporting. Era este o meu pensamento, por exemplo, antes das últimas receções a União da Madeira e Vitória de Setúbal.

A equipa tem jogado bem ao longo de toda a época, mas tem estado especialmente competente neste último terço. É frequente vermos o Sporting a atacar, com seis ou sete jogadores envolvidos na manobra ofensiva, sempre em constantes trocas posicionais e com muita dinâmica. Por outro lado, é raro ver oportunidades claras de golo dos adversários. Mesmo nos últimos jogos em que tiveram resultados negativos (empate em Guimarães e derrota na receção ao Benfica), ambos tiveram apenas uma ocasião digna de registo. A questão diferenciadora dessas duas partidas para as mais recentes foi a eficácia.

O Sporting não marcou golos, nem a Miguel Silva, nem a Ederson, e sofreu o golo nessa única ocasião dos benfiquistas. Perdeu a liderança após essas jornadas e, até agora, ainda não a recuperou. Daí Jorge Jesus ter dito, após o jogo de ontem, que o futebol foi cruel com os “verdes e brancos”. Subscrevo inteiramente.

Há muitos anos não se via uma equipa tão qualidade de “verde e branco" Fonte: Sporting CP
Há muitos anos não se via uma equipa de tanta qualidade de “verde e branco”
Fonte: Sporting CP

Ainda assim, a conclusão que retiro deste meu primeiro ano com lugar cativo em Alvalade já é bastante positiva. Apenas será 100% positiva se voltar lá na próxima semana para festejar o título. O ritual iniciado na receção ao FC Porto, com a entrada das equipas ao som de “O Mundo Sabe Que”, e que permite logo aquecer as gargantas para os noventa minutos que se seguem, foi uma das melhores ideias que vi no Sporting, desde sempre. É um ritual diferente, que faz lembrar os ambientes arrepiantes de Anfield Road ou do Signal Iduna Park, em Dortmund.

Se o público de Alvalade já estava a ser uma força brutal para toda a equipa, mais ficou a sê-lo depois da introdução desta novidade. O Sporting nunca andará sozinho, pois estes adeptos farão tudo o que puderem pelo seu clube.

Os adeptos não têm ficado em casa. Temos a melhor média de assistências deste novo estádio, e isso deve-se ao presidente, que tem sido absolutamente incansável na defesa da equipa, ao treinador, que trouxe uma filosofia de jogo que tem apaixonado os sportinguistas e torna a equipa leonina naquela que melhor futebol joga na Liga, e aos jogadores, que têm formado um grupo coeso e com muita qualidade.

Lições de uma reviravolta improvável

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Estamos prestes a terminar o primeiro ano de Rui Vitória à frente do Sport Lisboa e Benfica. E, se toda a gente sabe que a avaliação e a reputação de um treinador vive quase inteiramente de resultados, talvez seja interessante retirar algumas conclusões do que foi feito nos últimos dez meses, antes que a sua primeira impressão fique irreversivelmente marcada pela classificação final do campeonato.

Rui Vitória chega ao Benfica em Junho de 2015 num contexto muito particular. Chega com a tarefa difícil de ser sucessor de alguém que deu várias vitórias ao clube e que sai “em alta”, com altos níveis de popularidade. A juntar a isto, esse mesmo ex-funcionário junta-se a um dos rivais, criando um sentimento generalizado de traição e orgulho ferido, mas que acima de tudo provocou um clima de grande incerteza e ansiedade, que se sentiu entre os adeptos e que se estendeu à equipa.

O facto de ele próprio ser um treinador relativamente jovem, a abraçar o desafio de treinar o seu primeiro clube “grande”, e de ter um temperamento calmo e ponderado não ajudou: criou-se alguma desconfiança entre os adeptos, com medo de que fosse demasiado “manso” e de que não tivesse capacidades para manter os parâmetros a que já estávamos habituados.

Há que assumir e não esquecer que, no início da época, Rui Vitória era o “underdog”, o desfavorecido, o subestimado. E essa imagem colou-se às expectativas do que seria a próxima época do Benfica.

O período de Rui Vitória arranca e as dificuldades aumentam. Sem grandes reforços de destaque (à exceção de Mitroglou), as alterações mais marcantes na equipa passaram pela inclusão de jogadores da formação. Logo em Agosto a Supertaça é a primeira desilusão. Arranca a época 2015/2016 e perdem quatro jogos com os principais rivais. Em Novembro, eliminados da Taça de Portugal. E a meio de Dezembro a sete pontos do primeiro lugar.

Para os mais pessimistas, esta parecia ser já uma época para esquecer, em que dificilmente poderia sair daqui alguma coisa digna de registo. Para os realistas, não fazia mal manter as expectativas baixas.

Rui Vitória conseguiu construir um percurso vitorioso no SL Benfica Fonte: SL Benfica
Rui Vitória conseguiu construir um percurso vitorioso no SL Benfica
Fonte: SL Benfica

Hoje, a entrar no mês de Maio, o Benfica está desde o início de Março a segurar o primeiro lugar no campeonato. Chegou aos quartos da Champions e conseguiu exibições que encheram os benfiquistas de orgulho. As vitórias no campeonato são gordas e o Jonas afirmou-se como um dos melhores marcadores da Europa. Isto com um dos onzes objetivamente mais fracos dos últimos anos e com o plantel mais barato entre as equipas que estão no pódio.

Fazendo o ponto de situação: existe um antes e um depois de Rui Vitória? Mudou-se de treinador – mas, na prática, que mudanças é que se notam?

Dérbi a dobrar na final da Taça

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Nos jogos de hoje, alusivos às meias-finais das taças de Portugal masculina e feminina, apuraram-se, com naturalidade, os eternos rivais de Lisboa, SL Benfica e Sporting CP, estando a respetiva final agendada para o dia de amanhã; primeiro a feminina às 14h30 e pouco depois, às 17h, a grande final masculina. Primeiramente, jogaram-se as meias-finais femininas, com o SL Benfica a bater a equipa nortenha do Gondomar por esclarecedores 7-2. De seguida, foi a vez de as leoas entrarem em campo para derrotar a formação da Novasemente por 3-0 e marcar assim um sempre escaldante dérbi na final da taça. Seguidamente, ocorreram as semifinais masculinas, com dois encontros entre águias e leões.

O Sporting CP logrou bater e afastar o SL Olivais da discussão da final com uma vitória em tudo semelhante à das senhoras, pelo menos em resultado. A oposição do seu adversário, pelo menos em termos defensivos, sobretudo nos primeiros 20 minutos, foi bastante feroz. E sempre que possível a turma lisboeta espreitou o contragolpe, sendo de destacar uma grande ocasião ainda quando se registava um nulo no marcador, em que João Marçal apareceu na cara de Marcão, mas contou com uma defesa brilhante do guardião brasileiro para evitar o golo inaugural.

Pouco depois, eis que o conjunto leonino inaugura o marcador, num remate à meia-volta de Rodolfo Fortino após um (raro) erro defensivo dos encarnados na primeira parte. A segunda metade foi um pouco diferente, com mais erros da equipa de Luís Alves, devido obviamente ao cansaço acumulado, e a vantagem a avolumar-se naturalmente, com golos de Diogo e Fortino, este a aproveitar o facto de o Olivais estar a jogar com guarda-redes avançado.

Fortino foi a grande figura do encontro, ao apontar dois golos Fonte: Sporting Clube de Portugal
Fortino foi a grande figura do encontro, ao apontar dois golos
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Foi, portanto, uma vitória inteiramente merecida do Sporting, que avançou tranquilamente para a grande final, onde vai enfrentar o Benfica, que derrotou os Leões de Porto Salvo por magro e sofrido 2-1, num jogo onde a exibição dos encarnados não foi a melhor, muito em parte devido à excelente oposição que os Leões formaram ao longo do jogo. Começando pelo início, as águias entraram melhor e materializaram o seu domínio inicial com o golo de Fábio Cecílio, sendo que com o jogo desempatado a equipa de Joel Rocha baixou bastante os seus níveis de agressividade, sendo com relativa naturalidade que surgiu o golo do empate, num livre bem aproveitado pela turma de Rodrigo Pais de Almeida para levar o jogo com uma igualdade a um para o descanso.

O treinador do SLB não se mostrava nada satisfeito com o que se passava em campo, mantendo-se o ritmo de jogo na parte final, com um Benfica a desperdiçar bastantes ocasiões para marcar e os verdes a defenderem-se como possível, nunca descurando um possível golo num contra-ataque. Com o aproximar do fim dos 40 minutos, os Leões revelavam algum desgaste e os de vermelho e branco aproveitaram para encostar a equipa de Oeiras às cordas, marcando já perto do fim, num autogolo do defensor contrário. Pareceu-me também uma vitória justa por aquilo que foi a produção ofensiva das equipas, embora o emblema da capital tenha que melhorar (e muito) ao seu nível exibicional se quiser vencer amanhã.

Foto de Capa: FPF

Sporting CP 5-0 Vitória FC: Mão cheia de classe para a melhor equipa

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Mais uma jornada em Alvalade, mais uma vitória fácil e tranquila do Sporting. Os “leões” estiveram iguais a si mesmos, com a dinâmica e a seriedade habituais desde o apito inicial do árbitro.

A prestação de João Mário, um dos principais talentos da equipa, foi baixa devido a uma lesão sofrida durante a semana, tendo entrado Gelson Martins para o seu lugar no onze inicial. Logo a partir do início, os “verde-e-brancos” tentaram ir para a frente, tiveram pontapés de canto e carregaram sobre a área dos sadinos, que entraram em campo com cinco defesas e uma linha de quatro médios à sua frente, na tentativa de suster ao máximo o esperado carrossel ofensivo leonino.

Depois de o capitão, Adrien Silva, ter sido admoestado com um cartão amarelo, digamos, “habilidoso”, o Sporting chegou à vantagem a meio da primeira parte. Depois de Coates e Slimani já terem tentado, foi Gelson Martins, a surpresa do onze, que inaugurou o marcador. Depois de uma jogada muito bem organizada por Slimani, William Carvalho e Bryan Ruiz, o jovem extremo português fez um chapéu ao guarda redes Ricardo. Um golo cheio de classe e qualidade técnica que começou a pintar a manta em Alvalade. Pouco depois, veio o segundo, apontado por Teo Gutiérrez. William Carvalho, que fez mais uma excelente exibição, cavalgou uma série de metros até encontrar espaço para o “cafetero”, que rematou junto ao primeiro poste, não dando grandes hipóteses de defesa a Ricardo. Foram dois golos muito parecidos com jogadas finalizadas no lado direito do ataque leonino.

Na segunda metade, mais do mesmo. O Sporting reentrou a jogar como queria, perante um Vitória de Setúbal muito fraco e totalmente inofensivo. Aos dez minutos do segundo tempo, Gelson completou o primeiro “bis” da sua carreira sénior, com um remate dentro da área, que culminou em mais uma bonita jogada, que teve a intervenção de Slimani e Adrien. Depois disso, JJ começou a pensar no jogo de Braga e retirou Slimani. Como se viu no amarelo a Adrien, o árbitro trouxe a lição bem estudada e, como Slimani estava em risco de exclusão, JJ não arriscou mais e colocou Hernán Barcos em campo. É de realçar a estrondosa ovação de que foi alvo o argelino, naquele que pode ter sido o último jogo com a camisola verde e branca em Alvalade.

Desta vez foi o português que bisou. O argelino guardou os tiros para Braga Fonte: Sporting Clube de Portugal
Desta vez foi o português que bisou. O argelino guardou os tiros para Braga
Fonte: Sporting Clube de Portugal

O Sporting criou mais uma mão cheia de oportunidades claras de golo até ao fim da partida, tendo concretizado mais duas, ambas por Bryan Ruiz. O primeiro foi a conclusão de um livre estudado, que foi executado de forma perfeita. Um golo para ver e rever várias vezes. O último tento foi já no período de compensação, num livre em que o costarriquenho aproveitou a desorganização da barreira sadina e fez a bola passar por lá, até às redes de Ricardo. O Sporting chegou assim à liderança provisória, ficando à espera de ver o que fará o Benfica nos Barreiros, frente ao Marítimo.

A Figura:

Gelson Martins – Divide o protagonismo com Bryan Ruiz. Ambos bisaram, ambos tiveram vários lances onde demonstraram toda a sua qualidade. É de notar que estiveram fortes na finalização, um dos calcanhares de Aquiles dos dois sportinguistas.

O Fora-de-Jogo:

Tiago Martins – Num jogo extremamente fácil de dirigir, conseguiu distribuir o mesmo número de cartões para ambas as equipas, denotando um critério lastimável, absolutamente aberrante. Logo aos 15 minutos, mostrou um cartão amarelo desnecessário a Adrien Silva, retirando-o da “final” da última jornada, em Braga. Ainda bem que Jorge Jesus não deixou Slimani em campo até ao final do encontro.

Académica OAF 0-0 SC Braga: A balada da despedida

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Sente-se que um tempo acabou, numa Primavera de flor adormecida. Qualquer coisa que não volta (a esperança), que voou, que foi um rio, um ar, na vida… da Académica. Durante 13 anos, o futebol de Primeira esteve em Coimbra, assistiu a histórias lindíssimas, com uma Taça de Portugal e uma presença europeia que fizeram renascer a esperança da Académica no regresso ao passado glorioso.

Esse passado, agora, está distante, e o futebol de primeira leva de Coimbra, para além dessas histórias, um choro de uma balada, recordações do passado e, claro, o bater da velha cabra. É assim, por entre a letra da Balada da Despedida, que se entende o adeus da Académica ao primeiro escalão do futebol profissional, depois de empatar, a zero, com o Braga, em casa.

A primeira parte teve uma temperatura morna, com lances de perigo a ambas as balizas, mas com o Braga a vincar a superioridade dos seus executantes, fazendo uso da qualidade técnica e das dinâmicas há muito assimiladas pelo grupo. que causaram calafrios aos estudantes, sempre com Wilson Eduardo em evidência – primeiro, cabeceou junto ao poste; depois, aproveitando um desentendimento entre João Real e Iago, isolou-se e atirou colocado, mas Trigueira, com uma grande defesa, impediu que o marcador sofresse alterações e, por fim, assistiu Josué, para um disparo a rasar o poste direito de Trigueira.

Do outro lado, estava uma Académica que nunca deixou de demonstrar vontade, mas que parecia “manca”, funcionando apenas do lado direito, onde Hugo Seco esteve em evidência com vários rasgos que empolgaram as bancadas, embora sem grande sequência prática – os bracarenses só sentiram perigo quando o 77 da Briosa lançou Pedro Nuno e este, em boa posição, atirou por cima.

Não foi por falta de comparência que a Briosa "chumbou"
Não foi por falta de comparência que a Briosa “chumbou”

A segunda parte conheceu uma Académica mais expedita, com Gonçalo Paciência em evidência. O avançado sub21 português rematou ao poste numa boa antecipação a Boly e ainda obrigou Marafona a defender com os pés no lance que se seguiu.

A partir daqui, porém, os estudantes estabilizaram, e deixaram de criar perigo, permitindo ao Braga subir linhas. Esta permissividade causou vários calafrios à defesa da Académica. Primeiro Josué obrigou Trigueira a grande defesa e depois Hassan, por duas vezes, não teve arte nem engenho para ludibriar o guardião academista, que ainda deu esperança à Briosa, materializada numa bola à barra, enviada pela cabeça de Gonçalo Paciência.

No ultimo suspiro do jogo, num livre, Trigueira ainda subiu à área contrária, o público galvanizou-se, mas sem resultados práticos. Manuel Mota fez soar o apito final, pondo fim à comoção vivida nos últimos instantes da partida.

Sobraram apenas capas negras (e foram muitas, provando que os estudantes da Universidade de Coimbra estão com a Briosa), que já são de saudade, no momento da partida, e a promessa de que os segredos desta cidade serão levados para a vida, para a história do campeonato português.

A Figura:

Pedro Trigueira (Académica OAF) – Não teve uma actuação irrepreensível, longe disso, mas foi graças a ele que se acreditou durante os 90 minutos no Estádio Cidade de Coimbra. Hassan, Wilson Eduardo e Josué viram os seus intentos de serem carrascos travados, e a esperança cresceu graças ao guardião da Briosa.

O Fora-de-Jogo:

Iago (Académica OAF) – Frequentemente desposicionado, pareceu muitas vezes dessintonizado da dinâmica (que não era muita, convenhamos) da equipa, deixando fugir por três (!) vezes adversários sobre os quais tinha responsabilidades de marcação (Wilson Eduardo e Hassan por duas vezes), provocando calafrios nas bancadas.

Sala de Imprensa:

Paulo Fonseca:

Em primeiro lugar, quero lamentar a descida da Académica. É um clube que faz falta à Primeira Liga e no próximo ano vou torcer para que a Académica regresse”.

Foi um jogo em que poderíamos ter vencido em função do que produzimos. Um jogo sobre o nosso domínio, sobre o nosso controlo, com a Académica a tentar encontrar desequilíbrios da nossa parte“.

Temos os objectivos praticamente consumados, mas primeiro vamos pensar no Sporting; só depois vamos pensar na final da Taça”.

Fizemos uma segunda volta melhor do que a primeira”.

Boly vai ser reavaliado”.

Miguel Pinto (Adjunto de Filipe Gouveia):

Sentimento de tristeza profunda, como devem calcular. Uma descida de divisão é uma descida de divisão“.

Faltou-nos alguma atitude ao longo da época, mas são erros nossos e temos de os assumir“.

Hoje fizemos um bom jogo, foi um dos melhores esta época; criámos oportunidades de golo, mas faltou-nos a estrelinha“.

Em Tondela vamos honrar o nosso compromisso“.

Rio Ave FC 1-3 FC Porto: E tudo Sérgio levou…

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O FC Porto regressou às vitórias no campeonato. E bem pode agradecer a Sérgio Oliveira. Em Vila do Conde, foi sempre ele o comandante de uma equipa que voltou a começar mal.

A luta pela Liga Europa ainda continua no pensamento do Rio Ave e por isso entrou a todo o gás à procura do único resultado que lhe interessava: a vitória.

Aos cinco minutos, Hélder Postiga mostrou que ainda sabe como se faz e fez um golaço que Helton só conseguiu acompanhar com o olhar. À primeira tentativa, os vila-condenses puseram-se à frente do resultado e o FC Porto teve de aumentar a intensidade.

Apanhado a perder, o conjunto de José Peseiro lançou-se no domínio da partida. O meio campo, composto por Rúben Neves, André André e Sérgio Oliveira, foi secando o duplo pivô Wakaso/Pedro Moreira. A zona central do terreno era do FC Porto e o empate não tardou.

Edimar foi longe de mais na marcação a André Silva e Bruno Paixão não teve outra opção senão a de marcar grande penalidade. Miguel Layún, que regressou à titularidade, foi chamado a converter e fê-lo com sucesso.

A segunda parte trouxe um Rio Ave com mais capacidade para ter bola mas nem por isso com mais capacidade para criar perigo. Aliás, Brahimi e Sérgio Oliveira estiveram perto de marcar mas só o segundo o conseguiu. À entrada da área, solto e sem marcação, o médio rematou de forma fulminante sem hipóteses para Cássio.

Sérgio Oliveira voltou a brilhar pelo FC Porto Fonte: FC Porto
Sérgio Oliveira voltou a brilhar pelo FC Porto
Fonte: FC Porto

Fazia-se justiça, tal era a superioridade do FC Porto em campo. O Rio Ave foi sempre uma equipa presa de movimentos e os extremos Heldon, Kuca e Ukra raramente criaram desequilíbrios na defensiva portista. Perigo só junto da área de Cássio, guarda-redes que ainda teve que ir buscar mais uma bola ao fundo da baliza. Maxi Pereira desmarcou Varela e o extremo fez o resto.

Foi a cereja no topo do bolo numa exibição bem conseguida do FC Porto. A equipa mostrou-se confiante e só com esta atitude poderá aspirar a vencer a Taça de Portugal frente ao SC Braga.

A Figura:

Sérgio Oliveira – O médio português foi o motor da exibição azul e branca, conseguindo sempre pautar os ritmos da equipa. O golaço na segunda parte é um prémio mais que justo a mais um grande jogo do médio formado no FC Porto.

O Fora-de-Jogo:

Kuca – O extremo do Rio Ave continua uma sombra daquilo que já se viu dele. Sem capacidade de desequilíbrio, o antigo jogador do Estoril raramente criou perigo à defensiva do FC Porto. Estranha a opção de Pedro Martins em deixar Ukra no banco.

Foto de Capa: FC Porto

E se tudo fosse resumido a séries?

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Em mais um ano atípico do Futebol Clube do Porto e com o Benfica a reclamar o tri-campeonato mesmo ao virar da esquina, as pessoas esquecem-se de que, ainda assim, caso os dragões vençam a Taça de Portugal, a época é bem mais positiva do que, por exemplo, a do Sporting, que mesmo que consiga o segundo lugar “apenas” ganhou uma Supertaça (e com isto não estou a dizer que o Porto ganhará ao Braga nem a desculpar mais uma época horrível do meu clube! É só um ponto prévio para todos aqueles que se acham donos e senhores da única verdade, das boas maneiras e dos costumes do futebol português).

Seguindo: hoje trago uma pequena analogia, comparando o estado do nosso futebol com conhecidas séries do conhecimento geral do público. Como não podia deixar de ser, começo pelo meu clube, e depois abordo uns temas ou outros clubes que me parecem importantes:

Futebol Clube do Porto – “Lost” (“Perdidos”): Como o nome indica, nestes últimos anos, o clube da invicta, clube com mais títulos internacionais e maiores feitos do futebol português, clube que mais e melhor representa as cores nacionais no estrangeiro, parece estar completamente perdido: mesmo que Pinto da Costa se assuma como um verdadeiro “Jack Shephard” e tente levar o desnorte e o barco a bom porto, a verdade é que existem pessoas que parecem estar mais interessadas com o próprio umbigo do que com o bem geral da tripulação, e a essa pessoa dou o nome de Antero Henriques, vulgo “Sawyer” na aclamada série.

Pinto da Costa, o líder da nação azul e branca
Pinto da Costa, o líder da nação azul e branca
Fonte: FC Porto

Depois, temos situações enigmáticas e imprevisíveis, como as contratações de Indi, Angél ou Marega (entre outros), que são jogadores/personagens que nada acrescentam ao enredo principal, e a esses dou o nome de “Bernard”, “Bram” e “Rose”. Depois, temos aquele jogador adorado por todos chamado André André (que poderia ser “Hugo”, não pela dimensão física, mas pelo carisma!), que ainda não está maduro o suficiente para se assumir como um jogador do estilo de Deco (que saudades!). Por fim, temos o mal amado Herrera, que me faz lembrar “Sayid Jarrah”, o iraquiano do qual todos inicialmente desconfiavam mas que depois provou ser do melhor que havia na tripulação. O mesmo se passa com o mexicano no Porto, que quando é preciso alguém pegar nas rédeas da equipa este diz “presente”.

Espero sinceramente que o “fumo preto” que tem atormentado o nosso treinador, Peseiro (ou “John Locke”), se desfaça rapidamente, e que se faça uma enorme luz do fundo de um túnel, e assim ainda salvemos a honra da época com uma taça de Portugal, manifestamente pouco mas o ainda possível.

O futebol não é karma, se fosse sabia bem quem seria o campeão…

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Em Inglaterra, a pátria do futebol, o novo campeão é o “pequeno” Leicester City FC. Num daqueles sortilégios com os quais o desporto-rei, de longe a longe, nos presenteia, as raposas trapacearam os gigantes e endinheirados. Todavia, não se leia neste título, merecido, como uma espécie de lição, onde o suor e a dedicação chegam para bater o dinheiro e chavões do género. Isso é desprezar o esforço dos demais. O que aconteceu foi futebol. Numa raríssima conjugação de elementos, é certo, mas futebol. Não foi uma lição, nem tão pouco karma. Futebol. Só isso… E esta vitória abre-nos esperança para que mais vezes aconteça o que tem acontecido cada vez menos, indefinição. Incerteza. Só isso. Nada de karmas ou lições moralistas…

A indefinição que reina na Liga portuguesa, no que toca ao vencedor da mesma, estaria resolvida se fosse uma mera questão cósmica e de castigo da providência. O vencedor seria o meu Benfica e eu estaria perfeitamente tranquilo, apesar dos 2 pontos de avanço em 6 em disputa. Mas não estou, pois o futebol não se compadece com isso…

Este prólogo serve para eu dar as minhas impressões sobre o que tenho visto no que gravita na corrida ao ceptro de campeão. Centro-me nas declarações de gente como Bruno de Carvalho, Augusto Inácio e Octávio Machado. Mas também na atitude de alguns jogadores, comentadores e certos blogueiros. Primeiro: Acho que é demasiada cara de pau por parte dos três indivíduos nomeados acusar o Benfica seja do que for. São meros cobardes, que apareceram no futebol português não para agitar as águas, mas para dar-lhe beligerância. Não são uma lufada de ar fresco, mas sim de mofo, pois trata-se de um presidente que usa tácticas canalhas, lidas do bafiento livro escrito noutras paragens e que foi tão bem interpretado por inúmeras figuras sinistras nessas mesmas paragens.

O que pretende Bruno de Carvalho? Fonte: Facebook oficial de Bruno de Carvalho
O que pretende Bruno de Carvalho?
Fonte: Facebook oficial de Bruno de Carvalho

Figuras como Inácio e Octávio, que vivem para serem moços de recados. Só isso. Esse será o legado que esses dois bandalhos irão deixar. Esta tríade não apareceu no Sporting para lhe dar força através do carácter ou do trabalho. Os leões estão fortes sim, mas apenas porque um bando de patetas instruiu outros a comportarem-se na mesma linha. E usam tácticas obscuras de intimidação e mentira! E ao mais leve cheiro de hipótese de vitória, outros vão atrás. Não metem medo, já caíram no ridículo… E quanto mais no “contra tudo e contra todos” insistem, mais patéticos são… Não há nenhuma coligação para tramar o Sporting! Temos pena… E Octávio, por exemplo, é tão ridículo que ao falar em escutas ou agentes confirma a “mala”. Num Setúbal com ordenados em atraso, prémios? E Jesus, que constantemente borrifa-se em BdC, como no assunto Carrillo. Por fim, alguém sabe quem é o pior funcionário de sempre do Sporting Clube de Portugal? Quem o nomeou como tal e o que faz ele hoje?

Giro d’Itália 2016: O Tubarão voltará a atacar?

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Desde hoje e até 29 de Maio, a Volta à Itália irá estar na estrada. A 99.ª edição será um pouco diferente das dos últimos tempos, pelo menos em termos de percurso. Em termos de candidatos, são três os principais: Vincenzo Nibali, Alejandro Valverde e Mikel Landa. O italiano procura o seu segundo troféu, enquanto que os espanhóis quererão que o título não fique “em casa”.

Depois de vários anos como uma corrida verdadeiramente montanhosa e difícil para quem não fosse um puro trepador ou um all-rounder, o Giro deste ano acaba por dosear melhor as várias fases da prova e a edição deste ano apresenta apenas duas etapas de verdadeira alta montanha (com tudo o que envolve essa perceção de “verdadeira alta montanha”, porque até poderíamos considerar pelo menos mais duas outras etapas de alta montanha), com, pelo menos, quatro etapas de média montanha, aliadas a, igualmente, sete etapas próprias para os sprinters (com mais uma ou outra que poderá estar dedicada às fugas) e três contrarrelógios: um prólogo de quase 10 kms, logo na primeira etapa, um CR de pouco mais de 40 kms a meio e a habitual, no Giro, crono escalada.

A prova arranca na Holanda, com o tal CR inicial, e continuará em terras holandesas por mais duas etapas, próprias para os sprinters, mas onde o pelotão estará bastante nervoso e poderão existir as tais quedas. Depois disso, teremos o primeiro dia de descanso, sendo que antes os ciclistas já terão seguido viagem para Itália. As duas primeiras etapas em solo italiano não estão aptas a todos os sprinters, mas serão duas etapas que terminarão, em princípio, ao sprint (tendo em conta as pequenas subidas a poucos quilómetros do final, poderemos ter vitórias de “puncheurs”).

Nibali, Valverde e Landa partem como favoritos à conquista desta prova  Fonte: gazzettaworld.com
Nibali, Valverde e Landa partem como favoritos à conquista desta prova
Fonte: gazzettaworld.com

Depois de algumas etapas com pouca ação entre os favoritos, iremos ter a primeira chegada em alto, ao pé de uma estação de ski, em Aremogna. Com 17 kms de extensão, a subida final apresenta uma inclinação média de 4,8% e, possivelmente, teremos quase todos os principais candidatos a discutirem esta etapa.

Na sétima etapa poderemos voltar a ter a vitória de um sprinter, sendo que na etapa seguinte iremos ter um percurso que contará com pelo menos seis kms de terra batida, já a chegar à parte final da etapa, sendo que são a subir e bastante duros, algo que poderá ser decisivo nas contas finais. Na etapa seguinte, voltaremos aos contrarrelógios; neste caso, teremos uma corrida contra o tempo em cerca de 40 kms, situação que certamente irá fazer razoáveis diferenças entre os demais favoritos.